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22º Domingo do Tempo Comum

"Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la". (Evangelho segundo Mateus). "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la". (Evangelho segundo Mateus). Fonte da imagem: http://franciscanos.org.br/wp-content/uploads/2014/08/sandalia1.jpg

O seguimento de Jesus

Hoje em dia, há muitos que bancam o profeta. Mas ser profeta não é fácil, e tampouco seguir um profeta. Jeremias descreve sua vida de profeta como uma sedução (1ª leitura). “Entrei numa fria”, dir-se-ia hoje. Desde o começo, foi um tanto recalcitrante (Jr 1,6). Até quis fazer greve (Jr 20,9), mas a voz de Deus era como um fogo ardente no seu peito. Não conseguia reprimi-la… Tal é a sorte do profeta. Quando ele tem uma mensagem desagradável e sempre de novo deve ferir os ouvidos, Deus não o deixa em paz.

Também Jesus sabia que este era seu caminho (evangelho). Sabia que sua visão de Deus e do mundo não concordava com aquilo que o povo, sobretudo os chefes, esperavam. Pois é grande a diferença entre uma religião que serve para comprar o céu e uma fé que incansavelmente procura a vontade de Deus (seu incansável amor)! Quem não se quer converter da falsa segurança não pode tolerar a presença do incômodo profeta de Nazaré.

Simão Pedro, o mesmo que, pouco antes, proclamara a fé em Jesus como Messias e, por isso, se tornou o responsável dos seus irmãos, ainda não entendia a sorte do profeta. Pensava ainda em termos de sucesso, não em termos de cruz. Afinal, é agradável termos igrejas cheias, obras funcionando bem, entrevistas na TV etc. Mas quem acha isso mais importante do que a fidelidade à Palavra de Deus – mensagem amarga, que deve ser proclamada até o fim – não é digno de Jesus Cristo. É um adversário dele (o que, em hebraico, se chama “Satanás”). Para seguir Jesus, é preciso sentir o que Deus sente e não o que os homens acham…

Então Jesus fala do seguimento. Seguir a Jesus é renunciar a si mesmo, isto é, aos próprios conceitos feitos e acabados. É assumir sua cruz, a condenação humana, a degradação total… Diante da exigência da missão profética, querer salvar-se é perder-se (deixar de se realizar na missão de Deus). E perder-se (aos olhos dos homens) é realizar-se como enviado, como “filho” de Deus. A fidelidade à mensagem de Deus nos situa diante de uma escolha: garantir o sucesso humano (ganhar o mundo todo) ou ganhar “sua alma”, isto é, o cerne interior da existência. Devemos escolher entre uma realização superficial e a realização radical de nossa vida. Ora, que podemos dar em troca dessa realização radical, aquela que será sancionada pelo próprio Jesus, a partir de sua glória, na base daquilo que tivermos praticado?(24)

Há quem entenda a predição da Paixão de Jesus (evangelho) como sinal de que ele sofreu por querê-lo e o quis porque tinha que “pagar com seu sangue” em nosso lugar. Tal conceito é simplório. Certamente, Jesus sofreu porque o quis; porém, não porque gostava de sofrer (não era doente), mas porque a fidelidade à palavra do Pai o levou a isso. Se os homens se tivessem convertido à sua palavra, ele não teria sofrido (cf. Mt 26,39-42 e par.)! Mas ele teve que enfrentar até o fim o orgulho congênito do ser humano.

A 2ª leitura, início das exortações finais de Rm (muito ricas, por sinal), recebe uma luz particular do evangelho de hoje: oferecer-se como hóstia viva a Deus não é desprezar-se, mas é “culto razoável”, cultivo coerente e consequente da vontade de Deus: sermos plenamente seus: seu povo, seus filhos, seus profetas, não conformando-nos a este mundo, mas procurando conformidade com a vontade de Deus. É uma bela exortação para encenar a liturgia de hoje. Chamamos ainda atenção para a mensagem das orações: Deus alimenta, com seu amor (sacramentado na Eucaristia) o que é bom em nós, nossa doação, nosso amor (oração do dia, oração final).

(24).Este evangelho não apregoa o desprezo da vida (corporal) em favor de um espiritualismo mórbido (“salvar a alma”). Alma, na linguagem bíblica, é sinônimo de vida total. Designa o princípio e o cerne da vida. Salvar sua alma é realizar sua vida, e realizá-la autenticamente. Ora, quem descobre a visão de Deus sobre a realidade (a estrutura sócio-econômica, a estrutura religiosa, o abuso ecológico, o esbanjamento dos bens vitais, o cinismo da guerra, a usurpação dos direitos humanos, a ludibriação da verdade – tudo o que está em desacordo com Deus) fica assombrado pela mensagem de Deus; só consegue “desfazer-se” dela proclamando-a.., e correndo o risco da rejeição. A não ser que sufoque sua própria alma no suicídio espiritual.

 

Tomar a cruz e seguir Jesus

“É proibido proibir”. Hoje em dia existe o pensamento de que nada pode restringir o prazer e o poder. Privar-se de algum prazer é contrário ao que ensinam os grandes doutrinadores da sociedade – a publicidade, a televisão… “Chega de cristianismo triste! Para que sempre falar em cruz e sacrifício?”

No domingo passado vimos que Pedro, com entusiasmo, proclamou a fé em Jesus Messias. No evangelho de hoje, Jesus começa a ensinar que“o filho do Homem” vai sofrer e morrer. Ao ouvir essas palavras, Pedro fica indignado. Mas Jesus o repreende, porque pensa segundo categorias humanas e não segundo o projeto de Deus. Ensina-lhe que, para segui-lo, é preciso assumir a cruz. Séculos antes, Jeremias já experimentara a estranha lógica de Deus. Ele disse abertamente que Deus o “seduziu” para a tarefa ingrata de ser profeta (1ª leitura).

Os critérios humanos se opõem ao modo de proceder de Deus. O homem envereda pelo sucesso e pela eficiência, Deus pelo dom da própria vida. O caminho de Jesus e de seus seguidores é convencer o mundo do amor de Deus.

Deus não deseja “sacrificar pessoas” (como é praxe em estratégias militares e políticas). Apenas deseja que sejam testemunhas de seu projeto. Mas os que não concordam com este projeto matam os profetas, os enviados de Deus, quando estes querem ser fiéis à sua missão. Exemplos disto não faltam em nosso mundo. Por isso, quando Pedro protesta contra a ideia da morte de Jesus, este o vê do lado do grande “adversário”, Satanás: “Vai para trás de mim, Satanás, tu és uma pedra de tropeço para mim”. Pedro deve ir atrás de Jesus, em vez de seduzi-lo para um caminho que não condiz com o projeto de Deus (Satanás significa sedutor). Pedro pensava num Messias de sucesso, Jesus pensa no Servo Sofredor de Deus, que liberta o mundo por sua dedicação até a morte.

A lição que Pedro recebe ensina-nos a olhar para Cristo, para ver nele a lógica de Deus; a olhar para os pobres, para ver neles o resultado da estratégia do adversário… Pois o sucesso e a ganância produzem os porões de miséria.

Devemos analisar o sistema de Deus e o sistema do Adversário hoje. O sistema de Deus proíbe ao homem dominar seu irmão, porque Deus é o único “dono”, os sistemas contrários são baseados na dominação do homem pelo homem. Quem quiser ser mensageiro do Reino de Deus experimentará na pele a incompatibilidade com os sistemas deste mundo (2ª leitura). O mensageiro de Deus, seguidor de Jesus, será rejeitado pela sociedade como “corpo alheio”. Tomando consciência disso, vamos rever nossa escala de valores e critérios de decisão. A mania de sucesso, o prazer de dominar, de aparecer, de mandar… já não valem. Vale agora o amor fiel, que assume a Cruz, até o fim.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Disponível em: franciscanos.org.br

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Tomar a Cruz e seguir Jesus (Mt 16,21 27). Paróquia São José

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