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Liturgia para a Sexta-feira Santa

"Você está dizendo que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está com a verdade, ouve a minha voz". (Evangelho Segundo João) "Você está dizendo que eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade. Todo aquele que está com a verdade, ouve a minha voz". (Evangelho Segundo João) Fonte da imagem: https://feriados-do-mundo.com.br/info/feriados/sexta-feira-santa/

A cruz gloriosa

Durante o Tríduo Sacro, a liturgia segue os passos do Senhor mais cerradamente ainda do que no tempo da Quaresma. O Tríduo Sacro é um grande drama, uma grande encenação do sofrimento do Senhor. Por isso, tendo representado a Instituição da Ceia na tarde da quinta-feira, a liturgia não voltará a celebrar a Eucaristia até a noite pascal  – assim como Jesus não voltou a celebrá-la até que a celebrasse no Reino de Deus (Mt 26,29 e par.). Assim, no dia em que o sacrifício de Cristo está mais central do que nunca, a liturgia não celebra o sacrifício da Missa, mas uma evocação de sua morte, que não deixa de estar em íntima união com a missa de Quinta-feira Santa, já que o pão consagrado ontem é consumido hoje.

A liturgia nos faz sentir, sobretudo, o significado do sofrimento de Cristo, e as duas leituras que preparam a leitura do evangelho são fundamentais para contemplarmos este mistério.

A 1ª  leitura apresenta o 4° canto do Servo de Deus (Is 52-53). Neste texto, a jovem Igreja encontrou o fio escondido que a existência de Jesus revelou e levou ao fim: a doação da vida do justo, pela salvação dos irmãos, mesmo dos que o rejeitaram. Como diz a 2ª  leitura (Hb 4-5), Jesus participou em tudo de nossa condição humana, menos no pecado. Sua existência não foi alheia à nossa como a de um anjo. Jesus teve de descobrir continuamente, como cada um de nós, o sentido de sua existência, embora a vivesse de modo divino, em contínua união com o Pai. Assim, formado na escola da piedade judaica, ele conheceu a tradição que considerava a salvação como fruto do sofrimento redentor. Mas esta não era a teologia dominante do judaísmo farisaico, que esperava a salvação a partir das instituições, da observância legalista, de algum messias político… Jesus, pelo contrario, reconheceu na sua experiência íntima com Deus, a quem chamamos de Pai, a experiência dos pobres de Deus, do profeta rejeitado e do justo sacrificado pelos seus irmãos, e assumiu-a, em obediência até o fim ao projeto do Pai. E isso que nos ensinam as duas primeiras leituras, com suas expressões humanas e existenciais, que sacodem o nosso cristianismo monofisista(*): “pedidos e súplicas… veemente clamor e lágrimas… embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelo sofrimento” (Hb 5,7-8).

Esta cristologia da “quenose” (despojamento) (**)  e da verdadeira humanidade de Jesus é pressuposta para compreender a cristologia da glória no relato da Paixão de Jesus segundo João (evangelho). Jo mostra o sofrimento do Cristo fortemente à luz da fé pós-pascal. Mas nem por isso nega a dimensão trágica da experiência humana de Jesus; antes, a supõe e a coloca na luz de sua glória divina. Tal procedimento não teria sentido se a gente não estivesse profundamente convencido da realidade do abismo do sofrimento pelo qual ele passou. Pois é neste abismo que se realiza a revelação da glória de Deus, que é amor incomensurável. Assim, merecem especial atenção, nesta narração, a majestade de Jesus na hora de sua prisão; a ironia em redor do “rei dos judeus”, que Pilatos declara, formalmente, ser Jesus; o sentido do Reino de Jesus; e a cena de sua morte, fonte de Espírito e vida. O Cristo da Paixão segundo João é parecido com aquele Cristo vestido de traje sacerdotal ou real, coroado do diadema imperial, que os artistas do começo da Idade Média colocavam na cruz: é a visão teológica da Cruz Gloriosa, a mesma que domina a segunda parte da celebração da Sexta-feira Santa, a adoração da cruz, em que alterna a lamentação do Cristo rejeitado com a aclamação de sua glória (antífona Hágios ho Theós).

Entre as leituras e a veneração da Cruz gloriosa, pronunciam-se as grandes preces da Igreja, modelo das preces dos fiéis em nossas liturgias. Este rito também se inspira na idéia de que a cruz é a fonte da graça de Deus, da vida da Igreja: do lado aberto do Salvador nasce a Igreja.

A terceira parte da liturgia é o despojado rito de comunhão com o Senhor que nos amou até o fim. Este rito estabelece a unidade da presente celebração com a de ontem, consumindo-se hoje as Santas Espécies consagradas ontem (chamadas “pré-consagradas”). A bênção final tem um texto próprio, evocando a perspectiva da Ressurreição.

(*) Inclinado a substantificar a natureza divina de Cristo, desconsiderando sua encarnação em verdadeira existência humana.
(**) Cf. comentário da missa do dia de Natal.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

 

E inclinando a cabeça, entregou o espírito!

Sexta-feira da Paixão

Quem vai nos levar até o fundo mistério da sexta-feira das dores é São Bernardo de Claraval.

“Nós o vimos, diz a Escritura, e não tinha beleza nem atrativo para olharmos. O mais belo dos filhos dos homens tornou-se objeto de horror, semelhante a um leproso; o último dos homens, verdadeiramente o homem das dores, ferido por Deus e humilhado, sem graça nem beleza. O último dos homens que é o primeiro! Humilhado e exaltado! Ó opróbrio dos homens e glória dos anjos! Ninguém mais elevado e ninguém mais rebaixado! Foi coberto de escarros, saturado de injúrias, condenado à morte mais vergonhosa e contado entre os malfeitores (Is 53, 12). Essa humildade infinita ficará sem mérito algum? Assim como a paciência de Cristo é única, sua humildade é admirável, ambas sem precedentes.

Uma e outra adquirem ainda maior esplendor se considerarmos sua causa: O imenso amor com que Deus nos amou (Ef 2,4). Para redimir o escravo, o Pai não poupou seu Filho, nem o Filho a si mesmo. Realmente que amor imenso, que excede a qualquer medida e modo, e supera qualquer outro amor! Nada ilustra mais sua paciência e sua humildade como o fato de ter-se entregue à morte e ter assumido o pecado de todos, orando ainda pelos culpados a fim de que não morresse. Essa palavra é digna de fé e de toda acolhida(1Tm 1,15, 4,9): tornou-se oblação porque ele mesmo quis. Não se deve apenas dizer que quis e se tornou oblação, mas porque ele quis, tornou-se oblação (Is 53,12: Vulg). Pois somente ele teve o poder de dispor de sua vida: ninguém a tirou, ele ofereceu-a espontaneamente.

Tendo tomado vinagre, Jesus disse: Está consumado (Jo 19,30). Todas as coisas se realizaram, não tenho mais nada a fazer. E inclinando a cabeça – obediente até à morte – entregou o espirito (Jo 19,30) Na verdade, que homem pode adormecer na morte, por sua espontânea vontade? Que grande fraqueza é morrer, mas morrer assim que força imensa! Com efeito, o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (1Cor 1,25). Somente poderia assim entregar-se à morte aquele que por seu próprio poder iria retornar à vida. Somente podia dar sua vida aquele que podia igualmente retomá-la, pois tem o poder sobre a vida sobre a morte

Lecionário Monástico III, p 556-557.

Disponível em: franciscanos.org.br

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