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Liturgia para o 2º Domingo da Páscoa

"Tomé respondeu a Jesus: 'Meu Senhor e meu Deus!' Jesus disse: 'Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto'". (Evangelho Segundo João). Obra: A DÚVIDA DE TOMÉ, DE CARAVAGGIO. "Tomé respondeu a Jesus: 'Meu Senhor e meu Deus!' Jesus disse: 'Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto'". (Evangelho Segundo João). Obra: A DÚVIDA DE TOMÉ, DE CARAVAGGIO. Fonte da imagem: https://www.altoastral.com.br/tome-apostolo-jesus/

Fé vitoriosa no amor de Cristo

As duas primeiras leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o amor fraterno à luz da Páscoa, ou seja, da vitória do Ressuscitado. Na sua Primeira Carta, João explicou que em Jesus se manifesta o amor de Deus; mais: que Deus é amor. Porque Deus nos amou primeiro, nós também devemos amar e, como Deus não se vê, devemos amá-lo no irmão que vemos. Pois – e neste ponto engata a 2ª  leitura de hoje – nossos irmãos são filhos de Deus, porque acreditam em Jesus Cristo (1Jo 5, 1; cf. Jo 1,12-13); ora, quem ama o Pai, deve amar também seus filhos. Que amamos seus filhos verifi­ca-se na observância de seus mandamentos – o mandamento do amor, que Cristo nos deixou (Jo 13,31-35). Estes mandamentos não são um peso, mas antes, alegria, pois significam vitória sobre o mundo: a vitória daquele que crê em Jesus Cristo, que pelo sangue de sua cruz e pelo Espírito que nos deu – e também pela água do batismo, que significa tudo isso – vence o processo contra o mundo (cf. Jo 16,7-11).

Sintetizando o pensamento dinâmico e associativo de Jo, podemos dizer: a comu­nidade da fé em Jesus Cristo, do batismo em seu nome e do Espírito que ele envia é uma comunidade de irmãos, filhos de Deus, que, por causa da palavra de Cristo, devem amar-se mutuamente, como Deus os amou em Cristo. O amor é o sinal da fé que nos faz participar da vitória de Cristo sobre o “mundo” (no sentido joanino de poder ego­cêntrico e auto-suficiente). Pois essa vitória foi a vitória do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte.

O que Jo explica numa meditação teológica, o livro dos Atos nos mostra de modo narrativo (1ª leitura). A comunidade dos primeiros cristãos era “um só coração e uma só alma”. Praticavam a comunhão de bens, modo mais seguro para que ninguém tives­se de menos enquanto outros tivessem demais. Não havia necessitados entre eles. Ven­diam seus imóveis para alimentar a caixa comum, sob a supervisão dos apóstolos. Cer­to, as circunstâncias eram especiais. Viviam na fé de que Cristo voltaria logo. Não pre­cisavam constituir um capital para seus filhos. Contudo, talvez tenham constituído o melhor capital imaginável: uma comunidade de amor fraterno.

Ambas as leituras falam do amor no interior da comunidade cristã. É importante observar isso, pois não se trata de amor filantrópico, que dá um pedacinho para cá e um pedacinho para lá, mas do amor fraterno, que é comunhão de vida. Só num compromisso mútuo, selado pelo amor do Pai e a força do Espírito de Cristo, pode-se fa­lar de amor cristão no sentido estrito. Trata-se do amor como realização escatológi­ca: algo de Deus aqui na terra. Só enquanto realizarmos essa efetiva comunhão com os outros discípulos do mesmo Mestre num espírito comum, comunicaremos tam­bém, de modo autêntico e singelo, nosso carinho a todos os homens. A comunhão fraterna na comunidade de fé é a revelação do amor de Deus para o mundo (cf. Jo 13,35) e a fonte de nossa amorosa atenção para o mundo. Nela haurimos a força para nos doar ao mundo, como Deus lhe doou seu único Filho (Jo 3,16). Um cristianismo sem comunidade fraterna é um fantasma.

Também a mensagem de paz e a missão do mútuo perdão, que Jesus lega aos seus no dia de sua ressurreição (evangelho), dando-lhes seu Espírito, é, em primeiro lugar, esta missão da plena comunhão no seio da comunidade. O Espírito lhes é dado para ser a alma desta comunidade, que o fará irradiar também para fora.

Uma meditação sobre a experiência pascal dos primeiros cristãos talvez nos liber­te das saudades de um cristianismo quantitativo e nos converta para um cristianismo qualitativo, procurando realizar uma encarnação radical do amor de Deus em comunidades realmente dignas do nome de Cristo, que serão, também, as melhores testemu­nhas para a grande massa dos que Deus quer reunir em seu amor.

 

A comunidade que nasceu da Páscoa

Este domingo pascal acentua o dom do Espírito pelo Cristo Ressuscitado. O evangelho narra com Jesus, na própria tarde da Páscoa, apareceu aos discípulos no cenáculo, dando-lhes o Espírito Santo; e como, no domingo seguinte, Jesus mostrou seu lado aberto a Tomé, testemunha da primeira hora, mas proclamando felizes, doravante, os que  acreditarem sem ter visto (v. 29)

Queremos deter-nos no tema do dom do Espírito e a vida da comunidade. O dom do Espírito serve em primeiro lugar para perdoar o pecado (v. 22-23). Pois os discípulos continuam a obra que Jesus iniciou: na primeira apresentação por João Batista, Jesus fora chamado “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jô 1,29). A reconciliação com Deus e entre os irmãos é condição necessária para que seja possível a comunidade que Jesus deseja.

Na 1ª leitura vemos como essa comunidade funciona. Continuando a reunir-se, depois da morte e ressurreição de Jesus, e animada por seu Espírito, procurava viver em unidade perfeita: um só coração e uma só alma. Colocavam seus bens em comum, ninguém considerava seu o que possuía, e assim não havia carência no meio deles. Comunhão dos bens materiais mas também dos bens intelectuais, afetivos, espirituais. O que chamamos de “fraternidade”era realidade entre eles. Não era uma mera agremiação piedosa. Era uma união de vida.

Comunidade cristã é união de vida dos que seguem aquele que deu a vida por nós, Jesus Cristo. Ele nada guardou para si. Nós também, não devemos guardar para nós nada dos bens que nos foram dados – tanto materiais como intelectuais, morais etc. Somos  administradores, não proprietários, e isso é uma razão a mais para sermos muito responsáveis naquilo que fazemos: não nos pertence. Pertence a Deus e é destinado aos nossos irmãos e irmãs. Assim como Cristo deu sua própria vida em sinal do amor de Deus, assim também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16). Dar a vida, vivendo ou morrendo…morrendo de uma morte que em Cristo se transforma em vida.

Essa vida de comunhão, é obra do Espírito de Cristo, que é o sopro de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Podemos também dizer que o Espírito de Deus faz ressuscitar em nós a vida que Jesus viveu. Foi isso que experimentaram os primeiros cristãos, e é isso que a Igreja sempre terá de vivenciar. Não o egoísmo de uma instituição fechada sobre si mesma e de cristãos só de nome, mas uma comunhão de irmãos e irmãs, que contagia o mundo. Essa é a nossa fé, que vence o mundo (2ª leitura). A vida de Jesus ressuscita em nós. Paulo diz: “Não sou eu quem vivo, mas Cristo que vive em mim”(Gl 2,20). João escreve seu evangelho para que estejamos firmes na fé em Jesus e nessa fé tenhamos a vida. Mas não se trata de uma vida qualquer. Trata-se da vida que Jesus nos mostrou. Por isso João descreveu os gestos de Jesus, seus sinais que falavam de Deus (Jo 20, 30-31). Seja nossa vida, nossa comunidade, tal sinal: Nisto todos conhecerão que sois discípulos meus: que vos ameis uns aos outros”(Jo 13,35).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Disponível em: franciscanos.org.br

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