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O perigo das Fake News que viralizam mais do que notícias reais

Infelizmente, com muita rapidez as pessoas reproduzem o que encontram sem sequer indagar se é plausível aquela manchete, destaca o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da CNBB, Dom João Justino de Medeiros. Infelizmente, com muita rapidez as pessoas reproduzem o que encontram sem sequer indagar se é plausível aquela manchete, destaca o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da CNBB, Dom João Justino de Medeiros. Fonte da imagem: CNBB/Divulgação

Basta um clique para que notícias falsas se espalhem rapidamente pelas redes sociais como se fossem verdadeiras. Aí, está o perigo das chamadas “fake news”, já que muitas vezes as pessoas que, levadas por sentimentos de surpresa, repulsa e medo, compartilham estas falsas verdades sem questioná-las ou checar a veracidade das fontes.

Dom João Justino de Medeiros

 

Infelizmente, com muita rapidez as pessoas reproduzem o que encontram sem sequer indagar se é plausível aquela manchete. Basta um pouco de atenção para verificar que a formulação de alguns títulos já contem indicativos para se questionar sobre a veracidade daquela notícia, destaca o bispo coadjutor de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom João Justino de Medeiros.

Ainda segundo o bispo, como compartilhar é mais rápido e mais fácil que ler, ponderar, conferir a fonte e, até mesmo, denunciar ou contestar, as “fake news” se espalham. “Os cristãos, discípulos de Jesus, devem ser ainda mais criteriosos para serem fiéis ao anúncio da Boa-notícia do Reino”, ressaltou.

Foto: Valdo Virgo/CB/D.A Press

 

Uma pesquisa do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, publicada na revista Science de março deste ano mostra que as “fake news” são mais disseminadas por pessoas do que pelos bots (robôs que se comportam como humanos). Os pesquisadores americanos analisaram 126 mil postagens no Twitter de 2006 a 2017 em cascata — quando uma postagem é replicada em cadeia sobre notícias falsas e verdadeiras compartilhadas por 3 milhões de pessoas, 4,5 milhões de vezes.

O estudo mostra ainda que informações falsas são disseminadas mais rápido e têm um alcance bem maior do que as verdadeiras independentemente do conteúdo. Segundo a pesquisa, as “fake news” têm 70% mais chance de serem retuitadas do que as reais.

“Falsas notícias ferem o princípio fundamental da comunicação que é o de gerar encontro, diálogo e comunhão entre as pessoas. A reprodução de ‘fake news’ na rede é um desserviço aos próprios meios de comunicação, criados para aproximar e não para distanciar”

As pessoas também sofrem com os disseminadores de notícias falsas tem constrangido muita gente. Dom João Justino diz que o perigo das “fake news” está na falsidade das informações.

“Se a inexatidão de uma notícia já é danosa, imagine quando se trata de uma notícia falsa. Geralmente fere a dignidade da pessoa, fere o respeito às instituições, inviabiliza processos e enfraquece o tecido social”, diz.

Papa Francisco

 

Esse motor de notícias falsas também acerta a Igreja no mundo. Por ocasião da 52ª Jornada Mundial das Comunicações que será celebrada no dia 13 de maio de 2018, o papa Francisco publicou a mensagem: “A verdade vos tornara livres – fake news e jornalismo de paz”.

Trecho da mensagem da papa – “Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das “notícias falsas”, as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade”, destaca Francisco num trecho da mensagem.

Nesse contexto, dom João Justino chama a atenção para aquelas notícias falsas que têm como objeto a vida e a missão da Igreja.

“Precisamos estar muito atentos para não compartilhar e divulgar as fake news. E devemos agir sempre a favor da divulgação do que é bom, belo e verdadeiro. Neste sentido, a melhor notícia é sempre Jesus Cristo e seu Evangelho. Quanto mais divulgarmos tanta beleza da vida eclesial, mais combateremos o que é falso em relação à Igreja”, finaliza.

Por CNBB

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