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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

"Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, o partiu, distribuiu a eles, e disse: 'Tomem, isto é o meu corpo'. Em seguida, tomou um cálice, agradeceu e deu a eles. E todos eles beberam. E Jesus lhes disse: 'Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos'." (Do Evangelho de São Marcos). "Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, o partiu, distribuiu a eles, e disse: 'Tomem, isto é o meu corpo'. Em seguida, tomou um cálice, agradeceu e deu a eles. E todos eles beberam. E Jesus lhes disse: 'Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos'." (Do Evangelho de São Marcos). Fonte da imagem: http://www.franciscanos.org.br/wp-content/uploads/2015/06/eucaristia820.jpg

O Sangue da Nova Aliança

A liturgia de hoje coloca os fiéis na ocasião de conhecer a terminologia da Aliança na sua origem veterotestamentária e na sua aplicação eucarística. De fato, ouvimos em cada missa o celebrante dizer: “O cálice de meu sangue, o sangue da nova e eterna Aliança, derramado por vós e por todos, para a remissão dos pecados”. Contudo, o sentido destas palavras não se torna concreto para a grande maioria dos que as ouvem.

Israel experimentou seu Deus como Aquele com quem tinha uma aliança. Era um aliado, embora a relação fosse “feudal”, com Deus como suserano e Israel como vassalo. Mas eram unidos por amizade e fidelidade e – em princípio – podiam contar um com o outro (neste ponto, Israel deixou muito a desejar). Esta aliança foi instituída, mediante Moisés, em vários momentos. Um momento era a promulgação da Lei, que tem a forma de um pacto feudal (Ex 20). Outro era o sacrifício, em que o mesmo sangue do animal mais precioso (o touro) foi aspergido em parte sobre o altar (que representa Deus) e em parte sobre o povo. Deus e o povo unidos pelo mesmo sangue (Ex 24, 1ª leitura). Esta é a “imagem”, o “modelo” (tipo).

A plena realização desse “modelo” é Jesus Cristo. Em seu sangue foram unidos Deus e o novo povo (universal) de Deus. A hora deste sacrifício foi a hora da cruz. As palavras da Nova Aliança foram pronunciadas à sombra da cruz, na noite anterior, durante a celebração da Páscoa de Jesus e seus discípulos. Como ainda não foi derramado o sangue, o vinho vermelho o substituiu – vinho da taça erguida a Deus em agradecimento pela libertação do povo, conforme prescrevia o rito pascal, vinho da taça que Deus não retirou do Filho, quando este, em agonia, rezou: “Afasta de mim este cálice, mas não a minha, porém a tua vontade seja feita” (Me 14,36). E também o pão, partido e distribuído, se transformou em sinal sagrado daquele que se doaria por seus irmãos até o fim. É a nova Aliança, Deus novamente unido com seu povo, não mais por laços feudais, mas pela própria vida do Filho, dada em corpo (= presença atuante) e sangue (= morte violenta) (evangelho).

A Carta aos Hebreus (2ª leitura) medita constantemente esta realidade. Vê Jesus como o verdadeiro sumo sacerdote, pontífice, mediador entre Deus e os homens, que não recorre a subterfúgios, sangue de animais que nada têm a ver com o assunto, mas usa seu próprio sangue, para, num gesto, não mágico, mas do mais realístico amor, reconciliar o homem com Deus. Ou seja, assumindo a rejeição, até a morte violenta, e perdoando, em nome de seu Pai, toda a incredulidade e ódio que podem ter movido os filhos de Adão, ele se toma a expiação em pessoa, o mediador da nova Aliança (Hb 9,15).

Geralmente, não praticamos ritos religiosos sangrentos (a não ser com alguma galinha preta), mas matamos sem sangue. O ódio não revela mais sua face verdadeira e, por isso, é muito mais difícil de ser reconciliado. Mesmo assim, há ainda “vítimas”, Dom Oscar Romero, morto no sacrifício da Missa, e tantos outros. Jesus nos confiou a expiação em seu sangue, mandando-nos celebrar na Eucaristia seu memorial até sua nova vinda, até a plena união. Isso, porém, ultrapassa o nível de um mero rito de uma celebração bonita, comovente etc. Penetra em nossa existência, em nosso compromisso histórico. Com Cristo, cada cristão deve dizer, cada dia: “Eis meu corpo … Eis meu sangue …”. Esta é a nova Aliança.

 

O sacrifício de Jesus

Chamamos a missa “sacrifício de Cristo”. Mas esse modo de falar enfrenta oposição, talvez porque entendemos o termo “sacrifício” de modo errado, não como oferta e sim como castigo imposto por Deus.

A liturgia da SS. Eucaristia insiste muito na ideia do sacrifício. Não devemos relacionar isso precipitadamente com imolação, vitimação. Muito menos, com pagamento sangrento pago por Jesus pela infinita ofensa que Adão e nós cometemos contra a infinita dignidade de Deus. Sacrificar significa, antes de tudo, oferecer ou dedicar algo ao Santo, que é Deus. E isso acontece de muitas maneiras. A liturgia de hoje é uma oportunidade para compreender o “sacrifício” eucarístico.

A 1ª leitura evoca a Aliança entre Deus e seu povo, celebrada pelo sacrifício de algumas cabeças de gado. A 2ª leitura lembra o sangue dos animais, que, cada ano, devia purificar o povo, no Dia da Expiação. Esse rito é agora substituído pelo dom da vida de Jesus, que derramou sua vida por nós e nos purificou de todo pecado, uma vez para sempre. Jesus é o único sacrifício da Nova Aliança, como ele mesmo deu a entender na sua última ceia: “O sangue da (Nova) Aliança, derramado em prol da multidão” (evangelho). Suplantando os antigos sacerdotes bem como as vítimas, ele esparramou seu próprio sangue sobre o mundo.

Ora, não é o sangue por si mesmo que salva, como se fosse o sangue de uma galinha preta. O que salva é o amor e a fidelidade que levaram Jesus a enfrentar a morte cruel e sangrenta e a dedicar assim sua vida – representada pelo sangue – a Deus e à sua obra de amor e salvação. Depois da morte de Jesus por amor não há mais outro sacrifício da Aliança. O amor que o levou a derramar sua vida é válido para sempre. A Eucaristia celebra esse sacrifício único, esse gesto de amor, que basta para sempre e permanece atual em todo tempo. No pão e no vinho da última refeição de Jesus, a Eucaristia torna presente a doação da vida de Jesus até o sangue. “Prova de amor maior não há … ” O sacrifício é um só, de uma vez para sempre. As celebrações são muitas.

A reconciliação com Deus não vem de algum sangue que lavasse magicamente, mas do amor que se torna sacrifício dedicado ao Santo, a Deus. Amor que doa corpo e sangue, vida. A celebração do corpo e sangue de Cristo tem algo vital, algo que mexe com as nossas veias. Devemos unir-nos a seu amor, entregando nosso corpo e sangue para pô-lo a serviço de nossos irmãos. Assim seremos consagrados com Jesus (Jo 17,17-19), “oferenda perfeita” com Cristo (Oração Eucarística III).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.

Disponível em: franciscanos.org.br

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