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Cúria Diocesana

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Vocação na Bíblia: Alguns relatos

INTRODUÇÃO: O limiar a ser cruzado O itinerário de nossa vida constrói-se paulatinamente. Passo a passo, cada homem e mulher vai se sentindo convocado ou direcionado a fazer algo que lhe realize plenamente. Em outras palavras, cada ser humano tende a perguntar-se sobre os caminhos que quer seguir, sobre as veredas que quer trilhar, acerca do viés que quer cruzar, sobre o destino e o sentido que quer dar à sua vida,sobre o que ele quer ser ou fazer de seu viver. Numa perspectiva de fé, essa decisão, perpassa por uma experiência de Deus. Ela insere-se num contexto de chamado divino e de uma escuta atenta para dar uma resposta concreta. Nesse sentido, falar de vocação no universo das Sagradas Escrituras é enveredar pelas sendas da vida de homens e mulheres que, a seu modo e no seu tempo, sentiram esse apelo de Deus e deram uma reposta concreta a esse chamado. Buscar compreender, portanto, a vocação de alguns personagens bíblicos é enfronhar-se no universo da História de Israel, História do povo eleito e escolhido por Deus. Povo que saiu de Ur da Caldeia; Que esteve no Egito; Que foi para Terra prometida; Que se estabeleceu como um Reino uno e, depois, dividido; Que foi Exilado; Que foi reconstituído; Que esperava um salvador e que conheceu o filho de Deus, Jesus de Nazaré. É nessa história marcada pelo pecado e pela graça (sobretudo) que encontramos homens e mulheres que serviram a Deus, que são modelos de vocação. Nesse sentido, o presente estudo visa apontar como a bíblia registrou o chamado que Deus fez a homens e mulheres no universo das Sagradas Escrituras. Não se têm a pretensão de fazer uma leitura histórico-crítico – questionando a existência ou não desses personagens– mas uma análise narrativa de cada um deles. Olharemos, portanto, para as grandes figuras bíblicas, situaremos elas universo das Sagradas Escrituras e pontuaremos os aspectos que fizeram dessas personagens pessoas que ouviram o chamado de Deus e deram-lhe uma resposta concreta. Para ter acesso ao material completo, basta fazer download do arquivo no link "baixar anexos" logo abaixo. Por Reuberson Rodrigues Ferreira e Diocese de Bragança.

Agosto, o Mês Dedicado às Vocações

Neste mês a Igreja celebra as vocações: sacerdotal, diaconal, religiosa, familiar e leiga. É um mês voltado para a reflexão e a oração pelas vocações e os ministérios, de forma a pedir a Deus sacerdotes que sejam verdadeiros pastores e sinais de comunhão e unidade no seio da Igreja. "Não fostes vós que me escolhestes; fui eu que vos escolhi …" (Jo 15,16) Instituído na 19ª Assembléia Geral da CNBB em 1981, o Mês Vocacional tem como objetivos conscientizar as comunidades da responsabilidade que elas compartilham no processo vocacional. Presente na maioria das paróquias, a Pastoral Vocacional tem buscado celebrar este mês com animação e criatividade tendo sempre por fim suscitar novas vocações. Durante o mês cada domingo é reservado para a reflexão e celebração de uma determinada vocação.   Primeiro Domingo – Vocações Sacerdotais – Dia do Padre  O sacerdote age em nome de Cristo e é seu representante dentro daquela comunidade. Ao padre compete ser pastor e pai espiritual para todos sob sua responsabilidade. Pela caridade pastoral, ele deve buscar ser sinal de unidade e contribuir para a edificação e crescimento da comunidade de forma que ela torne-se cada vez mais atuante e verdadeira na vivência do Evangelho.   Segundo Domingo – Vocação Familiar – Dia dos PaisNeste  domingo  celebramos a  vocação  da família na pessoa do pai.   Em  tempos de violência e perda de valores, a valorização da família é essencial para a sociedade  como  um  todo. A família  é chamada por  Deus a ser  testemunha  do amor e da fraternidade, colaboradora da obra da Criação.O Pai na família é fundamental. Seu papel de educador, em colaboração com a mãe, é um dos pilares da unidade e bem estar familiar cujos frutos são filhos bem formados e conscientes do que significa ser cristão e cidadão. O pai é representante legítimo de Deus perante os filhos e é sua missão conduzi-los nos caminhos de Cristo, da verdade, da justiça e da paz. Cabe aos pais que o amor, compaixão e harmonia reinem no lar.   Terceiro Domingo – Vocações Religiosas – Dia da Vida ReligiosaNo terceiro domingo do mês vocacional, a Igreja lembra dos religiosos. Homens e mulheres que consagraram suas vidas a Deus e ao próximo. Desta vocação brotam carismas e atuações que enriquecem nossas comunidades com pessoas que buscam viver verdadeiramente seus votos de castidade, obediência e pobreza. São testemunhos vivos do Evangelho.Perseverantes, os religiosos estão a serviço do Povo de Deus por meio da oração, das missões, da educação e das obras de caridade. Com sua vida consagrada, eles demonstram que a vida evangélica é plenamente possível de ser vivida, mesmo em mundo excessivamente material e consumista. São sinais do amor de Deus e da entrega que o homem é capaz de fazer ao Senhor.   Quarto Domingo – Vocações Leigas – Dia dos Ministérios LeigosNeste dia celebramos todos os leigos que, entre família e afazeres, dedicam-se aos trabalhos pastorais e também missionários. Os leigos atuam como colaboradores dos padres na catequese, na liturgia, nos ministérios de música, nas obras de caridade e nas diversas pastorais existentes. Ser leigo atuante é ter  consciência do chamado de Deus a participar ativamente da Igreja e do Reino contribuindo para a  caminhada  e  o  crescimento  das comunidades rumo a Pátria Celeste.. Assumir  esta vocação  é doar-se  pelo Evangelho  e  estar junto a Cristo em sua missão de salvação e redenção.   Dia do CatequistaNos anos em que o mês de agosto possui cinco domingos, a Igreja celebra neste dia o ministério do Catequista. Os catequistas são, por vocação e missão, os grandes promovedores da fé na comunidade cristã preparando crianças, jovens e adultos não só para os sacramentos, mas também para darem testemunho de Cristo e do Evangelho no mundo. Por: www.catequistalucimar.blogspot.com.br Disponível em: http://www.webradiodeusestanoar.com.br

Sou provocado ou chamado à vocação do celibato?

O eco do celibato no mundo “Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda” (Mt 19,11-12). Não há como entendermos uma questão sobrenatural apenas sob uma ótica natural, por isso aí entra a fé. “Caminhar como se víssemos o invisível” (Hb 11,27). Por vezes, podemos nos questionar sobre o que levaria uma pessoa, homem ou mulher, a abrir mão de se casar, construir uma família, ter filhos e alguém ao seu lado para compartilhar sua vida. Seria uma opção devido a algum tipo de problema pessoal, fuga ou uma visão mais apurada? Seria uma escolha que lança luz sobre o problema da perda de sentido na vida de muitos? O celibato pelo Reino dos Céus trata-se de um chamado feito a alguns, mas que fala de uma realidade que envolve a todos, até os casados. A vida de um celibatário deixa ecos que ressoam no mundo e no interior de cada homem e mulher. O termo “eunuco” não tem um bom sentido, mas em Cristo ele foi ressignificado. Jesus inaugurou o estado do celibato, assumindo Ele mesmo tal condição. São João Paulo II, em suas catequeses sobre a Teologia do Corpo, claramente fala sobre o celibato e sua importância, como uma das formas de o homem viver plenamente sua vocação, pois todos somos chamados a amar, e é no estado de vida do matrimônio ou do celibato pelo Reino dos Céus que se encontra o meio concreto de vivermos a nossa vocação. Interessante entender que um sacerdote, antes mesmo de ser chamado ao seu ministério, é chamado ao celibato; como também existem aqueles que são chamados ao celibato, porém não ao ministério sacerdotal, como é o meu caso. Também existem as mulheres que são chamadas a viver seu celibato, seja em uma congregação, por meio dos votos, em uma instituição religiosa ou uma nova comunidade. Amadeo Cincini, sacerdote, psicólogo e umas das referências na Igreja sobre estudo da vida consagrada, em seu livro intitulado ‘Virgindade e Celibato hoje – Para uma sexualidade pascal’ (para mim um dos melhores no assunto), afirma que a sexualidade é a matéria-prima do celibato, portanto, este não é uma negação da sexualidade humana, mas a eleva. Do prisma meramente humano e daquele com uma visão da sexualidade reduzida, poderíamos dizer que, uma vez que não existe o ato sexual em si, a sexualidade estaria sendo negada, mas, como Cristo e a Igreja nos ensinam a ver o ser humano em sua integridade, o ser sexuado não envolve apenas isso, e sim todo o modo de ser, viver, pensar, agir e reagir do ser humano. É belo perceber que os estados de vida se complementam, o matrimônio ensina muito ao celibato e o celibato ensina muito ao matrimônio. Um lança luzes sobre o outro. Por um lado, o celibatário recorda aos esposos que a finalidade de cada um é a vida eterna, o casamento eterno com Deus. Juntos, o casal deve caminhar rumo ao seu objetivo, sem colocar um no outro a razão da felicidade, pois isso seria destruidor para ambos. O celibatário, o sacerdote por sua vez, à luz do matrimônio, deve recordar-se de que está despojado de si mesmo em função do outro, como um esposo deve ser.   A missão Afinal de contas, qual é a missão do celibatário pelo Reino dos Céus? De maneira alguma com o intuito de esgotar, mas com o objetivo de clarear, respondo que a vida celibatária aponta nossas origens e o nosso destino último: viemos de Deus, somos chamados a viver em Deus e voltaremos a Ele, onde, face a face, n’Ele seremos plenificados em Seu amor. Se eu pudesse traduzir a imagem de um celibatário, seria de alguém apontando continuamente, e de todas as formas, para o alto, porque, no mundo, o celibato vem lembrar a todos os homens e mulheres que nossa vida não se limita apenas a esta realidade aqui, mas que fomos feitos para o eterno. Lá, seremos plenamente felizes e realizados na comunhão com Deus e na comunhão dos santos, pois os sacramentos são para este tempo. Na eternidade, seremos tudo no Tudo, tudo em Deus. Percebo que a vida e a escolha celibatária inquieta provocam e até incomodam muitas vezes, porque, lá no fundo, mesmo que inconsciente, a vida do celibatário está dizendo a todos e a cada um dos homens: “É isso que viveremos na eternidade, é essa união íntima, profunda e total para a qual você é chamado e anseia viver”, porque, como muito bem nos diz Santo Agostinho, “Inquieto está o nosso coração enquanto não repousar em ti”. Já conversei com muitos jovens, e todas as vezes que falo sobre a vivência do meu celibato é impressionante como muitos se sentem provocados e outros chamados, quem sabe! É bom ter a coragem e a liberdade de questionar-se, se, pelo celibato, estou sendo provocado ou chamado? Ouça o eco que ressoa em você! Por Tiago Marcon – Missionário da Comunidade Canção Nova

Falácias Contra a Vocação

Podemos dizer que, em geral, as dificuldades provêm de três setores, embora muitas vezes as dificuldades se alternam: 1º- Dos homens mundanos; 2º- dos familiares carnais; e 3º- do próprio candidato.   1.Pedir conselho a muitas pessoas e deixar passar muito tempo, ou seja, a tentação da demora. Muitos aconselham deixar passar um tempo para tomar a decisão da vocação, como se o mero fato do postergar e demorar do tempo fosse solucionar o problema: “Se os problemas se solucionassem com apenas deixar passar o tempo, não seriam necessários os governantes”. Afirma São João Bosco que “quem encontra desculpa uma vez para demorar em decidir a vocação, é quase certo, que nunca a concretizará porque sempre encontrará novas desculpas”. São muitos os que querem defender este tremendo engano se desculpando falsamente com textos da Sagrada Escritura: – Alguns argumentam com a frase de São João que diz “não creiais em todo espírito, mas examinai aos espíritos se são de Deus” (I Jo 4,1), querendo mostrar que convém dilatar a reflexão até o infinito, pretendendo ter uma certeza metafísica da vocação. Deve-se examinar sempre e tudo o que for necessário, mas em matérias duvidáveis. As coisas certas não necessitam discussão: “quem pede o ingresso à vida consagrada não pode duvidar de que sua vocação venha de Deus, de quem é próprio conduzir o homem por caminhos retos (Sal 142,10)”. Por isso, é triste ver que alguns se apoiam em uma longa demora para não fazer o que sabem que Deus lhes inspira. Dizem ainda que: “Satanás se disfarça de anjo de luz” (II Cor 11,14) e assim engana aos incautos com aparência de bem; por isso é mister demorar longo tempo. É verdade que muitas vezes Satanás sugere “bens” com intenção de enganar, no entanto deve-se saber que o demônio somente pode enganar aos sentidos corporais, já que no centro da alma somente Deus penetra. O desejo autêntico e interior de consagrar-se a Deus somente provém do Céu. “O desejo autêntico e interior de consagrar-se a Deus somente provém do Céu.”   2. Dos próprios familiares quando não o aceitam e põem obstáculos Muitos danos costumam causar, nas almas que desejam entrar em religião, o deixar-se levar pelas tentações carnais dos próprios familiares, que geralmente, obedecem mais à sensibilidade própria e à dor que leva o apartar-se do filho ou da filha, que quer consagrar-se, que a vontade de Deus para com eles. Vejamos alguns exemplos: São sobre tudo os pais os que primeiro começam a lamentar-se dizendo “me deixará sozinha, ou sozinho”; “não pode me deixar assim”; tentando influir na conduta de seus filhos. Argumento que geralmente não aplicariam se esse mesmo filho se casasse ou fosse morar longe por motivos de trabalho. Tais pais de modo egoísta, possivelmente às vezes sem saber, no fundo não desejam o bem e a perfeição dos seus filhos, pois não deixam que imitem aos verdadeiros seguidores de Nosso Senhor que deixando tudo o seguiram (cfr. Lc 5,11). Foi o mesmo Cristo quem aconselhou um jovem que queria dar sepultura a seus pais dizendo: “deixa que os mortos enterrem seus mortos, tu vem e me segue” (MT 8,22). “Alguns pais -dizia Dom Bosco- preferem ver seus filhos condenar-se a seu lado antes que salvar-se longe deles”. Por isso exclama São Bernardo: “Ó pai sem compaixão! Ó Mãe cruel! cujo consolo é a morte do filho; que preferem vê-los perecer com eles antes que reinar sem eles”. Se devem descartar as consultas aos parentes. A isto se refere São Jerônimo quando enumera os impedimentos que costumam colocar “agora -diz o santo- sua irmã viúva, abraça-te meigamente; seus empregados, com os quais cresceste, te dizem: A quem temos que servir se você nos deixa? … seus pais… suplicam-lhe: espera que morramos e nos sepulte”.   3. Não achar-se digno da vocação Diante dos mistérios excelsos, que celebram os sacerdotes, ninguém é digno de ser um sacerdote. A vocação é uma graça especialíssima de Deus, e, portanto, gratuita; se Ele a dá, dá também as disposições suficientes para poder exercer dignamente o ofício sacerdotal. Contudo, cada dia o sacerdote, o bispo e o Papa diz ao mostrar a Hóstia consagrada antes da Comunhão “Senhor, eu não sou digno”. Se por não ser digno se deixasse a vocação, não haveria um só sacerdote sobre a terra. “A vocação é uma graça especialíssima de Deus!”   4. Achar que não tem as qualidades para ter vocação  Não são precisamente essas as qualidades necessárias para ter vocação. Basta o chamado de Deus. Nem mesmo Moisés tinha qualidades para falar com os judeus e, entretanto, levou adiante a obra da liberação de Israel de modo admirável. O bom religioso põe sua confiança em Deus, não em suas forças; se assim o fizer, fracassa. “Quem confia no Senhor é como o monte Sião: nunca se abala, está firme para sempre.” (Sal 125,1); “quem confiou no Senhor e foi desiludido?” (Eclo 2,10).   5. Achar que porque é pecador Deus não pode chamá-lo Tremendo engano. Deus chama como quer, quando quer, onde quer e a quem quer; todo o imenso mar de nossos pecados são um nada ante uma ínfima gota da misericórdia de Deus.  Que penoso teria sido se Santo Agostinho se deixasse levar por estes pensamentos; entretanto, ele que foi um grande pecador chegou a ser Doutor da Igreja e um dos maiores teólogos de todos os tempos. Assim agiu Santa Maria Madalena, e hoje é uma das estrelas mais brilhantes do Reino dos Céus, e assim atuaram tantos Santos que agiram pensando mais na misericórdia de Deus que na miséria de seus pecados.    6. Achar que porque existem padres e religiosos ruins, então não pode ter vocação  É muito grosseiro justificar-se nisto para não ser um santo sacerdote. É como quem diz que porque na Missa vem gente que é depravada em sua vida privada, então ele não vai a Missa. O grande exemplo, o grande imitável, é Jesus Cristo, aquele que disse sede perfeitos como Meu Pai celestial é perfeito (Mt 5,48), aquele que é o mesmo ontem, hoje e sempre. Quem não pecou (I Jo 3,5), porque não houve engano em sua boca (I Pe 2,22), que não é depravado, nem progressista, nem cismático, nem possuiu qualquer vício que podemos hoje observar em alguns consagrados.   7. Achar que porque tem gostos e aptidões por outras coisas não pode ter vocação O homem que ama de verdade não se importa em renunciar a seus próprios interesses para fazer a vontade da pessoa amada. O amor verdadeiro é o de benevolência, querer o bem para o outro. Deixar-se levar pelos gostos pessoais é perder de vista o fim da vida, é sacrificar os interesses eternos em prol dos temporais. É esquecer esse fim que se deve alcançar como o negócio mais precioso da vida: “de que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma? (Lc 9,25). Os interesses de Deus estão sobre os nossos. Ademais, é uma escusa vã, porque de fato como sacerdote ou religioso se pode e se deve ensinar, reger orquestras, ocupar-se de obras assistenciais etc.    8. Achar que como leigo pode fazer igual ou maior bem que como consagrado Pode ser que sim, isso é justamente o que se tem que discernir quem se proponha a eleição de estado, e a possibilidade de que Deus o chame à vida religiosa. Porém, para que seja assim, deve haver razões de verdadeiro peso que assim o sustenha. Geralmente este pensamento é por um simples conformismo, para renunciar ao plano de santidade, ao plano do máximo, por um menos ambicioso. É a proposta própria do tíbio, que só interessa em salvar-se, porém sem aspirar a toda a santidade que pode chegar a ter. Quem com este argumento só busque conformar-se, pense em todas as graças que desperdiça por não seguir o verdadeiro querer de Deus, e das que ele é responsável. Porque não és nem frio nem quente, porque és tíbio, te vomitarei de minha boca (Ap 3,16), poderia chegar a escutar algum dia.    9. Desculpar-se afirmando que se pode servir a Deus em qualquer lugar Respondemos com Santo Afonso: “Sim, em todas as partes se pode servir a Deus o que não é chamado à vida religiosa, porém, isso não é o caso do que, sendo chamado à ela, quer permanecer no mundo; é muito difícil que este tenha uma boa vida e sirva a Deus”.    10. Achar que porque namora não pode ter vocação Também as tiveram alguns Santos sacerdotes antes de entrar no Seminário, entretanto, e se Deus me chama para algo muito maior? Se eu gosto muito dela, justamente por isso devo explicar-lhe qual é minha verdadeira vocação; pior seria arruinar-lhe a vida, e possivelmente a salvação, pela simples vontade de ser marido dela e pai de seus filhos, quando Deus me tem destinado para outro estado, e me destinou para dar-me graças que não me dará, necessariamente, para o matrimônio no caso de que me chame para a vida consagrada e vice-versa.   11. Achar que tem que esperar e ficar retardando a resposta Já respondemos com claridade a sutil tentação da demora do tempo.    12. Achar que tem que ter uma certeza ou segurança total com respeito a vocação Este é mais um engano; há quem para ter a certeza da vocação esperam que lhes apareça um anjo ou que possam cair de um cavalo, a certeza que podemos ter de nossa vocação é moral, não física nem metafísica. Basta tendo razões suficientes para saber que neste estado de vida se vai dar maior glória a Deus e bem às almas.    13. Doer-se por ter de deixar tudo e ficar sem nada A vocação religiosa é deixar tudo para obter tudo; é deixar as coisas deste mundo para aferrar-se ao Todo que é Deus.   14. Achar que a vocação é uma fuga ou evasão de algum problema Longe de ser uma fuga, o autêntico chamado à vocação religiosa é uma opção, uma opção pelo amor, pela verdade, por dar-se todo a aquele que tanto lhe devemos. Assim como ninguém foge para entrar na prisão, não se foge para abraçar-se à cruz.    15. Imaginar que só pode realizar-se casado e não como consagrado O diabo está acostumado a pôr falsos sonhos, imaginações, fantasias que são simples produto de nossa sensibilidade. O julgamento da vocação de minha vida deve ser racional, e não guiado por ilusões, ou probabilidades que jamais acontecerão na realidade. A vocação não é questão da imaginação.   16. Pensar que não tem vocação porque não a sente Nem sempre, nem necessariamente, nem ordinariamente o chamado à vocação é sensível, geralmente não é.   17. Não se consagrar a Deus pelo medo de depois abandonar a vocação ou de ser infiel Maior vergonha seria apresentar-se no dia do julgamento sem ter feito diante de Deus o que ele queria de mim. Não há nenhuma vergonha em sair de um noviciado; ao contrário, em caso de que haja motivos autênticos para sair, essa alma é digna de louvor por sua integridade, porque só se deixa levar por motivos sobrenaturais; é um homem de princípios, que faz de sua vida um canto à vontade de Deus. Vergonha seria ver alguém sair de um prostíbulo.   18. Justificar-se dizendo que gostaria de ter esposa e ter filhos É o mais lógico e o mais normal, seria de temer o contrário. Devemos compreender que só Deus é “o único Senhor que merece ser servido” (São Francisco de Borja), e “a quem servir é reinar”.   Dúvidas sobre a vocação O próprio Dom Bosco advertia que “quem se consagra a Deus com os Santos votos faz um dos oferecimentos mais preciosos e agradáveis à sua divina majestade. Mas o inimigo de nossa alma, compreendendo que por este meio a pessoa se emancipa de seu domínio, costuma turvar sua mente com mil enganos para lhe fazer retroceder e voltar de novo aos caminhos tortuosos do mundo. O principal destes enganos consiste em lhe suscitar dúvidas sobre a vocação, às quais segue o desalento, a tibieza e, frequentemente, a volta ao mundo, que tantas vezes tinha reconhecido traidor e que, por amor a Jesus Cristo tinha abandonado”.   Conclusão Em definitiva, são todas falsas desculpas, falácias, “sutilezas”, veleidades, sensibilidades, com as que o demônio arruína muitas vezes os jovens -e a não tão jovens- para que se afastem do chamado de Deus. São estes os numerosos esforços do inimigo, o que também devem nos fazer pensar sobre o imenso valor que tem uma vocação à vida consagrada, e quantos são os esforços que o diabo faz para afastá-la de Deus. Disponível em: http://verboencarnadobrasil.org/vocacao/falacias-contra-a-vocacao/

Sinais de Vocação

1.Insatisfação pelas coisas do mundo As riquezas e as honras são, para quem foi eleito por Deus, coisas vazias e sem sentido; as saídas já não têm muito sentido, não o atraem, em troca cresce o estado de “busca”. Quem está neste estado deseja encontrar “algo” que ainda não se sabe o que é, embora sim saiba o que NÃO é. Agora bem, como saber se está frente a uma verdadeira vocação ou simplesmente a uma ideia passageira? Há quem pede pouquíssimo. O P. Lessio[1], um jesuíta com grande experiência no tema, diz que “se alguém chegar à determinação de abraçar a religião e está resolvido a observar as regras e suas obrigações, não há dúvida que essa resolução, essa vocação, vem de Deus; não importa que circunstâncias a tenham produzido”. Por sua parte, São Francisco de Sales afirmava sempre que não importa como se comece desde que se esteja determinado a perseverar e terminar bem. Santo Tomas de Aquino chega a afirmar que é tão alta a vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa que “seja quem fosse o que sugere o propósito de entrar na religião, sempre este propósito vem de Deus”[2].  2. Temor de se condenar se continuar vivendo no mundo. Percebem-se os perigos que há nele, que são muitos e muito variados; tem-se em grande consideração a salvação eterna e, por isso, a alma se inclina à vida religiosa ou sacerdotal. O diabo jamais inspiraria isto.   3. Forte desejo de levar uma vida de pureza. “Bem-aventurados os puros de coração porque eles verão a Deus” (Mt,5,8). Quando se lê algo relativo à castidade, quando se conversa sobre a pureza, quando se escutam sermões, bate-papos etc., que falam dela, elogiam-na, sente-se no coração um especial atrativo para viver conforme a esse ideal. O demônio é inimigo da pureza; acérrimo inimigo da Puríssima Virgem Maria. 4. Desejar ter a vocação. Só o fato de pensar nela como algo que Deus pode me dar, é um grande indício de vocação.   5. Consciência da vaidade e da fugacidade das coisas do mundo. “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” (Ecl 1,2). Deus mostra à pessoa que esta vida passa como um sopro e que os verdadeiros valores são os eternos. No fundo de toda autêntica vocação subjaza a ideia de eternidade: Bom Mestre, o que tenho que fazer para herdar a vida eterna? (Mc 10, 17).   6. Atração pela oração e pelas coisas espirituais. Quem começa a levar a sério a vocação, tem normalmente um desejo inexprimível de sentir-se unido com Deus, de conversar com Ele, de rezar. Deseja estar sozinho, escondido do mundo para atrair o mundo para Deus… Têm-se desejos rezar, de aproveitar realmente o tempo e fazer penitencia pelos pecados do mundo… Na oração conversamos com quem sabemos que nos ama, procuramos intimidade com Ele.   7. Disposição à entrega, ao sacrifício, ao esforço para ajudar espiritualmente aos outros. O amor, com amor se paga. Nosso Senhor Jesus Cristo nos amando primeiro nos deu exemplo de como amar. – “O que tenho feito por Cristo, o que faço por Cristo, o que devo fazer por Cristo?” – repetia-se São Inácio de Loyola. O pensamento de tantos pecados e de tanta ingratidão para com Deus da parte dos homens faz-lhes sentir o dever de sofrer e sacrificar-se para assemelhar-se a Jesus. Deseja reparar ao Sagrado Coração pelas ofensas que de contínuo recebe dos homens. “Este é um dos sinais mais sólidos e seguros de vocação, e temos que apresentar a vida religiosa tal como ela é na realidade, ou seja, vida de renúncia e de sacrifício. É inútil procurar mitigar este lado incômodo da vida religiosa. Não seria sincero e, por tanto, esconderíamos o que a vida religiosa tem de mais atraente”[3]. Em definitivo, é apaixonar-se pela cruz e por quem quis morrer nela para redimir a todos os homens.   8. Espírito de generosidade para com Deus Outro sinal é o não estar nunca satisfeito com o que fazemos Por Deus, não dizer nunca “basta”, querer fazer sempre mais por Deus e pelo nosso próximo. Se um jovem começar a experimentar certa inquietação, uma Santa impaciência por fazer sempre mais pela causa de Deus. Estamos frente a um amor genuíno para com Jesus, frente à compreensão prática do que Ele tem feito por nós, e do pouco que fazemos por Ele.   9. Horror ao pecado. Horror que leva o jovem a lutar contra o pecado em si e nos demais, se trata de um medo saudável em relação ao pecado. Quem anda por estes caminhos considera suas faltas como o verdadeiro e único mal da alma, ao mesmo tempo em que vê inundar-se uma parte do mundo em uma grande corrupção e ruína espiritual. É certo que todo cristão deve ter horror pelo pecado, mas referimos a um desejo de perfeição muito mais forte, desejo não só de não pecar, mas também de fazer com que omundo não peque, de pedir pelos pecadores, de perdoá-los, de serem testemunhas e co-participantes da misericórdia divina, como dizia o Apóstolo: “Revesti-vos… as entranhas de misericórdia” (Col 3,12).   10. Desejo de consagrar a vida pela conversão de uma pessoa querida e, também, pelo resto dos homens.   11. Temor de ter vocação. Segundo São Alberto Hurtado pode ser sinal de vocação o mesmo temor de que Deus queira chamá-lo à vida religiosa. Às vezes se tem medo da vocação, tira-se todo pensamento sobre essa matéria, o qual volta com insistência, e até se reza para não tê-la! “Que Deus tenha longe de mim semelhante convite, o qual destruiria tantos castelos idealizados e acariciados”. Acontece que o demônio pode conjeturar com certa probabilidade que, se chegassem a serem sacerdotes ou religiosos, fariam muitíssimo bem, e por isso procura pôr em seus corações esses temores infundados para afastá-los do caminho que seria sua salvação e a de tantas almas.   12. Zelo pelas almas O Desejo de ir missionar para salvar almas, vendo que tantas não escutaram ainda o Evangelho de Nosso Senhor e, portanto, não recebeu os meios ordinários de salvação. Ante esta realidade, muitos ficam frios, como se fosse algo que não lhes tocasse, entretanto, outros parecem ter como uma obrigação; sentem que devem fazer algo para ajudar, que não podem permanecer tranquilamente em suas casas. Algumas vezes esse pensamento se volta até uma fixação e os persegue. “Alguém tem que fazer algo!!!”   13. Desejar a vida sacerdotal ou religiosa “Olhem como se amam!” diziam os pagãos dos primeiros cristãos. É esse amor e essa entrega por Cristo o que muitas vezes leva a fazer suspirar por levar uma vida similar. É importante ter em conta que o que mencionamos aqui é simplesmente “sinais da vocação”, quer dizer, não significa que quem as tenha, possua tudo o que se requer para poder deduzir a presença de um verdadeiro chamado, a não ser que algum ou alguns desses “sinais” possuem já um fundamento certo de que alguém pode ter sido escolhido por Deus. Há quem nunca tenha sentido nada disto e de todos os modos entendem claramente que devem ser religiosos ou religiosas, e isto porque Deus se manifestou de algum modo diverso. Ele é o único médico das almas e dono de tudo, por isso não há regras ou métodos que valham no momento de comunicar uma graça tão grande como é a da vocação.     [1] Cfr. Emvin Busuttil, SJ, As vocações: encontrá-las, examiná-las, prová-las, Bilbao 1961,127. [2] Tomás de Aquino, Contra retrahentes, 10, ad 4. [3] Emvin Busuttil, SJ, As vocações: encontrá-las, examiná-las, prová-las, Bilbao 1961.   Disponível em: verboencarnadobrasil.org

A vocação da mulher

Estamos celebrando o domingo das mães. Ele faz parte da tradição deste mês de maio, que por sua vez está ligado de maneira especial a Maria. Maio, Maria e Mãe, é a trilogia que nestes dias aparece na sintonia das celebrações deste mês. A esta trilogia podemos acrescentar outra referência, que tem tudo a ver com ela: a mulher. Foi com esta denominação que Cristo, na cruz, se dirigiu à sua mãe Maria, no momento que a confiava ao apóstolo João: “mulher, eis aí o teu filho!”. Na figura de Maria fica retratada, de maneira exemplar, a sublime vocação da mulher. Assim faz o Evangelho, assim expressa a tradição. A grandeza de Maria encontra seu fundamento na vocação que recebeu de Deus, de ser a mãe de Jesus Cristo. A grandeza de toda mulher também se entende a partir de sua vocação à maternidade. A capacidade de gerar a vida mobiliza todas as energias da mulher, e dá sentido e unidade a todo o seu ser. Assim, a mulher se sente impregnada de vida, e chamada a se colocar a serviço da vida. Na verdade, esta vocação à vida, que a mulher expressa de maneira singular por sua vocação à maternidade, acaba revelando a dignidade e o valor de toda pessoa humana. Na mulher entendemos também nossa vocação comum, de sermos receptáculo deste dom precioso da vida que Deus nos concede, e pelo qual nos integramos no mistério de sua própria vida, que ele quis partilhar conosco. Deus nos chamou à vida, e nos envolveu em seu dinamismo gerador de vida. Esta a nossa dignidade, esta a nossa vocação, que a mulher expressa de maneira eminente, e que Maria sinalizou de maneira toda singular. Acolhendo em si mesma o próprio autor da vida, Maria nos revela que somos chamados a acolher em nós a graça de Deus, para nos envolver sempre mais profundamente no seu mistério de vida. Maria nos revela o quanto Deus quis nos associar à sua própria vida. Nela identificamos nossa vocação humana. Para aprofundar o tema da vocação da mulher, baixe o material anexo abaixo. Dom Demétrio ValentiniBispo de Jales (SP) Disponível em: www.a12.com   Texto anexo disponível em: https://centrodafamiliacj.files.wordpress.com/2012/07/o-desafio-da-mulher.pdf

ENTENDENDO A VOCAÇÃO

VOCAÇÃO: CHAMADO E RESPOSTA  A palavra “Vocare” em Latim significa chamar. A vocação é o mesmo que chamado. Todo o chamado requer uma resposta. A resposta é sempre opção livre de quem é chamado. Pode ser SIM ou NÃO. Portanto, a vocação acontece no diálogo. É o encontro de duas liberdades: a absoluta liberdade de Deus, que chama, e a liberdade humana que responde a esse chamado. Há um chamado fundamental à vida e modos diferentes de se responder a esse chamado. A essas maneiras diversas de respostas chamamos de Vocação Específica. a) Vocação à Vida: Ao observar a harmonia da natureza, a beleza do céu, do mar, da lua, das estrelas, de uma flor, poderemos concluir que Deus é infinitamente bom. O Mistério criador se reflete no conjunto da criação e, através dela, se revela. Ele é Amor para com todas as criaturas. A vocação das criaturas é, portanto, o chamado de Deus à existência. “E Deus viu que tudo era bom” (Gênesis). b) Vocação Humana e Cristã: Dentro de todos esses chamados à vida, o ser humano é convocado a ser gente, pessoa humana, feita à imagem e semelhança de Deus. Cada ser humano é uma criatura nova e original. É dado a todos em gérmem, desde o nascimento, um conjunto de aptidões e de qualidades para as fazer render: desenvolvê-las será fruto da educação recebida, do meio ambiente e do esforço pessoal, e permitirá a cada um orientar-se para o destino que lhe propõe o Mistério criador da vida. A vocação fundamental humana realiza-se, então, através de uma tríplice dimensão: somos chamados a nos assemelhar a Deus, relacionando-nos com ele, com os irmãos e com o mundo. Nossa fé nos leva à certeza de que fomos todos criados por um mesmo Pai-Mãe. Portanto, somos chamados a nos relacionar com Deus como FILHOS. Ora, se somos filhos de um mesmo Pai- Mãe, somos também IRMÃOS. Sou chamado a ser IRMÃO do outro ser humano e das criaturas. E, enfim, se um Pai e uma Mãe tem muitos filhos, dá a eles, por igual, em herança, sua terra e os ensina a amar, respeitar e trabalhar nela para que se alimentem, tenham vida e administrem os bens da família. Assim o mundo existe para ser compartilhado entre irmãos, bem cuidado e organizado. c) Vocações Específicas: Como já referimos anteriormente, não existe apenas uma forma de responder ao chamado de Deus. A vocação fundamental Humana pode ser vivida de modos diferentes. São diversos os caminhos para o Amor:   VOCAÇÃO DO LEIGO Muitas vezes, o termo “Leigo” é compreendido erroneamente. Quando alguém é leigo em determinado assunto, não entende da coisa ou não participa de determinada área... Não é esse o conceito que adotamos. Leigos são todos aqueles chamados à viver a semelhança de Deus, conformando sua vida aos testemunhos e ensinamentos do Cristo, como solteiro ou casados. A vida de solteiro reporta à vocação específica do próprio Cristo que permaneceu, por chamado de Deus, neste estado para dispor de suas capacidades e dons a serviço da humanidade. Deste modo, ser solteiro não é simplesmente a negação do ser casado. Infelizmente, ainda existem preconceitos sobre os que não se casam. Isto tem gerado não só casamentos assumidos sem vocação, mas também opções por vida religiosa e sacerdotal mal fundamentadas, resultando no desencadear de um processo de infelicidade e frustração. No matrimônio, duas pessoas são chamadas a construir uma comunidade de vida e de amor. Fundamentado sobre a rocha firme e sólida que é Jesus Cristo, o matrimônio cristão é indissolúvel, porque a aliança de Cristo conosco é eterna. No mundo da família e do trabalho, o Leigo, solteiro ou casado, é chamado a ser sinal do Cristo e do seu Evangelho. Cristo prestou o maior serviço à humanidade. O Leigo é chamado também a servir, pela sua capacidade profissional, seus dons e habilidades. Reconhecendo ser a dimensão fraterna uma importante expressão de sua vocação, é também missão do Leigo buscar a implantação do Bem Comum, essência da verdadeira Política. Para isso, é importante sua integração em todos os meios que busquem o bem de todos: partidos, associações, sindicatos e outros organismos que se fundamentem nos ideais evangélicos. Na Igreja, o Leigo é chamado a assumir ministérios, para, através desses serviços, fazer acontecer o Reino de Deus em seu meio. A Igreja é toda ministerial e, por isso, cabem aos Leigos encargos especiais de evangelização, nas mais diversas pastorais. Em sínteses, os Leigos são aqueles homens e mulheres que, agindo à luz da fé e da Palavra de Deus, movidos pelo Amor, procuram infundir o espírito evangélico em todas as realidades temporais, como família, a cultura, as artes, as profissões, as instituições políticas.   VOCAÇÃO RELIGIOSA Assim como os Leigos, também os religiosos são chamados a responder à Vocação fundamental Humana e Cristã. Entretanto, os chamados à vida Consagrada percebem em si mesmo uma inquietude que supera as exigências do empenho batismal proposto a todo o povo de Deus. São pessoas que se sentem iniciadas a se unirem mais intimamente ao Cristo e sua missão evangelizadora. Deus as chamas a trilhar um caminho diferente para o Amor. A violência radical da Vocação fundamental Humano e Cristã assumida no Batismo se expressa mediante a prática dos conselhos evangélicos, professada pelos consagrados como voto ou promessa. A concretização dos Conselhos Evangélicos se dá através de um compromisso de vida assumido na POBREZA, na OBEDIÊNCIA e na CASTIDADE. d) Vocação Missionária: A vocação Missionária é um chamado de Deus que perpassa todas as vocações específicas. Missionário pode ser o Leigo, casado ou solteiro, o religioso (irmão ou irmã) ou sacerdote. Não podemos esquecer que toda a Igreja é missionária. Caso contrário, o próprio cristianismo não teria sido tão difundido em todo o mundo. Jesus viveu e anunciou sua mensagem na Palestina. Nunca saiu de lá. Mas depois da ressurreição, enviou seus apóstolos e discípulos a levarem ao mundo inteiro seus ensinamentos e salvação. Existe também outro tipo de Missão: as conhecidas “Missões Populares”, quando uma equipe missionária se une durante um período de tempo para revigorar e reestruturar determinada comunidade cristã. e) Vocação e Profissão: Muitas vezes confundimos vocação e Profissão. Isto é compreensível se levarmos em conta que a medicina, por exemplo, é um verdadeiro sacerdócio para muitos médicos. Entretanto, sempre é bom estabelecermos os limites de um e outro conceito para que não haja confusão. Vocação é da ordem do ser. Profissão é da ordem do fazer. Vocação é um estado de vida. Profissão é uma ocupação na vida. Vocação vivo 24 horas por dia. Profissão exerço em média 8 horas por dia. Vocação é gratuita. Profissão é remunerada. Vocação é para o Reino de Deus. Profissão é para o sustento da pessoa. f) Vocação Franciscana: A vocação Franciscana é atual. Hoje os Franciscanos são chamados a reviver e atualizar o carisma de ontem. Difícil esta tarefa. Mas é certo que o Evangelho precisa ser redescoberto como o foi no tempo de são Francisco. A sociedade de consumo, de competição, idolatradora do dinheiro e do poder, espezinhadora dos pequenos e dos leprosos de hoje, contaminadora e destruidora da casa de todos que é o mundo, precisa reencontrar o frescor do Evangelho e a pureza do paraíso que Francisco e seus companheiros viveram. Não se trata somente de descobrir eventuais atividades que os franciscanos, religiosos ou leigos, poderiam desenvolver em nossos dias. Trata-se antes de tudo de refazer a experiência de Francisco a partir da vida e das contradições de nosso tempo. Trata-se de refazer a trajetória espiritual evangélica de Francisco com seus componentes de minoridade, pobreza, serviço, louvor, fraternidade, solidariedade com o que não tem valor. Os que seguem o chamamento franciscano reacendem a chama do Evangelho que parece morrer. Para tanto será necessário estudar o passado, reter aquilo que nele é válido e descobrir novas formas de concretização da vida evangélica com evidentes repercussões práticas. Os Franciscanos de hoje se escondem nas grutas e se misturam com gente simples e desprezada, rezam no silêncio e unem-se ao coro de louvor que monta aos céus pela voz da Igreja, vivem em fraternidades despojadas e em função dos pobres, não cessam de anunciar a paz e a necessidade de conversão, tornam-se livres e despojados de todo apego, contestam mais pelo exemplo evangélico do que por discursos teóricos, são construtores da paz num mundo dilacerado.   Conclusão Todas as Vocações são belas. Nenhuma é mais importante do que a outra. Toda vocação é para servir. Fomos todos chamados para essa missão. Toda Vocação está ligada ao serviço, à doação. Doação sem reservas por causa de Cristo, para construir o seu Reino. A realização da pessoa consiste em acertar a própria Vocação e, assim, cumprir a tarefa que só a ela cabe. Terceira Ordem Regular Franciscanos TOR

Ser padre hoje.

É um dado curioso como hoje muitos falam da vocação sacerdotal, do que é ser padre, expressando opiniões sobre o assunto, embora o desconheçam quase completamente. À medida em que a nossa civilização vai perdendo o senso do sagrado, torna-se mais difícil compreender a pessoa de alguém como o padre, profundamente envolvido com o mistério divino, que implica uma consagração de toda a vida à glória de Deus e ao serviço dos irmãos.  Assim se explica, por exemplo, que alguém possa deixar sua pátria e sua gente para ser missionário do outro lado do mundo. O Brasil se beneficiou grandemente desse ímpeto evangelizador, no começo de sua história, marcada pela presença pioneira de abnegados missionários, como os jesuítas, os franciscanos e membros de outras ordens religiosas, que cristianizaram o nosso país. Como alguém se torna padre? Eu gostaria de abordar alguns pontos referenciais a esse respeito. Em primeiro lugar, ninguém escolhe tal caminho; é escolhido. Toda vocação é um chamado, ao qual se responde com convicção. Assim também aconteceu comigo. Evidentemente, Jesus, em pessoa, não veio me chamar, como o fez com os Apóstolos. A nós, Ele chama através de circunstâncias. Eu era coroinha desde muito cedo, tocava o sino e cuidava das coisas do redor do altar. Esse hábito de servir na casa do Pai cria, por parte da criança e do jovem, uma expectativa que propicia o acolhimento da vocação, que Deus poderá vir a suscitar. Para responder ao chamado, o futuro padre conta, sobretudo, com o auxílio da graça de Deus, que irá configurá-lo à Pessoa do Cristo, como continuador de sua missão. Entretanto, a par da docilidade à ação divina, é preciso ter qualidades essenciais, que permitam o exercício do ministério sacerdotal. Essas qualidades abrangem: - dotes naturais, como saúde física e mental, inteligência desperta e viva - e qualidades morais, como integridade de caráter, coragem e perseverança. A conjugação de todos esses requisitos será avaliada ao longo de um ano, que chamamos de "Propedêutico", durante o qual o candidato é acompanhado e orientado na sua vocação, enquanto faz a transição da realidade em que vivia, para uma experiência toda voltada ao serviço na Igreja. Isto inclui o aprofundamento da própria espiritualidade, e a preparação para a vida comunitária e para o estudo acadêmico. O Seminário é, verdadeiramente, a sementeira onde se aprimora o crescimento dessa "planta" da vocação. O elemento que manifesta, desde o início, a autenticidade do chamado é a piedade do candidato: ter gosto pela oração, aprofundando sua fé no diálogo com Deus, de modo a estabelecer com Ele um relacionamento de intimidade. Esse amor às coisas de Deus deve se desenvolver num espírito de adesão filial à Igreja, ao Papa e aos Bispos, como presença sacramental do próprio Cristo no mundo.A comunhão com Deus leva à comunhão com os irmãos. O seminarista precisa ter espírito comunitário. Saber viver em grupo, em comunidade, não é fácil, mas é um valioso apoio, sobretudo neste mundo, marcado pelo individualismo e pela solidão. Os padres pertencentes a congregações religiosas, vivem, normalmente, em comunidades. Mas é bom que também os padres diocesanos, sempre que possível, residam juntos numa casa paroquial. É um ideal a ser atingido. É claro que o padre nunca está sozinho, porque serve ao povo. Esta é a outra dimensão comunitária de sua vida, que ele precisa amar com generosidade, para poder realizar um fecundo trabalho pastoral. O seminarista recebe formação nessa área, auxilia em diversas pastorais, para desenvolver espírito de pastor, guia, líder, que saiba conduzir o povo pelos caminhos da fé, da moral e do são humanismo. O ideal seria que o candidato, o futuro padre, viesse de uma família bem estruturada, que lhe tivesse fornecido toda a segurança emocional e material necessária. Mas isso nem sempre acontece, principalmente, nos dias de hoje. Por isso, tal requisito não é considerado impedimento para um vocacionado, desde que ele reconheça as dificuldades que precisa superar, e encontre apoio numa formação bem orientada. Há candidatos, oriundos de famílias problemáticas, que se tornaram ótimos padres. O trabalho nas diversas Pastorais da Igreja pressupõe o preparo apurado dos candidatos ao sacerdócio. Na Pastoral Familiar, por exemplo, aprende-se como lidar com as famílias e seus problemas. A Pastoral Catequética requer capacidade de diálogo com crianças e jovens, e também com aqueles que as orientam: pais e catequistas. A Pastoral Vocacional exige entusiasmo e acolhimento ao jovem, no discernimento dos rumos de sua vida. A Pastoral para a Caridade Social exerce a dificílima missão de atendimento aos mais carentes. Na Pastoral da Saúde, o jovem seminarista aprende a conhecer a psicologia do enfermo, como falar e rezar com ele. A Pastoral da Criança atua na formação para uma paternidade responsável. A Pastoral da Terceira Idade propicia o intercâmbio entre o entusiasmo da juventude e a sabedoria dos idosos, cujo convívio é espiritualmente enriquecedor.Entretanto, nenhum trabalho poderia ser bem fundamentado, sem a necessária formação intelectual. O estudo específico para o sacerdócio exige, como requisitos, o Ensino Médio, um ano de Propedêutico e mais sete anos de estudos acadêmicos.Estes estudos dividem-se em duas etapas, a começar pelo curso universitário de Filosofia, com duração de três anos. A Filosofia é um estudo pouco conhecido hoje, mas imprescindível para nortear a visão do jovem sobre o homem, inserido no mundo e na história, sua linguagem e lógica de pensamento, sua capacidade de transcender a realidade puramente material. A história da cultura filosófica, com as teorias dos mais diversos pensadores, é um retrato da pluralidade contemporânea, com a qual o padre e o bispo têm que se defrontar, no exercício de sua missão. É estudo profundo, complexo e difícil.Sobre esta base, assenta-se a grande construção espiritual de quatro anos de estudos, na Faculdade de Teologia. Aqui no Rio de Janeiro, os seminaristas diocesanos cursam a Faculdade de Teologia, ligada à PUC, no próprio campus a eles destinado, no Seminário São José. O curso está aberto, também, a religiosos e leigos que se disponham a enfrentar este difícil estudo.As disciplinas que compõem a Faculdade de Teologia abrangem as bases da nossa fé, sob os enfoques fundamental, sistemático e moral. Além disso, temos o estudo da Sagrada Escritura, do hebraico e do grego, da estruturação da Igreja, a partir da sua fundação por Jesus Cristo, e da sua obra santificadora, na Liturgia e na Espiritualidade.Os seminaristas também têm a oportunidade de aprender o latim e de se aperfeiçoarem nas línguas modernas, entre as quais a nossa própria língua. Aprendem a arte de falar em público e de usar os meios de comunicação social. Estudam a psicologia humana, como base para ministrar o sacramento da confissão e para o aconselhamento a quem se encontra em dificuldade ou sem rumo na vida. Esta foi, apenas, uma breve abordagem do que significa a preparação para o sacerdócio. Ser padre exige vocação, generosa resposta ao chamado divino, e muita capacidade de estudar e trabalhar. Antes de criticar ou apresentar pretensas soluções, baseadas no "achismo", procuremos conhecer o processo para formação de um padre, para podermos avaliar melhor o significado e o objetivo da experiência preparatória pela qual ele passou. Esse conhecimento suscitará, sem dúvida, o desejo de colaborar com ele, colocando-nos em sintonia com o seu trabalho na Igreja, que reverte sempre em nosso benefício e no de toda a Comunidade. CARDEAL DOM EUSÉBIO OSCAR SCHEID.

Formação Presbiteral: o dom da vocação.

“O Dom da Vocação Presbiteral: Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis” é o documento da Congregação para o Clero que visa contribuir para a formação dos seminaristas e do clero da Igreja Católica. O texto atualiza as orientações inalteradas desde 1985 e explicita como realizar a formação dos futuros presbíteros e a necessidade fomentar a formação permanente.  As novas Diretrizes afirmam que o objetivo é formar discípulos missionários “enamorados” do Mestre, pastores “com cheiro das ovelhas” que vivem no meio dela para servi-las e conduzi-las à misericórdia de Deus.  O texto da Congregação indica os elementos teológicos, espirituais, pedagógicos e canônicos, bem como normas para uma formação integral dos presbíteros. Destaca também que o futuro padre deve ser acompanhado na totalidade das quatro dimensões que interagem o processo formativo e a vida dos ministros ordenados: a dimensão humana como “base necessária e dinâmica” de toda vida presbiteral; a dimensão espiritual que contribui para caracqualificar e maturar a vida e o ministério do presbítero; a dimensão intelectual que oferece “os necessários instrumentos racionais para compreender os valores próprios do que é ser pastor”, na própria vida e na missão de anunciar o Evangelho; a dimensão pastoral habilita a um serviço eclesial responsável e profícuo. Nas orientações relacionadas às dimensões da formação e da vida dos futuros presbíteros, o documento aponta para a necessidade de “colocar especialmente no coração os mais pobres e os mais fracos, e já habituados a uma generosa e voluntária renúncia a tudo que não seja necessário”. O chamado é para que “sejam testemunhas de pobreza, através da simplicidade e da austeridade de vida, para tornar-se promotores sinceros e credíveis de uma verdadeira justiça social”. A formação deve estar permeada pelo espírito de pastor “que os torne capazes de ter aquela mesma compaixão, generosidade, amor por todos, especialmente pelos mais pobres, e pronta solicitude pela causa do Reino, que caracterizaram o ministério público do Filho de Deus, e que se podem resumir na caridade pastoral”.  Além disso, sugere o texto, para se tornar realmente um pastor segundo o Coração de Jesus, o sacerdote, “consciente da misericórdia imerecida de Deus na própria vida e na vida dos seus irmãos, deve cultivar a virtude da humildade e da misericórdia para com todo o povo de Deus, especialmente em relação àquelas pessoas que se sentem alheias à Igreja”. “Pareceu-nos que a formação dos presbíteros precisava ser relançada, renovada e recolocada no centro, para isso fomos incentivados e iluminados pelo magistério de papa Francisco, com a espiritualidade e a profecia que distinguem sua palavra”, explicou o prefeito da Congregação para o Clero, cardeal Beniamino Stella. Em entrevista ao diário vaticano, o cardeal lembrou que papa Francisco, ao dirigir-se aos sacerdotes por diversas vezes, recordou-lhes que o padre não é um funcionário, “mas um pastor ungido para o povo de Deus, que tem o coração compassivo e misericordioso de Cristo para com as multidões cansadas e famintas”. Por CNBB

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