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Bispo referencial da Pastoral Rodoviária sobre caminhoneiros: “eles podem parar o país”

Após praticamente uma semana de paralisação, protestos e bloqueios nas estradas do Brasil, os caminhoneiros conseguiram fechar um acordo com o Governo Federal em relação a alguns pontos reivindicados. Diante do desafio de encarar milhares de quilômetros sem as condições ideais para levar país afora a produção, é com a Igreja que os trabalhadores das rodovias contam para ouvir suas dificuldades e receber palavras de conforto. Há 42 anos seguindo a rota dos caminhoneiros, a Pastoral Rodoviária tem sido alento e apoio na assistência religiosa aos profissionais motoristas, de postos de combustível, borracharias entre outras atividades ligadas à realidade das rodovias brasileiras. Dom José Carlos | Foto: reprodução/diocese de Caraguatatuba (SP)   Com experiência no serviço à Pastoral Rodoviária junto com os padres lazaristas, o bispo de Caraguatatuba (SP), dom José Carlos Chacorowski, é o referencial da Pastoral no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). “A Pastoral tem o espírito de levar a Igreja para a estrada e manter a catolicidade nos trabalhadores, ou seja, criar união, uma vez que a maioria dos caminhoneiros tem tradição religiosa, são devotos de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, e não conseguem participar da celebração da eucaristia por estarem trabalhando”, conta o prelado. São características as missas celebradas em postos e pontos de apoio a partir do altar montado dentro do baú de um caminhão que leva o nome de Nossa Senhora da Estrada à frente. E diante das dificuldades enfrentadas na manutenção de suas atividades, a Pastoral também deseja boas condições de vida para os caminhoneiros, segundo dom José Carlos. “E esta é uma realidade delicada que se cria, mostrando que eles podem parar o país”, comenta sobre os protestos que levaram cidades inteiras a mudarem rotinas e ao acionamento das forças de segurança pelo Governo após quatro dias de paralisação e desabastecimentos. Dom José Carlos ainda reflete que há sentimento de que os caminhoneiros sentem o peso da corrupção que afeta os mais pobres, inclusive boa parte dos trabalhadores que são autônomos, e que com este movimento desejam “dar um basta”. O bispo também lamenta a questão do desabastecimento causado pelos bloqueios das estradas e não aprova os exageros, como o uso da violência. Em meio aos protestos, pisando o chão daqueles que levam alimentos e bens de Norte a Sul do país, estão os padres da Congregação da Missão (Lazaristas), congregação fundada por São Vicente de Paulo, na França, em 1625. Na última sexta-feira, estavam espalhados pelo Brasil padre Arno Longo, em Parelhas (RN); padre Miguel Staron, em Tatuí (SP), e padre Germano Nalepa, em Rondonópolis (MT). Padre Arno Longo contou que passou a manhã com os caminhoneiros, conversou com eles, almoçou e presidiu a Missa às 16h. “O trabalho é de escuta da situação e da vida”, conta. Segundo ele, há uma preocupação com a manutenção da vida desses trabalhadores, os quais, em sua maioria, são autônomos. Também aproveitam a ocasião de proximidade para oferecer uma palavra de conforto diante das dificuldades do trabalho. Por CNBB

Papa "Centesimus Annus": construir uma cultura de inclusão

O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (26/5), recebendo, na Sala Régia do Vaticano, cerca de 500 participantes da Conferência Internacional da Fundação “Centesimus Annus pro Pontifice”, que teve como tema: “Debate sobre as novas políticas e estilos de vida na era digital”. A Conferência de três dias, que acaba de se concluir no Vaticano, sob a presidência do Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, contou com a participação especial do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, que abordou o tema: “Uma agenda cristã comum pelo Bem Comum”. A Fundação “Centesimus Annus”, recordamos, é uma Carta encíclica do Papa João Paulo II, promulgada em 1° de maio de 1991, por ocasião do centenário da Encíclica “Rerum Novarum”, daí o seu nome “Centesimus Annus”.   Importância de conhecer a Doutrina Social da Igreja Em seu discurso aos numerosos membros da Fundação, por ocasião dos seus 25 anos de atividades, o Papa Francisco falou sobre a importância de se conhecer a Doutrina Social da Igreja no âmbito dos negócios e setores econômicos da sociedade civil: “As atuais dificuldades e crise no sistema econômico precisam de uma inegável dimensão ética, pois são ligadas a uma mentalidade de egoísmo e exclusão, que geraram certa cultura de descarte, sobretudo entre os mais vulneráveis. É o que se nota com a crescente ‘globalização da indiferença’, que gera diante evidentes desafios morais, que a família humana deve enfrentar”. Neste sentido, o Papa recorda, de modo especial, os multíplices obstáculos ao desenvolvimento humano integral, não apenas nos Países mais pobres, mas também cada vez mais no mundo opulento. Francisco lembra ainda das questões éticas urgentes, ligadas aos movimentos migratórios. Por isso, disse aos membros da Fundação: “Esta Fundação tem uma responsabilidade importante ao levar a luz da mensagem evangélica ao enfrentar as questões humanitárias urgentes e ao ajudar a Igreja a realizar este aspecto essencial da sua missão. Mediante um esforço constante, com os líderes da Economia, das Finanças e de outros setores sindicais públicos, vocês buscam assegurar, que a dimensão social intrínseca de toda atividade econômica, seja adequadamente tutelada e efetivamente promovida”.   Novas políticas e novos estilos de vida Em outras palavras, o Papa destacou que “a dimensão ética das relações sociais e econômicas não pode ser importada do externo e imposta à vida e atividade social, que é um objetivo a longo prazo. Aqui, Francisco referiu-se ao tema da Conferência internacional deste ano: “Novas políticas e novos estilos de vida na era digital”. E explicou: “Um dos desafios, ligados a esta temática, é a ameaça enfrentada pelas famílias, por causa das escassas oportunidades de trabalho e da revolução da cultura digital. Este é um aspecto necessário que torna decisiva a solidariedade da Igreja. A contribuição de vocês é expressão de uma atenção privilegiada da Igreja com o futuro dos jovens e das famílias. Esta atividade conta com a especial colaboração ecumênica, representada pelo Patriarca Bartolomeu, aqui presente”. O Santo Padre concluiu seu discurso destacando que, mediante a transmissão da riqueza da Doutrina Social da Igreja, os membros da Fundação “Centesimus Annus” buscam formar as consciências dos líderes, em campo político, social e econômico. Por isso, encorajou-os a perseverar neste compromisso, que contribui para a construção de uma cultura global de justiça econômica, de igualdade e de inclusão. Por Vatican News

Solenidade da Santíssima Trindade

União com Cristo e o Pai no Espírito Nos domingos anteriores, as leituras tomadas do evangelho de João nos ensinaram que a comunhão do Pai e do Filho, da qual nós participamos no amor, significa também missão: missão do Filho ao mundo, missão dos fiéis para “completar” o amor de Deus pelo amor fraterno, presente na comunidade e, através dela, levado ao mundo todo. Este quadro joanino serve muito bem para interpretar os textos da liturgia de hoje, embora sejam tomados de outros escritos. A visão joanina nos revela a profundidade escondida naquilo que Mateus e Paulo nos dizem hoje. Mt narra que, depois de sua ressurreição, o Pastor escatológico reuniu (“precedeu”) seu rebanho na Galiléia (evangelho; cf. Mc 14,26-27; 16,7). Os onze encontram Jesus na Galiléia, na “montanha” (a do início de sua missão: cf. Mt 5, lss). Alguns nem o reconhecem. Aí, Jesus se revela como o Filho do Homem, a quem é “dado todo o poder no céu e na terra” (cf. Dn 7). Não é um Filho do Homem militaresco, mas profético; seu poder é ensinar. Este poder, confia-o aos discípulos, que devem ir a todos os povos e torná-los discípulos de Jesus, o que implica: 1) batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e, 2) ensinar-lhes a observar tudo quanto lhes ordenou. O batizar significa a acolhida na comunidade, sem a qual é impossível tomar alguém discípulo de Jesus, pois seu mandamento, o amor fraterno, só se aprende na prática mútua; aprender o mandamento do amor sozinho seria como jogar xadrez consigo mesmo … Ora, esse acolhimento na comunidade deve ser “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Temos, no N.T., vestígios de outras fórmulas batismais, mencionado só o Cristo, ou Cristo e o Pai. Mas Mt prefere a fórmula trinitária, porque o acolhimento na comunidade é a entrada na comunhão do Cristo, e esta é de per si comunhão com o Pai, no Espírito que impeliu Jesus para sua missão (Mt 4, 1; cf. 3,17) e que é dado a seus seguidores (cf. Mt 3,11). O Espírito que recebemos é o mesmo Espírito que Cristo recebeu no seu batismo e com o qual ele nos batiza. A 2ª leitura explica isso de modo comovente. Paulo parte da realidade batismal: o ser impelido pelo Espírito de Deus (Rm 8,14). Isso não é apenas entusiasmo carismático, mas filiação divina (cf. o batismo de Jesus, Mt 3,17). Recebemos um Espírito de filhos adotivos (o filho legítimo é Jesus) – de filhos e co-herdeiros! O Espírito de Cristo clama “em nosso espírito” (jogo de palavras): “Abbá, Pai!” Paulo insiste em que este Espírito é de liberdade, não de escravidão. O que é de Deus e foi confiado a Cristo, é nosso também. Nada nos é imposto contra nossa vontade. Assumimos livremente, porque amamos, como filhos a seu Pai. Na realidade, a prática da Igreja nem sempre realiza as características da missão evangelizadora descrita nestes textos. Muitas vezes, pertencer à comunidade cristã é experimentado como um peso, um dever, não como o espírito da filiação divina que nos impele e que nos une intimamente com o Pai e os irmãos. Em vez de nos sentirmos “com Cristo”, na comunidade dos que são seus discípulos e irmãos, sentimo-nos oprimidos por uma pirâmide de convenções. As gerações de discípulos, em vez de serem irmãos unidos num mesmo Espírito libertador, parecem ter acumulado leis e leizinhas, instituições e instituiçõezinhas, impelindo os novos membros a entrar, não pelo impulso do Espírito, mas por tradição e conveniência. Não seria bom “ventilar” um pouco de Espírito na Igreja, para que, livres com Cristo, observemos sua palavra e com ele amemos a Deus e os irmãos, impelidos por seu Espírito?   A Trindade em nossa vida A festa da SS. Trindade é uma oportunidade para refletir sobre nossa vida de batizados. Fomos batizados “no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, conforme a missão confiada por Jesus aos Apóstolos (Mt 28,20). Será que isso significa algo para nossa vida, modificou algo em nós? Nossa vida de batizados tem algo a ver com as pessoas da Santíssima Trindade? No Antigo Testamento, Moisés explicou ao povo que Deus é próximo da gente, não inacessível. Fala com seu povo, acompanha-o. Mais: conta com a amizade de seu povo. Não é um Deus indiferente (1ª leitura). E no Novo Testamento, Paulo aponta a presença da Santíssima Trindade de Deus em nossa vida: o Pai coloca em nós o Espírito que nos torna filhos com o Filho (2ª leitura). Tudo isso nos faz entender melhor o evangelho de hoje, que narra a missão de batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Quem recebe o baitsmo entra numa relação específica com cada uma das três pessoas da Trindade. Em relação ao Pai, é filho por adoção (o que, na cultura de Jesus, significava muito: pleno direito ao amor e à herança do Pai). Em relação ao Filho, é irmão (participando da mesma vida, do mesmo projeto). E quanto ao Espírito Santo, é dele que recebe inspiração e impulso para viver a vida divina no mundo. Convém termos consciência disso em nossa vida de batizados. Certamente, Deus é um só. O que o Pai, o Filho e o Espírito Santo significam em nós é uma só e mesma realidade: a presença da vida divina em nós. Mas essa realidade se realiza em relações diversificadas. Uma  comparação talvez ajude a aprender esse mistério: na vida conjugal, mulher e homem são ora parceiros no amor, ora colaboradores no sustento da família ou na educação dos filhos, ora  pessoas autônomas (para irem votar ou atenderem a seus negócios) etc. Assim podemos assumir e cultivar as diversas atitudes que nos relacionam com a Santíssima Trindade em nossa vida. Atitude de filho adotivo do Pai, cuidando de sua obra, de sua solicitude para com a criação e a humanidade. Atitude de irmão de Jesus, na sintonia e solidariedade, na ternura para  com outros irmãos – e para com Jesus mesmo! Atitude, finalmente, de quem é impulsionado pelo Espírito Santo (e não pelo espírito do mundo, do lucro, da exploração etc). A consciência da relação com as três Pessoas divinas torna nossa vida cristã menos abstrata, conferindo-lhe uma configuração mais versátil, mais concreta. Mas essa consciência  não surge espontaneamente. É preciso cultivá-la na contemplação das Três Pessoas divinas. Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes. Disponível em: franciscanos.org.br

São Filipe Néri

“Contanto que os meninos não pratiquem o mal, eu ficaria contente até se eles me quebrassem paus na cabeça.” Há maior boa vontade em colocar no caminho correto as crianças abandonadas do que nessa disposição? A frase bem-humorada é de Filipe Néri, que assim respondia quando reclamavam do barulho que seus pequenos abandonados faziam, enquanto aprendiam com ele ensinamentos religiosos e sociais. Nascido em Florença, Itália, em 21 de julho de 1515, Filipe Rômolo Néri pertencia a uma família rica: o pai, Francisco, era tabelião e a mãe, Lucrécia, morreu cedo. Junto com a irmã Elisabete, foi educado pela madrasta. Filipe, na infância, surpreendia pela alegria, bondade, lealdade e inteligência, virtudes que ele soube cultivar até o fim da vida. Cresceu na sua terra natal, estudando e trabalhando com o pai, sem demonstrar uma vocação maior, mesmo frequentando regularmente a igreja. Aos dezoito anos foi para São Germano, trabalhar com um tio comerciante, mas não se adaptou. Em 1535, aceitou o convite para ser o tutor dos filhos de uma nobre e rica família, estabelecida em Roma. Nessa cidade foi estudar com os agostinianos, filosofia e teologia, diplomando-se em ambas com louvor. No tempo livre praticava a caridade junto aos pobres e necessitados, atividade que exercia com muito entusiasmo e alegria, principalmente com os pequenos órfãos de filiação ou de moral. Filipe começou a chamar a atenção do seu confessor, que lhe pediu ajuda para fundar a Confraternidade da Santíssima Trindade, para assistir os pobres e peregrinos doentes. Três anos depois, aos trinta e seis anos de idade, ele se consagrou sacerdote, sendo designado para a igreja de São Jerônimo da Caridade. Tão grande era a sua consciência dos problemas da comunidade que formou um grupo de religiosos e leigos para discutir os problemas, rezar, cantar e estudar o Evangelho. A iniciativa deu tão certo que depois o grupo, de tão numeroso, passou à Congregação de Padres do Oratório, uma ordem secular sem vínculos de votos. Filipe se preocupou somente com a integração das minorias e a educação dos meninos de rua. Tudo o que fez no seu apostolado foi nessa direção, até mesmo utilizar sua vasta e sólida cultura para promover o estudo eclesiástico. Com seu exemplo e orientação, encaminhou e orientou vários sacerdotes que se destacaram na história da Igreja e depois foram inscritos no livro dos santos. Mas somente quando completou setenta e cinco anos passou a dedicar-se totalmente ao ministério do confessionário e à direção espiritual. Viveu assim até morrer, no dia 26 de maio de 1595. São Filipe Néri é chamado, até hoje, de “santo da alegria e da caridade”. A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Eva de Liége e Maria Ana. Disponível em: franciscanos.org.br

Papa Francisco: o matrimônio é a beleza cristã

A beleza do matrimônio foi o tema homilia do Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sexta-feira na capela da Casa Santa Marta. Entre os fiéis, havia sete casais que celebravam 50 e 25 anos de casamento. O trecho do Evangelho segundo São Marcos fala da intenção dos fariseus de colocar Jesus à prova fazendo-lhe uma pergunta que o Papa define “casística”, isto é, quando se reduz a fé a “um sim ou um não”. E explica: Não o grande "sim" ou o grande "não" dos quais ouvimos falar, que é Deus. Não: se pode ou não se pode. E a vida cristã, a vida segundo Deus, segundo essas pessoas, está sempre no ‘se pode’ e ‘não se pode’. A pergunta diz respeito ao matrimônio, querem saber se é lícito ou não que um marido repudie a própria mulher. Mas, afirma Francisco, Jesus vai além, eleva o nível e “chega até a Criação e fala do matrimônio que é talvez a coisa mais bela” que o Senhor criou naqueles sete dias. A desgraça da separação ‘Desde o início da criação [Deus] os fez homem e mulher; o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois se tornarão uma só carne’. “É forte o que diz o Senhor”, comenta o Papa, fala de “uma carne” que não se pode dividir. Jesus “deixa o problema da divisão e vai à beleza do casal que deve caminhar como um só”. Francisco destaca que o homem e a mulher devem abandonar aquilo que eram antes “para começar uma nova estrada, um novo caminho”. E depois toda a vida realizam este caminho de “ir avante juntos: não dois, um”. O Papa então recomenda: “Não devemos nos deter, como esses doutores, num ‘se pode’ ou ‘não se pode’ dividir um matrimônio. Às vezes, acontece a desgraça de não funcionar e é melhor se separar para evitar uma guerra mundial, mas isso é uma desgraça. Devemos ver o positivo”. Francisco citou um casal que festejava 60 anos de casamento e, diante da pergunta se eram felizes, os dois se olharam nos olhos, que ficaram repletos de lágrimas pela comoção, e responderam: "Somos apaixonados!”. É verdade que existem dificuldades, que existem problemas dos filhos ou do próprio matrimônio, do próprio casal, discussões, brigas... mas o importante é que a carne permaneça uma e superam, superam, superam isso. E este não é somente um sacramento para eles, mas também para a Igreja, como se fosse um sacramento que chama a atenção, que atrai a atenção: “Mas olhem que o amor é possível!”. E o amor é capaz de fazer viver apaixonados toda uma vida: na alegria e na dor, com o problema dos filhos e os próprios problemas... mas ir sempre avante. Na saúde e na doença, mas ir sempre avante. Esta é a beleza. O matrimônio feliz não é notícia O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus e o próprio matrimônio se torna assim Sua imagem. E é por isso, afirma o Papa, que é tão bonito: “O matrimônio é uma pregação silenciosa a todos os outros, uma pregação de todos os dias”. É doloroso quando isso não faz notícia: os jornais, os telejornais não veem isso como notícia. Aquele casal tantos anos juntos.. não é notícia. Sim, a notícia é o escândalo, o divórcio ou que se separam – às vezes se devem separar, como disse, para evitar um mal maior... Mas a imagem de Deus não é notícia. E esta é a beleza do matrimônio. São a imagem e a semelhança de Deus. E esta é a nossa notícia, a notícia cristã. Francisco repete que a vida matrimonial e familiar não é fácil, e cita a Primeira Leitura extraída da carta de São Tiago Apóstolo, que fala da paciência. Diz que talvez seja a virtude mais importante no casal – seja do homem, seja da mulher – e conclui com uma oração ao Senhor “para que dê à Igreja e à sociedade uma consciência mais profunda, mais bela do matrimônio, que todos nós possamos entender e contemplar que no matrimônio há a imagem e a semelhança de Deus”. Por Adriana Masotti Em Vatican News

Santíssima Trindade: mistério central da fé e da vida cristã

“Celebrar a Santíssima Trindade representa para a Igreja celebrar a fonte de onde ela emana”, diz o bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini. Esse mistério central da fé cristã é ressaltado no concílio Vaticano II: a Igreja brota da Trindade. Outra definição bem didática foi escrita pelo bispo teólogo de Ilhéus (BA), já falecido, dom Valfredo Tepe, “o Pai projeta a Igreja, Jesus a funda e o Espírito Santo a administra”. Neste domingo, 27 de maio, a Igreja celebra a solenidade litúrgica da Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três pessoas e um só Deus verdadeiro. Esta celebração convida os cristãos a rezar e a agradecer o convite que Jesus faz para voltar com ele ressuscitado, para sua pátria: a Trindade. “Esta celebração nos convida a celebrar a criação que é obra da Trindade, celebrar a humanidade vocacionada à fraternidade e solidariedade: um só é vosso Pai! E eu e o Pai somos um”, destaca dom Cipollini. Ainda segundo o bispo, de junto do Pai Jesus ressuscitado envia o Espírito Santo que nos santifica e nos torna santificadores deste mundo. “Espírito de Verdade e amor derramado em nossos corações para compreendermos que Jesus é o enviado do Pai e crermos nele, ouvindo e vivendo o que ele nos ensinou”. O mistério da Trindade que não pode ser entendido porque é um mistério está nas origens da fé viva da Igreja, principalmente através do Batismo. “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13; cf. 1Cor 12,4-6; Ef 4,4-6) já pronunciavam os Apóstolos. Santo Agostinho dizia que: “O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão” (A Trindade, 15,26,47). “Trazemos para nossa vida o mistério da Trindade quando conhecemos Jesus que nos revela este mistério e é o caminho para adentrarmos nele. Quando brota em nós a paixão para a unidade e o amor vividos na busca continua da Verdade que se revela em Jesus, aí então o Mistério da Trindade se torna realidade para nós”. Dom Cipollini ressalta que é preciso aprender a viver a unidade na diversidade unidos pelo amor. “Viver a Trindade é a partir da fé abater tudo o que divide e construir pontes que integram”. Por CNBB

São Beda

Todas as informações que temos sobre o extraordinário Beda foram escritas por ele mesmo no livro “História da Inglaterra”, um dos mais raros e completos registros da formação do povo inglês antes do século VIII, narradas assim: “Eu, Beda, servo de Cristo e sacerdote, e monge do mosteiro de São Pedro e São Paulo, da Inglaterra, nasci neste país. Aos sete anos, fui levado ao mosteiro para ser educado pelos monges. Desde então, passei toda a minha vida no mosteiro, e me dediquei sobretudo ao estudo da Sagrada Escritura. Além de cantar e rezar na Igreja, minha maior alegria foi poder dedicar-me a aprender, a ensinar e a escrever. Aos dezenove anos, recebi o diaconato e aos trinta, o sacerdócio. Todos os momentos livres eu os dediquei a buscar explicações da Sagrada Escritura, especialmente extraídas dos escritos dos santos Padres”. Além desses dados, podemos acrescentar ainda, com segurança, que Beda nasceu no ano 672, tendo sido educado e orientado espiritualmente pelo próprio são Bento Biscop, abade do mosteiro, que, impressionado com seus dons e inteligência, o tratava como próprio filho, na cidade de Wearmouth. Cedo, Beda percebeu que um sermão podia ser ouvido por apenas algumas pessoas, mas podia ser lido por milhares delas e por muitos séculos. Por isso ele desejou escrever, e escreveu muito, sem se cansar, com cuidado e esmero no conteúdo e estilo, resultando em livros agradáveis de ler, verdadeiras obras literárias, sobre os mais variados temas, indo do teológico ao intelectual. Ao todo, foram sessenta obras sobre teologia, filosofia, cronologia, aritmética, gramática, astronomia, música e até medicina. Beda gostava de aprender, por isso pesquisava e estudava; e também de ensinar, por isso escrevia e dava aulas. Ajudou a formar várias gerações de monges, que, atraídos pela linguagem simples, encantadora e acessível, eram dirigidos, por meio dessas matérias, para os ensinamentos de Deus. O papa Gregório II chamou-o a Roma, para tê-lo como seu auxiliar, mas Beda implorou para permanecer na solidão do mosteiro, onde ficou até seus últimos momentos de vida. Só saiu por poucos dias para estabelecer as bases da Escola de York, na qual, depois, estudou e se formou o famoso mestre Alcuíno, fundador da primeira universidade de Paris. Ainda em vida, era chamado de “venerável Beda”, ou “Beda, o Venerável”. Morreu com sessenta e três anos, na paz do seu mosteiro, em Jarrow, Inglaterra, no dia 25 de maio de 735. Muitos séculos depois, pelo imensurável serviço prestado à Igreja, o papa Leão XIII, em 1899, proclamou-o santo e doutor da Igreja. São Beda, único santo inglês que possui o título de doutor da Igreja, é celebrado no dia 25 de maio. A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Gregório VII e Maria Madalena de Pazzi. Disponível em: franciscanos.org.br

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