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Cúria Diocesana

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4º Domingo da Páscoa

"Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem". (Evangelho segundo São João). "Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem". (Evangelho segundo São João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/05/liturgia_0505.jpg

O Evangelho é mensagem que salva e incomoda

Frei Gustavo Medella

“Mas os judeus instigaram as mulheres ricas e religiosas, assim como os homens influentes da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e expulsaram-nos do seu território” (At 13,50).

A autêntica mensagem do Evangelho pode salvar ou incomodar. Para quem se abre à ação da Graça e compreende a natureza essencial do convite que o Pai estende a todos, sem distinção, através de Jesus Cristo, ela é Palavra de vida e de libertação. É o advento de um novo modo de viver e conviver capaz de superar a contradição da injustiça, do ódio, da acepção de pessoas, da exclusão e da indiferença. Quem percebe a consistência dessa proposta não encontra grande dificuldade de abandonar as outras ambições para lançar-se de cheio nesta aventura de conversão e mudança para melhor.

Ao contrário, para quem se apega a um status quo pautado em privilégios, jogos de interesse, acumulação cada vez mais restrita de bens, trocas de favores, para aqueles que estão “bem, obrigado”, – para as “mulheres ricas e religiosas e os homens influentes” – lançando-se mão dos termos empregados por São Lucas no texto bíblico, a proposta evangélica se torna uma afronta. Precisa ser silenciada, desqualificada, distorcida.

Estes dois modos de se relacionar com o núcleo do Evangelho e, consequentemente, com a pessoa de Jesus Cristo, certamente vão conferir as matizes dos diferentes tipos de adesão ao Catolicismo que têm estado muito em voga ultimamente gerando, inclusive, grande polarização em torno da figura do Papa Francisco que, a olhos vistos, tem dado tudo de si para orientar a Igreja na direção da autêntica fidelidade ao Evangelho.

Para aqueles que buscam se fazer dóceis à essência do Evangelho, Francisco tem se demonstrado verdadeiro pai e guia. Ele tem acelerado fundo a “Barca de Pedro” a fim de que se torne cada vez mais vigorosa no seguimento do Mestre. Francisco de Roma tem sido a força que impele a Igreja assumir com coragem o seu papel de mãe e serva pobre, inclusiva e despojada. Pautando-se no sonho e no exemplo de Francisco, cada cristão tem diante de si um longo caminho a percorrer, cheio de desafios, mas pleno de realizações. Um percurso no qual deve ser deposta a tentação ao triunfalismo, à prepotência, à adoção de ritos frios, rigorosos e vazios de humanidade, à presunção de se julgar superior e melhor, à recusa de ir ao encontro dos feridos e abandonados da atualidade.

O Cristo Pastor que dá a vida por suas ovelhas, apresentado no Evangelho deste 4º Domingo do Tempo Pascal, continue conduzindo seu Vigário na terra e que Francisco de Roma prossiga firme em seu propósito de conduzir a Igreja no verdadeiro caminho do Evangelho.

 

4º Domingo da Páscoa

Comentários do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”.

  1. Primeira leitura: At 13,14.43-52

Eis que nos voltamos para os pagãos. 

A comunidade cristã de Antioquia da Síria, já florescente, movida pelo Espírito Santo, decidiu enviar Barnabé e Paulo para anunciar o evangelho em outras cidades do Império Romano (At 13,1-3). Depois de uma breve missão na ilha de Chipre (13,4-12), os apóstolos chegam à cidade de Antioquia da Pisídia. No sábado, como de costume, entraram na sinagoga onde estavam reunidos para o culto judeus e pagãos, recém “convertidos ao Judaísmo”. O chefe da sinagoga convidou os visitantes, para comentar as leituras da Lei e dos profetas e fazer uma exortação ao povo. Paulo aceitou o convite e faz um resumo da história de Israel desde o Egito, passando pela monarquia até chegar a Davi e à promessa que o rei recebeu de sempre ter no trono um descendente seu. A esperança do messias prometido estava viva, também entre os judeus da dispersão (diáspora). Sem dúvida, as notícias sobre Jesus de Nazaré, sua morte na cruz e sobre seus discípulos já haviam chegado até Antioquia da Síria. Paulo aproveitou a ocasião para anunciar a ressurreição de Cristo Jesus. Afirma também que pela fé em Cristo se obtêm o perdão dos pecados e a justificação e não mais pela observância da Lei de Moisés. A repercussão do discurso foi grande, de modo que, no sábado seguinte, uma multidão de judeus e convertidos ao Judaísmo acorreu à sinagoga para ouvir o ensinamento dos apóstolos. Mas a assembleia logo se dividiu. Boa parte dos judeus se opôs à nova doutrina e, com a ajuda dos convertidos ao Judaísmo mais ricos, expulsaram Paulo e Barnabé de sua região. Porém, os pagãos convertidos ao Judaísmo que abraçaram a fé se alegraram e “glorificavam a palavra do Senhor” e assim “a palavra do Senhor se difundia por toda a região”. Pela força do Espírito Santo e pelo testemunho dos cristãos, a palavra de Deus faz seu próprio caminho. Lucas nos mostra como o rebanho de Jesus, Cordeiro e Pastor, cresce dia-a-dia (2ª leitura e Evangelho). 

Salmo responsorial: Sl 99

Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,

nós somos seu povo e seu rebanho.

  1. Segunda leitura: Ap 7,9.14b-17

O Cordeiro vai apascentá-los e os conduzirá

às fontes da água da vida.

O autor do Apocalipse escreve na década de 90 d.C. Os cristãos eram vítimas de violentas perseguições, como as de Nero (64-68 d.C.) e de Domiciano (81-96 d.C.). Muitos cristãos perderam a vida por causa da fé em Cristo ressuscitado. O texto que ouvimos divide-se em duas cenas. A primeira fala dos 144 mil eleitos das doze tribos de Israel (7,1-8), que representam a salvação dos judeus convertidos a Cristo. A segunda cena volta-se para a salvação de uma inumerável multidão de “gente de todas as nações, tribos, povos e línguas”. Trata-se da salvação dos pagãos que abraçaram a fé em Cristo (v. 9-17). Os eleitos reconhecem que a salvação de que gozam deve-se Àquele que está sentado no trono (Deus) e ao Cordeiro (Jesus). Eles adoram a Deus e a corte celeste se prostra em adoração (v. 10-12). Depois disso (v. 13), um dos anciãos explica ao vidente que os que estão vestidos de branco vieram da grande tribulação, isto é, foram perseguidos ou martirizados por causa da fé em Cristo e suas vestes foram branqueadas pelo sangue do Cordeiro. Eles participam da glória do céu graças à morte redentora de Cristo, Filho de Deus. Por isso agora estão junto ao trono lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo, que lhe serve ao mesmo tempo de moradia (tenda). Cristo, a Palavra de Deus que “se fez carne habitou entre nós” (Jo 1,14), por sua morte, tornou-se “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). O Cordeiro, “no meio do trono”, se identifica com o próprio Deus. Habitou entre nós e quer que habitemos com ele e sejamos introduzidos na sua tenda. Ali não haverá mais sofrimento algum pois o Cordeiro assumindo nossa carne, faz parte do rebanho e é o pastor que conduz seu rebanho “às fontes da água da vida” (cf. Jo 4,1-15; Ap 22,17) e “enxugará as lágrimas” de nossos olhos (Ap 21,4).

Aclamação ao Evangelho: Jo 10,14

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;

eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a mim.

  1. Evangelho: Jo 10,27-30

Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas.

O Evangelho do 4º Domingo da Páscoa tem como tema o Bom Pastor. No ano A, Jesus se apresenta como o verdadeiro pastor, que conhece suas ovelhas, e lhes dá segurança como porta de entrada para o curral (Jo 10,1-10). No ano B, apresenta-se como o Bom Pastor, capaz de doar sua vida pelas ovelhas (Jo 10,11-18). Hoje, numa discussão com os judeus que o questionavam se ele era o Cristo, Jesus se apresenta na sua relação íntima com o rebanho e com o Pai. Como pastor, Jesus conhece suas ovelhas, elas escutam sua voz e o seguem. A meta do pastor é levar as ovelhas com segurança às fontes da água viva (2ª leitura), ou seja, à vida eterna. Os pagãos acolheram a palavra de Deus anunciada por Paulo e Barnabé e garantiram a vida eterna. Os judeus, porém, não se consideraram dignos da vida eterna porque rejeitaram a Palavra de Deus anunciada pelos apóstolos (1ª leitura). As leituras de hoje mostram porque Jesus é o Bom Pastor, “o caminho, a verdade e a vida”. – Quando escutamos a voz do Bom Pastor e o seguimos, entramos em comunhão com Cristo e com o Pai: “Eu e o Pai somos um”.

 

Ouvir, conhecer, seguir

Frei Clarêncio Neotti

Há três passos a serem dados: ouvir a voz, conhecer de quem é a voz, seguir quem chamou. Esses três passos são, muitas vezes, aplicados às vocações sacerdotais e religiosas, porque a vocação não é outra coisa senão um chamado individual
(vocação vem do verbo latino vocare, que quer dizer chamar), um reconhecimento do chamado e um seguimento. Por isso, hoje, em muitas comunidades se celebra o domingo das vocações, que, no Brasil, passou a ser celebrado em agosto.

Mas todos são convidados a dar esses três passos, porque todos são ovelhas do Senhor. Falo em três passos, porque o ‘escutar’ vem antes do ‘conhecer’. Daí a insistência em estar atento à voz de Deus. A iniciativa do chamado é sempre
de Deus. Costumamos conhecer as pessoas pela voz. Com facilidade distinguimos uma voz da outra. Isso nem sempre acontece com a voz de Deus, porque ela não se escuta pelos ouvidos, mas pelo coração. Um coração reto, uma consciência
equilibrada e generosa distinguem a voz de Deus. Vinda de Deus e tendo-a nós escutado com atenção, ela vira obediência. Obedecer vem de duas palavras latinas ob-audire, isto é, ouvir com atenção. Esse ‘ouvir com atenção’ está implícito no verbo ‘conhecer’, no linguajar do Evangelista João.

Estamos acostumados a conhecer com a razão. Para João conhecer implica o ser humano inteiro, sua inteligência, seu sentimento, sua vontade. Talvez poderíamos dizer: deixar-se embeber. São Paulo expressa esse passo lindamente: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). O terceiro passo é consequente: seguir Cristo, na certeza de que ele conhece o caminho e a meta. Esse seguir se torna gostoso quando nos lembramos da outra promessa de Jesus: as ovelhas estarão comigo e “ninguém as arranca de minha mão” (v. 28). Como toma sentido imenso, então, o verso do Salmo: “Não temerei mal algum, porque estás comigo” (Sl 23,4). Ao longo do caminho, o ‘escutar’, o ‘conhecer’ e o ‘seguir’ entrelaçam-se normalmente e nós passamos a viver em permanente escuta, permanente discernimento, permanente caminhada com ele, ou, para usar uma passagem pascal, em permanente estrada de Emaús.

 

Jesus é o bom pastor

Frei Almir Guimarães

 Que o Pastor seja, pela humildade, um companheiro  dos que fazem o bem;  e, contra os vícios dos que praticam o mal, possua um enérgico senso de justiça.  Não se considere melhor do que os outros homens de bem e, quando a culpa dos  perversos o exigir, tome imediatamente consciência  do poder que lhe advém de sua autoridade.

São Gregório Magno 

  • Domingo do Bom Pastor. Pastor, pão, alimentação. Uma antiga  raiz originária do indo-europeu pa  deu em latim  panis e pastor. Pastor e pão apontam para alimentação, nutrição, cuidado para que a pessoa, o outro,  cresça.  Jesus ressuscitado é o Pastor bom  que dá a vida pelas ovelhas.  Não era como os pastores de antigamente que, segundo Ezequiel, se aproveitavam da ovelhas.  Jesus é aquele que busca as ovelhas desgarradas e procura para elas pastos verdejantes. Com sua fala e seu comportamento está sempre reunindo os dispersos:  que ouçam sua voz, voltem ao redil, aceitem um alimento substancioso. Jesus ressuscitado é o Bom Pastor.  Ontem e hoje.

  • Normalmente falando pastores são os bispos e os sacerdotes. O Papa Francisco, por sua vez, é o supremo cuidador. Podemos dizer que os pais, os educadores cristãos, os agentes de pastoral são pastores de seus respectivos “rebanhos”. Levam as pessoas a prados verdejantes e a fontes borbulhantes.  Os sacerdotes, de modo especial,  refazem em suas vidas o perfil do Bom Pastor. Nisto consiste o esplendor da vocação para o sacerdócio ministerial: terem os traços do Pastor por excelência.

  • Quais são as ovelhas?

    • Há aquelas que frequentam regularmente os espaços geográficos de nossas comunidades. Muitas dessas pessoas são sinceras e vivem em profundidade o amor a Cristo.  Trazem traços de Cristo em seus semblantes e em suas vidas.

  • Outras costumam colocar ritos religiosos, fazer orações, viver práticas mas que pouca adesão existencial deram, de fato, ao Evangelho. Frequentam nossos espaços, batizam os filhos, declaram-se pessoas católicas,  mas nunca tiveram efetivamente encontros pessoais e comunitário  verdadeiros com o Senhor.  Não rejubilam com a vivência da fé.  A fé é como uma veste que usam de quando em vez: aos domingos, nas horas de aflição, como coisa que está aí, mas que não faz a vida vibrar. Depois ela é guarda no armário das tradições familiares.

  • Há aqueles que andam desejosos de viver uma grande intimidade, de conviver com as Escrituras, de se comprometerem com ações que transformem o mundo. Sentem que o Senhor anda rondando suas vidas para que sejam muito generosos.  Experimentam sede de Deus e de amor ao próximo.  Não encontram comunidades que os acolham de verdade.  Quem orientará a todos esses?

  • Há ainda aqueles que devido a uma  catequese deficiente carecem de uma compreensão alegre da Boa Nova do Evangelho.  São pessoas que vivem uma decepção ou um desencantamento. Alguns abandonam a Igreja, revoltados.

  • Há ainda pessoas que nunca tiveram ocasião de encontrar a Igreja, o Evangelho e vivem assim.

Quais as qualidades do pastor?

  • “No oficio de pastor uma tarefa importantíssima é a de conduzir as ovelhas por caminhos seguros, protege-las de todo possível dano, liberta-las de qualquer perigo, tira-las do atoleiro, curar as feridas que possam ter sofrido.  Em Jesus encontramos tudo isso. Ele foi a misericórdia e a compaixão em pessoa:  foi transparência da misericórdia divina, o rosto misericordioso do Pai. É o  Bom Pastor que procura a ovelha perdida e não descansa até encontra-la. E ao encontra-la enche-se de felicidade. Nele, a ovelha ferida, cansada e oprimida, pode encontrar segurança e descanso, como ele mesmo prometeu:  ‘Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos e eu vos darei descanso’ “ (Salvador  Valadez  Fuentes, Espiritualidade Pastoral, Paulinas, p. 86).

  • A imagem do pastor está carregada dos simbolismo religioso na tradição bíblica.  O pastor simboliza  o chefe que governa e dirige o povo. Sua principal tarefa é vigiar, guiar e proteger o rebanho.  Sua principal tarefa é vigiar, guiar e proteger o rebanho. Deus é “pastor de Israel  porque conduz o povo, vela por ele o protege.

  • Quando os primeiros cristãos falam de Jesus como  o Bom Pastor  não o fazem  para apresenta-lo como chefe e comandante de um povo, mas para destacar sua  preocupação pela vida das pessoas. Jesus é, de modo particular, o Bom Pastor porque dá a sua vida pelas ovelhas.

Para a reflexão 

“Nós cristãos cremos que só Jesus  pode ser guia definitivo do ser humano.  Só com ele podemos aprender a viver. O cristão é precisamente aquele que, a partir de Jesus, vai descobrindo dia a dia  qual a maneira mais humana de viver.  Seguir Jesus como Bom Pastor é interiorizar  as atitudes fundamentais que ele viveu, e esforçar-nos por vive-las hoje a partir de nossa própria originalidade, prosseguindo a tarefa de  construir o Reino de Deus que ele começou. Mas enquanto a meditação for substituída  pela televisão, o silêncio interior pelo ruído e o seguimento da própria consciência pela  submissão cega à moda, será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor  que pode ajudar-nos a viver no meio  desta “sociedade consumo”  que consome os consumidores”

Pagola, O caminho aberto por Jesus

João, p.  153

 

Oração

Já que Cristo ressuscitou,
podemos começar uma vida nova
de mulheres e homens ressuscitados
e irmãos,  agora mesmo.

Já que Cristo ressuscitou,
temos seu espírito entusiasta,
e queremos trazê-lo bem visível
para que contagie muitos.

Já que  Cristo ressuscitou,
estamos em sua renovação permanente;
é preciso transformar o mundo
a partir dos fundamentos.

Já que  Cristo ressuscitou,
é preciso construir uma  cidade solidária
onde o homem não seja lobo,
mas companheiro e irmão.

Já que  Cristo ressuscitou,
cremos numa terra nova
onde haverá amor e casa para todos.

P Loidi

 

Não governar, mas dar vida

José Antonio Pagola

A imagem do pastor está carregada de simbolismo religioso na tradição bíblica. O pastor simboliza o chefe que governa e dirige o povo. Sua principal tarefa é vigiar, guiar e proteger o rebanho. Deus é “o pastor de Israel”, porque conduz o povo, vela por ele e o protege. Esse é também hoje seu principal significado quando se fala na Igreja dos pastores que “guiam o povo”.

Quando os primeiros cristãos falam de Jesus como “Bom Pastor”, não o fazem, porém, para apresentá-lo como chefe e comandante de um povo, mas para destacar sua preocupação pela vida das pessoas. Jesus é “Bom Pastor” não porque saiba governar, conduzir e vigiar melhor do que ninguém, mas porque é capaz de “dar sua vida” pelos outros.

Esta Teologia do Bom Pastor resume perfeitamente a atuação de Jesus. Sua primeira preocupação não foi salvaguardar a doutrina, vigiar a moral ou controlar a liturgia, mas empenhar-se pelas pessoas, lutar contra o sofrimento sob todas as suas formas e trabalhar por uma vida mais digna e feliz para todos, chegando “até a dar sua vida” neste empenho. A Igreja tem a responsabilidade de convidar e orientar os crentes para a verdade de Cristo, mas Cristo se dedicava precisamente a suprimir sofrimentos e dar vida. Só a partir daí revelava e anunciava o verdadeiro Deus.

Nestes nossos tempos, em que tanta gente “abandona o rebanho” e se afasta da fé, a melhor maneira de guiar para a “verdade de Cristo” seria ver uma Igreja dedicada de corpo e alma a fazer que as pessoas sejam mais felizes, se sintam menos desamparadas e vivam mais protegidas contra o mal e o sofrimento.

Os próprios cristãos que confessaram Jesus como “pastor”, também o apresentaram como “cordeiro” sacrificado pelos outros. É uma boa lembrança para os pastores da comunidade cristã. O trabalho pastoral não se faz por imposição “de cima” mas servindo a partir “de baixo”. Não se leva as pessoas a Cristo partindo do poder e do domínio, mas a partir da compaixão e da luta contra o sofrimento e o desamparo.

 

O Bom Pastor nos conduz a Deus

Pe. Johan Konings

Muitas pessoas procuram orientação, mas a sociedade em que vivemos mais manipula que orienta! Estamos sendo seduzidos pelos interesses do dinheiro e do poder. Pensando que somos livres e seguimos nosso próprio caminho, somos levados pelo sistema e pela propaganda … enquanto se esconde em nós, envergonhado, o desejo de ser conduzido de modo confiável e verdadeiro.

Na Bíblia, quem conduz chama-se pastor. É disso que trata o evangelho. Jesus se apresentou como o pastor fidedigno (Jo 10,11-18); no trecho que é lido hoje (10,27-30), ele fundamenta sua confiabilidade no amor que o une ao Pai (“Eu e o Pai somos um”). Por este amor, ele nos conduz a Deus, e ninguém nos poderá arrebatar dele e do Pai.

Deus é “mistério”. Não conseguimos concebê-lo com clareza. Ele é grande demais para que o possamos descrever. É a “instância última” de nossa vida. Mas Jesus o torna acessível, visível. Podemos orientar nossa vida para a instância última graças a Jesus que nos conduz, se a ele no confiamos. Jesus está tão unido a Deus que, para nós, ele é a presença de Deus em pessoa. Nele, estamos em Deus. Deus é a “pastagem”, a felicidade para onde Jesus-Pastor nos conduz.

Na 2ª leitura, este pastor é apresentado como sendo também “cordeiro”, vítima pascal, que resgata e liberta da escravidão as ovelhas que somos nós. Esta imagem vem completar a do pastor. Pois um pastor parece muito chefe. Jesus é também ovelha, igual a nós, porém totalmente consagrada a Deus. Ele nos conduz a Deus, vivendo a nossa própria situação.

Como somos conduzidos por Jesus? Não mecanicamente! Ele nos conduz, mas não nos força! A nós cabe o esforço. Devemos “conhecer” Jesus, gravar seu retrato em nosso coração. Depois, com esta imagem na cabeça e no coração, vamos olhar para a nossa vida e seus desafios. Vamos perguntar o que Jesus faria se estivesse em nossa situação. Finalmente, apoiados pela comunidade eclesial, vamos escolher o caminho que acreditamos sinceramente que ele escolheria. Este será o caminho de Jesus-Pastor.

Caminho para todos. As leituras de hoje nos mostram que as palavras e o caminho de Jesus se destinam a todos, judeus e não-judeus. Paulo rompeu o confinamento cultural da mensagem de Jesus dentro do mundo judeu. Também hoje, para que o rebanho possa ser integrado por quantos quiserem e siga sem impedimento o Cordeiro-Pastor, é preciso romper barreiras e confinamentos. Inculturar o evangelho em outras culturas que não a tradicional cultura ocidental. Nas culturas afro-brasileira e ameríndia do Brasil. E assim pelo mundo afora. Para constituir a grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas que seguem o Cordeiro, como diz o Apocalipse (7,9).

Textos originalmente disponíveis em: franciscanos.org.br

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