phone 

Cúria Diocesana

91 3425-1108

 

6º Domingo da Páscoa

"Se alguém me ama, guarda a minha palavra, e meu Pai o amará. Eu e meu Pai viremos e faremos nele a nossa morada." (Evangelho segundo João). "Se alguém me ama, guarda a minha palavra, e meu Pai o amará. Eu e meu Pai viremos e faremos nele a nossa morada." (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/05/liturgia_200519_sexto.jpg

A palavra de ordem é “Coragem”

Frei Gustavo Medella

As leis e as tradições existem para oferecer respostas de libertação e vida plena aos apelos da realidade de cada tempo. Esta constatação já estava clara na Igreja Primitiva, conforme apresenta a 1ª leitura deste 6º Domingo do Tempo da Páscoa, retirada dos Atos dos Apóstolos. No impasse diante da obrigatoriedade da circuncisão para a acolhida de membros não judeus à comunidade cristã, o Espírito Santo, as lideranças e o bom senso chegaram à conclusão de que, embora fosse um ritual importante para a cultura hebraica, não haveria de necessidade de que tal prática estivesse atrelada ao seguimento de Cristo. “Simples assim”, como diz a nossa juventude.

Na atualidade, permanece como desafio para a Igreja beber da sabedoria primitiva e colocar em diálogo franco e transparente doutrinas e regras que podem ser revistas à luz dos sinais dos tempos. Neste particular, o pontificado do Papa Francisco tem sido marcado pela liberdade e pela disposição de um pastor que não se furta em abrir os ouvidos e o coração para ouvir, acolher e discernir os apelos da humanidade que ressoam no seio da própria Igreja. Sem negociar o que é fundamental dos ensinamentos de Cristo – tudo que brota e deriva do Mandamento do Amor – o Santo Padre demonstra um total desapego em relação a questões que tendem à mera formalidade, à autorreferência e à manutenção de estruturas obsoletas de status e poder.

Assim age o Papa ao desejar ouvir as famílias, a juventude, os povos amazônicos, as outras tradições religiosas, ao colocar-se sem intermediário diante das perguntas e questionamentos de jornalistas, intelectuais e agentes de diversos setores da sociedade. Da mesma maneira quando pede que nossas paróquias não funcionem como alfândegas pastorais, que nossas igrejas mantenham teimosamente as portas abertas para todos, que a chaga maligna do abuso sexual de jovens e crianças seja trazida para a luz dia como única maneira eficaz de ser curada. Francisco demonstra-se um Papa sem medo.

A coragem do Santo Padre pode e deve nos inspirar. Afinal, o Mestre Jesus garante que neste empenho jamais estaremos a sós. Sua presença é próxima constante e fiel pela força e a ação do Defensor que Ele e o Pai enviam a nós. Neste domingo que precede a Solenidade da Ascensão do Senhor, a palavra de ordem é “Coragem”!

 

6º Domingo da Páscoa, ano C

Reflexão do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Deus todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos”.

1. Primeira leitura: At 15,1-2.22-29

Decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo,
além das coisas indispensáveis.

Nas leituras do 5º Domingo da Páscoa ouvimos que tudo o que é novo provoca crises e divisões, mas também traz a alegria da salvação. Ao término da primeira viagem missionária, os apóstolos Paulo e Barnabé relataram o sucesso que a mensagem do Evangelho teve, sobretudo, entre os pagãos. A comunidade de Antioquia da Síria, formada por judeus e pagãos convertidos ao Cristianismo muito se alegrou com o sucesso da missão. Em Antioquia era florescente a primeira comunidade, fundada fora da Judeia por cristãos que fugiram da perseguição após o martírio do diácono Estêvão. Foi fundada por alguns dos que fugiram de Jerusalém começaram a pregar o Evangelho apenas para os judeus; outros, porém, pregavam diretamente as outros também para os gregos (cf. At 11,19-26). Preocupada com a novidade, a igreja de Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia a fim de conhecer de perto essa maneira de pregar o Evangelho diretamente aos pagãos. Barnabé, um “homem bom, cheio de Espírito Santo e de fé” (11,24), ficou encantado com a nova igreja composta de judeus e pagãos convertidos e os animava a perseverarem firmes na fé. Depois foi buscar Saulo em Tarso e os dois permaneceram em Antioquia por um ano, instruindo “muita gente” na fé. Vendo as qualidades e o entusiasmo de Barnabé e Saulo e o sucesso da pregação do Evangelho entre os gregos, por inspiração do Espírito Santo, a igreja de Antioquia enviou-os em missão para a região da Ásia Menor.

Domingo passado ouvimos o relato que Saulo e Barnabé fizeram em Antioquia, ao término da primeira viagem missionária. O número de cristãos em Antioquia aumentava a cada dia. A paz e alegria da comunidade, porém, foi perturbada por alguns judeu-cristãos, provenientes da Judeia, que começaram a obrigar os gregos convertidos a se circuncidarem. Sem observar a Lei de Moisés, diziam eles, ninguém poderia ser salvo. Paulo e Barnabé, contudo, defendiam que os pagãos convertidos não precisavam tornar-se judeus para se tornarem cristãos. A comunidade de Antioquia formou uma comissão formada por Paulo e Barnabé e que defendiam a obrigação da lei de Moisés. A questão foi levada a Jerusalém para ser resolvida pelos apóstolos e anciãos. Os dois lados foram ouvidos e a questão foi discutida na presença dos anciãos e dos apóstolos. Na carta escreveram: “Decidimos o Espírito Santo e nós”. Foi o Espírito Santo que os levou a tomar a decisão. O “nós” inclui os apóstolos, os anciãos e os cristãos, as lideranças dos judeu-cristãos e dos cristãos gregos. O Espírito Santo conduz ao diálogo e une na mesma comunhão de amor e fé, superando as diferenças culturais. Os pagãos convertidos não foram obrigados à circuncisão. Deles pediu-se apenas, por respeito aos judeu-cristãos, que se abstivessem de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animai sufocados e das uniões matrimoniais consideradas ilegítimas (cf. 1Cor 10,23-33). São princípios de boa convivência nas diferenças culturais daquele tempo. A boa nova de Cristo não está presa a uma cultura, mas pode encarnar-se nas mais diferentes culturas. É o amor de Deus encarnado em Cristo que nos une a todos como cristãos. Exemplo atual: O Sínodo Pan-Amazônico.

Salmo responsorial: Sl 66

Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor,
que todas as nações vos glorifiquem!

2. Segunda leitura: Ap 21,10-14.22-23

Mostrou-me a cidade santa descendo do céu.

A visão do domingo passado anunciava o “novo céu e a nova terra”, descendo de Deus, bela como a noiva que vai ao encontro de seu noivo. E Cristo, o Cordeiro imolado, dizia: “Eis que faço novas todas as coisas”. Na leitura de hoje, um dos sete anjos convida o vidente a conhecer a noiva: “Vem! Vou mostrar-te a esposa do Cordeiro” (21,9). E descreve o esplendor da cidade santa. Na descrição da cidade recorre ao profeta Ezequiel (Ez 40–48). Os fundamentos das muralhas são os doze apóstolos que testemunharam sua fé no Cordeiro (o esposo), morto por nós e ressuscitado. Na antiga Jerusalém Deus morava no templo. Na cidade santa não haverá templo, porque o próprio Deus será o Templo. Nela se abrigarão todos os que deram testemunho de sua fé, até com a própria vida, milhões e milhões de fiéis resgatados pelo sangue do Cordeiro (Ap 7,1-17). Deus veio morar entre nós e em cada um de nós. Encarnou-se no seio da Virgem Maria e armou sua tenda para habitar no meio de nós (Jo 1,14), a fim de introduzir-nos no Templo celeste, que é o próprio Deus (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho: Jo 14,23

Quem me ama realmente guardará minha palavra,
e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.

3. Evangelho: Jo 14,23-29

O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.

No 5º Domingo da Páscoa ouvimos que a essência da vida cristã está no mandamento do amor. A medida para vivermos o amor fraterno é o exemplo de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Vimos que este é o testamento de Jesus aos seus discípulos, antes de morrer. No Evangelho de hoje Jesus continua falando do amor, que nos une a Cristo, ao Pai e ao Espírito Santo. Isto é, enquanto estamos mergulhados no mistério da Santíssima Trindade. Da parte de Deus este amor é gratuito, é fiel. De nossa parte exige guardar sua palavra, isto é, colocar em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou. Quando observamos o mandamento do amor a exemplo de Jesus somos introduzidos na família divina. Depois da última ceia estava para se cumprir a “exaltação” de Jesus, isto é, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu (próximo domingo). Por isso Jesus fala do Espírito Santo, “que o Pai enviará em meu nome”. Cristo Jesus continuará a nos ensinar pelo Espírito Santo: “Ele vos ensinará e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Recordará e ensinará sempre de novo o mandamento do amor, a nós dado por Jesus. A paz que Jesus nos deixa vem da fé: Quando vivemos o amor a exemplo de Jesus, tornamo-nos a morada da Santíssima Trindade: “Se alguém me ama – diz Jesus –, guarda minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos nossa morada” (14,23). Deus veio morar conosco: “A Palavra se fez carne”, isto é, “armou sua tenda entre nós” (Jo 1,14). No futuro, não haverá mais templo, o próprio Deus será o Templo e acolherá todos os que vivem no seu amor, para que vivamos para sempre em sua companhia (2ª leitura, v. 22). A escuta e a prática do mandamento do amor, nos coloca em comunhão com Deus. Que o Espírito Santo, enviado a nós pelo Pai em nome de seu Filho Jesus, recorde-nos sempre o mandamento do amor. Que Ele nos ensine a descobrir quem é o nosso próximo, para amá-lo como ele nos amou.

 

Um Deus que fala

Frei Clarêncio Neotti

Quem não guarda a Palavra de Jesus não o ama (v. 24), ainda que declare com os lábios que o ama. E em quem não guarda a Palavra, Deus não mora. O que significa de fato ‘guardar a palavra’? Comecemos com o Antigo Testamento. Cento e quarenta e uma vezes ocorre a expressão ‘palavra de Javé’ (palavra de Deus). O Deus do Antigo Testamento é um Deus que fala, que se manifesta, que delega a palavra a outros, que faz dela um ensinamento, uma doutrina, uma lei. Digamos logo: é um Deus vivo (e não como o dos pagãos, de ouro e prata, mas mudo, como lembra o Salmo 115,4-8), um Deus que se interessa por tudo o que acontece às criaturas e entre as criaturas.

Noventa e três vezes a expressão ‘palavra de Deus’, no Antigo Testamento, vem com um sentido profético – grande força do Antigo Testamento. Ela aparece em forma de chamado, escutado diretamente de Deus (Jr 1,4: “A palavra do Senhor foi-me dirigida”. Jr 1,9: “O Senhor estendeu a mão e tocou-me a boca. O Senhor disse-me: ponho as minhas palavras em tua boca”). Cada profeta recebe a palavra a seu modo, mas há nela sempre um encontro muito pessoal e um compromisso com Deus. A palavra do profeta passa a ser palavra de Deus, ou seja, o profeta fala em nome de Deus.

 

"Eu vos dou a minha paz..."

Frei Almir Guimarães

Não é difícil assinalar alguns traços da pessoa que leva em seu interior a paz de Cristo: ela sempre busca o bem de todos, não exclui ninguém, respeita as diferenças, não alimenta a agressão, fomenta o que une, nunca o que traz discórdia.

José Antonio Pagola

♦ O evangelho deste domingo nos coloca diante de trecho do Discurso de Adeus de Jesus segundo a versão do quarto evangelista. Jesus parece sentir que o frio toma conta dos corações dos seus. Quer animá-los. Não deseja que sintam o frio da orfandade. Há um clima de confidência e de intimidade em toda a página proclamada.

♦ Antes de tudo há um tema fundamental, uma afirmação de beleza estonteante, quase incrível. Os que amam a Jesus se tornam templo do amor da Trindade, da própria Trindade.. O amor a Jesus é a base da casa do coração que é visitada e habitada por Deus. “Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Os que amam a Jesus se tornam, pois, habitação da Trindade.

♦ O que é amar a Jesus? Amar a Jesus é aproximar-se dele com toda confiança. É compreender que Deus se fez fragilidade para de nós se aproximar: o menino que se remexe nas palhas e o torturado do Gólgota. Amar a Jesus é aceitar com estupefação que Deus se tenha tornado tão frágil. É ter certeza de sua vida nova de ressuscitado. É acreditar que, misteriosamente, ele anda a nos rondar pedindo que a ele nos entreguemos sem reservas. Quer que sejamos nós mesmos mas com ele. Pede licença de viver em nós.

♦ Amar a Jesus é ler o Sermão do Montanha com a avidez de alguém que necessita viver e viver intensamente. É ler o Evangelho  com um desejo de deixar que esse espírito  tome conta de nós, transpareça em nosso olhar e module nossa voz.  Amar a Jesus é ter traços dele na vida do casamento,  na missão de padre, no jeito de viver o cotidiano. Os que amam a Jesus tem a certeza de que ele e o Pai farão morada da Trindade.  Templos do Espírito!!!  Casa de Deus.

♦ Com sua partida Jesus anuncia aos seus a vinda do Espírito. Essa força, fogo, luz ensinará todas as coisas. O Espírito será a memória viva de Jesus. “É grandioso o horizonte que Jesus oferece a seus discípulos. De Jesus nasceu um grande movimento espiritual de discípulos e discípulas que o seguirão seguidos pelo Espírito Santo. Eles se manterão em sua verdade, pois esse Espírito lhes ensinará tudo o que Jesus lhes comunicou pelos caminhos da Galileia. E os defenderá no futuro da perturbação e da covardia” (Pagola, João, p. 207). Medo, insegurança, cansaço, tédio, dúvidas… O Defensor ensinará tudo.

♦ “Deixo-vos a paz, a minha paz eu vos dou”. São muitos os conflitos que sacodem a sociedade. Há povos que matam povos. No interior das famílias há graves manifestações de violência. Rejeições e exclusões de toda sorte fazem com que as pessoas sofram, sintam-se tristes e fadadas a morrer antes da morte. Conflitos e desavenças são resolvidos pela violência, pela força e pela morte do adversário. A fé na violência precisa ser substituída pelo diálogo, pela busca de caminhos de realização para todos. “Deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz”.

♦ “Por que é tão difícil a paz? Por que voltamos sempre de novo ao enfrentamento e à agressão mútua? Há uma resposta primeira tão elementar e simples que ninguém leva a sério: só homens e mulheres, que possuem a paz, podem introduzi-la na sociedade” (Pagola, op. cit., p.206). Tudo começa no interior de cada. Há o pecado, a divisão. Os construtores da paz se reconciliam com sua história e acolhem o perdão do Senhor que belamente é também concedido pelo sacramento da reconciliação. A pessoa precisa respirar a paz. Ter um interior sem ressentimentos, intolerâncias, dogmatismos, mas com simpatia pelo outro, buscando entendimento, depondo as armas.

♦ “Não é difícil assinalar alguns traços da pessoa que leva em seu interior a paz de Cristo: ele sempre busca o bem de todos, não exclui ninguém, respeita as diferenças, não alimenta a agressão, fomenta o que une, nunca o que traz a discórdia” (Pagola, op.cit., p. 206).

Oração

Dá, Senhor, à nossa vida a sabedoria da paz.
Que o nosso coração não naufrague na lógica de tanta violência disseminada ao nosso redor.
Que os sentimentos de dor e de despeito não sufoquem a necessidade dos gestos de reconciliação,
a urgência de uma palavra amável  que rompa as paredes  do silêncio,
o reencontro dos olhares que se desviam.
Dá-nos a força de insinuar  no inverno gelado em que,  por vezes vivemos, o ramo verde, a inesperada flor,
a claridade que é esta irreprimível e pascal vontade de recomerçar.

José  Tolentino  Mendonça
Um Deus que dança
Paulinas, p.95

“A cultura da paz  só se assenta numa sociedade  quando as pessoas estão dispostas ao perdão sincero, renunciando à vingança e à revanche. O perdão liberta da violência do passado e gera novas energias para  construir o futuro entre todos” (Pagola, op. cit., p.209)

 

Uma cultura da paz

José Antonio Pagola

São muitos os conflitos que sacodem hoje nossa sociedade. Além das tensões e enfrentamentos que ocorrem entre as pessoas e no seio das famílias, graves conflitos de ordem social, política e econômica impedem entre nós a convivência pacífica.

Para resolver os conflitos, sempre temos que fazer uma opção: ou escolhemos a via do diálogo e do mútuo entendimento, ou seguimos os caminhos da violência e do enfrentamento. Por isso, muitas vezes o mais grave não é a própria existência dos conflitos, mas o fato de que se pode acabar acreditando que os conflitos só podem ser resolvidos por meio de imposição da força.

Diante desta “cultura da violência” temos que promover hoje uma “cultura da paz”. A fé na violência deve ser substituída pela fé na eficácia dos caminhos não violentos. Temos que aprender a resolver nossos problemas por vias dignas do ser humano. Não fomos feitos para viver permanentemente no enfrentamento. Antes de qualquer outra coisa, somos humanos e chamados a entender-nos buscando honestamente soluções justas para todos.

Esta “cultura da paz” exige que se busque a eliminação das injustiças sem introduzir outras novas, e sem alimentar e aprofundar mais as divisões. Só os que resistem aos meios injustos e combatem todo atentado contra a pessoa podem ser construtores de paz.

Além disso, uma “cultura de paz” exige que se crie um clima de diálogo social promovendo atitudes de respeito e escuta mútuos. Uma sociedade avança para a paz renunciando aos dogmatismos, buscando a aproximação de posturas e esclarecendo no diálogo as razões em confronto.

A “cultura da paz” sempre se arraiga na verdade. Deformá-la ou manipulá-la a serviço de interesses partidaristas ou de estratégias obscuras não levará à verdadeira paz. Mentir e enganar o povo sempre geram violência.

A “cultura da paz” só se assenta numa sociedade quando as pessoas estão dispostas ao perdão sincero, renunciando à vingança e à revanche. O perdão liberta da violência do passado e gera novas energias para construir o futuro entre todos.

No meio desta sociedade, nós, cristãos, temos que escutar de maneira nova as palavras de Jesus, “deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz”, e temos que perguntar-nos o que fizemos dessa paz que o mundo não pode dar, mas precisa conhecer.

 

Onde o amor e a caridade, Deus aí está

Pe. Johan Konings

É comum ouvir-se que a Igreja é opressora, mera instância de poder. Isso vem do tempo em que, de fato, a Igreja e o Estado disputavam o poder sobre a população. E os meios de comunicação se esforçam por manter essa imagem, como se nunca tivesse acontecido um Concílio Vaticano II, como se nunca tivessem existido o Papa João XXIII, Dom Hélder Câmara… Disse um psicólogo: “A sociedade precisa de manter viva a imagem de uma Igreja opressora para poder se revoltar contra quando pode revoltar-se contra o pai … “

A liturgia de hoje nos faz ver a Igreja de outra maneira. Claro, ela ainda não é bem como deveria ser, aquela “noiva sem ruga nem mancha” que é a Jerusalém celeste da 2ª  leitura. Mas quem ama acredita que a pessoa amada é muito melhor por dentro do que parece por fora. Por isso, se amamos a Igreja, acreditamos que em sua realidade mais profunda ela é, mesmo, a noiva sem ruga nem mancha … Vista com os olhos do Apocalipse, a Igreja é a morada de Deus, a Jerusalém nova, em que não existe mais templo, porque Deus e Jesus – o Cordeiro – são o seu templo. Seu santuário é Deus mesmo, não algum edifício para lhe prestar culto. Deus está no meio de seu povo. Isto basta.

A 1ª  leitura descreve um episódio da Igreja que manifesta isso. Os apóstolos tiveram uma discussão sobre a necessidade de conservar-se os ritos judaicos na jovem Igreja, no momento em que ela estava saindo do mundo judeu e abrindo-se para outros povos, na Ásia e na Europa. Depois de oração e deliberação, os apóstolos chegaram à conclusão de que, para ser cristão, não era preciso observar o judaísmo (que tinha sido a religião de Jesus). Somente fossem observados alguns pormenores, para não escandalizar os cristãos de origem judaica. Os apóstolos reconheceram que o antigo culto do templo se tinha tornado supérfluo. O evangelho de hoje nos faz compreender por quê: “Eu e o Pai viremos a ele e faremos nele a nossa morada”, diz Jesus a respeito de quem acredita nele (João 14,23). Os fiéis são a morada de Deus. A Igreja, enquanto comunhão de amor, é a morada de Deus.

Não precisamos de templo concebido como “estacionamento da santidade”. O povo simples sente isso intuitivamente, quando arruma um galpão ou um pátio para servir de salão comunitário e capela e tudo, lugar de oração, de celebração, de reunião, para refletir e organizar sua solidariedade e sua luta por mais fraternidade e justiça. Sabe que não é nos templos de pedra que Deus habita, mas no coração de quem ama e vive seu amor na prática. “Onde o amor e a caridade, Deus aí está”.

Todas as reflexões estão disponíveis originalmente em: franciscanos.org.br

Imagem: ilustração de Hugo Varlez

Lido 92 vezes

Mídia

Caminhos do Evangelho | 6º domingo da Páscoa. franciscanos.org.br

Liturgia

Clique e leia a liturgia diária

Calendário

Calendário de pastoral da Diocese

Sobre a Diocese

EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

Boletim de Notícias

Deixe seu e-mail para ser avisado de novas publicações no site da Diocese de Bragança: