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Cúria Diocesana

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14º Domingo do Tempo Comum

"Contudo, não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu". (Evangelho segundo Lucas). "Contudo, não se alegrem porque os maus espíritos obedecem a vocês; antes, fiquem alegres porque os nomes de vocês estão escritos no céu". (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/07/LITURGIA_0207.jpg

Diante da paz, o que significa o mistério da cruz?

Frei Gustavo Medella

Seio de consolação, úberes de glória. A imagem da amamentação aparece na auspiciosa profecia de Isaías em torno da Jerusalém (Is 66,10-14c) como prefiguração de uma terra de justiça, paz e amor, como prefiguração do Reino de Deus anunciado e proposto por Jesus. Amamentar é necessário para a mãe, condição para que sua saúde seja preservada. Para o filho, questão de sobrevivência. Deus, qual mãe zelosa, oferece abundantemente o “leite” de sua graça, fonte de vida e salvação para seus filhos e filhas.

A Paz que Jesus orienta seus discípulos a distribuir nas casas por onde passarem equivale a este alimento abundante que Deus disponibiliza para os seus. Quando os discípulos a oferecem como dom, ela em nada se diminui, ao contrário, multiplica-se na vida de quem a oferece e daquele que a recebe. É nesta lógica da generosidade que a paz nasce e se estabelece.

Diante da bonita perspectiva da construção de um mundo de paz, como entender neste contexto o mistério da cruz? Por que São Paulo, na Carta aos Gálatas (Gl 6,14-18), descreve-se como alguém “crucificado para o mundo”. Como o anúncio de algo tão puro e sublime como a paz pode produzir feridas dolorosas como aquelas da cruz? O mesmo profeta Isaías é capaz de fornecer uma luz que pode iluminar esta questão: “A Paz e fruto da justiça” (Is 32,17). Construir a paz significa, então, trabalhar pela justiça. E foi a luta pelo florescer desta segunda que Cristo, os apóstolos e mártires, cristãos de ontem e de hoje, derramaram seu sangue que penetraram o chão da história como sementes fecundas de paz. A mesma generosidade de Deus ao distribuir largamente o dom da paz encontra aquele que se torna capaz de entregar a própria vida por este ideal. Radicalizar-se neste caminho é prova de amor incondicional a Deus e aos irmãos.

 

14º Domingo do Tempo Comum

Comentários do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e daí aos que libertastes do pecado o gozo das alegrias eternas”.

  1. Primeira leitura: Is 66,10-14c

Eis que farei correr para ela a paz como um rio.

A primeira leitura renova e atualiza as promessas feitas aos judeus exilados em Babilônia, por um profeta, discípulo de Isaías. Ele animava o povo com a esperança de um próximo e glorioso retorno do povo para a terra de Judá e para Jerusalém, a cidade santa. O retorno aconteceu depois de 538, quando Ciro, rei dos persas, permitiu que os povos exilados voltassem a suas terras. Mas a vida em Judá e Jerusalém continuava difícil e o desânimo tomava conta do povo. Havia conflitos com os que ocuparam as terras abandonadas pelos exilados e a reconstrução das moradias e do templo era dificultada. Levanta-se, então, a voz de outro discípulo de Isaías para reanimar os desalentados. Anuncia que as promessas de salvação continuam válidas. Deus não abandona os que ele ama e é fiel às suas promessas. Os que choravam de amor por Jerusalém, agora são convidados a se alegrar – exultar de alegria e júbilo – porque Deus, como uma mãe, está pronto para consolar, acariciar e amamentar os filhos em seu colo. A promessa central se dirige a Jerusalém e o seu povo: “Farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante”. Todos os povos acorrerão a Jerusalém, aos braços maternos de Deus (Sl 131). E então haverá paz! Viver na presença de Deus traz a verdadeira paz (Evangelho). Anunciar e promover a paz é a missão dos “filhos de Deus” Mt 5,9).

Salmo responsorial: Sl 65

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira

cantai salmos a seu nome glorioso.

  1. Segunda leitura: Gl 6,14-18

Trago em meu corpo as marcas de Jesus.

Paulo fundou a comunidade cristã da Galácia (atual Turquia) durante a segunda viagem missionária e as revisitou na terceira viagem. A maior parte da comunidade era formada por pagãos convertidos. Entre as duas viagens vieram cristãos de origem judaica, que forçavam os pagãos convertidos a observarem a Lei de Moisés, adotando práticas judaicas, como a circuncisão. Ao saber disso, Paulo ficou indignado porque, obrigando a observar a Lei, como condição para serem salvos, anulavam a fé em Cristo. Isso contrariava o evangelho que Paulo anunciava: A salvação não vem da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, que morreu por nós e ressuscitou. O texto hoje escolhido faz parte da conclusão da carta. Paulo costumava ter um “secretário” que escrevia o que ele ditava. Mas a conclusão é de “própria mão, escrita com grandes letras” (6,11), expressão que resume e frisa os pontos mais importantes da carta.

O Apóstolo defende seu evangelho e denuncia os judeu-cristãos que tentam escravizar os pagãos convertidos a Cristo. Eles se gloriavam de terem forçado os novos cristãos a se circuncidarem. Paulo, porém, se gloria somente na cruz de Cristo. Por causa de sua pregação Paulo sofreu perseguições, foi apedrejado e flagelado várias vezes. Com razão podia dizer: “eu trago em meu corpo as marcas de Jesus”. É pela cruz de Cristo que somos salvos. Não importa se alguém é circuncidado ou não, se é judeu ou pagão. Os que acolhem esta fé em Cristo crucificado fazem parte da “nova criação” e formam o “Israel de Deus”, distinto do Israel segundo a carne (Gl 5,6). A nova criação é graça, é um dom de Deus. É o vinho novo que deve ser colocado em odres novos, do contrário arrebenta os odres velhos (Lc 5,37-38).

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, Aleluia, Aleluia.

A paz de Cristo reine em vossos corações:

ricamente habite em vós sua palavra.

  1. Evangelho: Lc 10,1-12.17-20

A vossa paz repousará sobre ele.

O evangelho nos fala da missão dos setenta e dois discípulos, seguidores de Jesus. Com Marcos e Mateus, Lucas lembra que Jesus enviou os doze apóstolos em missão. Mas Lucas é o único a lembrar a missão dos setenta e dois discípulos. O núme70 lembra a totalidade das nações descendentes dos filhos de Noé, após o dilúvio (Gn 10). Portanto, toda a humanidade salva por Deus. Este número lembra também os 70(72) anciãos escolhidos por Moisés. Com eles Moisés devia partilhar seu espírito (poder) para dirigir e julgar o povo de Deus no deserto (Nm 11,23-30). Em nosso texto, Jesus partilha seu Espírito com os doze apóstolos e os 72 discípulos. Todos eles são enviados por Jesus com o “poder” de expulsar os demônios, curar os enfermos, anunciar que o Reino de Deus está próximo. A missão imediata destes discípulos é preparar a vinda de Jesus, em toda a cidade e lugar aonde Ele próprio haveria de ir. Mas esta missão se encaixa no contexto da universalidade da missão do Filho de Deus encarnado (Lc 2,30-32), confirmada quando Jesus conclui sua missão ao subir aos céus: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8). Ninguém é excluído da salvação trazida por Cristo.

O motivo da escolha e envio destes discípulos é que “a messe é grande e os trabalhadores são poucos” (Lc 10,2). A missão é tão ampla que é preciso pedir ao dono da messe que envie mais trabalhadores. Jesus alerta os discípulos sobre as dificuldades que os discípulos haverão de enfrentar: serão como ovelhas entre lobos, deverão andar despojados como os pobres, sem levar bolsa (dinheiro), sacola (merenda, roupa) e sandálias. O que deverão fazer? – Visitar as famílias (casas), anunciar que o Reino de Deus está próximo, saudar as pessoas e levar para elas a paz, isto é, Jesus que traz a todos a paz e a reconciliação com Deus e com o próximo. Se forem bem acolhidos, poderão ali se hospedar. Se forem mal recebidos, devem anunciar a mesma coisa nas cidades, curando os doentes que ali encontrarem. Em outras palavras, deverão anunciar o Reino de Deus e fazer o que Jesus fazia. – A experiência missionária foi muito gratificante para os discípulos e para Jesus. Eles voltaram muito contentes e diziam: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa de teu nome”! E o próprio Jesus confirma: “Eu vi Satanás cair do céu, como relâmpago”! Sim, o Reino de Deus cresce, à medida em que vivemos e promovemos a justiça e a paz. Os discípulos preparavam a vinda do Reino de Deus aonde Jesus devia chegar. Eis o imenso campo aberto para nossa missão.

 

Os filhos da Paz

Frei Clarêncio Neotti

A pobreza, procurada e aceita como um modo de viver, tem muito a ver com as duas qualidades que Lucas aponta hoje: a mansidão e o desprendimento. São Francisco disse ainda: “Se possuímos haveres, necessitamos de armas para
protegê-los. Disso nascem as brigas e os litígios, que costumam impedir o amor de Deus e do próximo”. Evidentemente, não estamos fazendo a apologia da miséria, que degrada o ser humano e o impede de viver com dignidade. A miséria,
que nasce da injustiça social, é uma afronta à criatura, feita à imagem e semelhança de Deus (Gn 1,26). A pobreza que o Cristo exige de seu discípulo é a do desprendimento, que acaba sendo sinônimo de coração voltado para Deus e para o
próximo necessitado. À pessoa de coração fraterno e receptivo Jesus chama “filho da paz” (v. 6), da paz salvadora, que ele nos trouxe.

O conteúdo da pregação do discípulo será a chegada do Reino de Deus (v. 9), e esse Reino será necessariamente um Reino de Paz. Não se trata da paz como a pensam os diplomatas e políticos do mundo, mas da paz que é sinônimo de Jesus Cris-
to (Ef 2,14). A paz de Jesus tem muito a ver com a mansidão, o desprendimento e o respeito a tudo e a todos. Tem também a ver com a derrota de Satanás (v. 18). O demônio era tido como a causa de toda a maldade, doenças e males. Agora,
com a pessoa de Jesus, Filho de Deus, entra nas estruturas do mundo o Reino dos Céus. O diabo é derrotado (v. 18). A pregação da Verdade, feita em nome de Jesus, faz correr o pai da mentira e do homicídio (Jo 8,44). A alegria do
discípulo não deve ter por base o poder sobre os espíritos do mal e a derrocada de Satanás (v. 20), mas o fato de Deus o ter escolhido para a comunhão com ele, que significa também o gozo da sonhada e plena pacificação (Is 11,8), ou
seja, a comunhão pacífica de todas as criaturas (v. 19).

 

Enviados em nome de Jesus

Frei Almir Guimarães

O Senhor escolheu setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir.

Ouvimos neste domingo o relato do evangelho de Lucas a respeito do envio dos setenta e dois discípulos por parte de Jesus. Tema da missão. Jesus faz uma série de recomendações. Que sejam pessoas simples e atuem com despojamento, não levem muita bagagem, que preparem os caminhos que ele depois percorrerá. Os que são enviados não esqueçam que a tarefa não é simples: são como ovelhas no meio de lobos. A missão haverá de se concretizar, de modo particular, como convite à paz. Como conclusão há essa afirmação de que os nomes dos apóstolos seriam escritos no céu. Vivemos um tempo de insistência no labor da evangelização. Somos discípulos do Mestre amado e seus enviados. Vivemos o tempo do discípulo que se torna espalhador da boa nova. Não se concebe uma Igreja fechada em si mesma. Queremos uma Igreja renovada com discípulos cheios de zelo ao dizerem que são felizes porque abraçaram a Boa Nova do Evangelho.

Evangelizar, fazer missão, não quer dizer encher a cabeça das pessoas de ideias, de coisas bonitas, que rezem, que sejam “bonzinhos, obedientes e dóceis” ao que lhes é mandado. Evangelizar é continuar no hoje do mundo a missão de Jesus, que foi enviado pelo Pai para anunciar boas notícias e atingir o nó mais profundo das pessoas.

O que é, na verdade, uma boa nova? Conhecemos boas notícias na vida de todo dia: o filho que andava com a marginalidade voltou para o seio da família; os amigos que pareciam ter morrido no mar estão são e salvos; a mulher livrou-se do fantasma de uma doença com os bons resultados do tratamento. O Evangelho é boa notícia. Não é apenas a transmissão de verdades que precisam ser cridas. O Evangelho é uma Pessoa viva, Cristo amado e presente.

Evangelizar, anunciar a Boa Nova:

♦ É dizer e fazer com as pessoas compreendam que o Senhor Deus não cabe em nossas elucubrações, nossas ideias e nossas categorias. É bem mais belo e maior do que possamos imaginar. Os santos e os homens retos de coração nos ensinaram que aproximar-se dele no movimento da entrega significa dar claridade e luz à nossa vida. Ele é tudo: o bem, o grande bem, o sumo bem.

♦ Não é policial à espreita de nossas faltas para nos castigar. Ele é fornalha de dom, de amor, de entrega. Viemos dele. Ele nos inventa a cada instante e para ele nos encaminhamos. Nosso destino é o oceano do amor que é Deus enquanto viajamos. William Blake, poeta, diz termos sido “colocados na terra por um pequeno espaço de tempo para podermos aprender a suportar os raios do amor”.

♦ Evangelizar é fazer com que as pessoas possam entrar em contato com a pessoa de Jesus vivo, ressuscitado, presente no meio de nós, atuando em nossas comunidades, falando pela vida e pelos lábios dos que o amam, dos que são verdadeiros anunciadores da paz e da reconciliação.

♦ Evangelizar é tentar tocar o fundo do coração das pessoas para que se voltem para o Senhor, para o louvor de sua glória, para o cuidado amoroso das pessoas, para que recolham no albergue do coração os jogados à beira da estrada, para que extirpem de sua vida e de seu redor todo movimento de inimizade, cobiça, injustiça. Evangelizar é criar um mundo segundo o coração de Deus. Resultado da evangelização é a conversão.

♦ Evangeliza-se pela palavra, palavra sincera, simples, sem pose. Evangeliza-se, no entanto, muito mais pelo testemunho, pelo exemplo do que por documentos e palavras que o vento leva.

♦ Por sua vida familiar decente, correta, bonita as famílias que encontram Cristo evangelizam outras famílias. Religiosos límpidos e transparentes mostram ao mundo que a vale a pena viver o Sermão da Montanha, as admoestações do Senhor para uma vida sem aparatos. Evangelizam os políticos honestos e corretos que defendem a causa dos injustiçados.

♦ Certamente, uma maneira toda especial de evangelizar é por meio de gestos e manifestações de atenção: pensamos aqui no cuidado que podemos desenvolver e muitos de nossos serviços: proximidade de pessoas doentes, encarceradas, crianças soltas, jovens sem referências familiares.

♦ No final desta reflexão tantas perguntas ainda, tantos questionamentos! Nós que pensamos estar evangelizados ainda não conhecemos todo o amor da Boa Nova. Precisamos ser mais permeáveis. Há pessoas que se contentam com um cristianismo de práticas e, sem querer, perderam o veio do Evangelho. De repente, nesse mundo em que vivemos será preciso atingir a pessoas lá onde elas vivem. Como? Como fazer com que a Igreja passe de um grupo contente de ter encontrado o Evangelho para um Igreja em saída como deseja o Papa?

♦ “A primeira coisa que se aprende de Jesus nos evangelhos não é doutrina, mas um estilo de vida: uma maneira de estar na vida, uma forma de habitar o mundo, de interpretá-lo e de construí-lo; uma maneira de tornar a vida mais humana. O característico deste estilo de viver é que ele se inspira em Jesus. Nasce da relação com ele. É-nos transmitido seu Espírito. Aprendemos sua maneira de pensar, sentir, amar, orar, sofrer, confiar e morrer. Pouco a pouco vamos convertendo-nos em “discípulos” e “discípulas” de Jesus” (Ch.Theobald,SJ).


Oração

Envia-me de novo

Pediste minhas mãos, Senhor,
porque tinhas para mim uma tarefa;
emprestei-as a ti por um momento,
mas as retirei quase que imediatamente,
porque era duro o trabalho.

Pediste meu olhos, Jesus,
para ver sofrimentos e pobrezas;
fechei-os logo,
para não passar mais vergonha.

Pediste minha boca, Senhor,
para clamar contra a injustiça;
dei-te apenas um sussurro,
para que ninguém me acusasse de nada.

Pediste minha vida,
para trabalhar para ti;
dei-te apenas uma pequena parte,
para não comprometer-me demasiado.

Perdoa-me, Senhor,
e envia-me de novo,
porque agora sim tomarei a sério
tua cruz e tua tarefa

(Anônimo)

 

Com meios pobres

José Antonio Pagola

Muitas vezes entendemos o ato evangelizador de maneira excessivamente doutrinal. Levar o Evangelho seria dar a conhecer a doutrina de Jesus a quem ainda não a conhece ou a conhece de maneira insuficiente.

Se entendemos as coisas assim, as consequências são evidentes. Precisaremos, antes de mais nada, de “meios de poder”, para com eles assegurar a propagação de nossa mensagem diante de outras ideologias, modas e correntes de opinião.

Além disso, precisaremos de cristãos bem formados, que conheçam bem a doutrina e sejam capazes de transmiti-la de maneira persuasiva e convincente. Precisaremos também de estruturas, técnicas e pedagogias adequadas para propagar a mensagem cristã.

Definitivamente, será importante o número de pessoas preparadas que, com os melhores meios, cheguem a convencer o maior número de pessoas. Tudo isto é muito razoável e encerra, sem dúvida, grandes valores. Mas, quando nos aprofundamos um pouco na atuação de Jesus e em sua ação evangelizadora, as coisas mudam bastante.

O Evangelho não é só nem sobretudo uma doutrina. O Evangelho é a pessoa de Jesus: a experiência humanizadora, salvadora, libertadora que começou com Ele. Por isso, evangelizar não é só propagar uma doutrina, mas tornar presente, no próprio coração da sociedade e da vida, a força salvadora da pessoa de Jesus Cristo. E isto não se pode fazer de qualquer maneira.

Para tornar presente esta experiência libertadora, os meios mais adequados não são os de poder, mas os meios pobres dos quais se serviu o próprio Jesus: amor solidário aos mais abandonados, acolhida a cada pessoa, oferecimento do perdão de Deus, criação de uma comunidade fraterna, defesa dos últimos …

Então, o importante é contar com testemunhas em cuja vida se possa perceber a força humanizadora contida na pessoa de Jesus quando é acolhida de maneira responsável. A formação doutrinal é importante, mas só quando alimenta uma vida mais evangélica.

O testemunho tem primazia absoluta. As estruturas são necessárias precisamente para apoiar a vida e o testemunho dos seguidores de Jesus. Por isso, o mais importante também não é o número, e sim a qualidade de vida evangélica que uma comunidade pode irradiar.

Talvez devamos ouvir com mais atenção as palavras de Jesus a seus enviados: “Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias”. Levai convosco meu Espírito.

 

“Paz a esta casa”

Pe. Johan Konings

A liturgia de hoje revive o anúncio da paz no tempo dos profetas e no tempo dos discípulos de Jesus.

A 1ª leitura é da terceira parte de Isaías. Os judeus levados ao cativeiro babilônico estão de volta, e sua comunidade recebe, pela boca do profeta, a missão de levar ao mundo inteiro a paz – a harmonia com Deus e com os homens. É essa também a missão que Jesus confia aos setenta e dois discípulos (evangelho). Jesus não contava somente com os doze apóstolos, que representavam as doze tribos e os doze patriarcas, mas também com um grupo mais amplo: setenta e dois, como os anciãos (chefes de família) sobre os quais desceu o Espírito durante a estadia no deserto (cf. Nm 11,24-30). Os setenta e dois representam a assembleia guiada pelo espírito de Deus. Eles têm de sair pelos caminhos e pregar ao povo a chegada do Reino de Deus, anunciando: “Paz a esta casa”, a esta família. E o sinal dessa paz são os fatos extraordinários que os acompanham: curas, expulsões de demônios …

A “paz”, que se pode traduzir também “felicidade”, na Bíblia, não é apenas o silêncio das armas, sobretudo a harmonia com Deus e com todos os seus filhos: o bem-estar conforme o plano de Deus. É a síntese de todo o bem que se pode esperar de Deus; por isso, vai de par com o anúncio de seu Reino. Essa paz não cai como um pacote do céu, nem se faz em um só dia. É uma realidade histórica. É fruto da justiça (Hb 12,11; Tg 3,18). A paz cresce em meio às vicissitudes da história humana, em meio às contradições. Mas a fé que fixa os olhos na paz que vem de Deus nos orienta em meio a todos os desvios. Anunciar a paz ao mundo, apesar de todos os desvios, é como as correções de rota que um avião continuamente tem de executar para não se desviar definitivamente. Jesus manda seus discípulos com a mensagem da paz, para que o mundo se anime a continuar procurando o caminho do Reino.

Concretamente, anunciar a paz de Cristo acontece não só por palavras, mas por atos. Não basta falar da paz, mas é preciso mostrar em que ela consiste, realizando atos exemplares. É preciso, também, construí-la aos poucos, pacientemente, pedra após pedra, implantando passo a passo novas estruturas, que eliminem as que são contrárias à paz. Muitas pessoas entendem paz como “deixar tudo em paz”. Mas a paz não é tão pacifica assim! Por isso Jesus manda anunciar a paz como algo que vem juntamente com o Reino de Deus. Devemos transformar aos poucos o mundo para que este anúncio não fique uma palavra vazia.

Todas as meditações estão disponíveis originalmente em: franciscanos.org.br

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