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Cúria Diocesana

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15º Domingo do Tempo Comum

"Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele". (Evangelho segundo Lucas). "Depois colocou o homem em seu próprio animal, e o levou a uma pensão, onde cuidou dele". (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/07/liturgia_080719.jpg

Deus presente em cada esquina

Frei Gustavo Medella

“Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance” (Dt 30,10-11).

– Onde está Deus?

– Está bem perto de você e é muito fácil encontrá-lo!

Este seria um brevíssimo resumo da mensagem contida nas leituras deste 15º Domingo do Tempo Comum. Tanto o Evangelho (Lc 10,25-37) quanto a Primeira Leitura (Dt 30.10-14) vêm insistir na presença próxima de Deus junto ao ser humano. Este é o “suprassumo” da Teologia Cristã: um Deus que se faz próximo e que facilmente se deixa encontrar.

Quanto à proximidade, parece ser um ponto pacífico a partir do Mistério da Encarnação. Agora, o que diz respeito à facilidade, neste ponto parece haver a necessidade de um aprofundamento na reflexão. Encontrar Deus na vida e no dia a dia é fácil e não é fácil ao mesmo tempo.

É fácil se levarmos em conta a predileção de Jesus pelos últimos e pelos pequenos, a ponto de afirmar: “O que fizestes a um dos menores destes meus irmãos, a mim o fizestes” (Mt 25,40). Este critério multiplica exponencialmente a presença divina no seio da sociedade, nos semáforos da vida, limpando para-brisas a troco de moedas, retirando o alimento próprio e da família em meio à podridão das latas e dos lixões, implorando uma consulta ou um exame nas imensas filas dos hospitais, amargando a humilhação do desemprego e da falta de perspectiva, abandonado nos asilos e orfanatos, dormindo nas esquinas e calçadas sem banho, sem nome, sem nada. Encontrar este Deus que sofre está ao alcance de qualquer um. Basta uma volta a pé na esquina de casa ou um pequeno deslocamento até as periferias de qualquer cidade. Sempre será possível e fácil encontrar Deus, em qualquer hora e lugar.

Este encontro, no entanto, não é fácil se levarmos em conta o exercício de superação e entrega que devemos fazer para encontrar Deus. Afinal, não será um encontro agradável aos sentidos, pois, nestes irmãos, o Senhor se apresenta faminto, mal cheiroso, às vezes grosseiro e quase sempre incapaz de nos oferecer algo em troca. Certamente teremos também que deixar de lado opções bem mais confortáveis e prazerosas para irmos ao encontro destes irmãos, colocando-nos a serviço deles.

A Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), apresentada do Evangelho, ilustra com maestria este desafio e mostra que nem sempre é fácil se priorizar de fato o que é prioritário. O levita e o sacerdote certamente tinham compromissos suficientes para justificar sua indiferença em relação àquele que jazia quase morto à beira do caminho. Mudar os planos àquela altura não seria nada fácil. Permaneceram fiéis a seus compromissos e certamente cumpriram com desenvoltura seu papel social. No entanto, perderam a oportunidade de estarem mais próximos de Deus.

O samaritano, porém, foi capaz de sensibilizar-se com aquela cena de dor, sofrimento e abandono. Colocou em segundo plano a própria agenda e entregou-se de corpo e alma ao cuidado daquele que naquela hora mais precisava de sua atenção. Fez a melhor escolha, abraçou o Senhor que estava lhe visitando na figura daquela pobre vítima. Viver samaritanamente significa ter os olhos e o coração atentos a perceber a presença de Deus nos fatos e nas pessoas e a coragem de superar as próprias conveniências para ir ao encontro do Senhor.

 

15º Domingo do Tempo Comum, ano C

Comentários do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo que é digno desse nome”.

  1. Primeira leitura: Dt 30,10-14

Esta palavra está bem ao teu alcance, para que a possas cumprir.

O texto da primeira leitura faz parte do discurso de despedida de Moisés, no qual ele exorta o povo a ser fiel à aliança com seu Deus. Nos versículos precedentes (30,6-9) Moisés exortava o povo, dizendo: “O Senhor teu Deus circuncidará teu coração e o de teus descendentes, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e com toda a tua alma para que vivas”. Deus quer a felicidade e a vida de seu povo. Para obtê-la, porém, exigem-se condições: ouvir a voz de Deus, observar os seus mandamentos, converter-se (voltar-se) sempre de novo a Deus. Por isso Deus fez uma aliança com seu povo, um pacto de amor. Não um mero afeto ou sentimento, e sim, um amor de compromisso e fidelidade. A imagem deste amor sintetiza-se nas palavras dos noivos no dia do casamento: “Eu te serei fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de nossa vida”. O mandamento do amor a Deus, diz Moisés, não é difícil de observar porque Deus vai circuncidar o coração de seu povo, tornando-o capaz de observá-lo (cf. Jr 31,33-34), “está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir”. De fato, podia estar na boca e no coração de todo judeu fiel, como se vê na oração “Escuta Israel” (Xemá Israel: Dt 6,4-9), que os judeus ainda hoje recitam de manhã e de noite. Sabem-na de cor e a guardam em caixinhas de couro, que são presas, na hora da oração, com tiras de couro, uma na testa e outra no braço, perto do coração. Jesus aos treze anos conhecia o texto de cor (cf. Evangelho). Este e outros textos eram ensinados aos filhos desde a infância. O problema não é conhecer de cor o texto-base da fé judaica, mas pô-lo em prática.

Salmo responsorial: Sl 18b

Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração.

  1. Segunda leitura: Cl 1,15-20

Tudo foi criado por meio dele e para ele. 

Paulo utiliza partes de um hino cristão para falar do primado de Cristo na ordem da criação (v. 15-17) e na ordem da nova criação sobrenatural, que nos traz a redenção/salvação (v. 18-20). Na ordem da criação, Ele é o Filho de Deus, a imagem do Deus invisível na natureza humana visível. Em Cristo o Deus invisível torna-se visível. É como Jesus diz a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). Tudo foi criado por causa de Cristo, por meio dele e para ele. Em Cristo, primogênito de todas as criaturas, Deus quis manifestar seu amor para “fora de si”. Por isso cria o universo. Pela encarnação de seu Filho Unigênito em Cristo, Deus quis reconciliar pelo sangue derramado na cruz, trazendo de volta a si toda a criação, corrompida pelo pecado dos homens. O Cristo histórico, Filho único de Deus feito homem, é o mediador da criação. Por causa dele, por meio dele e para ele todos nós existimos. Jesus é também o mediador da salvação, porque por meio dele nos tornamos filhos e filhas de Deus, herdeiros da vida eterna (Evangelho). 

Aclamação ao Evangelho

Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida;

as palavras que dizeis bem que são de eterna vida.

  1. Evangelho: Lc 10,25-37

E quem é o meu próximo?

O evangelho que ouvimos divide-se em duas partes, iniciadas por uma pergunta de um mestre da Lei: “Que devo fazer para receber em herança a vida eterna” (v. 25-28) – e “quem é o meu próximo” (v. 29-37). A resposta à primeira pergunta Jesus tira-a da boca do mestre da Lei, perguntando-lhe o que está escrito na Lei e como ele a lia. E ele responde com a síntese da Lei, que consta na oração “Escuta Israel” (1ª leitura), conhecida de todo garoto judeu desde a adolescência. Respondendo à pergunta “o que fazer”, Jesus diz: “Faze isto e viverás”. O problema não é saber o que está escrito na Lei, mas como se lê e como se coloca em prática o que está escrito. Mas o mestre da Lei insiste e pergunta “e quem é o meu próximo?” O normal era considerar como “próximo” a quem pertencia à mesma fé (cf. Lv 19,15-18). Mas depois do exílio o conceito de próximo já se alargou. Próximo passa a ser toda pessoa da qual eu me aproximo. Esta é a posição de Jesus, como o vemos na parábola do bom samaritano. O sacerdote e o levita que liam a mesma Lei conhecida também pelos samaritanos, que têm apenas o Pentateuco (a Lei), não viram no homem ferido o próximo porque dele se desviaram. O sacerdote e o levita “desciam” de Jerusalém, tendo cumprido suas funções no Templo, onde Deus está presente, mas não viram a presença de Deus no homem ferido. O samaritano não subia ao Templo, porque os samaritanos adoravam a Deus no monte Garizim (cf. Jo 4,19-20). Estava de viagem a negócios, viu o mesmo homem ferido, “chegou perto dele, viu e sentiu compaixão”, cuidou de seus ferimentos e o colocou numa pensão à sua custa. O mestre da Lei tinha perguntado “e quem é o meu próximo”, mas ao final da parábola, Jesus lhe pergunta: “qual dos três foi o próximo do homem que caiu na mão dos assaltantes?” Também desta vez Jesus tira a resposta da boca do próprio mestre da Lei, que diz: “Aquele que usou de misericórdia para com ele, isto é, aquele que se aproximou do homem ferido”. Mais uma vez Jesus conclui: “Vai e faze a mesma coisa”. Portanto, fica claro que a questão não é ler e conhecer a Palavra de Deus, mas como eu a leio e a ponho em prática.

Com que mais me pareço? Com o sacerdote e o levita que viram o homem ferido mas desviaram dele? Ou procuro ser como o bom samaritano?

 

Misericórdia sem fronteiras

Frei Clarêncio Neotti

A lição de Jesus está em dizer que a misericórdia exige que se deixe de lado o bem-estar pessoal para socorrer um necessitado. Mas suponhamos que se insista na desculpa de não se poder tocar no defunto, para melhor servir a Deus no culto, observando a lei. É justamente nesse ponto que Jesus dá a grande lição: o irmão necessitado tem precedência, e, se não lhe dermos precedência, nossa oração será falha e errado será nosso culto. Em outra ocasião, Jesus foi ainda mais explícito, citando o profeta Oseias (Os 6,6): “Quero misericórdia e não sacrifícios” (Mt 9,13 e 12,7). Jesus referia-se aos sacrifícios dos animais no templo. A misericórdia tem precedência até mesmo sobre a obrigação da Missa dominical.

Observe-se que Jesus não menciona a nacionalidade ou a religião do infeliz que caiu na mão dos ladrões. Mas fica claro que quem fez a pergunta era um doutor da lei, judeu, portanto. E os judeus, sobretudo os do partido dos fariseus, restringiam muito os que podiam ser denominados próximo: eram só os familiares, os que tinham o mesmo sangue, os compatriotas observantes da Lei Mosaica, os pagãos que adotassem as leis, a fé e as tradições judaicas, desde que circuncidados. Ficavam expressamente excluídos os estrangeiros, os que trabalhavam para estrangeiros, os inimigos de qualquer espécie, a plebe ignorante, os que exerciam certas profissões que facilitavam a impureza legal – a pesca, o pastoreio, o curtimento de couros -, os pobres e os leprosos. A lição de Jesus é clara, nova e forte: a misericórdia não tem fronteiras religiosas, geográficas ou de sangue. A misericórdia não faz restrições. É obrigação de todos.

 

Há seres humanos jogados à beira do caminho

Frei Almir Guimarães

Em nossa vida cotidiana, às vezes tão medíocre e vulgar, pode acontecer ainda “o milagre da fraternidade”. Basta atrever-nos a renunciar a pequenas vantagens e começar a aproximar-nos das pessoas com os olhos e o coração do samaritano
José Antonio Pagola

♦ Mais um vez esse samaritano bom nos visita. Ficamos sempre encantados a parábola de Jesus narrada com tanto carinho, delicadeza e maestria pela pena de Lucas, grande escritor, sempre sensível ao tema da dor. Na verdade, ela não necessita de muita explicação. Tudo é muito claro. Não há que regatear. Os seres humanos jogados à beira do caminho requerem cuidados inadiáveis e tratamento generoso. Ali está um pedaço da humanidade está clamando por vida. É preciso parar imediatamente. Há que socorrer aqui e agora.

♦ Há pessoas que se encontram em situações limites. Um homem é assaltado, ferido, quase morto sem nada e sem ninguém. Jogados à beira da estrada ontem e hoje: doença imprevista, ataque de bandidos, miséria material, miséria moral, trapos humanos, gente aparentemente bem mas que camufla, gente fugindo da miséria de seus países de origem, refugiados, gente de perto e de longe, estruturas pesadas e injustas que podem fabricar jogados à beira do caminho.

♦  O samaritano tinha os olhos abertos. Os primeiros passantes, o sacerdote e o levita, estavam muito preocupados com o culto, com as regras da vida aprendida de cor, com as tarefas. Passaram olharam sem enxergar. O texto dá a entender que encararam o caso com certa indiferença. “Outros vão se ocupar do caso”, pensam eleas. Mas ali estava um ser humano cujo coração ainda batia e que podia continuar a bater. Quem não sabe reparar, não pode ver.

♦ Um homem trafega pelo mesmo caminho. Devia também ter tarefas a cumprir. Não estava a flanar. Para, observa, reflete rapidamente e toma todas as providências com rapidez e total generosidade, com encantadora generosidade: aproxima-se, faz curativos, derrama óleo e vinho nas feridas, coloca o assaltado na sua montaria, leva-o a uma pousada, paga as despesas e promete reembolsar posteriormente se mais fosse preciso ser pago. O samaritano se torna próximo do homem jogado à beira do caminho. Cabe a cada um de nós, em nossos contextos sociais, familiares, de vizinhança não somente ver, mas enxergar os que precisam de atenção para retomarem a caminhada da vida, o fôlego do existir.

♦ Não é assim que podemos nos satisfazer com “tudo certinho e arrumadinho” em termos de religião. Nossa fé caminha pela história e observa, além das práticas religiosas, o ser humano. Somos aqueles que nos deixamos impressionar com o sofrimento. Não podemos nos esconder atrás de nossas ocupações nem nos refugiar em nossas belas teorias. Não é suficiente gritar por nossas reivindicações, mas criar espaços em nós para os outros.

♦ Lucas afirma que o samaritano experimentou compaixão. Estamos no campo das atenções íntimas para com os semelhantes. José Tolentino Mendonça:

>> “A etimologia explica a compaixão (no latim, cum-passio) um “sofrer com o outro”. É uma forma de subtrair a dor à solidão que ela própria gera, dizendo àquele de quem nos aproximamos: “Você não está só, porque reconheço o seu sofrimento e tomo a sua dor, em parte para mim” A dor sequestra-nos num isolamento que pode atingir proporções inomináveis. A compaixão é essa peculiar relação humana que começa paradoxalmente aí, quando precisamos de cuidado e somos positivamente correspondidos por uma presença amigável. O grito do que sofre chega-nos frequentemente sem palavras: o silêncio indefeso diz tudo, a vida mais nua ainda do que o habitual, o olhar ferido pela adversidade. A compaixão torna-se escuta, consonância, responsabilidade pela vida, escolha solidária, gestos, permanência” (Libertar o tempo, p.51).


Oração

Ó Espírito Santo,
dai-me um coração grande,
aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora,
fechado a todas as ambições mesquinhas,
alheio a qualquer desprezível competição humana,
compenetrado do sentido da santa Igreja.

Um coração grande,
desejoso de se tornar semelhante
ao coração do Senhor Jesus.

Um coração grande e forte,
para amar a todos,
para servir a todos,
para sofrer com todos.

Um coração grande e forte,
para superar todas as provações,
todo tédio, todo cansaço,
toda desilusão e toda ofensa.

Um coração grande e forte,
constante até ao sacrifício,
quando for necessário.

Um coração cuja felicidade seja
palpitar com o coração de Cristo
e cumprir humilde, fiel e virilmente
a vontade do Pai. Amém!

Paulo VI (1897-1978)

 

Igreja Samaritana

José Antonio Pagola

Há muitas maneiras de empobrecer e desfigurar a misericórdia. Às vezes ela fica reduzida a um sentimento de compaixão próprio de pessoas sensíveis. Para alguns consiste nessa “ajuda paternal” que se oferece aos necessitados para tranquilizar a própria consciência. Há os que recordam as “obras de misericórdia” do catecismo como algo que é preciso praticar para ser virtuoso.

A partir da fé cristã devemos dizer que a misericórdia é a única reação verdadeiramente humana diante do sofrimento alheio que, uma vez interiorizada, se transforma em princípio de atuação e de ajuda solidária a quem sofre. Por isso, o teólogo Jon Sobrino começou a falar, há muitos anos, do “princípio misericórdia”, apresentando-o não como uma virtude a mais, mas como a atitude radical de amor que deve inspirar a atuação do ser humano diante do sofrimento do outro.

O relato do “bom samaritano” não é uma parábola a mais, e sim aquela que melhor expressa, de acordo com Jesus, o que é ser verdadeiramente humano. O samaritano é uma pessoa que vê em seu caminho alguém ferido, aproxima-se, reage com misericórdia e o ajuda no que pode. Esta é a única maneira de ser humano: reagir com misericórdia. Pelo contrário, “dar uma volta” diante de quem sofre – postura do sacerdote e do levita – é viver desumanizado.

A misericórdia é o princípio fundamental da atuação de Deus e o que configura toda a vida, a missão e o destino de Jesus. Diante do sofrimento, não há nada mais importante do que a misericórdia. Ela é a primeira coisa e a última. O princípio ao qual se deve subordinar todo o resto. Também na Igreja.

Uma Igreja verdadeira é, antes de tudo, uma Igreja que “se parece” com Jesus. E uma Igreja que se parece com Jesus deverá necessariamente ser uma “Igreja samaritana” que reage com misericórdia diante do sofrimento das pessoas. Esta é a primeira coisa que se pede também hoje à Igreja: que seja boa, que tenha entranhas de misericórdia, que não discrimine ninguém, que não dê voltas diante dos que sofrem, que ajude os que padecem feridas físicas, morais ou espirituais.

Se quiser parecer-se com Jesus, a Igreja deve reler a parábola do “bom samaritano”. É importante a ortodoxia. É urgente a ação evangelizadora. Mas como fica tudo isso se os homens e mulheres de hoje não podem descobrir nela o rosto misericordioso de Deus nem sentir sua proximidade e ajuda no sofrimento?

 

Amor ao próximo – solidariedade

Pe. Johan Konings

Os profetas de Israel teceram os mais sublimes elogios à Lei de Deus. Aliás, o termo “lei” traduz mal o que a Bíblia hebraica chama a torah; melhor seria traduzir por “instrução” ou “ensinamento”. Era um caminho de vida (1ª leitura). Mesmo assim, havia quem achasse a Lei complicada e procurasse um resumo ou pelo menos um mandamento-chave que por assim dizer resumisse a Lei. A pergunta foi feita também a Jesus, e ele respondeu, sem hesitar: “Amar a Deus com todas as forças e ao próximo como a si mesmo” (evangelho). O amor ao próximo é o dever número um do cristão. S. Paulo (Gl 5,13) e S. Tiago (Tg 2,8) resumem toda a moral cristã neste único mandamento. S. João nos diz que é impossível amar a Deus sem amar ao irmão (1Jo 4,21). Não se pode amar ao Pai sem amar os filhos. Mas o que é amar? E quem são nossos próximos?

Depois de interpelar Jesus a respeito do primeiro mandamento, o mestre da Lei pergunta quem é o próximo. Jesus não lhe dá uma resposta direta. Conta-lhe a história do bom samaritano. Os judeus não consideravam os samaritanos como “próximos”, como candidatos à sua solidariedade. Eram inimigos de sua comunidade. Os membros da comunidade judaica, a esses era preciso “amá-los como a si mesmo” (Lv 19,18), e o mesmo valia com relação aos estrangeiros vivendo no meio dos judeus (Lv 19,35). Mas os samaritanos não. Ora, exatamente um samaritano torna-se solidário com um judeu jogado à beira da estrada, depois que dois ilustres “próximos” judeus, um sacerdote e um levita, deram uma volta para não se incomodar com o compatriota assaltado …

Jesus não respondeu diretamente ao mestre da lei, porque a questão não é descobrir quem é e quem não é próximo. Coração generoso se torna próximo de qualquer um que precisa; a melhor maneira de ter amigos é ser amigo. A questão também não é teórica, mas prática. Na prática esquecemos a parábola de Jesus e fazemos como o sacerdote e o levita: afastamo-nos do necessitado, mesmo se pertence à nossa comunidade, e não “nos aproximamos” dele. Tornar-se próximo é ser solidário. Somos solidários com os que vivem na margem da estrada de nossa sociedade? Mesmo quando damos uma esmola a um coitado, não é para nos desviarmos dele? “Vai e faze a mesma coisa” … Imitar o samaritano exige solidariedade, assumir a vida do outro, não se livrar dele. Torná-lo um irmão, pois este é o sentido verdadeiro da palavra “próximo”.

Como está a solidariedade nesse tempo em que a doutrina da competição, do lucro e do proveito ilimitado solapou o tecido social, as relações de gratuidade entre as pessoas?

Todas as reflexões estão disponíveis originalmente em: franciscanos.org.br

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