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Cúria Diocesana

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23º Domingo do Tempo Comum

"Do mesmo modo, portanto, qualquer de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo". (Evangelho segundo Lucas). "Do mesmo modo, portanto, qualquer de vocês, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo". (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/08/domingo_liturgia_08.jpg

O privilégio do desapego 

Frei Gustavo Medella

“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26).

À primeira vista, a frase de Jesus parece chocar quem a lê, dado que os laços familiares são, a princípio, algo importante e central na vida do ser humano. No entanto, se o leitor, em vez de colocar a ênfase do ensinamento sobre os parentes (pai, mãe, irmãos etc.) e perceber que no centro da questão está o desapego, a compreensão se torna mais fácil e plausível.

Apegar-se é um caminho que aprisiona e aliena, pois geralmente leva a uma espécie de “objetificação” do outro. Quem vive apegado a pessoas corre o risco de considerá-las coisas de sua propriedade. Pais com apego excessivo aos filhos, por exemplo, podem torná-los muito dependentes e pouco preparados para enfrentar os desafios da vida. No relacionamento a dois, o apego geralmente gera ciúmes excessivos e até violência. Ninguém é propriedade de ninguém.

Desapegar-se é, portanto, uma graça. É adquirir a maturidade de que a vida é maravilhosa, mas muito curta e passageira, tal como reza o salmista, quando diz que os dias do ser humano, “Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca” (Sl 89). Carregar a cruz significa aceitar os limites a abraçá-los com amor, vivendo na gratuidade e confiando-se ao seguimento de Cristo sob os olhos amorosos do Pai.

 

23º Domingo do Tempo Comum

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”.

1. Primeira leitura: Sb 9,13-18

Quem pode conhecer os desígnios do Senhor?

O texto da primeira leitura parte de uma pergunta: Pode o ser humano conhecer os “desígnios”, isto é, os planos do Senhor? E responde que o ser humano é mortal e como tal é incapaz de conhecer, isto é, desvendar qual é o projeto de Deus que lhe diz respeito. Pode conhecer o mundo que o cerca, mas não o desígnio de Deus. Conhecer o desígnio ou vontade de Deus é um dom que Deus nos concede. Iluminado pela Sabedoria do espírito’ divino, o ser humano aprende como agradar a Deus e será salvo. A sabedoria transmitida pelas nossas famílias e pela comunidade cristã nos conduzem a Jesus. Cristo, a Sabedoria de Deus, é quem nos ensina o caminho da salvação.

Salmo responsorial: Sl 89

Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós.

2. Segunda leitura: Fm 9b-10.12-17

Recebe-o, não mais como escravo, mas como um irmão querido.

Na segunda leitura ouvimos parte da menor das Cartas do apóstolo Paulo. Tem apenas um capítulo. Paulo está preso por causa da pregação do Evangelho. Na prisão está também um escravo fugitivo de nome Onésimo (= inútil), pertencente a um amigo cristão, chamado Filêmon. Paulo, já idoso e preso, não deixa de falar de Jesus ao escravo Onésimo, que se converte, é batizado e torna-se seu filho, que ele “fez nascer para Cristo na prisão”. Paulo é cidadão romano e respeita as leis do Império referentes a um escravo fugitivo. Dispõe-se a devolver o escravo. Poderia pedir a Filêmon que deixasse Onésimo como seu representante para cuidar de Paulo na prisão. Mas não o faz para não forçar um gesto de bondade de Filêmon. Pede-lhe que receba de volta Onésimo, já não como escravo, propriedade do patrão, mas como irmão muito querido em Cristo como o próprio coração de Paulo. Receba Onésimo como pessoa humana e como irmão em Cristo. Toda a Carta revela a delicadeza de Paulo no trato com os irmãos de fé. Paulo não despreza as leis romanas, mas eleva a relação patrão-escravo a um novo patamar mais elevado, onde prevalecem os direitos humanos e se vive o evangelho de Jesus Cristo. Entre os cristãos, diz Paulo, “já não há judeu nem grego, escravo nem livre, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Por fim, Paulo faz um último apelo: Recebendo Onésimo como escravo-irmão, Filêmon mostrará que está em comunhão de fé porque no escravo fugitivo recebe o próprio com Paulo.

Devolve o escravo Onésimo a Filêmon, como se fosse “o seu próprio coração”. Paulo ama Onésimo como irmão em Cristo, assim o deve receber Filêmon, já não como simples escravo, mas como irmão.

Aclamação ao Evangelho: Sl 118,135

Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo
e ensinai-me vossas leis e mandamentos.

3. Evangelho: Lc 14,25-33

Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem,
Não pode ser meu discípulo.

Jesus está a caminho de Jerusalém, onde seria preso, condenado à morte e crucificado. Era uma viagem à Cidade Santa para as celebrações da festa da Páscoa dos judeus e Jesus estava acompanhado por “multidões”. Muita gente do povo e os discípulos pretendiam proclamá-lo como rei, mas o propósito de Jesus era cumprir a vontade do Pai. No caminho, Jesus já havia alertado os discípulos que “o Filho do Homem seria entregue nas mãos dos homens” (9,21-22.43-45), porque um profeta devia morrer em Jerusalém (13,31-35). Multidões o acompanhavam para a festa. Mas acompanhar não é a mesma coisa que seguir a Jesus. Exige-se a capacidade de segui-lo no caminho que o levaria ao Gólgota. Por isso Jesus estabelece as condições para alguém se tornar um discípulo: 1) desapego da família e da própria vida; 2) carregar a própria cruz, isto é, as contradições, o desprezo e os sofrimentos que a vida cristã impõe; 3) enfim, renunciar-se a si mesmo, isto é, aos próprios projetos para assumir os que Jesus nos propõe.

Para esclarecer as exigências para os discípulos, Jesus conta duas pequenas parábolas que levam cada pessoa a medir as próprias capacidades de seguir o Mestre. A primeira parábola fala do homem que decidiu a construir uma torre, porém foi incapaz de concluí-la. Ficou coberto de vergonha porque as pessoas que passavam diante a torre inacabada diziam: “Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar”! A construção de uma torre exige mais do que construir uma casa… A segunda parábola fala do rei que se preparava para a guerra contra um rei inimigo. Segundo Jesus, o rei deve examinar bem se tem um exército bem treinado, capaz de enfrentar as forças inimigas. Caso contrário, seria melhor enviar embaixadores e negociar a paz. A prudência aconselha a “não dar passos maiores que as pernas”.

Aos discípulos de ontem e de hoje, Jesus ensina que o discípulo precisa renunciar ao projeto pessoal e assumir o de Jesus. Não devemos enquadrar Jesus e sua mensagem em nosso projeto pessoal, mas abraçar o projeto que o Mestre nos propõe.

 

Jesus dá o exemplo

Frei Clarêncio Neotti

São quatro as condições radicais postas por Jesus: o desprendimento das coisas familiares; o desprendimento da própria vida (dos próprios interesses); o desprendimento de qualquer tipo de posse material ou espiritual e o assumir a cruz, isto é, a própria história em suas situações concretas de cada dia. É, certamente, muito o que Jesus exige. Mas, se olharmos bem, é exatamente o que ele fez, quando veio a este mundo: deixou a glória do paraíso, assumiu a pobreza em todos os sentidos, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,7), sofreu todas as vicissitudes de seu tempo e de seu povo e morreu crucificado.

Jesus nada exige que não tenha experimentado primeiro. Aliás, Lucas sugere isso ao dizer que Jesus caminhava à frente das multidões, para quem ‘se voltou’ para ensinar (v. 25). Em outra ocasião, Jesus dissera explicitamente: “O discípulo, para ser perfeito, deve ser como o mestre” (Lc 6,40). Jesus repartiu tudo o que era e o que tinha com os discípulos, até mesmo seu poder divino de perdoar pecados e de santificar (Jo 20,23).

Mas quer repartir também a cruz e a morte, partes integrantes de sua missão salvadora, e partilhar a ressurreição e a glorificação, nova meta da criatura redimida.

 

Que seja bem feita a construção da vida

Frei Almir Guimarães

De novo estamos com o tema da urgência de um vigoroso seguimento do Mestre. Jesus traça algumas orientações a respeito das qualidades do discípulo. Tudo deve ser centrado nele, o Mestre. Nada pela metade. Não pensamos no seguimento meio longínquo de um Jesus encerrado no tempo que se foi, refém das páginas impressas de um livro chamado Bíblia ou engessado em fórmulas que aprendemos de cor, mas sem condições de dar cores belas à nossa vida. Pensamos no Cristo vivo e misteriosamente presente.

Viemos da nada. Vivemos. Um corpo com suas necessidades e reclamos. Os olhos, as mãos, os pés, anelos e desejos do coração. Perguntas e mais perguntas. De onde vim? Para onde vou? Esses outros, tantos outros? Como conviver? Esse planeta, essas águas, essas flores, essas ruas, essa gente toda? Esses dias de paz e de encantadora beleza e esse tempo de dores, de incompreensão?

Cabe-nos construir nossa vida a partir de nós e com os outros. Respeitar os gritos de nosso interior. Queremos a beleza, o bem, a verdade e não a ilusão. Queremos ser gente atenta aos movimentos da vida e às sugestões que Deus que as anda fazendo através dos mais sábios, do perfume do Evangelho e dos sinais dos tempos e simplesmente pelo palpitar da vida.

Crescer, viver, respeitar os que nos cercam, estar atento aos misteriosos apelos que o Senhor nos faz, não construir de qualquer maneira, cuidar da terra e da água, construir espaços de união e pontos que unam, evitar tudo o que possa nos animalizar, tornar-nos indiferentes a tudo e a todos. Tentar, a duras penas, ouvir o que o Mistério anda sussurrando aos nossos ouvidos por suas visitas. “Estou à porta e bato”. Queremos viver de maneira evangélica.

Casa na rocha, sair para a guerra com certeza da vitória. Os que querem seguir a Jesus calculam gastos, procuram se prevenir as surpresas que podem acontecer com o tempo que vai passando. Perseverança para que a torre seja concluída com êxito e não fique inacabada, que o exercito seja forte em coragem e número permitindo a vitória.

Como construir a vida com êxito e como discípulos do Senhor? Não existe receita mágica.

• Desde o tempo da juventude procurar a verdade do existir. Fugir de tudo que possa ser ilusão, mera aparência, ou seja, enganar-se a si mesmo. Sinceridade consigo mesmo, com sua verdade.
• No tempo privilegiado da juventude, entre os 16 aos 30 anos colocar as bases de uma vida sólida: viagens ao fundo do coração para escutar nossos sonhos mais legítimos, viver densas, profundas e sérias amizades, escolher com nitidez uma profissão que não somente dê bons salários, mas que seja também colaboração na construção de um mundo segundo o coração de Deus, fazer uma opção séria e bela pelo casamento, tomar a decisão de um vida de oração e de vivência da missa dominical. Lucidez, responsabilidade e firmeza de propósitos. Tudo feito sobre o sólido. Questão de decisão.
• A solidez uma existência humana e cristã se torna possível com o exercício do discernimento, tentar ver claro no meio do nevoeiro. Ter o hábito de refletir.
• Na formação sólida do discípulo de Cristo dever-se-á pensar em debates, exercício de meditação, revisões regulares do modo de viver.
• A primeira leitura, do livro da Sabedoria, afirma que os desígnios do Senhor só podem ser conhecidos precisamente pela sabedoria. Sabor das coisas. Sabor, sabedoria que acontece quando nos expomos à luz do Espírito que penetra o mais fundo de nós mesmos.


Oração

A terra começará a ser teu reino…

Se nós sairmos para a vida
partindo nosso pão com o faminto,
eliminando, uma a uma, as discórdias,
pondo o bem em todos os teus caminhos,
a terra começará, Senhor, a ser teu reino.

Se sairmos para a vida
armados de concórdia e sem estrondo,
tirando a opressão do oprimido,
abrindo a casa ao forasteiro,
a terra começará, Senhor, a ser o teu reino.

Se sairmos para a vida
vivendo em nossa carne o teu Evangelho,
dizendo que é urgente despertar,
que só os sinceros vêm teu reino,
a terra começará, Senhor, a ser teu reino.

 

O que é carregar a cruz?

José Antonio Pagola

A cruz é o critério decisivo para verificar o que merece trazer o nome de cristão. Quando as gerações cristãs o esquecem, sua religião se aburguesa, se dilui e se esvazia da verdade. Por isso, nós crentes precisamos perguntar-nos qual é o significado mais original do apelo de Jesus: “Quem não carregar sua cruz atrás de mim não pode ser meu discípulo”.

Embora pareça surpreendente, nós cristãos desenvolvemos frequentemente diversos aspectos da cruz, esvaziando-a de seu verdadeiro conteúdo. Assim, há cristãos que pensam que seguir o Crucificado é buscar pequenas mortificações, privando-se de satisfações e renunciando a prazeres legítimos para chegar – através do sofrimento – a uma comunhão mais profunda com Cristo.

Sem dúvida, é grande o valor de uma ascese cristã, e mais ainda numa sociedade como a nossa, mas Jesus não é um asceta que vive buscando mortificações; quando fala da cruz, não está convidando a uma “vida mortificada”.

Há outros para quem “carregar a cruz” é aceitar as contrariedades da vida, as desgraças ou adversidades. Mas os evangelhos nunca falam destes sofrimentos “naturais” de Jesus. Sua crucificação foi consequência de sua atuação de obediência absoluta ao Pai e de amor aos últimos.

Sem dúvida precisamos valorizar o conteúdo cristão desta aceitação, do “lado escuro e doloroso” da vida, a partir de uma atitude de fé; mas, se queremos descobrir o sentido original do chamado de Jesus, precisamos recordar com toda a simplicidade o que era “carregar a cruz”.

Carregar a cruz fazia parte do ritual da execução: o réu era obrigado a atravessar a cidade carregando a cruz e levando o titulus, um cartaz onde aparecia seu delito. Desta maneira, era mostrado como culpado perante a sociedade, excluído do povo, indigno de continuar vivendo entre os seus.

 

Os cristãos e as estruturas sociais

Pe. Johan Konings

“Se Deus só serve para deixar tudo como está, não precisamos dele”; palavra de uma agente de educação popular. O Deus que é apenas o arquiteto do universo, mas fica impassível diante da injustiça dos habitantes de sua arquitetura, não tem relevância alguma. O cristianismo serve ou não para mudar as estruturas da sociedade? São Paulo tinha um amigo, Filêmon.

Este – como todos os ricos de seu tempo – tinha escravos, que eram como se fossem as máquinas de hoje. Um dos escravos, sabendo que Paulo tinha sido preso, fugiu de Filêmon para ajudar Paulo na prisão. Paulo o batizou (“o fez nascer para Cristo”).

Depois mandou-o de volta a Filêmon, recomendando que este o acolhesse, não como escravo, mas como irmão… Mais: como se ele fosse o próprio Paulo (2ª leitura).

Essa história é emocionante, mas nos deixa insatisfeitos. Por que Paulo não exigiu que o escravo fosse libertado, em vez de acolhido como irmão, continuando como escravo? Aliás, a mesma pergunta surge ao ler outros textos do Novo Testamento (1 Cor 7,21; 1Pd 2,18). Por que o Novo Testamento não condena a escravidão?

A humanidade leva tempo para tomar consciência de certas incoerências, e mais tempo ainda para encontrar-lhes remédio. A escravidão, naquele tempo, era uma forma de compensação de dívidas contraídas ou de uma guerra perdida. Imagine que se resolvesse desse jeito a dívida externa do Brasil! Seríamos todos vendidos (se já não é o caso…) Antigamente (?), a escravidão fazia parte da estrutura econômica. Na Idade Média, com os numerosos raptos praticados pelos piratas mouros, surgiram ordens religiosas para resgatar os escravos, até tomando o lugar deles. Mas ainda na época moderna, a Igreja foi conivente com a escravidão dos negros. A consciência moral cresce devagar, e mudar alguma coisa nas estruturas é mais demorado ainda, porque depende da consciência e das possibilidades históricas. As estruturas manifestam só aos poucos sua injustiça, e então leva séculos para transformá-las.

Porém, a lição de Paulo é que, não obstante essa lentidão histórica, devemos viver já como irmãos, vivenciando um espírito novo, que vai muito além das estruturas vigentes e que – como uma bomba-relógio – fará explodir, cedo ou tarde, a estrutura injusta. Novas formas de convivência social, voluntariados dos mais diversos tipos, organismos não-governamentais, pastorais junto aos excluídos – a criatividade cristã pode inventar mil maneiras para viver aquilo que as estruturas só irão assimilar muito depois.

Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

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