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Cúria Diocesana

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24º Domingo do Tempo Comum

"Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos". (Do evangelho segundo Lucas). "Quando ainda estava longe, o pai o avistou, e teve compaixão. Saiu correndo, o abraçou, e o cobriu de beijos". (Do evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/09/perdida_0909.jpg

A ovelha, a moeda e o filho

Frei Gustavo Medella

A ovelha perdida pelo pastor era uma em cem. Encontrá-la foi motivo de júbilo e festa para o dono do rebanho. A moeda, extraviada da viúva, uma em 10. Achá-la foi ocasião de festa para a proprietária daqueles poucos trocados. O filho, que num gesto de impensada ingratidão, abandona o pai e a família, era um de dois. Seu humilde e arrependido retorno foi causa de alegria indizível no coração do Pai. A ovelha, a moeda e o filho: 01, 10 e 50%.

Amar como Deus ama é, portanto, ter a sensibilidade e o entusiasmo de vibrar diante das pequenas e grandes conquistas. É apostar sempre na força da transformação e jamais desistir daquele a quem se ama. É o bom orgulho da mãe que celebra mais um dia de abstinência do filho que caiu na armadilha do vício, é o encantamento do fisioterapeuta que registra um piscar de olhos em seu paciente até então totalmente inerte, é a nota suficiente que o aluno alcança com dificuldade depois de incansável e sistemática ajuda do professor, é o concurso público que o jovem vence depois de inúmeras noites mal dormidas em empenhada preparação. Pequenas e grande conquistas.

Caminhar na fé é, portanto, animar-se em Cristo que, para conquistar nosso coração, em 01, 10 ou 50%, entregou-se 100% no sacrifício da cruz. Se fosse um negócio, a escolha de Jesus o levaria à falência. No entanto, como entrega incondicional de amor, Deus não faz conta e celebra com alegria, cada passo, por pequeno que seja, que conseguimos dar em nossa frágil humanidade.

 

24º Domingo do Tempo Comum, ano C

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração”.

  1. Primeira leitura: Ex 32,7-11.13-14

E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer.

A primeira leitura nos ensina que a misericórdia divina para com o pecador prevalece sobre a cobrança da Lei de Moisés. No monte Sinai, Deus havia dado a Israel os dez mandamentos e outras leis, por intermédio de Moisés. Firmou também uma aliança (pacto) com o povo libertado da escravidão do Egito. Por esta aliança, Deus escolheu Israel como seu povo. Israel, por sua vez, se comprometia a ter o Senhor como seu único Deus e a observar as suas leis. Mas enquanto Moisés recebia na montanha as tábuas da Lei o povo caiu na idolatria. Fizeram para si um bezerro de ouro para adorar e diziam: “Estes são os teus deuses, que te fizeram sair do Egito”. No entanto, na introdução aos dez mandamentos, Deus assim se apresenta: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te libertou do Egito, lugar de escravidão” (Ex 20,2). Portanto, Israel traiu a aliança com seu Deus e tornou-se infiel. Deixou de ser para Deus o “meu povo” e passou a ser “não-meu-povo” (cf. Os 1,9; 2,22-25). Por isso, na leitura de hoje, Deus manda Moisés descer do monte e lhe diz: “Corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito”. Em outras palavras, Deus já não reconhecia Israel como o seu povo que libertou do Egito. Por isso, Deus parece pedir a Moisés que não interceda mais em favor do povo (cf. Jr 7,16; 11,14; 14,11) e que o deixe exterminar Israel, com a promessa de fazer de Moisés uma grande nação. Moisés, porém, é solidário com o povo que, em nome de Deus, libertou os hebreus do Egito (“teu povo”), e começou logo a interceder em favor dos hebreus. Pela fé, Moisés tinha consciência que Deus ouve os lamentos dos hebreus oprimidos e se lembra da aliança com Abraão, Isaac e Jacó (Ex 2,23-25; 3,7-10). Moisés tinha consciência que Deus o havia escolhido para libertar seu povo oprimido e conduzi-lo à terra prometida (cf. Ex 2,1-10). Enfim, se Deus exterminasse seu povo seria infiel às promessas que havia feito (cf. Ex 3,7-10). Então Deus desistiu de cumprir sua ameaça, em atenção à súplica de Moisés.

Podemos resumir assim a mensagem desta leitura: Deus é sempre fiel a sua aliança; a misericórdia divina triunfa sobre a justiça da Lei; por outro lado, a súplica confiante dirigida a Deus atrai sua misericórdia.

Salmo responsorial: Sl 50

Vou agora, levantar-me, volto à casa de meu pai.

  1. Segunda leitura: 1Tm 1,12-17

Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores.

Na segunda leitura ouvimos parte da carta que Paulo escreveu a Timóteo, bispo de Éfeso, talvez quando estava preso em Roma. Com simplicidade apresenta sua missão num tom místico. Agradece a Cristo pelo dom da fé e pela força da graça recebida. Paulo, que antes blasfemava a Cristo e perseguia nos cristãos reconhece que, mesmo assim, Cristo o escolheu para servi-lo como pregador do Evangelho. Apesar de ser pecador, Paulo encontrou a misericórdia divina pelo dom da graça, da fé e do amor que há em Cristo Jesus. Agradece porque “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores” e Paulo se considera o primeiro deles. Paulo encontrou em Cristo a misericórdia divina, tornando-se modelo para todos os crêem em Cristo e esperam alcançar a vida eterna. – Reconheço a ação da misericórdia divina em minha vida? Sou capaz de manifestá-la aos outros?

Aclamação ao Evangelho: 2Cor 5,19

    O Senhor reconciliou o mundo com Cristo, confiando-nos sua Palavra,

            A Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva!

  1. Evangelho: Lc 15,1-32

Haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte.

Lucas reúne no cap. 15 três parábolas sobre a misericórdia. A liturgia de hoje permite escolher o texto mais curto, com as parábolas da ovelha e da moeda perdidas, ou o texto mais longo, que inclui a parábola do filho pródigo (ver 4º Domingo da Quaresma, ano C). Para melhor entendermos a mensagem convém prestar atenção ao contexto em que são colocadas as parábolas. Jesus, seguido por multidões (23º domingo), está em viagem a Jerusalém. Nessa viagem Lucas situa muitos ensinamentos do Mestre. A cena de hoje mostra Jesus rodeado de cobradores de imposto e de pecadores, dispostos a escutar seus ensinamentos. Também os fariseus estavam ali, mas apenas para criticá-lo. Os fariseus consideravam-se justos, mas criticavam os publicanos e pecadores. É neste contexto que Jesus conta as três parábolas.

Na parábola da ovelha perdida Jesus traz um exemplo da vida do campo. Um pastor tem cem ovelhas, perde uma, deixa no curral as noventa e nove e vai à procura da única ovelha perdida. Quando a encontra, carrega-a nos ombros e, cheio de alegria, convida os amigos para uma festa. E Jesus arremata a parábola com uma sentença: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”.

Na parábola da moeda perdida, o exemplo trazido é o da dona de casa numa cidade. Toda a sua “poupança” se resumia a dez moedas de prata. Ao perder uma delas, acendeu uma lamparina e procurou cuidadosamente a moeda até encontrá-la. Feliz por ter encontrado a moeda perdida, a mulher convidou as amigas e vizinhas para festejarem com ela. E Jesus conclui: “Haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. – A ovelha perdida torna-se até mais querida que as noventa recolhidas no curral; a moeda perdida torna-se mais preciosa que as nove ainda guardadas. A alegria de encontrar a ovelha e a moeda perdidas é partilhada com amigos e vizinhos. Assim também, diz Jesus, a alegria será partilhada no céu, isto é, com Deus e seus anjos, por um só pecador que se converte. Em outras palavras, Deus misericordioso (1ª leitura) quer salvar a todos os que criou no seu amor (cf. Ez 18,32).

 

Santos e pecadores

Frei Clarêncio Neotti

Lucas começa as parábolas da misericórdia com uma observação, que mostra bem o contexto em que foram pronunciadas pelo Mestre. Jesus acolhe os pecadores e come com eles (v. 1). Os Sinóticos são unânimes em dizer que Jesus sentava-se à mesa e comia com os pecadores e aceitava sua hospitalidade (Mc 2,15; Mt 9,10; Lc 5,29). Lembremos que “pecadores” aqui não são necessariamente os que transgrediam os Dez Mandamentos, mas os que não podiam observar os 365 preceitos que os fariseus impunham, ou exerciam uma profissão considerada aviltante (pastor, pescador, curtidor de couros, vendedor ambulante, condutor de bestas de carga, jogador de dados) ou eram analfabetos (porque não conseguiam ler os livros sagrados).

Os publicanos cobravam os impostos para os romanos e, por isso, eram considerados traidores do povo eleito, ladrões e impuros. Jesus costumava comer com publicanos e pecadores, tanto que os fariseus o chamaram de “comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” (Lc 7,34). Sentar-se à mesa de alguém era sinal muito claro de comunhão e amizade. Isso escandalizava fariseus e escribas e era uma das razões por que não conseguiam acreditar em Jesus como profeta e enviado de Deus. Nas parábolas de hoje, Jesus se justifica, mostrando que seu Deus e Pai é diferente do Deus dos fariseus: é um Deus misericordioso com justos e injustos, com santos e pecadores (Lc 6,35-36; Mt 5,43-48).

 

Um imenso e inaudito amor

O pai espreita seus filhos com ternura

Frei Almir Guimarães

Vós sereis amamentados e ao colo carregados e afagados com carícias; como a mãe consola o filho, em Sião vou consolar-vos. Isaías 66, 12-13

As parábolas de Jesus não cessam de nos encantar e surpreender. Por detrás de cada delas um convite a que continuemos a buscar o Evangelho vivo que se chama Jesus. Lições de vida. Convites do Altíssimo a que venhamos a ser bem
sucedidos nas fascinante arte de viver. Mais uma vez esse texto de Lucas. Costumamos dizer que se trata da parábola do filho pródigo que volta à casa depois de loucuras. Muitos preferem dizer que a história do Pai das misericórdias.
Outros afirmam que o nó da trama está no filho mais velho que não consegue ter a grandeza de deixar seu próprio ego e buscava aplicar a lei do dente por dente, friamente, rejeitando o irmão delinquente. Prefiro ver nessa historieta o
derramamento sem limites da bondade do pai que lembra o Pai das alturas e do mais íntimo nos quer um bem sem limites. Que nos leva pela mão e nos acaricia como uma mãe. Ele é pai e é mãe.

O filho mais novo partiu. Quis tentar a vida. Pediu a parte da herança que lhe cabia para fazer a aventura da vida a seu modo e jeito. O pai não impediu a saída. A partir de então sentiu-se paralisado e vivia espreitando o
horizonte. “Esse meu filho, precisava voltar. Que tolo, esse a quem quero tanto bem”. Um autor chama atenção para o pormenor de que o pai em vez de procurar o filho, torna-se um espia do horizonte. Nada faz. Paralisado. Tem no nome do
filho gravado na palma de suas mãos. Inativo, inerte, espera.

Tudo leva a crer que o filho mais velho não ficou ao lado pai. O irmão mais novo tinha resolvido fazer a vida… Agora sua vida não podia parar. Não teve ideia de ficar ao lado do pai no seu sofrimento. Fechou-se no seu mundo
e na convicção de que o outro não merecia compaixão. Ele continuaria a fazer as coisas bem certinhas para passar no vestibular da vida.

Um autor observa que o olhar atento do pai para o horizonte lembra a atitude do Senhor Deus no jardim do Éden: “Adão, onde tu estás?”. Esse grito do Senhor vai se repetir ao longo das páginas das Escritura ao longo da história
da salvação e que só cessará quando todos se reunirem em torno de Cristo, santos e imaculados. Onde tu estás nesta fase de tua vida, depois de uma parte da viagem?

Somos o pródigo. Talvez tenhamos praticado loucuras. Talvez muitos teríamos podido ser mais gente se fôssemos mais atentos aos olhares cabisbaixos, aos passos titubeantes, aos fracassos existenciais de tantos. Talvez estejamos
ou estivemos vivendo uma vida de satisfações de pequenos interesses, no meio de um emaranhado de meias mentiras, nada de bárbaro, mas uma sucessão de atos que nos levaram a ser banais, posturas que nos apequenaram. Uma vida cristã de
ritos e de repetição de fórmulas cerebrais que nunca nos disseram nada no passado e muito menos no presente. Sensação de solidão. Não chegamos ao extremo vivido pelo rapazinho da parábola. Nosso nome está gravado nas mãos do Senhor.

Quando o pai avistou ou vulto do filho correu, sentiu compaixão, abraçou-o ternamente. Era ali o Deus de ternura e piedade. Mesmo que uma mãe esqueça de seu filho, ele, o Pai, não esquecerá de seus filhos. Nada mais a recordar.

“Quando o jovem destruído pela fome e pela humilhação, volta para a casa, o pai torna a surpreender a todos. “Comovido” corre ao seu encontro e o beija efusivamente diante de todos. Esquece-se de sua própria dignidade, oferece-
lhe o perdão antes de ele declarar-se culpado; restabelece-o em sua honra de filho, protege-o da rejeição dos vizinhos e organiza uma festa para todos. Por fim, poderão viver em família de maneira digna e feliz” (Pagola, Lucas,p. 260).

“O Senhor é indulgente e favorável, é paciente, bondoso e compassivo… Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune me proporão às nossas culpas… Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que
o temem” (Sl 102).

O filho mais velho. Um mistério. Estava acostumado a ser “certinho”. Sente-se ofendido. O irmão ingrato e inconsequente era agora recebido com festa e gastança. Seu pai havia enlouquecido. O pai o convida para a festa. Não
aceita e sente-se um estranho em sua própria casa. Deixa a descoberto seu ressentimento. Passou a vida inteira com o pai e não aprendeu a amar como ele amava. Só sabe exigir seus direitos e não amar o irmão que volta completamente
arruinado. Não entrou na festa da acolhida.

Um pai bom, extremamente bom, sempre a espreitar o horizonte de nossas vidas. Sem se cansar. Inventou-nos para o amor preferimos privilegiar a nós mesmos. Um pai acolhendo de braços abertos os que andam perdidos e suplicando aos
fiéis que acolham todos com amor.

Um rapaz que abusa da liberdade, que mergulha em abismos profundos. Nós. Degrada-se. Drogas, infidelidades, falta de carinho para com pais idosos mesmo se não tenham sido os melhores pais da face da terra. Pessoas que
acumularam e não tiveram capacidade de olhar o rosto dos passantes. Apesar de todos os convites misteriosos de Deus preferiram seu mundo e o resto… bom o resto.

Um homem certinho mas corroído pelo orgulho de ser correto e incapaz de olhar o irmão com olhar de seu pai. Um vida sem amor que é antecipação do inferno com tudo muito e bem certinho.

A porta do coração do Pai está sempre aberta e ele anda espreitando os filhos que podem chegar de longa ausência, cansados e com a impressão de terem sido derrotados. Deus prepara uma festa para nós se voltarmos para o rumo
de sua casa.


Oração

Desperta, Senhor, nossos corações,
que adormeceram em coisas triviais
e já não têm força para amar com paixão.
Desperta Senhor nossa esperança,
que se apagou com pobres ilusões
e já não tem razões para esperar.
Desperta, Senhor, nossa sede de ti,
porque bebemos águas de sabor amargo,
que não saciam nossos anseios diários.
Desperta, Senhor, nosso silencio vazio,
porque precisamos de palavras de vida para viver
e só escutamos propagandas da moda e do consumo.

F.Ulíbarri

 

Parábola para nossos dias

José Antonio Pagola

Em nenhuma outra parábola Jesus conseguiu penetrar tão profundamente no mistério de Deus e no mistério da condição humana. Nenhuma outra é tão atual para nós como esta do “pai bom”.

O filho mais moço diz ao pai: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe”. Ao reclamá-la, está de alguma forma pedindo a morte do pai. Quer ser livre, romper amarras. Não será feliz enquanto seu pai não desaparecer. O pai consente com seu desejo sem dizer nenhuma palavra: o filho deve escolher livremente seu caminho.

Não é esta a situação atual? Muitos querem hoje ver-se livres de Deus, ser felizes sem a presença de um Pai eterno em seu horizonte. Deus deve desaparecer da sociedade e das consciências. E, da mesma forma que na parábola, o Pai mantém silêncio. Deus não coage ninguém.

O filho parte para “um país distante”. Precisa viver longe de seu pai e de sua família. O pai o vê partir, mas não o abandona; seu coração de pai o acompanha; cada manhã o estará esperando. A sociedade moderna se afasta sempre mais de Deus, de sua autoridade, de sua lembrança … Não está Deus nos acompanhando enquanto o vamos perdendo de vista?

Logo o filho se instala numa “vida desordenada”. O termo original não sugere apenas uma desordem moral, mas uma existência insana, descontrolada, caótica. Em pouco tempo sua aventura começa a transformar-se em drama. Sobrevém uma “fome terrível” e ele só sobrevive cuidando de porcoS, como escravo de um estranho. Suas palavras revelam sua tragédia: “Eu aqui morro de fome”.

O vazio interior e a fome de amor podem ser os primeiros sinais de nosso afastamento de Deus. Não é fácil o caminho da liberdade. O que nos falta? O que poderia encher o nosso coração? Temos quase tudo, então por que sentimos tanta fome?

O jovem “entrou em si mesmo” e, aprofundando-se em seu próprio vazio, recordou o rosto de seu pai, associado à abundância de pão: na casa de meu pai eles “têm pão” e aqui “eu morro de fome”. Em seu interior desperta o desejo de uma liberdade nova junto a seu pai. Ele reconhece seu erro e toma uma decisão: “Pôr-me-ei a caminho e irei procurar meu pai”.

Pôr-nos-emos a caminho para Deus, nosso Pai? Muitos o fariam se conhecessem este Deus que, segundo a parábola de Jesus, “sai correndo ao encontro do filho, lança-se ao seu pescoço e põe-se a beijá-lo efusívamente”. Estes abraços e beijos falam de seu amor melhor que todos os livros de teologia. Junto a ele sempre poderemos encontrar uma liberdade mais digna e feliz.

 

Opção preferencial pelos pecadores?

Pe. Johan Konings

Certo dia, eu tive de interromper uma palestra para um grupo de padres, porque não aceitavam que os pecadores convertidos serão tão bem-vindos no céu quanto os que se comportaram bem. Será que Deus é generoso demais para com os malandros que se convertem? São Paulo diz com clareza: “Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro” (2ª leitura). Já a 1ª leitura nos ensina que Deus é capaz de mudar de ideia: reconcilia consigo o pecador penitente. O evangelho (texto longo) nos mostra Deus como um pastor procurando a ovelha perdida do rebanho, como um pai que espera a volta de seu filho vagabundo.

Nós achamos estranho um Deus que dá mais atenção a uma ovelha desgarrada do que a noventa e nove que permanecem no rebanho. Não será melhor que uma se perca do que o rebanho todo? Pois bem, foi exatamente isso que disse o sumo sacerdote Caifás para justificar a morte de Jesus. “É melhor que um morra pelo povo todo” (Jô 11, 49-51)! Mas esse um, não era pecador.

Deus, em relação ao pecador, não segue o raciocínio de Caifás. É mais parecido com um motorista, que não se preocupa com aquilo que funciona bem, mas fica atento àquilo que parece estar com defeito. Os pensamentos de Deus não ficam parados nos bons; ele está mais preocupado com os extraviados. Faz “opção preferencial” pelos que mais necessitam, os que estão em perigo e, sobretudo, os que já caíram – pois para Deus nenhum mortal está perdido definitivamente. Quem caiu tem de ser recuperado. Esta é a preocupação de Deus. Com os bons, os seus semelhantes se preocupam; para Deus, todos importam. Por isso, ele se preocupa com quem é abandonado por todos. Ele não descansa enquanto uma ovelha está fora do rebanho. Ele não quer a morte do pecador, mas sua volta e sua vida (Ez 33,11).

E nós? Nós devemos assumir os interesses de Deus. A Igreja deve voltar-se com preferência para os pecadores, orientá-los com todos os recursos do carinho pastoral e mostrar-lhes o incomparável coração de pai de Deus. Quem se considera justo, como o irmão do filho pródigo, não deve queixar deste modo de agir de Deus. Pois ser justo é estar em harmonia com Deus, receber dele o bem e a felicidade, estar realizado. Por que então lamentar sua generosidade para com o pecador convertido? O “justo” alegre-se com o pecador, aquele que realmente necessitava atenção, o morto que voltou à vida!

Mas, talvez, muitos se comportem como justos, não por amor e alegria em união de coração com Deus, mas por medo… e então, frustrados porque Deus é bom, resmungam, como Jonas quando a cidade de Nínive, se converteu.

Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

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