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Cúria Diocesana

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25º Domingo do Tempo Comum

"Nenhum empregado pode servir a dois senhores, porque, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Do evangelho segundo São Lucas). "Nenhum empregado pode servir a dois senhores, porque, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". (Do evangelho segundo São Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/09/liturgia_2509.jpg

Quando os bens se tornam maus

Frei Gustavo Medella

Algumas semanas atrás causou escândalo a gravação de um áudio de um procurador do Ministério Público de Minas Gerais no qual ele se queixa de “quase estar virando um pedinte”, por conta do “miserê” que recebe mensalmente, um salário de R$ 24 mil. Não duvido da sinceridade dele. O coração humano, de fato, quando se apega ao dinheiro e às facilidades que ele oferece, dificilmente consegue enxergar outras possibilidades de caminho. Ter menos ou não tê-lo passa a ser a maior desgraça a que alguém poderia estar submetido. Torna-se um coração triste, vazio, angustiado, incapaz de perceber outras riquezas que vão além do acúmulo, do prazer, do bem-estar e do consumo. O coração ávido por riqueza sangra e dói muito, buscando anestesiar-se na falsa segurança de quem julga estar garantido por ter demais. No entanto, ao modo de uma droga anestésica, o efeito da riqueza passa rápido e, para mascarar a dor de uma alma ferida, precisa-se de cada vez mais desta substância entorpecente até o dia em que seu efeito se esgota definitivamente.

A sabedoria de Jesus, no Evangelho deste 25º Domingo do Tempo Comum (Lc 16,1-13), convida a humanidade a olhar além e perceber que, quando os bens não estão a serviço do atendimento das necessidades de todos, eles se tornam maus. Deus não chama seus filhos e filhas à vida para serem acumuladores, muito menos para viverem na carência, na indigência e na indignidade. Chama a todos para serem irmãos e irmãs, vivendo e convivendo com harmonia, sem desrespeito e desumanidade. Perceber esta verdade poupa a pessoa de muito sofrimento e frustração e também a previne de provocar, com sua ganância desenfreada, a dor, a frustração e a injustiça que decorrem de uma acumulação exagerada de bens. Buscar o equilíbrio e a harmonia neste quesito talvez seja o maior desafio à humanidade desde sempre.

 

25º Domingo do Tempo comum, ano C

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Ó Pai, que reunistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna”.

  1. Primeira leitura: Am 8,4-7

Contra aqueles que dominam os pobres com dinheiro.

Na primeira leitura ouvimos a pesada denúncia do profeta Amós contra os comerciantes que acumulam riquezas à custa dos humildes e pobres camponeses – “os pobres da terra” (v. 4.6). A economia era baseada na agricultura, mas dominado por um sistema econômico injusto, que tornava os ricos sempre mais ricos e os pobres, mais pobres. O tributo cobrado dos camponeses sustentava o rei e sua corte, a administração e o exército. E o rei exigia sempre o melhor da produção agrícola e as sobras ficavam com o camponês. As duas primeiras visões ligadas à vocação do profeta (Am 7,1-8) lembram a vida insegura dos camponeses explorados. Na primeira visão, o profeta vê que o feno que brotava após a colheita destinada aos cavalos do exército real estava sendo devorado por um bando de gafanhotos. Na segunda visão vê uma terrível seca que devorava as plantações e secava as fontes, e suplica: “Senhor Deus, perdoa, eu te peço! Como poderá Jacó resistir? Ele é tão pequeno”! Amós coloca-se ao lado dos “pequenos” e pobres camponeses, duplamente explorados. Os comerciantes não respeitam a festa mensal da lua nova, nem o sábado dedicado ao descanso e ao culto ao Senhor. Nesses dias tramam como enganar o camponês quando compram seus produtos e o pobre, quando lhe vendem. Tratam o camponês como “commodity”, o pobre como mercadoria. Quando compram do camponês diminuem o peso, quando vendem, diminuem a medida. Substituem o culto a Deus pelo culto às riquezas injustamente acumuladas. Por isso, diz o profeta: “O Senhor jurou: ‘nunca mais esquecerei o que eles fizeram”. Javé é o mesmo Deus que libertou Israel da escravidão do Egito e não tolera a opressão dos pobres. O verdadeiro culto ao Senhor não combina com a exploração dos pobres.

Salmo responsorial: Sl 112

Louvai o Senhor que eleva os pobres.

  1. Segunda leitura: 1Tm 2,1-8

Recomendo que se façam orações por todos os homens,

Deus quer que todos sejam salvos.

No trecho da Carta a Timóteo Paulo recomenda que se façam orações não só pelos irmãos de fé, mas por todas as pessoas, especialmente pelas autoridades (cf. Rm 13,1-7; Tt 3,1). Paulo era cidadão romano e apelou a César quando foi preso em Jerusalém e ameaçado de morte pelos adversários judeus. Paulo tem consciência da importância de orar pelos governantes e justifica com três argumentos: a) “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, como toda a piedade e dignidade”; b) porque Deus quer salvar a todos; c) porque “há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. E por fim dá uma boa recomendação para nossos dias: erguer as mãos santas em oração quando rezamos pelos governantes, em vez de discutir raivosamente os conflitos políticos de nossos dias. Portanto, rezemos também pelos nossos governantes, “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade”.

Aclamação ao Evangelho

            Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor;

                Para que sua pobreza nos, assim enriquecesse.

  1. Evangelho: Lc 16,1-13

Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

Domingo passado (24º domingo) ouvimos as chamadas “parábolas da misericórdia”: da ovelha perdida, da moeda de prata perdida e do “filho pródigo”, chamada também parábola do Pai misericordioso. No Evangelho de hoje, dirigindo-se aos discípulos, Jesus conta a parábola do administrador infiel e dá uma aplicação prática sobre o bom uso dos bens “deste mundo”. Um homem rico, diz Jesus, tinha um administrador (ecônomo) que foi acusado de esbanjar bem de seu patrão. Ouvindo isso, o homem rico chamou o administrador para que lhe prestasse contas da má administração. Sabendo que seria demitido, o administrador prepara seu futuro, trapaceando mais uma vez. Abateu a dívida de um devedor em cinquenta por cento e de outro, em vinte por cento. O patrão, quando soube disso, “elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza”. Esta última frase pode deixar o ouvinte confuso: Estaria Jesus elogiando a safadeza nos negócios? Ou justificando o provérbio “quem rouba ladrão tem cem anos de perdão”?

Em primeiro lugar, quem elogia não é Jesus, e sim, o patrão. Em questão não está a safadeza, e sim, a esperteza, ou prudência, no uso dos bens. Imprudente e louco foi aquele homem que fez uma enorme colheita, acumulou tudo em grandes armazéns, pensando que gozaria deles pelo resto da vida; mas naquela mesma noite morreu (cf. Lc 12,13-21: 18º Domingo). Em segundo lugar, o próprio Jesus dá a explicação do caso contado: “Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. Na lógica dos “filhos deste mundo” está o lucro, o acúmulo de bens injustos à custa dos pobres (1ª leitura); o negócio dos filhos deste mundo é o dinheiro. Na lógica dos “filhos da luz”, dos discípulos que abraçam reino de Deus, está no uso justo das riquezas, na partilha dos bens com os pobres. Enquanto os filhos deste mundo projetam sua felicidade no acúmulo dos bens, aos “filhos da luz” (discípulos) Jesus aponta o caminho do bom uso do dinheiro: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos”. Espanta-nos que Jesus aconselhe a fazer amigos com o “dinheiro injusto”. Dinheiro injusto é o dinheiro das grandes fortunas, muitas vezes acumuladas com desonestidade; é o dinheiro que escraviza e divide a sociedade (cf. Zaqueu: Lc 19,1-10). O rico que se torna cristão é convidado a fazer amigos, partilhando seus bens com os mais pobres. Entrar no reino de Deus anunciado por Jesus exige uma opção, que leva a um novo patamar de ‘relacionamento com os bens deste mundo e, consequentemente, com as pessoas: “Ninguém pode servir a dois senhores (…). “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. De fato, quando o jovem rico desiste de seguir a Jesus, ele comenta com os discípulos: “Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus” (Lc 18,24). Ser cristão é colocar Deus como centro e meta da própria vida.

 

Relacionamento com os bens

Frei Clarêncio Neotti

Nas traduções, essa passagem quase sempre vem intitulada como ‘0 Administrador infiel’, o que ajuda a pensar que Jesus tenha elogiado a infidelidade. Se puséssemos como título ‘0 Administrador esperto’, compreenderíamos melhor e
mais depressa o ensinamento da parábola. O vocábulo original grego, que é traduzido por ‘astuto’, ‘esperto’, tem uma abrangência maior e significa aquele que tem a lucidez de perceber a gravidade de uma situação, a rapidez em encontrar uma boa solução e a coragem de tomar decisões certas. Ora, eram exatamente essas qualidades que Jesus pedia aos discípulos em todas as situações, mas, no Evangelho de hoje, sobretudo diante do forte apego aos bens materiais e da necessidade de tudo deixar para segui-Lo (Lc 18,28) ao Calvário e à Ressurreição.

‘Materialismo’ é o apego exagerado às coisas materiais, ao dinheiro e ao prazer do luxo. São Paulo definiu a filosofia de vida dos materialistas neste sentido: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos” (1Cor 15,32). Esse materialismo foi condenado muitas vezes no Antigo Testamento. E também por Jesus. São Paulo adverte contra quem torna seu ventre o próprio Deus (Fl 3,19). Mas também não podemos odiar e destruir os bens, porque seria odiar as criaturas de Deus. Quem despreza os bens que Deus criou despreza o próprio Deus. A lição de Jesus está no nosso relacionamento com os bens.

 

Como anda a administração de nosso viver?

Uma breve história de corrupção

Aquele que leva Jesus a sério sabe que não pode organizar sua vida a partir do projeto egoísta de possuir sempre mais. Quem vive dominado pelo interesse econômico, embora leve uma vida piedosa e reta, carece de algo essencial para ser cristão: romper a escravidão do possuir que lhe tira a liberdade, para ouvir melhor as necessidades dos pobres e responder a elas.
José Antonio Pagola

Esta historieta é conhecida como a parábola do administrador infiel. Sua interpretação não é das mais cômodas. Tem-se a impressão, à primeira vista, que Jesus estaria apoiando uma atitude de corrupção. Elogia a esperteza do administrador que, por meios escusos, conseguiu dinheiro para pagar uma dívida. Tudo ilícito. A imaginação criativa do subalterno chama a atenção. Nas coisas da terra costumamos ser espertos. Calculamos os riscos. Tomamos as providências para que haja lucro e o sucesso. “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios dos filhos da luz”. Como administramos os bens que duram para sempre? Que investimentos precisamos fazer? Que “esperteza” hão de ter os filhos da luz?

Esperteza, sabedoria, discernimento. Como estamos administrando o tempo de nossa vida? Entre o nascer e o morrer acontece aquilo que chamamos de vida. Corpo, espírito, mente. Viver direito. Ter uma casa, cobertores, pão à mesa, gerânios nas janelas. Um vida digna, sem requintes dispensáveis. Amores e não dissabores. Deixar pai e mãe e empreender a aventura da conjugalidade. Amor conjugal belo e prazenteiro quando bem vivido. Uma família. Filhos, responsabilidade, sustentação, alegria de encontros, festas em casa. Tudo dom. Nada apenas em função de lucros. Uma profissão, um trabalho que fosse, se possível, gratificante. Que realizasse o homem faber que existe em nos e catador de estrelas que se agita em nós. Um vida ativa sem perder o espírito de oração ao qual tudo deve servir. Acolher com coragem o contraditório. Sei lá. Administrar tudo com sabedoria, espertamente, com discernimento.

Somos cristãos. Não somos apenas membros de uma religião. Andamos tendo nossos encontros pessoais com Jesus. Parece que a vida que vivemos pode se iluminada com um absorção do espírito de Jesus. Seremos espertos na arte de viver cristãmente:

♦ Não seremos pessoas superficiais, que se contentam com o brilho externo das coisas. Andaremos fazendo sempre uma viagem ao nosso interior para ouvir a verdade nos mesmos. Faremos momentos de silêncio e de balanço de nossa vida para não estragarmos a aventura de viver.

♦ Se queremos iluminar nossa vida Cristo e seu Evangelho precisaremos apreender o sumo da mensagem: temos um Pai no céu que nos ama e amor se paga com amor. A política da esperteza pede que sejamos fieis em momentos de intimidade orante, que defendamos os interesses do Senhor.

♦ Deixar-nos-emos “ensopar” do espírito do Sermão da Montanha: sal da terra, luz do mundo, fermento na massa, construção da casa sobre a rocha, entrar no quarto para um oração sem atabaques e gritos.

♦ Antes da política do olho por olho dente por dente faremos uma “pausa para a reflexão”. A esperteza nos cochicha perdão e paciência.

♦ Haveremos de nos convencer que não somos uma ilha, mas convivemos com muitas pessoas, de perto e de longe. Somos uma teia de relacionamentos. Por isso é sinal de sabedoria olhar, escutar os outros: a mãe idosa com seus temores e carência, um irmão de sangue ou da vida de todos os dias que precisa do calor de nossa presença e de nossa efetiva ajuda, uma movimentação em beneficio dos que são subjugados.

A parábola do administrador esperto tem como pano de fundo um grande gosto pelo dinheiro.

“As pessoas preferem fazer dinheiro e ter cada vez mais coisas em vez de viver e ser felizes. Não querem ver que, precisamente, viver como escravos de tantas coisas é o que as impede de saborear a vida. Enquanto se afadigam refletindo sobre que último modelo irão adquirir, com que artigo sofisticado irão nos surpreende, nem eles mesmos se dão conta de como vão se incapacitando para desfrutar tudo o que bom e grande e belo uma vida simples e modesta encerra” (Pagola, Lucas, p. 269).

A felicidade não está no acúmulo de bens, mas numa atitude interior de admiração pelo que nos cerca e nos foi dado de presente e de podermos escutarmos bem de pertinho as batidas dos corações daqueles que estão fazendo conosco a mesma e fascinante aventura de viver.


Anexo

A pobreza franciscana

A pobreza franciscana não é uma maneira de contestar o sistema da sociedade, nem estratégia apostólica, nem ato de ascese. Ela é, antes de tudo, uma maneira de seguir as pegadas de Cristo, É o caminho do Filho que nos revela a grandeza da altíssima pobreza(…). Francisco nunca mais poderá dissociar o rosto de Cristo do semblante dos pobres” (Michel Hubaut).


Oração

Meu Pai, entrego-me a ti, faça comigo o que quiseres.
O que quer que faça comigo, eu te agradeço.
Estou disposto a tudo, aceito tudo para que a tua vontade se faça em mim e em todas as criaturas
Não tenho nenhum outro desejo, meu Deus.
Coloco a minha alma em tuas mãos. Entrego-te a minha alma, meu Deus, com todo o amor do meu coração porque eu te amo, e por amor, desejo entregar-me a ti, colocar-me em tuas mãos sem limites, com infinita confiança, pois és meu Pai,

(Charles de Foucauld)

 

Deus ou o dinheiro

José Antonio Pagola

A frase é conhecida. Nenhum exegeta duvida de sua autenticidade. Pelo contrário, é a sentença que melhor reflete a atitude de Jesus diante do dinheiro. Por outro lado, a contundência com que Jesus se expressa exclui toda tentativa de suavizar seu sentido. “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”.

Hoje fala-se muito da crise religiosa provocada pelo racionalismo contemporâneo, mas esquece-se esse “afastamento” de Deus que tem sua origem não no agnosticismo, mas no poder sedutor do dinheiro. No entanto, de acordo com Jesus, quem se amarra no dinheiro termina afastando-se de Deus.

Sempre se realçou que, curiosamente, o Evangelho não denuncia tanto a origem imoral das riquezas conseguidas de maneira injusta quanto o poder que o dinheiro tem de desumanizar a pessoa, separando-a do Deus vivo.

As palavras de Jesus procuram causar impacto no ouvinte opondo frontalmente o senhorio de Deus e o do dinheiro. É impossível ser fiel a Deus e viver escravo do dinheiro. A riqueza tem um poder subjugador irresistível. Quando o indivíduo entra na dinâmica de ganhar sempre mais e de viver sempre melhor, o dinheiro termina substituindo a Deus e exigindo submissão absoluta. Nessa vida já não reina o Deus que pede solidariedade, mas o dinheiro que só busca o próprio interesse.

Os exegetas têm analisado com rigor o texto evangélico. O “dinheiro” é designado com o termo mammona, que só aparece quatro vezes nos evangelhos, e sempre na boca de Jesus. É um termo que provém da raiz aramaica aman (confiar, apoiar-se) e significa qualquer riqueza na qual o indivíduo apoia sua existência. O pensamento de Jesus aparece assim com mais clareza: quando uma pessoa faz do dinheiro seu único ponto de apoio e sua única meta, a obediência ao Deus verdadeiro desaparece.

A razão é simples. O coração do indivíduo que caiu na armadilha do dinheiro se endurece. Ele tende a buscar apenas seu próprio interesse, não pensa no sofrimento e na necessidade dos outros. Em sua vida não há lugar para a solidariedade. Por isso não há lugar para um Deus Pai de todos.

A mensagem evangélica não perdeu sua atualidade. Também hoje é um erro fazer do dinheiro o “absoluto” da existência. Que humanidade pode encontrar-se em quem continua açambarcando sempre mais, esquecendo absolutamente os que passam necessidade?

 

A riqueza bem utilizada

Pe. Johan Konings

A presente liturgia, pela segunda semana seguida, está usando os textos de Amós como “aperitivo” para se ouvir, depois, as palavras de Jesus. A 1ª leitura é uma crítica inflamada de Amós contra os que “compram os pobres por dinheiro”. Mas, no evangelho, Jesus conta uma parábola que parece louvar o suborno que um administrador de fazenda comete para “comprar” amigos para o dia em que ele for despachado do seu serviço. Como foi que Jesus escolheu este exemplo para explicar que ninguém pode servir a dois senhores (Deus e o dinheiro)? Entendamos bem.

Quando Jesus propõe uma parábola, devemos olhar bem em que consiste a comparação. Jesus não está igualando o suborno do homem ao bom comportamento moral. Não quer justificar a safadeza desse filho das trevas, mas apenas mostrar sua “previdência”: largou o peixe pequeno para apanhar o grosso. Diminuiu o débito dos devedores – perdendo inclusive sua comissão sobre uma parte das dívidas a cobrar – para lograr a amizade dessas pessoas, que ia ser mais útil que a comissão ganha sobre a cobrança da dívida… Então a lição é a seguinte: dar preferência àquilo que agrada a Deus e ao seu projeto, acima do lucro financeiro. E o projeto de Deus é: justiça e amor para com os seus filhos, em primeiro lugar os pobres.

A riqueza de nossa sociedade deve ser usada para estarmos bem com os pobres. A riqueza é passagem. Se vivermos em função dela, estaremos algum dia com a calça na mão. Mas se a tivermos investido num projeto de justiça e fraternidade para com os mais pobres, teremos ganho a amizade deles e de Deus, para sempre.

Jesus não nos propõe como exemplo a administração fraudulenta do administrador, mas a previdência dele. Observe-se que Jesus declara o dinheiro injusto – todo e qualquer dinheiro. Pois, de fato, o dinheiro é o suor do operário acumulado nas mãos daqueles que se enriquecem com o trabalho dele. Todo o dinheiro tem cheiro de exploração, de capital não investido em bens para os que trabalham. Mas já que a sociedade por enquanto funciona com este recurso injusto, pelo menos usemo-lo para a única coisa que supera a caducidade de todo esse sistema: o amor e fraternidade para com os outros filhos de Deus, especialmente os mais deserdados e explorados. Assim corresponderemos à nossa vocação de filhos de Deus. Não serviremos ao dinheiro, mas usaremos para servir ao único Senhor.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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