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O resgate da imagem de Nossa Senhora de Nazaré na praia do Picanço

Pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada na desabitada praia do Picanço. Pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré foi encontrada na desabitada praia do Picanço. Fonte da imagem: Divulgação/ Internet

No dia 26 de setembro de 2019, eu, Dom Jesus Maria Cizaurre, o Pe. José de Arimatéia e o repórter da Radio Educadora, Fabrício Thuam de Azevedo Bragança fomos até a capela da Comunidade eclesial do Castelo, pertencente à Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro de Bragança, para entrevistar algumas pessoas que tinham participado nos dias 21 e 22 de setembro do resgate da pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré, na praia conhecida como Picanço. Entrevistamos o Sr. Nelson Martins Silva, coordenador da comunidade de Picanço, o Sr. Aluízio, de apelido: “Bonito” e ouvimos, também, algumas outras pessoas presentes na capela da comunidade.

Chamou a nossa atenção que essa ida não foi programada, nem os moradores do lugar foram avisados, mesmo assim, encontramos na capela da comunidade um pequeno grupo rezando o terço na hora da chegada, aproximadamente ás 11,15 da manhã. Voltamos, pela parte da tarde, também sem avisar para entrevistar a jovem Priscila, de 16 anos de idade, residente na vila onde se encontra a comunidade eclesial de Acarpará, distante alguns quilômetros da Comunidade do Castelo.

Os sonhos:  Segundo o Sr. Aluízio, ele teve aos menos quatro sonhos em diversas noites ao longo de um período de um ano e meio em que uma mulher se aproximava dele e chorando lhe pedia que resgatasse uma imagem de um poço. Ele conta que quando ia pegar a imagem o sonho acabava. Ele identificou esta mulher com nossa senhora a Virgem Maria. Durante algum tempo nada contou a outras pessoas sobre esses sonhos.

No mês de julho do ano em curso, a jovem Priscila começou a ter mais ou menos os mesmos sonhos. Segundo Priscila a mulher era nossa Senhora de Fátima, pois se mostrava vestida do mesmo jeito que as imagens da Virgem de Fátima. Os sonhos de Priscila foram mais frequentes que os do Sr. Aluízio. Ela não disse o número exato de sonhos, mas falou em que aconteceram durante bastantes noites. Nos sonhos, a Virgem também chorava muito e pedia resgatar a imagem do poço. Inclusive mostrava o poço e o ambiente ao redor. Esses elementos serviram posteriormente para identificar o local aproximado do poço.

Priscila contou a algumas pessoas seus sonhos e as pessoas não reagiram bem, chegando a ser tachada de doida. Segundo ela, esta rejeição de algumas pessoas lhe causou muito sofrimento. Foi, então, quando a sua mãe a orientou a procurar a ajuda de alguma pessoa para saber o que fazer com as mensagens dos sonhos. Em concreto lhe indicou que procurasse o seu padrinho de batismo Sr. Nelson Martins Silva, coordenador da comunidade eclesial do Castelo e morador daquela vila.

O Sr. Nelson, que já ouvira do Sr. Aluízio a narrativa dos quatro sonhos, ao ouvir a narração de sua afilhada Priscila viu a conexão dos dois sonhos e entendeu que se tratava de Nossa Senhora a Virgem Maria pedindo o resgate daquela imagem. Pelos detalhes dados por Priscila nos seus sonhos, conseguiram identificar o local onde estava situado o poço que nos sonhos aparecia. Tratava-se da praia de Picanço.

Esta praia já foi local de uma pequena vila de pescadores que devido à erosão do mar tiveram que sair do local e procurar um outro em melhores condições que não estivesse sujeito a ser invadido pelas águas do mar. Alguns dos moradores da praia de Picanço se assentaram no local onde hoje se encontra a vila do Castelo. A praia do Picanço foi totalmente abandonada. Nesta praia as pessoas costumavam abrir poços de pequena profundidade para tirar água para lavar a roupa e fazer a limpeza das casas de madeira, não para o consumo das pessoas, pois não é água potável. Por isso em dita praia existem diversos poços cavados, alguns deles já cobertos pela areia, outros, ainda visíveis.

Primeira viagem: Após conseguir identificar a praia, o Sr. Nelson reuniu um grupo de pessoas às quais explicou o propósito da viagem que pretendia fazer e as convidou para ir até o local e tentar resgatar a imagem. O grupo formado por unas quinze pessoas, entre as quais se encontrava o Sr. Aluízio e a jovem Priscila, carregando pás e enxadas, saiu da Vila do Castelo no dia 11 de setembro de 2019. A viagem até o picanço, numa embarcação aberta e motorizada, demorou uma hora e meia, encima da maré. Na chegada à praia, dedicaram algum tempo para rezar o terço. Segundo o Sr. Nelson já na chegada sentiram um ambiente estranho no local, como se o lugar estivesse tomado pela presença do mal; não viram camaleões muito frequentes no local nem barulho de pássaros; isso chamou a atenção deles. Após a oração começaram a limpar alguns poços antigos que encontraram. Cavaram três poços, mas nada conseguiram achar. Como já era quase de noite quando terminaram com o terceiro poço e como a maré ainda iria demorar em encher, decidiram ficar nessa noite dormindo na praia. No dia seguinte voltaram para a Vila do Castelo.

Após esta fracassada busca, as pessoas do grupo entenderam que era necessário fazer mais oração e decidiram realizar durante nove dias seguidos orações, principalmente o terço, a Nossa Senhora em diversos horários do dia: cinco horas da manhã, a meia manhã, no meio dia, de tarde e de noite. Algo parecido com o cerco de Jerico do qual as pessoas da comunidade já tinham ouvido falar pela TV Canção Nova.

Segunda Viagem:  Depois dos nove dias de oração, no dia 21 de setembro decidiram voltar à praia do Picanço. Nesta ocasião utilizaram um barco maior, levando também duas montarias para o desembarque na praia. O grupo aumentou e estava formado em não menos de vinte pessoas. Não levaram enxadas, más só pás. Carregaram uma cruz processional de madeira, a imagem de Nossa Senhora de Fátima de aproximadamente 40 centímetros e uma pequena banca para fazer de altar onde colocar a imagem de Fátima. Nos sonhos Priscila tinha recebido o pedido de levar água benta, pétalas de flores e um terço de mil ave marias.

Na chegada a embarcação não pode se aproximar da praia devido ao pouco calado e o desembarque teve de ser feito nas manterias em duas viagens. Quando chegaram ao local onde anteriormente estiveram, segundo o depoimento do Sr. Nelson, sentiram a presença do mal, de forma que o primeiro que fizeram foi montar o altar e depositar sobre ele a imagem de Nossa Senhora de Fátima e começaram a rezar.

Depois de algum tempo orando, a jovem Priscila informou ao grupo que tinha recebido de Nossa Senhora a mensagem para, atravessando o mangal, ir a uma outra ilha vizinha onde encontraram um poço de contornos não muito bem definidos. Priscila, segundo orientação da Virgem, pediu para ir sozinha até o poço orientando-os que quando ela gritasse eles deveriam correr até o poço. E assim fizeram. Priscila relatou que se aproximou do povo e viu dentro dele o resplendor; o poço estava com água e a imagem não aparecia. Ela, teria sido orientada para lançar sobre a água o terço das mil ave marias em forma de laço e na primeira tentativa conseguiu laçar a imagem e arrasta-la para o seu lado. A segurou pela cabeça, mas não conseguia retirá-la do poço. Foi nessa hora que ela gritou e os outros membros do grupo se aproximaram e, entre Priscila, Aluízio e uma outra senhora da comunidade conseguiram retirar a imagem do poço. Os três coincidem em informar que tiveram que fazer grandes esforços para retirar a imagem do poço, pois, segundo eles, parecia que uma grande força a retinha dentro do poço. Uma vez resgatada a imagem, Priscila a abraçou por alguns instantes de forma emocionada. A Imagem é de Nossa Senhora de Nazaré. Trata-se de uma imagem de aproximadamente 25 centímetros de alta, bastante bem conservada nas suas cores, no modelo em que a imagem e o manto formam uma só peça. O grupo não quis lavar a imagem e continua com as manchas de barro.

Logo após o resgate, o grupo saiu rapidamente do local, pois Priscila tinha recebido a orientação de que tinham vinte minutos para abandonar o local. Desta maneira chegaram ao local do desembarque na espera a maré para poder embarcar. Também aqui não poderiam ficar muito tempo teriam até as 22 horas para sair. A maré chegou bastante tarde e o primeiro grupo com Priscila levando a imagem só pode embarcar às 22 horas. No local permaneceu um outro grupo que só consegui embarcar aproximadamente à meia noite. Nessa mesma hora ligaram o motor e abandonaram o local dirigindo-se à praia do Canela, onde dormiram e desde onde, pela parte da manhã, retornaram para a Vila do Castelo.

Desde a chegada da imagem, o povo da comunidade do Castelo tem intensificado as suas orações a Nossa Senhora a Virgem Maria, de forma que é visível a transformação do povo e o aumento da devoção. Chama a atenção que, segundo Priscila, a mensagem central da senhora dos sonhos foi pedir orações. A “senhora” pediu que Priscila rezasse muito, mas só pediu a ela: não pediu que o povo rezasse.

Parecer: Nos relatos não descobrimos inconsistências; eles têm uma certa lógica. Entretanto, fica difícil afirmar ou negar, neste caso, a existência de revelação por parte de Nossa Senhora. Não há duvida que as pessoas que participaram do resgate da imagem acreditam firmemente na intervenção da Virgem, mas trata-se de revelações particulares através de sonhos. Estas revelações se confirmam pelo resgate da imagem. Por outro lado, pensamos que não existiu a possibilidade de fraude, até porque as duas pessoas receptoras dos sonhos não sabiam dos sonhos do outro e o local do resgate é distante e deserto.

Assim pois, se a manifestação de Nossa Senhora existiu, trata-se de revelações particulares. Estas revelações são difíceis de comprovar, mas podem existir. Hoje é comum entre nós acreditar nas revelações particulares de Nossa Senhora em Lourdes ou Fátima. De todas as formas é preciso entender que os cristãos estamos obrigados a acreditar na revelação pública de Jesus, tal como está nos evangelhos e na Sagradas Escritura. Mas não temos obrigação de crer em revelações particulares. Cabe a cada qual acreditar ou não. Neste caso eu não tenho opinião formada.

Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces, OAR

Bispo diocesano de Bragança do Pará

Por Diocese de Bragança

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