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Solenidade de Todos os Santos

"Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu". (Evangelho segundo São Mateus). "Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu". (Evangelho segundo São Mateus). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/10/liturgia_0311_nova.jpg

A arte de lavar roupa na lama

Frei Gustavo Medella

“Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,9.14b).

Roupas brancas alvejadas no sangue. É claro que se trata de uma linguagem simbólica da qual lança mão o Evangelista João no Livro do Apocalipse. Pensando-se literalmente, pareceria bastante estranho alguém conseguir alvejar uma roupa branca em sangue. No mínimo, a peça ficaria tingida da rubra cor. No entanto, ao examinarmos a cena sob o ocular do paradoxo da Encarnação de Deus em Jesus Cristo e de todo percurso empreendido pelo Filho do Homem – Paixão, Morte e Ressurreição – podemos intuir que, na lógica cristã, ser santo significa estar disposto a tornar-se puro lidando com impurezas – as próprias e as dos outros – e, não obstante os riscos que elas trazem consigo, manter-se firme na fé. O Mestre percorreu este caminho e ressurgiu glorioso, com as vestes alvejadas no sangue da cruz. Ele nos chama a seguir pelo mesmo caminho. A grande força para este empenho é a certeza do crente de que Deus jamais o abandona.

Esta foi a conduta de Cristo e é o caminho que Ele propõe aos cristãos. A busca da santidade se dá no concreto da existência, entre conquistas e fracassos, entre limites e superação, entre graça e perdição. Construir uma vida santa é sentir-se parte de uma Igreja que não tem medo de se sujar quando parte em resgate daqueles que estão atolados na lama do vício, do pecado, da injustiça e do sofrimento. Quanto mais o cristão descobre a graça que é entregar-se por amor àqueles que jazem à beira do caminho, mais entusiasmo ele descobre em sua vocação de batizado, mais radiante é o seu testemunho e, para usar a imagem do Apocalipse, mais suas vestes são alvejadas no sangue do Cordeiro que continua a ser derramado naqueles que doam sua vida em favor do Reino.

 

Todos os Santos

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos dais celebrar numa só festa os méritos de todos os Santos, concedei-nos por intercessores tão numerosos a plenitude da vossa misericórdia”.

  1. Primeira leitura: Ap 7,2-4.9-14

Vi uma multidão imensa de gente

de todas as nações, tribos, povos e línguas.

Quando o autor do Apocalipse escreve, os cristãos sofriam grandes perseguições por parte do Império Romano. O embate não se dá entre romanos e cristãos, mas entre o Império e o imperador simbolizados no dragão voraz, e o Cordeiro Imolado, que é Cristo Jesus. O vidente recebe a ordem de Cristo para escrever em seu livro tanto “as coisas presentes como as que acontecerão depois”. No presente, um anjo, com “a marca do Deus vivo”, pede que os anjos exterminadores esperem até que ele tenha assinalado os que serão salvos, antes da batalha final do Cordeiro imolado contra o dragão voraz. O visionário, por sua vez, “vê” o triunfo final dos que estão vestidos de branco porque “lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro”. São 144 mil, 12 mil de cada tribo de Israel; são os mártires que deram testemunho da fé cristã pelo sacrifício da própria vida. Para o futuro, vê uma imensa multidão, representantes de nações, tribos, povos e línguas que participarão da vitória do Cordeiro ressuscitado.

Salmo responsorial: Sl 23

  É assim a geração dos que procuram o Senhor.

  1. Segunda leitura: 1Jo 3,1-3

Veremos Deus tal como é.

O autor desta Carta se encanta com o “presente de amor que o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus”, e o somos de fato. Viver consciente dessa fé nos enche de uma alegre esperança, porque “quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos tal como ele é”. O caminho para chegarmos a esta comunhão com Cristo, o Filho de Deus, foi seguido pelos Santos. É o caminho das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Evangelho). Para “ver a Deus” é preciso seguir o caminho de Jesus Cristo: aprender a vê-lo presente nos pobres, famintos, sedentos de justiça, presos injustamente, desabrigados que necessitam de nosso amor (cf. Mt 25,31-40).

Aclamação ao Evangelho

Vinde a mim todos vós que estais cansados,

e penais a carregar pesado fardo,

e descanso eu vos darei, diz o Senhor.

  1. Evangelho: Mt 5,1-12a

Alegrai-vos e exultai,

porque será grande a vossa recompensa nos céus.

Há dois domingos o Evangelho apontava para o jovem rico o caminho do seguimento de Jesus como o caminho seguro do Reino de Deus, para alcançar a vida eterna. Hoje, Festa de todos os Santos, o evangelista Mateus explicita nas bem-aventuranças o programa do Caminho a seguir nesta vida, para ganharmos a “grande recompensa nos céus (v. 10 e 12). Antes de tudo é preciso ter presente que “Reino dos Céus” em Mateus equivale a “Reino de Deus” em Marcos e em Lucas. Portanto, “Reino dos Céus” não se identifica com a recompensa final da vida eterna em Deus (cf. Mc 10,17-30). Antes, é o caminho que Jesus preparou para o cristão percorrer, aqui na terra, a fim de ganhar a vida eterna. Mateus escreve para cristãos de origem judaica. Por isso, em respeito à tradição judaica, evita pronunciar a palavra “Deus” e a substitui pela palavra “Céus”.

Entre os bem-aventurados Mateus cita três grupos (Raul Ruijs). O primeiro grupo é dos sofredores: os pobres, os aflitos, os mansos (humildes) e os que têm fome e sede de justiça (v. 3-6). O segundo grupo é dos que socorrem os necessitados do primeiro grupo: são os misericordiosos, os puros de coração e os que promovem a paz (v. 7-9). O terceiro grupo é composto pelos do primeiro e do segundo grupo, que vivem o projeto do Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. São perseguidos porque são solidários com os pobres, os aflitos, os humildes e injustiçados e os defendem. São caluniados e perseguidos pelo simples fato de serem cristãos.

Não podemos pensar que a formulação de algumas bem-aventuranças no futuro signifique algo que Deus vai realizar sem a nossa participação, somente na vida eterna. Deus enviou seu Filho ao mundo para nos trazer o Reino de Deus, o Reino que pedimos no Pai-Nosso. Jesus pôs em prática o programa deste Reino que veio anunciar. Quem quer seguir o caminho de Jesus deve assumir também o seu programa. Assim, os aflitos serão consolados quando nós os consolarmos. Os mansos possuirão a terra quando nós lutarmos com eles. Os que têm fome e sede de justiça serão saciados quando nós os defendermos. Os miseráveis e pobres alcançarão misericórdia quando nós tivermos compaixão deles. Os Santos que hoje festejamos seguiram o exemplo de Jesus e colocaram em prática as bem-aventuranças. Ele é o modelo para todos nós: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença. Vendo o povo, Jesus sentiu compaixão dele porque estava cansado e abatido como ovelhas sem pastor” (Mt 9,35-36). – O Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, depois de nos ter alimentado pela Palavra de Deus, vai agora nos alimentar pela Eucaristia. Assim alimentados, vamos também nós cuidar de nossos irmãos sofredores, mostrando a eles o amor misericordioso de nosso Bom Pastor. Aos que assim o fizerem, Jesus Cristo como justo juiz os acolherá na vida eterna: “Vinde, abençoados por meu Pai… porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive nu e me vestistes…” (Mt 25,34-35).

 

Vivemos em comunhão

Frei Clarêncio Neotti

Nossa alegria na festa de hoje tem ainda outra razão. A Igreja nos ensina que somos uma ‘comunhão’ com todos os cristãos da terra e com todos aqueles que morreram na amizade de Deus. Rezamos sempre no Credo: “Creio na comunhão dos santos”. Diz o Credo do Povo de Deus, elaborado pelo Papa Paulo VI, em 1968: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta de nossas orações” (n. 30).

Essa comunhão é dinâmica, porque os santos podem interceder por nós junto de Deus. Ensina o Catecismo: “Pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (n. 956).

 

O delicado tema da santidade

Frei Almir Guimarães

♦ Mais um vez estamos comemorando a Solenidade de Todos os Santos. Duas leituras sempre voltam na liturgia desse dia: a festa na glória segundo o Apocalipse e as bem-aventuranças do evangelista Mateus. Bem-aventurados, felizes estes e aqueles. Pode-se ligar o tema da santidade de vida com a felicidade das bem-aventuranças. Ficamos sempre chocados com essa felicidade na perseguição e nas lágrimas decantada por Jesus no monte das bem-aventuranças. Aparentemente uma felicidade pelo avesso.

♦ Santo, santidade: conceitos que precisam ser bem entendidos. Santo é o Altíssimo. Tudo nele é transparência e verdade. Dele tudo emana. Os serafins de Isaías diziam, com voos reverentes: santo, santo, santo. Diante dele tiramos as sandálias dos pés como Moisés no Horeb ou cobrimos o rosto como Elias à porta da caverna. E, no entanto, somos nós chamados a ser santos. Soa sempre aos nossos ouvidos o “Sede santos, como vosso Pai é santo”. Que desafio!

♦ Há os santos canonizados e representados em imagens que veneramos e não adoramos. Há também e sobretudo a multidão de santos anônimos que nunca serão elevados à dignidade dos altares mas estão no face a face com o Altíssimo. Não nos tornamos seres santos à força de jejuns e macerações, nem de repetições de fórmulas de oração. Quem nos santifica é o Senhor. Somos barro, massa nas mãos do oleiro. Na medida em que nos desvencilhamos de nós mesmos, em que abrimos espaço em nossa vida para que o Senhor atue é possível que ele opere maravilhas em nós pessoalmente e como membros de sua Igreja. O santo é obra de arte de Deus.

♦ Santo é aquele que consegue ouvir de maneira absoluta os desígnios do Altíssimo. É, antes de tudo, um atento ouvinte do Senhor e que passa a fazer dele o ar que respira e o objeto dos mais íntimos de seu coração. Amando o Amor e retribuindo amor com amor. Insistimos: na audição mais íntima do Amado, na convivência com o Evangelho vivo que tem o nome de Jesus. Ouvir e pôr amorosamente em prática o que nos é pedido. É ele que nos dá a força de amá-lo. Santo é aquele que precisa estar no eremitério, sabendo este pode estar no espaço onde moram os leprosos, como aconteceu com Francisco de Assis. O santo vive uma tensão entre o levantar os caídos e se fazer presente na entreaberta clausura de seu interior.

♦ Santo é aquele que opta pelo bem querer a todos. Os de perto e os de longe. São os que dizem de verdade: “A vosso serviço”. Deixando de privilegiar seus projetos e dedicando-se à urgente tarefa de levantar os caídos socorre aqueles que são irmãos: um filho especial, os caídos e excluídos, um pai doente, dando voz e vez aos que não têm nem voz, nem vez. Gasta e desgasta-se em fazer pão dos famintos e cobertor para os que tremem com inverno da solidão. Os santos são pessoas boas. Anjos caídos do céu.

♦ Se a santidade é operada por Deus ela se torna possível na medida em que lhe desobstruímos o caminho. Por isso, felizes, bem-aventurados:

>> Bem-aventurados os pobres. Não se trata de amar a miséria, de dar tudo e de viver ao-deus-dará. Trata-se de viver com digna sobriedade, sabem viver com pouco, não colocando o coração nos tesouros que a traça costuma corroer. Pessoas simples e sem aparatos e prosopeia. Pobres com a abundância das coisas necessárias. Os pobres em espírito sempre se espelham na pobreza de Jesus desde o nascimento até à morte no madeiro do abandono. Francisco de Assis chamava essa pobreza de Dama Pobreza. As outras bem-aventuranças de Mateus dependem da pobreza de coração.

>> Felizes os aflitos e sofridos de toda sorte que não se puseram a arrancar os cabelos, mas deram tempo ao tempo, sem revolta, mas sem entregar os pontos. Os aflitos que serão pessoas que esbravejam, que colocam seus argumentos com meridiana clareza, mas pedem justiça. Não são violentos, mas também não são apáticos e inertes. Essa gente possuirá a terra.

>> Felizes os famintos e sedentos de justiça, que não perderam o desejo de serem mais justos e de clamarem por justiça Famintos da verdade, da vida. Nunca satisfeitos com etapas vencidas. Indo sempre adiante. Felizes os sedentos de Deus. Infelizes os contentes e saciados com sucessos aparentes e passageiros e as primeira etapas vencidas. Felizes serão os seres de desejo. Um dia seus desejos serão plenamente saciados.

>> Felizes os misericordiosos… são os que têm o coração voltado para o que inspira piedade, o frágil, o que cai. O contrário do misericordioso é a pessoa intransigente. Atuam e agem por compaixão. Não têm um coração endurecido. São mesmo capazes de perdoar.

>> Felizes os que trabalham pela paz… ou seja os que constroem a paz que sempre é fruto da justiça. Paz aceitando as diferenças, paz num diálogo de gente madura. Paz entre os membros de um família, paz quando se busca diminuir as desigualdades. Paz que nos chega pelo perdão do Senhor. Paz que não pacifismo nem inércia.

>> Felizes os que choram… por serem fiéis ao Evangelho, por se arrependerem de ter magoado a estes e aqueles. Choram porque não conseguem vencer dificuldades. Benditas lágrimas!

>> Felizes os perseguidos … porque incomodam com seu modo de viver, parecido com o dos profetas e de Jesus. São os mártires, embora não lhes tenham sido arrancada a vida do corpo.

Concluindo

Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho de Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais expressivo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já na terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus (Pagola).

Todos os santos… os santos todos… Francisco de Assis, Teresa de Calcutá, Dietrich Bonhoefer da Alemanha, Gandhi da Índia e Dulce de Salvador, nossa vizinha essencialmente boa e transparente. Eles foram vitoriosos na delicada arte de viver. Santos.


Para rezar

E então, felicidade, onde tu estás?

Felicidade,
estás dentro de mim,
cabe deixar possuir-me por ti.

Tu estás nos bem pequeninos
que fazem um gesto de carinho,
na criança que dá seus primeiros passos.
Estás no estudante que aprendeu bem a lição
e ganhou uma boa nota.
Tu estás no “te amo muito” cochichado ao ouvido,
na música que me deleita,
na volta de alguém ternamente amado,
no vizinho que nos perdoou,
eu te vejo nos outros,
pressinto tua presença em todo esforço
bem sucedido em vista do amor
tudo estás dentro e fora de mim.
“Felicidade é uma casinha pequenina com gerânios
e flor na janela… e uma rede…”

 

É bom crer

José Antonio Pagola

Muitas vezes se pensa que a fé é algo que tem a ver com a salvação eterna do ser humano, mas não com a felicidade concreta de cada dia, que é o que precisamente agora nos interessa. Além disso, há os que suspeitam que sem Deus e sem religião seríamos mais felizes. Por isso é conveniente lembrar algumas convicções cristãs que caíram no esquecimento ou ficaram encobertas por uma apresentação errada ou insuficiente da fé. Eis a seguir algumas delas.

Deus nos criou só por amor, não para seu próprio proveito ou penando em seu interesse, mas buscando a nossa felicidade. A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem.

Deus quer a nossa felicidade não só a partir da morte, na assim chamada “vida eterna’, mas agora mesmo, nesta vida. Por isso está presente em nossa existência potenciando nosso bem, nunca nosso dano.

Deus respeita as leis da natureza e a liberdade do ser humano. Não força a liberdade humana nem a criação. Mas está junto de nós apoiando nossa luta por uma vida mais humana e atraindo nossa liberdade para o bem. Por isso, em cada momento contamos com a graça de Deus para sermos o mais felizes possível.

A moral não consiste em cumprir leis impostas arbitrariamente por Deus. Se Ele quer que demos ouvidos às exigências morais que levamos dentro do coração, é porque seu cumprimento é bom para nós. Deus não proíbe o que é bom para o ser humano nem obriga ao que pode ser prejudicial. Ele só quer o nosso bem.

Converter-se a Deus não significa decidir-se por uma vida mais infeliz e fastidiosa, mas orientar a própria liberdade para uma existência mais humana, mais sadia e, em última análise, mais feliz, ainda que isso exija sacrifícios e renúncia. Ser feliz sempre tem suas exigências.

Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho aberto por Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais significativo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já nesta terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus.

 

A comunhão dos Santos

Pe. Johan Konings

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos… Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação.

Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

Imagem: bombeiros buscam corpos na lama de Brumadinho

Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

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