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A Declaração sobre a fraternidade chega também ao Extremo Oriente

Papa Francisco e o Patriarca Supremo dos Budistas Papa Francisco e o Patriarca Supremo dos Budistas Fonte da imagem: Vatican Media

A primeira jornada do Papa na Tailândia se conclui no Estádio Nacional com o abraço do pequeno rebanho cristão que Francisco veio confirmar na fé. Essas primeiras horas de visitas e encontros em Bangcoc representam uma “sentença” dos temas do pontificado: no discurso às autoridades políticas de um país que acolheu muitos refugiados dos países vizinhos ao pedido à comunidade internacional para que a crise migratória não seja ignorada e a migração seja “segura, ordenada e regulada”. Mas também um apelo contra a violência, a exploração e o abuso de crianças e mulheres, pronunciado em terra, infelizmente, colocada entre as metas do turismo sexual.

Foi cordial e familiar o clima durante o encontro com o Patriarca Supremo dos budistas no Templo Wat Ratchabophit Sathit Maha Simaran. Francisco descalço, foi acolhido pelo idoso Patriarca de 92 anos e por outros monges. No seu discurso o Papa convidou a crescer num estilo de “boa vizinhança”, agradecendo pelo fato que os católicos, mesmo sendo um grupo minoritário, “possam aproveitar da liberdade da prática religiosa”, vivendo por muitos anos em harmonia com seus irmãos e irmãs budistas. Mais interessante e tocante, foi o diálogo improvisado entre os dois líderes: o Patriarca supremo agradeceu a Francisco por que a Igreja Católica veio à Tailândia “para ajudar e não para conquistar”. Um exemplo de como se anuncia o Evangelho com o testemunho e com a vida, sem qualquer objetivo hegemônico, trabalhando para ajudar os pobres e para salvar a “nossa tão maltratada casa comum”. Durante a troca de presentes o Pontífice deu ao Patriarca Budista a Declaração sobre a Fraternidade Humana assinada em Abu Dhabu em fevereiro deste ano. Um texto que lentamente vai se encaminhando além das relações entre cristãos e muçulmanos.

Sobre o espírito de serviço e de acolhida para com todos que caracteriza o estilo de vida dos católicos deste país, o Papa teve diante de seus olhos um exemplo concreto durante a visita ao Hospital São Luís, quando pode visitar de forma privada doentes e pessoas com deficiências depois de ter falado com o pessoal médico. No seu discurso, Francisco convidou todos a terem uma “piedade especial” para com os que sofrem e olhar os pacientes chamando-os pelo nome. O Papa testemunhou mais uma vez que o cristão participa das angustias diante das doenças e que não existe resposta pronta para enfrentá-las: “Todos sabemos que a doença traz sempre consigo grandes interrogativos. A primeira reação pode ser rebelar-nos, chegando mesmo a viver momentos de confusão e desolação. É o grito que brota da dor, e assim deve ser; o próprio Jesus, sofrendo, o deu. Com a oração, queremos unir-nos também nós ao d’Ele”.

Por Andrea Tornielli

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