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Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

«Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso.» (Evangelho segundo Lucas). «Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso.» (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/11/cristorei_1811.jpg

A lição de um marginal

Frei Gustavo Medella

“Os chefes zombavam de Jesus dizendo: ‘A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!’” (Lc 23,35). No auge do sofrimento, coroado de espinhos e coberto de sangue, suor e escarro, Jesus continua a ser testado até o limite de suas forças. Os que lhe roubaram as vestes agora tentam lhe subtrair o que de mais precioso possuía: a fidelidade ao Reino que viera propor. O que já explicara à exaustão – que seu Reino não era deste mundo – novamente deveria ser explicado, desta vez por um silêncio sofrido e doloroso.

Lição difícil de ser aprendia esta do Mestre-Rei Jesus. Especialmente por aqueles que, do alto de sua prepotência, são incapazes de nutrir pelo outro o mínimo de empatia e para quem a dor alheia pode, inclusive, se converter em divertido espetáculo. Naquela cena dramática, a voz de bom senso vem de um marginal. Acometido pela mesma dor de Cristo, torna-se capaz de solidarizar-se com Ele e, numa verdadeira profissão de fé, entrega o resto de vida que possui Àquele que poderia lhe garantir a eternidade.

Sábia escolha do bom ladrão. Ensina-nos que, para bem compreendermos o Reinado de Jesus, precisamos ir à margem de nossos egoísmos e certezas e abraçarmos a dor de nossa finitude. Ali, certamente, teremos maior lucidez para abraçar de corpo e alma o caminho que Cristo-Rei vem nos propor.

 

Jesus Cristo, Rei do universo, ano C 2019

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”.

  1. Primeira leitura: 2Sm 5,1-3

Eles ungiram Davi como rei de Israel.

O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul caiu na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu a Davi como rei de Israel (1Sm 16,12-13). Com a morte de Saul, Davi foi ungido pela tribo de Judá como rei (2Sm 2,4) e, depois, reconhecido como rei também pelas tribos de todo o Israel. Na leitura de hoje são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei:

1º As tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos. Reconhecem, portanto, que são parentes.

2º Recordam a decisiva liderança de Davi durante o reinado de Saul nas guerras de libertação contra os filisteus.

3º Reconhecem Davi como o escolhido do Senhor: “Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o nosso chefe”. Davi fez uma aliança com eles, na presença do Senhor, e foi ungido com rei de todo Israel.

Davi foi pastor de ovelhas, antes de se tornar rei. Como pastor conduzia as ovelhas de seu pai com muito cuidado para as fontes de água e as pastagens. Sabia defender as ovelhas contra animais ferozes ou ladrões. Qualidades importantes para cuidar do bem-estar do seu povo e defendê-lo contra os inimigos.

Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres…” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho).

Salmo responsorial

Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor.

  1. Segunda leitura: Cl 1,12-20

Recebeu-nos no reino de seu Filho amado.

Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados”. O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Por meio de Cristo, o Pai quis reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos.

Aclamação ao Evangelho: Mc 11,9.10

  É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;
  e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor.

  1. Evangelho: Lc 23,35-43

Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado.

O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores, zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque Ele se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acusação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo e si mesmo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido… se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles repete o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”! Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece que Jesus é um rei que salva. Em resposta Jesus lhe diz: “… ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo, Rei do Universo.

 

Será o rei da paz

Frei Clarêncio Neotti

No antigo Oriente, a realeza era uma instituição sagrada. O rei era ao mesmo tempo o chefe temporal e espiritual do povo, uma espécie de mediador entre os deuses e os homens. Os israelitas, provavelmente por medo da divinização de uma criatura humana e como segurança da fé num Deus uno e único, demoraram muito tempo em aceitar um rei (o primeiro foi Saul, como nos conta 1Sm 9,11). Os profetas sempre cuidaram para que o rei não ultrapassasse os limites de ‘servo da Aliança’, porque o verdadeiro rei e senhor glorioso é e será somente Javé (Sl 24,9-10; Sl 74,12; Is 43,15; Ml 1,14; 2Mc 1,24-25).

Como a realeza em Israel, num balanço geral, foi uma experiência negativa, por causa da ambição, despotismo, idolatria, falsas alianças, injustiças e opressões (Jr 21 e 22), os profetas passaram a anunciar um futuro rei, que arrancasse o povo das trevas, devolvesse a alegria da vida pela implantação do direito, da justiça, da piedade (Is 9,5-6); um rei que fosse pastor pela força de Deus e estabelecesse a paz por toda a terra: “Ele apascentará pela força do Senhor. Ele será grande até os confins da terra. Ele será a paz” (Mq 5,3-4).

 

No trono da cruz o amor se entregou

Frei Almir Guimarães

“A missão de Cristo continua a escrever-se através de nós”

♦ Mais uma vez, bem no final do ano litúrgico, comemoramos a solenidade de Jesus Cristo, rei do universo e o dia nacional do leigo. Aquele que foi o primeiro no pensamento de Deus e para o qual tudo convergia, o que antes dele vinha e tudo que o sucedeu. Rei porque tudo é dele, vem dele e para ele converge. Rei que nasce na singeleza da pobre manjedoura e morre nu no madeiro da cruz. Rei cujo título de honra é o de ter amado até fim. Rei por causa de um amor sem meias medidas. Rei despojado que deseja que colaboremos com ele na construção do Reino do Pai. Sua missão continua a se escrever através de nós.

♦ Rei porque veio com sua palavra e seu testemunho apontar para o Reino novo de seu Pai, reino de justiça, de paz, de amor, mundo novo em que os humildes são reis e os prepotentes e insolidários são destituídos de seus tronos, mundo que se adquire vendendo o que temos e cantando a canção da partilha.

♦ Lucas lembra o fato de que os que estavam no Gólgota faziam pilherias, zombavam dele. “Se és mesmo o escolhido de Deus, desce daí, faz um milagre, como outros que andaste fazendo”. Para tornar tudo extremamente ridículo colocaram no alto da cruz do Crucificado nu se contorcendo um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus!”. Cena sempre chocante.

♦ Todos os que comentam estas cenas não se cansam de repetir que a crucificação de Cristo continua no sofrimento dos inocentes de todos os tempos. Desses miseráveis que são chutados, injustiçados, sadicamente torturados ou simplesmente excluídos. Seria realmente uma inconsequência beijar a imagem do Crucificado enquanto vivemos indiferentes aos sofrimentos que não são os nossos.

♦ Acontece então algo inusitado. Assim se exprime Pagola: “De repente no meio de tanta zombaria, uma invocação: “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu trono”. É o outro delinquente que reconhece a inocência de Jesus, confessa sua culpa e cheio de confiança no perdão de Deus, só pede a Jesus que se lembre dele. Jesus lhe responde imediatamente: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Agora estão os dois agonizando, unidos no desamparo e na impotência. Mas hoje mesmo estarão os dois desfrutando a vida do Pai” ( Lucas, p. 351).No momento de morrer aquele malfeitor se entrega confiantemente a Jesus. E ele ouve estas consoladoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”.

♦ Somos pecadores como o ladrão: “O incurável crente confia todo este anseio de vida nas mãos de Deus. Todo resto se torna secundário. Não importa os erros do passado, a infidelidade ou a vida medíocre. Agora só conta a bondade e a força salvadora de Deus. Por isso de seu coração brota uma oração semelhante à do malfeitor moribundo na cruz. “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino”. Uma oração que é invocação confiante, petição de perdão e, sobretudo, ato de fé vida num Deus salvador (cf. Pagola, Lucas, 355).

♦ Dia do fiel cristão leigo. Daqueles homens e mulheres, solteiros, casados, jovens e idosos, garis e desembargadores, padeiros e astronautas. Homens e mulheres que não estão vinculados ao serviço do altar, mas pessoas tocadas por Cristo Jesus, discípulos do Evangelho na busca do bem, da justiça e da verdade. Pais educadores primeiros de seus filhos, aqueles que podem despertar no coração deles o desejo e a sede de Deus. Homens e mulheres que fazem de sua casa uma Igreja doméstica. Leigos que se inspiram em Tristão de Athayde, Madeleine Delbrêl e Contardo Ferrini. Leigos que labutam nas associações de bairro. Pessoas que ajudam vigorosamente na construção de um mundo de justiça, de paz, de solidariedade. No momento atual haverão de se ocupar de modo especial em humanizar o humano. Os leigos têm como espaço de ação o vasto mundo e não os estreitos espaços da sacristia. Leigos ungidos no Batismo e na Confirmação, garantia da presença de Cristo no campo de luta onde se desenha o amanhã da humanidade: sal a terra, luz do mundo e fermento na massa.

♦ “Pedir o Reino de Deus é pedir que o nome que nós carregamos, o nome de cristão, o nome de cristã, tenha de fato a vitalidade de Cristo dentro de si. E que sintamos que participamos do ministério de Cristo. Somos ungidos para tornar presente esse Reino no meio do mundo” (cf. Tolentino).


Oração

Não tens mãos…

Jesus, não tens mãos.
Tens apenas as nossas mãos para construir
um mundo onde habite a justiça.
Jesus, não tens pés.
Tens apenas os nossos pés para pôr em marcha
a liberdade e o amor.
Jesus, não tens lábios.
Tens apenas os nossos lábios para anunciar
aos pobres o Reino de Deus.
Jesus, não tens meios.
Tens apenas nossa ação para fazer com que
homens e mulheres sejam irmãos.
Jesus, nós somos o teu Evangelho, o único Evangelho,
que as pessoas podem ler para acolher teu Reino
(Autor anônimo).

 

Carregar a cruz

José Antonio Pagola

O relato da crucificação nos lembra a nós, seguidores de Jesus, que seu reino não é um reino de glória e de poder, mas de serviço, amor e entrega total para resgatar o ser humano do mal, do pecado e da morte.

Habituados a proclamar a “vitória da cruz” corremos o risco de esquecer que o Crucificado nada tem a ver com um falso triunfalismo que esvazia de conteúdo o gesto mais sublime de serviço humilde de Deus às suas criaturas. A cruz não é uma espécie de troféu que mostramos aos outros com orgulho, mas o símbolo do Amor crucificado de Deus, que nos convida a seguir seu exemplo.

Cantamos, adoramos e beijamos a cruz de Cristo porque, no mais profundo de nosso ser, sentimos a necessidade de dar graças a Deus por seu amor insondável, mas sem esquecer que a primeira coisa que Jesus nos pede insistentemente não é beijar a cruz, mas carregá-la. E isto consiste simplesmente em seguir seus passos de maneira responsável e comprometida, sabendo que esse caminho nos levará, mais cedo ou mais tarde, a compartilhar seu destino doloroso.

Não nos é permitido aproximar-nos do mistério da cruz de maneira passiva, sem intenção alguma de carregá-la. Por isso, precisamos tomar muito cuidado com certas celebrações que podem criar em torno da cruz uma atmosfera atraente, mas perigosa, se nos distraírem do seguimento fiel ao Crucificado, levando-nos a viver a ilusão de um cristianismo sem cruz. É precisamente ao beijar a cruz que precisamos escutar o chamado de Jesus: “Se alguém vier atrás de mim … carregue sua cruz e me siga”.

Para nós, seguidores de Jesus, reivindicar a cruz é aproximar-nos prestativamente dos crucificados, introduzir justiça onde se abusa dos indefesos, reclamar compaixão onde só existe indiferença diante dos que sofrem. Isto nos trará conflitos, rejeição e sofrimento. Será nossa maneira humilde de carregar a cruz de Cristo.

O teólogo católico Johann Baptist Metz vem insistindo no perigo de que a imagem do Crucificado esteja ocultando de nós o rosto dos que vivem hoje crucificados. No cristianismo dos países do bem-estar está ocorrendo, de acordo com ele, um fenômeno muito grave: “A cruz já não intranquiliza ninguém, não tem nenhum aguilhão; perdeu a tensão do seguimento de Jesus, não chama a nenhuma responsabilidade, mas exonera dela”.

Não precisamos todos nós rever qual é a nossa verdadeira atitude diante do Crucificado? Não precisamos aproximar-nos dele de maneira mais responsável e comprometida?

 

Jesus Cristo, Rei do Universo

Pe. Johan Konings

Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.

Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado.

Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade.

O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados.

Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver… Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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