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Cúria Diocesana

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Santa Mãe de Deus, Maria

"Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração". (Evangelho segundo Lucas). "Maria, porém, conservava todos esses fatos, e meditava sobre eles em seu coração". (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/12/liturgia_0101.jpg

Sob o olhar de Maria abrimos o Ano Novo

Frei Almir Guimarães

Quanto a Maria, guardava todos esses fatos
e meditava sobre eles em seu coração (Lucas 2, 19)

♦ Tudo começa de novo. Ano da graça de 2020. Até aqui chegamos com a graça do Senhor. Solenidade da Mãe de Deus. Ano novo. Dia mundial da Paz. Maria está a nos dizer que, como ela, precisamos levar tudo ao fundo do coração, refletir e meditar naquilo que podemos fazer para que o tempo da nossa vida seja luminoso e radiante.

♦ Tudo passa velozmente. O dia, é claro, continua tendo vinte e quatro horas e o ano doze meses. Temos, no entanto, a sensação de que tudo voa, que a terra gira mais depressa, que esquecemos de corrigir nossos relógios, que não acompanham tão louca velocidade. Tempo cronológico e tempo interior. Ficamos mais velhos fisicamente. Será que conseguimos conservar ou renovar um vigor e um viço interiores? O que nos faz viver? Temos projetos que possam fazer-nos pessoas animadas e desejosas de desbravar caminhos novos? Estamos nos santificando no tempo que voa sem pedir licença?

♦ O tempo não existe, existe a vida. Existe um antes e um depois. Nesse antes e depois ocorre tudo e tudo transcorre. No correr do fluir do tempo as sementes brotam, as plantas crescem, as flores aparecem. Nesse correr do tempo a criança deixa o ventre da mãe, precisa de leite, começa a andar, frequenta os estudos, fica jovem, torna-se adulta, casa, tem filhos, vende peixe no mercado, tem saúde ou é visitada pela doença, vai envelhecendo e termina seus dias. E passou pela vida ou simplesmente passou a vida.

♦ O fundamental é sempre a vida. Nesse espaço do existir vamos nos tornando mais ou menos gente. Aproveitamos o tempo para dar um tom de dignidade ao nosso existir. Se a vida não transbordar não é vida. Parece importante que sejamos pessoas de dom. Não conservaremos para nós os tesouros de nosso interior que nos foram regalados. Precisamos viver densa e dadivosamente. Há alguma coisa a nos alertar que a vida é troca de dons.

♦ Viver bem é viver em profundidade. Não se deixar levar de roldão. Ser autor da própria história. “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informações que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso, veemente e efêmero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver. Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos. Ora, isso não acontece sem um abrandamento interior. Precisamente porque a pressão de decidir é enorme, necessitamos de uma lentidão que nos proteja das precipitações mecânicas, dos gestos cegamente compulsivos, das palavras repetidas e banais. Precisamente porque nos temos de desdobrar e multiplicar, reaprender o inteiro, o intacto, o concentrado, o atento, o uno” (Tolentino, Libertar o tempo, Paulinas,p.20-21).

♦ Trata-se de ver além daquilo a vista nos permite enxergar. Ver a presença da beleza naquilo que nos cerca, contemplar essa criança que dorme junto ao peito do pai, a beleza das flores, admiração diante da água que desce na cascata, encantar-se com o colorido das asas da borboleta, com a graça da menina moça, o charme do rapazinho que sente ser homem, da senhora bem idosa, caminhando de bengala nas alamedas do parque. Vida feliz de quem tem prazer em ver a vida borbulhar. Nada de precipitações mecânicas. Parar, pensar, refletir, rezar para que os gestos e palavras que colocamos tenham densidade humana e cristã.

♦ Propósitos para o ano novo? Viver, deixar que a vida penetre em nós, conviver com calma, sentar-se, escutar, ver as rugas no rosto dos amigos, deixar de girar em torno de si mesmo, limpar o coração de tranqueiras, parar, pensar e organizar o tempo para querer bem e colocar gestos gratuitos. Os momentos culminantes de uma existência foram aqueles em que somos generosos e desinteressados.

♦ “Em nossa civilização do possuir quase nada é gratuito. Tudo é intercambiado, emprestado, devido ou exigido. Ninguém acredita que é melhor dar do que receber. Só sabemos prestar serviços remunerados e “cobrar juros” por tudo o que fazemos ao longo da vida (…). Só na entrega desinteressada pode-se saborear o verdadeiro amor, a alegria, a solidariedade, a confiança mútua. Gregório Nazianzeno diz que Deus fez o homem cantor de sua irradiação e, certamente nunca o homem e certamente nunca o homem é tão grande quando sabe irradiar amor gratuito e desinteressado” (Pagola, Lucas, p. 245).

♦ Comemoramos hoje a solenidade da Santa Mãe de Deus, ela que nos trouxe nossa esperança, ela que é Mãe de Deus feito homem. Ela é aquela que viveu sem tempos mortos porque não conheceu a divisão do pecado. Mulher que levava tudo ao fundo do coração. Mulher do sim irrestrito. Fonte de vida. Mãe de Deus e nossa mãe.


Que bela a benção do Livro dos Números:

O Senhor te abençoe e te guarde!
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti.
O Senhor volte o seu rosto para ti e te dê a paz!


Tema da Paz
Se para ti, o outro é antes de tudo um irmão,
se a cólera for para ti uma fraqueza e não uma prova de força,
se preferes ter prejuízo do que lesar alguém,
se negas a dizer que depois de ti só virão catástrofes,
se te colocas ao lado do pobre e do oprimido sem a pretensão de ser herói,
se crês que o amor e a única forma de dissuasão,
se crês que a paz seja possível… então a paz poderá vir.
(Pierre Guibert)

 

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida”.

 Primeira leitura: Nm 6,22-27

Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.

A bênção sacerdotal encerrava as grandes celebrações litúrgicas no templo de Jerusalém, entre elas a do Ano Novo. Mais tarde concluía também as reuniões semanais nas sinagogas. A bênção sacerdotal de Aarão contém três pedidos: Que o Senhor assegure aos filhos de Israel sua proteção, que o seu rosto compassivo brilhe sobre eles e lhes conceda a paz. Quem faz o pedido em nome de Deus é o sacerdote e quem concede a bênção é o próprio Deus. A bênção de Aarão atualiza a fórmula da aliança: “Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo”. Na virada do ano desejamo-nos a felicidade e a paz. O novo ano será mais feliz se procurarmos viver na presença do olhar amoroso de Deus que nos trata a todos como filhos e filhas. Se também nós olharmos com esse olhar divino a quem desejamos “Feliz Ano Novo”, especialmente nossos irmãos mais carentes e desprotegidos, Ele nos concederá a felicidade e a paz tão desejadas.

Salmo responsorial: Sl 66 (67),2-3.5.6.8

Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção,

e sua face resplandeça sobre nós!

  1. Segunda leitura: Gl 4,4-7

Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher.

Dois pensamentos dominam o texto: “Deus enviou Seu filho” e “Deus enviou o Espírito de seu filho”. A vinda do Filho ao mundo marca a plenitude dos tempos (v. 4-5). Judeus e pagãos convertidos participam desta plenitude pelo dom do Espírito. “Nascido de mulher”, isto é, de mãe humana, exprime a precariedade e insuficiência da condição humana. O filho de Deus se submete a esta condição, incluída a sujeição à Lei; submete-se à lei do pecado e da morte, pela cruz. Mas ressuscitando, nos dá a dignidade de filhos de Deus e herdeiros dos bens divinos. O Filho de Deus se fez homem para que nos tornássemos filhos e filhas de Deus. Pelo Espírito que nos dá, podemos chamar a Deus de “Abá” – ó Pai!

Aclamação ao Evangelho

De muitos modos, Deus outrora nos falou pelos profetas;

nestes tempos derradeiros, nos falou pelo seu Filho.

  1. Evangelho: Lc 2,16-21

Encontraram Maria e José e o recém-nascido.

E, oito dias depois, deram-lhe o nome de Jesus.

No evangelho, acabamos de ouvir Lucas descrevendo, em poucos versículos, uma cena alegre e agitada. É uma boa notícia (Evangelho) que se espalha velozmente por toda a redondeza da gruta de Belém: “Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Naquela mesma noite, os pastores decidiram: “Vamos até Belém, para ver o acontecimento que o Senhor nos deu a conhecer” (v. 15). E “os pastores foram às pressas a Belém”. E os anjos deram um sinal aos pastores “encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Quando chegam, encontram “Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”. O menino faz parte de uma família e a manjedoura faz o menino bem familiar e próximo dos pastores, pobres e desprezados. Constatada a verdade, os pastores contam o que ouviram dos anjos a respeito do menino e todos os que ouviram ficaram maravilhados. Os pastores voltam para os seus afazeres, glorificando e louvando a Deus. O Filho de Deus faz parte da família humana e no oitavo dia, pela circuncisão, é introduzido no povo de Israel e recebe o nome de Jesus, “Deus (o Senhor) salva”. O conteúdo deste nome é tratado no cântico de Zacarias (Lc 1,68-79), onde é explicado em que sentido Jesus é salvador de seu povo e de toda a humanidade.

Para Maria, estes acontecimentos eram motivo de meditação e reflexão. A exemplo de Maria, que meditava sobre os acontecimentos relacionados com seu filho, somos convidados também nós a fazê-lo sobre nossa vida: conservando, transmitindo e vivendo o mistério de nossa fé em Cristo e venerando sua Santíssima Mãe, Maria. A grande notícia que o Filho de Deus se fez homem merece ser anunciada e proclamada com alegria nos tempos de escuridão em que vivemos.

Celebramos hoje a maternidade de Maria, Mãe de Deus. Sem esta Mãe não teríamos Jesus, nosso irmão e Salvador (2ª leitura). Coloquemos sob a proteção de Deus e de Maria, sua Mãe, este novo ano que Deus nos dá.

 

Maria, bendita entre todas as mulheres

Frei Clarêncio Neotti

No dia 1º de janeiro, festa do Ano-novo, a Liturgia celebra Santa Maria, Mãe de Deus. Se no Natal olhávamos sobretudo para o Menino, hoje, para encerrar os oito dias do Natal, olhamos de modo especial para a Mãe. E fica bem sua festa no Ano-novo, porque com sua maternidade começou um novo período na história da terra, carregado de esperanças como um ano-novo. Maria revelou-nos a grande novidade: ela fora o instrumento de Deus para dar ao mundo o Salvador.

Os pastores, que acorrem apressados à gruta, são símbolo de todas as criaturas humanas pecadoras, pobres e necessitadas, por quem, em primeiro lugar, veio Jesus. Que vão ver na gruta? O Filho de Maria. Maria sem o Filho seria apenas mais uma das mil Marias. Com o Filho, é a bendita entre todas as mulheres. A mulher que mais agradou os olhos do Pai do Céu e a quem o Pai, na sua imensa bondade, mais enriqueceu de qualidades. Ela é a soma de todas as virtudes humanas e mais prendada do que os próprios anjos. A Escritura exprime isso na frase do anjo Gabriel: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28).

 

Maria, modelo de acolhida fiel de Deus

José Antonio Pagola

Depois de um certo eclipse da devoção Mariana, provocado em parte por abusos e desvios notáveis, os cristãos voltam a interessar-se por Maria para descobrir seu verdadeiro lugar dentro da experiência cristã.

Não se trata de recorrer a Maria para escutar “mensagens apocalípticas” que ameaçam com castigos terríveis um mundo submerso na impiedade e na descrença, enquanto ela oferece sua proteção maternal aos que fazem penitência ou rezam determinadas orações.

Também não se trata de fomentar uma piedade que alimente secretamente uma relação infantil de dependência e fusão com uma mãe idealizada. Já faz tempo que a psicologia nos alertou sobre os riscos de uma devoção que exalta falsamente Maria como “Virgem e Mãe”, favorecendo no fundo um desprezo pela “mulher real” como eterna tentadora do varão.

O primeiro critério para comprovar a “verdade cristã” de toda devoção a Maria é ver se esta devoção faz o crente fechar-se em si mesmo ou se o abre ao projeto de Deus; se o faz retroceder para uma relação infantil com uma “mãe imaginária” ou se o incentiva a viver sua fé de forma adulta e responsável em seguimento fiel a Jesus Cristo.

Os melhores esforços da mariologia atual tratam de levar os cristãos a uma visão de Maria como Mãe de Jesus Cristo, primeira discípula de seu Filho e modelo de vida autenticamente cristã.

Mais concretamente, Maria é hoje para nós modelo de acolhida fiel de Deus a partir de uma postura de fé obediente; exemplo de atitude serviçal a seu Filho e de preocupação solidária por todos que sofrem; mulher comprometida pelo “Reino de Deus”, pregado e impulsionado por seu Filho.

Nestes tempos de cansaço e pessimismo descrente, Maria, com sua obediência radical a Deus e sua esperança confiante, pode conduzir-nos a uma vida cristã mais profunda e mais fiel a Deus.

Por conseguinte, a devoção a Maria não é um elemento secundário para alimentar a religião de pessoas “simples”, inclinadas a práticas e ritos quase “folclóricos”. Aproximar-nos de Maria é antes colocar-nos no melhor ponto para descobrir o mistério de Cristo e acolhê-lo. O Evangelista Mateus nos lembra Maria como a mãe do “Emanuel” isto é, a mulher que pode aproximar-nos de Jesus, “o Deus conosco”.

 

Maria, “Porta do Céu”

Pe. Johan Konings

Nas ladainhas chamamos Maria “Porta do Céu”. Porta para nós subirmos, ou para Deus descer? A festa de hoje confirma as duas interpretações.

“Nascido de mulher, nascido sob a Lei”, assim Paulo qualifica Jesus (1ª leitura).

Jesus nasceu como todo ser humano de uma mãe humana, Maria, e dentro de uma sociedade humana, a sociedade
de Israel, com sua “lei”, regime ao mesmo tempo religioso e sociopolítico. O evangelho narra que Jesus, no oitavo dia do nascimento, foi acolhido na sociedade judaica pela circuncisão e pela imposição do nome, como teria acontecido a qualquer masculino dentre nós se tivesse nascido naquela sociedade.

Maria é, portanto, mãe do verdadeiro homem e judeu Jesus de Nazaré, mas nós a celebramos hoje como “Mãe de Deus”… Como se conjugam essas duas maternidades? Não são duas, são uma só!.

O título “Mãe de Deus” foi conferido a Maria pelo Concílio de Éfeso no ano 431 d.C. Este mesmo concílio insistiu que Jesus foi igual a nós em tudo menos o pecado (cf. Hb 4, 15) e viveu e sofreu na carne de maneira verdadeiramente humana. Vinte anos depois, o concílio de Calcedônia chamou Jesus “verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”. É por ser mãe de Jesus humanamente que Maria é chamada Mãe de Deus, pois a humanidade e a divindade de Jesus humanamente que Maria é chamada Mãe de Deus, pois a humanidade e a divindade de Jesus não se podem separar. Dando Jesus ao mundo Maria deu Deus a todos nós.

Em Jesus, Maria faz Deus nascer no meio do povo. Maria é o ponto de inserção de Deus na humanidade. Neste sentido ela é “porta do céu”, porta para Deus que desce até nós e pela qual nós temos acesso a Deus. Toda mulher-mãe é ponto de inserção de vida nova no meio do povo. Em Maria, essa vida nova é vida divina. Deus se insere no povo por meio da maternidade que ele mesmo criou.

De maneira semelhante, Deus respeita também a Lei que ele mesmo criou e comunicou ao povo. Seu Filho nasceu sob a Lei e foi circuncidado conforme a Lei. As estruturas políticas e sociais do povo, quando condizentes com a vontade de Deus, são instrumento para Deus se tornar presente em nossa história. Deus mostrou isso em Jesus. E quando as leis e estruturas são manipuladas a ponto de se tornarem injustas, o Filho de Deus as assume para as transformar no sentido do seu amor. Por isso, Jesus morreu por causa da Lei, injustamente aplicada a ele.

Assim como pela maternidade humano-divina Maria se tornou “Porta do Céu”, a comunidade humana é chamada a tornar-se acesso de Deus ao mundo e do mundo a Deus. A vida do povo, suas tradições, cultura e estruturas políticas e sociais devem ser um caminho de Deus e para Deus, não um obstáculo. Por isso é preciso transformar a vida humana e as estruturas da sociedade, quando não servem para Deus e não condizem com a dignidade que Deus lhes conferiu pelo nascimento de Jesus de mulher e sob a Lei.

Reflexões tiradas do site franciscanos.org.br

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