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Cúria Diocesana

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Epifania do Senhor

"Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra". (Evangelho segundo Mateus). "Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra". (Evangelho segundo Mateus). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2019/12/liturgia_050120-1.jpg

Vai buscar quem mora longe

Frei Gustavo Medella

“Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu”. O verso da canção de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho ilustra de forma artística um elemento fundamental da Festa da Epifania: o abraço acolhedor de Deus que se estende a todos, aos de longe e aos de perto, aos de casa e aos de fora. Os magos moravam longe mas, guiados pela estrela, vieram em busca de seus sonhos porque se deixaram buscar pelo mistério de Deus Menino.

A atmosfera da Epifania é verdadeira estrela guia para a missão evangelizadora da Igreja que, por conta do contexto de seu surgimento, desde a manjedoura, passando pela cruz e pelo sepulcro vazio, deve ser missionária, itinerante e dialogal. Aproximar-se de quem mora longe, especialmente nas periferias da dor e do sofrimento, é missão fundamental, é razão de ser da Igreja sem a qual ela corre o risco de perder a força do Espírito que a conduz.

 

Epifania do Senhor

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu”.

  1. Primeira leitura: Is 60,1-6

Apareceu sobre ti a glória do Senhor.

Em 597 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém e levou a elite governante de Judá, inclusive o sacerdote Ezequiel. Em uma de suas visões na Babilônia o profeta vê a glória do Senhor abandonando o templo de Jerusalém, que seria logo destruído (587 a.C.), e dirigindo-se à planície onde os exilados estavam morando. Deus dispensava o Templo, mas queria estar com o seu povo no exílio. Ezequiel também promete que um dia os exilados seriam levados de volta a Jerusalém e haveriam de reconstruir o Templo e a glória do Senhor voltaria com todo seu esplendor ao novo santuário. No texto da primeira leitura, um discípulo do profeta Isaías retoma as promessas de seu mestre Isaías (Is 9,1-6), convoca os exilados a voltarem a Jerusalém para reconstruir suas casas e o Templo. Com maestria, usa de uma linguagem poética envolvente. Vê a luz da glória do Senhor brilhando sobre Jerusalém, as luzes das lamparinas acesas, sinais de vida nas casas novamente habitadas. Jerusalém brilhante como um facho luminoso, atrai não só seus filhos e filhas dispersos pelos diversos países, mas também os povos pagãos, ainda envoltos na escuridão. Se no passado Jerusalém foi saqueada pelos dominadores. Agora são camelos e dromedários que trazem gente de todos os povos, com suas riquezas e incenso, para proclamar a glória do Senhor. Mateus vê a realização desta profecia quando Jesus inicia a pregação do Reino de Deus, na “Galileia dos pagãos” (4,13-17). Guiados pela estrela, os magos levam seus presentes a Belém para adorar o menino Jesus (Evangelho).

  1. Segunda leitura: Ef 3,2-3a. 5-6

  Agora foi-nos revelado

que os pagãos são co-herdeiros das promessas.

Paulo escreve à comunidade de Éfeso, onde a maioria dos cristãos era de origem pagã. Com alegria recorda a graça que Deus lhe concedeu de ter realizado o plano divino de trazê-los à fé cristã. O Evangelho que Paulo prega faz parte do plano de Deus a respeito dos efésios; é um mistério escondido no passado no coração de Deus e agora revelado: Não só os judeus são destinatários da salvação trazida por Jesus Cristo, mas também todos os pagãos. Pelo seu Espírito Deus revelou este mistério: Pela fé, a salvação trazida por Cristo une a todos numa só família, tanto judeus como pagãos, (1ª leitura e Evangelho).

  1. Evangelho: Mt 2,1-12

Viemos do Oriente adorar o Rei.

Os magos vêm do Oriente até Jerusalém porque viram um sinal especial no céu. Segundo uma profecia do profeta chamado Balaão, no futuro haveria de aparecer uma estrela no céu sobre Israel. Seria o sinal de que nasceu um rei em Judá, o Salvador de seu povo (Nm 24,17). Os magos conheciam a profecia de Balaão, um profeta pagão. Quando viram a estrela no céu, acreditaram ser o sinal que indicava o nascimento do rei salvador, esperado pelos judeus. É no Oriente que nasce o “astro Rei”, o Sol. Os magos, porém, seguem uma insignificante estrela, que os guia em direção ao Ocidente. Ao chegar a Jerusalém, a estrela some. Dirigem-se então ao palácio do rei e perguntam pelo rei dos judeus que acabara de nascer. Herodes fica alarmado, com medo de perder o trono, e toda Jerusalém treme porque conhece a crueldade do rei. Herodes consulta os entendidos nas Escrituras antes de responder aos magos. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei respondem, citando o profeta Miqueias, que o rei esperado deveria nascer em Belém. Os doutores sabem ler interpretar as Escrituras, mas não acreditam. Herodes finge interesse em conhecer o menino, mas com a intenção de eliminar um possível concorrente ao trono. Só os magos, pagãos, acreditam na profecia bíblica de Balaão e nas palavras do profeta Miqueias. A fé dos magos, iluminada pelas Escrituras, faz reaparecer a estrela que os guia até a casa onde “viram o menino com Maria, sua mãe”. Prostraram-se em adoração diante do menino e ofereceram-lhe como presentes ouro, incenso e mirra; ouro, porque o menino é rei; incenso, porque é Deus, e mirra porque é homem, haveria de morrer por nós na cruz e seria embalsamado com mirra e aloés (Jo 19,39).

Enquanto os magos, guiados pela sua fé nas Escrituras dos judeus, com alegria vão ao encontro do Salvador, os chefes religiosos dos judeus o ignoram e Herodes vê no menino-rei uma ameaça para seu trono e procura eliminá-lo. Em Belém a alegria, em Jerusalém a tristeza e o temor.

Mateus escreve para uma comunidade mista, composta de judeus e de pagãos convertidos. Alegra-se com os pagãos porque acolhem o Evangelho com alegria, mas sente um profundo pesar pelos seus irmãos judeus, que o rejeitam. Mais tarde, admirado com a fé do oficial romano, Jesus dirá: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente sentar-se à mesa com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8,11).

Qual é a estrela que nos guia ao encontro de Cristo Jesus? Há dois modos de nos aproximarmos de Deus: Pelos sinais da natureza e pelos Livros Sagrados. Santo Agostinho fala de dois livros escritos por Deus: um é a criação e outro, a Bíblia Sagrada. A estrela de Belém é o próprio Cristo Jesus. Ele “é a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todas as pessoas” (Jo 1,9). Deixemo-nos iluminar e guiar pela Verdadeira Luz.

 

O universo inteiro aos pés de Jesus

Frei Clarêncio Neotti

Houve cientistas que saíram à procura da estrela que orientou os magos. Fizeram cálculos para mostrar o aparecimento no céu, de determinado cometa nessa época. Não há necessidade. Assim como os magos simbolizam a humanidade toda, a estrela simboliza o firmamento que desce das alturas para reverenciar seu Criador, agora na gruta de Belém. Trata-se de linguagem poética, facilmente compreensível. Afinal, Jesus não veio apenas salvar o homem, mas redimir a natureza inteira, incluídos os animais e os astros. Além do mais, esse texto foi escrito por Mateus, que procura mostrar a realização das profecias. E há uma no livro dos Números (24,17) que diz assim: “Eis que vejo, mas não agora, percebo-o, mas não de perto: de Jacó desponta uma estrela, de Israel se ergue um cetro”.

A ideia de os animais (representados pelo boi [vaca] e pelo burro), os astros (a estrela caminhante), as pedras (a gruta), as plantas (o feno) e, sobretudo, os homens de todas as raças e de todas as classes sociais (os pastores são os pobres e marginalizados; os reis magos, a classe alta) se achegarem ao Menino para adorá-Lo é um quadro lindo e necessário: o universo, criado por amor; inclina-se humilde e reverente diante do Criador que, por amor, fez-se criatura semelhante a todas as criaturas, sem deixar sua condição divina. Santo Agostinho viu nos pastores os homens de perto e nos magos viu os homens de longe: o perto e o longe se encontram hoje aos pés de Jesus, porque, a partir de agora, não existem distâncias possíveis para separar Deus e a humanidade, o Criador e as criaturas. E muito menos razão de separação entre os homens. “Todos são membros de um mesmo corpo, coparticipantes em Cristo Jesus” (Ef 3,6), como lemos na segunda leitura. É o mesmo São Paulo a nos lembrar (Ef l,lO) que esse Menino, deitado na manjedoura, “é a cabeça de todas as criaturas, tanto as que estão no céu quanto as que estão na terra”, por isso descem as estrelas, movimentam-se as criaturas racionais e irracionais e se encontram na gruta de Belém, para reconhecer o Senhor. A primeira leitura (Is 60,1-6) parece até a crônica desse encontro, em que as trevas e a luz se abraçam para desenhar a aurora da missão salvadora de Jesus e tudo e todos “proclamam as obras do Senhor”.

 

Dos que anseiam encontrar a Casa de Deus

Uma criança envolta em panos

Frei Almir Guimarães

Com frequência nossa vida transcorre na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas nos levam para cá e para lá; e nossa vida vai passando, enchendo cada instante com algo que precisamos fazer, dizer, ver ou planejar. Corremos assim o risco de perder nossa identidade, de transformarmo-nos numa coisa a mais entre outras e de viver em que direção caminhar. Existe uma luz capaz de orientar nossa existência? Existe uma respostas aos nossos anseios e aspirações mais profundas? A partir da fé cristã esta, essa resposta existe. Essa luz já brilha na criança de Belém
José Antonio Pagola

♦ Diversos personagens que fazem parte do presépio do Menino Jesus. Apenas Mateus faz alusão à visita de Magos vindo do Oriente. Antes tinham acorrido ao presépio pastores curiosos e simples. Agora três ilustres cavalheiros. Peregrinos de Deus. Gente de outros cantos da terra e do mundo. Símbolos de todos os buscadores de Deus. Chegam, parlamentam, conversam com uns e outros a respeito do nascimento do Menino. Trazem presentes. Gente de coração generoso e reto. Falam de um estrela que havia aparecido no céu de suas vidas e no firmamento de seu país. Obstinadamente venceram obstáculos. O amor de Deus, assim, se manifesta a todas as nações da terra. É nossa história, o relato da nossa aventura humana que aí é retratado.

♦ Buscadores de Deus! Que bom se esta aventura fosse verdadeira para nós em nossos tempos, que não cessamos nossa busca. Muitos de nós nascemos no seio de famílias cristãs e fomos sendo envolvidos por ritos e símbolos. Passamos a viver uma “religião” com rezas e sacramentos. Alguns tivemos a chance de viver numa família esclarecida e num ambiente em que o Evangelho era levado em conta. Outros foram separando vida da fé e fé da vida. Foram perdendo o fogo da busca de Deus, o fogo do Evangelho. Deus não pode ser um acessório, um “à coté”, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta não é a vida?

♦ Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso, pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, uma turbulência familiar, a ameaça de um fracasso no casamento, uma derrocada financeira, o inferno das drogas, a visita de uma pessoa que mais parecia um anjo caído do céu.

♦ Há os que reencontram ou reencontraram a fé frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que se se podia perceber em sua fala. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas a Levi e Zaqueu e hospedam o Senhor em sua intimidade. Umas vão se identificando com o filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Trazem para ao presépio o tesouro de suas vidas.

♦ Muitos descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para… compreendem que Deus é ser para… Lembram-se das lições do catecismo onde haviam aprendido que quando damos um copo de água fria ao menor dos nossos irmão é a Jesus que o ofertamos.

♦ Deus vem no visitar e chega na simplicidade de um nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz, completamente injustiçado, privado até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, carente de nossa atenção, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. Veio para todos o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos fomos vendo a procissão de peregrinos iluminados pela luz da estrela da fé. Os Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um sentido mais pleno para os dias que vivem.


Textos para reflexão

♦ Os magos, da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, não se chocam com os panos, nem se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus. Quem os conduziu, também os instruiu, e quem os avisou exteriormente pela estrela, também os alertou no segredo do coração. Assim esta manifestação do Senhor tornou glorioso este dia e a piedosa veneração dos magos o fez venerável.

Dos sermões de São Bernardo, abade

♦Hoje os magos que procuravam o Senhor resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje, os magos veem claramente envolvido em panos aquele que há muito tempo buscavam de modo o obscuro nos astros. Hoje os magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer.
São Pedro Crisólogo


Oração

Estás perto,
estás sempre,
estás esperando
e eu não me detenho.
Respeitas minha liberdade,
caminhas junto a mim,
sustentas minha vida
e eu não te tomo conhecimento.
Tu me ajudas a conhecer-me,
me faz como a um filho,
me chamas a ser eu mesmo
e eu não te presto atenção.
Tu me amas com ternura,
queres o melhor para mim,
me ofereces tudo o que é teu
e eu não te agradeço.
F.Ulíbarri

 

Nossa incapacidade para adorar

José Antonio Pagola

O ser humano atual ficou em grande parte atrofiado para descobrir a Deus. Não que ele seja ateu. É que ele se tornou “incapaz de Deus”. Quando um homem ou uma mulher só busca o amor sob formas decadentes, quando sua vida é movida exclusivamente por interesses egoístas de lucro e ganho, algo seca em seu coração.

Muitos vivem hoje um modo de vida que os oprime e empobrece. Envelhecidos prematuramente, endurecidos por dentro, sem capacidade de abrir-se a Deus por nenhum resquício de sua existência, caminham pela vida sem a companhia interior de ninguém.

O teólogo Alfred Delp, executado pelos nazistas, via neste “endurecimento interior” o maior perigo para o ser humano moderno: “Assim o homem deixa de alçar até as estrelas as mãos de seu ser. A incapacidade do ser humano atual de adorar, de amar e de venerar tem sua causa em sua excessiva ambição e no endurecimento de sua existência”.

Esta incapacidade de adorar a Deus apoderou-se também de muitos crentes que só buscam um “Deus útil”. Só lhes interessa um Deus que sirva para seus projetos individualistas. Assim Deus se converte em um “artigo de consumo” do qual se dispõe segundo nossas conveniências e interesses. Mas Deus não é isso. Deus é Amor infinito, encarnado em nossa própria vida. E, diante desse Deus, só nos cabe a adoração, o júbilo, a ação de graças.

Quando se esquece isto, o cristianismo corre o perigo de converter-se num esforço gigantesco de humanização, e a Igreja numa instituição sempre tensa, sempre oprimida, sempre com a sensação de não conseguir o êxito moral pelo qual luta e se esforça.

Mas a fé cristã é, antes de tudo, descobrir a bondade de Deus, experiência agradecida de que só Ele salva: o gesto dos magos diante do Menino de Belém expressa a atitude primordial de todo crente diante de Deus feito homem. Deus existe. Está aí, no fundo de nossa vida. Somos acolhidos por Ele. Não estamos perdidos no meio do universo. Podemos viver com confiança. Diante de um Deus, do qual só sabemos que Ele é Amor, não cabe senão a alegria, a adoração e a ação de graças. Por isso, “quando um cristão pensa que já nem sequer é capaz de orar, deveria pelo menos ter alegria” (Ladislao Boros).

 

Adorar Deus no Menino Jesus

Pe. Johan Konings

Quando celebramos, no dia 6 de janeiro ou no domingo seguinte, a festa dos Reis Magos, as ocupações do turismo impedem muitos de contemplar o sentido desta festa. Mesmo assim, vale a pena dedicar-lhe nossa atenção, pois não é uma festa meramente folclórica.

O nome oficial da festa dos Reis Magos, “Epifania”, significa manifestação ou revelação. Contemplamos o paradoxo da grandeza divina e da fragilidade da criança no menino Jesus. Pensamos nos milhões de crianças abandonadas nas ruas de nossas cidades, destinadas à droga, à prostituição. Outras milhões mortais pela fome, doença, guerra,
aborto. Órgãos extraídos, fetos usados para produzir células que devem rejuvenescer velhos ricaços… Qual é o valor de uma criança?

Os “magos” – astrólogos vindos do Oriente – seguiram o caminho da estrela para adorar um menino do qual não sabiam nome nem paradeiro (evangelho). Como os reis anunciados pelo “terceiro Isaías” (1ª leitura), trazem de longe suas riquezas, para apresenta-las ao menino Jesus. Essa narração quer nos ensinar que Jesus é aquele que merece adoração universal, o Messias. E acena também à missão da Igreja, de anunciar a salvação universal (2ª leitura).

A estrela conduziu os magos a uma criança pobre, que não tinha nada de sensacional. Mas o rei Herodes, cioso de seu poder, pensou que Jesus fosse poderoso e, portanto, perigoso. Esse rei, que tinha mandado matar seus próprios filhos e sua mulher Mariamne, mandou, para que Jesus não lhe escapasse, matar todos os meninos de Belém.

Deus se manifesta ao mundo numa criança, e nós somos capazes de mata-la, em vez de reconhecer nela a luz de Deus. Por que Deus se manifestou numa criança? Esquisitice, para nos enganar? Nada disso. Salvação significa ser libertado dos poderes tirânicos que nos escravizam, para realizar a liberdade que nos permite amar. Pois para amar é preciso ser livre, agir de graça, não por obrigação nem por cálculo. Por isso, a salvação que vem de Deus não se apresenta como poder opressor, como o de Herodes. Apresenta-se como antipoder, como uma criança aparentemente sem valor.

Aqui, no início do evangelho de Mateus, a salvação universal manifesta-se numa criança; no fim dos ensinamentos de Jesus, o critério do juízo final será a caridade gratuita realizado ao pequenino (Mt 25, 31-46). O pequenino de Belém é venerado como rei, e no fim do evangelho, esse “rei” (25,34) julgará o universo, identificando-o com os mais pequeninos: “O que fizestes a um desses mais pequenos, que são meus irmãos, a mim o fizestes” (25,40). Quanta lógica em tudo isso!

Deus não precisa de nos esmagar com seu poder para se manifestar. Nem precisa do palco de uma TV mundial para se dar a conhecer. Para ser universal, prefere o pequeno, pois só quem vai até os pequenos e os últimos é realmente universal. Falta-nos a capacidade de reconhecer no frágil, naquele que o mundo procura excluir, o absoluto de nossa vida – Deus. Eis a lição que os reis magos nos ensinam.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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