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Cúria Diocesana

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Terceiro domingo da Quaresma

"Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva". (Evangelho segundo João). "Se você conhecesse o dom de Deus, e quem lhe está pedindo de beber, você é que lhe pediria. E ele daria a você água viva". (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/03/liturgia_domingo_terceiro_01.jpg

Mais abraços e menos pedras

Frei Gustavo Medella

A dor humana é território Sagrado. Dela devemos nos aproximar com reverência e espírito de acolhida. No Evangelho deste 3º Domingo da Quaresma, Jesus dá uma aula do modo pelo qual devemos nos aproximar uns dos outros, especialmente daqueles que padecem dores e sofrimentos no profundo de seu ser. O Sol do meio-dia no deserto simboliza as lutas e desafios da vida que provocam no ser humano uma sede de sentido. O poço representa as muitas formas pelas quais as pessoas buscam saciar esta sede. A samaritana é símbolo da humanidade ferida, já cansada da rotina de buscar água para saciar suas sedes profundas.

Jesus, ao se aproximar da finitude humana que ele mesmo se dispôs a provar, vem de modo discreto e dialogal. Nada deseja impor, mas propor. Mostra-se sedento e solidário ao mesmo tempo. Sedento porque participa da natureza humana; solidário porque consciente da missão que o Pai lhe confiara.

Oxalá aprendêssemos a saciar nossa sede na água que o Senhor nos oferece. Certamente nos tornaríamos mais solidários e menos solitários; mais inclusivos e menos seletivos; mais adeptos do abraço e menos dispostos a nos apedrejar por conta de nossas faltas e limites, dores e sofrimentos que, uns mais outros menos, todos nós carregamos.

 

3º Domingo da Quaresma, ano A

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão de nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.

 Primeira Leitura: Ex 17,3-7

O Senhor está no meio de nós ou não?

Moisés, em nome de Deus, apresenta o plano de libertação: Deixar de servir ao Faraó com trabalhos forçados, para servir somente ao Senhor, numa terra prometida aos antepassados. A primeira parte do plano foi concluída e o povo já não era mais escravo. Mas entre o Egito e a terra prometida havia um deserto; no Egito era abundante a água do rio Nilo e a terra irrigada era muito fértil. No deserto, só a penúria e escassez de água. Daí a revolta: O povo tenta a Deus, contesta a autoridade de Moisés e quase o apedreja. A reclamação – “Deus está, ou não está no meio de nós?” – mostra uma fé abalada no Deus libertador. Deus intervém e ordena que Moisés reassuma a liderança, tomando o seu bastão, símbolo do poder divino, bastão que estendeu para ferir o Egito (rio Nilo) e abrir um caminho no Mar Vermelho para o povo passar. Acompanhado pelos anciãos devia ir à frente do povo, bater na rocha perto do monte Horeb, na presença do Senhor. Moisés assim o fez e da rocha saiu água para matar a sede de todo o povo. Paulo diz que o povo bebeu uma água espiritual e que a rocha da qual saiu água era Cristo (1Cor 10,3-4). O símbolo da água nos remete para o tema quaresmal e pascal, o batismo. No Evangelho, Jesus se apresenta à Samaritana como a fonte de água viva.

Salmo responsorial: Sl 94

Hoje não fecheis o vosso coração,

mas ouvi a voz do Senhor!

  1. Segunda leitura: Rm 5,1-2.5-8

O amor foi derramado em nós

pelo Espírito que nos foi dado.

No trecho da Carta de Paulo aos Romanos, hoje lido, o Apóstolo nos fala das assim chamadas virtudes cardeais; elas são as mais importantes entre dons do Espírito: a fé, a esperança e a caridade/amor, dons que recebemos pelo batismo. Na primeira Carta aos Coríntios, Paulo já exaltava a primazia do amor: “No presente permanecem estas três coisas: fé, esperança e amor; mas a maior delas é o amor” (1Cor 13,13). Paulo lembra aos romanos que, por meio de Cristo, somos justificados pela graça da fé, confirmados pela esperança da glória e pelo dom do “amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”. Este dom nos foi dado por meio de Jesus Cristo, que “morreu por nós… quando éramos pecadores”, prova máxima do amor de Deus.

Aclamação ao Evangelho

            Glória e louvor a vós, ó Cristo.

Na verdade, sois Senhor, o Salvador do mundo.

Senhor, dai-me água viva a fim de eu não ter sede!

  1. Evangelho: Jo 4,5-42

Uma fonte de água viva que jorra para vida eterna.

O evangelho de hoje é a realização plena do que a primeira leitura prefigura. A água pedida pelos israelitas no deserto prefigura a água viva, dada por Jesus. Os hebreus pediam uma água que conheciam, mas não matava a sede. Jesus pede à Samaritana que lhe dê de beber da água do poço de Jacó (1ª leitura). A mulher estranha que Jesus (um judeu) lhe peça água, sendo ela uma Samaritana. Jesus responde que se o conhecesse ela mesma lhe pediria uma “água viva”, capaz de matar a sede para sempre. “E a água que eu lhe der – diz Jesus – se tornará nela uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. A Samaritana pede, então, a Jesus que lhe dê de beber desta “água viva” e recebe o dom de Deus, isto é, a fé no próprio Cristo Jesus. Torna-se ela mesma “uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. De fato, ao final do diálogo, a Samaritana crê em Jesus e transforma-se em missionária do próprio povo: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será ele o Cristo”? Jesus, que tinha sede, não bebe a água do poço de Jacó. Sua sede é dar a todos os que nele crêem a “água viva” (o Espírito Santo), a fim de que sejam para outros “uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. A Samaritana, que buscava a água do poço de Jacó, recebe de Jesus a água viva que jorra para a vida eterna. Quando os discípulos insistiam que comesse alguma coisa Jesus responde: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (v. 34). – Como você busca saciar a sede de Deus em sua vida? A Samaritana missionária partilhou a “água viva” com seu povo. Você procura ser uma fonte da qual jorra a vida eterna para os outros?

 

Jesus quebra costumes para buscar pecadores

Frei Clarêncio Neotti

O caminho que levava da Judeia à Galileia e vice-versa passava pela Samaria. Para os judeus era passagem penosa. Judeus e samaritanos se evitavam, odiavam-se. A Samaria já fora terra de hebreus. Lá estava o túmulo de José do Egito (Js 24,33). Lá estava o famoso poço, que Jacó dera de presente ao filho predileto José. Agora, sentado ao lado do poço, estava o Filho predileto do Pai do Céu, capaz de dar não apenas um poço de água corrente, mas água viva, que jorra para a vida eterna.

Em torno do ano 720 antes de Cristo, a Samaria foi invadida pelos persas, e, ao menos, 30 mil habitantes foram deportados. Em seu lugar trouxeram colonos assírios (2Rs 17,24). Com o tempo, esses colonos acabaram adotando a lei de Moisés e o monoteísmo judaico, conservando, porém, os costumes e as devoções próprias (2Rs 17,27-34). Construíam seus templos no alto dos montes, como o Ebal (938 m), onde a tradição dizia que Josué oferecera o primeiro sacrifício ao entrar na Terra Prometida (Dt 27,4-8) e o Garizim (868 m), defronte ao Ebal, até hoje sagrado para os habitantes.

Compreende-se, então, o duplo espanto da samaritana no Evangelho de hoje. Primeiro: nenhum homem decente abordava uma mulher em público, conforme o costume tanto judeu quanto samaritano. Segundo: um judeu que se prezasse não pedia jamais um favor a um samaritano. Jesus, portanto, quebrou dois preconceitos ao mesmo tempo, coisa que escandalizou os próprios discípulos (v. 27). E, pela narração do Evangelho, ficamos ainda sabendo que era uma mulher de vida irregular (v. 18), que vivia com homem que não era seu marido.

A história de Jesus com a samaritana é um exemplo claro da afirmação do próprio Cristo: “Eu vim chamar os pecadores à conversão”. Essa frase ou Jesus a pronunciou, muitas vezes, ou ela chocou muito os Apóstolos, já que três evangelistas a transcreveram (Mt 9,13; Me 2,17; Le 5,32). E por que teria chocado? Porque os hebreus evitavam os pecadores. No caso da samaritana, além de ser ‘pagã’ e de vida desregrada, era mulher. E nenhum rabino perdia tempo em passar ensinamentos a mulheres. Jesus hoje dá um exemplo da verdadeira misericórdia: abriu o coração a uma pessoa necessitada de ajuda.

 

A história de uma mulher da Samaria

Frei Almir Guimarães

Como a corça suspira pelas águas correntes, assim a minha alma suspira por ti, ó Deus. Minha alma tem sede do Deus vivo: quando virei a contemplar o rosto de Deus?
Salmo 42, 2-3

O desejo humano diferencia-se do desejo dos animais que se confunde com as necessidades, pois o destes visa unicamente no quadro da luta pela sobrevivência, à assimilação instintiva do objeto. O desejo do ser humano é uma sede diversa: é o desejo de ser amado, olhado, cuidado, desejado e reconhecido. Ser humano é sentir que a existência depende desse reconhecimento, mais do que de outra coisa qualquer, e por isso está pronto a ariscar tudo, até a própria vida. Enquanto desejamos objetos quaisquer que eles sejam, enquanto nos deixamos mover no encalço das coisas, carreiras, títulos, honorificências, o nosso desejar não é ainda um desejar verdadeiro. O puro desejo principia quando se formula, sem mais, como nua abertura ao outro.
José Tolentino Mendonça
Elogio da sede, Paulinas, p. 48

Quaresma, tempo que nos leva ao esplendor da noite pascal, tempo de revisão de vida, tempo em que desejamos aquilo que a sede provoca em nós. Tempo de renovar nosso mergulho batismal na morte e ressurreição do Senhor. O encontro de Jesus com a mulher de Samaria faz parte do patrimônio da quaresma. Os que se preparavam para o batismo no clássico período do catecumenato (sec. IV e V) se afeiçoaram a esse poço e a essa mulher tão cheia de perguntas e de questionamentos. Como desfecho do encontro ela exclama: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz. Será que ele não é o Cristo?”

Assim a mulher poderia fazer o relato de seu inesperado e alvissareiro encontro:

“Quando eu cheguei ao poço aquele homem já estava se aproximando. Lembro-me que era um dia muito quente. Veio a Sicar e parecia exausto. Sentou-se à beira do poço. Era um judeu. Quando cheguei era bem por volta do meio-dia. Fui lá para encher o cântaro de água e nem podia imaginar o que ia acontecer.

Não é que aquele estrangeiro resolveu me dirigir a palavra! Pedia que lhe desse a beber. Fui categórica: “Onde se viu tu, judeu, pedir água a uma mulher samaritana!!” Ele não reagiu. Continuou a conversa.

Ele começou a me dizer que se eu soubesse quem ele era, eu que pediria a beber, que ele tinha uma água viva, e que quem dela bebesse não precisaria ir ao poço tantas vezes. Começou a dizer que eu deveria pedir o dom de Deus. Imaginem nem balde ele tinha. Como poderia me dar de beber? Ele queria ser maior do que nosso pai Jacó. Confesso que fiquei curiosa e quase revoltada.

Não esqueço nenhuma das palavras que ele disse. Elas martelavam em minha cabeça. Fiquei impressionada com aquela história de água viva que ele tinha a oferecer proveniente de Deus. Estas palavras calaram fundo dentro de mim: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe der, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água para a vida eterna”. Essas palavras ficaram gravadas em mim. Eu poderia ter uma misteriosa fonte dentro de mim. Lembro-me que lhe disse então: “Senhor, dá-me desta água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha que vir aqui para tirá-la”. Penso que naquele momento eu não dizia coisa com coisa. Água, sede… sei lá…

Depois fui me dando conta que ele me conhecia por dentro… estranhamente. Pediu que eu fosse chamar meu marido e já estivera ciente que já tivera cinco e o homem com quem eu vivia não era meu marido… Curioso. Pareceu um profeta, um leitor do profundo das pessoas.

A conversa continuou. Num determinado momento houve uma declaração extraordinária. Eu lhe disse, então: “Sei que o Messias deve chegar, que se chama Cristo e que vai ensinar todas as coisas”. Então, pasmem, ele me disse: “O Messias sou eu que estou falando contigo”.

Nesse momento chegaram os que andavam com ele… e nem tive tempo de continuar a conversa. Não conseguia assimilar aquilo que ele me dissera. Deixei o cântaro lá. A água poço ficara em segundo plano. Agora sentia dentro de mim uma estranha sede. Comecei a pensar que ele tinha no poço de seu coração uma fonte borbulhante de vida. Estava começando a me ligar ao fascínio desse homem sentado à beira do poço. Fui correndo para a cidade dizendo que havia encontrado um homem que havia lido as páginas do livro da minha vida. Comecei a pensar seriamente que ele era mesmo o Messias. Uma sede louca e diferente ardia em minha garganta”.


Concluindo:

♦ Esta admirável página do diário de uma mulher samaritana deve ser completa ainda com observações do quarto evangelista: “Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da mulher que testemunhava: Ele me disse tudo o que fiz. Por isso os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa de sua palavra. E disseram à mulher: “Já não cremos por causa de tuas palavras, pois nós mesmo ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo” (Jo 4, 39-42).

♦ Há homens e mulheres desejosos de plenitude e dos quais hoje o Cristo ressuscitado se aproxima questionando seus projetos de vida e insinuando-se em suas existências pela Palavra, pelos acontecimentos da vida, pelos apelos ao silêncio, pelos sinais dos tempos. Quem sabe, muitos de nossos contemporâneos, mesmo depois de certa caminhada de fé, podem também, como a mulher da Samaria, dizer: “Será que ele não é o Cristo?”

♦ “Hoje, torna-se cada vez mais claro que as sociedades capitalistas, organizadas à roda do consumo, explorando avidamente as compulsões de satisfação de necessidades induzidas pela publicidade, estão, na prática, removendo a sede e o desejo tipicamente humanos. O discurso capitalista promete liberta o desejo das inibições da lei e da moral em nome de uma satisfação ilimitada. Mas quando o gozo, a paixão, a alegria se esgotam no consumismo desenfreado, seja de objetos, seja das próprias pessoas, chegamos à extinção da sede, à agonia do desejo. A vida perde horizonte. Os tetos tornam-se cada vez mais baixos. Há nas nossas culturas, e nas nossas Igreja de igual modo, um déficit de desejo. Quando se adverte que estamos assistindo no presente à emergência, cada vez em escala maior, de sujeitos sem desejo, isto deve conduzir-nos a uma autocrítica eclesial. Nós, os batizados, formamos uma comunidade de desiderantes? Os cristãos têm sonhos?”

José Tolentino Mendonça
Elogio da sede, op.cit., p. 48-49


Oração

Tu não podes suportar, Senhor,
que um só dos teus se perca.
Tu nos procuras quando nos afastamos de ti.
Tu vais em busca dos que nós abandonamos.
E vais procurar aqueles dos quais ninguém sente falta.
Sempre te perdes entre os perdidos para encontra-los.
Nós nos entregamos a esta certeza,
a esta promessa que rompe nossos esquemas,
nos entregamos a teu amor cheio de ternura e imaginação
porque sentimos tua misericórdia e fidelidade
em nossa vida.
F. Ulíbarri

 

A religião de Jesus

José Antonio Pagola

Cansado da caminhada, Jesus se senta junto ao poço de Jacó, nas proximidades da cidade de Sicar. Logo chega uma mulher samaritana para saciar sua sede. Espontaneamente Jesus começa a falar com ela do que traz em seu coração.

No decorrer da conversa, a mulher lhe fala dos conflitos que enfrentam judeus e samaritanos. Os judeus peregrinam a Jerusalém para adorar a Deus. Os samaritanos sobem o monte Garizim, cujo cume se divisa do poço de Jacó. Onde se deve adorar a Deus? Qual é a verdadeira religião? O que pensa o profeta da Galileia?

Jesus começa esclarecendo que o verdadeiro culto a Deus não depende de um determinado lugar, por muito venerável que possa ser. O Pai do céu não está atado a nenhum lugar e não é propriedade de nenhuma religião. Não pertence a nenhum povo concreto.

Não devemos esquecer que para encontrar-nos com Deus não é necessário ir a Roma ou peregrinar a Jerusalém. Não é preciso entrar numa capela ou visitar uma catedral. Do cárcere mais secreto, da sala de terapia intensiva de um hospital, de qualquer cozinha ou lugar de trabalho podemos elevar nosso coração a Deus.

Jesus não fala à samaritana de “adorar a Deus”. Sua linguagem é nova. Até por três vezes lhe fala de “adorar o Pai”. Por isso não é necessário subir a uma montanha para aproximar-nos um pouco de um Deus longínquo, alheio aos nossos problemas, indiferente aos nossos sofrimentos. O verdadeiro culto começa por reconhecer a Deus como Pai querido que nos acompanha de perto ao longo de nossa vida.

Jesus lhe diz algo mais. O Pai está buscando “verdadeiros adoradores”. Não está esperando de seus filhos grandes cerimônias, celebrações solenes, incensos e procissões. Corações simples que o adorem “em espírito e em verdade” é o que Ele deseja.

“Adorar o Pai em espírito” é seguir os passos de Jesus e deixar-nos conduzir como Ele, pelo Espírito do Pai, que o envia sempre para os últimos. Aprender a ser compassivos como o é o Pai. Jesus o diz de maneira clara: “Deus é Espírito, e aqueles que o adoram, devem fazê-lo em espírito”. Deus é amor, perdão, ternura, sopro vivificador … e os que o adoram devem assemelhar-se a Ele.

“Adorar o Pai em verdade” é viver na verdade. Voltar constantemente à verdade do Evangelho, sermos fiéis à verdade de Jesus sem fechar-nos em nossas próprias mentiras. Depois de vinte séculos de cristianismo, será que aprendemos a dar culto verdadeiro a Deus? Somos os verdadeiros adoradores que o Pai está buscando?

 

O batismo, “água viva”

Pe. Johan Konings

A água é tão vital que sua escassez até poderá provocar uma terceira guerra mundial. Sem água não há vida. Quando os hebreus no deserto desafiaram Deus exigindo água, Deus lhes deu água física (1ª leitura). No evangelho, Jesus conscientiza a mulher samaritana de sua sede bem mais profunda, não por água material, mas por “espírito e verdade”. Esta sede é aliviada pelo dom de Jesus Cristo.

Ele é a “água viva”, que acaba definitivamente com a sede e faz o mundo viver para Deus. Paulo, na 2ª leitura, evoca “simbolismo da água para falar do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O batismo é a efusão do Espírito sobre os fiéis.

Esse dom de Deus é gratuito. Os hebreus, no deserto, desconfiaram de Deus e acharam que deviam desafiá-lo. Mas o dom do Espírito trazido por Cristo, que dá sua vida por nós, e pura graça. Nem sequer conseguimos pedi-lo como convém, porque ultrapassa o que pedimos. Por isso, devemos deixar Deus converter e educar o nosso desejo, para que nosso desejo material nos leve ao desejo da vida no Espírito.

Por outro lado a consciência do dom espiritual (= divino) não leva a desprezar o desejo materialista daqueles que realmente estão necessitados. O desejo fundamental conforme a vontade de Deus orienta também a busca dos bens materiais necessários e sua justa distribuição.

Precisamos de verdadeira “educação do desejo”. Nossa sociedade consumista não “cultiva” o desejo, mas exacerba-o e o torna desenfreado. Em vez disso, devemos aprofundar nosso desejo, para que ele reconheça a sua meta verdadeira: a “água viva”, Cristo, o dom de Deus na comunhão com o nossos irmãos… O desejo da água natural significa o desejo de viver. Aliviada a sede, o desejo continua. Qual é o seu fim? O desejo não é pecado: é bom, é vital, mas deve ser orientado; através das criaturas para seu verdadeiro fim, o Criador.

A Quaresma é na tradição da Igreja, o tempo da preparação para o batismo. A água do batismo significa uma realidade invisível, aponta para a satisfação de nosso grande desejo: a vida que Cristo nos dá, o Espírito de Deus, derramado em nossos corações. A “educação” de nosso desejo pode ser a preparação da renovação do nosso compromisso batismal. E a melhor pedagogia para isso é começar a não mais satisfazer qualquer desejo mesquinho e egoísta, mas concentrar nossa vida em torno do desejo profundo – material e espiritual – de nós mesmos e dos nossos irmãos.

Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

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