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Quinto domingo da Quaresma

"Lázaro, saia para fora!" (Evangelho segundo São João). "Lázaro, saia para fora!" (Evangelho segundo São João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/03/liturgiadominical_26.jpg

Uma doença para a glória de Deus

Frei Gustavo Medella

“Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11,4). Imaginemos esta afirmação de Jesus no Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma (Jo 11,1-45) aplicada à pandemia de covid-19 que assola a humanidade. Acreditar que algo tão devastador possa contribuir para a “glória de Deus” pode, à primeira vista, parecer algo fora da realidade ou expressão do capricho de um Deus que se faz sádico diante da dor e do sofrimento humanos. Como Deus seria glorificado num cenário tão desolador e repleto de medo e insegurança?

No entanto, ao se analisar o período que a humanidade vive à luz do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a compreensão da sentença proferida pelo Mestre em relação a seu amigo Lázaro começa a adquirir feições de algo que, na lógica cristã, pode significar a glória de Deus que se expressa na salvação do ser humano.

Em primeiro lugar, situações extremas representam oportunidade para o ser humano fazer eclodir aquilo que traz de pior ou de melhor em si. Crises, guerras e pandemias são terreno fértil para fazer aflorar egoísmos extremos e concepções de mundo extremamente excludentes, onde reina o “cada um por si”. Neste caso, nem Deus consegue ser “por todos”, afinal, em Jesus Cristo, ele fez questão de ter a humanidade como parceira.

Por outro lado, também é nestas horas em que o absurdo da fragilidade humana se escancara que muitos encontram em si a força de gestos edificantes de solidariedade, cooperação, ajuda mútua, mudança de vida e partilha de bens. Neste caminho, fica mais fácil perceber que Deus é por todos à medida que cada um passa a ser pelo outro. É o Lázaro da humanidade redimida que transcende o cenário de medo e pavor que cada um traz em seu egoísmo interior e “vem para fora”, atendendo ao chamado de Jesus, percebendo que existe, sim, vida depois da covid-19 e que esta vida começa agora, a nascer nos mais simples gestos de amor que cada ser humano se torne capaz de realizar.

 

5º Domingo da Quaresma – ano A 2020

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”.

  1. Primeira leitura: Ez 37,12-14

Porei em vós o meu espírito para que vivais.

A mensagem deste pequeno texto (v. 12-14) entende-se melhor à luz da visão dos ossos secos (Ez 37,1-11), que o profeta Ezequiel teve durante o exílio da Babilônia. O profeta fazia parte da primeira leva de exilados para a Babilônia, em 597 a.C., ainda antes da destruição de Jerusalém (587 a.C.). Vivia no meio do povo, numa planície onde os exilados tinham construído suas casas (cf. Jr 29,5-7), junto a um canal de irrigação, ligado ao Rio Eufrates. Em suas pregações, Ezequiel pedia ao povo o arrependimento e a conversão e procurava renovar a fé e a esperança no Deus libertador. Porém, à medida em que os anos iam passando e as promessas não se cumpriam, um profundo desânimo se abateu sobre os deportados: “Nossos ossos estão secos – diziam –, nossa esperança acabou, estamos perdidos” (v. 11). Tão desesperadora era a situação de Israel no exílio! Neste contexto, o profeta é conduzido, em visão, pelo espírito do Senhor para fora de sua casa e vê uma grande planície cheia de ossos secos. O próprio Deus lhe pergunta: “Poderão estes ossos reviver”? E o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes”. Somente Deus poderia dar nova vida a esses ossos secos! Então, Deus manda o profeta dizer: “Vou infundir em vós um espírito para que revivais”! Por ordem do Senhor, Ezequiel convoca o espírito divino os ossos todos se erguem num estrondo, cobrem-se de carne, recebem o espírito de Deus e põem-se de pé como um imenso exército (37,5-10). Deus não só recria Israel pelo seu espírito (cf. Gn 2,7), como também renova a aliança (“meu povo”) e promete reconduzir seu povo à terra prometida. Quando tudo isso acontecer, diz “sabereis que eu sou o Senhor (…) “sabereis que eu, o Senhor, digo e faço”. Esse “sabereis que eu sou o Senhor” é uma fórmula que ocorre mais de cinquenta vezes em Ezequiel. Significa experimentar a presença de Deus vivo em nossas vidas. Perceber a ação criadora e vivificadora do espírito de Deus, que tudo renova na face da terra (cf. Sl 104,29-30). Esta é a mensagem cheia de esperança que Ezequiel anuncia aos exilados, quando tudo lhes parecia ter acabado: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais” (2ª leitura e Evangelho).

Salmo responsorial

          No Senhor, toda a graça e redenção.

  1. Segunda leitura: Rm 8,8-11

O Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos

mora em vós.

Paulo exorta os cristãos de Roma a viver de acordo com a fé que abraçaram. Na comunidade, havia judeus convertidos que continuavam ainda presos às práticas da lei de Moisés. O cristão batizado, diz Paulo, recebe o Espírito de Deus, que é também o Espírito de Cristo, pertence a Cristo e Deus mora nele. Ora, foi o Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Como este mesmo Espírito mora em nós, também nós ressuscitaremos um dia para a vida eterna. Quando vivemos nossa fé, o Espírito transforma nossos corpos mortais em morada de Deus e, por isso, nos ressuscitará.

Aclamação ao Evangelho

        Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus.

  1. Evangelho: Jo 11,1-45

Eu sou a ressurreição e a vida.

O evangelho do 5º domingo da Quaresma, que precede à Semana Santa conta o “milagre” da ressurreição de Lázaro. João conta poucos milagres de Jesus e prefere chamá-los de “sinais”. O presente “sinal” é o sétimo, o último e o maior de todos. O evangelista afirma que Jesus fez muitos outros sinais, mas estes “foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,31). A narrativa da ressurreição é impressionante, quase teatral, e nos leva a seguir os passos dos personagens principais: Jesus, os discípulos, as irmãs Marta e Maria e seu irmão Lázaro. As atenções de todos voltam-se para Lázaro porque está doente, morre, mas é ressuscitado por Jesus. O mais importante, porém, é o que estes personagens falam. Os diálogos são muitos. Destaquemos alguns. As irmãs mandam dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. Ao receber o recado, Jesus comenta: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Marta mostra uma profunda confiança quando se encontra com Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Mas ela quer seu irmão Lázaro de volta, vivo e agora, e acrescenta: “Mas sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Jesus responde: “Teu irmão ressuscitará”. Como muitos judeus, especialmente os fariseus, Marta acreditava na “ressurreição no último dia”, mas queria a reanimação do cadáver de seu irmão. De fato, Jesus ia tirar Lázaro da sepultura e devolvê-lo vivo a Marta e Maria. Mas isso era um “sinal” de algo muito maior, pois Lázaro morreu depois, como qualquer outra pessoa. Jesus explica, então, o sentido da “ressurreição no último dia”. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto”? E Marta responde, professando sua fé em Jesus como “o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.

A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, é o fundamento de nossa “ressurreição no último dia” (2ª leitura).

 

Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus

Frei Clarêncio Neotti

Betânia era um lugarejo na encosta do Monte das Oliveiras, oposta ao jardim, onde Jesus passou a noite de Quinta-feira Santa. Ficava à beira da estrada que vinha da Galileia, da Samaria e de toda a região do vale do rio Jordão. Não distava mais de três quilômetros de Jerusalém (v. 18). Subindo de Betânia, passa-se por Betfagé e logo, do alto do Monte das Oliveiras, vê-se a cidade na colina de Sion, no outro lado do vale do Cédron. Os peregrinos costumavam parar em Betânia, tomar banho, recompor-se, para entrar dignamente na Cidade Santa. Jesus e os Apóstolos faziam a mesma coisa. E costumavam parar na casa de Lázaro, Marta e Maria, uma família remediada, que se tornara amiga íntima de Jesus.

Nesse episódio, encontramos de novo o esquema de João Evangelista: contar um milagre para dar uma grande lição teológica. E, na narração, ir abrindo um leque de ensinamentos entrelaçados. A grande lição de hoje está no verso 35: “Eu sou a ressurreição e a vida”. A pergunta de Jesus a Marta: “Crês isso?” continua válida e fundamental. A resposta de Marta é a única resposta possível em todos os tempos: “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus!” Em torno do túmulo de Lázaro, enquanto estavam apenas criaturas humanas, havia choro e lamentos de morte. Toda a amizade que tinham por Lázaro não lhe restituía a vida. O ser humano é impotente diante da morte. Quando chegou Jesus, homem-Deus, bastou uma ordem sua e Lázaro reviveu. A morte não foi obstáculo para Jesus. Ele veio trazer à humanidade a plenitude da vida (Jo 10,10), veio para que aqueles que nele crerem, ainda que estivessem mortos, viessem a vida sem ocaso (v. 25-26).

 

Aquele que veio nos dar vida

“Lázaro,  vem para fora!”

O  homem de hoje,  como o de todas as épocas,  traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e  mais difícil de responder:  o que vai ser de todos e de cada um de nós?  É inútil tentar enganar-nos. O que podemos fazer diante da morte? Rebelar-nos?  Ficar deprimido?
                                               Pagola

À beira do fim,  há sempre  tanta coisa que começa.

               José Tolentino Mendonça

♦ Estamos para terminar o tempo da Quaresma. Desde a segunda metade de fevereiro, vivenciamos um retiro espiritual que nos permite avaliar nossa caminhada  como seres humanos, como peregrinos de uma vida em plenitude e como discípulos  de Jesus. Será que a expressão “discípulos de Jesus” no diz alguma coisa?  Ou  discípulos missionários? Semana após semana  fomos e estamos nos preparando  para renovar nossas promessas batismais na  noite da vigília pascal, tradicional noite dos batismos,  da iluminação de  homens e mulheres que  quiseram e querem  nascer para Deus. A samaritana e sua sede, o cego que passa a enxergar,  a vida na ressurreição de Lázaro que hoje ouvimos.  Tudo pode  fazer nascer e alimentar  em nós o homem.

♦ Jesus costumava passar momentos de felicidade em casa  de  Marta, Maria e Lázaro.  Aquela casa era para ele um oásis de paz. Quando não perambulava em suas andanças, gostava de se recolher ali.  Assim,  Éloi Leclerc examina o quadro do encontro de Jesus  com a morte de seu  “amigo”:  “Jesus se sentiu  profundamente abalado com a morte repentina de Lázaro e  a dor experimentada por suas duas irmãs.  A  notícia despedaçou-lhe o coração.  E deixou  transparecer o sentimento.  Quando se encontrou  com as irmãs do amigo  morto, a sua comoção foi tal  que não pode conter as lágrimas.  Daí o comentário de alguns: “Vejam como era amigo dele”.  A  humanidade de Jesus não era uma  humanidade de fachada.

♦ Morte, realidade incontornável. Morte de corpos doentes, cansados e gastos. Coração sem força,  pulmões sem ar,  falência múltipla dos órgãos,  palidez.   Lá se foi o sangue.  Lá se foram as cores.  Fim de sonhos e de projetos. Realidade que nos amedronta.  Nossos tempos evitam de falar no tema.  Somos incapazes de derrotá-la.  Somos pó e ao pó  voltamos.  Mas somos pó com o sopro do Espírito.

♦ Morte do corpo, morte do homem velho, morte de ilusões,  morte de amizades,  morte de afetos de que andávamos precisando,  morte do  jovem que éramos,  grão que morre para dar vida.  Estamos sempre nesse processo misterioso de morte e vida.  Não sabemos  administrar a morte.  Certo  que esse desejo de vida que borbulha em nós  não pode ser ilusório.  Ficamos extasiados com a vida:  a vida da criança de bochechas rosadas,  a vida  recuperada pelo amigo,  a vida das quaresmeiras.  Quantos tipos de vida.  E há essa saudade de viver  com a Vida com vê maiúsculo.  Somos fadados a viver.

♦ “Jesus fixou seus olhos em Marta, aquele olhar que não se limita a pousar na superfície dos seres, mas penetra até o fundo.  Via bem como ela se sentia dilacerada e recusava violentamente a separação, e o seu desejo de uma vida isenta de morte e das consequentes rupturas.  E, para além  do desespero de Marta, via a humanidade inteira, o imenso mar  humano a soerguer-se, na sua ânsia de vida, como um vagalhão enorme  que no entanto se esboroava contra o muro intransponível da morte”.

♦ Jesus opera um sinal. Em estilo dramático  João descreve a cena.  Manda que tirem a pedra.  Os circunstantes advertem que o  morto já cheira mal  Jesus ergue os olhos para o Pai.  Com voz forte,  grita: “Lázaro, vem para fora!” O morto tem as mãos e os  pés atados e o rosto envolto num sudário. O morto sai.   Trata-se de um sinal que  Jesus coloca  para anunciar a vitória da  vida sobre a morte que está para acontecer  em sua ressurreição,  sua morte pascal.  Jesus havia chorado  diante do sepulcro. Não estaria ele pensando em sua próxima e violenta morte?  E derramando lágrimas por antecipação?

♦ Soam retumbantemente aos  nossos ouvidos  as palavras   que  Jesus dirigiu a Marta:  “Eu sou a ressurreição e vida.  Quem crê em mim,  mesmo que morra, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá.  Crês isto,  Marta?”  Na sepultura fria ou no ato da cremação vidas desaparecem.  Os cristãos andam dizendo a todos através dos tempos que a vida não é tirada,  mas transformada. Os seres que agora sepultamos sepultamos vivem de outro modo no universo de Deus.  Com sua individualidade   continuam a viver na comunhão dos santos.  “Crês isto, Marta?”

♦  Esses corpos  criados à imagem e semelhança de  Deus,  corpos marcados pelo batismo  renovado ao longo de toda a vida,  apontam para a  Vida. “A vida deles é incomparavelmente mais         intensa do que a nossa. Sua alegria não tem fim. Sua capacidade de amar não conhece limites nem fronteiras.  Não vivem separados de nós, mais muito dentro de nosso ser como nunca.  Sua presença transfigurada e seu carinho nos acompanham sempre”  (Pagola).

♦ Recentemente, Hans Küng, o teólogo mais crítico do século XX, próximo  já de seu final, disse que, para ele, “morrer é descansar  no mistério da  misericórdia de Deus.


Oração

Tu estás perto,   Senhor.

Estás sempre nos oferecendo  teu amor.

Perdão por nossa falta de fé. 

Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco,

sustentas nossa vida e não nos damos conta.

Perdão pela nossa mediocridade.

Tu nos ajudas a conhecer-nos,

nos falas como a filhos,

nos animas a viver, e não te escutamos.

Perdão por nossa falta de acolhida.

Tu nos amas com ternura,

queres o melhor para nós,

e não  te agradecemos.

Perdão por nossa ingratidão.

 

Chorar e confiar

José Antonio Pagola

Acontece o mesmo com todos nós. Não queremos pensar na morte. É melhor esquecê-la. Não falar disso. Continuar vivendo cada dia como se fôssemos eternos. Já sabemos que isto é um engano, mas não conseguimos viver de outra maneira. Seria insuportável para nós.

Mas, a qualquer momento, a enfermidade vem sacudir-nos da inconsciência. Nos nossos dias é cada vez mais frequente uma experiência antes desconhecida: a espera pelos resultados dos exames médicos. Qual será o diagnóstico? Negativo ou positivo? De repente descobrimos ao mesmo tempo a fragilidade de nossa vida e nosso desejo enorme de viver.

Se o tumor for benigno, um alívio: podemos continuar com nossas ilusões e projetos. Se for maligno, desabamos: por que agora, por que tão depressa, por que tenho que morrer? Sempre é assim. Seja qual for a nossa ideologia, nossa fé ou nossa postura diante da vida, todos teremos que enfrentar esse final inevitável. Diante da morte, sobram as teorias. O que podemos fazer: rebelar-nos, ficar deprimidos ou simplesmente enganar-nos? Diante da morte, Jesus fez duas coisas: chorar e confiar em Deus.

Em Betânia morreu seu amigo Lázaro. Ao ver sua irmã chorar e os que a acompanhavam, Jesus, profundamente comovido, se põe a chorar. As pessoas comentam: “Vede como Ele o amava!” É sua primeira reação: pena, compaixão e pranto. Jesus sofre ao ver a distância enorme que há entre o sofrimento dos seres humanos e a vida que Deus quer para todos eles.

Mas Jesus tem fé no Pai: “Esta enfermidade não acabará em morte”. É sua segunda reação: uma confiança total em Deus. Um dia Lázaro morrerá. O próprio Jesus terminará seus dias executado numa cruz. Ninguém escapa da morte. Mas Deus, amigo da vida, é mais forte do que a morte. Temos que confiar nele.

Inevitavelmente, um dia nossas análises médicas nos indicarão que nosso fim está próximo. Será duro. Certamente vamos começar a chorar. Nossos familiares e amigos mais queridos chorarão conosco sua aflição e impotência. Mas, se cremos em Jesus Cristo, poderemos dizer com fé: “Nem sequer esta enfermidade acabará em morte”, porque Deus só quer para nós vida, e vida eterna.

 

O batismo, vida nova

Pe. Johan Konings

Que é “vida nova”? Para os materialistas, o sucesso depois do aperto. Para os espíritas, reencarnação… Nos dois casos, é apenas uma reedição melhorada daquilo que já se viveu… Jesus traz uma vida verdadeiramente nova, de outra ordem.

A liturgia nos convida a voltar às nossas origens como povo de Deus, lá no antigo Israel. Israel estava no exílio, na Babilônia: um povo morto. Então, Ezequiel viu os ossos mortos recobrarem a vida pelo “espírito” (o sopro) de Deus. E Deus explica: seu espírito fará reviver o povo de Israel, que vai voltar para a sua terra (1ª leitura).

No Novo Testamento, Paulo diz que vivemos uma vida nova, pelo espírito de Cristo que habita em nós, o Espírito que fez Cristo ressuscitar (2ª leitura). O batizado já não vive somente a vida natural, mas, pela fé, está ligado ao “corpo de Cristo”(a comunidade eclesial) e recebe o Espírito-Sopro de Cristo, que transforma sua vida. Quem foi batizado criança, talvez nem chegue a pensar nisso. Mas então está na hora de assumir isso como adulto. Para isso servem a Crisma e a renovação do compromisso da fé na noite pascal.

No evangelho de hoje, Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jô 11,25). Em sinal disso, faz voltar Lázaro à vida. Sinal da vida nova que Jesus comunica e que ele é em pessoa! Como discípulo e amigo de Jesus, Lázaro já tinha recebido, em sua vida mortal, a vida espiritual e eterna da união com Cristo e o Pai. Por isso, morrendo, ele não morre, mas vive, definitivamente… Para significar isso, Jesus o chama corporalmente do sepulcro. Isso não teria sido necessário, porque pela fé Lázaro já estava vivendo a vida eterna. Mas Jesus quis dar um sinal dessa vida eterna que a fé produz em todos aqueles que forem, como Lázaro, fiéis à palavra de vida que Jesus manifesta em sua pessoa e em todo o seu agir.

Podemos dizer que o batismo dá esta vida nova? Sim, porque ele nos dá como princípio vital a fé e a adesão a Cristo e à sua vida. O batizado vive uma vida realmente nova, animada pelo espírito de Cristo. Mas sem a fé, traduzida em obras, o batismo fica morto. A vida da fé batismal se verifica, por exemplo, quando ela transforma uma sociedade de morte (fome, opressão, exclusão) numa comunidade de vida, fraternidade, comunhão.

Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

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