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Cúria Diocesana

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2º Domingo da Páscoa

“Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” (Evangelho segundo João). “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/04/liturgia_alto_19.png

Uma paz urgente e necessária

Frei Gustavo Medella

No Evangelho deste 2º Domingo do Tempo Pascal, o Ressuscitado aparece entre os discípulos trazendo-lhes a paz, oportuna e necessária para o tempo de medo e insegurança que eles viviam: “A paz esteja convosco”. Com sua presença pacífica e pacificadora, o Senhor transforma o coração dos seus e os prepara para serem enviados em missão. A paz transformadora que o Senhor apresenta e oferece transforma em primeiro lugar o coração dos mais próximos e presentes. Tomé, ausente num primeiro contato, tem certa resistência em deixar-se transformar pela presença de Deus. Prefere não ouvir a voz do Senhor falando na força da comunhão dos fiéis.

Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, a descrição de uma comunidade que se deixa guiar pelos ensinamentos de paz que o Ressuscitado oferece, marcados pela oração, pela comunhão, pela partilha e pela generosidade. Tais ensinamentos adquirem caráter de urgência para o tempo de pandemia que estamos vivendo. Numa hora como esta, caem por terra todos os luxos e caprichos para que a vida em sua manifestação mais simples seja preservada e protegida. Fortuna, mercado, sistema financeiro, lucros, luxos e mimos, privilégios devem dar lugar a uma lógica nova, revolucionária, pascal.

Salvar-se, neste atual contexto, é oferecer toda assistência necessária para que nenhuma vida se perca. Já perdemos diversas, é verdade. Mas o compromisso de salvá-las deve ser o grande norte para o qual o Ressuscitado nos direciona e que as lições aqui aprendidas sirvam de fato para nos transformar a partir de dentro, a fim de que o mundo seja um lugar onde a vida, de fato, seja mais forte do que a morte.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011

 

2º Domingo depois da Páscoa

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, e o sangue que nos redimiu”.

  1. Primeira leitura: At 2,42-47

Todos os que abraçavam a fé viviam unidos
e colocavam tudo em comum.

Lucas dá uma imagem idealizada da comunidade cristã de Jerusalém (At 2,42-47), imagem que se completa em At 4,32-36 e 5,12-16. Lucas apresenta esta imagem como uma resposta viva à pregação de Pedro após a vinda do Espírito Santo (At 2,1-41). A primeira comunidade surge sob o impacto do Espírito Santo, derramado pelo Ressuscitado. O segredo do crescimento e do fervor desta comunidade está resumido no v. 42: “Eles frequentavam com perseverança a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações”. Os elementos constitutivos da comunidade são: o anúncio da Palavra que propõe e salvação, e tem como resposta o serviço (diaconia), a comunhão (partilha, koinonia) e o louvor de Deus. A partilha de bens na comunidade é um reflexo da ordem de Jesus na última ceia: “Fazei isto em memória de mim”. Celebrar a Eucaristia não é apenas fazer a memória da última ceia, da paixão, morte e ressurreição do Senhor. É também fazer a memória da vida de Jesus, marcada pela divisão do pão (duas “multiplicações”); é a memória do Cristo ressuscitado que se deu a conhecer aos discípulos de Emaús ao partilhar com eles a palavra e o pão.

Salmo responsorial: Sl 117

            Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;

            eterna é a sua misericórdia.

  1. Segunda leitura: 1Pd 1,3-9

Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

Ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva.

Esta carta quer confortar os cristãos de origem pagã da segunda geração, ameaçados pela perseguição. O texto começa com um hino batismal, no qual se louva a Deus Pai pela obra da salvação. A misericórdia de Deus se manifesta pela fé em Cristo Ressuscitado. Pelo batismo Cristo nos faz nascer de novo para “uma esperança viva” na salvação que está reservada no céu para nós, e se manifestará quando Ele vier em sua glória nos “últimos tempos”. A fé e a esperança se tornam vivas e verdadeiras quando passam pelo fogo das provações e nos preparam para participar na manifestação gloriosa de Jesus Cristo. Com tais palavras a carta visa confirmar a fé e o amor dos cristãos que, como nós, não conheceram Jesus de Nazaré: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais”. Para os cristãos da Carta de Pedro, e a nós também, dirigem-se as palavras que Jesus diz a Tomé incrédulo: “Acreditaste, porque me viste? Felizes os creram sem terem visto” (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho

Aleluia, Aleluia, Aleluia.

            Acreditaste, Tomé, porque me viste.

            Felizes os que creram sem ter visto!

  1. Evangelho: Jo 20,19-31

Oito dias depois, Jesus entrou.

Os evangelhos lidos nos domingos após a Páscoa apresentam as narrativas das aparições de Jesus ressuscitado. No evangelho de hoje João nos conta duas aparições: uma na tarde do primeiro dia da semana e outra, oito dias depois. Na primeira, Jesus se manifesta aos “discípulos” reunidos no cenáculo. Acontece depois da visita de Maria Madalena ao túmulo, da corrida de Pedro e João ao túmulo vazio e da aparição de Jesus a Maria Madalena. No final da primeira aparição é conferido o dom do Espírito (v. 21-23). Os discípulos recebem o Espírito em vista da missão: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (v. 21). Tomé, que não estava presente na primeira “reunião”, não acreditou no testemunho dos apóstolos (v. 24-25). A segunda aparição aos onze apóstolos acontece uma semana depois, e Tomé estava entre eles. O incrédulo Tomé é repreendido: “Põe aqui o dedo e olha minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado, e não sejas incrédulo, mas homem de fé”. Tomé devia tocar o lado traspassado de Jesus, deixar-se tocar pelo amor total daquele que deu sua vida por nós. A incredulidade de Tomé traz uma repreensão, válida para todos nós: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que não viram e creram”.

O evangelho está relacionado com a 1ª leitura pelo tema da “reunião”. É na assembleia reunida no Dia do Senhor é que vivemos, celebramos e cultivamos nossa fé comum no Cristo Ressuscitado. Está também relacionado com a 2ª leitura: “Sem o terdes visto, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa” (1Pd 1,8). – A fé em Cristo ressuscitado se reaviva quando nos reunimos no Domingo a fim de participar na oração em comum, e nos alimentamos da mesa da Palavra e da mesa da Eucaristia.


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Meu Senhor e meu Deus!

Frei Clarêncio Neotti

A dúvida de Tomé é providencial. Ele não deve ter sido o único Apóstolo que demorou a acreditar na Ressurreição. Mateus o diz expressamente: “alguns ainda duvidavam” (Mt 28,17) na hora da Ascensão. A dúvida é em si positiva. É sempre parte do caminho andado na procura da verdade. Por isso mesmo, Jesus não repreendeu Tomé. Ajudou-o a superar a dúvida e o levou a uma perfeita profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (v. 28). Esses dois títulos juntos, no Antigo Testamento, eram reservados a Javé. O Apóstolo não só passou a acreditar que Jesus ressuscitara, porque aí estava e ele podia pôr o dedo nas chagas, mas também viu nele o Cristo de Deus. A palavra “Senhor”, para designar Jesus, só aparece depois da Ressurreição nos escritos sagrados. O Apóstolo Paulo dirá aos Filipenses: “Toda a língua proclame que Jesus é o Senhor!” (Fl 2,11).

Com esse episódio, o evangelista queria lembrar um modo novo de ver e ouvir Jesus. Os Apóstolos o podiam tocar, ver; podiam escutá-lo de viva voz. Mas isso terminaria na Ascensão. Todos os outros discípulos, inclusive Paulo e nós, devemos “crer sem ver”. Se não vemos com os olhos do corpo, não significa que nossa fé seja menor ou menos baseada ou menos firme que a dos Apóstolos. Jesus nos anima muito com a frase: “Felizes os que não viram e creram” (v. 29).


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

Bendito Tomé!

Frei Almir Guimarães 

Hoje estamos sendo convidados a ir ao encontro  dos apóstolos que estão reunidos em Jerusalém, no Cenáculo.  O evangelho fala de uma tarde, no primeiro dia da semana e de outra tarde, oito dias depois. Esses dias serão marcados por manifestações do Senhor Ressuscitado. Podemos bem imaginar que esses pescadores, apesar de tantos sinais de Jesus, estivessem amedrontados.  Afinal, seu Mestre tinha morrido!  Ei-lo agora  passando pelas portas fechadas, isto é, sendo ele e ao mesmo tempo sendo diferente.  Os apóstolos se dão conta  que ele está vivo. Há  alegria no ar. O  Ressuscitado sopra sobre eles e lhes dá a paz.  A paz, a verdadeira paz, nasce do perdão dos pecados.  O sopro é do Espírito.

Jesus não precisa forçar as portas. Ele está presente lá onde quer se fazer presente.  Está no meio dos seus.

Nesse contexto é que se insere o episódio de Tomé.  Ele queria ver para crer, tocar as chagas.  Tomé acontece em nossas vidas  quando  não aceitamos a palavra dos  discípulos.  Eles haviam afirmado que tinham visto o Senhor.  Quer dizer, visto uma manifestação expressamente desejada pelo  Ressuscitado.   Somos  Tomé, depois da dúvida, quando resolvemos  acreditar na palavra dos discípulos ou apóstolos, de ontem e de hoje, quando fazemos nosso o mais belo de todos o gritos de fé:  “Meu  Senhor e meu  Deus”.

O que se guarda  da visita de Jesus ao  Cenáculo na noite da ressurreição e oito dias depois? A paz, a fé, a vida, em outras palavras, a felicidade.

Tomás  Halík,  eclesiástico tcheco,  escreveu um livro  com o sugestivo título  de “Toque as feridas”. O autor “revira” o texto de  Tomé de cabeça para baixo.  A leitura da página que agora transcrevemos poderá servir de meditação  a respeito do episódio em exame:

“Tomé foi um homem disposto a seguir o seu Mestre até o amargo fim.  Lembremo-nos de sua reação  às palavras de Jesus  quando chegou a hora de ir até Lázaro: “Vamos nós também para morrermos com ele”. Ele levou a cruz a sério – e talvez a notícia da Ressurreição tenha lhe parecido um final feliz  fácil demais para  a Paixão de Cristo. Talvez tenha sido este o motivo pelo qual ele se recusou a compartilhar  a alegria  dos outros apóstolos e, por isso, tenha exigido ver as feridas de Jesus. Ele queria ver se a Ressurreição não  esvaziava a cruz. Tão somente então ele poderia dizer o seu  Eu creio.  Talvez  o “Tomé incrédulo”  tenha compreendido  o sentido da Páscoa  de forma mais profunda que os outros.

A incredulidade de Tomé foi mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos crentes, escreveu  o Papa  Gregório Magno  em sua homilia  sobre este texto do Evangelho.

Jesus se aproxima de Tomé e lhe mostra suas feridas. “Veja, o sofrimento  – não importa qual  – não foi simplesmente apagado e esquecido!”.  As feridas permanecem.  Mas aquele que “suportou as doenças de todos nós”,  atravessou também  a porta do inferno e da morte, e ele continua   (incompreensivelmente)  aqui entre nós.  Com isso, ele nos mostrou: “O amor tudo suporta”,  “águas torrenciais  não conseguirão apagar o amor, nem os rios  poderão afoga-lo”, “porque o amor é forte como a morte”, até mais forte do que ela.  À luz desse evento, o amor se apresenta como  valor que não podemos relegar  ao domínio do sentimentalismo: o amor uma força  –  a única força capaz de sobreviver á morte e de abrir as portas com suas mãos traspassadas.

A ressurreição não é, portanto, um “final feliz”, mas um convite e um incentivo.  Não podemos, nem devemos capitular  diante do fogo do sofrimento, mesmo quando não o consigamos  apagar agora. Quando confrontados com o mal, não podemos ceder-lhe  a última palavra. Não devemos ter medo de “acreditar no amor”, nem mesmo quando, segundo todo os critérios do mundo, ele estiver perdendo. Tenhamos a coragem de responder a “sabedoria do mundo”  com a loucura da cruz.

Talvez  Jesus  – ao ressuscitar a fé de Tomé   pelo toque das feridas   –  quis lhe dizer a mesma coisa que  me revelou a mim no orfanato   em Madras:  lá, onde você toca o sofrimento humano  –  e talvez apenas lá –  você reconhece que  Eu estou vivo, que  “Eu sou”. Você me encontra em todos os lugares  em que as pessoas sofrem. Não esquiva-se de mim  em nenhum desses encontros. Não tenha medo!  Não seja incrédulo.  Creia!” (p.18-19).


FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

 

Abrir as portas

José Antonio Pagola

O Evangelho de João descreve com traços obscuros a situação da comunidade cristã quando em seu centro falta Cristo ressuscitado. Sem sua presença viva, a Igreja se converte num grupo de homens e mulheres que vivem “numa casa com as portas fechadas, por medo dos judeus””.

Com as “portas fechadas” não se pode ouvir o que acontece lá fora. Não é possível captar a ação do Espírito no mundo. Não se abrem espaços de encontro e diálogo com ninguém. Apaga-se a confiança no ser humano e crescem os receios e preconceitos. Mas uma Igreja sem capacidade de dialogar é uma tragédia, pois os seguidores de Jesus são chamados a atualizar o eterno diálogo de Deus com o ser humano.

O “medo” pode paralisar a evangelização e bloquear nossas melhores energias. O medo nos leva a rejeitar e condenar. Com medo não é possível amar o mundo. Mas, se não o amamos, não o olhamos como Deus o olha. E, se não o olhamos com os olhos de Deus, como comunicaremos a Boa Notícia?

Se vivemos com as portas fechadas, quem deixará o redil para buscar as ovelhas perdidas? Quem se atreverá a tocar algum leproso excluído? Quem se sentará à mesa com pecadores ou prostitutas? Quem se aproximará dos esquecidos pela religião? Os que querem buscar o Deus de Jesus nos encontrarão com as portas fechadas.

Nossa primeira tarefa é deixar entrar o Ressuscitado através de tantas barreiras que levantamos para defender-nos do medo. Que Jesus ocupe o centro de nossas igrejas, grupos e comunidades. Que só Ele seja fonte de vida, de alegria e de paz. Que ninguém ocupe seu lugar, que ninguém se aproprie de sua mensagem. Que ninguém imponha um modo diferente do seu.

Já não temos mais o poder de outros tempos. Sentimos a hostilidade e a rejeição em nosso entorno. Somos frágeis. Mais do que nunca, precisamos abrir-nos ao sopro do Ressuscitado para acolher seu Espírito Santo.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

Nossa fé “apostólica”

Pe. Johan Konings

Todo mundo gosta de ter provas palpáveis para acreditar. Mas, para que ainda acreditar, quando se tem provas palpáveis? E que certeza dão as pretensas provas? Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus”(At 10,41), principalmente os apóstolos. Acreditamos naquilo em que eles acreditaram. Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o Ressuscitado e por isso acreditaram. Caso típico é Tomé (evangelho). Ele foi até convidado por Jesus a tocar nas chagas das mãos e do lado. O evangelho não confirma que ele tocou mesmo, mas sim, que ele creu: “Meu Senhor e meu Deus”.

Nós não temos este privilégio. Nós seremos felizes se crermos sem ter visto, como diz o fim dessa história (Jô 20,29)! Mas, para que isso fosse possível, os apóstolos nos deixaram os evangelhos, testemunho escrito do que eles viram e da fé no Cristo e Filho de Deus que abraçaram (Jô 20,30-31).

O Cristo descrito nos evangelhos é visto com os olhos da fé dos apóstolos. Um incrédulo o veria bem diferente. Nós cremos em Jesus assim como os apóstolos o viram. A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de “amar Cristo sem tê-lo visto” e de “acreditar nele (como Senhor e fonte de nossa glória futura), embora ainda não o vejamos “ (2ª leitura).

Acreditamos também na comunidade que, nessa fé, os apóstolos fundaram. A 1ª leitura descreve-a como comunidade de oração e de vida, recordando Jesus na “fração do pão” e praticando a comunhão de bens, repartindo tudo entre si. Pois para ser fiel a Cristo não basta orar e celebrar; é preciso fazer o que ele fez: repartir a vida com os irmãos.

Nós acreditamos na fé dos apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Então, nossa fé não é coisa privada. É apostólica e eclesial. Damos crédito à Igreja dos apóstolos. Os primeiros cristãos faziam isso até materialmente: entregavam os seus bens para que ela os transformasse em instrumentos do amor do Cristo. Crer não é somente aceitar verdades. É agir segundo a verdade do ser discípulo e seguidor do Cristo.

É inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. É impossível verificar por evidências encontradas ou forjadas fora do ambiente dos evangelhos a ressurreição de Cristo. Ora, o importante não é “verificar” ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos (inclusive Tomé) tiveram em Jesus e a nós transmitiram.

A fé dos apóstolos exige de nós que creiamos em seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado, ou seja, que adiramos à mesma fé. E exige também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial, que brotou de sua pregação.


PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

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