phone 

Cúria Diocesana

91 3425-1108

 

Terceiro domingo da Páscoa

“Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Evangelho segundo Lucas). “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Evangelho segundo Lucas). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/04/liturgia_20.jpg

Um dando força para o outro, e Cristo, para todos

Frei Gustavo Medella

Saudades… Da missa, da comunhão, do canto, dos trabalhos pastorais, de passar na igreja para uma oração pessoal e silenciosa, de confessar-se, de encontrar rostos conhecidos e familiares, do abraço da paz, das crianças correndo e brincando, do cafezinho com pastel na cantina, ou com biscoitinho ao fundo da igreja, até dos avisos paroquiais. Eis um mosaico de experiências extremamente simples mas que, quando faltam, mostram-se essenciais e importantes.

A caminhada da Igreja em tempos de pandemia assemelha-se sobremaneira à caminhada dos Discípulos de Emaús. Uma experiência eclesial vivida a partir de casa, com o convívio mais restrito daqueles que dividem o mesmo teto. Um percurso no qual nem sempre é fácil se perceber a presença viva e próxima do Ressuscitado que caminha junto, afinal o cenário não deixa de ser nebuloso, incerto e assustador.

Notar a presença de Cristo vivo que caminha na Igreja doméstica é tarefa que exige uma postura de fé corajosa e aberta ao amadurecimento. Não adianta incorrer na pressa de retornar a uma “normalidade” que certamente não voltará tão cedo. A hora é de paciência, perseverança, oração e muita solidariedade. Cada um é convidado a descobrir em Cristo um amigo íntimo, parceiro de todas as horas, força nos momentos de luta e dificuldade. É imprescindível que permaneçamos caminhando juntos, dando força um para o outro, e Cristo junto, dando ânimo e coragem para todos.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.

 

3º Domingo depois da Páscoa, ano A

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração: “Ó Deus, que o vosso pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição”.

  1. Primeira leitura: At 2,14.22-33

Não era possível que a morte o dominasse.

No dia de Pentecostes os judeus comemoravam em Jerusalém a doação da Lei de Moisés. Na mesma ocasião estavam reunidos em Jerusalém, também, os apóstolos com dezenas de discípulos e discípulas, no monte Sião. A comunidade estava reunida em oração, com portas e janelas fechadas, por medo dos judeus. De repente, houve um forte ruído do céu, acompanhado de um vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo toda a casa onde os discípulos estavam reunidos. Era a manifestação do Espírito Santo prometida por Jesus, antes de sua ascensão ao céu (Lc 24,48). Muitos judeus peregrinos acorreram ao lugar para ver o que estava acontecendo. Em meio a uma imensa alegria, abrem-se as portas e janelas e os discípulos saem da casa. Pedro, então, toma a palavra para explicar ao povo o sentido de tudo o que estava acontecendo. Em seu discurso, Pedro dirige-se aos ouvintes judeus (v. 22-24) e anuncia o “querigma”, isto é, a proclamação da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que visa levar os ouvintes à conversão e à fé em Jesus. Os acontecimentos do “querigma” pascal são pura iniciativa de Deus, nome repetido quatro vezes. A ação divina por meio de Jesus é pública: “tudo isso vós mesmos o sabeis”, porque as coisas aconteceram “entre vós”. Mas, a ressurreição de Jesus é presenciada e vivida apenas pelas testemunhas qualificadas (v. 32), os apóstolos e as 120 pessoas reunidas no cenáculo com eles. Pedro cita o salmo 15, argumentando que Davi fala profeticamente da ressurreição de Jesus, “que vós o matastes, pregando-o numa cruz” (v. 25-33). Deus Pai ressuscitou Jesus dentre os mortos (cf. Lc 9,21-22.43-45; 18,31-34) e o exaltou à sua direita na glória do céu. O Pai concedeu a Jesus o Espírito Santo que havia prometido, e Jesus o derramou sobre as testemunhas de sua ressurreição. Os ouvintes estavam presenciando a ação do Espírito Santo derramado sobre as testemunhas.

Salmo responsorial: Sl 15 (16)

        Vós me ensinais vosso caminho para a vida;

            junto de vós felicidade sem limites!

  1. Segunda leitura: 1Pd 1,17-21

Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo,

Cordeiro sem mancha!

Desde antes da criação do mundo Deus nos amou e no fim dos tempos enviou seu próprio Filho para nos salvar. Não foi com ouro ou prata que Cristo nos resgatou do pecado e da morte, mas com seu próprio sangue, entregando sua vida como máxima prova de amor. Mas Deus o ressuscitou dos mortos – diz Pedro – e por isso alcançamos a fé em Deus. Pela fé estamos firmemente ancorados em Deus, porque nossa fé e esperança estão guardadas no coração de nosso Deus. É o que cantamos no Salmo responsorial: “Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio”.

Aclamação ao Evangelho

Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura;

Fazei o nosso coração arder, quando falardes.

  1. Evangelho: Lc 24,13-35

Reconheceram-no ao partir o pão.

Lucas coloca três narrativas relacionadas com a ressurreição de Jesus, todas, no primeiro dia da semana, dia especial em que os cristãos celebravam a ressurreição do Senhor (cf. At 20,7). Na primeira, conta como as mulheres, discípulas de Jesus que o acompanhavam desde a Galileia (Lc 8,1-3), e estavam presentes junto à cruz (23,55), dirigem-se ao túmulo levando perfumes, mas não encontram o corpo de Jesus. Dois anjos lhes explicam que o túmulo está vazio porque Jesus ressuscitou, como havia dito. Elas levam a notícia aos discípulos. Mas eles não acreditam na explicação dada pelos anjos. Pedro, no entanto, vai conferir o túmulo vazio e fica apenas admirado. Segue, então, a narrativa sobre os discípulos de Emaús, que hoje escutamos. Após a manifestação do Ressuscitado os dois discípulos voltam imediatamente a Jerusalém para contar sua experiência aos apóstolos, e eles lhes dizem: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão”. Segue, então, na noite do mesmo dia semana a aparição de Jesus a todos os que estavam reunidos. – As experiências de Jesus ressuscitado acontecem quando as pessoas estão reunidas e falam dele; recordam e contam o que Ele fez e falou. Os anjos recordam que Jesus ressuscitou conforme havia dito na Galileia. Jesus leva a boa notícia de sua ressurreição aos discípulos tristes e desanimados, recorda as Escrituras e se manifesta a eles ao partir do pão. Partir o pão lembra a multiplicação/divisão dos pães. O coração dos discípulos começa a arder enquanto escutam o Mestre no caminho (mesa da palavra), mas o reconhecem quando parte o pão, gesto típico de Jesus (mesa da eucaristia).

Tudo aponta para a liturgia eucarística que estamos celebrando. A celebração da Eucaristia na comunidade reunida no Domingo, o Dia do Senhor, é o lugar privilegiado para a experiência da presença viva do Cristo Ressuscitado, que nos alimenta com sua palavra e com seu corpo e sangue.


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Quando a morte é fonte de vida

Frei Clarêncio Neotti

Os dois discípulos tinham escutado das mulheres que Jesus ressuscitara (vv. 22-23), mas não foram ao túmulo vazio. Preferiram voltar para seu trabalho. A ideia que faziam de Jesus de Nazaré era insuficiente, incompleta. Tinham-no por profeta e esperavam que ele levantasse o povo contra os romanos invasores e “fosse o libertador de Israel” (v. 21).

Compreende-se, então, facilmente a decepção. Um general morto jamais fará guerra nem contará vitórias. Eles não tinham sabido ler os sinais: nem o que os profetas predisseram nem o sentido dos milagres de Jesus. Não haviam alcançado a dimensão divina de Jesus de Nazaré. Apenas haviam percebido a sua grandeza humana, a sua capacidade de liderança, o seu senso de justiça, o seu “poder profético em ação e palavras” (v. 19).

Se Jesus tinha todas essas qualidades, tinha uma outra que eles não alcançavam: tinha poder divino, tinha “o poder de dar a vida e retomá-la quando quisesse” (Jo 10,18). Era homem, filho de carne humana, mas era o Filho de Deus. Não basta simpatizar com a causa de Jesus. É preciso nunca perdermos de vista a dimensão divina de Jesus, para não ficarmos decepcionados diante de seu túmulo vazio e não vermos que está vazio, porque ele ressuscitou. A força guerreira e política termina na morte. A força divina e redentora transforma a própria morte em fonte de vida.


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

Emaús, a “avenida” que andamos percorrendo

Frei Almir Guimarães

Não estava ardendo o nosso coração  quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as  Escrituras?  (Lc 24,32) 

            A Igreja não comemora a Ressurreição do Senhor apenas no domingo de Páscoa.  Durante todo o tempo pascal vamos aprofundando nosso conhecimento do  Ressuscitado e de sua ação em nosso meio.  Neste domingo, diante de nós,  dois personagens, conhecidos como  os discípulos de Emaús.  Um deles chamava-se Cléofas.  Do outro nem o nome sabemos. Na caminhada que empreendem encontram um peregrino misterioso que haveria de os cativar.  Naquele momento  chegava de tristeza.  Nada de dar as costas  a Jerusalém.

“A fé em Cristo ressuscitado  não nasce em nós de maneira automática e segura. Ela vai despertando em nosso coração de maneira frágil e humilde. No começo é quase só um desejo. Geralmente cresce rodeada de dúvidas e questionamentos (…). Crer no Ressuscitado não é questão de um dia. É um processo que pode durar anos. O importante é nossa atitude interior. Confiar sempre em Jesus. Reservar-lhe  muito mais lugar em cada um de nós e em nossas comunidades cristãs”  (Pagola, Lucas, p. 366).

Passados  os dias da paixão e o  sepultamento de Jesus os discípulos entraram numa nuvem escura.  Penetram na noite da dúvida.  Teria sido tudo um sonho? Teriam se enganado com aquele que lhes havia falado com tanta veemência da vida?  Agora estava morto.  Com ele os discípulos sepultaram esperanças e sonhos. Cléofas e seu companheiro deram as costas a Jerusalém, cabisbaixos, caminhando na direção de Emaús. Emaús passou a ser um nome  mágico sinônimo  de comunhão, intimidade, beleza e contemplação.  Muitas casas de retiro e de revigoramento espiritual são designadas de Emáus.

Os dois caminhavam  com tristeza.  Esse Jesus que havia suscitado tanto entusiasmo, alento, esperança morrera no alto da cruz. Quantas punhaladas do coração?  Era melhor fugir.

Um peregrino misterioso, porém,  se associa ao caminhar do dois.  Fala-lhes das Escrituras com paixão e convicção. Procura lembrar aos dois passagens que falavam do Messias, palavras de confiança e de esperança.  Promessas feitas aos pais da fé, de modo especial a Abraão… Lembra-lhes, afinal de  contas, sua falta de fé. Aos poucos, o coração dos dois começa a arder. Um fogo, um ardor, uma ponta de esperança.

O que valeu para eles, vale para nós. Se em nossa  caminhada nos reunimos  para recordar Jesus, escutar sua mensagem, conhecer sua ação profética, meditar sua entrega,  sua crucifixão, se percebemos que as palavras de Jesus nos comovem  então nosso coração começa a arder.  Em nosso grupo, ele caminha conosco.  Ontem como hoje, trata-se de conviver com as Escrituras. Ele como que salta das páginas. Será fundamental  não alimentar  cegueira e surdez.

O peregrino ameaça ir adiante.  Os discípulos pedem que entre na pousada de Emaús.  “A cena é simples e afetuosa. Uns viajantes, cansados de seu longo caminhar,  sentam-se como amigos  para compartilhar a mesma experiência. É então que Jesus repete exatamente os quatro  gestos  que, de acordo com a tradição,  havia feito na ceia de despedida: Tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e  deu a eles.  Nos discípulos desperta a fé: Seus olhos se abriram e o reconheceram.  Descobrem a Jesus como alguém que alimenta suas vidas, os sustenta no cansaço e os fortalece no caminho” (Pagola,  Grupos de Jesus, p. 308).

Felizes, transformados, sem sinais de cansaço, quase correndo os dois voltam a Jerusalém  na pressa de anunciar aos outros a boa nova:  Jesus os havia nutrido com seu pão e eles o reconheceram de modo especial, na fração do pão.

Concluindo:

“Não basta celebrar missas nem ler trechos bíblicos de qualquer maneira.  O relato de Emaús fala de duas experiências básicas. Os discípulos não leem um texto, ouvem a voz inconfundível de Jesus, que faz arder seu coração. Não celebram uma liturgia, sentam-se como amigos  à mesma mesa e descobrem juntos que é o próprio Jesus que os alimenta.  Para que continuar a fazer as coisas de uma maneira que não transforma?  Não precisamos antes de mais nada, de um contato mais real com  Jesus?  De uma nova simplicidade? De uma fé diferente?  Não precisamos  aprender a viver com mais verdade e a partir de uma dimensão nova?  Se Jesus desaparece de nosso coração, todo o resto é inútil”  (Pagola, Lucas, p.361-362).

Emaús é um pedaço de nossa aventura humana e cristã.  Quando deixamos que a Palavra nos perpasse e quando alimentamo-nos com o Pão da vida  temos a certeza da presença entre nós  daquele que deixou vazio o sepulcro da morte.  Fazemos nossa a memória da  Igreja que conservou nela, no âmbito da fé,  a Ressurreição do  Senhor. 


Para reflexão 

A presença do  Ressuscitado  é invisível e silenciosa.  Torna-se visível no rosto de um desconhecido,  de um peregrino que se torna companheiro improvisado de caminho, e fala através das palavras da Escritura.  A Bíblia e o outro homem,  a Palavra de Deus contida nas Escrituras e o rosto do outro, sobretudo do estranho e do pobre, são lugares por excelência  em que a presença do  Ressuscitado pode encontrar-nos, recordando-nos o  mandamento evangélico: ama  Deus e o teu próximo.

Luciano Manicardi


Oração

 Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,
o caminho é longo e o cansaço é grande.
Fica para dizer-nos tuas palavras vivas,
que aquietam a mente e inflamam a alma.
Mantém inquietos nossos corações lerdos,
dissipa nossas dúvidas e temores.
Olha-nos com teus olhos de luz e vida,
devolve-nos a  ilusão perdida.
Fica e limpa-nos  o rosto e as entranhas;
queima esta tristeza, dá-nos esperança.
Fica e renova valores e sonhos:
dá-nos de novo tua alegria e tua paz.
Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,
o caminho é longo e o cansaço grande  (F. Ulibarri).


FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

 

Contato pessoal com Jesus

José Antonio Pagola

A caminho de Emaús, dois discípulos caminham com ar triste. Não têm meta nem objetivo. Sua esperança apagou-se. Jesus desapareceu de suas vidas. Falam e discutem sobre Ele, mas, quando Jesus se aproxima deles cheio de vida, seus olhos “não são capazes de reconhecê-lo”. Jesus os havia imaginado de outra maneira ao enviá-los dois a dois: cheios de vida, transmitindo paz em cada casa, aliviando o sofrimento, curando a vida e anunciando a todos que Deus está próximo e se preocupa conosco.

Aparentemente, estes discípulos têm o necessário para manter viva a fé, mas algo morreu dentro deles. Conhecem as Escrituras sagradas: mas isso não lhes serve de nada. Ouviram o Evangelho na Galileia: mas tudo lhes parece agora uma ilusão do passado. Chegou até eles o anúncio de que Jesus está vivo: mas isso é coisa de mulheres, quem pode acreditar em algo semelhante? Estes discípulos têm tudo e não têm nada. Falta-lhes a única coisa que pode fazer “arder” seu coração: o contato pessoal com Jesus vivo.

Não será este o nosso problema? Por que tanta mediocridade e desencanto entre nós? Por que tanta indiferença e rotina? Prega-se sempre de novo a doutrina cristã, escrevem-se excelentes encíclicas e cartas pastorais, publicam-se estudos eruditos sobre Jesus. Não faltam palavras e celebrações. Talvez nos falte uma experiência mais viva de alguém que não pode ser substituído por nada nem por ninguém: Jesus Cristo, o Vivente. Não basta celebrar missas nem ler textos bíblicos de qualquer maneira.

O relato de Emaús fala de duas experiências básicas. Os discípulos não leem um texto, ouvem a voz inconfundível de Jesus, que faz arder seu coração. Não celebram uma liturgia, sentam-se como amigos à mesma mesa e descobrem juntos que é o próprio Jesus quem os alimenta.

Para que continuar fazendo coisas de uma maneira que não nos transforma? Não precisamos, antes de mais nada, de um contato mais real com Jesus? De uma nova simplicidade? De uma fé diferente? Não precisamos aprender a viver tudo com mais verdade e a partir de uma dimensão nova? Se Jesus desaparece de nosso coração, todo o resto é inútil.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

A memória de Cristo na Palavra e na Eucaristia

Johan Konings

A saudade é a gostosa presença do ausente. Quando alguém da família ou uma pessoa querida está longe, a gente procura se lembrar dessa pessoa. É o que aconteceu com os discípulos de Emaús (evangelho de hoje). Jesus tinha sumido… mas, sem que o reconhecessem, estava caminhando com eles. Explicava-lhes as Escrituras. Mostrava-lhes as passagens do Antigo Testamento que falavam dele. Pois existe no Antigo Testamento um veio escondido que, à luz daquilo que Jesus fez, nos faz compreender que Jesus é o Messias: os textos que falam do Servo Sofredor, que salva o povo por seu sofrimento (Is 52-53); ou do Messias humilde e rejeitado (Zc 9-12); ou do povo dos pobres de Javé (Sf 2-3) etc.

Jesus ressuscitado abriu, para os discípulos de Emaús esse veio.Textos que eles já tinham ouvido, mas nunca relacionado com aquilo que Jesus andou fazendo… e sofrendo. Isso é uma lição para nós. Devemos ler a Sagrada Escritura através da visão de Jesus morto e ressuscitado, dentro da comunidade daqueles que nele creem. É o que fazem os apóstolos na sua primeira pregação, quando anunciam ao povo reunido em Jerusalém a ressurreição de Cristo, explicando os textos que, no AT falam dele (1ª leitura). Para a compreensão cristã da Bíblia é preciso “ler a Bíblia na Igreja, reunidos em torno de Cristo ressuscitado”.

O que aconteceu em Emaús, quando Jesus lhes abriu as Escrituras, é parecido com a primeira parte de nossa celebração dominical, a liturgia da palavra. E muito mais parecido ainda com a segunda parte: Jesus abençoa e parte o pão, e nisso os discípulos o reconhecem presente. Desde então a Igreja repete este gesto da fração do pão e acredita que nele Cristo mesmo se torna presente. É o rito eucarístico de nossa missa.

Emaús nos ensina duas maneiras fundamentais para ter Cristo presente em sua ausência: ler as escrituras à luz de sua memória e celebrar a fração do pão, o gesto pelo qual ele realiza sua presença real, na comunhão de sua vida, morte e ressurreição. É a presença do Cristo pascal, glorioso – já não ligado a tempo e espaço, mas acessível a todos os que o buscam na fé e se reúnem em seu nome.


PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Lido 98 vezes

Mídia

Caminhos do Evangelho | 3º domingo da Páscoa franciscanos.org.br

Liturgia

Clique e leia a liturgia diária

Calendário

Calendário de pastoral da Diocese

Sobre a Diocese

EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

Boletim de Notícias

Deixe seu e-mail para ser avisado de novas publicações no site da Diocese de Bragança: