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Cúria Diocesana

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Quarto domingo da Páscoa

“Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (Evangelho segundo João). “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/04/liturgia_27.jpg

Cristo: porta de entrada e saída

Frei Gustavo Medella

Nas linhas do Evangelho, Jesus se apresenta como o Bom Pastor. A comparação do Mestre adquiriu tanta força e significado no passar do tempo que, até hoje, “pastoral” é o termo teológico para distinguir a atuação da Igreja nos diferentes campos, tanto como substantivo (Pastoral da Família, da Saúde, do Dízimo, Litúrgica, Sacramental, Social, etc.) quanto como adjetivo (zelo pastoral, atitude pastoral, preocupação pastoral etc.). Além de ovelha cuidada e dirigida pelo Bom Pastor, a Igreja também tem o compromisso fundamental de ser presença viva e encarnada dos cuidados assumidos por Cristo Jesus.

No Evangelho deste 4º Domingo da Páscoa, Jesus dá um passo adiante e se apresenta também como porta do redil de onde as ovelhas podem sair e entrar com liberdade, tendo acesso às pastagens e à saúde, outro nome de salvação. Em sua Missão Pastoral, a Igreja pode e deve entrar e sair com frequência da Porta-Jesus. A oração e a busca de intimidade com o Senhor é a porta de entrada por excelência expressa na liturgia, na animação Bíblica, no contato próximo e cotidiano com a Palavra de Deus, o processo de iniciação à vida cristã.

Ao entrar por esta porta, o crente amadurece e percebe que a saída se faz um movimento tão fundamental quanto a entrada e aí ele sai com coragem para dar respostas de amor aos desafios da realidade, praticando as obras de misericórdia, atuando com profecia, colocando-se como serva da humanidade. É saindo bem, com unção e formação, que a Igreja se torna presença salvadora na vida de tantos se torna, ao modelo de Cristo, “Pastora” da humanidade.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.

 

4º Domingo da Páscoa, ano A 2020

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

Oração“Deus todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”.

  1. Leitura: At 2,14.36-41

Não era possível que a morte o dominasse.

No domingo passado, Pedro, em seu primeiro anúncio aos judeus (querigma) no dia de Pentecostes, lembrou o que Jesus fez durante sua vida pública e acusou os chefes que o mataram. Mas, ao terceiro dia, Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e os apóstolos eram testemunhas disso. Jesus, porém, foi exaltado à direita de Deus e derramou o Espírito Santo, conforme prometera. De fato, todos os ouvintes foram atraídos para saber o que estava acontecendo junto ao Cenáculo. – Hoje é retomado o discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Pedro apela a todos os ouvintes que reconheçam que “Deus constituiu Senhor e Cristo este Jesus que vós crucificastes”. O anúncio de Pedro provoca um desejo de mudança, por isso a pergunta: “Irmãos, o que devemos fazer?” A resposta de Pedro é clara: Todos devem converter-se, isto é, mudar de vida, batizar-se em nome de Jesus Cristo para receberem o perdão dos pecados, condição para receber o Espírito Santo. Esta proposta/promessa da pregação de Pedro é para os judeus (“vós e vossos filhos”) e para os pagãos (“os que estão longe”), enfim, para todos que “nosso Deus chamar a si”. Naquele dia os que acolheram a mensagem de Pedro, foram batizados, receberam o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo, chegaram a três mil pessoas. Assim teve início a Igreja de Jerusalém, movida pela força do Espírito Santo e o testemunho dos apóstolos (cf. At 1,8).

Salmo responsorial: Sl 22

O Senhor é o pastor que me conduz,

para as águas repousantes me encaminha.

  1. Segunda leitura: 1Pd 2,20b-25

Voltareis ao Pastor de vossas vidas.

Pela sua cruz, Cristo “carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. Cristo é o bom pastor que vai em busca das ovelhas perdidas, para enfaixar aquelas machucadas (Ez 34,11.16; Lc 15,1-7) e curar suas feridas com o remédio de seu amor: “Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (1Pd 2,24-25).

Aclamação ao Evangelho: Jo 10,14

Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;

            Eu conheço as minhas ovelhas

            e elas me conhecem a mim.

  1. Evangelho: Jo 10,1-10

Eu sou a porta das ovelhas

Cada ano do ciclo litúrgico (anos A, B e C) medita-se neste domingo uma parte da parábola (ou alegoria) do Bom Pastor de Jo 10. Neste ano (A) meditamos a primeira parte da alegoria. O texto se divide em duas partes: uma parábola enigmática do pastor das ovelhas (v. 1-6) e Jesus como a porta das ovelhas (v. 7-10). Há uma oposição entre a figura do ladrão/assaltante e a do verdadeiro pastor das ovelhas. Há também uma diferente reação das ovelhas: elas seguem confiantes ao seu pastor e fogem do estranho, que é o ladrão e o assaltante. A porta tem dupla função: distingue o verdadeiro do falso pastor e serve para a entrada e a saída tanto das ovelhas como do pastor. A porta significa, pois, segurança para as ovelhas durante a noite e chance de sair em busca de pastagens e água durante o dia. A porta do curral exerce, portanto, uma função básica para a vida das ovelhas; possibilita, também, apresentar Jesus como a porta (v. 7-10). Insiste-se agora na distinção entre Jesus e os assaltantes, que ameaçavam as ovelhas no curral. A estes, porém, as ovelhas não ouviram, porque eles vieram para matar, roubar e destruir. Jesus, porém, veio para que todos tenham vida em abundância. Jesus é a porta em relação ao Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6).

Com razão o Papa Francisco nos convoca a sermos uma “Igreja em saída”. A Igreja não pode permanecer medrosa, encerrada em si mesma, como os discípulos no Cenáculo antes da manifestação do Espírito. A Igreja de Cristo deve abrir suas portas e janelas, sair em busca das ovelhas desgarradas, perdidas ou machucadas. O verdadeiro pastor vai ao encontro das ovelhas. Ele tem “cheiro de ovelhas”. Assim elas o reconhecem e o seguem em busca de pastagens verdejantes e da água viva, que é o próprio Cristo Jesus (Jo 4,13-14).


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Porta também significa a sorte do encontro

Frei Clarêncio Neotti

Jesus se compara a uma porta. Os pastores costumavam construir nos campos um abrigo para a noite, um retângulo cercado por pequeno muro de pedra, com uma única porta, propositadamente, estreita. Durante a noite, vários pastores levavam ao abrigo suas ovelhas, e um deles ficava de vigia à noite toda. De manhã, cada pastor chamava suas ovelhas, elas saíam pela única porta estreita, ele as contava e as levava a pastar. Todos conheciam essa prática. Mas lembremos que também as cidades eram muradas. Em Jerusalém, sobretudo, eram famosas as muralhas de Salomão e Herodes. Entrava-se e saía-se da cidade somente pela porta. Por isso a porta significava proteção, segurança. Era na porta da cidade que se recebiam os que chegavam e se despediam os que partiam. Por isso a porta significava acolhimento, carinho. Era à porta da cidade que se faziam os negócios, que se compravam dos mascates ou se vendiam aos estrangeiros em viagem. Por isso, a porta significava sempre uma possibilidade.

Quando Jesus se compara à porta, podem compreendê-lo a pessoa simples do campo e a pessoa requintada da cidade. Está dizendo que somente por ele se entra no abrigo, somente por ele se entra na cidade de Deus, no Reino dos Céus. Mas está dizendo também que nele nós encontramos segurança e proteção (Mt 11,28). Ele nos acolhe sempre que a ele recorremos (Jo 6,37). Nele teremos a mais feliz e certa das possibilidades, como dirá mais tarde Pedro: “Nele encontraremos as mais preciosas e ricas promessas e nos tornaremos participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Certamente, Jesus está fazendo uma dura crítica aos fariseus e aos escribas, que “se haviam sentado na cátedra de Moisés” (Mt 23,2). Jesus os chama de “ladrões e assaltantes” (vv. 1 e 8), porque se haviam arrogado o direito de interpretar a Lei divina e a Lei, em vez de ser um roteiro de santificação e vida, tornara-se uma carga de escravidão e de morte (Mt 23,4). A Lei, na interpretação farisaica, já não significava segurança para ninguém, não tinha mais a força de consolar e abrigar os corações angustiados do povo.


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

O Pastor e os pastores

Frei Almir Guimarães

Vim para que tenham a vida e a tenham em abundância.

Jo 10,10. 

Aqueles  que governam devem ter no pensamento  não o poder  que o cargo lhes confere,  mas a igualdade da condição  humana;  que ele se  alegrem não por dar ordens  aos homens, mas em lhes ser  úteis;  Por  conseguinte, a função suprema  é exercida como deve ser,  quando aquele que preside domina  mais sobre os vícios  do que  sobre os irmãos.

São Gregório Magno

Lecionário Monástico  III,  p.281

O Pastor chamado Jesus

♦ Continuamos a viver o tempo pascal na liturgia de nossa Igreja. Todo esse período é marcado por textos que nos ajudam a fortalecer a fé na presença do Ressuscitado no meio de nós. Neste domingo temos a ver com o tema do Bom Pastor. Desde a nossa infância, santinhos no livro de reza da mãe, ilustrações nos textos de catecismo ou em pôsteres nas paredes das igrejas nos mostravam Jesus carregando nos ombros a ovelha desgarrada que ele encontrou no meio dos espinheiros ou fatídicos despenhadeiros. Afeiçoamo-nos a esta imagem e, adultos que somos, ela nada perdeu de sua força. Ele, o pastor nos procura. É o pastor que procuramos. Quando a loucura do pecado nos domina sempre nos lembramos desse carregava as ovelhas perdidas às costas.

♦ Jesus é verdade, caminho, vida, pão e também pastor, mais precisamente a “porta das ovelhas”. Os que passam pela porta de sua vida e de seus gestos chegam a pastos verdejantes. A imagem do pastor é muito vigorosa no ambiente em que Jesus vivia: homem forte, imensas mãos, demonstra carinho pelas ovelhas, conta-as quando voltam dos pastos, cura das machucadas. Misturam-se cuidado e ternura. Encantamento.

♦ Quando Jesus diz o “Eu sou…” faz nos lembrar a definição que Deus se dá na Antiga Aliança: “Eu sou o que sou…”. Há os que informam que o termo pastor vem da raiz indo-europeia pa que quer dizer alimentar. Daí provieram pão, pastor, pastoral. O pastor alimenta. Há o pastor e há mercenário, este que não é dono das ovelhas. Não dá a vida por elas. Aproveita-se delas. Quando vem o lobo, o mercenário foge. O pastor bom conhece suas ovelhas e elas o conhecem pelo assobio e pela flauta. Os pastores conhecem suas ovelhas. Jesus, o bom pastor, vem para que todos tenham vida e vida em abundância. “Eu sou a porta. Quem entra por mim será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagem”. Podem, hoje em dias os pastores que são os bispos e padres conhecer suas ovelhas?

Pastores e Pastoral

♦ As ações da Igreja anunciando Jesus, a Boa nova, suscitando a conversão ao Senhor, alimentando e celebrando a fé, levando as pessoas a viverem uma intimidade com o Senhor, dando-lhes consciência de serem sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, transformadores da sociedade na buscando justiça, colocando-se perto dos seres humanos para que possam ser respeitados em sua humanidade de modo particularíssimo os mais pobres, organizando ações para cuidar mais especificamente de crianças, jovens, casais, idosos, doentes, envelhecidos, encarcerados são designadas de ações pastorais. Por detrás está o “espírito” do Bom Pastor. Bispos, padres e leigos se tornam agentes de pastoral e tentam ser continuação do Bom Pastor.

♦ Os tempos mudaram. Há muito deixamos a cristandade em que bastava uma pastoral de conservação. A continuação de um determinado tipo de vida cristã sem fé personalizada foi fazendo que perdêssemos o gosto de saborear a novidade do Bom Pastor. Fomos ficando engessados numa religião sem vida. Temos a impressão de viver um tempo de igrejas esvaziadas e de cristãos sem ossatura. O nó das pessoas não foi atingido. Soa agradável a nossos ouvidos a palavra evangelização. Uma catequese nocional se tornou um obstáculo. Sair, buscar, evangelizar, não aprisionar o Evangelho…

♦ Pastor, pastoral. Trata-se voltar ao vigor do Evangelho. Necessário criar grupos pequenos de cristãos, que busquem juntos, rezem juntos, cresçam juntos. Padres e leigos haverão de insistir numa primeira conversão verdadeira ao Senhor que está no meio de nós. Os tempos falam de discípulos missionários. Sim, grupos pequenos, não apenas de “amiguinhos”, laboratórios de proximidade, auxílio mútuo, espaço de criação de um cristão vigoroso sem pretensões de reivindicações marcadas por estrelismo e promoções pessoais tão alheios ao modo de viver dos cristãos. Pastoral de leigos sem clericalizações. Pastoral dos padres sem adaptações às propostas volúveis de “modernizações” ineficazes. Sempre em saída.

♦ Pensamos na figura do padre. Vivemos perto de igrejas. Missas, batizados, casamentos (cada vez menos). Cursos de batismo, de crisma, de catequese… O padre está presente em tudo. Que padres para nossos tempos? Que tipo de homem líder da fé necessitamos ? Como estão sendo formados os padres diocesanos e religiosos? Transparece neles a figura do Bom Pastor?

♦ “É preciso cuidar para que no pastor, a bondade mostre aos súditos uma mãe, e o rigor moral de um pai. Deve-se prover com toda solicitude, para que a severidade não seja rígida nem frouxa a bondade” (São Gregório Magno).

♦ Costuma-se dizer, com certa razão, que “o padre é um outro Cristo”. Haverá de copiar em sua vida o perfil do Bom Pastor. Tal se concretizará num grande amor pelos que lhe foram confiados. Presença sensível na vida das crianças, dos jovens que precisam de sua voz. Ajudar as pessoas a tomar decisões importantíssimas em sua vida. Estar próximo dos que se casam e constituem a Igreja doméstica, dos sadios e dos doentes, dos que vivem e que morrem. Mesmo consciente de suas fragilidades, ele representa e refaz em sua vida a presença de Jesus do qual se diz que “amou-os até o fim”.

♦ O padre que é padre de verdade não se contenta em ser “funcionário” do sagrado e das coisas sagradas e “colocador” de gestos sacros. Ele terá paixão pelas pessoas. Não quer que ninguém se perca. Sofre porque muitos não procurem a Cristo e se fecham no universo do egoísmo e mesmo da maldade. O verdadeiro sacerdote é confidente e amigo de Deus. Vive de Deus. Consagra-lhe seu coração e seu corpo. Homem que reza. Reza no quarto e reza com os colegas de presbitério. Prepara- se bem para a missa. Cultiva silêncio interior e exterior. Vela para que os sacramentos sejam realizados condignamente. É pai, irmão, amigo.

♦ “Que o Pastor seja, pela humildade, um companheiro dos que fazem o bem; e contra os vícios dos que praticam o mal, possua um enérgico zelo de justiça. Nunca se considere melhor do que os outros homens de bem…” (São Gregório Magno).


♦♦♦ Oração

“Eu te escolhi…”

É o Senhor que fala:

Sacerdote, eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povo
para que celebres dia após dia
minha nova e eterna Aliança de amor.
Nada fazes de mais grandioso do que oferecer
com mãos puras e coração ilibado esse sacrifício:
juntos o povo santo, tu e eu.
É a Pascoa libertadora em vista do Reino novo.
Tu haverás de fixar teu coração nessa mesa.

Eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povo
para que sejas servidor de minha Palavra,
proclamada oportuna e inoportunamente.
Ela, em certos dias, vai arder em teu coração e teu espírito,
feito uma ferida antes de curar os corações machucados e feridos.
Não te imagines nunca possuir a Verdade;
procura humildemente no meio de teus irmãos dar um modesto testemunho dela.

Haverás de carregar comigo, em teus ombros, a ovelha perdida, perdoarás o filho que volta,
sentar-te-ás comigo à mesa dos que não contam,
farás com que os mudos cantem,
lavarás os pés dos pobres sem amor,
abrirás o ouvido dos surdos.

Mesmo com o cansaço da estrada
e para além dos medos e das dúvidas,
como Pedro, proclamarás a Vitória da fé.

Não te amedrontem os espinhos que em tua carne
te humilham.
Aos olhos dos homens eles testemunham que a ti
basta minha graça
e que meu Chamamento é um amor gratuito.

Homem de pouca fé e frágil,
haverás de gozar de minha força de ressurreição,
de libertação e de reconciliação num pobre vaso de argila.
Certamente aqui e ali tu conhecerás o fracasso
e não poderás dele escapar.
Deverás te despojar do peso de teus projetos pessoais
para atravessar o muro do impasse, para além do qual,
o sol de meu chamamento de novo haverá
de iluminar teu coração fiel.

Amando esta terra,
mas ardendo pelo Esplendor de meu Pai,
pela unção de minhas mãos, pelo poder do Espírito Santo
eu te associei ao meu único sacerdócio salvador
que te reveste de simples grandeza.
Eu te escolhi gratuitamente entre os homens.
Fiz de ti um pescador de homens.

(Inspirado em texto de Michel Hubaut)


FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

 

A necessidade de um guia

José Antonio Pagola

Para os primeiros cristãos, Jesus não é só um pastor, mas o verdadeiro e autêntico pastor. O único líder capaz de orientar e dar verdadeira vida ao ser humano. Esta fé em Jesus como verdadeiro pastor e guia adquire uma atualidade nova numa sociedade massificada como a nossa, onde as pessoas correm o risco de perder sua própria identidade e ficar aturdidas diante de tantas vozes e reclamos.

A publicidade e os meios de comunicação social impõem ao indivíduo não só a roupa que deve vestir, a bebida que deve tomar ou a música que deve ouvir. Impõem também os hábitos, os costumes, as ideias, os valores, o estilo de vida e a conduta que deve adotar.

Os resultados são palpáveis. São muitas as vítimas desta “sociedade-aranha”. Pessoas que vivem “segundo a moda”. Pessoas que já não agem por própria iniciativa. Homens e mulheres que buscam sua pequena felicidade, esforçando-se para adquirir aqueles objetos, ideias e comportamentos que lhes são ditados de fora.

Expostos a tantos chamarizes e reclamos, corremos o risco de não escutar mais a voz do próprio interior. É triste ver as pessoas esforçando-se para viver um estilo de vida “imposto” de fora, que simboliza para elas o bem-estar e a verdadeira felicidade.

Nós, cristãos, cremos que só Jesus pode ser guia definitivo do ser humano. Só com Ele podemos aprender a viver. O cristão é precisamente aquele que, a partir de Jesus, vai descobrindo dia a dia qual é a maneira mais humana de viver. Seguir a Jesus como Bom Pastor é interiorizar as atitudes fundamentais que Ele viveu, e esforçar-nos para vivê-las hoje a partir de nossa própria originalidade, prosseguindo a tarefa de construir o reino de Deus que Ele começou.

Mas, enquanto a meditação for substituída pela televisão, o silêncio interior pelo ruído e o seguimento da própria consciência pela submissão cega à moda, será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor que pode ajudar-nos a viver no meio desta “sociedade do consumo” que consome seus consumidores.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

Salvação – Só por Cristo?

Pe. Johan Konings

No evangelho, Jesus narra uma parábola. Naquele tempo, os povoados tinham seu curral (redil) comunitário. O curral tinha um portão, por onde os pastores entravam para chamar as suas ovelhas (que conheciam a voz de seu pastor), e por onde as ovelhas passavam para ir pastar. Mas também apareciam sujeitos que abriam uma brecha na cerca em vez de entrar pela porta: os ladrões. Até aí a parábola (versos 1-5). Depois, Jesus explica: ele mesmo é essa porta por onde pastores e ovelhas devem passar. Pastor que não passa por ele, não serve para os fiéis. E também os fiéis têm de passar por ele para encontrar a vida que procuram.

Pastor mesmo é quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. Neste sentido, as pregações apostólicas apresentadas nas leituras de hoje são eminentemente pastorais. São obra de pastores que passaram por Cristo e nos conduzem a ele e – através dele – ao Pai. Veja só, na 1ª leitura o apelo à conversão e a entrada no “rebanho” mediante o batismo, depois da pregação de Pedro. E, na 2ª leitura Pedro lembra aos fiéis que, outrora ovelhas desgarradas, eles estão agora junto ao verdadeiro pastor, Jesus.

O sentido fundamental da pastoral é ir aos homens por Cristo e conduzi-los através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas; antigamente, mais paternalista talvez; hoje, mais participativa. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política associada a setores da Igreja ou a suas instituições? Isso ainda não é, de per si, pastoral. Para ser pastoral, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou dando sua vida por nós.

Nesta ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus ( e não apenas à instituição da Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. E os fieis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”. O critério para discernir isso é este: se eles chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele.

Pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero”(Concílio Vaticano II; Oração Eucarística IV), passa de fato pela porta que é Jesus. Portanto – e é isso que acentua o evangelho de João, escrito para pessoas que já aderiram à fé em Jesus: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente; basta que, nas opções da vida, eles optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir.


PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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