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5º Domingo da Páscoa

“Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’?  (Evangelho segundo João). “Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/05/medicos_07.jpg

Uma multidão e um só coração

Frei Gustavo Medella

“Não se perturbe o vosso coração” (Jo 14,1). Coração perturbado, inquieto, inseguro, ferido, machucado… Coração que procura alento, repouso, sentido… Cabe notar que Jesus se dirige a muitos, mas usa o termo “coração” no singular. “A multidão dos fiéis era um coração e uma só alma” (At 4,32). É na unidade solidária que o coração humano encontra a paz de que tanto necessita. É na unidade congregada pela fé que Jesus a promete, conforme apresenta o Evangelho deste 5º Domingo do Tempo Pascal.

No atual momento da humanidade, a lógica do “salve-se quem puder”, do “levar vantagem a qualquer preço”, do “importar-se somente consigo” mostra-se estéril, ineficaz e destruidora. Mesmo quem é multimilionário e se julga seguro no bunker de seus luxos e caprichos, mais dia menos dia terá de lidar face a face com o desespero de sua finitude, constatando a duras penas que o dinheiro compra muita coisa, mas não compra tudo.

Por mais poderosos que se julguem, suas vidas poderão, na próxima esquina, estar na dependência de gente simples, auxiliares de enfermagem, por exemplo, que recebem a vida inteira aquilo que estes são capazes de lucrar num dia ou num negócio realizado durante um almoço. Seus entes queridos que falecem, transportados por homens mal remunerados que se arriscam na realização dos sepultamentos que ocorrem num fluxo ininterrupto. Gente muito importante a quem nem sempre se dá importância.

A consolação oferecida por Jesus, ao contrário, atua e cresce em ambientes onde a corresponsabilidade caridosa se faz uma regra, onde cada um faz sua parte em benefício do todo, colocando-se a serviço não por prêmio ou reconhecimento, mas porque encontra o tesouro que Jesus deixou como herança no exemplo do Lava-Pés. Já está mais do que claro que o mercado, a meritocracia e a especulação financeira não têm o que dizer num cenário pandêmico e desestruturante que a humanidade está vivendo. Acreditar em Jesus e confiar na garantia de paz que ele oferece significa, portanto, converter o coração e mudar a perspectiva, retomando a convicção que a vida humana não se resume em nascer, crescer, ganhar, acumular, dominar e morrer e que este itinerário torna-se uma grande ilusão se não se deixa impregnar pela força dos verbos amar e servir.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.

 

5º Domingo da Páscoa

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus

 Oração“Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”.

  1. Primeira leitura: At 6,1-7

Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo.

 Lucas fala de uma Igreja que crescemovida pelo Espírito Santo. Não são apenas judeus da Palestina que se convertem, mas também judeus de língua grega, além de pagãos convertidos ao judaísmo (prosélitos). O crescimento provocou uma crise interna de organização. As viúvas de origem grega eram mal atendidas na comunidade. No entanto, fez surgir também um novo ministério, o dos diáconos, encarregados de cuidar dos pobres de origem grega. Para resolver a questão, foram escolhidos sete homens de origem grega. Homens de boa fama, sabedoria e fé, cheios do Espírito Santo. Foram apresentados aos apóstolos, que lhes impuseram as mãos e oraram sobre eles. Surgiu, assim, um novo ministério (serviço) para melhor atender as viúvas de origem grega. Para justificar a criação dos diáconos, Pedro disse: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”.

Na prática os cristãos de língua grega passam a formar uma comunidade própria, sob a liderança dos diáconos. Alguns diáconos, como Estêvão e Filipe, além de cuidar das viúvas, começaram a pregar com entusiasmo o evangelho (At 6,8–7,60; 8,4-40). Com isso cresceu muito o número de cristãos em Jerusalém e na Samaria. – É como o Papa Francisco disse: Prefiro uma Igreja que caminha e leva tombo a uma Igreja parada… que não cresce!

Salmo responsorial: Sl 32

Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça

da mesma forma que em vós nós esperamos.

  1. Segunda leitura: 1Pd 2,4-9

Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino.

O autor desta carta, atribuída ao apóstolo Pedro, escreve para as comunidades cristãs do nordeste da Ásia Menor. Os cristãos eram vítimas de hostilidades, calúnias e desprezo por parte dos pagãos. O autor quer reavivar a fé no Senhor Jesus e elevar sua autoestima como cristãos. Exorta-os a se aproximarem de Jesus, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus como a pedra principal. Sobre ela o Pai quis fundar a sua Igreja (cf. Mt 16,13-20). Os cristãos, perseguidos e desprezados, assemelham-se a Cristo, a pedra viva rejeitada pelos homens. Formam um edifício espiritual e oferecem um sacrifício espiritual, que envolve toda a vida de sofrimentos e, junto com Cristo se torna agradável a Deus. Quem acolhe a Palavra, proclama a Cristo que nos chama à sua luz maravilhosa.

 Aclamação ao Evangelho:

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ninguém chega ao Pai senão por mim.

  1. Evangelho: Jo 14,1-12

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

No domingo passado Jesus se apresentava como a porta que dá acesso ao Pai e como o bom pastor, capaz de dar a própria vida para que todos tenham vida em abundância. Hoje o texto nos dá a razão porque Jesus é a única porta de acesso ao Pai: Porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O início do texto interpreta o evento pascal, mas em termos de espaço e tempo: Jesus morre, mas não permanece no túmulo e, sim, “volta à casa do Pai”. Ao dizer: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”, provoca a pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?” – Tomé é o discípulo disposto a seguir Jesus no “caminho” para Jerusalém, onde Ele haveria de morrer, e diz a seus companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele” (cf. Jo11,7-16). – Na resposta que Jesus dá não fala mais em “casa do Pai” como algo fora da pessoa, mas de algo existencial, muito próximo e imediato: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Na pessoa de Jesus a distância física e temporal com o Pai é eliminada e substituída pela presença existencial de Deus em sua pessoa e em seus discípulos. Basta conhecer a Jesus para conhecer o Pai. Então Filipe – o único discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo (cf. Jo 1,43-44) – fica impaciente e diz: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta”! E Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim”? Na resposta, Jesus insiste três vezes que é preciso ter fé, acreditar. Quem crê em Jesus – Caminho, Verdade e Vida – reconhece o rosto, as palavras e as obras do Pai, que, em Jesus são a fonte da Vida. Moisés queria ver o rosto de Deus: “Deixa-me ver a tua glória” (Ex 32,23), e Deus lhe responde que isso era impossível, pois morreria; só podia “ver Deus pelas costas”, isto é, pelos sinais de alguém que “passou”. Pela fé em Jesus, agora é possível “ver o rosto de Deus Pai”. Não é necessário esperar o fim do mundo para “ver” seu rosto. A presença de Jesus ressuscitado se manifesta agora nas palavras e obras dos fiéis que, animados pelo Espírito Santo, vivem o amor (cf. Jo 14,15-26).


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Jesus e a Criatura humana: um mesmo destino

Frei Clarêncio Neotti

É bonito ver como na Última Ceia Jesus procura consolar e animar os Apóstolos. A eles diz: “Não se perturbe o vosso coração” (v. 1). Repete a mesma frase em 14,27. Mas o grande consolo está na promessa: “Voltarei novamente” (v. 3). Jesus a repete em 14,18; 14,28 e 16,22. Nas primeiras comunidades cristãs, que não tinham visto Jesus com os olhos, a esperança de sua volta imediata era intensa. Havia gente que a esperava com impaciência (2Ts 2,1-3). Aos poucos, foram percebendo que Jesus não falava de uma volta com seu corpo físico, mas falava de sua volta na morte de cada discípulo. Porque na hora de nossa morte, Jesus virá ao nosso encontro pessoalmente. Vê-lo-emos face a face. Será pela mão de Jesus que entraremos no céu. Ele virá para nos julgar com misericórdia e justiça. Professamos essa fé/esperança no Credo.

Assim como Jesus cumpriu a promessa de enviar o Espírito Santo, cumprirá a de retornar para que, onde ele estiver, possamos estar também nós (v. 3). Essa esperança consoladora nós a renovamos em todas as missas quando, depois
do Pai-Nosso, pedimos que, “ajudados por vossa misericórdia, sejamos protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a vinda gloriosa do Cristo Salvador”. Isso não é um ideal talvez alcançável. É uma certeza consoladora que Jesus nos deixou. Ele e nós temos o mesmo destino na terra (12,26; 15,18) e no céu (17,24).


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

Voltar sempre de novo a Jesus

Frei Almir Guimarães

Eu sou o caminho, a verdade e a vida!

A Igreja precisa levar a Jesus: este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer que a Igreja não leve a Jesus, ela seria uma Igreja morta.
Jesus pode romper com os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisiona-lo e surpreende-nos com sua constante criatividade divina.
José A. Pagola

Não há dúvida. Precisamos voltar a Jesus. Um Jesus vivo, ressuscitado, misteriosamente presente em nosso meio e impulsionando-nos a caminhar em frente na busca de um mundo novo, de uma nova ordem de coisas em que os pequenos são reis, os servos são santos, os que recolhem os jogados à beira da estrada mostram que querem fazer da terra um antegozo do paraíso. Sim, antes de tudo buscamos sua presença humana mas também de ressuscitado. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Hoje quem nos dirige estas palavras é o Ressuscitado.

É verdade que a figura de Cristo impressiona a muitos homens e mulheres de nossos tempos pelo seu lado humano: atenção para com os mais simples, respeito pelas crianças, revolta contra os praticantes da lei pela lei e sem coração, compaixão, capacidade de criar laços de amizade, coragem diante das perseguições, alguém que não compactua com a corrupção e a mentira, buscadores de seres dilacerados. A leitura dos evangelhos nos coloca diante de uma figura atraente e que merece toda atenção. Os que o ouvem têm vontade de andar no seu seguimento.

Um aspecto de nosso relacionamento com Jesus é o da amizade. Ele mesmo disse que já não nos chamaria de servos, mas de amigos. Pela leitura em silêncio das páginas das escrituras, pela contemplação do Sacrário, sem muitas falas e hinos, vamos cultivando em nós essa dimensão da amizade com Jesus. Outras vezes preferimos chama-lo de Mestre. Gostamos de chama-lo de Senhor, de nosso Senhor. Não seria essa uma preocupação que deviam ter pais e catequistas já com as crianças chamando atenção para um Jesus amigo, mestre e senhor?

Sabemos que esse Jesus humano foi a presença do Altíssimo entre nós. Nele Deus visitou ( e visita) nossa terra. Percorre nossos caminhos, senta-se à nossa mesa. Se ele é nosso irmão, é também nosso Senhor, tendo passado pela morte e ganhado nova vida é o Senhor. O Jesus histórico encantador e fascinante é o Ressuscitado.

Importante vivermos uns com os outros. Termos o gosto pela convivência, pela comunidade. No seio dessas comunidades ouviremos sua Palavra, falaremos das coisas que precisamos fazer, comeremos seu corpo. É um modo de fazer-se presente a nós. Assim voltamos a Jesus.

“Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por este Deus apaixonado por um vida mais digna, mais humana e feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos” (Pagola).

Voltar a Jesus é empreender um caminho de transformação pessoal que designamos de conversão. Mudança interior em que os valores de Cristo passam a ser nossos valores: simplicidade de vida, extinção de toda vontade de dominar e colocar-se acima dos outros, respeito pelas manifestações de vida, sobretudo nos mais frágeis ( crianças, idosos, aqueles que pela ganância de alguns vivem o inferno antes da hora, os doentes e os idosos).

“Muitas vezes nosso trabalho pastoral é concebido e desenvolvido de tal foram que tendemos a estruturar a fé dos cristãos não a partir da experiência do encontro pessoal com Jesus, o Filho querido de Deus encarnado entre nós, mas a partir de certas crenças, da docilidade a certas pautas de comportamento moral e de celebração fiel de uma liturgia sacramental. Mas só com isto não conseguimos despertar nas comunidades a adesão mística a Jesus Cristo, nem a vinculação própria dos discípulos e seguidores. Fizemos uma Igreja na qual muitos cristãos e não poucos pastores pensam que, pelo fato de viver nela aceitando certas doutrinas e cumprindo certas práticas religiosas, já estão vivendo a experiência vivida pelos primeiros discípulos a comprometer-se a seguir Jesus” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p.52).

Concluindo

Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar aos homens.
Cristo é a verdade: na confusão ruidosas das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como termo último de todas as verdades.Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira que nos abre as portas, para uma vida sem fim, em plenitude total (Inspirado no Missal Dominical da Paulus, p. 383)


Oração pelas Mães
2º domingo de maio

Senhor Deus, grato por teu olhar, por tua bondade,
pela tua delicada presença em todo o tempo de minha vida.
Hoje penso em minha mãe, hoje já envelhecida.
Muito obrigado pela mãe que me deste.
Seu sangue corre em minhas veias.
Junto dela, escondido, comecei a viver quando era quase nada,
quando a força da vida que vem de ti me fez começar a viver.
Ele me deu proteínas, sangue, noites de vigília, cuidados de todos os jeitos, seu leite generoso, cuca de banana, leite queimado com mel nos dias de resfriado, presentes no natal, afago e beijo na hora de dormir e por minha causa e em meu benefício suportou provações e viveu muitas preocupações.


FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

 

Crer em Jesus, o Cristo

José Antonio Pagola

Há na vida momentos de verdadeira sinceridade em que surgem do nosso interior, com lucidez e claridade incomuns, as perguntas mais decisivas: em última análise, em que eu creio? O que é que espero? Em quem apoio minha existência?

Ser cristão é, antes de tudo, crer em Cristo. Ter a sorte de ter-se encontrado com Ele. Acima de toda crença, fórmula, rito ou ideologização, o verdadeiramente decisivo na experiência cristã é o encontro com Jesus, o Cristo. Ir descobrindo por experiência pessoal, sem que ninguém tenha que dizer-nos de fora, toda a força, a luz, a alegria, a vida que podemos ir recebendo de Cristo. Poder dizer a partir da própria experiência que Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”.

Em primeiro lugar, descobrir Jesus como Caminho. Escutar nele o convite a caminhar, avançar sempre, não deter-nos nunca, renovar-nos constantemente, aprofundar-nos na vida, construir um mundo justo, fazer uma Igreja mais evangélica. Apoiar-nos em Cristo para andar dia a dia o caminho doloroso e ao mesmo tempo gozoso que vai da desconfiança à fé.

Em segundo lugar, encontrar em Cristo a verdade. A partir dele descobrir Deus na raiz e no extremo do amor que nós seres humanos damos e acolhemos. Dar-nos conta, por fim, de que a pessoa só é humana no amor. Descobrir que a única verdade é o amor, e descobri-lo aproximando-nos do ser concreto que sofre e é esquecido.

Em terceiro lugar, encontrar em Cristo a vida. Na realidade, as pessoas creem naquele que nos dá a vida. Por isso, ser cristão não é admirar um líder nem formular uma confissão sobre Cristo. É encontrar-nos com um Cristo vivo e capaz de fazer-nos viver.

Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”. É outro modo de caminhar pela vida. Outra maneira de ver e sentir a existência. Outra dimensão mais profunda. Outra lucidez e outra generosidade. Outro horizonte e outra compreensão. Outra luz. Outra energia. Outro modo de ser. Outra liberdade. Outra esperança. Outro viver e outro morrer.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

O sacerdócio dos fiéis

Pe. Johan Konings

O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa.

As leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados. A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores) da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da palavra e fundadores de comunidades, seus sucessores são os bispos). As comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial (bispos, presbíteros, diáconos).

A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada com o título do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal.

O sacerdócio dos féis, reafirmado no Concílio Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquela é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.

No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que vivemos: ele tem o rosto de Jesus.


PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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