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Portugal: Fátima reza pelas vitimas da pandemia do COVID-19

Santuário de Fátima Santuário de Fátima Fonte da imagem: https://www.vaticannews.va/content/dam/vaticannews/multimedia/2019/08/31/2019.08.31%20Pellegrinaggio%20Fatima%2004.jpg/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg

Cardeal D. António Marto lembra “noite escura que pesa sobre o mundo abatido por uma pandemia global”.

Numa celebração inédita, devido à pandemia de Covid-19, e com o recinto fechado e sem peregrinos, o Santuário de Fátima acolheu na última noite a abertura da peregrinação do 13 de maio, presidida pelo Cardeal D. António Marto, bispo de Leiria e Fátima.

A celebração começou junto à Capelinha das Aparições, com a presença dos responsáveis pelas três províncias eclesiásticas de Portugal, em representação das 21 dioceses católicas do país – D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga; D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa; D. Francisco Senra Coelho, arcebispo de Évora – juntamente com os capelães do Santuário de Fátima e um coro de 10 elementos, acompanhado por dois organistas.

Vigilantes do Santuário transportaram o andor e a cruz luminosa através do recinto iluminado por mil velas evocando os peregrinos e as vitimas da pandemia. Também de forma simbólica,  21 leigos levaram uma vela na mão, em representação das dioceses de Portugal, durante a procissão para o altar do Recinto, onde foi colocado o andor com a Imagem de Nossa Senhora de Fátima.

“Fica connosco, Senhor, porque se faz noite! É talvez a primeira invocação espontânea de quem aqui sente a noite escura que pesa sobre o mundo abatido por uma pandemia global; a invocação de quem vive uma noite escura da fé perante o aparente silêncio e ausência de Deus; a invocação de quem estremece e estranha esta noite tão diferente daquelas noites inigualáveis de 12 de maio – autênticos mares de luz – e que hoje mais parece um deserto semiescuro”, assinalou D. António Marto na homilia da celebração da Palavra que decorreu no altar do Recinto de Oração.

O prelado lembrou “os defuntos e seus familiares; os doentes; todos os profissionais de saúde, com a sua abnegação e dedicação, até pôr em risco a própria vida; todos os cuidadores; os idosos, os pobres, as famílias que cuidam ou que choram; os sacerdotes; os trabalhadores da proteção civil, dos transportes, da limpeza, da alimentação; os bombeiros e tantos outros que não se pouparam a sacrifícios, como bons samaritanos”.

“Particularmente unido a nós está também um peregrino especial, o Santo Padre Papa Francisco, por cujas intenções queremos orar a Nossa Senhora”, sublinhou ainda o cardeal português que desceu as escadarias para um lava-pés simbólico a três peregrinos convidados para representar todos aqueles que peregrinam à Cova da Iria.

Antes desta celebração, D. António Marto explicou em conferência de imprensa a decisão de celebrar com o recinto fechado, anunciada a 6 de abril e confirmada a 3 de maio, para evitar “o risco de contágio era muito elevado”, numa manifestação onde era “imprevisível” determinar a dimensão da multidão que gostaria de participar.

O cardeal português sustentou que a fé “não se mede pelas multidões” e mostrou-se chocado com emails “agressivos e até ofensivos, ofensivos até da pessoa do próprio Papa” que contestaram a decisão, acrescentando que também recebeu felicitações, de vários quadrantes.

“Eu não queria ficar na história, como bispo, não queria ficar na história como responsável por um agravamento da pandemia, a nível nacional. Nem eu nem queria que ficasse o Santuário. Foi essa a razão, simples”, disse D. António Marto.

Por Domingos Pinto

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