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Cúria Diocesana

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Sexto domingo da Páscoa

"Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele mora com vocês, e estará com vocês." (Evangelho segundo João). "Ele é o Espírito da Verdade, que o mundo não pode acolher, porque não o vê, nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele mora com vocês, e estará com vocês." (Evangelho segundo João). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/05/sexto_domingo_17.jpg

O caminho de uma Evangelização fecunda e transformadora

Frei Gustavo Medella

“Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência” (1Pd 3,15-16a). Na exortação de São Pedro, orientações preciosas acerca da Missão Evangelizadora da Igreja, da qual todos os batizados e batizadas são participantes.

Primeiro, a origem: Jesus Cristo que toca e santifica o coração daqueles que n’Ele creem. O evangelizador não anuncia uma ideia, um conceito, uma escola de pensamento nem uma doutrina. Muito menos anuncia a si mesmo. Ele é porta-voz de um encontro amoroso entre Deus e a humanidade. É deste mistério de generosidade que nasce o anúncio do Reino, que não se faz apenas pela voz, mas, principalmente, pelas atitudes e pelo testemunho.

Em segundo lugar, o conteúdo, aqui denominado por São Pedro como as “razões da esperança”. O evangelizador é aquele que teimosamente cultiva e apresenta uma postura esperançosa e esperançada que se destaca pela capacidade de conferir a tudo o que acontece um sentido pascal, que aposta na capacidade infinita do Senhor de, até mesmo diante de circunstâncias más e difíceis, fazer surgir o bem.

A terceira orientação diz respeito aos destinatários. No caso, aqueles que pedem a esperança anunciada pelo evangelizador. Importante salientar que “pedir” neste caso não se reduz a solicitar através de palavras. Existem outras manifestações que indicam o quanto aquela realidade está carente de esperança. E, se o pedido nem sempre é feito em palavras, assim também este anúncio muitas vezes deve ser feito por ações de socorro, cuidado e atenção, silenciosamente.

Por último, o modo de Evangelizar, “com mansidão, respeito e com boa consciência”. Vociferar alguns versículos da Bíblia, adotar uma postura preconceituosa, prometer sucesso financeiro ou material para encher o próprio bolso, incitar o ódio e o preconceito são práticas que em nada se relacionam ao autêntico anúncio do Evangelho. Obrigado, São Pedro, pela sabedoria de, em tão poucas palavras, nos apresentar o caminho de uma Evangelização fecunda e transformadora.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.

 

6º Domingo da Páscoa, ano A

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus, OFM

 Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos”.

  1. Primeira leitura: At 8,5-8.14-17

Impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.

Antes da ascensão ao céu, Jesus reforça a promessa da vinda do Espírito Santo e comunica o plano de evangelização a ser seguido: “Recebereis… o Espírito Santo… e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8). Na missão de Jerusalém se destacam as figuras de Pedro e João; na Judeia e Samaria, Filipe, Pedro e João; e na missão aos “confins da terra”, Barnabé e Paulo. Em Jerusalém e na Judeia se convertem judeus de língua aramaica e, depois, judeus de fala grega. A força que impulsiona a missão é o Espírito Santo, derramado sobre a Igreja. É o Espírito Santo que leva Pedro a pregar corajosamente o evangelho em Jerusalém. Leva Estêvão a pregar aos judeus de língua grega, Filipe a pregar ao camareiro etíope (pagão) e a levar o evangelho aos samaritanos. Os samaritanos, que só aceitam o Pentateuco, acolhem com alegria o anúncio de Jesus Cristo; depois, pela imposição das mãos de Pedro e João, recebem o Espírito Santo. É o Espírito Santo que leva Pedro a pregar o evangelho para a família de Cornélio, em Cesareia Marítima. É o Espírito que reúne numa só família a Igreja formada por judeus de língua aramaica e de língua grega, samaritanos e pagãos convertidos.

Salmo responsorial: Sl 65

Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,

cantai salmos a seu nome glorioso.

  1. Segunda leitura: 1Pd 3,15-18

Sofreu a morte em sua existência humana,

mas recebeu nova vida no Espírito.

O autor da epístola exorta os cristãos perseguidos por causa de sua fé em Cristo a darem razões de sua esperança. Isso deve ser feito “com boa consciência”, isto é, sem polêmicas, com mansidão e respeito pelos que não creem. Para uma testemunha de Cristo (mártir) “será melhor sofrer praticando o bem… do que praticando mal”. O modelo a seguir é sempre Cristo, que “sofreu na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito”. O exemplo dado por Cristo é a razão da esperança cristã.

Aclamação ao Evangelho

Quem me ama realmente guardará minha palavra,

 e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.

  1. Evangelho: Jo 14,15-21

Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Defensor.

No Evangelho, continuamos escutando o discurso de despedida de Jesus. Domingo passado (Jo 14,1-12) a insistência era nas palavras “crer, acreditar e confiar” (seis vezes). Provocado pelas intervenções de Tomé e Filipe, Jesus explicava aos discípulos sua relação com o Pai. O texto de hoje insiste no verbo “amar” (cinco vezes). Jesus vai separar-se fisicamente dos seus discípulos, mas não os deixará órfãos (v. 18). Pedirá ao Pai, que lhes dará um Defensor, o Espírito Santo, para que permaneça sempre com eles. O Espírito Santo é o Defensor ou Advogado do cristão, quando deverá dar testemunho de sua fé diante dos tribunais: “Quando vos levarem diante das sinagogas, dos magistrados e das autoridades, não vos preocupeis como, ou o que, haveis de responder; porque nessa hora o Espírito Santo ensinará o que deveis dizer” (Lc 12,11-12). A condição é o amor: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14,15.21). Pelo amor conheceremos o Espírito da Verdade, “porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós”. A presença física e mortal de Jesus é substituída pela presença da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, naqueles que o amam e observam seus mandamentos: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada” 14,23). Os mandamentos de Cristo se resumem no amor, vivido com os irmãos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. 13,34). Quando o cristão, animado pelo Espírito Santo, vive o amor ao próximo torna viva a presença do amor de Deus no meio dos irmãos.


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Jesus pede uma prova de amor

Frei Clarêncio Neotti

Duas vezes, hoje, Jesus afirma que amá-lo e guardar seus preceitos é a mesma coisa (vv. 15 e 21). No trecho do domingo passado, falava-se muito em crer, ter fé. Hoje, acentua o amar e ser amado. Acentuação que continua no verso 23 e na aclamação do Evangelho: “Quem me ama guarda minha palavra, e meu Pai o amará”. Não é difícil perceber o nexo entre ter fé e amar. Ele é tão forte quanto a reciprocidade entre amar e ser amado. Podemos dizer de cada ser humano que sua história é a história de seu amor. Santo Agostinho escreveu: “Meu amor é meu peso, por ele sou levado aonde quer que eu vá. Assim como os corpos se movem pela gravidade, o homem tem por gravidade própria o seu amor, que é a força que o impulsiona em todas as suas tarefas e empresas”.

Não se ama a Deus, se não se observam seus mandamentos. No verso 23 se fala em observar a palavra de Deus. Por mandamento ou palavra compreendem-se os 10 mandamentos de Moisés (que Jesus não aboliu, mas reforçou), todos os ensinamentos e o próprio exemplo de Jesus. Não podemos fazer muita distinção entre a pessoa e o ensinamento de Jesus. Cremos em sua palavra e cremos em seus ensinamentos, que têm força divina (1 Cor 1,18), que agem em nós (Hb 4,12 e 1 Ts 2,13), são espírito e vida (Jo 6,63) e não se distinguem dos ensinamentos do Pai (Jo 14,24).


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

“Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós”

Frei Almir Guimarães

Os cristãos são narradores da esperança.

Luciano Manicardi

♦ Estamos vivendo as alegrias da Páscoa. Cinquenta dias nos são propostos para aprofundar esse evento único: aquele Jesus que percorreu nossos caminhos e que se entregou livremente nas mãos dos que lhe tiraram a vida, vive. Vive do que chamamos de vida eterna, vida com a Vida no Pai. Não se trata ter o mesmo corpo reanimado. A humanidade de Jesus foi assumida na glória do Pai. Não ocupa mais os espaços físicos do mundo, mas é capaz de passar por portas fechadas. Durante semanas, a liturgia da Igreja nos pede a delicadeza de ouvir esses antigos relatos que esquentam o coração e nos falam da presença do Senhor. O Espírito vem em nosso socorro.

♦ Uma das mais doloridas experiências que os humanos podem fazer é, seguramente, a da orfandade. Crianças, adolescentes e jovens que, por diferentes razões, perdem o pai e/ou a mãe experimentam uma punhalada: perdem carinho, apoio, nutrimento pela vida, confiança, esperança. Nada substitui completamente os pais. Multiplicam-se sentimentos de solidão, abandono, insegurança. Os apóstolos ao sentirem a iminência da partida de Jesus ficam atônitos. Jesus afirma que não os deixará órfãos.

♦ “Eu virei a vós…”. Trata-se da vinda do Espírito, alma da comunidade, força, água, energia, fogo. Esse Espírito o mundo não é capaz de receber. Receberão os discípulos do Senhor que não querem errar o Caminho. Haverão de suplicar essa força como vento e calor, como fogo e refrigério. Jesus afirma que esse Sopro será enviado por ele e pelo Pai. Na hora das decisões, nos momentos de reflexão sobre o amanhã do mundo, da comunidade e de nossa vida pessoal não estaremos em estado de orfandade. Ele estará dentro de nós. Luciano Manicardi afirma que os cristãos são “narradores da esperança”.

♦ “Como é descrito o Espírito? Vem descrito como um fogo, como um sopro enérgico, uma luz, um ânimo, um desassombro, um alento que nos faltava para podermos ser. Essa imagem, que é também uma experiência do Espírito que, penso, todos fazemos – pois em algum momento sentimos que a amizade com Deus nos atravessa de uma forma total – conduz-nos certamente à verdade de Deus, mas descrevendo-a como experiência de plenitude” (José Tolentino Mendonça, Nenhum caminho será longo, Paulinas, p. 56).

♦ “Quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e manifestarei a ele”. Amar Jesus. Ter em mente esse Jesus ressuscitado. Esse que percorreu os caminhos dos homens e vive. Desde nossa mais terna infância o “conhecemos”. Quem sabe ao longo do tempo da vida fomos nos aproximando dele ou ele querendo aproximar-se de nós. Na candura de nossa fé o acolhemos. Convicção de que ele vive. Fomos afirmando nossa adesão a ele… “A quem iremos?”. Cremos não apenas que ele vive, mas acreditamos que o caminho que ele andou traçando é aquele que abraçamos, apesar de falhas e do pecado. Tentamos estar com Jesus na eucaristia de todos dias. Sabemos que ele anda marcando encontros conosco nos mais abandonados. Queremos, nem sempre conseguindo, dizer com São Paulo que para nós viver é Cristo. Amamos o Senhor, queremos ama-lo. Temos fé que assim ele se nos manifestará. O que é, de fato, amar a Jesus? Fazer nossa a sua causa. Simplesmente. Gastar o tempo da vida por ele e seus sonhos.


Texto para reflexão

Precisamos  que alguém nos faça lembrar  a verdade de Jesus.  Se  a esquecermos, não saberemos  quem somos  nem o  que estamos chamados a ser.   Vamos desviar-nos sempre de novo do Evangelho e defender em seu nome causas e interesses que pouco têm a ver  com ele. Vamos desfigurando a verdade , ao mesmo tempo  em que achamos estarem posse dela.  E preciso que o  Espírito ative nossa memória de Jesus,  sua presença viva,  sua imaginação criadora.   Não se trata de despertar uma  lembrança do passado:  sublime, comovente, entranhável, mas  sempre uma lembrança.  O que   Espírito do Ressuscitado  faz conosco é  abrir nosso coração ao encontro com    Jesus como  alguém vivo. Só esta relação afetiva e cordial  com Jesus  Cristo  é capaz de transformar-nos   e gerar em nós uma maneira  nova de ser e de viver. (Pagola,  João,  p.201).


FREI ALMIR GUIMARÃES, OFMingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.

 

Ao modo de Jesus

José Antonio Pagola

Jesus está se despedindo de seus discípulos. Ele os amou apaixonadamente, com o mesmo amor que o Pai o amou. Agora tem que deixá-los. Conhece o egoísmo deles. Não sabem amar-se mutuamente. Jesus os vê discutindo entre si para obter os primeiros postos. O que será deles?

As palavras de Jesus adquirem um tom solene. Hão de ficar bem gravadas em todos: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Jesus não quer que seu modo de amar desapareça entre os seus. Se um dia o esquecerem, ninguém poderá reconhecê-los como discípulos seus.

De Jesus permaneceu uma lembrança inapagável. As primeiras gerações assim resumiam sua vida: “Passou por toda parte fazendo o bem”. Era bom encontrar-se com Ele, pois buscava sempre o bem das pessoas, ajudava a viver. Sua vida foi uma Boa Notícia. Nele se podia descobrir a boa proximidade de Deus.

Jesus tem um modo de amar inconfundível. É muito sensível ao sofrimento das pessoas. Não pode passar ao largo de quem está sofrendo. Um dia, ao entrar na pequena aldeia de Naim, encontrou-se com um enterro: uma viúva em pranto estava levando seu filho único à sepultura. Do íntimo de Jesus brota seu amor por aquela desconhecida: “Mulher, não chores”. Quem ama como Jesus vive aliviando o sofrimento e secando lágrimas.

Os evangelhos lembram em diversas ocasiões como Jesus captava com seu olhar o sofrimento das pessoas. Olhava-as e se comovia: via-as sofrendo ou abatidas, como ovelhas sem pastor. Rapidamente se punha a curar as pessoas mais enfermas ou a alimentá-las com suas palavras. Quem ama como Jesus, aprende a olhar os rostos das pessoas com compaixão.

É admirável a disponibilidade de Jesus para fazer o bem. Ele não pensa em si mesmo. Está sempre atento a qualquer chamado, disposto a fazer o que pode. A um mendigo cego que lhe pede compaixão enquanto vai passando, Ele o acolhe com estas palavras: “O que queres que faça por ti?” Com esta atitude anda pela vida quem ama como Jesus.

Jesus sabe estar junto dos mais desvalidos. Nem precisam pedir-lhe e Ele faz o que pode para curar suas doenças, libertar suas consciências ou transmitir sua confiança em Deus. Mas não pode resolver todos os problemas daquela gente.

Então se dedica a fazer gestos de bondade: abraça as crianças da rua: não quer que ninguém se sinta órfão; abençoa os enfermos: não quer que se sintam esquecidos por Deus; acaricia a pele dos leprosos: não quer que se vejam excluídos. Assim são os gestos de quem ama como Jesus.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

A iniciação cristã e a crisma

Pe. Johan Konings

Continuando nossas reflexões sobre o batismo, consideramos hoje o sacramento da crisma. Antigamente, o dia da crisma era um dia muito especial para as comunidades, quando o bispo vinha “confirmar” as crianças (hoje, muitas vezes, é o vigário episcopal que faz isso). De onde vem esse costume? Na 1ª leitura lemos que o diácono Filipe batizou novos cristãos na Samaria. Depois, vieram os apóstolos Pedro e João de Jerusalém para confirmar os batizados, impondo-lhes as mãos, para que recebessem o Espírito Santo. Assim, os apóstolos predecessores dos bispos, completaram e “confirmaram” o batismo.

Como “alicerces” da Igreja, os apóstolos garantem aos recém-batizados o dom do Espírito, que lhes foi confiado por Cristo (evangelho) e expressam a unidade das igrejas (no caso, a de Jerusalém e a de Samaria). A confirmação do batismo pela imposição das mãos do bispo – sucessor dos apóstolos – tornou-se o sacramento da crisma: completa o batismo e realiza o dom do Espírito Santo. Chama-se “crisma”, isto é, “unção”, porque o bispo unge a fronte do crismado em sinal da dignidade e vocação do cristão. Antigamente era administrado na mesma celebração do batismo e da eucaristia, que com a crisma constituem a “iniciação cristã”.

Quando se introduziu o costume de batizar as crianças, a confirmação e a eucaristia ficaram para um momento ulterior, geralmente no início da adolescência, pelo que a crisma adquiriu o significado de “sacramento do cristão adulto”. O adolescente ou jovem é confirmado na sua fé, pelo dom do Espírito. Agora, ele terá de assumir pessoalmente o que, quando do batismo, os pais e padrinhos prometeram em seu nome. Pois a fé pode ser exigente (2ª leitura). Para a comunidade, a celebração da crisma significa também a unidade das diversas comunidades locais na “Igreja particular” ou diocese, graças à presença do bispo ou do vigário episcopal.

O evangelho de hoje nos ensina algo mais sobre o Espírito que Jesus envia aos seus. Muitos imaginam o Espírito de modo sensacionalista. Ora, Jesus envia o Espírito para que os fiéis continuem sua obra no mundo. Pois o lugar de Jesus “na carne” era limitado, no tempo e no espaço, e os fiéis são chamados a ampliar, com a força do Espírito-Paráclito, a sua obra pelo mundo afora. É este o sentido profundo da crisma, que assim completa nosso batismo.


PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

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