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Cúria Diocesana

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Ascensão do Senhor

"Portanto,vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". (Evangelho segundo Mateus). "Portanto,vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". (Evangelho segundo Mateus). Fonte da imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/wp-content/uploads/2020/05/liturgia_scensao_18.jpg

Negar a realidade em nome da fé é blasfêmia e ofensa a Deus

Frei Gustavo Medella

“Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade”. A pandemia do novo coronavírus vem mostrar ao mundo que o ser humano sabe muito menos do que imaginava saber. Todo acúmulo de informação proporcionado pelos avanços da ciência e da tecnologia não consegue dar conta de responder a questões que se impõem, alteram o ritmo da vida e causam grande desconforto: “Até quando vai esta pandemia? Por quanto tempo ficaremos privados de ações tão cotidianas e necessárias, como andar à rua, encontrar os amigos, trabalhar para ganhar o pão de cada dia? Como será o mundo depois deste ocorrido?” Todo mundo queria muito saber estas respostas mas, por enquanto, ninguém as tem.

Neste contexto, a postura de fé deixada como herança por Jesus Cristo deve levar a pessoa que crê a um discernimento profundo e necessário diante da concretude dos fatos. Negar a gravidade da situação, desprezar a ciência, julgar-se inatingível porque protegido por Deus são atitudes de blasfêmia diante da proposta que Deus em Jesus Cristo apresenta à humanidade. No mistério de sua bondade infinita, o Senhor oferece o Espírito Santo, que não é uma redoma ou um campo de força que faz do crente um super-herói inatingível . Ao contrário, o grande dom do Espírito é a consciência que pela fé cada um pode alcançar de que, mesmo limitado, suscetível e frágil, somos profundamente amados e, neste amor, chamados a testemunhar a bondade de Deus presente em nós e entre nós. Este é o legado que Jesus nos deixa, junto com o Pai, pela força do Espírito Santo.


FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.

 

Domingo da Ascensão, ano A 

Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus 

Oração: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar de sua glória”.

  1. Leitura: At 1,1-11

Jesus foi levado aos céus, à vista deles.

Lucas escreveu dois livros: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Nestes livros ele divide a história da salvação em três tempos: a) o tempo da promessa é o Antigo Testamento até o final da atividade de João Batista; b) o tempo da realização da promessa, que é a vida pública de Jesus, desde o batismo até a ascensão ao céu; c) o tempo da Igreja, que se inicia com o dom do Espírito Santo. Na liturgia de hoje celebramos o término do segundo tempo: do batismo de Jesus até sua ascensão ao céu. No trecho da Palavra de Deus que acabamos de escutar Lucas lembra o seu primeiro livro, o Evangelho, onde escreveu sobre “tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar”. Isto é, desde o batismo de Jesus até o dia em que “foi elevado ao céu”. Mas esta frase também sugere que, no segundo livro, os Atos dos Apóstolos, vai falar daquilo que a Igreja, movida pela força do Espírito Santo, continuou a “fazer e ensinar”.

O tempo da Igreja é inaugurado pelo próprio Jesus Ressuscitado, que durante quarenta dias instruiu os apóstolos sobre as “coisas referentes ao Reino de Deus”. Entre elas, Jesus recomenda que não se afastem de Jerusalém até receberem o Espírito Santo. Jesus ressuscitado estava falando com os discípulos sobre o Reino de Deus. Mas, os apóstolos e discípulos ainda lhe perguntavam: “Senhor, é agora que vais restabelecer o reino de Israel”? Em vez do reino de Israel Jesus lhes traça o programa do anúncio do Reino de Deus. Para cumprir a missão, primeiro deveriam receber o Espírito Santo, e depois: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins da terra”. A cena dos apóstolos fitando os céus, para onde Jesus era levado, introduz anjos que os chamam de volta à realidade da missão. Jesus vai voltar um dia, sim, mas agora é o momento de cumprir a ordem de executar a missão delineada por Jesus: Com a força do Espírito Santo, ser testemunha do Ressuscitado em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins da terra (v. 8). Nos Atos Lucas mostra que a Igreja cresceu pela força do Espírito Santo.

A nós, que recebemos o Espírito Santo, Jesus confia também esta mesma missão, até quando ele vier, para “julgar os vivos e os mortos” (Creio).

Salmo responsorial: Sl 46

            Por entre aclamações Deus se elevou,

            o Senhor subiu ao toque da trombeta.

  1. Segunda leitura: Ef 1,17-23

E o fez sentar-se à sua direita nos céus.

O Apóstolo nos convida a abrir o coração, para conhecer qual é a esperança que o chamado divino nos dá; qual é a riqueza de nossa herança com os santos e como é grande o poder exercido por Deus exerce nos que nele creem. A ascensão marca a glorificação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus encarnado, que se fez servo “humilde e obediente, até a morte numa cruz. Foi por isso que Deus o exaltou…” (Fl 2,8-9; cf. Hb 5,7-9). Jesus Cristo conclui sua missão aqui na terra e nos concede a força do Espírito Santo, para cumprirmos nossa missão de anunciar e viver o seu evangelho.

Aclamação ao Evangelho

            Ide ao mundo, ensinai aos povos todos;

            Convosco estarei, todos os dias,

            Até o fim dos tempos, diz Jesus.

  1. Evangelho: Mt 28,16-20

Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 

Quando as mulheres foram ver o túmulo de Jesus não encontraram o corpo de Jesus. Um anjo lhes explica que o túmulo estava vazio porque Jesus tinha ressuscitado. Mas elas deviam comunicar aos discípulos que Jesus ressuscitado queria encontrar-se com eles na Galileia, onde o veriam. Foi na Galileia dos gentios que “brilhou uma grande luz” quando Jesus iniciou sua pregação (Mt 4,15-16). Este encontro com o Ressuscitado foi marcado durante a última ceia. Jesus previu que todos o haveriam de abandar no momento da prisão. Mas reafirmou que, mesmo abandonado por todos, haveria de ressuscitar e iria até a Galileia para se encontrar com seus discípulos (Mt 26,32). De fato, o encontro com o Ressuscitado aconteceu num monte indicado por Jesus. Em Mateus, foi num monte que Jesus proclamou o resumo de sua mensagem no sermão das bem-aventuranças. Agora, é de um monte que Jesus envia os discípulos para a missão. Ao verem o Ressuscitado, os discípulos se prostraram, mas alguns ainda duvidavam. Jesus, no entanto, envia todos para a missão, também os que duvidavam: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto eu vos ordenei”. Para se tornar cristão é preciso ter fé em Deus que é Pai, crer em Cristo seu Filho e no Espírito Santo que está conosco; é preciso ser ensinado e ensinar a observar tudo quanto Jesus ordenou. É preciso acreditar que não estamos cumprindo a missão sozinhos. Ele está e estará sempre conosco. Cristo é por excelência o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1,23).


FREI LUDOVICO GARMUS, OFMé professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

 

Vossa glória, Senhor, é mais alta que os céus!

Frei Clarêncio Neotti

Os evangelistas não deram grande importância ao fato histórico da Ascensão de Jesus ao céu. Mateus, cujo Evangelho lemos hoje, não fala dela; João faz uma vaga alusão (20,7); Marcos se refere a ela rapidamente (16,19). Quem dá pormenores é Lucas (24,50-52), sobretudo no seu segundo livro, que conhecemos com o nome de Atos dos Apóstolos (1,1-14), cuja narração lemos hoje como primeira leitura. Na visão dos evangelistas, a própria morte e ressurreição eram também a glorificação de Jesus.

São muitos os textos que falam da glorificação, usando a expressão ‘sentar-se à direita de Deus’, que significa ‘receber todos os poderes’. Assim em Rm 8,34: “Cristo Jesus está à direita de Deus”; Cl 3, 1: “Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus”; Ef 1,20: “Deus o fez sentar-se à sua direita nos céus, acima de tudo o que tem nome, e pôs a seus pés todas as coisas”. No Apocalipse, promete-se a mesma glorificação aos que forem fiéis a Jesus e lhe abrirem a porta do coração: “Ao vencedor, concederei sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e me sentei com meu Pai em seu trono” (Ap 3,21). Uma alusão clara à glorificação da criatura humana na pessoa de Jesus glorioso.


FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFMentrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

 

Fazer discípulos de Jesus

José Antonio Pagola

Mateus descreve a despedida de Jesus traçando as linhas de força que hão de orientar para sempre seus discípulos, os traços que devem marcar sua Igreja para cumprir fielmente sua missão.

O ponto de partida é a Galileia, para onde Jesus os convoca. A ressurreição não deve levá-los a esquecer o que viveram com Ele na Galileia. Foi lá que o ouviram falar de Deus com parábolas comovedoras. Lá o viram aliviando o sofrimento, oferecendo o perdão de Deus e acolhendo os mais esquecidos. É precisamente isto que eles devem continuar transmitindo.

Entre os discípulos que rodeiam a Jesus ressuscitado há “crentes” e há aqueles que “vacilam”. O narrador é realista. Os discípulos “se prostram”. Sem dúvida querem crer, mas em alguns surge a dúvida e a indecisão. Talvez estejam assustados e não conseguem captar tudo que aquilo significa. Mateus conhece a fé frágil das comunidades cristãs. Se não contassem com Jesus, bem depressa a fé se apagaria.

Jesus “se aproxima” e entra em contato com eles. Ele tem a força e o poder que a eles lhes falta. O Ressuscitado recebeu do Pai a autoridade do Filho de Deus com “pleno poder no céu na terra”. Se nele se apoiarem, não vacilarão.

Jesus lhes indica com toda precisão qual há de ser a missão deles. Não é propriamente “ensinar doutrina” nem só “anunciar o Ressuscitado”. Sem dúvida, os discípulos de Jesus terão de cuidar de diversos aspectos: “dar testemunho do Ressuscitado”, “proclamar o Evangelho”, “implantar comunidades”… mas tudo deverá estar finalmente orientado para um objetivo: “fazer discípulos” de Jesus.

Esta é a nossa missão: fazer “seguidores” de Jesus que conheçam sua mensagem, sintonizem com seu projeto, aprendam a viver como Ele e reproduzam hoje sua presença no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus, e o ensino de “tudo que foi mandado” por Ele são vias para aprender a ser discípulos. Jesus lhes promete sua presença e ajuda constante. Não estarão sós nem desamparados. Mesmo que sejam poucos. Nem que sejam só dois ou três.

Assim é a comunidade cristã. A força do Ressuscitado a sustenta com seu Espírito. Tudo está orientado para aprender e ensinar a viver como Jesus e a partir de Jesus. Ele continua vivo em suas comunidades. Continua conosco entre nós curando, perdoando, acolhendo… e salvando.


JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.

 

O Senhorio de Jesus e a Evangelização

Pe. Johan Konings

O início do livro dos Atos narra que, depois das últimas instruções aos discípulos, Jesus foi, diante dos olhos deles, elevado ao céu, para partilhar a glória de Deus (1ª leitura). Os donos deste mundo haviam jogado Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimateia a sepultá-lo, seu corpo teria terminado na vala comum ….).

Mas Deus o colocou lá em cima, “à sua direita”. Deu-lhe o “poder” sobre o universo não só como “Filho do Homem” no fim dos tempos (cf. Mc 14,62), mas, desde já, através da missão universal daqueles que na fé a aderem a ele. Nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu “corpo”, que é a Igreja (2ª leitura). Com a Ascensão de Jesus começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador!

Seu “poder” não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos, como discípulos, o imitem nisso. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos.

O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É o fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na radicalidade de nossa caridade damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o “Senhor” Jesus.

A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social – a mídia: imprensa, rádio, televisão, internet. Para uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia – uma tarefa que concerne eminentemente aos leigos. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia, e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça?

Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais “contemplativa”, o dia de hoje enseja um aprofundamento da consciência do “senhorio” de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal por sua morte por amor, e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a história. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todas as pessoas discípulos de Jesus.


PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes.

Todas as reflexões são tiradas do site franciscanos.org.br

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