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ARTIGO: A EXPERIÊNCIA DO NAMORO: UM CAMINHO DE AMADURECIMENTO

Diante da banalização das relações humanas que gera múltiplos e dramáticos fenômenos como a violência, a indiferença, a solidão, o homicídio e o máximo dos prazeres, somos convidados a aproveitar da ocasião do dia dos namorados para convidar os jovens a refletirem sobre a experiência do namoro. Diante da banalização das relações humanas que gera múltiplos e dramáticos fenômenos como a violência, a indiferença, a solidão, o homicídio e o máximo dos prazeres, somos convidados a aproveitar da ocasião do dia dos namorados para convidar os jovens a refletirem sobre a experiência do namoro. Fonte da imagem: http://cnbbn2.com.br/site/wp-content/uploads/2020/06/img-20160729-wa00188.jpg

Introdução

Mais uma vez as publicidades se enchem de anúncios amorosos! Chegou o dia dos namorados! A linguagem comercial é imperativa impondo a todos os usuários das mais variadas mídias uma ideia radical: “se você ama dê um presente para o seu amor!”. É um amor que passa pelo consumo! O dia dos namorados é a quarta data mais importante para o comércio nacional, superado apenas pelo Natal, dia das mães e dia das crianças.

Esse é somente um dos tantos apelos que recaem sobre os namorados; lamentavelmente o amor é vinculado às coisas, ao consumo e aos prazeres. A economia faz os seus apelos e a pastoral deve também fazer a sua parte. Por isso, achei oportuno nesta semana convidá-lo para refletir sobre a natureza do namoro, sobretudo para os jovens.

Diante da banalização das relações humanas que gera múltiplos e dramáticos fenômenos como a violência, a indiferença, a solidão, o homicídio e o máximo dos prazeres, somos convidados a aproveitar da ocasião do dia dos namorados para convidar os jovens a refletirem sobre a experiência do namoro. Os crescentes dados sobre da violência contra a mulher (espancamento, assédio moral, feminicídio…) nos alertam para a urgente necessidade da educação para o amor e as relações de gênero na sociedade.

 

  1. Uma linda experiência humana

Uma das mais profundas e confortantes experiências humanas é aquela de dar e receber afeto. Isso está no íntimo do nosso ser, em nossa mente e coração! Não somos somente seres sociais, capazes de interação com os outros, somos também dotados da capacidade de amar; de manifestar sentimentos, de revelar aos outros a nossa ternura, o nosso carinho, nossa admiração; somos portadores do sentimento de atração!

Não existe o ser humano naturalmente bruto, violento, seco, vazio de afeto. Na verdade, somos naturalmente carentes de amor, sentimos necessidade de amar e ser amados; de dar e receber afeto. O namoro deve ser uma experiência fundada nesse húmus do coração humano e, por isso, deve ser um relacionamento no qual só deve haver espaço para acolhida gratuita, para a ternura, cuidado, proteção, sinceridade, confiança.

No centro da palavra namorado(a) está a palavra amor (no+amor+ado); os namorados, por coerência do sentido da relação, deveriam ser aqueles que estão ancorados no amor. Essa relação perde todo sentido e sua positiva qualidade, quando um ou ambos se afastam do seu fundamento que é o amor, do qual brotam os devidos cuidados éticos e atitudes de ternura, respeito, perdão, paciência, etc. Se não houver essa consciência de amor enquanto cuidado com o bem do outro, restarão os impulsos, os instintos e os interesses pessoais que promoverão a violência.

 

  1. Experiência de amadurecimento

Na Exortação Apostólica Alegria do Amor (Amoris Leatitia), o Papa Francisco nos fala generosamente do desafio para o processo da preparação matrimonial. Nessa perspectiva, a experiência do namoro deve ser um caminho de amadurecimento humano do casal. Apesar da liberdade, deve ser uma experiência que pressupõe compromisso com o outro. Sem isso tudo fica em risco; aqueles que estão verdadeiramente enamorados devem assumir o compromisso de amor um para com o outro que pressupõe amizade, gestos de cuidados e esforços para evitar a mesquinhez e egoísmo (cf. AL,132-133).

Nesse dinâmico horizonte de relacionamento, o namoro é uma experiência formativa. Casais que não se educam não se amam! Namorados que evitam qualquer forma de descontentamentos recíprocos, que não se confrontam seriamente, não crescem, não amadurecem. Dessa forma, lamentavelmente viverão um relacionamento baseado em concessões recíprocas. Isso vicia, alicia e infantiliza.

Na perspectiva da vida matrimonial, nenhum namoro baseado simplesmente no consumismo prazeroso, será capaz de contribuir para sustentar a séria responsabilidade da constituição de uma nova família. A vida não é só feita de prazer, mas de luta, trabalho, suor, convivência e para saber superar os desafios é necessário virtudes. 

 

  1. Dez pistas reflexivas para os jovens
  • Não existe verdadeiro namoro se não houver amor entre os dois. O Amor não é atração física; o amor é querer o bem do outro; o amor é compromisso, é responsabilidade, é pacto com a verdade. Não existe verdadeiro amor onde não há honestidade, autenticidade, sinceridade;

     

  • O amor exige que os dois tenham uma profunda reta intenção, um olhar para o mesmo rumo e com liberdade. Jamais um deverá fazer do outro objeto a ser manipulado. Toda espécie de chantagem afetiva é sinal de dependência e imaturidade;
  • O amor exige dos dois um processo de contínuo confronto e discernimento daquilo que é bom e justo para ambos. Não é bom sinal quando os dois estão sempre se acusando e se defendendo, sem buscar o entendimento e a comunhão;
  • O ciúme é a insegurança que machuca qualquer relacionamento amoroso; aliás, quem é doentiamente ciumento, é afetivamente imaturo e tenta transformar o outro num objeto a ser possuído e manipulado; o ciumento doentio tende a ser a violento;
  • O amor exige amadurecimento humano, processo, etapas; essa dinâmica de relação estimula a formação humana integral das pessoas, porque o amor é íntegro. Quem diz que ama deve estar disposto a crescer e a se educar; amor e verdade caminham juntos; por sua própria natureza, o amor evita tudo o que é inconveniente;
  • O namoro é um caminho de descobertas e conhecimento recíproco; não deve ser aprisionamento no prazer; por isso casal é chamado a se conhecer, a se revelarem, a serem confrontados em seus modos de pensar e agir olhando para o futuro;
  • Quem ama não força um relacionamento. Os namorados devem manter-se livres e responsáveis! Relacionamento forçado, quase sempre termina em violência. Não existe namoro, por favor, por piedade, por compaixão, por pena do outro;
  • Não existe verdadeiro amor sem Deus, porque Deus é Amor. Sem fé, os namorados serão continuamente arrastados pela impulsividade irresponsável; mas o amor é paciente, tudo espera! Sem a experiência da oração, tendem a se afogar nos prazeres; a fé educa para o verdadeiro amor;
  • O engajamento na Igreja purifica a experiência do amor do casal; jovens casais de namorados, discípulos de Jesus, devem estar participando ativamente da vida da Igreja; Essa é uma experiência que irá proporciona-lhes grande crescimento humano e espiritual;
  • Enfim, e o casal de namorados que pensa em vida matrimonial seriamente, deverá pouco a pouco, caminhando para o noivado, elaborar o próprio projeto de vida familiar (tema já tratado em artigos anteriores). Sem projeto de vida, tudo será antecipado e atropelado gerando fracasso.

 

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  • Quais apelos a mídia apresenta para os namorados atualmente?
  • Como os jovens namorados podem crescer reciprocamente?
  • Qual dos dez itens elencados mais lhe chamou a atenção?

POR DOM ANTÔNIO DE ASSIS RIBEIRO, SDB

Bispo Auxiliar de Belém - PA e Secretário Regional da CNBB Norte 2

Tirado do site da CNBB N2

Lido 41 vezes

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