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PESO E LIÇÕES DO DISTANCIAMENTO SOCIAL

PESO E LIÇÕES DO DISTANCIAMENTO SOCIAL Fonte da imagem: http://cnbbn2.com.br/site/wp-content/uploads/2020/06/fieis_com_mascara_em_missa_em_napoles_foto_cira_de_luca_reuters38249255defaultlarge_1024-1024x640.jpg

Introdução

A pandemia da COVID-19 está provocando um enorme impacto nos critérios e na dinâmica do comportamento das pessoas em todo o mundo. Todas as dimensões da vida humana, de modo direto ou indireto, estão sendo e/ou foram afetadas.

É importante que, conscientes dessa realidade que se impôs a nós, mantenhamos a devida serenidade, capacidade de percepção das novas exigências, acolhida dos novos padrões de sociabilidade (provisórios), bem como a devida reflexão sobre aquilo que, querendo ou não, devemos adotar como procedimentos de segurança e prudência.

Uma dessas novas exigências é o distanciamento social. Para muitos certamente tem sido um verdadeiro desafio, peso, tortura e até é visto como exigência causadora de grande sofrimento pessoal. Mas será que há algo de positivo nessa experiência? Que oportunidades temos com esse comportamento compulsório? Quais lições podemos tirar do distanciamento social?     

 

  1. O homem é um ser social

A experiência do distanciamento social nos pesa porque é uma medida que limita a liberdade e disciplina o dinamismo da nossa experiência de convivência social. O homem é um ser social; é na liberdade do relacionamento com os outros que ele cresce, se fortalece, aprende, toma consciência da sua identidade e manifesta seus afetos. O distanciamento social também envolve a nossa afetividade, pois é na espontaneidade da relação com os outros que revelamos os nossos sentimentos, desejos, sonhos e paixões.

O distanciamento social também nos pesa porque já não nos é permitido expressar nossas emoções através do contato físico. Nós latino-americanos, carregamos conosco, uma forte carga afetiva que passa pelo corpo, pelo toque; manifestamos nossos afetos não somente com palavras, mas sobretudo, com o aperto de mão, com o abraço, com o beijo, com o tapinha nas costas, com as mãos na cabeça do outro e com colo, como lugar de ternura, de aconchego, de ternura. Por isso, o distanciamento social nos custa tanto.

Expressamos o nosso bem-querer através do contato físico. O corpo a corpo também marca as nossas origens, desde o útero materno até os primeiros anos de vida. Na cultura brasileira, em geral, de norte a sul, um bebê é sempre foco de atração passando de braço em braço e recebendo abraços, beijos, apertos, carícias! 

 

  1. O distanciamento como proteção

Uma das mais brilhantes capacidades humanas é aquela de ressignificar e dar sentido para o seu comportamento. A ressignificação e o redimensionamento do nosso comportamento estão sempre condicionados pelo contexto de vida. Sem considerarmos o nosso contexto existencial não conseguimos dar um novo sentido para aquilo pelo qual passamos. Situado no contexto de uma grande doença contagiosa de proporção mundial, a COVID-19, impôs ao coletivo o distanciamento social, por razões sanitárias, tendo como objetivo reduzir a possibilidade da propagação da doença e favorecer a preservação da saúde dos indivíduos.

Há uma hierarquia de valores que deve ser obedecida que justifica a obediência dessa medida. Trata-se da vida, da saúde, do bem-estar e da segurança de todos. Partindo do princípio da beneficência, essa medida é maravilhosa. Isso significa que o bem-fazer é o princípio fundamental que deve reger o nosso relacionamento com os outros. O mais importante não é a proximidade, mas a relação segura, serena, boa, saudável. Não se trata de negação da sociabilidade, mas de disciplina das suas manifestações em vista de preservar a saúde dos envolvidos.

 

  1. A justa e saudável distância

A pandemia da COVID-19 que nos impõe a necessidade do distanciamento social, independente do atual contexto sanitário, também nos oferece a oportunidade de refletir sobre a justa e positiva distância do outro que deveríamos sempre cultivar. É por falta da justa distância do outro que acontecem violências. Toda violência é sempre um ato de ruptura da saudável margem de distância do outro. Também o respeito pelo direito à privacidade alheia só é possível, preservando o adequado distanciamento social.

Há outro espaço que não é físico, que precisa ser preservado e aprofundado. Trata-se do espaço de liberdade (deixar que o outro se manifeste), do espaço afetivo (deixar que o outro revele seus sentimentos com liberdade), do espaço moral (respeito pelo testemunho de valores e virtudes), do espaço intelectual (ausência de repressão à opinião alheia), do espaço religioso (liberdade de testemunho da própria fé). A qualidade da aproximação ou o distanciamento social dependem das consequências. Nem sempre a intimidade é positiva, nem toda aproximação é benéfica e nem todo distanciamento social é negativo.

O atual distanciamento social nos convida a fazer a experiência da higienização das nossas relações interpessoais. Não há somente a ameaça do micro-organismo chamado coronavírus, sofremos também de uma diversidade de epidemias que acometem a qualidade das relações interpessoais, a política, a economia, a autêntica vida religiosa. Somos convidados a promover o que nos contagia positivamente e a evitar tudo aquilo que não é positivo.

 

  1. Responsabilidade e honestidade

Na Bíblia o zelo pela saúde da comunidade motivou os líderes (sacerdotes, sobretudo) a estabelecerem sérios procedimentos de tratamento de cada caso: a pessoa doente, era isolada para ser analisada por diversos dias (cf. Lv 13,3-5), observava-se o desenvolvimento da doença (cf. Lv 13,8) enfim, após a comprovação da mesma, o sacerdote fazia a declaração. Aquele que recebia o resultado positivo do exame de lepra, era imediatamente afastado do convívio comunitário para não contaminar os outros (cf. Lv 13,46), assumia a responsabilidade de reconhecer o próprio estado de impureza por onde andasse gritando: «Impuro! Impuro!» além de adotar uma postura diferente capaz de ser logo reconhecido pelos membros da comunidade andando com roupas rasgadas, despenteado e barbado (cf. Lv 13, 46).

O que nos interessa acolher dessa dramática referência é o senso de responsabilidade que o doente devia assumir para não contagiar os outros. Entre infectados e sadios deve haver uma profunda sinceridade. É necessário buscar o equilíbrio entre o indivíduo contaminado e a preservação da saúde da comunidade, bem sabemos que um indivíduo “contaminado” pode comprometer o bem-estar de uma comunidade inteira; é necessário, portanto, o amadurecimento no que tange ao reconhecimento e consciência dos males pessoais que ameaçam a comunidade. É uma atitude de delicadeza e honestidade preservar o bem alheio. É tempo de ressignificar as nossas relações!

Em nossa sociedade ninguém declara a “própria impureza” e por isso, cresce a cada dia, os contaminados pela corrupção, pelo suborno, pela mentira, pelas fake news etc. É um grave pecado, disseminar o mal. Por isso São Paulo recomendava aos seus fieis: “peço que vocês tomem cuidado com aqueles que provocam divisões e obstáculos contra a doutrina que vocês aprenderam. Fiquem longe deles…” (Rm 16,17-18); “não se deixem iludir: as más companhias corrompem os bons costumes” (1Cor 15,33). “Fiquem longe de toda espécie de mal” (1Ts 5,22). Independente da pandemia, somos chamados a cuidar do espaço entre nós e o outro. Se de um lado o excesso de distanciamento gera solidão, o abuso da aproximação agride!

 

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  1. Como você está fazendo a experiência do distanciamento social?
  2. Quando a proximidade é negativa?
  3. O que São Paulo nos alerta na relação com os outros?

POR DOM ANTÔNIO DE ASSIS RIBEIRO, SDB

Bispo Auxiliar de Belém - PA e Secretário Regional da CNBB Norte 2

Tirado do site da CNBB N2

Lido 20 vezes

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