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Jovem, Cristo te chama

Jovem, Cristo te chama (41)

A psicóloga Luciana Campos e o padre Douglas Alves Fontes, reitor do Seminário São José da arquidiocese de Niterói (RJ), decidiram realizar uma pesquisa na busca por tentar compreender melhor o momento vivido, no que diz respeito à formação sacerdotal, no contexto da pandemia do coronavírus.

Questionamentos sobre como manter o ritmo da formação neste ambiente, quais são os desafios e a interferência no processo formativo dos futuros padres foram feitos para, sobretudo, tentar destacar algumas luzes que a pandemia convidou a todos a enxergar e assumir.

“Neste artigo, recolhemos as respostas que recebemos na pesquisa e nos propomos a refletir sobre a missão formativa em tempos de pandemia. Veremos os desafios da continuidade da formação sacerdotal, em tempos desafiadores para todos. O artigo se apresenta como uma síntese do que refletimos e uma ante-sala do que queremos refletir”, explica Luciana.

”Em breve, um novo artigo será publicado, com um viés mais acadêmico. Contudo, achamos por bem publicar esta síntese, antecipando o que falaremos e já apresentando um primeiro fruto da pesquisa! Por isso, de antemão, manifestamos nossa gratidão a todos os seminaristas que se dispuseram a nos responder, os quais continuamos querendo acompanhar e formar nesse caminho tão significativo. Gratidão a todos os que nos apoiaram, ao longo da aplicação dos questionários!” disse o padre Douglas.

O religioso conta ainda que a quantidade de respostas foi algo inesperado. “Para nossa surpresa, em pouco mais de duas semanas, recebemos o retorno de 2.000 seminaristas de todo o Brasil, na pesquisa que girou em torno da vida deles, no contexto da pandemia. Tocava em diversos pontos: disciplina, vida de oração, vocação, alimentação, luto, estudos, relações…”.

Luciana contou ainda que o questionário teve um retorno de respostas com percentual muito significativo, que talvez compreenda perto de 50% dos seminaristas do Brasil. E detalhou que, dos que responderam, a maior parte veio dos formandos para o clero diocesano (92,1%), residentes nas regiões Sudeste (38,9%), Nordeste (30,2%), Sul (15,9%) e Centro-oeste (8%) do país. O maior grupo faz parte da etapa do discipulado (42,8%), seguindo-se os da etapa da configuração (34,9%) e do propedêutico (20%).

A Pesquisa

A pesquisa, feita com 2 mil seminaristas do país, apresentou que durante a pandemia a maioria foi para a casa de suas famílias (62,2%) e um segundo grande grupo permaneceu nos seminários (25,6%). O restante se dividiu  entre casas paroquiais, conventos e alternando casa e seminário.

Diferentemente do que muitos poderiam pensar, os seminaristas que responderam ao questionário, em sua maioria, disseram que conseguiram ter privacidade dentro da própria família (71%). Este dado pode, segundo a pesquisa, dizer algo sobre a necessária independência do formando em relação a sua família.

Porém, estando em casa, outro desafio possível apresentado seria o enfrentamento dos conflitos familiares. 42,6% responderam que tiveram que enfrentá-los. Se para muitos de nós, a pandemia favoreceu um estado de elevação da ansiedade, a maioria dos seminaristas respondeu que seu estado emocional, nesse momento de pandemia, está normal (41,9%). Não obstante, um outro grupo se percebeu levemente ansioso (33%) e (8,1%) muito ansioso.

Na entrevista, (35,7%) dos rapazes responderam que sentiam o peso da solidão. A maioria (64,3%) afirmou que não sentia. Outro dado interessante, mas não novo, diz respeito ao uso das redes sociais. A entrevista revelou que (36,7%) dos seminaristas estavam usando a internet para redes sociais.

Formação continuada fora do seminário

Um aspecto importante, indicado nos questionários, refere-se ao momento de profunda introspecção, propiciado pelo confinamento, e a questão vocacional (67,2%). Os rapazes admitiram que repensaram sua vocação, neste período. Apenas (30,8%) dos rapazes continuaram contando com o acompanhamento espiritual online, ao passo que (69,2%) ficaram sem esta possibilidade, ressaltando que este é um percentual muito próximo dos que admitiram questionar sua vocação.

Por outro lado, quando indagados sobre a presença dos formadores neste período, as respostas são mais animadoras, pois a maioria dos rapazes (89%) foram contatados pelos formadores, para interação social (25,6%) e também para a continuidade do trabalho formativo (74,4%).

Ao serem questionados sobre as  maiores dificuldades, neste momento,  as respostas são bem difusas e plurais: dificuldades para manter a rotina de orações (32,5%) aparecem seguidas de dificuldades pela falta de contatos sociais (22,1%), de manutenção da castidade (11,1%), por  falta de direção espiritual (10,5%), dificuldades de assistir à missa online (7%), entre outros fatores. Outro desafio no momento refere-se à perda de entes queridos: (14,6%) perderam algum ente próximo e deste quantitativo, (31,9%) vêm demonstrando dificuldades em elaborar o luto.

A maior parte dos seminaristas brasileiros relataram que deram continuidade aos seus estudos, neste período, de modo remoto (86,7%), contrastando com um número menor que não tiveram oportunidade de fazê-lo (13,3%).

Um último dado destacado da pesquisa é o que diz respeito às relações. Dos seminaristas participantes, (53,5%) responderam que se sentiam bem, na relação com eles mesmos, enquanto (30,6%) disseram que se sentiam regulares, nessa relação. (8,2%) disseram que essa relação estava ruim. Já na relação com Deus, (43,7%) responderam que estavam vivendo uma boa relação, enquanto (32,1%) disseram que era uma relação regular.  Na relação social, (45,9%) disseram que viviam uma boa relação e (36,4%) viviam uma relação regular.

Pós-Pandemia

Ao concluir o percurso, a partir da pesquisa, com 2000 seminaristas do Brasil, Luciana e padre Douglas puderam destacar algumas luzes que a pandemia convidou a todos a enxergar e assumir.

A primeira luz que encontram é uma experiência de maturidade que a pandemia pediu. “Um contexto, como este, pede presbíteros maduros e, por consequência, formandos que se empenham por uma maturidade humana e também espiritual”, diz um trecho da pesquisa.

Outra luz que a pandemia está oferecendo, sobretudo aos formandos, é a possibilidade de uma relação mais profunda, favorecendo o autoconhecimento, de tal maneira que o formando alcance “um satisfatório conhecimento das próprias fraquezas, sempre presentes em sua personalidade, tendo em vista a capacidade de autodeterminação e de uma vivência responsável.” (Doc. 110, n. 190b).

Neste mesmo caminho, a pandemia ofereceu a todos e, particularmente, aos formandos, um contato muito próximo das famílias. “Principalmente, isso ocorreu, como vimos na entrevista, porque a maioria dos seminaristas está passando a pandemia nas casas de suas famílias. Este contato pode ter sido muito proveitoso, para que os formandos consigam “relacionar-se, com sinceridade, com a própria família, sem apegos e dependências, nem rejeições e descompromissos, e sem perder as raízes sociais e culturais.” (Doc. 110, 190g)”.

Acesse (aqui) a pesquisa completa.

Com informações do regional Leste 1
Foto de Capa: Monika Robak/Pixabay

Tirado do site da CNBB Nacional

“As palavras da vocação”: este é o título da mensagem do Papa Francisco para o 57o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado no IV Domingo da Páscoa, em 3 de maio.

Para “agradecer aos sacerdotes e apoiar o seu ministério”, o Pontífice escolheu a experiência de Jesus e Pedro durante a noite de tempestade no lago de Tiberíades e ressaltou quatro palavras-chave: gratidão, coragem, tribulação e louvor.

Para Francisco, a imagem desta travessia do lago sugere “a viagem da nossa existência”.

“De fato, o barco da nossa vida avança lentamente, sempre à procura de um local afortunado de atracagem, pronto a desafiar os riscos e as conjunturas do mar, mas desejoso também de receber do timoneiro a orientação que o coloque finalmente na rota certa. Às vezes, porém, é possível perder-se, deixar-se cegar pelas ilusões.”

Gratidão

Mas, na aventura desta travessia, o Evangelho diz que não estamos sós. O Senhor caminha sobre as águas e convida Pedro a vir ao encontro Dele. Assim, destaca o Papa, a primeira palavra da vocação é gratidão.

“A realização de nós mesmos e dos nossos projetos de vida não é o resultado matemático do que decidimos dentro do nosso «eu» isolado; pelo contrário, trata-se, antes de mais nada, da resposta a uma chamada que nos chega do Alto. É o Senhor que nos indica a margem para onde ir.”

Mais do que uma escolha nossa, recorda Francisco, a vocação é resposta a uma chamada gratuita do Senhor; por isso será possível descobri-la e abraçá-la quando o coração se abrir à gratidão e souber individuar a passagem de Deus pela nossa vida.

Coragem

Coragem é outra palavra selecionada pelo Papa. É a palavra que Jesus diz aos discípulos quando, incrédulos e assustados, O veem caminhar sobre as águas. A mesma incredulidade quando estamos para abraçar um estado de vida, que seja o matrimônio, o sacerdócio ordenado ou a vida consagrada.

Esta é a minha vocação? Estou no caminho certo? O Senhor pede isto a mim? Considerações, justificações e cálculos fazem perder o ímpeto e paralisam na margem de embarque.

“O Senhor sabe que uma opção fundamental de vida exige coragem. Ele conhece os interrogativos, as dúvidas e as dificuldades que agitam o barco do nosso coração e, por isso, nos tranquiliza: «Não tenhas medo! Eu estou contigo».”

Tribulação

Toda a vocação requer empenho e aqui entram em jogo as tribulações, que o Papa prefere chamar “fadigas”. Se nos deixarmos levar pelas responsabilidades que nos esperam ou pelas adversidades que surgirão, logo desviaremos o olhar de Jesus e, como Pedro, arriscamos naufragar.

Pelo contrário, exorta Francisco, a fé permite caminhar ao encontro do Senhor Ressuscitado e vencer as próprias tempestades. “Pois Ele estende-nos a mão, quando, por cansaço ou medo, corremos o risco de afundar e dá-nos o ardor necessário para viver a nossa vocação com alegria e entusiasmo.”

Louvor

Por fim, o louvor. Quando Jesus sobe para o barco, cessa o vento e aplacam-se as ondas. “É uma bela imagem daquilo que o Senhor realiza na nossa vida e nos tumultos da história, especialmente quando estamos em meio à tempestade.”

O Papa reconhece a fadiga, a solidão, o risco da monotonia que pouco a pouco apaga o fogo ardente da vocação e cita novamente as palavras de Cristo: “Coragem, não tenhais medo! Jesus está ao nosso lado (...) E então a nossa vida, mesmo no meio das ondas, abre-se ao louvor”.

O Pontífice então conclui:

“Caríssimos, especialmente neste Dia de Oração pelas Vocações, mas também na ação pastoral ordinária das nossas comunidades, desejo que a Igreja percorra este caminho ao serviço das vocações, para que cada um possa descobrir com gratidão a chamada que Deus lhe dirige, encontrar a coragem de dizer «sim», vencer a fadiga com a fé em Cristo e finalmente, como um cântico de louvor, oferecer a própria vida por Deus, pelos irmãos e pelo mundo inteiro.”

Por Bianca Fraccalvieri

Em Vatican News

Pelo telefone, no eco de suas palavras, percebe-se ainda a surpresa pelo que lhe aconteceu. O anúncio da sua nomeação. A sua história é uma das muitas pequenas grandes histórias que acontecem na Igreja. Arjan Dodaj, 43 anos, nasceu em Laç-Kurbin, no litoral da Albânia, e aos 16 anos chegou à Itália, atravessando o Mar Adriático em um barco de migrantes. Fugiu do seu país em uma noite quente e estrelada de setembro de 1993, rumo à Itália, em busca de futuro e de um modo de ajudar sua família pobre. Trabalhou como soldador e jardineiro, com jornadas intensas de até 10 horas por dia. Encontrou uma comunidade cristã que o fez se sentir em casa. Assim descobriu sua fé cristã, que permanecia no seu DNA graças às orações que sua avó lhe ensinava cantando. Dez anos depois foi ordenado sacerdote pelo Papa João Paulo II na Fraternidade Sacerdotal dos Filhos da Cruz, Comunidade de Maria. Em 2017 voltou ao seu país, como sacerdote fidei donum. No dia 9 de abril passado, o Papa Francisco nomeou-o bispo auxiliar da arquidiocese de Tirana-Durazzo.

“Cheguei à Itália, logo depois da queda do comunismo – conta o novo bispo eleito – naquele momento não era possível obter o visto regular. O único modo era chegar com os barcos de migrantes. Infelizmente muitos barcos partiam e nem todos chegavam”. Arjan nasceu e cresceu em uma família da Albânia comunista e foi educado ao ateísmo. “Nasci em um contesto no qual eram proibidos todos os sinais que recordavam a fé. Nos primeiros anos da minha vida, nunca soube da existência de Deus. Os meus pais, infelizmente, eram muito submetidos ao efeito do comunismo. Porém, meus avós rezavam ao Senhor”.

Aprendi a fé com minha avó

Foi a sua avó materna que lhe inculcou as primeiras palavras da fé. “O meu primeiro encontro com as coisas de Deus é como um refrão dentro da minha cabeça, dentro da minha alma. A minha avó era totalmente livre, apesar das ameaças, e vivia a experiência da oração. Na época, não sabendo escrever, aprendeu as orações cantando. Por isso conhecia as orações em rimas, sabia a doutrina. Somente quando cheguei à Itália, que me dei conta que muitas coisas, por exemplo sobre os sacramentos, ela me dizia cantando em casa, enquanto trabalhava, enquanto limpava a casa. Cantava. Assim eu também aprendi. Aprendi a segunda parte da Ave Maria. Fazia com que eu dissesse sempre a segunda estrofe. Assim me transmitia Deus”.

Na Itália no barco de migrantes

Pouco depois da queda do comunismo, Arjan tenta abandonar o país. “Como muitos outros jovens tinha feito várias tentativas. A primeira vez nosso barco enguiçou e não pôde partir… Hoje agradeço ao Senhor, porque não sei o que poderia ter acontecido, estávamos todos amontoados, com superlotação. Aventuras inacreditáveis, realmente um êxodo. Nas tentativas seguintes pude entrar em um daqueles barcos que partiam do litoral da minha cidade, em uma laguna muito linda, onde ia muitas vezes quando era criança. Partimos na noite de 15 de setembro de 1993. Graças a Deus, o mar estava bem calmo, o Senhor nos preservou. Lembro muito bem do momento em que abandonávamos lentamente a costa albanesa. Naquele momento migrava toda a minha existência, a minha história, lembro daquele céu estrelado, daquela noite quente. Dentro de mim, sentia a separação daquele mundo, daquela vida, da minha família”.

Assim nasceu a minha vocação

O novo bispo auxiliar de Tirana sublinha: “Hoje vemos muitas pessoas chegarem nos barcos de migrantes. Creio que deveríamos pensar a estas separações, a estes sacrifícios, a estas existências, tão dolorosas, porque se não fossem dolorosas não viriam!”. Graças a alguns amigos que tinham emigrado à Itália pouco antes dele, Arjan encontrou refúgio na região de Cuneo, em Dronero no norte da Itália, e tornou-se aprendiz de soldador: “Consertava aros de bicicletas. Depois trabalhei também na construção civil e como jardineiro, assim podia mandar dinheiro para sustentar a minha família, porque éramos muito pobres”. Alguns amigos o convidaram para um encontro na paróquia. “Eu trabalhava muito, muitas vezes até mais de 10 horas por dia, e à noite estava sempre cansado. Não tinha muitas amizades. Disseram-me que na paróquia local havia um animado grupo de jovens, guiados pelo padre Massimo, ligado à Comunidade Casa de Maria. Ali me senti muito bem mesmo! Encontrei a familiaridade que me faltava naquela delicada fase da minha juventude”.

Ordenado padre pelo Papa João Paulo II

Arjan foi batizado e em 1997 pediu para ser acolhido na Fraternidade Sacerdotal dos Filhos da Cruz, Comunidade Casa de Maria em Roma, onde se preparou para ser padre. Com dificuldades a serem superadas com seus pais. Dez anos depois do seu desembarque na Itália, foi o Papa João Paulo II quem lhe impôs as mãos na cabeça, na sua ordenação na Basílica de São Pedro. “Em 1993, ano que cheguei na Itália, o São João Paulo II visitou a Albânia. O país tinha saído da ditadura, parecia uma trincheira a céu aberto, com muita miséria e pobreza, mas ao mesmo tempo desejo de novidade. Eu também, como muitas crianças e muitas outras pessoas, recordo da grande multidão que acompanhava o Papa das calçadas de Tirana até Escodra. A sua figura sempre me acompanhou, assim como a de Santa Madre Teresa. Enquanto saíamos da ditadura Madre Teresa derramava sobre nós o bálsamo da ternura, do amor, da bondade, da esperança que sabia doar a muitos pobres em várias partes do mundo”.

Padre Dodaj trabalhou em várias paróquias e se tornou capelão da Comunidade albanesa de Roma. Em 2017 o arcebispo de Tirana George Anthony Fredo pediu para o padre Arjan prestar serviço na sua diocese. O superior da comunidade Casa de Maria, padre Giacomo Martinelli, e o cardeal Vigário de Roma, Angelo de Donatis, permitiram. O sacerdote voltou ao seu país como fidei donum.

Jamais esperaria isso

Agora chega a sua nomeação a bispo auxiliar. “Sou sincero… jamais teria pensado ou desejado algo semelhante. Estava muito feliz vivendo no contexto paroquial, no contexto familiar diário que sempre vivi, com a minha comunidade, com os paroquianos, com as pessoas que nos são confiadas. Agora aconteceu mais este chamado, esta nomeação do Papa Francisco. Acolhi com a confiança no Senhor, em Nossa Senhora, e com a obediência à Igreja”.

Muçulmanos também ficaram contentes

Muitos se alegraram com a escolha do Papa: além dos fiéis e cristãos de outras confissões também os crentes muçulmanos. A Albânia, foi primeiro país europeu visitado pelo Papa Francisco, e hoje é considerada o símbolo da boa convivência entre as várias religiões. “Não é tolerância religiosa – diz padre Arjan – é muito importante mudar palavras e entender que para nós é harmonia, familiaridade, espírito de grande colaboração e apoio recíproco”.

POR ANDREA TORNIELLI

Em Vatican News

O vice-governador do estado de Washington, Cyrus Habib, anunciou em 19 de março que não buscará a reeleição e, em vez disso, ingressará na Companhia de Jesus nos próximos meses.

Habib é um político cego, de 38 anos, de descendência iraniana que terminará sua carreira de oito anos em um cargo público, depois de afirmar que "dois anos de cuidadoso discernimento e oração" o levaram a solicitar unir-se aos jesuítas.

Habib foi eleito vice-governador em 2016 e é o funcionário eleito iraniano-americano com o cargo mais alto nos Estados Unidos.

Como seu processo de discernimento foi "quase completamente privado", Habib disse que esperava que muitos de seus eleitores e apoiadores considerassem sua decisão como uma "grande surpresa", principalmente porque muitos o viam como um político com um futuro brilhante.

"Muitos se perguntam por que alguém que passou os últimos oito anos subindo a escada política e que tem uma chance significativa de ingressar no governo no próximo ano trocaria uma vida de autoridade por uma de obediência", disse Habib em um ensaio explicando sua decisão na revista América, publicada pela Companhia de Jesus.

No ensaio, ele disse que sua fé católica o motivou a entrar na política e o guiou nas decisões que tomou no cargo.

"Minhas prioridades no cargo estavam firmemente enraizadas na doutrina social católica, que coloca os pobres, os doentes, os deficientes, os imigrantes, os prisioneiros e todos os marginalizados no centro de nossa agenda social e política", escreveu na América.

Habib perdeu a visão aos oito anos de idade devido ao câncer e sobreviveu a esta doença três vezes. Escreveu que sua experiência de vida lhe deu um sentimento de empatia por aqueles que estão nas margens sociais.

Apesar de seus sucessos políticos e perspectivas brilhantes para o futuro, Habib disse à revista jesuíta que se sentia chamado a um estilo de vida diferente, "embora também esteja orientado ao serviço e à justiça social”.

"Senti um chamado para dedicar minha vida de maneira mais direta e pessoal", escreveu.

"Eu acredito que a melhor maneira de aprofundar meu compromisso com a justiça social é reduzir a complexidade em minha própria vida e dedicá-la a servir aos outros", assinalou.

Embora reconheça a importância e a influência de um papel na vida pública, Habib disse que percebeu que "enfrentar os desafios que o nosso país enfrenta exigirá mais do que apenas a formulação de políticas" e que as pessoas "precisam urgentemente de apoio espiritual e companhia".

Habib elogiou os jesuítas por seu compromisso com a educação e disse que é "muito cedo" para saber aonde o levará a sua vida na companhia, “mas tenho certeza de que implicará o ensino, o diálogo intercultural e inter-religioso, a defesa e o acompanhamento espiritual”.

A formação jesuíta geralmente leva entre oito e 17 anos. Habib não disse em qual das quatro províncias americanas da Companhia de Jesus entraria no outono, mas pediu orações.

“Peço a todos que me mantenham em suas orações enquanto viajo por esse novo caminho; vocês, é claro, estarão na minha”, disse.

Publicado originalmente em CNA. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

Tirado do site acidigital.com

Quinta, 30 Janeiro 2020 12:53

Vida consagrada: sinal e profecia

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Vida consagrada é profecia. É, para usar um símbolo querido pelo Papa Francisco, como a água que corre para não estagnar. As pessoas consagradas estão sempre a caminho em busca do que Deus quer para elas e do que os fiéis lhes pedem. O L’Osservatore Romano conversou sobre isso com o arcebispo José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, na entrevista concedida ao por ocasião do XXIV Dia Mundial que será celebrado com o Papa Francisco no sábado, 1° de fevereiro, com a Missa na Basílica do Vaticano.

Como surgiu essa iniciativa e quais são seus objetivos?

É um fruto do Sínodo dos Bispos sobre a vida consagrada e da publicação da Exortação pós-sinodal Vita Consagrada em 1996. Com este dia, queremos alcançar três objetivos: tornar a vida consagrada conhecida e apreciada em toda a Igreja, não somente por aquilo que faz, mas acima de tudo pelo que é e significa; encorajar os próprios consagrados a continuarem a reflexão e o discernimento sobre sua identidade e missão na Igreja e no mundo, e fazer com que a Igreja se una aos consagrados de todo o mundo em louvor e oração pelo dom que Deus lhes deu com a vida consagrada. A Igreja não pode apreciar a vida consagrada somente por sua funcionalidade; ela não é apenas "mão-de-obra", mas é antes de tudo sinal e profecia de outras realidades bem mais profundas. Os próprios consagrados, como todo o povo de Deus, não podem julgar a vida consagrada apenas pelo que aparece através de suas obras. De fato, muitas delas deverão ser revistas para verificar se respondem ou não ao carisma de seu instituto e à sua missão. A vida consagrada deve ser apreciada e valorizada por aquilo que é: uma forma profética de viver o Evangelho. Por outro lado, os consagrados devem continuar a discernir sobra a própria identidade e missão à luz do Evangelho, do próprio carisma e dos sinais dos tempos, sempre conduzidos pelo magistério da Igreja.

Existe um simbolismo que expressa a vida consagrada?

Os consagrados devem estar bem conscientes de que sua vida, como diz o Papa Francisco, é como a água: se não fluir, apodrecerá. Se a vida consagrada não quer ser somente admirada como uma peça de museu, mas se apresentar diante das pessoas como uma forma de vida bela e possível também para os outros, deverá perguntar-se constantemente o que Deus e o povo de Deus querem dela neste momento e nessas circunstâncias. O discernimento para responder a essa pergunta e colocar-se na direção indicada pelo Espírito é essencial. Por fim, os consagrados, que receberam o chamado de interceder pelo povo de Deus, também sentem a necessidade da oração coral da Igreja por eles: para que permaneçam sempre fiéis ao chamado do Senhor e à missão nas periferias existenciais e de pensamento, às quais o Espírito os impele neste momento por meio do rico magistério do Papa Francisco. E sempre sem esquecer de rezar para que o Senhor continue a enriquecer os diversos carismas com numerosas vocações.

O Pontífice indica a vida consagrada como "louvor que dá alegria ao povo de Deus, visão profética que revela aquilo que conta". Como isso pode ser interpretado na vida cotidiana?

O Santo Padre insiste constantemente sobre a profecia como elemento imprescindível na vida consagrada. Essa não pode renunciar à profecia sem correr o risco de perder o sabor e, portanto, a sua razão de ser. A profecia é inerente à vida consagrada, dizia João Paulo II; a profecia é a nota que caracteriza a vida consagrada, lhe faz eco o Papa Francisco. A vida consagrada, assim como não pode renunciar à paixão por Cristo, o seu verdadeiro fundamento, tampouco pode renunciar à paixão pela humanidade, particularmente a humanidade vulnerável e ferida, que constitui sua missão. Ao ser profetas, e não somente em brincar de sê-lo, os consagrados jogam a sua credibilidade. A vida consagrada é chamada a manter acesa a lâmpada do profetismo, tornando-se um farol para aqueles que estão desorientados em alto mar, uma tocha para aqueles que andam nas trevas, uma sentinela para aqueles que não veem uma saída na vida. Ao mesmo tempo, não pode renunciar em dar voz àqueles que não a têm e exigir justiça onde não existe. Somente assim será uma vida profética, uma alternativa à cultura do descarte. No coração dos consagrador deve ecoar forte o convite do Papa Francisco: "Despertem o mundo! Sejam testemunhas de um jeito diferente de fazer, agir e viver!”. Ou ainda: "Na Igreja, os religiosos são chamados a ser profetas, a dar testemunho de como Jesus viveu nesta terra e a anunciar como o Reino de Deus será na sua perfeição". Para responder a essa vocação, terá que buscar apaixonadamente a vontade do Senhor, anunciando a Boas Nova a todos, de preferência nas periferias existenciais; buscar novos caminhos para o anúncio do Evangelho, denunciando tudo o que é contrário à vontade de Deus. Como diz o livro de Deuteronômio ao falar de Moisés, o profeta deverá guiar o povo à escuta obediente da Palavra e se conformar aos planos de Deus na história (cf. 18, 15-24).

Nos próximos dias, se realizará uma conferência com a presença das monjas de clausura. Qual é o lugar delas na Igreja?

Após três simpósios e dois seminários celebrados nos últimos anos sobre a economia a serviço da vida consagrada, agora na conferência agendada para 31 de janeiro a 1 de fevereiro, queremos abordar a questão específica da gestão dos bens e do patrimônio na vida contemplativa. Parece-nos importante e urgente adequar essa gestão à legislação da Igreja, assim como é tratado no documento que há dois anos foi publicado por nossa Congregação: “A Economia a serviço do carisma e da missão”, sempre respeitando as normas do Direito Canônico e neste caso, também a legislação italiana. Por esta última razão, a conferência é dirigida às abadessas e às ecônomas de mosteiros na Itália. Em maio, um evento similar será realizado na Espanha. Além dos palestrantes de nosso Dicastério, especialistas em economia da Universidade Católica de Milão, com a qual colaboramos nesta área há vários anos, e também da Conferência Episcopal Italiana. Neste momento, mais de 400 contemplativos se inscreveram. Há também cerca de trinta convidados. A conferência conta certamente com o apoio do Santo Padre, que também permitiu que as contemplativas possam participar da Missa que presidirá na Basílica de São Pedro, no dia 1º de fevereiro, às 17h, com o motivo do Dia Mundial da Vida Consagrada.

(Osservatore Romano)

Por Nicola Gori

Em Vatican News

Mudanças históricas e os desafios da atualidade são pontos importantes que foram considerados na elaboração das novas “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil”. A obra é resultado do trabalho da 56ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2018, que acaba de ser lançada pela Edições CNBB.

O documento traz orientações para a formação de novos presbíteros no Brasil e a necessidade de formação permanente. Segundo o texto, esse novo presbítero precisa ter características como “coragem de alcançar todas as periferias geográficas e existenciais que precisam da luz do Evangelho, em uma atitude acolhedora e misericordiosa”, destaca o texto.

De acordo com o arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, um dos responsáveis pela elaboração do texto na época, a Igreja no Brasil deve buscar “Homens verdadeiramente apaixonados pelo Evangelho do crucificado/ressuscitado, homens entusiasmados pela proposta do Reino e por isso capazes de se lançar generosamente no trabalho apostólico”, afirmou em uma entrevista ao portal da CNBB.

O documento foi inspirado na Ratio Fundamentalis – O dom da vocação presbiteral e suas quatro características que precisam ser destacadas: a formação deve ser única, integral, comunitária e missionária. Publicado no dia 8 de dezembro de 2016, atualiza as orientações de 1985.

As atuais Diretrizes para a Formação Presbiteral foram aprovadas na 48ª Assembleia Geral da CNBB, em 2010, e já visavam enriquecer a formação espiritual, humana, intelectual e pastoral dos futuros sacerdotes “com novos impulsos vitais, consoantes com a índole peculiar de nosso tempo”. As “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” passou a vigorar no Brasil em 12 de outubro de 2019, um mês depois de o decreto ser aprovado pela Congregação para o Clero do Vaticano.

O subsídio as “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” pode ser adquirido no site das Edições CNBB.

Organização da Igreja no Brasil

De acordo com o Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil da CNBB, atualmente, o Brasil conta com 278 circunscrições eclesiásticas: 45 arquidioceses, 217 dioceses, oito prelazias territoriais, uma arquieparquia de rito oriental, três eparquias orientais, um ordinariado militar, um exarcado, um ordinariato para fieis de rito oriental sem ordinário próprio, uma Administração Apostólica pessoal.

Segundo os dados de 2018, divulgados pelo professor doutor Fernando Altemeyer Junior, chefe do departamento de Ciência da Religião da PUC-SP, a organização na Igreja Católica do Brasil acontece através de 11.700 paróquias, 27.416 presbíteros, 3.849 diáconos permanentes, 2.073 membros de institutos seculares, 122.170 missionários leigos, 2.674 irmãos, 6.154 seminaristas maiores em 595 seminários de formação presbiteral e 29.868 religiosas consagradas.

Retirado do site da CNBB

A experiência eclesial cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II suscitou na Igreja, a partir da Europa e depois na América Latina, uma grande preocupação com a questão vocacional. Esse contexto contribuiu para que, na Igreja do Brasil, passos significativos fossem dados com o objetivo de incrementar uma consciência vocacional em todo o povo de Deus, resgatando a comunidade eclesial como lugar da efetiva participação de todos os batizados na missão da Igreja.

Atualmente refletir a dinâmica vocacional a partir de uma eclesiologia de comunhão e participação é segundo o bispo auxiliar de Manaus, dom José Albuquerque tarefa de todos: “Toda a ação pastoral deve ser orientada para o discernimento vocacional, tendo como objetivo ajudar cada cristão a descobrir o caminho concreto para realizar o projeto de vida ao qual Deus o chama”.

Diante dos desafios que a pós-modernidade impõe, o bispo afirma que a questão vocacional se torna urgente e necessária, sobretudo, para se compreender e enfrentar as problemáticas oriundas de um acentuado individualismo. Para ele, a oração constitui o primeiro e insubstituível serviço que podemos oferecer à causa das vocações. “A comunidade que reza pelas vocações, que medita a partir da Palavra de Deus, que celebra a Liturgia com fervor e alegria, que oferece direção espiritual aos jovens, colabora incansavelmente para criar uma cultura vocacional”, salienta.

Na caminhada vocacional, alguns eventos foram determinantes para a construção da identidade que, hoje, caracteriza o serviço de animação vocacional na Igreja do Brasil. O mês vocacional é um desses exemplos. Assumido em âmbito nacional, em 1981, por dioceses e regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), seu intuito é ser um tempo especial de reflexão e oração pelas vocações e ministérios.

Hoje cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à semana da Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação dos Leigos. “O Mês Vocacional, consagrado há mais de três décadas em nosso país, se tornou uma grande convocação eclesial, tempo privilegiado para celebrar as diversas vocações e para intensificar a oração pelas vocações nas famílias, nos ambientes estudantis, em todos os grupos e comunidades eclesiais e para realizar ações concretas e tantas outras iniciativas, de forma envolvente e criativa ao longo deste abençoado mês”, diz dom José.

Congressos vocacionais – Outra iniciativa que também tem como preocupação o itinerário vocacional são os Congressos Vocacionais do Brasil. Organizados pela Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, eles trazem ao longo dos anos temas e lemas profundamente enraizados na Sagrada Escritura e inseridos na realidade contemporânea. Este ano com o tema “Vocação e Discernimento” e o lema “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos” (Salmo 25,4), o IV Congresso Vocacional do Brasil será realizado de 05 a 08 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP).

Segundo a equipe organizadora, a iniciativa deseja refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais. “Um dos grandes objetivos do 4º. Congresso Vocacional é a promoção da Cultura Vocacional nas comunidades, para que o tema vocacional seja abraçado como prioridade essencial de nossa Igreja, assim como de fato o é: uma comunidade de chamados que assumem o papel de também chamar outros operários, nas mais diversas missões e carismas”, afirma o padre Elias Silva, coordenador nacional da Pastoral Vocacional.

O sacerdote reitera que o evento possibilitará a criação de um trabalho vocacional em redes, especialmente porque é adaptado à concretude das circunstâncias específicas de cada região do país. Neste contexto, ele explica que como parte da execução do 4º Congresso estão os pré-congressos que acontecem nos regionais de todo o Brasil e também da vida religiosa. “Estamos em um período bonito da promoção vocacional do Brasil. A cada novo encontro que acontece pelo Brasil vai se solidificando a necessidade e urgência de promover a Cultura Vocacional, e de uma maneira muito específica de possibilitar um discernimento vocacional que oriente as pessoas ao verdadeiro seguimento de Cristo, ouvindo a voz amorosa e exigente do Pai”, alega.

Neima Pereira dos Santos, de 49 anos, é membro da Pastoral Vocacional da diocese de Formosa (GO). Para ela, refletir sobre a vocação é trilhar um caminho de descobertas da própria identidade. “Vivemos num mundo cada vez mais fragmentado e veloz, há uma perda da identidade, falta um autêntico sentido de vida, principalmente em relação aos nossos jovens”, diz. Consagrada Secular do Instituto Secular Servas de Jesus Sacerdote, Neima vai participar ativamente do IV Congresso Vocacional.

Ela aponta a importância de um evento como esses em âmbito nacional. “Com a realização do 4º Congresso Vocacional teremos a oportunidade de refletir sobre os novos questionamentos e desafios vocacionais que nos são apresentados no contexto atual. Conheceremos as diferentes realidades e diversidades vocacionais e obstáculos a serem superados”, considera. Pensar em conjunto, amadurecer e aprofundar concretamente a questão vocacional é um dos desafios da Igreja no Brasil para os próximos anos. “O 4º Congresso Vocacional dará ânimo e vigor a todos os participantes e aos agentes da Pastoral Vocacional trazendo também novas luzes e pistas para a animação vocacional no Brasil”, finaliza.

Matéria Revista Bote Fé nº 28 – Edições CNBB.

Disponível no site da CNBB

A história do Padre Victor teve início na aldeia de Slobozia-Rascov, coração do atual território separatista da Transnistria, ainda em luta com a República da Moldávia, que, após a queda da União Soviética, ainda reivindica sua jurisdição. Esta simples aldeia, ao longo dos anos, foi berço de muitos sacerdotes católicos e também de um Bispo, graças a uma comunidade católica ativa, da qual também o jovem Victor Pogrebnii fazia parte. Uma comunidade que nunca teve medo de testemunhar a sua fé, a ponto de construir uma igreja sem nenhuma autorização, nos anos Setenta, em pleno regime comunista.

Carreira militar, sem perder a fé

O desejo de Victor de ser sacerdote foi violado no dia em que foi convocado para servir a marinha militar soviética. Por isso, teve que deixar a Slobozia-Rascov. Foi um afastamento definitivo, porque, depois de cumprir seu período de serviço e demonstrar suas boas qualidades, continuou a carreira militar, atingindo até os mais altos graus militares. Tudo isso depois de frequentar a escola militar em Kaliningrado e não, certamente, o seminário, que era a sua verdadeira aspiração. Longe da sua aldeia natal e também mais longe do seu desejo de ser sacerdote, a sua vida teve uma reviravolta radical, como ele mesmo conta: “Não perdi a fé e mantive tudo o que meus pais me ensinaram, mas já tinha iniciado a carreira militar, onde era estimado e onde também havia recebido diversas incumbências. Minha vida tinha mudado e também havia conhecido uma boa moça, que se tornou minha esposa, em 1970. Assim, cheguei até ao altar, mas para ser um bom esposo”.

Victor, primeiros anos na  marinha soviética
Victor, primeiros anos na marinha soviética

 

Católico clandestino

Padre Victor narra a sua vida de fé, difícil de conciliar com o regime comunista, sempre suspeitoso, e no âmbito de uma estrutura militar rigorosa. De fato, disse: “Passei por um momento complicado quando, em uma estrutura militar no Polo norte, meus superiores encontraram o texto do Evangelho. E, outra vez, quando a polícia descobriu que estava ajudando a construir a igreja da Slobozia-Rascov. Então, fui denunciado e interrogados pelos superiores. Quando eu podia, frequentava uma igreja católica, situada diante dos escritórios do KGB; mas, para entrar, tinha que tomar cuidado para não ser visto. Eu era um católico clandestino, que vivia às ocultas e temeroso. Tentei também descobrir se entre meus companheiros havia outro católico, mas era perigoso se expor”.

Uma família feliz

“A minha vida já estava delineada; - continua o padre Victor – amava a minha esposa. De fato, da nossa união nasceram dois filhos: depois seus casamentos e, assim, me tornei avô de três netos. Porém, tive também a alegria de seguir o caminho do meu irmão, que se tornou sacerdote”.

Victor, com a esposa e o primeiro filho
Victor, com a esposa e o primeiro filho

Finalmente livre para crer

Com a queda do regime comunista, a vida de Victor passou por uma reviravolta e, sobretudo, reencontrou a serenidade da fé e a possibilidade de educar seus filhos na vida cristã, sem mais medo. Sua vida era a de um militar; a seguir, com o passar dos anos, aposentou-se e vivia tranquilamente com a família, cuidando dos filhos e dos netos. Em 2008, sua esposa faleceu e, encontrando-se sozinho, teve a possibilidade de refletir sobre a sua vocação inicial, que jamais havia abandonado, de ser sacerdote. Assim, no mesmo ano, o Bispo de Kiev o recebeu no Seminário e, quatro anos depois, em 7 de janeiro de 2012, encontrou-se novamente diante do altar do Senhor, mas, desta vez, para receber a unção sacerdotal, circundado de familiares e do irmão mais novo, que já era sacerdote há vários anos. 

Pe. Victor (à esquerda) na Catedral de Chişinău
Pe. Victor (à esquerda) na Catedral de Chişinău

 

 "Eu nem posso explicar a emoção daquele momento - explica o Padre Victor - e, acima de tudo, aquela imersão com fé no meu passado, quando ainda era jovem, na minha comunidade de Slobozia-Rascov. Além do mais, pensava em minha esposa e na sua felicidade, que certamente sentia no céu, por esta minha nova escolha. Antes de começar o período de formação no Seminário, quis conversar com meus filhos e saber o que pensavam sobre a minha decisão. Encontrei neles uma compreensão extraordinária, a ponto de me convencer, ainda mais, sobre esta escolha, que não anulava, de modo algum, meu passado como esposo e como pai. Pelo contrário, tornava possível realizar uma vocação, que teve que esperar o seu momento e passar pela difícil provação de um regime sofrido".

Depois da sua ordenação sacerdotal, o Bispo de Kiev o inseriu na pastoral de algumas paróquias. Assim, ele voltou a ser pai, esta vez, de uma família mais ampla; em seus compromissos, ele se dedicava, dia após dia, às comunidades que lhe foram confiadas, com a juventude interior de um sacerdote feliz.

Perseguido pelo passado

Seu passado de militar soviético e de cidadão russo não lhe permitiram permanecer na Ucrânia. De fato, as relações da Rússia com este país se deterioraram até chegar ao famoso conflito. Por isso, Padre Victor arrumou as malas e deixou a diocese de Kiev, refugiando-se na Crimeia, que, recentemente, tinha voltado a pertencer ao território russo. O Bispo de Odessa, ao qual pertencia a Crimeia, confiou-lhe uma paróquia, em Sinferopol. Desta forma, ele começou a servir outra comunidade, sempre com o espírito de um bom pai.

Pe. Victor Pogrebnii (3º da esquerda) com outros sacerdotes.
Pe. Victor Pogrebnii (3º da esquerda) com outros sacerdotes.

 

O desejo de voltar 

No início de 2019, já com 73 anos de idade, mas com espírito jovem, seu pensamento voltou para a sua terra natal, a pequena Slobozia-Rascov, sentindo a necessidade, devido à sua idade, de retornar às suas raízes. De fato, entrou em contato com o Bispo de Chişinău, Dom Anton Cosa, pedindo-lhe para levar em consideração a possibilidade de retornar à terra da sua família de origem. "Fiquei comovido com a história deste sacerdote - narra Dom Anton Cosa - e do seu desejo de voltar à aldeia de Slobozia-Rascov, sua comunidade de origem. Convidei-o para me visitar e conversar, viver ali por alguns dias, e apresentá-lo ao clero da minha diocese. Notei que aquele homem, tão provado pela sua longa e dolorosa história, se sentia feliz de se doar e testemunhar a sua experiência sacerdotal. Percebi que ele trazia poucas coisas consigo, segundo espírito da essencialidade de um soldado, mas tinha um coração grande e prestativo de um sacerdote e pai”.

O Bispo de Chişinău, Dom Anton Cosa
O Bispo de Chişinău, Dom Anton Cosa

 

Amizade com o Bispo de Chişinău

No início da sua permanência em Chişinău, Moldávia, Padre Victor quis ir à Slobozia-Rascov para visitar o túmulo, onde jaziam seus pais, como se quisesse reviver sua história passada e recomeçar da mesma comunidade, onde havia nascido seu desejo de ser sacerdote; na realidade, ali havia iniciado também a sua peregrinação, que, ao longo dos anos, lhe permitiu passar por várias experiências, até voltar à origem da sua fé e vocação.

Folheando o álbum de fotos, algumas do período de serviço militar e outras durante a celebração Eucarística, o Padre Victor admite, hoje, com comoção, que, na vida de fé, é preciso se deixar surpreender pelo bom Deus. De fato, ele afirma: “Pensei em fazer tudo na vida, exceto ser padre. No entanto, Deus ouve a oração dos pobres e ouviu a minha oração!”.  "Agora, volto para reencontrar o Bispo de Odessa, ao qual apresentarei meu humilde pedido para regressar ao torrão natal da minha família. E, se Deus quiser, - continua ele – arrumarei minhas poucas coisas e voltarei para casa, na Slobozia-Rascov. Como o velho Simeão, poderei dizer: “Agora, Senhor, deixe que o teu servo vá paz". Sei que ali, o bom Bispo Anton Cosa, ao qual confiei a minha história, está me esperando; com a sabedoria de pastor, ele dará a este padre, apesar de sua idade, um cantinho para continuar a ser um bom sacerdote".

Por Cesare Lodeserto

Em Vatican News

Com o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em Missão no Mundo e o lema: “Sereis minhas testemunhas […] até os confins da terra” (At 1,8), seminaristas diocesanos e religiosos de 104 dioceses e prelazias dos 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participaram entre os dias 10 a 14 de julho, do 3° Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, em Santo Antônio da Patrulha (RS). Ao final, foi lida e aprovada a carta-compromisso redigida a partir das discussões e encaminhamentos realizados durante os cinco dias do evento.

Leia a carta na íntegra

Carta-compromisso dos seminaristas congressistas aos irmãos de Seminário, senhores Bispos e Formadores de todo Brasil.

Nos dias 10 a 14 de julho de 2019, estivemos reunidos em Santo Antônio da Patrulha – RS, para o 3° Congresso Missionário Nacional de Seminaristas. Somamos em torno de 300 congressistas, sendo 235 seminaristas diocesanos e religiosos de 104 dioceses e prelazias dos 18 regionais do Brasil, formadores, coordenadores de COMIREs, bispos representantes da CNBB, coordenadores das POM, representantes da OSIB, CRB, CIMI, IAM, JM e FM. Promovido pelas POM e pela comissão nacional dos COMISEs, o Congresso contou com uma excelente equipe de organização envolvendo cerca de 150 voluntários, com o COMIDI local, COMIRE Sul 3, a diocese de Osório – RS, paróquias, agentes de pastorais e movimentos e famílias da comunidade que se disponibilizaram para acolher e servir com amor e generosidade. O objetivo geral foi animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros no Brasil, de maneira que a missão seja realmente eixo central da formação e ajude os seminaristas a adquirir um autêntico espírito missionário.

Gostaríamos de transmitir a todos os nossos irmãos seminaristas, equipes de formação e bispos, nossa imensa alegria em congregar pessoas de tantas Igrejas particulares e congregações religiosas deste nosso imenso país, todas imbuídas pelo mesmo ardor missionário de animar e fortalecer nossa vocação.

O Congresso foi, sem duvida, um momento de verdadeira sensibilização para com a caminhada missionária da Igreja no Brasil e no mundo. Tornou-se um excelente espaço de reflexão sobre a formação missionária dos futuros presbíteros, troca de experiências e celebrações a fim de encontrarmos novos rumos que aprimorem as orientações para a formação dos seminaristas do Brasil. Fomos impulsionados a sermos agentes ativos no processo de conversão pastoral e ajudarmos a Igreja a viver a missão como “uma paixão por Jesus e, simultaneamente uma paixão pelo seu povo” (EG 268), durante todo o processo de formação, tanto inicial como permanente.

Com a intenção de despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação da vida, da formação e da pastoral, sentimos que, mais do que nunca, devemos assumir sem medo o seguimento de Cristo de maneira preferencial. “Não é possível falar de vocação, excluindo missão”. O fator missionário não se soma ao ser padre, mas é um com o chamado vocacional. Antes de qualquer coisa é necessário ser discípulo, despojar-se do desnecessário e acompanhar o Mestre, assumindo os mesmos compromissos d’Ele. Assim como Cristo, é preciso “mergulhar” na dor e na dificuldade do outro. Neste sentido, é fundamental que os futuros presbíteros movimentem-se, peregrinem ao encontro daqueles que o Senhor os enviou e com passos, ritmos, etapas, uma imersão autêntica na experiência de Cristo, vivermos a apostolicidade e missionariedade da Igreja e os ensinamentos do Mestre. Também é essencial aprofundar-se nos afetos e nos sentimentos de Jesus, integrar-se em sua liberdade, em seus talentos, pensamentos, compadecimentos. Olhar para o outro, para aquele que sofre, com os olhos de Jesus a partir da iniciação cristã e da configuração a Ele, a fim de que na imagem do cristão missionário se vislumbre a figura do próprio Cristo.

Na era atual em que a vida cada vez mais perde seu sentido devido às novas tecnologias, todo missionário é convidado a ser profeta, ser e fazer algo definitivo em meio a essa transitoriedade, pois a missão tende ao que não passará. A Igreja missionária, impulsionada pelo desejo de evangelizar, deve anunciar a partir da experiência própria com Deus e transformação pessoal que emerge de dentro, do ser, pelo e por amor. A partir daí, sentimos a necessidade de compreender o quanto é importante estar “enamorados por Jesus Cristo” e “encontrar forças na cruz do Senhor” que impulsiona a uma vida missionária, tirando cada um de uma zona de conforto para ir à realidade do outro. Isso se resume na necessidade de promovermos a sinodalidade e assumirmos espaços missionários nas casas de formação e nas paróquias; despertarmos o ardor missionário por meio da consciência de que a missão contínua e permanente é um transbordar da experiência pessoal com Jesus. Daí implica-se rever com coragem costumes, estilos, horários, linguagem, escuta, diálogo, estruturas, formas, ministérios, práticas de formação humana, teológica e espiritual, bem como a prática da solidariedade, da cooperação e da integração.

Estamos convictos de que a vocação é dom de Deus e a missão d’Ele procede. Dirigimo-nos aos nossos bispos, reitores e formadores. Pedimos o apoio e benção para que a espiritualidade e a missionariedade sejam o princípio articulador de todo o processo formativo. Nas realidades que os COMISEs ainda não atuam ou que são pouco estruturados, pedimos sua atenção e incentivo para que sejam fortalecidos. Assim, certos da atenção de todos, reiteramos nosso desejo de juntos, animados e guiados pelo Espírito de Deus, construirmos no coração dos Seminários, Casas de Formação, Institutos, Universidades e Paróquias, uma mentalidade viva e ardente, direcionada a uma Igreja em permanente missão, com o rosto misericordioso do Pai, marca insubstituível da Igreja Missionária. Sem mais, nossa prece ao coração afim de que brote no seio da Igreja do Brasil e do mundo o amor à causa missionária. Igreja em missão, vida em doação!

Em Cristo Jesus, Missionário do Pai.
Os participantes do 3º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas.

Santo Antônio da Patrulha, 14 de julho de 2019

(Texto e fotos: POM)

Disponível no site da CNBB

O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema das vocações. Este ano, em específico, a temática principal está em sintonia com o 4º Congresso Vocacional do Brasil que irá ser realizado de 05 a 08 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Segundo a equipe organizadora do evento, a reflexão e o estudo do tema “Vocação e Discernimento” deseja refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais.

Padre Elias Silva, coordenador nacional da Pastoral Vocacional explica que cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se o sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à vocação para a vida em Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação para os ministérios e serviços na comunidade. “É preciso criar em toda a comunidade esse espírito orante para as vocações para que cada vez mais nesse mês vocacional seja aproveitado os momentos litúrgicos, de orações em grupos, de orações familiares”, aponta o padre.

Instituído em 1981, pela CNBB, em sua 19ª Assembleia Geral, o mês vocacional tinha como objetivo principal conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional. De lá para cá, todos os anos alguma temática tem sido trabalhada. Este ano em específico, o mês vocacional estará em sintonia com a temática do 4º Congresso Vocacional do Brasil. “O mês vocacional será um mês em que eu convido a todos a levar as preces em prol do 4º Congresso Vocacional do Brasil, que será um momento muito importante para a Igreja no Brasil”, afirma padre Elias.

Cartaz

Seguindo a mesma ideia do Cartaz do IV Congresso Vocacional do Brasil, o padre Reinaldo Leitão, sacerdote rogacionista apresenta o cartaz do mês vocacional, a arte é um convite a seguir pelos caminhos que o Senhor trilhar. “Vamos todos divulgar o cartaz do Mês Vocacional 2019 e assim nos preparar melhor para o IV Congresso Vocacional do Brasil que se aproxima”, finaliza padre Elias.

Acesse aqui o cartaz do Mês Vocacional.

Disponível no site da CNBB

Estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, que será realizado de 10 a 14 de julho, em Santo Antônio da Patrulha (RS). O evento terá o tema em sintonia com o Mês Missionário Extraordinário (MME) “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo” e o lema “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (At 1,8).

A preparação do evento é feita pela coordenação nacional dos Conselhos Missionários de Seminaristas (COMISEs) e as Pontifícias Obras Missionárias (POM), com parceria e apoio de duas Comissões Episcopais Pastorais da CNBB (Ação Missionária e Cooperação Intereclesial e Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB).

São objetivos do congresso animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros no Brasil, de maneira que a missão seja realmente eixo central da formação e os ajude a adquirir um autêntico espírito missionário; aprofundar a reflexão sobre a missão, com uma ênfase especial sobre a missão ad gentes, em sintonia com a temática do MME.

Também se pretende proporcionar espaços para a reflexão, vivências, troca de experiências e celebrações, além de sensibilizar os participantes (seminaristas, reitores e formadores dos seminários e casas de formação, bispos e convidados) para uma caminhada sinodal e de comunhão.

O Congresso contará com conferências, sendo as principais sobre “Iniciação à vida cristã e missão” e “A Igreja de Cristo em missão no mundo”. Haverá também dois painéis: “Missão ad gentes” e “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, enriquecidos com testemunhos missionários. Cada participante poderá participar ainda de dois fóruns e duas oficinas. Ainda são previstas mesas-redondas, celebração da caminhada missionária, vivência da riqueza cultural gaúcha e fortalecimento do conhecimento recíproco.

Inscrições
As inscrições serão realizadas por meio do portal da CNBB, até o dia 30 de maio, preenchendo a Ficha de Inscrição.

A orientação é acessar o link da área de serviços da CNBB e fazer login. Caso você não tenha um perfil já criado no sistema da CNBB, crie um Novo Usuário. Efetuado o cadastro no sistema, você vai receber uma mensagem no seu e-mail, com o link para poder acessar a página “Serviços da CNBB”; clicando nos “Eventos da CNBB”, você poderá fazer a inscrição ao Congresso.

Baixe a carta enviada aos COMISEs

Faça sua inscrição aqui.

Por CNBB

Terça, 08 Janeiro 2019 10:32

O Padre Diocesano

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A Igreja Católica, presente no mundo inteiro, é formada por comunidades que costumamos chamar de Dioceses ou Igrejas Particulares. Cada Diocese é confiada a um Bispo.

O que é Diocese?

É a porção do povo de Deus que está numa determinada região e que é guiada e alimentada na fé, na esperança e na caridade pelo Bispo e por seus colaboradores, os Padres e os Diáconos.

Só é Bispo legítimo aquele que tiver sido escolhido pelo Papa e consagrado com o Sacramento da Ordem por um outro Bispo, sucessor dos Apóstolos. Ninguém pode autodenominar-se bispo ou nomear outro se não tiver autoridade para isso.

O que é o Bispo?

O Bispo Diocesano é o Pastor, mestre e guia, que foi chamado e escolhido pela Igreja para ser o sucessor dos Apóstolos. É o Profeta que testemunha e alimenta seu povo pela Palavra de Deus. É o Sacerdote que santifica pelos Sacramentos e que acompanha, caminha junto e conhece as suas ovelhas.

Normalmente uma Diocese é constituída de muitas paróquias que vivem em comunhão com o seu Bispo. Cada paróquia é confiada a um pároco, quase sempre um Padre Diocesano, ou uma Congregação de Religiosos. Há casos em que pela falta de padres, o Bispo decidiu confiar a paróquia a Irmãs Religiosas. Em casos assim, o padre vai somente para celebrar a Eucaristia e o Sacramento da Penitência ou atividades que só podem ser exercidas por quem recebeu o Sacramento da Ordem.

O Padre é o homem de Deus que, unido ao Presbitério da Diocese (o conjunto dos presbíteros, os padres), está na Paróquia, na Comunidade Eclesial, numa Pastoral Específica, nos Seminários, nos Hospitais, nas Escolas e Faculdades, nos Meios de Comunicação Social, nas Comunidades Inseridas entre os mais pobres e marginalizados... É um sinal visível do Reino de Deus.

O que é o Padre Diocesano?

O Padre Diocesano é o colaborador mais próximo do Bispo. Em tudo o que faz, age como se fosse o próprio Bispo, de quem depende. Por isso a comunhão com o Bispo é para ele uma exigência essencial.

A vocação do Padre tem sua origem no chamado que Jesus fez aos Apóstolos:

* "Vem e segue-me..." (Cfr. Mt 9,9)
* "Vinde e vede..." (Cfr. Jo 1,39)
* "Eu vos escolhi..." (Cfr. Jo 15,16)
* "Estarei convosco até..." (Cfr. Mt 28,20)
* "Eu vos darei..." (Cfr. Mt 19,29)
* "Fazei isto em minha memória" (Cfr. Lc 22,19)
* "Aqueles a quem perdoardes os pecados..." (Cfr. Jo 20,23)
* "Já não vos chamo servos, mas amigos..." (Cfr. Jo 15,15)
* "Amas-me mais do que os outros?..." (Cfr. Jo 21,15)

Os Bispos são os sucessores dos Apóstolos. Para realizarem a missão recebida de Cristo, precisavam de colaboradores. Ordenaram, então, os Presbíteros, que nós costumamos chamar de padres. Transmitiram-lhes os poderes sacerdotais recebidos de Jesus.

Portanto, o Padre Diocesano

* é um íntimo colaborador do seu Bispo no pastoreio da Diocese. Vive no dia-a-dia as alegrias e as tristezas, os sofrimentos e as esperanças de toda a sua comunidade diocesana;
* vive em comunhão e fraternidade com o seu presbitério. O Sacramento da Ordem o faz de modo muito particular um irmão dos outros padres, com os quais procura viver unido em torno do seu Bispo;
* exerce seu ministério no meio do mundo: está inserido no meio do povo que lhe foi confiado;
* seu carisma é a "Caridade Pastoral": ser junto do seu povo e no meio da comunidade a presença viva e atuante de Cristo, o Bom Pastor;
tem a missão de:
* ensinar a Palavra de Deus, pelo testemunho e pela palavra, como mestre;
* santificar os fiéis por meio dos sacramentos; e
* animar (organizar e coordenar) a comunidade;
* entregue ao zelo pastoral em sua Diocese, preocupa-se com a inteira Igreja de Jesus Cristo presente no mundo inteiro. Por isso também é empenhado na causa missionária: promove a consciência missionária de seus fiéis e de sua comunidade; ele mesmo é sensível e aberto aos apelos missionários que vêm de comunidades necessitadas ou de povos que nunca ouviram falar de Jesus. E não raras vezes parte em missão;
* seu coração e espírito, sua vida toda, estão a serviço da comunidade de fiéis que lhe foi confiada, e a que trata de animar, ensinar, guiar, servir, salvar e santificar;
* sua espiritualidade emana da Especial Configuração a Cristo Pastor; é Evangélica, Eucarística, Mariana, de Fraternidade, encarnada na vida e realidade dos que lhe são confiados; é alegre e geradora de esperança;

Padre Diocesano e Padre Religioso:

Para entender por que a gente fala em Padre Diocesano e Padre Religioso, é preciso fazer a distinção entre Vida Religiosa e Sacerdócio. São duas realidades diferentes:

Vida Religiosa é consagração a Deus pelos três votos (obediência, castidade e pobreza), vividos numa comunidade, seguindo o carisma do(a) fundador(a). É assumida por homens e mulheres.

O sacerdócio ministerial (realizar as funções de padre) é o exercício do ministério da Palavra (ensinar), dos Sacramentos (santificar) e da Coordenação da comunidade (promover a comunhão e a participação). Para ser padre é preciso receber o Sacramento da Ordem. É um ministério reservado somente aos homens.

Foi a partir do séc. XVI que surgiram as congregações de padres: institutos de Vida Religiosa voltados com prevalência para o sacerdócio. Daí os Padres Religiosos.

Tanto os padres diocesanos como os religiosos são presbíteros (sacerdotes, padres). A diferença está no modo de viver o sacerdócio. O padre diocesano vive em função de uma diocese, depende do Bispo, não faz a profissão solene dos votos, mas as promessas de castidade e obediência. O padre religioso, vive em função de uma Congregação, depende do Bispo local em questões pastorais e disciplinares, faz a profissão solene dos votos, vive numa comunidade, e depende diretamente do Superior da Congregação, mesmo em termos de transferências.

Para ser padre não é preciso pertencer a uma Congregação Religiosa, e para ser de Congregação Religiosa (Irmãos e Irmãs) não é preciso ser padre. São vocações diferentes, mas que podem ser assumidas por uma mesma pessoa.

Em resumo:

* Há padres que se consagram a Deus, doando-se a Cristo e aos(às) irmãos(ãs), colaborando com Ele no seu projeto de salvação da humanidade, e buscando sua própria santificação, comprometidos com uma Congregação Religiosa. São os Padres Religiosos.

* Há padres que se consagram a Deus, doando-se a Cristo e aos(às) irmãos(ãs), colaborando com Ele no seu projeto de salvação da humanidade, e buscando sua própria santificação, comprometidos com uma Diocese. São os Padres Diocesanos, ou Seculares.

Retirado do site: capoeiras.org.br

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EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

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