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Jovem, Cristo te chama

Jovem, Cristo te chama (36)

Akiko Tamura salvou vidas na sala de cirurgias. Durante muitos anos, foi cirurgiã torácica, mas dentro de si sabia que Deus lhe pedia algo mais. Apesar de estar feliz com a sua vida e com a sua profissão, desde que fez a primeira comunhão soube que o Senhor lhe pedia tudo.

No começo, “achava que a ideia de ser carmelita descalça era uma autêntica palhaçada”, mas Deus lhe mostrou que, com 37 anos, queria que ela entrasse no Convento do Bom Pastor, localizado em Zarautz, em Guipúzcoa (Espanha).

Segundo conta no programa ‘Cambio de Agujas’, da Fundação EUK Mamie-HM Televisión, o pai de Akiko, de origem japonesa, era budista xintoísta e se converteu ao catolicismo graças às orações da sua mãe, católica e espanhola.

“Quando o meu pai foi batizado, suas irmãs – minhas tias – contam que mudou para melhor. Havia encontrado Deus”, explica.

Quando Akiko tinha cinco anos, a sua avó, que vivia em Tóquio, foi diagnosticada com câncer no ovário. Viajou junto com seu pai e um irmão para acompanhá-la em seus últimos momentos.

Akiko nasceu em Madri e decidiu estudar medicina na Universidade de Navarra (Espanha), embora seu sonho fosse estudar nos Estados Unidos. Considerou que uma das suas prioridades era discernir o que Deus queria dela.

Terminou o curso e começou a se preparar para o MIR, um exame final que deve ser realizado pelos estudantes de medicina na Espanha para começarem a trabalhar como Médico Interno Residente em um hospital e em uma especialização que lhe é atribuída segundo a nota que obtém nesse exame.

“Durante o tempo de preparação para este exame, vivi em uma casa com as adoradoras, esse foi o meu primeiro contato com a vida religiosa, embora nunca tenha pensado que acabaria sendo monja e muito menos de clausura”.

Começou a trabalhar como cirurgiã torácica em Madri e durante este período, conforme explica em ‘Cambio de Agujas’, “rezava a Deus para que mostrasse o que Ele queria de mim”.

Durante os anos de discernimento, Akiko assegura que de alguma maneira lhe acompanharam a imagem de Jesus Misericordioso e da Virgem de Medjugorje.

Tentou ler a vida Santa Teresa de Jesus para se aproximar da realidade das carmelitas, pois pouco a pouco essa ideia ia se concretizando na sua mente e no seu coração, mas desistiu de ler sobre a mística.

Enquanto isso, “encontrava-me com pacientes que tinha salvado da morte e pensava que aí era onde Deus queria que eu estivesse”.

Em uma Quinta-feira Santa, enquanto dirigia e rezava o rosário, perguntou novamente a Deus: “O que quer de mim?”. “Nesse momento, soube que era ser carmelita descalça. Tive uma profunda paz de saber que estaria cantando para Deus como um passarinho e que Deus estaria sempre comigo”.

Durante os ofícios da Quinta-feira Santa, Akiko não conseguia parar de chorar ao repetir “Jesus foi obediente até a morte e morte de cruz”. 

Em abril de 2012, contou para sua família a sua decisão e, em agosto daquele ano, entrou para o Convento do Bom Pastor de Zarautz, em Guipúzcoa, (Espanha), e assegura: “Se deixa que Deus entre em sua vida, acontecem milagres nela. A cada manhã, penso e digo: Sou carmelita, sou feliz e sou livre e não trocaria isso por nada neste mundo”.

 

Por Blanca Ruiz, disponível em: acidigital.com

Segunda, 13 Março 2017 12:00

Ex-jogador do Manchester United é ordenado diácono

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Aos 38 anos de idade, Philip Mulryne foi ordenado diácono da ordem Dominicana em 2016. Este ano, depois de anos de esforço e dedicação, assim como em sua carreira esportiva, será ordenado sacerdote.

Philip Mulryne, companheiro de jogadores como David Bekcham e Ryan Giggs entre 1997 e 1999, nasceu na Irlanda do Norte e foi ordenado diácono pelo Arcebispo de Dublin, Dom Diarmuid Martin, no dia 29 de outubro, nessa cidade irlandesa.

Paul McVeigh, que jogou com Mulryne em Norwich, disse ao ‘Catholic Herald’ que visitou o seu amigo e foi surpreendido pelo que viu em seu velho amigo. “Infelizmente Phil sofreu uma série de lesões no final da sua carreira e decidiu parar de jogar, mudar-se para Belfast e decidir o que iria fazer no resto da sua vida”, assinalou.

“Para minha surpresa e provavelmente para a surpresa da ‘irmandade futebolística’, Phil decidiu estudar para ser sacerdote católico”.

“Entretanto, estava em contato com ele, sabia que tinha mudado radicalmente a sua vida e que estava realizando muitos trabalhos de caridade”. Mas, comentou McVeigh, “surpreendeu-me ver que ele sentiu este chamado”.

Em 2013, quando recebeu o hábito dominicano, Philip Mulryne disse que seu objetivo na vida religiosa é “ser completamente de Deus com a profissão dos conselhos evangélicos”.

“Apesar de nossas faltas, sabemos que Ele nos transforma com a sua graça e, ao sermos transformados, podemos comunicar a alegria aos outros”, ressaltou.

 

Por acidigital.com

Sexta, 10 Março 2017 18:09

Diretor de multinacional deixou tudo pela vocação.

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Um trabalho de grande responsabilidade nas melhores empresas da Espanha, uma casa em um bom condomínio em Madri (Espanha) e uma namorada: tudo o que um homem pode desejar. Entretanto, uma morte inesperada fez com que a sua vida mudasse totalmente. No último dia 16 de dezembro, Alberto Núñez foi ordenado sacerdote pelo Cardeal Carlos Osoro, Arcebispo de Madri.

Alberto Núñez tem 50 anos e foi ordenado sacerdote na Companhia de Jesus no dia 16 de dezembro na capela da Universidade de Comillas, em Madri (Espanha), onde há alguns anos estudou a licenciatura em direito, ciências econômicas e doutorado em engenharia industrial.

Antes de descobrir a sua vocação à vida religiosa, o Pe. Alberto tinha tudo o que uma pessoa poderia desejar: trabalhos de grande responsabilidade na Bolsa e em multinacionais conhecidas como Société Génerale, BBVA e Gás Natural Fenosa. Uma casa em um condomínio e uma namorada.

Mas um câncer matou em apenas três meses o seu único irmão, que deixou os seus três filhos pequenos órfãos. Em meio a essa profunda dor, o Pe. Alberto escutou o chamado de Deus.

Pouco depois da morte do seu irmão e de viver esse momento de conversão e chamado, ofereceram-lhe “o trabalho que sempre tinha sonhado” na empresa Gás Natural Fenosa como Diretor Corporativo de Estratégia. Aceitou-o e estando no cargo de diretor começou a discernir a sua vocação.

Começou um voluntariado em um centro psiquiátrico com os Irmãos de São João de Deus e a estudar Teologia à noite e, finalmente, deixou a sua casa para mudar-se para a comunidade dos jesuítas no Pozo del Tio Raimundo, um dos bairros mais pobres da cidade e com um alto índice de pobreza.

No princípio só comentou a respeito da sua decisão com os mais próximos, mas, conforme explica, “a medida que fui confirmando o chamado tão forte que havia escutado, não tive problemas em comentar que vivia neste local ou que fazia este voluntariado”.

Finalmente, o Pe. Núñez deixou sua noiva e comunicou na empresa que deixava o posto não para ir para a concorrência, mas para entrar na Companhia de Jesus.

Alguns diretores e companheiros estiveram presentes no dia da sua ordenação, assim como o provincial da Companhia de Jesus da Espanha, o Pe. Francisco José Ruiz Pérez, e o ex-prepósito geral, o Pe. Adolfo Nicolás. “Agora, em vez de estar preocupado pela minha carreira profissional, estou preocupado pelas pessoas que estão ao meu redor. Eu adorava a minha vida, mas não estava feliz e é o que consegui na Companhia e enche a minha vida de sentido”.

Desde setembro de 2016, o Pe. Núñez é o responsável pela Pastoral Universitária da Universidade Pontifícia Comillas em Madri (Espanha).

 

Por acidigital.com

Terça, 07 Março 2017 19:26

Como descobrir a minha vocação?

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É comum que as pessoas procurem direção espiritual para se orientar quanto ao estado de vida que vão seguir ou quanto à profissão que vão exercer. Para descobrir isso, no entanto, é necessário dar um passo atrás. Assim como uma casa não pode ser bem construída se não tem um bom alicerce, não é possível que sigamos em frente sem que esteja assegurada a consciência de nossa vocação à santidade, que recebemos pelo sacramento do Batismo.

Como bom discípulo de Aristóteles, Santo Tomás de Aquino sabia que as coisas se definem por sua causa final, por aquilo para que servem. Por isso, ele inicia a primeira seção da segunda parte (chamada de prima secundae) de sua Suma Teológica indagando justamente qual o fim último do homem. Ao final, o Aquinate conclui, com Santo Agostinho, que este fim é a bem-aventurança [1] e que ela não consiste nem nas riquezas, nem nas honras, na fama, no poder, no prazer ou em algum dos bens criados, senão em Deus mesmo:

“É impossível estar a bem-aventurança do homem em um bem criado. A bem-aventurança é um bem perfeito, que totalmente aquieta o desejo, pois não seria o último fim, se ficasse algo para desejar. O objeto da vontade, que é o apetite humano, é o bem universal, como o objeto do intelecto é a verdade universal. Disto fica claro que nenhuma coisa pode aquietar a vontade do homem, senão o bem universal. Mas tal não se encontra em bem criado algum, a não ser só em Deus, porque toda criatura tem bondade participada. Por isso, só Deus pode satisfazer plenamente a vontade humana, segundo o que diz o Salmo 102: 'Que enche de bens o teu desejo'. Consequentemente, só em Deus consiste a bem-aventurança do homem"[2].

Hoje, as pessoas vivem com a cabeça no futuro, estudando para trabalhar e trabalhando para acumular dinheiro... Mas, ao final de suas cansativas e atarefadas existências, sobra apenas um sentimento de vazio, porque todas elas passam o hoje pensando apenas no amanhã – e, um dia, com a morte, o amanhã não vem; porque transferem o sentido de tudo o que fazem para este mundo – e a luz deste mundo, mais cedo ou mais tarde, para de brilhar. É preciso admitir que, se a vida tem realmente um sentido, ele se encontra fora da vida. Se essa existência, transitória, tem razão de ser, essa razão só pode ser eterna e transcendente. Caso contrário, como pregaram os filósofos existencialistas, só existe o nada. Tertium non datur.

Realmente, se Deus não existisse, não só a existência humana seria um absurdo como o próprio homem seria um animal defeituoso. Afinal, enquanto todos os animais encontram o objeto de seus desejos na natureza, o homem, mesmo que se lhe deem fama, sucesso, dinheiro e prazer, permanece insatisfeito. Na verdade, essa sede aparentemente insaciável do ser humano aponta para o alto: “ Feciste nos ad Te, Domine, et inquietum est cor nostrum donec requiescat in Te – Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Vós" [3].

Feciste nos ad Te. Eis uma verdade essencial para toda a nossa vida: fomos feitos para Deus! Por isso, não só não nos pertencemos, como devemos dirigir todos os nossos atos a Ele. Caso contrário, tudo perde o seu sentido.

Antes de trilhar uma vocação específica, portanto, é preciso que purifiquemos a nossa intenção. Muitas pessoas perseguem um determinado estado de vida ou uma determinada carreira deixando de lado a verdadeira causa final, que dá fundamento às suas vidas e ordena todas as coisas. Não raramente elas demoram em encontrar a sua vocação, porque descuidaram do seu primeiro chamado, agindo como se a vida tivesse sentido em si mesma.

O famoso psicólogo Viktor Frankl, que passou a Segunda Guerra Mundial nos campos de concentração da Alemanha, dizia que “o homem (...) pode suportar tudo, menos a falta de sentido" [4]. Uma pessoa pode ser bem ou mal sucedida, mas se olha para as realidades terrenas sub specie aeternitatis, todas as coisas se lhe tornam leves. A finalidade da vida, definitivamente, é geradora de saúde e o fim último de nossa existência não está aqui, mas em Deus.

Referências

  1. Cf. Suma Teológica, I-II, q. 1, a. 7
  2. Suma Teológica, I-II, q. 2, a. 8
  3. Santo Agostinho, Confissões, I, 1
  4. Apud Olavo de Carvalho, A mensagem de Viktor Frankl, Bravo!, novembro de 1997

Por Padre Paulo Ricardo

Sexta, 29 Abril 2016 22:21

Como discernir a vocação sacerdotal?

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Discernimento Vocacional

Como discernir a vocação sacerdotal?
O jovem que busca encontrar a resposta para sua dúvida vocacional antes de tudo deve ser íntimo de Deus.

Primeiro passo:
É necessário compreender uma coisa: a natureza de cada um. Ou seja, tem que haver uma capacidade mínima de exercer o ministério sacerdotal.
A pessoa não pode ser, por exemplo, excessivamente tímida diante de um microfone. Ou se não tem jeito para os estudos. Esse primeiro nível é o nível dos talentos naturais.

Segundo passo:
É necessário ter uma vida espiritual. É preciso se aproximar de Deus.
O que desvia da vocação sacerdotal é a falta de Deus. Confissão frequente. Comunhã diária. Estudo da doutrina da Igreja. Leitura da vida dos santos...
O sacerdócio não foi inventado por homens. Há modelos... e estes devem ser os padres santos, canonizados e reconhecidos pela Igreja. Por isso a leitura da vida de santos sacerdotes é muito recomendável.

É preciso distinguir e isto é o mais difícil: você admira o sacerdócio ou tem real vocação para ele?
O sacerdócio precisa passar por esse teste de fogo: se o sapato cabe no pé. É preciso ver se existe ALEGRIA na entrega da sua vida a Deus.
Se há um fardo nessa entrega, ou há necessidade de conversão ou não há vocação.
É preciso discernir entre dificuldades para viver uma vida cristã (crise de conversão) e crise vocacional.

Não existe remédio mágico para o discernimento vocacional; é preciso tempo para ver como as coisas caem no coração de cada um.

Uma vez um sacerdote disse uma coisa absurda: não me sinto chamado para o matrimônio mas ao mesmo tempo acho que não dou conta de viver a castidade.
Ora, o que ele está dizendo é que ele não nasceu para amar, não quer aliança de amor com ninguém, nem pessoa (matrimônio) nem Deus (castidade). O que falta é conversão.

Ou se dá a vida para Deus através do matrimônio, da família, ou se dá a vida para Deus através do sacerdócio, da vida monástica... ninguém nasceu para ficar com a vida para si mesmo, para aproveitá-la egoisticamente.
Muitas vezes as dificuldades estão no discernimento da conversão, necessária para que tenhamos o discernimento da vocação.

Fonte:https://padrepauloricardo.org/episodios/como-discernir-a-vocacao-sacerdotal

Sexta, 29 Abril 2016 22:08

Como farei isso, Senhor?

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Quantas vezes você já se esquivou de sua missão? Já pensou estar fazendo algo diferente dos planos de Deus pra você? É comum encontrarmos jovens dando mil desculpas para não assumir verdadeiramente sua missão neste mundo. Se isso acontece com você, acalme-se! A Bíblia Sagrada nos mostra que muitos foram os homens e mulheres que relutaram em aceitar o chamado de Deus.

Vivendo uma vida normal, pastoreando o rebanho, Moisés é convocado para libertar seu povo (Ex 3, 7-10). Inicialmente, ele não se vê em condições de dar uma resposta concreta a este apelo divino. “Quem sou eu para ir até o Faraó e tirar os filhos de Israel do Egito?” (Ex 3, 11). Moisés coloca ainda outros empecilhos para iniciar a caminhada, diz não ter facilidade para falar.

Mas Deus insiste, como faz com todos os escolhidos. “Vá, eu estarei em sua boca e lhe ensinarei o que falar” (Ex 4, 12). Aquele que convoca não desiste dos seus. Deus chama e capacita! Depois de colocar objeções, Moisés finalmente segue sua missão.

O projeto de Deus se realiza através da ação humana. Ele não procura requisitos excepcionais ou grandes líderes, a vocação nasce na vida comum, no meio do povo, no trabalho em comunidade, na solidariedade com o irmão e na comunhão com Jesus Cristo.

Que a Mãe Aparecida interceda junto ao Pai por todos os jovens e conceda a homens e mulheres a graça da perseverança na vocação e missão, como verdadeiros apóstolos do Evangelho.

Jovens, tenham coragem! Não tenham medo de sonhar coisas grandes.

Fonte: http://www.a12.com/redentoristas/noticias/detalhes/como-farei-isso-senhor

Quinta, 30 Julho 2015 00:00

Uma palavra sobre vocação

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A vocação de Deus é pessoal, intransferível e incontestável. Pessoal, pois Ele chama pessoas e não coisas; gente e não instituições. E ao chamar Deus lança no coração de Seus filhos uma profunda convicção de propósito – a busca por estar no lugar certo, na hora certa e fazendo o que Ele deseja de nós a cada dia. Intransferível, pois o propósito de Deus é único e personalizado. A vocação não é um projeto, mas um estilo de vida. Não se baseia em uma lista de tarefas, mas em um relacionamento único, pessoal e intransferível com o Pai. Incontestável, pois a voz de Deus é clara. Ao chamar Ele produz em nossos corações profunda convicção e, quando fora do Seu propósito, incômodo. Sua palavra é comparada a “muitas águas” (Apoc 1.15) e ao “trovão” (Is. 33.3). Ele sempre se faz ouvir. Quando Deus chama somos tomados pelo desejo de segui-lo –  e tudo o mais só ganha sentido neste caminho. 

Chamado e vocação são termos correlatos na Palavra de Deus e derivam da expressão kaleo - chamar. Em todo o Novo Testamento vemos que Ele chama para a salvação (2 Pe 1.10), para a liberdade (Gl 5.13), para sermos de Jesus Cristo (Rm 16) e para a ceia das bodas do Cordeiro (Ap 199). Todo chamado se dá segundo o Seu propósito (Rm 8.28) e somos encorajados a permanecer firmes no chamado (1 Co 7.20), andar de forma digna da nossa vocação (Ef 4.1) e a vivê-la junto com outros igualmente chamados em Cristo (Ef 4.4).  

O chamado de Deus não é uma prerrogativa do Novo Testamento. Deus, ao longo da história, chamou o Seu povo para o Seu propósito. Israel é chamado para ser bênção entre as nações (Gn 12.2) e para anunciar a salvação e a glória do Senhor (Sl 96.3). Em Isaías, o Senhor fala sobre “todos os que são chamados pelo meu nome” e também menciona que foram criados “para a minha glória” (Is 43.7).  

É preciso compreender que, em Cristo Jesus, todos somos vocacionados (1 Pe 2.9-10). A Palavra deixa isso bem claro ao expor que somos vocacionados para a salvação, para as boas obras, para a santidade e para a missão. Ou seja, nascemos em Cristo Jesus com um propósito. Não estamos neste mundo de forma aleatória e descomprometida. Fomos salvos em Cristo para fazer diferença – sendo sal e luz – e cumprir o chamado de Deus. E, dentre todas, a nossa maior vocação é glorificar o nome de Deus Pai (Rm 16.25-27). 

Outra verdade bíblica que complementa a primeira é que, entre todos, Deus também vocaciona alguns para ministérios específicos. Trata-se daqueles que são separados por Deus para uma ação específica e funcional em Sua igreja.  Escrevendo aos Romanos, Paulo se apresenta como “servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (Rm 1.1), expressando que é servo de Cristo, porém, com um chamado ministerial específico: ser apóstolo. 

Ele afirma ser “servo” – doulos – escravo comprado pelo sangue do Cordeiro, liberto das cadeias do pecado e da morte e, apesar de livre, cativo pelo Senhor que o libertou.  Afirma também ser chamado para ser “apóstolo”, demonstrando que alguns servos podem ser chamados ao apostolado, porém, não há apóstolos que não sejam primeiramente servos.  

Em Efésios 4:11, entendemos que o Senhor Jesus chama, dentre todos na igreja, “alguns” para serem apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres, ou seja, para funções específicas de trabalho.  

Quem nós somos - nosso chamado em Cristo - é mais determinador para nosso ministério do que para onde iremos. Não há na Palavra um chamado geográfico (para a China, Índia ou Japão), ou mesmo étnico (para os indígenas, africanos etc.), mas um chamado funcional, para exercer alguma função.  

Na dinâmica do chamado há certamente uma direção geográfica. Se alguém possui convicção de que Deus o quer na Índia, isso significa que há uma direção geográfica de Deus, não um chamado ministerial. A direção geográfica muda, e mudou diversas vezes na vida de Paulo. O chamado ministerial permanece.  

Paulo foi chamado para os gentios, como por vezes expressa (At.13:1-3). Era uma força de expressão para seu perfil missionário, pois, com exceção dos judeus, todo o mundo era gentílico. Assim, ele expressa em Romanos 15.20 a prioridade geográfica do ministério da Igreja: “onde Cristo ainda não foi anunciado”. Na época, prioritariamente entre os gentios.  Hoje, porém, pode ser perto e pode ser longe. Uma pessoa, de qualquer língua, raça, povo ou nação, que ainda não tenha ouvido as maravilhas do Evangelho, é a prioridade de Deus para a obra missionária.  

Percebo algumas crises entre os vocacionados no Brasil. As principais talvez sejam de compreensão, discernimento e ação.  

A crise de compreensão se estabelece à medida que não entendemos, na Palavra de Deus, que somos todos vocacionados para servir a Cristo. Assim, relegamos o trabalho aos que possuem um chamado ministerial específico. Outras vezes, por associarmos o chamado puramente a títulos ou posições eclesiásticas, esquecendo que fomos todos chamados em Cristo para a vida no Espírito e para o trabalho na missão.  

A crise de discernimento nasce quando não fazemos clara distinção entre o chamado universal e o chamado ministerial específico. Podemos passar a vida frustrados em qualquer lado do muro se não buscarmos discernimento vocacional. Esse discernimento é encontrado primeiramente na Palavra, estudando o que a Bíblia nos ensina sobre vocação. Em segundo lugar, caso haja uma convicção de chamado ministerial específico, associando-nos ao trabalho da igreja e passando nossa vocação pelo crivo dessa experiência. Por fim, precisamos buscar ao Senhor em oração especialmente para saber qual será o próximo passo. Deus, geralmente, só nos mostra o próximo passo.  

A crise de ação é percebida na vida de irmãos e irmãs com clara compreensão bíblica sobre a vocação, claro discernimento sobre os passos a serem dados, mas que nunca os dão. Para alguns, esse passo é um envolvimento maior com o ministério da igreja local. Para outros, é seguir para um centro de treinamento bíblico e missionário ou participar de um estágio ministerial. O importante é perceber que, em algum momento ao longo da convicção de um chamado ministerial, é preciso dar um passo.  

Somos, portanto, todos vocacionados em Cristo para servir a Deus e glorificar o Seu Nome. Alguns são vocacionados, também em Cristo, para funções específicas – ministeriais – para o encorajamento da igreja e expansão do Evangelho no mundo. Em qualquer situação, a nossa vocação é um privilégio. Na verdade, talvez seja o nosso maior privilégio, bem como o nosso maior desafio.

Quinta, 30 Julho 2015 00:00

Ministério – vocação ou profissão?

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Ministério – vocação ou profissão?
A palavra do Senhor veio a Jonas, filho de Amitai, com esta ordem: “Vá depressa à grande cidade de Nínive e pregue contra ela, porque a sua maldade subiu até a minha presença”. Mas Jonas fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto. Depois de pagar a passagem, embarcou para Társis, para fugir do Senhor. Jonas 1.1-3

Deparando-nos com o texto de Jonas 1.1-3, percebemos algo muito contextualizado com a nossa realida¬de: uma pessoa com uma identidade conhecida, que tem uma referência de família e recebe um chamado de Deus onde é vocacionado por ele, para a missão de anunciar a mensagem do Senhor. O interessante aqui, é que Jonas ouviu e entendeu sua missão, mas a sua disposição/reação foi totalmente direcionada para longe da vontade de Deus. Ele toma a decisão de ir para Társis e não para o lugar que Deus o chamou e designou para ir, Nínive. E tu, tens certeza que o lugar que estás é onde Deus quer que estejas? Tu já pensaste em servir a Deus no ministério de tempo integral?

Cremos que um dos grandes equívocos que somos levados a cometer é reduzir nossas vidas à própria carreira profissional. Não nos referimos a bi vocacionados. Existe um chamado geral e um chamado específico. O geral (bi vocacionado) diz respeito a todas as pessoas que confessam a Jesus como Senhor e Salvador. A cada uma destas pessoas é conferida a tarefa de testemunhar do amor de Deus no lugar onde está e por onde passar, sendo sal e luz do mundo. Todavia, alguns são vocacionados por Deus para uma tarefa específica. Renunciar a sua vida a fim de anunciar de tempo integral o evangelho de Jesus Cristo, levando pessoas a terem um encontro pessoal com Cristo e capacitando-as na tarefa de fazer outros discípulos. Mas isso, a maioria não quer!

Precisamos fazer uma reflexão mais profunda sobre a vida. Em algum momento, temos de fazer uma escolha, que determinará todo o nosso futuro. Ter a consciência da missão e, a partir disso, fazer as escolhas, pois a humanidade geme com dores de parto, clamando por uma orientação; e, nós cristãos, sabemos onde encontrar. Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida. Nisso, a cultura imposta pelo mundo corporativo, com suas demandas crescentes e competitividade acirrada, tem feito com que muitas pessoas compreendam suas vidas como sinônimo de car¬reira profissional. No entanto, a espiritualidade cristã procura nos despertar para a realidade de que não podemos reduzir nossa vocação à nossa própria carreira. Vocação integral não é apenas profissão!

Vocação integral, você já pensou nisso?
É possível que você já tenha pensado nisso. No entanto, acompanhado deste pensamento vieram alguns ques¬tionamentos, tais como: Vocação integral ou Profissão? O que vou fazer? Tem mercado de trabalho? Quanto vou ganhar? Onde vou morar? Que condição de vida terei ou manterei? Que status isso pode me dar? E, no final lem¬bra-se: Igreja, vocação, ministério, lidar com pessoas, pregar a palavra, administrar os sacramentos? Tudo isso é complicado, meio difícil, pensamos que não é para nós! Por que ficamos nos escondendo atrás de nossos medos?

A resposta é uma só! Se o Senhor chama, a única atitude é dizer “Eis-me aqui. Envia-me!” Is 6.8, porque quem vo¬caciona é Deus na ação do seu Santo Espírito. Não sou eu quem o digo, mas o próprio Jesus quem diz: “vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.” Jo 15. 16. O Senhor da seara chama e qual é a nossa ou a tua resposta?

Eu, Benito, tive que responder ao chamado de Deus. Com 29 anos de idade, uma profissão estabilizada, mantendo um salário mensal satisfatório e crescente a cada semestre, com casa, carro na garagem e dinheiro na conta. O que fazer se tenho clareza de que Deus me chama? Só pude dizer que sim! Reunir a família, compartilhar do chamado recebido, e, claro, pedir a benção deles, encerrar os compromissos assumidos e assim aos 30 anos fazer as malas e ir estudar teologia. Posso dizer, hoje, que foi a decisão mais acertada que tomei. Tenho experimentado a cada dia a maravilha de servir a Deus e de trabalhar na sua obra. Trabalho, como estagiário, desde 2010 na comunidade do bairro Primavera em Novo Hamburgo/ RS. Tenho sido capacitado e suprido em tudo, a cada dia, por Deus. Ver pessoas chegando à fé, sendo um instrumento de Deus para restauração de lares, relacionamentos, vínculos fa-miliares, além de incentivar e motivar outros na fé. Certamente não haveria profissão que pudesse conceder isso. Quero seguir na vocação integral por toda minha vida.

E você já pensou na sua vocação? Se te sentes e tens certeza do chamado, então pare de fugir e de negar como Jonas! Decida-se! Tome uma atitude. O Senhor está contigo!

Benito Holz Konflanz e Bruno Kesler Gauthier - Estudantes de teologia da EST – São Leopoldo/RS

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Fonte: Revista do Movimento Encontrão – Pastoreio & Missão – Edição 04 – Ano 2013

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