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Formação

Formação (47)

Sexta, 29 Mai 2020 12:11

MARIA, MULHER COMO AS OUTRAS? (2)

Escrito por

Introdução

Devido o forte carinho dos fieis católicos para com a pessoa da Mãe de Jesus e considerando a importância pastoral deste tema, foi-me solicitado continuar esta reflexão apresentando outros aspectos. Agradeço a atenção por isso.

De fato, minha preocupação é justamente de caráter pastoral visando oferecer aos leitores, pistas como subsídios que possam favorecer uma visão mais profunda da beleza e grandeza de Nossa Senhora. A didática de apresentação está em sintonia com as provocações; por outro lado, da parte dos fieis católicos se constata a necessidade da assimilação de mais conteúdo mariano para poderem contra-argumentar diante das investidas fundamentalistas e intolerantes contra a dignidade da mãe de Jesus Cristo.

Espero que tais reflexões contribuam para crescermos no desejo de mais fundamentação da devoção mariana. Somente na objetividade do conhecimento dos Evangelhos é que a figura de Maria poderá ser, em sua excepcional dignidade, acolhida e respeitada como convém; os Evangelhos nos oferecem as bases fundamentais e os parâmetros para a justa e saudável devoção. Então continuemos nossa reflexão!

 

  1. Se Maria é uma mulher como as outras, por que chamá-la de Nossa Senhora? A questão é simples. A mãe de um senhor é uma senhora! E por isso, a mãe do Nosso Senhor é Nossa Senhora. Essa não é uma invenção da Igreja Católica; é uma declaração de Isabel que disse: “Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1,42-43) e do próprio Jesus Cristo dizendo: “eu sou o Mestre e o Senhor” (Jo 13,13). Também o apóstolo Tomé proclamou sua fé em Jesus Ressuscitado declarando-lhe: “Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20,28). São Paulo afirma: “Jesus Cristo é o Senhor para a Glória de Deus Pai” (Fl 2,11); justamente em virtude do mistério da Santíssima Trindade, Maria gestante, não é portadora simplesmente de uma pessoa humana, mas também portadora do Filho de Deus nela encarnado. O menino, desde a sua concepção tem dupla natureza, a humana e a divina. Essas duas realidades são indissociáveis, por isso disse o anjo: “o menino que nascer de ti…” (Lc 1,31). Na carta aos Gálatas está escrito: “Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho; nascido de uma mulher” (Gl 4,4). É daí que vem a Senhoria de Maria!
  1. Maria é uma mulher como outras? Então, todas elas já carregaram no seu ventre o Salvador da humanidade? E será que fizeram essa experiência degustando o silêncio contemplativo? Na verdade só Maria de Nazaré viveu tudo isso. Ela é a mulher do Mistério! Ela é a mãe do Mistério escondido por séculos que a nós foi revelado e anunciado (cf. Rm 16,25; Ef 3,9; Cl 1,26). Por isso, consciente de ser portadora dessa realidade sublime e divina sua atitude foi de silêncio e contemplação. O evangelista Lucas afirma que Maria, conservava todos os fatos e palavras e meditava sobre eles em seu coração (cf. Lc 2,19.51). Maria é a mulher do silêncio eloquente, portadora do mistério da salvação, por isso não é uma mulher qualquer!
  1. Maria é uma mulher como as outras? Então, quantas tiveram a honra de ser a educadora do Mestre dos mestres? Isso não é invenção! Jesus, o Filho de Deus, foi obediente à sua mãe e por ela foi acompanhado e educado na condição de filho, em processo de desenvolvimento: ele crescia em sabedoria, em estatura e graça, diante de Deus e dos homens (cf. Lc 2,51-52). Quem das mulheres teve o privilégio de fazer-se obedecer pelo Rei dos reis, se impondo a ele como mãe e educadora com toda autoridade? É justamente isso que nos relata o evangelista Lucas narrando o encontro do menino no templo entre os doutores da lei; Maria lhe disse: «Meu filho, por que você fez isso conosco? Olhe que seu pai e eu estávamos angustiados, à sua procura» (Lc 2,48). “Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e permaneceu obediente a eles” (Lc 2,51). Essa autoridade, liberdade e carinho para com o seu Filho, Maria nunca perdeu, porque mãe é sempre mãe; por isso, hoje, é nossa mãe no seu filho e, como tal, nossa intercessora. As mães sempre intercedem por seus filhos. Essa autoridade diante do Nosso Salvador, só ela tem no céu! Por isso não nos cansamos de dizer: “rogai por nós”!
  1. Maria é uma mulher como as outras? E quantas acompanharam o Salvador carregando a sua cruz? Quantas viram seu filho sendo crucificado, morto e mais ainda ressuscitado? A quantas mulheres o crucificado do alto da cruz disse: «Mulher, eis aí o seu filho.» Maria é declarada pelo próprio Jesus como mãe do discípulo amado. E depois disse ao discípulo: «Eis aí a sua mãe»? Jesus diz ao discípulo que Maria era sua mãe, ou seja, a maternidade de Maria é compartilhada, estendida a toda à Igreja, sendo representada pelo discípulo amado. O discípulo amado de Jesus acolhe a sua mãe e por isso João declara: “E dessa hora em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,25-26). Nenhuma outra mulher viveu essa experiência e ouviu essas declarações. Então, Maria não é como outra qualquer!
  1. Maria é uma mulher como as outras? Analisemos outra questão. Desta vez consideremos o nascimento do seu filho e as repercussões dessa notícia. O nascimento dessa criança foi fato gerador de grande impacto para os habitantes da Judeia. Um anjo anunciou o nascimento da criança, mais ainda também declarou a sua identidade e o seu futuro: “um anjo do Senhor apareceu aos pastores; a glória do Senhor os envolveu em luz, e eles ficaram com muito medo. Mas o anjo disse aos pastores: «Não tenham medo! Eu anuncio para vocês a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” (Lc 2,9-11). “De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos. Cantavam louvores a Deus, dizendo: «Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por ele amados» (Lc 2,12-13). Qual mulher na história da humanidade viu isso acontecer no ato de dar a luz seu filho, quantos anjos lhe apareceram, o que cantaram e o que disseram da criança? Só Maria de Nazaré viveu essa experiência, por isso ela não é uma como as outras!
  1. Após o nascimento da criança iniciaram as visitas a ela. Fato comum a tantas mães vendo os parentes, amigos e vizinhos se alegrarem por causa do recém-nascido. Mas de um grupo de visitantes algo extraordinário Maria contemplou o que certamente lhe causou profunda comoção. Vejamos o que nos descreve o evangelista Mateus: “quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Receber visitas tudo bem, ser homenageado(a) é compreensível, mas ajoelhar-se diante do bebê é algo único. Com esse gesto os magos do oriente reconheceram a divindade do menino, por isso, se prostraram em adoração diante dele. Alguma outra mulher já presenciou visitantes prostrando-se em adoração diante do seu bebê? Só Maria de Nazaré viu isso, então ela não é como as outras mulheres. Naquele bebê habitava a plenitude da divindade (cf. Cl 2,9); Ele é a irradiação da glória de Deus e por isso está acima dos anjos (cf. Hb 1,1-4).
  1. Estamos diante do mistério da encarnação do Filho de Deus! Maria não é mãe de um mero corpo, mas de uma pessoa, Jesus Cristo, plenamente humano e divino! Portanto, a negação da extraordinária dignidade de Maria, não é um simples ataque à mãe de Jesus, mas ofensa à identidade do próprio Filho de Deus! A ignorância gera confusão. Boa conclusão do mês mariano!

 

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  1. Por que é importante a clareza da relação entre Maria e Jesus?
  2. Quais os perigos de uma devoção mariana sem base bíblica?
  3. Qual dos itens mais chamou sua atenção?

POR DOM ANTÔNIO DE ASSIS RIBEIRO, SDB

Bispo Auxiliar de Belém - PA

Quinta, 21 Mai 2020 12:29

MARIA, MULHER COMO AS OUTRAS? (1)

Escrito por

Introdução

O mês Mariano nos estimula a aprofundar a mariologia, ou seja, o conhecimento objetivo da identidade de Maria, a mãe de Jesus Cristo. Na Exortação Apostólica “Marialis cultus” do Papa São Paulo VI (1974), temos orientações para o reto desenvolvimento do culto à bem-aventurada Virgem Maria; nela encontramos o convite para darmos a devida atenção à dimensão bíblica da devoção à Nossa Senhora.

Se de um lado há a tendência devocionista por parte de fiéis católicos, por outro, no meio neopentecostal encontramos a incoerência do vazio em relação à referência à Maria; esse vácuo de reflexão bíblica e teológica sobre a figura de Maria tem causado graves danos na vida religiosa de muitos fiéis tais como: manifestando-se na incoerência em relação aos dados bíblicos, na seletividade contraditória de personagens bíblicos (por exemplo, ressaltando Abraão, Moisés, Gideão, Salomão… mas ocultando radicalmente a grandeza de Maria), na ignorância sobre o impacto de uma distorcida mariologia sobre a identidade de Jesus Cristo, na agressividade por causa da ignorância, implícito sentimento de orfandade materna! 

Um fato que resume tudo isso é, por exemplo, a famosa sentença: “Maria é uma mulher como as outras”. A resposta objetiva e crítica sobre esse equívoco preconceituoso é uma necessidade, uma vez que trata da profunda relação existente entre a pessoa do Filho de Deus e sua mãe. Uma mulher como outra qualquer também teria tido um filho como os demais homens. Mas não é isso que encontramos nas referências bíblicas. É preciso ser honesto!

  1. A quantas mulheres foi enviado por Deus o anjo Gabriel? (cf. Lc 1,26). Quantos anjos ou quantas vezes Gabriel, o mensageiro de Deus, já apareceu para as mulheres deste mundo? Já pareceu para você, para sua mãe, para a sua avó, para a sua bisavó, para as suas irmãs? Sabe de alguém que viveu essa experiência? Não!? Pois é isso mesmo, só sabemos de um caso! Por aquilo que sabemos, por coerência histórica, não foi algo comum. Maria, a mãe de Jesus, então, não foi e nem é como as outras mulheres!
  2. Quantas mulheres em sua experiência mística, em sua oração pessoal ou comunitária, recebeu esta saudação de um anjo: «Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!» (Lc 1,28)? Saudada como cheia de Graça? Cheia da presença de Deus, portanto, sem espaço para o pecado! Por aquilo que sabemos nenhuma outra mulher ouviu essas palavras direcionadas a si mesma por um dos habitantes do céu, mensageiro de Deus, mas a Mãe de Jesus, sim. Então, será que ela é como as outras?
  3. Quantas mulheres já receberam de um dos mensageiros celeste esta notícia: “Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,31-32; Mt 1,25).). Normalmente, a notícia da gravidez vem pela medicina, através de exames, ou ainda pela própria grávida quando percebe mudanças em seu dinamismo ginecológico. Por outro lado, a qual das mulheres recebeu a notícia que seu filho seria Filho do Altíssimo, por Ele gerado? Sobre isso a história não nos revela outros dados, só aconteceu com uma mulher, chamava-se Maria de Nazaré! Então, será que ela é como as outras?
  4. Continuemos o nosso diálogo! Se alguns insistem em dizer que “Maria é como as outras mulheres”, então, por honestidade mais uma questão pertinente nos vem à mente: quantas mulheres recebeu a informação que ficaria grávida por ação do Espírito Santo? Assim lhe disse o anjo: «O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra” (Lc 1,35). Por aquilo que sabemos, naturalmente, a gravidez de uma mulher requer a participação de um homem. Ainda hoje no interior amazônico, há os “filhos de boto”, expressão que significa crianças de pais desconhecidos, ocultados pela mãe por causa da vergonha, da violência e outros motivos. Mas na verdade, boto não engravida mulher! Mas aquela jovem de Nazaré, ficou grávida por ação do Espírito Santo! Por isso o seu Filho, é o Santo, Filho de Deus, o Salvador da humanidade por ser Deus encarnado. Então é justo afirmar que Maria é como as outras? Isso não cheira a orgulho?
  5. Outro fato que nos chama atenção com total sintonia com os dados bíblicos diz respeito às palavras de Isabel a Maria; quando estava grávida foi lhe visitar para dar-lhe a sua ajuda (cf. Lc 1,39-47). O evangelista Luca afirma: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1,41). Maria, com Jesus Cristo em seu ventre, é também portadora do Espírito Santo! Tendo sido saudada como “cheia de Graça” pelo anjo Gabriel, ela é portadora do Espírito Santo e por isso gera impacto em sua prima! Você já ouviu alguma mulher receber esse elogio sendo portadora do Espírito Santo por trazer no seu ventre o Salvador? Então, a história de Maria é extraordinária, não é como as outras mulheres!
  6. Continuemos aprofundando o perfil de Maria seguindo os dados bíblicos comuns tanto na Bíblica Católica quanto na protestante. Agora recordemos o grito de Isabel movida por grande alegria declarando à grávida jovem visitante: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42). A declaração de Isabel é fantástica, única, poética e real; recheada de senso de meditação sobre o mistério de Deus, de humildade diante da outra e de fé. Para Isabel Maria é a bem-aventurada (agraciada) entre todas as mulheres do mundo e o menino Jesus é por Isabel reconhecido como o Bendito fruto do seu ventre. O Bendito é Deus! Só Deus é o Bendito, como nos afirma o profeta Daniel: «Bendito sejas tu, Senhor, Deus de nossos pais, tu és digno de louvor e o teu nome é glorificado para sempre!” (Dn 3,26-27). O Filho de Maria é o Bendito aclamado como Rei e Senhor (cf. Lc 19,38). Alguma outra mulher já recebeu uma declaração de tal calibre? Então, Maria não é como as outras mulheres!
  7. Outro fato é digno de ser ressaltado que faz de Maria a mais extraordinária das mulheres. No seu hino no qual proclama a grandeza de Deus reconhecendo-o como o Senhor da história, ela profeticamente afirma: “Daqui para frente todas as gerações me felicitarão, porque o Todo-poderoso realizou grandes obras em meu favor” (Lc 1,46-48). Aquilo que os fieis católicos nutrem para com a Mãe do Senhor, é hoje no mundo, obediência a essa profecia, realizando e atualizando a mesma. Qual outra mulher ao longo da história da humanidade já ousou dizer: daqui pra frente todas as gerações me chamarão bem-aventurada? A história da humanidade está cheia de grandes mulheres, místicas, teólogas, mártires, santas, filósofas, cientistas, escritoras, líderes etc., todavia, para nenhuma delas se deve a consideração à semelhança de Maria, a Mãe do Mestre de Nazaré.

Então, Maria é como outra qualquer?

O honesto reconhecimento dos dados da Sagrada Escritura a respeito de Maria é necessário para que não se desqualifique a identidade de Jesus Cristo. Não se pode atacar a mãe sem atingir o Filho, muito menos acolher o Filho e desprezar sua mãe. Há uma relação íntima entre Cristologia e Mariologia, entre Mãe e Filho, entre o Filho e sua Mãe.

Continuaremos…

PARA REFLEXÃO PESSOAL:

  1. Você já ouviu alguém afirmar: “Maria é uma mulher como as outras”? Como você reagiu?
  2. Por que algumas pessoas pensam dessa forma e quais as consequências?
  3. Elenque outros motivos pelos quais Maria, a Mãe de Jesus, não é uma como as outras mulheres?

 

POR DOM ANTÔNIO DE ASSIS RIBEIRO, SDB

Bispo Auxiliar de Belém - PA

A fé inabalável no Senhor, a devoção à Maria, o sentido do sacrifício, o empenho pelo próximo mesmo arriscando a própria vida. Karol Wojtyła encontrou na sua família tudo aquilo que depois desenvolveu na sua vida e de modo extraordinário no seu Pontificado.

Depois de percorrermos juntos com nosso bispo esse caminho de reflexão, desde a quarta-feira santa, achamos por bem disponibilizarmos as reflexões em PDF, para aqueles que desejarem guardar o material, ou mesmo ainda fazer uso dele.

Dom Jesus nos ajudou com 5 reflexões para a Semana Santa 2020. O primeiro texto foi publicado na quarta-feira, e teve como título "A semana santa". Na quinta-feira refletimos com ele sobre a "A ceia do Senhor". Na sexta o tem abordado por Dom Jesus foi "A morte do filho de Deus". Sábado Dom Jesus trouxe para nossa reflexão o tema do silêncio, em "O silêncio do sábado santo". E para encerrar essa série foi publicada no domingo da Páscoa do Senhor a última reflexão, que nos trouxe o anúncio de que "Cristo ressuscitou,  aleluia".

No link logo abaixo você pode fazer download do PDF contendo as 5 reflexões produzidas por Dom Jesus.

Por Pascom

Diocese de Bragança do Pará

Cinco detentos, uma família vítima de homicídio, a filha de um condenado a prisão perpétua, uma educadora, um juiz corregedor de presídios, a mãe de um presidiário, uma catequista, um sacerdote acusado injustamente, um frade voluntário, um policial, todos ligados à Capelania do Cárcere “Due Palazzi” de Pádua: são os autores das meditações que serão lidas durante a Via-Sacra deste ano, presidida pelo Papa Francisco no adro da Basílica de São Pedro.

“Acompanhar Cristo no Caminho da Cruz, com a voz rouca dos que vivem no mundo carcerário, é uma oportunidade para assistir ao prodigioso duelo entre a Vida e a Morte, descobrindo como os fios do bem se entrelacem inevitavelmente com os fios do mal”. São palavras escritas na introdução das meditações da Via-Sacra publicadas pela Libreria Editrice Vaticana. Os textos, as narrações do capelão do Instituto carcerário “Due Palazzi” de Pádua, padre Marco Pozza, e da voluntária Tatuana Mario, foram escritos por eles mesmos, mas pretendem dar voz a todos os que compartilham a mesma condição no mundo inteiro.

No cárcere, Jesus me procurou

“Crucifica-o, crucifica-o!”. A pessoa que comenta a primeira estação (Jesus é condenado à morte) é um condenado à prisão perpétua. Crucifica-o “é um grito que ouvi dirigido a mim”, escreve. A sua crucificação iniciou quando era criança, uma criança marginalizada, agora considera-se mais semelhante a Barrabás do que a Cristo. O seu passado é algo que lhe causa repulsa. “Depois de 29 anos de prisão – afirma – ainda não perdi a capacidade de chorar, de me envergonhar pelo mal que fiz (…) porém sempre procurei algo que fosse vida”. Hoje “percebo, no coração, que aquele Homem inocente, condenado como eu, veio me procurar no cárcere para me educar para a vida”.

O amor é mais forte que o mal

Na segunda estação (“Jesus carrega a cruz”), a meditação foi escrita por um casal que teve sua filha assassinada. “Nossa vida foi sempre uma vida de sacrifícios, baseada no trabalho e na família. Muitas vezes nos perguntamos: Por que este mal foi acontecer exatamente conosco? Não temos paz”. Sobreviver à morte de um filho é doloroso, mas “no momento em que o desespero parece tomar conta de tudo, o Senhor, de mais de um modo, vem ao nosso encontro, nos dando a graça de nos amarmos como casal, apoiando-nos um ao outro, mesmo com dificuldade”. Continuam a fazer o bem aos outros, e deste modo encontram uma forma de salvação, não querem se render ao mal. Provam que “o amor de Deus é capaz de regenerar a vida”.

No mundo há também a bondade

Na terceira estação (“Jesus cai pela primeira vez”) um presidiário conta que a sua queda, a primeira foi o seu fim. Depois de uma vida difícil, na qual não se dava conta que o mal estava crescendo dentro de si, dominando-o, tirou a vida de uma pessoa. “Uma noite, em um instante, como uma avalanche – escreve – desencadearam na minha cabeça todas as injustiças às quais fui submetido durante a vida. A raiva assassinou a gentileza, cometi um mal imensamente maior do que todos os que tinha recebido”. Na prisão tentou o suicídio, mas depois encontrou a luz, por meio do encontro com pessoas que lhe davam novamente “a confiança perdida”, mostrando-lhe que neste mundo existe também a bondade.

O olhar do amor entre a mãe e o filho

“Nem mesmo por um instante tive a tentação de abandonar meu filho à sua condenação”, afirma a mãe de um detento. As suas palavras comentam a quarta estação (Jesus encontra Maria, sua Mãe”). Desde a prisão do filho “as feridas crescem com o passar dos dias, tirando-nos até mesmo o ar que respiramos. Percebo a proximidade de Nossa Senhora… Confiei meu filho a Ela: posso confiar os meus medos somente a Maria, visto que ela mesma os sofreu enquanto subia o Calvário”. E continua: “Imagino Jesus, ao elevar seu olhar, tenha cruzado com os olhos de sua mãe cheios de amor e não tenha se sentido sozinho em nenhum momento. Assim eu quero que meu filho se sinta”.

O sonho de ser um Cireneu para os outros

A quinta estação também é explicada por um prisioneiro (O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz”). A cruz a ser carregada é pesada, mas “dentro da prisão Simão Cireneu é conhecido por todos: é o segundo nome dos voluntários, dos que sobem este calvário para ajudar a levar a uma cruz”. Um outro Simão Cireneu é o seu companheiro de cela, capaz de uma generosidade inesperada. Conclui: “Estou envelhecendo na prisão: sonho em um dia poder confiar no homem. Torna-me um cireneu da alegria para alguém”.

Um olhar que permite recomeçar

“Como catequista enxugo muitas lágrimas, deixando-as escorrer: não se pode deter o pranto de corações dilacerados”. São as palavras de uma catequista que reflete deste modo a sexta estação (“Verônica enxuga o rosto de Jesus”). Como fazer para abrandar a angústia de homens “que não encontram uma saída depois de cederam ao mal?”. O único caminho é ficar ali, ao lado deles, sem nenhum medo, “respeitando seus silêncios, escutando suas dores, procurando olhar além do preconceito”. Assim como faz Jesus com as nossas fragilidades. E escreve: “A cada um, também aos reclusos, é oferecido todos os dias, a possibilidade de se tornarem pessoas novas graças Àquele olhar que não julga, mas inspira vida e esperança”.

A vontade de reconstruir a própria vida

Na sétima estação (“Jesus cai pela segunda vez”), um prisioneiro culpado de tráfico de drogas, que causou a prisão de toda sua família junto com ele, sente uma infinita vergonha de si mesmo. Escreve: “Só hoje consigo admitir: naquela época que não sabia o que fazia, agora que sei, com a ajuda de Deus, estou tentando reconstruir a minha vida”. A ideia de que o mal continue e comandar a sua vida lhe é insuportável, tornou-se a sua via-sacra. A oração ao Senhor é: “Por todos os que ainda não souberam como escapar do poder de Satanás, a todo o fascínio das suas obras e às suas múltiplas formas de sedução”.

Para mim esperar é uma obrigação

“Há 28 anos pago a pena de crescer sem pai”, é a experiência de uma filha de um condenado à prisão perpétua ao comentar a oitava estação (“Jesus encontra as mulheres de Jerusalém”). Na minha família tudo se desagregou, ela viaja pela Itália para ficar perto de seu pai todas as vezes que o transferem de uma prisão a outra, e refletindo sobre sua vida diz: “Há pais que por amor aprendem a esperar que o filho amadureça. Para mim, por amor, espero a volta de meu pai. Para os que vivem como nós, a esperança é uma obrigação”.

A força de se levantar e a coragem de deixar-se ajudar

Cair e todas as vezes se levantar é o testemunho de um detento que se identifica com o que vê na nona estação (“Jesus cai pela terceira vez”). “Como Pedro procurei e encontrei mil desculpas para os meus erros: o fato estranho é que um fragmento de bem sempre ficou aceso dentro de mim”, escreve. E conclui: “É verdade que me despedacei em mil pedaços, mas a beleza é que aqueles pedaços podem ainda ser recompostos. Não é fácil: porém é a única coisa, que aqui dentro, ainda tenha um significado”.

Sustentar os que perderam tudo

Na décima estação é recordado “Jesus é despojado de suas vestes”, uma educadora que trabalha na prisão vê isso em muitos cárceres, pessoas despojadas de sua dignidade e do respeito por si e pelos outros. São homens e mulheres “desesperados em suas fragilidades, muitas vezes privados do necessário para compreender o mal que cometeram. Porém, lentamente assemelham a crianças recém-nascidas que ainda podem ser modeladas”. Mas não é fácil levar adiante este compromisso. “Neste serviço tão delicado – escreve – temos necessidade de não nos sentirmos tão abandonados, para poder sustentar tantas vidas que nos foram confiadas e que correm todos os dias o risco de naufragarem”.

Os inocentes culpados por falsas acusações

Na décima-primeira estação da Via-Sacra (“Jesus é pregado na cruz”), a meditação é de um sacerdote acusado e depois absolvido. A sua pessoal via-sacra durou 10 anos, “inundada por arquivos, suspeitas, acusações e injúrias”. Enquanto subia o calvário, conta, encontrou muitos cireneus que lhe ajudaram a carregar o peso da cruz. Juntos rezaram pelo jovem que o tinha acusado. “O dia em que fui absolvido – escreve – descobri que era mais feliz do que dez anos atrás: toquei com a mão a ação de Deus na minha vida. Preso na cruz, o meu sacerdócio se iluminou”.

A pessoa por trás da culpa

O comentário da décima-segunda estação é de um juiz corregedor de presídios (“Jesus morre na cruz”). Uma verdadeira justiça – afirma – é possível somente através da misericórdia que não prega o homem na cruz para sempre”. É necessário ajudá-lo a se levantar, descobrindo que o bem, apesar de tudo, “nunca se apaga completamente no seu coração”. Mas isso só será possível aprendendo “a reconhecer a pessoa escondida por trás da culpa cometida”, deste modo pode-se “entrever um horizonte que pode dar esperança às pessoas condenadas”. A oração ao Senhor é pelos “magistrados, juízes e advogados, para que se mantenham íntegros no exercício de seu serviço” em favor principalmente dos mais pobres.

Imaginarmo-nos diferente de como nos vemos

Na décima-terceira estação (“Jesus é descido da cruz”) a meditação é de um frade que é voluntário há sessenta anos nos cárceres. Nós cristãos – afirma – facilmente caímos na tentação de nos sentirmos melhores do que os outros (…) Passando de uma cela a outra vejo a morte que mora ali dentro”. A sua tarefa é a de se deter em silêncio diante dos muitos “rostos devastados pelo mal e escutá-los com misericórdia”. Acolher a pessoa é deslocar do seu olhar o erro que cometeu. “Só assim poderá confiar em si mesmo e reencontrar a força de se render ao Bem, imaginando-se outra pessoa de como agora se vê”. Esta é a missão da Igreja.

Gestos e palavras que fazem a diferença

“Jesus é depositado no sepulcro” é a última estação, a décima-quarta. As palavras de um agente da Polícia Penitenciária, diácono permanente, concluem a Via-Sacra. No seu trabalho, todos os dias vive com o sofrimento e sabe que no cárcere “um homem bom pode se tornar um homem sádico. Um homem mau pode se tornar melhor”. Depende também dele. E dar outra possibilidade aos que fizeram o mal é a sua tarefa diária que se traduz “em gestos, atenções e palavras capazes de fazer a diferença”. Capazes de dar novamente esperança a pessoas resignadas e assustadas pelo pensamento de receber, ao cumprir a pena, uma nova rejeição por parte da sociedade. “No cárcere – conclui – recordo a todos que, com Deus, nenhum pecado jamais terá a última palavra”.

Por Adriana Masotti

Em Vatican News

Entrevista sobre o documento "Reciprocidade entre fé e Sacramentos na economia sacramental" ao padre jesuíta Gabino Uríbarri Bilbao, da Pontifícia Universidade Comillas de Madri, membro da Comissão Teológica Internacional (Roma):

1) O senhor poderia explicar a gênese e resumir o conteúdo do documento?

Na primeira Sessão Plenária da Comissão Teológica Internacional, iniciado seu nono quinquênio, em dezembro de 2014, foi aprovado por votação que o tópico relacionado ao relatório "Fé e Sacramentos" também fosse estudado.  Custou-nos muito identificar uma metodologia e encontrar uma direção para o tópico a ser tratado, pela amplitude das questões envolvidas: teologia sacramental geral, fundamento bíblico, impacto pastoral, diversos sacramentos a serem estudados, variedade de situações continentais. Foram necessários 11 esboços antes de se chegar ao documento final.

O documento, em cinco capítulos, quer salientar o fato de que a reciprocidade entre fé e sacramentos se encontra hoje em crise na prática pastoral. O coração do documento, o capítulo 2, consiste em um argumento teológico em que ele percebe a reciprocidade entre fé e sacramentos. Articulam-se em três teses fundamentais: 1) A revelação de Deus e a história da salvação possuem um teor sacramental, pela importância máxima devida à encarnação; 2) tal revelação sacramental é ordenada à comunicação da graça divina à pessoa humana: é dialógica; 3) por isso, a fé cristã, como resposta a uma revelação sacramental, é de caráter sacramental. Sobre tal base, no terceiro capítulo, são levados em consideração os três sacramentos da iniciação cristã, e no quarto capítulo, o matrimônio. O texto termina com um capítulo de síntese, mais breve, no qual a reciprocidade essencial entre fé e sacramentos é recuperada de acordo com a perspectiva católica.

2) A reciprocidade entre fé e sacramentos é um tema discutido há anos, especialmente em relação ao matrimônio. Quer Bento XVI como Francisco apresentaram questionamentos sobre a validade de muitos casamentos celebrados na igreja por hábito ou tradição, mas sem uma verdadeira fé. Os dois Pontífices indicaram esta como uma possível maneira para rever alguns critérios relativos aos processos de nulidade. O que o documento esclarece a este respeito?

Não somente os Papas Bento e Francisco. As Assembleias sinodais sobre a Família (1980, 2014, 2015) e sobre a Eucaristia (2005) pediram, com uma porcentagem próxima aos 100% dos votos, um esclarecimento a propósito de uma situação pastoral não resolvida: a celebração de um sacramento, o matrimônio, sem fé.

Procuramos iluminar esse problema complexo do ponto de vista da Teologia Dogmática, que é o primeiro passo. A regulamentação canônica da celebração e da validade do sacramento do matrimônio se deduz da verdade dogmática do mesmo. Se a doutrina que propomos for aceita, caberá aos canonistas estruturar sua tradução jurídica nos processos de nulidade. Não obstante isso, gostaria de enfatizar que nosso documento quis ter presente a sabedoria que o direito canônico engloba, como uma ciência sagrada. Nesse contexto, quero destacar que a jurisprudência do Tribunal da Rota Romana já proferiu sentenças na linha de nosso documento. Ou seja, considerando o fato de que a falta de fé pode prejudicar a intenção de celebrar um casamento natural (por exemplo: a sentença coram Stankiewicz, 19 de abril de 1991).

3) O senhor poderia explicar por que a falta de fé coloca em dúvida a validade do matrimônio sacramental?

A doutrina católica sustenta que o matrimônio é uma realidade natural, que pertence à ordem da criação (cf. Gn 2,24). Jesus Cristo elevou essa realidade natural a sacramento. Em função disso, para que exista um matrimônio sacramental, também deve existir um matrimônio natural. Para a Igreja, o matrimônio natural inclui as mesmas características do matrimônio sacramental. Os bens do matrimônio natural, que fazem com que seja um verdadeiro matrimônio, são os mesmos que os bens do matrimônio sacramental. E são: a indissolubilidade, a fidelidade e a procriação.

Seguindo Bento XVI, partimos do fato de que a fé determina as concepções antropológicas em cada âmbito da vida, compreendido o que se refere ao matrimônio. A pergunta que nos colocamos é se a ausência consistente de fé, própria daqueles que podem ser chamados de "batizados não-crentes", prejudica sua compreensão do matrimônio. Sobretudo tendo presente que em muitos lugares a compreensão socialmente compartilhada sobre o matrimônio, incluída aquela legalmente estabelecida, não se baseia na indissolubilidade (para sempre), na fidelidade (a exclusividade e o bem do cônjuge) e a procriação (aberta à descendência). Em outras palavras, argumentamos que no caso de "batizados não-crentes", a intenção de contrair um verdadeiro matrimônio natural não é garantida. Sem o matrimônio natural, não existe realidade que possa ser elevada a matrimônio sacramental: não há matrimônio sacramental.

4) O texto da Comissão rejeita tanto o automatismo segundo o qual todo matrimônio entre os batizados é um sacramento, como o "ceticismo elitista", segundo o qual qualquer grau de ausência de fé viciaria a macularia e invalidaria o sacramento. Qual é então o caminho correto a ser percorrido e como aplicar essas indicações à realidade concreta das situações dos casais?

Damos um passo para esclarecer uma questão que necessita maiores aprofundamentos. No ritual do matrimônio é dito: "Os pastores, guiados pelo amor de Cristo, acolhem os noivos e, em primeiro lugar, despertam e alimentam a própria fé: o sacramento do matrimônio, de fato, pressupõe e requer a fé" (Praenotanda § 16). No Catecismo da Igreja Católica, o matrimônio é definido como:  «O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento» (§ 1601). Há uma tensão não resolvida entre as duas afirmações: na primeira, a fé é mencionada como um requisito (supõe e requer); na outra, não.

O que está por vir é uma missão delicada para os pastores e para todos os agentes envolvidos no cuidado pastoral matrimonial, no ajudar os futuros cônjuges a crescer na própria fé em relação ao significado do matrimônio. Pode-se rezar pelos cônjuges, mas nem sempre será apropriado celebrar o rito. Em seu documento intitulado ‘A Doutrina Católica sobre o Sacramento do Matrimônio’ (1977), a Comissão Teológica Internacional já havia afirmado que a falta de fé, entendida como uma disposição para crer, compromete a validade do sacramento, especialmente se não houver o desejo de graça e da salvação (§ 2.3). São João Paulo II, por sua vez, após uma longa e gradual dissertação, declarou: «Quando, pelo contrário, não obstante todas as tentativas feitas, os nubentes mostram recusar de modo explícito e formal o que a Igreja quer fazer ao celebrar o matrimónio dos batizados, o pastor não os pode admitir à celebração.» (Familiaris consortio, 68). Portanto, nos referimos, por assim dizer, a casos extremos: total falta de fé, rejeição do que o sacramento significa.

É tarefa dos pastores conduzir o discernimento em cada caso concreto. Nós procuramos evitar qualquer tipo de casuística. Caso  não se perceba, por falta de fé, a intenção de contrair um matrimônio natural, não se deve celebrar o rito sacramental. Devemos estar bem cientes do fato de que, por um lado, a Igreja facilita muito o acesso ao sacramento do matrimônio. E por outro, porém, tem em relação ao matrimônio um conceito muito alto, que envolve demandas muito elevadas. Aqui também existe uma tensão.

5) O argumento da falta de fé como motivação para declarar a nulidade de um casamento pode apresentar dificuldades: como é possível constatar a falta de fé? Como se faz para ‘medir’ a fé?

Medir a fé não é possível. A liturgia diz: "[...] dos quais só tu conheceste a fé" (Oração Eucarística IV). Isso não significa que a fé não tenha necessariamente uma tradução externa visível: a fé se manifesta mediante a confissão de fé, por exemplo, ou por meio da caridade. No entanto, sim, é possível julgar sobre a intenção, que está ligada à fé. Nós argumentamos a partir da intenção, no caso dos batizados não-crentes, descritos segundo uma tipologia precisa: trata-se daqueles batizados que permaneceram como crianças que nunca aderiram pessoalmente à fé e daqueles que conscientemente negaram a fé e a rejeitam.

6) O que o documento traz de novo a respeito dos sacramentos da iniciação cristã?

Com referência aos três sacramentos [da iniciação], enfatizamos que a recepção de um sacramento sempre envolve um caráter missionário. Um sacramento não é recebido apenas para si mesmo, mas também para outros: para fortalecer a Igreja como Corpo de Cristo e para ser testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado. Insistimos também sobre a necessidade de processos catecumenais prévios, como preparação para a recepção do sacramento; e sobre a necessidade que acontece na própria recepção, como dom da graça e momento de compreensão pessoal do significado do sacramento; e sobre a necessidade de catequeses subsequentes à recepção dos sacramentos, inspiradas na catequese mistagógica dos Padres da Igreja.

Enfatizamos que a figura da fé especificada para cada sacramento é diferente. No batismo é necessário assegurar a presença do elemento dialógico que caracteriza a história da salvação e o relacionamento com Deus. Isso não comporta problemas para o Batismo dos adultos. Para as crianças, é necessário assegurar a presença de pessoas próximas, pais, padrinhos, avós, alguns membros da família, que garantam o objetivo de uma educação cristã. No caso da Confirmação, insistimos na maturidade necessária para uma inserção mais adulta e responsável na comunidade cristã, quer em relação ao seu lado interno de construção comunitária, quer em relação à missão em direção ao externo. Acentuamos a importância da relação pessoal com o Senhor, mediante a oração. A Eucaristia é o sacramento da fé por excelência. Nela a fé é exercida e nutrida. É necessária uma maior adesão pessoal ao credo e uma coerência basilar com a vida cristã. Nossa intenção está muito longe de colocar barreiras aos sacramentos. Pelo contrário, gostaríamos que o documento ajudasse a estimular a pastoral e a prática sacramental. Levar a sério a sacramentalidade da história da salvação requer um mínimo de fé para evitar que a celebração dos sacramentos caia no ritualismo vazio, na magia ou em uma privatização da fé que não corresponde mais à fé eclesial.

Tirado do site Vatican News

O Papa Francisco deu início a sua série de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos, em 29 de maio de 2019, com o tema "esperar o cumprimento da Promessa do Pai", concluindo com a catequese na Audiência Geral desta quarta-feira, 15 de janeiro, onde falou sobre "A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio".

 

2019

29 de maio -   Esperar o cumprimento da Promessa do Pai: https://is.gd/30Gbf7

12 de junho – Matias, testemunha do ressuscitado, no lugar de Judas: https://is.gd/XE6cWh

19 de junho –  Pentecostes e a dinâmica do Espírito que inflama a palavra humana e a torna Evangelho: https://is.gd/JkgLPZ

26 de junho – As primeiras comunidades cristãs: https://is.gd/REcsNV

07 de agosto -  A comunhão integral na comunidade dos cristãos:  https://is.gd/UtH6LD

21 de agosto - koinonia, o novo modo de relacionamento entre os discípulos do Senhor: https://is.gd/mDMy9A

28 de agosto - Entre os apóstolos, sobressai Pedrohttps://is.gd/MYAlcm

18 de setembro - Os critérios de discernimentos propostos pelo sábio Gamaliel: https://is.gd/wBa6DQ

25 de setembro - Estêvão "cheio de Espírito Santo", entre diakonia e martyria: https://is.gd/uGPLzm

2 de outubro - Filipe anuncia o Evangelho:  https://is.gd/Csp98p

9 de outubro - “É um instrumento escolhido por mim”: https://is.gd/uY3gDk

16 de outubro - “Em verdade reconheço que Deus não faz distinção de pessoas”: https://is.gd/0qQrol

30 de outubro - A fé cristã chega à Europa: https://is.gd/lJFn9e

6 de novembro - Paulo no Aerópago, exemplo de enculturação da fé em Atenas:  https://is.gd/qCOApc

13 de novembro -  Priscila e Áquila, um casal a serviço do Evangelho: https://is.gd/pnqCVE

4 de dezembro - O ministério de Paulo e a despedida dos anciãos: https://is.gd/t1GpuP

11 dezembro - Paulo prisioneiro diante do Rei Agripas: https://is.gd/b9eH3k

 

2020

08 janeiro - A provação do naufrágio:  https://is.gd/7qNHxp

15 de janeiro - A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio: https://is.gd/G2Bzab - https://is.gd/3YMRPk.

Por Vatican News

A Pastoral Juvenil está atenta aos meses temáticos propostos pela Igreja no Brasil. Em agosto com o Mês Vocacional e, agora em setembro, com o Mês da Bíblia. Algumas iniciativas têm sido propostas para promover a animação bíblica das juventudes espalhadas pelo país. O bispo de Valença (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Nelson Francelino, escreveu artigo com propostas para o redescobrimento da leitura orante da Palavra. Também a equipe de comunicação da Pastoral Juvenil quis oferecer uma contribuição com uma série de vídeos.

Dom Nelson Francelino | Foto: Pastoral Juvenil CNBB

Dom Nelson perguntou: “as expressões juvenis, desafiadas de várias maneiras pela cultura urbana, podem dinamizar e se enriquecer com essa proposta pastoral da Igreja nesse mês da Bíblia?” Em seguida, quis “propor aos jovens algo que possa levá-los a amar mais as Sagradas Escrituras, como uma salutar fonte de vida”.

O presidente da Comissão para a Juventude da CNBB propôs três atitudes fundamentais que devem ser cultivadas dentro de si ao se aproximar da Bíblia: a leitura lenta, atenta e amorosa.

 

– Lentamente: não somos acostumados a ler lentamente. Hoje temos quase uma voracidade compulsiva em ler muito. Há, poderíamos dizer, uma concentração artificial de ideias que não conseguimos digerir. É muito importante na oração evitar essa “fome de palavra”, ter mais cuidado na escolha do que lemos e ler mais lentamente, quase saboreando palavra por palavra, repartindo as palavras como se fossem uma fruta que queremos saborear e não apenas engolir;

– Atentamente: prestar atenção ao que se diz ou se lê. Para Santa Teresa, este é o segredo da verdadeira meditação. “É preciso –  diz ela – saber o que diz e para quem diz, para que seja verdadeira oração”. A mesma pedagogia se deve ser usada quando se quer compreender o que se estar lendo para poder penetrar no seu sentido. Três perguntas podem ser úteis aqui: “O que diz a Palavra?”,  “Para quem é dirigida?” e “O que diz para mim hoje?”. Essa releitura da Palavra é fundamental para, diante dela, não nos portarmos como espectadores ou visitantes de um museu, mas atualizá-la para a nossa vida;

– Amorosamente: ler com amor, como se a Palavra ou o texto fosse dirigido tão somente a nós. Essa personalização da Palavra é fundamental para que possamos ser “tocados” pelo espírito do autor que, quando escreveu, tinha uma finalidade: sermos alimentados pela Palavra ouvida e meditada. Quando se ler algo com amor, produz-se mais fruto dentro de nós.

Dom Nelson também propôs a leitura orante da Bíblia por meio dos quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação. Este deve ser um esforço diário como alimento para a alma:

“Assim como você alimenta o corpo todos os dias, deve também alimentar diariamente o seu projeto de vida com a Palavra de Deus. Reze com ela e nela, descubra as maravilhas que Deus deseja lhe confiar! Entre na sintonia com a Igreja do Brasil nesse mês de setembro e faça as suas descobertas, a ponto de afirmar com convicção: ‘Tua Palavra é lâmpada para os meus Senhor…’”.

 

Foto: Pastoral Juvenil CNBB

Série de vídeos
A equipe de comunicação da Pastoral Juvenil quis oferecer uma contribuição às reflexões do Mês da Bíblia com base na primeira carta de São João, escolhida pela CNBB neste ano. Os jovens tomaram um trecho do capítulo 2 do livro como inspiração para uma série de vídeos: “Jovens eu vos escrevi, porque sois forte e a Palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno”.

Nesta terça-feira, 10 de setembro, foi divulgado o segundo vídeo da série, como o título “Sim, somos fortes!”. Os vídeos são divulgados às terças-feiras, no horário de 19h, no Youtube e no IGTV, a plataforma de vídeo do Instagram.

A série está programada da seguinte maneira:

Confira a programação da série:
1º Vídeo | 03.09 às 19h – “A nós, todos os jovens!”
2º Vídeo | 10.09 às 19h – “Sim, somos fortes!”
3º Vídeo | 17.09 às 19h – “Sempre perto…”
4º Vídeo | 24.09 às 19h – “Vencemos!”

Disponível no site da CNBB

No dia 30 de setembro a Igreja celebra a memória de São Jerônimo, um grande biblista que a pedido do papa Dâmaso (366-384) preparou a tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego, a chamada Vulgata. O santo foi o responsável por ter tornado referência o mês de setembro para o estudo e a contemplação da Palavra de Deus.

Este ano, 2019, a Igreja no Brasil comemora o Mês da Bíblia, em sintonia com a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dando continuidade ao ciclo do tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”, propondo o estudo da Primeira Carta de João com destaque para o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19).

O autor do texto-base, Cláudio Vianney, afirma que o verbo amar é a palavra-chave da Primeira Carta de João. Ele garante ainda que o lema recorda que o amor provém de Deus e chega a todas as criaturas. “O amor é convite que pede uma resposta, que é amar. Assim, a resposta ao amor de Deus é o amor aos irmãos”, diz.

Claudio explica que a primeira Carta de João nasceu como uma homilia escrita. Nela, o autor se dirige a seus interlocutores chamando-os de amados e filhinhos. “Os leitores de hoje, numa leitura atenta e amorosa da Carta, acolhem essas palavras como dirigidas também para eles”, conta Claudio.

No passado, o autor queria encorajar sua comunidade a perseverar na prática do mandamento de Jesus Cristo, a Palavra da Vida, que é desde o princípio, depois de a comunidade ter passado por uma experiência dolorosa de conflito e separação. Também hoje, Claudio reitera que a Carta continua a encorajar seus leitores a reviverem essa experiência de perseverança.

Ainda de acordo com ele, na Carta o autor afirma que “Deus é luz” e que “Deus é amor”, convidando seus interlocutores a caminhar na luz e a permanecer no amor. Também salienta que Jesus Cristo é o Justo, e que todo aquele que pratica a justiça nasceu de Deus.

Círculos Bíblicos

No mês da Bíblia, uma forma bem concreta desta experiência na Igreja do Brasil são os Círculos Bíblicos, considerados pela autora, a irmã Maria Aparecida Barboza, religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, um jeito dinâmico de evangelizar e formar discípulos missionários de Jesus Cristo. “Por meio da pedagogia-mística da Leitura Orante, os participantes gradativamente vão se familiarizando com a Palavra e despertando o gosto pela Leitura, Meditação, Oração e Contemplação para uma melhor vivência na caminhada discipular”, garante.

Segundo irmã Maria, a Igreja no Brasil movida pelo desejo de crescimento na fé bíblica, desenvolveu toda uma prática de leitura e reflexão da Bíblia que muito contribui para o sustento da fé e da caminhada das pessoas. Para ela, os Círculos Bíblicos, grupos de reflexão, grupos de rua, são alguns sinais dessa presença viva da Bíblia no meio do povo, formas criativas de tornar mais próxima a Palavra da Escritura.

O texto-base do Mês da Bíblia poder ser adquirido no site da Editora da CNBB.

Disponível no site da CNBB

Cumplicidade talvez essa seja a palavra mais adequada para descrever a relação de avós e netos que traz uma série de benefícios para todos os envolvidos. O dia 26 de julho é dia de celebrar a vida dos avós e a memória de São Joaquim e Sant´Ana, pais de Maria, avós de Jesus.

De acordo com a tradição cristã, os Santos são lembrados por terem educado Maria no caminho da fé, alimentando seu amor pelo Criador e preparando-a para sua missão. Essa formação, influenciou profundamente na educação de Jesus.

A devoção a Sant’Ana chegou ao Brasil trazida pelos portugueses. Ana é a imagem da mãe educadora e da avó que ensina os netos. Entretanto, na velhice os papeis muitas vezes se invertem. Os netos acabam cuidados dos seus avós. Mesmo assim, na condição de idosos não deixam de ensinar, repassar aos mais jovens aquilo que aprenderam com a vida, pois carregam consigo uma coisa chamada ‘experiência de vida’.

De acordo com o arcebispo de Curitiba e referencial da Pastoral da Pessoa Idosa, dom José Antônio Peruzzo, o melhor dos aprendizados é aquele que contempla intensamente a dimensão afetiva das relações de encontro e de comunhão. Eis aí o lugar dos avós para os netos. Segundo ele, nos dias atuais é muito comum que pai e mãe trabalhem fora. A presença dos avós se torna mais ativa.

“O benefício é recíproco. Para eles renovam-se as vitalidades e os afetos. Para os netos a presença do Vô e da Vó lhes infunde um senso de largueza das relações familiares. Ao mesmo tempo percebem, desde a infância, a realidade da fragilidade, o que lhes favorece a superação de preconceitos, o sentido de solidariedade, além do valor da partilha, ressalta.

Foto: divulgação

Nesse contexto, o cuidado e a preocupação com idosos são fundamentais. Uma pesquisa do IBGE, divulgada em maio de 2019, mostra que população brasileira está envelhecendo. Entre 2012 e 2018, houve um aumento de 26% no número de pessoas com 65 anos de idade ou mais, ou seja, 10,5% (21,872 milhões) do total da população residentes no Brasil em 2018 que foi estimada em 207,8 milhões de pessoas.

Diante dessa realidade, a Igreja no Brasil tem realizado um trabalho de acolhida e cuidado através da pastoral da Pessoa Idosa, criada em 1993 pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, também criadora da Pastoral da Criança. Segundo sua fundadora, o objetivo é fazer com que os idosos tenham uma vida melhor, mais saúde, mais alegria e possam participar ativamente das comunidades onde estão inseridos.

Dom Peruzzo ressalta que apesar da população brasileira esta cada vez mais longeva, os idosos frequentemente são esquecidos. “É elevado o número dos que experimentam quadros de esquecimento, de tácito desprezo, mergulhados em situações de graves frustrações, justamente em uma fase frágil de suas vidas. A lembrança dos Avós recorda à Igreja seu indispensável compromisso com os mais fracos”.

Nesse contexto, a celebração da festa de São Joaquim e Sant’Ana, se destaca pela importância dos avós na vida da família, principalmente, na transmissão da fé que é essencial para qualquer sociedade. Mas também é um data que faz refletir sobre a vida como tem sido a vida e a relação das famílias com seus idosos.

“Nossa gente ainda não parou para olhar com atenção a feição para os milhares, mas muitos milhares, de idosos imersos em solidão nas nossas grandes metrópoles. Especialmente nas áreas urbanas mais antigas (edifícios e/ou casas antigas) há idosos esquecidos. Com isso, acentuam-se, então, quadros de depressão e sentimentos de abandono, de inutilidade”.

Foto: divulgação

No Regional Sul 4 da CNBB, que abrange o estado de Santa Catarina, por exemplo, a Pastoral da Pessoa Idosa da Arquidiocese de Florianópolis, realiza sempre no dia 26 de julho a tradicional festa no Santuário de Santa Paulina, em Vígolo, Nova Trento (SC), que conta com longa programação que conta com a Santa Missa, almoço e bingo animado.

“O objetivo do encontro é celebrar o dia dos avós e proporcionar momentos de alegria, oração e congraçamento de avós, destaca a coordenadora arquidiocesana da pastoral em Florianópolis (SC), Oswaldina Zucco Weber.

Atualmente, a pastoral que foi implantada na arquidiocese em 2006, atua em 26 paróquias, abrangendo 15 municípios. Ao todo, 1.080 idosos são visitados, mensalmente, por 312 líderes comunitários voluntários. Já no estado de Santa Catarina a pastoral está implantada em nove dioceses e atende quase seis mil idosos mensalmente.

Foto: Arquidiocese de Campinas (SP)

O atendimento pastoral a pessoa idosa também é destaque no Regional Sul 1 da CNBB, que abrange o estado de São Paulo. Cada aqui/diocese prepara sua programação que em geral contempla a missa, palestras variadas, bingo, chá da tarde, brincadeiras, danças e artesanatos para os idosos acompanhados pela pastoral.

A coordenadora estadual da Pastoral da Pessoa Idosa do Regional Sul 1 da CNBB, Sandra Michellin, diz que a pastoral contribui e muito com o que pede o Papa Francisco aos cristãos, serem uma Igreja em saída, indo ao encontro do mais necessitado.

“Nós enquanto Igreja, somos convidados a levar o olhar misericordioso de Deus aquela pessoa idosa fragilizada, que pode ter feito parte da comunidade e hoje não pode mais sair de seu domicílio; então o líder vai para dizer que Deus a ama”, destaca.

Foto: Arquidiocese de Campinas (SP)

Sandra ressalta ainda que durante a visita dos agentes da pastoral há sempre o momento de oração, na maioria das vezes solicitada pela própria pessoa idosa. Segundo a coordenadora, no estado de São Paulo são acompanhadas 15.500 pessoas idosas; 12.700 famílias através de 2.960 lideres atuantes.

“É a oportunidade do líder mostrar o amor infinito que Deus tem por cada um de nós. É nos ensinamentos da nossa amada Igreja que o Líder se abastece para passar adiante”, diz Sandra.

“A Pastoral da Pessoa Idosa, para muitos deles, é o afeto pelo qual anseiam. E é a presença solidária, carinhosa e gratuita da Igreja justamente naquelas situações em que até a voz e as forças declinam. É uma missão pouco vista, mas de silenciosas e evangélicas evidências”, finaliza dom Perruzzo.  

Neste 26 de julho, celebrar a festa de São Joaquim e Sant’Ana é festejar a importância dos avós na vida da família, o relacionamento entre avós e netos e, principalmente, o cuidado e o afeto com aqueles que carregam na bagagem longos anos de vida.

Disponível no site da CNBB

Sábado, 11 Mai 2019 13:47

Dia das Mães, dia de celebrar a cultura do amor

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Cada ano a vida repete a mesma celebração. Celebrar é tornar presente, de um modo repetitivo, uma verdade, uma mensagem, uma data, uma vida, até que um dia tudo nos preencha do mais belo sentido. Mas o Dia das Mães não é uma simples celebração, é uma ampliação de todos os sentidos da vida. As mães que estão vivas ganham tímidas palavras, beijos e abraços. As mães falecidas ressuscitam nas memórias e nas preces.

Cada ano flores, almoço, festa, presentes e telefonemas reacendem o sentimento de eterno pertencimento. Nós somos o que é esta mulher que nos ensinou a ser além de nós; que nos ensinou a ser família e fazer parte do sonho de alguém.  A mãe nos ensinou a existir e é impossível conceber a existência sem ela. Ela está presente assim como Deus é onipresente.

O Dia das Mães é um dia feito para lembrar quem ajudou a organizar a nossa vida, que cuidou para que tivéssemos o melhor, quem nos olhou com um olhar amoroso sem nenhum ranço de condenação. Mãe foi e é uma entrega constante, uma entrega absoluta em cada tarefa, uma renúncia de si para que possamos ser. Mãe é determinação; ela está sempre determinada em ajudar filhos a encontrarem o rumo na vida.

Mãe é o ministério da educação mais verdadeiro, que nunca se fragmenta ou experimenta a decadência, porque ela é um processo de valores para cada dia da vida. O bem-estar, a beleza, a limpeza, a harmonia, são valores caseiros que se instauram num determinado lugar e ganham espaços do mundo. Mãe ensina a arrumar quarto, lavar pratos, limpar banheiro, guardar as roupas jogadas. Quem aprendeu isto no limite da casa, vai levar para a vida. Quem não quis aprender vai saber o que é a falta de garra para enfrentar os desafios da vida.

Mãe não teve como nós, a conquista acadêmica de tantas faculdades, mas é pós-graduada em sensibilidade. Mãe não faz pregação nem curas miraculosas, mas diz que Deus está nas preces mais simples do zeloso guardador, que guarda, governa, ilumina, amém! Mãe é razão e vivência; mãe é afeto, uma usina de energia vital de amor que não se esgota. Mãe é uma farmácia aberta vinte e quatro horas nos dando remédios de emoção e bênção, para que a gente não perca a capacidade de sentir-se amado no caminho onde estivermos rumo a nossa realização, que é a felicidade que ela sonhou para nós.

Por isso, parabéns a todas as Mães em seu dia! Que dia é este? Dia de celebrar o manancial da existência, a cultura do amor, o sentido da vida, e o jeito terno e materno de Deus encarnado no colo desta mulher.

FREI VITORIO MAZZUCO

Em franciscanos.org.br

Quarta, 17 Abril 2019 12:09

O significado de cada dia da Semana Santa

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Domingo de Ramos

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades.

Segunda-feira Santa

Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”.

Terça-feira Santa

A mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre, no caminho, a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que, a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor.

Quarta-feira Santa

Em muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem, de uma igreja ou local determinado, com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência.

Quinta-feira Santa

Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo.

Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto,  esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus.

Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho.

Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia.

Sexta-feira Santa – A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade.

Via-sacra  – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis.

Sábado Santo

O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal –  Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando, na oração e no jejum, Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

Domingo da Ressurreição

É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança.

Com informação dos Jovens Conectados.

Disponível no site da CNBB

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