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Audiência: Não há terra mais bela a conquistar do que o coração dos outros

O Papa Francisco se reuniu com milhares de fiéis e peregrinos na Sala Paulo VI para a Audiência Geral da quarta-feira (19/02). A sua catequese foi dedicada à terceira das oito bem-aventuranças: “Bem-aventurados os mansos, porque receberão a terra em herança”. Francisco explicou o significado da palavra “manso”, que é literalmente “doce, gentil, sem violência”. A mansidão se manifesta nos momentos de conflito, de come se reage numa situação hostil, e não nos momentos de tranquilidade. Jesus nos deu o maior exemplo de mansidão quando, pregado na Cruz, perdoou seus algozes. “A mansidão de Jesus se vê fortemente na Paixão”, disse o Papa. Mansidão e posses Nas Escrituras, a palavra “manso” indica também aquele que não tem propriedades terrenas, por isso a terceira bem-aventurança fala que os mansos receberão a terra em herança. Isso pode parecer incompatível, mas a posse de terras é o âmbito típico do conflito: se combate com frequência por um território, para obter a hegemonia sobre um lugar. Nas guerras, o mais forte prevalece e conquista outras terras. Mas a bem-aventurança fala de “herança”, que nas Escrituras tem um sentido ainda mais profundo. O Povo de Deus chama “herança” justamente a terra de Israel, que é a Terra Prometida. Aquela terra é uma promessa e um dom para o povo de Deus e se torna sinal de algo muito maior e mais profundo do que um simples território. “Há uma 'terra' - permitam-me o jogo de palavras - que é o Céu, isto é, a terra para a qual caminhamos.” Herdar o mais sublime dos territórios Então o manso é quem “herda” o mais sublime dos territórios. Ser manso não é ser covarde, pelo contrário, é o discípulo de Cristo que aprendeu bem a defender outra terra. "Ele defende a Sua paz,  a sua relação com Deus e os seus dons, protegendo a misericórdia, a fraternidade, a confiança e a esperança. Porque as pessoas mansas são pessoas misericordiosas, fraternas, confiantes e pessoas com esperança." Francisco mencionou o pecado da ira e todas as coisas que destruímos quando se manifesta: perde-se o controle e não se avalia o que é realmente importante, e se pode arruinar a relação com um irmão, às vezes sem remédio. “Por causa da ira, muitos irmãos não se falam mais, se afastam. É o contrário da mansidão. A mansidão reúne. A ira separa.” A mansidão, ao invés, conquista tantas coisas. A “terra” a conquistar é a salvação daquele irmão de que fala o mesmo Evangelho de Mateus: "Se te ouvir, ganhaste a teu irmão": “Não há terra mais bela do que o coração dos outros. Pensemos nisso: Não há terra mais bela do que o coração dos outros. Não há território mais belo a conquistar do que a paz restabelecida com um irmão. Esta é a terra a ser herdada com a mansidão!”   Veja também: Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco Por Bianca Fraccalvieri Em Vatican News

ARQUIDIOCESE DE BELÉM REALIZA COLETIVA DE IMPRENSA SOBRE A EXORTAÇÃO APOSTÓLICA “QUERIDA AMAZÔNIA”

Na manhã da última sexta-feira, 14 de fevereiro, a Arquidiocese de Belém realizou coletiva de imprensa sobre a exortação apostólica “Querida Amazônia”, produzida a partir do Sínodo para Amazônia, que ocorreu em outubro de 2019, e divulgada na última quarta-feira, 12 de fevereiro. Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo metropolitano de Belém e vice-presidente da CNBB Norte 2; Monsenhor Raimundo Possidônio da Mata, vigário geral da Arquidiocese de Belém e o cônego Sílvio Trindade, vigário episcopal para coordenação de Pastoral, estiveram presentes e receberam a imprensa para discorrer sobre a exortação apostólica pós-sinodal. Na ocasião, o Arcebispo de Belém e membro do Conselho Pós-Sinodal apresentou suas considerações acerca da exortação “Querida Amazônia”. Para ele, o documento é um gesto extraordinário e um verdadeiro hino e poema de amor a região amazônica destinado a todos que ali vivem, como diz o Papa Francisco: “eu quero chegar aos últimos e as raízes da Amazônia”. Dom Alberto ainda lembra que este chamado corresponde de maneira integral a escolha da Igreja em servir os últimos. A exortação está dividida em tópicos. O Arcebispo destaca que 50 % do documento se refere ao que o Santo Padre chama de “sonho eclesial”, que indica o desejo dele para a Igreja na Amazônia. A primeira parte se refere a toda humanidade e às pessoas de boa vontade e, a segunda, ao à Igreja. Dom Alberto explicita que no decorrer da leitura da exortação se observa a enumeração dos chamados sonhos do Papa Francisco a partir de vários aspectos da Amazônia: sonho social, cultural, ecológico e eclesial. O primeiro descreve que a luta social implica um espírito de fraternidade e da comunhão entre todos, além de inspiração pela luta dos mais pobres, dos povos nativos chamados pelo Papa de “os últimos”. De acordo com o Vigário Geral é um levantamento, “um diagnóstico que ele faz da nossa realidade”. O sonho cultural se refere a preservação cultural mantendo uma harmonia entre as diferentes formas de cultura presentes na realidade local. Para Monsenhor Raimundo Possidônio este sonho é uma tentativa para compreender a cultura: “é uma tentativa de entender a cultura nas suas expressões de vida, o sentido da existência, dimensão religiosa e sobretudo a sabedoria que vem desses povos, aprender a lidar com essa realidade diversa e não podemos absolutamente desvalorizar, abandonar o povo a sua sorte”. Já o sonho ecológico está diretamente relacionado à proteção da beleza natural e ao meio ambiente, que inclui o cuidado com as pessoas, com o ambiente, com a revalorização da sabedoria dos povos que possuem o conhecimento para lidar com a Amazônia sem destruir em todos os níveis. E por último o sonho eclesial, onde o Santo Padre faz referência as comunidades cristãs encarnadas na Amazônia e que compõem a identidade da realidade de Igreja local.“A Igreja é chamada a caminhar com os povos da Amazônia, mas para tornar possível esta encarnação da Igreja e do evangelho, deve ressoar incessantemente o grande anúncio missionário”, explica Monsenhor Cid sobre este último sonho. A partir da exortação apostólica, vários passos serão seguidos para fortalecer a evangelização na Amazônia, como explica o dom Alberto:  “A primeira coisa é conhecê-lo e entender cada um dos seus pontos. No nosso caso, na arquidiocese, nós vamos entender isso aqui dentro do ambiente chamado Sínodo Arquidiocesano, que como o sínodo dos bispos pediu que nós realizássemos esse espírito de sinodalidade. Então o que nós vamos fazer? Trabalhar para realizar o sonho social, ambiental, o sonho cultural e o sonho eclesial”. A evangelização na região amazônia enfrenta diferentes desafios ao longo dos 400 anos de presença local. E dom Alberto ressalta alguns e as possíveis soluções para possibilitar a realização do sonho eclesial citado pelo Santo Padre no documento. “O principal desafio para nós é o da missão. Então é um sonho eclesial de levar o querigma, levar a boa nova de Jesus a todos os lugares e a todos as pessoas. Então nós queremos criar essas condições de missão, formar sacerdotes, formar leigos. O Papa dedica um texto longo a respeito do laicato, a responsabilidade dos cristãos leigos para o nosso mundo e para a evangelização, isso pra mim é importantíssimo. Que nós tenhamos esse sentido de missão, esse sentido de anúncio da palavra de Deus para que ninguém fique sem ouvir o nome de Jesus Cristo, então esse é o desafio, agora é claro, nós temos desafios sociais”, explicita o arcebispo. Quando se olha mais atentamente para a Arquidiocese de Belém também é possível identificar desafios diferentes na evangelização. “Para nós, aqui em Belém, um grande desafio é justamente a situação urbana, nós temos as periferias, nós temos o crescimento muito grande da cidade, temos a necessidade de áreas missionárias, áreas de criação de paróquia, e temos os desafios sociais que são imensos. Pensemos, por exemplo, só na violência. Então nós temos que enfrentar esses desafios colaborando com a sociedade civil compartilhando, colaborando também com os governos, sendo capazes de ser vozes em nome do nosso povo diante das autoridades governativas justamente para que busquemos as melhores soluções, especialmente, para esses problemas sociais dos quais não somos os primeiros responsáveis, mas somos co-responsáveis porque fazemos parte da sociedade”, finaliza dom Alberto. Outro ponto de destaque na Exortação é a convivência ecumênica e a inter-religiosa, localizada no último capítulo. O Vigário Geral também apresentou suas considerações acerca deste tópico e explicou que a Igreja Católica já realizou grandes avanços neste âmbito. “Quando o Papa diz que a Amazônia é um poliedro, ele não tá só falando da diversidade cultural que existe, mas também de diversidade religiosa, porque a gente pensa que quando fala em religião é só no cristianismo e nas suas diversas expressões, mas aqui tem expressões muito diversas de expressões religiosas do mundo indígena, do afro e outras mais. Então o diálogo ecumênico é fundamental para o que o Papa quer na Amazônia. Se a gente não consegue um diálogo através da questão cultual, litúrgica ou doutrinal, a gente pode consegui em vista da casa comum”, encerra Monsenhor Raimundo da Mata. A Exortação Apostólica encerra com uma oração pela Amazônia, que sintetiza vários pontos citados no documento. Leia a seguir a Oração na íntegra: Mãe da vida,no vosso seio materno formou-Se Jesus,que é o Senhor de tudo o que existe.Ressuscitado, Ele transformou-Vos com a sua luze fez-Vos Rainha de toda a criação.Por isso Vos pedimos que reineis, Maria,no coração palpitante da Amazônia. Mostrai-Vos como mãe de todas as criaturas,na beleza das flores, dos rios,do grande rio que a atravessae de tudo o que vibra nas suas florestas.Protegei, com o vosso carinho, aquela explosão de beleza. Pedi a Jesus que derrame todo o seu amornos homens e mulheres que moram lá,para que saibam admirá-la e cuidar dela. Fazei nascer vosso Filho nos seus coraçõespara que Ele brilhe na Amazônia,nos seus povos e nas suas culturas,com a luz da sua Palavra, com o conforto do seu amor,com a sua mensagem de fraternidade e justiça. Que, em cada Eucaristia,se eleve também tanta maravilhapara a glória do Pai. Mãe, olhai para os pobres da Amazônia,porque o seu lar está a ser destruídopor interesses mesquinhos.Quanta dor e quanta miséria,quanto abandono e quanto atropelonesta terra bendita,transbordante de vida! Tocai a sensibilidade dos poderososporque, apesar de sentirmos que já é tarde,Vós nos chamais a salvaro que ainda vive. Mãe do coração trespassado,que sofreis nos vossos filhos ultrajadose na natureza ferida,reinai Vós na Amazôniajuntamente com vosso Filho. Reinai, de modo que ninguém mais se sinta donoda obra de Deus.Em Vós confiamos, Mãe da vida!Não nos abandoneisnesta hora escura. Amém. Leia na íntegra o documento aqui. De Fundação Nazaré de Comunicação Tirado do site da CNBB N2

CNBB lança site e aplicativo para celular das Campanhas para facilitar consulta a materiais

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou o novo site das Campanhas da Evangelização e Fraternidade. A página simplifica a consulta dos usuários, uma vez que as pesquisas dos materiais podem ser realizadas por Campanhas. Outra novidade é que o site agora pode ser acessado através de aparelhos mobile, permitindo que o usuário possa acessar/baixar os materiais utilizando celulares ou tablets.  Foto ilustrativa do site oficial das Campanhas Além disso, o novo site dá acesso a uma cronologia detalhada sobre as edições das Campanhas já realizadas, permitindo ao usuário consultar informações detalhadas sobre cada uma delas e ter acesso aos cartazes e acervo de hinos. Na página também é possível conferir as últimas notícias sobre as formações realizadas nos regionais da CNBB. Estão disponíveis vídeos e materiais das Campanhas para download.  Para assegurar o acesso aos materiais e tendo em vista o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade, na próxima quarta-feira, dia 26, uma outra alternativa foi pensada: um aplicativo (App) da CF. Inicialmente, o app poderá ser baixado gratuitamente na loja da Play Store. Posteriormente, será disponibilizado na App Store.   No Aplicativo o usuário poderá enviar uma imagem, um vídeo ou um texto diretamente da plataforma. A proposta é proporcionar a participação dos usuários com relação à Campanha da Fraternidade. Lá também é possível acompanhar as notícias das formações realizadas nos regionais da CNBB e baixar os materiais da Campanha, tais como cartazes, hinos e vídeos.   Conheça o site: https://campanhas.cnbb.org.br/ Tirado do site da CNBB

Mais de 80 mil homens são esperados na Romaria do Terço dos Homens 2020, em Aparecida (SP)

O Santuário Nacional de Aparecida (SP) recebeu, de 14 a 16 de fevereiro, a Romaria Nacional o Terço dos Homens.  Estavam sendo esperados mais de 80 mil homens de todo o Brasil.  O evento foi acompanhado pelo arcebispo de Juiz de Fora (MG), dom Gil Antônio Moreira, nomeado pelo arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, como bispo referencial do movimento. “Quero agradecer a dom Walmor que me enviou a carta de confirmação como bispo referencial do movimento Terço dos Homens em nome da CNBB. É com muita alegria que continuo esse trabalho de apoio e de incentivo à oração do terço em família rezado pelos os homens do Brasil”, relata o bispo. Com o tema ‘Terço dos Homens: Fonte de todas as graças!’e o lema‘Confiantes como Maria’, os grupos tiveram três dias de programação no Santuário Nacional. A temática queria enaltecer o papel de Maria como intercessora e medianeira junto de seu Filho Jesus. Foto: Thiago Leoon/A12.com Segundo dom Gil, o Terço dos Homens, um movimento de iniciativa do laicato, é um exemplo de fé e devoção. “A oração do terço é a contemplação de Cristo aos olhos e ao pulsar do coração de Maria. Por isso, esse movimento cresce a cada dia porque de um jeito popular e simples, mas certamente muito profundo, esse movimento tem mais de um milhão de homens rezando o terço em todo o território nacional”. A cada ano, a Romaria tem crescido e se tornado referência no Brasil. “Esse é um grande movimento de evangelização porque é uma maneira de contemplar aquilo que a Sagrada Escritura nos diz a respeito do Salvador: Jesus verbo encarnado do Pai”. A missa de abertura da Romaria foi às 20h desta sexta-feira, 14 de fevereiro,  na Basílica Nacional, e em seguida uma procissão luminosa pela passarela até a Basílica velha onde ocorreu uma adoração até a meia noite. Já no sábado, a missa solene foi às 7h30, transmitida por todo o sistema de comunicação de Aparecida. Para saber mais da programação clique aqui. Tirado do site da CNBB

Angelus: ser escravo das paixões leva à guerra. A Lei de Deus é liberdade

Sob um sol quase primaveril, o Papa Francisco rezou o Angelus com milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro. Em sua alocução, comentou o Evangelho deste VI Domingo do Tempo Comum (Mt 5,17-37), extraído do “sermão da montanha” e que toca o argumento da aplicação da Lei.   Veja também: Ouça a reportagem completa com a voz do Papa Francisco   Francisco explicou que a intenção de Jesus é ajudar os seus ouvintes a ter uma abordagem justa com as prescrições dos mandamentos dados a Moisés. Trata-se de viver a Lei como um instrumento de liberdade, que nos ajuda a não sermos escravos das paixões e do pecado. “Pensemos nas guerras, em suas consequências, pensemos naquela menina que morreu de frio na Síria outro dia. Tantas calamidades, tantas. Isso é fruto das paixões e as pessoas que fazem a guerra não sabem dominar as próprias paixões. Falta obedecer à Lei.” Quando se cede às tentações e às paixões, acrescentou, não se é senhor e protagonista da própria vida, mas se torna incapaz de administrá-la com vontade e responsabilidade. Obediência formal e obediência substancial O sermão de Jesus, prosseguiu o Papa, é estruturado em quatro antíteses, expressas com a fórmula «Ouvistes o que foi dito... porém vos digo». Essas antíteses fazem referência a situações da vida cotidiana: o homicídio, o adultério, o divórcio, os juramentos. Jesus não abole as prescrições que dizem respeito a essas problemáticas, mas explica o seu significado mais profundo e indica o espírito com o qual observá-las. Ele encoraja a passar de uma obediência formal da Lei a uma obediência substancial, acolher a Lei no coração, que é o centro das intenções, das decisões, das palavras e dos gestos de cada um de nós. “Do coração partem as ações boas e aquelas más”, recordou Francisco. A língua mata Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que, quando não se ama o próximo, se mata de algum modo a si mesmo e aos outros, porque o ódio, a rivalidade e a divisão matam a caridade fraterna, que está na base das relações interpessoais. "Vale o que disse antes sobre as guerras e também das fofocas, porque a língua mata." Acolhendo a Lei de Deus no coração, se compreende que os desejos devem ser guiados, porque nem tudo o que se deseja é possível obter, e não é bom ceder a sentimentos egoístas e possessivos.       Progredir no caminho do amor Todavia, acrescentou o Papa, Jesus está consciente de que não é fácil viver os mandamentos deste modo assim tão profundo. Por isso, nos oferece o socorro do seu amor: Ele veio ao mundo não só para realizar a Lei, mas também para nos doar a sua Graça, de modo que possamos fazer a vontade de Deus, amando Ele e os irmãos. “Podemos fazer tudo com a Graça de Deus. A santidade nada mais é que custodiar esta gratuidade que Deus nos deu, esta Graça.” Trata-se de se entregar e confiar Nele, acolhendo a mão que Ele nos estende constantemente. Jesus hoje nos pede para progredir no caminho do amor que Ele nos indicou e que parte do coração. Este é o caminho a seguir para viver como cristãos. “Que a Virgem Maria nos ajude a seguir o caminho traçado pelo seu Filho, para alcançar a verdadeira alegria e difundir em todo o mundo a justiça e a paz.”  Por Bianca Fraccalvieri Em Vatican Neus

Em artigo, dom Vital Corbellini, bispo de Marabá (PA), comenta a Exortação “Querida Amazônia”

Em artigo, o bispo de Marabá (PA), na região Norte do país, dom Vital Corbellini, manifestou a acolhida à Exortação Pós Sinodal “Querida Amazônia” como resultado do Sínodo que se realizou de 06 a 27 de Outubro de 2019. “Nós queremos acolhê-la com alegria e amor na qual a exortação apostólica do Papa Francisco dirige-se ao povo de Deus e a todas as pessoas de boa vontade”, disse. Dom Vital Corbellini, bispo de Marabá (PA). O bispo lembrou que a Exortação foi lançada dia doze de fevereiro de 2020,  no aniversário  de 15 anos do assassinato de Irmã Dorothy Stang, mártir da Amazônia,  que foi assassinada em defesa da floresta amazônica e em atividades por famílias dos pequenos agricultores e dos pobres da Amazônia. No artigo, dom Vital ressaltou a forma como o Santo Papa abriu exortação afirmando que “a Amazônia querida apresenta-se aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, drama e mistério”. Acompanhe, a seguir, trechos do artigo sobre a Exortação Querida Amazônia: “O papa deixa claro que não pretende discutir todas as questões tratadas no Documento Conclusivo do Sínodo para a Pan-Amazônia, nem substituí-las e nem fazer uma simples repetição, mas quer dar uma reflexão, uma síntese de preocupações já levantadas no seu pontificado, por documentos anteriores, sobre a realidade amazônica na qual ajude sempre o caminho sinodal para que a Igreja viva o seguimento a Cristo sendo serva do Senhor, ponto forte do Papa Francisco”. “O Papa está em comunhão com todos os povos da Amazônia, os do campo e os da cidade, sobretudo indígenas, com as suas alegrias e dores, na tentativa de buscar soluções, levando o evangelho de Jesus Cristo para todas as pessoas, visando à conversão de vida, e lutando por vida digna, na qual o Senhor fez para todos ser realidade neste mundo”. “Francisco quer esclarecer a importância do documento no sentido de que Deus queira que toda a igreja se deixe interpelar e enriquecer pelo trabalho de evangelização na Amazônia, onde pastores, consagrados e consagradas, fieis leigos e leigas se empenhem na sua aplicação e as pessoas de boa vontade se inspiram para a concretização das normas dadas”. “O Papa tem presentes sonhos nos quais desenvolverá toda a sua exortação apostólica, como o social, cultural, ecológico e eclesial, terminando com uma oração a Mãe da Amazônia, a mãe de Cristo na qual se manifestou de diversas maneiras na realidade amazônica. A exortação apostólica coloca os nove países do bioma amazônico, mas também quer dirigir-se a toda a Igreja e ao mundo inteiro. Ele fala da terra amazônica no sentido de despertar a estima que ele tem para com a Amazônia, afirmando ser ‘nossa terra’, percebê-la como mistério sagrado no qual o Criador deu para os seres humanos e que merece todo o cuidado para que as florestas e as águas não sejam destruídas e a terra seja dada para todas as pessoas e não simplesmente para alguns grupos econômicos e políticos”. “A Igreja, como esposa de Cristo, possa se encarnar nesta realidade como em qualquer lugar do mundo, e assim novos rostos multiformes surgirão a partir da inesgotável graça de Deus. O que o papa pede é que devem encarnar-se a pregação, a espiritualidade, as estruturas da Igreja. Ele percebe que a Amazônia inspira-lhe diversos sonhos como uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, de modo que a sua voz esteja presente na Igreja e no mundo, uma Amazônia que preserve a riqueza cultural, uma Amazônia que guarde a sua beleza natural, com os seus rios, águas, florestas, uma Igreja com comunidades cristãs de tal modo que dêem a Igreja rostos novos com traços provenientes da própria Amazônia”. “Acolhemos com alegria e amor esta Exortação Apostólica intitulada Querida Amazônia sendo um título importante, que busca colocar o diálogo, a importância do trabalho evangelizador da Igreja, a espiritualidade, a natureza, a conversão pastoral e ecológica, o seguimento a Cristo e à sua Igreja”. A acolhida da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco Foto da capa: Papa na abertura do Sínodo, no Vaticano, em 6 de outubro de 2019 –  Arquivo CIMI/GuilhermeCavalli Tirado do site da CNBB

Exortações Apostólicas transmitem ensinamentos e animam fiéis a vivê-los

Os documentos pontifícios são meios de comunicação entre o Papa e os fiéis no mundo. Dentre eles há a Carta Encíclica, a Constituição Apostólica a Exortação Apostólica e o Motu Próprio que são utilizados pelo Papa para tratar de assuntos diversos, tais como aspectos doutrinários, disciplinares, governamentais etc. Esses documentos são escritos em latim e publicados na Acta Apostolicae Sedis e no L‘Osservatore Romano, ambos veículos de comunicação oficiais da Santa Sé.   Nesta semana, por exemplo, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”. Comumente, nas Exortações, são transmitidos ensinamentos do pontífice a respeito de assuntos específicos com o objetivo de animar os fiéis a vivê-lo plenamente. Habitualmente, a Exortação Apostólica é publicada após um Sínodo trazendo o conteúdo tratado na Assembleia Especial. “Querida Amazônia” é um documento feito a partir da realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, entre os dias 6 e 27 de outubro de 2019, no Vaticano. Ela fala de um chamado à conversão integral (pastoral, cultural, ecológica e sinodal) que promove a criação de estruturas em harmonia com o cuidado da criação.  Nela, o Papa compartilha os seus “Sonhos para a Amazônia”, cujo destino deve preocupar a todos, porque esta terra também é “nossa”. Assim, formula “quatro grandes sonhos”: que a Amazônia “que lute pelos direitos dos mais pobres”, “que preserve a riqueza cultural”, que “guarde zelosamente a sedutora beleza natural”, e que, por fim, as comunidades cristãs sejam “capazes de se devotar e encarnar na Amazônia”.  A partir das quatro conversões propostas no documento final do sínodo, o Papa apresenta seus sonhos para a Amazônia. Estes são os quatro capítulos da exortação apostólica, que pode ser acessado na íntegra (aqui).   Christus Vivit – Em março de 2019, foi publicada a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Christus vivit” (Cristo vive). Trata-se de um documento, fruto do Sínodo sobre “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, que aconteceu de 3 a 28 de outubro de 2018, no Vaticano. O texto, dividido em 299 pontos, é especialmente dirigido aos jovens da Igreja, mas também a todo o Povo de Deus. Entre os temas sobre os quais o Papa fala, é possível encontrar os seguintes: uma Igreja jovem que se renova, a heterogeneidade da juventude, Maria como referente para os jovens, a juventude em um mundo em crise, os migrantes, os problemas dos jovens, os abusos sexuais contra menores, a juventude como momento para o discernimento da vocação, a relação entre os jovens e os idosos, a pastoral juvenil, a vocação ao matrimônio e a vocação à vida consagrada.  Gaudete et exsultate – É precisamente o espírito de alegria que o Papa Francisco escolheu colocar na abertura da Exortação Apostólica, publicada no dia 19 de março de 2018, o título “Gaudete et Exsultate“, “Alegrai-vos e exultai”. Nela, o pontífice repete as palavras que Jesus dirige “aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele”. Nos cinco capítulos e 44 páginas do documento, o papa segue a linha de seu magistério mais profundo, a Igreja próxima à “carne de Cristo sofredor.” Os 177 parágrafos não são – adverte – “um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções”, mas uma maneira de “fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade”, indicando “os seus riscos, desafios e oportunidades”.  Amoris Laetitia – Publicada em março de 2016, a Exortação Apostólica Amoris Laetitia – sobre o amor na família, do Papa Francisco, representa uma proposta às famílias cristãs, estimulando-as “a apreciar os dons do matrimônio e da família e a manter um amor forte e cheio de valores como a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência”; além disso, “se propõe a encorajar todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria”.   Alegria do Evangelho – A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), a primeira do pontificado do Papa Francisco, foi divulgada no dia 24 de novembro de 2013. O texto fala sobre o anúncio do evangelho no mundo atual. Nele, Francisco propõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. O pontífice toma como base a doutrina da Constituição dogmática Lumen Gentium, e aborda, entre outros pontos, a transformação da Igreja missionária, as tentações dos agentes pastorais, a preparação da homilia, a inclusão social dos pobres e as motivações espirituais para o compromisso missionário. Dividida em cinco capítulos, o texto também recolhe a contribuição dos trabalhos do Sínodo dos Bispos, realizado no Vaticano em 2012, com o tema “A nova evangelização para a transmissão da fé”.  Outros Documentos  Além das Exortações Apostólicas, há outros tipos de documentos pontifícios. A Carta Encíclica, por exemplo, é um deles. Com caráter social, exortatório ou disciplinar ela é dirigida primeiro aos bispos de todo o mundo e, por meio deles, a todos os fiéis. Com ela, o Papa exerce seu magistério ordinário de pastor da Igreja, assegurando a unidade entre a doutrina e a vida eclesial. Sua origem se dá nas cartas que os bispos enviavam entre si para assegurar a unidade entre a doutrina e a vida eclesial. A Constituição Apostólica trata de assuntos da mais alta importância na Igreja e é dividida entre Dogmática e Disciplinar. A Disciplinar tem caráter pastoral, já a Dogmática apresenta explicações sobre um dogma, como por exemplo, o culto a Virgem Maria e outros assuntos tratados na constituição Lumen Gentium.  A Bula é um documento selado com o timbre do papa, onde o mesmo se manifesta sobre determinado assunto. Pode ter caráter administrativo, religioso ou político.  Já o Motu Proprio tem geralmente a forma de decreto, significa que trata-se de matéria decidida exclusivamente pelo Papa e não por um cardeal ou conselheiro. Tirado do site da CNBB

Por que a Igreja se preocupa com a Amazônia?

A Igreja tem os seus olhos e a sua atenção voltada para todas as realidades humanas, porque  ela “caminha na história, faz parte dela segundo o desígnio de Deus” (Bento XVI, Audiência 2012). Papa Francisco já na introdução da sua Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, apresenta a Amazônia “aos olhos do mundo com todo o seu esplendor, o seu drama e o seu mistério”. Porém mesmo sabendo que a Igreja deve ser fermento e sal no mundo, e que deve ajudar a humanidade no cuidado com a criação de Deus, podemos algumas vezes nos perguntar: de onde vem esse interesse de preocupar-se com a Amazônia?  Para responder esta e outras inquietações, é necessário antes irmos às fontes que norteiam os caminhos da Igreja. Em primeiro lugar olhar o que diz a Palavra de Deus. Se nos debruçamos sobre o Livro do Gênesis, veremos que ele nos recorda exatamente a responsabilidade humana com a Criação. “Deus Disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra (Gn 1,26)”. Ser criado à imagem de Deus comporta uma participação na responsabilidade em conhecer, amar e cuidar. Porém nos concentremos especificamente  sobre o domínio que a humanidade (Adam)  exerce sobre o mundo criado por Deus. Ser à imagem de Deus é exercer domínio sobre os animais, ou seja, governar o mundo como um pastor. Assim como Deus exerce o senhorio sobre as forças do caos através da sua palavra, fazendo emergir um mundo ordeiro sem violência, assim o ser humano é chamado a exercer o senhorio sobre toda a criação com doçura. Com a narração da criação, vemos que o papel da humanidade neste mundo é governar a terra. Isso significa usufruir de tudo com responsabilidade, reconhecendo-se parte integrante,  interligados e dependentes É necessário tomar consciência de que, a partir deste "dado", somos chamados a planejar responsavelmente a nossa história relacional, a crescer em humanidade. A pessoa entra neste caminho de humanização quando compreende o chamado para superar seus instintos de ganância e aprende a olhar o mundo não como presa, mas como esfera na qual deve crescer nas relações fraternas. Aqui está o ponto central da antropologia bíblica: contestando o falso humanismo do ter, do poder e do aparecer, afirma que existir é perceber o chamado de Deus que, no coração dos apelos da humanidade sofredora, nos chama a sair de nós mesmos, a cuidar dos outros e da "casa comum". Seguindo esta breve reflexão deste versículo da Sagrada Escritura, recordamos alguns pontos dos principais documentos do Magistério da Igreja, o Catecismo da Igreja Católica e o Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Eles norteiam em síntese a natureza da Igreja, sua missão e os seus desafios.  Por meio deles, muitos outros documentos, homilias e mensagens foram escritos para relembrar  que “tudo o que a Igreja oferece deve encarnar-se de maneira original em cada lugar do mundo, para que a Esposa de Cristo adquira rostos multiformes que manifestem melhor a riqueza inesgotável da graça” (Papa Francisco Exortação Apostólica Querida Amazônia). Catecismo da Igreja Católica: 339. Cada criatura possui a sua bondade e perfeição próprias. Acerca de cada uma das obras dos «seis dias» está escrito: «E Deus viu que era bom». «Foi em virtude da própria criação que todas as coisas foram estabelecidas segundo a sua consistência, a sua verdade, a sua excelência própria, com o seu ordenamento e leis específicas» (206). As diferentes criaturas, queridas pelo seu próprio ser, refletem, cada qual a seu modo, uma centelha da sabedoria e da bondade infinitas de Deus. É por isso que o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente. 340. A interdependência das criaturas é querida por Deus. O sol e a lua, o cedro e a florzinha, a águia e o pardal: o espetáculo das suas incontáveis diversidades e desigualdades significa que nenhuma criatura se basta a si mesma. Elas só existem na dependência umas das outras, para se completarem mutuamente, no serviço umas das outras.   Compêndio da Doutrina Social da Igreja Número 60 - A Igreja, partícipe das alegrias e esperanças, das angústias e das tristezas dos homens, é solidária com todo homem e a toda a mulher, de todo lugar e de todo tempo, e leva-lhes a Boa Nova do Reino de Deus, que com Jesus Cristo veio e vem em meio a eles. A Igreja é, na humanidade e no mundo, o sacramento do amor de Deus e, por isso mesmo, da esperança maior, que ativa e sustém todo autêntico projeto e empenho de libertação e promoção humana. É, em meio aos homens, a tenda da companhia de Deus ― «o tabernáculo de Deus com os homens» (Ap 21, 3) ― de modo que o homem não se encontra só, perdido ou transtornado no seu empenho de humanizar o mundo, mas encontra amparo no amor redentor de Cristo. Ela é ministra de salvação, não em abstrato ou em sentido meramente espiritual, mas no contexto da história e do mundo em que o homem vir, onde o alcançam o amor de Deus e a vocação a corresponder ao projeto divino. Número 81- A doutrina social comporta também um dever de denúncia, em presença do pecado: é o pecado de injustiça e de violência que de vário modo atravessa a sociedade e nela toma corpo. Tal denúncia se faz juízo e defesa dos direitos ignorados e violados, especialmente dos direitos dos pobres, dos pequenos, dos fracos, e tanto mais se intensifica quanto mais as injustiças e as violências se estendem, envolvendo inteiras categorias de pessoas e amplas áreas geográficas do mundo, e dão lugar a questões sociais, ou seja, a opressões e desequilíbrios que conturbam as sociedades. Boa parte do ensinamento social da Igreja é solicitado e determinado pelas grandes questões sociais, de que quer ser resposta de justiça social.   Papas Ao longo das história da Igreja, os pontífices dedicaram-se também as necessidades da Amazônia.  São João Paulo II, Papa Bento XVI e Papa Francisco, em muitas ocasiões animaram os fiéis, pastores e povos destas regiões, mas também exortaram e chamaram a atenção para os reais perigos e necessidades dos povos da Amazônia. Com estas palavras dos Sumos Pontífices, recordamos mais uma vez, que o domínio que os homens exercem sobre este mundo é baseado na autoridade dada pelo Criador, por isso deve ser exercido com responsabilidade e generosidade, pensando sobretudo aos mais fracos e esquecidos. Grandes foram as contribuições deixada pelos papas, para nos lembrar também que este  zelo pela “casa comum”, é missão de todo batizado e todos os homens e mulheres de bem. João Paulo II Encontro com os índios da Amazônia – 12/07/1980 O que lhes vou dizer? Que lhes posso dizer? Começo por repetir o que talvez já tenham ouvido dizer aqui pelos seus amigos missionários: que a Igreja e o Papa vos estimam, estimam muito por aquilo que vocês são e por aquilo que vocês representam. Vocês representam pessoas humanas e “chamados a ser de Jesus Cristo” (Cf. Rm 1, 6), vocês representam também os filhos de Deus. A Igreja procura dedicar-se hoje a vocês como se dedicou desde a descoberta do Brasil a vossos antepassados. O bem-aventurado José de Anchieta, é neste sentido o pioneiro, de certo modo o modelo de gerações e gerações de missionários jesuítas, salesianos, franciscanos, dominicanos, missionários do Espírito Santo ou do Preciosíssimo Sangue, capuchinhos, beneditinos e tantos outros – totalmente devotados a vocês. Com meritória constância eles procuraram comunicar-lhes com o Evangelho toda ajuda possível em vista de sua promoção humana. Confio aos Poderes Públicos e outros responsáveis os votos que, neste encontro com vocês, eu faço de todo coração em nome do Senhor: que a vocês, cujos antepassados foram os primeiros habitantes desta terra, tendo sobre ela um particular jus ao longo de gerações, seja reconhecido o direito de habitá-la na paz e na serenidade, sem o temor – verdadeiro pesadelo – de serem desalojados em benefício de outrem, mas seguros de um espaço vital que será base não somente para a sua sobrevivência, mas para a preservação de sua identidade como grupo humano, como verdadeiro povo e nação. A esta questão complexa e espinhosa almejo que se dê uma resposta ponderada, oportuna, inteligente, para o benefício de todos. Assim se respeitará e favorecerá a dignidade e a liberdade de cada um de vocês como pessoa humana e de todos vocês como um povo e uma nação. Encontro com os Índios no Perú - 1985 Seguindo os passos dos missionários abnegados, que desde o início da evangelização vieram para anunciar a Boa Nova do Evangelho, o Papa vem até vocês hoje. O mandato de Jesus continua a ressoar em meu coração: "Ide e fazei discípulos de todas as nações" (Mt 28,18). Entre aqueles a quem se dirige a mensagem de Jesus Cristo estão vocês, porque para o Papa e para a Igreja não há distinção de raça ou cultura, pois diante de Deus não há grego, nem judeu, nem escravo, nem livre, mas Cristo é tudo em todos.   Eu sei que vocês estão sofrendo; porque sendo detentores pacíficos desde tempos imemoriais destas florestas e "cochas", vocês muitas vezes veem a ganância dos recém-chegados despertar, ameaçando suas reservas, sabendo que muitos de vocês não têm títulos escritos em favor de suas comunidades, e garantindo legalmente suas terras. De acordo com as leis do Peru e com os vossos direitos ancestrais, faço também meu o pedido feito pelos vossos Bispos, para que vos sejam concedidos - sem qualquer ónus ou atraso indevido - os títulos que vos correspondem Audiência Geral – Brasil 1991 Por estas razões, peço aos governantes, em nome da vossa dignidade, uma legislação eficaz, cada vez mais adequada, que vos proteja eficazmente dos abusos e vos proporcione o ambiente e os meios necessários para o vosso desenvolvimento normal. Sei também, e entristece-me profundamente, a atenção insuficiente que podem prestar à vossa saúde física devido à falta de médicos e de meios para manterem as vossas vidas saudáveis. Gostaria, portanto, de pedir ao resto do país para não esquecer esta área, que necessita de tantos profissionais para promover o seu progresso espiritual e material (cf. Libertatis Nuntius, XI, 14). Ainda há muito a fazer nestas imensas áreas para o bem de todos. Para todos estes grupos, tão diversos, a Igreja continua a ser um ponto de encontro. E é também um ponto de encontro - e pode-se dizer, de forma notável - para os primeiros habitantes deste território, os índios do Brasil, que defendem seus direitos étnicos e, sobretudo, o direito à terra. Bento XVI Mensagem pela Campanha da Fraternidade de 2007 A proposta para este ano destina-se a promover a fraternidade efetiva com as populações amazônicas, defendendo e promovendo a vida que se manifesta com tanta exuberância na Amazônia. Por sua vez, esta mesma preocupação se insere no amplo tema da defesa do ambiente, para o qual este vasto território constitui um patrimônio comum que, por sua realidade humana, sociopolítica, econômica e ambiental, requer especial atenção da Igreja e da sociedade brasileira. Neste contexto, insere-se, porém, de maneira determinante a ação eclesial dirigida a fomentar um processo de ampla evangelização que estimule a missionariedade e crie condições favoráveis para a descoberta e o crescimento da fé de toda a população amazônica. Em continuidade com os meus Veneráveis predecessores, desejo fazer um preito de gratidão a todos aqueles corajosos missionários, que se consagraram e se consagram, à custa inclusive da própria vida, em levar a fé católica nas cidades e aldeias da região; homens e mulheres que, por amor a Deus, entregaram-se de corpo e alma para extensão do Reino de Deus nesta Terra da Santa Cruz. Encontro com os Jovens no Pacaembú – SP - 2007 Nunca podemos dizer basta, pois a caridade de Deus é infinita e o Senhor nos pede, ou melhor, nos exige dilatar nossos corações para que neles caiba sempre mais amor, mais bondade, mais compreensão pelos nossos semelhantes e pelos problemas que envolvem não só a convivência humana, mas também a efetiva preservação e conservação da natureza, da qual todos fazem parte. "Nossos bosques têm mais vida": não deixeis que se apague esta chama de esperança que o vosso Hino Nacional põe em vossos lábios. A devastação ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de suas populações requerem um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação que a sociedade vem solicitando Papa Francisco Viagem apostólica ao Chile a ao Peru – Puerto Maldonado - 2018 Provavelmente os povos nativos da Amazônia nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como estão agora. A Amazônia é uma terra disputada em várias frentes: por um lado, o neo-extrativismo e a forte pressão de grandes interesses econômicos que apontam para sua ganância por petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais. Por outro lado, a ameaça contra seus territórios também vem da perversão de certas políticas que promovem a "conservação" da natureza sem levar em conta o ser humano e, especificamente, você, os irmãos e irmãs amazônicos que ali vivem. Conhecemos movimentos que, em nome da conservação da floresta, monopolizam grandes extensões de floresta e negociam com eles, gerando situações de opressão dos povos nativos para quem, desta forma, o território e os recursos naturais dentro dele se tornam inacessíveis. Este problema provoca a sufocação de seus povos e a migração de novas gerações, na ausência de alternativas locais. Devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma inesgotável despensa dos Estados sem levar em conta seus habitantes. Considero essencial fazer esforços para gerar espaços institucionais de respeito, reconhecimento e diálogo com os povos nativos; assumindo e resgatando a sua própria cultura, língua, tradições, direitos e espiritualidade. Um diálogo intercultural no qual vocês são os "principais interlocutores, sobretudo quando se trata de avançar em grandes projetos que afetam os vossos espaços" [1]. O reconhecimento e o diálogo serão a melhor forma de transformar as relações históricas marcadas pela exclusão e pela discriminação. Missa na conclusão do Sínodo dos Bispos - 2019 Quanta superioridade presumida, que se transforma em opressão e exploração, mesmo hoje! Vimo-lo no Sínodo, quando falávamos da exploração da criação, da população, dos habitantes da Amazônia, da exploração das pessoas, do tráfico das pessoas! Os erros do passado não foram suficientes para deixarmos de saquear os outros e causar ferimentos aos nossos irmãos e à nossa irmã terra: vimo-lo no rosto dilacerado da Amazônia. Exortação Apostólica Querida Amazônia Sonho com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja ouvida e sua dignidade promovida. Sonho com uma Amazônia que preserve a riqueza cultural que a carateriza e na qual brilha de maneira tão variada a beleza humana. Sonho com uma Amazônia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas. Sonho com comunidades cristãs capazes de se devotar e encarnar de tal modo na Amazônia, que deem à Igreja rostos novos com traços amazônicos. Por Padre Arnaldo Rodrigues Em Vatican News

O que se diz para a Amazônia, serve para a Igreja inteira: reconstruir a nossa profecia

“O que se diz para a Amazônia serve para a Igreja inteira, à luz daquilo que vem do modelo e da dinâmica da Amazônia. A exortação pós-sinodal Querida Amazônia é para dizer para nossa Igreja que temos que reconstruir a nossa profecia”. Assim comentou o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, sobre a Exortação Apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, publicada nesta quarta-feira, 12 de fevereiro, durante entrevista coletiva à imprensa realizada na sede da CNBB, em Brasília. Foto: Daniel Flores Nesta manhã, dom Walmor esteve ao lado do arcebispo emérito de São Paulo (SP) e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, cardeal Cláudio Hummes, que também preside a Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), para apresentar os principais pontos do texto divulgado hoje pela Santa Sé. O presidente da CNBB iniciou ressaltando que o processo do Sínodo para a Amazônia, de onde surge a exortação apostólica, é um caminho que não se encerra e que “somos chamados a percorrer com novo ardor missionário”. Dom Walmor frisou que a exortação apostólica Querida Amazônia não é um decreto, mas um “convite a sonhar”. Este chamado do Papa Francisco “coloca a nossa Igreja numa perspectiva muito e profundamente desafiadora” de “reconstruir a nossa profecia”. Esta profecia, continuou, não é simplesmente de palavras, mas é aquela que “possa costurar um novo entendimento e práticas e mudanças transformadoras”. “Se nós conseguirmos como Igreja entrar nesse caminho bonito do sínodo, do seu documento final e neste horizonte inspirador e interpelante da exortação sinodal, eu tenho certeza que a nossa Igreja vai dar muitos passos de transformação para dentro e de corajosa presença pública na sociedade por sua transformação”, afirmou dom Walmor. O documento O cardeal Cláudio Hummes apresentou uma síntese da exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, durante a coletiva de imprensa. O presidente da Repam foi relator geral da Assembleia do Sínodo dos Bispos e recordou o processo de preparação e o contexto no qual foi promovida a reflexão sobre os “novos caminhos para a Igreja e a para uma ecologia integral”. Dom Cláudio contextualizou o momento em que a Igreja está diante “da grande problemática ecológica e socioambiental” que se coloca à humanidade, e quer ajudar a vencer essas crises globais. “O grito dos pobres é o mesmo grito da terra” afirmou. E a reflexão é “como caminhar junto e conseguir escutar esse grito e ajudar, com aqueles que estão gritando, a construir o futuro”. O que é central no texto, é “o amor de Pastor à gente e ao território da Amazônia”, segundo dom Cláudio, o que está expresso no título. O grande sentido da exortação, está no parágrafo 2 do texto. Na sequência, o texto tem o pedido de empenho na aplicação das indicações do documento final do Sínodo. Os sonhos A partir das quatro conversões propostas no documento final do sínodo, o Papa apresenta seus sonhos para a Amazônia: social, cultural, ecológico e eclesial. Estes são os quatro capítulos da exortação apostólica. Social Dom Cláudio chamou atenção que este sonho vem em primeiro lugar, pois primeiro são as pessoas, os pobres, machucados, esquecidos, abandonados, marginalizados. Cultural “As culturas ali tem sempre dois aspectos: as culturas dos povos dali, mas também a biodiversidade e todo o ambiente. E como as muitas culturas, há muitas formas de vida que tem que ser protegidas, tem que ser cuidadas. Assim a gente pode dizer que a água cuida da floresta, a floresta cuida da água e os povos originários cuidam desse sistema todo e fazem com que ele possa realmente proceder cuidando-se uns aos outros. De novo essa questão de que está tudo interligado”. Ecológico “Aqui fala sobre ambiente, sobre território, a questão ecológica que ele abordou tão fortemente na Laudato Si’, ele aborda aqui. Ele fala que esse sonho foi feito de água. A questão da água é fundamental na questão ecológica. Fala-se da escassez da água, uma realidade muito conflitiva que a Igreja tem que participar dessa atividade de superar”. Eclesial “Se trata da Igreja na Amazônia, não é uma ONG ou instituição governamental que está falando. O sínodo é a Igreja que fala sobre a sua missão, o seu trabalho, a sua necessidade de ser capaz de novos caminhos para sua própria missão. Ali entra a questão da Eucaristia. Ele fala explicitamente da questão da falta da Eucaristia, quando a Eucaristia, de fato, edifica a Igreja e que a Igreja não pode deixar de estar preocupada e não pode deixar de procurar uma solução para que os povos e comunidades tenham a eucaristia. Não apenas a comunhão eucarística, mas a reunião, a assembleia eucarística. O que edifica a Igreja é a assembleia eucarística reunida celebrando a memória de Jesus Cristo”. Foto: Daniel Flores Perspectivas dos sonhos Dom Walmor Oliveira comentou a metodologia do Papa de recorrer aos sonhos para apresentar suas aspirações para a Amazônia e apresentou algumas perspectivas dessa figura. Na psicanálise, sonhos significam “remeter-se às raízes, que mexidas produzem um novo jeito da gente ser”. Sonhar, portanto, é o convite do Papa, que nos remete a olhar raízes que produzam frutos diferentes se tiver espaço, luminosidade, inspiração adequada. Do ponto de vista poético, sonhar é não aceitar que a realidade continue do jeito que está. A poesia nos ajuda de maneira muito decisiva e realista a conceber caminhos novos para algo que consideramos que não consegue dar as respostas adequadas. Do ponto de vista existencial, se nós não formos movidos por sonhos, não damos conta de viver. Do ponto de vista social o convite de um sonho é nutrir essa indignação e essa inconformação. Portanto não é um decreto, mas é um sonho para dizer ‘É preciso fazer um novo caminho”. Cântico Cardeal Cláudio Hummes e dom Walmor Oliveira | Foto: Daniel Flores “Todo o texto é um cântico do Papa, é um louvor diante da beleza que Deus oferece”, afirmou dom Cláudio ao recordar os vários textos literários ou poéticos que são reproduzidos na exortação. Um exemplo é a “Carta de navegar (pelo Tocantins amazônico)” de dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia. Dom Cláudio Hummes também ressaltou a necessidade de se indignar, “mas sempre disposto ao diálogo”. Sublinhou que o documento apresenta novos modelos econômicos e de desenvolvimento frente a economia que destrói. Sobre a conversão da Igreja, falou da proposta de inculturar-se: “reconhecer a riqueza e o direito que os povos têm de ser cristãos na sua cultura”, mas chamou atenção para ter cuidado com o colonialismo. A reforma da Igreja iniciada pelo Papa Francisco, ganha a contribuição da exortação que também incentiva que a Igreja seja mais missionária, inculturada, sinodal – que escuta o povo e acolhe o sensus fidei (sentido da fé pelo povo de Deus). Ainda sobre a realidade eclesial, o Papa Francisco pede perdão pelas ofensas, pelos crimes cometidos contra os povos nativos e pelos crimes que se seguiram ao longo da história. Documento final Mesmo não citado na exortação apostólica, o documento final do Sínodo, aprovado por dois terços dos padres sinodais, faz parte do processo, “é uma memória e tesouro das escutas e do que se discutiu no sínodo”, destacou dom Walmor Oliveira de Azevedo.   Leia a íntegra da Exortação Apostólica Querida Amazônia Tirado do site da CNBB

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