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Cúria Diocesana

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Via-Sacra: meditações escritas do cárcere

Cinco detentos, uma família vítima de homicídio, a filha de um condenado a prisão perpétua, uma educadora, um juiz corregedor de presídios, a mãe de um presidiário, uma catequista, um sacerdote acusado injustamente, um frade voluntário, um policial, todos ligados à Capelania do Cárcere “Due Palazzi” de Pádua: são os autores das meditações que serão lidas durante a Via-Sacra deste ano, presidida pelo Papa Francisco no adro da Basílica de São Pedro. “Acompanhar Cristo no Caminho da Cruz, com a voz rouca dos que vivem no mundo carcerário, é uma oportunidade para assistir ao prodigioso duelo entre a Vida e a Morte, descobrindo como os fios do bem se entrelacem inevitavelmente com os fios do mal”. São palavras escritas na introdução das meditações da Via-Sacra publicadas pela Libreria Editrice Vaticana. Os textos, as narrações do capelão do Instituto carcerário “Due Palazzi” de Pádua, padre Marco Pozza, e da voluntária Tatuana Mario, foram escritos por eles mesmos, mas pretendem dar voz a todos os que compartilham a mesma condição no mundo inteiro. No cárcere, Jesus me procurou “Crucifica-o, crucifica-o!”. A pessoa que comenta a primeira estação (Jesus é condenado à morte) é um condenado à prisão perpétua. Crucifica-o “é um grito que ouvi dirigido a mim”, escreve. A sua crucificação iniciou quando era criança, uma criança marginalizada, agora considera-se mais semelhante a Barrabás do que a Cristo. O seu passado é algo que lhe causa repulsa. “Depois de 29 anos de prisão – afirma – ainda não perdi a capacidade de chorar, de me envergonhar pelo mal que fiz (…) porém sempre procurei algo que fosse vida”. Hoje “percebo, no coração, que aquele Homem inocente, condenado como eu, veio me procurar no cárcere para me educar para a vida”. O amor é mais forte que o mal Na segunda estação (“Jesus carrega a cruz”), a meditação foi escrita por um casal que teve sua filha assassinada. “Nossa vida foi sempre uma vida de sacrifícios, baseada no trabalho e na família. Muitas vezes nos perguntamos: Por que este mal foi acontecer exatamente conosco? Não temos paz”. Sobreviver à morte de um filho é doloroso, mas “no momento em que o desespero parece tomar conta de tudo, o Senhor, de mais de um modo, vem ao nosso encontro, nos dando a graça de nos amarmos como casal, apoiando-nos um ao outro, mesmo com dificuldade”. Continuam a fazer o bem aos outros, e deste modo encontram uma forma de salvação, não querem se render ao mal. Provam que “o amor de Deus é capaz de regenerar a vida”. No mundo há também a bondade Na terceira estação (“Jesus cai pela primeira vez”) um presidiário conta que a sua queda, a primeira foi o seu fim. Depois de uma vida difícil, na qual não se dava conta que o mal estava crescendo dentro de si, dominando-o, tirou a vida de uma pessoa. “Uma noite, em um instante, como uma avalanche – escreve – desencadearam na minha cabeça todas as injustiças às quais fui submetido durante a vida. A raiva assassinou a gentileza, cometi um mal imensamente maior do que todos os que tinha recebido”. Na prisão tentou o suicídio, mas depois encontrou a luz, por meio do encontro com pessoas que lhe davam novamente “a confiança perdida”, mostrando-lhe que neste mundo existe também a bondade. O olhar do amor entre a mãe e o filho “Nem mesmo por um instante tive a tentação de abandonar meu filho à sua condenação”, afirma a mãe de um detento. As suas palavras comentam a quarta estação (Jesus encontra Maria, sua Mãe”). Desde a prisão do filho “as feridas crescem com o passar dos dias, tirando-nos até mesmo o ar que respiramos. Percebo a proximidade de Nossa Senhora… Confiei meu filho a Ela: posso confiar os meus medos somente a Maria, visto que ela mesma os sofreu enquanto subia o Calvário”. E continua: “Imagino Jesus, ao elevar seu olhar, tenha cruzado com os olhos de sua mãe cheios de amor e não tenha se sentido sozinho em nenhum momento. Assim eu quero que meu filho se sinta”. O sonho de ser um Cireneu para os outros A quinta estação também é explicada por um prisioneiro (O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz”). A cruz a ser carregada é pesada, mas “dentro da prisão Simão Cireneu é conhecido por todos: é o segundo nome dos voluntários, dos que sobem este calvário para ajudar a levar a uma cruz”. Um outro Simão Cireneu é o seu companheiro de cela, capaz de uma generosidade inesperada. Conclui: “Estou envelhecendo na prisão: sonho em um dia poder confiar no homem. Torna-me um cireneu da alegria para alguém”. Um olhar que permite recomeçar “Como catequista enxugo muitas lágrimas, deixando-as escorrer: não se pode deter o pranto de corações dilacerados”. São as palavras de uma catequista que reflete deste modo a sexta estação (“Verônica enxuga o rosto de Jesus”). Como fazer para abrandar a angústia de homens “que não encontram uma saída depois de cederam ao mal?”. O único caminho é ficar ali, ao lado deles, sem nenhum medo, “respeitando seus silêncios, escutando suas dores, procurando olhar além do preconceito”. Assim como faz Jesus com as nossas fragilidades. E escreve: “A cada um, também aos reclusos, é oferecido todos os dias, a possibilidade de se tornarem pessoas novas graças Àquele olhar que não julga, mas inspira vida e esperança”. A vontade de reconstruir a própria vida Na sétima estação (“Jesus cai pela segunda vez”), um prisioneiro culpado de tráfico de drogas, que causou a prisão de toda sua família junto com ele, sente uma infinita vergonha de si mesmo. Escreve: “Só hoje consigo admitir: naquela época que não sabia o que fazia, agora que sei, com a ajuda de Deus, estou tentando reconstruir a minha vida”. A ideia de que o mal continue e comandar a sua vida lhe é insuportável, tornou-se a sua via-sacra. A oração ao Senhor é: “Por todos os que ainda não souberam como escapar do poder de Satanás, a todo o fascínio das suas obras e às suas múltiplas formas de sedução”. Para mim esperar é uma obrigação “Há 28 anos pago a pena de crescer sem pai”, é a experiência de uma filha de um condenado à prisão perpétua ao comentar a oitava estação (“Jesus encontra as mulheres de Jerusalém”). Na minha família tudo se desagregou, ela viaja pela Itália para ficar perto de seu pai todas as vezes que o transferem de uma prisão a outra, e refletindo sobre sua vida diz: “Há pais que por amor aprendem a esperar que o filho amadureça. Para mim, por amor, espero a volta de meu pai. Para os que vivem como nós, a esperança é uma obrigação”. A força de se levantar e a coragem de deixar-se ajudar Cair e todas as vezes se levantar é o testemunho de um detento que se identifica com o que vê na nona estação (“Jesus cai pela terceira vez”). “Como Pedro procurei e encontrei mil desculpas para os meus erros: o fato estranho é que um fragmento de bem sempre ficou aceso dentro de mim”, escreve. E conclui: “É verdade que me despedacei em mil pedaços, mas a beleza é que aqueles pedaços podem ainda ser recompostos. Não é fácil: porém é a única coisa, que aqui dentro, ainda tenha um significado”. Sustentar os que perderam tudo Na décima estação é recordado “Jesus é despojado de suas vestes”, uma educadora que trabalha na prisão vê isso em muitos cárceres, pessoas despojadas de sua dignidade e do respeito por si e pelos outros. São homens e mulheres “desesperados em suas fragilidades, muitas vezes privados do necessário para compreender o mal que cometeram. Porém, lentamente assemelham a crianças recém-nascidas que ainda podem ser modeladas”. Mas não é fácil levar adiante este compromisso. “Neste serviço tão delicado – escreve – temos necessidade de não nos sentirmos tão abandonados, para poder sustentar tantas vidas que nos foram confiadas e que correm todos os dias o risco de naufragarem”. Os inocentes culpados por falsas acusações Na décima-primeira estação da Via-Sacra (“Jesus é pregado na cruz”), a meditação é de um sacerdote acusado e depois absolvido. A sua pessoal via-sacra durou 10 anos, “inundada por arquivos, suspeitas, acusações e injúrias”. Enquanto subia o calvário, conta, encontrou muitos cireneus que lhe ajudaram a carregar o peso da cruz. Juntos rezaram pelo jovem que o tinha acusado. “O dia em que fui absolvido – escreve – descobri que era mais feliz do que dez anos atrás: toquei com a mão a ação de Deus na minha vida. Preso na cruz, o meu sacerdócio se iluminou”. A pessoa por trás da culpa O comentário da décima-segunda estação é de um juiz corregedor de presídios (“Jesus morre na cruz”). Uma verdadeira justiça – afirma – é possível somente através da misericórdia que não prega o homem na cruz para sempre”. É necessário ajudá-lo a se levantar, descobrindo que o bem, apesar de tudo, “nunca se apaga completamente no seu coração”. Mas isso só será possível aprendendo “a reconhecer a pessoa escondida por trás da culpa cometida”, deste modo pode-se “entrever um horizonte que pode dar esperança às pessoas condenadas”. A oração ao Senhor é pelos “magistrados, juízes e advogados, para que se mantenham íntegros no exercício de seu serviço” em favor principalmente dos mais pobres. Imaginarmo-nos diferente de como nos vemos Na décima-terceira estação (“Jesus é descido da cruz”) a meditação é de um frade que é voluntário há sessenta anos nos cárceres. Nós cristãos – afirma – facilmente caímos na tentação de nos sentirmos melhores do que os outros (…) Passando de uma cela a outra vejo a morte que mora ali dentro”. A sua tarefa é a de se deter em silêncio diante dos muitos “rostos devastados pelo mal e escutá-los com misericórdia”. Acolher a pessoa é deslocar do seu olhar o erro que cometeu. “Só assim poderá confiar em si mesmo e reencontrar a força de se render ao Bem, imaginando-se outra pessoa de como agora se vê”. Esta é a missão da Igreja. Gestos e palavras que fazem a diferença “Jesus é depositado no sepulcro” é a última estação, a décima-quarta. As palavras de um agente da Polícia Penitenciária, diácono permanente, concluem a Via-Sacra. No seu trabalho, todos os dias vive com o sofrimento e sabe que no cárcere “um homem bom pode se tornar um homem sádico. Um homem mau pode se tornar melhor”. Depende também dele. E dar outra possibilidade aos que fizeram o mal é a sua tarefa diária que se traduz “em gestos, atenções e palavras capazes de fazer a diferença”. Capazes de dar novamente esperança a pessoas resignadas e assustadas pelo pensamento de receber, ao cumprir a pena, uma nova rejeição por parte da sociedade. “No cárcere – conclui – recordo a todos que, com Deus, nenhum pecado jamais terá a última palavra”. Por Adriana Masotti Em Vatican News

Matrimônio na ausência de fé é válido? Documento da Comissão Teológica explica

Entrevista sobre o documento "Reciprocidade entre fé e Sacramentos na economia sacramental" ao padre jesuíta Gabino Uríbarri Bilbao, da Pontifícia Universidade Comillas de Madri, membro da Comissão Teológica Internacional (Roma): 1) O senhor poderia explicar a gênese e resumir o conteúdo do documento? Na primeira Sessão Plenária da Comissão Teológica Internacional, iniciado seu nono quinquênio, em dezembro de 2014, foi aprovado por votação que o tópico relacionado ao relatório "Fé e Sacramentos" também fosse estudado.  Custou-nos muito identificar uma metodologia e encontrar uma direção para o tópico a ser tratado, pela amplitude das questões envolvidas: teologia sacramental geral, fundamento bíblico, impacto pastoral, diversos sacramentos a serem estudados, variedade de situações continentais. Foram necessários 11 esboços antes de se chegar ao documento final. O documento, em cinco capítulos, quer salientar o fato de que a reciprocidade entre fé e sacramentos se encontra hoje em crise na prática pastoral. O coração do documento, o capítulo 2, consiste em um argumento teológico em que ele percebe a reciprocidade entre fé e sacramentos. Articulam-se em três teses fundamentais: 1) A revelação de Deus e a história da salvação possuem um teor sacramental, pela importância máxima devida à encarnação; 2) tal revelação sacramental é ordenada à comunicação da graça divina à pessoa humana: é dialógica; 3) por isso, a fé cristã, como resposta a uma revelação sacramental, é de caráter sacramental. Sobre tal base, no terceiro capítulo, são levados em consideração os três sacramentos da iniciação cristã, e no quarto capítulo, o matrimônio. O texto termina com um capítulo de síntese, mais breve, no qual a reciprocidade essencial entre fé e sacramentos é recuperada de acordo com a perspectiva católica. 2) A reciprocidade entre fé e sacramentos é um tema discutido há anos, especialmente em relação ao matrimônio. Quer Bento XVI como Francisco apresentaram questionamentos sobre a validade de muitos casamentos celebrados na igreja por hábito ou tradição, mas sem uma verdadeira fé. Os dois Pontífices indicaram esta como uma possível maneira para rever alguns critérios relativos aos processos de nulidade. O que o documento esclarece a este respeito? Não somente os Papas Bento e Francisco. As Assembleias sinodais sobre a Família (1980, 2014, 2015) e sobre a Eucaristia (2005) pediram, com uma porcentagem próxima aos 100% dos votos, um esclarecimento a propósito de uma situação pastoral não resolvida: a celebração de um sacramento, o matrimônio, sem fé. Procuramos iluminar esse problema complexo do ponto de vista da Teologia Dogmática, que é o primeiro passo. A regulamentação canônica da celebração e da validade do sacramento do matrimônio se deduz da verdade dogmática do mesmo. Se a doutrina que propomos for aceita, caberá aos canonistas estruturar sua tradução jurídica nos processos de nulidade. Não obstante isso, gostaria de enfatizar que nosso documento quis ter presente a sabedoria que o direito canônico engloba, como uma ciência sagrada. Nesse contexto, quero destacar que a jurisprudência do Tribunal da Rota Romana já proferiu sentenças na linha de nosso documento. Ou seja, considerando o fato de que a falta de fé pode prejudicar a intenção de celebrar um casamento natural (por exemplo: a sentença coram Stankiewicz, 19 de abril de 1991). 3) O senhor poderia explicar por que a falta de fé coloca em dúvida a validade do matrimônio sacramental? A doutrina católica sustenta que o matrimônio é uma realidade natural, que pertence à ordem da criação (cf. Gn 2,24). Jesus Cristo elevou essa realidade natural a sacramento. Em função disso, para que exista um matrimônio sacramental, também deve existir um matrimônio natural. Para a Igreja, o matrimônio natural inclui as mesmas características do matrimônio sacramental. Os bens do matrimônio natural, que fazem com que seja um verdadeiro matrimônio, são os mesmos que os bens do matrimônio sacramental. E são: a indissolubilidade, a fidelidade e a procriação. Seguindo Bento XVI, partimos do fato de que a fé determina as concepções antropológicas em cada âmbito da vida, compreendido o que se refere ao matrimônio. A pergunta que nos colocamos é se a ausência consistente de fé, própria daqueles que podem ser chamados de "batizados não-crentes", prejudica sua compreensão do matrimônio. Sobretudo tendo presente que em muitos lugares a compreensão socialmente compartilhada sobre o matrimônio, incluída aquela legalmente estabelecida, não se baseia na indissolubilidade (para sempre), na fidelidade (a exclusividade e o bem do cônjuge) e a procriação (aberta à descendência). Em outras palavras, argumentamos que no caso de "batizados não-crentes", a intenção de contrair um verdadeiro matrimônio natural não é garantida. Sem o matrimônio natural, não existe realidade que possa ser elevada a matrimônio sacramental: não há matrimônio sacramental. 4) O texto da Comissão rejeita tanto o automatismo segundo o qual todo matrimônio entre os batizados é um sacramento, como o "ceticismo elitista", segundo o qual qualquer grau de ausência de fé viciaria a macularia e invalidaria o sacramento. Qual é então o caminho correto a ser percorrido e como aplicar essas indicações à realidade concreta das situações dos casais? Damos um passo para esclarecer uma questão que necessita maiores aprofundamentos. No ritual do matrimônio é dito: "Os pastores, guiados pelo amor de Cristo, acolhem os noivos e, em primeiro lugar, despertam e alimentam a própria fé: o sacramento do matrimônio, de fato, pressupõe e requer a fé" (Praenotanda § 16). No Catecismo da Igreja Católica, o matrimônio é definido como:  «O pacto matrimonial, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunhão íntima de toda a vida, ordenado por sua índole natural ao bem dos cônjuges e à procriação e educação da prole, entre os batizados foi elevado por Cristo Senhor à dignidade de sacramento» (§ 1601). Há uma tensão não resolvida entre as duas afirmações: na primeira, a fé é mencionada como um requisito (supõe e requer); na outra, não. O que está por vir é uma missão delicada para os pastores e para todos os agentes envolvidos no cuidado pastoral matrimonial, no ajudar os futuros cônjuges a crescer na própria fé em relação ao significado do matrimônio. Pode-se rezar pelos cônjuges, mas nem sempre será apropriado celebrar o rito. Em seu documento intitulado ‘A Doutrina Católica sobre o Sacramento do Matrimônio’ (1977), a Comissão Teológica Internacional já havia afirmado que a falta de fé, entendida como uma disposição para crer, compromete a validade do sacramento, especialmente se não houver o desejo de graça e da salvação (§ 2.3). São João Paulo II, por sua vez, após uma longa e gradual dissertação, declarou: «Quando, pelo contrário, não obstante todas as tentativas feitas, os nubentes mostram recusar de modo explícito e formal o que a Igreja quer fazer ao celebrar o matrimónio dos batizados, o pastor não os pode admitir à celebração.» (Familiaris consortio, 68). Portanto, nos referimos, por assim dizer, a casos extremos: total falta de fé, rejeição do que o sacramento significa. É tarefa dos pastores conduzir o discernimento em cada caso concreto. Nós procuramos evitar qualquer tipo de casuística. Caso  não se perceba, por falta de fé, a intenção de contrair um matrimônio natural, não se deve celebrar o rito sacramental. Devemos estar bem cientes do fato de que, por um lado, a Igreja facilita muito o acesso ao sacramento do matrimônio. E por outro, porém, tem em relação ao matrimônio um conceito muito alto, que envolve demandas muito elevadas. Aqui também existe uma tensão. 5) O argumento da falta de fé como motivação para declarar a nulidade de um casamento pode apresentar dificuldades: como é possível constatar a falta de fé? Como se faz para ‘medir’ a fé? Medir a fé não é possível. A liturgia diz: "[...] dos quais só tu conheceste a fé" (Oração Eucarística IV). Isso não significa que a fé não tenha necessariamente uma tradução externa visível: a fé se manifesta mediante a confissão de fé, por exemplo, ou por meio da caridade. No entanto, sim, é possível julgar sobre a intenção, que está ligada à fé. Nós argumentamos a partir da intenção, no caso dos batizados não-crentes, descritos segundo uma tipologia precisa: trata-se daqueles batizados que permaneceram como crianças que nunca aderiram pessoalmente à fé e daqueles que conscientemente negaram a fé e a rejeitam. 6) O que o documento traz de novo a respeito dos sacramentos da iniciação cristã? Com referência aos três sacramentos [da iniciação], enfatizamos que a recepção de um sacramento sempre envolve um caráter missionário. Um sacramento não é recebido apenas para si mesmo, mas também para outros: para fortalecer a Igreja como Corpo de Cristo e para ser testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado. Insistimos também sobre a necessidade de processos catecumenais prévios, como preparação para a recepção do sacramento; e sobre a necessidade que acontece na própria recepção, como dom da graça e momento de compreensão pessoal do significado do sacramento; e sobre a necessidade de catequeses subsequentes à recepção dos sacramentos, inspiradas na catequese mistagógica dos Padres da Igreja. Enfatizamos que a figura da fé especificada para cada sacramento é diferente. No batismo é necessário assegurar a presença do elemento dialógico que caracteriza a história da salvação e o relacionamento com Deus. Isso não comporta problemas para o Batismo dos adultos. Para as crianças, é necessário assegurar a presença de pessoas próximas, pais, padrinhos, avós, alguns membros da família, que garantam o objetivo de uma educação cristã. No caso da Confirmação, insistimos na maturidade necessária para uma inserção mais adulta e responsável na comunidade cristã, quer em relação ao seu lado interno de construção comunitária, quer em relação à missão em direção ao externo. Acentuamos a importância da relação pessoal com o Senhor, mediante a oração. A Eucaristia é o sacramento da fé por excelência. Nela a fé é exercida e nutrida. É necessária uma maior adesão pessoal ao credo e uma coerência basilar com a vida cristã. Nossa intenção está muito longe de colocar barreiras aos sacramentos. Pelo contrário, gostaríamos que o documento ajudasse a estimular a pastoral e a prática sacramental. Levar a sério a sacramentalidade da história da salvação requer um mínimo de fé para evitar que a celebração dos sacramentos caia no ritualismo vazio, na magia ou em uma privatização da fé que não corresponde mais à fé eclesial. Tirado do site Vatican News

As catequeses do Papa Francisco sobre os Atos dos Apóstolos

O Papa Francisco deu início a sua série de catequeses sobre o Livro dos Atos dos Apóstolos, em 29 de maio de 2019, com o tema "esperar o cumprimento da Promessa do Pai", concluindo com a catequese na Audiência Geral desta quarta-feira, 15 de janeiro, onde falou sobre "A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio".   2019 29 de maio -   Esperar o cumprimento da Promessa do Pai: https://is.gd/30Gbf7 12 de junho – Matias, testemunha do ressuscitado, no lugar de Judas: https://is.gd/XE6cWh 19 de junho –  Pentecostes e a dinâmica do Espírito que inflama a palavra humana e a torna Evangelho: https://is.gd/JkgLPZ 26 de junho – As primeiras comunidades cristãs: https://is.gd/REcsNV 07 de agosto -  A comunhão integral na comunidade dos cristãos:  https://is.gd/UtH6LD 21 de agosto - koinonia, o novo modo de relacionamento entre os discípulos do Senhor: https://is.gd/mDMy9A 28 de agosto - Entre os apóstolos, sobressai Pedro: https://is.gd/MYAlcm 18 de setembro - Os critérios de discernimentos propostos pelo sábio Gamaliel: https://is.gd/wBa6DQ 25 de setembro - Estêvão "cheio de Espírito Santo", entre diakonia e martyria: https://is.gd/uGPLzm 2 de outubro - Filipe anuncia o Evangelho:  https://is.gd/Csp98p 9 de outubro - “É um instrumento escolhido por mim”: https://is.gd/uY3gDk 16 de outubro - “Em verdade reconheço que Deus não faz distinção de pessoas”: https://is.gd/0qQrol 30 de outubro - A fé cristã chega à Europa: https://is.gd/lJFn9e 6 de novembro - Paulo no Aerópago, exemplo de enculturação da fé em Atenas:  https://is.gd/qCOApc 13 de novembro -  Priscila e Áquila, um casal a serviço do Evangelho: https://is.gd/pnqCVE 4 de dezembro - O ministério de Paulo e a despedida dos anciãos: https://is.gd/t1GpuP 11 dezembro - Paulo prisioneiro diante do Rei Agripas: https://is.gd/b9eH3k   2020 08 janeiro - A provação do naufrágio:  https://is.gd/7qNHxp 15 de janeiro - A prisão de Paulo em Roma e a fecundidade do anúncio: https://is.gd/G2Bzab - https://is.gd/3YMRPk. Por Vatican News

Pastoral Juvenil no Mês da Bíblia: proposta de leitura orante e vídeos para reflexão

A Pastoral Juvenil está atenta aos meses temáticos propostos pela Igreja no Brasil. Em agosto com o Mês Vocacional e, agora em setembro, com o Mês da Bíblia. Algumas iniciativas têm sido propostas para promover a animação bíblica das juventudes espalhadas pelo país. O bispo de Valença (RJ) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Nelson Francelino, escreveu artigo com propostas para o redescobrimento da leitura orante da Palavra. Também a equipe de comunicação da Pastoral Juvenil quis oferecer uma contribuição com uma série de vídeos. Dom Nelson Francelino | Foto: Pastoral Juvenil CNBB Dom Nelson perguntou: “as expressões juvenis, desafiadas de várias maneiras pela cultura urbana, podem dinamizar e se enriquecer com essa proposta pastoral da Igreja nesse mês da Bíblia?” Em seguida, quis “propor aos jovens algo que possa levá-los a amar mais as Sagradas Escrituras, como uma salutar fonte de vida”. O presidente da Comissão para a Juventude da CNBB propôs três atitudes fundamentais que devem ser cultivadas dentro de si ao se aproximar da Bíblia: a leitura lenta, atenta e amorosa.   – Lentamente: não somos acostumados a ler lentamente. Hoje temos quase uma voracidade compulsiva em ler muito. Há, poderíamos dizer, uma concentração artificial de ideias que não conseguimos digerir. É muito importante na oração evitar essa “fome de palavra”, ter mais cuidado na escolha do que lemos e ler mais lentamente, quase saboreando palavra por palavra, repartindo as palavras como se fossem uma fruta que queremos saborear e não apenas engolir; – Atentamente: prestar atenção ao que se diz ou se lê. Para Santa Teresa, este é o segredo da verdadeira meditação. “É preciso –  diz ela – saber o que diz e para quem diz, para que seja verdadeira oração”. A mesma pedagogia se deve ser usada quando se quer compreender o que se estar lendo para poder penetrar no seu sentido. Três perguntas podem ser úteis aqui: “O que diz a Palavra?”,  “Para quem é dirigida?” e “O que diz para mim hoje?”. Essa releitura da Palavra é fundamental para, diante dela, não nos portarmos como espectadores ou visitantes de um museu, mas atualizá-la para a nossa vida; – Amorosamente: ler com amor, como se a Palavra ou o texto fosse dirigido tão somente a nós. Essa personalização da Palavra é fundamental para que possamos ser “tocados” pelo espírito do autor que, quando escreveu, tinha uma finalidade: sermos alimentados pela Palavra ouvida e meditada. Quando se ler algo com amor, produz-se mais fruto dentro de nós. Dom Nelson também propôs a leitura orante da Bíblia por meio dos quatro passos: leitura, meditação, oração e contemplação. Este deve ser um esforço diário como alimento para a alma: “Assim como você alimenta o corpo todos os dias, deve também alimentar diariamente o seu projeto de vida com a Palavra de Deus. Reze com ela e nela, descubra as maravilhas que Deus deseja lhe confiar! Entre na sintonia com a Igreja do Brasil nesse mês de setembro e faça as suas descobertas, a ponto de afirmar com convicção: ‘Tua Palavra é lâmpada para os meus Senhor…’”.   Foto: Pastoral Juvenil CNBB Série de vídeosA equipe de comunicação da Pastoral Juvenil quis oferecer uma contribuição às reflexões do Mês da Bíblia com base na primeira carta de São João, escolhida pela CNBB neste ano. Os jovens tomaram um trecho do capítulo 2 do livro como inspiração para uma série de vídeos: “Jovens eu vos escrevi, porque sois forte e a Palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno”. Nesta terça-feira, 10 de setembro, foi divulgado o segundo vídeo da série, como o título “Sim, somos fortes!”. Os vídeos são divulgados às terças-feiras, no horário de 19h, no Youtube e no IGTV, a plataforma de vídeo do Instagram. A série está programada da seguinte maneira: Confira a programação da série:1º Vídeo | 03.09 às 19h – “A nós, todos os jovens!”2º Vídeo | 10.09 às 19h – “Sim, somos fortes!”3º Vídeo | 17.09 às 19h – “Sempre perto…”4º Vídeo | 24.09 às 19h – “Vencemos!” Disponível no site da CNBB

Mês da Bíblia: um jeito dinâmico de evangelizar e formar discípulos missionários

No dia 30 de setembro a Igreja celebra a memória de São Jerônimo, um grande biblista que a pedido do papa Dâmaso (366-384) preparou a tradução da Bíblia em latim, a partir do hebraico e do grego, a chamada Vulgata. O santo foi o responsável por ter tornado referência o mês de setembro para o estudo e a contemplação da Palavra de Deus. Este ano, 2019, a Igreja no Brasil comemora o Mês da Bíblia, em sintonia com a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dando continuidade ao ciclo do tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”, propondo o estudo da Primeira Carta de João com destaque para o lema “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19). O autor do texto-base, Cláudio Vianney, afirma que o verbo amar é a palavra-chave da Primeira Carta de João. Ele garante ainda que o lema recorda que o amor provém de Deus e chega a todas as criaturas. “O amor é convite que pede uma resposta, que é amar. Assim, a resposta ao amor de Deus é o amor aos irmãos”, diz. Claudio explica que a primeira Carta de João nasceu como uma homilia escrita. Nela, o autor se dirige a seus interlocutores chamando-os de amados e filhinhos. “Os leitores de hoje, numa leitura atenta e amorosa da Carta, acolhem essas palavras como dirigidas também para eles”, conta Claudio. No passado, o autor queria encorajar sua comunidade a perseverar na prática do mandamento de Jesus Cristo, a Palavra da Vida, que é desde o princípio, depois de a comunidade ter passado por uma experiência dolorosa de conflito e separação. Também hoje, Claudio reitera que a Carta continua a encorajar seus leitores a reviverem essa experiência de perseverança. Ainda de acordo com ele, na Carta o autor afirma que “Deus é luz” e que “Deus é amor”, convidando seus interlocutores a caminhar na luz e a permanecer no amor. Também salienta que Jesus Cristo é o Justo, e que todo aquele que pratica a justiça nasceu de Deus. Círculos Bíblicos No mês da Bíblia, uma forma bem concreta desta experiência na Igreja do Brasil são os Círculos Bíblicos, considerados pela autora, a irmã Maria Aparecida Barboza, religiosa da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, um jeito dinâmico de evangelizar e formar discípulos missionários de Jesus Cristo. “Por meio da pedagogia-mística da Leitura Orante, os participantes gradativamente vão se familiarizando com a Palavra e despertando o gosto pela Leitura, Meditação, Oração e Contemplação para uma melhor vivência na caminhada discipular”, garante. Segundo irmã Maria, a Igreja no Brasil movida pelo desejo de crescimento na fé bíblica, desenvolveu toda uma prática de leitura e reflexão da Bíblia que muito contribui para o sustento da fé e da caminhada das pessoas. Para ela, os Círculos Bíblicos, grupos de reflexão, grupos de rua, são alguns sinais dessa presença viva da Bíblia no meio do povo, formas criativas de tornar mais próxima a Palavra da Escritura. O texto-base do Mês da Bíblia poder ser adquirido no site da Editora da CNBB. Disponível no site da CNBB

26 de julho: Dia de celebrar os avós e a memória de São Joaquim e Sant´Ana, avós de Jesus

Cumplicidade talvez essa seja a palavra mais adequada para descrever a relação de avós e netos que traz uma série de benefícios para todos os envolvidos. O dia 26 de julho é dia de celebrar a vida dos avós e a memória de São Joaquim e Sant´Ana, pais de Maria, avós de Jesus. De acordo com a tradição cristã, os Santos são lembrados por terem educado Maria no caminho da fé, alimentando seu amor pelo Criador e preparando-a para sua missão. Essa formação, influenciou profundamente na educação de Jesus. A devoção a Sant’Ana chegou ao Brasil trazida pelos portugueses. Ana é a imagem da mãe educadora e da avó que ensina os netos. Entretanto, na velhice os papeis muitas vezes se invertem. Os netos acabam cuidados dos seus avós. Mesmo assim, na condição de idosos não deixam de ensinar, repassar aos mais jovens aquilo que aprenderam com a vida, pois carregam consigo uma coisa chamada ‘experiência de vida’. De acordo com o arcebispo de Curitiba e referencial da Pastoral da Pessoa Idosa, dom José Antônio Peruzzo, o melhor dos aprendizados é aquele que contempla intensamente a dimensão afetiva das relações de encontro e de comunhão. Eis aí o lugar dos avós para os netos. Segundo ele, nos dias atuais é muito comum que pai e mãe trabalhem fora. A presença dos avós se torna mais ativa. “O benefício é recíproco. Para eles renovam-se as vitalidades e os afetos. Para os netos a presença do Vô e da Vó lhes infunde um senso de largueza das relações familiares. Ao mesmo tempo percebem, desde a infância, a realidade da fragilidade, o que lhes favorece a superação de preconceitos, o sentido de solidariedade, além do valor da partilha, ressalta. Foto: divulgação Nesse contexto, o cuidado e a preocupação com idosos são fundamentais. Uma pesquisa do IBGE, divulgada em maio de 2019, mostra que população brasileira está envelhecendo. Entre 2012 e 2018, houve um aumento de 26% no número de pessoas com 65 anos de idade ou mais, ou seja, 10,5% (21,872 milhões) do total da população residentes no Brasil em 2018 que foi estimada em 207,8 milhões de pessoas. Diante dessa realidade, a Igreja no Brasil tem realizado um trabalho de acolhida e cuidado através da pastoral da Pessoa Idosa, criada em 1993 pela médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, também criadora da Pastoral da Criança. Segundo sua fundadora, o objetivo é fazer com que os idosos tenham uma vida melhor, mais saúde, mais alegria e possam participar ativamente das comunidades onde estão inseridos. Dom Peruzzo ressalta que apesar da população brasileira esta cada vez mais longeva, os idosos frequentemente são esquecidos. “É elevado o número dos que experimentam quadros de esquecimento, de tácito desprezo, mergulhados em situações de graves frustrações, justamente em uma fase frágil de suas vidas. A lembrança dos Avós recorda à Igreja seu indispensável compromisso com os mais fracos”. Nesse contexto, a celebração da festa de São Joaquim e Sant’Ana, se destaca pela importância dos avós na vida da família, principalmente, na transmissão da fé que é essencial para qualquer sociedade. Mas também é um data que faz refletir sobre a vida como tem sido a vida e a relação das famílias com seus idosos. “Nossa gente ainda não parou para olhar com atenção a feição para os milhares, mas muitos milhares, de idosos imersos em solidão nas nossas grandes metrópoles. Especialmente nas áreas urbanas mais antigas (edifícios e/ou casas antigas) há idosos esquecidos. Com isso, acentuam-se, então, quadros de depressão e sentimentos de abandono, de inutilidade”. Foto: divulgação No Regional Sul 4 da CNBB, que abrange o estado de Santa Catarina, por exemplo, a Pastoral da Pessoa Idosa da Arquidiocese de Florianópolis, realiza sempre no dia 26 de julho a tradicional festa no Santuário de Santa Paulina, em Vígolo, Nova Trento (SC), que conta com longa programação que conta com a Santa Missa, almoço e bingo animado. “O objetivo do encontro é celebrar o dia dos avós e proporcionar momentos de alegria, oração e congraçamento de avós, destaca a coordenadora arquidiocesana da pastoral em Florianópolis (SC), Oswaldina Zucco Weber. Atualmente, a pastoral que foi implantada na arquidiocese em 2006, atua em 26 paróquias, abrangendo 15 municípios. Ao todo, 1.080 idosos são visitados, mensalmente, por 312 líderes comunitários voluntários. Já no estado de Santa Catarina a pastoral está implantada em nove dioceses e atende quase seis mil idosos mensalmente. Foto: Arquidiocese de Campinas (SP) O atendimento pastoral a pessoa idosa também é destaque no Regional Sul 1 da CNBB, que abrange o estado de São Paulo. Cada aqui/diocese prepara sua programação que em geral contempla a missa, palestras variadas, bingo, chá da tarde, brincadeiras, danças e artesanatos para os idosos acompanhados pela pastoral. A coordenadora estadual da Pastoral da Pessoa Idosa do Regional Sul 1 da CNBB, Sandra Michellin, diz que a pastoral contribui e muito com o que pede o Papa Francisco aos cristãos, serem uma Igreja em saída, indo ao encontro do mais necessitado. “Nós enquanto Igreja, somos convidados a levar o olhar misericordioso de Deus aquela pessoa idosa fragilizada, que pode ter feito parte da comunidade e hoje não pode mais sair de seu domicílio; então o líder vai para dizer que Deus a ama”, destaca. Foto: Arquidiocese de Campinas (SP) Sandra ressalta ainda que durante a visita dos agentes da pastoral há sempre o momento de oração, na maioria das vezes solicitada pela própria pessoa idosa. Segundo a coordenadora, no estado de São Paulo são acompanhadas 15.500 pessoas idosas; 12.700 famílias através de 2.960 lideres atuantes. “É a oportunidade do líder mostrar o amor infinito que Deus tem por cada um de nós. É nos ensinamentos da nossa amada Igreja que o Líder se abastece para passar adiante”, diz Sandra. “A Pastoral da Pessoa Idosa, para muitos deles, é o afeto pelo qual anseiam. E é a presença solidária, carinhosa e gratuita da Igreja justamente naquelas situações em que até a voz e as forças declinam. É uma missão pouco vista, mas de silenciosas e evangélicas evidências”, finaliza dom Perruzzo.   Neste 26 de julho, celebrar a festa de São Joaquim e Sant’Ana é festejar a importância dos avós na vida da família, o relacionamento entre avós e netos e, principalmente, o cuidado e o afeto com aqueles que carregam na bagagem longos anos de vida. Disponível no site da CNBB

Dia das Mães, dia de celebrar a cultura do amor

Cada ano a vida repete a mesma celebração. Celebrar é tornar presente, de um modo repetitivo, uma verdade, uma mensagem, uma data, uma vida, até que um dia tudo nos preencha do mais belo sentido. Mas o Dia das Mães não é uma simples celebração, é uma ampliação de todos os sentidos da vida. As mães que estão vivas ganham tímidas palavras, beijos e abraços. As mães falecidas ressuscitam nas memórias e nas preces. Cada ano flores, almoço, festa, presentes e telefonemas reacendem o sentimento de eterno pertencimento. Nós somos o que é esta mulher que nos ensinou a ser além de nós; que nos ensinou a ser família e fazer parte do sonho de alguém.  A mãe nos ensinou a existir e é impossível conceber a existência sem ela. Ela está presente assim como Deus é onipresente. O Dia das Mães é um dia feito para lembrar quem ajudou a organizar a nossa vida, que cuidou para que tivéssemos o melhor, quem nos olhou com um olhar amoroso sem nenhum ranço de condenação. Mãe foi e é uma entrega constante, uma entrega absoluta em cada tarefa, uma renúncia de si para que possamos ser. Mãe é determinação; ela está sempre determinada em ajudar filhos a encontrarem o rumo na vida. Mãe é o ministério da educação mais verdadeiro, que nunca se fragmenta ou experimenta a decadência, porque ela é um processo de valores para cada dia da vida. O bem-estar, a beleza, a limpeza, a harmonia, são valores caseiros que se instauram num determinado lugar e ganham espaços do mundo. Mãe ensina a arrumar quarto, lavar pratos, limpar banheiro, guardar as roupas jogadas. Quem aprendeu isto no limite da casa, vai levar para a vida. Quem não quis aprender vai saber o que é a falta de garra para enfrentar os desafios da vida. Mãe não teve como nós, a conquista acadêmica de tantas faculdades, mas é pós-graduada em sensibilidade. Mãe não faz pregação nem curas miraculosas, mas diz que Deus está nas preces mais simples do zeloso guardador, que guarda, governa, ilumina, amém! Mãe é razão e vivência; mãe é afeto, uma usina de energia vital de amor que não se esgota. Mãe é uma farmácia aberta vinte e quatro horas nos dando remédios de emoção e bênção, para que a gente não perca a capacidade de sentir-se amado no caminho onde estivermos rumo a nossa realização, que é a felicidade que ela sonhou para nós. Por isso, parabéns a todas as Mães em seu dia! Que dia é este? Dia de celebrar o manancial da existência, a cultura do amor, o sentido da vida, e o jeito terno e materno de Deus encarnado no colo desta mulher. FREI VITORIO MAZZUCO Em franciscanos.org.br

O significado de cada dia da Semana Santa

Domingo de Ramos O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa, pois celebra a entrada triunfal de Jesus Cristo, em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, a Morte e a Ressurreição. Este domingo é chamado assim, porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passaria montado num jumento. Com isso, Ele despertou, nos sacerdotes da época e mestres da Lei, inveja, desconfiança e medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte. A liturgia dos ramos não é uma repetição apenas da cena evangélica, mas um sacramento da nossa fé, na vitória do Cristo na história, marcada por tantos conflitos e desigualdades. Segunda-feira Santa Neste dia, proclama-se, durante a Missa, o Evangelho segundo São João. Seis dias antes da Páscoa, Jesus chega a Betânia para fazer a última visita aos amigos de toda a vida. Está cada vez mais próximo o desenlace da crise. “Ela guardava este perfume para a minha sepultura” (cf. João 12,7); Jesus já havia anunciado que Sua hora havia chegado. A primeira leitura é a do servo sofredor: “Olha o meu servo, sobre quem pus o meu Espírito”, disse Deus por meio de Isaías. A Igreja vê um paralelismo total entre o servo de Javé cantado pelo profeta Isaías e Cristo. O Salmo é o 26: “Um canto de confiança”. Terça-feira SantaA mensagem central deste dia passa pela Última Ceia. Estamos na hora crucial de Jesus. Cristo sente, na entrega, que faz a “glorificação de Deus”, ainda que encontre, no caminho, a covardia e o desamor. No Evangelho, há uma antecipação da Quinta-feira Santa. Jesus anuncia a traição de Judas e as fraquezas de Pedro. “Jesus insiste: ‘Agora é glorificado o Filho do homem e Deus é glorificado nele’”. A primeira leitura é o segundo canto do servo de Javé; nesse canto, descreve-se a missão de Jesus. Deus o destinou a ser “luz das nações, para que, a salvação alcance até os confins da terra”. O Salmo é o 70: “Minha boca cantará Teu auxílio.” É a oração de um abandonado, que mostra grande confiança no Senhor. Quarta-feira SantaEm muitas paróquias, especialmente no interior do país, realiza-se a famosa “Procissão do Encontro” na Quarta-feira Santa. Os homens saem, de uma igreja ou local determinado, com a imagem de Nosso Senhor dos Passos; as mulheres saem de outro ponto com Nossa Senhora das Dores. Acontece, então, o doloroso encontro entre a Mãe e o Filho. O padre proclama o célebre “Sermão das Sete Palavras”, fazendo uma reflexão, que chama os fiéis à conversão e à penitência. Quinta-feira Santa Santos óleos – Uma das cerimônias litúrgicas da Quinta-feira Santa é a bênção dos santos óleos usados durante todo o ano pelas paróquias. São três os óleos abençoados nesta celebração: o do Crisma, dos Catecúmenos e dos Enfermos. Ela conta com a presença de bispos e sacerdotes de toda a diocese. É um momento de reafirmar o compromisso de servir a Jesus Cristo. Lava-pés – O Lava-pés é um ritual litúrgico realizado, durante a celebração da Quinta-feira Santa, quando recorda a última ceia do Senhor. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, quer demonstrar Seu amor por cada um e mostrar a todos que a humildade e o serviço são o centro de Sua mensagem; portanto,  esta celebração é a maior explicação para o grande gesto de Jesus, que é a Eucaristia. O rito do lava-pés não é uma encenação dentro da Missa, mas um gesto litúrgico que repete o mesmo gesto de Jesus. O bispo ou o padre, que lava os pés de algumas pessoas da comunidade, está imitando Jesus no gesto; não como uma peça de teatro, mas como compromisso de estar a serviço da comunidade, para que todos tenham a salvação, como fez Jesus. Instituição da Eucaristia – Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde ou na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e faz memória da Última Ceia, quando Jesus, na noite em que foi traído, ofereceu ao Pai o Seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou aos apóstolos para que os tomassem, mandando-os também oferecer aos seus sucessores. A palavra “Eucaristia” provém de duas palavras gregas “eu-cháris”, que significa “ação de graças”, e designa a presença real e substancial de Jesus Cristo sob as aparências de Pão e Vinho. Instituição do sacerdócio – A Santa Missa é, então, a celebração da Ceia do Senhor, quando Jesus, num dia como hoje, véspera de Sua Paixão, “durante a refeição, tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’.” (cf. Mt 26,26). Ele quis, assim como fez na última ceia, que Seus discípulos se reunissem e se recordassem d’Ele abençoando o pão e o vinho: “Fazei isto em memória de mim”. Com essas palavras, o Senhor instituiu o sacerdócio católico e deu-lhes poder para celebrar a Eucaristia. Sexta-feira Santa – A tarde da Sexta-feira Santa apresenta o drama incomensurável da morte de Cristo no Calvário. A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança. Com a Paixão de Jesus, segundo o Evangelho de João, contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que o transpassou o lado. Há um ato simbólico muito expressivo e próprio deste dia: a veneração da santa cruz, momento em que esta é apresentada solenemente à comunidade. Via-sacra  – Ao longo da Quaresma, muitos fiéis realizam a Via-Sacra como uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz. A Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na doação e na misericórdia de Jesus que se doou por nós. Em muitas paróquias e comunidades, são realizadas a encenação da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Jesus Cristo por meio da meditação das 14 estações da Via-Crucis. Sábado Santo O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”. Vigília Pascal –  Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando, na oração e no jejum, Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida. A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa. Bênção do fogo – Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo. Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade. Procissão do Círio Pascal – As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”. Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão. Proclamação da Páscoa – O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada. Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas. Liturgia da Palavra – Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra. As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27). Domingo da RessurreiçãoÉ o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados. Do hebreu “Peseach”, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. A presença de Jesus ressuscitado não é uma alucinação dos Apóstolos. Quando dizemos “Cristo vive” não estamos usando um modo de falar, como pensam alguns, para dizer que vive somente em nossa lembrança. Com informação dos Jovens Conectados. Disponível no site da CNBB

Exortação "Christus vivit": síntese ampla e texto integral

«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo!». Assim começa a Exortação Apostólica pós-sinodal "Christus vivit" (Texto integral) de Francisco, assinada segunda-feira, 25 de março, na Santa Casa de Loreto, e dirigida «aos jovens e a todo o povo de Deus». No documento, composto por nove capítulos divididos em 299 parágrafos, o Papa explica que se deixou  «inspirar pela riqueza das reflexões e diálogos do Sínodo dos jovens», celebrado no Vaticano em outubro de 2018.   Primeiro capítulo: «Que diz a Palavra de Deus sobre os jovens?» Francisco recorda que « numa época em que os jovens contavam pouco, alguns textos mostram que Deus vê com olhos diferentes» (6) e apresenta brevemente figuras de jovens do Antigo Testamento: José, Gedeão (7), Samuel (8), o rei David (9), Salomão e Jeremias (10), a jovem serva hebreia de Naaman e a jovem Rute (11). Depois passa para o Novo Testamento. O Papa recorda que «Jesus, o eternamente jovem, quer dar-nos um coração sempre jovem» (13) e acrescenta: «Notemos que Jesus não gostava que os adultos olhassem com desprezo para os mais jovens ou os mantivessem, despoticamente, ao seu serviço. Pelo contrário, pedia: “O que for maior entre vós seja como o menor” (Lc 22, 26). Para Ele, a idade não estabelecia privilégios; e o facto de alguém ter menos anos não significava que valesse menos ou tivesse menor dignidade». Francisco afirma: «Nunca nos arrependeremos de gastar a própria juventude a fazer o bem, abrindo o coração ao Senhor e vivendo contracorrente» (17).   Segundo capítulo: «Jesus Cristo sempre jovem» O Papa aborda o tema dos primeiros anos de Jesus e recorda a narração evangélica que descreve o Nazareno «em plena adolescência, quando regressou para Nazaré com seus pais, depois que estes O perderam e reencontraram no Templo» (26). Não devemos pensar, escreve Francisco, que «Jesus fosse um adolescente solitário ou um jovem fechado em si mesmo. A sua relação com as pessoas era a dum jovem que compartilhava a vida inteira duma família bem integrada na aldeia», «ninguém O considerava um jovem estranho ou separado dos outros» (28). O Papa faz notar que Jesus adolescente, «graças à confiança que n’Ele depositam seus pais…move-Se livremente e aprende a caminhar com todos os outros» (29). Estes aspectos da vida de Jesus não deveriam ser ignorados na pastoral juvenil, «para não criar projetos que isolem os jovens da família e do mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e preservada de todo o contágio». Precisamos, sim, «de projetos que os fortaleçam, acompanhem e lancem para o encontro com os outros, o serviço generoso, a missão» (30). Jesus «vos ilumina, a vós jovens, mas a partir da própria juventude que partilha convosco » e n’Ele se podem reconhecer muitos traços típicos dos corações jovens (31). Junto «d’Ele, podemos beber da verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projetos e grandes ideais, lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver» (32); «O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite doutros jovens» (33). Francisco fala então da juventude da Igreja e escreve: « Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhecê-la, ancorá-la ao passado, travá-la, torná-la imóvel. Peçamos também que a livre doutra tentação: acreditar que é jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se com os outros. Não! É jovem quando é ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada dia» (35). É verdade que «nós, membros da Igreja, não precisamos de aparecer como sujeitos estranhos. Todos nos devem sentir irmãos e vizinhos, como os Apóstolos que «tinham a simpatia de todo o povo» (At 2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13). Ao mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros sonhos que este mundo não oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à própria vocação, da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade social» (36). A Igreja pode sempre cair na tentação de perder o entusiasmo e procurar «falsas seguranças mundanas. São precisamente os jovens que a podem ajudar a permanecer jovem» (37). O Papa volta então a um dos ensinamentos que ele gosta muito e explica que é necessário apresentar a figura de Jesus «de modo atraente e eficaz» e diz: «Por isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma, mas procure sobretudo refletir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer humildemente que algumas coisas concretas devem mudar» (39). Na exortação se reconhece que há jovens que sentem a presença da Igreja «como importuna e até mesmo irritante». Um comportamento que mergulha as raízes «mesmo em razões sérias e respeitáveis: os escândalos sexuais e económicos; a falta de preparação dos ministros ordenados, que não sabem reconhecer de maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na preparação da homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel passivo atribuído aos jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da Igreja dar razão das suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade atual» (40). Há jovens que «reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tão-pouco desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam. Para ser credível aos olhos dos jovens, precisa às vezes de recuperar a humildade e simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode ajudar a descobrir melhor o Evangelho» (41). Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser constantemente crítica «de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das mulheres, e apontar constantemente os riscos e os possíveis erros dessas reclamações», enquanto uma Igreja «viva pode reagir prestando atenção às legítimas reivindicações das mulheres», embora «não concorde com tudo o que propõem alguns grupos feministas» (42). Francisco apresenta então «Maria, a jovem de Nazaré», e o seu sim como aquele «de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem quer apostar tudo, sem ter outra garantia para além da certeza de saber que é portadora duma promessa. Pergunto a cada um de vós: Sentes-te portador duma promessa?» (44). Para Maria «as dificuldades não eram motivo para dizer “não”» e assim colocando-se em jogo tornou-se a «influenciadora de Deus».  O coração da Igreja também está cheio de jovens santos. O Papa recorda São Sebastião, São Francisco de Assis, Santa Joana d’Arc, o Beato mártir Andrew Phû Yên, Santa Catarina Tekakwitha, São Domingos Sávio, Santa Teresa do Menino Jesus, Beato Zeferino Namuncurá, Beato Isidoro Bakanja, Beato Pier Jorge Frassati, Beato Marcelo Callo, a jovem Beata Clara Badano.   Terceiro capítulo: «Vós sois o agora de Deus» Não podemos limitar-nos a dizer, afirma Francisco, que «os jovens são o futuro do mundo: são o presente, estão a enriquecê-lo com a sua contribuição» (64). Por isso é preciso escutá-los mesmo se «prevalece a tendência de fornecer respostas pré-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpelação» (65). «Hoje nós, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de defeitos da juventude actual... Mas, qual seria o resultado deste comportamento? Uma distância sempre maior» (66). Quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens deveria ter a capacidade «de individuar percursos onde outros só veem muros, é saber reconhecer possibilidades onde outros só veem perigos. Assim é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no coração dos jovens. Por isso, o coração de cada jovem deve ser considerado ‘terra santa’» (67). Francisco convida também a não generalizar, porque existe uma «pluralidade de mundos juvenis» (68). Falando depois do que ocorre aos jovens, o Papa recorda os jovens que vivem em contextos de guerra, aqueles explorados e vítimas de raptos, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos, escravidão e exploração sexual, estupros. E também aqueles que vivem perpetrando crimes e violências (72). «Muitos jovens são mentalizados, instrumentalizados e utilizados como carne de canhão ou como força de choque para destruir, intimidar ou ridicularizar outros. E o pior é que muitos se transformam em sujeitos individualistas, inimigos e difidentes para com todos, tornando-se assim presa fácil de propostas desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos políticos ou poderes económicos» (73). Ainda mais numerosos no mundo são os jovens que padecem formas de marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas. Francisco cita adolescentes e jovens que «ficam grávidas e a praga do aborto, bem como a propagação do SIDA/HIV, as várias formas de dependência (drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situação dos meninos e adolescentes de rua» (74), situações de marginalização duplamente dolorosas e difíceis para as mulheres. «Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens. Não devemos jamais habituar-nos a isto…A pior coisa que podemos fazer é aplicar a receita do espírito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras notícias, com outras distrações, com banalidades» (75). O Papa convida os jovens a aprender a chorar pelos coetâneos que estão pior do que eles (76). É verdade, explica Francisco, que «os poderosos prestam alguma ajuda, mas muitas vezes por um alto preço. Em muitos países pobres, a ajuda económica dalguns países mais ricos ou dalguns organismos internacionais costuma estar vinculada à aceitação de propostas ocidentais relativas à sexualidade, ao matrimónio, à vida ou à justiça social. Esta colonização ideológica prejudica de forma especial os jovens» (78). O Papa chama a atenção também para a cultura de hoje que apresenta o modelo juvenil de beleza e usa os corpos juvenis na publicidade: «não é um elogio para os jovens. Significa apenas que os adultos querem roubar a juventude para si mesmos» (79). Acenando a «desejos, feridas e buscas», Francisco fala da sexualidade: «num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afetivas. Por esta e outras razões, a moral sexual é frequentemente «causa de incompreensão e alheamento da Igreja, pois é sentida como um espaço de julgamento e condenação» mesmo que existam jovens que expressam de maneira explícita o desejo de se confrontar sobre esses temas (81). O Papa, diante dos progressos da ciência, das tecnologias biomédicas e das neurociências recorda que «podem levar-nos a esquecer que a vida é um dom, que somos seres criados e limitados, podendo facilmente ser instrumentalizados por quem detém o poder tecnológico» (82). A exortação se detém em seguida sobre o tema do «ambiente digital», que criou «uma nova maneira de comunicar» e que «pode facilitar a circulação duma informação independente». Em muitos países, a web e as redes sociais já constituem «um lugar indispensável para se alcançar e envolver os jovens» (87). Mas é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até ao caso extremo da dark web. Os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta…Difundem-se novas formas de violência através das redes sociais, como o cyberbullying; a web é também um canal de difusão da pornografia e de exploração de pessoas para fins sexuais ou através do jogo de azar» (88).  Não se deve esquecer que «há interesses económicos gigantescos que operam no mundo digital», capazes de criar «mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático». Há circuitos fechados que «facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódio... A reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line. O fenómeno diz respeito também à Igreja e seus pastores» (89). Num documento preparado por trezentos jovens de todo o mundo antes do Sínodo, se afirma que «as relaçõeson-line podem tornar-se desumanas e a imersão no mundo virtual favoreceu uma espécie de «migração digital», isto é, um distanciamento da família, dos valores culturais e religiosos, que leva muitas pessoas para um mundo de solidão» (90). O Papa prossegue apresentando «os migrantes como paradigma do nosso tempo», e recorda os inúmeros jovens diretamente envolvidos nas migrações. «A preocupação da Igreja visa, em particular, aqueles que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, dos desastres naturais devidos também às alterações climáticas e da pobreza extrema» (91): alguns estão à procura de uma oportunidade, sonham um futuro melhor. Outros migrantes são «atraídos pela cultura ocidental, nutrindo por vezes expectativas irrealistas que os expõem a pesadas decepções. Traficantes sem escrúpulos, frequentemente ligados a cartéis da droga e das armas, exploram a fragilidade dos migrantes… Há que assinalar a particular vulnerabilidade dos migrantes menores não acompanhados… Nalguns países de chegada, os fenómenos migratórios suscitam alarme e temores, frequentemente fomentados e explorados para fins políticos. Assim se difunde uma mentalidade xenófoba, de clausura e retraimento em si mesmos, a que é necessário reagir com decisão» (92). Os jovens que migram experimentam a separação do seu contexto de origem e, muitas vezes, também um desenraizamento cultural e religioso(93). Francisco pede «especialmente aos jovens que não caiam nas redes de quem os quer contrapor a outros jovens que chegam aos seus países, fazendo-os ver como sujeitos perigosos» (94). O Papa fala também dos abusos sobre menores, faz seu o compromisso do Sínodo para a adoção de rigorosas medidas de prevenção e exprime gratidão «a quantos têm a coragem de denunciar o mal sofrido» (99), recordando que «graças a Deus», os sacerdotes que caíram nestes crimes horríveis não constituem a maioria; esta mantém um ministério fiel e generoso». Pede aos jovens, se vêem um sacerdote em risco, porque tomou um rumo errado, de ter a ousadia e a coragem de lhe lembrar o seu compromisso para com Deus e o seu povo (100). O abuso não é o único pecado dos membros da Igreja. «Os nossos pecados estão à vista de todos; refletem-se, impiedosamente, nas rugas do rosto milenário da nossa Mãe», mas a Igreja não recorre a cirurgias estéticas, «não tem medo de mostrar os pecados dos seus membros». «Lembremo-nos, porém, que não se abandona a Mãe quando está ferida» (101). Este momento sombrio, com a ajuda preciosa dos jovens, «pode verdadeiramente ser uma oportunidade para uma reforma de alcance histórico para se abrir a um novo Pentecostes» (102). Francisco recorda aos jovens que «há uma via de saída» em todas as situações escuras e dolorosas. Recorda a boa notícia que nos deu a manhã da Ressurreição. E explica que mesmo que o mundo digital pode expor a tantos riscos, há jovens que sabem ser criativos e geniais nestes âmbitos. É o caso do jovem servo de Deus Carlos Acutis, que «soube usar as novas técnicas de comunicação para transmitir o Evangelho» (105), não caiu na armadilha e dizia: «todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias». Não deixes que isto te aconteça» (106), adverte o Papa. «Não deixes que te roubem a esperança e a alegria, que te narcotizem para te usar como escravo dos seus interesses» (107), busque a grande meta da santidade. «Ser jovem não significa apenas procurar prazeres transitórios e sucessos superficiais. Para a juventude desempenhar a finalidade que lhe cabe no curso da vida, deve ser um tempo de doação generosa, de oferta sincera» (108). «Se és jovem em idade, mas te sentes frágil, cansado ou desiludido, pede a Jesus que te renove» (109). Mas recordando sempre que «é muito difícil lutar contra…as ciladas e tentações do demónio e do mundo egoísta, se estivermos isolados» (110), serve, de fato, uma vida comunitária.   Quarto capítulo: «O grande anúncio para todos os jovens» A todos os jovens o Papa anuncia três grandes verdades. Um «Deus que é amor» e portanto « Deus ama-te. Nunca duvides disto» (112) e depois «lançar-te, com segurança, nos braços do teu Pai divino» (113). Francisco afirma que a memória do Pai «não é um “disco rígido” que grava e armazena todos os nossos dados, a sua memória é um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal…Porque te ama. Procura ficar um momento em silêncio, deixando-te amar por Ele» (115). E o seu é um amor que «entende mais de levantamentos que de quedas, mais de reconciliação que de proibições, mais de dar nova oportunidade que de condenar, mais de futuro que de passado» (116). A segunda verdade é que «Cristo salva-te». « Nunca esqueças que «Ele perdoa setenta vezes sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros» (119). Jesus nos ama e nos salva porque «só o que se ama pode ser salvo. Só o que se abraça, pode ser transformado. O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinhices» (120). E «o seu perdão e a sua salvação não são algo que compramos, ou que temos de adquirir com as nossas obras ou com os nossos esforços. Jesus perdoa-nos e liberta-nos gratuitamente» (121). A terceira verdade é que «Ele vive!». «É preciso recordá-lo…porque corremos o risco de tomar Jesus Cristo apenas como um bom exemplo do passado, como uma recordação, como Alguém que nos salvou há dois mil anos. De nada nos aproveitaria isto: deixava-nos como antes, não nos libertaria» (124). Se «Ele vive, isso é uma garantia de que o bem pode triunfar na nossa vida…Então podemos deixar de nos lamentar e podemos olhar em frente, porque com Ele é possível sempre olhar em frente» (127). Nestas verdades aparece o Pai e aparece Jesus. E onde estão o Pai e Jesus, também está o Espírito Santo. «Todos os dias invoca o Espírito Santo…Tu não perdes nada e Ele pode mudar a tua vida, pode iluminá-la e dar-lhe um rumo melhor. Não te mutila, não te tira nada, antes ajuda-te a encontrar da melhor maneira aquilo que precisas» (131).   Quinto capítulo: «Percursos de juventude» «O amor de Deus e a nossa relação com Cristo vivo não nos impedem de sonhar, não nos pedem para restringir os nossos horizontes. Pelo contrário, esse amor instiga-nos, estimula-nos, lança-nos para uma vida melhor e mais bela. A palavra «inquietude» resume muitas das aspirações do coração dos jovens» (138). Pensando a um jovem o Papa vê aquele que tem os pés sempre um atrás do outro, pronto a arrancar, a partir. Sempre a olhar para diante (139). A juventude não pode ser um «tempo suspenso», porque é «a idade das escolhas» em âmbito profissional, social, político e também na escolha do seu par e na opção de ter os primeiros filhos. A ânsia «pode tornar-se uma grande inimiga, quando leva a render-nos, porque descobrimos que os resultados não são imediatos. Os sonhos mais belos conquistam-se com esperança, paciência e determinação, renunciando às pressas. Ao mesmo tempo, é preciso não se deixar bloquear pela insegurança: não se deve ter medo de arriscar e cometer erros» (142). Francisco convida os jovens a não observar a vida da sacada, a não passar a vida diante dum visor, a não se reduzir a veículo abandonado, a anão olhar o mundo como turistas. Fazei-vos ouvir! Lançai fora os medos que vos paralisam…Vivei!» (143). Convida-os a «viver o presente» para viver plenamente e com gratidão cada um dos pequenos presentes da vida sem «ser insaciáveis» e «obcecados por prazeres sem fim» (146). Viver o presente, de fato, «não significa abandonar-se a uma libertinagem irresponsável que nos deixa vazios e sempre insatisfeitos» (147). «Não conhecerás a verdadeira plenitude de ser jovem, se… não viveres na amizade de Jesus» (150). A amizade com Jesus é indissolúvel, porque nunca nos deixa (154) e assim como o amigo, «conversamos, partilhamos as coisas mais secretas. Com Jesus, também conversamos»: rezando «abrimos o jogo a Ele, damos-Lhe lugar «para que Ele possa agir, possa entrar e possa vencer» (155). «Não prives a tua juventude desta amizade», «viverás a experiência estupenda de saber que estás sempre acompanhado» como os discípulos de Emaús (156): São Oscar Romero dizia: «O cristianismo não é um conjunto de verdades em que é preciso acreditar, de leis que se devem observar, de proibições. Apresentado assim, repugna. O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto que reclama o meu amor. O cristianismo é Cristo». O Papa falando do crescimento e da maturação, indica portanto a importância de buscar «um desenvolvimento espiritual», de «buscar o Senhor e guardar a sua Palavra», de manter «a união com Jesus…porque não crescerás na felicidade e santidade só com as tuas forças e a tua mente» (158). Também o adulto deve maturar, sem perder os valores da juventude: «Em cada momento da vida, podemos renovar e fazer crescer a nossa juventude. Quando comecei o meu ministério como Papa, o Senhor alargou os meus horizontes e deu-me uma renovada juventude. O mesmo pode acontecer com um casal já com muitos anos de matrimónio, ou com um monge no seu mosteiro» (160). Crescer «quer dizer conservar e alimentar as coisas mais preciosas que te oferece a juventude, mas ao mesmo tempo significa estar disponível para purificar o que não é bom» (161). «Lembro-te, porém, que não serás santo nem te realizarás copiando os outros. Quando se fala em imitar os santos, não significa copiar o seu modo de ser e de viver a santidade» (162). Francisco propõe «percursos de fraternidade» para viver a fé, recordando que «o Espírito Santo quer impelir-nos a sair de nós mesmos, para abraçar os outros…Por isso, é sempre melhor vivermos a fé juntos e expressar o nosso amor numa vida comunitária» (164), superando «a tentação de nos fecharmos em nós mesmos, nos nossos problemas, sentimentos feridos, lamentações e comodidades» (166). «Deus ama a alegria dos jovens e convida-os sobretudo à alegria que se vive na comunhão fraterna» (167). O Papa fala depois dos «jovens comprometidos», afirmando que podem correr «o risco de se fechar em pequenos grupos…Têm a sensação de viver o amor fraterno, mas o seu grupo talvez se tenha tornado um simples prolongamento do próprio eu. Isto agrava-se, se a vocação do leigo for concebida unicamente como um serviço interno da Igreja…esquecendo-se que a vocação laical é, antes de mais nada, a caridade na família, a caridade social e caridade política» (168). Francisco propõe «aos jovens irem mais além dos grupos de amigos e construírem a amizade social: «buscar o bem comum chama-se amizade social. A inimizade social destrói. E uma família destrói-se pela inimizade. Um país destrói-se pela inimizade. O mundo destrói-se pela inimizade. E a inimizade maior é a guerra. E hoje vemos que o mundo se está a destruir pela guerra. Porque são incapazes de se sentar e falar» (169). «O empenho social e o contacto direto com os pobres continuam a ser uma oportunidade fundamental para descobrir ou aprofundar a fé e para discernir a própria vocação» (170). O Papa cita o exemplo positivo dos jovens nas paróquias, escolas e movimentos que «costumam ir fazer companhia a idosos e enfermos, visitar bairros pobres» (171). Enquanto «outros jovens participam em programas sociais que visam construir casas para os sem-abrigo, bonificar áreas contaminadas, ou recolher ajudas para os mais necessitados. Seria bom que esta energia comunitária fosse aplicada não só em ações esporádicas, mas de forma estável». Os universitários «podem unir-se de forma interdisciplinar para aplicar os seus conhecimentos na resolução de problemas sociais e, nesta tarefa, podem trabalhar lado a lado com jovens doutras Igrejas e doutras religiões» (172). Francisco encoraja os jovens a assumirem este compromisso: «Vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram para as ruas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna…São jovens que querem ser protagonistas da mudança…Não deixeis para outros o ser protagonista da mudança!» (174). Os jovens são chamados a ser «missionários corajosos» testemunhando do Evangelho em toda parte, com a sua própria vida, o que não significa «falar da verdade, mas vivê-la» (175). A palavra, porém, não deve ser mantida em silêncio: «Sede capazes de ir contracorrente, compartilhar Jesus, comunicar a fé que Ele vos deu» (176). Para onde Jesus nos manda? «Não há fronteiras, não há limites: envia-nos a todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nossos olhos mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todos» (177). Não se pode esperar que «a missão seja fácil e comoda» (178).   Sexto capítulo: «Jovens com raízes» Francisco diz que lhe faz mal «ver que alguns propõem aos jovens construir um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora» (179). Se uma pessoa «vos fizer uma proposta dizendo para ignorardes a história, não aproveitardes da experiência dos mais velhos, desprezardes todo o passado olhando apenas para o futuro que essa pessoa vos oferece, não será uma forma fácil de vos atrair para a sua proposta a fim de fazerdes apenas o que ela diz? Aquela pessoa precisa de vós vazios, desenraizados, desconfiados de tudo, para vos fiardes apenas nas suas promessas e vos submeterdes aos seus planos. Assim procedem as ideologias de variadas cores, que destroem (ou desconstroem) tudo o que for diferente, podendo assim reinar sem oposições.» (181).  Os manipuladores usam também a adoração da juventude: «O corpo jovem torna-se o símbolo deste novo culto e, consequentemente, tudo o que tenha a ver com este corpo é idolatrado e desejado sem limites, enquanto o que não for jovem é olhado com desprezo. Mas é uma arma que acaba por degradar os jovens» (182). «Queridos jovens, não permitais que usem a vossa juventude para promover uma vida superficial, que confunde beleza com aparência » (183), porque há beleza no trabalhador que regressa a casa surrado na esposa mal penteada e já um pouco idosa, que continua a cuidar do seu marido doente, na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida. Hoje, ao invés, promovem-se «uma espiritualidade sem Deus, uma afetividade sem comunidade nem compromisso com os que sofrem, o medo dos pobres vistos como sujeitos perigosos, e uma série de ofertas que pretendem fazer-vos acreditar num futuro paradisíaco que sempre será adiado para mais tarde» (184): o Papa convida  os jovens a não se deixarem dominar por essa ideologia que leva a «autênticas formas de colonização cultural» (185) que  desenraíza os jovens das pertenças culturais e religiosas das quais são provenientes  com uma tendência para “homogeneizá-los” transformando-os em sujeitos manipuláveis feitos em série (186). Fundamental é a «relação com os idosos», que ajuda os jovens a descobrir a riqueza viva do passado, conservando-a na memória. «A Palavra de Deus recomenda que não se perca o contacto com os idosos, para poder recolher a sua experiência» (188). «Isto não significa que tenhas de estar de acordo com tudo o que eles dizem, nem que deves aprovar todas as suas ações» trata-se «simplesmente de se manter aberto para recolher uma sabedoria que se comunica de geração em geração» (190). «Ao mundo, nunca foi nem será de proveito a ruptura entre gerações…É a mentira que deseja fazer-te crer que só o novo é bom e belo» (191). Falando de «sonhos e visões», Francisco observa: «Se os jovens e os idosos se abrirem ao Espírito Santo, juntos produzem uma combinação maravilhosa: os idosos sonham e os jovens têm visões» (192); se «os jovens se enraizarem nos sonhos dos idosos, conseguem ver o futuro» (193). É preciso, portanto «arriscar juntos», caminhando juntos jovens e idosos: as raízes «não são âncoras que nos prendem», mas «são um ponto de arraigamento que nos permite crescer e responder aos novos desafios» (200).   Sétimo capítulo: «A pastoral dos jovens» O Papa explica que a pastoral juvenil foi abalroada pelas mudanças sociais e culturais e os jovens não encontram resposta para as suas inquietudes, necessidades, problemas e feridas» (202). Os próprios jovens «são agentes da pastoral juvenil, acompanhados e orientados mas livres para encontrar caminhos sempre novos, com criatividade e ousadia». Por conseguinte, «precisa colocar em campo a sagacidade, o engenho e o conhecimento que os próprios jovens têm da sensibilidade, linguagem e problemáticas dos outros jovens» (203). A pastoral juvenil precisa de adquirir outra flexibilidade, «convidando os jovens para acontecimentos que, de vez em quando, lhes proporcionem um espaço onde não só recebam uma formação, mas lhes permitam também compartilhar a vida, festejar, cantar, escutar testemunhos concretos e experimentar o encontro comunitário com o Deus vivo» (204). A pastoral juvenil só pode ser sinodal, isto é, capaz de dar forma a um "caminhar juntos" e envolve duas grandes linhas de ação: a primeira é a busca, a segunda é o crescimento. Para a primeira, Francisco confia na capacidade dos próprios jovens de «encontrar os caminhos atraentes para convidar»: «devemos apenas estimular os jovens e dar-lhes liberdade de ação». O mais importante, porém, «é que cada jovem ouse semear o primeiro anúncio na terra fértil que é o coração doutro jovem» (210). Deve-se privilegiar «a linguagem da proximidade, a linguagem do amor desinteressado, relacional e existencial que toca o coração», aproximando-se dos jovens «com a gramática do amor, não com o proselitismo» (211). No que diz respeito ao crescimento, Francisco chama a atenção de propor aos jovens tocados por uma experiência intensa de Deus «encontros de “formação” onde se abordam apenas questões doutrinais e morais…Resultado: muitos jovens aborrecem-se, perdem o fogo do encontro com Cristo e a alegria de O seguir» (212). Qualquer projeto formativo «deve, certamente, incluir uma formação doutrinal e moral». De igual modo é importante que «estejam centrados» sobre o querigma, isto é «a experiência fundante do encontro com Deus através de Cristo morto e ressuscitado», e sobre o crescimento «no amor fraterno, na vida comunitária, no serviço» (213). Por isso, «a pastoral juvenil deveria incluir sempre momentos que ajudem a renovar e aprofundar a experiência pessoal do amor de Deus e de Jesus Cristo vivo» (214). E deve ajudar os jovens a «crescer na fraternidade, viver como irmãos, auxiliar-se mutuamente, criar comunidade, servir os outros, aproximar-se dos pobres» (215). As instituições da Igreja tornem-se, portanto «ambientes adequados», desenvolvendo «capacidade de acolhida»: «Nas nossas instituições devemos oferecer lugares que eles possam gerir a seu gosto, com a possibilidade de entrar e sair livremente, lugares que os acolham e onde lhes seja possível encontrar-se, espontânea e confiadamente, com outros jovens tanto nos momentos de sofrimento ou de chatice como quando desejam festejar as suas alegrias» (218). Francesco descreve então «a pastoral das instituições educacionais», afirmando que a escola «precisa duma urgente  autocrítica». E recorda que «há escolas católicas que parecem ser organizadas somente para conservar o existente…A escola transformada num “bunker”, que protege dos erros “de fora”: tal é a caricatura desta tendência». Quando os jovens saem advertem «um desfasamento insanável entre o que lhes ensinaram e o mundo onde lhes cabe viver». Na realidade, «uma das maiores alegrias dum educador é ver um aluno constituir-se como uma pessoa forte, integrada, protagonista e capaz de se doar» (221). Não se pode separar a formação espiritual da formação cultural: «Eis a vossa tarefa: responder aos estribilhos paralisantes do consumismo cultural com escolhas dinâmicas e fortes, com a investigação, o conhecimento e a partilha» (223). Entre as «áreas de desenvolvimento pastoral », o Papa indica as «expressões artísticas» (226), a «prática desportiva» (227), e o compromisso pela salvaguarda do meio ambiente (228). Serve «uma pastoral juvenil popular», «mais ampla e flexível que estimula, nos distintos lugares onde se movem concretamente os jovens, as lideranças naturais e os carismas que o Espírito Santo já semeou entre eles. Trata-se, antes de mais nada, de não colocar tantos obstáculos, normas, controles e enquadramentos obrigatórios aos jovens crentes que são líderes naturais nos bairros e nos diferentes ambientes. Devemos limitar-nos a acompanhá-los e estimulá-los» (230). Pretendendo «uma pastoral juvenil asséptica, pura, caracterizada por ideias abstratas, afastada do mundo e preservada de toda a mancha, reduzimos o Evangelho a uma proposta insípida, incompreensível, distante, separada das culturas juvenis e adaptada só a uma elite juvenil cristã que se sente diferente, mas na verdade flutua num isolamento sem vida nem fecundidade» (232). Francisco convida a ser «uma Igreja com as portas abertas. Não é necessário sequer que uma pessoa aceite completamente todos os ensinamentos da Igreja para poder participar em alguns dos nossos espaços dedicados aos jovens» (234): «deve haver espaço também para «todos aqueles que têm outras visões da vida, professam outras crenças ou se declaram alheios ao horizonte religioso» (235). O ícone desta abordagem é-nos oferecido pelo episódio evangélico dos discípulos de Emaús: Jesus interroga-os, escuta-os com paciência, ajuda-os a reconhecer o que estão vivendo, a interpretar à luz das Escrituras o que viveram, aceita ficar com eles, entra na noite deles. São eles mesmos que escolhem retomar sem demora o caminho na direção oposta. (237). «Sempre missionários». Lembra que não há necessidade de fazer um longo percurso para que os jovens se tornem missionários»: «Um jovem que vai em peregrinação pedir ajuda a Nossa Senhora e convida um amigo ou um companheiro para que o acompanhe, com este gesto simples está a realizar uma valiosa ação missionária» (239).A pastoral juvenil «deve ser sempre uma pastoral missionária» (240).  E os jovens precisam de ser respeitados na sua liberdade, «mas necessitam também de ser acompanhados» pelos adultos, a família deveria ser o primeiro espaço de acompanhamento (242), e também pela comunidade: «Isto implica que se olhe para os jovens com compreensão, estima e afeto, e não que sejam julgados continuamente ou lhes seja exigida uma perfeição que não corresponde à sua idade» (243). Adverte-se a carência de pessoas especializadas e dedicadas ao acompanhamento (244) e «e algumas jovens notam uma falta de figuras femininas de referência dentro da Igreja» (245). Os mesmos jovens «descreveram-nos» as caraterísticas que esperam encontrar num acompanhador; «ser um cristão fiel comprometido na Igreja e no mundo; uma tensão contínua para a santidade; não julgar, mas cuidar; escutar ativamente as necessidades dos jovens; responder com gentileza; conhecer-se; saber reconhecer os seus limites; conhecer as alegrias e as tribulações da vida espiritual. Uma qualidade de primária grandeza é saber reconhecer-se humano e capaz de cometer erros: não perfeitos, mas pecadores perdoados» (246). Devem saber «caminhar juntos» aos jovens respeitando a sua liberdade.   Oitavo capítulo: «A vocação» «O ponto fundamental é discernir e descobrir que aquilo que Jesus quer de cada jovem é, antes de tudo, a sua amizade» (250). A vocação missionária tem a ver com o nosso serviço aos outros. «Com efeito, a nossa vida na terra atinge a sua plenitude, quando se transforma em oferta» (254).«Para realizar a própria vocação, é necessário desenvolver-se, fazer germinar e crescer tudo aquilo que uma pessoa é. Não se trata de inventar-se, criar-se a si mesmo do nada, mas descobrir-se a si mesmo à luz de Deus e fazer florescer o próprio ser» (257). E este “ser para os outros” na vida de cada jovem está relacionado com duas questões fundamentais: a formação duma nova família e o trabalho» (258). No que diz respeito ao «amor e à família», o Papa escreve que os «jovens sentem fortemente a chamada ao amor e sonham encontrar a pessoa certa com quem formar uma família» (259), e o sacramento do matrimónio «corrobora este amor com a graça de Deus, arraigando-o no próprio Deus» (260). Deus nos criou sexuados. Ele próprio criou a sexualidade, que é um presente maravilhoso e portanto, sem tabus. É um dom que o Senhor nos dá. «E fá-lo com dois propósitos: amar-se e gerar vida. É uma paixão…O verdadeiro amor é apaixonado» (261). Francisco observa que «o aumento de separações, divórcios…pode causar grandes sofrimentos e crises de identidade nos jovens. Por vezes, têm de assumir responsabilidades desproporcionadas para a sua idade» (262). Apesar de todas as dificuldades, «Quero dizer-vos…que vale a pena apostar na família e que nela encontrareis os melhores estímulos para amadurecer e as mais belas alegrias para partilhar. Não deixeis que vos roubem a possibilidade de amar a sério» (263). «Julgar que nada pode ser definitivo é um engano e uma mentira...peço-vos para serdes revolucionários, peço-vos para irdes contracorrente» (264). No que diz respeito ao trabalho, o Papa escreve: «Peço aos jovens que não esperem viver sem trabalhar, dependendo da ajuda doutros. Isto não faz bem, porque «o trabalho é uma necessidade, faz parte do sentido da vida nesta terra, é caminho de maturação, desenvolvimento humano e realização pessoal. Neste sentido, ajudar os pobres com o dinheiro deve ser sempre um remédio provisório para enfrentar emergências» (269). E depois de notar como no mundo do trabalho os jovens experimentam formas de exclusão e marginalização (270), afirma a propósito do desemprego juvenil: «É uma questão…que a política deve considerar como prioritária, sobretudo hoje que a velocidade dos avanços tecnológicos, aliada à obsessão de reduzir os custos laborais, pode levar rapidamente à substituição de inúmeros postos de trabalho por máquinas» (271). E aos jovens diz: «É verdade que não podes viver sem trabalhar e que, às vezes, tens de aceitar o que encontras, mas nunca renuncies aos teus sonhos, nunca enterres definitivamente uma vocação, nunca te dês por vencido» (272). Francisco conclui este capítulo falando das "vocações a uma consagração especial". «No discernimento duma vocação, não se deve excluir a possibilidade de consagrar-se a Deus…Porquê excluí-lo? Podes ter a certeza de que, se reconheceres uma chamada de Deus e a seguires, será isso que dará plenitude à tua vida» (276).   Nono capítulo: «O discernimento» O Papa recorda que «sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências da ocasião» (279). «Uma expressão do discernimento é o esforço por reconhecer a própria vocação. É uma tarefa que requer espaços de solidão e silêncio, porque se trata duma decisão muito pessoal que mais ninguém pode tomar no nosso lugar» (283). «O dom da vocação será, sem dúvida, um dom exigente. Os dons de Deus são interativos e, para os desfrutar, é preciso pôr-me em campo, arriscar» (289). A quem ajuda os jovens no discernimento pedem-se três sensibilidades. A primeira é a atenção à persona: «trata-se de escutar o outro, que se nos dá com as suas palavras» (292). A segunda consiste no discernir, isto é «trata-se de individuar o ponto certo onde se discerne o que é a graça e o que é tentação»(293). A terceira consiste em «escutar os impulsos “para diante” que o outro experimenta. É a escuta profunda do ponto «para onde o outro quer verdadeiramente ir» (294).Quando alguém escuta a outro desta maneira, «a dado momento deve desaparecer para o deixar seguir o caminho que ele descobriu. Desaparecer como desaparece o Senhor da vista dos seus discípulos» (296). Devemos «suscitar e acompanhar processos, não impor percursos. Trata-se de processos de pessoas, que sempre são únicas e livres. Por isso é difícil elaborar receituários» (297). A exortação se conclui com «um desejo» do Papa Francisco: «Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e medrosos. Correi atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre…A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé...E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós» (299). Por Vatican News

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