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Vice-governador de Washington se tornará jesuíta

O vice-governador do estado de Washington, Cyrus Habib, anunciou em 19 de março que não buscará a reeleição e, em vez disso, ingressará na Companhia de Jesus nos próximos meses. Habib é um político cego, de 38 anos, de descendência iraniana que terminará sua carreira de oito anos em um cargo público, depois de afirmar que "dois anos de cuidadoso discernimento e oração" o levaram a solicitar unir-se aos jesuítas. Habib foi eleito vice-governador em 2016 e é o funcionário eleito iraniano-americano com o cargo mais alto nos Estados Unidos. Como seu processo de discernimento foi "quase completamente privado", Habib disse que esperava que muitos de seus eleitores e apoiadores considerassem sua decisão como uma "grande surpresa", principalmente porque muitos o viam como um político com um futuro brilhante. "Muitos se perguntam por que alguém que passou os últimos oito anos subindo a escada política e que tem uma chance significativa de ingressar no governo no próximo ano trocaria uma vida de autoridade por uma de obediência", disse Habib em um ensaio explicando sua decisão na revista América, publicada pela Companhia de Jesus. No ensaio, ele disse que sua fé católica o motivou a entrar na política e o guiou nas decisões que tomou no cargo. "Minhas prioridades no cargo estavam firmemente enraizadas na doutrina social católica, que coloca os pobres, os doentes, os deficientes, os imigrantes, os prisioneiros e todos os marginalizados no centro de nossa agenda social e política", escreveu na América. Habib perdeu a visão aos oito anos de idade devido ao câncer e sobreviveu a esta doença três vezes. Escreveu que sua experiência de vida lhe deu um sentimento de empatia por aqueles que estão nas margens sociais. Apesar de seus sucessos políticos e perspectivas brilhantes para o futuro, Habib disse à revista jesuíta que se sentia chamado a um estilo de vida diferente, "embora também esteja orientado ao serviço e à justiça social”. "Senti um chamado para dedicar minha vida de maneira mais direta e pessoal", escreveu. "Eu acredito que a melhor maneira de aprofundar meu compromisso com a justiça social é reduzir a complexidade em minha própria vida e dedicá-la a servir aos outros", assinalou. Embora reconheça a importância e a influência de um papel na vida pública, Habib disse que percebeu que "enfrentar os desafios que o nosso país enfrenta exigirá mais do que apenas a formulação de políticas" e que as pessoas "precisam urgentemente de apoio espiritual e companhia". Habib elogiou os jesuítas por seu compromisso com a educação e disse que é "muito cedo" para saber aonde o levará a sua vida na companhia, “mas tenho certeza de que implicará o ensino, o diálogo intercultural e inter-religioso, a defesa e o acompanhamento espiritual”. A formação jesuíta geralmente leva entre oito e 17 anos. Habib não disse em qual das quatro províncias americanas da Companhia de Jesus entraria no outono, mas pediu orações. “Peço a todos que me mantenham em suas orações enquanto viajo por esse novo caminho; vocês, é claro, estarão na minha”, disse. Publicado originalmente em CNA. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz. Tirado do site acidigital.com

Vida consagrada: sinal e profecia

Vida consagrada é profecia. É, para usar um símbolo querido pelo Papa Francisco, como a água que corre para não estagnar. As pessoas consagradas estão sempre a caminho em busca do que Deus quer para elas e do que os fiéis lhes pedem. O L’Osservatore Romano conversou sobre isso com o arcebispo José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, na entrevista concedida ao por ocasião do XXIV Dia Mundial que será celebrado com o Papa Francisco no sábado, 1° de fevereiro, com a Missa na Basílica do Vaticano. Como surgiu essa iniciativa e quais são seus objetivos? É um fruto do Sínodo dos Bispos sobre a vida consagrada e da publicação da Exortação pós-sinodal Vita Consagrada em 1996. Com este dia, queremos alcançar três objetivos: tornar a vida consagrada conhecida e apreciada em toda a Igreja, não somente por aquilo que faz, mas acima de tudo pelo que é e significa; encorajar os próprios consagrados a continuarem a reflexão e o discernimento sobre sua identidade e missão na Igreja e no mundo, e fazer com que a Igreja se una aos consagrados de todo o mundo em louvor e oração pelo dom que Deus lhes deu com a vida consagrada. A Igreja não pode apreciar a vida consagrada somente por sua funcionalidade; ela não é apenas "mão-de-obra", mas é antes de tudo sinal e profecia de outras realidades bem mais profundas. Os próprios consagrados, como todo o povo de Deus, não podem julgar a vida consagrada apenas pelo que aparece através de suas obras. De fato, muitas delas deverão ser revistas para verificar se respondem ou não ao carisma de seu instituto e à sua missão. A vida consagrada deve ser apreciada e valorizada por aquilo que é: uma forma profética de viver o Evangelho. Por outro lado, os consagrados devem continuar a discernir sobra a própria identidade e missão à luz do Evangelho, do próprio carisma e dos sinais dos tempos, sempre conduzidos pelo magistério da Igreja. Existe um simbolismo que expressa a vida consagrada? Os consagrados devem estar bem conscientes de que sua vida, como diz o Papa Francisco, é como a água: se não fluir, apodrecerá. Se a vida consagrada não quer ser somente admirada como uma peça de museu, mas se apresentar diante das pessoas como uma forma de vida bela e possível também para os outros, deverá perguntar-se constantemente o que Deus e o povo de Deus querem dela neste momento e nessas circunstâncias. O discernimento para responder a essa pergunta e colocar-se na direção indicada pelo Espírito é essencial. Por fim, os consagrados, que receberam o chamado de interceder pelo povo de Deus, também sentem a necessidade da oração coral da Igreja por eles: para que permaneçam sempre fiéis ao chamado do Senhor e à missão nas periferias existenciais e de pensamento, às quais o Espírito os impele neste momento por meio do rico magistério do Papa Francisco. E sempre sem esquecer de rezar para que o Senhor continue a enriquecer os diversos carismas com numerosas vocações. O Pontífice indica a vida consagrada como "louvor que dá alegria ao povo de Deus, visão profética que revela aquilo que conta". Como isso pode ser interpretado na vida cotidiana? O Santo Padre insiste constantemente sobre a profecia como elemento imprescindível na vida consagrada. Essa não pode renunciar à profecia sem correr o risco de perder o sabor e, portanto, a sua razão de ser. A profecia é inerente à vida consagrada, dizia João Paulo II; a profecia é a nota que caracteriza a vida consagrada, lhe faz eco o Papa Francisco. A vida consagrada, assim como não pode renunciar à paixão por Cristo, o seu verdadeiro fundamento, tampouco pode renunciar à paixão pela humanidade, particularmente a humanidade vulnerável e ferida, que constitui sua missão. Ao ser profetas, e não somente em brincar de sê-lo, os consagrados jogam a sua credibilidade. A vida consagrada é chamada a manter acesa a lâmpada do profetismo, tornando-se um farol para aqueles que estão desorientados em alto mar, uma tocha para aqueles que andam nas trevas, uma sentinela para aqueles que não veem uma saída na vida. Ao mesmo tempo, não pode renunciar em dar voz àqueles que não a têm e exigir justiça onde não existe. Somente assim será uma vida profética, uma alternativa à cultura do descarte. No coração dos consagrador deve ecoar forte o convite do Papa Francisco: "Despertem o mundo! Sejam testemunhas de um jeito diferente de fazer, agir e viver!”. Ou ainda: "Na Igreja, os religiosos são chamados a ser profetas, a dar testemunho de como Jesus viveu nesta terra e a anunciar como o Reino de Deus será na sua perfeição". Para responder a essa vocação, terá que buscar apaixonadamente a vontade do Senhor, anunciando a Boas Nova a todos, de preferência nas periferias existenciais; buscar novos caminhos para o anúncio do Evangelho, denunciando tudo o que é contrário à vontade de Deus. Como diz o livro de Deuteronômio ao falar de Moisés, o profeta deverá guiar o povo à escuta obediente da Palavra e se conformar aos planos de Deus na história (cf. 18, 15-24). Nos próximos dias, se realizará uma conferência com a presença das monjas de clausura. Qual é o lugar delas na Igreja? Após três simpósios e dois seminários celebrados nos últimos anos sobre a economia a serviço da vida consagrada, agora na conferência agendada para 31 de janeiro a 1 de fevereiro, queremos abordar a questão específica da gestão dos bens e do patrimônio na vida contemplativa. Parece-nos importante e urgente adequar essa gestão à legislação da Igreja, assim como é tratado no documento que há dois anos foi publicado por nossa Congregação: “A Economia a serviço do carisma e da missão”, sempre respeitando as normas do Direito Canônico e neste caso, também a legislação italiana. Por esta última razão, a conferência é dirigida às abadessas e às ecônomas de mosteiros na Itália. Em maio, um evento similar será realizado na Espanha. Além dos palestrantes de nosso Dicastério, especialistas em economia da Universidade Católica de Milão, com a qual colaboramos nesta área há vários anos, e também da Conferência Episcopal Italiana. Neste momento, mais de 400 contemplativos se inscreveram. Há também cerca de trinta convidados. A conferência conta certamente com o apoio do Santo Padre, que também permitiu que as contemplativas possam participar da Missa que presidirá na Basílica de São Pedro, no dia 1º de fevereiro, às 17h, com o motivo do Dia Mundial da Vida Consagrada. (Osservatore Romano) Por Nicola Gori Em Vatican News

Novas “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros no Brasil”

Mudanças históricas e os desafios da atualidade são pontos importantes que foram considerados na elaboração das novas “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil”. A obra é resultado do trabalho da 56ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 2018, que acaba de ser lançada pela Edições CNBB. O documento traz orientações para a formação de novos presbíteros no Brasil e a necessidade de formação permanente. Segundo o texto, esse novo presbítero precisa ter características como “coragem de alcançar todas as periferias geográficas e existenciais que precisam da luz do Evangelho, em uma atitude acolhedora e misericordiosa”, destaca o texto. De acordo com o arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, um dos responsáveis pela elaboração do texto na época, a Igreja no Brasil deve buscar “Homens verdadeiramente apaixonados pelo Evangelho do crucificado/ressuscitado, homens entusiasmados pela proposta do Reino e por isso capazes de se lançar generosamente no trabalho apostólico”, afirmou em uma entrevista ao portal da CNBB. O documento foi inspirado na Ratio Fundamentalis – O dom da vocação presbiteral e suas quatro características que precisam ser destacadas: a formação deve ser única, integral, comunitária e missionária. Publicado no dia 8 de dezembro de 2016, atualiza as orientações de 1985. As atuais Diretrizes para a Formação Presbiteral foram aprovadas na 48ª Assembleia Geral da CNBB, em 2010, e já visavam enriquecer a formação espiritual, humana, intelectual e pastoral dos futuros sacerdotes “com novos impulsos vitais, consoantes com a índole peculiar de nosso tempo”. As “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” passou a vigorar no Brasil em 12 de outubro de 2019, um mês depois de o decreto ser aprovado pela Congregação para o Clero do Vaticano. O subsídio as “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil” pode ser adquirido no site das Edições CNBB. Organização da Igreja no Brasil De acordo com o Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil da CNBB, atualmente, o Brasil conta com 278 circunscrições eclesiásticas: 45 arquidioceses, 217 dioceses, oito prelazias territoriais, uma arquieparquia de rito oriental, três eparquias orientais, um ordinariado militar, um exarcado, um ordinariato para fieis de rito oriental sem ordinário próprio, uma Administração Apostólica pessoal. Segundo os dados de 2018, divulgados pelo professor doutor Fernando Altemeyer Junior, chefe do departamento de Ciência da Religião da PUC-SP, a organização na Igreja Católica do Brasil acontece através de 11.700 paróquias, 27.416 presbíteros, 3.849 diáconos permanentes, 2.073 membros de institutos seculares, 122.170 missionários leigos, 2.674 irmãos, 6.154 seminaristas maiores em 595 seminários de formação presbiteral e 29.868 religiosas consagradas. Retirado do site da CNBB

Igreja trabalha para o progresso e promoção de uma cultura vocacional

A experiência eclesial cristã resgatada pelo Concílio Vaticano II suscitou na Igreja, a partir da Europa e depois na América Latina, uma grande preocupação com a questão vocacional. Esse contexto contribuiu para que, na Igreja do Brasil, passos significativos fossem dados com o objetivo de incrementar uma consciência vocacional em todo o povo de Deus, resgatando a comunidade eclesial como lugar da efetiva participação de todos os batizados na missão da Igreja. Atualmente refletir a dinâmica vocacional a partir de uma eclesiologia de comunhão e participação é segundo o bispo auxiliar de Manaus, dom José Albuquerque tarefa de todos: “Toda a ação pastoral deve ser orientada para o discernimento vocacional, tendo como objetivo ajudar cada cristão a descobrir o caminho concreto para realizar o projeto de vida ao qual Deus o chama”. Diante dos desafios que a pós-modernidade impõe, o bispo afirma que a questão vocacional se torna urgente e necessária, sobretudo, para se compreender e enfrentar as problemáticas oriundas de um acentuado individualismo. Para ele, a oração constitui o primeiro e insubstituível serviço que podemos oferecer à causa das vocações. “A comunidade que reza pelas vocações, que medita a partir da Palavra de Deus, que celebra a Liturgia com fervor e alegria, que oferece direção espiritual aos jovens, colabora incansavelmente para criar uma cultura vocacional”, salienta. Na caminhada vocacional, alguns eventos foram determinantes para a construção da identidade que, hoje, caracteriza o serviço de animação vocacional na Igreja do Brasil. O mês vocacional é um desses exemplos. Assumido em âmbito nacional, em 1981, por dioceses e regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), seu intuito é ser um tempo especial de reflexão e oração pelas vocações e ministérios. Hoje cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à semana da Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação dos Leigos. “O Mês Vocacional, consagrado há mais de três décadas em nosso país, se tornou uma grande convocação eclesial, tempo privilegiado para celebrar as diversas vocações e para intensificar a oração pelas vocações nas famílias, nos ambientes estudantis, em todos os grupos e comunidades eclesiais e para realizar ações concretas e tantas outras iniciativas, de forma envolvente e criativa ao longo deste abençoado mês”, diz dom José. Congressos vocacionais – Outra iniciativa que também tem como preocupação o itinerário vocacional são os Congressos Vocacionais do Brasil. Organizados pela Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, eles trazem ao longo dos anos temas e lemas profundamente enraizados na Sagrada Escritura e inseridos na realidade contemporânea. Este ano com o tema “Vocação e Discernimento” e o lema “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos” (Salmo 25,4), o IV Congresso Vocacional do Brasil será realizado de 05 a 08 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Segundo a equipe organizadora, a iniciativa deseja refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais. “Um dos grandes objetivos do 4º. Congresso Vocacional é a promoção da Cultura Vocacional nas comunidades, para que o tema vocacional seja abraçado como prioridade essencial de nossa Igreja, assim como de fato o é: uma comunidade de chamados que assumem o papel de também chamar outros operários, nas mais diversas missões e carismas”, afirma o padre Elias Silva, coordenador nacional da Pastoral Vocacional. O sacerdote reitera que o evento possibilitará a criação de um trabalho vocacional em redes, especialmente porque é adaptado à concretude das circunstâncias específicas de cada região do país. Neste contexto, ele explica que como parte da execução do 4º Congresso estão os pré-congressos que acontecem nos regionais de todo o Brasil e também da vida religiosa. “Estamos em um período bonito da promoção vocacional do Brasil. A cada novo encontro que acontece pelo Brasil vai se solidificando a necessidade e urgência de promover a Cultura Vocacional, e de uma maneira muito específica de possibilitar um discernimento vocacional que oriente as pessoas ao verdadeiro seguimento de Cristo, ouvindo a voz amorosa e exigente do Pai”, alega. Neima Pereira dos Santos, de 49 anos, é membro da Pastoral Vocacional da diocese de Formosa (GO). Para ela, refletir sobre a vocação é trilhar um caminho de descobertas da própria identidade. “Vivemos num mundo cada vez mais fragmentado e veloz, há uma perda da identidade, falta um autêntico sentido de vida, principalmente em relação aos nossos jovens”, diz. Consagrada Secular do Instituto Secular Servas de Jesus Sacerdote, Neima vai participar ativamente do IV Congresso Vocacional. Ela aponta a importância de um evento como esses em âmbito nacional. “Com a realização do 4º Congresso Vocacional teremos a oportunidade de refletir sobre os novos questionamentos e desafios vocacionais que nos são apresentados no contexto atual. Conheceremos as diferentes realidades e diversidades vocacionais e obstáculos a serem superados”, considera. Pensar em conjunto, amadurecer e aprofundar concretamente a questão vocacional é um dos desafios da Igreja no Brasil para os próximos anos. “O 4º Congresso Vocacional dará ânimo e vigor a todos os participantes e aos agentes da Pastoral Vocacional trazendo também novas luzes e pistas para a animação vocacional no Brasil”, finaliza. Matéria Revista Bote Fé nº 28 – Edições CNBB. Disponível no site da CNBB

Do exército soviético ao sacerdócio: história de uma fé à sombra do regime

A história do Padre Victor teve início na aldeia de Slobozia-Rascov, coração do atual território separatista da Transnistria, ainda em luta com a República da Moldávia, que, após a queda da União Soviética, ainda reivindica sua jurisdição. Esta simples aldeia, ao longo dos anos, foi berço de muitos sacerdotes católicos e também de um Bispo, graças a uma comunidade católica ativa, da qual também o jovem Victor Pogrebnii fazia parte. Uma comunidade que nunca teve medo de testemunhar a sua fé, a ponto de construir uma igreja sem nenhuma autorização, nos anos Setenta, em pleno regime comunista. Carreira militar, sem perder a fé O desejo de Victor de ser sacerdote foi violado no dia em que foi convocado para servir a marinha militar soviética. Por isso, teve que deixar a Slobozia-Rascov. Foi um afastamento definitivo, porque, depois de cumprir seu período de serviço e demonstrar suas boas qualidades, continuou a carreira militar, atingindo até os mais altos graus militares. Tudo isso depois de frequentar a escola militar em Kaliningrado e não, certamente, o seminário, que era a sua verdadeira aspiração. Longe da sua aldeia natal e também mais longe do seu desejo de ser sacerdote, a sua vida teve uma reviravolta radical, como ele mesmo conta: “Não perdi a fé e mantive tudo o que meus pais me ensinaram, mas já tinha iniciado a carreira militar, onde era estimado e onde também havia recebido diversas incumbências. Minha vida tinha mudado e também havia conhecido uma boa moça, que se tornou minha esposa, em 1970. Assim, cheguei até ao altar, mas para ser um bom esposo”. Victor, primeiros anos na marinha soviética   Católico clandestino Padre Victor narra a sua vida de fé, difícil de conciliar com o regime comunista, sempre suspeitoso, e no âmbito de uma estrutura militar rigorosa. De fato, disse: “Passei por um momento complicado quando, em uma estrutura militar no Polo norte, meus superiores encontraram o texto do Evangelho. E, outra vez, quando a polícia descobriu que estava ajudando a construir a igreja da Slobozia-Rascov. Então, fui denunciado e interrogados pelos superiores. Quando eu podia, frequentava uma igreja católica, situada diante dos escritórios do KGB; mas, para entrar, tinha que tomar cuidado para não ser visto. Eu era um católico clandestino, que vivia às ocultas e temeroso. Tentei também descobrir se entre meus companheiros havia outro católico, mas era perigoso se expor”. Uma família feliz “A minha vida já estava delineada; - continua o padre Victor – amava a minha esposa. De fato, da nossa união nasceram dois filhos: depois seus casamentos e, assim, me tornei avô de três netos. Porém, tive também a alegria de seguir o caminho do meu irmão, que se tornou sacerdote”. Victor, com a esposa e o primeiro filho Finalmente livre para crer Com a queda do regime comunista, a vida de Victor passou por uma reviravolta e, sobretudo, reencontrou a serenidade da fé e a possibilidade de educar seus filhos na vida cristã, sem mais medo. Sua vida era a de um militar; a seguir, com o passar dos anos, aposentou-se e vivia tranquilamente com a família, cuidando dos filhos e dos netos. Em 2008, sua esposa faleceu e, encontrando-se sozinho, teve a possibilidade de refletir sobre a sua vocação inicial, que jamais havia abandonado, de ser sacerdote. Assim, no mesmo ano, o Bispo de Kiev o recebeu no Seminário e, quatro anos depois, em 7 de janeiro de 2012, encontrou-se novamente diante do altar do Senhor, mas, desta vez, para receber a unção sacerdotal, circundado de familiares e do irmão mais novo, que já era sacerdote há vários anos.  Pe. Victor (à esquerda) na Catedral de Chişinău    "Eu nem posso explicar a emoção daquele momento - explica o Padre Victor - e, acima de tudo, aquela imersão com fé no meu passado, quando ainda era jovem, na minha comunidade de Slobozia-Rascov. Além do mais, pensava em minha esposa e na sua felicidade, que certamente sentia no céu, por esta minha nova escolha. Antes de começar o período de formação no Seminário, quis conversar com meus filhos e saber o que pensavam sobre a minha decisão. Encontrei neles uma compreensão extraordinária, a ponto de me convencer, ainda mais, sobre esta escolha, que não anulava, de modo algum, meu passado como esposo e como pai. Pelo contrário, tornava possível realizar uma vocação, que teve que esperar o seu momento e passar pela difícil provação de um regime sofrido". Depois da sua ordenação sacerdotal, o Bispo de Kiev o inseriu na pastoral de algumas paróquias. Assim, ele voltou a ser pai, esta vez, de uma família mais ampla; em seus compromissos, ele se dedicava, dia após dia, às comunidades que lhe foram confiadas, com a juventude interior de um sacerdote feliz. Perseguido pelo passado Seu passado de militar soviético e de cidadão russo não lhe permitiram permanecer na Ucrânia. De fato, as relações da Rússia com este país se deterioraram até chegar ao famoso conflito. Por isso, Padre Victor arrumou as malas e deixou a diocese de Kiev, refugiando-se na Crimeia, que, recentemente, tinha voltado a pertencer ao território russo. O Bispo de Odessa, ao qual pertencia a Crimeia, confiou-lhe uma paróquia, em Sinferopol. Desta forma, ele começou a servir outra comunidade, sempre com o espírito de um bom pai. Pe. Victor Pogrebnii (3º da esquerda) com outros sacerdotes.   O desejo de voltar  No início de 2019, já com 73 anos de idade, mas com espírito jovem, seu pensamento voltou para a sua terra natal, a pequena Slobozia-Rascov, sentindo a necessidade, devido à sua idade, de retornar às suas raízes. De fato, entrou em contato com o Bispo de Chişinău, Dom Anton Cosa, pedindo-lhe para levar em consideração a possibilidade de retornar à terra da sua família de origem. "Fiquei comovido com a história deste sacerdote - narra Dom Anton Cosa - e do seu desejo de voltar à aldeia de Slobozia-Rascov, sua comunidade de origem. Convidei-o para me visitar e conversar, viver ali por alguns dias, e apresentá-lo ao clero da minha diocese. Notei que aquele homem, tão provado pela sua longa e dolorosa história, se sentia feliz de se doar e testemunhar a sua experiência sacerdotal. Percebi que ele trazia poucas coisas consigo, segundo espírito da essencialidade de um soldado, mas tinha um coração grande e prestativo de um sacerdote e pai”. O Bispo de Chişinău, Dom Anton Cosa   Amizade com o Bispo de Chişinău No início da sua permanência em Chişinău, Moldávia, Padre Victor quis ir à Slobozia-Rascov para visitar o túmulo, onde jaziam seus pais, como se quisesse reviver sua história passada e recomeçar da mesma comunidade, onde havia nascido seu desejo de ser sacerdote; na realidade, ali havia iniciado também a sua peregrinação, que, ao longo dos anos, lhe permitiu passar por várias experiências, até voltar à origem da sua fé e vocação. Folheando o álbum de fotos, algumas do período de serviço militar e outras durante a celebração Eucarística, o Padre Victor admite, hoje, com comoção, que, na vida de fé, é preciso se deixar surpreender pelo bom Deus. De fato, ele afirma: “Pensei em fazer tudo na vida, exceto ser padre. No entanto, Deus ouve a oração dos pobres e ouviu a minha oração!”.  "Agora, volto para reencontrar o Bispo de Odessa, ao qual apresentarei meu humilde pedido para regressar ao torrão natal da minha família. E, se Deus quiser, - continua ele – arrumarei minhas poucas coisas e voltarei para casa, na Slobozia-Rascov. Como o velho Simeão, poderei dizer: “Agora, Senhor, deixe que o teu servo vá paz". Sei que ali, o bom Bispo Anton Cosa, ao qual confiei a minha história, está me esperando; com a sabedoria de pastor, ele dará a este padre, apesar de sua idade, um cantinho para continuar a ser um bom sacerdote". Por Cesare Lodeserto Em Vatican News

Seminaristas apresentam carta ao fim do 3° Cong. Missionário Nacional

Com o tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em Missão no Mundo e o lema: “Sereis minhas testemunhas […] até os confins da terra” (At 1,8), seminaristas diocesanos e religiosos de 104 dioceses e prelazias dos 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participaram entre os dias 10 a 14 de julho, do 3° Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, em Santo Antônio da Patrulha (RS). Ao final, foi lida e aprovada a carta-compromisso redigida a partir das discussões e encaminhamentos realizados durante os cinco dias do evento. Leia a carta na íntegra Carta-compromisso dos seminaristas congressistas aos irmãos de Seminário, senhores Bispos e Formadores de todo Brasil. Nos dias 10 a 14 de julho de 2019, estivemos reunidos em Santo Antônio da Patrulha – RS, para o 3° Congresso Missionário Nacional de Seminaristas. Somamos em torno de 300 congressistas, sendo 235 seminaristas diocesanos e religiosos de 104 dioceses e prelazias dos 18 regionais do Brasil, formadores, coordenadores de COMIREs, bispos representantes da CNBB, coordenadores das POM, representantes da OSIB, CRB, CIMI, IAM, JM e FM. Promovido pelas POM e pela comissão nacional dos COMISEs, o Congresso contou com uma excelente equipe de organização envolvendo cerca de 150 voluntários, com o COMIDI local, COMIRE Sul 3, a diocese de Osório – RS, paróquias, agentes de pastorais e movimentos e famílias da comunidade que se disponibilizaram para acolher e servir com amor e generosidade. O objetivo geral foi animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros no Brasil, de maneira que a missão seja realmente eixo central da formação e ajude os seminaristas a adquirir um autêntico espírito missionário. Gostaríamos de transmitir a todos os nossos irmãos seminaristas, equipes de formação e bispos, nossa imensa alegria em congregar pessoas de tantas Igrejas particulares e congregações religiosas deste nosso imenso país, todas imbuídas pelo mesmo ardor missionário de animar e fortalecer nossa vocação. O Congresso foi, sem duvida, um momento de verdadeira sensibilização para com a caminhada missionária da Igreja no Brasil e no mundo. Tornou-se um excelente espaço de reflexão sobre a formação missionária dos futuros presbíteros, troca de experiências e celebrações a fim de encontrarmos novos rumos que aprimorem as orientações para a formação dos seminaristas do Brasil. Fomos impulsionados a sermos agentes ativos no processo de conversão pastoral e ajudarmos a Igreja a viver a missão como “uma paixão por Jesus e, simultaneamente uma paixão pelo seu povo” (EG 268), durante todo o processo de formação, tanto inicial como permanente. Com a intenção de despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação da vida, da formação e da pastoral, sentimos que, mais do que nunca, devemos assumir sem medo o seguimento de Cristo de maneira preferencial. “Não é possível falar de vocação, excluindo missão”. O fator missionário não se soma ao ser padre, mas é um com o chamado vocacional. Antes de qualquer coisa é necessário ser discípulo, despojar-se do desnecessário e acompanhar o Mestre, assumindo os mesmos compromissos d’Ele. Assim como Cristo, é preciso “mergulhar” na dor e na dificuldade do outro. Neste sentido, é fundamental que os futuros presbíteros movimentem-se, peregrinem ao encontro daqueles que o Senhor os enviou e com passos, ritmos, etapas, uma imersão autêntica na experiência de Cristo, vivermos a apostolicidade e missionariedade da Igreja e os ensinamentos do Mestre. Também é essencial aprofundar-se nos afetos e nos sentimentos de Jesus, integrar-se em sua liberdade, em seus talentos, pensamentos, compadecimentos. Olhar para o outro, para aquele que sofre, com os olhos de Jesus a partir da iniciação cristã e da configuração a Ele, a fim de que na imagem do cristão missionário se vislumbre a figura do próprio Cristo. Na era atual em que a vida cada vez mais perde seu sentido devido às novas tecnologias, todo missionário é convidado a ser profeta, ser e fazer algo definitivo em meio a essa transitoriedade, pois a missão tende ao que não passará. A Igreja missionária, impulsionada pelo desejo de evangelizar, deve anunciar a partir da experiência própria com Deus e transformação pessoal que emerge de dentro, do ser, pelo e por amor. A partir daí, sentimos a necessidade de compreender o quanto é importante estar “enamorados por Jesus Cristo” e “encontrar forças na cruz do Senhor” que impulsiona a uma vida missionária, tirando cada um de uma zona de conforto para ir à realidade do outro. Isso se resume na necessidade de promovermos a sinodalidade e assumirmos espaços missionários nas casas de formação e nas paróquias; despertarmos o ardor missionário por meio da consciência de que a missão contínua e permanente é um transbordar da experiência pessoal com Jesus. Daí implica-se rever com coragem costumes, estilos, horários, linguagem, escuta, diálogo, estruturas, formas, ministérios, práticas de formação humana, teológica e espiritual, bem como a prática da solidariedade, da cooperação e da integração. Estamos convictos de que a vocação é dom de Deus e a missão d’Ele procede. Dirigimo-nos aos nossos bispos, reitores e formadores. Pedimos o apoio e benção para que a espiritualidade e a missionariedade sejam o princípio articulador de todo o processo formativo. Nas realidades que os COMISEs ainda não atuam ou que são pouco estruturados, pedimos sua atenção e incentivo para que sejam fortalecidos. Assim, certos da atenção de todos, reiteramos nosso desejo de juntos, animados e guiados pelo Espírito de Deus, construirmos no coração dos Seminários, Casas de Formação, Institutos, Universidades e Paróquias, uma mentalidade viva e ardente, direcionada a uma Igreja em permanente missão, com o rosto misericordioso do Pai, marca insubstituível da Igreja Missionária. Sem mais, nossa prece ao coração afim de que brote no seio da Igreja do Brasil e do mundo o amor à causa missionária. Igreja em missão, vida em doação! Em Cristo Jesus, Missionário do Pai.Os participantes do 3º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas. Santo Antônio da Patrulha, 14 de julho de 2019 (Texto e fotos: POM) Disponível no site da CNBB

Mês Vocacional está em consonância com o 4º Congresso Vocacional do Brasil

O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema das vocações. Este ano, em específico, a temática principal está em sintonia com o 4º Congresso Vocacional do Brasil que irá ser realizado de 05 a 08 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Segundo a equipe organizadora do evento, a reflexão e o estudo do tema “Vocação e Discernimento” deseja refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e acima de tudo expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais. Padre Elias Silva, coordenador nacional da Pastoral Vocacional explica que cada domingo do mês de agosto é dedicado à celebração de uma determinada vocação. No primeiro, celebra-se o sacerdócio e os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio junto à vocação para a vida em Família; no terceiro, a vida consagrada, e por fim, no quarto, a vocação para os ministérios e serviços na comunidade. “É preciso criar em toda a comunidade esse espírito orante para as vocações para que cada vez mais nesse mês vocacional seja aproveitado os momentos litúrgicos, de orações em grupos, de orações familiares”, aponta o padre. Instituído em 1981, pela CNBB, em sua 19ª Assembleia Geral, o mês vocacional tinha como objetivo principal conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional. De lá para cá, todos os anos alguma temática tem sido trabalhada. Este ano em específico, o mês vocacional estará em sintonia com a temática do 4º Congresso Vocacional do Brasil. “O mês vocacional será um mês em que eu convido a todos a levar as preces em prol do 4º Congresso Vocacional do Brasil, que será um momento muito importante para a Igreja no Brasil”, afirma padre Elias. Cartaz Seguindo a mesma ideia do Cartaz do IV Congresso Vocacional do Brasil, o padre Reinaldo Leitão, sacerdote rogacionista apresenta o cartaz do mês vocacional, a arte é um convite a seguir pelos caminhos que o Senhor trilhar. “Vamos todos divulgar o cartaz do Mês Vocacional 2019 e assim nos preparar melhor para o IV Congresso Vocacional do Brasil que se aproxima”, finaliza padre Elias. Acesse aqui o cartaz do Mês Vocacional. Disponível no site da CNBB

Em sintonia com MME, 3º Congresso de Seminaristas abre inscrições

Estão abertas as inscrições para o 3º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas, que será realizado de 10 a 14 de julho, em Santo Antônio da Patrulha (RS). O evento terá o tema em sintonia com o Mês Missionário Extraordinário (MME) “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo” e o lema “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (At 1,8). A preparação do evento é feita pela coordenação nacional dos Conselhos Missionários de Seminaristas (COMISEs) e as Pontifícias Obras Missionárias (POM), com parceria e apoio de duas Comissões Episcopais Pastorais da CNBB (Ação Missionária e Cooperação Intereclesial e Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) e a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). São objetivos do congresso animar e aprimorar a formação missionária dos futuros presbíteros no Brasil, de maneira que a missão seja realmente eixo central da formação e os ajude a adquirir um autêntico espírito missionário; aprofundar a reflexão sobre a missão, com uma ênfase especial sobre a missão ad gentes, em sintonia com a temática do MME. Também se pretende proporcionar espaços para a reflexão, vivências, troca de experiências e celebrações, além de sensibilizar os participantes (seminaristas, reitores e formadores dos seminários e casas de formação, bispos e convidados) para uma caminhada sinodal e de comunhão. O Congresso contará com conferências, sendo as principais sobre “Iniciação à vida cristã e missão” e “A Igreja de Cristo em missão no mundo”. Haverá também dois painéis: “Missão ad gentes” e “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, enriquecidos com testemunhos missionários. Cada participante poderá participar ainda de dois fóruns e duas oficinas. Ainda são previstas mesas-redondas, celebração da caminhada missionária, vivência da riqueza cultural gaúcha e fortalecimento do conhecimento recíproco. InscriçõesAs inscrições serão realizadas por meio do portal da CNBB, até o dia 30 de maio, preenchendo a Ficha de Inscrição. A orientação é acessar o link da área de serviços da CNBB e fazer login. Caso você não tenha um perfil já criado no sistema da CNBB, crie um Novo Usuário. Efetuado o cadastro no sistema, você vai receber uma mensagem no seu e-mail, com o link para poder acessar a página “Serviços da CNBB”; clicando nos “Eventos da CNBB”, você poderá fazer a inscrição ao Congresso. Baixe a carta enviada aos COMISEs Faça sua inscrição aqui. Por CNBB

O Padre Diocesano

A Igreja Católica, presente no mundo inteiro, é formada por comunidades que costumamos chamar de Dioceses ou Igrejas Particulares. Cada Diocese é confiada a um Bispo. O que é Diocese? É a porção do povo de Deus que está numa determinada região e que é guiada e alimentada na fé, na esperança e na caridade pelo Bispo e por seus colaboradores, os Padres e os Diáconos. Só é Bispo legítimo aquele que tiver sido escolhido pelo Papa e consagrado com o Sacramento da Ordem por um outro Bispo, sucessor dos Apóstolos. Ninguém pode autodenominar-se bispo ou nomear outro se não tiver autoridade para isso. O que é o Bispo? O Bispo Diocesano é o Pastor, mestre e guia, que foi chamado e escolhido pela Igreja para ser o sucessor dos Apóstolos. É o Profeta que testemunha e alimenta seu povo pela Palavra de Deus. É o Sacerdote que santifica pelos Sacramentos e que acompanha, caminha junto e conhece as suas ovelhas. Normalmente uma Diocese é constituída de muitas paróquias que vivem em comunhão com o seu Bispo. Cada paróquia é confiada a um pároco, quase sempre um Padre Diocesano, ou uma Congregação de Religiosos. Há casos em que pela falta de padres, o Bispo decidiu confiar a paróquia a Irmãs Religiosas. Em casos assim, o padre vai somente para celebrar a Eucaristia e o Sacramento da Penitência ou atividades que só podem ser exercidas por quem recebeu o Sacramento da Ordem. O Padre é o homem de Deus que, unido ao Presbitério da Diocese (o conjunto dos presbíteros, os padres), está na Paróquia, na Comunidade Eclesial, numa Pastoral Específica, nos Seminários, nos Hospitais, nas Escolas e Faculdades, nos Meios de Comunicação Social, nas Comunidades Inseridas entre os mais pobres e marginalizados... É um sinal visível do Reino de Deus. O que é o Padre Diocesano? O Padre Diocesano é o colaborador mais próximo do Bispo. Em tudo o que faz, age como se fosse o próprio Bispo, de quem depende. Por isso a comunhão com o Bispo é para ele uma exigência essencial. A vocação do Padre tem sua origem no chamado que Jesus fez aos Apóstolos: * "Vem e segue-me..." (Cfr. Mt 9,9) * "Vinde e vede..." (Cfr. Jo 1,39) * "Eu vos escolhi..." (Cfr. Jo 15,16) * "Estarei convosco até..." (Cfr. Mt 28,20) * "Eu vos darei..." (Cfr. Mt 19,29) * "Fazei isto em minha memória" (Cfr. Lc 22,19) * "Aqueles a quem perdoardes os pecados..." (Cfr. Jo 20,23) * "Já não vos chamo servos, mas amigos..." (Cfr. Jo 15,15) * "Amas-me mais do que os outros?..." (Cfr. Jo 21,15) Os Bispos são os sucessores dos Apóstolos. Para realizarem a missão recebida de Cristo, precisavam de colaboradores. Ordenaram, então, os Presbíteros, que nós costumamos chamar de padres. Transmitiram-lhes os poderes sacerdotais recebidos de Jesus. Portanto, o Padre Diocesano * é um íntimo colaborador do seu Bispo no pastoreio da Diocese. Vive no dia-a-dia as alegrias e as tristezas, os sofrimentos e as esperanças de toda a sua comunidade diocesana; * vive em comunhão e fraternidade com o seu presbitério. O Sacramento da Ordem o faz de modo muito particular um irmão dos outros padres, com os quais procura viver unido em torno do seu Bispo; * exerce seu ministério no meio do mundo: está inserido no meio do povo que lhe foi confiado; * seu carisma é a "Caridade Pastoral": ser junto do seu povo e no meio da comunidade a presença viva e atuante de Cristo, o Bom Pastor; tem a missão de: * ensinar a Palavra de Deus, pelo testemunho e pela palavra, como mestre; * santificar os fiéis por meio dos sacramentos; e * animar (organizar e coordenar) a comunidade; * entregue ao zelo pastoral em sua Diocese, preocupa-se com a inteira Igreja de Jesus Cristo presente no mundo inteiro. Por isso também é empenhado na causa missionária: promove a consciência missionária de seus fiéis e de sua comunidade; ele mesmo é sensível e aberto aos apelos missionários que vêm de comunidades necessitadas ou de povos que nunca ouviram falar de Jesus. E não raras vezes parte em missão; * seu coração e espírito, sua vida toda, estão a serviço da comunidade de fiéis que lhe foi confiada, e a que trata de animar, ensinar, guiar, servir, salvar e santificar; * sua espiritualidade emana da Especial Configuração a Cristo Pastor; é Evangélica, Eucarística, Mariana, de Fraternidade, encarnada na vida e realidade dos que lhe são confiados; é alegre e geradora de esperança; Padre Diocesano e Padre Religioso: Para entender por que a gente fala em Padre Diocesano e Padre Religioso, é preciso fazer a distinção entre Vida Religiosa e Sacerdócio. São duas realidades diferentes: Vida Religiosa é consagração a Deus pelos três votos (obediência, castidade e pobreza), vividos numa comunidade, seguindo o carisma do(a) fundador(a). É assumida por homens e mulheres. O sacerdócio ministerial (realizar as funções de padre) é o exercício do ministério da Palavra (ensinar), dos Sacramentos (santificar) e da Coordenação da comunidade (promover a comunhão e a participação). Para ser padre é preciso receber o Sacramento da Ordem. É um ministério reservado somente aos homens. Foi a partir do séc. XVI que surgiram as congregações de padres: institutos de Vida Religiosa voltados com prevalência para o sacerdócio. Daí os Padres Religiosos. Tanto os padres diocesanos como os religiosos são presbíteros (sacerdotes, padres). A diferença está no modo de viver o sacerdócio. O padre diocesano vive em função de uma diocese, depende do Bispo, não faz a profissão solene dos votos, mas as promessas de castidade e obediência. O padre religioso, vive em função de uma Congregação, depende do Bispo local em questões pastorais e disciplinares, faz a profissão solene dos votos, vive numa comunidade, e depende diretamente do Superior da Congregação, mesmo em termos de transferências. Para ser padre não é preciso pertencer a uma Congregação Religiosa, e para ser de Congregação Religiosa (Irmãos e Irmãs) não é preciso ser padre. São vocações diferentes, mas que podem ser assumidas por uma mesma pessoa. Em resumo: * Há padres que se consagram a Deus, doando-se a Cristo e aos(às) irmãos(ãs), colaborando com Ele no seu projeto de salvação da humanidade, e buscando sua própria santificação, comprometidos com uma Congregação Religiosa. São os Padres Religiosos. * Há padres que se consagram a Deus, doando-se a Cristo e aos(às) irmãos(ãs), colaborando com Ele no seu projeto de salvação da humanidade, e buscando sua própria santificação, comprometidos com uma Diocese. São os Padres Diocesanos, ou Seculares. Retirado do site: capoeiras.org.br

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EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

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