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Cúria Diocesana

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Terceiro domingo do Tempo Comum

Novas redes, novos peixes, nova vida… Frei Gustavo Medella Apesar de relativamente curto – apenas doze versículos – o trecho do Evangelho que compõe a liturgia deste 3º domingo do Tempo Comum (Mt 4,12-23) é denso em conteúdo e amplo na quantidade de temáticas que aborda. Revelação, missão, conversão, vocação e discipulado são temas profundamente interligados que devem se fazer presentes no dia a dia da caminhada cristã porque foram propostos e plenamente assumidos por Jesus. No convite aos primeiros apóstolos – Pedro e André – chama atenção o fato de Jesus não exigir que abandonassem sua atividade cotidiana, mas que mudassem o foco de sua ação: passariam a ser pescadores de homens. Eles mesmos chegaram à conclusão que, para atender ao chamado do Mestre, deveriam descobrir novas redes. No caso de Tiago e João, Filhos de Zebedeu, precisaram da coragem e da ousadia de se desinstalar, deixando para trás as garantias que tinham até então: a segurança que lhes era oferecida pelo barco e pelo pai. Curioso é que Jesus convida e segue. Sua vida é movimento. Sempre caminhando e fazendo o bem. A itinerância do Mestre também é abraçada pelos que decidem segui-Lo. Pedro e André têm de reaprender o ofício ao qual sempre se dedicaram: novos métodos, novas prioridades e novos desafios. Tiago e João percebem que, atendendo ao convite que lhes fora feito, deveriam se reinventar para dar respostas aos riscos e desafios desta nova empreitada que assumiam. À medida que percorriam o caminho, os apóstolos e discípulos foram percebendo que a resposta positiva à convocação de Jesus deveria ser construída no decorrer da missão. O próprio Mestre tinha plena convicção de que estava convocando pessoas comuns, sujeitas a erros e acertos e que a partir dos altos e baixos inerentes à história humana é que o anúncio e a construção do Reino iriam acontecer.   Terceiro domingo do Tempo Comum Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras”. 1. Primeira leitura: Is 8,23b–9,3Na Galileia, o povo viu brilhar uma grande luz. Em 732 a.C. a região de Zabulon e Neftali, ao norte do reino de Israel, havia sido ocupada pelas tropas da Assíria, que destruíram a capital Samaria. Isaías, embora fosse profeta do reino de Judá acompanhou com tristeza a tragédia de Israel. Parte da população foi levada para o exílio na Assíria; outra parte se refugiou no reino de Judá ou nos países da redondeza; outros foram simplesmente mortos em combate ou quando a cidade foi tomada. Mais tarde, Isaías ou um discípulo seu, numa linguagem poética anuncia a salvação para os que sobreviveram ao massacre. A destruição de Samaria, o fim do reino de Israel e o consequente exílio são representados como escuridão e trevas. A salvação prometida é comparada a uma brilhante Luz, que resplandece sobre o povo jogado nas sombras da morte. A morte dará novamente lugar à vida; daí a expressão “dar à luz”. As lâmpadas voltarão a brilhar nas casas destruídas ou desabitadas. A luz do Senhor, isto é, a presença de Deus no meio de seu povo, faz crescer a alegria e aumenta a felicidade. Os soldados trazem os despojos, pois a guerra terminou e o inimigo foi derrotado. Todos agora podem viver alegres na presença do Senhor com suas fartas colheitas, sem pagar tributo ao opressor. Salmo responsorial: Sl 26O Senhor é minha luz e salvaçãoO Senhor é a proteção da minha vida.2. Segunda leitura: 1Cor 1,10-13.17Sede todos concordes uns com os outrose não admitais divisões entre vós. Desde o início de sua Carta aos Coríntios (2º Domingo), Paulo insiste no tema da unidade da Igreja de Deus. Todos nós fomos santificados em Cristo Jesus e chamados a ser santos. Invocamos o mesmo nome de “nosso Senhor Jesus Cristo” e chamamos a Deus, nosso Pai. Na leitura de hoje, Paulo toma posição diante dos conflitos na comunidade de Corinto, que lhe foram comunicados. Paulo foi o primeiro a pregar o Evangelho em Corinto, onde fundou a primeira comunidade cristã e acompanhou-a durante um ano e meio. O motivo da discórdia era a divisão da comunidade em clubes de fãs dos missionários que por ali passavam. Havia os que diziam: “Eu sou de Paulo”; ou: “Eu sou de Apolo”; ou: “Eu sou de Cefas” e, por fim, os que diziam: “Eu sou de Cristo”. Por graça de Deus, como sábio arquiteto, Paulo lançou o único e verdadeiro fundamento sobre o qual se pode edificar a Igreja de Deus, que é Jesus Cristo (1Cor 3,10-12). Depois veio Apolo, um pagão convertido e excelente orador, que fez crescer a comunidade; por último, veio Cefas (Pedro), o pescador da Galileia e discípulo de Jesus na sua vida pública, que confirmou a comunidade na fé. Paulo critica os que se diziam fãs de Paulo, de Apolo ou de Cefas. A Igreja não é de Paulo, nem de Apolo, nem de Cefas. É Igreja de Deus. E esta tem como fundamento o próprio Cristo Jesus. Em seu nome todos somos batizados.Problemas parecidos podem surgir também em nossas comunidades. Podemos ser fãs desse ou daquele sacerdote ou pastor. Mas quem nos salva é Cristo Jesus. Foi Ele que nos revelou o amor do Pai e por nós morreu. Aclamação ao EvangelhoPois do Reino a Boa Nova Jesus Cristo anunciavae as dores do seu povo, com poder Jesus curava. 3. Evangelho: Mt 4,12-23 Foi morar em Cafarnaum,para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías. Hoje começamos a ler o Evangelho de Mateus, que nos acompanhará nos domingos durante do ano A, até o final de novembro. Após ser batizado por João Batista, Jesus passou quarenta dias no deserto da Judeia, em jejum e oração, onde venceu as tentações do diabo. Ao saber que João Batista foi preso, Jesus volta para a Galileia, deixa Nazaré e se estabelece em Cafarnaum, uma das principais cidades à beira do Lago de Genesaré, pertencente ao território de Zabulon e Neftali. O Evangelho de Mateus foi, provavelmente, escrito na Síria que faz fronteira com Zabulon e Neftali. É em Nazaré da Galileia que José, Maria e o menino Jesus foram morar. É na Galileia que Jesus aparece aos discípulos após a ressurreição. É da Galileia que envia seus discípulos a pregar o evangelho até os confins da terra (Mt 28,16-20). Na Galileia havia uma grande presença de pagãos. Por isso, o início da pregação de Jesus é apresentado como uma grande luz que brilha na “Galileia dos pagãos”, confirmando a realização da profecia de Isaías (1ª leitura). No início da pregação, Jesus retoma as palavras de João Batista: “Convertei-vos porque o Reino dos Céus está próximo”. Em Mateus, “Reino dos Céus” equivale a “Reino de Deus” em Marcos e Lucas. Fazer parte do Reino de Deus exige mudança de vida, conversão e ruptura. Jesus chamou Pedro e seu irmão André e, depois, Tiago e João, filhos de Zebedeu, e lhes disse: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles imediatamente largaram suas barcas e redes e começaram a seguir a Jesus.   Enquadrado em realidades terrenas, Jesus vem envolto em realidade divina Frei Clarêncio Neotti O Evangelho de hoje é extraordinariamente rico em indicações, insinuações e ideias em torno do programa salvador de Jesus. Como os quatro evangelistas são muito sintéticos ao contar os fatos e como muitas vezes usam símbolos e figuras,devemos sempre estar atentos ao que há por trás das palavras. Logo no início, temos uma afirmação histórica: a prisão de João Batista. Mas, por trás do texto, há mais que prisão. O texto original diz que João ‘foi entregue’, e essa expressão sugere duas coisas: que João era inocente e sua prisão, vontade de Deus. O mesmo vocábulo Mateus o empregará mais tarde em relação a Jesus (20,18s e 26,2). Mateus está insinuando que tudo quanto ocorrerá a Jesus, a partir do momento em que começa a sua vida pública, é vontade do Pai. Ao dizer que Jesus ‘voltou para a Galileia’, Mateus está sugerindo que Jesus estava em alguma parte do deserto da Judeia (cf. o episódio das tentações, 4,8) e, ao saber da prisão de Batista, ou fugiu para a Galileia, a fim de aguardar sua hora, ou viu na prisão de João o sinal para começar. Ou, ainda, seria uma forma estilística de acentuar o lado humano de Jesus, condicionado ao lugar de criação (Nazaré), a um ambiente de trabalho (Cafarnaum), para dizer que, embora enquadrado em realidades terrenas, ele envolverá verdades e realidades divinas. De fato, os evangelistas sempre acentuaram o lado humano, para que ninguém pensasse um Jesus-fantasma, Jesus-lenda, Jesus-mito. Mas sempre acentuaram também sua origem divina e sua missão salvadora. Mateus coleta inúmeras profecias do Antigo Testamento e as mostra acontecidas em Jesus de Nazaré. A profecia de hoje se realiza perfeitamente: fixa o tempo e o espaço (lado humano) e a missão salvadora (luz, lado divino).   Chamados para construir um mundo novo Frei Almir Guimarães A coisa mais terrível que pode acontecer a um homem é sentir-se acabado.Roger Garaudy ♦ Continuamos a aprofundar nossa fé em Cristo Jesus. Temos plena convicção de que ele vive e continua a convocar amigos e seguidores a realizarem a empreitada de viver em seu seguimento e tentar construir com outros, com muitos outros, um novo diferente mundo, mundo de entendimento, bondade e misericórdia, um mundo segundo o coração do Pai. ♦ Isaías nos fala do tema da luz que se reflete, de modo particular no Cristo e nos cristãos: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu”. O brilho da estrela do presépio continua a nos acompanhar. ♦ No evangelho há uma convocação, um chamamento, um convite a que pescadores aceitem esse chamado e deixem seus pequenos e tacanhos universos. Tudo é precedido a um convite à conversão. Os que são chamados, tanto ontem como hoje, são orientados para que mudem seu jeito de viver, se convertam, olhem com o olhar de Deus, não centrem a vida em seu pequeno e limitado universo. Deixem morrer o homem velho e renasçam para uma novidade de vida: transparência, sede de Deus, vontade de respirar o ar da fraternidade, tentativa de perdoar até o fim. Ser cristão é entrar num processo de conversão que nunca termina. ♦ Vem então o seguimento. Andar atrás daquele que nos fascinou. Não basta ter nascido numa família cristã, ter sido batizado e dizer-se católico por ocasião da resposta a certas perguntas que nos são feitas. Necessário uma alegre resposta pessoal. Esse chamamento requer presteza, perseverança, audácia de ir fazendo com que nosso olhar seja o olhar de Cristo, nossas alegrias as alegrias de Cristo, nossos sonhos sejam os sonhos de Cristo. Isto significa cumplicidade de vida entre o Mestre e o discípulo. Continuamos a vida de todos os dias: nascemos, crescemos, somos homem ou mulher, na vida profissional, na vivência familiar, na luta pela justiça, na saúde e na doença. Será preciso receber esse convite pessoalmente e pessoalmente responde-lo. Colocar os pés nos pés do Senhor. ♦ Os apóstolos foram convidados no meio da vida, no trabalho a não serem mais pescadores de peixes para se tornarem pescadores de homens. Sair, ir pelo mundo pode querer dizer ir para regiões próximas ou longínquas, cuidar das crianças doentes, dos presos sem advogados, dos mal casados, do que estão de mal com a vida, dos que levantam a hipótese de porem termo à vida. Os discípulos de Jesus são missionários e colaboram com a instauração do Reino. “São esses os traços principais deste reino: uma vida de irmãos e irmãs, alentado com a compaixão que o Pai do céu tem para com todos; um mundo no qual se busca a justiça e a dignidade para todo ser humano a começar pelos últimos; no qual se cuida da vida libertando as pessoas e a sociedade inteira de toda escravidão desumanizadora, no qual a religião está a serviço das pessoas, sobretudo das mais esquecidas; no qual se vive acolhendo o perdão e dando graças por seu amor insondável de Pai” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p. 69). ♦ Não estamos acabados… a construção da vida continua. Dois pensamentos que podem nos tonificar: >> Quantos homens e mulheres se instalam na mediocridade renunciando às aspirações mais nobres e generosas que despertam em seu coração! Não caminham. Sua existência fica paralisada. Vivem de apegos ao mínimo necessário para viver, sem olhos para conhecer aquilo que poderia dar nova luz à sua vida. É possível reagir quando alguém se instalou na rotina ou na indiferença? Pode alguém libertar-se dessa vida “programada” para a comodidade e o bem estar? Esta é a boa notícia de Jesus: dentro de cada um de nós existe uma fé que pode levar-nos a reagir e colocar-nos novamente no caminho verdadeiro”Pagola, Marcos, Vozes, p.220 >> A Igreja deve sempre ser capaz de surpreender, anunciando a todos que Jesus venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que sua paciência está sempre nos aguardando para curar-nos e perdoar-nos. É para essa missão que Jesus ressuscitado deu seu Espírito à Igreja. Atenção: se a Igreja está viva, deve sempre surpreender. Uma Igreja sem a capacidade de surpreender é uma Igreja fraca, doente, moribunda e de ser trata numa UTI o quanto antes.Para FranciscoRegina Coeli, 8 de junho de 2014 Oração Tu estás perto, Senhor.Estás sempre oferecendo teu amor.Perdão por nossa falta de fé.Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco,sustentas nossa vida e não nos damos conta.Perdão por nossa mediocridade.Tu nos ajudar a conhecer-nos,nos falas como a filhos,nos animas a viver, e não te escutamos.Perdão por nossa falta de acolhida.Tu nos amas com ternura,queres o melhor para nós,e não te escutamos.Perdão por nossa ingratidão.   Nunca é tarde José Antonio Pagola Não gostamos de falar de conversão. Quase instintivamente pensamos em algo triste, penoso, muito ligado à penitência, à mortificação e à ascese. Um esforço quase impossível para o qual não nos sentimos dispostos nem com forças. No entanto, se nos detivermos diante da mensagem de Jesus, vamos escutar, antes de mais nada, um apelo alentador para mudar nosso coração e aprender a viver de uma maneira mais humana, porque Deus está perto e quer sanar nossa vida. A conversão de que fala Jesus não é algo forçado. É uma mudança que vai crescendo em nós à medida que vamos tomando consciência de que Deus é alguém que quer fazer nossa vida mais humana e feliz. Porque converter-se não é, antes de tudo, tentar fazer tudo melhor, mas saber que nos encontramos com esse Deus que nos quer melhores e mais humanos. Não se trata só de “tornar-se uma boa pessoa” mas de voltar àquele que é bom conosco. Por isso, a conversão não é algo triste, mas a descoberta da verdadeira alegria. Não é deixar de viver, mas sentir-nos mais vivos do que nunca. Descobrir para onde temos de viver. Começar a intuir tudo o que significa viver. Converter-se é algo prazeroso. É limpar nossa mente de egoísmos e interesses que minimizam nosso viver cotidiano. Libertar o coração de angústias e complicações criadas por nosso afã de poder e possuir. Libertar-nos de objetos dos quais não precisamos e viver para pessoas que precisam de nós. Alguém começa a converter-se quando descobre que o importante não é perguntar-se como posso ganhar mais dinheiro, mas como posso ser mais humano; não como posso chegar a conseguir algo, mas como posso chegar a ser eu mesmo. Quando ouvimos o apelo de Jesus: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino de Deus’: pensemos que nunca é tarde para converter-nos, porque nunca é tarde para amar, nunca é tarde para ser mais feliz, nunca é tarde demais para deixar-nos ser perdoados e renovados por Deus.   Evangelizar com palavras e ações Pe. Johan Konings Para ver melhor, vamos recuar um pouco… Sete séculos antes de Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para a Assíria, e povos pagãos tomaram seu lugar. A região ficou conhecida como “Galileia dos pagãos”. Naquele mesmo tempo, o profeta Isaías anunciou que o novo rei de Judá poderia ser uma luz para as populações oprimidas (1ª leitura). Sete séculos depois, Jesus começa sua atividade exatamente naquela região, a Galileia dos pagãos. Realiza-se, de modo bem mais pleno, o que Isaías anunciara. É o que nos ensina o evangelho de hoje. Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus. Mas não o faz sozinho. Do meio do povo, chama os seus colaboradores. Dos pescadores do Lago da Galileia ele faz “pescadores de homens”. Eles deixam seus afazeres, para se dedicarem à missão de Jesus: anunciar a boa-nova, a libertação de seu povo oprimido. Esse anúncio não acontece somente por palavras, mas também por ações. Jesus e os discípulos curam enfermos, expulsam demônios… Anunciar o reino implica aliviar o sofrimento, pois é a realização do plano de amor de Deus. Nosso povo anda muito oprimido pelas doenças físicas, mas sobretudo pelas doenças da sociedade: a exploração, o empobrecimento dos trabalhadores etc. Deus é sua última esperança. O povo entenderá o que Jesus pregou (justiça, amor etc.) como boa-nova à medida que se; realize algum sinal disso em sua vida (alívio de sofrimento pessoal e social). Um desafio para nós. Jesus chama seus colaboradores do meio do povo. Ora, na Igreja, como tradicionalmente a conhecemos, os anunciadores tornaram-se um grupo separado, um clero, uma casta, enquanto Jesus se dirigiu a simples pescadores que trabalhavam ali na beira do lago. Ensinou-lhes uma outra maneira de pescar: pescar gente. Onde estão hoje os pescadores de homens, agricultores de fiéis, operários do Reino – chamados do meio do povo? Por que só os intelectuais podem ser chamados, para, munidos de prolongados estudos, ocuparem “cargos”eclesiásticos, à distância do povo? Não é ruim estudar; oxalá os pescadores e operários também pudessem fazer. Mas importa observar que a evangelização, o anúncio do Reino, puxar gente para a comunidade de Jesus, não é tarefa reservada a gente com diploma. E a Igreja como um todo deve voltar a uma simplicidade que possibilite que pessoas do povo levem o anúncio aos seus irmãos e assumam a responsabilidade que isso implica. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Segundo domingo do Tempo Comum

Necessidade de quê? Frei Gustavo Medella “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor”! Medo da morte, da invisibilidade, da fome. Certamente estes três fantasmas sejam motivadores fundamentais da busca incessante de prazer que orienta muitas vidas humanas. O prazer sexual, por exemplo, que movimenta uma milionária indústria pornográfica, a prostituição e o “boom” de aplicativos voltados para encontros casuais, pode ter em sua base uma fuga, ainda que inconsciente, do fato de que todos somos finitos e mortais. Aquele instante fugaz de prazer talvez seja o equivalente ao choro do bebê que, imaginando-se solitário, chora forte à espera do afago da mãe, como quem diz: “Sozinho não conseguirei sobreviver!”. O investimento pesado em roupas de marcas, em joias da última moda, em carros de luxo e hábitos requintados, talvez seja o equivalente às estripulias do menino de colo que quer gritar ao mundo: “Eu existo, eu estou aqui, por favor, não deixem de me enxergar!”. A busca voraz pelo lucro, pelo acúmulo, pela expansão traduz, certamente, a preocupação primitiva de ter para si garantido o alimento e a nutrição necessários à manutenção da vida. Diante de necessidades tão básicas e da busca medrosa e irracional pelo prazer na satisfação exagerada delas, o que significa “fazer, com prazer, a vontade do Senhor”? Dois rápidos acenos para possíveis respostas a esta desafiadora questão podem vir do próprio Salmo 39 – proclamado na Liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum –, que traz o propósito daquele que crê em praticar prazerosamente a vontade de Deus. 1) Esperar no Senhor – Significa reconhecer que todo o Bem de Deus procede e que a finitude e o limite são características próprias do ser humano. As necessidades básicas existem e é um direito de toda pessoa satisfazê-las com equilíbrio. No entanto, elegê-las como finalidade absoluta da existência é postura equivocada, que produz um cenário desolador de desequilíbrio, injustiça e morte diante do qual Dom Helder Câmara foi capaz de gritar em sua célebre “Invocação a Mariama”: “Basta de injustiça! Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar. Basta de alguns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano. Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia”. 2) Cantar um canto novo – É o canto que o Senhor põe nos lábios daquele que n’Ele espera. Um canto novo, um novo modo – inspirado por Deus – de relacionar-se consigo mesmo, com as coisas e com as pessoas. Na relação consigo mesmo, perceber-se falível e frágil, mas profundamente amado e, por isso, humilde e grato. Na relação com as coisas, conscientizar-se de que elas não são a finalidade última da existência, que existem para facilitar a vida e não para dominá-la. Quem se julga livre e poderoso porque tem demais, na verdade está possuído por aquilo que julga possuir. E, no que diz respeito ao outro, significa olhar o próximo como um dom, um presente, um irmão que, como todo ser humano, possui defeitos e dificuldades, mas que também traz em si a luz de Deus. Cultivando a confiança no Senhor, origem e finalidade da vida e de tudo que é bom, o ser humano consegue dar passos na direção de uma existência mais leve e feliz, apesar das lutas e dores que fazem parte da jornada. No amor a Deus e ao próximo, que se concretiza na prática do serviço, a pessoa pode encontrar o verdadeiro “prazer em fazer a vontade do Senhor”.   João Batista: o exemplo de quem testemunha Frei Clarêncio Neotti O Evangelho de João foi escrito para acentuar a última frase do texto de hoje: dar testemunho de que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus. Todos os milagres e acontecimentos narrados por João se direcionam a essa única conclusão. Qualquerconclusão menor ou de menos conteúdo é insuficiente. Muitas vezes, o povo olhou para Jesus e concluiu que ele era um grande profeta. Essa conclusão ainda não é suficiente. Hoje, o maior de todos os profetas diz expressamente: “Ele está àminha frente, ele existiu antes de mim”, isto é, ele é maior do que eu, ele existiu antes que o tempo existisse. João Batista afirma a eternidade de Jesus. E eterno só é Deus. Contudo, ainda que eterno, Jesus apareceu dentro do tempo, entre os homens, com uma missão divina. Isso vem dito com a figura da pomba – Espírito de Deus -, que desce,paira e permanece sobre Jesus. É como que uma consagração. É a maneira de dizer que Jesus de Nazaré, eterno como Deus, tem a plenitude de Deus e vai agir com a força e o poder de Deus (“batizará no Espírito Santo”). O evangelista coloca João Batista como exemplo de atitude de todo aquele que quer seguir Jesus: “Eu vi e dou testemunho”. Primeiro é preciso ver na pessoa humana de Jesus de Nazaré o Filho de Deus, eterno e com uma missão divina.  Entender e convencer-se desse fato. Depois testemunhar essa verdade, isto é, passá-Ia aos outros com humildade e convicção. “Dar testemunho” de Jesus é uma obrigação que João evangelista inculca ao longo de todo o Evangelho (por exemplo, 14,26; 15,27).   A luz das Nações: Ele veio ensinar os caminhos da vida Frei Almir Guimarães ♦ Terminados os dias do Advento e do Natal vamos penetrando no tempo comum enquanto esperamos a chegada do retiro quaresmal que nos levará à festa da Páscoa. Vamos fazendo nosso caminho, forjando nossa personalidade cristã com todas as naturais e eventuais dificuldades. João, o Batista, aponta Jesus no meio do povo. Ele é o Cordeiro que tira a maldade do mundo. Isaías, por sua vez, retoma a voz do Senhor dirigida ao misterioso Servo de Javé: “Não basta seres meu servo(…). Eu te farei luz das nações”. Somos convidados, sempre de novo, a alimentar e criar relacionamentos de intimidade aquele que nos ensina a ouvir a voz do Senhor e se se apresenta como luz da caminhada dos humanos e sobre o qual repousou o Espírito. Ele veio nos ensinar os caminhos da vida viçosa. ♦ João vira o Espírito descer sobre Jesus como uma pomba do céu e descer sobre ele. Pagola afirma: “As primeiras comunidades cristãs se preocuparam em diferenciar muito bem o batismo de João, que mergulhava as pessoas nas águas do Jordão, e o batismo de Jesus, que comunicava seu Espírito para purificar, renovar e transformar o coração de seus seguidores. Sem esse Espírito, a Igreja se apaga e se extingue’ (Pagola). ♦ Voltar a Jesus, retornar ao Evangelho, tecer relacionamentos de veneração e de estima para com esse Jesus ungido pelo Espírito: esta a urgência de nossos tempos. Andamos sempre precisando de equilíbrio. Nada de exageros de um ou de outro lado. Nada de uma religião fixada em formulações doutrinárias petrificadas e repetidas incansavelmente com os lábios. Longe manifestações exteriores marcadas por gestos quase delirantes e alimentadas com emoções. Antes de tudo está esse cuidado acercarmo-nos corretamente de Jesus vivo e presente em nosso meio. ♦ Desde a infância, e principalmente a partir da idade madura, seremos pessoas de convívio com o Senhor Jesus: certeza de sua misteriosa presença como ressuscitado, convivência pessoal e comunitária com sua palavra no Evangelho, nossa união ao seu sacrifício do altar fazendo-nos oferta da vida ao Pai com ele, certeza de que o encontramos nos seres mais diminuídos em sua dignidade, descobrindo sua presença nos salmos que balbuciamos, vivendo de tal maneira unidos a ele que podemos dizer que para nós viver é Cristo, sempre nos encantando com sua intimidade com o Senhor. Aos poucos, vamos tecendo laços de amor verdadeiro. ♦ Ele veio como o Servo do Senhor, para auscultar a vontade de seu Pai a quem se refere sempre com carinho. Veio também como luz, claridade, esclarecimento. Triste a experiência de caminhar nas trevas nos caminhos da vida ou no universo de nossa existência. Não podemos viver por viver, empurrar a vida para frente, esperando que as coisas aconteçam automaticamente. Precisamos organizar nosso presente e colocar as pedras da construção do amanhã. ♦ Cristo Jesus é luz. Andar em sua companhia e dirigir-se para o Pai, seu Pai e nosso Pai. Quem o vê de verdade, vê o Pai. Esse Jesus vivo nos faz entrar na esfera da luz. Ele nos toma pela mão e nos apresenta ao Pai. ♦ O que fazer de nossa vida? Há um momento em que precisamos ter um buquê de convicções para levar a bom termo a empreitada da existência. Jesus nos ilumina: > Uma vida de carinhosa e densa oração que não seja mero balbuciar dos lábios, mas gemidos e louvores que brotem de nossas entranhas quando acolhemos o Espírito. A oração de Jesus ilumina nosso rezar. Oração sem muitos efeitos sonoros e visuais. De preferência no silêncio do quarto com a porta fechada. Oração de entrega.>> Ter a certeza de que o Senhor, vivo e ressuscitado, nos chamou. Somos peregrinos na direção por ele mostrada. Discípulos que não guardam o tesouro para si. Discípulos que irradiam sem espalhafato. Somos sal da terra e luz do mundo. A luz que pode brilhar em nós vem da luz de Jesus.>> Estar sempre atento ao outro. A todos os outros. Com cuidado, sem afetação, dando tempo ao outro. O outro perto, em casa e o outro de fora e de dentro que quase pede desculpas pelo fato de existir. Atenção para com os jogados à beira do caminho. Não existimos para rodopiar em torno nosso mundinho. Como Jesus vivemos para haja luz à nossa volta.>> No momento das grandes decisões examinar se as escolhas que fazemos correspondem ao espírito das bem-aventuranças e às posturas de Jesus. Por detrás de nossas escolhas (modo de viver, casamento, paternidade e maternidade, administração do dinheiro, etc.) sempre deixar que a luz de Cristo a tudo ilumine.>> De modo particular nos momentos de turbulência, de dúvidas e de desânimo haveremos de nos expor à luz que é Cristo. Contemplaremos a maneira como enfrentou seus adversários. Diante do inevitável desfecho de sua trajetória não há passividade, mas confiança e entrega nos braços do Pai. Oração Aqui estou, Senhor;como o cego à beira do caminho,cansado, suado, poeirento;mendigo por necessidade e ofício.Passas ao meu lado e não te vejo.Tenho os olhos fechados para a luz.Costume, dor, desalento…Sobre eles cresceram duras escamasque me impedem de ver-te…Ah! Que pergunta a tua!O que deseja um cego senão ver?Que eu veja, Senhor, as tuas veredas.Que eu veja, Senhor, os caminhos da vida.Que eu veja, Senhor, sobretudo, teu rosto,teus olhos, teu coração. F. Ulibarri   O batismo do Espírito José Antonio Pagola O novelista Julien Green descreve uma assembleia de cristãos com estas penetrantes palavras: “Todo mundo acreditava, mas ninguém gritava de assombro, de felicidade ou de espanto”. Nós, cristãos de hoje, estamos conscientes da profunda contradição que se opera no interior de nossa vida, quando a apatia e a indiferença apagam em nós o fogo do Espírito. Parecemos homens e mulheres que, para dizê-lo com as palavras do Batista, foram “batizados com água” mas que lhes falta ainda serem batizados com “Espírito Santo e fogo”. Cristãos que vivem repetindo o que, talvez, aprenderam há anos em algum catecismo, ou o que escutam hoje dos pregadores. Falta-Ihes sua própria experiência de Deus. Pessoas que foram crescendo em outros aspectos da vida, mas que permaneceram atrofiadas interiormente, frustradas em seu “desenvolvimento espiritual”. Pessoas boas que continuam cumprindo com fidelidade admirável suas práticas religiosas, mas que não conhecem o Deus vivo que alegra a vida e desata as forças para viver. O que falta em nossas comunidades e paróquias não é tanto a repetição da mensagem evangélica ou o serviço sacramental, mas a experiência de encontro com esse Deus vivo. De modo geral, é insuficiente o que se faz entre nós para ensinar os crentes a penetrar em seu interior e descobrir a presença do Espírito no coração de cada um e no interior da vida. Escassos são os esforços para aprender praticamente caminhos de oração e silêncio que nos aproximem de Deus como fonte de vida. Seguimos escutando e repetindo as palavras de Jesus como vindas “do exterior”. Quase não nos detemos a escutar sua voz interior, essa voz amistosa e estimulante que ilumina, conforta e faz crescer em nós a vida. Dizemos de Deus palavras admiráveis, mas pouco nos ajudamos a pressentir Deus com emoção e assombro, como essa Realidade na qual nos sentimos vivos e seguros, porque nos sentimos amados sem fim e de maneira incondicional. Para degustar esse Deus não bastam as palavras nem os ritos. Não bastam os conceitos nem os discursos teológicos. É necessária a experiência pessoal. Que cada um se aproxime da Fonte e beba. Nós, cristãos, não deveríamos esquecer aquela observação que Tony de Mello fazia com seu habitual encanto: jamais alguém se embriagou pensando intelectualmente na palavra “vinho”. Assim também, para saborear e degustar a Deus, não basta teorizar sobre Ele. É necessário beber do Espírito.   O Cordeiro de Deus Pe. Johan Konings Terminado o tempo natalino, a liturgia dominical inicia uma primeira série de “domingos comuns”nos quais os evangelhos descrevem a vida pública de Jesus, depois de seu batismo por João. No Brasil, o 1º domingo comum é substituído pela festa do Batismo do Senhor. No 2º domingo, o evangelho conta como João Batista apresenta Jesus a seus discípulos chamando-o de “cordeiro de Deus”. Este título é estranho para nós e certamente não suscita muita simpatia entre os jovens. Nesta época de super-homens, nenhum jovem gostaria de ser chamado de “cordeiro”. O pano de fundo deste título é a imagem do Servo do Senhor, que se encontra nos “Cânticos do Servo”da profecia de Isaías. Domingo passado (Batismo do Senhor) foi-nos lido o 1º Cântico do Servo (Is 42 1-4): Deus coloca no Servo o seu Espírito. Hoje, a 1ª leitura nos faz ouvir o 2º Cântico: o Servo (Israel) deve reunir o povo de Deus e ser a luz das nações (Is 49, 3.5-6). O 3º e 4º Cântico (Is 50 e 53) serão lidos na Semana Santa, e é precisamente no 4º Cântico que o Servo Sofredor é comparado com o cordeiro levado ao matadouro, imagem que estende sua força também sobre os três primeiros cânticos. Se Jesus, ao ser batizado por João, aparece como o Servo do Senhor (cf. dom passado), João o chama, mais explicitamente, “o cordeiro que tira o pecado do mundo”, “aquele sobre quem o Espírito permanece” e que “batiza com o Espírito”. Tudo isso para dizer que Jesus é enviado por Deus para libertar o mundo do pecado e comunicar o Espírito de Deus aos fiéis. Ambas as coisas, ele as realiza por sua morte por amor a nós. Ele morre como o cordeiro redentor e, quando de sua “exaltação” (na cruz e na glória), confere-nos o Espírito (Jô 7,39), para libertar o mundo do pecado (cf. ev. De Pentecostes). Se combinarmos essas idéias, parece que este “cordeiro”não é tão passivo assim. Somos batizados no Espírito conferido pelo cordeiro libertador, para libertar o mundo do mal. Somos chamados a realizar a mesma missão do Servo e Cordeiro: dar a nossa vida, para que o pecado seja derrotado. É o sentido profundo do martírio cristão, que sempre acompanha a caminhada da comunidade de Jesus, até hoje. Martírio significa testemunho. Sempre haverá cristãos que representando o povo de Deus inteiro, darão sua vida para desfazer a força do pecado, para desarmar o mal do mundo (não apenas os atos maldosos de cada um, mas também as estruturas do mal, que devem ser combatidas com o empenho radical de nossa própria postura social). Tudo isso faz parte de nossa “vocação a sermos santos”, ou seja, a pertencermos a Deus (cf. 2ª leitura). Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Missionárias de Santa Teresinha têm nova Superiora Geral

Foi eleita na manhã desta terça-feira (14) a nova Superiora Geral da Congregação das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha. A escolha da Irmã Margarida Pantoja se deu durante a realização do IX Capítulo Geral da congregação, que ocorre no Sítio Nossa senhora da Glória em Bragança. Irmã Margarida que ocupava a função de vice-superiora, foi eleita para um mandato de 6 anos em substituição a Irmã Estelina de Oliveira, que esteve a frente da congregação por 6 anos. Irmãs que compõem o novo governo da congregação, da esquerda para a direita: Ir. Francisca Pantoja (Conselheira), Ir. Ana Ribeiro (Conselheira), Ir. Margarida Pantoja (Superiora Geral), Ir. Tânia (Vice Superiora) e Ir. Ivete (Conselheira)/ Foto: Irmãs Missionárias   A Congregação das Missionárias de Santa Teresinha foi fundada por Dom Eliseu Maria Coroli e pela co-fundadora Irmã Edith Almeida de Sousa, primeira Superiora Geral falecida recentemente. A edição do IX Capítulo Geral e da X Assembleia Geral serão concluídos nesta sexta-feira, dia 17. Margarida Pantoja da Silva, nasceu no município de São Domingos do Capim, sempre teve envolvimento na defesa das causas sociais na Diocese de Bragança e do Regional Norte 2. Irmã Margarida é Socióloga e professora dos cursos Fundamental II e Médio nas escolas públicas Julião Garcia e Monsenhor Mâncio Ribeiro. Atualmente é gestora da Casa dos Anjos. Reportagem - Jota Bahia Fundação Educadora de Comunicação

Bragança sediou o 3º Congresso do ECC diocesano

O município de Bragança sediou neste domingo (12) a realização do 3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo – ECC. O evento recebeu caravanas vindas de várias paróquias da Diocese de Bragança. O tema envolveu as comemorações dos 50 anos de fundação do ECC no Brasil. Iniciado em 1970 na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Pompéia em São Paulo, o Encontro de Casais com Cristo é um serviço da Igreja em favor da evangelização das famílias, mostrando pistas para que os casais se reencontrem com eles mesmos, com os filhos, com a comunidade e, principalmente, com Cristo. Com três etapas, tem como pilares a doação,  essência da vida cristã, pobreza, simplicidade, alegria e doação. Mais de três milhões de casais já passaram pelo encontro, seja participando ou trabalhando, que tem como característica principal ser uma ação de casais feita para casais, conforme sonhava seu fundador,  Pe. Afonso Pastore. Em Bragança, a concentração das famílias ocorreu logo no início da manhã no Teatro Museu da Marujada de onde seguiram em caminhada pelo centro histórico passando pelas igrejas de São Benedito, Catedral e Palácio Episcopal rumo ao Ginásio Dom Eliseu (Corolão). Na chegada, as caravanas identificadas por seus estandartes e bandeiras foram recebidas com animação e louvação. Coube ao Padre Gerenaldo Messias dirigir as palavras de acolhimento aos visitantes. Em seguida, o Padre Giovanni In Campo, sacerdote Barnabita (Fundador do ECC na Diocese de Bragança) fez uma pregação falando da importância do ECC na solidificação da Família Cristã. Missa de encerramento do III Congresso do ECC foi presidida por Dom Jesus/ Foto: Aldo Costa Após o testemunho de um casal que vivenciou o primeiro ECC na Diocese de Bragança, foi servido o almoço no Ginásio de Esportes. A programação se estendeu pela parte da tarde com apresentação Sociodrama, palestra e a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano de Bragança, Dom Jesus Maria, com a benção do Santíssimo Sacramento. O ECC no Estado do Pará foi implantado no ano de 1975, pelo Pe. Giovanni In Campo, enquanto que na Diocese de Bragança  ocorreu em 1984, na Paróquia São Miguel Arcanjo, em São Miguel do Guamá. Completa neste ano de 2020, 36 anos. Após a celebração da Missa, foi dado por encerrado oficialmente o  3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo da Diocese de Bragança. Reportagem - Jota Bahia Fundação Educadora de Comunicação

Festa do Batismo do Senhor

A salvação silenciosa e artesanal Frei Gustavo Medella É hora de voltar! Da praia, das férias, do descanso. Na Liturgia, fecha-se o Tempo do Natal com a Solenidade do Batismo do Senhor. O Menino Jesus, que veio para a salvação de todos e foi adorado e reverenciado pelos pastores, pelos magos, pelos anjos, agora é batizado – já adulto – por seu primo, João Batista, às margens do Rio Jordão. Ele é o Emanuel – Deus Conosco – no qual se confirmam e se concretizam as profecias do Antigo Testamento. A Salvação por Ele proposta é espetacular, mas nada tem de espetaculosa. É discreta, silenciosa e serena, tal qual descreve o Profeta Isaías: “Ele [o Servo, o Salvador] não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas” (Is 42,2). É artesanal: “Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega” (Is 42,3). Silenciosa e artesanal: duas lições urgentes e necessárias para os tempos atuais. O mundo está carente de silêncio, interior e exterior. Em tempos em que as questões se ganham no grito e na bala, em que o medo e a autodefesa erguem muros que distanciam e separam pessoas, no silêncio é que os diferentes conseguem se escutar, passam a se compreender e começam a se amar. Enquanto cada um estiver entorpecido pelo seu próprio barulho, imerso em seu “samba de uma nota só” (nada contra a música com este título, aliás, bem bonita), a Salvação estará distante e enfraquecida, pois ela só pode ocorrer no diálogo e no encontro. O fio do silêncio é capaz de tecer uma disposição de escuta fundamental para que possam ser ouvidas as vozes daqueles que clamam silenciosamente pela salvação: moradores de rua, desempregados, pessoas em situação trabalhista precária e insuficiente, idosos e crianças abandonadas, expatriados, aqueles que vivem em zonas de conflito e guerra e tantos outros que anseiam por mudanças urgentes e necessárias. A outra característica da Salvação é o fato de ela ser artesanal. Apesar das tentativas de apresentá-la de maneira “industrializada” e caricatural, ao modo da teologia da prosperidade ou de alguns modelos pautados no clericalismo e na exclusão, Deus quis que fosse algo construído a muitas mãos, com sensibilidade e perseverança. Numa sociedade onde o perecível e o descartável se apresentam como regra aplicada aos bens de consumo e, infelizmente, às pessoas, a pedagogia divina escolhe “não quebrar a cana rachada nem apagar o pavio que ainda fumega”. Trabalhar nesta perspectiva significa apostar todas as fichas na bondade e no amor que Deus plantou em cada coração humano. Diante da lógica artesanal da salvação, caem por terra máximas simplistas e excludentes que são forjadas por uma mentalidade pautada num punitivismo violento e nada empático que apregoa a multiplicação de armas e de guerras como forma de se construir uma sociedade pacífica formada apenas por “pessoas de bem”. O verdadeiro projeto salvífico de Jesus não deseja promover apenas as “pessoas de bem”, mas entrega-se totalmente num esforço divino-humano de despertar e fazer florescer o “bem das pessoas”, de todas, sem exceção.   Batismo do Senhor Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que, sendo o Cristo batizado no Jordão, e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar Constantemente em vosso amor.   Primeira leitura: Is 42,1-4.6-7 Eis o meu servo: nele se compraz minha alma.   A segunda parte do livro de Isaías (Is 40–55), inclui quatro poemas, chamados Cânticos do Servo Sofredor. Para a primeira leitura da festa do Batismo do Senhor foi escolhido o primeiro Cântico, escolha bem apropriada para iluminar o sentido do batismo de Jesus. Os primeiros cristãos começaram a ler o texto grego do Antigo Testamento à luz da fé em Cristo morto e ressuscitado. Em grego, a mesma palavra pais significa servo e filho. Assim, o servo é identificado com o Filho de Deus. Reliam os Cânticos do Servo Sofredor para interpretar a vida e a missão de Jesus (ver At 8,26-40). Na primeira leitura é Deus quem fala em primeira pessoa: “Eis meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito. Nele se compraz a minha alma”. A figura misteriosa do servo recebe o espírito de Deus para cumprir uma missão universal, “o julgamento das nações”. O termo “julgamento” ocorre duas vezes e o mesmo acontece com a palavra “Juiz”. O juiz é o servo, mas não anunciará um julgamento punitivo, pois os exilados pagaram em dobro pelos seus crimes (Is 40,2). O julgamento das nações é para salvar o povo eleito. O Servo virá com a mansidão de um pastor que cuida de suas ovelhas, sobretudo, das mais fracas: Não quebrará a cana rachada, nem apagará o pavio que ainda fumega. Nem descansará enquanto não estabelecer os seus ensinamentos e a justiça na terra. O Servo é escolhido a dedo – “eu te tomei pela mão”. Por fim, o Servo recebe uma missão: abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar os que vivem na escuridão do cárcere. O Servo Sofredor é alguém que se compadece e sofre com os injustiçados. Mateus usa o texto hoje lido para descrever a missão de Jesus (Mt 12,15-20).   Salmo responsorial: Sl 28 (29 Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!   Segunda leitura: At 10,34-38 Foi ungido por Deus com o Espírito Santo.   Na segunda leitura ouvimos um trecho do discurso de Pedro na casa de Cornélio, comandante de um batalhão romano. O comandante ouvira falar muito de Jesus, o grande profeta de Nazaré, condenado à morte de cruz por Pilatos. Desejoso de conhecer melhor a Jesus mandou chamar Pedro que estava em Jope para que viesse até em Cesareia, onde residia. O Apóstolo, conduzido pelo Espírito do Senhor, atendeu ao convite apesar de sua relutância em falar para os pagãos. Enquanto falava, o Espírito Santo se manifestou sobre Cornélio e seus familiares, como havia acontecido no dia de Pentecostes com os apóstolos e discípulos. Então, Pedro começa a entender que Deus não faz distinção entre judeus e pagãos, mas acolhe “quem o teme e pratica a justiça”, não importa de que nação ele seja. Em seu discurso Pedro não descreve os acontecimentos em torno da pessoa de Jesus, já conhecidos de muita gente, inclusive de Cornélio. Por isso diz: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo de João”. Invertendo a frase, temos o resumo e a estrutura dos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas: Batismo de Jesus, atividades de Jesus na Galileia e paixão morte e ressurreição na Judeia (Jerusalém). O que importa na primeira pregação (querigma) é o testemunho da fé: a) Jesus foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder; b) com esse poder “Ele andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio”; c) “porque Deus estava com Ele”.   Aclamação ao Evangelho Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu filho muito amado; escutai-o, todos vós!   Evangelho: Mt 3,13-17 Depois de ser batizado, Jesus viu o Espírito de Deus pousando sobre ele.   Celebramos domingo passado a festa da Epifania, encerrando as narrativas da história da infância de Jesus em Mateus e Lucas. Depois de ser batizado por João, Jesus é ungido pelo Espírito Santo e constituído como o Messias esperado por Israel, pronto para iniciar sua missão na vida pública. Naquele tempo havia uma grande expectativa da vinda iminente do Messias. João Batista, “ a voz que clama no deserto”, começa a convocar todo o povo da Judeia e da Galileia para a conversão e um batismo para o perdão dos pecados. No clima da esperança da vinda do messias, animada pela pregação do Batista, Jesus vem da Galileia até o rio Jordão para encontrar-se com João e ser por ele batizado. Jesus não precisava de conversão nem de perdão dos pecados. “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Mesmo assim, Jesus entre na fila com o povo para ser batizado. João parece perceber isso e protesta: “Eu é que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim”? E Jesus responde: “… nós devemos cumprir toda a justiça”. Com estas palavras Jesus se solidariza com os pecadores que haveria de salvar por sua morte na cruz. Diante do povo João reconhece a superioridade de Jesus e do batismo cristão. João batizava apenas com água, “em sinal de conversão”; Jesus, porém, haveria de batizar “no Espírito e no fogo” (3,11). Logo que foi batizado por João, Jesus saiu da água e o céu se abriu – literalmente, “rasgou-se” – e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre si; era um sinal visível de uma escolha divina, confirmado pela voz do céu, que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu agrado”. Assim Deus apresenta seu Filho Jesus, ungindo-o como o Messias esperado e qualificando-o para missão salvadora de toda a humanidade. Essa missão se encerra quando Jesus morre na cruz, a cortina do Templo “se rasga” e o oficial romano exclama: “Na verdade, este era Filho de Deus” (Mt 27,34). O batismo de Jesus o prepara para a missão e nos convida a assumirmos a nossa missão (2ª leitura).   Batismo: rito velho com sentido novo Frei Clarêncio Neotti O Batismo de Jesus é contado pelos quatro evangelistas. Isso significa que os primeiros cristãos davam uma importância muito grande ao fato. A palavra ‘batizar’, ‘batismo’ vem do grego e era usada na linguagem de todo dia, significando ‘mergulhar’, ‘imergir’. Mas o costume de lavar-se ou de mergulhar podia ter também um sentido religioso, tanto no Antigo Testamento quanto em regiões da Grécia, do Egito e da Índia. Três sentidos aparecem sempre, ora acentuando mais um, ora acentuando mais outro: a purificação externa e interna da pessoa (o Catecismo nos ensina que ele nos liberta do pecado original e tem força de perdoar outros pecados); a procura de um acréscimo de forças vitais e o dom da imortalidade (o Catecismo nos ensina que o mergulho na água do batismo significa o mergulho na morte de Cristo para poder com ele ressuscitar e levar uma vida nova); e um rito de iniciação, de introdução na comunidade, de assunção das obrigações e vantagens religiosas. João Batista não inventou, portanto, o batismo. Sem omitir os três sentidos tradicionais (que a Igreja adotou), João acentua um quarto: a conversão. E nisso coincide com a pregação de Jesus (Mt 4,17; Mc 1,15). João prepara o sentido profundo da doutrina de Jesus sobre a pertença ao Reino de Deus, cuja primeira condição é a conversão do coração. Os evangelhos mostram que João tinha consciência de estar apenas preparando o caminho de Jesus (Mt 3,11; Mc 1,7; Lc 3,15-16;Jo 1,19-27).   Nas águas do Rio Jordão Frei Almir Guimarães Assim fala Jesus a João, o Batista, no momento em que queria ser batizado, momento em que o precursor hesitava em acolher seu pedido: “Pelo meu batismo é que as águas serão santificadas recebendo de mim o fogo e o Espírito. Se eu não receber o batismo, elas não poderão ter o poder de gerar filhos imortais. É absolutamente necessário que tu me batizes, sem discussão, como te ordenei. Eu te batizei no seio materno; batiza-me agora no Jordão”Santo Efrém, diácono ♦ Estamos ainda no tempo das manifestações do Senhor. No Natal os anjos o anunciam como salvador na criança de Belém e falam da paz que então passa a existir no coração dos homens amados pelo Senhor. Na Epifania, magos que vieram de longe acolhem a manifestação do Menino das Palhas. Agora o Espírito desce sobre Jesus nas águas do Jordão. Ungido para missão, ele havia santificado as águas com sua presença e a voz do Pai coroou a tudo. “Este é o meu Filho bem-amado, escutai-o”. Um novo nascimento? Certamente que não. Os três eventos, no entanto, se entrelaçam: a manjedoura do menino das palhas, a manifestação ao magos e a imersão nas águas do Jordão e a atestação do Pai e do Espírito. Jesus é, literalmente o ungido. ♦ Batismo de água: eis um movimento de renovação interior inaugurado pelo Batista, que viera do deserto pedindo a transformação interior do homem. É dentro do coração do homem e de todos os homens que começa a se operar a renovação do mundo. Jesus insistirá no tema da conversão. João havia experimentado sucesso com sua pregação e muitos entravam no Jordão para receber este batismo de água. Jesus se associa ao cortejo dos pecadores. “Quero estar perto daqueles que começam a mudar o coração. João, vem aí alguma coisa nova. Vamos construir um mundo diferente. Vou purificar as águas do Jordão, santificá-las”, assim poderia dizer Jesus. Joao é o precursor, o preparador dos caminhos do Senhor. Não seria essa a missão da Igreja, de cada cristão, ou seja, de preparar os caminhos do Senhor? Depois do batismo no Jordão Jesus se sente autorizado a começar sua missão. Esse é o verdadeiro batismo: na água e no Espírito. ♦ “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba, vindo pousar sobre ele. E do céu vinha uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (cf.ev. do dia). Solene confirmação da filiação divina de Jesus, o Filho amado no qual são colocadas todas as complacências do alto. ♦ “Hoje é, portanto, como que um novo natal do Salvador. Vemo-lo, de fato, gerado com os mesmos sinais e milagres, porém com maior mistério. Pois o Espírito Santo, que o assistiu no seio materno, agora o ilumina em meio ao rio; aquele que preservou Maria para ele, agora santifica-lhe as águas. O Pai que antes estendeu sua sobra poderosa, agora faz ouvir a sua voz. E Deus, que outrora envolveu em sombra o nascimento, dá agora, como por uma deliberação mais perfeita, testemunho da verdade, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o” (São Máximo de Turim). ♦ O mesmo São Máximo de Turim, continua a nos esclarecer: “Que batismo é este, o do Salvador, no qual as águas em vez de purificar, são purificadas? Num novo gênero de santificação, a água não lava, mas é lavada. Desde o momento em que em emergiu da água, o Salvador consagrou todas as fontes no mistério do batismo, para que todo aquele que quiser ser batizado em nome do Senhor seja lavado não pela água do mundo, mas purificado pela água do Cristo. Assim, o Salvador quis ser batizado não visando adquirir pureza para si, mas afim de purificar as águas para nós”. ♦ Dá que pensar esta reflexão. No momento do Batismo de Jesus, uma voz do céu pede que esse Jesus, o Filho amado, seja ouvido. O apelo nos é dirigido. Passar a vida atentos ao que Jesus nos diz, nos mostra com sua vida, com suas palavras e com sua morte e ressurreição. Passar a vida à escuta do Filho amado. Carinhosamente unidos a ele. ♦ A celebração do Batismo do Senhor deve ser ocasião que pensemos em nosso próprio batismo, perdido nas brumas do tempo. “Os fiéis que nasceram e viveram na fé da Igreja têm necessidade de redescobrir a grandeza e as exigências da vocação batismal. É paradoxal que o batismo, fazendo o homem um membro vivo do Corpo de Cristo, não esteja bem presente na consciência explícita do cristão e que a maior parte deles não considere o seu ingresso na Igreja através da iniciação batismal, como momento decisivo de sua vida. O batismo nos foi dado em nome de Cristo, põe-nos em comunhão com Deus; é um novo nascimento; uma passagem da solidariedade no pecado à solidariedade no amor, das trevas e solidão ao mundo novo da fraternidade” (Missal da Paulus). O que fizemos de nosso batismo? Temos o cuidado de renová-lo, de modo especial durante o tempo catecumenal da quaresma e de modo especial na Vigília Pascal? Para refletir Nos primeiros séculos do cristianismo, o batismo era normalmente a culminação de todo processo de conversão e vinha expressar, de maneira viva, a aceitação consciente e responsável da fé cristã. Hoje não é mais assim. Nós somos batizados uns poucos dias depois de nosso nascimento, sem possibilidade alguma de que o batismo fosse um gesto pessoal nascido de nossa própria decisão. Esta prática de batizar as criancinhas foi introduzida bem cedo nas comunidades cristãs e, sem dúvida, tem um significado profundo na família que deseja ver seu filho integrado na comunidade cristã. Não obstante e por legítimo que seja o costume multissecular, é evidente que implica em graves riscos, se não adotamos uma postura responsável. O batismo das criancinhas não pode ser entendido como culminância de um processo de conversão. Só terá sentido se o considerarmos o inicio de uma vida que deverá ser ratificada mais tarde. O batismo que recebemos como crianças está exigindo de nós, adultos, uma confirmação na fé, uma ratificação pessoal. Sem ela, nosso batismo continua incompleto, como sinal vazio de conteúdo responsável, como chamado sem eco nem resposta verdadeira. José Antonio Pagola, O caminho aberto por Jesus, Mateus, p. 43-44 Oração Espírito de Deus, Espírito de Jesus,Espírito da sinagoga de Nazaré,Tu que és o Espírito dos pobrese dos que foram ungidos para lutar com eles.Vem.Vem se tardar.Unge-nos com teu óleo santo.Inunda nossos corações com seu amor.Depois, envia-nos os pobres,para levar-lhes alegria e a dignidade de Jesus,para dar-lhes o que devemos por justiça,a fim de fazer um mundo novo à tua medida,o mundo do EspíritoP.Loidi   O Espírito bom de Deus José Antonio Pagola Jesus não é um homem vazio nem disperso interiormente. Não age por aquelas aldeias da Galileia de maneira arbitrária, nem movido por qualquer interesse. Os evangelhos deixam claro desde o início que Jesus vive e atua movido pelo “Espírito de Deus”. Não querem que Ele seja confundido com qualquer “mestre da lei”, preocupado em introduzir mais ordem no comportamento de Israel. Não querem que Ele seja identificado com um falso profeta, disposto a buscar um equilíbrio entre a religião do templo e o poder de Roma. Além disso, os evangelistas querem que ninguém o equipare ao Batista. Que ninguém o veja como simples discípulo e colaborador daquele grande profeta do deserto. Jesus é “o Filho amado” de Deus. Sobre Ele “desce” o Espírito de Deus. Só Ele pode “batizar” com Espírito Santo”. Segundo toda a tradição bíblica, o “Espírito de Deus” é o alento de Deus que cria e sustenta toda a vida. É a força que Deus possui para renovar e transformar os viventes. Sua energia amorosa que busca sempre o melhor para seus filhos e filhas. Por isso Jesus se sente enviado não para condenar, destruir ou maldizer, mas para curar, construir e abençoar. O Espírito de Deus o conduz a potenciar e melhorar a vida. Cheio desse “Espírito” bom de Deus, Ele se dedica a libertar as pessoas de “espíritos malignos”, que não fazem senão danar, escravizar e desumanizar. As primeiras gerações cristãs tinham bem claro na memória o que Jesus havia sido. Resumem assim a lembrança que Ele deixou gravada em seus seguidores: “Ungido por Deus com o Espírito Santo … passou pela vida fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele” (At 10,38). Que “espírito” nos anima hoje como seguidores de Jesus? Qual é a “paixão” que move sua Igreja? Qual é a “mística” que faz nossas comunidades viver e atuar? O que estamos incutindo no mundo? Se o Espírito de Jesus está em nós, vamos viver “curando” os oprimidos, deprimidos ou reprimidos pelo mal.   Solidariedade e salvação Pe. Johan Konings Nesta festa, celebrada no domingo depois da Epifania, a liturgia recorda o batismo de Jesus por João Batista nas águas do Jordão. É mais uma “epifania: Jesus é manifestado como Filho de Deus.” A 1ª Leitura apresenta o 1º cântico do Servo (Is 42), que recebe o Espírito de Deus para ser a luz das nações e o libertador dos oprimidos. Assim, ao ser Jesus batizado por João, Deus o proclama “seu filho”, e o Espírito de Deus desce sobre ele de modo visível, em forma de pomba – o pássaro mensageiro. Recebendo o Espírito de Deus, Jesus assume sua atividade como enviado de Deus. Por isso, conforme a 2ª leitura, a pregação dos apóstolos a respeito de Jesus iniciava com a menção do batismo de Jesus por João. Jesus é, portanto, o Servo do Senhor por excelência, o Filho de Deus. Sobre ele repousa o Espírito Santo, o dinamismo de Deus Santo, fazendo com que tudo o que o Filho faz seja obra que Deus deseja (evangelho). Neste sentido devemos compreender a objeção do Batista, que achava que ele devia ser batizado por Jesus e não o contrário. Se Jesus é maior que o Batista, por que deixou-se batizar por ele? Se João Batista batizava para pedir o perdão dos pecados, Jesus não devia estar no meio dos batizados… Ou sim? Pois Jesus é o realizador do desígnio (projeto) de Deus. Jesus quer ser solidário com o povo que ele vem libertar; embora ele mesmo não tenha pecado, pede a João para ser batizado em meio aos pecadores. Assim, ele quer “cumprir toda a justiça”, isto é, o plano de salvação de Deus. Jesus não se comporta como um privilegiado. Se queremos salvar alguém, tirar alguém do poço, devemos descer até onde ele está… Por isso, Jesus se deixa batizar no meio dos pecadores, cumprindo assim a justiça, o plano do Pai. O batismo de Jesus é despojarmos de sua grandeza divina, e, ao mesmo tempo, manifestação do Espírito. Isso contém um significado para nosso próprio batismo. Para comunicar o Espírito no qual fomos batizados devemos mergulhar no mundo em que vivem os nossos irmãos e irmãs, mundo marcado pela presença do pecado. Jesus participou do batismo do perdão dos pecados porque participava da comunidade humana curvada sob o pecado. O batismo cristão não significa meramente o perdão dos pecados, como o de João (muito menos mera bênção de saúde ou coisa semelhante). É a participação no batismo de Cristo e na sua missão como Servo de Deus, no Espírito. Nosso batismo deve levar-nos ao serviço de nossos irmãos. Ser batizado é tornar-se Servo do Senhor com Cristo, o Servo por excelência. A preparação do batismo deve ensinar isso aos candidatos, ou aos pais e padrinhos. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

III Congresso Celebrativo do ECC

No próximo dia 12, domingo, a cidade de Bragança receberá caravanas vindas de várias partes da Diocese de Bragança. O motivo, desta vez, é a celebração do 3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo - ECC na diocese. E desta vez há um motivo mais do que especial para ser comemorado no próximo dia 12: o ECC está completando 50 anos de fundação no Brasil. Iniciado em  1970, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Pompéia, em São Paulo  o Encontro de Casais com Cristo é um serviço da Igreja em favor da evangelização das famílias, mostrando pistas para que os casais se reencontrem com eles mesmos, com os filhos, com a comunidade e, principalmente, com Cristo. Com três etapas, tem como pilares a doação,  essência da vida cristã, pobreza, simplicidade, alegria e doação. Hoje o ECC está presente em mais de 800 paróquias espalhadas por todas as regiões do Brasil e até em algumas dioceses no exterior, como por exemplo no Canadá. Desde que se originou mais de três milhões de casais já passaram pelo encontro, seja participando ou trabalhando, pois este serviço tem por característica principal ser uma ação de casais feita para casais, conforme sonhava seu fundador, o Pe. Afonso Pastore. No dia 12 de janeiro, aqui em Bragança, as atividades referentes ao 3º congresso celebrativo devem ter início com a concentração, que acontece a partir das 07:45 horas no Museu da Marujada, nas proximidades da Igreja de São Benedito. Depois desse momento as famílias serão direcionadas ao Ginásio de Esportes Dom Eliseu Coroli onde se desenvolverá todo o congresso até por volta das 15 horas. A programação completa para esse dia será a seguinte: 07h45min às 08h45min - Acolhida e café da manhã no museu da marujada. 09h00min - Caminhada dos casais pelas ruas de Bragança, passando pelas igrejas de São Benedito, Catedral e Palácio Episcopal rumo ao Ginásio Dom Eliseu. 09h45min - Boas-vindas ao chegar ao ginásio com animação e louvação em recepção às caravanas com seus estandartes e bandeiras. 10h30min - Padre Gerenaldo Messias 10h50min - Padre Giovanni In Campo (Fundador do ECC na Diocese de Bragança do Pará) 11h40min - Palestra do casal que vivenciou o primeiro ECC em nossa diocese. 12h00min - Testemunho – Casal 12h15min - Almoço 13h30min - Sociodrama 13h45min - Palestra - Casal diocesano 14h00min - Missa com benção do Santíssimo Sacramento - ENCERRAMENTO OFICIAL. O ECC no Estado do Pará foi implantado no ano de 1975, pelo Pe. Giovanni In Campo, que estará domingo em Bragança. Já na Diocese de Bragança do Pará foi implantado em 1984, na Paróquia São Miguel Arcanjo, na cidade de São Miguel do Guamá. Completa neste ano de 2020, por tanto, os seus 36 anos. E para celebrar esse momento o ECC está preparando para agosto, em São Miguel do Guamá, onde tudo começou, uma belíssima festa em forma de congresso diocesano. Em momento oportuno traremos mais informações sobre essa data de agosto. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Dom Jesus celebra mais um ano de vida

Está de aniversário nesta segunda-feira (06), Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces (Bispo da Diocese de Bragança do Pará) que é de nacionalidade espanhola, nascido em Navarra no dia 06 de janeiro de 1952. Filho de Santiago Cizaurre e Maria Berdonces. Fez sua profissão religiosa em 10 de setembro de 1972, em Monachil (Granada - Espanha), na Ordem dos Agostinianos Recoletos. Cursou seus estudos teológicos em Granada. Foi ordenado sacerdote no dia 26 de junho de 1976. No dia 12 de janeiro de 1977 chegou ao Brasil. Serviu como missionário na Prelazia de Marajó (Pará), por 13 anos. Foi formador dos seminaristas Agostinianos Recoletos em São Paulo, no período de 1990 a 1994. Ocupou os cargos de Superior e Pároco na Comunidade de São José de Queluz, em Belém do Pará de 1994 a 1997. Foi, ainda, Superior Maior da Província Santo Tomás de Vila nova, no Brasil. Foi designado 3º Bispo da Prelazia de Cametá, pelo Papa João Paulo II, em 23 de fevereiro de 2000. Sua ordenação episcopal foi realizada em Cametá no dia 07 de maio de 2000. Sua posse aconteceu também no mesmo dia 07 de maio. Dom Jesus governou a Prelazia de Cametá até sua ereção como Diocese, em 06 de fevereiro de 2013, passando a ser o seu primeiro bispo diocesano. Como titular da nova diocese, permaneceu até 17 de agosto de 2016, quando o Papa Francisco o transferiu para a Diocese de Bragança do Pará. Para comemorar esse momento de aniversário, houve uma missa solene as 6h da manhã desta segunda-feira na Catedral Nossa Senhora do Rosário, que foi presidida pelo aniversariante do dia e concelebrada pelos Padres Raimundo Elias (Catedral do Rosário), Mairon Christian (Catedral do Rosário) e Gerenaldo Messias (São João Batista), na celebração estiveram presentes algumas missionárias de Santa Teresinha e a povo em geral, ao término da santa missa foi cantado os parabéns a Dom Jesus, que recebeu os parabéns de todos os presentes. Reportagem e fotos: Fabrício Bragança.

ECRAMA, abre as inscrições do curso Agroecologia e Cidadania para o 2020.

O curso, na sua V edição, dura um ano e tem carga horária total de 300 horas, divididas em cinco módulos de uma semana; sendo 200 horas presenciais – tempo escola, e 100 hora desenvolvendo atividade na família – comunidade. A inscrição é gratuita e poderá ser feita no período de 06 janeiro à 21 de fevereiro de 2020. O curso é destinado a selecionar agricultores (as) familiares: jovens e adultos, homens e mulheres, com idade entre 16 a 35 anos, que devem prioritariamente ter vínculo direto com o trabalho agrícola da família e morar na propriedade. O local de realização do curso no tempo escola será na sede da Escola ECRAMA, à 11ª Travessa da Colônia Montenegro – zona rural – município de Bragança. O primeiro modulo do curso Agroecologia e Cidadania, vai de 23 à 27 Março 2020. Para maiores informações e retirada do edital: Passar no escritório da ECRAMA, Av. Presidente Castelo Branco, 649 - Santa Luzia do Pará. Solicitar pelo e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo fone (91) 34451461. Ou, pode fazer download no final da página. Escola ECRAMA é uma organização da Obras Sociais da Diocese de Bragança. Por ECRAMA

Epifania do Senhor

Vai buscar quem mora longe Frei Gustavo Medella “Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu”. O verso da canção de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho ilustra de forma artística um elemento fundamental da Festa da Epifania: o abraço acolhedor de Deus que se estende a todos, aos de longe e aos de perto, aos de casa e aos de fora. Os magos moravam longe mas, guiados pela estrela, vieram em busca de seus sonhos porque se deixaram buscar pelo mistério de Deus Menino. A atmosfera da Epifania é verdadeira estrela guia para a missão evangelizadora da Igreja que, por conta do contexto de seu surgimento, desde a manjedoura, passando pela cruz e pelo sepulcro vazio, deve ser missionária, itinerante e dialogal. Aproximar-se de quem mora longe, especialmente nas periferias da dor e do sofrimento, é missão fundamental, é razão de ser da Igreja sem a qual ela corre o risco de perder a força do Espírito que a conduz.   Epifania do Senhor Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu”. Primeira leitura: Is 60,1-6 Apareceu sobre ti a glória do Senhor. Em 597 a.C., Nabucodonosor conquistou Jerusalém e levou a elite governante de Judá, inclusive o sacerdote Ezequiel. Em uma de suas visões na Babilônia o profeta vê a glória do Senhor abandonando o templo de Jerusalém, que seria logo destruído (587 a.C.), e dirigindo-se à planície onde os exilados estavam morando. Deus dispensava o Templo, mas queria estar com o seu povo no exílio. Ezequiel também promete que um dia os exilados seriam levados de volta a Jerusalém e haveriam de reconstruir o Templo e a glória do Senhor voltaria com todo seu esplendor ao novo santuário. No texto da primeira leitura, um discípulo do profeta Isaías retoma as promessas de seu mestre Isaías (Is 9,1-6), convoca os exilados a voltarem a Jerusalém para reconstruir suas casas e o Templo. Com maestria, usa de uma linguagem poética envolvente. Vê a luz da glória do Senhor brilhando sobre Jerusalém, as luzes das lamparinas acesas, sinais de vida nas casas novamente habitadas. Jerusalém brilhante como um facho luminoso, atrai não só seus filhos e filhas dispersos pelos diversos países, mas também os povos pagãos, ainda envoltos na escuridão. Se no passado Jerusalém foi saqueada pelos dominadores. Agora são camelos e dromedários que trazem gente de todos os povos, com suas riquezas e incenso, para proclamar a glória do Senhor. Mateus vê a realização desta profecia quando Jesus inicia a pregação do Reino de Deus, na “Galileia dos pagãos” (4,13-17). Guiados pela estrela, os magos levam seus presentes a Belém para adorar o menino Jesus (Evangelho). Segunda leitura: Ef 3,2-3a. 5-6   Agora foi-nos revelado que os pagãos são co-herdeiros das promessas. Paulo escreve à comunidade de Éfeso, onde a maioria dos cristãos era de origem pagã. Com alegria recorda a graça que Deus lhe concedeu de ter realizado o plano divino de trazê-los à fé cristã. O Evangelho que Paulo prega faz parte do plano de Deus a respeito dos efésios; é um mistério escondido no passado no coração de Deus e agora revelado: Não só os judeus são destinatários da salvação trazida por Jesus Cristo, mas também todos os pagãos. Pelo seu Espírito Deus revelou este mistério: Pela fé, a salvação trazida por Cristo une a todos numa só família, tanto judeus como pagãos, (1ª leitura e Evangelho). Evangelho: Mt 2,1-12 Viemos do Oriente adorar o Rei. Os magos vêm do Oriente até Jerusalém porque viram um sinal especial no céu. Segundo uma profecia do profeta chamado Balaão, no futuro haveria de aparecer uma estrela no céu sobre Israel. Seria o sinal de que nasceu um rei em Judá, o Salvador de seu povo (Nm 24,17). Os magos conheciam a profecia de Balaão, um profeta pagão. Quando viram a estrela no céu, acreditaram ser o sinal que indicava o nascimento do rei salvador, esperado pelos judeus. É no Oriente que nasce o “astro Rei”, o Sol. Os magos, porém, seguem uma insignificante estrela, que os guia em direção ao Ocidente. Ao chegar a Jerusalém, a estrela some. Dirigem-se então ao palácio do rei e perguntam pelo rei dos judeus que acabara de nascer. Herodes fica alarmado, com medo de perder o trono, e toda Jerusalém treme porque conhece a crueldade do rei. Herodes consulta os entendidos nas Escrituras antes de responder aos magos. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei respondem, citando o profeta Miqueias, que o rei esperado deveria nascer em Belém. Os doutores sabem ler interpretar as Escrituras, mas não acreditam. Herodes finge interesse em conhecer o menino, mas com a intenção de eliminar um possível concorrente ao trono. Só os magos, pagãos, acreditam na profecia bíblica de Balaão e nas palavras do profeta Miqueias. A fé dos magos, iluminada pelas Escrituras, faz reaparecer a estrela que os guia até a casa onde “viram o menino com Maria, sua mãe”. Prostraram-se em adoração diante do menino e ofereceram-lhe como presentes ouro, incenso e mirra; ouro, porque o menino é rei; incenso, porque é Deus, e mirra porque é homem, haveria de morrer por nós na cruz e seria embalsamado com mirra e aloés (Jo 19,39). Enquanto os magos, guiados pela sua fé nas Escrituras dos judeus, com alegria vão ao encontro do Salvador, os chefes religiosos dos judeus o ignoram e Herodes vê no menino-rei uma ameaça para seu trono e procura eliminá-lo. Em Belém a alegria, em Jerusalém a tristeza e o temor. Mateus escreve para uma comunidade mista, composta de judeus e de pagãos convertidos. Alegra-se com os pagãos porque acolhem o Evangelho com alegria, mas sente um profundo pesar pelos seus irmãos judeus, que o rejeitam. Mais tarde, admirado com a fé do oficial romano, Jesus dirá: “Muitos virão do Oriente e do Ocidente sentar-se à mesa com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8,11). Qual é a estrela que nos guia ao encontro de Cristo Jesus? Há dois modos de nos aproximarmos de Deus: Pelos sinais da natureza e pelos Livros Sagrados. Santo Agostinho fala de dois livros escritos por Deus: um é a criação e outro, a Bíblia Sagrada. A estrela de Belém é o próprio Cristo Jesus. Ele “é a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todas as pessoas” (Jo 1,9). Deixemo-nos iluminar e guiar pela Verdadeira Luz.   O universo inteiro aos pés de Jesus Frei Clarêncio Neotti Houve cientistas que saíram à procura da estrela que orientou os magos. Fizeram cálculos para mostrar o aparecimento no céu, de determinado cometa nessa época. Não há necessidade. Assim como os magos simbolizam a humanidade toda, a estrela simboliza o firmamento que desce das alturas para reverenciar seu Criador, agora na gruta de Belém. Trata-se de linguagem poética, facilmente compreensível. Afinal, Jesus não veio apenas salvar o homem, mas redimir a natureza inteira, incluídos os animais e os astros. Além do mais, esse texto foi escrito por Mateus, que procura mostrar a realização das profecias. E há uma no livro dos Números (24,17) que diz assim: “Eis que vejo, mas não agora, percebo-o, mas não de perto: de Jacó desponta uma estrela, de Israel se ergue um cetro”. A ideia de os animais (representados pelo boi [vaca] e pelo burro), os astros (a estrela caminhante), as pedras (a gruta), as plantas (o feno) e, sobretudo, os homens de todas as raças e de todas as classes sociais (os pastores são os pobres e marginalizados; os reis magos, a classe alta) se achegarem ao Menino para adorá-Lo é um quadro lindo e necessário: o universo, criado por amor; inclina-se humilde e reverente diante do Criador que, por amor, fez-se criatura semelhante a todas as criaturas, sem deixar sua condição divina. Santo Agostinho viu nos pastores os homens de perto e nos magos viu os homens de longe: o perto e o longe se encontram hoje aos pés de Jesus, porque, a partir de agora, não existem distâncias possíveis para separar Deus e a humanidade, o Criador e as criaturas. E muito menos razão de separação entre os homens. “Todos são membros de um mesmo corpo, coparticipantes em Cristo Jesus” (Ef 3,6), como lemos na segunda leitura. É o mesmo São Paulo a nos lembrar (Ef l,lO) que esse Menino, deitado na manjedoura, “é a cabeça de todas as criaturas, tanto as que estão no céu quanto as que estão na terra”, por isso descem as estrelas, movimentam-se as criaturas racionais e irracionais e se encontram na gruta de Belém, para reconhecer o Senhor. A primeira leitura (Is 60,1-6) parece até a crônica desse encontro, em que as trevas e a luz se abraçam para desenhar a aurora da missão salvadora de Jesus e tudo e todos “proclamam as obras do Senhor”.   Dos que anseiam encontrar a Casa de Deus Uma criança envolta em panos Frei Almir Guimarães Com frequência nossa vida transcorre na crosta da existência. Trabalhos, contatos, problemas, encontros, ocupações diversas nos levam para cá e para lá; e nossa vida vai passando, enchendo cada instante com algo que precisamos fazer, dizer, ver ou planejar. Corremos assim o risco de perder nossa identidade, de transformarmo-nos numa coisa a mais entre outras e de viver em que direção caminhar. Existe uma luz capaz de orientar nossa existência? Existe uma respostas aos nossos anseios e aspirações mais profundas? A partir da fé cristã esta, essa resposta existe. Essa luz já brilha na criança de BelémJosé Antonio Pagola ♦ Diversos personagens que fazem parte do presépio do Menino Jesus. Apenas Mateus faz alusão à visita de Magos vindo do Oriente. Antes tinham acorrido ao presépio pastores curiosos e simples. Agora três ilustres cavalheiros. Peregrinos de Deus. Gente de outros cantos da terra e do mundo. Símbolos de todos os buscadores de Deus. Chegam, parlamentam, conversam com uns e outros a respeito do nascimento do Menino. Trazem presentes. Gente de coração generoso e reto. Falam de um estrela que havia aparecido no céu de suas vidas e no firmamento de seu país. Obstinadamente venceram obstáculos. O amor de Deus, assim, se manifesta a todas as nações da terra. É nossa história, o relato da nossa aventura humana que aí é retratado. ♦ Buscadores de Deus! Que bom se esta aventura fosse verdadeira para nós em nossos tempos, que não cessamos nossa busca. Muitos de nós nascemos no seio de famílias cristãs e fomos sendo envolvidos por ritos e símbolos. Passamos a viver uma “religião” com rezas e sacramentos. Alguns tivemos a chance de viver numa família esclarecida e num ambiente em que o Evangelho era levado em conta. Outros foram separando vida da fé e fé da vida. Foram perdendo o fogo da busca de Deus, o fogo do Evangelho. Deus não pode ser um acessório, um “à coté”, ao lado daquilo que chamamos de vida. O que conta não é a vida? ♦ Há aqueles que, interpelados pelo maravilhoso, pelo inesperado ou pelo trágico da vida sentiram brilhar uma estrela, o frágil cintilar de uma estrela: o nascimento de um filho, uma turbulência familiar, a ameaça de um fracasso no casamento, uma derrocada financeira, o inferno das drogas, a visita de uma pessoa que mais parecia um anjo caído do céu. ♦ Há os que reencontram ou reencontraram a fé frequentando as páginas dos evangelhos e tentando descobrir o Deus de Jesus Cristo nas parábolas, nos ditos do Mestre, na esperança que se se podia perceber em sua fala. São pessoas que, aos poucos, vão dando suas a Levi e Zaqueu e hospedam o Senhor em sua intimidade. Umas vão se identificando com o filho pródigo e sentem o abraço do Pai das misericórdias. Trazem para ao presépio o tesouro de suas vidas. ♦ Muitos descobrem a Deus na dedicação aos outros. Sentem-se felizes quando podem ser para e sendo para… compreendem que Deus é ser para… Lembram-se das lições do catecismo onde haviam aprendido que quando damos um copo de água fria ao menor dos nossos irmão é a Jesus que o ofertamos. ♦ Deus vem no visitar e chega na simplicidade de um nascimento e termina seus dias no alto de uma cruz, completamente injustiçado, privado até de suas vestes. Um Deus que não mora nas alturas, mas chega perto de cada um de nós. O Menino deitado nas palhas, no despojamento total, carente de nossa atenção, é a verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo. Veio para todos o orbe. Fora dele não há claridade. Através dos tempos fomos vendo a procissão de peregrinos iluminados pela luz da estrela da fé. Os Magos representam os homens e as mulheres que carregam questionamentos e interrogações, que não estão satisfeitos com a vida pela metade, que buscam um sentido mais pleno para os dias que vivem. Textos para reflexão ♦ Os magos, da cidade real, onde julgavam dever encontrar o rei, dirigem-se à pequena cidade de Belém. Entram no estábulo e encontram um recém-nascido envolto em panos. Não se aborrecem com o estábulo, não se chocam com os panos, nem se escandalizam com o menino amamentado: prostram-se, veneram-no como rei, adoram-no como Deus. Quem os conduziu, também os instruiu, e quem os avisou exteriormente pela estrela, também os alertou no segredo do coração. Assim esta manifestação do Senhor tornou glorioso este dia e a piedosa veneração dos magos o fez venerável. Dos sermões de São Bernardo, abade ♦Hoje os magos que procuravam o Senhor resplandecente nas estrelas, o encontram num berço. Hoje, os magos veem claramente envolvido em panos aquele que há muito tempo buscavam de modo o obscuro nos astros. Hoje os magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem oferecendo-lhe místicos presentes, incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que havia de morrer.São Pedro Crisólogo Oração Estás perto,estás sempre,estás esperandoe eu não me detenho.Respeitas minha liberdade,caminhas junto a mim,sustentas minha vidae eu não te tomo conhecimento.Tu me ajudas a conhecer-me,me faz como a um filho,me chamas a ser eu mesmoe eu não te presto atenção.Tu me amas com ternura,queres o melhor para mim,me ofereces tudo o que é teue eu não te agradeço.F.Ulíbarri   Nossa incapacidade para adorar José Antonio Pagola O ser humano atual ficou em grande parte atrofiado para descobrir a Deus. Não que ele seja ateu. É que ele se tornou “incapaz de Deus”. Quando um homem ou uma mulher só busca o amor sob formas decadentes, quando sua vida é movida exclusivamente por interesses egoístas de lucro e ganho, algo seca em seu coração. Muitos vivem hoje um modo de vida que os oprime e empobrece. Envelhecidos prematuramente, endurecidos por dentro, sem capacidade de abrir-se a Deus por nenhum resquício de sua existência, caminham pela vida sem a companhia interior de ninguém. O teólogo Alfred Delp, executado pelos nazistas, via neste “endurecimento interior” o maior perigo para o ser humano moderno: “Assim o homem deixa de alçar até as estrelas as mãos de seu ser. A incapacidade do ser humano atual de adorar, de amar e de venerar tem sua causa em sua excessiva ambição e no endurecimento de sua existência”. Esta incapacidade de adorar a Deus apoderou-se também de muitos crentes que só buscam um “Deus útil”. Só lhes interessa um Deus que sirva para seus projetos individualistas. Assim Deus se converte em um “artigo de consumo” do qual se dispõe segundo nossas conveniências e interesses. Mas Deus não é isso. Deus é Amor infinito, encarnado em nossa própria vida. E, diante desse Deus, só nos cabe a adoração, o júbilo, a ação de graças. Quando se esquece isto, o cristianismo corre o perigo de converter-se num esforço gigantesco de humanização, e a Igreja numa instituição sempre tensa, sempre oprimida, sempre com a sensação de não conseguir o êxito moral pelo qual luta e se esforça. Mas a fé cristã é, antes de tudo, descobrir a bondade de Deus, experiência agradecida de que só Ele salva: o gesto dos magos diante do Menino de Belém expressa a atitude primordial de todo crente diante de Deus feito homem. Deus existe. Está aí, no fundo de nossa vida. Somos acolhidos por Ele. Não estamos perdidos no meio do universo. Podemos viver com confiança. Diante de um Deus, do qual só sabemos que Ele é Amor, não cabe senão a alegria, a adoração e a ação de graças. Por isso, “quando um cristão pensa que já nem sequer é capaz de orar, deveria pelo menos ter alegria” (Ladislao Boros).   Adorar Deus no Menino Jesus Pe. Johan Konings Quando celebramos, no dia 6 de janeiro ou no domingo seguinte, a festa dos Reis Magos, as ocupações do turismo impedem muitos de contemplar o sentido desta festa. Mesmo assim, vale a pena dedicar-lhe nossa atenção, pois não é uma festa meramente folclórica. O nome oficial da festa dos Reis Magos, “Epifania”, significa manifestação ou revelação. Contemplamos o paradoxo da grandeza divina e da fragilidade da criança no menino Jesus. Pensamos nos milhões de crianças abandonadas nas ruas de nossas cidades, destinadas à droga, à prostituição. Outras milhões mortais pela fome, doença, guerra,aborto. Órgãos extraídos, fetos usados para produzir células que devem rejuvenescer velhos ricaços… Qual é o valor de uma criança? Os “magos” – astrólogos vindos do Oriente – seguiram o caminho da estrela para adorar um menino do qual não sabiam nome nem paradeiro (evangelho). Como os reis anunciados pelo “terceiro Isaías” (1ª leitura), trazem de longe suas riquezas, para apresenta-las ao menino Jesus. Essa narração quer nos ensinar que Jesus é aquele que merece adoração universal, o Messias. E acena também à missão da Igreja, de anunciar a salvação universal (2ª leitura). A estrela conduziu os magos a uma criança pobre, que não tinha nada de sensacional. Mas o rei Herodes, cioso de seu poder, pensou que Jesus fosse poderoso e, portanto, perigoso. Esse rei, que tinha mandado matar seus próprios filhos e sua mulher Mariamne, mandou, para que Jesus não lhe escapasse, matar todos os meninos de Belém. Deus se manifesta ao mundo numa criança, e nós somos capazes de mata-la, em vez de reconhecer nela a luz de Deus. Por que Deus se manifestou numa criança? Esquisitice, para nos enganar? Nada disso. Salvação significa ser libertado dos poderes tirânicos que nos escravizam, para realizar a liberdade que nos permite amar. Pois para amar é preciso ser livre, agir de graça, não por obrigação nem por cálculo. Por isso, a salvação que vem de Deus não se apresenta como poder opressor, como o de Herodes. Apresenta-se como antipoder, como uma criança aparentemente sem valor. Aqui, no início do evangelho de Mateus, a salvação universal manifesta-se numa criança; no fim dos ensinamentos de Jesus, o critério do juízo final será a caridade gratuita realizado ao pequenino (Mt 25, 31-46). O pequenino de Belém é venerado como rei, e no fim do evangelho, esse “rei” (25,34) julgará o universo, identificando-o com os mais pequeninos: “O que fizestes a um desses mais pequenos, que são meus irmãos, a mim o fizestes” (25,40). Quanta lógica em tudo isso! Deus não precisa de nos esmagar com seu poder para se manifestar. Nem precisa do palco de uma TV mundial para se dar a conhecer. Para ser universal, prefere o pequeno, pois só quem vai até os pequenos e os últimos é realmente universal. Falta-nos a capacidade de reconhecer no frágil, naquele que o mundo procura excluir, o absoluto de nossa vida – Deus. Eis a lição que os reis magos nos ensinam. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Santa Mãe de Deus, Maria

Sob o olhar de Maria abrimos o Ano Novo Frei Almir Guimarães Quanto a Maria, guardava todos esses fatose meditava sobre eles em seu coração (Lucas 2, 19) ♦ Tudo começa de novo. Ano da graça de 2020. Até aqui chegamos com a graça do Senhor. Solenidade da Mãe de Deus. Ano novo. Dia mundial da Paz. Maria está a nos dizer que, como ela, precisamos levar tudo ao fundo do coração, refletir e meditar naquilo que podemos fazer para que o tempo da nossa vida seja luminoso e radiante. ♦ Tudo passa velozmente. O dia, é claro, continua tendo vinte e quatro horas e o ano doze meses. Temos, no entanto, a sensação de que tudo voa, que a terra gira mais depressa, que esquecemos de corrigir nossos relógios, que não acompanham tão louca velocidade. Tempo cronológico e tempo interior. Ficamos mais velhos fisicamente. Será que conseguimos conservar ou renovar um vigor e um viço interiores? O que nos faz viver? Temos projetos que possam fazer-nos pessoas animadas e desejosas de desbravar caminhos novos? Estamos nos santificando no tempo que voa sem pedir licença? ♦ O tempo não existe, existe a vida. Existe um antes e um depois. Nesse antes e depois ocorre tudo e tudo transcorre. No correr do fluir do tempo as sementes brotam, as plantas crescem, as flores aparecem. Nesse correr do tempo a criança deixa o ventre da mãe, precisa de leite, começa a andar, frequenta os estudos, fica jovem, torna-se adulta, casa, tem filhos, vende peixe no mercado, tem saúde ou é visitada pela doença, vai envelhecendo e termina seus dias. E passou pela vida ou simplesmente passou a vida. ♦ O fundamental é sempre a vida. Nesse espaço do existir vamos nos tornando mais ou menos gente. Aproveitamos o tempo para dar um tom de dignidade ao nosso existir. Se a vida não transbordar não é vida. Parece importante que sejamos pessoas de dom. Não conservaremos para nós os tesouros de nosso interior que nos foram regalados. Precisamos viver densa e dadivosamente. Há alguma coisa a nos alertar que a vida é troca de dons. ♦ Viver bem é viver em profundidade. Não se deixar levar de roldão. Ser autor da própria história. “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informações que nunca chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso, veemente e efêmero. Na verdade, a velocidade com que vivemos impede-nos de viver. Uma alternativa será resgatar a nossa relação com o tempo. Por tentativas, por pequenos passos. Ora, isso não acontece sem um abrandamento interior. Precisamente porque a pressão de decidir é enorme, necessitamos de uma lentidão que nos proteja das precipitações mecânicas, dos gestos cegamente compulsivos, das palavras repetidas e banais. Precisamente porque nos temos de desdobrar e multiplicar, reaprender o inteiro, o intacto, o concentrado, o atento, o uno” (Tolentino, Libertar o tempo, Paulinas,p.20-21). ♦ Trata-se de ver além daquilo a vista nos permite enxergar. Ver a presença da beleza naquilo que nos cerca, contemplar essa criança que dorme junto ao peito do pai, a beleza das flores, admiração diante da água que desce na cascata, encantar-se com o colorido das asas da borboleta, com a graça da menina moça, o charme do rapazinho que sente ser homem, da senhora bem idosa, caminhando de bengala nas alamedas do parque. Vida feliz de quem tem prazer em ver a vida borbulhar. Nada de precipitações mecânicas. Parar, pensar, refletir, rezar para que os gestos e palavras que colocamos tenham densidade humana e cristã. ♦ Propósitos para o ano novo? Viver, deixar que a vida penetre em nós, conviver com calma, sentar-se, escutar, ver as rugas no rosto dos amigos, deixar de girar em torno de si mesmo, limpar o coração de tranqueiras, parar, pensar e organizar o tempo para querer bem e colocar gestos gratuitos. Os momentos culminantes de uma existência foram aqueles em que somos generosos e desinteressados. ♦ “Em nossa civilização do possuir quase nada é gratuito. Tudo é intercambiado, emprestado, devido ou exigido. Ninguém acredita que é melhor dar do que receber. Só sabemos prestar serviços remunerados e “cobrar juros” por tudo o que fazemos ao longo da vida (…). Só na entrega desinteressada pode-se saborear o verdadeiro amor, a alegria, a solidariedade, a confiança mútua. Gregório Nazianzeno diz que Deus fez o homem cantor de sua irradiação e, certamente nunca o homem e certamente nunca o homem é tão grande quando sabe irradiar amor gratuito e desinteressado” (Pagola, Lucas, p. 245). ♦ Comemoramos hoje a solenidade da Santa Mãe de Deus, ela que nos trouxe nossa esperança, ela que é Mãe de Deus feito homem. Ela é aquela que viveu sem tempos mortos porque não conheceu a divisão do pecado. Mulher que levava tudo ao fundo do coração. Mulher do sim irrestrito. Fonte de vida. Mãe de Deus e nossa mãe. Que bela a benção do Livro dos Números: O Senhor te abençoe e te guarde!O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti.O Senhor volte o seu rosto para ti e te dê a paz! Tema da PazSe para ti, o outro é antes de tudo um irmão,se a cólera for para ti uma fraqueza e não uma prova de força,se preferes ter prejuízo do que lesar alguém,se negas a dizer que depois de ti só virão catástrofes,se te colocas ao lado do pobre e do oprimido sem a pretensão de ser herói,se crês que o amor e a única forma de dissuasão,se crês que a paz seja possível… então a paz poderá vir.(Pierre Guibert)   Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida”.  Primeira leitura: Nm 6,22-27 Invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei. A bênção sacerdotal encerrava as grandes celebrações litúrgicas no templo de Jerusalém, entre elas a do Ano Novo. Mais tarde concluía também as reuniões semanais nas sinagogas. A bênção sacerdotal de Aarão contém três pedidos: Que o Senhor assegure aos filhos de Israel sua proteção, que o seu rosto compassivo brilhe sobre eles e lhes conceda a paz. Quem faz o pedido em nome de Deus é o sacerdote e quem concede a bênção é o próprio Deus. A bênção de Aarão atualiza a fórmula da aliança: “Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo”. Na virada do ano desejamo-nos a felicidade e a paz. O novo ano será mais feliz se procurarmos viver na presença do olhar amoroso de Deus que nos trata a todos como filhos e filhas. Se também nós olharmos com esse olhar divino a quem desejamos “Feliz Ano Novo”, especialmente nossos irmãos mais carentes e desprotegidos, Ele nos concederá a felicidade e a paz tão desejadas. Salmo responsorial: Sl 66 (67),2-3.5.6.8 Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! Segunda leitura: Gl 4,4-7 Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher. Dois pensamentos dominam o texto: “Deus enviou Seu filho” e “Deus enviou o Espírito de seu filho”. A vinda do Filho ao mundo marca a plenitude dos tempos (v. 4-5). Judeus e pagãos convertidos participam desta plenitude pelo dom do Espírito. “Nascido de mulher”, isto é, de mãe humana, exprime a precariedade e insuficiência da condição humana. O filho de Deus se submete a esta condição, incluída a sujeição à Lei; submete-se à lei do pecado e da morte, pela cruz. Mas ressuscitando, nos dá a dignidade de filhos de Deus e herdeiros dos bens divinos. O Filho de Deus se fez homem para que nos tornássemos filhos e filhas de Deus. Pelo Espírito que nos dá, podemos chamar a Deus de “Abá” – ó Pai! Aclamação ao Evangelho De muitos modos, Deus outrora nos falou pelos profetas; nestes tempos derradeiros, nos falou pelo seu Filho. Evangelho: Lc 2,16-21 Encontraram Maria e José e o recém-nascido. E, oito dias depois, deram-lhe o nome de Jesus. No evangelho, acabamos de ouvir Lucas descrevendo, em poucos versículos, uma cena alegre e agitada. É uma boa notícia (Evangelho) que se espalha velozmente por toda a redondeza da gruta de Belém: “Nasceu-vos hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo Senhor”. Naquela mesma noite, os pastores decidiram: “Vamos até Belém, para ver o acontecimento que o Senhor nos deu a conhecer” (v. 15). E “os pastores foram às pressas a Belém”. E os anjos deram um sinal aos pastores “encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Quando chegam, encontram “Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura”. O menino faz parte de uma família e a manjedoura faz o menino bem familiar e próximo dos pastores, pobres e desprezados. Constatada a verdade, os pastores contam o que ouviram dos anjos a respeito do menino e todos os que ouviram ficaram maravilhados. Os pastores voltam para os seus afazeres, glorificando e louvando a Deus. O Filho de Deus faz parte da família humana e no oitavo dia, pela circuncisão, é introduzido no povo de Israel e recebe o nome de Jesus, “Deus (o Senhor) salva”. O conteúdo deste nome é tratado no cântico de Zacarias (Lc 1,68-79), onde é explicado em que sentido Jesus é salvador de seu povo e de toda a humanidade. Para Maria, estes acontecimentos eram motivo de meditação e reflexão. A exemplo de Maria, que meditava sobre os acontecimentos relacionados com seu filho, somos convidados também nós a fazê-lo sobre nossa vida: conservando, transmitindo e vivendo o mistério de nossa fé em Cristo e venerando sua Santíssima Mãe, Maria. A grande notícia que o Filho de Deus se fez homem merece ser anunciada e proclamada com alegria nos tempos de escuridão em que vivemos. Celebramos hoje a maternidade de Maria, Mãe de Deus. Sem esta Mãe não teríamos Jesus, nosso irmão e Salvador (2ª leitura). Coloquemos sob a proteção de Deus e de Maria, sua Mãe, este novo ano que Deus nos dá.   Maria, bendita entre todas as mulheres Frei Clarêncio Neotti No dia 1º de janeiro, festa do Ano-novo, a Liturgia celebra Santa Maria, Mãe de Deus. Se no Natal olhávamos sobretudo para o Menino, hoje, para encerrar os oito dias do Natal, olhamos de modo especial para a Mãe. E fica bem sua festa no Ano-novo, porque com sua maternidade começou um novo período na história da terra, carregado de esperanças como um ano-novo. Maria revelou-nos a grande novidade: ela fora o instrumento de Deus para dar ao mundo o Salvador. Os pastores, que acorrem apressados à gruta, são símbolo de todas as criaturas humanas pecadoras, pobres e necessitadas, por quem, em primeiro lugar, veio Jesus. Que vão ver na gruta? O Filho de Maria. Maria sem o Filho seria apenas mais uma das mil Marias. Com o Filho, é a bendita entre todas as mulheres. A mulher que mais agradou os olhos do Pai do Céu e a quem o Pai, na sua imensa bondade, mais enriqueceu de qualidades. Ela é a soma de todas as virtudes humanas e mais prendada do que os próprios anjos. A Escritura exprime isso na frase do anjo Gabriel: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28).   Maria, modelo de acolhida fiel de Deus José Antonio Pagola Depois de um certo eclipse da devoção Mariana, provocado em parte por abusos e desvios notáveis, os cristãos voltam a interessar-se por Maria para descobrir seu verdadeiro lugar dentro da experiência cristã. Não se trata de recorrer a Maria para escutar “mensagens apocalípticas” que ameaçam com castigos terríveis um mundo submerso na impiedade e na descrença, enquanto ela oferece sua proteção maternal aos que fazem penitência ou rezam determinadas orações. Também não se trata de fomentar uma piedade que alimente secretamente uma relação infantil de dependência e fusão com uma mãe idealizada. Já faz tempo que a psicologia nos alertou sobre os riscos de uma devoção que exalta falsamente Maria como “Virgem e Mãe”, favorecendo no fundo um desprezo pela “mulher real” como eterna tentadora do varão. O primeiro critério para comprovar a “verdade cristã” de toda devoção a Maria é ver se esta devoção faz o crente fechar-se em si mesmo ou se o abre ao projeto de Deus; se o faz retroceder para uma relação infantil com uma “mãe imaginária” ou se o incentiva a viver sua fé de forma adulta e responsável em seguimento fiel a Jesus Cristo. Os melhores esforços da mariologia atual tratam de levar os cristãos a uma visão de Maria como Mãe de Jesus Cristo, primeira discípula de seu Filho e modelo de vida autenticamente cristã. Mais concretamente, Maria é hoje para nós modelo de acolhida fiel de Deus a partir de uma postura de fé obediente; exemplo de atitude serviçal a seu Filho e de preocupação solidária por todos que sofrem; mulher comprometida pelo “Reino de Deus”, pregado e impulsionado por seu Filho. Nestes tempos de cansaço e pessimismo descrente, Maria, com sua obediência radical a Deus e sua esperança confiante, pode conduzir-nos a uma vida cristã mais profunda e mais fiel a Deus. Por conseguinte, a devoção a Maria não é um elemento secundário para alimentar a religião de pessoas “simples”, inclinadas a práticas e ritos quase “folclóricos”. Aproximar-nos de Maria é antes colocar-nos no melhor ponto para descobrir o mistério de Cristo e acolhê-lo. O Evangelista Mateus nos lembra Maria como a mãe do “Emanuel” isto é, a mulher que pode aproximar-nos de Jesus, “o Deus conosco”.   Maria, “Porta do Céu” Pe. Johan Konings Nas ladainhas chamamos Maria “Porta do Céu”. Porta para nós subirmos, ou para Deus descer? A festa de hoje confirma as duas interpretações. “Nascido de mulher, nascido sob a Lei”, assim Paulo qualifica Jesus (1ª leitura). Jesus nasceu como todo ser humano de uma mãe humana, Maria, e dentro de uma sociedade humana, a sociedadede Israel, com sua “lei”, regime ao mesmo tempo religioso e sociopolítico. O evangelho narra que Jesus, no oitavo dia do nascimento, foi acolhido na sociedade judaica pela circuncisão e pela imposição do nome, como teria acontecido a qualquer masculino dentre nós se tivesse nascido naquela sociedade. Maria é, portanto, mãe do verdadeiro homem e judeu Jesus de Nazaré, mas nós a celebramos hoje como “Mãe de Deus”… Como se conjugam essas duas maternidades? Não são duas, são uma só!. O título “Mãe de Deus” foi conferido a Maria pelo Concílio de Éfeso no ano 431 d.C. Este mesmo concílio insistiu que Jesus foi igual a nós em tudo menos o pecado (cf. Hb 4, 15) e viveu e sofreu na carne de maneira verdadeiramente humana. Vinte anos depois, o concílio de Calcedônia chamou Jesus “verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem”. É por ser mãe de Jesus humanamente que Maria é chamada Mãe de Deus, pois a humanidade e a divindade de Jesus humanamente que Maria é chamada Mãe de Deus, pois a humanidade e a divindade de Jesus não se podem separar. Dando Jesus ao mundo Maria deu Deus a todos nós. Em Jesus, Maria faz Deus nascer no meio do povo. Maria é o ponto de inserção de Deus na humanidade. Neste sentido ela é “porta do céu”, porta para Deus que desce até nós e pela qual nós temos acesso a Deus. Toda mulher-mãe é ponto de inserção de vida nova no meio do povo. Em Maria, essa vida nova é vida divina. Deus se insere no povo por meio da maternidade que ele mesmo criou. De maneira semelhante, Deus respeita também a Lei que ele mesmo criou e comunicou ao povo. Seu Filho nasceu sob a Lei e foi circuncidado conforme a Lei. As estruturas políticas e sociais do povo, quando condizentes com a vontade de Deus, são instrumento para Deus se tornar presente em nossa história. Deus mostrou isso em Jesus. E quando as leis e estruturas são manipuladas a ponto de se tornarem injustas, o Filho de Deus as assume para as transformar no sentido do seu amor. Por isso, Jesus morreu por causa da Lei, injustamente aplicada a ele. Assim como pela maternidade humano-divina Maria se tornou “Porta do Céu”, a comunidade humana é chamada a tornar-se acesso de Deus ao mundo e do mundo a Deus. A vida do povo, suas tradições, cultura e estruturas políticas e sociais devem ser um caminho de Deus e para Deus, não um obstáculo. Por isso é preciso transformar a vida humana e as estruturas da sociedade, quando não servem para Deus e não condizem com a dignidade que Deus lhes conferiu pelo nascimento de Jesus de mulher e sob a Lei. Reflexões tiradas do site franciscanos.org.br

Festa da Sagrada Família

A celebração de um Deus em fuga Frei Gustavo Medella “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito. Porque Herodes vai procurar o menino para mata-lo” (Mt 2, 13b). Na Sagrada Família, Deus se coloca em fuga e mostra o quão se torna difícil para o divino habitar onde o egoísmo, a sede de poder, a prepotência e a ganância se tornam lei. Não se trata de uma espécie de “derrota” da Onipotência, mas a insistência do Senhor em acreditar num caminho pacífico de conversão para seus filhos e filhas. Esta postura humilde e abnegada faz parte do projeto da Encarnação. Celebrar a Sagrada Família significa renovar a disposição de se colocar em movimento e vencer o medo que sufoca as esperanças e subtrai o ânimo de quem decide apostar na construção de um mundo diferente. A ousadia de José e Maria que, sob a orientação do anjo, se colocam num desafiante percurso de itinerância, vem nos ensinar que, na provisoriedade dos esquemas humanos, habita uma força singela e poderosa capaz de guiar os passos de quem se confia aos desígnios de Deus. Que, ao celebrar a Sagrada Família, renovemos, no profundo do nosso ser, a coragem de, mesmo diante de uma cultura de ódio, de morte e de destruição, colocar-nos corajosamente na contracorrente, seguindo as orientações de São Paulo em sua Carta aos Colossenses: “Revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se um tiver queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai vós também. Mas, sobretudo, amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3, 12b-14).   Sagrada Família, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração do dia: “O Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa”. Primeira leitura: Eclo 3,3-7.14-17a Quem teme o Senhor, honra seus pais. O tema da 1ª leitura está centrado no relacionamento ideal dos filhos com seus pais. A reflexão se baseia no 4º mandamento, “honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Ex 20,12). Apoia-se também na tradição sapiencial de Israel e dos povos vizinhos. O ensino sapiencial é dado pelo sábio a seus discípulos ou pelo ancião da família a seus filhos. Por isso os conselhos se dirigem mais aos filhos que aos pais. Um relacionamento de respeito e de amor dos filhos com os pais traz e bênção de Deus, que é uma vida feliz. Ao contrário, o mau relacionamento na família traz a desgraça e a maldição. O texto termina exortando os filhos para que honrem e cuidem de seus pais, especialmente na velhice. Segundo o sábio, esse cuidado amoroso dos pais idosos servirá como reparação dos pecados cometidos contra seus pais. Salmo responsorial: Sl 127 Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos. Segunda leitura: Cl 3,12-21 A vida da família no Senhor. Na exortação, Paulo se dirige em primeiro lugar à Igreja (v. 12-17), composta por famílias cristãs. Em seguida, a cada família cristã. Desde o batismo, os cristãos são amados por Deus, santos eleitos. Em consequência, devem revestir-se das virtudes de Cristo: misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência. Para superar divergências na comunidade, recomenda-se suportar uns aos outros e perdoar-se mutuamente (Pai Nosso!). Antes de tudo, é o amor mútuo que une os cristãos na comunidade. Assim o cristão estará unido a Cristo e aos irmãos, formando um único corpo. Esta união de amor se fortalece pela palavra de Cristo, pela catequese e pela admoestação. Deus quer habitar no coração das pessoas, pois é do coração que brota a liturgia, os salmos, os cânticos de louvor e gratidão e todas as boas obras serão feitas em nome do Senhor Jesus Cristo. As admoestações dirigidas à família são válidas ainda hoje: as mulheres sejam solícitas “como convém no Senhor”; os maridos devem amar suas esposas, evitando grosserias; os filhos sejam obedientes em tudo a seus pais, “pois isso é bom e correto no Senhor” (Evangelho). A autoridade dos pais seja exercida com mansidão, para não intimidar nem desanimar seus filhos. A família cristã se orienta pela sabedoria recebido dos pais, mas é fortalecida no amor de Cristo, que quis morar na Sagrada Família e era obediente a Maria e José (cf. Lc 2,51). Aclamação ao Evangelho Que a paz de Cristo reine em vossos corações e ricamente habite em vós sua palavra. Evangelho: Mt 2,13-15.19-23 Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito. No domingo entre o Natal e o Ano novo é sempre lembrada a Sagrada Família de Jesus, Maria e José. As duas primeiras leituras são as mesmas dos anos B e C. No ano A o Evangelho é tirado de Mateus. Para descrever a fuga da Sagrada Família para o Egito e seu retorno para a terra de Israel, Mateus faz um paralelo com a história de Moisés, o libertador de Israel do Egito. O faraó mandou matar todos os meninos hebreus recém-nascidos, então a mãe de Moisés expôs seu filho numa cesta de palha nas margens do rio Nilo. Ali a filha do faraó costumava banhar-se; vendo o lindo bebê, teve pena dele e o adotou como filho. Moisés foi criado pela própria mãe e, depois, no palácio do faraó. Já adulto, Moisés tenta libertar seus irmãos hebreus da escravidão, mas é perseguido pelo faraó e foge para o deserto. Quando morre o faraó opressor dos hebreus, Deus envia Moisés de volta ao Egito para libertar Israel da escravidão. Da mesma forma, quando Herodes sente-se ameaçado por um menino nascido em Belém, do qual que se dizia que seria o futuro rei, manda matar todos os meninos ali nascidos até a idade de dois anos. Um anjo anuncia a José para fugir às pressas com o menino e sua mãe para o Egito e Jesus é salvo da morte. Informado pelo anjo da morte de Herodes, José recebe a ordem de voltar a Israel. Para mostrar que a fuga para o Egito e o retorno a Israel refazem a história da libertação dos hebreus do Egito, Mateus conclui: “Assim aconteceu para que se cumprisse a palavra do profeta: ‘Do Egito chamei o meu Filho’”. Antes Israel era o filho. Agora Jesus é o “Filho amado” (Mt 3,17). Por fim, a Sagrada Família se estabelece em Nazaré. E Mateus conclui: Assim aconteceu para cumprir o que os profetas falaram: “Ele será chamado Nazareno”. Esta frase liga a história da infância com a vida pública de Jesus e é um prenuncio de sua futura morte. A sentença de morte, pregada na cruz, dirá: “Jesus Nazareno, o rei dos Judeus” (Jo 19,19; Mt 27,37). A família de Nazaré é um modelo para nossas famílias pobres, desempregadas, expulsas de suas casas, obrigadas migrar para outras cidades ou países em busca de segurança e educação de seus filhos. Hoje, milhões de famílias, ameaçadas pela fome causada pelo aquecimento global ou pela violência político-religiosa são forçadas a migrar em busca de trabalho, segurança e paz em outros países. É numa realidade conflitiva semelhante que o Filho de Deus se encarnou. Maria e José tiveram que deslocar-se para o recenseamento, de Nazaré a Belém, onde Jesus nasceu numa estrebaria. A Sagrada Família foi obrigada a migrar para o Egito, fugindo da ira do cruel rei Herodes. Jesus viveu numa família pobre, humilde e piedosa, ameaçada pela violência, mas confiante na proteção divina.   Um Herodes cruel vive dentro de nós Frei Clarêncio Neotti Esse episódio do Evangelho, lido na festa da Sagrada Família, tem também o sentido de mostrar uma família do povo, sujeita a toda espécie de sacrifícios e tribulações. Uma família que permanece unida nas dificuldades e nas desgraças. Uma família que, apesar de santa e agradável a Deus, padece, angustia-se, sofre. É visível a lição de que o sofrimento não é, por si, castigo de pecado. Desde a infância, Jesus passa pelo sofrimento, sobretudo pelo sofrimento causado pela estupidez e cobiça dos outros. Se olharmos para as nossas angústias, grande parte delas tem sua nascente na maldade alheia. Se respondermos com nossa maldade, estupidez e ganância, tornamo-nos fonte de sofrimento para os outros. Enquanto não compreendermos isso, não construiremos o mundo da paz. Herodes e Arquelau temos também hoje. Precisamos é de Josés e Marias, que não respondam com violência à violência no meio da qual vivemos. Isso vale também para o dia a dia dentro de casa. Todos temos a experiência de que nem sempre a convivência é festiva. Nem sempre o conflito normal das gerações é fácil. Nem sempre a autoridade dos pais e o aprendizado dos filhos convergem. Se olharmos com sinceridade para nós mesmos, encontraremos um Herodes cruel, morando em nosso coração, e bem ativo. A criatura humana tem dificuldade de compreender que não criam espírito fraterno e espírito familiar, impondo-os pela força ou moldando-os segundo nosso modo de pensar, crer e fazer. Como gosta de repetir o Papa Francisco, caminhar juntos exige amor.   Família: urgência das urgências Frei Almir Guimarães Dou graças a Deus porque muitas famílias, que estão bem longe de se considerarem perfeitas, vivem no amor, realizam sua vocação, e continuam caminhando, embora caiam muitas vezes ao longo do caminho. Papa  Francisco Domingo da Sagrada Família Jesus, Maria e José.  O Altíssimo nasceu e cresceu numa família. Quando nos referimos à família fechamos os olhos e tentamos evocar nossa própria família. Coisas   simples que foram se realizando:  a mãe e o pai, um homem e mulher que se encontraram e resolveram fazer história juntos, a casa, os quartos, o balanço no quintal, o pé de ameixas, a galinha com seus pintinhos, as hortênsias, o cheiro forte de café, a chegada do Papai Noel, a visita do tio e da tia, o enterro do vô com bigode ao jeito dos portugueses.   Família com suas luzes e sombras. “O futuro da humanidade passa pela família (João Paulo II). Antes de tudo sabemos que o casal não está feito no dia do casamento.  Uma realidade em construção. Não é bom que o homem esteja só.  Companheiros, de mãos dadas, desbravando a história, dias de sol e jornadas de densa cerração. Vontade jogar tudo para o ar.  Olhar para frente, atentos aos ajustes, não jogando lixo para debaixo do tapete.   Construção de uma  conjugabilidade. Unidade na diversidade. Lentamente, belamente, persistentemente. O casal  é  uma obra de arte. Ele com sua história, ela com sua trajetória.  Ela e ele, oriundos um e outro de família marcada por carinho e delicadezas ou gerados de qualquer jeito, menino e menina marcados pelo negativo, pela violência, por abusos de todos os jeitos.  Um formado pelo contato com a fé cristã,  já tendo até mesmo    feito experiências de profunda  intimidade com Deus  e o outro  que nunca  ouviu falar das coisas da fé, tendo levado uma  vida toda atrapalhada e  desajeitadamente faz o sinal da cruz, Agora juntos. Quanta garra será necessária!!!  Conversas,  sinceridade, amor profundo,  dialogo, respeito pelas lentidões. Esses dois são colaboradores da obra da criação.  Os amantes se tornam pais.  Criam uma célula de amor e de dedicação.  Comunidade de vida e de amor. Vivendo no meio do mundo, trabalhando, vivendo a vida como ela é,  sempre tendo como referência a casa, o casal, os filhos… sem viver um “familismo”, quer dizer um grupo fechado, a família  convive com outras famílias e juntas elaboram estratégias para poderem educar os filhos, tirar deles o melhor que  a vida ali depositou.  Os pais se recusam a colocar coisas antigas e ultrapassadas em suas cabeças, mas querem que sejam homens e mulheres de pé, seres capazes de conviver com os outros,  vacinados contra a indiferença para com os outros e a peste do individualismo e a filosofia do descarte. Presença, testemunho, coragem para viver, ânimo para começar tudo de novo, capacidade da correção mútua,  promoção de encontros com celulares desligados e em que olhos encontram outros olhos e não apenas a telinha do celular.  Vivência de relacionamentos sem pressa, com a tática da lentidão. Relacionamentos gratuitos.  “Vivemos num mundo em          que tudo precisa ser caucionado por uma qualquer utilidade e isso nos desvia de um viver gratuito, disponível e autêntico.  Só a inutilidade nos dá acesso à polifonia da vida, na sua variedade,  nos seus contrastes, na sua realidade densa, na sua surpresa e na sua inteireza” (Tolentino). Pai e mãe que vivam alegremente  o discipulado cristão. Nada de pieguice.  Força do Evangelho. Pessoas que vão escrevendo suas histórias a partir da história de Jesus. Nada de catequese nocional e seca, mas multiplicações de encontros com Jesus vivo:  na oração à mesa, no aprendizado da partilha, na atenção a ser prestada aos mais abandonados,  no testemunho discreto e sem alarde.  Família que vive no mundo, mas que não é do mundo.  Família alegre, espaço onde as pessoas se sentem à vontade.  Não uma camisa de força, mas  um espaço de encontros humanizadores. Comunidade de vida e de amor. Família onde as pessoas se exercitam na arte da convivência, da solidariedade e da ajuda mútua. Uns se interessando pelos outros, de graça, sem interesses pequenos. Solidariedade em casa, com os avós doentes, com os filhos que escorregam nas ladeiras da vida, com os vizinhos que precisam de sopa quente. Família cristã, fincada no sacramento do matrimônio, marido e mulher sinais do amor de Cristo pela Igreja onde se respira  o espírito das bem-aventuranças,  o gesto do lava-pés e o espírito do  Hino da Caridade  de Paulo aos  Coríntios.  Família tal que possa ser  a melhor preparação para o casamento dos filhos. Um Igreja em casa, doméstica. Texto para reflexão  Bebendo juntos o melhor vinho A história de uma família está marcada por crises de todo o gênero, que são parte também de sua dramática beleza. É preciso ajudar a descobrir que uma crise superada não leva a uma relação menos intensa, mas a melhorar, sedimentar e maturar o vinho da união. Não se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa. Cada crise implica uma aprendizagem, que permite incrementar a intensidade da vida comum, ou pelo menos encontrar um novo sentido para a experiência matrimonial. É preciso não se resignar de modo algum a uma curva descendente, a uma inevitável deterioração, a uma mediocridade que se tem de suportar.  Pelo contrário,  quando se assume o matrimônio  como uma tarefa  que implica também superar obstáculos, cada crise é sentida como uma ocasião a chegar  beber,   juntos, o  vinho melhor (…). Cada crise  esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração”. Papa  Francisco,  A alegria do amor,  n. 232 Prece de ação e graças Senhor, pela chuva e pelo sol, pelo sorriso das crianças, pelos cabelos brancos dos idosos, pelas mãos calejadas do agricultor, nós te damos graças. Pela fertilidade da terra, pela generosidade das fontes, pela serenidade das noites de luar, nós te damos graças. Pelos amigos  que cruzaram nossos caminhos, pelos dons que recebemos a cada instante, pelos  que enxugaram nossas lágrimas, nós te damos graças. Pelas dores experimentadas com serenidade, ]pelas cruzes abraçadas, pelas preocupações  vividas com esperança, nós te damos graças. Pelos médicos que se dobram  sobre os enfermos, pelos cautelosos e  sábios cirurgiões, pelos enfermeiros que velam a noite nos hospitais, nós te damos graças. Pelo tempo da vida e pelo ano que passou, pelos amores e dissabores, pela ofensa que nos foi perdoada, nós te damos  imensas e infinitas graças, Senhor grande e belo, por  Cristo. Amém.   Deus encarnado José Antonio Pagola O Natal nos obriga a revisar ideias e imagens que temos habitualmente de Deus, mas que nos impedem de aproximar-nos de seu verdadeiro rosto. Deus não se deixa aprisionar em nossos esquemas e moldes de pensamento. Não segue os caminhos que nós lhe traçamos. Deus é imprevisível. Nós o imaginamos forte e poderoso, majestoso e onipotente, mas Ele se nos apresenta na fragilidade de um menino, nascido na mais absoluta simplicidade e pobreza. Nós o colocamos quase sempre no extraordinário, no prodigioso e no surpreendente, mas Ele se nos apresenta no cotidiano, no normal e no ordinário. Nós o imaginamos grande e longínquo, e Ele se nos torna pequeno e próximo. Não. Este Deus encarnado no menino de Belém não é o que nós teríamos esperado. Não está à altura do que nós teríamos imaginado. Este Deus nos pode decepcionar. No entanto, não é precisamente deste Deus próximo que precisamos junto de nós? Não é esta proximidade ao humano o que melhor revela o verdadeiro mistério de Deus? Não se manifesta na debilidade deste menino sua verdadeira grandeza? O Natal nos lembra que a presença de Deus nem sempre corresponde às nossas expectativas, porque Ele se nos apresenta onde nós menos o esperamos. Certamente devemos procurá-lo na oração e no silêncio, na superação do egoísmo, na vida fiel e obediente à sua vontade, mas Deus pode apresentar-se a nós quando quer e como quer, inclusive no mais ordinário e comum da vida. Agora sabemos que podemos encontrá-lo em qualquer ser indefeso e fraco que precisa de nossa acolhida. Ele pode estar nas lágrimas de uma criança ou na solidão de um ancião. No rosto de qualquer irmão podemos descobrir a presença desse Deus que quis encarnar-se no humano. Esta é a fé revolucionária do Natal, o escândalo maior do cristianismo, expresso de maneira lapidar por Paulo: “Cristo, apesar de sua condição divina, não se apegou à sua igualdade com Deus; pelo contrário, despojou-se de sua categoria e assumiu a condição de servo, fazendo-se um entre tantos e apresentando-se como simples homem” (Fl 2,6-7). O Deus cristão não é um deus desencarnado, longínquo e inacessível. É um Deus encarnado, próximo, vizinho. Um Deus que podemos tocar de certa maneira sempre que tocamos o humano.   A família vista à Luz de Jesus Pe. Johan Konings Em nossa sociedade, a família é um emaranhado de problemas: falta de habitação e orçamentos, dificuldades internas. A própria estrutura familiar tornou-se problemática. Muitos não veem sentido na estrutura familiar. As famílias se desfazem com facilidade. Em breve a família poderá deixar de ser um problema, porque já não existirá. A festa de hoje nos convida a refletir sobre a família à luz do Natal, tomando como ponto de referência a família na qual nasceu Jesus. As duas primeiras leituras oferecem conselhos para a vida familiar. O sábio judeu (1ª leitura) troca em miúdos o mandamento de “honrar pai e mãe”. Paulo, na 2ª leitura, descreve a paz e a união que o amor que é o do Cristo, em todas as direções (esposa-marido e vice-versa, filhos-pai e vice-versa). Mais ainda que esses textos, o evangelho nos leva a valorizar a família, ao narrar a migração da família de Nazaré. Era uma família migrante, em consequência das ambições dos poderosos: o recenseamento ordenado pelo imperador romano e a perseguição deflagrada por Herodes, o Grande, que tinha medo de uma criancinha, porque poderia colocá-lo na sombra… Mas José cuida de oferecer sempre um lar a Jesus. Foge ao Egito, para depois voltar a Nazaré. Até nisto, Jesus “cumpre as Escrituras”, pois Os 11,1 diz que Deus chama; “seu filho” (o povo de Israel) do Egito. Jesus se identifica com o antigo povo migrante, que volta da terra do Egito, para a terra que Deus lhe quer dar. Jesus se identifica também com as famílias migrantes de hoje, oprimidas, expulsas, acampadas, faveladas, quase sem condições de vida familiar, em consequência da cobiça dos que querem tudo para si. Também para estas famílias vale a boa-nova: a solidariedade de Cristo e a santificação da família como missão da Igreja. Daí as exigências que se fazem à sociedade: empenho por uma dignidade e estabilidade mínima no lar. A Sagrada Família, migrando de um lugar para outro, reclama “uma Nazaré para todos”. Também gente pobre é “gente de família”. Exigências também da parte do indivíduo: amor, carinho, respeito enquanto membro da família. Desenha-se assim a missão da família: ser uma célula de vida e amor, mas também assumir sua responsabilidade na luta para que isso seja materialmente possível. À sociedade como tal e a todos os seus membros cabe respeitar e proteger a estabilidade e dignidade da família, ajudá-la a realizar sua vocação e a encontrar moradia e trabalho, a educar os filhos e cuidar dos pais idosos, numa palavra, a cumprir a sua missão. Só no quadro de uma sociedade que seja justa para com a família – uma sociedade que “repare o tecido social desfeito” – pode-se pensar em reencontrar o sentido da família, para o bem de todos. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Natal do Senhor

E a carne se fez grito Frei Gustavo Medella Quando o Verbo se fez carne, a carne se fez grito. Grito do Menino Jesus que, como toda criança, chora quando está com fome, frio, dor ou sono. Grito do adolescente Jesus quando, reencontrado no templo certamente manifestou admiração e susto diante do semblante preocupado de Maria e José. Gritos de Jesus adulto, no início de sua missão, para chamar, com voz firme e retumbante seus primeiros seguidores, os apóstolos: “Vem e segue-me”. Grito enérgico e indignado diante da hipocrisia e da crueldade daqueles que, por orgulho e soberba, oprimiam e humilhavam seus semelhantes em nome da caricatura de deus que lhes convinha: “Hipócritas, sepulcros caiados, raça de víboras etc”. Grito de protesto diante da comercialização exploratória realizada no templo. Gritos surdos e abafados do fiapo de voz que lhe restava quando, covardemente pregado sobre o madeiro da cruz, dialogava com o Pai. Gritos todos que puderam ser dados porque, em sua generosidade, Deus se fez carne. Gritos que se atualizam e nem sempre são ouvidos por aqueles que se dizem seguidores d’Aquele que veio gritar conosco e por nós. Natal é também a festa do grito, da indignação, do desejo de mudar, da certeza de que, do jeito que está, não se pode continuar. Celebrar a carne que se faz grito significa gritar para o mundo – começando por nosso íntimo mundo interior – que muita coisa tem que ser diferente a fim de que, de fato, vivamos em consonância com os sonhos e os projetos que Deus traz no coração quando decide vir morar conosco. Feliz Natal!   Natal do Senhor, Ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, que admiravelmente criastes o ser humano e mais admiravelmente restabelecestes a sua dignidade, dai-nos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade”. Primeira leitura: Is 52,7-10 Os confins da terra contemplaram a salvação que vem do nosso Deus. Os reis de Israel e de Judá não conseguiram trazer a salvação ao povo. Em consequência, o reino de Israel foi destruído pelos assírios e boa parte de sua população, levada para o exílio, ao norte da Assíria (772 a.C.). O mesmo aconteceu entre 597 e 585 a.C., com o reino de Judá, cuja população foi levada ao exílio pelo novo dominador, o rei de Babilônia. Os profetas Jeremias, Ezequiel e os autores deuteronomistas interpretam o dramático fim dos reinos de Israel e de Judá, como punição divina pelas infidelidades e crimes cometidos pelos governantes dos dois reinos. Passada uma geração no exílio, os discípulos do profeta Isaías, à luz da fé em Javé, Deus de Israel e de Judá, lêem os novos acontecimentos políticos de seu tempo: O domínio dos babilônios agonizava e um novo domínio surgia, o do Império persa. Estes profetas erguem então sua voz, em meio ao desânimo dos exilados, e levantam a bandeira da esperança. Agora, nosso Deus vai por um fim à dominação de Babilônia. Ciro, rei dos persas, será o instrumento nas mãos de Deus para punir os cruéis babilônios e executar o seu plano de salvação. Deus mesmo vai consolar o seu povo sofredor. Vai trazer seu povo de volta à sua terra e as ruínas de Jerusalém serão reconstruídas. Então, todas as nações saberão que “a salvação vem do nosso Deus”. Salmo responsorial: Sl 97 Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Segunda leitura: Hb 1,1-6 Deus falou-nos por meio de seu Filho. Na revelação cristã, Deus não é um ser solitário. Deus é comunhão de três pessoas: Pai, filho e Espírito santo. Deus é Amor. É Amor que se comunica “dentro de si” mesmo. Deus é Amor que se expande para “fora” de si mesmo, enquanto cria o universo, cria todos os seres vivos de nosso planeta Terra. Cria o ser humano à sua imagem e semelhança, comunica-se com ele e o convida a entrar na comunhão de seu amor. No passado – diz o autor da Carta aos Hebreus – Deus se comunicava com seu povo por meio dos profetas. Por meio deles exortava o povo à fidelidade, à conversão e lhe anunciava a salvação. Agora, Deus se comunica conosco por meio de seu Filho, o herdeiro de todas as coisas, o criador do universo e o esplendor de sua glória. Pelo poder de sua palavra sustenta o universo e nos purifica dos pecados. Como filho de Deus, o cristão deve ser o reflexo de Cristo, que é “o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser” (v. 3). Em Jesus Cristo cumpre-se a promessa feita a Davi: “Eu serei para ele um pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14). O Filho de Deus, ao assumir no seio da Virgem Maria a “carne” humana, tornou-se nosso irmão. O autor de Hebreus afirma isso muito bem: “Por isso, Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos” (2,11). Que maravilha! Deus que nos criou se fez nosso irmão! Vinde, adoremos!  Aclamação ao Evangelho Despontou o santo dia para nós: Ó nações, vinde adorar o Senhor Deus, porque hoje grande luz brilhou na terra! Evangelho: Jo 1,1-18 A Palavra se fez carne e habitou entre nós. Deus é Amor, é comunicação. No passado Deus se comunicava com seu povo pelos profetas. Agora se comunica conosco pelo seu próprio Filho, a Palavra feita carne. A Palavra, no princípio, estava junto de Deus (v. 1-2), era o próprio Deus, que é amor-comunicação. Deus, que é amor-comunicação, se expande para “fora” de si mesmo como criador do universo. Por Jesus, a Palavra feita carne, tudo foi feito (v. 3) e agora são dadas a graça e a verdade (v. 17). Na Palavra estava a vida e a vida era a luz dos homens, luz que brilha em meio às trevas (v. 4-5). Ela é a Luz que veio a este mundo. Há os que rejeitaram esta Luz (v. 5.9-11). Mas a nós que cremos e a recebemos, nos é dada a plenitude da graça (v. 16), nos é dado o poder de nos tornarmos filhos de Deus (v. 12). Tudo aconteceu porque a Palavra, o Filho de Deus, “se fez carne e habitou entre nós” (v. 14). Louvemos a nosso Deus que assumiu a fragilidade de nossa carne, para fazer em nós a sua morada!   Natal: festa do amor Frei Clarêncio Neotti “Um menino nasceu para nós.” Essa frase do profeta Isaías, dita 700 anos antes do Natal, repercute em toda a liturgia de hoje e vê-se realizada na narração do evangelista Lucas: na noite de Belém, Maria deu à luz um Menino, a quem impôs o nome de Jesus. Não havendo lugar nas hospedarias públicas, recolheu-se a uma gruta e reclinou o filho em uma manjedoura de animais. A gruta lembra mistério. E o que aconteceu hoje, dentro da história, é o imenso mistério do nascimento em carne humana do Filho eterno de Deus. Inefável é aquilo que não se pode descrever com palavras. O mistério do Natal é o mistério inefável por excelência, também porque revestido da ternura de Deus, acalentado por uma mãe-virgem, assistido por um homem, que acredita que para Deus nada é impossível (Lc 1,37). Esse menino, nascido na pobreza de uma gruta, é o Filho de Deus, da mesma substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro, como rezamos no Credo. Hoje ele nasceu no tempo. Entrou na história humana. Mas ele existia antes do tempo. O Evangelho de João o expressa com palavras teológicas: “Ele é o Verbo que já existia no princípio, o Verbo que estava com Deus, o Verbo que era Deus. Tudo o que foi criado, foi criado por meio dele” (Jo 1,1-3). E foi esse Verbo eterno de Deus “que se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14). Para nosso benefício. As criaturas são fruto do amor de Deus. A plenitude do amor é Jesus, o “primogênito de todas as criaturas” (Cl 1,15). Ele nos foi dado hoje e “de sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça” (Jo 1,16). Natal: festa do amor! “Deus amou de tal modo o mundo que deu seu Filho unigênito” (Jo 3,16). Foi-nos dado pelo Pai. Ele foi gerado no tempo por Maria para que “todos os que o receberem e nele crerem se tornem filhos de Deus” (Jo 1,12). Em uma festa do Natal, dizia o papa São João Paulo II: “O nascimento do Filho de Deus é o dom sublime, a maior graça feita à criatura humana que a mente jamais teria podido imaginar. Ao recordarmos neste dia santo o nascimento de Cristo, vivemos, juntamente com esse acontecimento, o mistério da adoção divina do homem, por meio do Cristo, que vem ao mundo cheio de misericórdia e de bondade”.   Natal: quando o Altíssimo abre mão de sua onipotência Frei Almir Guimarães A humildade é a veste de Deus Isaac, o Sírio  (sec. VII) ♦ Há algumas semanas estamos sendo envolvidos pela atmosfera do Natal. Com todo seu vigoroso empenho a sociedade de consumo não consegue extinguir em nós o fascínio da festa do nascimento do Menino. São coisas simples e na sua simplicidade muito grandiosas. Natal tem o gosto das coisas intactas, universo de pureza e de simplicidade. Festa das crianças, dos simples de coração. E são elas, as crianças, que se colocam na pontinha dos pés para ver o rosto do menino no presépio. Seus olhinhos brilham de encantamento. ♦ “Hoje, amados filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa da eternidade” (Leão Magno). ♦ Uma criança: Natal é uma criança frágil, mal e malnascida, necessitando de todos os cuidados, precauções e atenções, sem o que não sobrevive. A criança que chega traz bondade, estende os braços, suplica nossa atenção. “No Natal Jesus vem a nós nos traços ternos da infância para infundir em nós confiança com sua doce inocência, vem para despertar em nós a criança que fomos e que perto dele podemos voltar a ser” (Paulo VI). Para a criança que chega será preciso preparar pão, oferecer carinho, auscultar a novidade que ela traz do Mistério. ♦ “O que constitui a dimensão mais profunda de uma criança, o que não somente faz o seu encanto, mas se revela como sua essência é que ela tem o futuro diante de si. Parte para essa viagem da qual alguns já fizemos metade ou mais da metade. Não existe passado que possa torna-la pessoa pesada e amarrada, nenhuma avenida está fechada. Na medida em que nossos projetos vão sendo realizados nossas metas alcançadas constituem-se em conquistas, posses que ficam amontoadas e quase sempre consistindo em obstruções, implicando no sacrifício daquilo que poderia ter sido” (Jean-Marie le Blond). As crianças precisam de atenção porque  Deus se tornou  criança. ♦ A mãe do Menino: Maria, mulher igual a todas as mulheres, especialmente semelhante às mães, vivendo alegrias e carregada de preocupações. Olha o Menino. “Que será desse meu filho?” Uma menina mãe com pouca idade. Observa os pastores, admira-se da bela e dura  simplicidade do nascimento do Menino. Ela ficará ao lado do filho até o fim. ♦ A festa da luz: Isaías fala de um povo que foi contemplado com uma claridade quase ofuscante. Natal e festa da luz. Esse que vem é a claridade, a estrela pousa sobre a  choupana em que nasceu. O menino que é luz abre os olhos para a luz e se torna luz para os cegos de sentido de viver. No natal tudo é luz. Vela no batizado. Luzes feéricas nos templos. Luz, simplesmente luz. ♦ Os pastores: Gente simples, cheirando mal, vindo dos campos de seus rebanhos. Olham, cochicham baixinho, ficam maravilhados e a Mãe do do Menino guarda essas coisas no fundo do coração. ♦ Singeleza e pobreza: A manjedoura é o lugar do misterioso encontro em que a grandeza de Deus se faz miséria humana e onde a miséria humana se une à glória de Deus. Quem poderá compreender de maneira cabal o mistério do Menino de Belém?  Sobre ele brilha o ouro da divindade. Em seu semblante lampejos da luz e das cores dos céus. “O Verbo habitou entre nós e vimos a sua glória”. E, no entanto, ele precisa dos braços de uma mãe. Necessita do colo de uma mulher da terra.  Deus se esconde como criança pequena, no seio de Maria, identificando-se com ela” (René Dufay). ♦ São Francisco e o Natal: “Mais do que nenhuma outra festividade, Francisco de Assis celebrava com inefável alegria o nascimento do Menino Jesus e chamava festa das festas o dia em que Deus, feito Menino, se amamentava como todos os filhos dos homens. Beijava mentalmente com esfomeada avidez as imagens do Menino que o espírito lhe construía e, dele entranhadamente  compadecido, balbuciava palavras de ternura, à maneira das crianças. E o seu nome era para ele como um favo de mel na boca” (2Celano  199). Textos para oração e reflexão Balada da Mãe de Deus (Marie Noël) Meu Deus, quão frágil dormes agora em meus braços, meu filho quentinho junto do meu coração que bate, bate, bate. Adoro em minhas mãos e embalo toda encantada, a maravilha, ó Deus, que me deste.   Deus meu, eu não poderia ter um filho, virgem que sou nesse estado de humildade: que alegria em forma de flor nasceu de mim? Altíssimo e Belo  Senhor, foste tu me concedeste esta bênção.   Cumulada de tantas graças fiquei a pensar como retribuir-te. Eu, tão humilde e tão limitada, comecei a sorrir baixinho. Sim, eu encontrei uma graça para te dar.   Tu não tinhas boca para dirigir-te às pessoas perdidas aqui da terra. Tua boca com leite, agora voltada para meu peito esta boca fui eu que te dei.   Mãos não teríeis para curar com teus dedos esses pobres corpos cansados. Tua mão, como um botão fechado, róseo, ó meu Filho, fui eu que te dei!   Não teríeis carne, meu Deus, para romper o pão  naquela ceia teus discípulos. Tua carne plasmada no frescor juvenil da minha vida, meu filho fui eu que te dei.   Morte em vista da salvação do mundo, nunca teríeis em vista da salvação do mundo. Ó, quanta dor naquele momento. Tua morte de homem, naquela sombria tarde abandonada, fui eu te dei. 2.Que segredo tem o Natal? Pergunto-me que segredo tem o Natal? Há  um milagre que acontece dentro de nós, só pode ser um milagre, pois é como se a vida reascendesse. Contemplando o presépio percebo que este é um milagre humaníssimo que  Deus suscita aos nossos olhos. Ele amou-nos tanto que nos deu seu próprio Filho. O milagre do Natal se assenta  sobre este dom absoluto que nos faz perceber  que só somos à medida que nos damos. E que a vida renasce como   dádiva, na ponta dos dedos, no olhar, nas palavras. José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 61   Deus entre nós José Antonio Pagola O evangelista João, ao falar-nos da encarnação do Filho de Deus, não nos diz nada de todo esse mundo tão familiar dos pastores, do presépio, dos anjos e do Menino Deus com Maria e José. João nos convida a penetrar nesse mistério a partir de outra profundidade. Em Deus estava a Palavra, a Força de comunicar-se própria de Deus. Essa Palavra pôs em marcha toda a criação. Nós mesmos somos fruto dessa Palavra misteriosa. Essa Palavra agora se fez carne e habitou entre nós. Tudo isto continua a parecer-nos muito belo para ser verdade: um Deus feito carne, identificado com nossa fraqueza, respirando nosso alento e sofrendo nossos problemas. Por isso continuamos buscando a Deus nos céus, quando Ele está aqui embaixo, na terra, bem perto de nós. Uma das grandes contradições dos cristãos é confessar com entusiasmo a encarnação de Deus e esquecer depois que Cristo está no meio de nós. Deus desceu ao mais profundo de nossa existência, e a vida continua parecendo-nos vazia. Deus veio habitar no coração humano e sentimos um vazio interior insuportável. Deus veio reinar entre nós e parece estar totalmente ausente em nossas relações. Deus assumiu nossa carne e continuamos sem saber viver dignamente o carnal. Também entre nós se cumprem as palavras de João: “Veio aos seus e os seus não o receberam”. Deus busca acolhida em nós, mas nossa cegueira fecha as portas a Deus. E, no entanto, é possível abrir os olhos e contemplar o Filho de Deus “cheio de graça e de verdade”. Quem crê, sempre vê algo. Vê a vida envolta em graça e em verdade. Tem em seus olhos uma luz para descobrir, no fundo da existência, a verdade e a graça desse Deus que plenifica tudo. Estamos ainda cegos? Vemos só a nós mesmos? Nossa vida reflete só as pequenas preocupações que levamos em nosso coração? Deixemos que nosso coração se sinta penetrado por essa vida de Deus que também hoje quer habitar em nós.   Jesus, recado de Deus Pe. Johan Konings A liturgia da terceira missa de Natal, a missa do dia, nos apresenta como evangelho o Prólogo do Evangelho segundo João. Nas celebrações de meia-noite e da aurora, a liturgia acentua a humildade do Messias: o presépio, os pastores…. Na liturgia do dia, o acento está na sua eterna glória, o brilho da manifestação de Deus. Esse é o paradoxal mistério de Cristo: a Palavra se tornou carne, humanidade frágil, e exatamente nisso “nós contemplanos sua glória” (Jo 1,14). “Como é belo ver pelas montanhas os passos do mensageiro que anuncia a paz, noticia a felicidade e traz uma mensagem de salvação: Teu Deus reina” – assim soa a 1ª leitura. Quando Deus reina – através do empenho dos humanos, seus “aliados”-, quando ele tem a última palavra, existe saída. Isso valia para os exilados de Judá, para os quais o profeta entoou seu cântico, e vale também para nós. Por isso, o salmo responsorial exorta: “Cantai ao Senhor um canto novo”. Mas a manifestação de Deus superou de longe aquilo que o profeta divisou. A mensagem, a palavra da parte de Deus, tornou-se carne, existência humana. Jesus é em pessoa o que Deus nos quer comunicar, desde sempre. A Palavra que é Jesus estava em prontidão junto de Deus desde sempre; aquilo que Deus sempre quis dizer, sua Palavra o veio mostrar tornando-se vida humana no meio de nós (Jô 1, 1.14) Jesus é a comunicação de Deus, é o que Deus significa para nós; e o que não condiz com Jesus contradiz Deus. O que Jesus fala e faz, Deus é quem o fala e o faz. Quando esse filho do carpinteiro convida os pecadores, é Deus que os chama. Quando censura os hipócritas, é Deus que os julga. Quando funda a comunidade fraterna, é Deus que está presente nela. E quando morre por amor fiel até o fim, é Deus que manifesta seu amor fiel e sua plenitude de vida. Tudo o que Jesus nos manifesta é palavra de Deus falada a nós, palavra de amor eterno. Há quem pergunte o que Jesus faz enquanto homem e enquanto Deus. Tudo o que faz, ele o faz como homem e como Deus, pois faz tudo por amor até o fim, e Deus é amor. Se se devesse escolher o momento em que Jesus se mostrou mais Deus para nós, seria o momento em que ele foi mais humano, frágil e mortal: sua morte na cruz. Pois aí mostrou com maior nitidez o rosto do Deus-amor. A “Palavra de Deus”, crucificada, nos fala: “Deus é amor” (1 Jo 4, 8-16). A festa da Encarnação não é só Natal, mas também Sexta-feira Santa. O presépio é da mesma madeira da Cruz. À medida que nós formos novos Cristos, também nossa “carne”, nossa vida e história, será uma palavra de Deus para nossos irmãos e irmãs, e mostrará ao mundo o verdadeiro rosto de Deus: um rosto de amor. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Horários de Missas para o Natal e Ano Novo em toda a Diocese

Quando se aproximam as celebrações de Natal e Ano Novo, os fieis sempre têm dúvidas com relação aos horários das celebrações. Principalmente porque muitos não são daquela paróquia onde se encontram para as festas, e gostariam de saber os horários para não passarem estas festas sem participar da Santa Eucaristia. Pensando nisso a Pastoral da Comunicação - PASCOM da Diocese de Bragança do Pará, decidiu fazer um apanhado dos horários das celebrações em todas as paróquias nossa diocese. Assim, para onde você for dentro da diocese, estará sabendo os horários e locais das celebrações. Confira...   REGIÃO NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO Paróquia Nossa Senhora do Rosário/ Catedral (Bragança) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na frente do palácio episcopal.   Dia 25/12: - 06:30 horas – Missa na catedral - 08:30 horas – Missa na catedral - 16:30 horas – Missa na catedral - 18:30 horas – Missa na catedral - 19:30 horas – Missa em São Benedito   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Catedral.   Dia 01/01/2020: - 08:00 horas – Missa em São Benedito - 08:30 horas – Missa na catedral - 16:30 horas – Missa na catedral - 18:30 horas – Missa na catedral   Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Bragança) Dia 24/12: - 20:00 horas na Matriz.   Dia 25/12: - 08:00 horas na Matriz - 19:00 horas na Matriz   Dia 31/12: - 20:00 horas na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 08:00 horas na Matriz - 19:00 horas na Matriz   Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Bragança) Dia 24/12: - 16:30 horas na Matriz – Missa e Novena do Perpétuo Socorro. - 20:00 horas na Matriz – Missa da Vigília de Natal   Dia 25/12: - 18:00 horas na Matriz – Missa do dia de Natal   Dia 31/12: - 16:30 horas na Matriz – Missa e Novena do Perpétuo Socorro. - 17:30 horas – Missa no Hospital Santo Antonio. - 20:00 horas na Matriz – Missa do Ano Novo   Dia 01/01/2020: - 18:00 horas na Matriz – Missa   Paróquia São João Batista (Bragança) Dia 24/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 17:30 horas – Missa no Hospital Santo Antonio. - 19:00 horas – Missa na Matriz – Início às 18 horas com adoração ao Santíssimo.   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia São Sebastião (Tracuateua) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Igreja matriz - 21:00 horas – Celebração em Vila Fátima   Dia 25/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 31/12: - 19:00 horas – Missa em Vila Fátima - 21:00 horas – Missa na Igreja Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Paróquia São Miguel Arcanjo (Augusto Corrêa) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa campal próximo a Matriz   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa campal próximo a Matriz   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa campal próximo a Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa campal próximo a Matriz   Paróquia São Francisco de Assis (Açaiteua) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 18:00 horas – Missa na Matriz com todas as comunidades da paróquia.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Paróquia Nossa Senhora do Rosário (Curupaiti) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Paróquia Nossa Senhora de Nazaré (Viseu) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:30 horas – Batizados na Matriz. - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 17:00 horas – Caminhada da Paz saindo da Igreja Santa Clara até a Matriz, encerrando com a Missa na Matriz   REGIÃO SÃO FRANCISCO DE ASSIS Paróquia Santa Luzia (Santa Luzia do Pará) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 07:30 horas – Missa na Matriz. - 16:00 horas – Missa no Km 74 - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Cachoeira do Piriá) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - Não informado    Paróquia Imaculada Conceição (Ourém) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 09:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Santo Antônio Maria Zaccaria (Capitão Poço) Dia 24/12: - 19:00 horas – Novena do Perpétuo Socorro na Matriz - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:30 horas – Missa na Comunidade Menino Jesus - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:00 horas – Novena do Perpétuo Socorro na Matriz - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz   Paróquia São Pedro (Bonito) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz   Paróquia São Francisco de Assis (Garrafão do Norte) Dia 24/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz   Paróquia Nossa Senhora da Divina Providência (Nova Esperança do Piriá) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:00 horas - Missa na Matriz   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - Não haverá Missa   REGIÃO PE. MARINO CONTI Paróquia São Miguel Arcanjo (São Miguel do Guamá) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Igreja do Perpétuo Socorro.   Dia 25/12: - 08:30 horas – Missa na Matriz de São Miguel Arcanjo - 19:30 horas – Missa na Igreja do Perpétuo Socorro.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Igreja do Perpétuo Socorro.   Dia 01/01/2020: - 08:30 horas – Missa na Matriz de São Miguel Arcanjo - 19:30 horas – Missa na Igreja do Perpétuo Socorro.   Paróquia Cristo Crucificado (São Miguel do Guamá) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz de Cristo Crucificado.   Dia 25/12: - 07:30 horas – Missa na Matriz de Cristo Crucificado   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz de Cristo Crucificado.   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz de Cristo Crucificado.   Paróquia Nossa Senhora da Piedade (Irituia) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia São Francisco de Assis (Mãe do Rio) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia São Raimundo Nonato (Aurora do Pará) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 09:00 horas - Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - Não haverá Missa.   REGIÃO DOM ELISEU COROLI Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Ipixuna do Pará) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Paróquia São José Operário (Paragominas) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 25/12: - 07:00 horas – Missa na Comunidade Bom Pastor - 09:30 horas – Missa na Comunidade Santa Rita - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Paragominas) Dia 24/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz. - 19:00 horas – Missa na Comunidade Santa Luzia.   Dia 25/12: - 07:00 horas – Missa na comunidade São Francisco de Assis - 17:00 horas – Missa na Comunidade Jardim Bela Vista - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus (Paragominas) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Ulianópolis) Dia 24/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 08:00 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Dom Eliseu) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz em construção   Dia 25/12: - 08:00 horas – Missa na Matriz em construção.   Dia 31/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz em construção   Dia 01/01/2020: - 08:00 horas – Missa na Matriz em construção.   Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Itinga do Pará) Dia 24/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 21:00 horas – Missa na Matriz.   Dia 01/01/2020: - 09:30 horas – Missa na Capela Nossa Senhora do Rosário - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Rondon do Pará) Dia 24/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 25/12: - 19:30 horas – Missa na Matriz.   Dia 31/12: - 20:00 horas – Missa na Matriz   Dia 01/01/2020: - 19:30 horas – Missa na Matriz. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará 

Garrafão do Norte: 1ª comunhão de 70 crianças

No ultimo domingo, 22 de dezembro, foi realizada na Paróquia São Francisco de Assis, Garrafão do Norte, a Santa Missa da Primeira Comunhão de 70 crianças. A liturgia foi celebrada às 8:30 da manhã na Igreja Matriz. Quem presidiu a bonita festa foi o pároco, Pe. Luis Maria Nascimento.   A IMPORTÂNCIA DA PRIMEIRA COMUNHÃO NA VIDA DAS CRIANÇAS Já noticiamos tantas vezes a realização de primeiras comunhões aqui em nosso site, não é mesmo? Mas, você já parou para pensar na importância que essa ação tem na vida de uma criança? É o que queremos fazer a seguir: uma reflexão sobre a importância da primeira comunhão. O texto é de Roberto Garcia, do portal soucatequista.com.br. Como todos nós sabemos, a Primeira Comunhão trata-se do momento em que nos aproximamos da ceia do Senhor, recebendo Seu corpo e Seu sangue e permitindo que Jesus habite nosso coração. Mas você já parou para pensar na importância que essa ação tem na vida de uma criança? Normalmente quando a criança inicia sua catequese é muito comum ouvirmos que “estou aqui porque meus pais obrigaram”, “preciso fazer catequese para poder casar”, “o que é catequese?”, enfim, diversas exclamações e interrogações que, sinceramente, deixam-me bastante assustado! Não raramente, as crianças começam a catequese sem ao menos saber rezar as orações tradicionais (Pai-Nosso, Ave-Maria…) que deveriam ser aprendidas em casa, pois a introdução de uma criança na vida religiosa começa na família. A catequese familiar é fundamental para que a catequese ministrada na Igreja não seja vazia, pois ela corre o risco de ser alicerçada sobre a areia: na primeira “balançada”, desmorona. A ação do catequista na vida da criança deve ser transformadora. Durante a caminhada na catequese, ela deve sentir-se importante no processo de evangelização, sentir-se amada por Deus e também pelo catequista. Dessa forma, a criança vai absorvendo com mais facilidade o objetivo da catequese. Às vezes a criança vem para a catequese necessitando de carinho, de atenção, de alguém que esteja disposto a escutá-la e a orientá-la sobre alguma dificuldade ou algum problema. E devemos estar de braços e coração abertos para recebê-las, pois, como disse Jesus: “Deixai as crianças e não as proibais de vir a Mim, porque delas é o Reino dos Céus” (cf. Mt 19,14). Durante a catequese a criança vai conhecendo e se aprofundando na experiência cristã e, principalmente na vivência comunitária, ela vai descobrindo o que significa a comunhão. A catequese de Primeira Comunhão é fundamental para a formação religiosa da criança, pois, se ela for bem trabalhada desde as bases (familiar, escolar, comunitária), no futuro poderemos evitar uma série de problemas sociais. Afastaremos a criança do mundo das drogas, das más companhias, e estaremos auxiliando na formação de um bom cristão e também de um bom cidadão. Ah, e também devemos orientar as crianças que, após fazer a Primeira Comunhão, elas não devem abandonar a Igreja, viu? A Primeira Comunhão não pode ser única… Elas devem permanecer em comunhão com Cristo e com os irmãos para sempre! Assim como Jesus nunca nos abandonou, nós também não devemos nunca abandoná-Lo. Por Diocese de Bragança Com texto de Roberto Garcia, do portal soucatequista.com.br.

Quarto domingo do Advento

Salve, santo silêncio de José! Frei Gustavo Medella “Ao ver sua Esposa em Mãe transformar-seJosé quer deixar Maria em Segredo.Um anjo aparece: ‘É obra de Deus!’Afasta-lhe o medo. (Hino da Solenidade de São José – estrofe inspirada em Mt 1,19) Em tempos de não se levar desaforo para casa, de se lavar roupa suja em praça pública e nas redes sociais, de se fazer prosperar a injustiça e o ódio à força de notícias falsas e escandalosas, de se promover julgamentos capitais, sumários e superficiais, o silêncio do justo José traz consigo uma eloquência profética. É um silêncio que grita. Não se trata de omissão, mas de prudência, sabedoria e compaixão. Silêncio de quem, nas idas e vindas da vida, amadureceu o suficiente para saber que as respostas nem sempre são imediatas e o primeiro impulso com frequência não é a ação mais indicada. Obrigado por este precioso silêncio, ó bom e justo José! No quarto domingo do Advento, às vésperas da chegada do Emanuel, é hora de guardarmos este silêncio fecundo que traz em si uma admiração impossível de ser expressa só por palavras. Afinal, diante da Palavra de Deus-Conosco, o mais sábio que se tem a fazer é calar… E contemplar. Logo, logo, é Natal!   4º Domingo do Advento, Ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição. Primeira leitura: Is 7,10-14 Eis que uma virgem conceberá. Acaz, rei de Judá, preparava-se para pedir socorro ao grande rei da Assíria, a fim de proteger-se contra os pequenos reinos vizinhos. O motivo era que o rei dos arameus e de Israel queriam forçar Acaz a entrar numa aliança contra o rei da Assíria, sob pena de o destituir do trono, colocando em perigo a promessa da estabilidade da dinastia de Davi (2Sm 7,16). Isaías desaconselha Acaz de buscar auxílio da Assíria. Pede apenas que o rei confie em Deus e peça um sinal do céu. Mas o rei prefere seguir a opinião de seus conselheiros militares a escutar a voz do Profeta. É neste contexto que é dado o sinal da virgem – assim era chamada a jovem esposa do rei – que conceberá e dará a luz um filho. Sinal que Deus não abandonava seu povo seria o nome a ser dado ao menino: Emanuel, Deus conosco. O nascimento do menino, herdeiro do trono de Acaz, seria o sinal do socorro divino no qual o rei deveria confiar. Os evangelhos e a Igreja veem em Jesus, nascido da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo, a realização plena do sinal do Emanuel, Deus conosco (Evangelho). Salmo responsorial: Sl 23 (24) O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar! Segunda leitura: Rm 1,1-7 Jesus Cristo, descendente de Davi, Filho de Deus. Ao escrever aos romanos, Paulo segue o costumeiro cabeçalho de endereçamento duma carta, composto por três elementos essenciais: quem escreve (“Eu Paulo”, v. 1), a quem escreve (“a vós todos que morais em Roma”, v. 7a) e a fórmula de saudação (“graça e paz da parte de Deus, nosso Pai…”). Paulo, porém, entusiasmado pelo anúncio do Evangelho, faz acréscimos importantes em cada um dos itens. O início da Carta aos Romanos é tão denso que pode ser considerado como um resumo do Evangelho: Cristo é o Filho de Deus, “segundo o Espírito”, e Filho de Davi, “segundo a carne”; é o Senhor glorioso e ressuscitado, presente na comunidade; nele se cumprem as promessas feitas pelos profetas. Por graça de Cristo, Paulo se considera “apóstolo por vocação, para o Evangelho de Deus”, o mesmo Evangelho de Deus que Jesus começou a pregar (cf. Mc 1,14). Este Evangelho não é restrito apenas aos judeus, mas se destina também a “trazer à obediência da fé todos os povos pagãos”. Entre estes povos estão os cristãos de Roma, que acolheram a mensagem de Paulo. Com estas palavras de Paulo define-se a missão universal do Salvador que esperamos: Jesus veio para salvar toda a humanidade. Aclamação ao Evangelho Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Chamar-se-á Emanuel que significa: Deus conosco. Evangelho: Mt 1,18-24 Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi. As histórias da infância de Lucas e Mateus apresentam narrativas bastante distintas. Mesmo assim contém dados comuns: o nome de Jesus, os nomes de Maria, sua mãe, e de José, seu “pai adotivo”; José como descente de Davi; que Maria já estava legalmente prometida a José; o nascimento em Belém, e Nazaré, como residência de Maria e José e de Jesus. Principalmente a convicção de fé acerca da concepção virginal do menino Messias e sua “filiação divina”, por obra do Espírito Santo. Mateus apresenta a genealogia de Jesus Cristo desde Abraão até Jacó, seguindo o esquema “fulano foi pai de sicrano” (Mt 5 1,1-17). Mas ao chegar a José diz: “Jacó foi pai de José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus chamado Cristo”. O evangelho de hoje quer explicar por que Maria e não José está na origem da geração de Cristo, porque foi “concebido pela ação do Espírito Santo”. Este é um dado que Mateus recebeu da tradição cristã. José é apresentado legalmente como esposo de Maria. Por isso, prometida em casamento a José. Seria o que chamaríamos hoje de noivado, que naqueles tempos não significava ainda convivência do casal. Vendo sua noiva grávida, José, um homem justo e temente a Deus, pensava em separar-se de Maria, sem denunciá-la publicamente por infidelidade. Em sonho, porém, o anjo lhe explica o mistério. José, então, acolhe Maria em sua casa, torna-se o pai legal de Jesus e assegura sua descendência davídica. Assim fica esclarecida a verdadeira identidade de Jesus: Jesus é descendente de Davi, através do pai adotivo e legal José; é filho da virgem Maria, esposa legal de José, mas concebido pelo poder do Espírito Santo. Por isso, é o Filho de Deus, o Emanuel, o Deus conosco, para sempre: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). O tema central da liturgia de hoje é o encontro do divino e do humano em Jesus Cristo, o Emanuel, Deus conosco. Paulo, na 2ª leitura, resume este mistério lembrando que Cristo, “segundo a carne”, é descendente de Davi, mas foi “autenticado como Filho de Deus segundo o Espírito de Santidade que o ressuscitou dos mortos”. Neste mistério do encontro do divino com o humano, Maria ocupa um lugar central. Nos Evangelhos, José não pronuncia nenhuma palavra. É o homem justo e silencioso que contempla o mistério da Encarnação. Um convite para assim nos prepararmos para o Natal.   Jesus Salvador de cada pessoa humana Frei Clarêncio Neotti Mateus conta que José deu ao filho, nascido de Maria, o nome de Jesus. Desde o início de seu Evangelho, acentua em Jesus a qualidade de salvador. Repete o que pouco antes disse: “Ele salvará o povo”. Porque Jesus, em hebraico, quer dizer: “Deus é salvação”. O nome Jesus não era novidade, o Nome Josué tem o mesmo significado. E tanto um quanto outro eram usados como nomes próprios. A novidade era Jesus de Nazaré vir para salvar o povo de seus pecados (1/21). Outros salvaram de inimigos e animais ferozes, de fome e desgraças. Jesus de Nazaré libertou o homem do pecado, para que o homem retornasse à comunhão com Deus. Pouco mais adiante, no capítulo 9/ Mateus observa que fariseus e doutores da lei se escandalizaram, porque Jesus dissera a alguém: “Teus pecados te são perdoados” (9/2). Jesus lhes declarou abertamente: “Tenho na terra o poder de perdoar pecados” (9/6). Quando, portanto, no Evangelho de hoje, Mateus nos diz que José “pôs nele o nome de Jesus”, não quer apenas nos dizer o nome pelo qual o Menino seria chamado, mas nos dizer qual seria a missão específica desse Menino, concebido de forma miraculosa: ser o Salvador dos homens. Pôr o nome no menino tinha ainda um sentido jurídico.  José adotava a criança que não nascera dele. E, sendo José da família de Davi, ao adotar o menino, inseriu-o na linhagem de Davi, como haviam predito os profetas. Assim Paulo pôde dizer na segunda leitura (Rm 1/3): “Jesus nasceu da estirpe de Davi, segundo a carne”. Além do nome Jesus, Mateus ainda nos dá hoje dois outros nomes dele: filho de Davi, pelo qual Jesus será chamado inúmeras vezes na vida pública; e Emanuel, que exprime a razão de ser da encarnação: ser um Deus–conosco, para que nós sejamos pessoas-com-Deus.   A Mãe do Menino está para dar à luz Frei Almir Guimarães ♦ Estamos bem às portas do Natal.  Deus conosco, Emanuel. Ainda um pouco de tempo para enfeitar nosso interior e deixar de lado preocupações exageradas com o secundário que anda tomando o lugar do essencial: o Senhor que os espaços siderais não comportam veio viver nossa existência em todas as circunstâncias.  Mateus vem nos dizer que o Menino das Palhas é o único que podemos chamar de Emanuel. Aquele que vive a nossa vida. ♦ Inspirado em página de Pagola podemos seguir suas sugestões para a preparação mais imediata da festa da Encarnação: >> É preciso que tenhamos a coragem de ficar a sós. Procurar um lugar tranquilo e sossegado.  Escutar nosso interior, nossa verdade mais íntima.  Vivemos cercados de pessoas que amamos e pelas quais somos amados.  Quando entramos no mundo do silêncio parece que tudo pode ganhar distância e vemos as coisas em sua nudez. Tomamos distância de nós e de circunstâncias que podem nos empobrecer. >> Continuando ainda em silêncio podemos ter a impressão que fazemos parte de uma realidade mais ampla, desconhecida. Donde nos chega a vida? O que há no fundo de nosso ser? Se continuarmos mais um pouco em silêncio talvez venhamos a experimentar um certo temor e, ao mesmo tempo,  uma paz que antes não havíamos experimentado. Estamos diante do mistério ultimo de nosso ser que chamamos de Altíssimo,  Senhor, Magnífico. >> Precisamos nos abandonar a esse Mistério com confiança. Deus parece imenso e longínquo.  Se nos abrimos a ele, haveremos de perceber que está próximo de nós.  Ele está em nós  sustentando nossa  fragilidade e  fazendo-nos viver. Não é como as pessoas que nos amam a partir do exterior. Deus é mais íntimo do que somos a nós mesmos. >> Karl  Ranher afirma que a experiência do coração é única que nos faz compreender a mensagem de fé do Natal:  Deus se fez homem. Nunca estamos sozinhos.  Se assim for, podemos celebrar o Natal.  Haveremos de nos alegrar com os nossos e ser mais generoso com os que sofrem e vivem tristes. ♦ E Maria se faz presente neste  4º domingo do Advento.  Essa mocinha de Nazaré foi colocada diante da proposta do Altíssimo de viver perto de nós.  O Deus grande por meio do mensageiro  pede assentimento à moça de Nazaré.  Há  hesitações, solicitações de esclarecimentos,  relutância  com protesto de humildade de sua parte.  Ela pertencia ao grupo dos pobres de Javé que contavam com a ação de Deus em sua vida e na história de seu povo.  “Eis aqui a serva do Senhor.  Fala-se em mim segundo a sua Palavra”.  Quem sabe tudo isso levou tempo.  Maria deixou o convite descansar nos cantinhos de seu interior. Com o seu assentimento abrem-se as cortinas de seu interior. O sim da moça de Nazaré é a primeira etapa da instauração do mundo novo com Jesus. ♦ Passou ela a guardar as coisas no fundo do coração. Vestida da força do alto, respirando esperança, Maria vai percorrer seu caminho de fé de mulher grávida.  Vai acompanhar seu  Filho em suas andanças, aplausos e perseguições,  até o alto da cruz… Sempre mãe, sempre fiel,  sempre levando as coisas ao fundo do coração. ♦ Deus não é o Ser onipotente e poderoso que às vezes nós, humanos, imaginamos, encerrado na seriedade e no mistério de seu mundo incessível. Deus é esse menino entregue carinhosamente  à  humanidade, esse pequeno que busca o nosso olhar  para alegrar-nos com seu sorriso. O fato de Deus se ter feito menino diz muito mais sobre Deus as sutilezas e especulações sobre seu mistério. Oração É quase Natal! Senhor, é quase Natal.Ainda não é Natal.Paira , no entanto, no ar uma suave esperançaque nem sabemos descrever.É bom esperar,  muito  bom esperar.Esperar o amigo que vem de longe,o fim de uma doença que nos atemorizava,a chegada da primavera depois de um inverno rude,o entendimento depois do desentendimento.Quero esperar,  preciso esperar.Quantas vezes acontece que paronessas coisas de todos os diasque não me enchem de  fôlego e de entusiasmo.No canto da minha boca, por vezes, um sorriso amargo,inexpressivo de quem nada espera.Mas agora é diferente.Estamos às portas do Natal.Bendita noite de Natal.Que nesta hora, Senhor,  meu coração experimente sede de tiQue de todos os cantinhos de meu coração subam um suspirar pela tua vinda.Estou bem perto de  Maria, Maria do Advento.Para  Deus nada   é impossível.   Não precisamos de Deus entre nós? José Antonio Pagola Há uma pergunta que todos os anos me ronda desde que começo a observar pelas ruas os preparativos que anunciam a proximidade do Natal: o que pode haver ainda de verdade no fundo dessas festas tão degeneradas por interesses consumistas e por nossa própria mediocridade? Não sou o único. Ouço muitas pessoas falar da superficialidade do Natal, da perda de seu caráter íntimo e familiar, da vergonhosa manipulação dos símbolos religiosos e de tantos excessos e despropósitos que deterioram hoje o Natal. Mas, na minha opinião, o problema é mais profundo. Como pode celebrar o mistério de um “Deus feito homem” uma sociedade que vive praticamente de costas para Deus, e que destrói de tantas maneiras a dignidade do ser humano? Como pode celebrar “o nascimento de Deus” uma sociedade na qual o célebre professor francês G. Lipovetsky, ao descrever a atual indiferença, pode dizer estas palavras: “Deus está morto, as grandes finalidades se extinguem’ mas para todo o mundo isso dá na mesma, é essa a feliz notícia”? Ao que parece, são muitas as pessoas para as quais dá exatamente no mesmo crer ou não crer, ouvir que “Deus está morto” ou que “Deus nasceu’: Sua vida continua funcionando como sempre. Parece que não precisam mais de Deus. E, no entanto, a história contemporânea já está nos obrigando a fazer algumas graves perguntas. Há algum tempo se falava da “morte de Deus”; hoje se fala da “morte do ser humano’: Há alguns anos se proclamava “o desaparecimento de Deus”; hoje se anuncia “o desaparecimento do ser humano”. Será que a morte de Deus não arrasta consigo de maneira inevitável a morte do ser humano? Expulso Deus de nossas vidas, encerrados em um mundo criado por nós mesmos e que não reflete senão nossas próprias contradições e misérias, quem pode dizer-nos quem somos e o que realmente queremos? Não é indispensável que Deus nasça de novo entre nós, que brote com nova luz em nossas consciências, que se abra caminho no meio de nossos conflitos e contradições? Para encontrar-nos com esse Deus não é preciso ir muito longe. Basta achegar-nos silenciosamente a nós mesmos. Basta aprofundar-nos em nossas interrogações e anseios mais profundos. Esta é a mensagem do Natal: Deus está perto de ti, onde estás, contanto que te abras a seu Mistério. O Deus inacessível se fez humano e sua proximidade misteriosa nos envolve. Em cada um de nós Deus pode nascer.   Esperar o Filho de Deus Pe. Johan Konings Neste último domingo do Advento celebramos o ponto alto de nossa esperança e de nossa espera. Revivemos a espera do Messias, para tirar mais fruto de sua vinda, que continua acontecendo em cada momento da história. Quando o antigo Israel estava ameaçado pelos povos estrangeiros, Deus suscitou a esperança do povo mediante o sinal da “jovem”(a rainha?) que ficou grávida e cujo filho receberia o nome de “Emanuel”, Deus conosco (1ª leitura). Visto que “jovem” pode também ser traduzido por “Virgem”, esse sinal se realiza plenamente em Maria Virgem. A concepção, pela “Virgem”, do filho dado por Deus é o sinal de que Deus está agindo. O povo pode contar com ele. Em Jesus, a Escritura se cumpre (evangelho). Deus está agindo, mas não sem que os seus colaboradores assumam sua responsabilidade. José, “descendente de Davi”, faz com que o “filho de Deus”(o Messias) nasça “filho de Davi”, ou seja, descendente de Davi, conforme as Escrituras (cf. Mt 1, 1-16). José não precisa ter medo de acolher Maria: ela é sua esposa (Mt 1,20). Ela se tornará mãe do Emanuel, pelo poder do Espírito de Deus (Deus que age, Mt 1,21). Assim, humanamente falando, Jesus é “filho de Davi” e, pela obra do Espírito Santo em Maria, ele é “Filho de Deus” (2ª leitura). O mistério de Jesus ter nascido sem que Maria deixasse de ser virgem significa que Jesus, em última instância, não é mera obra humana, mas antes de tudo um presente de Deus à humanidade. Seu nascimento é sinal de que Deus está conosco para nos salvar. Seu nome, Jesus, significa “Deus salva”; é o equivalente de Emanuel. O mistério se manifesta através de sinais: o mistério do amor, através da rosa; o mistério de Deus que age, através do sinal da Virgem que se torna mãe. Há uma coisa que nos ajuda a vislumbrar o significado desta história: diante da gravidez, os pais, e sobretudo a mãe, têm consciência da presença de um mistério: os pais sentem que o filho não é apenas obra deles. Diante do mistério do Filho que Deus dá ao mundo, nós sentimos profunda admiração-contemplação, fé e confiança diante do agir de Deus em Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Filho de Deus. Sentimos também gratidão pelo presente que Deus nos oferece. E deixando de lado todas as (vãs e vaidosas) tentativas de “resolver o mistério”, dedicamo-nos a contemplá-lo e a nos envolver na alegria que ele representa. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

IV edição do curso Agroecologia e Cidadania

A semana de 25 a 29 de novembro, marcou uma riqueza de atividades da IV edição do curso Agroecologia e Cidadania. Neste curso promovido pela escola ECRAMA com apoio de instituições parceiras, somos ensinantes e apreendentes de ações coletivas para gestão de saberes e recursos da socioagrobiodiversidade e da economia solidária, animados pela mística do cuidado com a nossa Casa Comum. Nossa prática de fazer e partilhar Agroecologia, se estendeu na programação de encerramento, que iniciou com a acolhida e participação de familiares, amigos, educadores e simpatizantes  da nossa luta na 1a Caminhada da Agroecologia Cidadania, na cidade de Santa Luzia do Pará, chamando a atenção do Sindicato de Trabalhadores (as) Rurais, da Cooperativa COOMAR, e da poder público municipal, para a importância de abraçarem essa luta, de vida para nossa e futuras gerações. No salão paroquial, realizamos a “Comensalidade”, a partilha de nossos saberes, aprendizados e sabores dos preparos a base de cará, jerimum, jaca, pupunha, tapioca, macaxeira, entre, outros. Na sede da escola ECRAMA, Dom Jesus, presidiu a missa de Ação de Graças de concluintes da turma Agroecologia e Cidadania – 2019. Um momento importante da participação de alunos de turmas anteriores e dos familiares dos egressos de 2019. A avaliação do percurso dos cinco módulos que compõem esse curso, foi apresentada por cada participante pela metodologia do “Igarapé do Tempo,” e em estações de exercício das práticas curso. O curso Agroecologia e Cidadania, organizado em tempos de aprendizado presencial e com a família – comunidade, com 250 hora de carga horária, que na conclusão todos e todas recebem o certificado de participação. Por ECRAMA

Morre em Bragança a cofundadora das Missionárias de Santa Teresinha

Faleceu nesta quinta feira(19) em Bragança, aos 99 anos, Irmã Edith Almeida de Souza, cofundadora da Congregação das Missionárias de Santa Teresinha. Seu corpo está sendo velado na Capela do Instituto Santa Teresinha. A missionária que nasceu em Bragança, estava internada há um mês na UTI(Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Santo Antonio, vítima de um AVC(Acidente Vascular Cerebral). Conta o pesquisador José Ribamar Oliveira, que entre as normalistas que concluíram o curso em 1943 estava uma jovem, filha de um comerciante de Bragança, a senhorita Edith. De tanto ouvir D. Eliseu falar nas suas aulas sobre a necessidade de professoras catequistas para o interior, Edith sentiu um grande desejo de dedicar-se a educação das crianças e dos jovens. Em 1944, Dom Eliseu convidou a professora Edith para vir morar no colégio. Lecionava e ajudava as Irmãs na rouparia, pois era hábil costureira. Sua trajetória na vida religiosa começou no dia 19 de março de 1948, em Ourém, quando professou os santos Votos de Castidade, Obediência, Pobreza e Alegria, sendo, então a primeira Missionária de Santa Teresinha. Irmã Edith esteve sempre ao lado de Dom Eliseu em todos os momentos, ajudando- o na fundação da nova Congregação. Em 1958, D. Eliseu nomeou oficialmente a Irmã Edith como Superiora Geral da Sociedade das Missionárias de Santa Teresinha e organizou o primeiro Conselho Familiar. Edith Almeida, foi professora da primeira turma de Normalistas do Instituto Santa Teresinha. Missionárias de diversas comunidades estão sendo aguardadas no velório, por onde também, estão passando ex-alunos da professora Edith para prestarem suas últimas homenagens. O sepultamento está previsto para ocorrer às 17 horas desta sexta feira em Bragança, no Cemitério Santa Rosa de Lima no bairro do Alegre. Reportagem: J. Bahia Fotos: Fabrício Bragança e Acervo do IST.

Bragança recebe de volta Estátua de São Benedito.

Ocorreu na noite da ultima quarta-feira (18) a entrega da Estátua de São Benedito (co padroeiro) de Bragança no Mirante na Vila do Camutá. A imagem que havia desabado a nove meses foi reerguida e entregue ao povo bragantino que tem muita fé no Santo Preto como é chamado; e aconteceu no dia da abertura da festa de São Benedito 2019. A obra foi custeada pelo Governo do Estado do Pará e teve o valor de R$ 870 mil reais, a construção da nova imagem foi em tempo recorde pois em setembro foi iniciada as atividades e em dezembro foi entregue, cerca de 3 (três) meses para tudo estar pronto. A cerimônia de abertura contou com a presença do Governador do Estado do Pará Helder Barbalho, do Bispo Diocesano de Bragança Dom Jesus, o artista Valdeci dos Santos (Japão), que foi o vencedor do concurso 'São Benedito de Arte Popular', alguns vereadores de Bragança, da Marujada de Bragança, secretários de estado e a população geral. A nova imagem de São Benedito tem 4 (quatro) metros e diâmetro e 16 (dezesseis) metros de altura, feita em fibra e resina. Antes da entrega foi feito alguns pronunciamentos e agradecimentos em um palco montado ao lado da imagem. Dom Jesus em seu pronunciamento destacou a fé do povo e a rapidez na entrega; e ele pediu para o povo manter aquele espaço, que é maravilhoso e um atrativo turístico que Bragança tem. Antes de acenderem a iluminação da imagem de São Benedito Dom Jesus Maria deu a benção no espaço aspergindo com água benta; logo em seguida o Governador Helder Barbalho e o Bispo acenderam o dispositivo que liga a iluminação do Santo Preto, logo em seguida teve uma queima de fogos de aproximadamente cinco minutos, que iluminaram o céu de Bragança anunciando a entrega da imagem de São Benedito no Mirante na Vila do Camutá. Reportagem e fotos: Fabrício Bragança.

Festividades de Santa Luzia

No último dia 13 a igreja celebrou a mártir Santa Luzia. Na Diocese de Bragança do Pará existe uma paróquia e município que têm como padroeira principal a "virgem dos olhos de luz". Além da Paróquia de Santa Luzia existem várias comunidades dedicadas a santa. Como por exemplo na Paróquia São Francisco de Assis, Garrafão do Norte, que tem na área urbana uma comunidade que leva o nome da santa. Em Garrafão do Norte, no bairro das Pedrinhas, a santa foi comemorada nos dias 11,12 e 13 de dezembro, com missas e tríduo. No encerramento da Festividade a procissão saiu às 18 hs da comunidade São João Batista no Bairro do Portão; e percorreu as ruas da Cidade até chegar na Igreja de Santa Luzia. Ali foi realizada a missa campal, na frente da Igreja Santa Luzia. O celebrante foi o pároco do lugar, padre Luís Maria Oliveira, como a ajuda dos diáconos Fernando e Ricardo. Logo após a missa também foi realizado o arraial com vendas de comidas típicas e leilões. Na cidade de Santa Luzia do Pará a procissão se iniciou por volta de 07 hs e percorreu várias ruas da cidade. Milhares de pessoas fizeram o percusso junto do carro com a imagem da santa. Antes das 10 hs a procissão chegou à Praça da Matriz, onde Dom Jesus presidiu a Santa Missa da Festa de Santa Luzia. Dom Jesus destacou à nossa equipe que se "surpreende a cada ano com o aumento da quantidade de pessoas que participam da procissão e da missa". Imagem de Santa Luzia durante a procissão pelas ruas de Santa Luzia do Pará/ Foto: Divulgação Neste ano de 2019 o tema da festa foi "Com Santa Luzia, batizados e enviados somos igreja em missão na comunidade". A festividade teve início no dia 01 de dezembro e se estendeu até a última sexta-feira, dia 13. Por Diocese de Bragança

Terceiro domingo do Advento

Muito antes do marketing, Deus  Frei Gustavo Medella A personalização é uma das chaves para um relacionamento de êxito nos negócios e um dos grandes desafios do marketing na atualidade é fazer com que o cliente se sinta um interlocutor privilegiado daquela marca com a qual ele se relaciona. Para chegar a este grau de sofisticação no relacionamento com o cliente, as empresas lançam mão do entrelaçamento de dados que cada um produz ao navegar nas redes através de seus dispositivos móveis. São mecanismos sofisticados que envolvem muita tecnologia e inteligência artificial para fazer parecer humanizado o quanto mais possível um atendimento quase totalmente realizado por máquinas. A ideia de proximidade e personalização que as marcas desejam transmitir através de um complexo e caro jogo de máquinas, Deus a assume desde sempre. É preocupação constante do Pai atender com carinho e solicitude a cada filho de acordo com sua necessidade. Por esta razão as leituras proclamadas neste 3º Domingo do Advento são insistentes em destacar a ação de um Deus que “alegra a terra, faz florescer o deserto, fortalece os joelhos enfraquecidos, anima os deprimidos, alimenta os famintos, traz a vista aos cegos, liberta os cativos”, enfim transmite em ações concretas o que significa o verbo que, a partir dos limites da linguagem, usamos para defini-Lo: Amar. O grande convite do Natal, então, é que nos sintamos pessoalmente amados por Deus que nos entrega Jesus como irmão. N’Ele nos sentimos plenamente filhos, convidados a sermos uns para os outros, presença deste Deus solícito e atencioso em socorrer os seus em suas diferentes necessidades.   3º Domingo do Advento, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da Salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia”. Primeira leitura: Is 35,1-6a.10 É o próprio Deus que vem para vos salvar. A primeira leitura nos coloca no contexto do exílio da Babilônia. Muitos dos exilados da segunda geração se acomodaram à situação de povo dominado e exilado; outros que conheceram a terra de Judá, Jerusalém e o seu Templo não viam mais perspectivas de um retorno. Não tinham mais ânimo nem de pensar num possível retorno à terra prometida, da qual estavam separados por um imenso deserto. O profeta dirige-se a estes judeus desanimados, para ajudá-los a confiar no Senhor que vem salvar seu povo. Quer abrir-lhes os olhos para a nova realidade política que estava surgindo: o cruel domínio de Babilônia seria substituído pelo “servo de Deus” Ciro, rei dos persas. Em breve, Ciro haveria de permitir o retorno dos exilados. O texto, repleto de alegria, encorajamento e esperança, é um convite para louvar o Senhor que “vem para nos salvar”. A imagem da transformação da natureza e do deserto num lugar pleno de vida é um convite para fortalecer os desalentados. Cegos novamente enxergando, coxos andando, surdos ouvindo e mudos falando são o alegre sinal da salvação que vem vindo (ad-vento), prenúncio de novos ventos soprando na política nacional e internacional (Evangelho). – Estamos vivendo hoje em tempos de profunda crise política, ética, econômica e social, agravadas pela corrupção, desemprego e violência. Conseguimos sentir novos ventos do Espírito soprando, ouvir os clamores das ruas, das escolas e do povo sofrido? Nós, como Igreja de Cristo, responderemos a estes clamores? Somos portadores de esperança para os mais pobres e deserdados? Os exilados voltaram para sua terra e suas casas destruídas com esperança de reconstruí-las. O Papa Francisco lançou um veemente apelo para cuidarmos com mais carinho de nossa “casa comum, o planeta Terra”, começando pelos pobres que nela vivem, e incluindo o cuidado de todos os seres vivos que conosco convivem. Sentimo-nos convidados a participar deste esforço coletivo de toda a humanidade? Se ficarmos parados e sem ânimo, perderemos mais uma oportunidade de salvação, de transformação de nossas vidas… Abramos nossos olhos, nossos ouvidos e o nosso coração, e “caminhemos à luz do Senhor”. Salmo responsorial: Sl 145 Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo. Segunda leitura: Tg 5,7-10 Fortalecei vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima. Os primeiros cristãos esperavam que a segunda vinda do Senhor acontecesse em breve. Por isso, Tiago, depois de ameaçar com o juízo divino os cristãos ricos que atrasavam o salário dos trabalhadores (Tg 5,1-6), na leitura de hoje, dirige-se aos mais pobres e convida-os e permanecerem firmes na fé e na esperança, aguardando a vinda do Senhor. Nessa esperança da vinda do Senhor, o cristão não pode ficar parado. Deve imitar o exemplo do agricultor, que prepara o terreno, semeia a semente e, com paciência, espera a chuva e uma boa colheita. Recomenda também aos cristã que, enquanto esperam a próxima vinda do Senhor, não fiquem brigando e discutindo entre si. Por fim, nos tempos difíceis em que a comunidade vivia, apresenta como modelo os profetas. Eles, em meio às guerras, à violência e destruição levantavam a bandeira da salvação e da esperança de um futuro melhor. Aclamação ao Evangelho: Is 61,1          O espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção,             Enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação. Evangelho: Mt 11,2-11 És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro? A pergunta de João Batista – “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro”? –, não é para gerar dúvidas, mas a certeza. João pregava um batismo de conversão, batizava as pessoas para significar o perdão dos pecados. Dizia ao povo que ele mesmo não era o salvador esperado. Mas que, depois dele, viria alguém mais forte do que ele, do qual nem se considerava digno de carregar as sandálias. Quando Jesus soube que João foi preso por Herodes Antipas (Mt 4,12s), retirou-se para a Galileia e fixou morada em Cafarnaum. Começou a sua pregação e logo começou a escolher discípulos. A pregação e os milagres que fazia tornaram Jesus conhecido em toda a região. E João, ao ser preso, tinha certeza que seria executado. Nesta expectativa, queria deixar claro aos seus discípulos, e a nós também, quem era o verdadeiro salvador esperado, o Cristo prometido pelas Escrituras. A pergunta de João não gera dúvidas, mas busca a certeza. Esta certeza vem da resposta de Jesus: “Os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados”. Mais do que as palavras, são as ações de Jesus que evangelizam. Para concluir, Jesus dá seu próprio testemunho sobre a pessoa e o significado da missão do Batista: um homem austero, que fala e age com segurança, sem deixar-se abalar por qualquer adversidade na sua missão. Nos tempos difíceis em que estamos vivendo, como podemos nos preparar para receber o Senhor que vem nos salvar? A primeira leitura nos convida a esperar com alegria a Salvação que Deus nos preparou. A segunda leitura propõe manter uma fé firme na vinda do Senhor, apesar dos sofrimentos. O Evangelho aponta a conversão e o perdão dos pecados como a melhor preparação para o Natal do Senhor.   O Reino necessita de gestos concretos Frei Clarêncio Neotti O Natal de Jesus tem a ver com a criatura humana concreta. Há gente que quer ver apenas a parte espiritual de Jesus e as implicações espirituais de sua mensagem. Acontece que nós homens não somos só carne ou só espírito. Cristo nasceupara salvar o homem: seu espírito e sua carne. O Reino dos Céus é para a criatura humana na plenitude de seu ser, do seu viver, ou, como diz o papa João Paulo lI, para “cada homem, em toda a sua singular realidade do ser e do agir, da inteligência e da vontade, da consciência e do coração” (Encíclica Redemptor Hominis, n. 46). Parece justo, pois, se desejarmos saber como está o Reino de Deus na terra, perguntar-nos como está a saúde da criatura humana: sua saúde física e espiritual. Pode-se falar em Reino dos Céus, quando tantos milhares morrem de fome? De fome de pão, de fome de paz, de fome de ser compreendido, de fome de viver com dignidade? Todo aquele que melhorar a sorte do homem na terra está construindo o Reino de Deus aqui, está ajudando a acontecer o Natal de Jesus e o natal dos homens (Mt 25,31-46). Porque a criatura humana “é a primeira e fundamental via da Igreja” (Redemptor Hominis, n. 46), isto é, o objeto de toda a sua evangelização (razão de seu existir), a Igreja necessariamente vela pela dignidade do homem em todos osseus aspectos e diversos campos da vida: o religioso, o social, o político, o econômico e o cultural. Vela pelo nosso destino eterno e pelos caminhos que nos conduzem para lá. O Reino dos Céus alcança a criatura humana na sua origem, envolve-a durante toda a sua peregrinação terrena e a introduz na eternidade. São sobretudo os Sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), que desenvolvem o tema do Reino de Deus ou, com o mesmo significado, do Reino dos Céus. O tema volta forte no Apocalipse.   Alegria Frei Almir Guimarães Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo, alegrai-vos! O Senhor está perto (Fl 4,4-5) A alegria é um presente belo, mas também vulnerável. Um dom que devemos cuidar com humildade e generosidade no fundo da alma. O romancista alemão Hermann Hesse diz que os rostos atormentados, nervosos e tristes de tantos homens e mulheres se devem ao fato de que a felicidade só pode senti-la a alma, e não a razão, nem o ventre, nem a cabeça, nem o bolso (Pagola, Lucas p. 25) ♦ Este terceiro domingo do advento é conhecido como domingo da alegria. A leitura do profeta Isaías hoje proclamada respira, transpira exultação. “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável exulte a solidão e floresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores”. A comemoração do nascimento de Jesus e tudo a ele vinculado constituem os motivos da alegria. Nunca nos esqueçamos que a ressurreição do Senhor é que nos trouxe indelével alegria. “Maria, por que choras? Não roubaram o teu Senhor. Ele vive. Ninguém pode tirar a tua alegria”. A singeleza da proximidade de Deus, sua visita no Menino das Palhas, faz com que tenhamos confiança no futuro. Esse Deus que se manifestou no Natal quer ser Deus conosco, quer acompanhar nossos passos, estar perto de nossos acertos e relativizar nossos desacertos. ♦ João Batista se posta diante de nós pedindo que preparemos os caminhos do Senhor, que venhamos a desobstruir nosso interior para que a brisa suave do Senhor nos visite pessoalmente e que sempre de novo retomemos nosso processo de conversão pessoal e no seio da Igreja. Para receber o Salvador, a casa precisa ter nas paredes, portas, janelas e dependências o perfume da verdade, da coerência, de vida feita para os outros e devotado ao que nos ama até o fim. E sobretudo o desejo que é sede do Mistério no qual estamos imersos. Sem conversão perecemos.Vegetamos. Viver a ilusão da vida. E a vida não pode ser ilusão. ♦ Tudo isso precisa nos envolver em clima de alegria. Tema difícil, esse da alegria. Não se trata de sermos adeptos de uma felicidade pequena, conforto, carros, dinheiro rendendo enquanto dormimos, nossos filhos bem na vida, risos, viagens. Merecemos tudo isso e temos direito a esses momentos de contentamento. Consistirá nisso a alegria? ♦ Talvez a razão de tantas alegrias fugazes se deva ao fato de esquecemos de cuidar de nossa vida interior e assim é importante para nós o que vem de fora, coisas, tudo fugaz. Pagola assim reflete: “A alegria não é fácil. Não se pode forçar ninguém a ficar alegre; não se pode impor a alegria a partir de fora. A verdadeira alegria deve nascer do mais profundo de nós mesmos. Do contrário será riso exterior, gargalhada vazia, euforia passageira, mas a alegria ficará fora, à porta de nosso coração” (Pagola, Lucas p.25). ♦ Jürgen Moltmann: “A palavra última e primeira da grande libertação que vem de Deus não é ódio, mas alegria; não é condenação mas absolvição. Cristo nasce da alegria de Deus e morre e ressuscita para trazer alegria a este mundo contraditório e absurdo”. ♦ A alegria se manifesta de múltiplas maneiras: >> Há certamente grandes manifestações de alegria: espetáculos de música, dança, festas mais importantes em que o corpo participa de uma alegria interior: canto, danças, fogos ,vida celebrada. >> Há essa refeição entre amigos para comemorar um aniversário ou um evento com o rito do estar juntos, a beleza da toalha e o carinho do que se come como sacramento da estima ou mero café expresso por duas pessoas que se encontraram na rua e se estimam. >> Alegria tão simples: um email carinhoso, um delicado presente que recebemos, o sorriso e o beijo que menino levado recebe do pai depois de um bom pito, o menino se achega junto ao peito do pai, alegria do dever cumprido mesmo com certa dificuldade, a alegria estampada no rosto da senhora de idade descascando goiabas para fazer geleia…alegria que tem a ver com paz da consciência e confiança no amanhã, alegria do casal que passa pela igreja depois do nascimento do primeiro filho, alegria do resultado de uma biopsia, alegria da família que recebe para um almoço festivo o pai que, por caprichos do destino, cometeu um infração e passou meses prisão… alegria que não consiste em gargalhar mas sorrir chorando ou chorar sorrindo. ♦ Precisamos saber fazer festa: a festa interrompe a rotina cheia de tédio, reúne os dispersos, celebra a vida, confraterniza… O homem não é apenas feito para o trabalho e ficar preocupado com os lucros mas precisa cantar, dançar, gostar das cores, de claridade e não apenas do cinzento. ♦ Pode ser que muitos fizemos que o cristianismo se assemelhasse a uma realidade enfadonha, marcada pelo tédio… celebrações pesadas, discursos ameaçadores sobre castigos e pecados… Há pessoas que bocejam durante uma celebração eucarística. Será que sabemos festejar? Pode ser que mesmo as festas mais tradicionais sejam marcadas pelo vazio. A celebração pode ser uma festa? ♦ Paira sempre um terrível mistério. Como alegrar-nos com nossos fracassos, com os sofrimentos do corpo, com filhos que morreram na luta contra a bandidagem… Será preciso ler a gramática da cruz do Senhor. ♦ Há alegrias mais profundas como a de sabermos que fomos inventados pelo amor para amar. Que Deus não nos criou para vivemos oprimidos, na miséria, na dor. Somos resultado de um plano de amor e esse plano não se interrompe. E esse amor se manifesta no presépio do Menino das Palhas. Valemos muito as olhos de Deus. Delicado falar do tema da alegria quando sofremos injustiças, padecemos no corpo e no espírito. Deus sabe tirar proveito para nos mesmo quando os dias são de verter lágrimas. ♦ Cristãos e fieis temos a convicção, apesar de sinais exteriores dizerem o contrário, de que nosso destino é a glória. Alegria da esperança de sermos acolhido por Deus amor na soleira da sala do banquete da glória. Carregamos no nosso mistério pessoal, ao longo da vida, sementes da festa que não acaba. Tudo muda quando ser humano se sente acompanhado por Deus. Oração O Senhor anda espreitando as agrurasque vivem os seus.Uma voz grita:“Fortalecei as mãos enfraquecidas.Firmai os joelhos debilitados.Criai ânimo,Deus vem e vem para salvar”.Os olhos dos cegos vão se abrir.As pessoas poderão vislumbrar o sentido de seus dias.Os surdos ouvirão palavras que partem do coração de Deuse que atingem as pessoas de coração contrito.Alegria pela vida, por ver os campos floridos,alegria que se manifesta em nossos cantos e jubilações,alegria que é presente dado aos que se entregam ao Mistério.Alegria de vivermos novamente a esplendorosa humildadeDo nascimento de Deus na terra dos homens.Alegrai-vos sempre no Senhor.   O amor à vida José Antonio Pagola Diante das diferentes tendências destrutivas que podem ser detectadas na sociedade contemporânea (necrofilia), Erich Fromm fez um apelo vigoroso a desenvolver tudo que seja amor à vida (biofilia), se não quisermos cair no que o célebre cientista chama “síndrome de decadência”. Devemos certamente estar muito atentos às diversas formas de agressividade, violência e destruição que são geradas na sociedade moderna. Mais de um sociólogo fala de autêntica “cultura da violência” Mas existem outras formas mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes de destruir o crescimento e a vida das pessoas. A mecanização do trabalho, a massificação do estilo de vida, a burocratização da sociedade, a coisificação das relações são outros tantos fatores que estão levando muitas pessoas a sentir-se não seres vivos, mas peças de uma engrenagem social. Milhões de indivíduos vivem hoje no Ocidente vidas cômodas, mas monótonas, onde a falta de sentido e de projeto pode afogar todo crescimento verdadeiramente humano. Então, algumas pessoas acabam por perder o contato com tudo o que é vivo. Sua vida se enche de coisas. Só parecem vibrar adquirindo novos artigos. Funcionam segundo o programa que lhes dita a sociedade. Outras pessoas buscam todo tipo de estímulos. Precisam trabalhar, produzir, agitar-se ou divertir-se. Hão de experimentar sempre novas emoções, algo excitante que lhes permita sentir-se ainda vivas. Se algo caracteriza a personalidade de Jesus é seu amor apaixonado pela vida, sua biofilia. Os relatos evangélicos o apresentam lutando contra tudo que bloqueia, mutila ou minimiza a vida. Sempre atento ao quepode fazer as pessoas crescer, sempre semeando vida, saúde, sentido. Ele mesmo nos traça sua tarefa com expressões tomadas de Isaías: “Os cegos veem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem: os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciada a Boa Notícia. E feliz aquele que não se escandalizar de mim”. Verdadeiramente felizes são aqueles que descobrem que ser crente não é odiar a vida, mas amá-Ia; não é bloquear ou mutilar nosso ser, mas abri-lo às suas melhores possibilidades. Muitas pessoas abandonam hoje a fé em Jesus Cristo, antes de ter experimentado a verdade destas suas palavras: “Eu vim para que os seres humanos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).   A alegre esperança do cristão Pe. Johan Konings A esperança que temos é a mola propulsora de nossa vida. Que é que você espera da vida? Como ela se tornaria melhor? Quem poderia ajudá-lo para isso? São essas as perguntas de todo o mundo e também do cristão, perguntas que a liturgia deste domingo suscita em nós. Deus mesmo é a esperança do fiel. Ele não é um castigador, um fiscal de nossos pecados e nem mesmo da “desordem estabelecida” na sociedade em que vivemos. Ele não deseja castigar, mas transformar aquilo que está errado: ele vem salvar. Esta é a esperança anunciada pelos profetas (1ª leitura). Com a vinda de Jesus começou irreversivelmente a realização desta esperança, a realização da profecia. João Batista não percebe bem o que Jesus está fazendo. Manda perguntar se ele é o Messias, ou se é para esperar outro (evangelho). Jesus aponta os sinais que ele está realizando: aquilo que os profetas anunciaram. Daí a conclusão: já não precisamos aguardar outro. Ora, Jesus apenas iniciou. Implantou. A plantação deve ainda crescer. Com a paciência e a firmeza do agricultor, devemos esperar o amadurecimento de seu reino na História. Com o “sofrimento e paciência dos profetas que o anunciaram…(2ª leitura) A esperança suscita em nós alegria confiante: Deus deu início à realização de seu projeto. Quando se olha com objetividade o que a palavra de Cristo já realizou no mundo, apesar das constantes recaídas de uma humanidade inconstante, reconhecemos que ela foi eficaz. Devemos também olhar para os sinais que se realizam hoje: a transformação impulsionada pelo evangelho de Cristo se reflete na nova consciência do povo, que assume sua própria história na construção de uma sociedade mais fraterna. A esperança fundamenta uma firmeza permanente, confiante de que Deus erradicará o mal que ainda persiste. A esperança exterioriza-se na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança. A esperança do cristão é Jesus. Ele é aquele que havia de vir. Não precisamos ir atrás de outro messias, oferecidos pelo mundo do consumo, por promessas políticas ambíguas e assim por diante. Consumo e política são propostas humanas, e podemos servir-nos delas conforme convém, com liberdade. Mas o Messias vem de Deus; ele merece nossa adesão, nele podemos acreditar. Chama-se Jesus. Feliz quem não se deixa abalar em relação a ele (cf. Mt 11,6)! Esperamos que o amor e a justiça que Cristo veio trazer ao mundo, e nos quais somos chamados a participar ativamente, realizem o plano de Deus para a humanidade, desde já e para sempre, “assim na terra como no céu”. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

FORMAÇÃO PARA NOVOS AGENTES DA PASTORAL CARCERÁRIA

No dia 07 de dezembro, no auditório da Paróquia Santuário N. Sra. do Perpétuo Socorro, foi realizado o encontro de Formação para novos agentes da Pastoral Carcerária, estiveram presentes o Diácono Ademir da Silva, responsável pela Pastoral Carcerária no estado do Pará e a sra. Vânia Vasconcelos, ambos deram suporte ao encontro, também estiveram presente a Irmã Marilda Teixeira, responsável pela Pastoral Carcerária na Diocese de Bragança e os representantes da Paróquia Sagrado Coração de Jesus da cidade de Paragominas e os representantes da Paróquia Santuário N. Sra. do Perpétuo Socorro da cidade de Bragança. Foram abordados os temas: “Organograma da Pastoral Carcerária”, “Itinerário de Exclusão Social”, “Itinerário de Inserção Social”, “Noções Gerais sobre o Agente de Pastoral Carcerária” e “Justiça Restaurativa”. O encontro foi muito importante para efetivar a missão desta pastoral que é “Evangelizar os encarcerados renovando neles o espírito cristão através da palavra de fé, perdão, conforto, esperança e amor à vida”. Foi um encontro marcado pela partilha de experiências, comunhão fraterna, formação e pela alegria de ser presença de acolhida, amor, paz, verdade e perdão de Jesus Cristo junto aos encarcerados, para ajudá-los na recuperação do verdadeiro valor e sentido da vida. “Estive preso e vieste me visitar” (Mt 25, 36) “...lembrai-vos dos encarcerados como se vós mesmo estivésseis presos com eles” (Heb 13, 3) “ESCUTAR, AMAR, SERVIR E SENTIR A NECESSIDADE DA ALMA DE NOSSOS IRMÃOS PRESOS, REEDUCANDO E ELIMINANDO A MÁGOA, A FERIDA, O ÓDIO, E A SEDE DE VINGANÇA” Por Fred Amorim Secretaria de Pastoral da Diocese 

Imaculada Conceição de Nossa Senhora

A graça que cura, envolve e protege Frei Gustavo Medella “Ave, Maria, cheia de graça!” Graça é graxa! É óleo, unguento, pomada que envolve, protege, lubrifica e cura. Não deixa perecer, enferrujar ou adoecer. O ventre de Maria foi este ambiente de graça onde o Verbo Divino encontrou o lugar propício para crescer e se desenvolver em sua humanidade. Coube à bondade criativa e caritativa do Pai preparar, pela graça, ambiente saudável e propício para que o Filho viesse a nós. Envolta em graça, Maria oferece-se graciosamente como co-participante da primeira hora no projeto da salvação. Maria não foi Imaculada porque buscou se isolar dos desafios da vida, preservando-se de qualquer possível contaminação. Ao contrário, sentiu-se tão protegida e envolta pela graça de Deus que se lançou com coragem diante de cada dor e dificuldade na certeza de que, agraciada que era, seria, para todos, porta de acesso à cura e à salvação manifestadas em Jesus Cristo. Celebrar a Imaculada Conceição de Maria é trazer para a vida concreta a coragem de sentir-se protegido por Deus nas situações mais desafiantes. É renovar a disposição de colocar-se com disponibilidade a serviço daqueles que não têm com quem contar, cujo coração tem perecido diante de tantos sinais de dor e desesperança que, infelizmente, têm se multiplicado em nossos dias. Precisamos, como Maria, nutrir a fé e a certeza de que o Senhor também escolheu habitar em nós e, assim, termos a ousadia de rezar, com Maria, a auspiciosa constatação do Livro do Eclesiástico: “Aquele que me criou descansou no meu tabernáculo” (Eclo 24,11).   Imaculada Conceição de Nossa Senhora Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela imaculada conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa por sua materna intercessão”. Primeira leitura: Gn 3,9-15.20 Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela.  Deus formou o ser humano do pó da terra (Gn 2,7-8) e colocou-o no jardim que ele mesmo plantou (2,15), para que o cultivasse e guardasse. Havia harmonia do ser humano com Deus, com a terra e os animais, e do homem com a mulher. Deus os criou para viverem na sua amizade, tanto assim que ia “passear” no jardim onde os havia colocado (3,8-10). Este era o projeto de Deus. No entanto, o desejo de um projeto alternativo, independente de Deus, por sugestão da serpente, os levou a comer o fruto proibido. O texto hoje lido fala apenas da punição da serpente. Antes de punir, porém, Deus pergunta por Adão “onde estás”? Adão responde que, ao ouvir a voz de Deus, escondeu-se, porque estava nu. Não se trata da nudez corporal e sim, da limitação do ser humano pecador, diante de Deus. Por isso Deus pergunta: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer”? Adão joga a culpa sobre a mulher que “Deus lhe deu” por companheira. Interrogada, a confessa: “A serpente enganou-me, e eu comi”. A narrativa deixa clara a fragilidade do ser humano, pois até uma criatura inferior foi capaz de enganá-lo. Na sequência, Deus amaldiçoa a serpente, não como criatura sua, mas como o símbolo do mal e da morte. A mensagem desta leitura concentra-se nos dois últimos versos. A descendência de Eva, “a mãe de todos os viventes”, estará em permanente conflito com o mal que leva à morte. A mulher, porém, pisará a cabeça da serpente; esta, por sua vez, tentará picar o calcanhar da mulher e ferir sua descendência. A leitura cristã deste texto destaca entre os descentes da mulher o grande descendente Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus, nascido da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo. Salmo responsorial: Sl 97 Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Segunda leitura: Ef 1,3-6.11-12 Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo. Em Cristo Deus nos abençoou. Escolheu-nos desde toda a eternidade a sermos seus filhos adotivos santos e irrepreensíveis, para o louvor de sua glória, segundo a decisão de sua vontade (seu projeto). Para realizar este projeto, escolheu Maria como sua mãe. Tornou-a santa e imaculada desde que foi concebida. Antes de criar o mundo, expressão de seu amor, Deus quis que seu Filho Unigênito se encarnasse no seio da Virgem Maria, para unir a si a humanidade pecadora. Aclamação ao Evangelho Maria, alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor é contigo. Evangelho: Lc 1,26-38                 Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo. No início de seu evangelho, Lucas fala do anúncio do nascimento de João Batista e, logo em seguida, do anúncio do nascimento de Jesus. Zacarias era um sacerdote, casado com Isabel. Ambos eram idosos e não tinham filhos porque Isabel era estéril. Enquanto Zacarias oferecia incenso no Templo, o anjo do Senhor lhe apareceu e prometeu que, em breve, teriam um filho e seu nome seria João. Por isso, o evangelho de hoje situa a aparição do anjo Gabriel a Maria no 6º mês da gravidez de sua prima Isabel. Maria era prometida em casamento a José, descendente da família de Davi. O anjo saúda Maria como “a cheia de graça”, porque “o Senhor está contigo”. Cheia de graça porque Deus a predestinou (2ª leitura) a ser a mãe de seu Filho Unigênito, o Salvador de humanidade (Lc 2,11). Cheia de graça porque Deus a fez nascer sem pecado. Maria e seu filho Jesus esmagarão a cabeça da serpente, símbolo do mal. Todos que seguem a Cristo recebem a capacidade de vencer o pecado em sua vida (1ª leitura). “O Senhor está contigo” é uma expressão que indica a pessoa chamada por Deus para salvar o seu povo (cf. Ex 3,12; Js 1,5; Jz 6,12; Jr 1,8). O anjo anuncia que Maria será mãe e dará a seu filho o nome de Jesus. Ele será chamado Filho do Altíssimo e receberá o trono do rei Davi. Maria pergunta como acontecerá isso pois ainda não está vivendo com José. E o anjo lhe explica que ela conceberá pelo poder do Espírito Santo, e seu filho será chamado Santo, Filho de Deus. Como sinal de que para Deus nada é impossível, comunica a Maria que sua prima Isabel, considerada estéril, já está no sexto mês de gravidez. E Maria se coloca inteiramente à disposição do plano de Deus, dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”. –E assim, se a desobediência de Eva provocou a morte, o sim de Maria gerou a Vida para todos.   Concebida imaculada, concebeu virgem e viveu cheia de graça Frei Clarêncio Neotti É preciso não confundir quatro fatos: a concepção imaculada da criança Maria; a concepção na jovem Maria, imaculada, do Filho de Deus, por obra e graça do Espírito Santo; o fato de Maria jamais ter pecado; e a virgindade de Maria. Hoje, celebramos o primeiro fato, lembrado na invocação popular: “Ó Maria, concebida sem pecado original, rogai por nós, que recorremos a vós!” Maria foi preservada de qualquer mancha de pecado, em vista de seu Filho. Tornou-se, assim, a primeira criatura humana a ser redimida por Jesus, antes mesmo que fosse concebida, em vista de seu futuro papel de Mãe de Deus. O privilégio da maternidade divina é a razão de ser de sua concepção imaculada. Por isso, o anjo Gabriel pôde chamá-la de cheia de graça. Como diz o Catecismo da Igreja (n. 492): “Mais do que qualquer outra pessoa criada, o Pai a abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais, nos céus, em Cristo (Ef 1,3). Ele a escolheu desde antes da criação do mundo, para ser santa e imaculada na sua presença, no amor (Ef 1,4)”.   Maria de Nazaré, a Imaculada A mãe de nossa esperança que se chama Jesus Frei Almir Guimarães ♦ Somos viajantes no tempo da vida. Vamos tentando descobrir o sentido de existir. O tempo é dom e mistério. Temos uma louca vontade de chegar à harmonia interior e viver com coerência. Por vezes temos uma sensação extremamente agradável de sermos bons, de gostar de viver, de estar de bem com a vida. Parece que para tanto existimos: límpidos, transparentes, bons. Outras vezes temos a impressão de tomar distância do Mistério do Altíssimo. Há uma dupla lei dentro de nós. Queremos o bem, mas fazemos o mal. Pecado? Gritos loucos de um ser meio perdido no espaço e no tempo? Dilaceramento interior, desrespeito pelo mistério do outro. Vida apequenada, cheia de pequenos interesses. Esquecimento daquele que nos amou por primeiro. ♦ “Adão, onde estás?” Tudo era harmonia… A criação era uma festa. Homem e mulher, pássaros, o Senhor passeando pelo jardim do Éden na brisa da tarde. Comunhão. Depois… depois… Adão não tem coragem de olhar nos olhos do Senhor que o procura. Houve algo desagradável. “Adão, onde estás? Pecado, os desejos e pedidos do Senhor ficaram de lado. Agora começava uma desordem. Os primeiros pais perderam a inocência paradisíaca. “Adão, onde estás?” “Me vi despojado do bem, que tive vergonha de olhar em teus olhos! Estou cheio de vergonha!” ♦ Jesus viria nos tornar aptos para reencontrar o Paraíso. Ora, a Mae de Jesus deveria ser templo de pureza, de transparência. Não poderia ter mácula o seio que receberia o Puro. Por isso, a fé nos ensina que Maria, por um privilégio todo especial, desde o primeiro momento de sua existência foi preservada da desordem que todos os mortais experimentamos. Mulher do sim, agraciada, Imaculada em sua conceição. ♦ Ela participou intimamente do sonho de Deus de se fazer “Deus conosco”. Ela poderia assim se exprimir: “Aqui estou diante de ti, Altíssimo, com minha história e minha trajetória. Sou filha de um povo de fé. Eis-me! Que em mim se faça a tua vontade. O que nascerá em mim vem de mim e de tua complacência amorosa. O Senhor fez em mim maravilhas. Não tenho outro desejo senão ser a serva do Senhor. O que se opera em mim é obra do amor. O Senhor fez em mim maravilhas e olhou para a simplicidade de sua serva. ♦ Lucas descreve o famoso e tão celebrado anuncio do anjo a Maria: >> Alegra-te – É a primeira palavra que Maria ouve. Parece que nós também precisamos ouvir esta palavra. Cada criatura nos tempos de incerteza e de nuvens não podemos perder a alegria. Alegria que não é euforia e gritaria, mas um contentamento interior, mesmo no meio de aparentes muralhas. >> O Senhor está contigo – A alegria a que estamos convidados não é um otimismo forçado, nem uma espécie de autoengano. Vem da convicção de alguém que sabe que não está só. Nasce da fé. Deus nos acompanha, defende-nos e busca sempre o nosso bem. Podemos nos queixar de muitas coisas, mas não de que estamos entregues a um destino qualquer. ALGUÉM nos ama. >> Não temas – Maria precisava ter confiança num projeto cujas linhas desconhecia. Precisava mostrar coragem. Coisas que nos causam medo: sofrer no corpo e na mente, sentir-se abandonado, só, não ser amado. Medo de nossas incoerências e contradições. O medo sufoca a vida, paralisa as forças, nos impede de caminhar. Precisamos de confiança, segurança e luz. Adão teve medo. “Não temas Maria!!!” O anjo que ela nada tem a temer. >> Encontraste graça diante de Deus – Não somente Maria, mas todos nós precisamos ouvir estas palavras pois todos vivemos sustentados pela graça e pelo amor de Deus. A vida prossegue com suas dificuldades e preocupações. A fé em Deus não é uma receita para resolver nossos cotidianos problemas. Tudo, no entanto, é diferente quanto procuramos em Deus luz e força para enfrentá-los. O que é impossível aos homens, é possível a Deus. Texto complementar Ó Virgem santíssima, que encheste de espanto os exércitos angélicos. Prodígio estupendo nos céus: uma mulher revestida de sol, trazendo nos braços a luz! Prodígio estupendo nos céus: o leito virginal acolhendo o Filho de Deus. Prodígio estupendo nos céus: o Senhor dos anjos se tornou Filho da Virgem. Os anjos acusavam Eva; agora cobrem Maria de glória, pois ergueu Eva de sua queda e fez entrar no céu a Adão que fora expulso do paraíso. É ela a medianeira do céu e da terra, nela se realizou a sua união.Santo Epifânio Pequena ladainha a Nossa Senhora Maria, mulher transparente e luminosaMaria, mãe de Deus feito carneMaria da nossa terraMaria do marMaria dos caminhosMaria das encruzilhadasMaria de Belém e de NazaréMaria das Bodas de CanáMaria da aflição e Maria da CruzMaria da ternura e Maria do amorMaria dos vitrais e das belas imagensMaria das estrelasMaria do solMãe de nossa esperança Jesus Cristo.   Maria, modelo da Igreja José Antonio Pagola No começo de seu evangelho, Lucas nos apresenta Maria acolhendo com alegria o Filho de Deus em seu seio. Como enfatizou o Concílio Vaticano 11, Maria é modelo para a Igreja. Dela podemos aprender a ser mais fiéis a Jesus e ao seu Evangelho. Quais podem ser as características de uma Igreja mais mariana em nossos dias? Uma Igreja que fomenta a “ternura maternal” para com todos os seus filhos e filhas, promovendo o calor humano em suas relações. Uma Igreja de braços abertos, que não rejeita nem condena, mas acolhe e encontra um lugar adequado para cada um. Uma Igreja que, como Maria, proclama com alegria a grandeza de Deus e sua misericórdia também para com as gerações atuais e futuras. Uma Igreja que se transforma em sinal de esperança por sua capacidade de transmitir vida. Uma Igreja que sabe dizer “sim” a Deus sem saber muito bem para onde a levará sua obediência. Uma Igreja que não tem respostas para tudo, mas que busca com confiança a verdade e o amor, aberta ao diálogo com os que não se fecham ao bem. Uma Igreja humilde como Maria, sempre à escuta de seu Senhor. Uma Igreja mais preocupada em comunicar o Evangelho de Jesus do que em ter tudo bem definido. Uma Igreja do Magnificat, que não se compraz nos soberbos, nos poderosos e nos ricos deste mundo, mas que procura pão e dignidade para os pobres e famintos da Terra, sabendo que Deus está do seu lado. Uma Igreja atenta ao sofrimento de todo ser humano, que sabe, como Maria, esquecer-se de si mesma e “andar depressa” para estar perto de quem precisa de ajuda. Uma Igreja preocupada com a felicidade dos que “não têm vinho” para celebrar a vida. Uma Igreja que anuncia a hora da mulher e promove com prazer sua dignidade, responsabilidade e criatividade feminina. Uma Igreja contemplativa que sabe “guardar e meditar em seu coração” o mistério de Deus encarnado em Jesus, para transmiti-la como experiência viva. Uma Igreja que crê, ora, sofre e espera a salvação de Deus anunciando com humildade a vitória final do amor.   Imaculada: Projeto de Deus Pe. Johan Konings Por que Deus fez Maria diferente de nós? Por que ela não conheceu o pecado? A Bíblia apresenta desde a segunda página o mistério do mal no mundo: o pecado dos que deram início à humanidade, Adão e Eva. No fim dessa história aflora um pontinho luminoso: a mulher esmagará a cabeça da serpente (1ª leitura). A fé cristã viu o cumprimento desta palavra na “Mulher” que é a mãe do Salvador e da Igreja. Ela venceu a serpente: não participou do pecado ao qual a serpente induziu Adão e toda a humanidade. Deus a preservou, com vistas à sua vocação de ser a mãe de seu Filho. Neste sentido, ela é a “obra-prima” da graça de Deus. Se não é possível compreender totalmente o mistério da eleição por Deus, ao menos podemos contemplá-lo. Deus conhece antes do tempo, fora do tempo … Ele sabe sempre quem lhe pertence. Em Maria, a libertação do pecado, por Cristo, surtiu efeito antes que ela fosse criada. A eleição não tem tempo; acontece antes da criação do mundo (2ª leitura). Mistério da eleição divina. O evangelho mostra a total consagração de Maria a Deus e à sua missão de ser mãe do Filho de Deus. Deus e sua missão tomam conta de Maria. Talvez sintamos certo incômodo diante de tanto “privilégio”. Porém, não é um privilégio do tipo que tão facilmente arrumamos para nós mesmos … É um privilégio em função da salvação de todos. É um serviço. Maria é a Serva por excelência. Não nos falte a solidariedade, não digamos: “Isso é só para ela, não vale para mim”. Maria foi libertada de antemão, para que, graças à sua vocação e missão, nós fôssemos libertados. Devemos aprender a admirar gratuitamente o que é mais belo e mais puro do que nós mesmos. Pela contemplação tornamo-nos semelhantes ao que contemplamos. Não desprezemos, mas admiremos o “não ter pecado original”, para ficarmos semelhantes! Maria, com vistas à maternidade divina e por antecipação da libertação por Cristo, foi concebida e nasceu sem ser contaminada pelo pecado da humanidade, o pecado original. Ela é a primeira em quem se realizou totalmente a libertação. Será que ela poderia ter recusado ser a mãe do Salvador? Poderia. O mérito de Maria consiste em ter dado livremente seu “sim” à graça de Deus e à sua missão de ser mãe do Salvador. Então, ela não era predestinada para isso? Era, sim. Mas não forçada! Poderia ter recusado sua (pré-)destinação. A predestinação da graça, que fez com que ela nascesse livre do pecado original, era o projeto da parte de Deus. Mas ela não foi forçada a aceitar este projeto. Também Adão não tinha pecado original, mas ele não foi fiel ao projeto de Deus. Maria, sim. Corrigiu a desistência de Adão. Assumiu de mão cheia o original projeto de Deus, aquilo que Deus predestinou para ela e para todos. Contamos com muitas Marias assim em nossas comunidades. Mulheres fortes, nas quais, graças à sua adesão ao projeto de Deus, reaparece o estado original, livre e sem pecado, da humanidade. São diferentes de Maria de Nazaré nisto: que seu estado de graça não lhes veio de sua concepção, mas de seu batismo e inserção na comunidade da fé, nas suas lidas e lutas. Mas o resultado vai na mesma linha. Na Imaculada Conceição celebramos o estado redimido de todas e de todos os que dedicam sua vida ao Salvador do mundo. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Dezembro vermelho

Desde 1988, no Brasil, o dia 1º de Dezembro é Dia Mundial da Luta contra a Aids, e marca o início do mês dedicado a esta causa. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS. Diversas ações são realizadas em várias paróquias da diocese entre os meses de novembro e dezembro, unindo forças com organizações e Governo para envolver o maior número de pessoas na campanha nacional denominada “Dezembro Vermelho”. Por exemplo, na Paróquia São João Batista, no último domingo, na missa da noite, foi realizada a celebração e uma leitura falando um pouco sobre o primeiro de dezembro e a distribuição de balões simbolizando cada vida perdida para a Aids. E na segunda-feira, 02, a Pastoral da Aids, CTA/SAE e o vice Prefeito de Bragança realizaram ação na Academia da Saúde, realizando 50 testes de HIV e 50 testes de Sífilis, como parte da programação do dezembro vermelho no município de Bragança. Padre Gerenaldo com paroquianos e membros da Pastoral da Aids/ Foto: Divulgação   Membros da Pastoral da Aids na Academia da Saúde de Bragança/ Foto: Divulgação Estatísticas globais – Dentre as estatísticas globais HIV 2019, destaca-se: – 37,9 milhões [32,7 milhões—44,0 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV (até o fim de 2018). – 770 000 [570 000—1,1 milhão] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS (até o fim de 2018). O Brasil teve um aumento de 21% no número de novas infecções por HIV entre 2010 e 2018, de acordo com dados divulgados pelo Programa Conjunto da ONU para HIV/Aids, o Unaids. O número coloca o país como um dos da América Latina com maior aumento de casos. Cerca de 870 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil, sendo 731 mil já diagnosticadas. Segundo o site Agência Brasil, o Ministério da Saúde fez um alerta: 135 mil pessoas no Brasil convivem com o vírus HIV e não sabem. O balanço aponta ainda que o número de contaminados continua subindo no país: há um ano, eram 866 mil pessoas. Somente no ano passado, foram notificados 43,9 mil novos casos. “A luta contra aids resiste e persiste unindo pessoas de boa vontade que diariamente doam sua vida sendo sal da terra e luz do mundo”. Os avanços positivos existem, mas há também muita estagnação e retrocessos: A epidemia ainda é uma realidade muito presente entre os jovens, há quatro décadas insistem os altos índices de preconceito e discriminação, anualmente cerca de um milhão de pessoas morrem por causas relacionadas ao HIV em todo o mundo. FONTE DA IMAGEM: http://www.diocesedeanapolis.org.br/wp-content/uploads/2017/11/Dia-mundial-Aids-1.jpg Pastoral da Aids – A Pastoral da Aids atua nos eixos: – Pastoral: Presença em Paróquias, Acompanhamento de Pessoas que vivem com HIV/Aids – PVHA’s e profissionais da saúde/ Educação, Celebrações da Vida, etc. – Técnico-científico: Incentivo ao Diagnóstico Precoce, presença e parceria em Unidades de Testagem, Aconselhamento e Tratamento de IST/ HIV/ Aids e Hepatites Virais. – Incidência Política: Parcerias Governamentais/ Ministério da Saúde/ Prefeituras, Fórum de Ong’s Aids e Conselho Nacional/ Estadual e Municipal de Saúde, etc. Com informações retiradas do site da CNBB N2

211 PESSOAS RECEBEM O SACRAMENTO DA CRISMA EM IRITUIA

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade realiza todos os anos a santa missa do sacramento da Crisma para catequisandos da cidade e do interior. Em 2019, a santa missa aconteceu no dia 30 de novembro e teve a presença do Bispo Diocesano Dom Jesus Maria, do pároco Pe. Aldo Fernandes e do vigário Pe. Manoel Lopes. Com a organização da Pastoral da Catequese, a santa missa contou com a participação de 211 crismandos, seus respectivos padrinhos e madrinhas e parentes e amigos que foram apreciar este momento tão importante para a comunidade paroquial. Na homilia, Dom Jesus Maria, trouxe três pontos a serem observados pelos novos crismados e por seus padrinhos e madrinhas: 1. Pedir a benção dos padrinhos/madrinhas e os mesmos não negarem a benção a seus afilhados; 2. Rezar pelos afilhados; 3. Acompanhar os afilhados dando orientação e corrigindo os mesmos quando necessário para uma boa vivência da fé cristã. Dom Jesus ainda incentivou a todos os novos crismados a se engajarem na comunidade em que vivem servindo em alguma pastoral, movimento ou serviço. Um fato muito interessante foi o seu Esmaelino da Comunidade do Patrimônio que foi crismado e em 2019 completou 100 anos de idade. Foi o crismado mais velho e deu exemplo de que nunca é tarde para receber os sacramentos em nossa caminhada na comunidade. Ao final da santa missa, Pe. Aldo agradeceu ao empenho de todos para que esta grande festa acontecesse. Agradeceu em especial ao Pe. Manoel Lopes por acompanhar a Catequese na Paróquia, a Elizângela Amorim que estava a frente da Pastoral da Catequese e deu as boas vindas para Adriane Oliveira que assumirá essa missão a partir de 2020. Dom Jesus chamou todos os catequistas presentes e, um a um, deu um grande abraço de agradecimento a eles. Um lanche foi servido para todos os novos crismados e seus padrinhos. Nossa Senhora da Piedade, Rogai por nós! Por Laury de Jesus

Primeiro domingo do Advento

Jesus se recusa a dar um “spoiler” Frei Gustavo Medella Em tempo de séries de sucesso levadas ao ar na TV, e mais na internet, ninguém gosta de receber um spoiler. Segundo a explicação do site significados.com.br, “Spoiler tem origem no verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. Spoiler é quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme, sem que a pessoa tenha visto”. Normalmente são informações estratégicas equivalentes à ação de se contar o fim do filme antes que a pessoa possa vê-lo. Sendo assim, faz perder a graça da experiência de quem deseja acompanhar a história em todo o seu desenrolar, com início, meio e fim. No Evangelho deste 1º Domingo do Advento (Mt 24,37-44), Jesus nega-se a dar um spoiler àqueles que estavam curiosos para saber sobre quando seria a “vinda do Filho do Homem”. Diz o Mestre: “Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mt 24,42). Agindo desta maneira, Jesus não deseja se prevalecer sobre os seus por conta de uma informação privilegiada. Segundo Santo Efrém, diácono de doutor da Igreja, do Século IV, “Ele quis ocultar-nos isto para que permaneçamos vigilantes, e para que cada um de nós possa pensar que esse acontecimento sobrevirá sobre a sua vida”. Diante desta salutar incerteza, a única garantia quem nos oferece é a fé, pela qual, acreditamos que o fim desta história será bonito de se ver e de se viver. Com este espírito de vigilância busquemos mais uma vez caminhar neste Advento que se inicia. Certos de que o Senhor, que mora no “ponto mais alto das montanhas” (Cf. Is 2,2), se dispõe a montar sua tenda entre nós. Afinal, “já é hora de despertar” (Rm 13,11b).   1º Domingo do Advento, Ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: Concedei-nos o ardente desejo de possuir o reino celeste, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem. Primeira leitura: Is 2,1-5 O Senhor reúne todas as nações para a paz eterna do Reino. Este pequeno oráculo teria sido pronunciado pelo profeta Isaías em momento de grave crise. Percebe-se a gravidade da crise política, social e religiosa já no primeiro capítulo. Jerusalém está cercada pelas tropas da Assíria (Is 1,2-9); Deus rejeita os sacrifícios do culto oficial, pois quem os oferece tem as “mãos cheias de sangue”, assassinatos, violência, injustiça e corrupção (v. 10-15). Isaías repreende e ameaça os chefes e juízes, exortando-os a deixar de fazer o mal e começar a fazer o bem. Mas, ao mesmo tempo, espera uma intervenção salvadora de Deus, para que Jerusalém, infiel e cheia de injustiça, receba um novo nome: “Serás chamada cidade da justiça, cidade fiel”. Nesse contexto de promessas de salvação foi acrescentada a visão de Isaías, que hoje ouvimos, aponta para um futuro cheio de esperança para Judá e Jerusalém, e para toda a humanidade. O texto é um “cântico de Sião”, no qual os judeus se convidam para a peregrinação anual a Jerusalém (cf. Sl 122). Aqui, porém, são os povos de todas as nações que fazem o convite para a peregrinação. A meta da peregrinação é “o monte da casa do Senhor”. Entre os povos do Médio Oriente fala-se em “montanha dos deuses”. A montanha é o lugar do encontro entre o Céu e a terra, um lugar privilegiado para o encontro com Deus. Os que participam da peregrinação desejam encontrar-se com Deus e esperam que Ele “mostre seus caminhos e ensine a cumprir seus preceitos”, porque para os judeus é “de Sião que provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor”. Os chefes e juízes de Jerusalém não julgavam com justiça os mais pobres e semeavam a violência na cidade. Mas, tendo o Deus de Israel como juiz, deixando que Ele mostre os seus caminhos ensine a cumprir seus preceitos, haverá paz messiânica entre as nações. Não haverá mais guerra, porque as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices. Os instrumentos de morte se transformarão em instrumentos que promovem a vida. Por fim, o profeta, unindo-se a todos os povos, convoca também a nós: “deixemo-nos guiar pela luz do Senhor”. – Para Isaías, Jerusalém e o templo são a morada de Deus. De lá o Senhor ensinará a todos os povos a seguir o seu caminho, cumprindo seus preceitos. A partir de Jerusalém também Jesus enviará os seus discípulos para anunciar o Evangelho a todos os povos (Lc 24,47; At 1,8; Mt 28,16-20).  Salmo responsorial: Sl 121 Que alegria, quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor”! Segunda leitura: Rm 13,11-14a A salvação está mais perto de nós. Paulo ainda não conhecia pessoalmente a comunidade cristã de Roma. Conheceu a comunidade apenas indiretamente, através do casal Áquila e Priscila, judeus convertidos vindos de Roma. Encontrou o casal em Corinto e como eram também fabricantes de tendas, trabalhava e se hospedava com eles (At 18,1-4). De tanto ouvir falar dos cristãos de Roma, Paulo desejava visitá-los para também ali anunciar o Evangelho (At 19,21-22). Escreve a Carta aos Romanos, a fim de preparar sua visita. No trecho que hoje ouvimos, percebe-se que, para Paulo, o anúncio do Evangelho e a vida cristã são dinâmicos, quando impulsionados pela expectativa do dia da vinda do Senhor. A frase inicial “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar… a salvação está mais perto”, convida a nos situarmos no tempo de Paulo e das comunidades cristãs. A pergunta pelo tempo é também a pergunta pelo hoje de nossas vidas. A esperança da próxima vinda do Senhor, coloca-nos no chão de nossas vidas. No tempo de Paulo, os judeu-cristãos eram perseguidos em Roma e expulsos por decreto do imperador Cláudio, como Áquila e Priscila. E quais são os problemas, as angústias e sofrimentos que afligem nossas vidas e sociedade? Para seu tempo, e para o nosso, Paulo dá algumas orientações: “É hora de despertar… porque a salvação está próxima”. É tempo de Advento, da esperança do Senhor que vem nos salvar. Despir tudo que significa noite ou trevas (pecado, ódio, violência) e vestir-se das armas da luz; isto é, “revestir-se do Senhor Jesus Cristo”. Não basta dizer que os políticos e a sociedade são corruptos, mas é preciso que todos nós mesmos “procedamos honestamente como em pleno dia”. Aclamação ao Evangelho Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação no concedei! Evangelho: Mt 24,37-44 Ficai atentos e preparados! O tema do Evangelho é a vinda do Filho do Homem e como preparar-se para recebê-lo. A vinda do Filho do Homem é certa, mas a hora é incerta. No versículo anterior ao texto hoje proclamado, o próprio Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente o Pai”. As comparações ilustram como será essa vinda do Filho do Homem e nos convidam à vigilância: Por ocasião do dilúvio, Noé construiu a arca porque foi advertido por Deus. Todos os outros homens apesar dos avisos de Noé continuaram sua vida normal, cheia de violência e maldade. Noé salvou sua família e os animais recolhidos na arca enquanto as outras pessoas pereceram porque não se converteram. E Jesus explica: “Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem (v. 37-39). O exemplo dos lavradores (v. 40) e das donas de casa que trabalham juntas (v. 41), ou do dono da casa que deve estar atento para impedir que o ladrão lhe arrombe a casa (v. 43) ilustram a necessidade de aguardar vigilantes a vinda do Filho do Homem. No evangelho, Jesus fala quatro vezes da vinda do Filho do Homem. Como não sabemos quando o Senhor virá, fiquemos atento e vigilantes, bem preparados para recebê-lo com alegria. Que o Senhor nos encontre ocupados servindo com amor ao próximo.   "Caminhar na luz do Senhor" Frei Clarêncio Neotti O tema da vigilância foi ressaltado por Jesus nos Evangelhos. Não se trata de uma atitude passiva ou de, simplesmente, ficar vendo os fatos acontecerem, como o espectador no cinema. É uma atitude envolvente, dinâmica, de compromisso. A parábola das dez jovens (Mt 25,1-13), que vem logo em seguida, insiste no mesmo tema e mostra onde está o ponto alto: estar presente, quando chega o esposo, e participar do cortejo. A vigilância tem a ver com o dia a dia da vida presente, com as incessantes lutas em prol do bem, e com o momento supremo de nossa passagem desta para a outra vida. A vigilância de hoje pode ser a minha garantia amanhã. A vigilância tem a ver com a construção do Reino de Deus na terra. Tem a ver com os pecados que devem ser superados e as virtudes que devem ser vividas. Tem a ver com o hoje de Deus que está acontecendo. Tem a ver com a contínua comparação entre os critérios de Deus e os meus critérios, e a prevalência dos critérios divinos dentro da minha história humana. A vigilância se prende à ideia de estar acordado, atento e pronto para agir, seja para construir uma obra de bem, seja para combater uma obra má. Tem a ver com o esforço pessoal em “caminhar na luz do Senhor”, como nos recorda o profeta Isaías na primeira leitura (ls 2,1-5), ou como lembra São Paulo na segunda leitura (Rm 13,11-14), com a nossa coragem de deixar as obras das trevas e praticar as obras de luz. A vigilância tem a ver com o “pôr em prática” (Mt 12,50; Lc 8,21; Mc 3,35) os ensinamentos de Jesus. A vigilância consiste em trazer para dentro da vida de cada momento as razões e as consequências do Natal de Jesus. Em dois momentos, no ano litúrgico, a Igreja chama especial atenção para o tema da vigilância: no Advento e na Quaresma. Porque, se o Advento prepara a primeira vinda de Jesus, a Quaresma prepara a Páscoa, dia em que ficou confirmada a segunda vinda de Jesus, para nos colher na morte, acolher-nos na sua misericórdia como juiz e nos introduzir na feliz eternidade, onde termina a vigilância, superam-se a fé e a esperança e se passa a viver unicamente do amor: Deus.   Atenção, muita atenção! Entrando no tempo do desejo Frei Almir Guimarães  Vocês não estão ouvindo seus passos silenciosos? Ele está chegando, está chegando, está realmente chegando. A todo  momento, em qualquer tempo, a cada dia e cada noite.  Ele está chegando…(Tagore)  Vinde todos da casa de Jacó e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.(Isaías 2, 5) ♦ Quatro semanas, vinte e poucos dias nos separam da comemoração do nascimento de Jesus. Os fatos são conhecidos e a fé nos diz que o Deus altíssimo e belo resolveu armar sua tenda entre nós. Somos convidados a fazer brotar em nós o desejo de Deus. Importante que o Natal do Senhor penetre em nossa vida e na vida da Igreja. Não pode ser  uma comemoração rotineira e vazia de seu significado. Fundamental que nos abismemos diante de tão grande maravilha: o Altíssimo se faz presente na fragilidade humana. ♦ Elredo de Rielvaux, monge, afirma: “Determinou a Igreja com sabedoria que no tempo do Advento recitemos as palavras dos que antecederam a primeira vinda do Senhor e revivamos os seus desejos. E não celebramos o seu desejo só por um dia, mas por tempo mais prolongado, pois o objeto de nossos desejos, quando tarda, parece ao chegar, mais doce ao nosso amor”. Desejo, anelo, esperança e expectativas perpassam a liturgia e devem acompanhar as batidas de nosso coração nessa quadra do ano. Não queremos viver um dezembro nas coisas que se repetem monótona e rotineiramente: compras, bolas coloridas, enfeites, presentes, almoço de Natal, panettone, missa do galo, roupa nova, ‘pisca-pisca chinês’, as mesmas coisas sempre as mesmas coisas. “Então é Natal!” Alimentar o desejo de Deus. Tudo está feito e pressentimos que tudo precisa ser refeito. Falta plenitude em nossa vida pessoal, tudo está por acabar, há sempre este gosto de insatisfação, do inacabado. Somos convidados a vigiar.  Caminhar serenamente pela vida mas cuidado de ter atenção.  Atenção às visitas inesperadas do Senhor. Viver despertos: >> Significa seguir de verdade os passos de Jesus:  seguimento. >> Não cair no ceticismo e na indiferença diante da marcha do mundo: não se entregar ao pessimismo. >> Não deixar que nosso coração endureça:  delicadeza interior, sensibilidade. >> Alimentar a esperança das pessoas desalentadas. >> Atrever-nos a ser diferentes, sem afetação, crer na força do Evangelho vivido. >>Não deixar que se apague o nosso desejo de buscar o bem para todos. >> Viver com paixão a pequena aventura de cada dia. >> Continuar a fazer pequenos gestos que aparentemente não servem para nada. ♦ Pagola tem palavras contundentes, mas que precisamos ouvir:  “Um dos riscos que ameaçam  nossa fé  é cair numa vida superficial,  mecânica,  rotineira…  Não é fácil escapar. Com o passar dos anos, os projetos, as metas, as ideias de muita gente acabam apagando-se. Não poucos acabam levantando-se cada dia “só para ir levando a vida”.  O apelo de Jesus à vigilância nos chama a despertar da indiferença, da passividade ou do descuido com que vivemos  frequentemente nossa fé. Para vive-la de maneira lúcida precisamos conhece-la mais profundamente, confrontá-la com outras atitudes possíveis perante a vida e procurar vive-las com todas as suas consequências. É muito fácil viver dormindo.  Basta fazer o que todos fazem: imitar, amoldar-nos, ajustar-nos ao que está na moda.  Basta viver buscando segurança externa ou interna.  Basta defender o nosso pequeno bem-estar enquanto a vida vai se apagando em nós” (cf. Pagola, Lucas, p.213-214). ♦ Não é possível que as expressões de nossa fé se resumam ao cumprimento de ritos e à observância de meia dúzia de prescrições. Será preciso dar um espaço dentro de nós para acolhimento do mistério da encarnação.  Precisamos um pouco ou muito de lentidão. José  Tolentino Mendonça fala da urgência da lentidão  que pode se traduzir em atenção  para as visitas do  Senhor: “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informações que nunca  chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso. Na verdade, a velocidade em que vivemos, impede-nos de viver”. O Natal não pode passar como num galope ruidoso.  Afinal de contas, é a chegada no humano  daquele que os espaços não podem conter. Texto seleto Senhor, eis-nos à espera. No fundo de nossas correrias, no coração desses dias agitados, que nos dividem literalmente ao meio, entre mil pequenas tarefas e mil pequenos pensamentos, há um silêncio que soletra o teu nome. No fundo nós sabemos que só um Deus pode no salvar. Pode até ser que no meio de tanto ruído, que te dispensamos. Pode até ser que não tenhamos a força dos verdadeiros gestos do Natal. Mas eis-nos à espera, Acredita que, por vezes,  enquanto trocamos cartões, augúrios, presentes há um momento em que nossas mãos ficam vazias, fixas  no ar, como se rezassem. É quando te pedimos que faças brilharem nós a estrela luminosa do teu Natal. Para refletir Vigiar as visitas do  Senhor com velas acesas: Deixando que as mensagens dos acontecimentos alegres ou os apertos do coração possam  apontar para insinuações do  Senhor. Sem nos desesperar com incômodos remorsos, servir-se deles para jogar-se no Senhor. Saber que ele nos visita numa palavra ouvida ou lida que ressoa fortemente em nosso interior. Na habitual convivência com a Palavra.   Como despertar? José Antonio Pagola Jesus o repetiu constantemente: “Estai sempre despertos”. Ele temia que o fogo inicial apagasse e seus seguidores dormissem. Esse é o nosso grande risco: instalar-nos comodamente em nossas crenças, “acostumar-nos” ao Evangelho e viver adormecidos na observância tranquila de uma religião apagada. Como despertar? O primeiro a fazer é voltar a Jesus e sintonizar com a experiência primeira que tudo desencadeou. Não basta instalar-nos “corretamente” na tradição. Temos que enraizar nossa fé na pessoa de Jesus, voltar a nascer de seu espírito. Não há nada mais importante que isto na Igreja. Só Jesus pode conduzir-nos de novo ao essencial. Além disso, precisamos reavivar a experiência de Deus. O essencial do Evangelho não se aprende de fora, mas cada um o descobre em seu interior como Boa Notícia de Deus. Devemos aprender e ensinar caminhos para encontrar-nos com Deus. De pouco adianta desenvolver temas didáticos de religião ou continuar discutindo sobre questões de “moral sexual” se não despertamos em nada o gosto por um Deus amigo, fonte de vida digna e feliz. Mais ainda. A chave a partir da qual Jesus vivia a Deus e olhava a vida inteira não era o pecado, a moral ou a lei, mas o sofrimento das pessoas. Jesus não só amava os desgraçados, mas nada amava mais ou acima deles. Não estamos seguindo corretamente os passos de Jesus, se vivemos mais preocupados com a religião do que com o sofrimento das pessoas. Nada despertará a Igreja de sua rotina, imobilismo ou mediocridade, se não nos comove mais a fome, a humilhação e o sofrimento das pessoas. Para Jesus, o importante é sempre a vida digna e feliz das pessoas. Por isso, se nosso “cristianismo” não serve para fazer viver e crescer, não serve para o essencial, por mais nomes piedosos e veneráveis com que o queiramos designar. Não temos que olhar os outros. Cada um de nós deve sacudir-se da indiferença, da rotina e da passividade que nos fazem viver adormecidos.   A vinda de Cristo Pe. Johan Konings Estamos iniciando um novo ano litúrgico, o ano A (do ciclo trienal da liturgia dominical), no qual os evangelhos, via de regra, são tomados de Mateus. As quatro primeiras semanas do ano litúrgico chamam-se Advento, termo que significa ‘vinda’: a vinda de Cristo. Todavia, não se trata da lembrança apagada de um fato ocorrido há dois mil anos atrás. Avinda de Cristo tem atualidade ainda hoje. A 1ª leitura recua longe para olhar melhor: descreve a visão “utópica” de Isaías, por volta de 700 a.C: todos os povos se unirão em tomo do templo de Jerusalém. As armas serão transformadas em instrumentos agrícolas. Haverá paz… Setecentos anos depois, a primeira vinda de Cristo marcou o irreversível início da realização desse “projeto” de Deus. Sua nova vinda, no fim dos tempos, marcará o ponto final. O evangelho fixa nossa atenção nesta nova vinda. Não podemos viver dormindo. Devemos viver em estado desperto, à luz do dia de Cristo, para que ele sempre nos possa encontrar dispostos para a vinda de incansável caridade que ele nos ensinou (2ª leitura). Jesus veio inaugurar o projeto definitivo de Deus para o mundo. Ele será também o juiz da História na sua vinda final. Esse projeto de Deus, que Jesus veio inaugurar e que ele julgará, é comunitário. É a constituição de um povo de Deus, formado por todas as nações, dispostos a praticar a justiça e a caridade fraterna. Para que isso se realize, deve acontecer uma transformação histórica. Nós devemos dar os necessários passos históricos, para que o plano de Deus chegue até nós: preparar, pela transformação de nossos corações e de nossa sociedade, a plenitude que vem de Deus. Nossa participação no projeto de Deus consiste em tornar nossa sociedade “digna” de uma nova vinda de Cristo. Nisto se inserem, além de nosso empenho pessoal, os passos da comunidade para maior solidariedade: mutirões, cooperativismo etc. O Cristo vem também, cada dia, na vida de cada um. Que ele nos encontre comprometidos com a construção da História como ele a “sonhou” e com os critérios que ele usará para julgar: o amor aos mais pequenos dos irmãos, sustentado pela oração, na qual expomos nossa vida diante dele. Atentos às coisas do Senhor, teremos paz profunda e seremos capazes de dedicação total na alegria, no trabalho e na luta. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

A lição de um marginal Frei Gustavo Medella “Os chefes zombavam de Jesus dizendo: ‘A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!’” (Lc 23,35). No auge do sofrimento, coroado de espinhos e coberto de sangue, suor e escarro, Jesus continua a ser testado até o limite de suas forças. Os que lhe roubaram as vestes agora tentam lhe subtrair o que de mais precioso possuía: a fidelidade ao Reino que viera propor. O que já explicara à exaustão – que seu Reino não era deste mundo – novamente deveria ser explicado, desta vez por um silêncio sofrido e doloroso. Lição difícil de ser aprendia esta do Mestre-Rei Jesus. Especialmente por aqueles que, do alto de sua prepotência, são incapazes de nutrir pelo outro o mínimo de empatia e para quem a dor alheia pode, inclusive, se converter em divertido espetáculo. Naquela cena dramática, a voz de bom senso vem de um marginal. Acometido pela mesma dor de Cristo, torna-se capaz de solidarizar-se com Ele e, numa verdadeira profissão de fé, entrega o resto de vida que possui Àquele que poderia lhe garantir a eternidade. Sábia escolha do bom ladrão. Ensina-nos que, para bem compreendermos o Reinado de Jesus, precisamos ir à margem de nossos egoísmos e certezas e abraçarmos a dor de nossa finitude. Ali, certamente, teremos maior lucidez para abraçar de corpo e alma o caminho que Cristo-Rei vem nos propor.   Jesus Cristo, Rei do universo, ano C 2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Primeira leitura: 2Sm 5,1-3 Eles ungiram Davi como rei de Israel. O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul caiu na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu a Davi como rei de Israel (1Sm 16,12-13). Com a morte de Saul, Davi foi ungido pela tribo de Judá como rei (2Sm 2,4) e, depois, reconhecido como rei também pelas tribos de todo o Israel. Na leitura de hoje são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei: 1º As tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos. Reconhecem, portanto, que são parentes. 2º Recordam a decisiva liderança de Davi durante o reinado de Saul nas guerras de libertação contra os filisteus. 3º Reconhecem Davi como o escolhido do Senhor: “Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o nosso chefe”. Davi fez uma aliança com eles, na presença do Senhor, e foi ungido com rei de todo Israel. Davi foi pastor de ovelhas, antes de se tornar rei. Como pastor conduzia as ovelhas de seu pai com muito cuidado para as fontes de água e as pastagens. Sabia defender as ovelhas contra animais ferozes ou ladrões. Qualidades importantes para cuidar do bem-estar do seu povo e defendê-lo contra os inimigos. Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres…” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho). Salmo responsorial Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor. Segunda leitura: Cl 1,12-20 Recebeu-nos no reino de seu Filho amado. Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados”. O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Por meio de Cristo, o Pai quis reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos. Aclamação ao Evangelho: Mc 11,9.10   É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;  e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor. Evangelho: Lc 23,35-43 Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado. O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores, zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque Ele se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acusação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo e si mesmo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido… se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles repete o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”! Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece que Jesus é um rei que salva. Em resposta Jesus lhe diz: “… ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo, Rei do Universo.   Será o rei da paz Frei Clarêncio Neotti No antigo Oriente, a realeza era uma instituição sagrada. O rei era ao mesmo tempo o chefe temporal e espiritual do povo, uma espécie de mediador entre os deuses e os homens. Os israelitas, provavelmente por medo da divinização de uma criatura humana e como segurança da fé num Deus uno e único, demoraram muito tempo em aceitar um rei (o primeiro foi Saul, como nos conta 1Sm 9,11). Os profetas sempre cuidaram para que o rei não ultrapassasse os limites de ‘servo da Aliança’, porque o verdadeiro rei e senhor glorioso é e será somente Javé (Sl 24,9-10; Sl 74,12; Is 43,15; Ml 1,14; 2Mc 1,24-25). Como a realeza em Israel, num balanço geral, foi uma experiência negativa, por causa da ambição, despotismo, idolatria, falsas alianças, injustiças e opressões (Jr 21 e 22), os profetas passaram a anunciar um futuro rei, que arrancasse o povo das trevas, devolvesse a alegria da vida pela implantação do direito, da justiça, da piedade (Is 9,5-6); um rei que fosse pastor pela força de Deus e estabelecesse a paz por toda a terra: “Ele apascentará pela força do Senhor. Ele será grande até os confins da terra. Ele será a paz” (Mq 5,3-4).   No trono da cruz o amor se entregou Frei Almir Guimarães “A missão de Cristo continua a escrever-se através de nós” ♦ Mais uma vez, bem no final do ano litúrgico, comemoramos a solenidade de Jesus Cristo, rei do universo e o dia nacional do leigo. Aquele que foi o primeiro no pensamento de Deus e para o qual tudo convergia, o que antes dele vinha e tudo que o sucedeu. Rei porque tudo é dele, vem dele e para ele converge. Rei que nasce na singeleza da pobre manjedoura e morre nu no madeiro da cruz. Rei cujo título de honra é o de ter amado até fim. Rei por causa de um amor sem meias medidas. Rei despojado que deseja que colaboremos com ele na construção do Reino do Pai. Sua missão continua a se escrever através de nós. ♦ Rei porque veio com sua palavra e seu testemunho apontar para o Reino novo de seu Pai, reino de justiça, de paz, de amor, mundo novo em que os humildes são reis e os prepotentes e insolidários são destituídos de seus tronos, mundo que se adquire vendendo o que temos e cantando a canção da partilha. ♦ Lucas lembra o fato de que os que estavam no Gólgota faziam pilherias, zombavam dele. “Se és mesmo o escolhido de Deus, desce daí, faz um milagre, como outros que andaste fazendo”. Para tornar tudo extremamente ridículo colocaram no alto da cruz do Crucificado nu se contorcendo um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus!”. Cena sempre chocante. ♦ Todos os que comentam estas cenas não se cansam de repetir que a crucificação de Cristo continua no sofrimento dos inocentes de todos os tempos. Desses miseráveis que são chutados, injustiçados, sadicamente torturados ou simplesmente excluídos. Seria realmente uma inconsequência beijar a imagem do Crucificado enquanto vivemos indiferentes aos sofrimentos que não são os nossos. ♦ Acontece então algo inusitado. Assim se exprime Pagola: “De repente no meio de tanta zombaria, uma invocação: “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu trono”. É o outro delinquente que reconhece a inocência de Jesus, confessa sua culpa e cheio de confiança no perdão de Deus, só pede a Jesus que se lembre dele. Jesus lhe responde imediatamente: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Agora estão os dois agonizando, unidos no desamparo e na impotência. Mas hoje mesmo estarão os dois desfrutando a vida do Pai” ( Lucas, p. 351).No momento de morrer aquele malfeitor se entrega confiantemente a Jesus. E ele ouve estas consoladoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”. ♦ Somos pecadores como o ladrão: “O incurável crente confia todo este anseio de vida nas mãos de Deus. Todo resto se torna secundário. Não importa os erros do passado, a infidelidade ou a vida medíocre. Agora só conta a bondade e a força salvadora de Deus. Por isso de seu coração brota uma oração semelhante à do malfeitor moribundo na cruz. “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino”. Uma oração que é invocação confiante, petição de perdão e, sobretudo, ato de fé vida num Deus salvador (cf. Pagola, Lucas, 355). ♦ Dia do fiel cristão leigo. Daqueles homens e mulheres, solteiros, casados, jovens e idosos, garis e desembargadores, padeiros e astronautas. Homens e mulheres que não estão vinculados ao serviço do altar, mas pessoas tocadas por Cristo Jesus, discípulos do Evangelho na busca do bem, da justiça e da verdade. Pais educadores primeiros de seus filhos, aqueles que podem despertar no coração deles o desejo e a sede de Deus. Homens e mulheres que fazem de sua casa uma Igreja doméstica. Leigos que se inspiram em Tristão de Athayde, Madeleine Delbrêl e Contardo Ferrini. Leigos que labutam nas associações de bairro. Pessoas que ajudam vigorosamente na construção de um mundo de justiça, de paz, de solidariedade. No momento atual haverão de se ocupar de modo especial em humanizar o humano. Os leigos têm como espaço de ação o vasto mundo e não os estreitos espaços da sacristia. Leigos ungidos no Batismo e na Confirmação, garantia da presença de Cristo no campo de luta onde se desenha o amanhã da humanidade: sal a terra, luz do mundo e fermento na massa. ♦ “Pedir o Reino de Deus é pedir que o nome que nós carregamos, o nome de cristão, o nome de cristã, tenha de fato a vitalidade de Cristo dentro de si. E que sintamos que participamos do ministério de Cristo. Somos ungidos para tornar presente esse Reino no meio do mundo” (cf. Tolentino). Oração Não tens mãos… Jesus, não tens mãos.Tens apenas as nossas mãos para construirum mundo onde habite a justiça.Jesus, não tens pés.Tens apenas os nossos pés para pôr em marchaa liberdade e o amor.Jesus, não tens lábios.Tens apenas os nossos lábios para anunciaraos pobres o Reino de Deus.Jesus, não tens meios.Tens apenas nossa ação para fazer com quehomens e mulheres sejam irmãos.Jesus, nós somos o teu Evangelho, o único Evangelho,que as pessoas podem ler para acolher teu Reino(Autor anônimo).   Carregar a cruz José Antonio Pagola O relato da crucificação nos lembra a nós, seguidores de Jesus, que seu reino não é um reino de glória e de poder, mas de serviço, amor e entrega total para resgatar o ser humano do mal, do pecado e da morte. Habituados a proclamar a “vitória da cruz” corremos o risco de esquecer que o Crucificado nada tem a ver com um falso triunfalismo que esvazia de conteúdo o gesto mais sublime de serviço humilde de Deus às suas criaturas. A cruz não é uma espécie de troféu que mostramos aos outros com orgulho, mas o símbolo do Amor crucificado de Deus, que nos convida a seguir seu exemplo. Cantamos, adoramos e beijamos a cruz de Cristo porque, no mais profundo de nosso ser, sentimos a necessidade de dar graças a Deus por seu amor insondável, mas sem esquecer que a primeira coisa que Jesus nos pede insistentemente não é beijar a cruz, mas carregá-la. E isto consiste simplesmente em seguir seus passos de maneira responsável e comprometida, sabendo que esse caminho nos levará, mais cedo ou mais tarde, a compartilhar seu destino doloroso. Não nos é permitido aproximar-nos do mistério da cruz de maneira passiva, sem intenção alguma de carregá-la. Por isso, precisamos tomar muito cuidado com certas celebrações que podem criar em torno da cruz uma atmosfera atraente, mas perigosa, se nos distraírem do seguimento fiel ao Crucificado, levando-nos a viver a ilusão de um cristianismo sem cruz. É precisamente ao beijar a cruz que precisamos escutar o chamado de Jesus: “Se alguém vier atrás de mim … carregue sua cruz e me siga”. Para nós, seguidores de Jesus, reivindicar a cruz é aproximar-nos prestativamente dos crucificados, introduzir justiça onde se abusa dos indefesos, reclamar compaixão onde só existe indiferença diante dos que sofrem. Isto nos trará conflitos, rejeição e sofrimento. Será nossa maneira humilde de carregar a cruz de Cristo. O teólogo católico Johann Baptist Metz vem insistindo no perigo de que a imagem do Crucificado esteja ocultando de nós o rosto dos que vivem hoje crucificados. No cristianismo dos países do bem-estar está ocorrendo, de acordo com ele, um fenômeno muito grave: “A cruz já não intranquiliza ninguém, não tem nenhum aguilhão; perdeu a tensão do seguimento de Jesus, não chama a nenhuma responsabilidade, mas exonera dela”. Não precisamos todos nós rever qual é a nossa verdadeira atitude diante do Crucificado? Não precisamos aproximar-nos dele de maneira mais responsável e comprometida?   Jesus Cristo, Rei do Universo Pe. Johan Konings Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor. Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado. Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade. O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados. Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver… Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Diocese de Bragança ganhará 3 diáconos transitórios

No próximo domingo, 24 de novembro, Dom Jesus Maria estará na Paróquia São Pedro Apóstolo para ordenar 3 diáconos transitórios para a Diocese de Bragança. Os mesmos já concluíram os estudos no seminário há algum tempo, e já estavam no estágio pastoral. Trata-se dos jovens Manoel Flávio, que está no estágio pastoral em Tracuateua; José Fernando, que está executando o estágio pastoral em Garrafão do Norte; e Lenilson Ferreira, que está no estágio pastoral no Sagrado Coração de Jesus (Bragança). A seguir iremos conhecer um pouco mais dos 3 futuros padres (no próximo ano) da Diocese de Bragança. José Fernando Brito de Sousa nasceu em 21 de fevereiro de 1992, na cidade de Bragança-PA, é o filho mais novo de uma família de seis filhos; sendo quatro homens e duas mulheres; tendo como pais: José Américo de Sousa e Benedita de Araújo Brito. Aos 18 anos, ainda no Ensino Fundamental, o envolvimento nos trabalhos, na vida comunitária já fazia parte da rotina cotidiana do jovem.   Sempre na participação nas santas missas, a participação no grupo da RCC e da equipe de liturgia da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Bragança; o desejo sempre crescente de servir a Deus, de se entregar inteiramente ao serviço do Reino de Deus já se fazia presente em seu coração. Ainda no Ensino Médio participou do projeto “Aluno repórter”, da Rádio Educadora; e após a conclusão dessa faze formativa ingressou no curso técnico de hospedagem no IFPA. A participação ativa na Igreja levou-o a fazer os encontros vocacionais da Diocese de Bragança no ano de 2011, entendendo mais sobre a realidade do chamado que Deus faz em nossa vida. Depois dos encontros decidiu fazer a experiência no Seminário diocesano São Paulo VI, entrando em Abril de 2012 para cursar o propedêutico (faze preparatória para a formação presbiteral) no Instituto Regional para Formação Presbiteral (IRFP), hoje Faculdade Católica de Belém (FACBEL). No ano seguinte começou a cursar Filosofia; e dois anos depois iniciou o curso de Teologia, na já Faculdade Católica de Belém (FACBEL). Ainda em formação no Seminário Paulo VI aos fins de semanas fazia experiências pastorais em algumas paróquias de nossa diocese e também de Belém. Passou por paróquias como: Nossa Senhora da Divina Providência, em Nova Esperança do Piriá; Nossa Senhora do perpetuo Socorro, Ipixuna do Pará, mas especificamente na Comunidade São Pedro Apóstolo, no km 88; Nossa Senhora do Rosário, na Vila de Curupaiti, município de Viseu; Santa Luzia, em Santa Luzia do Pará; Santa Rita de Cássia, Cidade Nova  5, em Ananindeua; e São Francisco de  Assis, em Garrafão do Norte, onde está até hoje. O jovem Fernando afirma que “é Deus que em sua infinita bondade age na história humana, chamando e confirmando a vocação de cada um. Toda vocação é dom de Deus que devemos acolhê-la com generosidade, correspondendo ao seu amor.  Sobre a proteção da Virgem Maria, amparado pelo seu esposo, São José, venho fazer com prazer a vossa vontade, Senhor”.   Lenilson Ferreira Brito nasceu no dia 25 de outubro de 1991 em Bragança-PA, criado em Augusto Corrêa. Filho de Antonio Maria da Cunha Brito e Dona Rosineide Ferreira Brito. Exerceu o serviço de coroinha desde os 13 anos de idade. Depois participou de alguns movimentos como a RCC, Pastoral da pessoa idosa, e ajuda na animação litúrgica da Missa com as crianças. No dia 01 de fevereiro de 2011 ingressou no seminário São Paulo VI em Ananindeua, onde fez o propedêutico e o curso de Filosofia. Nos anos de 2012 a 2013 exerceu atividade pastoral na paróquia de Santa Luzia, sendo acompanhado pelo Pe. Elias, que era pároco na época. Em 2014 Dom Luís Ferrando, bispo titular naquele momento, o convidou a fazer o curso de Teologia na Itália, na Diocese de Piacenza, no Colégio Alberoni. Ali passou quatro anos estudando e fez pastoral na paróquia de San Corrado, no bairro periférico da cidade de Piacenza. Acompanhava o grupo jovem e participava do coral da paróquia. Em 2018, depois de concluir os estudos, retornou ao Brasil a pedido do novo bispo, Dom Jesus Maria. Já aqui foi enviado a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Bragança, para fazer o estágio pastoral acompanhado pelo Pe. José Calazans e Pe. José de Arimateia. Como atividades na paróquia acompanhou o grupo dos coroinhas e a PJ. Além de outras pastorais quando exigido.   Manoel Flávio Rodrigues Nascimento é filho de Maria Zenaide Rodrigues Nascimento e Mário de Jesus Ferreira Carvalho, mas registrado por Francisco de Souza Nascimento. Flavio foi criado por seus avós maternos: Maria Joana da Costa e Raimundo Rodrigues da Costa, dos quais recebeu amor e uma boa educação cristã. Nasceu no dia 12 de abril de 1992 na cidade de Capanema-PA, e com apenas 10 meses de nascido, foi morar na cidade de Bonito-PA. No ano de 2004 iniciou a vida de comunidade. Mas, somente no ano de 2005 passou a fazer parte da equipe de Liturgia; e em 2008 se tornou líder da Pastoral da Criança, catequista em sua comunidade (São Francisco de Assis/ Vila Boa Vista) e em 2010 membro do conselho comunitário. O jovem Flavio participou do 1º encontro vocacional da diocese nos dias 16, 17 e 18 de maio de 2008, encontro realizado no seminário Menor Santo Alexandre Sauli, Bragança-PA. Depois o 2º encontro foi realizado em Irituia nos dias 15,16,17 de agosto de 2008. E por não ter idade e nem concluído os estudos mínimos, não entrou no seminário naquele ano. Já em 2011 voltou a participar dos encontros vocacionais e foi chamado a entrar no seminário. Flavio lembra ainda a data que recebeu a carta convite: "recebi a carta de ingresso no dia 20 de dezembro de 2011 às 19:30hs". Passou a morar no seminário São Paulo VI no dia 02 de fevereiro de 2012. Durante o tempo em que ficou no seminário, Flavio exerceu atividades pastorais em algumas paróquias, como: Paróquia São Francisco de Assis, Mãe do Rio, mais precisamente nas comunidades do Km 33, Km 28 e no Km 40; na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Irituia, auxiliando na Paróquia e nas comunidades do Km 09 e Km 14; na Arquidiocese de Belém, na Paróquia Nossa Senhora Mãe da Divina Providência; na Paróquia de Nossa Senhor do Perpétuo Socorro, Ipixuna do Pará. E em novembro de 2018 recebeu a notícia de onde iria fazer seu estágio pastoral, que seria na Paroquia São Sebastião, em Tracuateua. Estágio esse que se iniciou em 15 de janeiro de 2019. Flavio está em Tracuateua até hoje, sendo acompanhado pelo Pe. Carlos Afonso. A ordenação diaconal acontecerá neste próximo domingo às 09 horas da manhã, na Igreja Matriz de Bonito-PA. Por Diocese de Bragança

Realizado em Mãe do Rio o I Encontro Diocesano de TILS da Pastoral do Surdo

No final de semana passado, dias 16 e 17 de novembro, foi realizado em Mãe do Rio, Paróquia São Francisco de Assis, o I Encontro Diocesano de Tradutores e Intérpretes de Língua de Sinais - TILS da Pastoral do Surdo. O tema do evento foi: SOMOS TODOS ENVIADOS NA MISSÃO DE EVANGELIZAR. Estiveram presentes os representantes da Pastoral do Surdo dos seguintes lugares: Mãe do Rio, Concórdia do Pará, Santa Maria do Pará, Castanhal, Ananindeua e de Belém. Crianças da pastoral do surdo kids na abertura do encontro/ Foto: Divulgação   Ângela Cristina Silva Pereira e Danielle do Socorro Benjamin da Pastoral do surdo de castanhal. Palestrantes tema: “O silencio de Maria nos faz sentir o Espirito Santo”/ Foto: Divulgação   Momento de estudo e preparação para santa Missa/ Foto: Divulgação   Oração de são Francisco recitada/ Foto: Divulgação   Azarias de Oliveira, coordenador da pastoral do dizimo de Mãe do Rio/ Foto: Divulgação   Cleyton Rodrigo Marruaz, Coordenador da pastoral do surdo regional  Norte 2, apresentou o tema: “ Intérpretes católicos batizados e enviados na missão de evangelizar em Libras”/ Foto: Divulgação   Coordenadora dos TILS da pastoral do surdo de Mãe do Rio apresentou o tema: "sentindo a presença de Jesus na santa missa"/ Foto: Divulgação   Missa de encerramento com padre Francisco Ribeiro, pároco em Mãe do Rio/ Foto: Divulgação Por Pastoral do Surdo de Mãe do Rio

33º Domingo do Tempo Comum

“Não ficará pedra sobre pedra”: O desafio de ser Igreja na “era dos escombros” Frei Gustavo Medella “Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão” (2Ts 3,12). No Brasil de hoje, atender ao apelo de São Paulo na Segunda Carta aos Tessalonicenses soa como privilégio. Já são quase 30 milhões de brasileiros desempregados ou subempregados sem nenhuma garantia ou segurança em relação ao trabalho. A situação de desalento e desamparo de quem não tem trabalho é mencionada pelo Papa Francisco, em sua Mensagem para o 3º Dia Mundial dos Pobres, celebrado neste domingo, quando o Santo Padre escreve: “Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer”. Neste contexto, no Domingo em que se celebra a solidariedade e a partilha com aqueles que nada têm, às vésperas da Solenidade de Cristo Rei (24 de novembro), que encerra o ciclo do Ano Litúrgico, a Igreja tem o compromisso de se reafirmar como porta-voz da esperança desta multidão desassistida, garantido a eles a certeza de que devem “permanecer firmes a fim de ganhar a vida” (Cf. Lc 25,19). No entanto, levar esta garantia é tarefa séria e exigente que demanda mais do que palavras bem elaboradas e discursos corretos e adequadamente fundamentados. Quando se depara com a admiração de seus conterrâneos diante de imponência e da beleza do Templo, Jesus os adverte: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (Lc 25,6). Não foi compreendido em sua provocação e, no decorrer do diálogo, chegaram a dele duvidar e debochar. Nos dias do hoje, talvez tenhamos já chegado à “era dos escombros”. Pelo menos é o que se pode imaginar diante de tantos sinais de morte que se apresentam com insistência diante de nossos olhos. Levar esperança neste cenário exige desapego e coragem da parte da Igreja, que é a família dos filhos e filhas de Deus. É urgente o abandono de qualquer tentação ao triunfalismo ou ao apego a um status de poder e destaque que a alienam e a afastam da fidelidade ao Evangelho. É hora de sair pelas ruas, entre os escombros, sem medo, erguendo os caídos e consolando os aflitos. O momento é de deixar de lado todo e qualquer preciosismo, assim como os apegos mundanos e, a partir da pouca argamassa de esperança que ainda resta, reconstruir tantas casas que jazem feridas, desrespeitadas e ameaçadas: desde nossa Casa Comum à casa da humanidade que sente na pele as dores de um mundo que, parece, está desaprendendo a amar.   Jesus Cristo, Rei do universo, ano C 2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Primeira leitura: 2Sm 5,1-3 Eles ungiram Davi como rei de Israel. O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul caiu na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu a Davi como rei de Israel (1Sm 16,12-13). Com a morte de Saul, Davi foi ungido pela tribo de Judá como rei (2Sm 2,4) e, depois, reconhecido como rei também pelas tribos de todo o Israel. Na leitura de hoje são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei: 1º A tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos. Reconhecem, portanto, que são parentes. 2º Recordam a decisiva liderança de Davi durante o reinado de Saul nas guerras de libertação contra os filisteus. 3º Reconhecem Davi como o escolhido do Senhor: “Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o nosso chefe”. Davi fez uma aliança com eles, na presença do Senhor, e foi ungido com rei de todo Israel. Davi foi pastor de ovelhas, antes de se tornar rei. Como pastor conduzia as ovelhas com muito cuidado para as fontes de água e as pastagens. Sabia defender as ovelhas contra animais ferozes ou ladrões. Qualidades importantes para cuidar do bem-estar do seu povo e defendê-lo contra os inimigos. Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres…” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho). Salmo responsorial Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor. Segunda leitura: Cl 1,12-20 Recebeu-nos no reino de seu Filho amado. Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados”. O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Por meio de Cristo, o Pai quis reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos. Aclamação ao Evangelho: Mc 11,9.10            É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;             e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor. Evangelho: Lc 23,35-43 Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado. O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores, zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acusação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido… se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles retoma o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”! Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece que Jesus é um rei que salva. Em resposta Jesus lhe diz: “… ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo, Rei do Universo.   Um estilo para uma lição Frei Clarêncio Neotti Lembremos que o Evangelho de hoje está escrito dentro de um estilo chamado ‘apocalipse’, bastante comum desde dois séculos antes de Cristo até um século depois. Assim como podemos passar uma mensagem por meio de poesia, teatro, novela, os povos antigos passavam uma mensagem também por meio do apocalipse. Era um gênero literário, que lançava mão de imagens fortes, como o cair do sol, maremotos, feras, montanhas que se derretem como água, visões de anjos. Esse gênero literário era usado para ensinar uma lição sobre o futuro, especialmente o possível fim dos tempos, tema que preocupava todas as culturas, inclusive a bíblica. Ao lê-lo, portanto, não devemos ir atrás de seu sentido literal, mas procurar qual o significado do símbolo. Por exemplo, pode estar escrito sol. Mas sol significa luz; luz significa segurança (porque no escuro facilmente se tropeça). Cair o sol, então, significa não ter mais nenhuma segurança. Levado à linguagem religiosa, que descreve o fim dos tempos – a morte -, cair o sol vai significar que, na hora da morte, estamos sem nenhuma das proteções que tivemos em vida (riquezas, amigos, glória). Estaremos sós, sem contar com ninguém, a não ser Deus; nele devemos confiar, porque Deus nos será a única segurança, quando a morte chegar.   As turbulências se tornaram frequentes Esses tempos difíceis  Frei Almir Guimarães A grandeza do homem está naquilo que lhe resta precisamente quando tudo o que lhe dava algum brilho exterior se apaga. E o que lhe resta? Os seus recursos interiores e nada mais. José Tolentino Mendonça Libertar o Tempo, p.29 Os tempos difíceis não devem ser tempos para as lamentações, a nostalgia ou o desânimo. Não é hora da resignação, da passividade ou da omissão. A ideia de Jesus é outra: em tempos difíceis “tereis ocasião de dar testemunho”. É precisamente agora que precisamos reavivar entre nós o chamado a ser testemunhas humildes, mas convincentes, de Jesus, de sua mensagem e de seu projeto. Pagola, Lucas, p. 326-327 ♦ Chegamos ao final do ano litúrgico de 2019. No primeiro domingo de dezembro voltaremos a percorrer as sendas do advento que nos levarão ao presépio do Menino das Palhas e à contemplação do maravilhoso mistério da encarnação do Verbo de Deus. As leituras deste domingo falam de perseguições, de tempos difíceis, de turbulências. Estamos sendo convidados a refletir sobre o final dos tempos e as anunciadas tribulações descritas num estilo apocalíptico. Ficamos cheios de consolo, no entanto, quando ouvimos dizer que, em momentos de desafio e de perseguição por causa de nossas convicções, o Senhor há de nos dar palavras acertadas. Não perderemos um só fio de cabelo. Somos convidados a perseverar e ter paciência. ♦ Não podemos aqui elencar todas as transformações, mudanças, mutações e turbulências que estão a nos afetar de modo especial nas últimas décadas. Os que fizemos boa parte do caminho temos a impressão que as coisas se aceleraram. Tudo muda e se transforma loucamente em termos de tecnologia, na busca da identidade do ser homem e ser mulher, na educação dos filhos, na concepção dos valores, no jeito de educar, no casamento. Nós, cristãos, ficamos preocupados com a transmissão da fé às novas gerações e com a distância que muitos foram tomando da fé cristã e, ao mesmo tempo com desvios morais mais ou menos graves, tomadas de posição de ultradireita ou de ultraesquerda.  Parecem terremotos como aqueles descritos nas páginas dos Evangelhos agora proclamados. ♦ Que fazer? Ter espírito crítico. Cultivar o hábito de discernir. Nada de embarcar em canoas que possam estar furadas. Não alimentar nostalgia do passado que pôde também ter tido deficiências, nem querer começar tudo de zero. Em todos os campos. Não andar atrás da primeira novidade que aparece. Nada de ingenuidade. Discernir. Tentar descobrir aquilo que constrói o ser humano, o que respeita sua dignidade, o que contribui para diminuir desigualdades, o que minora as dores, o que nos permite saborear o fato de viver, o que nos torna santos. ♦ Focando mais de perto a questão da vivência cristã parece importante fixarmo-nos no essencial, como em tudo aliás. O essencial não são tradições, costumes e visões que nos apequenam. Sair da superfície e chegar ao fundo. Muitos, em nossos dias, vivendo e participando das turbulências se dizem perdidos e com vontade de tudo abandonar. Então: >>Nada de uma religião cerebral, busca de um Deus frio. Antes de mais nada prestar atenção nessa legítima saudade de Deus que experimentamos. Essa sede de plenitude. Essa vontade de achegarmo-nos a um Tu que nos ama, nos atrai, solicita uma resposta pessoal. Buscar áreas verdes. Desvencilharmo-nos de nós mesmos. Karl Ranher advertia, em meados do século  passado, que o cristão do amanhã seria um místico ou nada; >>Rever a maneira como rezamos. O movimento dos lábios precisa acompanhar os reclamos de um ser pobre que se lança no Mistério. Positivamente precisamos nos tornar amigos de Deus, para além das prescrições e observância dos ritos. >> Procurar reencontrar nosso eu mais profundo, nosso interior, a plataforma interior a partir da qual se constrói a pessoa. Milan Kundera: “Quando as coisas acontecem depressa demais, ninguém pode ter certeza de nada, de coisa nenhuma, nem de si mesmo”. Tolentino fala da necessidade de resgatar nossa relação com o tempo. Precisamos reaprender o aqui e agora da presença. >> Concentrar-se no essencial. Cada geração cristã tem seus próprios problemas, dificuldades e buscas. Não devemos perder a calma, mas assumir nossa responsabilidade. Não se pede nada que esteja acima de nossas forças. O essencial continua sendo um imenso senso de solidariedade e bondade e um decidido empenho de ouvir a voz do Senhor.  Nos dias de claridade e nas noites escuras sem estrelas. >> O trecho do Evangelho hoje proclamado fala de perseverança e paciência. Os pais precisam paciência para entender as opções que filhos parecem assumir, os sacerdotes necessitam  descobrir um meio de fazer com seus fiéis cresçam de fato e não enveredem pela trilha do intimismo e das emoções ditas místicas; os governantes haverão de  paciente e perseverantemente   descobrir meios para que não falte trabalho, especialmente para  os jovens. Dar tempo ao tempo.  Apressado come cru. Perseverança e paciência. >> Ser capaz de acolher as surpresas do Senhor. Vivíamos a vida de um jeito, numa Igreja diferente, nos tempos das coisas antigas. Deus se nos manifestava numa certa estabilidade, talvez meio parada.  Hoje ele nos surpreende na globalização, na necessidade acolher os refugiados, no sermos uma Igreja em saída, num mundo que não esperávamos viver. >> Pode-se dizer que o antídoto da crise civilizatória que vivemos é o empenho de humanizar os humanos que, aos poucos, foram perdendo sua essência: a alegria de viver, a redescoberta da confiança, o cuidado de escutar e enxergar.  Precisamos, novamente, fazer a experiência do espanto diante das coisas simples:  um jantar em família, atenção para um colega de trabalho revoltado com a vida, da alegria um cafezinho tomado com um pessoa que mal conhecemos  no instante. >> Cristãos que somos necessitamos urgentemente de ler e reler, meditar e viver o Sermão da Montanha de Mateus (5-7). Revestirmo-nos dos sentimentos que animaram o Senhor Jesus. Texto seleto Os tempos estão mudando. E os tempos de mudança são inspiradores, não o esqueçamos. O inverno conspira para que surjam inesperadas flores. “O que está sendo dito para nós?” é a pergunta necessária. O que esta avalanche cultural nos revela? De fato, a grande crise, a mais aguda, não é sequer os acontecimentos, decisões e deserções que nos trouxeram aqui. Dia a dia sobrepõe-se um problema maior:  a crise da interpretação.  Isto é, a falta de um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar,  para cada um enquanto indivíduo e para todos  enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos (Tolentino, A Mística do Instante, p. 123) Oração Confiarei… ainda que me perca em teus caminhos, ainda que não encontre meu destino, confiarei… Confiarei… ainda que não entenda tuas palavras, ainda que teu olhar me queime, confiarei… Eu te seguirei, duvidando e andando ao mesmo tempo e te amarei, tremendo e amando ao mesmo tempo.   Dar por terminado José Antonio Pagola É a última visita de Jesus a Jerusalém. Alguns dos que o acompanham admiram-se ao contemplar “a beleza do templo”. Jesus, pelo contrário, sente algo muito diferente. Seus olhos de profeta veem o templo de maneira mais profunda: naquele lugar grandioso não se está acolhendo o reino de Deus. Por isso, Jesus o dá por terminado: “Quanto a estas coisas que contemplais, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído”. De repente, as palavras de Jesus dissiparam o autoengano que se vive em torno do templo. Aquele edifício esplêndido está alimentando uma ilusão falsa de eternidade. Aquela maneira de viver a religião sem acolher a justiça de Deus nem ouvir os que sofrem é enganosa e perecível: “Tudo isso será destruído”. As palavras de Jesus não nascem da ira. Menos ainda do desprezo ou do ressentimento. O próprio Lucas nos diz um pouco antes que, ao aproximar-se de Jerusalém e ver a cidade, Jesus “pôs-se a chorar”. Seu pranto é profético. Os poderosos não choram. O profeta da compaixão sim. Jesus chora diante de Jerusalém porque ama a cidade mais que ninguém. Chora por uma “religião velha” que não se abre ao reino de Deus. Suas lágrimas expressam sua solidariedade com o sofrimento de seu povo e, ao mesmo tempo, sua crítica radical àquele sistema religioso que põe obstáculo à visita de Deus: Jerusalém – a cidade da paz! – “não conhece o que leva à paz”, porque “está oculto aos seus olhos”. A atuação de Jesus lança não pouca luz sobre a situação atual. Às vezes, em tempos de crise, como os nossos, a única maneira de abrir caminhos à novidade criadora do reino de Deus é dar por terminado aquilo que alimenta uma religião caduca, sem produzir a vida que Deus quer introduzir no mundo. Dar por terminado algo que foi vivido de maneira sagrada durante séculos não é fácil. Não se faz isso condenando os que querem conservá-lo como eterno e absoluto. Faz-se “chorando”, porque as mudanças exigidas pela conversão ao reino de Deus trazem sofrimento a muitos. Os profetas denunciam o pecado da Igreja chorando.   O fim de uma era Pe. Johan Konings Com o ano 2000, o fim do mundo não chegou… Nem com o ataque contra o centro comercial de Nova York em 2001. No evangelho, Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e do seu magnífico templo. Para muitos judeus, dizer isso era a mesma coisa que anunciar o fim do mundo. Jesus, porém, não considera isso o fim do mundo, mas um sinal de que tudo passa, mesmo o sistema religioso mais venerado, a civilização mais preciosa. Só não passa o que ele ensina por sua vida e sua palavra. “Minha palavra não passará”. Para os cristãos, as vicissitudes da queda de Jerusalém significam um tempo de provação, mas também de testemunho. Na firmeza da fé, ganharão a vida eterna. Ora, não podemos negar que estamos seriamente confrontados com a possibilidade do fim de uma civilização. As armas de guerra, a poluição, a depredação da natureza, a incontrolabilidade da própria ciência… são bombas-relógio que podem explodir a qualquer hora. Contudo, não são razão de desespero. O cristão há de ver em tudo isso um desafio para a sua firmeza. “O mundo pode cair aos pedaços, mas eu não vou desistir daquilo que Jesus me ensinou”, assim é que devemos falar. Certos cristãos, de mentalidade muito individualista, dizem: “A sociedade como tal já não pode ser salva; o único que podemos fazer é cada qual salvar sua alma”. Tal atitude é irresponsável. Exatamente diante da ameaça do colapso de nossa civilização é que devemos engajar-nos para construir desde já o início de uma nova civilização, mais justa e mais fraterna, mais respeitosa também para com as possibilidades que Deus colocou nas mãos do ser humano. Assim fizeram os primeiros cristãos. Diante dos ameaçadores sinais dos tempos, não cruzaram os braços (cf. a 2ª leitura), mas construíram as suas comunidades que, depois da desintegração do mundo de então, se tornaram semente de uma nova era aqui na terra, além de abrirem as portas para a vida com Deus na eternidade. Conta-se de S. João Berchmans o seguinte: enquanto, numa hora de recreio, estava jogando bilhar, perguntaram-lhe o que faria se um anjo o avisasse de que iria morrer já. Respondeu: “Continuar jogando”. Do mesmo modo devemos continuar a construção do Reino de Deus encarnado em nossa história, mesmo se existem sinais de que nosso mundo pode estar chegando ao fim. Seja como for, aconteça o que acontecer, Deus quer nos encontrar ocupados com seu Reino neste mundo e firmes no testemunho de Jesus. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Dom Jesus participa de evento de prevenção ao suicídio

No dia 14 de novembro na Escola Estadual Bolivar Bordalo, Dom Jesus Maria e a Psicóloga Ana Cristina palestraram acerca da prevenção ao suicídio. O evento foi destinado aos do turno da noite. No último mês de setembro o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) lançaram a Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio, o "Setembro Amarelo". Durante o mês de setembro especialmente o dia 10 de setembro é uma data lembrada mundialmente e também é um tipo de chamamento para que as pessoas percebam que podem ser amparadas em momentos difíceis da vida, para que não cheguem a pontos extremos como o suicídio. Dados alarmantes De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano. Para a ABP e o CFM, falta uma política de atenção, com infraestrutura e recursos humanos suficientes, para ajudar quem sobre com stress, depressão e esquizofrenia, transtornos que podem levar ao desejo suicida.O Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012, segundo relatório divulgado na última semana pela OMS. Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. Chama a atenção o fato de o número de mulheres que tiraram a própria vida ter crescido mais (17, 80%) do que o número de homens (8,20%) no período de 12 anos. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, chama a atenção para a subnotificação dos casos, pois, segundo ele, grande parte das tentativas de suicídio não chega aos registros oficiais por não existir notificação compulsória. “Ainda faltam políticas públicas voltadas especialmente para o grupo, entre elas ambulatórios especializados e um serviço telefônico gratuito e nacional que funcione 24 horas. Além desses serviços, a OMS acrescenta medidas como reduzir acesso a armas de fogo, pesticidas e medicamentos, principais métodos usados na prática”, disse.Em 2006, o Ministério da Saúde publicou uma portaria com as diretrizes do que seria uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio. Entre as medidas estavam previstas campanhas para informar e sensibilizar a sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido. Segundo as entidades médicas, no entanto, até agora a política não saiu do papel. Ao contrário disso, segundo último levantamento elaborado pelo CFM sobre leitos no Brasil, só em psiquiatria foram desativados quase 7.500 leitos em todo o país entre janeiro de 2010 e julho do ano passado. Com a realização do setembro amarelo em Bragança, Dom Jesus foi convidado para vários eventos da campanha. Esses momentos o deixaram muito sensibilizado diante da experiência de conhecer mais a respeito. Experiência que o levou a tratar do assunto em vários eventos no meio eclesial... E já foi convidado a participar de vários momentos em escolas, como o do último dia 14 no Bordalo. Por Diocese de Bragança Com informação do: http://portal.cfm.org.br/

COMIRE ARTICULA EIXOS DA MISSÃO NO REGIONAL

No último dia 09 de novembro foi realizada a reunião da equipe de coordenação ampliada do Conselho Missionário do Regional Norte 2 (COMIRE), na sede da CNBB N2, em Belém do Pará. O encontro reuniu lideranças missionárias das dioceses de Abaetetuba, Cametá, Bragança e da arquidiocese de Belém, assim como, representações da Infância e Adolescência Missionária (IAM), Organização Santas Missões Populares (OSMP), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Juventude Missionária (JM), Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE), Conselhos Missionários Diocesanos (COMIDIs), Centro MAGIS da Amazônia e Missão nas Fronteiras. Promovido pela equipe executiva do COMIRE, este momento buscou aprofundar o entendimento coletivo sobre sentido, objetivos e importância dos conselhos missionários em diversas instâncias, assim como, a formação e articulação missionária em nível de regional.  “É preciso ouvir os gritos que ressoam nas bases para se construir um caminho de unidade na missão”, como ressaltou Taiana Carolina, da OSMP/COMIRE. Irmã Rebeca fez um momento de partilha sobre a Missão nas Fronteiras A presença e o valioso testemunho de Irmã Rebeca Spires, do CIMI, sobre a Missão nas Fronteiras, foi o momento alto do encontro, o que inspirou e norteou os trabalhos em grupos. “O desafio da Missão nas Fronteiras é de todos nós, é a maior joia deste Regional”, enfatizou Irmã Rebeca em intenso testemunho. E, de fato, todos os presentes reconheceram a importância da missão e as necessidades urgentes que a mesma enfrenta. Dentre os encaminhamentos e compromissos assumidos neste encontro estão a produção de material para potencializar a divulgação do Projeto Missão nas Fronteiras como vídeo teaser e powerpoint, o que será garantido com a visita da equipe executiva em lócus. O apoio financeiro imediato das obras missionárias através de ações atividades de arrecadações de fundos para a missão. Outro ponto importante amplamente enfatizado foi a questão formativa, que precisa ser mais efetiva e com maior presença do COMIRE nas dioceses, para apropriação de temas como o texto pós sínodo, o programa missionário nacional, e as diretrizes gerais para ação evangelizadora. Todas as propostas e sugestões foram acolhidas pela equipe executiva, que permanecerá em sintonia na animação e articulação missionária deste regional. O encontro estendeu-se até as 17h, e foi concluído com momento de oração em círculo, onde todos puderam reafirmar os compromissos assumidos e pedir a Virgem Maria que ilumine e impulsione as missionárias e missionários que caminham neste chão amazônico. Um grande desafio para a missão é transcender as estruturas e ser mais humano e sensível ao clamor dos pobres, precisamos ser mais sensíveis na escuta, para sermos mais humanos na ação. Texto e fotos: Renan Rosário / COMIRE Retirado do site da CNBB N2

32º Domingo do Tempo Comum

Negar a ressurreição com a vida Frei Gustavo Medella “Alguns saduceus, que negam a ressurreição” (Lc 20,27b). Negar a ressurreição não é mera recusa a abraçar uma doutrina ou um conjunto de ensinamentos, nem debater o tema a partir do mundo dos conceitos ou das ideias. Desta forma, a questão casuística posta pelos saduceus, ainda que pudesse ter um tom de certo deboche ou incredulidade, representava a face mais inocente e inofensiva de uma postura discordante com a proposta de Jesus Cristo. A versão mais prejudicial de tal negação, com certeza, é o estado de arrogância e prepotência a que pode chegar o ser humano quando se julga senhor da própria vida e dono da única verdade absoluta que deseja impor aos outros. Quem age assim, não nega somente a ressurreição, mas nega a vida a quem ameaça seus planos egoístas e autocentrados. Esta negação autoafirmativa certamente já havia contaminado o coração do rei cruel apresentado no trecho do 2º Livro de Macabeus (2Mc 7,1-2.9-14) . Com requintes de covardia e crueldade, massacrou sete filhos e uma mãe movido pelo mero capricho de fazerem-nos pensar exatamente como ele pensava. Sua sanha era, por teimosia, orgulho e soberba, colocar-se como dono da vida daqueles que havia feito prisioneiros. Empatia, compaixão, solidariedade e respeito eram palavras que haviam sido banidas de seu vocabulário e de suas práticas. Pobre homem, morto já em vida. A postura que parece o cume da crueldade e é narrada em um episódio do Antigo Testamento, poderia, falsamente, ser considerada por nós algo muito distante no tempo e no espaço, coisa de “gente primitiva”, algo que aconteceu no “muito antigamente da existência”, quando o ser humano era menos evoluído. Triste engano… A negação da ressurreição e da vida, e consequente negação de Cristo, continua atual e tem saltado aos olhos como prática, inclusive, de muitos que se autodenominam seguidores do Ressuscitado. Mais do que em palavras, tal postura destruidora tem se mostrado em práticas marcadas pela ofensa, pela mentira e pela exclusão. Tem sido, inclusive, plataforma política de quem, em nome de Deus, chegou ao poder para garantir e perpetuar os próprios privilégios à custa da morte e do massacre dos pequenos, daqueles que pensam diferente, de quem sonha um mundo mais justo e igualitário. Os frutos nefastos desta mórbida opção pela morte, infelizmente, são numerosos. Não é difícil encontrá-los, pelo que não vou tomar o precioso tempo do estimado leitor declinando os muitos sinais de morte que têm nos deixado tristes e feridos. O mais importante é não esmorecermos e renovarmos a certeza de que, caminhando conosco, está o Deus da Vida, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011   32º Domingo do Tempo Comum, ano C2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”. Primeira leitura: 2Mc 7,1-2.9-14 O Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna. Os últimos três domingos do ano litúrgico C, que precedem os domingos do Advento, estão voltados para a segunda vinda do Senhor, como Juiz dos vivos e dos mortos. No Antigo Testamento a crença na vida após a morte, junto de Deus, ainda não estava desenvolvida. Muito menos a fé na ressurreição dos mortos. Pensava-se que as pessoas que morriam iriam juntar-se aos seus antepassados, na morada dos mortos. Lá as pessoas estariam como que congeladas, incapazes até de louvar a Deus. Por isso nos Salmos de súplica e lamentação o salmista pede que Deus lhe conceda longa vida aqui na terra. Que vantagem teria Deus em fazer morrer o ser humano na flor da idade? Apenas perderia mais alguém capaz de louvá-lo estando vivo. No entanto, pequenos vislumbres de esperança de uma vida com Deus já aparecem nos salmos, como no Sl 73,23-26 e Sl 16,8-11, que já manifestam uma certeza: se alguém está em comunhão com Deus aqui na terra não precisa temer a morte. A primeira leitura de hoje é uma confissão clara na ressurreição individual dos mortos. O texto se localiza no II século antes de Cristo. A Judeia estava então sob o domínio dos reis Selêucidas da Síria, herdeiros de parte do Império de Alexandre Magnos. O rei Antíoco IV, ferrenho amante da cultura grega, queria impor à força aos povos dominados os costumes gregos e o culto dos deuses pagãos. O texto narra a história duma mulher judia e de seus sete filhos. Exortados mãe viúva, resistem heroicamente às torturas, negando-se a oferecer incenso aos deuses pagãos. Importante é o que dizem os quatro primeiros filhos, momentos antes de serem executados: “Estamos prontos a morrer, antes que violar as leis de nossos pais” (v. 2). – “Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna” (v. 9); – “do Céu recebi estes membros… do Céu espero recebê-los de novo” v. 11); – “prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará” (v. 14). Os judeus não separavam o corpo da alma; consideravam que a identidade de cada pessoa consistia na união do corpo com sua alma. No Evangelho, Jesus nos esclarece como será a vida da pessoa ressuscitada. Salmo responsorial: Sl 16 Ao despertar, me saciará vossa presença                 e verei a vossa face. Segunda leitura: 2Ts 2,16–3,5 O Senhor vos confirme em toda boa ação e palavra. Paulo pregou o Evangelho na sinagoga de Tessalônica durante alguns sábados, na companhia de Silvano e Timóteo. Não foi bem acolhido pelos chefes da sinagoga e poucos judeus se converteram. Teve, porém, grande sucesso entre os pagãos, simpatizantes do judaísmo, causando inveja aos judeus, que o ameaçaram. Para fugir das ameaças, os cristãos enviaram Paulo às escondidas a Bereia. Como não teve tempo para confirmá-los na fé e no conhecimento de Jesus Cristo, escreveu-lhes duas Cartas, pelos anos 50/51, focadas na esperança da segunda vinda do Senhor (escatologia). As Cartas são os primeiros escritos do Novo Testamento. No trecho hoje lido, o Apóstolo reza para que os fiéis da nova comunidade perseverem no amor de Deus e firmes a esperança e produzam frutos pelas boas palavras e ações (v. 16-17); isto é, que sejam evangelizadores pela fé que vivem na prática. Paulo pede também orações para que a palavra do Senhor seja glorificada em outras cidades como o foi em Tessalônica. Exorta os fiéis a permanecerem firmes nos ensinamentos recebidos. Que sejam firmes no amor de Deus e na esperança em Cristo, assim como o Senhor Jesus é fiel. Assim, pela mútua oração, a fé, a esperança e o amor a Jesus Cristo se fortaleciam, e crescia o número de cristãos. Aclamação ao Evangelho   Jesus Cristo é o Primogênito dos mortos;                 a ele a glória e o domínio para sempre! Evangelho Deus não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos. No Evangelho deste domingo os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição dos mortos. Pouco antes, Jesus havia expulso os vendedores do Templo, controlado pelos sumos sacerdotes escolhidos do partido dos saduceus (Lc 19,45-48). Jesus, o partido dos fariseus e muitos outros judeus (1ª leitura) acreditavam na ressurreição, mas os saduceus não (cf. At 23,1-11). Para eles os mortos ficavam para sempre na morada dos mortos. Para ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos, citam a lei do levirato (Dt 25,5-10; Gn 38; Rt 4,3-5). Segundo essa lei, se um homem se casa com uma moça e morre antes de lhe dar um filho, o irmão dele é obrigado a casar com a cunhada para gerar um filho em nome do irmão falecido. Os saduceus contam para Jesus um “caso” no qual sete irmãos casaram com a mesma mulher e todos morreram antes de gerar um filho; por fim morreu também a mulher. E perguntam: Na ressurreição, de qual do sete será ela mulher? Primeiro, Jesus lhes explica que as pessoas se casam apenas nesta vida presente, porque morrem. Mas os que forem dignos da ressurreição e da vida eterna não se casam porque já não podem morrer. Serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque já ressuscitaram. Isto é, estarão na vida eterna com Deus. Jesus confirma a fé na ressurreição com o episódio da sarça ardente (Ex 3,1-6). Ali Deus se apresenta a Moisés como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, antepassados do povo. Portanto – diz Jesus – “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”, e conclui: “pois todos vivem para ele”. Paulo apóstolo escreve longamente aos cristãos de Corinto sobre a ressurreição (1Cor 15,1-58). Alguns tinham dificuldade em acreditar que outros mortos haveriam de ressuscitar, embora acreditassem que Cristo ressuscitou dos mortos. Para explicar como será um corpo ressuscitado, Paulo Apóstolo recorre à imagem da semente: quando semeada, ela morre mas produz a planta e seus frutos (1Cor 15,35-49; cf. Jo 12,24). Na ressurreição, o que importa é a continuidade e identidade pessoal, entre a vida presente e a vida futura. Na semente está a futura planta, mas o formato da semente e da planta são totalmente diferentes. Na missa, quando o sacerdote diz “eis o mistério da fé”, afirmamos nossa fé na continuidade de vida entre o Cristo morto e Ressuscitado: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”! É o que acontecerá com todos aqueles que nele creem. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Um tema de vida ou morte Frei Clarêncio Neotti Os saduceus (o nome deriva-se provavelmente do Sumo Sacerdote do tempo de Salomão, Saddoc, que deu início à seita e à casta dos Sumos Sacerdotes – 1Rs 2,35) eram hebreus, mas só aceitavam o que Moisés dissera no Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). O grupo era bem menor do que o dos fariseus, mas a ele pertencia a aristocracia sacerdotal e laical, a classe mais rica e influente. Caifás, por exemplo, era saduceu. Os saduceus interessavam­se mais pelo jogo político que pelo jogo religioso. Os saduceus negavam a existência dos anjos e de outros espíritos (At 23,8). Mas, sobretudo, negavam a ressurreição (Mc 12,18-27; At 4,l-2), tema, aliás, bastante obscuro no Antigo Testamento. Só textos sagrados mais recentes falaram da vida depois da morte, como Daniel 12,2: “Muitos dos que dormem na terra despertarão; uns para a vida eterna, outros para a eterna abominação”. Ou passagens como as da morte dos irmãos Macabeus e sua mãe (2Mc 7), escritas em torno de 130 a. C, quando já existia a seita dos fariseus, que acreditavam na ressurreição. Ora, a ressurreição seria o tema fundante e fundamental da Nova Aliança. Jesus devia esclarecê-lo, também em vista de sua Ressurreição, que seria a prova cabal de sua divindade e de sua missão. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Divagações em torno do casamento Frei Almir Guimarães ♦ Na realidade, o tema desse nosso domingo é o da afirmação de que Deus é o Deus dos vivos e dos mortos. Aborda a questão da ressurreição. Fala de uma mulher que teve sete maridos. Coloca a questão: “Na ressureição, ela será mulher de quem?” Nesse mundo futuro, afirma o texto, todos serão como anjos e não haverá marido e mulher. O assunto espinhoso da ressurreição dos mortos e o status da glória mereceria uma longa e complexa abordagem. Vamos, no entanto, aproveitar o ensejo para refletir sobre o tema do casamento e, de modo particular, do casal. ♦ Normal que num determinado momento da vida um rapaz e uma moça comecem a ser olhar diferentemente. As forças e os impulsos que estavam adormecidos despertam com doçura ou com violência. Pode ser que no começo dos encontros entre um e outro nada havia sido despertado. Viviam como colegas, ou um desconhecido que encontrava uma desconhecida. Depois, talvez de um cruzar de olhares, uma leve manifestação ternura e a vontade de voltar ao lugar onde os olhares se entrecruzaram… Começou a busca… Quem sabe um primeiro encontro tenha sido marcado por timidez ou então por volúpia… Não sei… um jeito de andar, uma graça, a beleza do interior, a vontade de viver uma história a dois. “Não é bom que o homem esteja só…”. ♦ Vem o tempo do conhecimento, a carinhosa tentativa de espreitar o mistério do outro e chega o momento da decisão, da arrumação das coisas internas para colocar os passos num outro universo. “Deixará pai e mãe”. Um novo nascimento que é precedido de uma decisão. Meu companheiro, minha companheira, mãe e pai dos meus filhos. Sim, está bem, toma-se a decisão. Arrumo o meu interior e deixo de lado esse coração que pula de perfume em perfume e passo a viver uma fidelidade lúcida. Eu te prometo… Eles vão se ajudar para serem gente. Cuidado com essas uniões de pessoas imaturas que desgraçam a própria vida e a vida do parceiro. Lucidez nas decisões. ♦ Fidelidade à verdade do outro, nunca aceitando olhá-lo como parceiro de uma aventura passageira, sempre com um profundo respeito e uma ternura extremamente delicada. O ponto alto, o píncaro da união de um homem e de uma mulher não acontece com começo do viver juntos, mas depois, bem depois, resultado de incessante construção. Uma fidelidade criativa. No fazer-se presente na vida do outro de maneira substancial e não sufocante, numa abertura ao mundo, numa feliz harmonia entre tantas solicitações: o cuidado da casa, os filhos, os pais envelhecidos, o trabalho exaustivo dos dois fora de casa, a busca da harmonia sexual, o incansável desejo e empenho dos dois de serem do Senhor. O píncaro de um casamento se dá na comemoração das Bodas de Ouro. Uma estrada bem percorrida, felizmente percorrida. ♦ Fazer-se presente na vida do outro e dos filhos. Tema delicado. A vida conjugal e familiar precisa ser alimentada por meio de momentos em que se tira o pé do acelerador, nas delicadas revisões da conjugalidade, na participação de grupos de reflexão sobre o andar da carruagem, no estar todos juntos em torno da mesa de maneira não esporádica, no cuidadoso exercício da arte de prestar atenção nos movimentos dos músculos do rosto e no apagar do brilho do olhar. Sentir que há nuvens que precisam ser enxotadas. Voltar aos primeiros bem-querer quando a vida nos sacudiu por dentro. ♦ Há uma maneira cristã de viver o casamento. Dois cristãos, penso agora em cristãos de verdade, convictos de sua fé, mesmo com eventuais falhas, dois seres que foram deixando que o homem velho morresse e, ao longo da vida, foram vivendo o seguimento de Cristo, sem carolices e pieguices. No momento de encetarem sua vida a dois e familiar vivem um momento de visita do Senhor. Vão se unir pelo sacramento dos casados. Há promessa de amor, de fidelidade, de abertura da vida dos dois para a vida dos filhos…. Todos os dias da minha vida”. Promessa complexa. Como fazer com que o amor dure, com que as circunstâncias inesperadas não afetem esta união? Continuar quando as coisas de tornaram adversas?   Tudo isso atravessa nossa mente quando pensamos na concreta realidade da vida conjugal e familiar  hoje. “Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja”. ♦ Casamento e família se entrelaçam. Família é comunhão de pessoas, de pessoas que carregam o mistério humano de viver, união feita com plena liberdade, orientada por um projeto de bem-querer e aberta à chegada, cuidados, educação dos filhos que lhes são emprestados por um tempo, dois seres maduros que não choramingam, que se respeitam e um casal aberto ao mundo, unidos no Senhor, os esposos se amando no amor de Cristo, constituindo a Igreja doméstica. Pensamentos tonificantes “Foi o tempo que perdeste com a tua rosa, que tornou a tua rosa tão importante para ti”. (Antoine de Saint-Éxupéry).  Talvez precisemos voltar a essa arte humana que é a lentidão. Nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são puro desperdício: dizem-nos que temos que valorizar resultados, apenas resultados” (José Tolentino Mendonça). Prece Pai amado, realiza por meio de nós a obra da verdade.Mantém nossas mãos ocupadas em servir a todos.Faze com que tua voz anuncie a todos o teu reino.Faze com que nossos pés avancem pelos caminhos da justiça.Guia-nos da ignorância para a luz. FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Amigo da vida José Antonio Pagola “Deus é amigo da vida”. Esta é uma das convicções básicas de Jesus. Por isso, discutindo certo dia com um grupo de saduceus, que negavam a ressurreição, confessou-lhes claramente sua fé: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”. Jesus não pode imaginar que para Deus suas criaturas lhe vão morrendo; que, depois de alguns anos de vida, a morte o vá deixando sem seus filhos e filhas queridos. Não é possível. Deus é fonte inesgotável de vida. Deus cria os viventes, cuida deles, defende-os, se compadece deles e resgata sua vida do pecado e da morte. Provavelmente Jesus nunca leu o livro da Sabedoria, escrito por volta do ano 50 a.c. em Alexandria, mas sua mensagem acerca de Deus lembra uma página inesquecível desse sábio judeu que escreve assim: “Tu te compadeces de todos, porque tudo podes; fechas os olhos aos pecados dos homens para que se arrependam. Amas todos os seres e não detestas nada do que fizeste; se tivesses odiado alguma coisa, não a terias criado. Como conservariam sua existência se tu não os tivesses criado? Mas tu perdoas a todos porque são teus, Senhor, amigo da vida” (Sb 11,23-26). Deus é amigo da vida. Por isso se compadece de todos os que não sabem ou não podem viver de maneira digna. Chega, inclusive, a “fechar os olhos” aos pecados dos homens para que descubram novamente o caminho da vida. Não detesta nada do que criou. Ama todos os seres; do contrário, não os teria feito. Perdoa a todos, se compadece de todos, quer a vida de todos, porque todos são seus. Como não amamos com mais paixão a criação inteira? Por que não cuidamos da vida de todos os seres e não a defendemos mais energicamente de tanta depredação e agressão? Por que não nos compadecemos de tantos “excluídos” para os quais este mundo não é sua casa? Como podemos continuar pensando que nosso bem-estar é mais importante do que a vida de tantos homens e mulheres que se sentem estranhos e sem lugar nesta Terra criada por Deus para eles? É incrível que não captemos o absurdo de nossa religião quando cantamos ao Criador e Ressuscitador da vida e, ao mesmo tempo, contribuímos para produzir fome, sofrimento e degradação em suas criaturas. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Ressurreição e vida eterna Pe. Johan Konings O ano litúrgico está indo para o fim. Com o fim diante dos olhos, pensamos: depois da morte, que haverá? Ora, muita gente prefere nem pensar na morte e no que vem depois. Outros acreditam na reencarnação, uma maneira de tirar da morte seu caráter definitivo. Bem antigamente, os israelitas não pensavam em vida pessoal depois da morte. Consolava-os a esperança de uma alta idade e da sobrevivência nos seus filhos e netos. Mas, por volta de 165 a.C., quando o rei da Síria perseguia os judeus e provocou a revolta dos Macabeus, muitos jovens morreram martirizados, sem deixar descendentes. Desde então, os judeus começaram a crer na ressurreição pessoal. A 1ª leitura narra um episódio dessa perseguição: o martírio dos sete irmãos. Os mais conservadores, porém, os saduceus, que nunca iriam morrer num combate, caçoavam dessa fé; pior, achavam-na uma inovação perigosa. O evangelho conta que, para contrariar a pregação de Jesus, queriam provar que a ressurreição contradiz a lei de Moisés. A Lei estabelece que, quando um homem morre sem filhos, seu irmão ou parente próximo deve tomar sua mulher e gerar um descendente para seu falecido irmão (Dt 25,5-6). Assim poderia acontecer que uma mulher fosse esposa de sete maridos sucessivos. Como ficaria isso na ressurreição? Jesus responde: “Primeiro, de ressurreição vocês nada entendem. É algo totalmente diferente da vida aqui. Já não será preciso casar para continuar a vida nos descendentes, uma vez que a vida é eterna! E, segundo, vocês desconhecem os livros da Lei de Moisés, pois aí está que Deus se chamou ‘o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó’ (Ex 3,6). Ora, Deus não é um Deus dos mortos, mas dos vivos. Portanto, esses antepassados do povo estão com vida … “ Este assunto não se esgota em cinco minutos, mas para hoje vale a seguinte lição. Não pensemos a ressurreição como mero prolongamento desta vida aqui, com todas as suas complicações, como casar etc. Nem concebamos o além da morte como reencarnação, que seria como uma segunda chance no vestibular, sem mudança radical. A ressurreição é uma realidade totalmente nova, divina, livre das limitações da vida terrena. A “ressurreição da carne” é uma transformação radical, que tomará nossa “carne” (= existência humana) totalmente diferente. Diz Paulo (1 Cor 15,44) que o que era um corpo biopsicológico (“carnal”) será transformado num corpo “espiritual”, assumido no poder vivificador de Deus que chamamos o seu Espírito. Não é fácil imaginar isso, mas podemos pensar que a vida eterna é a consagração e confirmação do amor a Deus e ao próximo que tivermos vivido aqui na terra – a única coisa que levaremos para o além! PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Encontro de secretárias e secretários das Regiões Episcopais I e II

Na última segunda e terça-feira, respectivamente 04 e 05 de novembro, foi realizado no Centro Pastoral Guadalupe (EFAC), em Bragança, um encontro de formação para as secretárias e secretários das paróquias que compõem as regiões episcopais I e II, respectivamente Nossa Senhora do Rosário e São Francisco de Assis. O encontro foi iniciado com o almoço no dia 04 e finalizado com o almoço do dia 05. Apesar de uma duração relativamente curta, a programação do evento foi bem intensa... No primeiro dia, após um momento de oração, foram abordados os seguintes temas: O papel da secretária (o), tema apresentado por Dom Jesus; Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, que foi tratado pelo Sr. Cesar Machado. No segundo dia de encontro, dia 05 pela manhã, foram abordados os seguintes temas: Termo de voluntariado, com a Sra. Joenia Nunes; Organização no ambiente de trabalho, apresentado pela Sra. Elane Corrêa; Contabilidade, tratando principalmente do Sistema Eclesial e outras dúvidas contábeis, assunto tratado pelas Sras. Luciana Teixeira e Maricely Sarges; e por ultimo, não menos importante, o Sr. Delano tratou das questões relativas ao departamento de pessoal, ao recrutamento e seleção, tipos de contratos, RPA, etc.  Este já é o segundo encontro desse tipo realizado em 2019. Dessa vez realizado de forma descentralizada: um primeiro em Paragominas, para as regiões III e IV; e esse segundo para as regiões I e II. Isso se faz necessário para manter a unidade na diocese e devido as constantes mudanças nas leis, sistemas e de pessoal nas secretarias das paróquias. É importante ressaltar que, além dos secretários e secretárias paroquiais, também estiveram presentes vários párocos; o que é extremamente importante para que a organização aconteça da melhor forma, com pároco e secretária falando a mesma linguagem dentro das paróquias. Por Diocese de Bragança

Região Episcopal Pe. Marino Contti realiza Missa de encerramento do Mês Missionário Extraordinário

O Papa Francisco proclamou o mês de outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário com o tema: “Batizados e enviados”. O objetivo é despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. Trata-se de acontecimento eclesial de grande importância que abrange todas as Conferências Episcopais, os membros dos institutos de vida consagrada, as sociedades da vida apostólica, as associações e movimentos eclesiais. Na Região Episcopal Pe. Marino Contti que envolve as paróquias de São Raimundo Nonato de Aurora do Pará, São Francisco de Assis de Mãe do Rio, Nossa Senhora da Piedade em Irituia e São Miguel Arcanjo e Cristo Crucificado em São Miguel do Guamá, a santa missa de abertura do Mês Missionário Extraordinário aconteceu na Paróquia de Mãe do Rio no dia 01 de outubro. Para o encerramento do mês, a santa missa aconteceu no dia 31 de outubro, na Paróquia de São Miguel Arcanjo em São Miguel do Guamá, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Com fieis que vieram de todas as paróquias desta Região Episcopal, a santa missa iniciou as 19h30 com a presidência de Pe. Aldo Fernandes e concelebrada pelos padres das paroquias que formam a Região. Durante a santa missa, procissões, apresentações e testemunhos animaram mais ainda a compreensão do pedido do Papa Francisco para que haja missão na Igreja toda, no mundo inteiro. Coincidentemente a cidade de São Miguel do Guamá completava no mesmo dia 146 anos de emancipação e contou com a presença do prefeito Antonio Leocádio, de secretários municipais e do povo guamaense que foi celebrar a eucaristia. Ao final da santa missa, foi servido um jantar para todos os participantes ao som do coral municipal do CRAS e CREAS de São Miguel do Guamá e do grupo de carimbó Brasileirinhos do Guamá. Por Laury de Jesus Paróquia N. S. da Piedade

Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Bragança, realiza a VI Caminhada da Juventude.

Nos dias 25, 26 e 27 de outubro, cerca de 500 jovens, das comunidades urbanas e rurais da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, realizaram a VI Caminhada da Juventude. Com o tema “Batizados e enviados: juventude em missão”, o evento contou com palestras, Santa Missa, Adoração, além de gincanas e momentos de lazer. A caminhada foi organizada pelos grupos de jovens da Paróquia e das comunidades, com o apoio de Pe. José Calazans, Pároco; Pe. Ari Silva, Vigário auxiliar; Ir. Onesir, da congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus; Ir. Joana e Ir. Luzia, da congregação das Irmãs Teresitas; e dos seminaristas Aleuto e Solano, além da participação do Pe. Carlos Afonso, pároco da Paróquia São Sebastião em Tracuateua; Pe. Valdir, reitor do Seminário São Paulo VI; Pe. Valmir, visitante e Pe. Gerenaldo Messias, pároco da Paróquia São João Batista, em Bragança. Os jovens foram divididos em dois distritos, saindo em caminhada simultânea das Comunidades de São Tomé (Jararaca) e Nossa Senhora da Conceição (Km 22 do Montenegro), chegando à Igreja Matriz por volta das 9h. Junto à juventude, chegou à Matriz a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, como parte da programação do Círio de Bragança. Após acolhida dos jovens e da imagem, houve animação e, em seguida, Celebração Eucarística, encerrando solenemente a Caminhada da Juventude do ano de 2019, na data em que se comemora o Dia Nacional da Juventude. Por Jadson Aviz Fotos: Thiago Costa e Robson Rodrigo

Solenidade de Todos os Santos

A arte de lavar roupa na lama Frei Gustavo Medella “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,9.14b). Roupas brancas alvejadas no sangue. É claro que se trata de uma linguagem simbólica da qual lança mão o Evangelista João no Livro do Apocalipse. Pensando-se literalmente, pareceria bastante estranho alguém conseguir alvejar uma roupa branca em sangue. No mínimo, a peça ficaria tingida da rubra cor. No entanto, ao examinarmos a cena sob o ocular do paradoxo da Encarnação de Deus em Jesus Cristo e de todo percurso empreendido pelo Filho do Homem – Paixão, Morte e Ressurreição – podemos intuir que, na lógica cristã, ser santo significa estar disposto a tornar-se puro lidando com impurezas – as próprias e as dos outros – e, não obstante os riscos que elas trazem consigo, manter-se firme na fé. O Mestre percorreu este caminho e ressurgiu glorioso, com as vestes alvejadas no sangue da cruz. Ele nos chama a seguir pelo mesmo caminho. A grande força para este empenho é a certeza do crente de que Deus jamais o abandona. Esta foi a conduta de Cristo e é o caminho que Ele propõe aos cristãos. A busca da santidade se dá no concreto da existência, entre conquistas e fracassos, entre limites e superação, entre graça e perdição. Construir uma vida santa é sentir-se parte de uma Igreja que não tem medo de se sujar quando parte em resgate daqueles que estão atolados na lama do vício, do pecado, da injustiça e do sofrimento. Quanto mais o cristão descobre a graça que é entregar-se por amor àqueles que jazem à beira do caminho, mais entusiasmo ele descobre em sua vocação de batizado, mais radiante é o seu testemunho e, para usar a imagem do Apocalipse, mais suas vestes são alvejadas no sangue do Cordeiro que continua a ser derramado naqueles que doam sua vida em favor do Reino.   Todos os Santos Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos dais celebrar numa só festa os méritos de todos os Santos, concedei-nos por intercessores tão numerosos a plenitude da vossa misericórdia”. Primeira leitura: Ap 7,2-4.9-14 Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Quando o autor do Apocalipse escreve, os cristãos sofriam grandes perseguições por parte do Império Romano. O embate não se dá entre romanos e cristãos, mas entre o Império e o imperador simbolizados no dragão voraz, e o Cordeiro Imolado, que é Cristo Jesus. O vidente recebe a ordem de Cristo para escrever em seu livro tanto “as coisas presentes como as que acontecerão depois”. No presente, um anjo, com “a marca do Deus vivo”, pede que os anjos exterminadores esperem até que ele tenha assinalado os que serão salvos, antes da batalha final do Cordeiro imolado contra o dragão voraz. O visionário, por sua vez, “vê” o triunfo final dos que estão vestidos de branco porque “lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro”. São 144 mil, 12 mil de cada tribo de Israel; são os mártires que deram testemunho da fé cristã pelo sacrifício da própria vida. Para o futuro, vê uma imensa multidão, representantes de nações, tribos, povos e línguas que participarão da vitória do Cordeiro ressuscitado. Salmo responsorial: Sl 23   É assim a geração dos que procuram o Senhor. Segunda leitura: 1Jo 3,1-3 Veremos Deus tal como é. O autor desta Carta se encanta com o “presente de amor que o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus”, e o somos de fato. Viver consciente dessa fé nos enche de uma alegre esperança, porque “quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos tal como ele é”. O caminho para chegarmos a esta comunhão com Cristo, o Filho de Deus, foi seguido pelos Santos. É o caminho das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Evangelho). Para “ver a Deus” é preciso seguir o caminho de Jesus Cristo: aprender a vê-lo presente nos pobres, famintos, sedentos de justiça, presos injustamente, desabrigados que necessitam de nosso amor (cf. Mt 25,31-40). Aclamação ao Evangelho Vinde a mim todos vós que estais cansados, e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor. Evangelho: Mt 5,1-12a Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Há dois domingos o Evangelho apontava para o jovem rico o caminho do seguimento de Jesus como o caminho seguro do Reino de Deus, para alcançar a vida eterna. Hoje, Festa de todos os Santos, o evangelista Mateus explicita nas bem-aventuranças o programa do Caminho a seguir nesta vida, para ganharmos a “grande recompensa nos céus (v. 10 e 12). Antes de tudo é preciso ter presente que “Reino dos Céus” em Mateus equivale a “Reino de Deus” em Marcos e em Lucas. Portanto, “Reino dos Céus” não se identifica com a recompensa final da vida eterna em Deus (cf. Mc 10,17-30). Antes, é o caminho que Jesus preparou para o cristão percorrer, aqui na terra, a fim de ganhar a vida eterna. Mateus escreve para cristãos de origem judaica. Por isso, em respeito à tradição judaica, evita pronunciar a palavra “Deus” e a substitui pela palavra “Céus”. Entre os bem-aventurados Mateus cita três grupos (Raul Ruijs). O primeiro grupo é dos sofredores: os pobres, os aflitos, os mansos (humildes) e os que têm fome e sede de justiça (v. 3-6). O segundo grupo é dos que socorrem os necessitados do primeiro grupo: são os misericordiosos, os puros de coração e os que promovem a paz (v. 7-9). O terceiro grupo é composto pelos do primeiro e do segundo grupo, que vivem o projeto do Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. São perseguidos porque são solidários com os pobres, os aflitos, os humildes e injustiçados e os defendem. São caluniados e perseguidos pelo simples fato de serem cristãos. Não podemos pensar que a formulação de algumas bem-aventuranças no futuro signifique algo que Deus vai realizar sem a nossa participação, somente na vida eterna. Deus enviou seu Filho ao mundo para nos trazer o Reino de Deus, o Reino que pedimos no Pai-Nosso. Jesus pôs em prática o programa deste Reino que veio anunciar. Quem quer seguir o caminho de Jesus deve assumir também o seu programa. Assim, os aflitos serão consolados quando nós os consolarmos. Os mansos possuirão a terra quando nós lutarmos com eles. Os que têm fome e sede de justiça serão saciados quando nós os defendermos. Os miseráveis e pobres alcançarão misericórdia quando nós tivermos compaixão deles. Os Santos que hoje festejamos seguiram o exemplo de Jesus e colocaram em prática as bem-aventuranças. Ele é o modelo para todos nós: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença. Vendo o povo, Jesus sentiu compaixão dele porque estava cansado e abatido como ovelhas sem pastor” (Mt 9,35-36). – O Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, depois de nos ter alimentado pela Palavra de Deus, vai agora nos alimentar pela Eucaristia. Assim alimentados, vamos também nós cuidar de nossos irmãos sofredores, mostrando a eles o amor misericordioso de nosso Bom Pastor. Aos que assim o fizerem, Jesus Cristo como justo juiz os acolherá na vida eterna: “Vinde, abençoados por meu Pai… porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive nu e me vestistes…” (Mt 25,34-35).   Vivemos em comunhão Frei Clarêncio Neotti Nossa alegria na festa de hoje tem ainda outra razão. A Igreja nos ensina que somos uma ‘comunhão’ com todos os cristãos da terra e com todos aqueles que morreram na amizade de Deus. Rezamos sempre no Credo: “Creio na comunhão dos santos”. Diz o Credo do Povo de Deus, elaborado pelo Papa Paulo VI, em 1968: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta de nossas orações” (n. 30). Essa comunhão é dinâmica, porque os santos podem interceder por nós junto de Deus. Ensina o Catecismo: “Pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (n. 956).   O delicado tema da santidade Frei Almir Guimarães ♦ Mais um vez estamos comemorando a Solenidade de Todos os Santos. Duas leituras sempre voltam na liturgia desse dia: a festa na glória segundo o Apocalipse e as bem-aventuranças do evangelista Mateus. Bem-aventurados, felizes estes e aqueles. Pode-se ligar o tema da santidade de vida com a felicidade das bem-aventuranças. Ficamos sempre chocados com essa felicidade na perseguição e nas lágrimas decantada por Jesus no monte das bem-aventuranças. Aparentemente uma felicidade pelo avesso. ♦ Santo, santidade: conceitos que precisam ser bem entendidos. Santo é o Altíssimo. Tudo nele é transparência e verdade. Dele tudo emana. Os serafins de Isaías diziam, com voos reverentes: santo, santo, santo. Diante dele tiramos as sandálias dos pés como Moisés no Horeb ou cobrimos o rosto como Elias à porta da caverna. E, no entanto, somos nós chamados a ser santos. Soa sempre aos nossos ouvidos o “Sede santos, como vosso Pai é santo”. Que desafio! ♦ Há os santos canonizados e representados em imagens que veneramos e não adoramos. Há também e sobretudo a multidão de santos anônimos que nunca serão elevados à dignidade dos altares mas estão no face a face com o Altíssimo. Não nos tornamos seres santos à força de jejuns e macerações, nem de repetições de fórmulas de oração. Quem nos santifica é o Senhor. Somos barro, massa nas mãos do oleiro. Na medida em que nos desvencilhamos de nós mesmos, em que abrimos espaço em nossa vida para que o Senhor atue é possível que ele opere maravilhas em nós pessoalmente e como membros de sua Igreja. O santo é obra de arte de Deus. ♦ Santo é aquele que consegue ouvir de maneira absoluta os desígnios do Altíssimo. É, antes de tudo, um atento ouvinte do Senhor e que passa a fazer dele o ar que respira e o objeto dos mais íntimos de seu coração. Amando o Amor e retribuindo amor com amor. Insistimos: na audição mais íntima do Amado, na convivência com o Evangelho vivo que tem o nome de Jesus. Ouvir e pôr amorosamente em prática o que nos é pedido. É ele que nos dá a força de amá-lo. Santo é aquele que precisa estar no eremitério, sabendo este pode estar no espaço onde moram os leprosos, como aconteceu com Francisco de Assis. O santo vive uma tensão entre o levantar os caídos e se fazer presente na entreaberta clausura de seu interior. ♦ Santo é aquele que opta pelo bem querer a todos. Os de perto e os de longe. São os que dizem de verdade: “A vosso serviço”. Deixando de privilegiar seus projetos e dedicando-se à urgente tarefa de levantar os caídos socorre aqueles que são irmãos: um filho especial, os caídos e excluídos, um pai doente, dando voz e vez aos que não têm nem voz, nem vez. Gasta e desgasta-se em fazer pão dos famintos e cobertor para os que tremem com inverno da solidão. Os santos são pessoas boas. Anjos caídos do céu. ♦ Se a santidade é operada por Deus ela se torna possível na medida em que lhe desobstruímos o caminho. Por isso, felizes, bem-aventurados: >> Bem-aventurados os pobres. Não se trata de amar a miséria, de dar tudo e de viver ao-deus-dará. Trata-se de viver com digna sobriedade, sabem viver com pouco, não colocando o coração nos tesouros que a traça costuma corroer. Pessoas simples e sem aparatos e prosopeia. Pobres com a abundância das coisas necessárias. Os pobres em espírito sempre se espelham na pobreza de Jesus desde o nascimento até à morte no madeiro do abandono. Francisco de Assis chamava essa pobreza de Dama Pobreza. As outras bem-aventuranças de Mateus dependem da pobreza de coração. >> Felizes os aflitos e sofridos de toda sorte que não se puseram a arrancar os cabelos, mas deram tempo ao tempo, sem revolta, mas sem entregar os pontos. Os aflitos que serão pessoas que esbravejam, que colocam seus argumentos com meridiana clareza, mas pedem justiça. Não são violentos, mas também não são apáticos e inertes. Essa gente possuirá a terra. >> Felizes os famintos e sedentos de justiça, que não perderam o desejo de serem mais justos e de clamarem por justiça Famintos da verdade, da vida. Nunca satisfeitos com etapas vencidas. Indo sempre adiante. Felizes os sedentos de Deus. Infelizes os contentes e saciados com sucessos aparentes e passageiros e as primeira etapas vencidas. Felizes serão os seres de desejo. Um dia seus desejos serão plenamente saciados. >> Felizes os misericordiosos… são os que têm o coração voltado para o que inspira piedade, o frágil, o que cai. O contrário do misericordioso é a pessoa intransigente. Atuam e agem por compaixão. Não têm um coração endurecido. São mesmo capazes de perdoar. >> Felizes os que trabalham pela paz… ou seja os que constroem a paz que sempre é fruto da justiça. Paz aceitando as diferenças, paz num diálogo de gente madura. Paz entre os membros de um família, paz quando se busca diminuir as desigualdades. Paz que nos chega pelo perdão do Senhor. Paz que não pacifismo nem inércia. >> Felizes os que choram… por serem fiéis ao Evangelho, por se arrependerem de ter magoado a estes e aqueles. Choram porque não conseguem vencer dificuldades. Benditas lágrimas! >> Felizes os perseguidos … porque incomodam com seu modo de viver, parecido com o dos profetas e de Jesus. São os mártires, embora não lhes tenham sido arrancada a vida do corpo. Concluindo Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho de Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais expressivo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já na terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus (Pagola). Todos os santos… os santos todos… Francisco de Assis, Teresa de Calcutá, Dietrich Bonhoefer da Alemanha, Gandhi da Índia e Dulce de Salvador, nossa vizinha essencialmente boa e transparente. Eles foram vitoriosos na delicada arte de viver. Santos. Para rezar E então, felicidade, onde tu estás? Felicidade,estás dentro de mim,cabe deixar possuir-me por ti. Tu estás nos bem pequeninosque fazem um gesto de carinho,na criança que dá seus primeiros passos.Estás no estudante que aprendeu bem a liçãoe ganhou uma boa nota.Tu estás no “te amo muito” cochichado ao ouvido,na música que me deleita,na volta de alguém ternamente amado,no vizinho que nos perdoou,eu te vejo nos outros,pressinto tua presença em todo esforçobem sucedido em vista do amortudo estás dentro e fora de mim.“Felicidade é uma casinha pequenina com gerâniose flor na janela… e uma rede…”   É bom crer José Antonio Pagola Muitas vezes se pensa que a fé é algo que tem a ver com a salvação eterna do ser humano, mas não com a felicidade concreta de cada dia, que é o que precisamente agora nos interessa. Além disso, há os que suspeitam que sem Deus e sem religião seríamos mais felizes. Por isso é conveniente lembrar algumas convicções cristãs que caíram no esquecimento ou ficaram encobertas por uma apresentação errada ou insuficiente da fé. Eis a seguir algumas delas. Deus nos criou só por amor, não para seu próprio proveito ou penando em seu interesse, mas buscando a nossa felicidade. A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem. Deus quer a nossa felicidade não só a partir da morte, na assim chamada “vida eterna’, mas agora mesmo, nesta vida. Por isso está presente em nossa existência potenciando nosso bem, nunca nosso dano. Deus respeita as leis da natureza e a liberdade do ser humano. Não força a liberdade humana nem a criação. Mas está junto de nós apoiando nossa luta por uma vida mais humana e atraindo nossa liberdade para o bem. Por isso, em cada momento contamos com a graça de Deus para sermos o mais felizes possível. A moral não consiste em cumprir leis impostas arbitrariamente por Deus. Se Ele quer que demos ouvidos às exigências morais que levamos dentro do coração, é porque seu cumprimento é bom para nós. Deus não proíbe o que é bom para o ser humano nem obriga ao que pode ser prejudicial. Ele só quer o nosso bem. Converter-se a Deus não significa decidir-se por uma vida mais infeliz e fastidiosa, mas orientar a própria liberdade para uma existência mais humana, mais sadia e, em última análise, mais feliz, ainda que isso exija sacrifícios e renúncia. Ser feliz sempre tem suas exigências. Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho aberto por Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais significativo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já nesta terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus.   A comunhão dos Santos Pe. Johan Konings Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos… Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”. As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação. Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele. A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos. Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente. Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência! Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele. Imagem: bombeiros buscam corpos na lama de Brumadinho Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Círio de Nossa Senhora do Rosário, em Bonito PA.

No último domingo de outubro, 27, a comunidade paroquial de Bonito, Paróquia São Pedro Apóstolo, saiu às ruas para celebrar mais um círio em honra de Nossa Senhora do Rosário. Centenas de fiéis acompanharam a berlinda que levava a imagem da Mãe do Rosário, que passou em várias ruas da cidade e recebeu muitas homenagens. Ao fim da procissão foi celebrada a Santa Missa, presidida pelo pároco Pe. Aldeci Moraes. Mas, a grande festa do círio não se resume apenas a procissão de domingo pela manhã. Vários momentos foram celebrados durante a semana que antecedeu o dia 27. Por exemplo, no dia 23 aconteceu   a primeira Ramaria Rodoviária da história dos círios de Bonito. Já no dia 25 aconteceu a primeira Ramaria   da Juventude, que saiu da comunidade Santo Antônio e foi até a Matriz. Lá houve a Missa presidida pelo Padre Elias e concelebrada pelo Pe. Aldeci. E no sábado, dia 26, após a Missa foi o traslado da imagem até a Capela Nossa Senhora do Rosário, de onde saiu a Procissão do Círio no dia seguinte. O círio 2019 teve como tema: Maria Mãe Missionária. A programação de domingo, dia 27, teve início com a Santa Missa dos promesseiros as 7:00h da manhã na Capela Nossa Senhora do Rosário. Quem a presidiu foi o reitor do Seminário Paulo VI, Pe. José Valdir. As 8:30h da manhã foi a saída da procissão, que passando por várias ruas da cidade chegou a Igreja Matriz onde houve a Missa de encerramento. Por Diocese de Bragança

30º Domingo do Tempo Comum

O desafio de ser juiz de si mesmo  Frei Gustavo Medella  Volta, na Liturgia, o tema da justiça e do juiz. Na última semana, Jesus apresenta o juiz prepotente da Parábola que contou para ensinar a necessidade de se rezar sempre e jamais desistir. Nesta semana, aparece a figura do Senhor como Justo Juiz, à qual fazem referência o livro do Eclesiástico (Eclo 35, 15b-17.20-22a), na 1ª Leitura, e o Apóstolo São Paulo (2Tm 4,6-8.16-18), na 2ª Leitura. O Justo Juiz não faz acepção de pessoas nem é parcial em prejuízo do pobre e do fraco. Age com prudência, não se guia por interesses pessoais nem por ambições que traz no coração. Justiça não combina com egoísmo e muito menos com ambição. O bom e verdadeiro juiz, inspirado pela justiça divina, procura, em primeiro lugar, ser juiz de si mesmo, mantendo-se conectado ao húmus, à terra do chão da qual provem todo ser humano. Justiça combina, e muito, com humildade. Humildade manifesta pelo sóbrio publicano que, diante do Justo Juiz, ao fazer-se juiz de si mesmo, percebe-se pecador e entrega-se confiante à misericórdia do Senhor. Ponto para ele! A humildade o liberta do orgulho, da prepotência e de uma imagem enganadora de si mesmo. Tendo olhos atentos para as próprias misérias e renovando sua confiança na Bondade do Pai, provavelmente também saberá ser justo e compassivo para com os outros, sem julgá-los e condená-los para parecer mais santo e justo na presença de Deus, postura adotada pelo fariseu. Este último, aliás, aliena-se no próprio orgulho e na prepotência. Em vez de fazer-se servo e irmão de seu próximo, utiliza-o como “escada”, pois tem a ilusão de que, pisando no outro, estará mais alto e, consequentemente, mais próximo de Deus. Tem dificuldade de perceber que, em Jesus Cristo, Deus nos manda seguir um caminho oposto. Quem deseja subir, deve, necessariamente, dispor-se a descer aos últimos degraus do serviço e da humildade, para ali encontrar o grande tesouro do amor generoso de Deus.   30º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”. Primeira leitura: Eclo 35,15b-17.20-22a A prece do humilde atravessa as nuvens. A primeira leitura coloca-se no contexto dos sacrifícios oferecidos a Deus (35,1-14). O sábio recomenda que os sacrifícios sejam oferecidos com generosidade. Insiste, porém, que a Deus agrada mais a prática do bem do que o sacrifício: observar os mandamentos do Senhor, praticar a caridade, dar esmolas e afastar-se da injustiça. Alerta que, sem a vivência do amor ao próximo, o sacrifício seria uma inútil tentativa de subornar a Deus (v. 14; cf. Os 6,6). A leitura de hoje completa os pensamentos do texto anterior e nos convida a buscar um relacionamento com Deus pela oração e a prática do bem, sem a mediação de sacrifícios. Parte do princípio que Deus não se deixa subornar com generosos sacrifícios (v. 14), como acontecia com juízes injustos de seu tempo, que vendiam a sentença em favor dos ricos e prejuízo dos pobres. Quando julga, Deus não olha o quanto alguém lhe possa oferecer por uma sentença favorável, mas sempre escuta a súplica do pobre e do oprimido. O pobre não tem como pagar a Deus, porque é pobre, nem o rico, porque é rico. A sentença é gratuita. Deus não discrimina ninguém, mas tem sua preferência pelos desfavorecidos, pobres, oprimidos, órfãos e viúvas que lhe pedem socorro. E se Deus atende a súplica do órfão e da viúva, também atenderá a súplica de quem “o serve como ele quer”, isto é, age em favor dos pobres e sofredores. A prece, porém, deve ser humilde e persistente como a dos pobres; a súplica deles não descansa enquanto não “atravessar as nuvens” e for atendida por Deus. E Deus, que é justo juiz, certamente fará justiça para quem lhe pede socorro. A imagem que o sábio tem de Deus se aproxima à de Jesus na parábola do juiz injusto e da viúva pobre (29º domingo). Salmo responsorial: Sl 33 O pobre clama a Deus e ele o escuta:             o Senhor liberta a vida dos seus servos. Segunda leitura: 2Tm 4,6-8.16-18 Agora está reservada para mim a coroa da justiça. Na 2ª leitura ouvimos uma parte do que é considerado “o testamento do Apóstolo” (4,1-8). Paulo tem consciência que é pecador, salvo pela graça de Deus (1Tm 1,13; Gl 1,11-16a). Sabe que sua partida deste mundo está próxima. Considera-se pronto para ser oferecido em sacrifício, o martírio. Vale-se da linguagem esportiva para falar da missão cumprida: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Paulo guardou não só a fé, mas também a esperança de receber do Senhor, justo Juiz, a coroa da justiça, reservada para ele e para todos os que aguardam com amor a sua vinda gloriosa, no fim dos tempos. Por fim, para dar ânimo a Timóteo, Paulo lembra-lhe o quanto foi decisiva a força da graça divina para que ele cumprisse fielmente a missão que Cristo lhe confiou. Por isso entrega-se confiante nas mãos do Senhor que o livrará de todo o mal e o salvará para o Reino celeste. E conclui: “Ao Senhor a glória, pelos séculos dos séculos! Amém”. – Bem diferente é a postura do fariseu que glorifica a si mesmo e não a Deus (Evangelho). Paulo manifesta uma profunda união com Cristo, vivida com fé, esperança e amor. Como eu vivo a união com Cristo com os irmãos? Aclamação ao Evangelho: 2Cor 5,19    O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua Palavra;             a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva. Evangelho: Lc 18,9-14 O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não. Domingo passado ouvimos a parábola da viúva pobre que com persistência clamava por justiça, até conseguir dobrar o juiz injusto para lhe fazer justiça. Jesus contou essa parábola para mostrar aos discípulos “a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Jesus revelou um pouco da imagem de Deus misericordioso, que atende à prece humilde e persistente do pobre. O Evangelho de hoje é a continuação do domingo anterior. Jesus conta mais uma parábola, agora para ilustrar a maneira mais adequada de se relacionar com Deus, que é a oração humilde. Lembremos que Jesus está em viagem com os discípulos e o povo rumo a Jerusalém. Era a romaria anual que se fazia por ocasião das festas da Páscoa judaica. Todos se dirigiam ao Templo, “a casa de oração”, meta da romaria (Lc 19,45-46). É neste contexto que Jesus conta a parábola do fariseu e do cobrador de impostos. Ambos entram no Templo para rezar. Os fariseus se consideravam justos e retos, um exemplo da fiel observância da Lei. Os cobradores de imposto (publicanos) exerciam uma profissão ingrata. Os publicanos tinham um chefe e recebiam uma comissão pelo valor arrecadado. Os da escala mais baixa cobravam diretamente do povo as taxas de alfândega exigidas pelos romanos e, descontada a comissão, repassavam o dinheiro ao seu chefe. Os cobradores de imposto faziam o “serviço sujo”, aumentando a sua comissão; eram odiados pelo povo desprezados como pecadores pelos fariseus. – O fariseu rezava de pé, mas não veio para pedir perdão. Não colocou a Deus como centro de sua oração. Fez dele mesmo o centro de sua oração, e dizia: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros ou como este cobrador de impostos”. Considerava-se perfeito porque jejuava duas vezes por semana e pagava direitinho o dízimo. O fariseu não se apresenta a um Deus pessoal, mas diz “Ó Deus”, um Deus distante que deve reconhecer sua justiça (1ª leitura). Não se encontra, nem se confronta com Deus. Apenas se compara com “os outros homens”, que são pecadores. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância; de cabeça baixa, nem ousava levantar os olhos para o céu. Com humildade, batia no peito e dizia: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. Jesus mesmo tira a lição desta parábola: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.   Fariseu mais que perfeito Frei Clarêncio Neotti O quadro que Jesus compõe é perfeito: aos olhos humanos, tanto o fariseu quanto o publicano fizeram boa oração. Os fariseus levavam muito a sério o cumprimento das Leis. Numa Jerusalém que chegava perto dos 30 mil habitantes, os fariseus, talvez, não chegassem a seis mil, mas tinham grande influência sobre o povo. Deles faziam parte os escribas (mestres da Lei) e parte da classe sacerdotal. Para eles a Lei era a expressão da vontade de Deus. Cumprir a Lei em seus pormenores era cumprir inteiramente a vontade de Deus e, portanto, ser merecedor de todas as graças e privilégios. O fariseu que hoje reza no Templo ultrapassa o fariseu perfeito. A Lei exigia um jejum por ano, no dia da Reconciliação (Lv 16,29-39). Ele, porém, jejuava duas vezes por semana. Provavelmente para expiar os pecados do povo ignorante e assim desviar a ira de Deus, que poderia castigar com catástrofes nacionais, como acontecera várias vezes na história. A Lei mandava pagar o dízimo do trigo, do óleo, do vinho novo e entregar no Templo o primogênito dos animais. O nosso fariseu declara que paga o dízimo de todas as suas rendas, talvez para reparar o crime legal dos comerciantes que não pagavam na fonte. Amor e humildade Também a forma de o fariseu rezar é muito boa: entre os judeus se fazia, sobretudo, oração de louvor e agradecimento, que é sempre melhor do que a oração de pedidos. Reza em pé, não por orgulho, mas porque os judeus costumavam rezar em pé. Tudo parece certo: oração em público, no Templo, lugar privilegiado para a oração; oração de agradecimento por fazer as coisas melhor do que era sua obrigação. Onde está o erro fundamental, que anula por inteiro a oração, impedindo sua justificação (o perdão e a santificação)? São dois os erros. O primeiro é o desprezo pelos outros, ainda que pecadores (v. 13). Aqui está uma medida indicada várias vezes por Jesus para sabermos o tamanho e a intensidade do nosso amor a Deus. Amamos a Deus não na medida do cumprimento das leis, mas na medida do amor que temos ao próximo, incluídos os que não nos amam ou não pensam como nós. O Apóstolo Paulo, no capítulo 13 da Carta aos Coríntios, enumera todas as qualidades possíveis numa pessoa, para dizer: “Mas, se eu não for caridoso, nada sou” (1 Cor 13,1- 3). O segundo erro do fariseu é a autojustificação. Deixa entrever que se santifica a si mesmo e nada precisa de Deus a não ser recompensa. Não é o fato de enumerar as coisas boas que faz que esteja errado. Há salmos que também enumeram bens feitos (por ex. Sl 17,2-5). Mas nosso fariseu esquece que toda justificação vem de Deus, porque só Deus é a fonte da santidade.   Daqueles que podem acolher o olhar compassivo do Senhor Frei Almir Guimarães A prece do humilde atravessa as nuvens.Eclesiástico ♦ Lucas continua a nos formar no tema da oração. Nunca seremos totalmente instruídos na delicada arte da oração. Não receberemos um diploma de fim de curso. Ao longo dos caminhos de nossa vida precisamos ir revendo o modo de nos acercar do Altíssimo. Nunca é tarde para retomar o empenho de vida para o Senhor, vida de íntimo relacionamento com aquele que nos perscruta, nos vê, conhece nosso deitar e nosso levantar. Oração que não é mastigação de palavras, mas ato de oblação da vida ao Senhor em tudo e por tudo. Total e amorável entrega de nossa vida ao Amado. ♦ Os que buscamos o Senhor sabemos que a primeira condição de sucesso na “convivência” com o Senhor é uma postura de consciência de nossa verdade. Somos buscadores das estrelas, mas muitas vezes permanecemos na banalidade das coisas mais   baixas. Os que se acercam do Senhor fazem-no com profunda humildade. Não trazem títulos que foram colando em seu corpo e em sua mente. Humildade: reconhecimento de nossos limites e fraquezas. Não somos Deus e não queremos competir com ele. ♦ A parábola deste domingo é dirigida aos que se consideram justos e perfeitos quase que pela mera observância de regulamentos, mesmo oriundo das Escrituras. Não somente isso. Os que assim se julgavam “desprezavam” os pecadores. ♦ Templo, espaço de oração. Dois homens. O primeiro é um observador da lei, um garboso cumpridor de tudo. O homem está satisfeito consigo mesmo. Correto, sem erros, tudo em ordem. Ele parece feliz de ser o que é com suas observâncias. Ora em pé, seguro, sem temor algum. Sua consciência não o acusa de falta alguma. De seu coração brota espontaneamente o agradecimento: “Meu Deus, eu te dou graças”. Não é como os outros. Não é ato de hipocrisia. Tudo o que ele diz é real, cumpre todos os mandamentos da lei. Jejua todas as segundas e quintas pelos pecados do povo, embora seja o brigado a fazê-lo uma só vez, no Dia da Expiação. Uma vida irrepreensível. ♦ A oração do coletor de impostos é diferente. Entra discretamente. Não abre os braços contando vantagens. Fica atrás, porque sabe que não é digno do local sagrado. Nem sequer se atreve a levantar os olhos do chão. Reconhece seu pecado.  Manifesta sua vergonha. Não se atreve a nada prometer. Não pode restituir o que roubou por desconhecer a identidade das pessoas que prejudicou. Não pode abandonar o trabalho necessário para seu sustento e dos seus. Recorre  à misericórdia do Senhor:  “Meu  Deus, tende compaixão porque sou pecador”.  Uma súplica humilde de misericórdia. ♦ O homem religioso que fazia mais do que a lei pedia, não encontrou favor diante de Deus. Segundo Jesus o coletor de impostos volta à casa reconciliado com Deus. Jesus pega a todos de surpresa. Rompe esquemas friamente legalistas, escandaliza seus ouvintes. ♦ “Jesus capta que sua mensagem é supérflua para os que vivem seguros e insatisfeitos em sua própria religião. Os justos quase não sentem que precisam de salvação. Basta-lhes a tranquilidade proporcionada pelo sentir-se dignos de Deus e diante da consideração de Deus “  (Pagola). ♦ Colocando-nos diante de Deus, exprimimos nosso louvor, nossa adoração, nossa homenagem pela sua grandeza amorosa.  Agradecemos seu amor, o Filho querido que nos enviou. Prometemos o melhor na linha de uma fidelidade criativa que vai crescendo ao longo do tempo da vida. Queremos atingir as estrelas, mas constatamos que giramos em torno de nós mesmos e dançamos a canção do egoísmo, somos indiferentes aos passantes, não  partilhamos o que somos e o que temos.  Precisamos delicadamente examinar nossa consciência. Confiar na misericórdia do Senhor. Haveremos de viver de verdade o ato penitencial da missa e procurar receber com humildade o sacramento do perdão. ♦ Os que vivem dramas, revoltas, momentos de desespero e mesmo tenham queixas para com o Senhor que se joguem na Bondade daquele que é a Misericórdia. Texto para a reflexão Não sei os que podem chegar a ler estas páginas. Nesse momento eu penso em vocês que se sentem incapazes de viver de acordo com as normas impostas pela sociedade; vocês que não têm força de o ideal moral estabelecido pela religião; vocês que estão enredados numa vida indigna; vocês que não se atrevem a olhar nos olhos da esposa nem dos filhos; vocês que saem da prisão para voltar novamente a ela; vocês que não podem escapar da prostituição…  não se esqueçam nunca: Jesus veio para vocês. (Pagola Lucas, p. 307) Oração QUERO SEGUIR-TE, SENHOR Tu me conheces e sabes o que eu quero,tanto meus projetos como minhas fraquezas.Não posso ocultar-te nada,  Jesus.Gostaria de deixar de pensar em mime dedicar mais tempo a ti.Gostaria de entregar-me inteiramente a ti.Gostaria de seguir aonde fores.Mas nem isso e atrevo a dizer-te,porque sou fraco.Tu o sabes melhor do que eu.Sabes de que barro sou feito,tão frágil  e inconstante.Por isso preciso  ainda mais de ti,para que me guies sem cessar,para que sejas  meu apoio e meu descanso.Obrigado, Jesus por  tua amizade!   Refugiar-se na compaixão de Deus José Antonio Pagola De acordo com Lucas, Jesus dirige a parábola do fariseu e o publicano a alguns que se presumem justos diante de Deus e desprezam os outros. Os dois protagonistas que sobem ao templo para orar representam duas atitudes religiosas contrapostas e irreconciliáveis. Mas, qual é a postura acertada diante de Deus? É esta a pergunta de fundo. O fariseu é um observante escrupuloso da Lei e um praticante fiel de sua religião. Sente-se seguro no templo. Ora de pé e com a cabeça erguida. Sua oração é a mais bela: uma oração de louvor e ação de graças a Deus. Mas não lhe dá graças por sua grandeza, por sua bondade ou misericórdia, e sim pelo que há de bom e grande nele próprio. Imediatamente, observa-se algo falso nesta oração. Mais que orar, este homem está se contemplando a si mesmo. Conta sua própria história cheia de méritos. Ele precisa sentir-se bem diante de Deus e exibir-se como superior aos outros. Este homem não sabe o que é orar. Não reconhece a grandeza misteriosa de Deus nem confessa sua própria pequenez. Buscar a Deus para enumerar diante dele nossas boas obras e desprezar os outros é coisa de imbecis. Por trás de sua aparente piedade esconde-se uma atitude “ateia”. Este homem não precisa de Deus. Não lhe pede nada. Basta-se a si mesmo. A oração do publicano é muito diferente. Ele sabe que sua presença no templo é malvista por todos. Seu ofício de cobrador de impostos é odiado e desprezado. Ele não se escusa. Reconhece que é pecador. O bater no peito e as poucas palavras que sussurra dizem tudo: -o Deus, tem compaixão deste pecador”. Este homem sabe que não pode vangloriar-se. Não tem nada a oferecer a Deus, mas sim muito a receber dele: seu perdão e sua misericórdia. Em sua oração há autenticidade. Este homem é pecador, mas está no caminho da verdade. Os dois sobem ao templo para orar, mas cada um traz em seu coração sua imagem de Deus e seu modo de relacionar-se com Ele. O fariseu continua enredado numa religião legalista: para ele o importante é estar em ordem com Deus e ser mais observante do que todos. O cobrador, pelo contrário, abre-se ao Deus do Amor que Jesus prega: aprendeu a viver do perdão, sem vangloriar-se de nada e sem condenar ninguém.   A oração do pecador Pe. Johan Konings Será preciso ser santo ou beato para rezar a Deus? Os simples pecadores precisam “delegar”as monjas ou algum padre muito santo para rezar por suas intenções? O Antigo Testamento ensinava que “a prece do humilde atravessa as nuvens” (1ª leitura). Jesus, no evangelho, faz deste humilde um pecador. Enquanto na frente do templo um fariseu, diante de Deus, se gloria de suas boas obras, um publicano – coletor de taxas a serviço do imperialismo estrangeiro – reza no fundo do templo com humildade e compunção. Jesus conclui: este foi, por Deus, declarado justo e absolvido, mas o fariseu, não. O mais importante na avaliação geral de nossa vida não é o número e o tamanho de nossos pecados, mas nossa amizade com Deus. Como no episódio da pecadora em casa do fariseu (Lc 7, 36-50), alguém pode ter pouco pecado e pouquíssimo amor, e outra pessoa pode ter grandes pecados e imenso amor. Quem nada faz, não peca por infração. Só por desamor… e para esta falta não existe remédio. Quem só pensa em si mesmo – como o fariseu -, como Deus pode ser amigo dele? É muito importante os pecadores manterem o costume de conversar com Deus, que chamamos de oração. É bom que saibam que Deus os escuta. Isso faz parte integrante da boa nova de Cristo (e da Igreja). A rejeição moralista dos pecadores é anticristã e contradiz o espírito da Igreja, que oferece o sacramento da penitência para marcar com sua garantia o pedido de reconciliação do pecador penitente. Importa anunciar isso a quantos estão “afastados”, por diversas razões (situação matrimonial irregular, vida sexual não conforme as normas, pertença à maçonaria, rejeição de alguns dogmas ou posicionamentos da Igreja etc.). Em alguns casos, estas pessoas poderiam ser plenamente reintegradas, mediante devida informação e diálogo. Em outros, a plena vida sacramental continuará impossível, mas mesmo assim devem saber que Deus é maior que os sacramentos e presta ouvido à oração de quem entrega sua vida quebrantada nas mãos dele. Importa anunciar isso sobretudo ao povo simples, marcado por séculos de desprezo e discriminação, falta de instrução, missas ouvidas na porta do templo. Suas preces do fundo do templo, como a do publicano, serão certamente atendidas! Hoje, muitos deles já podem avançar até perto do altar; oxalá não se tornem fariseus! Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

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