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Cúria Diocesana

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Comissão Diocesana de Liturgia disponibiliza material com Roteiros de Celebrações e Oração em Família.

Cumprindo o dever de mantê-los firmes na fé, perseverantes na oração e em comunhão com toda a Igreja, usamos das orientações da CNBB e de Ir. Penha Carpanedo que diz: “... Não poderemos sair de nossas casas para participar, com a comunidade, da memória dos últimos passos de Jesus e da alegria da sua Páscoa. Mas como filhos e filhas de Deus, em Cristo, pelo batismo, podemos erguer a ele o nosso coração, escutar e meditar a sua Palavra, partilhar o pão da nossa mesa em ação de graças, alegrar-nos com a presença de Jesus em nossas casas. Preparamos um roteiro para o domingo de Ramos e cada dia do Tríduo pascal, uma liturgia doméstica, baseada na liturgia da Igreja. São roteiros bem simples, que qualquer pessoa com pouca prática ministerial pode conduzir. Poucos cantos, e os mais comuns. Os grupos ou núcleos familiares com mais condições, podem enriquecer com outros cantos.” Nesse sentido, apresentamos-lhes os seguintes roteiros de celebração domiciliar a serem celebrados, em família ou individual, em nossas casas, nesta Semana Santa. Que na Ressurreição de Cristo encontremos verdadeiro significado para nossas vidas, renascendo em nós o amor e esperança. Logo abaixo você tem a possibilidade fazer download dos PDFs dos Roteiros de Celebrações nas Famílias e também dos Roteiros de Oração em Família. O material anexo diz respeito apenas ao período da Semana Santa, do Domingo de Ramos ao Domingo da Páscoa. Feliz e abençoada Páscoa! Comissão Diocesana de Liturgia Diocese de Bragança do Pará

Semana Santa 2020 na Diocese de Bragança do Pará

O que nós não gostaríamos de noticiar acontecerá: as celebrações da Semana Santa serão às portas fechadas. Infelizmente a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) só tem se alastrado cada vez mais; motivo que levou o Bispo da Diocese de Bragança do Pará, Dom Jesus Maria, seguindo orientações das autoridades e da Santa Igreja, a expedir decreto determinando "que nenhuma igreja ou capela da diocese seja aberta ao público para as celebrações da Semana Santa". Continuando com a missão de ajudar os fiéis da Diocese de Bragança, e os de fora da diocese que desejem acompanhar as celebrações, a Pastoral da Comunicação - Pascom entrou em contato com as paróquias para obter informações sobre os horários e os meios pelos quais as paróquias irão transmitir as celebrações da Semana Santa. Veja abaixo as paróquias que nos deram as informações e os meios pelos quais você pode acompanhar as celebrações nas respectivas paróquias:   Itinga do Pará – Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo de Ramos: missa às 07:30 Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo de Ramos: das 08:30 às 10:00 horas distribuição da Comunhão, evitando aglomeração.   Terça-feira Santa: celebração penitencial às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Quarta-feira Santa: missa pelos idosos e enfermos às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor, sem o lava pés, às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sábado Santo: ofício de Nossa Senhora às 06:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo da Páscoa do Senhor: das 08:30 às 10:00 horas distribuição da Comunhão, evitando aglomeração.   Rondon do Pará – Paróquia Nossa Senhora Aparecida: Domingo de Ramos: missas às 7:00 horas e as 18:00 horas Transmitida pela Rádio Rondon (FM 97,5), pelo Instagram (https://www.instagram.com/paroquiaderondon/), pelo Facebook (@paroquia.rondon) e Youtube (Paróquia de Rondon)   Paragominas – Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Paragominas, as transmissões normalmente acontecem pela TV Nazaré (Canal 43).   Paragominas – Santa Teresinha do Menino Jesus: Na Paróquia Santa Teresinha as transmissões normalmente são feitas pelo Instagram da paróquia (https://www.instagram.com/paroquiasantateresinha_pgm/) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/santateresinhaparoquia/)   Ipixuna do Pará – Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Ipixuna, as transmissões são realizadas via Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadeipixuna/) e algumas pela TV RBA (Canal 20).   Aurora do Pará – Paróquia São Raimundo Nonato: Na Paróquia São Raimundo Nonato os fiéis devem ficar atentos à página da paróquia no Facebook (https://www.facebook.com/psrnonatoaurora), por onde devem ser transmitidas as celebrações da Semana Santa.   Mãe do Rio – Paróquia São Francisco de Assis: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Segunda, Terça e Quarta-feira Santa: missas às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Irituia – Paróquia Nossa Senhora da Piedade: Na Paróquia Nossa Senhora da Piedade os fiéis devem ficar atentos a Rádio Nativa (FM 92,5) e ao Facebook da paróquia (https://www.facebook.com/paroquiadeirituiapa) para acompanharem as celebrações.   Nova Esperança do Piriá – Paróquia Nossa Senhora da Divina Providência: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 20:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Capitão Poço – Paróquia Santo Antonio Maria Zaccaria: Domingo de Ramos: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo de Ramos: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura).   Quarta-feira: celebração penitencial às 13:20 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura).   Bonito – Paróquia São Pedro Apóstolo: Na Paróquia São Pedro Apóstolo os fiéis devem ficar atentos a página da paróquia no Facebook (https://www.facebook.com/paroquiasaopedroapostolobonitopa) para acompanharem todas as celebrações da Semana Santa 2020.   Cachoeira do Piriá – Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo de Ramos: missa às 07:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 07:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Santa Luzia do Pará – Paróquia Santa Luzia: Domingo de Ramos: missa às 06:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 19:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sexta-feira Santa: Via Sacra às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 06:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Paróquias de Bragança – Catedral Nossa Senhora do Rosário, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São João Batista: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Segunda-feira Santa a Quarta-feira Santa: missas às 11:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Facebook (@diocesedebraganca) e Youtube (Pascom Diocese de Bragança).   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sexta-feira Santa: Via Sacra às 15:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sábado: ofício de Nossa Senhora às 08:00 horas Transmitida pelas Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sábado: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Augusto Corrêa – Paróquia São Miguel Arcanjo Na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Augusto Corrêa, os fiéis devem acompanhar as redes sociais da paróquia para acompanhar as celebrações: Facebook (https://www.facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3), Youtube (Pascom Paróquia de Augusto Corrêa) e Instagram (https://www.instagram.com/missa_paroquiasaomiguelac_18hs/). A Rádio Mania (FM 91,3) também transmitirá algumas celebrações.   Curupaiti – Paróquia Nossa Senhora do Rosário Domingo de Ramos: missa às 08:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Sábado Santo: Vigília Pascal às 18:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Domingo da Páscoa do Senhor: missas às 08:00 e 19:30 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Viseu – Paróquia Nossa Senhora de Nazaré Domingo de Ramos: missa às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Segunda-feira Santa: ângelus e Santa Missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Terça-feira Santa: ângelus, novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Quarta-feira Santa: ângelus, rosário e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Quinta-feira Santa: ângelus, terço da libertação e missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas. Em seguida haverá exposição do Santíssimo Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: meditação das 7 dores de Nossa Senhora às 08:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: sermão das 7 palavras de Jesus Cristo às 14:00 horas. Em seguida terço da misericórdia Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor e Via Sacra às 15:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Domingo da Páscoa do Senhor: Via Lucis e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   A Diocese de Bragança, por meio de seu bispo, faz votos de uma frutuosa Semana Santa a todo o seu povo. Neste tempo de dificuldades em que nos encontramos, continuemos unidos por meio da oração. Logo abaixo se pode fazer download do decreto de Dom Jesus sobre a Semana Santa. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor

Um Domingo de Ramos diferente para uma Semana Santa diferente Frei Gustavo Medella Uma Semana Santa diferente, aberta por um Domingo de Ramos diferente e precedido por uma Quaresma diferente, de modo especial de sua metade em diante. Desta vez, os ramos não estão em nossas mãos, mas fixados nas fachadas e janelas de nossas casas e apartamentos. Não vamos nos reunir à porta de nossas igrejas nem caminhar para dentro do templo recordando a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Sem “Hosana Hey!”, sem “Hosana ao Filho de Davi!”. Jerusalém, desta vez, será nossa casa, onde Jesus deveria ser sempre convidado a entrar e habitar. Ali, com Ele e com os nossos mais próximos, vamos viver as bênçãos, as contradições de cada passo do Tríduo Pascal. Vamos nos dispor a aprender com o Mestre a depor os mantos de nossos orgulhos, autossuficiências e egoísmos para vestir o avental do Lava-Pés doméstico, todo mundo se ajudando e se cuidando mutuamente. “Ninguém solte a mão de ninguém”, pelo menos no compromisso e na solidariedade, já que fisicamente a recomendação é para não darmos as mãos. Nesta mesma “Jerusalém caseira”, teremos de lidar com o absurdo e o paradoxo de mandarmos crucificar aquele mesmo a quem poucos dias atrás aclamamos como Rei. É a Paixão de Cristo que se atualiza no grito surdo dos sofrimentos silenciosos que muitos de nossos irmãos e irmãos enfrentam no seio do local que deveria ser seu porto seguro. As chicotadas do carrasco sobre as costas doloridas do Senhor se atualizam na solidão de idosos abandonados, na violência doméstica sofrida por tantas mulheres, na panela vazia do chefe de família que não tem o que comer para si e para seus filhos, na situação insalubre e desumana a que tantos estão submetidos pela falta de água, luz, saneamento, pela falta de moradia. Cada gesto de egoísmo, intolerância e desumanidade que praticamos é uma martelada seca e dolorosa no cravo que dilacera a carne de Cristo sobre o madeiro da cruz. Seguindo com o Mestre, perceberemos sua presença solidária e silenciosa no sepulcro das tantas incertezas que temos vivido dia a dia. O silêncio de tantas perguntas sem resposta que brotam no profundo de nossos corações: “Quando tudo isso vai passar? O que será de nós daqui para frente?” Nesta hora, não adianta a pressa. As respostas vêm num ritmo que não é nosso e não depende de nós. É hora de fazermos coro ao grito de Cristo: “Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos”. Tal situação, humanamente difícil de ser suportada, adquire um sentido de esperança quando com ela lidamos a partir da lógica da Ressurreição. Mais do que nunca esta Páscoa vem nos ensinar que esperança verdadeira não é necessariamente a certeza de que tudo vai dar certo ou sairá conforme planejamos, mas a capacidade que Jesus nos oferece de conferir a tudo o que nos acontece um verdadeiro sentido pascal, enxergando no horizonte a luz da vida e da Ressurreição. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011   Domingo de Ramos Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar como ele em sua glória”.  Leitura: Is 50,4-7 Não desviei o meu rosto das bofetadas e cusparadas.Sei que não serei humilhado. O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. Ele está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto para os exilados desanimados. O Servo apresenta-se como um discípulo obediente, atento a cada manhã para receber a mensagem divina que deverá transmitir. Mas, para cumprir esta missão, enfrentará o desprezo e o sofrimento. Embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim. Confiando no auxílio divino, Jesus não se deixou abater, mas foi fiel até a morte de cruz; por isso, foi glorificado por Deus, que o tornou “Senhor” (2ª leitura). Salmo responsorial: Sl 21 Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? Segunda leitura: Fl 2,8-9 Humilhou-se a si mesmo;por isso, Deus o exaltou acima de tudo.  Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas esvaziou-se de si mesmo e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), procurou socorrer os mais necessitados (Mt 27,42). Não se identificou com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso, o Pai o ressuscitou dos mortos. O exemplo de Cristo tornou-se o caminho do cristão. Aclamação ao Evangelho Salve, ó Cristo obediente! / Salve, amor onipotente,que te entregou à cruz/ e te recebeu na luz! Evangelho: Mt 26,14–27,66 “Ele era mesmo Filho de Deus”. Jesus não é entregue à morte contra a sua vontade. Ele se entrega nos sinais do pão e do vinho, na doação livre de sua vida, de seu corpo e de seu sangue. Se quisesse pedir, o Pai lhe enviaria em socorro 12 legiões de anjos. Renuncia ao poder e à violência e se entrega humildemente nas mãos do Pai, para que se cumpram as Escrituras (26,53). É traído por Judas e negado por Pedro, que se arrepende. É condenado à morte pelo Sinédrio porque se apresenta como o Cristo e Filho de Deus. Judas entra em desespero e se enforca. Os sumos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos, porque só ele podia condenar alguém à morte. A acusação diante do governador romano é de caráter político, como se vê na pergunta de Pilatos: “Tu és o rei dos judeus”? Sob pressão da multidão, “sabendo que haviam entregue Jesus por inveja”, Pilatos propõe a escolha entre Barrabás e Jesus que chamam de Messias. O povo, instigado pelos sumos sacerdotes, escolhe Barrabás, preso por suas aspirações messiânicas de caráter político, e rejeita o próprio Messias, Servo do Senhor (27,21-22). – Destacam-se algumas afirmações próprias de Mateus: o sonho da mulher de Pilatos (27,19); Pilatos que lava as mãos, responsabilizando a multidão (27,24-25); o terremoto, a cortina do templo que se rasga, e a ressurreição dos mortos na hora da morte de Jesus (27,51b-53). Os judeus zombam de Jesus como Messias (26,68) e os soldados romanos como rei (27,27-31). Nas zombarias, dirigidas a Jesus na cruz, aparece o motivo da destruição do Templo (26,60-62), usado como acusação contra Jesus no processo do Sinédrio; os chefes religiosos lembram a ação salvadora de Jesus, mas agora incapaz de salvar-se a si mesmo; a confiança de Jesus em Deus, que agora abandona seu Filho; a confissão do centurião romano que diz: “Ele era mesmo Filho de Deus”. Por fim, os guardas que os sumos sacerdotes colocam como vigias junto ao túmulo, para que o corpo de Jesus não fosse roubado pelos discípulos. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   A morte na Cruz revela um homem-Deus Frei Clarêncio Neotti O verso 64 do capítulo 26 “vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” dá uma visão nova à Paixão. A morte não está sendo vista como uma vergonha, mas como caminho de glória, uma ‘teofania’, isto é, uma manifestação de Deus. Várias vezes Jesus aplica a si a expressão do profeta Daniel ‘Filho do Homem’. Também nesse momento em que é julgado e condenado, ele aproxima a expressão à glória divina. Por um lado, a expressão ‘filho do homem’, na linguagem poética do tempo, tinha um sentido adjetivo de “criatura pequena, frágil, insignificante” – que cabia bem a Jesus amarrado, açoitado, sem defesa. Por outro lado, ‘Filho do Homem’, desde o profeta Daniel, significava “um ser misterioso, conduzido por Deus sobre as nuvens do céu para receber a realeza divina” (Dn 7,13ss.). Ao chamar-se com esse apelido, talvez Jesus quisesse afastar a ideia de um messias terreno, com força militar e estratégia humana, e acentuar sua origem, seu poder e destino divinos. A um messias apenas humano, os inteligentes poderiam compreender, adaptar-se a ele sem deixar os interesses pessoais. Mas a um messias divino quem quisesse compreender e seguir deveria renunciar-se primeiro. Jesus mesmo prevenira: “Se alguém quiser me seguir, renuncie primeiro a si mesmo” (Mc 8,34). O momento da Paixão era decisivo. Decisivo para Jesus, Filho de Deus Salvador. Decisivo para os discípulos a quem Jesus pedia: “Crede em mim!” (Jo 14,1). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   A porta de entrada na Semana das Semanas Frei Almir Guimarães ♦ “Vinde, subamos juntos ao Monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério da nossa salvação” (Santo André de Creta, Lecionário Monástico II, p. 511). ♦ Chegamos aos dias da Semana Santa. Um duplo sentimento toma conta de nós quando acompanhamos os passos da liturgia: alegria pelo Rei que entra triunfantemente em Jerusalém, mas humildemente sentado num burrico. Aqueles que esperavam a redenção imediata para o povo, cantam, acenam ramos, atapetam o caminho por onde ele deve passar. Quando a procissão dos ramos penetra no templo, tudo é austeridade: leitura das dores do servo de Javé. Paulo escreve aos Filipenses falando daquele que, de condição divina, agora era obediente até a morte e morte de cruz. Tudo culminando com a leitura da Paixão quando ouvimos o grito de abandono: “Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?”. ♦ A meditação de todas essas passagens nos mergulha num clima de reconhecimento de nossas faltas e também faz nascer em nós desejo enorme de pedido de perdão. No final da liturgia sentimos que passamos por uma porta que vai nos permitir acompanhar os passos do amor sem limites. O amor do Senhor foi tão grande que esta semana só pode ser um tempo de recolhimento, de silêncio e de imersão total no abismo do amor de Deus. Passaremos o tempo batendo no peito e dizendo: “Piedade, Senhor, piedade!”. ♦ Um pouco antes de entrar em Jerusalém, Jesus havia estado em casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos. Sentira aperto no coração? Experimentara frio e solidão? Precisava de fôlego que lhe seria dado pelos que o amavam e estimavam? É assim. Na hora da dor, os amigos podem nos valer. ♦ A Procissão dos Ramos evoca, pois, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O formulário da bênção das palmas suplica o olhar do Altíssimo sobre os ramos que os fiéis carregam em sinal de sua adesão a Cristo Rei que ingressa em sua cidade sentado num burrico. A festa de hoje é exaltação do Cristo-Rei. Os paramentos são vermelhos e lembram o fogo do amor e do martírio. Em toda a Semana Santa o que ocorre é esse paradoxo de dor e de alegria. ♦ Carregamos em nossas mãos ramos. Acompanhamos o Cristo na procissão de entrada. Ele é nosso Rei. Não somos donos de nós mesmos. Ele é o centro de nossa vida, de nossa vida de cristãos, de nossa família. Para ele, orientamos o melhor de nós mesmos. Fazemos questão de guardar o ramo deste domingo em nossa casa. Haveremos de olhar para ele como um sacramental, um sinal de uma vivência religiosa profunda. ♦ “O Senhor vem, mas não rodeado de pompa como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, nem ninguém ouvirá sua voz. Pelo contrário, será manso e humilde se apresentará com vestes pobres e aparência modesta” (André de Creta, ut supra, p. 511). ♦ Jesus entra em Jerusalém montado num jumento. O gesto marca a pobreza e a simplicidade do Messias. Pede que lhe providenciem um asno que depois haverá de devolver. O burrico é a cavalgadura do Messias pobre e humilde de Zacarias (9,9). Insistamos: o burrico é apenas emprestado. Por sua vez, o cortejo que acompanha Jesus mostra características reais expressas nos mantos estendidos pelo chão e nas palavras de ovação. Há diferença entre a maneira como Jesus de um lado e as pessoas encaram a situação. ♦ “Em vez de ramos e mantos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo, revestido dele próprio – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a seus pés com mantos estendidos” (André de Creta, ut supra, p. 512). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   O caminho para salvar o ser humano José Antonio Pagola Para um cristão, a cruz de Cristo não é mais um acontecimento que se perde no passado. É o acontecimento decisivo no qual Deus salva a humanidade. Por isso, a vida de Jesus entregue até a morte nos revela o caminho para libertar e salvar o ser humano. A cruz nos revela, em primeiro lugar, que é importante “tomar sobre si o pecado”. É claro que devemos eliminar o mal e a injustiça, devemos combatê-los de todas as formas possíveis. Mas devemos também estar dispostos a assumir esse mal até onde for preciso. Jesus redime sofrendo. Só aqueles que se comprometem até sofrer o mal em sua própria carne humanizam o mundo. Além disso, a cruz nos revela que o amor redime da crueldade. Muitos dirão que o importante é a defesa da democracia e de seus valores. Para que queremos o amor? O amor é necessário para chegarmos a ser simplesmente humanos. Esquece-se que o próprio Iluminismo baseou a democracia na “liberdade, igualdade e fraternidade”. Hoje insiste-se muito na liberdade, bem pouco se fala da igualdade e nada se diz da fraternidade. Cristo redime amando até o final. Uma democracia sem amor fraterno não levará a uma sociedade mais humana. A cruz também revela que a verdade redime da mentira. Costuma-se pensar que, para combater o mal, o que é importante é a eficácia das estratégias. Isso não é certo. Se não há vontade de verdade, se difundimos a mentira ou encobrimos a realidade, estamos obstaculizando o caminho que leva à reconciliação. Cristo redime dando testemunho da verdade até o fim. Só aqueles que buscam a verdade acima de seus próprios interesses humanizam o mundo. Nossa sociedade continua necessitando urgentemente de amor e verdade. É inegável que devemos concretizar suas exigências entre nós. Mas concretizar o amor e a verdade não significa desvirtuá-los ou manipulá-los: menos ainda eliminá-los. Aqueles que “tomam sobre si o pecado” de todos, e continuam lutando até o final para pôr amor e verdade entre os humanos, geram esperança. O teólogo alemão Iürgen Moltmann faz esta afirmação: “Nem toda vida é motivo de esperança, mas sim esta vida de Jesus que, por amor, toma sobre si a cruz e a morte”. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Obediência de Jesus até a morte Pe. Johan Konings Muitos cristãos pensam que Deus obrigou Jesus a morrer para pagar com seu sangue os nossos pecados. Será que um tal Deus se pode chamar de “pai”? Que significa que Jesus foi obediente até a morte? No relato da paixão de Nosso Senhor (evangelho), Mateus vê o Messias sob o ângulo da realização do projeto do Pai (cf. 3,15). Jesus realiza o modelo do Servo-discípulo, que pede a Deus “um ouvido de discípulo” para proclamar a sua vontade com “boca de profeta” e lhe ser fiel até o fim (1ª leitura). A fidelidade à missão de Deus é que faz de Jesus o Messias e Salvador. Jesus não veio para “fazer qualquer coisa”, mas para realizar o projeto do Pai. Ensina-nos a obediência até a morte como instrumento da salvação do mundo (2ª leitura). Pois quem sabe o que é preciso para salvar o mundo é Deus. Ele sabe que a morte daquele que manifesta seu amor infinito é a resposta suprema ao supremo desafio do mal. Jesus poderia ter sido infiel a Deus, pois era livre. Mas então teria sido infiel a si mesmo, Servo, Discípulo, Messias e Filho. Levou a termo a obra iniciada: pregar e mostrar o amor de Deus – até no dom da própria vida. O exemplo de Cristo nos ensina o caminho da libertação. Vamos realizar a missão de libertar o mundo pela fidelidade radical à vontade do Pai. Por isso, devemos “prestar-lhe ouvidos”- sentido original de “obediência”. Obedecer não é deserção da liberdade. É unir nossa vontade à vontade do Pai, para realizar seu projeto de amor, e a outras vontades (humanas) que estão no mesmo projeto. E é também dar ouvidos ao grito dos injustiçados, que denuncia o pisoteamento do plano de Deus. Só depois de ter escutado todas essas vozes poderemos ser verdadeiros porta-vozes, profetas, para denunciar e anunciar… Profetismo supõe obediência e contemplação. Deus não obrigou Jesus a pagar por nós, nem desejou a morte dele. Só desejava que ele fosse seu Filho. Esperava dele a fidelidade a seu plano de amor e que ele agisse conforme este plano. Jesus foi fiel a esta missão até o fim. Quem quis a sua morte não foi Deus, e sim os homens que o rejeitaram. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Horários das celebrações transmitidas das paróquias da diocese

Nesses tempos de pandemia do novo coronavirus (COVID-19), para ajudar os fieis da Diocese de Bragança do Pará, e os de fora da diocese que desejem acompanhar as celebrações, a Pastoral da Comunicação - Pascom entrou em contato com todas as paróquias para obter informações sobre os horários e os meios pelos quais as paróquias estão transmitindo essas celebrações. Veja abaixo as paróquias que nos deram as informações e os meios pelos quais você pode acompanhar as celebrações nas respectivas paróquias: Itinga do Pará - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Todos os dias: missa às 07:30 Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Terça: novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sexta: Via Sacra às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Rondon - Paróquia Nossa Senhora Aparecida: Domingo: missas às 7:00 horas e as 18:00 horas Transmitida pela Rádio Rondon (FM 97,5) e pelo Instagram (@paroquiaderondon)   Paragominas - Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo: missas às 09:00 horas e às 19:00 horas Transmitidas pela TV Nazaré (Canal 43)   Segunda a Sábado: missa as 18:15 horas Transmitidas pela TV Nazaré (Canal 43)   Paragominas - Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus Domingo: missa às 07:00 horas Transmitida pelo Instagram (@paroquiasantateresinha_pgm) e pelo Facebook (@santateresinhaparoquia)   Ipixuna do Pará - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo: missa às 10:00 horas Transmitida pela TV RBA (Canal 20)   Domingo: missa às 18:00 Transmitida pelo Facebook (@paroquiadeipixuna)   Aurora do Pará - Paróquia São Raimundo Nonato: Domingo: missas 08:00 horas e 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (@psrnonatoaurora)   Segunda a Sábado: missa às 18:30 horas Transmitidas pelo Facebook (@psrnonatoaurora)   Mãe do Rio - Paróquia São Francisco de Assis: Domingo: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Segunda, Terça, Quarta, Sexta e sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Quinta: adoração e missa às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Irituia - Paróquia Nossa Senhora da Piedade: Domingo: missa às 06:30 Transmitida pela Rádio Nativa (FM 92,5) e pelo Facebook (@paroquiadeirituiapa)   Nova Esperança do Piriá - Paróquia Nossa Senhora Mãe da Divina Providência: Domingo: missa às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/divina.providencia.3323)   Segunda a Sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/divina.providencia.3323)   Capitão Poço - Paróquia Santo Antonio Maria Zaccaria: Domingo: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (Bem Moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura).   Segunda a Sexta: missas às 07:00 horas e 18:00 horas. Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura)   Segunda a Sexta: missa às 13:30 horas. Transmitida pelo Facebook (facebook.com/bem.moura) e pela Rádio Ouro Verde (FM 101,05)   Sábado: missas às 7:00 horas e às 18:00 horas. Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura)   Bonito - Paróquia São Pedro Apóstolo: Domingo: missa às 07:00 horas e às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiasaopedroapostolobonitopa)   Quinta: adoração e missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiasaopedroapostolobonitopa)   Cachoeira do Piriá - Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo: missas às 07:00 horas e 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Santa Luzia do Pará - Paróquia Santa Luzia: Domingo: celebração da Palavra às 06:30 horas e às 19:30 horas Transmitidas pela Rádio Curí (FM 104,9)   Bragança - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo: missa às 10:00 horas Transmitida pelo Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Segunda, Quarta, Quinta e Sexta: missa às 16:00 horas Transmitida pelo Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Terça: missa e Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro às 16:30 horas Transmitidas pela TV Educadora (Canal 30), Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Sábado: sem programação   Bragança - Paróquia Catedral Nossa Senhora do Rosário: Domingo: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390) e Facebook (@diocesedebraganca).   Domingo: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Segunda a Sexta: missa às 11:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Youtube (Pastoral da Comunicação Diocese de Bragança-PA) e Facebook (@diocesedebraganca e @pascomdiocesedebraganca).   Segunda a Sexta: missa às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Quinta: adoração ao Santíssimo Sacramento de 08:00 horas às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Sábado: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Bragança - Paróquia São João Batista: Domingo: missas às 07:00 horas e 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Segunda a Sexta: missa às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Sexta: adoração ao Santíssimo às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Augusto Corrêa - Paróquia São Miguel Arcanjo: Domingo: missa às 07:00horas Transmitida pela Rádio Mania (FM 91,3), Facebook (facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3) e Instagram (@missa_paroquiasaomiguelac_18hs).   Terça a Sexta: missa às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Mania (FM 91,3), Facebook (facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3) e Instagram (@missa_paroquiasaomiguelac_18hs).   Viseu - Paróquia Nossa Senhora de Nazaré: Domingo: missa às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Terça: ângelus, novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Quarta: ângelus, terço da misericórdia e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Quinta: ângelus, terço da libertação e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Sexta: ângelus, via sacra e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Durante esta semana estaremos divulgando os horários e os meios pelos quais será possível acompanhar as celebrações da Semana Santa, nas várias paróquias da Diocese de Bragança do Pará. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Quinto domingo da Quaresma

Uma doença para a glória de Deus Frei Gustavo Medella “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11,4). Imaginemos esta afirmação de Jesus no Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma (Jo 11,1-45) aplicada à pandemia de covid-19 que assola a humanidade. Acreditar que algo tão devastador possa contribuir para a “glória de Deus” pode, à primeira vista, parecer algo fora da realidade ou expressão do capricho de um Deus que se faz sádico diante da dor e do sofrimento humanos. Como Deus seria glorificado num cenário tão desolador e repleto de medo e insegurança? No entanto, ao se analisar o período que a humanidade vive à luz do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a compreensão da sentença proferida pelo Mestre em relação a seu amigo Lázaro começa a adquirir feições de algo que, na lógica cristã, pode significar a glória de Deus que se expressa na salvação do ser humano. Em primeiro lugar, situações extremas representam oportunidade para o ser humano fazer eclodir aquilo que traz de pior ou de melhor em si. Crises, guerras e pandemias são terreno fértil para fazer aflorar egoísmos extremos e concepções de mundo extremamente excludentes, onde reina o “cada um por si”. Neste caso, nem Deus consegue ser “por todos”, afinal, em Jesus Cristo, ele fez questão de ter a humanidade como parceira. Por outro lado, também é nestas horas em que o absurdo da fragilidade humana se escancara que muitos encontram em si a força de gestos edificantes de solidariedade, cooperação, ajuda mútua, mudança de vida e partilha de bens. Neste caminho, fica mais fácil perceber que Deus é por todos à medida que cada um passa a ser pelo outro. É o Lázaro da humanidade redimida que transcende o cenário de medo e pavor que cada um traz em seu egoísmo interior e “vem para fora”, atendendo ao chamado de Jesus, percebendo que existe, sim, vida depois da covid-19 e que esta vida começa agora, a nascer nos mais simples gestos de amor que cada ser humano se torne capaz de realizar.   5º Domingo da Quaresma – ano A 2020 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”. Primeira leitura: Ez 37,12-14 Porei em vós o meu espírito para que vivais. A mensagem deste pequeno texto (v. 12-14) entende-se melhor à luz da visão dos ossos secos (Ez 37,1-11), que o profeta Ezequiel teve durante o exílio da Babilônia. O profeta fazia parte da primeira leva de exilados para a Babilônia, em 597 a.C., ainda antes da destruição de Jerusalém (587 a.C.). Vivia no meio do povo, numa planície onde os exilados tinham construído suas casas (cf. Jr 29,5-7), junto a um canal de irrigação, ligado ao Rio Eufrates. Em suas pregações, Ezequiel pedia ao povo o arrependimento e a conversão e procurava renovar a fé e a esperança no Deus libertador. Porém, à medida em que os anos iam passando e as promessas não se cumpriam, um profundo desânimo se abateu sobre os deportados: “Nossos ossos estão secos – diziam –, nossa esperança acabou, estamos perdidos” (v. 11). Tão desesperadora era a situação de Israel no exílio! Neste contexto, o profeta é conduzido, em visão, pelo espírito do Senhor para fora de sua casa e vê uma grande planície cheia de ossos secos. O próprio Deus lhe pergunta: “Poderão estes ossos reviver”? E o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes”. Somente Deus poderia dar nova vida a esses ossos secos! Então, Deus manda o profeta dizer: “Vou infundir em vós um espírito para que revivais”! Por ordem do Senhor, Ezequiel convoca o espírito divino os ossos todos se erguem num estrondo, cobrem-se de carne, recebem o espírito de Deus e põem-se de pé como um imenso exército (37,5-10). Deus não só recria Israel pelo seu espírito (cf. Gn 2,7), como também renova a aliança (“meu povo”) e promete reconduzir seu povo à terra prometida. Quando tudo isso acontecer, diz “sabereis que eu sou o Senhor (…) “sabereis que eu, o Senhor, digo e faço”. Esse “sabereis que eu sou o Senhor” é uma fórmula que ocorre mais de cinquenta vezes em Ezequiel. Significa experimentar a presença de Deus vivo em nossas vidas. Perceber a ação criadora e vivificadora do espírito de Deus, que tudo renova na face da terra (cf. Sl 104,29-30). Esta é a mensagem cheia de esperança que Ezequiel anuncia aos exilados, quando tudo lhes parecia ter acabado: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais” (2ª leitura e Evangelho). Salmo responsorial           No Senhor, toda a graça e redenção. Segunda leitura: Rm 8,8-11 O Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós. Paulo exorta os cristãos de Roma a viver de acordo com a fé que abraçaram. Na comunidade, havia judeus convertidos que continuavam ainda presos às práticas da lei de Moisés. O cristão batizado, diz Paulo, recebe o Espírito de Deus, que é também o Espírito de Cristo, pertence a Cristo e Deus mora nele. Ora, foi o Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Como este mesmo Espírito mora em nós, também nós ressuscitaremos um dia para a vida eterna. Quando vivemos nossa fé, o Espírito transforma nossos corpos mortais em morada de Deus e, por isso, nos ressuscitará. Aclamação ao Evangelho         Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus. Evangelho: Jo 11,1-45 Eu sou a ressurreição e a vida. O evangelho do 5º domingo da Quaresma, que precede à Semana Santa conta o “milagre” da ressurreição de Lázaro. João conta poucos milagres de Jesus e prefere chamá-los de “sinais”. O presente “sinal” é o sétimo, o último e o maior de todos. O evangelista afirma que Jesus fez muitos outros sinais, mas estes “foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,31). A narrativa da ressurreição é impressionante, quase teatral, e nos leva a seguir os passos dos personagens principais: Jesus, os discípulos, as irmãs Marta e Maria e seu irmão Lázaro. As atenções de todos voltam-se para Lázaro porque está doente, morre, mas é ressuscitado por Jesus. O mais importante, porém, é o que estes personagens falam. Os diálogos são muitos. Destaquemos alguns. As irmãs mandam dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. Ao receber o recado, Jesus comenta: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Marta mostra uma profunda confiança quando se encontra com Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Mas ela quer seu irmão Lázaro de volta, vivo e agora, e acrescenta: “Mas sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Jesus responde: “Teu irmão ressuscitará”. Como muitos judeus, especialmente os fariseus, Marta acreditava na “ressurreição no último dia”, mas queria a reanimação do cadáver de seu irmão. De fato, Jesus ia tirar Lázaro da sepultura e devolvê-lo vivo a Marta e Maria. Mas isso era um “sinal” de algo muito maior, pois Lázaro morreu depois, como qualquer outra pessoa. Jesus explica, então, o sentido da “ressurreição no último dia”. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto”? E Marta responde, professando sua fé em Jesus como “o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, é o fundamento de nossa “ressurreição no último dia” (2ª leitura).   Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus Frei Clarêncio Neotti Betânia era um lugarejo na encosta do Monte das Oliveiras, oposta ao jardim, onde Jesus passou a noite de Quinta-feira Santa. Ficava à beira da estrada que vinha da Galileia, da Samaria e de toda a região do vale do rio Jordão. Não distava mais de três quilômetros de Jerusalém (v. 18). Subindo de Betânia, passa-se por Betfagé e logo, do alto do Monte das Oliveiras, vê-se a cidade na colina de Sion, no outro lado do vale do Cédron. Os peregrinos costumavam parar em Betânia, tomar banho, recompor-se, para entrar dignamente na Cidade Santa. Jesus e os Apóstolos faziam a mesma coisa. E costumavam parar na casa de Lázaro, Marta e Maria, uma família remediada, que se tornara amiga íntima de Jesus. Nesse episódio, encontramos de novo o esquema de João Evangelista: contar um milagre para dar uma grande lição teológica. E, na narração, ir abrindo um leque de ensinamentos entrelaçados. A grande lição de hoje está no verso 35: “Eu sou a ressurreição e a vida”. A pergunta de Jesus a Marta: “Crês isso?” continua válida e fundamental. A resposta de Marta é a única resposta possível em todos os tempos: “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus!” Em torno do túmulo de Lázaro, enquanto estavam apenas criaturas humanas, havia choro e lamentos de morte. Toda a amizade que tinham por Lázaro não lhe restituía a vida. O ser humano é impotente diante da morte. Quando chegou Jesus, homem-Deus, bastou uma ordem sua e Lázaro reviveu. A morte não foi obstáculo para Jesus. Ele veio trazer à humanidade a plenitude da vida (Jo 10,10), veio para que aqueles que nele crerem, ainda que estivessem mortos, viessem a vida sem ocaso (v. 25-26).   Aquele que veio nos dar vida “Lázaro,  vem para fora!” O  homem de hoje,  como o de todas as épocas,  traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e  mais difícil de responder:  o que vai ser de todos e de cada um de nós?  É inútil tentar enganar-nos. O que podemos fazer diante da morte? Rebelar-nos?  Ficar deprimido?                                               Pagola À beira do fim,  há sempre  tanta coisa que começa.                José Tolentino Mendonça ♦ Estamos para terminar o tempo da Quaresma. Desde a segunda metade de fevereiro, vivenciamos um retiro espiritual que nos permite avaliar nossa caminhada  como seres humanos, como peregrinos de uma vida em plenitude e como discípulos  de Jesus. Será que a expressão “discípulos de Jesus” no diz alguma coisa?  Ou  discípulos missionários? Semana após semana  fomos e estamos nos preparando  para renovar nossas promessas batismais na  noite da vigília pascal, tradicional noite dos batismos,  da iluminação de  homens e mulheres que  quiseram e querem  nascer para Deus. A samaritana e sua sede, o cego que passa a enxergar,  a vida na ressurreição de Lázaro que hoje ouvimos.  Tudo pode  fazer nascer e alimentar  em nós o homem. ♦ Jesus costumava passar momentos de felicidade em casa  de  Marta, Maria e Lázaro.  Aquela casa era para ele um oásis de paz. Quando não perambulava em suas andanças, gostava de se recolher ali.  Assim,  Éloi Leclerc examina o quadro do encontro de Jesus  com a morte de seu  “amigo”:  “Jesus se sentiu  profundamente abalado com a morte repentina de Lázaro e  a dor experimentada por suas duas irmãs.  A  notícia despedaçou-lhe o coração.  E deixou  transparecer o sentimento.  Quando se encontrou  com as irmãs do amigo  morto, a sua comoção foi tal  que não pode conter as lágrimas.  Daí o comentário de alguns: “Vejam como era amigo dele”.  A  humanidade de Jesus não era uma  humanidade de fachada. ♦ Morte, realidade incontornável. Morte de corpos doentes, cansados e gastos. Coração sem força,  pulmões sem ar,  falência múltipla dos órgãos,  palidez.   Lá se foi o sangue.  Lá se foram as cores.  Fim de sonhos e de projetos. Realidade que nos amedronta.  Nossos tempos evitam de falar no tema.  Somos incapazes de derrotá-la.  Somos pó e ao pó  voltamos.  Mas somos pó com o sopro do Espírito. ♦ Morte do corpo, morte do homem velho, morte de ilusões,  morte de amizades,  morte de afetos de que andávamos precisando,  morte do  jovem que éramos,  grão que morre para dar vida.  Estamos sempre nesse processo misterioso de morte e vida.  Não sabemos  administrar a morte.  Certo  que esse desejo de vida que borbulha em nós  não pode ser ilusório.  Ficamos extasiados com a vida:  a vida da criança de bochechas rosadas,  a vida  recuperada pelo amigo,  a vida das quaresmeiras.  Quantos tipos de vida.  E há essa saudade de viver  com a Vida com vê maiúsculo.  Somos fadados a viver. ♦ “Jesus fixou seus olhos em Marta, aquele olhar que não se limita a pousar na superfície dos seres, mas penetra até o fundo.  Via bem como ela se sentia dilacerada e recusava violentamente a separação, e o seu desejo de uma vida isenta de morte e das consequentes rupturas.  E, para além  do desespero de Marta, via a humanidade inteira, o imenso mar  humano a soerguer-se, na sua ânsia de vida, como um vagalhão enorme  que no entanto se esboroava contra o muro intransponível da morte”. ♦ Jesus opera um sinal. Em estilo dramático  João descreve a cena.  Manda que tirem a pedra.  Os circunstantes advertem que o  morto já cheira mal  Jesus ergue os olhos para o Pai.  Com voz forte,  grita: “Lázaro, vem para fora!” O morto tem as mãos e os  pés atados e o rosto envolto num sudário. O morto sai.   Trata-se de um sinal que  Jesus coloca  para anunciar a vitória da  vida sobre a morte que está para acontecer  em sua ressurreição,  sua morte pascal.  Jesus havia chorado  diante do sepulcro. Não estaria ele pensando em sua próxima e violenta morte?  E derramando lágrimas por antecipação? ♦ Soam retumbantemente aos  nossos ouvidos  as palavras   que  Jesus dirigiu a Marta:  “Eu sou a ressurreição e vida.  Quem crê em mim,  mesmo que morra, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá.  Crês isto,  Marta?”  Na sepultura fria ou no ato da cremação vidas desaparecem.  Os cristãos andam dizendo a todos através dos tempos que a vida não é tirada,  mas transformada. Os seres que agora sepultamos sepultamos vivem de outro modo no universo de Deus.  Com sua individualidade   continuam a viver na comunhão dos santos.  “Crês isto, Marta?” ♦  Esses corpos  criados à imagem e semelhança de  Deus,  corpos marcados pelo batismo  renovado ao longo de toda a vida,  apontam para a  Vida. “A vida deles é incomparavelmente mais         intensa do que a nossa. Sua alegria não tem fim. Sua capacidade de amar não conhece limites nem fronteiras.  Não vivem separados de nós, mais muito dentro de nosso ser como nunca.  Sua presença transfigurada e seu carinho nos acompanham sempre”  (Pagola). ♦ Recentemente, Hans Küng, o teólogo mais crítico do século XX, próximo  já de seu final, disse que, para ele, “morrer é descansar  no mistério da  misericórdia de Deus. Oração Tu estás perto,   Senhor. Estás sempre nos oferecendo  teu amor. Perdão por nossa falta de fé.  Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco, sustentas nossa vida e não nos damos conta. Perdão pela nossa mediocridade. Tu nos ajudas a conhecer-nos, nos falas como a filhos, nos animas a viver, e não te escutamos. Perdão por nossa falta de acolhida. Tu nos amas com ternura, queres o melhor para nós, e não  te agradecemos. Perdão por nossa ingratidão.   Chorar e confiar José Antonio Pagola Acontece o mesmo com todos nós. Não queremos pensar na morte. É melhor esquecê-la. Não falar disso. Continuar vivendo cada dia como se fôssemos eternos. Já sabemos que isto é um engano, mas não conseguimos viver de outra maneira. Seria insuportável para nós. Mas, a qualquer momento, a enfermidade vem sacudir-nos da inconsciência. Nos nossos dias é cada vez mais frequente uma experiência antes desconhecida: a espera pelos resultados dos exames médicos. Qual será o diagnóstico? Negativo ou positivo? De repente descobrimos ao mesmo tempo a fragilidade de nossa vida e nosso desejo enorme de viver. Se o tumor for benigno, um alívio: podemos continuar com nossas ilusões e projetos. Se for maligno, desabamos: por que agora, por que tão depressa, por que tenho que morrer? Sempre é assim. Seja qual for a nossa ideologia, nossa fé ou nossa postura diante da vida, todos teremos que enfrentar esse final inevitável. Diante da morte, sobram as teorias. O que podemos fazer: rebelar-nos, ficar deprimidos ou simplesmente enganar-nos? Diante da morte, Jesus fez duas coisas: chorar e confiar em Deus. Em Betânia morreu seu amigo Lázaro. Ao ver sua irmã chorar e os que a acompanhavam, Jesus, profundamente comovido, se põe a chorar. As pessoas comentam: “Vede como Ele o amava!” É sua primeira reação: pena, compaixão e pranto. Jesus sofre ao ver a distância enorme que há entre o sofrimento dos seres humanos e a vida que Deus quer para todos eles. Mas Jesus tem fé no Pai: “Esta enfermidade não acabará em morte”. É sua segunda reação: uma confiança total em Deus. Um dia Lázaro morrerá. O próprio Jesus terminará seus dias executado numa cruz. Ninguém escapa da morte. Mas Deus, amigo da vida, é mais forte do que a morte. Temos que confiar nele. Inevitavelmente, um dia nossas análises médicas nos indicarão que nosso fim está próximo. Será duro. Certamente vamos começar a chorar. Nossos familiares e amigos mais queridos chorarão conosco sua aflição e impotência. Mas, se cremos em Jesus Cristo, poderemos dizer com fé: “Nem sequer esta enfermidade acabará em morte”, porque Deus só quer para nós vida, e vida eterna.   O batismo, vida nova Pe. Johan Konings Que é “vida nova”? Para os materialistas, o sucesso depois do aperto. Para os espíritas, reencarnação… Nos dois casos, é apenas uma reedição melhorada daquilo que já se viveu… Jesus traz uma vida verdadeiramente nova, de outra ordem. A liturgia nos convida a voltar às nossas origens como povo de Deus, lá no antigo Israel. Israel estava no exílio, na Babilônia: um povo morto. Então, Ezequiel viu os ossos mortos recobrarem a vida pelo “espírito” (o sopro) de Deus. E Deus explica: seu espírito fará reviver o povo de Israel, que vai voltar para a sua terra (1ª leitura). No Novo Testamento, Paulo diz que vivemos uma vida nova, pelo espírito de Cristo que habita em nós, o Espírito que fez Cristo ressuscitar (2ª leitura). O batizado já não vive somente a vida natural, mas, pela fé, está ligado ao “corpo de Cristo”(a comunidade eclesial) e recebe o Espírito-Sopro de Cristo, que transforma sua vida. Quem foi batizado criança, talvez nem chegue a pensar nisso. Mas então está na hora de assumir isso como adulto. Para isso servem a Crisma e a renovação do compromisso da fé na noite pascal. No evangelho de hoje, Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jô 11,25). Em sinal disso, faz voltar Lázaro à vida. Sinal da vida nova que Jesus comunica e que ele é em pessoa! Como discípulo e amigo de Jesus, Lázaro já tinha recebido, em sua vida mortal, a vida espiritual e eterna da união com Cristo e o Pai. Por isso, morrendo, ele não morre, mas vive, definitivamente… Para significar isso, Jesus o chama corporalmente do sepulcro. Isso não teria sido necessário, porque pela fé Lázaro já estava vivendo a vida eterna. Mas Jesus quis dar um sinal dessa vida eterna que a fé produz em todos aqueles que forem, como Lázaro, fiéis à palavra de vida que Jesus manifesta em sua pessoa e em todo o seu agir. Podemos dizer que o batismo dá esta vida nova? Sim, porque ele nos dá como princípio vital a fé e a adesão a Cristo e à sua vida. O batizado vive uma vida realmente nova, animada pelo espírito de Cristo. Mas sem a fé, traduzida em obras, o batismo fica morto. A vida da fé batismal se verifica, por exemplo, quando ela transforma uma sociedade de morte (fome, opressão, exclusão) numa comunidade de vida, fraternidade, comunhão. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

CNBB reforça recomendação ao episcopado brasileiro de manter o distanciamento social

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, na tarde desta quinta-feira, 26 de março, a todos os arcebispos e bispos católicos do país, a orientação sobre qual postura tomar quanto aos decretos do Poder Executivo Federal, incluindo o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, que afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza”. Segundo o informe, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determina. A CNBB, considerando as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministérios da Saúde, que indicam o distanciamento social, orienta os bispos que as igrejas podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito até agora, apenas para orações individuais, transmissões online, etc. Segundo o documento, “não há como entender que os instrumentos legais possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”. Conheça abaixo a íntegra da parte do comunicado interno sobre os decretos do Executivo Federal, assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Joel Portella Amado, enviado ao episcopado brasileiro na tarde desta quinta -feira: DECRETOS DO PODER EXECUTIVO FEDERAL Temos diante de nós um composto legislativo: Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020; Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020 e o Decreto nº 10.292, de 25 de março de 2020. Todos, de algum modo, tratam de medidas para o “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019″ (Lei 13.979, art. 3º).  Essa mesma lei diz que as medidas adotadas “deverão resguardar o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais” (§8º), cabendo ao Presidente da República indicar, mediante decreto, quais são os serviços públicos e as atividades essenciais (§9º). Essenciais são aqueles serviços e atividades que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população (art. 3º, § 1º). Este não é o caso das igrejas. No entanto, o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde”. Desse modo, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determinar. Considerando, pois, que as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde indicam o distanciamento social, as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração. Enfim, caros irmãos, reitero a unidade e a solidariedade de toda a Presidência da CNBB. Sabemos o quanto tem sido árduo equilibrar, por um lado, o atendimento religioso aos enfermos, aos profissionais da saúde e a todas as pessoas em geral e, por outro, seguir as normas sanitárias, cuja base é o distanciamento social. Sabemos também que, junto às preocupações especificamente pastorais, rondam-nos questões ligadas ao sustento de nossas igrejas, tanto no que concerne aos bens temporais quanto à caridade que praticamos. Os pobres esperam de nós tanto a presença espiritual quanto material. Essa presença começa pelo testemunho de quem, preocupado, por certo, com os aspectos materiais, escolhe, porém, a vida e a caridade em primeiro lugar. Angustia-nos, por isso, a colocação do dilema vida versus economia. Num tempo quaresmal, em que a Campanha da Fraternidade nos interpela a viver a vida como dom e compromisso, recordo o que o Santo Padre nos disse em sua mensagem para a abertura da CF 2020: “…a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. …” Em nome da Presidência de nossa querida CNBB, manifesto a mais plena unidade e reafirmo a disponibilidade em ajudar no que for possível e necessário. Que o Deus da Vida nos ajude a contribuir para “formar uma nova mentalidade política e econômica que ajude a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social” (EG 205). Dom Joel Portella AmadoBispo auxiliar de São Sebastião do Rio de JaneiroSecretário Geral da CNBB Tirado do site da CNBB

CNBB divulga tradução do decreto da Congregação para o Culto Divino sobre a Semana Santa

A Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) disponibilizou, na tarde desta sexta-feira, 20, a tradução do decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre as celebrações das próximas semanas, em especial da Semana Santa deste ano de 2020, quando a pandemia da covid-19 impede a participação dos fiéis nas celebrações. Além do decreto, que pode ser baixado no link abaixo, outros materiais serão oferecidos pela CNBB, conforme orientação da Santa Sé. Baixe aqui o documento traduzido pela Comissão para a Liturgia da CNBB. Confira um trecho do documento: No tempo difícil que estamos vivendo, devido à pandemia de Covid-19, considerando o caso de impedimento para celebrar a liturgia comunitariamente na igreja, tal como os bispos o têm indicado para os territórios de sua competência, chegaram a esta Congregação consultas relativas às próximas festividades pascais. Sobre a data da Páscoa. Coração do ano litúrgico, a Páscoa não é uma festa como as outras: celebrada no arco de três dias, o Tríduo Pascal, precedida pela Quaresma e coroada pelo Pentecostes, não pode ser transferida. A Missa crismal. Avaliando o caso concreto nos diversos países, o Bispo tem a faculdade de a adiar para data posterior. Indicações para o Tríduo PascalOnde a autoridade civil e eclesial impôs restrições, atenda-se ao que se segue em relação ao Tríduo Pascal. Os Bispos darão indicações, de acordo com a Conferência Episcopal, para que na Igreja Catedral e nas Igrejas paroquiais, mesmo sem a participação dos fiéis, o bispo e os párocos celebrem os mistérios litúrgicos do Tríduo Pascal, avisando os fiéis da hora de início de modo a que se possam unir em oração nas respectivas habitações. Neste caso são uma ajuda os meios de comunicação por telas ao vivo, não gravada. A Conferência Episcopal e cada Diocese não deixem de oferecer subsídios para ajudar a oração familiar e pessoal. Tirado do site da CNB

Quarto domingo da Quaresma

É a lama! É a lama! Frei Gustavo Medella Na música “Águas de Março”, ao descrever os efeitos das chuvas acentuadas que normalmente marcam o terceiro mês do ano, o compositor Tom Jobim faz uma exclamação: “É a lama! É a lama!”. Lama que Jesus produz com a própria saliva para restituir a visão ao cego de nascença, conforme narra o Evangelho deste 4º Domingo da Quaresma (Jo 9,1-41). Lama da Salvação! O Papa Francisco, desde o início de seu Pontificado, declarou que prefere uma Igreja ferida e enlameada por conta de sair ao encontro da humanidade nas durezas do caminho a uma Igreja adoentada, porque encerrada na ilusória pseudo-segurança da autorreferencialidade. A lama do caminho, a exemplo daquela produzida por Jesus, é fonte de cura para a cegueira do clericalismo, do mundanismo e de outros “ismos” que nos impedem, enquanto Igreja de Cristo, de manter-nos em sintonia de fidelidade com Aquele que nos enviou. No contexto de uma pandemia, poderíamos nos perguntar: O que significa ser uma Igreja em saída quando a orientação maior é a permanência de cada um em sua casa, a menor circulação possível de pessoas e o isolamento social? Em primeiro lugar, renovar a certeza e a consciência de que a Igreja somos todos os batizados e batizadas em estado permanente de comunhão e missão. Sendo assim, o convite maior é aprendermos a ressignificar pela fé nossa adesão ao projeto de Deus. Cultivar a solidariedade e colocar-se a serviço daqueles que estão em situação de vulnerabilidade é expressão da Igreja em saída. Alguns poucos exemplos bonitos desta prática têm aparecido em nossos noticiários e nas redes sociais: uma farmácia em Curitiba passou a oferecer gratuitamente uma porção de álcool gel às pessoas: bastava que trouxessem os frascos; num determinado prédio, moradores mais jovens deixaram bilhetes aos mais idosos, colocando-se à disposição para pequenos favores que envolvessem uma saída às ruas; na Itália, diversos cidadãos em quarentena se colocaram nas varandas e janelas a cantar e tocar instrumentos com objetivo de levar alento e alegria a tantos corações aflitos e solitários; o cultivo da oração em família, com leitura e partilha da Palavra de Deus e em sintonia com as comunidades, também é forma de manter viva a fé e transmitir esperança ao mundo. No que diz respeito à ação pastoral organizada, também há diferentes meios de manter-se em saída, especialmente manifestando a proximidade e a comunhão do coração com aqueles que aguardam um telefonema, uma mensagem pelas redes sociais como sinal visível de que não estão sozinhos ou isolados, ainda que fisicamente o estejam. As celebrações privadas, transmitidas pelos meios de comunicação, também são ponto privilegiado de encontro com Deus em comunidade. Manter as igrejas de portas abertas e bem arejadas também se faz forma de acolhida e presença a fim de que aqueles que precisam sair às ruas encontrem um lugar para sua oração pessoal, especialmente diante de Cristo Eucarístico. Além da criatividade no cultivo das celebrações e na organização pastoral, a promoção da partilha e da solidariedade daqueles que têm mais condições econômicas, financeiras e estruturais com uma grande multidão em situação de extrema pobreza também deve estar no foco de nossas ações e preocupações enquanto Igreja em saída. São apenas algumas rápidas ideias. Muitas outras o Senhor há de suscitar em nossos corações, ajudando-nos vencer as cegueiras interiores que o medo e o egoísmo podem instalar em nós, especialmente neste tempo de crise que estamos atravessando. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   4º Domingo da Quaresma, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que por vosso Filho realizais de modo admirável a reconciliação do gênero humano, concedei ao povo cristão correr ao encontro das festas que se aproximam, cheio de fervor e exultando de fé”. Primeira leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a Davi é ungido rei de Israel. Os relatos bíblicos falam de três unções de Davi como rei: é ungido pelos homens de Judá como rei da casa de Judá; é ungido pelas tribos como rei de Israel, em reconhecimento de suas qualidades de liderança político-militar. A terceira foi uma unção prévia, de caráter carismático, por iniciativa do profeta Samuel e por indicação divina. O critério desta última é a escolha por iniciativa exclusiva de Deus, pois “o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração” (v. 9). Outro critério é que Deus escolhe alguém que sabia cuidar de ovelhas para ser o pastor e cuidar de seu povo Israel. Depois de Davi ter sido ungido por Samuel, “o espírito do Senhor se apoderou de Davi”, para salvar Israel dos inimigos que ameaçavam, para julgá-lo como juiz e para trazer-lhe segurança e paz. – A unção de Davi nos remete para ao batismo de Jesus por João Batista, quando foi ungido pelo Espírito do Senhor a fim de exercer sua missão de Messias, Servo Sofredor. Lembra também a nossa unção batismal. Salmo responsorial: Sl 22 O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Segunda leitura: Ef 5,8-14 Levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá. A carta aos Efésios, atribuída a Paulo quando estava na prisão, foi provavelmente escrita por um discípulo na década de 90. Respira a teologia de Paulo, mas também a do Evangelho de João. O símbolo “luz x trevas” estão bem presente em João: “A luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam” (Jo 1,5). No diálogo com Nicodemos Jesus diz: “A luz veio ao mundo e as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más” (Jo 3,19). Mais adiante (8,12) Jesus se apresenta como a luz do mundo: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. A 2ª leitura é um texto batismal, caracterizada pelos símbolos “luz” (5 vezes) e “trevas” (2 vezes). Quem é batizado e segue a sua fé produz os frutos da luz: bondade, justiça, verdade. A luz da fé leva o cristão a “discernir o que agrada ao Senhor” – a prática do bem – e afastar-se das “obras das trevas” A leitura conclui-se com um hino batismal: “Levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”. Iluminado por Cristo pelo batismo, o cristão não pode ficar parado (Evangelho), mas se compromete a seguir a Jesus Cristo, luz do mundo. Como filho da luz (1Ts 5,5). Jesus expressa muito bem o que é ser iluminado por sua luz: “Vós sois a luz do mundo (…). Vossa luz deve brilhar diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,12-16). A maturidade da vida cristã se reflete nos frutos da luz: bondade, justiça, verdade. Aclamação ao Evangelho Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.  Pois, eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; E vai ter a luz da Vida quem se faz meu seguidor! Evangelho: Jo 9,1.6-9.13-17.34-38 O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Lemos hoje apenas uma síntese do relato completo da cura do cego de nascença, que se compõe de seis cenas. Na síntese é omitida completamente a cena dos pais que são interpelados pelos fariseus e confirmam que o cego curado é o filho deles e que nasceu cego. Nos interrogatórios os fariseus (cegos) lutam contra as evidências. No texto mais longo, quatro vezes se afirma que se tratava de um cego de nascença; onze vezes é constatada a cura e três vezes se repete a frase descritiva da cura: “Fui, lavei-me e estou vendo”. O cego não só recobrou a vista, mas se lhe abriram os olhos da fé em Jesus, como Salvador e “Luz do mundo” (v. 5). Os olhos do cego vão se abrindo aos poucos para a fé. Primeiro ele diz: “aquele homem que se chama Jesus” (v. 11); depois, que Jesus é um profeta (v. 17); em seguida, que é o Cristo (v. 22), é um homem de Deus (v. 33), é o Filho do homem (v. 35) e, finalmente, que é o Senhor (v. 38). Enquanto o cego se abre cada vez mais à fé em Cristo, os fariseus se fecham sempre mais em sua cegueira. De juízes que se consideram (“Este homem não pode ser de Deus porque não observa o sábado”), acabam sendo julgados pelo cego, que é expulso da sinagoga. Jesus só aparece no início, quando cura o cego, e no fim, quando o cego é expulso da sinagoga. Então, Jesus conversa com ele, e o cego confessa sua fé e diz: “Eu creio, Senhor!” – e o adora. É admitido, portanto, à comunhão com Cristo. – A cura do cego tornou-se no decorrer do tempo uma parábola da iluminação batismal e da admissão na comunidade eclesial. A fé começa com o primeiro encontro com Jesus, cresce com o testemunho do cego e chega à plenitude com o novo encontro com Jesus. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Os cegos tornarão a ver Frei Clarêncio Neotti A cegueira era frequente na Palestina. Talvez por causa do clima. A cura era rara. Embora não sofressem a desgraça dos leprosos, também os cegos eram tidos como ‘pecadores’, por duas razões. Primeira, porque, se fossem pessoas boas,Deus não os teria castigado com a cegueira; segunda, porque, como cegos, não tinham possibilidade de cumprir todos os mandamentos e, consequentemente, se não eram, tornavam-se pecadores. Essa mentalidade aparece clara ao longo doEvangelho de hoje. Até nos sacrifícios era proibido oferecer um animal que fosse cego (Lv 22,22; Dt 15,21). A cura da cegueira, naquele tempo praticamente impossível, só era esperada por meio de uma intervenção divina, um milagre. Por isso, dizia-se que, quando chegasse o Messias, ele haveria de restituir a vista aos cegos (Is 29,18 e 35,5). Jesus faz referência a essa esperança (Lc 4,18) e confirma sua messianidade pela cura da cegueira (Mt 11,5; Lc 7,22) e hoje até curando um cego de nascença. Os evangelistas anotaram vários milagres de cura de cegos feitos por Jesus, sempre como sinal da chegada do Messias (por exemplo: Mt 9,27-31; 12,22; 15,30; 20,29-34; 21,14). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Quaresma: Jesus vem abrir nossos olhos Frei Almir Guimarães ♦ Vai avançado nosso retiro quaresmal. Ouvimos, neste domingo, o belo e dramático relato da cura do cego de nascença. Tema da luz e da claridade. Esse Jesus que se dirige para Jerusalém é luz. Vem para ser claridade na vida dos homens, Filho do Pai que é luz inacessível. A epístola aos efésios, por sua vez, afirma que nós cristãos, como filhos da luz, caminhamos de claridade em claridade. Na primeira leitura, entre os filhos de Jessé, Samuel resolve ungir Davi, aquele que não tinha condições de ser escolhido por sua frágil aparência. As aparências podem enganar. Deus vê de modo diferente do olhar dos homens. Deus tem um olhar diferente do olhar dos mortais. ♦ No famoso relato de João, o cego não procura Jesus, nem Jesus está a buscá-lo. As coisas acontecem ao sabor das andanças do Senhor. Em seus deslocamentos o Mestre encontra pessoas: pescadores, cobradores de impostos, gente de certa importância, pecadores, cegos, coxos, homens, mulheres. Estabelece com uns e outros diferentes tipos de relacionamentos. É sempre no coração da vida que Jesus aproxima-se das pessoas. Os guias do povo complicam a vida com suas leis frias e sem alma. Jesus vê um cego e quer ilumina-lo. ♦ Neste episódio, Jesus está presente o tempo todo, só intervém, no entanto, no começo e no fim. A figura central é o próprio cego. Ele é testemunha da luz e, no final, será um pessoa gratíssima a Jesus que lhe abriu os olhos do rosto e fez com que ele fosse inundado por uma claridade de existir. Será missionário da luz. Evoca-se aqui o drama da história humana: trata-se de aceitar ou rejeitar a luz. ♦ Os circunstantes viam na cegueira do homem um castigo pelo pecados. O homem sofre duplamente. Não enxerga e os outros enxergam-no como um pecador e coberto com a sina do pecado cometidos por seus pais. Os discípulos de Jesus participam dessa crença. O Mestre rejeita esta interpretação. Jesus elimina o aspecto degradante de seu mal, restitui-lhe a dignidade e faz despontar um horizonte de aurora. O cego começa a se sentir livre. Alguém se interessa por ele. ♦ Nós somos o cego. Precisamos ver as trilhas a caminhar, as providências que precisamos tomar para sair do nevoeiro, para enxergar o sentido destas pernas e destes braços, desta vista e deste ouvido. Não queremos apenas olhar o que nos convém e o que serve para satisfazer nosso pequeno eu. Queremos poder enxergar o que está por detrás do rosto fechado dos que vivem perto de nós, ver para além da graça do corpo e do redondo dos bíceps, o que está para além da fala de um doente, ver para além das aparências, porque as aparências enganam. Jesus se apresenta ao cego como Messias como aquele que veio para que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos. Veio para espancar as trevas do legalismo, da indiferença. No final de todos os caminhos o cego haverá de der: “Creio que tu és o Messias”. No momento atual quais são as cegueiras que nos afetam? ♦ “O gesto terapêutico aplicado por Jesus ao cego, quando fez uma pasta de lama e a aplicou sobre seus olhos recorda o gesto com que Deus criou Adão, moldando-o do pó da terra. A recriação nada tem de mágico ou espiritualista, mas tem um valor humaníssimo, e conduz aquele que era apenas objeto de palavras e juízo de outros a tornar-se sujeito, a assumir a sua própria vida, a tomar a palavra e a reivindicar a sua identidade: “Sou eu”. Aquele “sou eu” é essencial para poder chegar a proclamar em liberdade e com convicção: “Eu creio”. Tornarmo-nos crentes não nos exime de nos tornarmos pessoas. Antes o exige” (Luciano Manicardi). ♦ O ser humano todo inteiro é chamado à luz em corpo e alma como bem exprime Paul Claudel:“Acabe eu por completo de ser obscuroLibertai todo o sol que há em mimtoda capacidade da vossa luz.Possa eu ver-vos não apenas com os olhos,mas com todo meu corpo e todo meu sercom toda minha materialidade resplandecente e sonora. “Eu vim a este mundo para fazer um novo julgamento: para que os que não viam, passem a ver, e os que viam, se tornem cegos”. Oração Quando meu pecado me desanimar,ajuda-me a crer que tu não deixasnunca de semear no barro de minha mediocridade.Quando o sofrimento me deixa sem forças,ajuda-me a crer que tu estás semeando em mimuma secreta fecundidade.Quando a morte próxima me causar medo,ajuda-me a crer que o grão que morreé semente de uma espiga dourada.Quando a desgraça dos oprimidos me entristecer,ajuda-me a crer que nosso amor solidárioé semente de justiça e liberdade. Inspirada em Michel Hubaut FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Jesus é para os excluídos José Antonio Pagola É “cego de nascença”. Não sabe o que é a luz. Nunca a conheceu. Nem ele nem seus pais têm culpa, mas ali está ele, sentado, pedindo esmola. Seu destino é viver em trevas. Um dia, ao passar Jesus por ali, vê o cego. O evangelista diz que Jesus é a “Luz do mundo”. Talvez lembrando as palavras do antigo profeta Isaías, garantindo que um dia chegará a Israel alguém que “gritará aos cativos: ‘Saí’ e aos que estão nas trevas: ‘Vinde à luz'”. Jesus passa nos olhos do pobre cego a mistura de barro e saliva para infundir-lhe sua força vital. A cura não é automática. Também o cego deve colaborar. Ele faz o que Jesus lhe indica: vai lavar os olhos, limpar seu olhar e começa a ver. Quando as pessoas lhe perguntam quem foi que o curou, ele não sabe como responder. Foi “um homem chamado Jesus”. Não sabe dizer mais nada. Também não sabe onde ele está. Só sabe que, graças a este homem, pode ver a vida com olhos novos. É isto que importa. Quando os fariseus e entendidos em religião o acossam com suas perguntas, o homem responde com toda simplicidade: “acho que ele é um profeta”. Não sabe muito bem quem é, mas alguém capaz de abrir os olhos só pode vir de Deus. Então os fariseus se enfurecem, o insultam e o “expulsam” de sua comunidade religiosa. A reação de Jesus é comovente. “Quando ficou sabendo que o expulsaram, foi procurá-lo”. Assim é Jesus. Não devemos esquecer jamais que é Ele que vem ao encontro dos homens e mulheres que não são acolhidos pela religião. Jesus não abandona quem o busca e o ama, mesmo que tenha sido excluído de sua comunidade religiosa. O diálogo é breve: “Crês no Filho do homem?” Ele está disposto a crer. Seu coração já é crente, mas ignora tudo: “Quem é Ele, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus lhe diz que não está longe: “Tu o estás vendo: é aquele que fala contigo, é esse”. Segundo o evangelista, esta história aconteceu em Jerusalém por volta do ano trinta, e continua acontecendo hoje entre nós no século XXI. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   O batismo, unção e luz Pe. Johan Konings As leituras deste domingo são escolhidas com vista à preparação do batismo ou da renovação do compromisso batismal. Esclarecem o sentido dos ritos complementares que se seguem ao batismo propriamente, os assim chamados ritos pós-batismais: a unção, que significa a participação do fiel na missão de Cristo, profeta, sacerdote e rei; a veste branca, que significa a pureza da fé batismal; e a vela acesa, que significa Cristo como a luz que ilumina nossa vida. Na 1ª leitura, Davi é ungido rei por Samuel. Jesus é o novo Davi, o Messias, “ungido” (com o Espírito) no batismo no rio Jordão. O próprio termo “Cristo ”significa “ungido” (em hebraico: “Messias”). Assim, na liturgia batismal, o recém-batizado é ungido em sinal de que ele é “Cristo com Cristo”, membro do povo messiânico. No evangelho, Jesus “unge” os olhos do cego de nascença. (Para a catequese, o fato de ele ser cego de nascença faz pensar no pecado original: uma cegueira que acompanha a vida da gente). Depois de ter untado os olhos do cego, Jesus manda-o lavar-se (o “banho da regeneração”!) no “Siloé, que quer dizer Enviado” ( a piscina de Siloé é uma figura de Cristo). Então, ele recebe luz dos olhos. O batismo é aqui evocado como unção e iluminação. O sentido profundo disso tudo é que o batizado deve ser uma testemunha da luz que recebeu. O cego de nascença nos dá o exemplo: ele testemunha o Cristo, com convicção e firmeza sempre crescentes. O batizado é um homem da luz (“filho da luz”, diz a Bíblia), alguém que enxerga com clareza, e que anda na luz. Pois a luz não é só para ser contemplada, mas para caminharmos nela, realizando as obras que ela nos permite enxergar e levar a termo. “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor… Desperta, tu que estás dormindo, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará” (2ª leitura). Como é que se realiza este testemunho cristão no Brasil hoje? Quais são as grandes cegueiras que devem ser iluminadas? Vamos assumir o nosso testemunho, mesmo para aqueles que não querem ver. PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br  

Encerrado o retiro anual dos Padres da Diocese de Bragança

De 16 a 19 de março, no Centro Pastoral Guadalupe (EFAC), em Bragança, aconteceu o Retiro Anual do Clero, com a participação dos padres diocesanos e alguns dos religiosos presentes na diocese. O pregador foi Dom Vital Corbellini - Bispo da Diocese de Marabá-PA que é Doutor e Mestre em Patrística e de História da Igreja Antiga. Esse retiro acontece todos os anos e é um dos poucos momentos que a Diocese de Bragança consegue reunir todo o seu Clero, e o propósito é que todos os sacerdotes parem um pouco as suas atividades do dia a dia e rezem muito mais, pra que as suas energias sejam recarregadas e renovadas para desempenharem melhor a sua missão. O retiro termino na quinta-feira, dia 19, com a celebração da Missa dos Santos Óleos, na Catedral Nossa Senhora do Rosário. A Missa do Crisma ou dos “Santos Óleos” geralmente ocorre na Quinta-Feira Santa, mas por motivos pastorais, esta celebração poderá ser antecipada, como é o caso de nossa diocese. A Missa dos Santos Óleos reúne em torno do Bispo o clero da diocese (padres e diáconos) e todo o povo de Deus, ou, ao menos uma boa representação das comunidades paroquiais que formam a diocese. Uma vez que esta missa caracteriza-se como uma grande ação de graças a Deus pela instituição do ministério sacerdotal na Igreja. Na celebração, como todos os anos, os padres também renovaram as promessas pronunciadas no dia da Ordenação Sacerdotal. O momento representa a comunhão eclesial, de participação intensa das comunidades e de valorização dos sacramentos da vida da Igreja. Orientações sobre o Corona Vírus O retiro dos padres teve alguns momentos de interrupções devido as últimas notícias acerca do Corona Vírus (COVID-19). Padres e bispo tiveram que tratar do assunto em alguns momentos durante o retiro e tomar decisões acerca das atividades da diocese para os próximos dias. Para tornar pública as decisões e orientações, após a Missa dos Santos Óleos, que contou com número de fiéis bem menor que o normal, e reuniu grande número dos sacerdotes da Diocese de Bragança do Pará, na Catedral de Nossa Senhora do Rosário, Dom Jesus Maria Berdonces concedeu uma coletiva de imprensa para falar sobre a pandemia do novo coronavírus. No vídeo você pode acompanhar as orientações de Dom Jesus. Clique aqui para assistir ao vídeo   Reportagem: Fabrício Bragança e Edielson Santos. Fotos: Fabrício Bragança e Pascom Catedral

Várias atividades da Diocese de Bragança do Pará são canceladas

Na manhã desta quarta, 18, o Bispo da Diocese de Bragança do Pará, Dom Jesus Maria Berdonces, em conjunto com a Secretaria Diocesana de Pastoral, publicou nota onde cancela as atividades de âmbito diocesano. Na nota o bispo recorda que "escolhemos em nossa última Assembleia Diocesana de Pastoral, vivermos a 4ª Urgência: Igreja a serviço da vida plena para todos, por essa razão, a Igreja da Diocese de Bragança une-se aos que hoje, buscam combater a disseminação do coronavírus, como bem recomenda a Igreja do Brasil, o Ministério da Saúde" dentre outros órgãos. Dom Jesus comunicou que "as atividades de responsabilidade da secretaria de pastoral diocesana que serão canceladas (para um posterior agendamento no 2º semestre) são: Reuniões ampliadas do COMIDI, nos dias 03 e 04 de abril e 26 e 27 de maio; Reunião ampliada da juventude, no dia 26 de abril; e a Reunião do Conselho Pastoral Diocesano, no dia 08 de maio". Ainda na nota Dom Jesus orienta que "todos os coordenadores e coordenadoras de pastorais, movimentos e serviços CANCELEM os eventos diocesanos programados até o mês de Julho de 2020 e, se possível, reagendem as atividades para o segundo semestre de 2020". Ainda antes do fechamento desta matéria, seguindo as orientações do bispo, a Pastoral da Comunicação - PASCOM, comunicou que estão cancelados os encontros que estavam marcados para os dias 02 e 03 de maio, em Bragança; e o que aconteceria nos dias 13 e 14 de junho em Ipixuna. Logo abaixo é possível fazer download da nota oficial em formato PDF. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Crismas em Mãe do Rio no final de semana do Dia das Mulheres

Dia Internacional da Mulher A Paróquia São Francisco de Assis realizou, em comemoração ao dia internacional das mulheres (dia 08 de março) um evento onde participaram 270 mulheres; as mesmas tiveram serviços ofertados por voluntários (as): manicure, pé de curi, cabeleireiros, massoterapeutas, saúde (secretário de saúde) e outros, assim como palestras com: Drª. Mayra, Ir. Fátima Vasques e Drª. Vanessa. Contamos com o apoio de diversas pessoa; entidades comerciais, grupos da Igreja, professores e professoras. Foi um momento de muita alegria para a paróquia, em proporcionar as mulheres marienses, nesse dia dedicado a elas, tais serviços e animação. Encerrou com uma caminhada, com início as 15:30 hs, saindo do galpão das pastorais em direção a comunidade Nossa Senhora de Nazaré, onde aconteceu a missa de encerramento. Crisma 2020 Na primeira semana de março foi realizado o mutirão das confissões, com os crismandos de 37 comunidades do meio rural e da cidade, preparando-os para receberem o sacramento da Crisma, que ocorreu nos dias 06 e 07 de março. As missas foram presididas pelo nosso Bispo diocesano Dom Jesus Maria Bardonces. Nessas missas 353 jovens e adultos receberam o sacramento da crisma; e 20 deles, também, receberam o sacramento da Eucaristia. Nas celebrações de recebimento dos sacramentos o nosso Bispo ressaltou a missão dos novos crismados; de serem discípulos-missionários, sendo verdadeiras testemunhas de Cristo Jesus na Igreja e no mundo. Que o Espirito Santo derrame sobre esses crismados as suas bênçãos, e os fortaleça na fé, afim de formar com Cristo uma perfeita unidade. A paróquia São Francisco de Assis se alegra, louva e agradece a Deus, por estes 50 anos de evangelização, pela presença constante do Espirito Santo, que tem animado e derramado abundantes graças sobre nossa paróquia. Por Diácono Fernando Brito  

Encontro diocesano da vida consagrada com Dom Jesus

Neste último sábado, dia 14 de março de 2020, no auditório do Instituto Santa Maria Goreth, na cidade de Mãe do Rio – Pa, realizou-se o primeiro Encontro Diocesano da Vida Religiosa Consagrada com Dom Jesus Maria Cizaurre, reunindo 40 irmãs e padres dos diversos Institutos e Congregações Religiosas: Irmãs Missionárias de Santa Teresinha, Irmãs Carmelitas Evangelizadoras de Santa Teresinha (Irmãs Teresitas), Irmãs do Preciosíssimo Sangue, Irmãs Missionárias São João de Deus e os Clérigos Regulares de São Paulo (Padres Barnabitas); com o objetivo de fortalecer a presença da Vida Consagrada na Diocese de Bragança, fomentar a comunhão e unidade das religiosas e religiosos com seus diversos carismas e espiritualidades, bem como, o testemunho e vivencia missionária nesta casa comum. Dom Jesus, após a oração inicial, fez uma breve reflexão sobre a Vida Religiosa Consagrada a partir do Documento Vita Consecrata, de São João Paulo II. Em seguida, proporcionou-se um momento de escuta para se compreender a Igreja de Bragança pelo olhar dos consagrados, contemplando o horizonte dos desafios, dificuldades e superações. A tarde de encontro foi dedicada a apresentação de sugestões e planejamentos para fortalecer a unidade e comunhão Diocesana da Vida Religiosa Consagrada, ficando eleita a coordenação do núcleo da CRB (Conferência dos Religiosos do Brasil) dentro da Diocese de Bragança, representada por um integrante de cada família religiosa: Ir. Regina (Missionárias de Santa Teresinha), Ir. Lidiane (Irmãs Teresitas), Pe. Fernando (Padres Barnabitas), Ir. Marcilene (Missionárias São João de Deus) e aguarda-se a definição dos nomes representativos das Irmãs do Preciosíssimo Sangue e Irmãs Angélicas. O encerramento do Encontro foi com a fraterna e alegre partilha da vida durante a Santa Missa, presidida por Dom Jesus em companhia dos Padres Barnabitas, do Pe. Francisco (pároco da Paróquia São Francisco de Assis), das religiosas e religiosos e das leigas presentes, que colaboraram com a animação do encontro. Por Irmã Alcilene Secretaria Diocesana de Pastoral

Formação para catequistas da Paróquia Santa Luzia

No último dia 14 de março, na Paróquia Santa Luzia, em Santa Luzia do Pará, aconteceu a formação paroquial para os catequistas. Esta formação contou com a participação de 137 catequistas da cidade e interior. A formação começou com uma introdução, com a seguinte temática: catequese de Iniciação a Vida Cristã - IVC, o que é isso? Para que isso? Como se Faz isso? A chamada catequese de "IVC" é um processo diferenciado de catequese. Pois assume um lado mais "iniciático" da fé, em detrimento de uma catequese " Sacramental" ( apenas para se adquirir os sacramentos) e excessivamente doutrinal; que vem sendo feita ao longo do tempo em nossa Igreja. Ela assume algumas características principais: é Cristocêntrica, é Celebrativa, é Orante, é litúrgica, é Mistagógica e muito Simbólica. Ela tem inspiração no "Catecumenato", processo catequético instituído nós séculos I e II da era Cristã. Os temas desenvolvidos no encontro foram: Discípulos missionários hoje; Jesus Cristo, primeiro mistagogo - Centro da Catequese! Esta formação contou com a presença do coordenador diocesano da Pastoral Catequética, Diácono Milton Santos. Agradecimentos aos catequistas que não mediram esforços para participarem desta formação. Gratidão ao coordenador paroquial Antônio Carlos Vasconcellos e equipe, ao Pároco Pe. Fábio Lanoa, a igreja local e todos os que contribuíram para a  realização desta bonita e animada formação. Por Diácono Milton Santos Diocese de Bragança do Pará

Terceiro domingo da Quaresma

Mais abraços e menos pedras Frei Gustavo Medella A dor humana é território Sagrado. Dela devemos nos aproximar com reverência e espírito de acolhida. No Evangelho deste 3º Domingo da Quaresma, Jesus dá uma aula do modo pelo qual devemos nos aproximar uns dos outros, especialmente daqueles que padecem dores e sofrimentos no profundo de seu ser. O Sol do meio-dia no deserto simboliza as lutas e desafios da vida que provocam no ser humano uma sede de sentido. O poço representa as muitas formas pelas quais as pessoas buscam saciar esta sede. A samaritana é símbolo da humanidade ferida, já cansada da rotina de buscar água para saciar suas sedes profundas. Jesus, ao se aproximar da finitude humana que ele mesmo se dispôs a provar, vem de modo discreto e dialogal. Nada deseja impor, mas propor. Mostra-se sedento e solidário ao mesmo tempo. Sedento porque participa da natureza humana; solidário porque consciente da missão que o Pai lhe confiara. Oxalá aprendêssemos a saciar nossa sede na água que o Senhor nos oferece. Certamente nos tornaríamos mais solidários e menos solitários; mais inclusivos e menos seletivos; mais adeptos do abraço e menos dispostos a nos apedrejar por conta de nossas faltas e limites, dores e sofrimentos que, uns mais outros menos, todos nós carregamos.   3º Domingo da Quaresma, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão de nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia”.  Primeira Leitura: Ex 17,3-7 O Senhor está no meio de nós ou não? Moisés, em nome de Deus, apresenta o plano de libertação: Deixar de servir ao Faraó com trabalhos forçados, para servir somente ao Senhor, numa terra prometida aos antepassados. A primeira parte do plano foi concluída e o povo já não era mais escravo. Mas entre o Egito e a terra prometida havia um deserto; no Egito era abundante a água do rio Nilo e a terra irrigada era muito fértil. No deserto, só a penúria e escassez de água. Daí a revolta: O povo tenta a Deus, contesta a autoridade de Moisés e quase o apedreja. A reclamação – “Deus está, ou não está no meio de nós?” – mostra uma fé abalada no Deus libertador. Deus intervém e ordena que Moisés reassuma a liderança, tomando o seu bastão, símbolo do poder divino, bastão que estendeu para ferir o Egito (rio Nilo) e abrir um caminho no Mar Vermelho para o povo passar. Acompanhado pelos anciãos devia ir à frente do povo, bater na rocha perto do monte Horeb, na presença do Senhor. Moisés assim o fez e da rocha saiu água para matar a sede de todo o povo. Paulo diz que o povo bebeu uma água espiritual e que a rocha da qual saiu água era Cristo (1Cor 10,3-4). O símbolo da água nos remete para o tema quaresmal e pascal, o batismo. No Evangelho, Jesus se apresenta à Samaritana como a fonte de água viva. Salmo responsorial: Sl 94 Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor! Segunda leitura: Rm 5,1-2.5-8 O amor foi derramado em nós pelo Espírito que nos foi dado. No trecho da Carta de Paulo aos Romanos, hoje lido, o Apóstolo nos fala das assim chamadas virtudes cardeais; elas são as mais importantes entre dons do Espírito: a fé, a esperança e a caridade/amor, dons que recebemos pelo batismo. Na primeira Carta aos Coríntios, Paulo já exaltava a primazia do amor: “No presente permanecem estas três coisas: fé, esperança e amor; mas a maior delas é o amor” (1Cor 13,13). Paulo lembra aos romanos que, por meio de Cristo, somos justificados pela graça da fé, confirmados pela esperança da glória e pelo dom do “amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo”. Este dom nos foi dado por meio de Jesus Cristo, que “morreu por nós… quando éramos pecadores”, prova máxima do amor de Deus. Aclamação ao Evangelho             Glória e louvor a vós, ó Cristo. Na verdade, sois Senhor, o Salvador do mundo. Senhor, dai-me água viva a fim de eu não ter sede! Evangelho: Jo 4,5-42 Uma fonte de água viva que jorra para vida eterna. O evangelho de hoje é a realização plena do que a primeira leitura prefigura. A água pedida pelos israelitas no deserto prefigura a água viva, dada por Jesus. Os hebreus pediam uma água que conheciam, mas não matava a sede. Jesus pede à Samaritana que lhe dê de beber da água do poço de Jacó (1ª leitura). A mulher estranha que Jesus (um judeu) lhe peça água, sendo ela uma Samaritana. Jesus responde que se o conhecesse ela mesma lhe pediria uma “água viva”, capaz de matar a sede para sempre. “E a água que eu lhe der – diz Jesus – se tornará nela uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. A Samaritana pede, então, a Jesus que lhe dê de beber desta “água viva” e recebe o dom de Deus, isto é, a fé no próprio Cristo Jesus. Torna-se ela mesma “uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. De fato, ao final do diálogo, a Samaritana crê em Jesus e transforma-se em missionária do próprio povo: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não será ele o Cristo”? Jesus, que tinha sede, não bebe a água do poço de Jacó. Sua sede é dar a todos os que nele crêem a “água viva” (o Espírito Santo), a fim de que sejam para outros “uma fonte de água que jorra para a vida eterna”. A Samaritana, que buscava a água do poço de Jacó, recebe de Jesus a água viva que jorra para a vida eterna. Quando os discípulos insistiam que comesse alguma coisa Jesus responde: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (v. 34). – Como você busca saciar a sede de Deus em sua vida? A Samaritana missionária partilhou a “água viva” com seu povo. Você procura ser uma fonte da qual jorra a vida eterna para os outros?   Jesus quebra costumes para buscar pecadores Frei Clarêncio Neotti O caminho que levava da Judeia à Galileia e vice-versa passava pela Samaria. Para os judeus era passagem penosa. Judeus e samaritanos se evitavam, odiavam-se. A Samaria já fora terra de hebreus. Lá estava o túmulo de José do Egito (Js 24,33). Lá estava o famoso poço, que Jacó dera de presente ao filho predileto José. Agora, sentado ao lado do poço, estava o Filho predileto do Pai do Céu, capaz de dar não apenas um poço de água corrente, mas água viva, que jorra para a vida eterna. Em torno do ano 720 antes de Cristo, a Samaria foi invadida pelos persas, e, ao menos, 30 mil habitantes foram deportados. Em seu lugar trouxeram colonos assírios (2Rs 17,24). Com o tempo, esses colonos acabaram adotando a lei de Moisés e o monoteísmo judaico, conservando, porém, os costumes e as devoções próprias (2Rs 17,27-34). Construíam seus templos no alto dos montes, como o Ebal (938 m), onde a tradição dizia que Josué oferecera o primeiro sacrifício ao entrar na Terra Prometida (Dt 27,4-8) e o Garizim (868 m), defronte ao Ebal, até hoje sagrado para os habitantes. Compreende-se, então, o duplo espanto da samaritana no Evangelho de hoje. Primeiro: nenhum homem decente abordava uma mulher em público, conforme o costume tanto judeu quanto samaritano. Segundo: um judeu que se prezasse não pedia jamais um favor a um samaritano. Jesus, portanto, quebrou dois preconceitos ao mesmo tempo, coisa que escandalizou os próprios discípulos (v. 27). E, pela narração do Evangelho, ficamos ainda sabendo que era uma mulher de vida irregular (v. 18), que vivia com homem que não era seu marido. A história de Jesus com a samaritana é um exemplo claro da afirmação do próprio Cristo: “Eu vim chamar os pecadores à conversão”. Essa frase ou Jesus a pronunciou, muitas vezes, ou ela chocou muito os Apóstolos, já que três evangelistas a transcreveram (Mt 9,13; Me 2,17; Le 5,32). E por que teria chocado? Porque os hebreus evitavam os pecadores. No caso da samaritana, além de ser ‘pagã’ e de vida desregrada, era mulher. E nenhum rabino perdia tempo em passar ensinamentos a mulheres. Jesus hoje dá um exemplo da verdadeira misericórdia: abriu o coração a uma pessoa necessitada de ajuda.   A história de uma mulher da Samaria Frei Almir Guimarães Como a corça suspira pelas águas correntes, assim a minha alma suspira por ti, ó Deus. Minha alma tem sede do Deus vivo: quando virei a contemplar o rosto de Deus?Salmo 42, 2-3 O desejo humano diferencia-se do desejo dos animais que se confunde com as necessidades, pois o destes visa unicamente no quadro da luta pela sobrevivência, à assimilação instintiva do objeto. O desejo do ser humano é uma sede diversa: é o desejo de ser amado, olhado, cuidado, desejado e reconhecido. Ser humano é sentir que a existência depende desse reconhecimento, mais do que de outra coisa qualquer, e por isso está pronto a ariscar tudo, até a própria vida. Enquanto desejamos objetos quaisquer que eles sejam, enquanto nos deixamos mover no encalço das coisas, carreiras, títulos, honorificências, o nosso desejar não é ainda um desejar verdadeiro. O puro desejo principia quando se formula, sem mais, como nua abertura ao outro.José Tolentino MendonçaElogio da sede, Paulinas, p. 48 Quaresma, tempo que nos leva ao esplendor da noite pascal, tempo de revisão de vida, tempo em que desejamos aquilo que a sede provoca em nós. Tempo de renovar nosso mergulho batismal na morte e ressurreição do Senhor. O encontro de Jesus com a mulher de Samaria faz parte do patrimônio da quaresma. Os que se preparavam para o batismo no clássico período do catecumenato (sec. IV e V) se afeiçoaram a esse poço e a essa mulher tão cheia de perguntas e de questionamentos. Como desfecho do encontro ela exclama: “Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz. Será que ele não é o Cristo?” Assim a mulher poderia fazer o relato de seu inesperado e alvissareiro encontro: “Quando eu cheguei ao poço aquele homem já estava se aproximando. Lembro-me que era um dia muito quente. Veio a Sicar e parecia exausto. Sentou-se à beira do poço. Era um judeu. Quando cheguei era bem por volta do meio-dia. Fui lá para encher o cântaro de água e nem podia imaginar o que ia acontecer. Não é que aquele estrangeiro resolveu me dirigir a palavra! Pedia que lhe desse a beber. Fui categórica: “Onde se viu tu, judeu, pedir água a uma mulher samaritana!!” Ele não reagiu. Continuou a conversa. Ele começou a me dizer que se eu soubesse quem ele era, eu que pediria a beber, que ele tinha uma água viva, e que quem dela bebesse não precisaria ir ao poço tantas vezes. Começou a dizer que eu deveria pedir o dom de Deus. Imaginem nem balde ele tinha. Como poderia me dar de beber? Ele queria ser maior do que nosso pai Jacó. Confesso que fiquei curiosa e quase revoltada. Não esqueço nenhuma das palavras que ele disse. Elas martelavam em minha cabeça. Fiquei impressionada com aquela história de água viva que ele tinha a oferecer proveniente de Deus. Estas palavras calaram fundo dentro de mim: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. Mas quem beber da água que eu lhe der, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água para a vida eterna”. Essas palavras ficaram gravadas em mim. Eu poderia ter uma misteriosa fonte dentro de mim. Lembro-me que lhe disse então: “Senhor, dá-me desta água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha que vir aqui para tirá-la”. Penso que naquele momento eu não dizia coisa com coisa. Água, sede… sei lá… Depois fui me dando conta que ele me conhecia por dentro… estranhamente. Pediu que eu fosse chamar meu marido e já estivera ciente que já tivera cinco e o homem com quem eu vivia não era meu marido… Curioso. Pareceu um profeta, um leitor do profundo das pessoas. A conversa continuou. Num determinado momento houve uma declaração extraordinária. Eu lhe disse, então: “Sei que o Messias deve chegar, que se chama Cristo e que vai ensinar todas as coisas”. Então, pasmem, ele me disse: “O Messias sou eu que estou falando contigo”. Nesse momento chegaram os que andavam com ele… e nem tive tempo de continuar a conversa. Não conseguia assimilar aquilo que ele me dissera. Deixei o cântaro lá. A água poço ficara em segundo plano. Agora sentia dentro de mim uma estranha sede. Comecei a pensar que ele tinha no poço de seu coração uma fonte borbulhante de vida. Estava começando a me ligar ao fascínio desse homem sentado à beira do poço. Fui correndo para a cidade dizendo que havia encontrado um homem que havia lido as páginas do livro da minha vida. Comecei a pensar seriamente que ele era mesmo o Messias. Uma sede louca e diferente ardia em minha garganta”. Concluindo: ♦ Esta admirável página do diário de uma mulher samaritana deve ser completa ainda com observações do quarto evangelista: “Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus, por causa da mulher que testemunhava: Ele me disse tudo o que fiz. Por isso os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa de sua palavra. E disseram à mulher: “Já não cremos por causa de tuas palavras, pois nós mesmo ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo” (Jo 4, 39-42). ♦ Há homens e mulheres desejosos de plenitude e dos quais hoje o Cristo ressuscitado se aproxima questionando seus projetos de vida e insinuando-se em suas existências pela Palavra, pelos acontecimentos da vida, pelos apelos ao silêncio, pelos sinais dos tempos. Quem sabe, muitos de nossos contemporâneos, mesmo depois de certa caminhada de fé, podem também, como a mulher da Samaria, dizer: “Será que ele não é o Cristo?” ♦ “Hoje, torna-se cada vez mais claro que as sociedades capitalistas, organizadas à roda do consumo, explorando avidamente as compulsões de satisfação de necessidades induzidas pela publicidade, estão, na prática, removendo a sede e o desejo tipicamente humanos. O discurso capitalista promete liberta o desejo das inibições da lei e da moral em nome de uma satisfação ilimitada. Mas quando o gozo, a paixão, a alegria se esgotam no consumismo desenfreado, seja de objetos, seja das próprias pessoas, chegamos à extinção da sede, à agonia do desejo. A vida perde horizonte. Os tetos tornam-se cada vez mais baixos. Há nas nossas culturas, e nas nossas Igreja de igual modo, um déficit de desejo. Quando se adverte que estamos assistindo no presente à emergência, cada vez em escala maior, de sujeitos sem desejo, isto deve conduzir-nos a uma autocrítica eclesial. Nós, os batizados, formamos uma comunidade de desiderantes? Os cristãos têm sonhos?” José Tolentino MendonçaElogio da sede, op.cit., p. 48-49 Oração Tu não podes suportar, Senhor,que um só dos teus se perca.Tu nos procuras quando nos afastamos de ti.Tu vais em busca dos que nós abandonamos.E vais procurar aqueles dos quais ninguém sente falta.Sempre te perdes entre os perdidos para encontra-los.Nós nos entregamos a esta certeza,a esta promessa que rompe nossos esquemas,nos entregamos a teu amor cheio de ternura e imaginaçãoporque sentimos tua misericórdia e fidelidadeem nossa vida.F. Ulíbarri   A religião de Jesus José Antonio Pagola Cansado da caminhada, Jesus se senta junto ao poço de Jacó, nas proximidades da cidade de Sicar. Logo chega uma mulher samaritana para saciar sua sede. Espontaneamente Jesus começa a falar com ela do que traz em seu coração. No decorrer da conversa, a mulher lhe fala dos conflitos que enfrentam judeus e samaritanos. Os judeus peregrinam a Jerusalém para adorar a Deus. Os samaritanos sobem o monte Garizim, cujo cume se divisa do poço de Jacó. Onde se deve adorar a Deus? Qual é a verdadeira religião? O que pensa o profeta da Galileia? Jesus começa esclarecendo que o verdadeiro culto a Deus não depende de um determinado lugar, por muito venerável que possa ser. O Pai do céu não está atado a nenhum lugar e não é propriedade de nenhuma religião. Não pertence a nenhum povo concreto. Não devemos esquecer que para encontrar-nos com Deus não é necessário ir a Roma ou peregrinar a Jerusalém. Não é preciso entrar numa capela ou visitar uma catedral. Do cárcere mais secreto, da sala de terapia intensiva de um hospital, de qualquer cozinha ou lugar de trabalho podemos elevar nosso coração a Deus. Jesus não fala à samaritana de “adorar a Deus”. Sua linguagem é nova. Até por três vezes lhe fala de “adorar o Pai”. Por isso não é necessário subir a uma montanha para aproximar-nos um pouco de um Deus longínquo, alheio aos nossos problemas, indiferente aos nossos sofrimentos. O verdadeiro culto começa por reconhecer a Deus como Pai querido que nos acompanha de perto ao longo de nossa vida. Jesus lhe diz algo mais. O Pai está buscando “verdadeiros adoradores”. Não está esperando de seus filhos grandes cerimônias, celebrações solenes, incensos e procissões. Corações simples que o adorem “em espírito e em verdade” é o que Ele deseja. “Adorar o Pai em espírito” é seguir os passos de Jesus e deixar-nos conduzir como Ele, pelo Espírito do Pai, que o envia sempre para os últimos. Aprender a ser compassivos como o é o Pai. Jesus o diz de maneira clara: “Deus é Espírito, e aqueles que o adoram, devem fazê-lo em espírito”. Deus é amor, perdão, ternura, sopro vivificador … e os que o adoram devem assemelhar-se a Ele. “Adorar o Pai em verdade” é viver na verdade. Voltar constantemente à verdade do Evangelho, sermos fiéis à verdade de Jesus sem fechar-nos em nossas próprias mentiras. Depois de vinte séculos de cristianismo, será que aprendemos a dar culto verdadeiro a Deus? Somos os verdadeiros adoradores que o Pai está buscando?   O batismo, “água viva” Pe. Johan Konings A água é tão vital que sua escassez até poderá provocar uma terceira guerra mundial. Sem água não há vida. Quando os hebreus no deserto desafiaram Deus exigindo água, Deus lhes deu água física (1ª leitura). No evangelho, Jesus conscientiza a mulher samaritana de sua sede bem mais profunda, não por água material, mas por “espírito e verdade”. Esta sede é aliviada pelo dom de Jesus Cristo. Ele é a “água viva”, que acaba definitivamente com a sede e faz o mundo viver para Deus. Paulo, na 2ª leitura, evoca “simbolismo da água para falar do amor de Deus, derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O batismo é a efusão do Espírito sobre os fiéis. Esse dom de Deus é gratuito. Os hebreus, no deserto, desconfiaram de Deus e acharam que deviam desafiá-lo. Mas o dom do Espírito trazido por Cristo, que dá sua vida por nós, e pura graça. Nem sequer conseguimos pedi-lo como convém, porque ultrapassa o que pedimos. Por isso, devemos deixar Deus converter e educar o nosso desejo, para que nosso desejo material nos leve ao desejo da vida no Espírito. Por outro lado a consciência do dom espiritual (= divino) não leva a desprezar o desejo materialista daqueles que realmente estão necessitados. O desejo fundamental conforme a vontade de Deus orienta também a busca dos bens materiais necessários e sua justa distribuição. Precisamos de verdadeira “educação do desejo”. Nossa sociedade consumista não “cultiva” o desejo, mas exacerba-o e o torna desenfreado. Em vez disso, devemos aprofundar nosso desejo, para que ele reconheça a sua meta verdadeira: a “água viva”, Cristo, o dom de Deus na comunhão com o nossos irmãos… O desejo da água natural significa o desejo de viver. Aliviada a sede, o desejo continua. Qual é o seu fim? O desejo não é pecado: é bom, é vital, mas deve ser orientado; através das criaturas para seu verdadeiro fim, o Criador. A Quaresma é na tradição da Igreja, o tempo da preparação para o batismo. A água do batismo significa uma realidade invisível, aponta para a satisfação de nosso grande desejo: a vida que Cristo nos dá, o Espírito de Deus, derramado em nossos corações. A “educação” de nosso desejo pode ser a preparação da renovação do nosso compromisso batismal. E a melhor pedagogia para isso é começar a não mais satisfazer qualquer desejo mesquinho e egoísta, mas concentrar nossa vida em torno do desejo profundo – material e espiritual – de nós mesmos e dos nossos irmãos. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Encontro das Novas Comunidades, Novos Movimentos Eclesiais, e outras Formas de Consagração com o Bispo Diocesano

Foi realizado na cidade de Bragança, no dia 08 de março, o Encontro das Novas Comunidades, Novos Movimentos Eclesiais, e outras Formas de Consagração com o Bispo Diocesano, e contou com a participação de aproximadamente 50 participantes, estiveram presente: a Comunidade de Aliança e Vida Semente do Verbo, a Comunidade de Aliança e Vida Colo de Mãe, a Comunidade de Aliança e Vida Missionários da Misericórdia do Santíssimo Rosário, a Comunidade de Aliança e Vida Semeando com Maria, a Comunidade de Aliança e Vida Nossa Senhora Desatadora dos Nós, a Comunidade de Aliança e Vida Shalom, os Frades Carmelitas Evangelizadores de Santa Teresinha e São João da Cruz e contou também com a presença de Dom Jesus, Bispo Diocesano. Durante o encontro houve a exposição do “Panorama da Vida Consagrada”, onde foi apresentado o contexto histórico e teológico da Vida Consagrada, foi como mergulhar na tradição e na história da Igreja, do mesmo modo foi dado “Orientações sobre as questões Jurídicas, Pastorais e Econômicas” e foi finalizado com uma apresentação dos carismas e da inserção das Novas Comunidades na vida da Paróquia. O encontro foi evidenciado por partilhas, comunhão e o profundo desejo de unidade e obediência que foi semeado por Dom Jesus, da mesma forma possibilitou dar a Novas Comunidades que estão presentes no território diocesano a oportunidade de se unirem, para juntas se fortalecerem e continuarem na missão de evangelizar. “Sendo muitos, somos um só corpo em Cristo, mas cada membro está a serviço dos outros membros” (Rm 12,5). “UMA SÓ IGREJA EXPRESSA EM DIVERSOS CARISMAS” Por Fred Amorim Secretaria de Pastoral Diocesana

Segundo domingo da Quaresma

Que a transfiguração ajude-nos a ver além Frei Gustavo Medella Oxalá o episódio da transfiguração ajude-nos a ver além. Seja inspiração do Mestre que nos promova um olhar mais humanitário, caritativo e ativo. Tomara Deus nos ajude a ter um coração samaritano para enxergarmos naquele que jaz à beira do caminho não uma oportunidade de lucro fácil e ganhos pessoais ilícitos – como enxergaram os ladrões – nem um estorvo à nossa programação pessoal – como viram o levita e o sacerdote –, mas um irmão necessitado de ajuda que, naquele momento, só pode contar conosco. Ou nós ou ninguém. Ou nossa solidariedade ou a morte. A glória de Deus é o ser humano liberto, os direitos respeitados, todo mundo tendo a chance de amar e ser amado. Ao transfigurar-se diante de Pedro, Tiago e João, Jesus deseja revelar a eles – e também a nós – que este mundo diferente é possível e necessário. Em vez do preconceito pautado em rótulos rápidos e rasos, a empatia de quem tem a ousadia de se perguntar: “E se fosse eu, a enfrentar o desespero de estar sem trabalho e ver meus filhos chorando de fome; a precisar com urgência de um exame médico e saber que não vou consegui-lo antes de seis meses; a enfrentar a solidão terrível da inaceitação, do abandono e do desprezo por conta de minha situação vulnerável; a dormir pelas esquinas e vielas sujeito ao frio, à fome, à falta de higiene? E se fosse eu?”. Em vez das soluções fáceis para problemas complexos, em vez da construção de muros e cercas para separar quem tem muito de quem nada possui, o espírito da generosidade e da partilha. Em vez da felicidade de fachada manifesta em selfies e mensagens coloridas nas redes eletrônicas, a transparência de quem se reconhece frágil e pecador, mas profundamente amado por Deus. Oxalá o episódio da transfiguração ajude-nos a ver além!   Segundo Domingo da Quaresma, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai o nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de vossa glória”. Primeira leitura: Gn 12,1-4a Vocação de Abraão, pai do povo de Deus. A vocação e missão de Abraão estão ligadas à promessa divina de uma terra e de uma grande descendência. Será uma bênção o simples fato de alguém ser descendente de Abraão. A promessa inclui também uma grande bênção: “Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (v. 3); isto é, a salvação para todos os povos. Movido pela fé (cf. Rm 4), Abraão larga o conforto e a segurança da terra natal e parte para o desconhecido, confiando nas promessas divinas. A fé do patriarca Abraão torna-se modelo (Hb 10) para todos os seus descendentes e para os cristãos em geral: “A fé é o fundamento do que se espera e a prova das realidades que não se veem” (Hb 11,1). Em Abraão, Deus começa e revelar o plano de sua graça – a nossa salvação –, plano mantido em segredo desde toda a eternidade. Este desígnio de salvação “foi revelado agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo” (2ª leitura). Nós também, cheios de confiança, pelas palavras do Salmo responsorial, rezamos com a Igreja: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça! Venha a vossa salvação”. Salmo responsorial: Sl 32 Sobre nós, Senhor, venha a vossa graça! Venha a vossa salvação. Segunda Leitura: 2Tm 1,8b-10 Deus nos chama e ilumina. Paulo está na prisão e nesta Carta convida seu bispo Timóteo a sofrer com ele pelo Evangelho que os dois estão anunciando, movidos pela força que vem de Deus. Participar do anúncio do Evangelho é um chamado de Deus para a salvação, “por uma vocação santa”. A salvação a qual Deus nos chama não se deve a nossas boas obras, mas é fruto da graça divina. Esta graça, escondida, mas garantida, desde toda a eternidade, foi revelada somente agora, pela manifestação de Jesus Cristo. Apenas agora Deus fez brilhar a vida e a imortalidade, através do Evangelho. – A manifestação de Jesus Cristo se dá pela sua vida terrena, pela sua morte e ressurreição, como vemos na Transfiguração (Evangelho). O caminho para a ressurreição passa pela cruz. Jesus tinha um objetivo em sua vida: Trazer o Reino de Deus, que Ele anunciou e viveu. Ao término de sua viagem a Jerusalém, quis livremente doar sua vida pela nossa salvação. Ressuscitando dos mortos, abriu o caminho da imortalidade para toda a humanidade. Aclamação ao Evangelho Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória. Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós. Evangelho: Mt 17,1-9 O seu rosto brilhou como o sol. Quando Mateus escreve seu Evangelho, seguindo o evangelho de Marcos, coloca a cena da transfiguração na grande viagem de Jesus da Galileia a Jerusalém (Mt 16–20). Os ensinamentos de Jesus e os acontecimentos ao longo desta viagem constituem uma catequese para a vida cristã. Chamam a nossa atenção os três anúncios da paixão e ressurreição de Jesus (Mt 17,21-23; 17,22-23; 20,17-19). Para nós, que vivemos após os acontecimentos, parece tudo claro: Jesus é Messias (Cristo), o Filho de Deus enviado pelo Pai a este mundo, que pregou e viveu o Reino de Deus, morreu por nós e ressuscitou ao terceiro dia. Mas nada era claro para os apóstolos e o povo que seguia Jesus. Quando Pedro confessou Jesus como o Cristo, pensava que o Mestre acabaria sendo proclamado rei em Jerusalém. Achou-se no direito de repreender o próprio Mestre, quando este falava de sua morte em Jerusalém; por isso Jesus o chamou de “satanás”, isto é, alguém que se opõe ao plano divino. Depois disso é que vem a presente cena da Transfiguração. E ainda no mesmo cap. 17 Jesus anuncia, pela segunda vez, sua morte e ressurreição. É neste contexto que devemos ler a Transfiguração. Era noite e, enquanto Pedro Tiago e João dormem envolvidos pelo sono, Jesus está em profunda oração junto ao Pai. De repente, os discípulos acordam e veem Jesus com o rosto brilhante e suas vestes resplandecentes de luz, tendo a seu lado Moisés e Elias. Pedro, então, exclama: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”… Parece ter esquecido que estavam a caminho de Jerusalém e pouco antes da visão gloriosa Jesus lhes falava de sua próxima morte. Por isso, a voz do céu insiste: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o”. Sim, o fato de o Pai ter permitido a morte violenta de seu Filho amado é a manifestação máxima de seu amor por nós. Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida por seus amigos – diz Jesus. Muitos anos depois, Pedro, na Segunda Epístola, recorda a cena da Transfiguração: (Jesus) “Recebeu de Deus Pai a honra e a glória, quando da glória magnífica se fez ouvir a voz que dizia: ‘Este é o meu filho amado, de quem eu me agrado’. E esta voz, que veio do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo” (2Pd 1,17-18). O Evangelho que hoje meditamos nos ensina a não pararmos em nossa vida no monte da transfiguração (“Senhor, é bom ficarmos aqui…”). Como discípulos e discípulas de Jesus, somos convidados a seguir Jesus até o Calvário, aguardando sua gloriosa ressurreição, ao terceiro dia.   Paixão e morte: caminho obrigatório da ressurreição Frei Clarêncio Neotti Não sabemos qual tenha sido o monte em que Jesus se transfigurou. Como o Evangelho fala em ‘alto monte’, a tradição o identificou com o Monte Tabor, o único monte alto da região, com 588 metros de altura, e já tido, havia muito tempo, como montanha sagrada. Na verdade, não interessa a Mateus o problema geográfico, mas o simbólico. A grande aliança de Deus com o povo no deserto acontecera no alto do Sinai, e as tábuas da Lei eram o sinal concreto, visível e viável, do pacto entre Deus e o povo eleito: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Lv 26,12). Jesus está agora caminhando para o momento decisivo da recriação da aliança entre Deus e o povo, está para fazer a “nova e eterna aliança”, como dizem as palavras da Consagração na missa, já não mais gravada em pedra, mas escrita com seu sangue no coração de cada criatura humana. No Sinai, o povo traiu a aliança e preferiu um bezerro de ouro (Êx 32). Agora, pouco antes do episódio da Transfiguração, o povo se divide: a maioria se nega a aceitar a pregação de Jesus; e a minoria torna-se a dividir: uns esperam para logo um reino terreno de liberdade política, liderado por Jesus; outros estão perplexos, apesar da declaração de Pedro, que professara em nome dos doze: “Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Tanto a incredulidade da maioria quanto o comportamento dúbio da minoria vêm anotados por Mateus no contexto da Transfiguração. Jesus seleciona três entre os que ainda podiam crer, e que se tornariam “as colunas da Igreja”, (Gl 2,9) e os leva para o monte, confirma-lhes o caminho da paixão como passagem obrigatória para a ressurreição.   Quanto esplendor no rosto do Senhor! Frei Almir Guimarães Muitas vezes em horas avançadas da vida, assalta-nos a tentação de achar que tudo se passou e nada se construiu, que não há verdadeiramente um fundamento. Olhamos para as nossas mãos e estão vazias, nuas e a tentação é dizer: Será que valeu a pena?”, o que é que eu escutei?”, o que é que meus olhos viram?”José Tolentino Mendonça ♦ Sempre, neste segundo domingo da Quaresma, somos convidados a subir a montanha da transfiguração de Jesus com Pedro, Tiago e João. No final de todo o retiro quaresmal, vamos comemorar a Páscoa do Senhor. Na solene Vigília Pascal acenderemos o círio, luz, claridade. Páscoa é festa da luz. Jesus é beleza e luminosidade. Sua beleza mais deslumbrante manifestou-se em sua ressureição. No início de nossa caminhada quaresmal (ou na caminhada da vida) somos convidados a fazer uma pausa e subir a montanha. Antes de contemplar o semblante chagado, empoeirado, desrespeitado em sua paixão, temos, na montanha, uma prefiguração da glória do Senhor. O que ali vimos com os olhos da fé? ♦ Uma alta montanha… lugar de silêncio e propício para ouvir a voz do Senhor. A transfiguração se dá num espaço de silêncio, recolhimento, sem ruídos de dentro nem de fora, numa atmosfera de oração silenciosa. Jesus se coloca em união íntima com o Pai. Os dois se conhecem e se amam. Nesse misterioso face a face com o Pai o rosto do Filho ficou brilhante e suas vestes brancas. Um ofuscante banho de luz. ♦ Dois personagens se fazem presentes: Moisés e Elias. Moisés, aquele que falava com um Senhor como um amigo fala a um amigo. Moisés que, ao descer da montanha, tinha o rosto todo banhado de luz, da claridade do Senhor, como também se dizia de Santa Clara quando estava em oração. Elias, o homem cansado da luta, desgastado pela oposição, coloca-se à entrada da caverna e, quando a brisa suave acaricia seu rosto, ele se dá conta que era visitado pelo Senhor. Montanha, transfiguração, silêncio, oração. Oração que não é um mero balbuciar de fórmulas, mas êxtase de pobres que abraçam o Senhor. Tolentino gosta de dizer que rezar é abraçar a vida. Tempo do grande retiro quaresmal: tempo de oração com a porta do quarto fechada. ♦ Pedro exprime um desejo: “É bom estarmos aqui… vamos fazer três tendas e eternizar esse momento, estancar o tempo”. Experiência jubilosa de uma proximidade de Deus. O invisível como que se tornava palpável. Pode acontecer que muitas pessoas foram se desvencilhando de seus pequenos interesses e desobstruindo as portas de seu interior, de sua intimidade e venham a ter certeza da proximidade do Senhor. A quaresma não seria um tempo para vivenciarmos uma oração sem pressa, num simples estar com o Senhor, no silêncio? ♦ Quando Pedro ainda falava “apareceu uma nuvem que os cobriu com sua sombra. Presença do Senhor. Os discípulos ficaram com medo de entrar na nuvem. Quando Deus nos cerca e nos coloca contra a parede, quando sua voz atinge o mistério mais profundo de nós mesmos, tudo pode ser diferente. Temos receio de lançarmo-nos de corpo inteiro na louca aventura da fé. A claridade de Deus nos ofusca e temos medo de não suportar. Ele nos seduz, mas temos medo de sermos seduzidos. Ora, vivemos nesse mundo para habilitar-nos a viver na Claridade. Ela será nossa pátria. ♦ “Este é meu filho amado no qual eu pus todo o meu agrado, escutai-o”. No coração da Quaresma, no alto da montanha, em clima de recolhimento e silêncio somos convidados a abrir nossa intimidade à audição do Filho amado. Escutar é mais do que acolher sons que chegam ao nosso aparelho auditivo. Trata-se de dar hospitalidade ao Mistério de Deus que se avizinha. E tirar todas as consequências. ♦ Aqui se insere todo o capítulo do seguimento de Jesus, do aprendizado de ser discípulo. Temos convicção de que não podemos viver apenas de uma fé infantil, não trabalhada, não assumida pessoalmente. Estamos convencidos de que precisamos ser discípulos. Bom seria se pudéssemos viver numa comunidade de pessoas sinceras e transparentes e respirarmos o mesmo ar de busca sem pieguices e infantilismos. ♦ “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do homem enha ressuscitado dos mortos”. Jesus não que os privilegiados discípulos divulguem o que experenciaram. Aquele não passava de um momento. Haveria uma outra montanha: Gólgota, Calvário, Crâneo. Esse Jesus haveria de lá estar pregado ao madeiro, desfigurado, sem beleza, as pessoas virando o rosto ao verem tanta feiura. Tudo vai terminar na entrega: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. ♦ “Mais do que nunca devemos atender ao apelo evangélico: Este é o meu Filho amado, de quem me agrado. Escutar”. Devemos parar, fazer silêncio e escutar mais a Deus revelado em Jesus Cristo. Esta escuta interior ajuda a viver a verdade, a saborear a vida em suas raízes, e não esbanja-la de qualquer maneira, a não passar superficialmente diante do essencial. Escutando a Deus encarnado em Jesus descobrimos nossa pequenez e pobreza, mas também nossa grandeza de seres amados infinitamente por Ele (Pagola, Mateus, p. 217). ♦ Escutar o Senhor é nascer para um mundo novo… Texto para meditação Ouvir o silêncio Diria isto: por vezes o que nos aproxima da autenticidade é o continuar, por vezes o parar. E só o saberemos no exercício paciente e inacabado da escuta. Mas esta audição de nós mesmos não se faz sem coragem e sem esvaziamento, E não podemos estar à espera de condições ideais. Acredito naquilo que o músico John Cage deixou escrito: em nenhuma parte do espaço ou do tempo existe isso que, de forma idealizada, nós chamamos de silêncio. À nossa volta tudo é som, por muito que tentemos encontrar um silêncio. E do mesmo modo se expressou Kafka, falando de sua trincheira, a literatura: “Nunca conseguimos estar o suficientemente sozinhos quando escrevemos, até mesmo a noite nunca é noite nunca é noite o suficiente”. Aquilo que chamamos de silêncio só se torna real e efetivo através de um processo de despojamento interior, e de nenhuma outra maneira”.José Tolentino Mendonça – A mística do instante, Paulinas, p. 118 Para rezar Desfigurações e transfiguraçõesRostos desfigurados:doentes se contorcendo no leito do sofrimentos,migrantes sacudidos pelas turbulências vida,meninos e meninas sofrendo abuso sexual,crianças que perderam os pais na guerra d tráfico,farrapos humanos encontrados mortos depois de um sequestro. Rostos transfigurados:pessoas em oração,religiosa idosa sentada no quintal olhando as borboletas,gente com rosto bonito visitando os abandonados,pessoas livres de si mesmas.   O risco de instalar-se José Antonio Pagola Cedo ou tarde, todos corremos o risco de instalar-nos na vida, buscando o refúgio cômodo que nos permita viver tranquilos, sem sobressaltos nem preocupações excessivas, renunciando a qualquer outra aspiração. Conseguido já um certo êxito profissional, encaminhada a família e assegurado, de alguma maneira, o futuro, é fácil deixar-se levar por um conformismo cômodo que nos permita prosseguir caminhando na vida da maneira mais confortável. É o momento de buscar uma atmosfera agradável e acolhedora. Viver relaxado num ambiente feliz. Fazer do lar um refúgio entranhável, um rincão para ler e ouvir boa música. Saborear boas férias, assegurar agradáveis fins de semana … Mas, com frequência, é então que a pessoa descobre, com mais clareza do que nunca, que a felicidade não coincide com o bem-estar. Falta nessa vida algo que nos deixa vazios e insatisfeitos. Algo que não se pode comprar com dinheiro nem assegurar com uma vida confortável. Falta simplesmente a alegria própria de quem sabe vibrar com os problemas e necessidades dos outros, sentir-se solidário com os necessitados e viver, de alguma maneira, mais perto dos maltratados pela sociedade. Mas existe também um modo de “instalar-se” que pode ser falsamente reforçado com “tons cristãos”. É a eterna tentação de Pedro que sempre nos espreita: “levantar tendas no alto da montanha”. Quer dizer, buscar na religião nosso bem-estar interior, eludindo nossa responsabilidade individual e coletiva na conquista de uma convivência mais humana. E, não obstante, a mensagem de Jesus é clara. Uma experiência religiosa não é verdadeiramente cristã se ela nos isola dos irmãos, nos instala comodamente na vida e nos afasta do serviço aos mais necessitados. Se escutamos a Jesus, vamos sentir-nos convidados a sair do nosso conformismo, romper com um modo de vida egoísta, no qual estamos talvez confortavelmente instalados, e começar a viver mais atentos à interpelação que nos chega dos mais desamparados de nossa sociedade.   Vocação e Promessa Pe. Johan Konings Viver é ser chamado por Deus a entregar-se à sua palavra. No Antigo Testamento, Abraão é o exemplo disso. Tem de deixar toda segurança e confiar-se cegamente à promessa de Deus (1ª leitura). Jesus, no Novo Testamento, é a plentitude dessa atitude (evangelho). Antes de iniciar seu caminho rumo a Jerusalém, ele encontra Deus na oração, na montanha. Aí, Deus o confirma na sua vocação. E, ao mesmo tempo, dá aos discípulos segurança para que sigam Jesus: mostra-lhes Jesus transfigurado pela glória e proclama que este seu Filho é o portador de seu bem-querer, de seu projeto. Se incluímos em nossa meditação a 2ª leitura de hoje, aprendemos que nossa “santa vocação” não é um peso, mas uma graça de Deus. Portanto, não deve nos assustar. A prática cristã exige conversão permanente, para largarmos as falsas seguranças que a publicidade da sociedade consumista e as ideologias do proveito próprio e do egoísmo generalizado nos prometem, para arriscar uma nova caminhada, unida a Cristo e junto com os irmãos. Somos convidados a dar ouvidos ao Filho de Deus, como diz o evangelho, e a receber de Cristo nossa vocação, para caminhar atrás dele – até a glória, passando pela cruz. Assim como Abraão escutou a voz de Deus e saiu de sua cidade em busca da terra que Deus lhe prometeu, devemos também nós largar o que nos prende, para seguir o chamado do Senhor. Isso é impossível sem renúncia (para usar um termo que saiu de moda). Renúncia não é algo negativo, mas positivo: é a liberdade que nos permite escolher um bem maior. Isso vale para ricos e pobres. De fato, o povo explorado deve descobrir a renúncia libertadora. Não privação, mas renúncia. O povo precisa renunciar ao medo, ao individualismo e a outros vícios que aprende dos poderosos. Então saberá assumir sua vocação. E os ricos e poderosos, se quiserem ser discípulos do Cristo, terão de considerar aquilo que possuem como um meio, não para dormir, mas para servir mais, colocando-o à disposição de uma sociedade mais justa e mais fraterna. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Abertas as inscrições para o curso Fé e Cidadania 2020

A CNBB, em diversos de seus documentos, nos fala sobre as exigências éticas para a construção da democracia, responsabilidade e compromisso político dos cristãos leigos/as, motivados pela consciência evangélica da missão eclesial de edificar o Reino de Deus. “A participação consciente e decisiva dos cristãos em movimentos sociais, entidades de classe, partidos políticos, conselhos de políticas públicas e outros, sempre à luz da Doutrina Social da Igreja, constitui -se num inestimável serviço à humanidade e é parte integrante da missão de todo o povo de Deus” (Doc. 105 - CNBB). O Papa Francisco afirma que “envolver -se na política é uma obrigação para um cristão”, e que por isso “devemos implicar -nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o Bem Comum”. O CNLB (Conselho Nacional do Laicato) da diocese de Bragança em parceria com IPAR oferece o curso de formação Fé e Cidadania para contribuir na formação das lideranças leigas, buscando a articulação entre fé e vida. O objetivo do curso é promover a formação de lideranças cristãs, para que possam exercer de forma consciente a sua missão no complexo campo da Política, participando da construção de uma sociedade justa e solidária. Você pode fazer sua inscrição até o dia 10 de abril de 2020. Você pode fazê-la de dois modos: baixando o fôlder e preenchendo o formulário e depois enviando para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Ou, se preferir não gastar papel com sua inscrição, você pode fazê-la direto pela internet, usando o link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeyaIPkVfywtOlBpPf2sNkHy8xVQXe2Kw2QJQgn8Hrd0RjBYg/viewform?vc=0&c=0&w=1. Texto extraído do fôlder do Curso Fé e Cidadania.

Formações paroquiais para catequistas em Aurora, C. Poço e Bonito

Os primeiros meses do ano sempre são escolhidos pelas paróquias para realizarem as formações para os catequistas. Principalmente pelo fato de que, com o início do ano novos catequistas estão chegando e precisam desse primeiro momento de contato e formação com todo o grupo de catequistas. Aurora do Pará Em Aurora participaram 155 catequistas/ Foto: Paróquia de Aurora Seguindo a sequência de formações pela diocese, no último final de semana, a coordenadora da região episcopal Pe. Marino Conti, Sra. Edna Leite, esteve em Aurora do Pará, Paróquia São Raimundo Nonato, realizando formação com todos os catequistas paroquiais. O tema central do momento formativo foi: eu amo ser catequista. A coordenadora contou com apoio do seminarista Flávio Enrique, da Diocese da Campanha e que está fazendo estágio pastoral em Aurora. O pároco do lugar, Pe. Juarez Matos, também esteve presente, acompanhando vários momentos da formação. O momento formativo contou com a participação de 155 catequistas. Capitão Poço A formação realizada na Paróquia Santo Antonio Maria Zaccaria, nos dias 29/02 e 01/03, foi apenas com os Catequistas da cidade. Porém, a paróquia já informou que irá realizar a formação com os catequistas do interior por regiões, para tornar a formação mais acessível a todos eles. Isso começará a acontecer a partir do próximo mês. O momento realizado em Capitão Poço foi apenas para catequistas da cidade/ Foto: Paróquia C. Poço O tema da formação foi: Vocação e missão do catequista dentro da Iniciação a Vida Cristã (IVC). O momento contou com a participação de 156 catequistas. Bonito Na Paróquia São Pedro Apóstolo a formação teve como tema: A catequese a serviço da IVC. O momento formativo foi realizado nos últimos sábado e Domingo, 29/02 e 01/03. A paróquia contou com a presença de 123 catequistas para a formação. A formação foi ministrada por Débora Pupo, que é coordenadora da Catequese do Regional Sul II da CNBB e também coordenadora da Catequese do Estado do Paraná. Em Bonito 123 catequistas estiveram na formação/ Foto: Paróquia de Bonito Por Pascom - Diocese de Bragança Com informações do Diácono Milton Santos

Primeiro domingo da Quaresma

O lugar e o remédio das tentações Frei Gustavo Medella Ao comentar o fato de Jesus, homem e Deus, ter-se submetido às insídias do maligno no deserto, São Leão Magno afirma: “O Senhor permitiu que o tentador lhe visitasse, para que nós recebêssemos, além da força de seu socorro, o ensinamento de seu exemplo”. Fica explicitada, desta forma, a função pedagógica do episódio que pode e deve ser aplicada na vida pessoal de cada cristão e também da comunidade de fé. Trazer para nossa realidade o perigo das tentações e buscar em Cristo – por sua força divina e seu exemplo humano – o caminho para superar tais riscos são duas ações que sintetizam a proposta central do Tempo da Quaresma: penitência e conversão. Sobre a atualidade das tentações e os exercícios disponíveis para superá-las, o franciscano Santo Antônio de Pádua escreve em seus Sermões: “Observa ainda que, como o diabo tentou o Senhor pela gula no deserto, pela vanglória no templo e pela avareza sobre o monte, assim também faz conosco hoje em dia: tenta-nos pela gula no deserto do jejum, pela vanglória no templo da oração e do ofício, e por muitas formas de avareza no monte de nossos ofícios”. Chamam atenção os ambientes onde tais tentações são apresentadas e os exercícios quaresmais aos quais elas estão relacionadas. A tentação da gula no deserto Deserto é lugar de grande espaço vazio, da solidão, onde o ser humano se confronta com a própria pequenez diante da imensidão vazia que percebe a seu redor. Vazio que expressa também o vácuo interior de carências e necessidades que cada um traz dentro de si. É justamente no afã de preencher este vazio que a pessoa sucumbe à tentação da gula que, para além da voracidade em obter e ingerir alimentos, expressa a ilusão de quem acredita que a plenitude de sua vida está numa postura de consumo exagerado, na busca desenfreada por luxos e prazeres que se mostram escandalosamente passageiros e perecíveis. O jejum, neste caso, é o exercício corajoso daquele que se coloca sem medo diante das próprias necessidades, buscando responder honestamente a questões que são incômodas, mas, ao mesmo tempo, profundamente libertadoras: “Por que, apesar de minha vida social agitada e cheia de luxos, sinto-me tão infeliz? Preciso mesmo de todo este aparato para viver de forma digna e sóbria? Até que ponto esta lógica de consumo e superficialidade também se estende no universo de meus relacionamentos?” Quem tem a ousadia de buscar respostas sinceras a tais perguntas, certamente chegará a respostas que mostrarão um caminho de maior sobriedade e consistência existencial. A tentação da vanglória no templo Templo é lugar de cultivar a relação com o Sagrado, de forma que a este tipo de tentação, a princípio, estão sujeitas as pessoas que se identificam com práticas religiosas, às vezes mais ou menos institucionalizadas. É o caminho do fanatismo, da intolerância, do julgar-se mais perfeito do que seus semelhantes, do compreender a figura de Deus como um devedor de alguém (no caso o próprio crente) que, em tese, lhe é tão fiel na observância de doutrinas e práticas bem delineadas. O antídoto para esta delirante tentação é a oração humilde, que brota de um coração que se percebe pequeno e fragilizado. É a reza sofrida e esperançada do publicano (Lc 18,9-14), que não se vale dos próprios méritos, mas entrega-se com confiança à misericórdia infinita do Pai. Encontrar esta via de uma oração sincera e despretensiosa de qualquer vestígio de vaidade é achar o tesouro de uma relação íntima e amorosa com Deus. A tentação da avareza no alto do monte Alto do monte é o lugar das responsabilidades e encargos que cada um possui em sua caminhada. Diz das posições de poder que a pessoa alcança em seu percurso existencial. No entanto, na perspectiva cristã, nenhum poder é finalidade em si mesmo, mas sempre deve estar a serviço da promoção do bem comum. A tentação de amarrar-se a uma posição de mando ou coordenação como meio de sustentar-se em privilégios e garantir-se no acúmulo de bens é uma armadilha perigosa que conduz ao isolamento do egoísmo e da desumanização. Para vencer a avareza, o exercício proposto é o da esmola, da partilha generosa ao modo do discreto e silencioso óbolo da viúva (Mc 12,41-44) que, ao dividir o pouco que possuía, manifestou a riqueza de um coração capaz de confiar em Deus e se doar ao próximo.   1º Domingo da Quaresma, ano A Reflexões de Frei Ludovico Garmus  Oração: Possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder a seu amor por uma vida santa. Primeira leitura: Gn 2,7-9; 3,1-7 Criação e pecado dos primeiros pais.  Lemos parte da segunda narrativa da criação. O texto não pretende dar uma explicação científica da origem do ser humano. Os capítulos 2 e 3 de Gênesis não contam a história de um indivíduo. Trazem, sim, uma mensagem profunda que se refere à vida de todas as pessoas. O Adão aqui representa a humanidade. A narrativa mostra a dependência total do ser humano de seu Criador, representada na imagem do oleiro (cf. Jr 18,1-6). Deus modela o ser humano a partir da terra fértil (húmus), sopra em suas narinas o sopro da vida. Depois planta um jardim com árvores e plantas de todas as espécies, entre elas a árvore da vida – à qual o homem tinha livre acesso – e a árvore do conhecimento do bem e do mal: “No dia em que dela comeres… serás condenado a morrer” (Gn 2,17). Em seguida, Deus coloca o ser humano para cuidar do jardim que plantou. No texto hoje anunciado, o ser humano já aparece como homem e mulher, criados um para o outro, como auxílio, ajuda e companhia adequada (cf. 2,20-23). Agora são marido e mulher, ele e ela, complemento mútuo, um para o outro. A serpente mentirosa exerce a função do tentador e convence a mulher a desobedecer ao Criador: “No dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”. Quando desobedecem à ordem divina, os olhos deles se abrem e percebem a própria limitação (nudez, desamparo). O ser humano é mortal e limitado. Se Deus lhe tira o “sopro” de vida, volta ao pó do qual foi tirado (Sl 104,29-30). Não pode ocupar o lugar de seu Criador. Deus não quer a morte do ser humano. Ele o criou livre, capaz de escolher entre o bem e o mal, entre a vida e a morte. Sem esta liberdade, jamais poderia escolher o bem e o Amor. Salmo responsorial: Sl 50 Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pecamos contra vós. Segunda leitura: Rm 5,12.17-19 Onde se multiplicou o pecado, aí superabundou a graça.  A primeira leitura fala do pecado de Adão, que sucumbiu diante da tentação; e o evangelho narra as tentações de Jesus no deserto e como Ele as venceu. A segunda leitura compara a figura de Adão com a de Cristo. O pecado de Adão tornou pecadora toda a humanidade e gerou a morte. A fiel obediência de Jesus ao Pai, até a morte na cruz, gerou a vida divina para todos os homens. Deus torna justos, isto é, agradáveis a Deus, todos aqueles que acolhem com fé o dom gratuito de sua graça. Onde se multiplicou o pecado de Adão na humanidade pecadora, muito mais se multiplicou a graça em Jesus. Todos somos pecadores, condenados a morrer pelo pecado de Adão. Mas  Jesus tomou o lugar de todos os pecados, venceu a morte e conquistou para todos a vida eterna, na comunhão com Deus. Aclamação ao Evangelho Evangelho: Mt 4,1-11 Jesus jejuou durante quarenta dias e foi tentado. Adão foi tentado no jardim de Éden e não resistiu à tentação (1ª leitura). Israel, escolhido por Deus como seu povo, foi provado no deserto e também sucumbiu à tentação (Dt 8,2-3). Depois de ser batizado por João, Jesus é tomado pelo Espírito de Deus e conduzido ao deserto. Passa aí quarenta dias e quarenta noites em jejum e oração e é tentando pelo diabo. Na 1ª tentação o diabo sugere a Jesus que transforme as pedras em pão, se é de fato o Filho de Deus. E Jesus responde que o ser humano não vive somente de pão, “mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. A segunda tentação está ligada à “fome” de glória. O diabo sugere a Jesus que se jogue do ponto mais alto do Templo, diante de todo o povo, como espetáculo e prova que é Filho de Deus; certamente nada lhe aconteceria porque os anjos viriam em seu socorro. Jesus responde com a Escritura: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. A terceira tentação se refere à “fome” e dinheiro e poder. O diabo leva Jesus ao alto de um monte e lhe mostra todas as riquezas do mundo e diz: “Tudo isso eu te darei, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. E Jesus diz: “Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele servirás”. São três tentações messiânicas, mas Jesus escolheu ser o Servo Sofredor. No deserto Jesus define as linhas orientadoras de sua missão. As tentações no deserto acompanharam Jesus durante toda a vida pública (cf. Lc 22,28). Para resolver o problema da fome de pão Jesus propõe a partilha do pão e a conversão para o Evangelho do Reino de Deus. Para a tentação da glória, Jesus propõe o amor ao próximo, no serviço humilde. A terceira tentação é a de querer ser igual a Deus, como a serpente sugeriu para Adão e Eva (1ª leitura). A missão de Jesus se caracteriza pela luta constante contra o pretenso reinado do diabo neste mundo (v. 9), anunciando o evangelho do Reino de Deus. Ao final da 3ª tentação Jesus expulsa o diabo, prenúncio das expulsões de demônios durante sua vida pública. Jesus exige de seus discípulos, de ontem e de hoje, uma opção básica: Ceder às tentações do diabo ou seguir firmemente a Jesus Cristo no caminho das práticas do Reino de Deus. “Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt 6,24).   Vence quem crer em Jesus, Filho de Deus Frei Clarêncio Neotti Embora para nós, brasileiros, a palavra ‘deserto’ pouco nos diga, porque dele não temos nenhuma experiência, na Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, chega a ser mais que uma região geográfica calcinada e árida. O desertovira símbolo. Hoje, olhemos apenas seu lado improdutivo e inabitável, que recorda a maldição de Deus; lugar ideal para a moradia do diabo. Jesus começa sua vida pública no deserto. No meio da humanidade, incapaz de produzir frutos dignosde Deus, aparece Jesus Cristo, a encarnação da bênção divina. Aparece para transformar, na expressão do profeta Isaías (41,18-19), o deserto em um jardim regado e florido. No entanto, a salvação, que Jesus trouxe, não tira o sofrimento humano, não dispensa o homem de lutar contra as forças do mal e, sobretudo, não o dispensa de uma decisão pessoal. O homem já foi chamado de filho da desgraça. Em forma figurada, diríamos: filho do deserto. Mas pode tornar-se filho da graça, se superar as propostas do Maligno, que lhe são apresentadas tão atraentemente. Às tentações do ter, do poder e do dominar, que estão em nosso sangue, desde a desgraça de Adão, Jesus veio propor o desapego, a fraternidade e o serviço. “Se és o Filho de Deus …” Duas vezes hoje o diabo inicia a interpelação de Jesus com essa frase condicional, carregada de ironia. Todo o Evangelho de Mateus foi escrito para mostrar que Jesus de Nazaré era e é o Filho de Deus. Estando Jesus agonizante, volta a frase: “Se és o Filho de Deus, desce da Cruz!” (Mt 27,40). Hoje, Jesus sai da cruz das tentações e sobre essa vitória constrói o Reino, a maneira humano-divina de viver na terra, que Adão não soube fazer. Jesus hoje é vitorioso sem o alarde do milagre. Na Sexta-feira Santa, ele não desce da Cruz, porque nela estava a vitória definitiva do desapego, do serviço, da fraternidade, que geram vida e paz, verdade e salvação. A frase duvidosa do diabo, repetida ironicamente pelos que o injuriavam ao pé da Cruz, precisa transformar-se em afirmativa: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” (Mt 14,33 e 27,54). A fé tem muito a ver com uma decisão pessoal, intransferível. Exatamente a decisão frisada no Evangelho de hoje.   A difícil arte de bem escolher os caminhos da vida As tentações de ontem e de sempre Frei Almir Guimarães Há tentações em nosso caminho que, se cairmos, podem arruinar nossa vida e nos afastar do seguimento de Jesus. Dizemos todos os dias: “Não nos deixeis cair em tentação!” O deserto é o lugar onde ficamos completamente desprotegidos. Lá estamos sozinhos, frente a frente com nós mesmos, com nosso vazio interior, nosso desamparo, nossa solidão, com o imenso nada ao redor e dentro de nós.Grün-Reepen ♦ Tentações, sugestões que nos são feitas para apequenar nossa vida. Convites atraentes para que aproveitemos a vida, de nosso jeito e a partir de nossos interesses, nem sempre os mais generosos, nem sempre os mais transparentes. As tentações sugerem que acolhamos o que nos é proposto sem outras preocupações, deixando de lado de ouvir o grito de plenitude que ecoa dentro de nós nos momentos de verdade, sem prestar atenção ao murmúrio daqueles que perderam a força de viver e clamam à beira dos caminhos da vida. ♦ O tempo da quaresma sempre foi tido como uma bem propícia ocasião para exercitarmo-nos no combate contra as forças que sempre perturbaram e continuam perturbando a implantação de um mundo transparente que veio criar Cristo Jesus, nosso amado e nosso Senhor. Jesus, tentado no deserto, resiste aos convites do poder, do prestígio da autorreferencialidade. O homem vive, isto sim, de toda palavra que sai da boca de Deus. ♦ Começando sua vida pública Jesus vai ao deserto e sai vitorioso. Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Haverás de adorar ao Senhor teu Deus e só a ele servirás. Não tentarás ao Senhor teu Deus. ♦ “Dizer sim ao que posso fazer em conformidade com Cristo. Dizer não às pulsões idolátricas e egocêntricas que nos alienam e contradizem nossas relações com Deus, com os outros, com as coisas, conosco mesmos, relações chamadas a se caracterizarem pela liberdade e pelo amor” (Enzo Bianchi). ♦ Não somos completamente autônomos. Não existimos porque tenhamos nos inventado a nós mesmos. Somos parte dos sonhos de Deus. Escutaremos sempre sua voz, seus apelos para permanecer em seu amor e no bem querer de todos os que também por ele foram sonhados e inventados. Dependemos do Senhor e caminhamos com companheiros de viagem. Vivemos numa definitiva dependência. Não há como sair. Eu e tu, tu e eu. ♦ O diabo havia sugerido que Jesus transformasse pedras em pães. Jesus não se colocará a serviço de seu próprio interesse esquecendo o desígnio do Pai. “Nossas necessidades não ficam satisfeitas apenas com o fato de termos assegurado nosso pão material. O ser humano necessita de muito mais. Inclusive para regatar da fome e da miséria os que não têm pão, precisamos escutar a Deus, nosso Pai, e despertar em nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e solidariedade (Pagola, A Boa Nova de Jesus, Vozes, p. 31). Os anseios do homem não se apagam com o consumo. Homem e mulher vão se tornando humanos quando aprendem a viver como irmãos. ♦ Terrível a tentação do poder, de dominar, de não possibilitar a participação de outros em nossos projetos, de deixar de ouvir o murmúrio que vem do mistério da vida do outro. Tal acontece em nossa vida pessoal, na sociedade e na Igreja. Quanto mais bens e prestigio se tem, mais se deseja. Francisco de Assis quis que seus seguidores e ele mesmo fossem designados de frades, irmãos menores: “E nenhum se chame prior, mas todos, indistintamente se chamem irmãos menores. E lavem os pés uns dos outros” (Regra não-bulada 6,3). ♦ Não se pode viver de maneira inerte e esperar presunçosamente tudo de Deus. Quem entendeu um pouco o que é ser fiel a um Deus que é Pai de todos, arrisca-se cada dia mais na luta pela construção de um mundo mais digno e justo para todos Não tentarás ao Senhor teu Deus. ♦ Tentações de retirar-se da luta, do isolamento, da ideia de que as pessoas se arranjem sozinhas. Do indiferentismo e do “salve-se-quem-puder”. Tentação de enfiar a cabeça na areia e não tomar consciências dos problemas que afetam o presente e o futuro. Tentações nos desertos de ontem e na aridez de nossa vida humana e cristã. Tentação da intolerância e da intransigência. Tentação de parar tomados pelo desânimo. ♦ Nossa escolha será a de tentar ouvir a voz do Senhor, de buscar simplicidade de vida, de colocar de lado a busca da realização de tantos desejos que, uma vez realizados, deixam um sem gosto em nossos lábios, de tentar olhar com carinho efetivo todos os rostos que andam nos olhando. ♦ AFINAL DE CONTAS, QUAL É A NOSSA ESCOLHA? Texto para reflexão “Adão, onde estás?” O Senhor não esperou os teólogos para se explicar em poucas palavras. Todo o esforço de Deus desde a criação tem sido, por todos os meios, fazer o homem compreender que o amava. Esgotados todos os argumentos, apresenta a maior prova. “Não há maior amor do que dar a vida por aqueles que amamos”. Eis tudo. Depois disso não há mais nada a dizer. Quem quiser que compreenda. Aí está o livro aberto sobre a cruz. Toda infelicidade dos homens vem do amor inimaginável que Deus lhes tem. O único pecado é o da recusa. Só se recusa o que é oferecido. “Se eu não tivesse vindo eles estariam sem pecado. Agora não têm mais desculpa”. O Cristo na cruz traduz para o homem um uma linguagem universal, em um sinal tão simples como o pão e a água, o amor incompreensível que o consome. Eis por que não há pecado senão de infidelidade. Os moralistas podem esforçar-se por organizar listas e calcular as contas; é um meio como outro qualquer de escapar ao amor. A verdade é que os caminhos que permitem fugir são numerosos. Não importa qual seja o que se toma: o pecado é o afastamento. Cristo morreu por correr atrás do homem que o atraiu a uma sociedade que sempre mata quem a atrapalha. Em vez de dizer que a Paixão foi a salvação para a humanidade, seria mais exato ver nela o derradeiro apelo: “Adão, onde estás?”É o grito que escapa de todas as chagas do crucificado e impede o autêntico cristão de dormir tranquilo. Jean Sulivan, Provocação ou a fraqueza de Deus, Ed. Herder, São Paulo 1966, p. 111-112 Oração “E não nos deixeis cair em tentação”Rezo devagar estas palavras, fazendo-as minhas.Não me deixes quando as paredes do tempo se tornam instáveis e as palavras de hoje têm a dureza do pão amassado ontem.Não me deixes quando recuo porque é difícil, quando quase me inclino perante idolatria do que é cômodo e vulgar.Não me deixes atravessar sozinho os embaciados corredores da incerteza, ou perder-me no sentimento do cansaço e da desilusão.Não me deixes tombar na maledicência e no descrédito quanto à vida.Que a tua mão levante à altura da luz a minha esperança. José Tolentino MendonçaUm Deus que dança, Paulinas, p. 97   As tentações da Igreja de hoje José Antonio Pagola A primeira tentação acontece no “deserto”. Depois de um longo jejum, dedicado ao encontro com Deus, Jesus sente fome. É então que o tentador lhe sugere atuar pensando em si mesmo, esquecendo o projeto do Pai: “Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se convertam em pão”. Jesus, desfalecido, mas cheio do Espírito de Deus, reage: “Nem só de pão vive o ser humano, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Ele não viverá buscando seu próprio interesse. Não será um Messias egoísta. Multiplicará os pães quando os pobres estiverem passando fome. Ele se alimentará da Palavra viva de Deus. Sempre que a Igreja busca seu próprio interesse, esquecendo-se do projeto do Reino de Deus, ela se desvia de Jesus. Sempre que nós, cristãos, antepomos nosso bem-estar às necessidades dos últimos nos afastamos de Jesus. A segunda tentação ocorreu no “templo”. O tentador propõe a Jesus fazer sua entrada triunfal na cidade santa, descendo do alto como Messias glorioso. A proteção de Deus estará assegurada. Seus anjos “cuidarão” dele. Jesus reage rapidamente: “Não tentarás o Senhor teu Deus”. Ele não será um Messias triunfador. Não colocará Deus a serviço de sua glória. Não fará “sinais do céu”. Só sinais para curar enfermos. Sempre que a Igreja coloca Deus a serviço de sua própria glória e “desce do alto” para mostrar sua própria dignidade, ela se desvia de Jesus. Quando nós seguidores de Jesus buscamos mais “nos dar bem” do que “fazer o bem”, também nos afastamos dele. A terceira tentação sucede numa “montanha altíssima”. Dela se divisam todos os reinos do mundo. Todos estão controlados pelo diabo que faz a Jesus uma oferta assombrosa: ele lhe dará todo o poder do mundo, mas com uma condição: “se te prostras e me adoras”. Jesus reage violentamente: “Vai-te, satanás”. “Só ao Senhor, teu Deus, adorarás”. Deus não o chama para dominar o mundo como o imperador de Roma, mas para servir aos que vivem oprimidos por seu império. Jesus não será um Messias dominador, mas servidor. O Reino de Deus não se impõe com poder, mas se oferece com amor. A Igreja tem que afugentar hoje todas as tentações de poder, de glória ou dominação, gritando com Jesus: “Vai-te, satanás” O poder mundano é uma oferta diabólica. Quando nós cristãos o buscamos, nos afastamos de Jesus.   A libertação do pecado Pe. Johan Konings Se a Quaresma é um tempo de conversão, deve haver de que se converter: o pecado. Mas para muitos, hoje, já não existe pecado. Sobretudo para os que se iludem com seu aparente sucesso e não sentem na pele quanto seu pecado faz sofrer os outros. A história humana se move entre o projeto de Deus e o poder do mal. O mal tenta seduzir o homem para que o adore no lugar de Deus. A 1ª leitura e o evangelho de hoje mostram como Satanás disfarça sua tentação por trás de bens aparentes: conhecimento que nos faz capazes de brincar de deus, satisfação material, poder, sucesso… desde que adoremos o diabo no lugar de Deus! Todos, desde Adão até nós, caímos muitas vezes, ensina o apóstolo Paulo (2ª leitura). O pecado parece estar inscrito na nossa vida. Chama-se isso o “pecado original” – o mal que nos espreita desde a origem, com as suas conseqüências. Será que se pode atribuir um defeito à nossa origem? Deus não fez bem sua obra? Fez bem, sim, mas deixou o acabamento para nós. Deixou um espaço para a nossa liberdade, para que pudéssemos ser semelhantes a Ele de verdade! E é no mau uso dessa liberdade que se manifesta a força do mal que nos espreita. Somos esboços inacabados daquilo que o ser humano, em sua liberdade, é chamado a ser. Mas em uma única pessoa o esboço foi levado à perfeição, e essa pessoa nos serve de modelo. Jesus foi tentado, à maneira de nós, mas não caiu, não se dobrou à tentação do “Satanás”, do Sedutor. Ele obedeceu somente a Deus, não apenas quando das tentações no deserto, mas em toda a sua vida, especialmente na “última tentação”, a hora de sua morte. Por isso, tornou-se para nós fundamento de uma vida nova. Reparou o pecado de Adão. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Retiros de carnaval em Mãe do Rio

Nos últimos dias, de 21 a 26, em que em todo Brasil se festeja o carnaval, na Paróquia de Mãe do Rio, que tem como padroeiro São Francisco de Assis, foram realizados dois encontros de carnaval: um no meio rural e outro na cidade. Isso para possibilitar que as pessoas que não podem se deslocar de suas comunidades rurais para a cidade, tenham a possibilidade de participar de um retiro de carnaval. Da mesma forma, com o retiro na cidade, as pessoas que têm dificuldade de se deslocarem até uma comunidade rural têm a possibilidade de participarem. Estima-se que, somados os dois eventos, tenham participado quase 400 pessoas. E os dois eventos estiveram sob a responsabilidade da Pastoral Familiar, RCC  e Pastoral da Juventude. Participantes do retiro de carnaval em Santo Antonio do Piripindeua/ Foto: Paróquia Mãe do Rio O Retiro Espiritual de Carnaval na Comunidade Santo Antônio do Piripindeua, que trazia a temática "Batizados, enviados em missão pela vida e pela liberdade", trouxe para a juventude reunida, o quão importante somos em nossas comunidades, nossas famílias; que o Cristo se encontra em cada um e cada uma, refletindo nossa missão de batizados, e que nossa juventude é capaz de coisas grandes como o próprio Papa Francisco deixa claro em seus documentos. Na cidade também se trabalhou temas voltados para a espiritualidade, mas também se trabalhou a formação humana e social. Por exemplo, um dos temas foi a educação no trânsito, que contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal - PRF para falar do tema. Agente da PRF ministra palestra sobre trânsito/ Foto: Paróquia Mãe do Rio "Foram dias de muita alegria e esperança... e assim agradecemos a Deus e a virgem Mãe Aparecida, por esta atividade concluída"; assim concluiu o párodo do lugar, Pe. Francisco Ribeiro, quando perguntado sobre os dias de carnaval vividos em sua paróquia. #PastoralDaJuventude #CristoVive Por Pascom - Diocese de Bragança Com informações de Pe. Francisco Ribeiro

Quarta-feira de cinzas

No último dia 26 de março, a Igreja celebrou a Quarta-feira de Cinzas, dando início à Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Recordamos algumas coisas essenciais que todo católico precisa saber para poder viver intensamente este tempo. 1. O que é a Quarta-feira de Cinzas? É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa. A Quarta-feira de Cinzas é uma celebração que está no Missal Romano, o qual explica que no final da Missa, abençoa-se e impõe-se as cinzas obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior. 2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas? A tradição de impor a cinza é da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e se apresentavam ante a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa. A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo. 3. Por que se impõe as cinzas? A cinza é um símbolo. Sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia: “O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”. 4. O que as cinzas simbolizam e o que recordam? A palavra cinza, que provém do latim “cinis”, representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Esta adotou desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência. A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19). 5. Onde podemos conseguir as cinzas? Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes recebem água benta e logo são aromatizados com incenso. 6. Como se impõe as cinzas? Este ato acontece durante a Missa, depois da homilia, e está permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”. 7. O que devem fazer quando não há sacerdote? Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem Missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra. É importante recordar que a bênção das cinzas, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono. 8. Quem pode receber as cinzas? Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive os não católicos. Como explica o Catecismo (1670 ss.), “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”. 9. A imposição das cinzas é obrigatória? A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, algo que sempre é recomendável. 10. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte? Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado. 11. O jejum e a abstinência são necessários? O jejum e a abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição “principal” uma vez durante o dia. A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. As sextas-feiras do ano também são dias de abstinência. O gesto, dependendo da determinação da Conferência Episcopal de cada país, pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço. Na Diocese de Bragança do Pará, em todas as paróquias foi celebrada a Quarta-feira de cinzas. Em muitas delas foram celebradas até mais de uma missa com distribuição das cinzas, como foi o caso da Catedral Nossa Senhora do Rosário, onde foi celebrada uma missa às 08:30 horas e outra às 18:00 horas no Ginásio de Esportes Dom Eliseu. Distribuição de cinzas na Matriz de Garrafão do Norte/ Foto: Claudia Oliveira Na Paróquia São Francisco de Assis, em Garrafão do Norte, tivemos informações de que a Missa de cinzas foi realizada as 18:00 horas na Igreja Matriz. Quem a presidiu foi o Pároco do lugar, Pe. Luis Maria. O Diácono permanente  Ricardo Marreira esteve presente auxiliando o celebrante. Texto sobre a quaresma: Diego López Marina - em acidigital.com Organização: Pascom - Diocese de Bragança

Encontro de carnaval com Cristo e II paróquia na folia em Irituia

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade realizou de 24 a 26 de fevereiro, o Encontro de Carnaval com Cristo e o II Paróquia na Folia reunindo mais de 250 jovens irituienses que viveram um carnaval diferente. O Encontro de Carnaval com Cristo trouxe como tema: “Família convertida, juventude comprometida” e foi realizado no Cenóbio da Piedade aonde a juventude participou de uma programação que envolveu oração, animação, pregação da Palavra de Deus, santas missas, teatro, Cristoteca, stand up católico e uma gincana com as equipes que em cada tarefa envolvia evangelização e uma disputa sadia entre irmãos. Estiveram presentes no evento Pe. Aldo Fernandes (pároco), Pe. Manoel Lopes (Vigário), Antonio Carlos (Seminarista da Diocese que está em missão em Irituia), e as lideranças e servos das pastorais, movimentos e serviços que ajudaram na organização. Na terça, dia 25, dia de Carnaval, o Bloco de Jesus saiu pelas ruas de Irituia em direção a Praça da Igreja Matriz para juntamente com a comunidade católica irituiense, vivenciar o II Paróquia na Folia. No evento, ao som da banda de fanfarra do ECC, tivemos a apresentação do bloco das crianças, das comunidades do Distrito I: São Raimundo Nonato do Km 09 e Nossa Senhora da Boa Viagem do Km 14, São Raimundo Nonato do Lago - Distrito V, Melhor Idade, ECC (Encontro de Casais com Cristo), Guardas de Nossa Senhora da Piedade com a coordenação do Paróquia na Folia e a comunidade em geral que veio apreciar o evento. Pe. Aldo Fernandes agradeceu o empenho de todos os envolvidos no evento e agradeceu a juventude e o povo em geral pela linda festa que fora realizada em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Já no dia 26, aconteceu a missa da quarta-feira de cinzas encerrando o evento e enviando os jovens em missão para suas comunidades para continuar com o propósito de se viver em família os projetos de Deus como fora proposto no tema: “Família convertida, juventude comprometida”. Nossa Senhora da Piedade. Rogai por nós! Laury de Jesus Paróquia Nossa Senhora da Piedade

Missa de Cinzas será no Ginásio Corolão.

A Quarta-Feira de Cinzas, comemorada este ano no dia 26 de fevereiro, será celebrada com missas nas quatro paróquias de Bragança. A Celebração da Imposição das Cinzas abre a Quaresma, período que deve ser marcado por oração, esmola, perdão, reconciliação, penitência, caridade e conversão. A primeira missa na Catedral será celebrada às 8 horas da manhã. Depois de muitos anos, a Paróquia do Rosário decidiu trocar o local da Missa de Cinzas, que este ano, será às 18 horas no Ginásio de Esportes Dom Eliseu. A mudança se faz necessária em função da superlotação do templo. A Missa de Cinzas que será presidida pelo bispo Dom Jesus, marca também a abertura da Campanha da Fraternidade 2020, que este ano traz o tema: “Fraternidade e Vida: Dom e compromisso” e o Elma: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”. HOSPITAL SANTO ANTONIO A Missa de Cinzas na Capela do Hospital Santo Antonio Maria Zaccaria, no bairro Padre Luiz, será celebrada às 16 horas.   PARÓQUIA SÃO JOÃO BATISTA A Missa de Cinzas na Paróquia São João Batista, no bairro Vila Sinhá, será celebrada pelo Pároco Gerenaldo Messias, às 19 horas, quando será lançada a Campanha da Fraternidade 2020.   PARÓQUIA PERPÉTUO SOCORRO Duas missas estão programadas para a Igreja Santuário Mãe do perpétuo Socorro. Pela manhã, às 7 horas e a noite às 19 horas, quando será lançada a Campanha da fraternidade pelo Pároco Luiz Marconi.   PARÓQUIA SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS Três celebrações serão realizadas nesta quarta feira. Às 9 horas, Missa do Retiro de Carnaval “REAVIVA” com a Imposição das Cinzas na Escola Amigos Para Sempre, na Fazendinha. Às 19 horas Missa de Cinzas e lançamento da Campanha da Fraternidade na igreja matriz do Sagrado Coração, no bairro do Morro, presidida pelo Pároco José Calazans. Também, às 7 da noite, na Capela de São Cristóvão, no bairro do Taíra, Missa de Cinzas presidida pelo Pe. Ari Silva. A Missa de Cinzas às 18 horas no Corolão será transmitida pela Rádio Educadora. Reportagem: J. Bahia

Sétimo domingo do Tempo Comum

Os nove degraus da perfeição Frei Gustavo Medella Ao comentar o itinerário proposto no Evangelho deste 7º Domingo do Tempo Comum, São João Crisóstomo destaca: “Observar a que degraus subiu e como nos elevou até o próprio cume da virtude? Quero que o medites, enumerando-os desde o princípio: o primeiro grau é não injuriar [Não enfrenteis quem é malvado]; o segundo, quando injuriados, não nos vingarmos; o terceiro, não aplicar sobre o autor o mesmo castigo com o qual nos fere, mas sim ter mansidão; o quarto, oferecer-se voluntariamente a sofrer injúrias [Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda]; o quinto, oferecer ao injuriador muito mais do que ele exige [Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele!]; o sexto, não odiar a quem nos faz semelhante injustiça; o sétimo, inclusive amá-lo [Amai os vossos inimigos]; o oitavo, ainda favorecê-lo. Finalmente, o nono: rogar a Deus por ele [Rezai pelo que vos perseguem].” (LECIONÁRIO PATRÍSTICO DOMINICAL. Petrópolis: Vozes, 2013, p. 141). O caminho proposto é desdobramento da máxima que encontramos no mesmo texto: “Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito” (Mt 5,48) e que também se manifesta na orientação do Livro de Levítico que aparece na Primeira Leitura: “Sede santos porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19, 2b). Importante destacar que esta não é uma prescrição que Deus oferece por mero capricho, mas Ele se torna o primeiro a abraçá-la na sua integralidade em cada gesto e palavra de Jesus Cristo. A perfeição de Deus não O afasta do ser humano mas assume no Mistério da Encarnação o máximo da empatia. Trilhar com Jesus esta estrada de desafios exige paciência, generosidade e muita disposição. Com frequência se faz necessário até contrariar instintos muito enraizados em nosso modo de perceber a realidade e administrar os conflitos. O desafio maior está, portanto, em passarmos da admiração à ação, buscando com perseverança galgar os degraus propostos pelo Senhor e descritos por São João Crisóstomo. O mais consolador nesta história é termos a consciência e a certeza de que Aquele que nos propõe este trajeto de subida foi o primeiro a percorrê-lo até as últimas consequências.     7º Domingo do Tempo Comum, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, procurando conhecer sempre o que é reto, realizemos vossa vontade em nossas palavras e ações”. Primeira leitura: Lv 19,1-2.17-18 Amarás o teu próximo como a ti mesmo. O texto hoje lido faz parte do conjunto de Lv 17–26, chamado “Lei de Santidade”, por repetir diversas vezes a fórmula “sede santos, porque eu, vosso Deus, sou santo”. As leis deste conjunto exigem que o povo de Israel seja santo, isto é, que saiba distinguir entre o sagrado e o profano e observe as leis morais e cultuais em vista de um relacionamento correto com a santidade de Deus. Os v. 1-2 introduzem o chamado “decálogo levítico” (v. 3-18), que insiste na prática da justiça e caridade nas relações sociais. Neste texto tudo se resume no mandamento “amarás teu próximo como a ti mesmo” (v. 18). O amor exigido dirige-se especialmente aos compatriotas israelitas (Lv 19,15-18), mas não exclui o estrangeiro (v. 10). Quem ama o seu próximo é convidado a corrigi-lo quando age mal. O apelo de Moisés se dirige a toda a comunidade de Israel. É um convite para entrar na esfera do divino: “Sede santos, porque eu o Senhor, vosso Deus, sou santo”. É um convite a imitar a santidade divina. Ensina-nos a agir como Deus age: Deus dá a chuva para bons e maus, justos e injustos, e nos leva a descobrir o próximo até numa pessoa desconhecida, que precisa de nossa ajuda, como Jesus nos ensina na parábola do bom samaritano (Lc 10,23-27). Ensina a amar quem nos calunia ou persegue e exclui o ódio e a vingança. Pois o amor ao próximo como a si mesmo nasce de nossa comum origem em Deus, nosso criador, e no mistério da encarnação. Ser santo como Deus é santo é amar o próximo como a si mesmo. Salmo responsorial: Sl 102 Bendize, ó minh’alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo. Segunda leitura: 1Cor 3,16-23 Não sabeis que sois santuários de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?… O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário. Depois de descrever como se constrói a Igreja, templo de Deus (3,1-15), Paulo tira as conclusões: A presença do Espírito de Deus torna santa a comunidade eclesial. Também o corpo de cada um dos cristãos é templo do Espírito Santo (1Cor 6,19-20). Onde está Deus, não faz sentido endeusar pessoas, dizendo “eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, ou eu sou de Pedro”. Porque todos nós somos de Cristo e Cristo é de Deus. Dividir a comunidade é destruir nossa união com Cristo e com Deus: “Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá” (1Cor 3,17). – Paulo plantou a semente, Apolo e Pedro a regaram e a fizeram crescer. A intenção de cada evangelizador é conduzir todos os fiéis a Cristo Jesus. Paulo se propõe a conduzir todos à sabedoria da cruz de Cristo, que culmina com a sua ressurreição. Aclamação ao Evangelho             É perfeito o amor de Deus             Em quem guarda sua palavra.  Evangelho: Mt 5,38-48 Amai os vossos inimigos.  Para enfrentar a lei da vingança, Jesus propõe a não violência. Para quebrar a cadeia da violência, Jesus pede ao cristão que não responda à violência sofrida com nova violência: “Se alguém te dá um tapa na tua face direita, oferece-lhe também a esquerda”. E proclama “bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra (Mt 5,5). Propõe estender a mão a quem pede pão ou algo emprestado. O amor ao próximo no Antigo Testamento (1ª leitura) previa o amor ao próximo judeu, mas não ao samaritano, ao estrangeiro ou pagão. Jesus propõe não só amar os inimigos, mas até rezar pelo bem deles. Para Jesus, o amor deve estender-se não só aos do mesmo clã, aos familiares ou amigos. Isso também os pecadores e os pagãos o fazem. Para sermos filhos de Deus, devemos imitar o próprio Deus, amando como Deus ama: ele faz nascer o mesmo sol para bons e maus, faz cair a mesma chuva para justos e ímpios. Devemos ser perfeitos – Lucas diz “misericordiosos” –, como o Pai celeste é perfeito. Jesus, que deu sua vida por nosso amor, é o exemplo desta perfeição do amor sem limites.   Vingança nunca; Amor sempre Frei Clarêncio Neotti A expressão ‘olho por olho, dente por dente’ é parte da chamada ‘lei do talião’, adotada por Moisés (Êx 21,23-25). Ainda hoje é usada pelos muçulmanos. A lei do talião estabelece que o castigo seja exatamente igual à culpa. No fundo, a lei quer proteger o culpado contra o excesso de vingança do lesado; é, portanto, positiva. Jesus vai bem mais longe: não procurem nenhuma vingança! “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo”: muitas vezes no Antigo Testamento se fala do amor ao próximo. Mas quem é o próximo? Apenas os que têm o sangue hebreu e, em certas circunstâncias, os estrangeiros vizinhos a uma casa ou a uma causa judia. Neste último caso, o estrangeiro é ‘próximo’ só para a casa vizinha e já não é mais para as outras casas. Em lugar nenhum do Antigo Testamento se diz que o inimigo deve ser odiado. Mas é ensinamento corrente. Inimigo é toda a pessoa que não observa ou não tenha condições de observar estritamente as leis e os costumes das tradições. Mais vezes, no Evangelho, Jesus toca no assunto ‘próximo’ e ‘amigo/inimigo’. Hoje, manda-nos copiar o comportamento do Pai: se o Pai faz nascer o sol sobre bons e maus (Mt 5,45), por que a criatura humana agiria diferente, querendo o sol só para os bons? Ocorrem no texto também os cobradores de impostos ou publicanos. No tempo de Jesus, são desprezados até o ódio. Os publicanos unem-se para proteger-se mutuamente. Amam-se por necessidade. Em outras palavras, Jesus diz: vocês, fariseus, comportam-se exatamente como os publicanos. O amor de vocês é classista, é interesseiro. Não é como o amor do Pai do Céu. A arte do perdão “Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito”Mt 5, 48  O amor ao inimigo não é um ensinamento secundário de Jesus, dirigido a pessoas chamadas à perfeição heroica. Seu chamado quer introduzir na história uma atitude nova diante do inimigo, porque quer eliminar do mundo ódio e a violência destruidora. Quem se assemelha a Deus não alimentará o ódio contra ninguém, buscará o bem de todos, inclusive de seus inimigos.José  Antonio Pagola ♦ Amar os inimigos! É demais! Muitos de nossos contemporâneos teriam vontade de tirar, de censurar este versículo do texto do Evangelho. Palavras incômodas e abertamente contra o bom senso. Segundo o Sermão da Montanha está abolido o princípio do “olho por olho, dente por dente” e se instaura o tempo do perdão. Tema sempre difícil de ser abordado. ♦ Em nossa vida pessoal, na sociedade e mesmo em nossas comunidades cristãs, por vezes, experimentamos a violência, o mau trato, a traição de nossos próximos, um filho está diante de um pai que matou sua mãe, no momento da partilha dos bens em herança há parentes que se aproveitam da ingenuidade dos outros, assaltos, violência, assédios, chacinas, torturas, campos de concentração, momentos em que somos colocados para trás, difamados… e assim por diante. Como perdoar alguém que violenta sua filha diante de seus olhos? ♦ “Quando Jesus fala de amor ao inimigo, não está pedindo que alimentemos em nós sentimentos de afeto, de simpatia ou de carinho para aquele que nos causam mal. O inimigo continua sendo alguém do qual podemos esperar danos e os sentimentos de nosso coração  dificilmente podem mudar” (Pagola). Nada de ingenuidade. É preciso reagir e precaver-se. ♦ Amar significa não fazer mal, não buscar e nem desejar causar mal. Não é contra o amor a exigência de justiça, inclusive que a pessoa seja retirada da sociedade em casos extremos. Não se deve estranhar se não sintamos amor e afeto por ele. Natural que nos sintamos feridos e humilhados. O que seria contra o ensinamento de Jesus seria alimentar o ódio e a sede de vingança. Coloca-se a urgência que nossas crianças e jovens sejam educados para posturas críticas diante do mal.  Que busquem o diálogo desde pequenos para que nasça na sociedade a cultura do diálogo, do entendimento e da não violência. ♦ Estamos diante da necessidade se esterilizar todo germe de violência. O respeito pela pessoa do inimigo deve levar pessoas e sociedades a não pagar o mal com o mal.  Os homens de boa vontade estamos todos empenhados em construir um mundo de entendimento, de diálogo, de busca de vivência mesmo com situações e pessoas difíceis e que ofendem, roubam, matam, destroem as matas, poluem os rios, trucidam. Ghandi, Martin Luther King e Francisco de Assis foram apóstolos do perdão, da não-violência.  Francisco ao domesticar o lobo de Gubbio que anda escondido dentro de cada um de nós. ♦ Não esquecer que todos precisamos de perdão. Magoamos os outros, fazemos com que sofram, percam oportunidades, sofram com nossas indiferenças.  Se queremos ser perdoados  não se compreende que não demos o perdão. “Todos precisamos de perdão. O perdão instala um corte positivo, interrompe a baba inútil da tristeza, essa maceração que nos faz infelizes e nos leva a esmagar os outros de infelicidade. Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida” (Tolentino). ♦ “A pessoa é humana quando o amor está na base de toda sua atuação. E nem sequer a relação com o inimigo deve ser uma exceção. Quem é humano até o fim descobre e respeita a dignidade humana do inimigo por mais desfigurada que possa parecer diante de nossos olhos. Não adota diante dele uma postura excludente de maldição, mas uma atitude realmente por seu bem” (Pagola). ♦ Amando os vossos inimigos “vos tornareis filhos de vosso Pai que está nos céus que faz nascer o sol sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos”. No alto da cruz Jesus pede ao Pai.  “Perdoai-os porque não sabem o que fazem”. Texto para reflexão O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança.  O perdão não é um acordo. Se me que quedo à espera de aquele que me oprimiu venha ao meu encontro arrancar-me da  mágoa, posso esperar sentado. O perdão é esse gesto unilateral que recusa dar voz à vingança e que crê que por detrás daquele que me feriu há ainda um ser humano vulnerável, mas capaz de mudar. Perdoar é crer na possibilidade de transformação, a começar pela minha (Tolentino) Oração Senhor Jesus, supre nossas deficiências,ilumina nosso caminho.Dá-nos luz para descobrir os obstáculos,força para superá-los,audácia para buscar novos caminhose fé para saber que existem.Dá-nos a capacidade de aceitar aqueles que palmilham outras estradas, esperar os que caminham lentamente, apoias os que se cansam, levantar os que caem e compreender os que vão embora.Assim seres teus companheiros de caminhoe tu caminharás ao nosso lado. Amém.(Autor anônimo).   A não violência José Antonio Pagola Nós, cristãos, nem sempre sabemos captar algo que Gandhi descobriu com alegria ao ler o Evangelho: a profunda convicção de Jesus de que só a não violência pode salvar a humanidade. Depois de seu encontro com Jesus, Gandhi escrevia estas palavras: “Lendo toda a história desta vida … me parece que o cristianismo está ainda por realizar … Enquanto não tenhamos arrancado pela raiz a violência da civilização, Cristo ainda não nasceu”. A vida inteira de Jesus foi um apelo a resolver os problemas da humanidade por caminhos não violentos. A violência sempre tende a destruir; pretende solucionar os problemas da convivência arrasando aquele que considera inimigo, mas não faz senão provocar reação em cadeia que não tem fim. Jesus convida a “fazer violência à violência” O verdadeiro inimigo para o qual devemos dirigir nossa agressividade não é o outro, mas nosso próprio “eu” egoísta, capaz de destruir a quem se opõe a ele. É um equívoco acreditar que o mal pode ser detido com o mal e a injustiça com a injustiça. O respeito total ao ser humano, tal como Jesus o entende, está pedindo um esforço constante para suprimir a mútua violência e promover o diálogo e a busca de uma convivência sempre mais justa e fraterna. Nós cristãos devemos perguntar-nos por que não soubemos extrair do Evangelho todas as consequências da “não violência” de Jesus, e por que não lhe demos o papel central que há de ocupar na vida e na pregação da Igreja. Não basta denunciar o terrorismo. Não é suficiente assustar-nos e mostrar nossa repulsa cada vez que se atenta contra a vida. Dia a dia temos de construir entre nós uma sociedade diferente, suprimindo pela raiz “o olho por olho e dente por dente”, e cultivando uma atitude reconciliadora difícil, mas possível. As palavras de Jesus nos interpelam e nos sustentam: “amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos perseguem”.   Ser perfeito como Deus!  Pe. Johan Konings Quem hoje pretendesse querer ser perfeito como Deus granjearia alguns sorrisos irônicos … E, contudo, é o que Jesus ensina no Sermão da Montanha (evangelho). A vocação à perfeição “como Deus” é um tema fundamental para a vida de todo cristão – não só para os santos e beatos. Na primeira página da Bíblia está que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26). Ele quer ver sua imagem em seu povo eleito, Israel: “Sede santos, porque eu, vosso Deus, sou santo” (1ª leitura). Pela aliança, os israelitas “são de Deus”. Ora, Deus não quer envergonhar-se de sua gente. Por isso, quer que sejam irrepreensíveis, e uma das suas exigências é que eles não briguem entre si, não se matem em eternas vinganças etc. Numa palavra: que amem seus “próximos” (= compatriotas) como a si mesmos (Lv 19,18). Ora, ninguém entende como Jesus, o que exige essa pertença a Deus. Deus é o Pai de todos, de bons e maus, e ama a todos como a seus filhos. Então nós, seu povo, devemos também amar a todos, inclusive os inimigos! Assim nos mostraremos semelhantes a Deus e realizaremos a vocação de nossa criação. O homem moderno (como o de todos os tempos) gosta de ser seu próprio deus. Em vez de querer ser semelhante a Deus, só olha no espelho … Será por isso que existem inimizades tão cruéis em nosso mundo, a violência descarada das bombas atômicas, a violência “limpa” das “guerras cirúrgicas”, a cínica exploração das massas populares? No mundo reina divisão, entre nações, religiões, classes sociais; até na Igreja ricos e pobres vivem separados. Onde existe esse amor ao inimigo que Jesus ensina? Pois bem, exatamente por causa dessas divisões, o amor ao inimigo é indispensável. Se todos estivéssemos perfeitamente de acordo, não precisaríamos desse ensinamento de Jesus! As lutas e divisões que são a matéria da História e que têm reflexos mesmo entre os fiéis não devem excluir o amor à pessoa, ainda que se lute contra sua ideia ou posição. As divergências tornam ainda mais necessário o amor – que consistirá talvez em mostrar ao “inimigo” que ele defende um projeto errado ou injusto … O ser humano realiza sua vocação de ser semelhante a Deus, quando ama a todos com o amor gratuito de Deus, sem procurar qualquer compensação. Por essa razão, deve empenhar-se de modo especial pelos pobres, estranhos etc. – e também amar os inimigos. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Curso Saúde integral: Plantas medicinais, fitoterápicos e terapias integrativas.

A Rede Bragantina de Economia Solidária, entidades parceiras, colaboradoras, voluntárias e 41 lideranças de 15 municípios, atuantes em comunidades rurais, no âmbito da saúde familiar e comunitária, foram protagonistas do curso Saúde integral: Plantas medicinais, fitoterápicos e terapias integrativas. Nos dias 12, 13, 14 e 15, participantes do curso interagiram com as facilitadoras e terapeutas, suas experiencias, saberes, cuidado e dedicação e compromisso coletivo com o Bem Viver, no trato com plantas medicinais e valorização dos saberes ancestrais. As facilitadoras do curso trabalharam com bastante ênfase sobre a importância da valorização da nossa querida Amazônia. E com este enfoque, usamos plantas da rica socioagrobiodiversidade como base para manipulação de fitoterápicos: xarope, tintura, extrato, sabonete. Assim construímos em todos os momentos do curso, a mística, a espiritualidade, a sessões terapêuticas, que nos ajudou a compreender e interligar saberes e conhecimento científico, para cuidar da saúde integral.  Recorremos a contribuição da Agroecologia, associando a dimensão produtiva para cuidar da segurança alimentar, com uma agricultura diversificada. Criando alternativas de mercado para comercialização local, direto com os consumidores, e em Rede nos centros urbanos. Essas e outras inciativas, são estratégias de autonomia para agricultura familiar, gerando trabalho e renda nos municípios, e a organização social em Rede com movimentos e pastorais sociais, para o exercício da cidadania ativa, em nível municipal, estadual e federal. Como encaminhamentos desse evento, as propostas orientadoras do planejamento de trabalho em 2020, visam o fortalecimento de iniciativas coletivas, que serão organizadas e desenvolvidas por cada grupo participante. No sábado dia 15, foi realizada a Feira de Economia Solidária.  Um momento gratificante de partilha com os moradores da cidade do município de Santa Luzia. Compreendemos que estamos interligados e em sintonia com o Papa Francisco, pois vivenciamos e incentivamos a cultura de Paz e respeito – não violência e abuso – caminhando em Rede por uma economia centrada na pessoa, no cuidado com a natureza, com a valorização dos saberes ancestrais. Por ECRAMA e Rede Bragantina de Economia Solidária

Sagra Fest 2020

No Sábado dia 15 de fevereiro, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Bragança-PA, realizou uma edição especial do Sagra Fest (Um carnaval diferente). Esta edição especial (15ª Edição), foi organizada pela Pastoral da Juventude, Catequese, ECC e Pastoral Familiar, motivados pelo Vigário Paroquial Pe. José de Arimatéia. O Evento contou com a participação da juventude paroquial, de inúmeras famílias, de colaboradores / patrocinadores, e de visitantes de outras paróquias. A concentração foi na Capela de São Miguel Arcanjo, no Bairro Alto Paraiso, de lá saíram todos em arrastão pelas ruas da Paróquia com animação em trio, até chegar a Matriz. No estacionamento Paroquial a animação ficou por conta do Grupo Kerigma, da Paróquia São Miguel Arcanjo da cidade de Augusto Correia-PA. Desta forma a nossa Paróquia se alegra em estar junto aos jovens de modo especial, mas se alegre muito mais por este momento se transformar em um momento de Evangelização da Juventude e dos paroquianos em geral. Sagra Fest (História de nossa Paróquia)O Sagra Fest, foi um evento de grande participação dos paroquianos de nossa Paróquia e das Paróquias de Bragança durante 14 anos. Este estilo de carnaval religioso, surgiu na Paróquia no ano de 2001, período em que o Pe. Antônio Ronaldo Alves Nunes era o pároco e na época foi organizado pela Pastoral da Juventude, o evento contou com 14 edições de 2001 a 2014. Este ano a Pastoral da Juventude, a Catequese, o ECC e a Pastoral Familiar, motivados pelo Vigário Paroquial Pe. José de Arimatéia realizaram a 15ª edição deste grande evento, 6 anos após a última edição Informações: Fabrício B. Castro – Secretário Paroquial Fotos dos participantes.

Sexto domingo do Tempo Comum

Todo mundo tem direito ao que é básico e agradável Frei Gustavo Medella “Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás” (Eclo 15,16). Original a atribuição que a sabedoria do Livro do Eclesiástico confere aos mandamentos. Eles não são um fardo ou uma mordaça que Deus inventou para aprisionar o ser humano. Ao contrário, representam uma indicação valiosa que o Senhor oferece a seus filhos para caminharem na direção de uma vida plena e feliz, livre de condicionamentos que podem tomar a alma humana e conduzi-la a um precipício de isolamento, alienação, egoísmo e solidão. Progredir na Lei de Senhor (Cf. 118) é o caminho da verdadeira liberdade e a pessoa que se propõe a percorrê-lo vai, aos poucos, alargando o coração que se torna grande o suficiente para acolher a medida da graça de Deus, a medida do “amor sem medida”. Amadurecer na Lei de Deus é ter condições de ir sempre além do necessário, de superar a dureza do “olho por olho” e do “dente por dente”, de perceber que todo mundo tem direito a ter acesso ao que é bom e que privilégio de verdade é o bem comum irrestrito e universal. Muito triste perceber o quanto as porções piores de nosso passado escravocrata e colonialista têm emergido em nossa sociedade atual. Mais do que nunca os valores profundos do Evangelho, pelos quais Jesus entregou-se com valentia e firmeza, se fazem urgentes e necessários aos dias que temos vivido. A vida plena que Jesus veio trazer para todos (Cf. Jo 10,10) passa por aspectos bem concretos e imediatos e não é apenas uma promessa que diz respeito ao pós-morte. Vida plena é o direito ampliado, a casa comum de portas abertas, o acesso facilitado ao básico e ao agradável para todo ser humano – contando até um passeio na Disney para quem gosta – sem distinção. Embora distante, tal sonho jamais deve deixar de ser sonhado por aqueles que teimam em enxergar uma luz no fim do túnel que, embora tênue e tremulante, jamais poderá ser apagada pelo brilho efêmero e espetaculoso de uma mentalidade elitista, materialista, excludente e pouco evoluída que, infelizmente, tem feito muitos estragos na vida de nosso povo.   6º Domingo do Tempo Comum, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos viver de tal modo, que possais habitar em nós”. Primeira leitura: Eclo 15,16-21 A ninguém mandou agir como ímpio. O livro do Eclesiástico ou Sirácida é um dos últimos livros di Antigo Testamento a serem escritos (200 a.C.). É um livro sapiencial, que recolhe a sabedoria ou experiência vivida por Israel no relacionamento com Deus e com as pessoas. Sabedoria que é sintetizada na observância da lei de Deus (cf. Dt 4,1-8; 30,15-20). O texto que ouvimos convida a escolhermos o caminho dos justos, que temem a Deus e observam os seus mandamentos. Ao mesmo tempo critica os ímpios, que não temem a Deus e pensam que Ele “não vê” as maldades que praticam (cf. Sl 10,4.6.11; 64,6; 73,21). Deus nos deu a liberdade de escolhermos o caminho dos justos ou seguir o caminho dos ímpios. A palavra de Deus nos transmite a Sabedoria para escolhermos bem e sermos felizes. Estabelece, porém, alguns princípios: Quem observa ou guarda os mandamentos, é guardado por eles; guardar os mandamentos divinos é confiar em Deus, que nos dá a Vida. Deus, nosso criador, num gesto de confiança, concede-nos a liberdade de escolher entre o fogo ou a água, a vida ou a morte, o bem ou o mal. Deus vela sobre aqueles que o temem e buscam a Vida. O autor critica as seguintes afirmações: 1) o pecado é inevitável; 2) Deus não se preocupa conosco e com nossos pecados. Afirma, ao contrário: 1) somos livres para escolher o bem ou o mal; 2) Deus quer nossa salvação e que escolhamos o seu caminho para alcançá-la. Salmo responsorial: Sl 118       Feliz o homem sem pecado em seu caminho,       Que na lei do Senhor Deus vai progredindo. Segunda leitura: 1Cor 2,6-10 Deus destinou, desde a eternidade, uma sabedoria para nossa glória. Nos dois últimos domingos, Paulo nos falava da sabedoria de Deus, contrapondo-a à sabedoria deste mundo. Paulo não veio à cidade de Corinto como um filósofo para ensinar uma nova sabedoria humana. Aliás, saiu-se mal em Atenas ao falar aos filósofos sobre Jesus Cristo, morto numa cruz e ressuscitado (cf. At 17,16-34). Em Corinto também havia os que gostavam de ouvir Paulo falando do Cristo ressuscitado, mas não do Cristo morto numa cruz. Na leitura de hoje, Paulo nos fala da “misteriosa sabedoria Deus, sabedoria escondida”, mas agora revelada na cruz de Cristo. Desde toda a eternidade, antes de criar o mundo, Deus quis que seu Filho Unigênito assumisse a nossa carne humana, se tornasse nosso irmão, morresse por nós na cruz e ressuscitasse dos mortos. Tudo isso, diz Paulo, “em vista da nossa glória”, isto é, nossa salvação. É o amor de Deus que assim planejou tudo isso e “preparou para os que o amam”. Nenhum ser humano poderia ter imaginado que da morte de Cristo, e da nossa morte corporal, pudesse brotar a nova Vida com Deus para a eternidade, quando ressuscitaremos no último dia. Esse plano maravilhoso foi-nos revelado pelo Espírito de Deus. Aclamação ao Evangelho; Mt 11,15      Eu te louvo, ó Pai santo, Deus do céu, Senhor da terra:       Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas. Evangelho: Mt 5,17-37 Assim foi dito aos antigos. Eu, porém, vos digo. Jesus ensina a sabedoria do Evangelho, que supera a sabedoria contida nos mandamentos da Lei. O judeu podia encontrar o caminho para a vida na observância dos mandamentos. O próprio Jesus aponta o caminho dos mandamentos para o jovem que lhe perguntava: “Que devo fazer para ganhar a vida eterna” (Lc 18,18-25)? Jesus não veio para abolir a Lei e os Profetas, mas “para dar-lhes pleno cumprimento”. O evangelho de hoje aprofunda o sentido dos mandamentos. Segundo Jesus eles apontam para a dimensão mais profunda da vontade de Deus, da qual são uma pálida expressão. Jesus exige mais do que a simples observância material da Lei. Exige uma justiça maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus. Reinterpreta o mandamento “não matarás”, ao mostrar que o cristão deve evitar as mínimas ofensas (“tolo”), capazes de se agravar a ponto de levar a tirar a vida do irmão. Agrada mais a Deus a reconciliação com o irmão do que as ofertas que lhe são oferecidas no culto. O simples desejar a mulher do próximo já é adultério. Jesus pede uma atitude radical, uma sensibilidade que revele o mistério escondido em cada pessoa, que é o próprio Deus. Revela a graça divina, o caminho da vida eterna, que é um dom de Deus. Para o cristão Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele revela a verdadeira sabedoria do Evangelho, que nos leva a vivermos felizes o Reino dos Céus (de Deus) já aqui na terra.   Novo comportamento na nova família de Deus Frei Clarêncio Neotti Há três domingos lemos o Sermão da Montanha. Começamos com as bem-aventuranças, que são o portal de todo o Sermão e os valores que fundamentarão todo o Evangelho, valores bastante diferentes dos normalmente apresentados pela psicologia e pela economia. No domingo passado, Jesus chamou àqueles que aceitavam os valores das bem-aventuranças de sal da terra e luz do mundo e os comparou a uma cidade construída sobre um monte, isto é, na segurança. Hoje, Jesus nega que as Bem-aventuranças contrariam o Antigo Testamento, as Leis e as tradições. Diz expressamente que não contrariam, mas também não se identificam. Inovam. Completam. Jesus não é um subversivo em sua pregação, mas se comporta como um profeta, como um novo Moisés, que “retira e propõe coisas novas e velhas” (Mt 13,52). E as propõe como quem tem autoridade (Mc 1,22) e exige radical idade, isto é, que não sejam apenas palavras, mas vida que brote do coração e valores que sejam vividos sem meios-termos. Talvez pudéssemos dizer que Jesus em toda a Lei do Antigo Testamento procurou o miolo, sem dar maior valor à casca, encostada à Lei pelos escribas e fariseus e pela convivência com outros povos.   Diretrizes para um mundo transparente Frei Almir Guimarães É difícil ser transparente, por vezes pode ser muito árido e conduzir à marginalização e à solidão, mas a comunicação alicerçada na hipocrisia, na lisonja e nos bailes das máscaras também não salva da solidão, porque o outro não revela quem ele é, nem o que pensa, nem o que espera de você e, portanto, você não sabe diante de quem você está, nem quais as suas intenções.Francesc Torralba ♦ Neste tempo da vida da Igreja, em nossa liturgia dominical, estamos continuando a leitura do Sermão da Montanha de Mateus, Carta Magna do cristianismo. Pacientemente vamos construindo nossa identidade cristã ao longo do tempo da vida. Não cessamos de nascer de novo. Nascemos de nossos pais e nascemos do Alto, nascemos ao longo das estações da vida. Tudo recomeça. Somos seres inacabados, sempre a caminho. ♦ O Sermão da Montanha faz apelo à generosidade, coerência e transparência. Pede-nos o máximo. Não se trata apenas cumprir obrigações de maneira “certinha” e dar-se por satisfeito. Precisamos chegar a uma postura de seres generosos e transparentes. Tudo começará em nossa verdade mais profunda. Jesus sempre nos adverte contra a mentalidade dos fariseus que observavam ritos e deveres, mas sem alma, de maneira nem sempre transparente e mesmo incoerentemente, com certa duplicidade, sem transparência. ♦ Transparência! “Os cidadãos exigem a transparência das instituições públicas, dos meios de comunicação social e das organizações privadas; exigem leis para garantir seu exercício, esperam saber o que acontece no interior das organizações públicas, como é investido o dinheiro pago por nós todos, como as decisões são tomadas nos bastidores do poder. Há um anseio por transparência”. (Francesc Torralba). Vivemos um tempo que exige o máximo de transparência. Estamos aprendendo a exigir transparência. ♦ Uma justiça maior do que simplesmente o dever cumprido. Justiça, no linguajar do Sermão da Montanha, é bem mais do que fazer as coisas corretas. Será preciso amar, estar presente na vida dos outros. O que importa de verdade é o apreço que lhes devotamos. Eliminar esta preocupação do ser humano de voltejar em torno de si mesmo. A Lei manda não matar. Trata-se de evidência sem necessidade de explicação. O Sermão da Montanha, no entanto, pede interesse e delicadeza pela vida do outro: próximo bem próximo, próximo mais distante. Será preciso promover o outro, a vida, o seu entusiasmo, sua vontade de crescer, de não vegetar, de não morrer vivo. Imaginação e criatividade. Os que usam um linguajar pouco delicado a respeito do outro, de alguma forma, agem mal. Todo esse palavreado grosseiro revela que não temos sensibilidade para com o outro. Se o Senhor nos ama como somos, frágeis e pecadores, ama também aquele que me ofendeu e que direito temos nós de excluí-los de nosso bem-querer? ♦ Quando realizamos o culto é preciso coerência e transparência. Participamos da celebrações da Eucaristia. Nesse momento revestimo-nos de sinceridade, dirigimo-nos ao altar com o melhor de nós mesmos. Ali vamos estar com aquele que deu a vida pelos seus, por todos, inclusive por aqueles que o matavam. A Eucaristia é a renovação incruenta do dom de Cristo no alto da cruz. Corpo dado e sangue derramado. Unimo-nos ao dom do Senhor atualizado nos sinais do pão e do vinho. Dom irrestrito. Amor sem limites. ♦ Não é possível participar com fruto da Missa quando vivemos um clima de inimizade e de falta de respeito para com os outros. Aqui se insere o pecado pessoal e social. Tema delicado. Sempre questão da transparência e da generosidade. Os que vivem criando pontes, os que deixam de cultivar melindres e movimentos de inveja, os que batalham pela dignidade participam excelentemente da Eucaristia. Se assim não for ser será preciso primeiro ir reconciliar com o irmão e depois apresentar a oferenda da vida. Transparência e coerência. ♦ Não olhar uma mulher com desejo de possuí-la – Homem e mulher, companheiros e amigos. Pessoas em construção de uma fidelidade de coração, de mente e de corpo. Tema delicado esse da fidelidade. Os cristãos celebram o seu amor conjugal no sacramento. Dizem um sim que começa e continua sempre a partir do interior. Transparência. Ele e ela. Ela e ele. Não se fere a fidelidade conjugal apenas a busca carnal de outra pessoa. A traição começa no interior da pessoa. Há um adultério que se comete no coração quando se deseja possuir alguém, um desalento, um cansaço mortal. ♦ A delicada questão do divórcio – Não temos condições de abordar exaustivamente o tema. Muitas separações e muitos recasamentos! O casamento, por diferentes motivos, deveria durar. Tudo depende, em princípio, de uma escolha bem pensada. O outro leva tempo para manifestar quem ele é. Há necessidade de tempo para acolher a novidade escondida do outro, há um trabalho a ser feito para construir o amor. Amar é aceitar o outro em sua totalidade. Não se pode esquecer as condições como ficam os filhos com separação. Por isso, casamento e família são realidades que precisam de tempo e empenho. Segundo Chritiane Singer “o casamento é o único relacionamento que nos pede verdadeiro trabalho”. Para a reflexão O amor não é estratégia nem cálculo de contabilidade, nem um investimento que espera lucros. É doação, entrega e é desejo do outro e só pode acontecer em um contexto de transparência mútua. O amor é incompatível com a opacidade porque quando se ama, o que se deseja do outro não é sua máscara, nem sua posição, nem o lugar que ocupa na sociedade; o que deseja do outro é seu ser e precisamente e isso que nunca se pode possuir de ninguém. Oração Dá-nos teu Espírito Senhor:Onde não há Espírito surge o medo.Onde não há o Espírito a rotina invade tudo.Onde não há o Espirito a esperança murcha,Onde não há o Espírito esquece-se o essencial.Onde não há o Espírito não podemos reunir-nos em teu nome.Onde não há o Espírito introduzem-se normas.Onde não há o Espírito não pode brotar a vida.   Deus quer o melhor José Antonio Pagola Na raiz da modernidade há uma experiência nova que condiciona e configura toda a cultura contemporânea. O homem moderno descobriu na ciência e na tecnologia algumas possibilidades antes desconhecidas para buscar sua própria felicidade de maneira mais autônoma e plena. De per si, isto não precisava ter alienado o homem desse Deus que se nos manifestou em Jesus como o melhor amigo da vida e o defensor mais firme do ser humano. Mas aconteceram dois fatos que provocaram o mal-entendido fatal que continua afastando a cultura moderna de Deus. Por um lado, a modernidade, obcecada em salvaguardar o poder autônomo do homem, não sabe ver em Deus um aliado, mas vê nele o maior inimigo de sua felicidade. Por outro, a Igreja, receosa diante do novo poder que o homem moderno vai adquirindo, não sabe apresentar-lhe Deus como o verdadeiro amigo e defensor de sua felicidade. Infelizmente, o mal-entendido persiste. E é triste ver que, muitas vezes, não só os não crentes, mas também os crentes continuam suspeitando que Deus é alguém que nos torna a vida mais difícil do que ela já é por si. O homem está aí procurando viver da melhor maneira possível e vem Deus “complicar-lhe” as coisas. Impõe-lhe alguns mandamentos que ele deve cumprir, assinala-lhe alguns limites que ele não deve ultrapassar e lhe prescreve algumas práticas que ele deve obrigatoriamente acrescentar à sua vida ordinária. Por mais que se fale de um Deus salvador, são muitos os que continuam pensando que, sem ele, a vida seria mais livre, espontânea e feliz. A primeira missão da Igreja hoje não é dar receitas morais, mas ajudar o homem moderno a descobrir que não há um só ponto no qual Deus imponha algo que vai contra nosso ser e nossa felicidade verdadeira. A posição der Jesus é clara: “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. As leis que procedem de Deus e são retamente aplicadas estão sempre a serviço do bem do ser humano, não a serviço de sua destruição. Deus não é um estorvo que nos impede de viver prazerosamente. Um peso que sobrecarrega nossa vida e sem o qual respiraríamos todos mais tranquilos. Deus é o melhor que temos para enfrentar a vida com acerto. O verdadeiro crente sabe e sente que Deus se torna presente em sua vida só e exclusivamente para dar-lhe força, sentido e esperança.   O espírito dos Mandamentos Pe. Johan Konings A sabedoria do Antigo Testamento ensinava que temos uma consciência, para escolher entre o bem e o mal. Para ajudar-nos no escolher, Deus propõe a lei, os mandamentos (1ª leitura). Antes disso, Moisés codificou os mandamentos de Deus para os israelitas. Mas o que significam esses preceitos? Como interpretá-los? No tempo de Jesus havia quem os interpretasse conforme a letra, materialmente: “Não matar” significava simplesmente não tirar a vida de ninguém. Jesus, no evangelho, nos ensina a interpretá-los conforme o espírito do Pai. Escutar Deus mesmo por trás da letra da lei! E o que Deus deseja é “justiça”, isto é, seu plano de amor para com a humanidade: o “projeto de Deus”. Procurar a justiça verdadeira é olhar a vida com amor radical. Então, “não matar” significará muito mais do que a letra diz … Também hoje, muitos interpretam a lei de modo material, sem escutar a vontade de Deus. “Adorar Deus” significa então ir à Igreja, sem amor a Deus. “Não adulterar” significa então respeitar o “contrato matrimonial”, sem renovar diariamente seu amor de esposo. “Não roubar” torna-se bandeira da intocável propriedade privada, em vez de freio contra a exploração … Jesus restituiu a Lei a Deus: puxou-a das mãos dos fundamentalistas e fez ela ser novamente interpretação e instrumento do amor do Pai. E com isso, restituiu-a ao povo, pois assim ela serve para a paz, a felicidade profunda do povo que Deus ama. A nós cabe interpretar a lei pelo amor que Cristo nos fez conhecer. É isso a moral cristã. Colocar a lei a serviço de um amor inesgotável. Então, nunca ficaremos “satisfeitos”: sempre descobriremos uma maneira mais completa para realizar o bem que Deus “aponta” através da lei. A letra da lei não diz nada sobre política, mas o espírito de Jesus nos ensina que hoje, para sermos justos, devemos mexer com as estruturas políticas e econômicas da sociedade. Escutando a voz da consciência e orientando-nos pelo amor que Cristo nos ensina, veremos melhor o que na prática os mandamentos exigem de nós. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Paróquia São Sebastião realiza Assembleia Paroquial de Pastoral.

A paróquia São Sebastião, em Tracuateua/PA, realizou nos últimos dias 07 e 08 a sua assembleia de pastoral baseada no seguinte tema “Que Igreja Somos? E Que Igreja Queremos Ser?” E Lema: “Fomos Batizados num só Espírito Santo para sermos um só corpo” (I Cor 12,13), a qual tinha como objetivo avaliar suas atividades contidas no seu Plano de Pastoral que fora construído na assembleia passada, no ano de 2019, à luz do Plano Pastoral Diocesano. Tal avaliação visa redefinir estratégias que possam viabilizar a sua efetiva implementação, cujo prazo esgotará em 2022. Para tanto, a Paróquia organizou a programação através de palestras, estudos de grupos e celebrações litúrgicas, bem como outras orientações administrativo-pastoral. As palestras tangeram sob temáticas que motivam os agentes pastorais a assumir corajosamente suas funções sendo presença viva de Cristo Ressuscitado na Igreja e na sociedade, a partir dos seguintes subtemas: Que Igreja Somos e que Igreja queremos ser?; Estuda da Campanha da Fraternidade 2020; interligação das CF’s 2019/2020: gestos concretos e o papel do líder cristão na comunidade, que foram mediados por diversos convidados.  Momento de estudo em grupo/ Foto: Carlos Luz O evento contou com a participação dos coordenadores paroquiais das pastorais e movimentos, coordenadores regionais, coordenadores de comunidades e seus respectivos vices, entre outros participantes, os quais somaram aproximadamente 200 (duzentos) pessoas durante os dois dias de realização. Por Marcela Corpes Fotografias de Carlos Luz

Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Bragança, promove a Assembleia Paroquial de Pastoral 2020.

No último final de semana (07 e 08, de fevereiro), a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Bragança-PA, realizou a sua Assembleia Paroquial de Pastoral 2020. Os temas de destaque foram: Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja: 3º Capítulo – Igreja nas Casas; Igreja a serviço da vida plena para todos; Campanha da Fraternidade 2020; Perfil e Missão dos Coordenadores (Comunidades, Regionais e Pastorais, Movimentos e Serviços); e Calendário de Missas do Interior e Cidade. A Assembleia Paroquial de Pastoral, tendo em vista a mobilidade das Comunidades Rurais, aconteceu na sexta-feira (dia 07), até o meio dia de sábado (dia 08). Na sexta-feira as 19h todos participaram da Santa Missa onde houve a Benção de Envio. Já com as Comunidades (urbanas), Pastorais, Movimentos, Grupos e Serviços, haja vista que muitos trabalham em empresas privadas, a Assembleia aconteceu, na sexta-feira à noite (dia 07), e durante o sábado (dia 08) o dia inteiro. No final do dia de Sábado as 19h, aconteceu a Santa Missa de Encerramento da Assembleia Paroquial de Pastoral com a Benção de Envio. A Assembleia, contou com a participação de 80 pessoas do interior e 40 da área urbana. Contou também com a ajuda dos Padres José Calazans – Pároco, José de Arimatéia – Vigário, Raimundo Elias – Pároco da Catedral, que palestrou sobre as Diretrizes da Ação Evangelizadoras da Igreja, e das Imãs Kivia e Joana da Congregação das Irmãs Teresitas, que palestraram sobre a Campanha da Fraternidade 2020. No termino da Assembleia, as Comunidades, Pastorais, Movimentos, Grupos e Serviços, saíram com a tarefa de pôr em ação a 4ª Urgência da Diocese – Igreja a serviço da vida Plena para todos. Informações e Fotos: Fabrício B. Castro

Diocese de Bragança realiza segunda edição do Cristo Folia.

A Diocese de Bragança por meio das quatro paróquias que pertencem a cidade de Bragança, Nossa Senhora do Rosário (Centro), Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Perpétuo Socorro), São João Batista (Vila Sinhá) e Sagrado Coração de Jesus (Morro), realizou neste sábado (08) a segunda edição do Cristo Folia, que é o Carnaval com Cristo, onde reuniu, crianças, jovens e adultos que se divertiram de forma saudável e religiosa. O Cristo Folia teve até abadá personalizado com arrastão vindo das paróquias até a estação cultural Armando Bordalo, o evento foi recheado de muita oração, fé e diversão com 0% de álcool. A animação ficou por conta do DJ Rodrigo Monteiro e a Banda Apóstulus da (Paróquia São Francisco Xavier, em Belém do Pará, por amigos unidos em Deus, Maria e na Fé Católica que professamos) que não deixaram ninguém parado. Padre Raimundo Elias (pároco da Catedral Nossa Senhora do Rosário) disse "para nós é uma alegria ver jovens, adultos, crianças, as famílias todas aqui reunidas se divertindo, pulando um carnaval diferente, sem álcool e drogas, somente com maizena e outros apetrechos de carnaval; e a segunda edição do Cristo Folia superou todas as nossas expectativas, e com certeza aqui tem mais jovens que no passado e boa parte da praça está tomada de fiéis". Até o Carnaval, todas as paróquias irão fazer seus carnavais com Cristo; a coordenação do Cristo Folia estimou cerca de duas mil pessoas participando dessa festa com Cristo. Reportagem: Fabrício Bragança. Fotos: Fabrício Bragança

5º Domingo do Tempo Comum

O sucesso de poucos é fracasso de todos Frei Gustavo Medella Seguir o caminho da justiça e deixar um rastro de glória. Este é o programa de vida proposto pelo Profeta Isaías na Primeira Leitura deste 5º Domingo do Tempo Comum. É um itinerário desafiante, mas realizador, segundo a promessa que o próprio Deus apresenta pela boca do Profeta (Cf. Is 58,9-10). Não se trata de um caminho abstrato, mas que se percorre na concretude do dia a dia, nas pequenas e grandes ações: repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos e vestir os nus. São orientações preciosas e, à medida que ganham corpo, tornam-se capazes de gerar vida, de promover a humanidade, de instaurar o Reino de Deus. Representam metas das quais o cristão não pode abrir mão, sem as quais a Igreja se afasta de Cristo e perde a razão de existir e que não poderiam estar fora do horizonte das políticas de um governo que se elege com o slogan “Deus acima de todos”. Na compreensão cristã, o modo de Deus se colocar acima é inclinando-se para lavar os pés e curar as feridas do que estão nas posições mais inferiores. Qualquer opção que saia deste trilho torna-se falaciosa e inoperante de acordo com os critérios do Evangelho. Nem sempre são opções fáceis, é verdade. Com frequência são até contraditórias diante dos ideais de sucesso apresentados por um modelo de sociedade que privilegia a competição, o acúmulo e o individualismo. De acordo com a Palavra de Deus, sucesso de verdade é vida plena e feliz para todos, sem exceção. Sucesso para poucos, na lógica do Reino, é fracasso para todos. Compreender e colocar esta mensagem em prática certamente não tornará a pessoa rica ou poderosa, mas, conforme a garantia da própria Palavra de Deus, é meio seguro para o ser humano tornar-se eterno, não por seus méritos, mas pela graça de Deus, não pelo patrimônio que construiu, mas pelo bem que foi capaz de realizar, conforme atesta o refrão do Salmo 111: “Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez”.   5º Domingo do Tempo Comum, ano A 2020 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Velai, ó Deus, sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sobre a vossa proteção”. Primeira leitura: Is 58,7-10 A tua luz brilhará como a aurora. O texto hoje lido é de um discípulo do grande profeta Isaías, que atuou em Jerusalém pelo final do séc. VI a.C. Antes dele, em meados do mesmo século, outro discípulo de Isaías havia profetizado entre os exilados da Babilônia, animando-os com grandes promessas a voltarem para Jerusalém (Is 40–55). Uma significativa leva de judeus exilados voltaram à Cidade Santa em ruínas. Mas as promessas do profeta da Babilônia não se cumpriam, os conflitos com os que ocuparam as terras deixadas pelos deportados, provocavam reclamações e desânimo entre os retornados. O povo se perguntava por que as coisas andavam mal. Consideravam-se piedosos e fiéis a Deus e até jejuavam, mas não eram atendidos. É neste contexto que o autor da terceira parte do livro de Isaías (Is 56–66) entra em ação. Denuncia os pecados das elites de então. Oprimiam os trabalhadores e brigavam entre si enquanto jejuavam, como poderiam “chamar isso de jejum agradável ao Senhor” (58,1-6)? Não respeitavam o direito e a justiça nem atendiam a causa dos pobres; enquanto alguns enriqueciam outros caíam na miséria. E aponta a solução: o amor solidário com os pobres. Em vez de reclamar contra Deus lhes parecia distante deviam repartir o pão com os necessitados, acolher em casa os pobres e peregrinos e vestir os que estavam nus. Aproximar-se dos pobres e marginalizados é estar mais próximos de Deus e Ele atenderá nossas súplicas. Deus será mais glorificado quando abandonamos o autoritarismo e a discriminação, e controlamos “a língua maldosa”. Então, sim, nosso modo de viver terá o brilho da aurora e iluminará as trevas em que muitas pessoas se encontram (Evangelho). Salmo responsorial: Sl 111       Uma luz brilha nas trevas para o justo,             permanece para sempre o bem que fez. Segunda leitura: 1Cor 2,1-5 Anunciei entre vós o mistério de Cristo crucificado. O apóstolo Paulo chegou à cidade de Corinto durante a segunda viagem apostólica. Antes tinha passado por Atenas, onde sua pregação não teve sucesso. Ao contrário, ao falar sobre a ressurreição de Cristo aos atenienses Paulo foi ridicularizado pelos filósofos (At 17,16-34). Talvez por isso apresentou-se em Corinto “com temor e tremor”. Não se apoiou em discursos de sabedoria humana, como tinha feito em Atenas (cf. At 17,16-31), mas baseou sua mensagem na manifestação do Espirito e no poder de Deus (1Cor 2,1-5). O Evangelho de Paulo é o anúncio do mistério de Cristo crucificado. No texto hoje lido, o Apóstolo retoma o tema tratado no 4º Domingo, isto é, Deus escolhe o que é fraco, humilde e desprezível. Depois da experiência malograda em Atenas, Paulo chega a Corinto não com o prestígio da sabedoria humana e, sim, para levar a mensagem de Cristo crucificado. Não foram argumentos da razão humana que converteram os coríntios a Cristo. Antes, foi o poder do Espírito Santo que os trouxe à fé cristã. “A fé se baseia no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens”. Paulo foi apenas um instrumento para que se manifestasse a ação do Espírito Santo na comunidade cristã. Aclamação ao Evangelho Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor;             e vai ter a luz da vida, quem se faz meu seguidor. Evangelho: Mt 5,13-16 Vós sois a luz do mundo. O evangelho de hoje é a continuação das bem-aventuranças (5º domingo). A última bem-aventurança dizia: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (de Deus). Se Jesus foi perseguido por anunciar e viver o Reino de Deus é normal que os cristãos que o vivem sejam também perseguidos. Se o mestre foi perseguido e caluniado não é de estranhar que os discípulos também o sejam (Mt 10,17-25). Perseguidos ou não, os discípulos são chamados a serem a luz do mundo e o sal da terra. Anunciar e viver o Reino de Deus neste mundo, envolto em trevas (Mt 4,12-17), resulta num inevitável confronto com as forças do mal (Mt 12,24). O texto apresenta três pequenas parábolas desenvolvidas sobre três palavras: sal, luz e cidade. Sem sal a comida se torna insípida, e sal estragado se joga fora. Os cristãos podem ser poucos e escondidos, como o sal na massa, mas sem eles o mundo seria pior. Eles são também luz e a luz não pode ser escondida, senão perde a função de iluminar. Da mesma forma a cidade no alto de um monte sempre será visível para os passantes ou aos que se achegam a ela. Essa terceira comparação diz respeito à comunidade cristã. Ela deve dar testemunho da Luz, que o Cristo Senhor. Os primeiros cristãos pregavam o evangelho, louvavam a Deus e davam testemunho de Cristo; gozavam da simpatia do povo e crescia o número de conversões (At 2,42-47). Hoje muitos cobram coerência entre o que pregamos sobre Jesus Cristo e como vivemos nossa fé. São as boas obras que dão credibilidade à fé que professamos. Vendo as vossas boas obras hão de glorificar “o vosso Pai que está nos céus”. O Papa Francisco quer dizer quando fala da Igreja em saída. Se a Igreja não sair de seu comodismo, se continuar escondendo os tesouros da fé, como poderá ser a luz do mundo? À medida em que nos abrirmos para os anseios e angústias de nosso tempo, nossa pregação ganhará maior credibilidade.   O retrato bem-feito da pessoa feliz Frei Clarêncio Neotti Compreenderemos melhor esse Evangelho, se nos lembrarmos de que imediatamente antes vêm as Bem-aventuranças. Por meio de três imagens, Jesus mostra as consequências do bem-aventurado, que, exatamente por sê-lo, é perseguido e provado. Podemos dizer que as bem-aventuranças são a estrada a caminhar, ou o campo a cultivar. O ser sal, luz, sinal- as três imagens do Evangelho de hoje – é a consequência, quase diria que é a colheita, de quem plantou no campo das Bem-aventuranças. As três imagens são ricas de sentido, sobrepõem-se, completam-se, exigem-se. Não são símbolos novos ou estranhos. O sal era usado no culto (Lv 2,13). O Levítico fala em ‘sal da aliança’, por isso se dizia ‘comer sal com alguém’ para dizer que se fez com ele um pacto. A criança, ao nascer, era lavada em sal, não por razões higiênicas, mas por razões religiosas (Ez 16,4), para simbolizar que o recém-nascido estava pronto para ser uma oferta ao Senhor. A luz perpassa a Sagrada Escritura como ‘vestimenta de Deus’ e era símbolo da presença do Senhor. Morar na cidade construída sobre a colina (Jerusalém) era o sonho de todos. Com as três imagens, Jesus pinta o retrato da pessoa “perfeita como o Pai do Céu” (Mt 5,48), da criatura realizada, perfeita tal como Cristo a descreve e a quer ao longo de todo o Evangelho, ou seja, o retrato completo do cidadão do Reino dos Céus.   O sal precisa salgar e a luz iluminar, mas para valer Frei Almir Guimarães Sois capazes de rejuvenescer o mundo, sim ou não? O evangelho é sempre jovem. Vós é que estais velhos.George Bernanos ♦ Evangelho, palavra mágica, boa nova da parte do Senhor, força e dinamismo que dá orientação para nossa vida. Neste ano de 2020 estamos lendo o relato do evangelista Mateus e, nesse momento, situamo-nos no Sermão da Montanha, carta magna de nossa vida cristã. Através dos capítulos 5-7 podemos forjar nossa identidade cristã. Trabalho lento e exigente que nos livra de viver uma fé sem fôlego e sem densidade. Não podemos nos acostumar com as coisas. Precisamos sempre permanecer despertos e atentos aos apelos do Senhor que nos chegam. ♦ “Se destruíres os teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; se acolheres de coração aberto o indigente e prestares socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio dia” ( Is 58.9-10). Esse dito de Isaías aponta para força, vigor, tenacidade de viver. ♦ Estamos, como já dissemos, sempre modelando nossa identidade cristã. Queremos, antes de mais nada, ser gente, gente que gosta das pessoas, gente que se faz presente na vida dos que vivem à nossa volta. Queremos ser bons para com eles. São nossos companheiros de caminhada. Queremos bem a eles e gostaríamos de contribuir para sua plena realização. Duas imagens do Sermão da Montanha chegam até nós hoje: os discípulos são sal da terra e luz do mundo. ♦ Sal, um nadinha, uma pitada de sal que dá gosto à comida. Sem sal comida alguma tem sabor. Sal tem a ver com intensidade de sabor, de coisas e de vidas cheias de gosto. Os cristãos precisam mostrar que gostam de viver, que saboreiam a vida e todas as suas manifestações. Gostam das pessoas, saboreiam o estar com os amigos, a convivência familiar. Gostam de sentir o sabor da mensagem de Cristo que nos leva ao perdão. Não são apáticos, rotineiros. Assim como apreciam um naco de pizza aos quatro queijos, conservam no canto dos lábios o sabor dos encontros e reencontros, da alegria de copo de água fresca, o delicioso degustar de um abraço de alguém que volta a nos olhar nos olhos. ♦ Temos que ter sal em nós mesmos. “O sabor não é um coisa que possuímos exteriormente; é, como em todas as experiências que requerem uma arte de ser, um coisa em que nos tornamos. A expectativa de Jesus é que ele possa inspirar vidas saborosas, distante do caldo insosso daquilo que até sendo, nunca foi, nunca chegou a ser. Jesus não semeia uma neutralidade: semeia, antes, o gosto e o risco de viver. Não podemos, por isso, condescender com as nossas deserções, fugas para longe do sabor (José Tolentino Mendonça). ♦ Os esposos transmitem uns aos outros o gosto da vida em comum, os sacerdotes, para além dos cuidados rituais, exalam o perfume de pessoas que estão de bem com a vida. Os que trabalhamos tentamos colocar gosto no que fazemos. Vós sois o sal da terra. ♦ Paralelamente se fala da luz, da claridade. Os cristãos são luz do mundo. Irradiam claridade. Apresentam-se com um jato luminoso de quem é invadido pela claridade de Jesus que é a luz do mundo. Faz parte de nossa identidade cristã esse iluminar o mundo. Sempre a partir da vida, de posturas existenciais e não de discursos enfeitados e que não depreendem claridade. Brilhando diante dos homens somos convite vivo a que as pessoas se deixem iluminar e saiam das trevas. ♦ Somos capazes de rejuvenescer o mundo? Ou ficamos velhos? O Evangelho é sempre jovem.. Textos tonificantes   ♦ O ideal não é contar com homens e mulheres bem formados doutrinalmente, mas com testemunhas vivas do Evangelho, crentes em cuja vida se possa ver a força humanizadora e salvadora que se encerra no Evangelho, quando acolhido com convicção e de maneira responsável. Nós cristãos confundimos muitas vezes a evangelização com o desejo que se aceite socialmente “nosso cristianismo”. As palavras de Jesus chamando-nos a ser “sal da terra” e “luz do mundo” nos obrigam a fazer-nos perguntas muito sérias como as que seguem: Será que nós cristãos somos uma boa notícia para alguém? O que se vive em nossas comunidades cristãs, o que se observa entre os crentes, é boa notícia para as pessoas de hoje? Será que nós cristãos colocamos na atual sociedade algo que dê sabor à vida, algo que purifique, cure e liberte da decomposição espiritual e do egoísmo brutal e insolidário? Vivemos algo que possa iluminar as pessoas nestes tempos de incertezas, oferecendo uma esperança e um horizonte novo aos que buscam a salvação?Pagola, Mateus, p. 74-75 • Hoje quando a Igreja deseja viver uma profunda renovação missionária, há uma forma de pregação que nos compete a todos como tarefa diária: é cada um levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos. É a pregação informal que se pode realizar durante uma conversa e é também a que se realiza um missionário quando visita um lar. Ser discípulo significa ter a disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isso sucede espontaneamente em qualquer lugar da rua: na rua, na praça, no trabalho, num caminho.Papa Francisco – A alegria do Evangelho, n. 127 Oração Dia após dia, Senhor,vou te pedir o que tu sabes:ver-te mais claramente,amar-te mais ternamente,desfrutar-te mais alegremente,esperar-te mais vivamentee seguir-te mais fielmente.(F.Ulíbarri)   Dar sabor à vida José Antonio Pagola Uma das tarefas mais urgentes da Igreja de hoje e de sempre é conseguir que a fé chegue aos seres humanos como “boa notícia”. Muitas vezes entendemos a evangelização como uma tarefa quase exclusivamente doutrinal. Evangelizar seria levar a doutrina de Jesus Cristo àqueles que ainda não a conhecem ou a conhecem de maneira insuficiente. Neste caso nos preocupamos em assegurar o ensino religioso e a propagação da fé diante de outras ideologias e correntes de opinião. Buscamos homens e mulheres bem formados que conheçam perfeitamente a mensagem cristã e a transmitam de maneira correta. Tratamos de melhorar nossas técnicas e organização pastoral. É claro que tudo isto é importante, pois a evangelização implica anunciar a mensagem de Jesus Cristo. Mas o essencial não é só isto. Evangelizar não significa somente anunciar verbalmente uma doutrina, mas tornar presente na vida das pessoas a força humanizadora, libertadora e salvadora que se encerra no acontecimento e na pessoa de Jesus Cristo. Se assim entendermos a evangelização, o mais importante não será contar com meios poderosos e eficazes de propaganda religiosa, mas saber atuar com o modo libertador de Jesus. O decisivo não é contar com homens e mulheres bem formados doutrinalmente, mas poder contar com testemunhas vivas do Evangelho, crentes em cuja vida se possa ver a força humanizadora e salvadora que se encerra no Evangelho, quando acolhido com convicção e de maneira responsável. Nós cristãos confundimos muitas vezes a evangelização com o desejo de que se aceite socialmente “nosso cristianismo”. As palavras de Jesus chamando-nos a ser “sal da terra” e “luz do mundo” nos obrigam a fazer-nos perguntas muito sérias como as que seguem: Será que nós cristãos somos uma “boa notícia” para alguém? O que se vive em nossas comunidades cristãs, o que se observa entre os crentes, é “boa notícia” para as pessoas de hoje? Será que nós cristãos colocamos na atual sociedade algo que dê sabor à vida, algo que purifique, cure e liberte da decomposição espiritual e do egoísmo brutal e insolidário? Vivemos algo que possa iluminar as pessoas nestes tempos de incerteza, oferecendo uma esperança e um horizonte novo aos que buscam salvação?   Ser sal e luz Pe. Johan Konings Ao ouvir o trecho do Sermão da Montanha do evangelho de hoje, alguém pode perguntar: “Que pretensão é essa de dizer que os seguidores de Jesus, gente simples e sem brilho, devem ser ‘sal e luz’ para o mundo?” Jesus quer dizer que esses simples galileus, agora reunidos na comunidade do Reino de Deus, dão sabor ao mundo insípido e devem deixar brilhar as suas boas obras, para que as pessoas deem graças a Deus. Pois Deus é reconhecido nas boas obras de seus filhos. Isso significa também que não devem fazer as boas obras por vaidade própria: uma “luz” boa não ofusca a vista com seu próprio foco, mas ilumina o mundo em torno de si. A 1ª leitura dá um exemplo de como deixar brilhar essa luz: saciar os famintos, acolher os indigentes, afastar a opressão de nosso meio … A sociedade de hoje procura um brilho bem diferente daquele do evangelho: luxo e esbanjamento, diploma comprado e esperteza para enganar os outros … O sal e a luz do evangelho não são reservados aos que têm riqueza e poder. Encontram-se na vida do mais pobre. Este pode ser sal e luz até para os ricos e cultos: faz-lhes ver a vida em sua nudez e provoca no coração deles a opção fundamental. Diante do pobre, os abastados têm de optar a favor ou contra o Cristo pobre. A solidariedade dos pobres e com os pobres questiona os “valores” de uma sociedade individualista e competicionista, na qual cada um abocanha tudo quanto consegue. O povo dos pobres é, para todos, a luz que lhes faz ver a dimensão decisiva de sua vida. O brilho do mundo, ao contrário, leva ao tédio; em vez de sal e luz, escuridão e entorpecentes … A 2ª leitura de hoje nos lembra que o Cristo, centro e inspiração de nossa vida, não combina com o falso brilho do mundo: “Nada a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado”. Os cristãos devem colocar sua glória somente em Cristo. Paulo não prega coisas de sucesso, mas o Cristo crucificado, para que a fé não se baseie em sabedoria de homens, mas no poder de Deus, que ressuscitou Jesus. Para sermos sal e luz, Cristo não ordena esforços sobre-humanos. Basta nossa adesão cordial e íntima a Jesus e a sua comunidade. “Sois o sal… sois a luz … “. Quem adere de verdade à comunidade do Reino que ele convoca, será sal e luz. Se somos verdadeiramente discípulos dele, comunicamos cor e sabor ao mundo. Por nossa bondade, simplicidade, justiça, autenticidade e também por nossos sacrifícios, se for o caso, tomamos o mundo luminoso e gostoso, de modo que os nossos semelhantes possam dar graças a Deus. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Paróquia de Viseu realiza Assembleia Paroquial

A Paróquia Nossa Senhora de Nazaré, em Viseu, que faz parte da Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário, realizou a II Assembleia Pastoral Paroquial, com a seguinte temática: "Agora é tempo de ser Igreja, caminhar juntos e participar". Objetivo Despertar a consciência dos coordenadores e agentes de Pastorais, grupos e movimentos, a serem uma Igreja em saída, participativa, fraterna, discípula-missionaria. A assembleia da paróquia aconteceu no Cenóbio Horeb, local onde são realizados os grandes encontros da Paróquia de Viseu. Teve início pela manhã de sábado, 01, e foi encerrada no domingo, 02, ao meio dia e meio. Contou-se com a participação de 132 pessoas das 33 Comunidades da cidade e do interior, que compõe a paróquia. Segundo informações obtidas da paróquia, os dias 01 e 02 de fevereiro foram recheados de atividades, tais como: Campanha da Fraternidade 2020 (ministrado pelas irmãs Joana e Kívia); Conversão Pastoral (Diác. Manoel); Batizados e enviados (Cássio missionário); Voluntariados e Sistema Eclesial (Secretários paroquiais Wendell e Rosane). Atividades Reunião de grupos (questionário avaliativo), partilhas. Sendo assim todas as comunidades tiveram a oportunidade de fazerem uma autoavaliação das suas respectivas Comunidades, grupos, movimentos, pastorais e expuseram aos demais, avaliando o ano de 2019; e para descontrair, houve ainda uma noite cultural, preparada por eles mesmos. O objetivo era envolvê-los em todas as atividades, para que se sentissem parte da Igreja, e colaboradores do Reino de Deus. Destaques da Assembleia O Ano de 2020 foi declarado pelo pároco, Pe. Fagner, como o Ano Missionário, em preparação para o Círio de número 100, que acontece em 2021. No dia 23/02/2020 às 09hs da manhã, será oficializado com uma Missa Solene, contando com a presença de todas as Comunidades e o povo em geral. A partir desta data, todas as comunidades receberão a visita missionária. Por Diácono Manoel Flávio Paróquia Nossa Senhora de Nazaré - Viseu  

Festa da apresentação do Senhor

Vim, vi, venci! Frei Gustavo Medella “Vim, vi, venci!” O sentimento expresso por este dito popular provavelmente foi o mesmo que povoou o coração do velho Simeão ao encontrar-se com Jesus, ainda menino, no templo. Impulsionado pelo Espírito, aquele homem de idade avançada sentiu-se pleno ao deparar-se com uma criança, revelando a proximidade e complementariedade que existe entre os extremos da existência. Também pais e avós sentem um grande contentamento interior quando se deparam com o milagre da vida que segue seu curso, nascendo pequena e frágil no impressionante mistério de uma história que, ao mesmo tempo, começa e continua. Encontrar-se com Jesus criança é oportunidade que cada fiel possui de despertar no coração a criança que traz em si na pureza dos sentimentos, na transparência e no entusiasmo de descobertas que se apresentam sempre novas, assim como aquele menino pobre apresentado sem pompa no templo era a maior novidade de todos os tempos. O sentimento de plenitude que tomou conta de Simeão é algo buscado com empenho e dedicação pela absoluta maioria dos seres humanos. No entanto, nem sempre o buscamos onde ele de fato pode ser encontrado. Com frequência incorremos no erro do homem rico criticado por Jesus na parábola que Ele conta em Lc 12,16-21. Achamos que a plenitude está no acúmulo de bens, para além de nossas reais necessidades. Grande e tola ilusão! Os próprios caminhos da vida, mais dia menos dia, vêm revelar quão passageiros e vazios podem ser tais sonhos. O maior e mais profundo sentido da vida, ensina-nos o velho Simeão, está na singeleza do Menino, no despojamento de quem consegue perceber que Deus ama a cada um de seus filhos por pura liberalidade, porque é de fato um amor infinito e inesgotável. Saber-se amado neste absurdo grau é chave que abre ao ser humano as portas de sua realização plena.   Apresentação do Senhor Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, ouvi as nossas súplicas. Assim como o vosso Filho único, revestido da nossa humanidade, foi hoje apresentado no templo, fazei que nos apresentemos diante de vós com os corações purificados”. Primeira leitura: Ml 3,1-4 Lemos hoje o início do capítulo 3 do profeta Malaquias. É o último livro do Antigo Testamento. O nome Malaquias significa mensageiro ou anjo do Senhor. Os profetas eram mensageiros de Deus para o povo de Israel, falam em nome do Senhor. Eles condenavam os pecados e crimes do povo, convidavam à conversão e, em caso de rebeldia, anunciavam o castigo divino. Aqui, o profeta fala de um mensageiro que vem preparar o caminho a fim de que Deus possa entrar no seu templo como o Dominador. Será alguém que renovará a aliança rompida pelo pecado. Ninguém lhe poderá resistir, pois virá como juiz. Será um juízo de purificação. Ele agirá como o fundidor de metais, que usa o fogo para separar a ganga do ferro, purificar prata ou ouro; ou como a lavadeira que usa sabão para branquear a roupa. Este juízo de purificação começará pelo próprio templo, a fim de que sacerdotes e levitas possam ofertar sacrifícios dignos ao Senhor. Na liturgia da Apresentação do Senhor quem entra no templo e vem purificar os levitas e o povo de Israel é Jesus, apresentado no templo por Maria sua mãe. Jesus será o sumo-sacerdote que entregará a própria vida pela salvação do povo. Por sua morte, substituirá uma vez por todas os sacrifícios do templo (2ª leitura e Evangelho). Salmo responsorial: Sl 23         O Rei da glória é o Senhor onipotente. Segunda leitura: Hb 2,14-18 O autor se dirige a cristãos de origem judaica e grega da cidade de Alexandria, no Egito. O centro de sua reflexão é Jesus Cristo, o Filho de Deus encarnado, como sacerdote misericordioso que vem salvar seu povo. Não veio para salvar os anjos, que não têm carne e sangue. Veio para salvar os descendentes de Abraão e, com eles, tem a mesma carne e o mesmo sangue. Participando da mesma condição humana, tem a condição de destruir o diabo que tem poder sobre a morte. Assim libertará todos os que estavam sujeitos à escravidão da morte. Sendo em tudo semelhante aos seus “irmãos”, descendentes de Abraão, tornou-se o sumo-sacerdote misericordioso. Em vez de sacrifícios de animais, ofereceu sua própria vida para expiar os pecados do povo. Por fim, o autor lembra aos cristãos de Alexandria que sofriam perseguições que Jesus também foi provado mas superou as tentações por sua fidelidade ao Pai. Aclamação ao Evangelho        Sois a que brilhará para os gentios,             E para a glória de Israel, vosso povo. Evangelho: Lc 2,22-40 Hoje, a Igreja celebra a festa da Apresentação do Senhor. Conforme a Lei, a mulher devia apresentar seu filho no templo quarenta dias após o parto. Este gesto coincidia com a purificação da mãe e do menino. Nesta ocasião, os pais deviam oferecer como sacrifício um par de rolas ou dois pombinhos. A mãe podia, desde então, frequentar o templo e a sinagoga. Para o menino, o primeiro filho nascido, era um gesto de consagração de sua vida a Deus. Lucas introduz as figuras de Simeão, um homem justo e piedoso, e a profetisa Ana, a fim de aprofundar o significado cristão da apresentação no templo. Simeão “esperava a consolação de Israel”, isto é, a realização da promessa da vinda do Messias Salvador.  Era um homem movido pelo Espírito Santo. Ao ver Maria e José e o menino, iluminado pelo Espírito, tomou em seus braços o menino e louvou a Deus. Em seus braços estava o Messias prometido: “Meus olhos viram a salvação que preparaste para todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. A luz foi gerada no seio do povo de Israel, mas a salvação está aberta para todas as nações. Após louvar a Deus pelo nascimento do Salvador, Simeão abençoa a família e fala do significado do menino. Ele será um sinal de contradição; diante de Jesus, Israel não pode ficar em cima do muro: ou acolhem ou rejeitam. Para Maria prevê muito sofrimento: “uma espada te traspassará a alma”. Da mesma forma, uma viúva muito piedosa começou a falar do menino a todos os que esperavam a libertação de Israel.   Quando Deus será a nossa luz sem ocaso Frei Clarêncio Neotti O costume de benzer as velas e com elas acesas fazer uma procissão deste domingo chegou a dar um nome popular à festa: Candelária, ou Nossa Senhora das Candeias. Há uma ligação entre a Apresentação do Senhor no templo, a vela acesa na mão e nossa apresentação diante de Deus na morte. Daí o costume de muitas famílias colocarem na mão do agonizante uma vela acesa. Ela lembra o Batismo, ela lembra o Cristo, luz e salvação nossa, que professamos durante a vida e que queremos que seja nosso introdutor no templo eterno dos céus. A ligação vem também por causa do velho Simeão, que canta ao ver o Menino: “Senhor, posso morrer em paz, porque meus olhos viram a salvação” (Lc 2,29). O mesmo símbolo tem as velas acesas em torno do caixão de um defunto. A morte não é treva, quando Cristo ilumina a passagem da morte. O Apocalipse, que é a descrição simbólica da história da comunidade cristã, diz-nos, em seu último capítulo (quando terminam todas as maldades e maldições, quando tudo se torna puro e límpido como o cristal, quando se refaz a árvore da vida, porque sobre ela estará assentado o Trono de Deus), que “não haverá noite nem necessidade da luz das lâmpadas ou da luz do sol, porque o Senhor Deus será a nossa luz e nós reinaremos para sempre com ele” (Ap 22,1-5). São várias as razões porque a festa deste domingo passou a ser a festa da Consagração religiosa. Os religiosos e as religiosas como que encarnam toda a esperança da humanidade de encontrar-se e viver com o seu Senhor, como os velhos Simeão e Ana. São as testemunhas dessa possibilidade. Deus fez à humanidade o dom de seu Filho. Hoje, o Filho apresenta-se ao Pai, primogênito de todas as criaturas, oferecendo-se à disposição de sua vontade. O religioso, a religiosa põem-se, como Jesus e Maria, por inteiro na mão de Deus (pelo voto de castidade), para serem os instrumentos de sua vontade (pelo voto de obediência) e viverem o desapego e a gratuidade (pelo voto de pobreza). E nessa consagração, exatamente como aconteceu com Jesus, consagram toda a comunidade e tornam-se para os cristãos sinais de contradição (Lc 2,34) e, ao mesmo tempo, a luz do povo (Lc 2,32).   Apresentação no templo Delicada polifonia dos sons da vida Frei Almir Guimarães O ancião calara-se e, com a criança nos braços, ficara absorvido  em contemplação interior. Apresentação do Menino  Jesus no Templo:  um quadro encantador e cheio de suspiros e delicadas filigranas. Hino de gratidão e de  despedida da vida do velho Simeão e  o  futuro do Menino que nasceu no  Natal. Uma família de Deus,  Simeão,  um homem de Deus. Um homem, uma mulher e o Menino.  Pessoas de fé vão ao templo para apresentar ao Senhor seu Filho. Chegam a pé  caminhando pelo poeira dos caminhos. A mãe, carregando o filho todo envolvido em panos para que não resfrie.  O pai levando uma gaiola  com um par de rolas ou dois pombinhos.   Esse rito era ordenado pela lei do  Senhor. A porta do templo encontram Simeão,  um ancião cheio de anos, de olhos brilhantes,  barba branca e um ar de confiança no amanhã, apesar do tempo de vida.  Simeão gostava de estar ali ruminando as coisas de  Deus.  Que bom quando as pessoas de idade avançada  conseguem ainda  deixar transparecer a alegria de viver! Ele, esse ancião esperava a consolação de  Israel. Ele esperava o Messias salvador, não como um herói nacional e vitorioso  que sacudiria o jugo do ocupante romano e restituiria a Israel sua independência.  O Messias seria um homem do  Espírito.  Sua  vinda aconteceria sem  ostentação externa.  Ele seria o Servo de Javé. Atuaria sem espada,  mas com  a palavra.  Viria como o desejado das colinas eternas.  Diria palavras que salvam e libertam.  Dirigiria uma palavra também aos povos pagãos.  Mas seria contestado.  Conheceria um destino trágico, rejeitado, injuriado, reduzido ao silêncio e seria condenado à morte.   Esta era, para  Simeão,  a Consolação de Israel.  O Espírito garantia ao ancião que esse acontecimento estava para se dar. Simeão chegava ao templo e também o casal com a criança.  Ninguém os notara.  Era gente comum. Simeão estava convencido de aquele era um evento do  Espírito.  Assim descreve a cena  Éloi  Leclerc: “Eram gente  comum sem séquito.  Gente simples que ninguém distinguia.  O velho Simeão observou-os.  Não os conhecia.  Mas subitamente invadiu-o  uma certeza. Aproximou-se da mãe, fixou os olhos na criança e docemente, com infinita precaução, tomou-a nos braços.  E pôs-se a orar em voz alta, o rosto extasiado: “Agora, Senhor, segundo a tua palavra, podes deixar partir em paz o teu servo:  porque os meus olhos viram a salvação,  que preparaste para todos os povos, luz para iluminar as nações e glória de teu povo Israel”. Havia uma nota de tristeza naquele encontro.  Simeão,  pela convivência com as Escrituras conhecia o trágico destino do  Messias.  Voltando-se  para a  mãe  sussurrou-lhe ao ouvido:  “Vês o teu filho: está aqui para queda e reerguimento de muitos em Israel.  Será sinal de contradição.  Uma espada trespassará a tua alma. Assim serão revelados os  pensamentos de muitos corações”. Não podemos deixar  de mencionar a presença no episódio  de  uma outra mulher  também toda de Deus.  Uma viúva de oitenta anos que não saia do templo.  O evangelista nos informa que  vivia na prática de orações e jejuns e andou  anunciando a boa  nova  a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Um missionária antes da hora.  Essas pessoas simples do povo,  por via da  simplicidade  são porta-vozes de  Deus. A  vida precisava continuar: o casal e o menino  voltaram para  Nazaré.  E  conclusão de tudo: “O menino crescia  e tornava-se forte, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava com ele”. Texto para  meditação Naquele  momento  Maria sentiu  apertar-se-lhe o coração.  Viera muito feliz, apresentar o filho ao Senhor  e oferecer-lhe o sacrifício de duas rolas.  Mas as palavras do ancião e o Espírito  que o inspirava  projetaram  de súbito em sua alma  uma luz trágica.  Não, ela não ficava desobrigada com as duas rolinhas  brancas.  Essas eram apenas uma figura pálida. A realidade era outra.  “Não quisestes  sacrifício  nem oblação, mas preparaste-me um corpo. Os holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradaram.  Então eu disse;  Eis-me aqui porque de mim está escrito no livro:  Venho, ó Deus, para fazer a tua vontade” (Sl 40,7-9). Maria contemplava o filho nos braços do ancião.  A carne de sua carne seria um dia vítima.  O seu  filho seria o  Servo desfigurado  que se obstinariam em abater e que se ofereceria à morte  para a salvação de todos. Oh!  Por que nela essa dilaceração entre a carne e o  espírito?  O silêncio era completo.  Maria ouvia apenas as palpitações de seu coração. Acabava de entrar  na noite de Deus.  Jamais se sentira  tão pobre, tão afastada do Senhor.  E contudo  nunca estivera dele tão próxima. Oração Senhor, nós te pedimos por todos os que colocaram sua esperança em ti, pelos que duvidam de poder colocar em ti sua esperança, por aqueles que deixaram de esperar em ti, por todos os que vivem sem esperança porque não te conhecem. Ajuda-nos a ser portadores de esperança e a anuncia-la ao mundo  por nossos  pensamentos, palavras e atos. Nós te pedimos em nome do Senhor Jesus, nossa esperança viva. Jacques Bénignus   A paz de Deus José Antonio Pagola Todos nós falamos de “paz”, mas o significado deste termo foi mudando, afastando-se cada vez mais de seu sentido bíblico. Seu uso interessado fez da paz um termo ambíguo e problemático. Hoje as mensagens de paz resultam geralmente bastante suspeitas e quase não conquistam credibilidade. Quando as primeiras gerações cristãs falam de paz não pensam, em primeiro lugar, numa vida tranquila, que percorra caminhos de maior bem-estar. Antes disto, e como fonte de toda paz individual ou social, está a convicção de que todos somos aceitos por Deus apesar de nossos erros. Todos podemos viver reconciliados e em amizade com Ele. Esta é primeira coisa e a mais decisiva: “Estarmos em paz com Deus” (Rm 5,1). Esta paz nasce da confiança total em Deus e afeta o próprio centro da pessoa. Por isso, não depende só de circunstâncias externas. É uma paz que brota no coração, vai invadindo gradualmente toda a pessoa e, a partir dela, se estende aos outros. Esta paz é presente de Deus, mas também fruto de um trabalho não pequeno. Acolher a paz de Deus, guardá-la fielmente no coração, mantê-la no meio dos conflitos e transmiti-la aos outros exige o esforço apaixonante de unificar a vida a partir de Deus. Esta paz não é uma fuga que afasta dos problemas e conflitos; não é um refúgio cômodo para pessoas desenganadas ou céticas diante de uma paz social quase impossível. Se é verdadeira paz de Deus, ela se transforma no melhor estímulo para viver trabalhando por uma convivência pacífica entre todos e para o bem de todos. Jesus pede a seus discípulos que, ao anunciar o reino de Deus, sua primeira mensagem seja oferecer a paz a todos: “Dizei primeiro: ‘Paz a esta casa”. Se a paz for acolhida, irá se difundindo pelas aldeias da Galileia. Do contrário, “voltará” novamente para eles, mas nunca a deverão perder, porque a paz é um presente de Deus.   Luz das Nações Pe. Johan Konings O Concílio Vaticano II intitulou o texto dedicado à Igreja com um título significativo: “Luz das Nações”. Este título tem uma história muito rica: foi atribuído pelo profeta Isaías ao Servo de Deus, que não é só um indivíduo, mas o próprio povo de Deus. É nesta linha que, numa nova aceitação, o novo povo de Deus, a Igreja, pode tomar este titulo como emblema de sua missão, exposta no texto conciliar. Mas antes disso situa-se o momento destacado no evangelho de hoje, quando o profeta Simeão confere a Jesus, filho de José e de Maria, o título de Luz das Nações – “luz para iluminar as nações, glória de teu povo, Israel”. No “Segundo Isaías” (42,6; 49,6), a libertação de Israel do exílio babilônico, proclamada pelo “Servo”, é também uma luz para as nações não-israelitas. O que Deus realiza para seu povo ilumina também os outros povos. Vale entender, nesta mesma linha, o que acontece a Jesus, plena realização do Servo, e a seu povo, o novo Israel, a Igreja. Maria apresenta Jesus ao templo, isto é, ao Senhor Deus. Simeão reconhece nele o profeta que será sinal de reerguimento do povo, mas também de contradição – e a espada traspassará o coração de sua Mãe. O “reerguimento do povo” se realiza de modo representativo na história dc Jesus na terra, passando pela morte e ressurreição. Obra maravilhosa que Deus opera em Jesus e, depois, não para de operar naqueles que, com Jesus, lhe são dedicados, o Povo de Jesus, a Igreja. Geralmente, o nosso povo, acostumado a sofrer, acena a profecia de Simeão anunciando a espada que atravessará o coração de Maria e associa a presente festa à de N. Senhora das Dores. Mas no texto do evangelho essa frase é um parêntese. O acento recai em Jesus, luz das nações e glória de Israel, ou seja, aquele que vem completar o plano de Deus para com seu povo. Decerto, como sinal de contradição. Mas sinal glorioso. O sofrimento não pode constituir o horizonte fechado de nossa visão cristã. Em meio ao sofrimento, e talvez por meio desse sofrimento, o novo povo de Deus, mais ainda que o antigo povo exilado, é chamado a ser uma luz que testemunha e torna visível o maravilhoso projeto de Deus para todos os povos, não pelo brilho deste mundo, que se impõe pela dominação, mas pelo brilho da glória de Deus, que se esconde na pequenez de Maria e de seu Filho. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Terceiro domingo do Tempo Comum

Novas redes, novos peixes, nova vida… Frei Gustavo Medella Apesar de relativamente curto – apenas doze versículos – o trecho do Evangelho que compõe a liturgia deste 3º domingo do Tempo Comum (Mt 4,12-23) é denso em conteúdo e amplo na quantidade de temáticas que aborda. Revelação, missão, conversão, vocação e discipulado são temas profundamente interligados que devem se fazer presentes no dia a dia da caminhada cristã porque foram propostos e plenamente assumidos por Jesus. No convite aos primeiros apóstolos – Pedro e André – chama atenção o fato de Jesus não exigir que abandonassem sua atividade cotidiana, mas que mudassem o foco de sua ação: passariam a ser pescadores de homens. Eles mesmos chegaram à conclusão que, para atender ao chamado do Mestre, deveriam descobrir novas redes. No caso de Tiago e João, Filhos de Zebedeu, precisaram da coragem e da ousadia de se desinstalar, deixando para trás as garantias que tinham até então: a segurança que lhes era oferecida pelo barco e pelo pai. Curioso é que Jesus convida e segue. Sua vida é movimento. Sempre caminhando e fazendo o bem. A itinerância do Mestre também é abraçada pelos que decidem segui-Lo. Pedro e André têm de reaprender o ofício ao qual sempre se dedicaram: novos métodos, novas prioridades e novos desafios. Tiago e João percebem que, atendendo ao convite que lhes fora feito, deveriam se reinventar para dar respostas aos riscos e desafios desta nova empreitada que assumiam. À medida que percorriam o caminho, os apóstolos e discípulos foram percebendo que a resposta positiva à convocação de Jesus deveria ser construída no decorrer da missão. O próprio Mestre tinha plena convicção de que estava convocando pessoas comuns, sujeitas a erros e acertos e que a partir dos altos e baixos inerentes à história humana é que o anúncio e a construção do Reino iriam acontecer.   Terceiro domingo do Tempo Comum Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras”. 1. Primeira leitura: Is 8,23b–9,3Na Galileia, o povo viu brilhar uma grande luz. Em 732 a.C. a região de Zabulon e Neftali, ao norte do reino de Israel, havia sido ocupada pelas tropas da Assíria, que destruíram a capital Samaria. Isaías, embora fosse profeta do reino de Judá acompanhou com tristeza a tragédia de Israel. Parte da população foi levada para o exílio na Assíria; outra parte se refugiou no reino de Judá ou nos países da redondeza; outros foram simplesmente mortos em combate ou quando a cidade foi tomada. Mais tarde, Isaías ou um discípulo seu, numa linguagem poética anuncia a salvação para os que sobreviveram ao massacre. A destruição de Samaria, o fim do reino de Israel e o consequente exílio são representados como escuridão e trevas. A salvação prometida é comparada a uma brilhante Luz, que resplandece sobre o povo jogado nas sombras da morte. A morte dará novamente lugar à vida; daí a expressão “dar à luz”. As lâmpadas voltarão a brilhar nas casas destruídas ou desabitadas. A luz do Senhor, isto é, a presença de Deus no meio de seu povo, faz crescer a alegria e aumenta a felicidade. Os soldados trazem os despojos, pois a guerra terminou e o inimigo foi derrotado. Todos agora podem viver alegres na presença do Senhor com suas fartas colheitas, sem pagar tributo ao opressor. Salmo responsorial: Sl 26O Senhor é minha luz e salvaçãoO Senhor é a proteção da minha vida.2. Segunda leitura: 1Cor 1,10-13.17Sede todos concordes uns com os outrose não admitais divisões entre vós. Desde o início de sua Carta aos Coríntios (2º Domingo), Paulo insiste no tema da unidade da Igreja de Deus. Todos nós fomos santificados em Cristo Jesus e chamados a ser santos. Invocamos o mesmo nome de “nosso Senhor Jesus Cristo” e chamamos a Deus, nosso Pai. Na leitura de hoje, Paulo toma posição diante dos conflitos na comunidade de Corinto, que lhe foram comunicados. Paulo foi o primeiro a pregar o Evangelho em Corinto, onde fundou a primeira comunidade cristã e acompanhou-a durante um ano e meio. O motivo da discórdia era a divisão da comunidade em clubes de fãs dos missionários que por ali passavam. Havia os que diziam: “Eu sou de Paulo”; ou: “Eu sou de Apolo”; ou: “Eu sou de Cefas” e, por fim, os que diziam: “Eu sou de Cristo”. Por graça de Deus, como sábio arquiteto, Paulo lançou o único e verdadeiro fundamento sobre o qual se pode edificar a Igreja de Deus, que é Jesus Cristo (1Cor 3,10-12). Depois veio Apolo, um pagão convertido e excelente orador, que fez crescer a comunidade; por último, veio Cefas (Pedro), o pescador da Galileia e discípulo de Jesus na sua vida pública, que confirmou a comunidade na fé. Paulo critica os que se diziam fãs de Paulo, de Apolo ou de Cefas. A Igreja não é de Paulo, nem de Apolo, nem de Cefas. É Igreja de Deus. E esta tem como fundamento o próprio Cristo Jesus. Em seu nome todos somos batizados.Problemas parecidos podem surgir também em nossas comunidades. Podemos ser fãs desse ou daquele sacerdote ou pastor. Mas quem nos salva é Cristo Jesus. Foi Ele que nos revelou o amor do Pai e por nós morreu. Aclamação ao EvangelhoPois do Reino a Boa Nova Jesus Cristo anunciavae as dores do seu povo, com poder Jesus curava. 3. Evangelho: Mt 4,12-23 Foi morar em Cafarnaum,para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías. Hoje começamos a ler o Evangelho de Mateus, que nos acompanhará nos domingos durante do ano A, até o final de novembro. Após ser batizado por João Batista, Jesus passou quarenta dias no deserto da Judeia, em jejum e oração, onde venceu as tentações do diabo. Ao saber que João Batista foi preso, Jesus volta para a Galileia, deixa Nazaré e se estabelece em Cafarnaum, uma das principais cidades à beira do Lago de Genesaré, pertencente ao território de Zabulon e Neftali. O Evangelho de Mateus foi, provavelmente, escrito na Síria que faz fronteira com Zabulon e Neftali. É em Nazaré da Galileia que José, Maria e o menino Jesus foram morar. É na Galileia que Jesus aparece aos discípulos após a ressurreição. É da Galileia que envia seus discípulos a pregar o evangelho até os confins da terra (Mt 28,16-20). Na Galileia havia uma grande presença de pagãos. Por isso, o início da pregação de Jesus é apresentado como uma grande luz que brilha na “Galileia dos pagãos”, confirmando a realização da profecia de Isaías (1ª leitura). No início da pregação, Jesus retoma as palavras de João Batista: “Convertei-vos porque o Reino dos Céus está próximo”. Em Mateus, “Reino dos Céus” equivale a “Reino de Deus” em Marcos e Lucas. Fazer parte do Reino de Deus exige mudança de vida, conversão e ruptura. Jesus chamou Pedro e seu irmão André e, depois, Tiago e João, filhos de Zebedeu, e lhes disse: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Eles imediatamente largaram suas barcas e redes e começaram a seguir a Jesus.   Enquadrado em realidades terrenas, Jesus vem envolto em realidade divina Frei Clarêncio Neotti O Evangelho de hoje é extraordinariamente rico em indicações, insinuações e ideias em torno do programa salvador de Jesus. Como os quatro evangelistas são muito sintéticos ao contar os fatos e como muitas vezes usam símbolos e figuras,devemos sempre estar atentos ao que há por trás das palavras. Logo no início, temos uma afirmação histórica: a prisão de João Batista. Mas, por trás do texto, há mais que prisão. O texto original diz que João ‘foi entregue’, e essa expressão sugere duas coisas: que João era inocente e sua prisão, vontade de Deus. O mesmo vocábulo Mateus o empregará mais tarde em relação a Jesus (20,18s e 26,2). Mateus está insinuando que tudo quanto ocorrerá a Jesus, a partir do momento em que começa a sua vida pública, é vontade do Pai. Ao dizer que Jesus ‘voltou para a Galileia’, Mateus está sugerindo que Jesus estava em alguma parte do deserto da Judeia (cf. o episódio das tentações, 4,8) e, ao saber da prisão de Batista, ou fugiu para a Galileia, a fim de aguardar sua hora, ou viu na prisão de João o sinal para começar. Ou, ainda, seria uma forma estilística de acentuar o lado humano de Jesus, condicionado ao lugar de criação (Nazaré), a um ambiente de trabalho (Cafarnaum), para dizer que, embora enquadrado em realidades terrenas, ele envolverá verdades e realidades divinas. De fato, os evangelistas sempre acentuaram o lado humano, para que ninguém pensasse um Jesus-fantasma, Jesus-lenda, Jesus-mito. Mas sempre acentuaram também sua origem divina e sua missão salvadora. Mateus coleta inúmeras profecias do Antigo Testamento e as mostra acontecidas em Jesus de Nazaré. A profecia de hoje se realiza perfeitamente: fixa o tempo e o espaço (lado humano) e a missão salvadora (luz, lado divino).   Chamados para construir um mundo novo Frei Almir Guimarães A coisa mais terrível que pode acontecer a um homem é sentir-se acabado.Roger Garaudy ♦ Continuamos a aprofundar nossa fé em Cristo Jesus. Temos plena convicção de que ele vive e continua a convocar amigos e seguidores a realizarem a empreitada de viver em seu seguimento e tentar construir com outros, com muitos outros, um novo diferente mundo, mundo de entendimento, bondade e misericórdia, um mundo segundo o coração do Pai. ♦ Isaías nos fala do tema da luz que se reflete, de modo particular no Cristo e nos cristãos: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu”. O brilho da estrela do presépio continua a nos acompanhar. ♦ No evangelho há uma convocação, um chamamento, um convite a que pescadores aceitem esse chamado e deixem seus pequenos e tacanhos universos. Tudo é precedido a um convite à conversão. Os que são chamados, tanto ontem como hoje, são orientados para que mudem seu jeito de viver, se convertam, olhem com o olhar de Deus, não centrem a vida em seu pequeno e limitado universo. Deixem morrer o homem velho e renasçam para uma novidade de vida: transparência, sede de Deus, vontade de respirar o ar da fraternidade, tentativa de perdoar até o fim. Ser cristão é entrar num processo de conversão que nunca termina. ♦ Vem então o seguimento. Andar atrás daquele que nos fascinou. Não basta ter nascido numa família cristã, ter sido batizado e dizer-se católico por ocasião da resposta a certas perguntas que nos são feitas. Necessário uma alegre resposta pessoal. Esse chamamento requer presteza, perseverança, audácia de ir fazendo com que nosso olhar seja o olhar de Cristo, nossas alegrias as alegrias de Cristo, nossos sonhos sejam os sonhos de Cristo. Isto significa cumplicidade de vida entre o Mestre e o discípulo. Continuamos a vida de todos os dias: nascemos, crescemos, somos homem ou mulher, na vida profissional, na vivência familiar, na luta pela justiça, na saúde e na doença. Será preciso receber esse convite pessoalmente e pessoalmente responde-lo. Colocar os pés nos pés do Senhor. ♦ Os apóstolos foram convidados no meio da vida, no trabalho a não serem mais pescadores de peixes para se tornarem pescadores de homens. Sair, ir pelo mundo pode querer dizer ir para regiões próximas ou longínquas, cuidar das crianças doentes, dos presos sem advogados, dos mal casados, do que estão de mal com a vida, dos que levantam a hipótese de porem termo à vida. Os discípulos de Jesus são missionários e colaboram com a instauração do Reino. “São esses os traços principais deste reino: uma vida de irmãos e irmãs, alentado com a compaixão que o Pai do céu tem para com todos; um mundo no qual se busca a justiça e a dignidade para todo ser humano a começar pelos últimos; no qual se cuida da vida libertando as pessoas e a sociedade inteira de toda escravidão desumanizadora, no qual a religião está a serviço das pessoas, sobretudo das mais esquecidas; no qual se vive acolhendo o perdão e dando graças por seu amor insondável de Pai” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p. 69). ♦ Não estamos acabados… a construção da vida continua. Dois pensamentos que podem nos tonificar: >> Quantos homens e mulheres se instalam na mediocridade renunciando às aspirações mais nobres e generosas que despertam em seu coração! Não caminham. Sua existência fica paralisada. Vivem de apegos ao mínimo necessário para viver, sem olhos para conhecer aquilo que poderia dar nova luz à sua vida. É possível reagir quando alguém se instalou na rotina ou na indiferença? Pode alguém libertar-se dessa vida “programada” para a comodidade e o bem estar? Esta é a boa notícia de Jesus: dentro de cada um de nós existe uma fé que pode levar-nos a reagir e colocar-nos novamente no caminho verdadeiro”Pagola, Marcos, Vozes, p.220 >> A Igreja deve sempre ser capaz de surpreender, anunciando a todos que Jesus venceu a morte, que os braços de Deus estão sempre abertos, que sua paciência está sempre nos aguardando para curar-nos e perdoar-nos. É para essa missão que Jesus ressuscitado deu seu Espírito à Igreja. Atenção: se a Igreja está viva, deve sempre surpreender. Uma Igreja sem a capacidade de surpreender é uma Igreja fraca, doente, moribunda e de ser trata numa UTI o quanto antes.Para FranciscoRegina Coeli, 8 de junho de 2014 Oração Tu estás perto, Senhor.Estás sempre oferecendo teu amor.Perdão por nossa falta de fé.Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco,sustentas nossa vida e não nos damos conta.Perdão por nossa mediocridade.Tu nos ajudar a conhecer-nos,nos falas como a filhos,nos animas a viver, e não te escutamos.Perdão por nossa falta de acolhida.Tu nos amas com ternura,queres o melhor para nós,e não te escutamos.Perdão por nossa ingratidão.   Nunca é tarde José Antonio Pagola Não gostamos de falar de conversão. Quase instintivamente pensamos em algo triste, penoso, muito ligado à penitência, à mortificação e à ascese. Um esforço quase impossível para o qual não nos sentimos dispostos nem com forças. No entanto, se nos detivermos diante da mensagem de Jesus, vamos escutar, antes de mais nada, um apelo alentador para mudar nosso coração e aprender a viver de uma maneira mais humana, porque Deus está perto e quer sanar nossa vida. A conversão de que fala Jesus não é algo forçado. É uma mudança que vai crescendo em nós à medida que vamos tomando consciência de que Deus é alguém que quer fazer nossa vida mais humana e feliz. Porque converter-se não é, antes de tudo, tentar fazer tudo melhor, mas saber que nos encontramos com esse Deus que nos quer melhores e mais humanos. Não se trata só de “tornar-se uma boa pessoa” mas de voltar àquele que é bom conosco. Por isso, a conversão não é algo triste, mas a descoberta da verdadeira alegria. Não é deixar de viver, mas sentir-nos mais vivos do que nunca. Descobrir para onde temos de viver. Começar a intuir tudo o que significa viver. Converter-se é algo prazeroso. É limpar nossa mente de egoísmos e interesses que minimizam nosso viver cotidiano. Libertar o coração de angústias e complicações criadas por nosso afã de poder e possuir. Libertar-nos de objetos dos quais não precisamos e viver para pessoas que precisam de nós. Alguém começa a converter-se quando descobre que o importante não é perguntar-se como posso ganhar mais dinheiro, mas como posso ser mais humano; não como posso chegar a conseguir algo, mas como posso chegar a ser eu mesmo. Quando ouvimos o apelo de Jesus: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino de Deus’: pensemos que nunca é tarde para converter-nos, porque nunca é tarde para amar, nunca é tarde para ser mais feliz, nunca é tarde demais para deixar-nos ser perdoados e renovados por Deus.   Evangelizar com palavras e ações Pe. Johan Konings Para ver melhor, vamos recuar um pouco… Sete séculos antes de Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para a Assíria, e povos pagãos tomaram seu lugar. A região ficou conhecida como “Galileia dos pagãos”. Naquele mesmo tempo, o profeta Isaías anunciou que o novo rei de Judá poderia ser uma luz para as populações oprimidas (1ª leitura). Sete séculos depois, Jesus começa sua atividade exatamente naquela região, a Galileia dos pagãos. Realiza-se, de modo bem mais pleno, o que Isaías anunciara. É o que nos ensina o evangelho de hoje. Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus. Mas não o faz sozinho. Do meio do povo, chama os seus colaboradores. Dos pescadores do Lago da Galileia ele faz “pescadores de homens”. Eles deixam seus afazeres, para se dedicarem à missão de Jesus: anunciar a boa-nova, a libertação de seu povo oprimido. Esse anúncio não acontece somente por palavras, mas também por ações. Jesus e os discípulos curam enfermos, expulsam demônios… Anunciar o reino implica aliviar o sofrimento, pois é a realização do plano de amor de Deus. Nosso povo anda muito oprimido pelas doenças físicas, mas sobretudo pelas doenças da sociedade: a exploração, o empobrecimento dos trabalhadores etc. Deus é sua última esperança. O povo entenderá o que Jesus pregou (justiça, amor etc.) como boa-nova à medida que se; realize algum sinal disso em sua vida (alívio de sofrimento pessoal e social). Um desafio para nós. Jesus chama seus colaboradores do meio do povo. Ora, na Igreja, como tradicionalmente a conhecemos, os anunciadores tornaram-se um grupo separado, um clero, uma casta, enquanto Jesus se dirigiu a simples pescadores que trabalhavam ali na beira do lago. Ensinou-lhes uma outra maneira de pescar: pescar gente. Onde estão hoje os pescadores de homens, agricultores de fiéis, operários do Reino – chamados do meio do povo? Por que só os intelectuais podem ser chamados, para, munidos de prolongados estudos, ocuparem “cargos”eclesiásticos, à distância do povo? Não é ruim estudar; oxalá os pescadores e operários também pudessem fazer. Mas importa observar que a evangelização, o anúncio do Reino, puxar gente para a comunidade de Jesus, não é tarefa reservada a gente com diploma. E a Igreja como um todo deve voltar a uma simplicidade que possibilite que pessoas do povo levem o anúncio aos seus irmãos e assumam a responsabilidade que isso implica. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Segundo domingo do Tempo Comum

Necessidade de quê? Frei Gustavo Medella “Eis que venho fazer, com prazer, a vossa vontade, Senhor”! Medo da morte, da invisibilidade, da fome. Certamente estes três fantasmas sejam motivadores fundamentais da busca incessante de prazer que orienta muitas vidas humanas. O prazer sexual, por exemplo, que movimenta uma milionária indústria pornográfica, a prostituição e o “boom” de aplicativos voltados para encontros casuais, pode ter em sua base uma fuga, ainda que inconsciente, do fato de que todos somos finitos e mortais. Aquele instante fugaz de prazer talvez seja o equivalente ao choro do bebê que, imaginando-se solitário, chora forte à espera do afago da mãe, como quem diz: “Sozinho não conseguirei sobreviver!”. O investimento pesado em roupas de marcas, em joias da última moda, em carros de luxo e hábitos requintados, talvez seja o equivalente às estripulias do menino de colo que quer gritar ao mundo: “Eu existo, eu estou aqui, por favor, não deixem de me enxergar!”. A busca voraz pelo lucro, pelo acúmulo, pela expansão traduz, certamente, a preocupação primitiva de ter para si garantido o alimento e a nutrição necessários à manutenção da vida. Diante de necessidades tão básicas e da busca medrosa e irracional pelo prazer na satisfação exagerada delas, o que significa “fazer, com prazer, a vontade do Senhor”? Dois rápidos acenos para possíveis respostas a esta desafiadora questão podem vir do próprio Salmo 39 – proclamado na Liturgia deste 2º Domingo do Tempo Comum –, que traz o propósito daquele que crê em praticar prazerosamente a vontade de Deus. 1) Esperar no Senhor – Significa reconhecer que todo o Bem de Deus procede e que a finitude e o limite são características próprias do ser humano. As necessidades básicas existem e é um direito de toda pessoa satisfazê-las com equilíbrio. No entanto, elegê-las como finalidade absoluta da existência é postura equivocada, que produz um cenário desolador de desequilíbrio, injustiça e morte diante do qual Dom Helder Câmara foi capaz de gritar em sua célebre “Invocação a Mariama”: “Basta de injustiça! Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar. Basta de alguns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano. Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia”. 2) Cantar um canto novo – É o canto que o Senhor põe nos lábios daquele que n’Ele espera. Um canto novo, um novo modo – inspirado por Deus – de relacionar-se consigo mesmo, com as coisas e com as pessoas. Na relação consigo mesmo, perceber-se falível e frágil, mas profundamente amado e, por isso, humilde e grato. Na relação com as coisas, conscientizar-se de que elas não são a finalidade última da existência, que existem para facilitar a vida e não para dominá-la. Quem se julga livre e poderoso porque tem demais, na verdade está possuído por aquilo que julga possuir. E, no que diz respeito ao outro, significa olhar o próximo como um dom, um presente, um irmão que, como todo ser humano, possui defeitos e dificuldades, mas que também traz em si a luz de Deus. Cultivando a confiança no Senhor, origem e finalidade da vida e de tudo que é bom, o ser humano consegue dar passos na direção de uma existência mais leve e feliz, apesar das lutas e dores que fazem parte da jornada. No amor a Deus e ao próximo, que se concretiza na prática do serviço, a pessoa pode encontrar o verdadeiro “prazer em fazer a vontade do Senhor”.   João Batista: o exemplo de quem testemunha Frei Clarêncio Neotti O Evangelho de João foi escrito para acentuar a última frase do texto de hoje: dar testemunho de que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus. Todos os milagres e acontecimentos narrados por João se direcionam a essa única conclusão. Qualquerconclusão menor ou de menos conteúdo é insuficiente. Muitas vezes, o povo olhou para Jesus e concluiu que ele era um grande profeta. Essa conclusão ainda não é suficiente. Hoje, o maior de todos os profetas diz expressamente: “Ele está àminha frente, ele existiu antes de mim”, isto é, ele é maior do que eu, ele existiu antes que o tempo existisse. João Batista afirma a eternidade de Jesus. E eterno só é Deus. Contudo, ainda que eterno, Jesus apareceu dentro do tempo, entre os homens, com uma missão divina. Isso vem dito com a figura da pomba – Espírito de Deus -, que desce,paira e permanece sobre Jesus. É como que uma consagração. É a maneira de dizer que Jesus de Nazaré, eterno como Deus, tem a plenitude de Deus e vai agir com a força e o poder de Deus (“batizará no Espírito Santo”). O evangelista coloca João Batista como exemplo de atitude de todo aquele que quer seguir Jesus: “Eu vi e dou testemunho”. Primeiro é preciso ver na pessoa humana de Jesus de Nazaré o Filho de Deus, eterno e com uma missão divina.  Entender e convencer-se desse fato. Depois testemunhar essa verdade, isto é, passá-Ia aos outros com humildade e convicção. “Dar testemunho” de Jesus é uma obrigação que João evangelista inculca ao longo de todo o Evangelho (por exemplo, 14,26; 15,27).   A luz das Nações: Ele veio ensinar os caminhos da vida Frei Almir Guimarães ♦ Terminados os dias do Advento e do Natal vamos penetrando no tempo comum enquanto esperamos a chegada do retiro quaresmal que nos levará à festa da Páscoa. Vamos fazendo nosso caminho, forjando nossa personalidade cristã com todas as naturais e eventuais dificuldades. João, o Batista, aponta Jesus no meio do povo. Ele é o Cordeiro que tira a maldade do mundo. Isaías, por sua vez, retoma a voz do Senhor dirigida ao misterioso Servo de Javé: “Não basta seres meu servo(…). Eu te farei luz das nações”. Somos convidados, sempre de novo, a alimentar e criar relacionamentos de intimidade aquele que nos ensina a ouvir a voz do Senhor e se se apresenta como luz da caminhada dos humanos e sobre o qual repousou o Espírito. Ele veio nos ensinar os caminhos da vida viçosa. ♦ João vira o Espírito descer sobre Jesus como uma pomba do céu e descer sobre ele. Pagola afirma: “As primeiras comunidades cristãs se preocuparam em diferenciar muito bem o batismo de João, que mergulhava as pessoas nas águas do Jordão, e o batismo de Jesus, que comunicava seu Espírito para purificar, renovar e transformar o coração de seus seguidores. Sem esse Espírito, a Igreja se apaga e se extingue’ (Pagola). ♦ Voltar a Jesus, retornar ao Evangelho, tecer relacionamentos de veneração e de estima para com esse Jesus ungido pelo Espírito: esta a urgência de nossos tempos. Andamos sempre precisando de equilíbrio. Nada de exageros de um ou de outro lado. Nada de uma religião fixada em formulações doutrinárias petrificadas e repetidas incansavelmente com os lábios. Longe manifestações exteriores marcadas por gestos quase delirantes e alimentadas com emoções. Antes de tudo está esse cuidado acercarmo-nos corretamente de Jesus vivo e presente em nosso meio. ♦ Desde a infância, e principalmente a partir da idade madura, seremos pessoas de convívio com o Senhor Jesus: certeza de sua misteriosa presença como ressuscitado, convivência pessoal e comunitária com sua palavra no Evangelho, nossa união ao seu sacrifício do altar fazendo-nos oferta da vida ao Pai com ele, certeza de que o encontramos nos seres mais diminuídos em sua dignidade, descobrindo sua presença nos salmos que balbuciamos, vivendo de tal maneira unidos a ele que podemos dizer que para nós viver é Cristo, sempre nos encantando com sua intimidade com o Senhor. Aos poucos, vamos tecendo laços de amor verdadeiro. ♦ Ele veio como o Servo do Senhor, para auscultar a vontade de seu Pai a quem se refere sempre com carinho. Veio também como luz, claridade, esclarecimento. Triste a experiência de caminhar nas trevas nos caminhos da vida ou no universo de nossa existência. Não podemos viver por viver, empurrar a vida para frente, esperando que as coisas aconteçam automaticamente. Precisamos organizar nosso presente e colocar as pedras da construção do amanhã. ♦ Cristo Jesus é luz. Andar em sua companhia e dirigir-se para o Pai, seu Pai e nosso Pai. Quem o vê de verdade, vê o Pai. Esse Jesus vivo nos faz entrar na esfera da luz. Ele nos toma pela mão e nos apresenta ao Pai. ♦ O que fazer de nossa vida? Há um momento em que precisamos ter um buquê de convicções para levar a bom termo a empreitada da existência. Jesus nos ilumina: > Uma vida de carinhosa e densa oração que não seja mero balbuciar dos lábios, mas gemidos e louvores que brotem de nossas entranhas quando acolhemos o Espírito. A oração de Jesus ilumina nosso rezar. Oração sem muitos efeitos sonoros e visuais. De preferência no silêncio do quarto com a porta fechada. Oração de entrega.>> Ter a certeza de que o Senhor, vivo e ressuscitado, nos chamou. Somos peregrinos na direção por ele mostrada. Discípulos que não guardam o tesouro para si. Discípulos que irradiam sem espalhafato. Somos sal da terra e luz do mundo. A luz que pode brilhar em nós vem da luz de Jesus.>> Estar sempre atento ao outro. A todos os outros. Com cuidado, sem afetação, dando tempo ao outro. O outro perto, em casa e o outro de fora e de dentro que quase pede desculpas pelo fato de existir. Atenção para com os jogados à beira do caminho. Não existimos para rodopiar em torno nosso mundinho. Como Jesus vivemos para haja luz à nossa volta.>> No momento das grandes decisões examinar se as escolhas que fazemos correspondem ao espírito das bem-aventuranças e às posturas de Jesus. Por detrás de nossas escolhas (modo de viver, casamento, paternidade e maternidade, administração do dinheiro, etc.) sempre deixar que a luz de Cristo a tudo ilumine.>> De modo particular nos momentos de turbulência, de dúvidas e de desânimo haveremos de nos expor à luz que é Cristo. Contemplaremos a maneira como enfrentou seus adversários. Diante do inevitável desfecho de sua trajetória não há passividade, mas confiança e entrega nos braços do Pai. Oração Aqui estou, Senhor;como o cego à beira do caminho,cansado, suado, poeirento;mendigo por necessidade e ofício.Passas ao meu lado e não te vejo.Tenho os olhos fechados para a luz.Costume, dor, desalento…Sobre eles cresceram duras escamasque me impedem de ver-te…Ah! Que pergunta a tua!O que deseja um cego senão ver?Que eu veja, Senhor, as tuas veredas.Que eu veja, Senhor, os caminhos da vida.Que eu veja, Senhor, sobretudo, teu rosto,teus olhos, teu coração. F. Ulibarri   O batismo do Espírito José Antonio Pagola O novelista Julien Green descreve uma assembleia de cristãos com estas penetrantes palavras: “Todo mundo acreditava, mas ninguém gritava de assombro, de felicidade ou de espanto”. Nós, cristãos de hoje, estamos conscientes da profunda contradição que se opera no interior de nossa vida, quando a apatia e a indiferença apagam em nós o fogo do Espírito. Parecemos homens e mulheres que, para dizê-lo com as palavras do Batista, foram “batizados com água” mas que lhes falta ainda serem batizados com “Espírito Santo e fogo”. Cristãos que vivem repetindo o que, talvez, aprenderam há anos em algum catecismo, ou o que escutam hoje dos pregadores. Falta-Ihes sua própria experiência de Deus. Pessoas que foram crescendo em outros aspectos da vida, mas que permaneceram atrofiadas interiormente, frustradas em seu “desenvolvimento espiritual”. Pessoas boas que continuam cumprindo com fidelidade admirável suas práticas religiosas, mas que não conhecem o Deus vivo que alegra a vida e desata as forças para viver. O que falta em nossas comunidades e paróquias não é tanto a repetição da mensagem evangélica ou o serviço sacramental, mas a experiência de encontro com esse Deus vivo. De modo geral, é insuficiente o que se faz entre nós para ensinar os crentes a penetrar em seu interior e descobrir a presença do Espírito no coração de cada um e no interior da vida. Escassos são os esforços para aprender praticamente caminhos de oração e silêncio que nos aproximem de Deus como fonte de vida. Seguimos escutando e repetindo as palavras de Jesus como vindas “do exterior”. Quase não nos detemos a escutar sua voz interior, essa voz amistosa e estimulante que ilumina, conforta e faz crescer em nós a vida. Dizemos de Deus palavras admiráveis, mas pouco nos ajudamos a pressentir Deus com emoção e assombro, como essa Realidade na qual nos sentimos vivos e seguros, porque nos sentimos amados sem fim e de maneira incondicional. Para degustar esse Deus não bastam as palavras nem os ritos. Não bastam os conceitos nem os discursos teológicos. É necessária a experiência pessoal. Que cada um se aproxime da Fonte e beba. Nós, cristãos, não deveríamos esquecer aquela observação que Tony de Mello fazia com seu habitual encanto: jamais alguém se embriagou pensando intelectualmente na palavra “vinho”. Assim também, para saborear e degustar a Deus, não basta teorizar sobre Ele. É necessário beber do Espírito.   O Cordeiro de Deus Pe. Johan Konings Terminado o tempo natalino, a liturgia dominical inicia uma primeira série de “domingos comuns”nos quais os evangelhos descrevem a vida pública de Jesus, depois de seu batismo por João. No Brasil, o 1º domingo comum é substituído pela festa do Batismo do Senhor. No 2º domingo, o evangelho conta como João Batista apresenta Jesus a seus discípulos chamando-o de “cordeiro de Deus”. Este título é estranho para nós e certamente não suscita muita simpatia entre os jovens. Nesta época de super-homens, nenhum jovem gostaria de ser chamado de “cordeiro”. O pano de fundo deste título é a imagem do Servo do Senhor, que se encontra nos “Cânticos do Servo”da profecia de Isaías. Domingo passado (Batismo do Senhor) foi-nos lido o 1º Cântico do Servo (Is 42 1-4): Deus coloca no Servo o seu Espírito. Hoje, a 1ª leitura nos faz ouvir o 2º Cântico: o Servo (Israel) deve reunir o povo de Deus e ser a luz das nações (Is 49, 3.5-6). O 3º e 4º Cântico (Is 50 e 53) serão lidos na Semana Santa, e é precisamente no 4º Cântico que o Servo Sofredor é comparado com o cordeiro levado ao matadouro, imagem que estende sua força também sobre os três primeiros cânticos. Se Jesus, ao ser batizado por João, aparece como o Servo do Senhor (cf. dom passado), João o chama, mais explicitamente, “o cordeiro que tira o pecado do mundo”, “aquele sobre quem o Espírito permanece” e que “batiza com o Espírito”. Tudo isso para dizer que Jesus é enviado por Deus para libertar o mundo do pecado e comunicar o Espírito de Deus aos fiéis. Ambas as coisas, ele as realiza por sua morte por amor a nós. Ele morre como o cordeiro redentor e, quando de sua “exaltação” (na cruz e na glória), confere-nos o Espírito (Jô 7,39), para libertar o mundo do pecado (cf. ev. De Pentecostes). Se combinarmos essas idéias, parece que este “cordeiro”não é tão passivo assim. Somos batizados no Espírito conferido pelo cordeiro libertador, para libertar o mundo do mal. Somos chamados a realizar a mesma missão do Servo e Cordeiro: dar a nossa vida, para que o pecado seja derrotado. É o sentido profundo do martírio cristão, que sempre acompanha a caminhada da comunidade de Jesus, até hoje. Martírio significa testemunho. Sempre haverá cristãos que representando o povo de Deus inteiro, darão sua vida para desfazer a força do pecado, para desarmar o mal do mundo (não apenas os atos maldosos de cada um, mas também as estruturas do mal, que devem ser combatidas com o empenho radical de nossa própria postura social). Tudo isso faz parte de nossa “vocação a sermos santos”, ou seja, a pertencermos a Deus (cf. 2ª leitura). Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Missionárias de Santa Teresinha têm nova Superiora Geral

Foi eleita na manhã desta terça-feira (14) a nova Superiora Geral da Congregação das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha. A escolha da Irmã Margarida Pantoja se deu durante a realização do IX Capítulo Geral da congregação, que ocorre no Sítio Nossa senhora da Glória em Bragança. Irmã Margarida que ocupava a função de vice-superiora, foi eleita para um mandato de 6 anos em substituição a Irmã Estelina de Oliveira, que esteve a frente da congregação por 6 anos. Irmãs que compõem o novo governo da congregação, da esquerda para a direita: Ir. Francisca Pantoja (Conselheira), Ir. Ana Ribeiro (Conselheira), Ir. Margarida Pantoja (Superiora Geral), Ir. Tânia (Vice Superiora) e Ir. Ivete (Conselheira)/ Foto: Irmãs Missionárias   A Congregação das Missionárias de Santa Teresinha foi fundada por Dom Eliseu Maria Coroli e pela co-fundadora Irmã Edith Almeida de Sousa, primeira Superiora Geral falecida recentemente. A edição do IX Capítulo Geral e da X Assembleia Geral serão concluídos nesta sexta-feira, dia 17. Margarida Pantoja da Silva, nasceu no município de São Domingos do Capim, sempre teve envolvimento na defesa das causas sociais na Diocese de Bragança e do Regional Norte 2. Irmã Margarida é Socióloga e professora dos cursos Fundamental II e Médio nas escolas públicas Julião Garcia e Monsenhor Mâncio Ribeiro. Atualmente é gestora da Casa dos Anjos. Reportagem - Jota Bahia Fundação Educadora de Comunicação

Bragança sediou o 3º Congresso do ECC diocesano

O município de Bragança sediou neste domingo (12) a realização do 3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo – ECC. O evento recebeu caravanas vindas de várias paróquias da Diocese de Bragança. O tema envolveu as comemorações dos 50 anos de fundação do ECC no Brasil. Iniciado em 1970 na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Pompéia em São Paulo, o Encontro de Casais com Cristo é um serviço da Igreja em favor da evangelização das famílias, mostrando pistas para que os casais se reencontrem com eles mesmos, com os filhos, com a comunidade e, principalmente, com Cristo. Com três etapas, tem como pilares a doação,  essência da vida cristã, pobreza, simplicidade, alegria e doação. Mais de três milhões de casais já passaram pelo encontro, seja participando ou trabalhando, que tem como característica principal ser uma ação de casais feita para casais, conforme sonhava seu fundador,  Pe. Afonso Pastore. Em Bragança, a concentração das famílias ocorreu logo no início da manhã no Teatro Museu da Marujada de onde seguiram em caminhada pelo centro histórico passando pelas igrejas de São Benedito, Catedral e Palácio Episcopal rumo ao Ginásio Dom Eliseu (Corolão). Na chegada, as caravanas identificadas por seus estandartes e bandeiras foram recebidas com animação e louvação. Coube ao Padre Gerenaldo Messias dirigir as palavras de acolhimento aos visitantes. Em seguida, o Padre Giovanni In Campo, sacerdote Barnabita (Fundador do ECC na Diocese de Bragança) fez uma pregação falando da importância do ECC na solidificação da Família Cristã. Missa de encerramento do III Congresso do ECC foi presidida por Dom Jesus/ Foto: Aldo Costa Após o testemunho de um casal que vivenciou o primeiro ECC na Diocese de Bragança, foi servido o almoço no Ginásio de Esportes. A programação se estendeu pela parte da tarde com apresentação Sociodrama, palestra e a Santa Missa presidida pelo bispo diocesano de Bragança, Dom Jesus Maria, com a benção do Santíssimo Sacramento. O ECC no Estado do Pará foi implantado no ano de 1975, pelo Pe. Giovanni In Campo, enquanto que na Diocese de Bragança  ocorreu em 1984, na Paróquia São Miguel Arcanjo, em São Miguel do Guamá. Completa neste ano de 2020, 36 anos. Após a celebração da Missa, foi dado por encerrado oficialmente o  3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo da Diocese de Bragança. Reportagem - Jota Bahia Fundação Educadora de Comunicação

Festa do Batismo do Senhor

A salvação silenciosa e artesanal Frei Gustavo Medella É hora de voltar! Da praia, das férias, do descanso. Na Liturgia, fecha-se o Tempo do Natal com a Solenidade do Batismo do Senhor. O Menino Jesus, que veio para a salvação de todos e foi adorado e reverenciado pelos pastores, pelos magos, pelos anjos, agora é batizado – já adulto – por seu primo, João Batista, às margens do Rio Jordão. Ele é o Emanuel – Deus Conosco – no qual se confirmam e se concretizam as profecias do Antigo Testamento. A Salvação por Ele proposta é espetacular, mas nada tem de espetaculosa. É discreta, silenciosa e serena, tal qual descreve o Profeta Isaías: “Ele [o Servo, o Salvador] não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas” (Is 42,2). É artesanal: “Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega” (Is 42,3). Silenciosa e artesanal: duas lições urgentes e necessárias para os tempos atuais. O mundo está carente de silêncio, interior e exterior. Em tempos em que as questões se ganham no grito e na bala, em que o medo e a autodefesa erguem muros que distanciam e separam pessoas, no silêncio é que os diferentes conseguem se escutar, passam a se compreender e começam a se amar. Enquanto cada um estiver entorpecido pelo seu próprio barulho, imerso em seu “samba de uma nota só” (nada contra a música com este título, aliás, bem bonita), a Salvação estará distante e enfraquecida, pois ela só pode ocorrer no diálogo e no encontro. O fio do silêncio é capaz de tecer uma disposição de escuta fundamental para que possam ser ouvidas as vozes daqueles que clamam silenciosamente pela salvação: moradores de rua, desempregados, pessoas em situação trabalhista precária e insuficiente, idosos e crianças abandonadas, expatriados, aqueles que vivem em zonas de conflito e guerra e tantos outros que anseiam por mudanças urgentes e necessárias. A outra característica da Salvação é o fato de ela ser artesanal. Apesar das tentativas de apresentá-la de maneira “industrializada” e caricatural, ao modo da teologia da prosperidade ou de alguns modelos pautados no clericalismo e na exclusão, Deus quis que fosse algo construído a muitas mãos, com sensibilidade e perseverança. Numa sociedade onde o perecível e o descartável se apresentam como regra aplicada aos bens de consumo e, infelizmente, às pessoas, a pedagogia divina escolhe “não quebrar a cana rachada nem apagar o pavio que ainda fumega”. Trabalhar nesta perspectiva significa apostar todas as fichas na bondade e no amor que Deus plantou em cada coração humano. Diante da lógica artesanal da salvação, caem por terra máximas simplistas e excludentes que são forjadas por uma mentalidade pautada num punitivismo violento e nada empático que apregoa a multiplicação de armas e de guerras como forma de se construir uma sociedade pacífica formada apenas por “pessoas de bem”. O verdadeiro projeto salvífico de Jesus não deseja promover apenas as “pessoas de bem”, mas entrega-se totalmente num esforço divino-humano de despertar e fazer florescer o “bem das pessoas”, de todas, sem exceção.   Batismo do Senhor Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: Deus eterno e todo-poderoso, que, sendo o Cristo batizado no Jordão, e pairando sobre ele o Espírito Santo, o declarastes solenemente vosso Filho, concedei aos vossos filhos adotivos, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar Constantemente em vosso amor.   Primeira leitura: Is 42,1-4.6-7 Eis o meu servo: nele se compraz minha alma.   A segunda parte do livro de Isaías (Is 40–55), inclui quatro poemas, chamados Cânticos do Servo Sofredor. Para a primeira leitura da festa do Batismo do Senhor foi escolhido o primeiro Cântico, escolha bem apropriada para iluminar o sentido do batismo de Jesus. Os primeiros cristãos começaram a ler o texto grego do Antigo Testamento à luz da fé em Cristo morto e ressuscitado. Em grego, a mesma palavra pais significa servo e filho. Assim, o servo é identificado com o Filho de Deus. Reliam os Cânticos do Servo Sofredor para interpretar a vida e a missão de Jesus (ver At 8,26-40). Na primeira leitura é Deus quem fala em primeira pessoa: “Eis meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito. Nele se compraz a minha alma”. A figura misteriosa do servo recebe o espírito de Deus para cumprir uma missão universal, “o julgamento das nações”. O termo “julgamento” ocorre duas vezes e o mesmo acontece com a palavra “Juiz”. O juiz é o servo, mas não anunciará um julgamento punitivo, pois os exilados pagaram em dobro pelos seus crimes (Is 40,2). O julgamento das nações é para salvar o povo eleito. O Servo virá com a mansidão de um pastor que cuida de suas ovelhas, sobretudo, das mais fracas: Não quebrará a cana rachada, nem apagará o pavio que ainda fumega. Nem descansará enquanto não estabelecer os seus ensinamentos e a justiça na terra. O Servo é escolhido a dedo – “eu te tomei pela mão”. Por fim, o Servo recebe uma missão: abrir os olhos aos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar os que vivem na escuridão do cárcere. O Servo Sofredor é alguém que se compadece e sofre com os injustiçados. Mateus usa o texto hoje lido para descrever a missão de Jesus (Mt 12,15-20).   Salmo responsorial: Sl 28 (29 Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!   Segunda leitura: At 10,34-38 Foi ungido por Deus com o Espírito Santo.   Na segunda leitura ouvimos um trecho do discurso de Pedro na casa de Cornélio, comandante de um batalhão romano. O comandante ouvira falar muito de Jesus, o grande profeta de Nazaré, condenado à morte de cruz por Pilatos. Desejoso de conhecer melhor a Jesus mandou chamar Pedro que estava em Jope para que viesse até em Cesareia, onde residia. O Apóstolo, conduzido pelo Espírito do Senhor, atendeu ao convite apesar de sua relutância em falar para os pagãos. Enquanto falava, o Espírito Santo se manifestou sobre Cornélio e seus familiares, como havia acontecido no dia de Pentecostes com os apóstolos e discípulos. Então, Pedro começa a entender que Deus não faz distinção entre judeus e pagãos, mas acolhe “quem o teme e pratica a justiça”, não importa de que nação ele seja. Em seu discurso Pedro não descreve os acontecimentos em torno da pessoa de Jesus, já conhecidos de muita gente, inclusive de Cornélio. Por isso diz: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo de João”. Invertendo a frase, temos o resumo e a estrutura dos evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas: Batismo de Jesus, atividades de Jesus na Galileia e paixão morte e ressurreição na Judeia (Jerusalém). O que importa na primeira pregação (querigma) é o testemunho da fé: a) Jesus foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder; b) com esse poder “Ele andou fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio”; c) “porque Deus estava com Ele”.   Aclamação ao Evangelho Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu filho muito amado; escutai-o, todos vós!   Evangelho: Mt 3,13-17 Depois de ser batizado, Jesus viu o Espírito de Deus pousando sobre ele.   Celebramos domingo passado a festa da Epifania, encerrando as narrativas da história da infância de Jesus em Mateus e Lucas. Depois de ser batizado por João, Jesus é ungido pelo Espírito Santo e constituído como o Messias esperado por Israel, pronto para iniciar sua missão na vida pública. Naquele tempo havia uma grande expectativa da vinda iminente do Messias. João Batista, “ a voz que clama no deserto”, começa a convocar todo o povo da Judeia e da Galileia para a conversão e um batismo para o perdão dos pecados. No clima da esperança da vinda do messias, animada pela pregação do Batista, Jesus vem da Galileia até o rio Jordão para encontrar-se com João e ser por ele batizado. Jesus não precisava de conversão nem de perdão dos pecados. “Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Mesmo assim, Jesus entre na fila com o povo para ser batizado. João parece perceber isso e protesta: “Eu é que devo ser batizado por ti, e tu vens a mim”? E Jesus responde: “… nós devemos cumprir toda a justiça”. Com estas palavras Jesus se solidariza com os pecadores que haveria de salvar por sua morte na cruz. Diante do povo João reconhece a superioridade de Jesus e do batismo cristão. João batizava apenas com água, “em sinal de conversão”; Jesus, porém, haveria de batizar “no Espírito e no fogo” (3,11). Logo que foi batizado por João, Jesus saiu da água e o céu se abriu – literalmente, “rasgou-se” – e Jesus viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e pousar sobre si; era um sinal visível de uma escolha divina, confirmado pela voz do céu, que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu agrado”. Assim Deus apresenta seu Filho Jesus, ungindo-o como o Messias esperado e qualificando-o para missão salvadora de toda a humanidade. Essa missão se encerra quando Jesus morre na cruz, a cortina do Templo “se rasga” e o oficial romano exclama: “Na verdade, este era Filho de Deus” (Mt 27,34). O batismo de Jesus o prepara para a missão e nos convida a assumirmos a nossa missão (2ª leitura).   Batismo: rito velho com sentido novo Frei Clarêncio Neotti O Batismo de Jesus é contado pelos quatro evangelistas. Isso significa que os primeiros cristãos davam uma importância muito grande ao fato. A palavra ‘batizar’, ‘batismo’ vem do grego e era usada na linguagem de todo dia, significando ‘mergulhar’, ‘imergir’. Mas o costume de lavar-se ou de mergulhar podia ter também um sentido religioso, tanto no Antigo Testamento quanto em regiões da Grécia, do Egito e da Índia. Três sentidos aparecem sempre, ora acentuando mais um, ora acentuando mais outro: a purificação externa e interna da pessoa (o Catecismo nos ensina que ele nos liberta do pecado original e tem força de perdoar outros pecados); a procura de um acréscimo de forças vitais e o dom da imortalidade (o Catecismo nos ensina que o mergulho na água do batismo significa o mergulho na morte de Cristo para poder com ele ressuscitar e levar uma vida nova); e um rito de iniciação, de introdução na comunidade, de assunção das obrigações e vantagens religiosas. João Batista não inventou, portanto, o batismo. Sem omitir os três sentidos tradicionais (que a Igreja adotou), João acentua um quarto: a conversão. E nisso coincide com a pregação de Jesus (Mt 4,17; Mc 1,15). João prepara o sentido profundo da doutrina de Jesus sobre a pertença ao Reino de Deus, cuja primeira condição é a conversão do coração. Os evangelhos mostram que João tinha consciência de estar apenas preparando o caminho de Jesus (Mt 3,11; Mc 1,7; Lc 3,15-16;Jo 1,19-27).   Nas águas do Rio Jordão Frei Almir Guimarães Assim fala Jesus a João, o Batista, no momento em que queria ser batizado, momento em que o precursor hesitava em acolher seu pedido: “Pelo meu batismo é que as águas serão santificadas recebendo de mim o fogo e o Espírito. Se eu não receber o batismo, elas não poderão ter o poder de gerar filhos imortais. É absolutamente necessário que tu me batizes, sem discussão, como te ordenei. Eu te batizei no seio materno; batiza-me agora no Jordão”Santo Efrém, diácono ♦ Estamos ainda no tempo das manifestações do Senhor. No Natal os anjos o anunciam como salvador na criança de Belém e falam da paz que então passa a existir no coração dos homens amados pelo Senhor. Na Epifania, magos que vieram de longe acolhem a manifestação do Menino das Palhas. Agora o Espírito desce sobre Jesus nas águas do Jordão. Ungido para missão, ele havia santificado as águas com sua presença e a voz do Pai coroou a tudo. “Este é o meu Filho bem-amado, escutai-o”. Um novo nascimento? Certamente que não. Os três eventos, no entanto, se entrelaçam: a manjedoura do menino das palhas, a manifestação ao magos e a imersão nas águas do Jordão e a atestação do Pai e do Espírito. Jesus é, literalmente o ungido. ♦ Batismo de água: eis um movimento de renovação interior inaugurado pelo Batista, que viera do deserto pedindo a transformação interior do homem. É dentro do coração do homem e de todos os homens que começa a se operar a renovação do mundo. Jesus insistirá no tema da conversão. João havia experimentado sucesso com sua pregação e muitos entravam no Jordão para receber este batismo de água. Jesus se associa ao cortejo dos pecadores. “Quero estar perto daqueles que começam a mudar o coração. João, vem aí alguma coisa nova. Vamos construir um mundo diferente. Vou purificar as águas do Jordão, santificá-las”, assim poderia dizer Jesus. Joao é o precursor, o preparador dos caminhos do Senhor. Não seria essa a missão da Igreja, de cada cristão, ou seja, de preparar os caminhos do Senhor? Depois do batismo no Jordão Jesus se sente autorizado a começar sua missão. Esse é o verdadeiro batismo: na água e no Espírito. ♦ “Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba, vindo pousar sobre ele. E do céu vinha uma voz que dizia: ‘Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (cf.ev. do dia). Solene confirmação da filiação divina de Jesus, o Filho amado no qual são colocadas todas as complacências do alto. ♦ “Hoje é, portanto, como que um novo natal do Salvador. Vemo-lo, de fato, gerado com os mesmos sinais e milagres, porém com maior mistério. Pois o Espírito Santo, que o assistiu no seio materno, agora o ilumina em meio ao rio; aquele que preservou Maria para ele, agora santifica-lhe as águas. O Pai que antes estendeu sua sobra poderosa, agora faz ouvir a sua voz. E Deus, que outrora envolveu em sombra o nascimento, dá agora, como por uma deliberação mais perfeita, testemunho da verdade, dizendo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o” (São Máximo de Turim). ♦ O mesmo São Máximo de Turim, continua a nos esclarecer: “Que batismo é este, o do Salvador, no qual as águas em vez de purificar, são purificadas? Num novo gênero de santificação, a água não lava, mas é lavada. Desde o momento em que em emergiu da água, o Salvador consagrou todas as fontes no mistério do batismo, para que todo aquele que quiser ser batizado em nome do Senhor seja lavado não pela água do mundo, mas purificado pela água do Cristo. Assim, o Salvador quis ser batizado não visando adquirir pureza para si, mas afim de purificar as águas para nós”. ♦ Dá que pensar esta reflexão. No momento do Batismo de Jesus, uma voz do céu pede que esse Jesus, o Filho amado, seja ouvido. O apelo nos é dirigido. Passar a vida atentos ao que Jesus nos diz, nos mostra com sua vida, com suas palavras e com sua morte e ressurreição. Passar a vida à escuta do Filho amado. Carinhosamente unidos a ele. ♦ A celebração do Batismo do Senhor deve ser ocasião que pensemos em nosso próprio batismo, perdido nas brumas do tempo. “Os fiéis que nasceram e viveram na fé da Igreja têm necessidade de redescobrir a grandeza e as exigências da vocação batismal. É paradoxal que o batismo, fazendo o homem um membro vivo do Corpo de Cristo, não esteja bem presente na consciência explícita do cristão e que a maior parte deles não considere o seu ingresso na Igreja através da iniciação batismal, como momento decisivo de sua vida. O batismo nos foi dado em nome de Cristo, põe-nos em comunhão com Deus; é um novo nascimento; uma passagem da solidariedade no pecado à solidariedade no amor, das trevas e solidão ao mundo novo da fraternidade” (Missal da Paulus). O que fizemos de nosso batismo? Temos o cuidado de renová-lo, de modo especial durante o tempo catecumenal da quaresma e de modo especial na Vigília Pascal? Para refletir Nos primeiros séculos do cristianismo, o batismo era normalmente a culminação de todo processo de conversão e vinha expressar, de maneira viva, a aceitação consciente e responsável da fé cristã. Hoje não é mais assim. Nós somos batizados uns poucos dias depois de nosso nascimento, sem possibilidade alguma de que o batismo fosse um gesto pessoal nascido de nossa própria decisão. Esta prática de batizar as criancinhas foi introduzida bem cedo nas comunidades cristãs e, sem dúvida, tem um significado profundo na família que deseja ver seu filho integrado na comunidade cristã. Não obstante e por legítimo que seja o costume multissecular, é evidente que implica em graves riscos, se não adotamos uma postura responsável. O batismo das criancinhas não pode ser entendido como culminância de um processo de conversão. Só terá sentido se o considerarmos o inicio de uma vida que deverá ser ratificada mais tarde. O batismo que recebemos como crianças está exigindo de nós, adultos, uma confirmação na fé, uma ratificação pessoal. Sem ela, nosso batismo continua incompleto, como sinal vazio de conteúdo responsável, como chamado sem eco nem resposta verdadeira. José Antonio Pagola, O caminho aberto por Jesus, Mateus, p. 43-44 Oração Espírito de Deus, Espírito de Jesus,Espírito da sinagoga de Nazaré,Tu que és o Espírito dos pobrese dos que foram ungidos para lutar com eles.Vem.Vem se tardar.Unge-nos com teu óleo santo.Inunda nossos corações com seu amor.Depois, envia-nos os pobres,para levar-lhes alegria e a dignidade de Jesus,para dar-lhes o que devemos por justiça,a fim de fazer um mundo novo à tua medida,o mundo do EspíritoP.Loidi   O Espírito bom de Deus José Antonio Pagola Jesus não é um homem vazio nem disperso interiormente. Não age por aquelas aldeias da Galileia de maneira arbitrária, nem movido por qualquer interesse. Os evangelhos deixam claro desde o início que Jesus vive e atua movido pelo “Espírito de Deus”. Não querem que Ele seja confundido com qualquer “mestre da lei”, preocupado em introduzir mais ordem no comportamento de Israel. Não querem que Ele seja identificado com um falso profeta, disposto a buscar um equilíbrio entre a religião do templo e o poder de Roma. Além disso, os evangelistas querem que ninguém o equipare ao Batista. Que ninguém o veja como simples discípulo e colaborador daquele grande profeta do deserto. Jesus é “o Filho amado” de Deus. Sobre Ele “desce” o Espírito de Deus. Só Ele pode “batizar” com Espírito Santo”. Segundo toda a tradição bíblica, o “Espírito de Deus” é o alento de Deus que cria e sustenta toda a vida. É a força que Deus possui para renovar e transformar os viventes. Sua energia amorosa que busca sempre o melhor para seus filhos e filhas. Por isso Jesus se sente enviado não para condenar, destruir ou maldizer, mas para curar, construir e abençoar. O Espírito de Deus o conduz a potenciar e melhorar a vida. Cheio desse “Espírito” bom de Deus, Ele se dedica a libertar as pessoas de “espíritos malignos”, que não fazem senão danar, escravizar e desumanizar. As primeiras gerações cristãs tinham bem claro na memória o que Jesus havia sido. Resumem assim a lembrança que Ele deixou gravada em seus seguidores: “Ungido por Deus com o Espírito Santo … passou pela vida fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele” (At 10,38). Que “espírito” nos anima hoje como seguidores de Jesus? Qual é a “paixão” que move sua Igreja? Qual é a “mística” que faz nossas comunidades viver e atuar? O que estamos incutindo no mundo? Se o Espírito de Jesus está em nós, vamos viver “curando” os oprimidos, deprimidos ou reprimidos pelo mal.   Solidariedade e salvação Pe. Johan Konings Nesta festa, celebrada no domingo depois da Epifania, a liturgia recorda o batismo de Jesus por João Batista nas águas do Jordão. É mais uma “epifania: Jesus é manifestado como Filho de Deus.” A 1ª Leitura apresenta o 1º cântico do Servo (Is 42), que recebe o Espírito de Deus para ser a luz das nações e o libertador dos oprimidos. Assim, ao ser Jesus batizado por João, Deus o proclama “seu filho”, e o Espírito de Deus desce sobre ele de modo visível, em forma de pomba – o pássaro mensageiro. Recebendo o Espírito de Deus, Jesus assume sua atividade como enviado de Deus. Por isso, conforme a 2ª leitura, a pregação dos apóstolos a respeito de Jesus iniciava com a menção do batismo de Jesus por João. Jesus é, portanto, o Servo do Senhor por excelência, o Filho de Deus. Sobre ele repousa o Espírito Santo, o dinamismo de Deus Santo, fazendo com que tudo o que o Filho faz seja obra que Deus deseja (evangelho). Neste sentido devemos compreender a objeção do Batista, que achava que ele devia ser batizado por Jesus e não o contrário. Se Jesus é maior que o Batista, por que deixou-se batizar por ele? Se João Batista batizava para pedir o perdão dos pecados, Jesus não devia estar no meio dos batizados… Ou sim? Pois Jesus é o realizador do desígnio (projeto) de Deus. Jesus quer ser solidário com o povo que ele vem libertar; embora ele mesmo não tenha pecado, pede a João para ser batizado em meio aos pecadores. Assim, ele quer “cumprir toda a justiça”, isto é, o plano de salvação de Deus. Jesus não se comporta como um privilegiado. Se queremos salvar alguém, tirar alguém do poço, devemos descer até onde ele está… Por isso, Jesus se deixa batizar no meio dos pecadores, cumprindo assim a justiça, o plano do Pai. O batismo de Jesus é despojarmos de sua grandeza divina, e, ao mesmo tempo, manifestação do Espírito. Isso contém um significado para nosso próprio batismo. Para comunicar o Espírito no qual fomos batizados devemos mergulhar no mundo em que vivem os nossos irmãos e irmãs, mundo marcado pela presença do pecado. Jesus participou do batismo do perdão dos pecados porque participava da comunidade humana curvada sob o pecado. O batismo cristão não significa meramente o perdão dos pecados, como o de João (muito menos mera bênção de saúde ou coisa semelhante). É a participação no batismo de Cristo e na sua missão como Servo de Deus, no Espírito. Nosso batismo deve levar-nos ao serviço de nossos irmãos. Ser batizado é tornar-se Servo do Senhor com Cristo, o Servo por excelência. A preparação do batismo deve ensinar isso aos candidatos, ou aos pais e padrinhos. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

III Congresso Celebrativo do ECC

No próximo dia 12, domingo, a cidade de Bragança receberá caravanas vindas de várias partes da Diocese de Bragança. O motivo, desta vez, é a celebração do 3º Congresso do Encontro de Casais com Cristo - ECC na diocese. E desta vez há um motivo mais do que especial para ser comemorado no próximo dia 12: o ECC está completando 50 anos de fundação no Brasil. Iniciado em  1970, na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, na Vila Pompéia, em São Paulo  o Encontro de Casais com Cristo é um serviço da Igreja em favor da evangelização das famílias, mostrando pistas para que os casais se reencontrem com eles mesmos, com os filhos, com a comunidade e, principalmente, com Cristo. Com três etapas, tem como pilares a doação,  essência da vida cristã, pobreza, simplicidade, alegria e doação. Hoje o ECC está presente em mais de 800 paróquias espalhadas por todas as regiões do Brasil e até em algumas dioceses no exterior, como por exemplo no Canadá. Desde que se originou mais de três milhões de casais já passaram pelo encontro, seja participando ou trabalhando, pois este serviço tem por característica principal ser uma ação de casais feita para casais, conforme sonhava seu fundador, o Pe. Afonso Pastore. No dia 12 de janeiro, aqui em Bragança, as atividades referentes ao 3º congresso celebrativo devem ter início com a concentração, que acontece a partir das 07:45 horas no Museu da Marujada, nas proximidades da Igreja de São Benedito. Depois desse momento as famílias serão direcionadas ao Ginásio de Esportes Dom Eliseu Coroli onde se desenvolverá todo o congresso até por volta das 15 horas. A programação completa para esse dia será a seguinte: 07h45min às 08h45min - Acolhida e café da manhã no museu da marujada. 09h00min - Caminhada dos casais pelas ruas de Bragança, passando pelas igrejas de São Benedito, Catedral e Palácio Episcopal rumo ao Ginásio Dom Eliseu. 09h45min - Boas-vindas ao chegar ao ginásio com animação e louvação em recepção às caravanas com seus estandartes e bandeiras. 10h30min - Padre Gerenaldo Messias 10h50min - Padre Giovanni In Campo (Fundador do ECC na Diocese de Bragança do Pará) 11h40min - Palestra do casal que vivenciou o primeiro ECC em nossa diocese. 12h00min - Testemunho – Casal 12h15min - Almoço 13h30min - Sociodrama 13h45min - Palestra - Casal diocesano 14h00min - Missa com benção do Santíssimo Sacramento - ENCERRAMENTO OFICIAL. O ECC no Estado do Pará foi implantado no ano de 1975, pelo Pe. Giovanni In Campo, que estará domingo em Bragança. Já na Diocese de Bragança do Pará foi implantado em 1984, na Paróquia São Miguel Arcanjo, na cidade de São Miguel do Guamá. Completa neste ano de 2020, por tanto, os seus 36 anos. E para celebrar esse momento o ECC está preparando para agosto, em São Miguel do Guamá, onde tudo começou, uma belíssima festa em forma de congresso diocesano. Em momento oportuno traremos mais informações sobre essa data de agosto. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Dom Jesus celebra mais um ano de vida

Está de aniversário nesta segunda-feira (06), Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces (Bispo da Diocese de Bragança do Pará) que é de nacionalidade espanhola, nascido em Navarra no dia 06 de janeiro de 1952. Filho de Santiago Cizaurre e Maria Berdonces. Fez sua profissão religiosa em 10 de setembro de 1972, em Monachil (Granada - Espanha), na Ordem dos Agostinianos Recoletos. Cursou seus estudos teológicos em Granada. Foi ordenado sacerdote no dia 26 de junho de 1976. No dia 12 de janeiro de 1977 chegou ao Brasil. Serviu como missionário na Prelazia de Marajó (Pará), por 13 anos. Foi formador dos seminaristas Agostinianos Recoletos em São Paulo, no período de 1990 a 1994. Ocupou os cargos de Superior e Pároco na Comunidade de São José de Queluz, em Belém do Pará de 1994 a 1997. Foi, ainda, Superior Maior da Província Santo Tomás de Vila nova, no Brasil. Foi designado 3º Bispo da Prelazia de Cametá, pelo Papa João Paulo II, em 23 de fevereiro de 2000. Sua ordenação episcopal foi realizada em Cametá no dia 07 de maio de 2000. Sua posse aconteceu também no mesmo dia 07 de maio. Dom Jesus governou a Prelazia de Cametá até sua ereção como Diocese, em 06 de fevereiro de 2013, passando a ser o seu primeiro bispo diocesano. Como titular da nova diocese, permaneceu até 17 de agosto de 2016, quando o Papa Francisco o transferiu para a Diocese de Bragança do Pará. Para comemorar esse momento de aniversário, houve uma missa solene as 6h da manhã desta segunda-feira na Catedral Nossa Senhora do Rosário, que foi presidida pelo aniversariante do dia e concelebrada pelos Padres Raimundo Elias (Catedral do Rosário), Mairon Christian (Catedral do Rosário) e Gerenaldo Messias (São João Batista), na celebração estiveram presentes algumas missionárias de Santa Teresinha e a povo em geral, ao término da santa missa foi cantado os parabéns a Dom Jesus, que recebeu os parabéns de todos os presentes. Reportagem e fotos: Fabrício Bragança.

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EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

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