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Cúria Diocesana

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15º Domingo do Tempo Comum

Muitos terrenos num só coração Frei Gustavo Medella O contexto de pandemia que o mundo vive intensifica uma gama variada de fragilidades que integram a existência humana e se tornam mais fortes e incisivas diante do medo, das incertezas e das perdas. É verdade que também ganham força iniciativas de solidariedade, partilha, empatia e compaixão. No meio deste cenário complexo e multifacetado, a Igreja segue sua missão, entre erros e acertos, ao modo dos muitos tipos de terreno onde o Semeador semeia sua mensagem. Todo mundo é terreno. E, dentro de cada coração, estes diferentes tipos de terra não estão perfeitamente delimitados, mas coabitam no mundo interior de cada pessoa e de cada comunidade. O importante é abrir-se à ação de Deus e deixar-se cuidar pela sua Palavra a fim de que o bom terreno seja expansivo e vá expandindo seus limites com a iniciativa generosa de Deus e a colaboração dos que abraçam o seu Projeto. Entre posts, lives, vídeos, tweets, textos, blogs e todos os outros recursos do mundo virtual que ganham relevância concreta e real, percebem-se diferentes modos de se tentar fazer crescer e frutificar a semente do Evangelho. A beira do caminho é o terreno da dispersão, da falta de tempo para a escuta, da oferta de soluções rápidas e simplistas para problemas complexos e profundos. É o terreno das frases de efeito muitas vezes baseadas em preconceitos e ilusões. É o lugar da ideia delirante, por exemplo, de que pela fé o crente estaria imunizado contra o coronavírus, podendo, inclusive, abrir mão dos cuidados do isolamento social e do uso de máscaras, sem a preocupação de evitar aglomerações. Ilusão perigosa e destrutiva. O terreno pedregoso é o campo da superficialidade, do intimismo barato e vaidoso apresentado por líderes religiosos que apostam na multiplicação de palavras, nos gritos e na histeria como se o vírus pudesse ser repelido pelo exagero dos símbolos religiosos usados como amuletos e pela algazarra das muitas palavras pronunciadas em alta voz. Superficialidade estéril e enganadora. O terreno espinhoso é o lugar da vaidade. Neste terreno, Deus e os santos servem de palco para um verdadeiro desfile egocêntrico e vaidoso de quem ainda não conseguiu superar a tentação do brilho e do poder. Multiplicam-se novenas, momentos de cura e milagres aos quais as pessoas recorrem no desespero de terem suas feridas curadas. A semente transformadora da Palavra morre sufocada diante do culto a si mesmo e de um personalismo que não conduz o povo à maturidade. Vaidade ingênua e desagregadora. O terreno bom, graças a Deus ele existe e em quantidade generosa, é o lugar da consciência, da solidariedade e da comunhão. É o ambiente onde o diálogo e a partilha dos dons, dos talentos e dos bens estão presentes no coração e nas mãos da comunidade. É neste tipo de terra que as pessoas crescem e se encantam com a possibilidade de produzirem frutos maduros para o mundo e para a sociedade. É lugar de trabalho intenso e empenhado pela causa Reino, pela vida para todos, onde cada um pensa no todo e percebe que as dores mais profundas são curadas quando cada um se esquece um pouco de si para acudir a dor do outro. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   15º Domingo do Tempo Comum, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que mostrais a luz da verdade aos que erram para retomarem o bom caminho, dai a todos os que professam a fé rejeitar o que não convém ao cristão, e abraçar tudo o que é digno desse nome”. Primeira leitura: Is 55,10-11 A chuva faz a terra germinar. Os profetas no AT falam em nome de Deus ao povo de Israel. Aos poucos começam a refletir sobre o efeito, positivo ou negativo, que esta Palavra produz entre o povo. No livro de Isaías (40–55) temos uma reflexão sobre a palavra de Deus criadora, na criação dos astros, terra, céus e mar (40,26; 48,13; 50,2). E na obra da salvação (42,9; 46,10; 48,5). No texto de hoje (55,10-11) temos um exemplo desta teologia. O texto quer mostrar a eficácia da Palavra de Deus. Em Israel, quando, após seis meses de seca, a chuva novamente cai na terra ressequida produz um efeito espetacular de vida. Assim diz o profeta, acontece com a Palavra que Deus envia do céu. Quando absorvida por corações sedentos de Deus, a Palavra sempre produz seu fruto. Deus tem um plano: executar a obra da salvação de seu povo, sofrido e desanimado (Is 40,6-7.27-31), e nada poderá impedi-lo de realizar seu plano de salvação. A Palavra de Deus é sempre eficaz. Se nós a acolhemos, produz nossa salvação; se a rejeitamos, causa a perdição. “Escolhe, pois, a vida para que vivas” (Dt 30,19). – A Palavra de Deus é viva e atuante em minha vida? Salmo responsorial: Sl 64 (65) A semente caiu em terra boa e deu fruto. Segunda leitura: Rm 8,18-23 A criação está esperando ansiosamente o momento de se revelarem os filhos de Deus. A Palavra de Deus está sendo semeada no terreno dos filhos e filhas de Deus, que vivem em meio aos “sofrimentos do tempo presente”. Não é sufocando a natureza e a criação pelo consumismo e pelo mito da revolução tecnológica que o ser humano se realiza. O cristão, movido pelo Espírito Santo, está todo voltado para frente, para o futuro. Vive a fé e o amor, mas é movido pela esperança. Não só o ser humano tem esta esperança, mas toda a criação é solidária e espera ser libertada da escravidão e assim “participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus”. Paulo diz que nós já temos os primeiros frutos do Espírito; mas estamos gemendo como que em dores de parto, aguardando a nova criação, que vai desabrochar plenamente da semente da Palavra de Deus. Ela atua dentro de nós, pela força do Espírito. Aclamação ao Evangelho Semente é de Deus a Palavra, o Cristo o semeador; Todo aquele que o encontra, vida eterna encontrou. Evangelho: Mt 13,1-23 O semeador saiu para semear. A parábola do semeador se divide em três partes: 13,1-9: a parábola como tal; 13,10-17: para que servem as parábolas; 13,18-23: a explicação da parábola. Percebe-se uma expansão desta parábola original de Jesus (13,1-9). A parte central da parábola parece ser uma reflexão sobre a razão da incredulidade de Israel; a explicação é uma “aplicação” da parábola para a vida da primeira Igreja, que tinha a missão de anunciar a palavra de Jesus. Na primeira parte Jesus fala à multidão e pinta a realidade da experiência da vida de um trabalhador, que semeia a sua semente na esperança de colher o devido fruto. E conclui: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”! Jesus se apresenta como o semeador escatológico e constata que nem toda a palavra que ele ensina produz fruto, mas quando encontra terra boa, o fruto é abundante (1ª leitura). Esta parte representa um espelho da experiência positiva e negativa de Jesus, semeador da Palavra. A pergunta dos apóstolos aprofunda e atualiza o sentido da parábola. A segunda parte reflete o mistério da rejeição de Israel à mensagem de Jesus (13,10-17); a terceira parte reflete o efeito na vida dos que crêem (v. 18-23). Uma coisa é certa: a Palavra de Deus não tem a finalidade de trazer o fechamento (a incredulidade), mas trazer a abertura (terra boa) do coração, que resulta em abundantes frutos. É como a chuva que cai, umedece a terra a não volta ao céu sem produzir seu fruto (Is 55,10-11). A Palavra de Deus, escutada, lida e meditada, está produzindo os frutos que Cristo espera de mim? FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   No centro da palavra, está a pessoa de Jesus Frei Clarêncio Neotti ‘Palavra’ volta centenas de vezes e com muitos significados. No Antigo Testamento, ocorre, sobretudo, nos livros proféticos. Tem o sentido de chamada, de investidura de uma missão, de mensagem, de prenúncio. Ou ainda de acontecimento. E, muitas vezes, vem como sinônimo de aliança entre Deus e o homem por meio dos Dez Mandamentos. Deus cria o mundo, pronunciando palavras. Os profetas caracterizam-se pela palavra (Jr 18,18). No Novo Testamento, o substantivo ‘palavra’ ocorre 331 vezes, com os mais diversos sentidos, como vocábulo, afirmação, dito, informação, pedido, notícia, discurso, exortação. Mas ocorre também com um sentido especial, em expressões como ‘palavra de Deus’, ‘palavra do Senhor’, ‘palavra da vida’, ‘palavra da verdade’, ‘palavra da promessa’, ‘palavra de Jesus Cristo’. E o próprio Jesus é chamado simplesmente de Palavra de Deus ou Verbo (Jo 1,1). No Evangelho de hoje, ‘palavra’ terá uma mistura de sentidos, que vão desde as palavras pronunciadas por Jesus até sua Pessoa, passando pelos sinais (milagres) que comprovavam sua messianidade. Sua doutrina, expressa em palavras humanas, está intrinsecamente ligada ao mistério divino-humano de sua Pessoa. Sua doutrina ora se expressa por uma afirmação, como, por exemplo: o mistério da Santíssima Trindade (Jo 14,16.26), a paternidade de Deus (Jo 20,17), o julgamento final da criatura humana (Mt 25,31-46); ora por uma exortação: amai-vos uns aos outros (Jo 13,34); perdoai-vos as ofensas (Lc 17,4); amai vossos inimigos (Mt 5,44); ora ainda por um pedido: que todos sejam um (Jo 17,21); seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não (Mt 5,37); aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração (Mt 11,29). No centro de suas palavras, está sempre o mistério de sua Pessoa. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Sementes e semeaduras Frei Almir Guimarães Há um momento na vida em que compreendemos: o conhecimento decisivo provém da escuta, e esta é a forma de hospitalidade de que precisamos.José Tolentino Mendonça ♦ O evangelho de Mateus está recheado de parábolas, essas deliciosas histórias e historietas que de um lado nos encantam e, de outro, chamam nossa atenção para um estilo de viver que possa ter tudo com o Reino, com o mundo novo de Jesus. Não dá para viver uma vida sem vida. Uma das parábolas que temos mais gravada em nosso interior é certamente a do semeador. Sabemo-la de cor: semente cai em terra dura e não vinga, semente que cai nos espinheiros e é, de alguma forma sufocada, aquela que germinando no terreno bom encontra pedras mais abaixo e a que cai em terra boa. A semente é a Palavra e a terra o coração dos homens. Nem sempre Jesus encontrou ouvintes desejos de sua Palavra. Houve resistências. ♦ Escrituras sagradas, sinais dos tempos, visitas do Espirito, pérolas que brotam da vida e da palavra dos outros chegam nós, a nossos ouvidos. No dia a dia, ao longo de uma celebração litúrgica, no nascimento de um filho, no enterro de um ente querido, nas epidemias e pandemias, o Senhor tenta nos falar. Bate à porta de nossa vida para que o ouçamos! Novamente Tolentino: “A escuta não é apenas a recolha do discurso sonoro. Antes de tudo é atitude, é inclinar-se para o outro, é disponibilidade para acolher o dito e o não dito, o entusiasmo da história ou o seu avesso, a dor” ♦ Estamos diante do diálogo, de uma escuta, de uma qualidade de escuta do Senhor em nossos projetos, empreendimentos, nosso presente e nosso futuro. A Palavra é uma força, um dinamismo que constrói o novo. Cristãos tomados e em particular e a Igreja no seu todo realizam maravilhas. A semente tem uma força que age quando o terreno lhe é oferecido. “Se pudéssemos observar o interior das vidas, ficaríamos surpresos ao encontrar tanta bondade, entrega, sacrifício, generosidade e amor verdadeiro. Há violência e sangue no mundo, mas cresce em muitos o anseio por uma verdadeira paz. Impõe-se um consumismo egoísta em nossa sociedade, mas são muitos os que descobrem a alegria de uma vida simples e compartilhada. A indiferença parecer ter apagado a religião, mas em não poucas pessoas vê-se despertar a nostalgia de Deus e a necessidade da oração” (Pagola, Mateus, p. 153). Há, evidentemente, disposições nesses ouvintes para que o diálogo se efetue. ♦ Inspirados em Luciano Manicardi, prior da comunidade de Bose, perto de Milão, no norte da Itália, podemos assim precisar nosso tema: ◊ Interiorização: a semente caída ao longo da estrada e comida pelas aves antes de chegar a germinar, simboliza a escuta superficial, sem interiorização, sem uma assimilação profunda da Palavra. Sem esse habitar a si mesmo do ouvinte, a Palavra nada fecunda. ◊ Perseverança: a semente caída em terreno pedregoso denuncia um tipo de escuta sem frutos, porque não acompanhada de perseverança. A pessoa acolhe no momento, com certa alegria, mas não tem raízes em si própria. No momento em que a Palavra exige um empenho maior, desiste. Trata-se do homem de um momento. Incapaz de fazer tornar-se história sua fé, de submeter a fé à prova do tempo. ◊ Luta espiritual – O homem ouve a Palavra, mas permanece seduzido por outras palavras, tentações mundanas, riquezas. Não sabe desencadear a luta para reter a Palavra. As resistências à Palavra são resistências à conversão, ao esforço do coração que, para acolher a Palavra, deve deixar-se purificar pela própria Palavra. Tememos a purificação e o despojamento. FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Semear com fé José Antonio Pagola Em poucos anos estamos passando de uma sociedade profundamente religiosa, na qual o cristianismo tinha um papel decisivo na vida das pessoas e na convivência social, a um outro estilo de vida mais leigo e descrente, no qual o religioso vai perdendo importância. Acostumados a uma “sociedade de cristandade” onde o religioso estava visivelmente presente em nossas ruas, praças, escolas e lares, são muitos os crentes que sentem mal-estar e sofrem diante de nova situação. Mais ainda. Quase sem dar-nos conta, podemos chegar a pensar que o Evangelho perdeu sua virtualidade anterior, e a mensagem de Jesus já não tem garra nem força de convicção para o ser humano moderno. Por isso se faz necessário escutar com atenção as palavras de Jesus. Mesmo em sua aparente insignificância e modéstia, o Evangelho continua encerrando uma poderosa vitalidade para “salvar” o ser humano do que o desumaniza. Dificilmente vamos encontrar algo ou alguém que possa dar um sentido mais humano e libertador a nossa vida. É certo que para exercer sua força libertadora, este Evangelho deve ser apresentado com fidelidade, em toda sua verdade, suas exigências e sua esperança. Sem deformações nem covardias. Sem parcialismos intencionais, nem manipulações interessadas. Também é certo que o Evangelho exige uma acolhida sincera e uma disponibilidade total. E são muitos os fatores que, como a riqueza, os interesses egoístas ou a covardia, podem sufocar e anular a eficácia da Palavra de Deus. Mas o Evangelho continua tendo hoje uma energia humanizadora insuspeitada. Esquecê-lo seria um erro lamentável para a sociedade moderna. Seja como for, nós crentes não podemos esquecer que não é hora de “colher”, mas hora de semear com fé na força renovadora que se encerra no Evangelho. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   O porquê das parábolas Johan Konings Isaías disse que a palavra de Deus é eficaz “como a chuva no chão”(1ª leitura). Mas Jesus acrescenta: depende da qualidade do chão! A semente da palavra tem tudo para crescer, mas precisa ser acolhida num chão aberto, generoso, preparado… num coração acessível e profundo ao mesmo tempo (evangelho). Jesus usa imagens, parábolas. Uma pessoa simples as pode entender, enquanto os de “coração empedernido” ouvem e vêem exteriormente, mas não percebem interiormente o que a palavra significa, ao contrário da “terra boa”, que “ouve a palavra e a compreende”. Jesus falou em parábolas, para que os mais simples pudessem entender, e aparecesse o endurecimento daqueles que a ouvem sem entender. Uns ouvem e não compreendem. A palavra não cria raízes neles. Jesus explica as causas disso: o “maligno” (as forças contrárias a Jesus e ao Reino de Deus), a superficialidade, a desistência na hora da dificuldade, as “preocupações do mundo e a ilusão da riqueza”. Mas, graças a Deus, há também aqueles que ouvem e compreendem, e produzem fruto. A diferença está na disposição do ouvinte. As causas da incompreensão da palavra são ainda as mesmas hoje: estratégia das forças antievangélicas, consumismo, idolatria da riqueza. Em compensação, os “mistérios do reino”, quando apresentados em imagens compreensíveis ao povo, são tão transparentes que até os mais simples os entendem e se tornam seus melhores propagandistas. Importa, pois, prepararmos o chão dos corações para que possam receber a palavra: combater os fatores de “endurecimento” (dominação ideológica, alienação, consumismo, culto da riqueza e do prazer etc). Em vez do fascínio dos sempre novos (e tão rapidamente envelhecidos) objetos do desejo, a formação para a autenticidade e simplicidade, a educação libertadora com vistas ao evangelho. Então, a Palavra, que desce como a chuva do céu, poderá penetrar no chão e fazer a semente frutificar. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site https://franciscanos.org.br/

14º Domingo do Tempo Comum

A simplicidade é a arte do discípulo para celebrar pequenas vitórias Frei Gustavo Medella Mt 11, 25-30. Apenas seis versículos que apresentam uma só fala de Jesus. No entanto, neste curto trecho o Mestre apresenta uma conclusão central de seu próprio discernimento orante (vv. 25-26), revela aos discípulos sua proximidade total com o Pai (v. 27), oferece a seus seguidores a força e o descanso de que necessitam (v. 28) e os convida a carregar com Ele o fardo do amor serviço, jugo suave que deve ser suportado com humildade e mansidão (v. 29). A conclusão do discernimento orante de Jesus No decorrer de sua missão, Jesus venceu diversas tentações que, no texto bíblico, vêm condensadas no conhecido episódio dos quarenta dias que passou no deserto em oração e jejum (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13 e Lc 4,1-13). Esta luta interior serviu para que o Pai confirmasse no coração do Filho que o caminho da Salvação passa pela simplicidade. Depor o fardo do egoísmo, dos sonhos de grandeza e autossuficiência, do acúmulo ilimitado de bens e da busca do sucesso a qualquer custo é libertar o próprio coração para que seja tomado pelo encanto do Senhor. A simplicidade é a arte que permite ao discípulo celebrar as pequenas vitórias, vibrar com as sutilezas da missão e adquirir as forças necessárias para carregar o fardo da existência que, suportado com amor, torna-se leve e suave. A revelação da intimidade com o Pai Ao encarnar a simplicidade como meta e método, Jesus descobre-se íntimo com o Pai. O despojamento corajoso do Mestre permitiu a Ele não reservar nada para si, abrindo em seu interior o espaço necessário para que Ele fosse todo do Pai e o Pai, por sua vez, lhe entregasse tudo. – “Mas tudo não seria coisa demais?”, poderia um desaviado se perguntar. Certamente, Jesus não se refere a “coisas”, nem a títulos de propriedade, nem a poderio militar, mas a uma herança de simplicidade total em vista da missão: “curar doentes, reerguer caídos, libertar cativos, instaurar a justiça”. Jesus é o Rei Justo que vem ao encontro de seu povo sem nenhuma pompa, conforme descrito pelo Profeta Zacarias (Zc 9,9). A oferta de alento e descanso Livre de qualquer ambição, Jesus se torna capaz de oferecer tudo que tem, e mais, oferece a si mesmo. No abraço acolhedor da simplicidade absoluta cabem as lutas e os cansaços de todo mundo, sem exceção. Basta à pessoa o desejo sincero de aninhar no coração do Mestre suas dores e medos mais íntimos para receber a cura de que tanto necessita. O convite à missão O alento e a força que Jesus oferece aos seus são totalmente gratuitos e incondicionais. No entanto, à medida que o discípulo se sente forte e curado em Cristo, percebe também que sua força e cura se efetivam à medida que ele, em seu discipulado, busque exercitar a mesma ousadia generosa do Mestre. Por isso, partir em missão para amar e servir não é um preço ou uma retribuição que Deus cobre daqueles de quem cuida, mas fruto da tomada de consciência daquele que se percebe cuidado e, justamente por isso, também enviado a ser testemunha do Reino – aquele mesmo, do Rei simples, despojado, justo e salvador, nosso Senhor Jesus Cristo. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   14º Domingo do Tempo Comum Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas”. Primeira leitura: Zc 9,9-10 Eis que teu rei, humilde, vem ao teu encontro. O texto da primeira leitura é do IV século a.C. A pequena comunidade judaica não tinha mais rei nem autonomia política, mas estava sob o domínio dos governantes da Pérsia. A esperança messiânica de um novo descendente de Davi tinha que ser repensada e reavivada. É o que o profeta Zacarias procura fazer, conclamando o povo de Jerusalém a acolher o seu rei com alegria. Ele já está vindo ao encontro de Jerusalém. O Messias esperado não será como os reis de Israel e de Judá. Será um rei justo, que realmente salvará o seu povo; será um rei humilde e virá montado sobre um jumento, sem a pompa e o aparato militar de um dominador. Ao contrário, o Messias eliminará de Jerusalém cavalos e arcos de guerreiros, símbolo das guerras dos impérios dominadores de então. Mesmo assim estabelecerá a paz universal, tão desejada. Mateus, ao descrever a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado num jumento, cita esta profecia de Zacarias (Mt 21,1-11). Jesus veio implantar o Reino de Deus neste mundo, sem aparato bélico, porque seu reino não é deste mundo (Jo 18,36). Como Servo Sofredor, Jesus deu sua vida por este Reino, a fim de estabelecer a paz e a fraternidade entre os povos. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). No mundo injusto e violento em que vivemos Jesus propõe a todos os povos a vida segundo os valores do Reino de Deus. Salmo responsorial: Sl 144 (145) Bendirei, eternamente, vosso nome, ó Senhor! Leitura: Rm 8,9.11-13 Se, pelo Espírito, fizerdes as obras do corpo morrer, vivereis. Viver segundo a “carne” é viver na autossuficiência, fechado em si mesmo, como os ouvintes que rejeitaram a mensagem de Jesus (evangelho). Paulo fala da oposição entre vida segundo o Espírito e a vida segundo a carne. Vive segundo a carne quem se deixa dominar pelos critérios humanos do consumismo, da dominação sobre o próximo e do ódio, sem o menor senso de solidariedade humana. Vive segundo o espírito quem pertence a Cristo, porque crê no Espírito que mora em cada pessoa. Mas, viver segundo o Espírito, que ressuscitou Jesus dentre os mortos, é uma “dívida”, diz Paulo; isto é, um desafio permanente na vida cristã. O caminho mais seguro para viver segundo o Espírito é “pertencer” a Cristo e aprender dele, que é “manso e humilde de coração” (evangelho). Aclamação ao Evangelho Eu te louvo, ó Pai Santo, Deus do céu, Senhor da terra; os mistérios do teu reino aos pequenos, Pai, revelas! Evangelho: Mt 11,25-30 Eu sou manso e humilde de coração. Antes do evangelho que ouvimos, Jesus critica as cidades da Galileia, Corozaim, Betsaida e Cafarnaum, que o rejeitam por causa de seu orgulho e autossuficiência (11,20-24). Estas cidades não se converteram porque o modo de ser e de agir de Jesus incomodava. Jesus não veio conquistar adeptos pela violência, mas veio com humildade e mansidão. Veio, “pedindo licença para bater na porta do coração das pessoas” (Papa Francisco na JMJ). Os pequenos, pobres, pecadoras e pecadores, desprezados pelos orgulhosos, o acolheram e continuam acolhendo. Por isso, Jesus louva o Pai que se revela aos pequeninos, isto é, aos profetas cristãos, e se oculta aos grandes. O evangelho de hoje nos convida a contemplar a imagem do Pai, revelada pelas palavras e gestos de Jesus. Convida-nos a louvar este Deus, que assim se revela. Propõe-nos a agir, com humildade e mansidão, como Jesus agiu com os pequeninos. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Rezar pressupõe aceitar o plano de Deus Frei Clarêncio Neotti Toda a tentativa de descobrir a maneira íntima de um santo rezar é frustrante, porque o jeito de um santo rezar é inacessível a explicações, ainda que ele tenha deixado orações por escrito; porque sua oração se confunde com sua experiência de Deus. E a experiência de Deus é totalmente pessoal. Se assim é com a oração de um santo, o que não há de ser com a oração de Jesus, santíssimo, que tinha uma experiência do Pai não apenas a partir de seu coração humano, mas também, e em primeiro lugar, de seu coração divino, todo amor? Jesus agradece ao Pai. Mas não é um agradecimento, apenas. Ele acaba de ser rejeitado pelos fariseus e doutores da lei, que querem alcançar Deus pela sabedoria humana, por sua cabeça cheia de conhecimentos armazenados, por ritos executados. Mas têm um coração pesado de orgulho, de autossuficiência e não podem entender as propostas novas que Jesus lhes faz. O orgulhoso tende sempre a condenar e reduzir à humilhação (quando não à morte) os que pensam diferentemente. No agradecimento de Jesus, está a aceitação do plano de Deus. Esse passo da inteligência e do coração só consegue dar quem se considera pequenino, vazio de preconceitos, transparente como uma gota de orvalho. Jesus ensina que,para rezar verdadeiramente ao Pai, devemos ter o coração desamarrado de interesses egoístas e pronto a aceitar o plano de Deus, ainda que difícil de entender. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   “Vinde a mim...” Frei Almir Guimarães Em nossas celebrações sempre ouvimos a Palavra. Palavra com P maiúsculo, uma Palavra que é uma pessoa. As leituras feitas nos chegam da noite dos tempos e, no entanto, parecem atuais e, mais do que isso, tocam-nos lá por dentro. Deitam em nós sementes de esperança. Alguma coisa pode acontecer, ou deve acontecer após sua acolhida. A Palavra clareia o horizonte e revigora os laços de que nos unem. As palavras pronunciadas chegam ao interior de cada um e de nós todos. Elas nos unem. Importante que sejam bem ditas, articuladas e, sobretudo, acolhidas no interior de cada um, audição precedida e acompanhada de delicado silêncio. Para tanto será importante querer ouvir, ter uma vontade intermitente que os sons penetrem em nosso projeto de vida e nos ajudem a viver. É a escuta que nos dá o sabor da Presença. A fé nasce da escuta. ♦ Uma palavra do profeta, daquele que fala em nome de Deus. Desta vez Zacarias. Texto muito antigo. Texto esperançoso e cheio de júbilo. Jerusalém pode exultar de alegria. Vem um rei. Vem alguém que vai anunciar a paz às nações. Mas prestem atenção: “Eis que vem o teu rei ao teu encontro, ele é justo e ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria da jumenta”. Somos levados ao Domingo de Ramos em que Jesus entrou na sua cidade, montado numa cria da jumenta, num animalzinho que lhe fora emprestado. O rei que chega não desembarca de um carro triunfal. Somos convidados a olhar com carinho e estima as coisas simples, um adorável personagem que chega sem elevar voz e, segundo Zacarias, para quebrar o arco do guerreiro. Ele que veio montado num burrico. ♦ Na Epístola aos Romanos somos convidados a pensar em nosso jeito de viver. Como discípulos do Senhor somos trabalhados pelo Sopro, pelo Espírito. Paulo lembra que Espírito mora em nós. Não podemos nos esquecer. O mesmo Espírito que pairara sobre o caos, guiara os profetas, preparara caminhos do Povo, fora enviado a uma moça de Nazaré, ungira Jesus no Jordão, esse Espírito foi derramado em nossos corações. Água, vento, sopro. ♦ Uma oração… Jesus fala ao Pai com toda intimidade. Ele, esse Filho amado, gosta de estar com o Pai. Talvez um lamento. Jesus falara a todos, mas muitos não o ouviram. Jesus agradece a boa acolhida que lhe fora dada pelos simples, pelos pobres, por aqueles que se maravilham com o amor de Deus. Estamos diante do tema da revelação aos pequenos. “Eu te louvo, Pai, porque revelaste estas coisas aos pequeninos…”. ♦ Humildes, pobres de coração… Não se trata de alimentar uma humildade neurótica. Os pobres são aqueles que não donos de projetos ou desejos. Sabem que precisam dos outros. Nos tempos da pandemia sentimos na pele como não somos os donos de nosso destino. Pobres são aqueles que desatravancam seu interior de falsas seguranças e se tornam alegremente dependentes dos irmãos e Senhor, o grande Doador. Esses escutam o Evangelho. Deixam-se levar por Jesus. Gostam de conjugar o verbo agradecer em todos os tempos e modos. O Pai tem um agrado todo especial para com esses pobres felizes. “Bendirei o Senhor, bendirei em todo o tempo…” ♦ Jesus é o “primeiro dos pobres, dos simples, dos mansos. Carrega na frente a cruz sobre seus ombros; é sua proximidade que torna suportável e leve a cruz de quem o segue. A lei do Reino é a lei dos mais pequeninos e do mas pobre Deus escolhe os humildes, os simples os ignorantes… É a lei do grão de mostarda, dos inícios humildes e ocultos” (Missal Dominical da Paulus. p.737) ♦ “Jesus promete descanso a quem assume o seu jugo (cf Mt 11, 29). Uma existência de crente que esteja permanentemente estressada pelos empenhamentos pastorais e se configure como atividade frenética que não conhece pausa nem descanso, esquece aquela confiança em Cristo que é a fonte do descanso na fadiga e de consolação nas contrariedades. E que dá forma a rosto do crente, não à imagem de gerentes hiperativos, mas do Cristo manso e humilde, paciente e benévolo” (Manicardi, p. 120). A arte de descansar Acontece que mesmo nas férias podemos cair na tirania da agitação. Antes de mais nada, precisamos reencontrar-nos profundamente conosco mesmos e buscar o silêncio, a calma, a serenidade que tantas vezes nos faltam durante o ano, para escutar o melhor que há dentro de nós e ao nosso redor.Precisamos lembrar que uma vida intensa não é uma vida agitada. Queremos ter tudo, açambarcar tudo e desfrutar de tudo. E nos fazemos rodear de mil coisas supérfluas e inúteis que afogam nossa liberdade e espontaneidade.Precisamos redescobrir a natureza, contemplar a vida que brota perto de nós. Deter-nos diante das coisas pequenas e das pessoas simples e boas. Experimentar que a felicidade tem pouco a ver com as riquezas, os êxitos e o prazer fácil.Precisamos lembrar que o sentido último da vida não se esgota no esforço, no trabalho e na luta. Pelo contrário, ele se revela a nós com mais claridade na festa, na alegria compartilhada, na amizade e na convivência fraterna.(…)Há um descanso que só se pode encontrar no mistério de Deus acolhido em nosso coração, seguindo os passos de Jesus. (Pagola, Mateus, p. 147-149) Oração Hoje queremos expressar-te, ó Pai, nossa satisfação e alegria,porque teu alento nos anima e guia,tuas mãos nos levantam e sustentam,e em teu regaço encontramos ternura e descanso.Com o coração acanhado por tantos dons recebidose tantos horizontes abertos,brota em nós com facilidade o louvor.Inundados por teu amor e cheios de alegria te exaltamos.Leva a bom termo o que começaste.(F. Ulíbarri) FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Deus é para gente simples José Antonio Pagola Há muitos anos, na Escola Bíblica de Jerusalém, um mestre em exegese nos iniciava na difícil arte de desentranhar o Evangelho de Mateus. Tudo parecia pouco para captar o sentido último do texto: crítica textual, análise literária, estrutura da passagem. Um dia chegamos a esses versículos nos quais Jesus exclama: “Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. O professor fez um longo silêncio. Depois disse bem devagar: “Não esqueçam nunca essas palavras. Todo o mais vocês podem esquecer”. Esta foi provavelmente a melhor lição de exegese que recebi. Depois, ao longo dos anos, pude ver que é exatamente assim. Sempre que tive a impressão de estar junto a uma pessoa próxima de Deus, tratava-se de alguém de coração simples. Às vezes uma pessoa sem grandes conhecimentos, outras vezes alguém de notável cultura, mas sempre um homem ou mulher de alma humilde e limpa, pura. Em mais de uma ocasião pude comprovar que não basta falar de Deus para despertar a fé. Para muita gente, certos conceitos religiosos estão muito gastos e, ainda que se trate de tirar-lhes todo o vigor e sabor que tiveram em sua origem, Deus continua como que “fossilizado” em suas consciências. No entanto, encontrei-me com pessoas simples que parecem não necessitar de grandes ideias nem de raciocínios. Intuem logo depois que Deus é “um Deus oculto”, e de seu coração nasce espontânea uma invocação: “Senhor, mostra-me teu rosto”. Encontrei-me também com pessoas que se movem sempre no terreno do útil. Algumas abandonam a Deus porque Ele lhes é inteiramente inútil; outras o retêm e lhe prestam culto porque lhes é útil. Mas também pude conhecer pessoas simples que vivem dando graças a Deus. Desfrutam do bom da vida, suportam com paciência os males; sabem viver e fazer viver. Não sei como o conseguem, mas de seu coração parece estar sempre brotando o louvor ao Criador. Sua vida é um acerto. Expus muitas vezes temas religiosos e falei de Deus diante de pessoas as mais diversas. Em certas ocasiões encontrei-me com pessoas que faziam perguntas e mais perguntas sobre todo tipo de questões teológicas, sem mostrar o menor interesse em querer encontrar-se com Deus. Mas também vi gente simples cujos olhos brilhavam de forma especial quando eu lia textos como este do Profeta Isaías: “Eu sou o Senhor, teu Deus … Já que contas muito para mim, me és caro e eu te amo … Não tenhas medo, pois estou contigo!” (Is 43,4); ou quando pronunciava o SlI 103: “Como um pai ama seus filhos com ternura, assim o Senhor se enternece por aqueles que o temem, pois Ele sabe de que somos feitos, lembra-se de que somos pó (Sl 103,l3-14). Sim, Deus se revela às pessoas simples. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Jesus, a violência e a mansidão Pe. Johan Konings Percebe-se a violência crescente no mundo. O terrorismo acorda nas pessoas a vontade de responder com violência. Está certo usar de violência para enfrentar a violência? Conforme o plano de Deus, não. Seu enviado é o mestre “manso” e humilde, cujo “jugo” é suave. O evangelho ensina a revelação da mansidão de Jesus aos pequeninos e mansos, os não-violentos. A pregação de Jesus provoca opção a favor ou contra. Contra ele optam as ambiciosas cidades da Galileia (cf. Mt 11,20-24). A favor, os humildes que escutam sua palavra e a põem em prática (Mt 11,25-30). Os que recebem sua revelação, não os que estão cheios de si, vão conhecer o interior de Jesus. Jesus é o mestre dos humildes, porque ele é, no sentido bíblico, manso, não opressor. E assim é também sua doutrina. O profeta Zacarias já sabia que o Messias não poderia ser um rei violento e opressor (1ª leitura). Essa expectativa, Jesus a realizou de modo surpreendente. A missão do Messias não se realiza pela violência e pela opressão, mas pela mansidão de um pedagogo, que deixa penetrar, nos humildes, gota por gota, o espírito de amor e solidariedade, que faz crescer o verdadeiro Reino de Deus. Por isso, o mistério de Deus e de seu Filho se manifesta no coração dos humildes, enquanto os poderosos o rejeitam. Jesus convida os “cansados”. Eles são muitos entre nós hoje. Os que já não aguentam o arrocho salarial, a subnutrição, a degradação da vida social e pública, a violência econômica, a exclusão em todas as suas formas. Será que Jesus tem uma solução para esses “cansados”? Contrariamente à pretensa “lei natural” do poder do mais forte, a comunidade de amor e solidariedade lhes oferece, mais e melhor do que o consumismo da tevê e dos shopping-centers, aquilo que os torna realmente felizes: valorização fraterna, sustento mútuo e, sobretudo, a certeza de “estar na linha de Deus”. Aos cristãos cabe conscientizar o povo – pobres e ricos – de que a mera força e opressão não resolvem nada, mas afastam as pessoas do espírito de Cristo. E perguntemos: em nossas comunidades, existe verdadeira “mansidão”ou, pelo contrário, reinam práticas opressoras? Aplicarmos uma “pedagogia da mansidão”, deixando a grama crescer no chão em vez de puxá-la para fazer crescê-la mais rápido? Jesus veio como libertador manso e humilde, não como revolucionário armado, porque o reino do amor fraterno não pode ser implantado pela violência, mas somente pela convicção interior. Essa é sua resposta ao poder da força, contra o qual o pequeno não pode resistir quando se quer medir com ele no mesmo nível. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site: https://franciscanos.org.br/

Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

A festa de dois homens completos Frei Gustavo Medella Pedro e Paulo. Eis que estamos diante de dois homens inteiros, pessoas realizadas. A maturidade e a plenitude que encontraram ao abraçar o seguimento de Jesus Cristo transparecem em afirmações apresentadas nas leituras da Solenidade que neste domingo celebramos. Ambos sentem, no profundo do coração, a suave sensação do dever cumprido, não por seus próprios méritos, mas tendo como referência o Senhor e tudo aquilo que Ele foi capaz de sofrer por amor. Nos Atos dos Apóstolos, o humilde pescador a quem Jesus entregou a condução da Igreja, constata: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (At 12,11). A convicção de Pedro é fruto de um discernimento que ocorre no desenrolar da vida, de um espírito valente de adesão e entrega que se fortalece no decorrer da caminhada, tanto que, quando ainda preso, durante a ação do anjo, chegou a pensar que a ação de Deus em favor dele pudesse ser uma visão (Cf. At 12,9). Na Carta que escreve a Timóteo, Paulo, o Apóstolo dos Gentios, contempla o passado com gratidão, vive o presente com paixão e lança-se ao futuro com esperança, tornando-se capaz de afirmar: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7). Pedro e Paulo foram martirizados. Conservaram até o fim a fidelidade ao Amor pelo qual um dia se sentiram atraídos. Sobre a Solenidade de São Pedro e São Paulo, escreve Santos Agostinho: “Num só dia celebramos o martírio dos dois apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos apóstolos. Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e a pregação destes dois apóstolos” (Dos Sermões de Santo Agostinho). FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   São Pedro e São Paulo Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja observar em tudo os ensinamentos destes Apóstolos que nos deram as primícias fé”. Primeira leitura: At 12,1-11 Agora sei que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes.  Em At 1,8, ao se despedir de seus discípulos antes da Ascensão, Jesus traça-lhes o roteiro para a futura missão: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins do mundo”. Durante sua vida pública e depois da ressurreição Jesus preparou seus discípulos para esta missão. Escolheu doze, entre os discípulos, e os chamou de apóstolos. Entre os escolhidos destaca-se a figura de Pedro, como líder deles. Depois da última ceia anuncia que todos o abandonariam, até mesmo Pedro que lhe jura fidelidade, embora Jesus lhe dissesse que, naquela noite, haveria de negá-lo três vezes… Mas Jesus rezou por Pedro: “… eu orei por ti, para que tua fé não falhe; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). De fato, quando Jesus era condenado pelo Sinédrio Pedro negou três vezes que o conhecia. Pedro, porém, logo se arrependeu e “chorou amargamente”. E Jesus, após sua ressurreição, lhe confirma a missão, antes prometida (evangelho), de apascentar seu rebanho: “Apascenta minhas ovelhas, apascenta meus cordeiros”. O texto que ouvimos, fecha a 1ª parte dos Atos, dedicada mais à missão de Pedro como testemunha de Jesus Cristo. Logo depois da ascensão de Jesus ao céu e da vinda do Espírito Santo, Pedro deu testemunho de Cristo em Jerusalém, na Judeia e na Samaria. Agora está preso e Herodes Agripa planeja executá-lo, como havia feito com Tiago, irmão de João. Mas é libertado milagrosamente da prisão por um anjo, para continuar testemunhando a fé em Cristo e anunciando seu evangelho. É libertado porque “enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente por ele” (At 12,5). Pedro foi libertado das correntes pois a palavra do Evangelho não podia estar acorrentada. Havia ainda uma longa missão a cumprir. Sabemos através de Paulo que Pedro esteve pregando em Antioquia da Síria e em Corinto. Segundo a tradição, Pedro e Paulo sofreram o martírio em Roma durante a perseguição aos cristãos promovida pelo Imperador Nero. O Papa Francisco pede que rezemos sempre por ele, a fim de que o Espírito Santo ilumine e possa cumprir fielmente sua missão de confirmar os fiéis na fé cristã. Salmo responsorial: Sl 31 De todos os temores me livrou o Senhor Deus. Segunda leitura: 2Tm 4,6-8.17-18 Agora está reservada para mim a coroa da justiça. São Paulo, nas suas cartas, gosta de usar a linguagem do esporte e da guerra, ao falar de sua ação missionária e da vida cristã. Exemplos não faltam. Hoje ele nos fala que “deu tudo de si” para cumprir sua missão e por isso aguarda a recompensa que lhe está reservada. Paulo está preso. Tem presente a perspectiva do martírio que se aproxima e faz uma avaliação de sua vida missionária. Sua vida foi guiada pela fé, pela esperança e pela caridade (amor). A vida cristã é também um combate, animado pela esperança de vitória, pela fidelidade e amor a Cristo e aos irmãos de fé. É preciso “amor à camisa” (Jesus Cristo), amor ao time (a Igreja). É preciso “suar a camisa” e esperar a recompensa, a coroa da justiça, para que possamos dizer como Paulo: “missão cumprida”. Aclamação ao Evangelho Tu és Pedro e sobre esta pedra eu irei construir minha Igreja;             E as portas do inferno não irão derrotá-la. Evangelho: Mt 16,13-19 Tu és Pedro e eu te darei as chaves do Reino dos Céus.  Pedro, como outros discípulos, largou tudo para seguir a Jesus. Tornou-se um entusiasta por Jesus e se destacou pela sua liderança entre os apóstolos. Quando Jesus lhe pergunta: “Quem dizeis que eu sou?” É Pedro que toma a iniciativa e diz: “Tu és o Messias (Cristo), o Filho do Deus vivo”. Os outros discípulos haviam trazido as opiniões colhidas entre o povo: Jesus seria um novo João Batista, ou Elias, ou Jeremias, ou mesmo, algum dos antigos profetas. Pedro deu a resposta mais precisa. Mas não era uma simples opinião pessoal (carne e sangue). Era o próprio Pai do céu que revelou isso a Pedro. Esta confissão de fé tornou-se a pedra fundamental da Igreja de Jesus Cristo, como lhe prometeu Jesus: “Tu és Pedro e sobre esta pedra construirei a minha Igreja”. Nesta Igreja de Cristo Pedro recebe as chaves do Reino dos Céus (= Deus); isto é, o poder de “ligar a desligar” (Mt 16,19) e de apascentar as ovelhas e os cordeiros (Jo 21,15-17). Exige dele apenas que o ame e seja fiel à sua missão. Pedro, em nome de Jesus, conduzirá a Igreja de Cristo, mas quem vai construí-la é o próprio Jesus. Pedro é um homem como nós, frágil, humano e pecador; mas foi escolhido por Jesus para guiar a sua Igreja. Jura que será sempre fiel a Jesus, mas o nega três vezes. Jesus o conhecia e mesmo assim o escolheu e prometeu rezar por ele para que confirmasse seus irmãos na fé. Eis a missão de Pedro e dos Papas, homens frágeis e pecadores como Pedro. Rezemos sempre pelo Papa Francisco, como ele próprio nos pediu. Que o Espírito Santo ilumine nosso Papa, a fim de que nos confirme na fé e possa conduzir, com segurança, a Igreja na construção do Reino de Deus. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Pedro pecador, apóstolo da esperança Frei Clarêncio Neotti Pedro representa a pessoa humana, pecadora e santa, ao mesmo tempo, com uma sede incontida de Deus e capaz de pesadas traições. Cada um de nós tem essa experiência. O Apóstolo Paulo expressa isso em uma de suas cartas: “Em mim mora o pecado. Não faço o bem que quero e sim o mal que detesto” (Rm 7,17-19). As fraquezas e grandezas de Pedro podem servir-nos de consolo e estímulo. Deus não fundou a Igreja sobre anjos, mas sobre uma pessoa de carne pecadorae espírito possuído de grande amor e esperança. Mesmo depois de Pentecostes, Pedro mostrou-se fraco e inconstante (Gl 2,ll). Mas o amor lhe era maior que o pecado: “O amor cobre a multidão dos pecados” (lPd 4,8). A esperança é superior ao desânimo. E foi pelo caminho da esperançaque andou, contrariamente a Judas, que preferiu o desespero. Por três vezes na primeira Carta, Pedro refere-se à esperança: “Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua grande misericórdia, regenerou-nos para uma viva esperança” (1,3); “Ponho toda a esperança na graça” (1,13); “Nossa esperança esteja em Deus” (1,21). Judas e Pedro pecaram gravemente. A um o desespero levou à forca (Mt 27,5). A outro a esperança levou à “glória imarcescível do céu” (lPd 1,4). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   O apóstolo Pedro e o Papa Francisco Frei Almir Guimarães Estamos a comemorar a festa solene dos santos apóstolos Pedro e Paulo. Uma vez mais, não muito longe de 29 de junho, a Igreja coloca diante de nossos olhos esse Pedro original e apaixonado e esse enérgico e vigoroso Paulo. Fixamos hoje nossa atenção em Simão Pedro. Simão, pescador, homem de reações espontâneas e vivas. Foi discípulo de Jesus desde a primeira hora. Andou se encantando com o Mestre. Ouviu suas palavras, saboreou suas parábolas, caminhou com ele pelas estradas. Tinha tudo para ser o responsável pelo grupo que, depois da ressurreição do Mestre. Homem feito de entusiasmo e de arroubos. Quer tirar da espada para matar os que não mostram afeto por seu Mestre. Ao mesmo tempo é frágil. Refaz em sua vida a história de tantos homens frágeis: nega o mestre. Depois arrepende-se e chora amargamente na noite da paixão do Senhor. Converte-se. Volta e chora seu pecado e do Ressuscitado recebe a missão de confirmar a fé dos irmãos. Ele confirma a fé dos irmãos. Olhamos sempre com muito carinho e respeito para a figura do Bispo de Roma, o Papa Francisco, sucessor de Pedro e sinal de unidade da Igreja. Acompanhamos suas celebrações e ouvimos suas palavras nesse tempo da pandemia. Sua figura solitária na Basílica de São Pedro. Nesta festa do Apóstolo Pedro queremos transcrever algumas palavras fortes de nosso Papa Francisco: ♦ “A primeira motivação para evangelizar é o amor que recebemos de Jesus, aquela experiência de sermos salvos por ele, que nos impele a amá-lo cada vez mais. Um amor que não sentisse necessidade de falar da pessoa amada, de apresenta-la, de torna-la conhecida, que amor seria? Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração para lhe pedir que volte a cativar-nos (…). A melhor motivação para se decidir a comunicar o Evangelho é contempla-lo com amor, é deter-se nas suas páginas e lê-lo com o coração. Se o abordamos dessa maneira, sua beleza deslumbra-nos, volta a nos cativar constantemente. Por isso, é urgente recuperar o espírito contemplativo que nos permita redescobrir, a cada dia, que somos depositários de um bem que humaniza e ajuda a levar uma vida nova. Não há nada melhor para transmitir aos outros” (A alegria do Evangelho, n. 264). ♦ “O amor de Jesus Cristo dura para sempre, jamais terá fim, porque é a própria vida de Deus. Este amor vence o pecado e dá forças para voltar e levantar-se e começar, porque, com o perdão, o coração se renova e rejuvenesce. Todos sabemos disso: nosso Pai nos espera sempre, não apenas nos deixa a porta aberta, mas também fica nos esperando. Ele toma parte nessa espera pelos filhos. Esse pai não se cansa de amar o outro filho que, inclusive permanecendo sempre em casa com ele, não é participe de sua misericórdia, de sua compaixão ( Homilia da celebração do rito para a reconciliação – Basílica do Vaticano, 28 de março de 2014). ♦ “A arquitrave que sustenta a vida da Igreja é a misericórdia. Toda a sua ação pastoral deveria estar em envolvida pela ternura com que se dirige aos crentes no anúncio e testemunho que oferece ao mundo, nada pode ser desprovido de misericórdia. A credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo. A Igreja vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia. Talvez, demasiado tempo, nos tenhamos esquecido de apontar o caminho da misericórdia. Por um lado, a tentação de pretender sempre e só a justiça faz esquecer que esta é apenas o primeiro passo, necessário e indispensável, mas a Igreja precisa ir além e alcançar meta mais alta e mais significativa. Por outro lado, é triste ver como a experiência do perdão na nossa cultura vai rareando cada vez mais. Em certos momentos, até a própria palavra parece desaparecer. Todavia, sem o testemunho do perdão resta apenas uma vida infecunda e estéril, como se se vivesse num deserto desolador. Chegou, de novo, para a Igreja, o tempo de assumir o anúncio jubiloso do perdão. É o tempo do regresso ao essencial, para cuidar das fraquezas e dificuldades de nossos irmãos. O perdão é uma força que ressuscita para nova vida e infunde a coragem para olhar o futuro com esperança” (O rosto da misericórdia, n.10). ♦ “Convido às comunidades cristãs a reconhecerem que é um bem para elas mesmas acompanhar o caminho de amor dos noivos. Como justamente disseram os bispos da Itália, aqueles que se casam são, para as comunidades cristãs, “um recurso precioso, porque, esforçando-se sinceramente por crescer no amor e no dom recíproco, podem contribuir para renovar o próprio tecido de todo o corpo eclesial: a forma particular de amizade que vivem pode tornar-se contagiosa, fazendo crescer na amizade e na fraternidade, a comunidade cristã de que fazem parte”. Há várias maneiras legítimas de organizar a preparação próxima para o matrimônio e cada igreja particular discernirá o que for melhor, procurando uma formação adequada que, ao mesmo tempo, não afaste os jovens do sacramento. Não se trata de lhes administrar o Catecismo inteiro nem de os saturar com demasiados temas, sendo válido também aqui que não é muito saber que enche e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear interiormente as coisas. Interessa mais a qualidade do que a quantidade, devendo-se dar prioridade – juntamente com um renovado anúncio do querigma – àqueles conteúdos que, comunicados de forma atraente e cordial, os ajudem a comprometer-se em um percurso de vida toda “com ânimo grande e liberalidade”. Trata-se de uma espécie de “iniciação” ao sacramento do matrimônio, que lhes forneça os elementos necessários para poderem recebe-los com as melhores disposições e iniciar com uma certa solidez a vida familiar” (A alegria do amor. Sobre o amor na família, n. 207). ♦ “Vejo com clareza que aquilo que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto (…). Como estamos a tratar o Povo de Deus? Sonho com uma Igreja mãe e pastora. Os ministros da Igreja devem ser misericordiosos, tomar a seu cargo as pessoas, acompanhando-as como o bom samaritano, que lava, limpa, levanta o seu próximo. Isto é o Evangelho puro. Deus é maior que o pecado. As reformas organizativas e estruturais são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a da atitude. Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão sem se perder. O povo de Deus quer pastores e não funcionários ou clérigos do Estado. Os bispos, em particular, devem suportar com paciência os passos de Deus no seu povo de tal modo que ninguém fique para trás mas também para acompanhar o rebanho que tem o faro para encontrar novos caminhos” (Entrevista do Papa Francisco concedida às revistas da Companhia de Jesus, in Brotéria, agosto-setembro 2013, p. 127-128). ♦ Aos religiosos: “Não vos fecheis em vós mesmos, não vos deixeis asfixiar por pequenas brigas de casa, não fiqueis prisioneiros de vossos problemas. Estes resolver-se-ão se sairdes para ajudar os outros a resolverem os seus problemas anunciando-lhes a Boa Nova. Encontrareis a vida dando a vida, a esperança dando esperança, o amor amando. De vós espero gestos concretos de acolhimento dos refugiados, de solidariedade com os pobres, de criatividade na catequese, no anúncio do Evangelho, na iniciação à vida de oração” (Às pessoas consagradas). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Nossa imagem de Jesus José Antonio Pagola A pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” continua pedindo ainda uma resposta aos crentes do nosso tempo. Nem todos temos a mesma imagem de Jesus. E isto não só pelo caráter inesgotável de sua personalidade, mas, sobretudo, porque cada um de nós vai elaborando sua imagem de Jesus a partir de seus interesses e preocupações, condicionado por sua psicologia pessoal e pelo meio social ao qual pertence, e marcado pela formação religiosa que recebeu. E, não obstante, a imagem que nos fazemos de Cristo tem importância decisiva para nossa vida, pois condiciona nossa maneira de entender e viver a fé. Uma imagem empobrecida, unilateral, parcial ou falsa de Jesus nos conduzirá a uma vivência empobrecida, unilateral, parcial ou falsa da fé. Daí a importância de evitar possíveis deformações de nossa visão de Jesus e de purificar nossa adesão a Ele. Por outro lado, é pura ilusão pensar que alguém crê em Jesus Cristo porque “crê” em um dogma, ou porque está disposto a crer “no que a Santa Madre Igreja crê”. Na realidade, cada crente crê no que ele crê, isto é, no que pessoalmente vai descobrindo em seu seguimento a Jesus Cristo, ainda que, naturalmente, o faça dentro da comunidade cristã. Infelizmente, não são poucos os cristãos que entendem e vivem sua religião de tal maneira que, provavelmente, nunca poderão ter uma experiência um pouco viva do que é encontrar-se pessoalmente com Cristo. Já numa época bem cedo de sua vida se fizeram uma ideia infantil de Jesus, quando talvez ainda não se tinham feito, com suficiente lucidez, as questões e perguntas que Cristo pode responder. Mais tarde não voltaram mais a repensar sua fé em Jesus Cristo, ou porque a consideram algo trivial e sem importância para sua vida, ou porque não se atrevem a examiná-la com seriedade e rigor, ou ainda porque se contentam em conservá-la de maneira indiferente e apática, sem eco algum em seu ser. Infelizmente, não suspeitam o que Jesus poderia ser para eles. Marcel Légaut escrevia esta frase dura, mas talvez bem real: “Esses cristãos ignoram quem é Jesus e estão condenados por sua própria religião a não descobri-lo jamais”. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   O Papa, o missionário e a comunidade Pe. Johan Konings Popularmente, a festa de hoje é chamada o Dia do Papa, sucessor de Pedro. Mas não podemos esquecer que ao lado de Pedro é celebrado também Paulo, o Apóstolo, ou seja, missionário, por excelência. No evangelho, o apóstolo Simão responde pela fé de seus irmãos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro. Este nome é uma vocação: Simão deve ser a “pedra” (rocha) que deve dar solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32). Esta “nomeação”vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (cidade, reino) do inferno não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do reino “dos Céus” (= de Deus). A 1ª leitura ilustra essa promessa: Pedro é libertado da prisão pelo anjo do Senhor. Pedro aparece, assim, como o fundamento institucional da Igreja. Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8). Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A 2ª leitura é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações (v. 17). Não esconder a luz de Cristo para ninguém! O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé/fidelidade”, a sua e a dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo – o bom pastor – não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo – o enviado de Cristo – conserva-lhes a fidelidade. Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Pode até provocar tensões, por exemplo, uma teologia “romana”versus uma teologia latino-americana. Mas é uma tensão fecunda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é monopólio dos “pastores constituídos”como tais, a hierarquia. Todos fiéis são um pouco pastores uns para com os outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo – a nossa e a dos nossos irmãos – na solidariedade do “bom combate”. E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta pela justiça e a verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a ele; pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Congresso Regional da Pastoral Familiar

Desde o início da pandemia de Coronavírus, a quase totalidade das atividades das pastorais da Diocese de Bragança foram canceladas ou adiadas. Mas, várias iniciativas online têm surgido no último mês, para tentar sanar a ausência de atividades presenciais. E isso tem proporcionado muitas experiências bonitas às pessoas nas várias paróquias da diocese e até fora da diocese, visto que para a internet não existem fronteiras. Entre as tantas atividades diocesanas que foram canceladas, estão os Congressos Regionais da Pastoral Familiar. Os congressos realizados de forma regional são quatro, um em cada região episcopal da diocese. Diante da impossibilidade de realizá-los de forma presencial, a coordenação diocesana da Pastoral Familiar, juntamente com o Pe. Elias (Assessor Diocese da Pastoral Familiar), decidiu realizar um único congresso online; denominado apenas de Congresso Regional Online. Dessa forma as quatro regiões poderão participar sem sair de casa. O evento online será transmitido pelo Youtube, no canal da Paróquia Catedral Nossa Senhora do Rosário, a partir das 14 horas deste domingo, dia 28 de junho de 2020. O evento já tem presenças confirmadas do casal coordenador diocesano da Pastoral Familiar, Marcus e Marlene; do assessor diocesano, Pe. Raimundo Elias; e do pároco de Cristo Crucificado (São Miguel do Guamá), Pe. Gilsomar de Jesus. Clique aqui para ser direcionado ao canal do Youtube onde o evento será transmitido. Se inscreva e ative o sininho para ser lembrado quando o evento for iniciar. Não deixe de participar desse momento! Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Escolhido o cartaz da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2021 já tem cartaz escolhido. A equipe que prepara a CFE do ano que vem, composta por representantes da CNBB e de outras igrejas-membro do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), realizou concurso para a escolha da arte. No próximo ano, a Campanha da Fraternidade será ecumênica e terá como tema “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. E como lema o trecho da carta de Paulo aos Efésios: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade” (Ef 2, 14ª). Essa será a quinta CFE e tem como objetivo geral “convidar as comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar caminhos para superar as polarizações e as violências através do diálogo amoroso testemunhando a unidade na diversidade”. A arte escolhida para ilustrar o caminho fraterno de diálogo e comunhão foi elaborada pela agência Ateliê 15. O cartaz remete ao apelo de Cristo pela unidade. O secretário executivo para Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, destaca que “Cristo é a nossa paz e suas ações nos inspiram a concretiza-la por meio do nosso testemunho de vida”. “Seu amor nos une, sua Palavra desperta em nossos corações o compromisso com a construção de uma sociedade que seja capaz de dialogar superando assim as polarizações que adiam a “cultura do encontro” e o desejo de Cristo de que todos sejamos um (Jo 17,21). Cultura capaz de iniciar processos de vida nova a partir de um coração que se converte e, como tal, jamais deixará de dialogar, viver a fraternidade e, em conjunto, trabalhar em favor da justiça e pela paz”, reforça padre Patriky. Segundo os artistas do Ateliê 15, a base do desenho é uma ciranda, uma grande roda onde não há primeiro, nem último, onde todos formam uma unidade e precisam trabalhar na mesma sintonia e ritmo para não perderem o compasso. “A ciranda lembra uma canção muito comum em nossas comunidades, ‘baião das comunidades’ do cantor e compositor Zé Vicente. Todas e todos são convidados a participarem desta ciranda pela vida construindo a civilização do amor, da justiça, da igualdade e da paz. Na ciranda há uma criança com a mão estendida a espera de mais pessoas a fim de que o movimento de fraternidade não pare. Somos todos convidados!”. A seleção da arte se deu por meio de um concurso. Em relação ao texto base, a previsão é de que no mês de julho ele esteja concluído. O hino também deve ser divulgado em breve. São membros do CONIC as seguintes Igrejas: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida, Aliança de Batistas do Brasil. Ainda participam da comissão de preparação representantes do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização (CESEEP) e a Igreja Betesda como Igreja convidada.   BAIXE AQUI O CARTAZ DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2021. Tirado do site da CNBB Nacional

12º Domingo do Tempo Comum

Ninguém precisa ser melhor do que ninguém Frei Gustavo Medella “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”Poema em Linha Reta (Álvaro de Campos – Heterônimo de Fernando Pessoa) Primeiramente um pedido de perdão se os versos que abrem esta reflexão não tragam termos dos mais polidos. No entanto, acenam para uma tendência muito arraigada no coração humano, que é a de viver a partir de aparências. É natural o fato de a pessoa desejar se distinguir por seus atributos mais nobres: força, coragem, beleza, habilidade, competência etc. Quanto às fraquezas, medos, covardias, infantilismos e egoísmos, cada um prefere guardar só para si e nem pensar muito nisso. Defeitos e falhas, é sempre mais fácil e melhor perceber no outro e, se minha insegurança for muito elevada e a autoestima muito baixa, colocar em relevo as misérias alheias pode até mesmo fazer com que eu me sinta um pouco menos miserável. Esta é a queixa que o Profeta Jeremias apresenta na 1ª Leitura (Jr 20,10-13) diante daqueles que ficam lhe observando a fim de pegá-lo em alguma falha para lançar aos quatro ventos as fragilidades do profeta. Diante de tais investidas, Jeremias escolhe confiar na Justiça Divina. No Evangelho (Mt 10,26-33), Jesus ensina que o esforço do ser humano em esconder a verdade sobre si é ilusório e inútil, “pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido” (v. 26b). Com esta exortação, Jesus não deseja que saiamos pelo mundo considerando-nos as piores pessoas que existem, nem que fiquemos publicando nossas misérias e pecados. O mais sensato e maduro, neste caso, é reconhecer que todos temos falhas mas que, com o auxílio generoso de Cristo, temos condições de lançar luzes sobre nossas sombras e caminhar na luz do discernimento. Ninguém precisa ser melhor do que ninguém. Basta que sejamos bons e honestos diante de Deus, pois assim o seremos também diante das pessoas. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   12º Domingo do Tempo Comum, ano A Reflexão do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no vosso amor”.  Primeira leitura: Jr 20,10-13 Ele salvou das mãos dos malvados a vida do pobre. Jeremias recebeu a missão de ser profeta quando ainda era muito jovem (Jr 1,4-10). A missão era muito exigente e difícil: “Dou-te hoje poder sobre nações e reinos, para arrancar e destruir, para exterminar e demolir, para construir e plantar” (1,10). Pelos verbos, percebe-se que a missão era mais negativa do que positiva. Devia denunciar a injustiça e a violência cometida pelos reis e poderosos contra os pequenos e pobres, e anunciar-lhes o castigo divino caso não se convertessem. Por isso era rejeitado até pelos próprios familiares (16,1-13), ameaçado de morte e perseguido pelas autoridades (26,1-19). Diante da espinhosa missão, o profeta sente-se desanimado e entra em crise. Prestes a desistir de sua dura missão, chega a amaldiçoar o dia de seu nascimento (20,14-18). O texto que ouvimos pertence às assim chamadas “confissões de Jeremias”, diálogos íntimos que ele mantém com Deus (11,8-23; 12,1-5; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18). Como Jeremias frequentava o Templo de Jerusalém, suas orações são parecidas com as lamentações de muitos Salmos, cantadas pelos levitas. Em nosso texto (20,10-13), porém, depois de lamentar-se, Jeremias renova sua confiança na certeza de que Deus o protegerá e lhe dará forças para cumprir sua missão. Diante de Deus podemos sempre nos apresentar confiantes, como filhos e filhas. Em nossas súplicas, podemos dizer-lhe tudo o que pensamos e sentimos; podemos com franqueza desabafar nossas mágoas, desde que o desabafo sirva de ocasião para renovar nossa confiança em sua constante proteção. Salmo responsorial: Sl 68 Atendei-me, ó Senhor, pelo vosso imenso amor! Segunda leitura: Rm 5,12-15 O dom ultrapassou o delito. Na carta à comunidade cristã de Roma Paulo explica que todos precisam de salvação (Rm 1,18–3,20). Paulo lembra que a desobediência do primeiro ser humano/Adão trouxe o pecado e a morte para todos os seus descendentes. Mas, a morte e ressurreição de Cristo trouxeram a graça e a reconciliação, mais universais e abundantes do que o estrago causado pelo pecado de Adão. Cristo pôs fim ao domínio da morte. O cristão pode, por vezes, sentir-se impotente diante das estruturas do pecado, do qual ele é vitima e também culpado. Mas, pela fé, ele sabe que pode vencê-las pela solidariedade sacramental, eclesial e existencial com a morte e ressurreição de Cristo. Aclamação ao Evangelho O Espírito Santo, a Verdade, de mim irá testemunhar e vós minhas testemunhas sereis em todo lugar. Evangelho: Mt 10,26-33 Não tenhais medo dos que matam o corpo. O evangelho que ouvimos faz parte do discurso missionário de Mateus. A finalidade principal é incutir coragem aos discípulos em meio às perseguições dos anos 80-90 d.C. Cristãos eram conduzidos aos tribunais, açoitados nas sinagogas, processados diante de governadores e reis, e odiados por causa do nome do Cristo (Mt 10,17-25). O Evangelho apresenta quatro motivos para não temer as ameaças. 1) O ponto de partida da exortação é a afirmação de que o discípulo não está acima do mestre. A condição para seguir o Mestre é abraçar a cruz: “Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la” (16,25). Se o mestre foi perseguido, acusado, injuriado e morto, o discípulo deverá também estar preparado para sofrer a mesma sorte, por causa de sua fé e pregação do evangelho (10,24-25). – 2) O perseguidor só poderá tirar a vida do corpo, mas não a vida depois da morte, que está nas mãos de Deus (v. 28-29). – 3) Confiar na Providência divina: Deus cuida até dos pardais, quanto mais de seus discípulos (v. 29-31). – 4) Aos que derem testemunho de Cristo diante dos homens, Ele dará testemunho diante do “Pai que está nos céus” (v. 32-33). Na hora da perseguição o cristão era forçado a negar a sua fé; poderia tornar-se infiel. Deus, porém, permanece fiel: “Se o negarmos, também ele nos negará. Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo” (2Tm 2,13). Quem der testemunho de Jesus aqui na terra, será defendido por Ele no juízo final O Papa Francisco nos convida a darmos este testemunho confiante e corajoso em meio ao povo cristão e não-cristão, a todas as pessoas carentes de Deus e necessitadas do socorro de “bons samaritanos”. Bom samaritano é aquele que se esquece de si mesmo para socorrer a vida do próximo que está em perigo. Somos convidados pelo Sínodo Pan-Amazônico a cuidar da vida dos mais pobres e estender o mesmo cuidado a toda a criação de Deus, nossa Casa Comum. Os gemidos da criação malcuidada se fazem ouvir ameaçadores na recente pandemia do Covid-19, que afeta a humanidade inteira. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Se com ele sofremos, com ele reinaremos Frei Clarêncio Neotti A perseguição religiosa não é coisa do passado. Em vários países a prática religiosa sofre muitas restrições. Em outros é obrigatória uma religião única e são excluídas outras. Em alguns se cultiva apenas a religião que encubra os atos de quem está no poder. Fala-se muitas vezes dos mártires dos primeiros séculos do cristianismo. Mas podemos afirmar com toda a segurança: os dias de hoje estão produzindo mais mártires que o primeiro milênio. Talvez não haja um país do mundo que não tenha sua lista de mártires. Isso mostra que o tribunal de Pilatos e o Calvário não são fatos e coisas do passado. Cada um desses mártires, homens e mulheres, pode dizer com São Paulo: “Me alegro com o sofrimento suportado. Completei em meu corpo o que faltava à paixão de Cristo” (Cl 1,24) e, “trazendo em meu corpo a morte, manifesto a vida em Jesus Cristo” (2Cor 4,11). Isso tem muito a ver com a Eucaristia, sacramento de morte e ressurreição: no próprio mistério da morte está a fonte da vida. Cristo está presente e atuante não apenas em promessa. No mesmo texto em que Jesus previne contra as perseguições, calúnias e martírios, garante o amparo divino, maior que a ferocidade humana. O sangue dos mártires é um hino à confiança em Deus. Já o salmo 23, que tantas vezes cantamos na liturgia, conforta-nos: “Ainda que eu tenha de andar por um vale tenebroso, não temo mal algum, porque tu estás comigo” (Sl 23,4). Também o martirizado passa pela angústia do Cristona Cruz, de sentir-se sozinho e entregue à sanha dos inimigos (Mt 27,43). Fica-lhe, porém, a garantia do Evangelho: o próprio Cristo o bendirá diante de Deus (v. 32). Ou, como escreve São Paulo a Timóteo, comentando a passagem de hoje: “Se padecermos com ele, também com ele viveremos. Se com ele sofrermos, com ele reinaremos” (2Tm 2,11-12). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   "Não tenhais medo..." Frei Almir Guimarães A coragem não é um saber, mas uma decisão, não é uma opinião, mas um ato.Jankélévitch Surpreendentemente podemos não ter consciência da coragem que está em nós: como o ar que respiramos, como a luz que ilumina e que não vemos.Régine du Charlat ♦ Nós, discípulos do Senhor, temos consciência de que, através de nossa vida, do tempo que vamos vivendo, continuamos a presença do Senhor lá onde nos é dado viver, somos portadores de sua Boa Nova e damos voz à sua voz. Somos embaixadores do Evangelho. Somos porta-vozes do Ressuscitado. O Senhor nos toca de forma que não podemos ficar inertes, mas criar condições para que ele seja reconhecido, buscado e amado… Ressoa sempre aos nossos ouvidos o “Ide, eu vos envio”. O sonho do mundo novo que é o Reino depende da coragem de cada um. Tornar o Evangelho conhecido e apreciado pode significar não aceitação de nossa pessoa, perda de simpatia, repúdio e até mesmo perseguição. Os profetas nem sempre angariaram simpatia. Em tal contexto, então, se manifestar o medo. ♦ “A fé é uma luta ativa contra o medo: foi assim para o profeta Jeremias e para os discípulos de Jesus. A fé exige coragem. Jesus exorta os discípulos a não temerem quem possa persegui-los, quem se oponha ao seu testemunho e à sua pregação. Jesus pede-lhes que realizem um êxodo do medo” (Luciano Manicardi). ♦ Não é aqui o espaço de dissertar todas as nuances e matizes do medo e da coragem. Na vida há pequenos medos ou receios: medo de um cachorro, medo de altura, receio de ingerir um determinado alimento.. Há medos escondidos: que um casamento esteja no fim, que podemos fracassar com determinadas escolhas, medo de não ser um bom educador dos filhos. Há o medo-pavor de uma guerra, de assaltos a mão armada, pavor de um vírus que veio da China. ♦ “Coragem nas coisas do cotidiano, aparentemente banal mas que pede resistência. Cada manhã levantar-se, lavar-se, começar tudo de novo. Suportar o cansaço, os transportes públicos desgastantes, suportar os outros, a si mesmo, e a monotonia dos relacionamentos. Há a coragem de ser a si mesmo: de não ter medo de suas riquezas nem de suas limitações. A coragem de não mentir, de não mentir-se a si mesmo. Coragem de dizer sua verdade mesmo que possa não ser reconhecida nem aceita. Coragem de correr o risco de se enganar… (Régine du Charlat) ♦ “Vicente Madoz publicou um excelente trabalho com o título “Os medos do homem moderno”, no qual, com a clarividência e simplicidade de um verdadeiro perito, vai analisando tanto os medos irracionais do homem atual, quanto seus medos concretos da doença, da velhice, da morte, do fracasso da solidão. A inquietude e desgosto de não poucas pessoas têm a ver, sem dúvida, com as profundas e rápidas mudanças que estão acontecendo na sociedade. Também têm a ver com o individualismo, a insolidariedade ou o pragmatismo exagerado. Mas é fácil detectar, além disso, uma angústia existencial, às vezes solapada ou disfarçada, que está muito ligada às grandes incógnitas da vida, e que surge em não poucos diante da doença, da velhice, do fracasso, do desamor e da morte” (Pagola, Mateus, p.219). ♦ Os textos bíblicos da liturgia de hoje apontam para o medo na proclamação da fé e na vivência de nosso ser cristão. Temos medo de tirar as últimas consequências do Evangelho. Ficamos a meio do caminho. Não conseguimos, por medo de dizer o que pensamos, ser transparentes. Camuflamos. Temos receio de gastar nosso tempo com os projetos de Jesus e do mundo novo. Trata-se de correr um risco. Talvez o mais grave seja esse medo de morrer a nós mesmos. Não compreendemos que o grão de trigo precisa morrer para poder dar fruto. Não se trata de provocar o inimigo com vara curta. Há momentos cruciais em nossa história que pedem coragem. ♦ No plano individual para o discípulo se trata da coragem de ser o que é: um peregrino apaixonado pelo mundo, irmão de todos, reconciliador e promotor da paz, límpido nos relacionamentos, generoso nas posturas, sem estrelismos e vedetismos, profundamente ouvinte do Deus amor, ser continuação de Cristo. De outro lado a Igreja, a comunidade eclesial onde nos encontramos com o com o Ressuscitado haverá de perder medo de tirar as últimas consequências da fé. Uma Igreja despojada, sem poderio externo, uma Igreja sem outro interesse senão o bem do homem, mesmo que perca benesses do mundo. Uma Igreja capaz de correr o risco do novo. ♦ “Mandando os discípulos “proclamarem sobre os terraços” o que lhes tinha dito, ensinado e confiado na obscuridade (Mt 10,27), Jesus pede aos cristãos e às Igrejas a coragem da palavra, a parresia, a franqueza, a audácia do anúncio evangélico. O que se opõe à parresia é o medo que reduz a liberdade do cristão e o leva a mover-se e agir de acordo com as lógicas de conveniência, lógicas “políticas” a dizer e não dizer consoante as circunstâncias, a usar as palavras de modo camaleônico” (Manicardi). Não é possível que nos envergonhemos das palavras de Jesus. • Aqueles que vivem identificados com o Ressuscitado, que convivem com ele, que jogaram as cartas nele sabem que na hora exata a força do testemunho não há de faltar. As palavras do Evangelho querem manter viva nos discípulos sua proximidade, seu cuidado e seu amor por eles. Nas tribulações vencerão o medo com o amor. Texto para reflexão Medo. Sentimos medo diante de um perigo real.O simples viver não está isento de riscos.O medo pode ser sadio: adverte-nos que pode haver perigo à vista.Triste quando somos presa de medrosa insegurança,ou habitados por um medo difuso.O medo anula nossa energia interior, sufoca a criatividade torna-nos seres rígidos.Sem vida interior, sem uma amizade com aquele que venceu medo, seremos criaturas sem coragem.Jesus afirma: “Coragem, eu venci o mundo”. FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Libertar nossas comunidades do medo José Antonio Pagola As fontes cristãs apresentam Jesus dedicado a libertar as pessoas do medo. Ele se afligia ao ver as pessoas aterrorizadas pelo poder de Roma, intimidadas pelas ameaças dos mestres da lei, distanciadas de Deus pelo medo de sua ira, culpabilizadas por sua pouca fidelidade à lei. Do coração de Jesus, cheio de Deus, só podia brotar um desejo: “Não tenhais medo”. São palavras de Jesus que se repetem sempre de novo nos evangelhos. As que mais deveriam também repetir-se hoje em sua Igreja. O medo se apodera de nós quando em nosso coração cresce a desconfiança, a insegurança ou a falta de liberdade interior. Este medo é o problema central do ser humano e só podemos libertar-nos dele enraizando nossa vida em um Deus que só busca o nosso bem. Assim o via Jesus. Por isso dedicou-se, antes de tudo, a despertar a confiança no coração das pessoas. Sua fé profunda e simples era contagiosa: se Deus cuida com tanta ternura dos pardais do campo, os pequeninos pássaros da Galileia, como não vai cuidar de vós? Para Deus sois mais importantes e queridos que todos os pássaros do céu. Um cristão da primeira geração recolheu bem sua mensagem: “Descarregai em Deus tudo que vos abate ou oprime, pois a Ele só interessa o vosso bem”. Com que força falava Jesus a cada enfermo: “Tem fé. Deus não se esqueceu de ti”. Com que alegria os despedia quando podia vê-los curados: “Vai em paz. Vive bem”. Seu grande desejo era que as pessoas vivessem em paz, sem medos nem angústias: “Não vos julgueis, nem vos condeneis mutuamente, não vos causeis dano. Vivei de maneira amistosa”. São muitos os medos que fazem as pessoas sofrer em segredo. O medo causa dano, muito dano. Onde cresce o medo, perde-se Deus de vista e se afoga a bondade que há no coração das pessoas. A vida se apaga, a alegria desaparece. Uma comunidade de seguidores de Jesus deve ser, antes de muitas outras coisas, um lugar onde as pessoas se libertem de seus medos e aprendam a viver confiando em Deus. Uma comunidade onde se possa respirar uma paz contagiosa e viver uma amizade entranhável que tornam possível escutar o apelo de Jesus: “Não tenhais medo!” JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Perseguição e firmeza Pe. Johan Konings Inúmeros – hoje mais que nunca – são os perseguidos, martirizados e mortos por defenderem a justiça e a solidariedade. Quem é profeta é perseguido, mas, se permanece fiel à sua missão, Deus não o abandona. Quem luta por Deus pode contar com ele. É o que nos ensina a primeira leitura. Jesus enviou seus discípulos para anunciar e implantar o reino de Deus. No evangelho de hoje, ele ensina aos discípulos-seguidores a firmeza profética. Ensina-os a não ter medo daqueles que matam o corpo, mas a viver em temor diante daquele que tem poder para destruir corpo e alma no inferno, o Juiz supremo (Mt 10,28). Jesus representa o Pai, e o Pai endossa a obra de Jesus. Quem for testemunha fiel de Cristo será por ele recomendado a Deus. Isso era válido no tempo em que o evangelho foi escrito, quando se apresentavam as perseguições e as deserções. Continua válido hoje. Se formos fiéis a Cristo, que nos associa à sua missão, podemos confiar que Deus mesmo não nos deixará afundar. Em Jesus está nossa firmeza. Por isso respondemos com convicção “Amen” (= “está firme”) à invocação “por Cristo, com Cristo e em Cristo” no fim da oração eucarística. Se, porém, deixarmos de dar nosso testemunho e cedermos diante dos ídolos (poder, lucro, manipulação etc.), espera-nos a sorte dos ídolos: o vazio, o nada… É uma questão de opção. Proclamar o Reino em solidariedade com Cristo significa, hoje, empenho pela justiça. Empenho colocado à prova por forças externas (perseguições, matanças de agentes pastorais junto ao povo) e internas (desânimo, acomodação etc.). No nosso engajamento, podemos confiar em Deus e em sua providência; e, por causa de Deus, podemos confiar em nosso engajamento, permanecer firmes naquilo que assumimos, mesmo correndo perigo de vida. Pois é melhor morrer do que desistir do sentido de nossa vida. É melhor morrer em solidariedade com Cristo do que viver separado dele. A mensagem principal do evangelho de hoje é a posição central de Jesus em nossa vida. É isso que devemos dar a conhecer por nossas palavras e ações. É segundo nossa fé professada em Jesus ou segundo nossa negação dele que nossa vida é julgada diante de Deus. Isso não é ambição desmedida de Jesus, mas mero realismo. O caminho que Jesus nos mostra, e a respeito do qual ele pede nosso testemunho, é o caminho da vida. Não podemos, diante do mundo, professar o contrário, pois então negamos, sob os olhos de Deus, o caminho de vida que, em Jesus, ele nos proporciona. É uma questão que diz respeito a Deus, referência última do nosso viver. Não podemos concordar com um sistema econômico, social, político e até pretensamente cultural que exclui, cada dia mais, as pessoas da paz e do bem-estar comum e, inclusive, leva ao abismo o próprio ambiente da vida humana. Não é para um sistema de morte que Jesus deu sua vida. Devemos professar Jesus que deu sua vida para que todos tenham vida e possam viver na abundância da graça que ele trouxe ao mundo. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Dia Internacional de Conscientização do Combate à Violência contra a Pessoa Idosa

Levantamentos realizados em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que os idosos devem representar 25,5% da população brasileira até 2060.  Hoje, o Brasil tem 29,9 milhões de idosos, de acordo com informações disponíveis no site World Health Organization (WHO).  Precisamos, o quanto antes, nos preparar para essa mudança demográfica. Realidade esta que nos deixa instigados, embora a pergunta que mais nos preocupa no momento é: como estão vivendo os nossos idosos em tempos de pandemia? Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, mais de 80% da população vai contrair a Covid-19, apresentando sintomas leves. À medida que a idade avança, o número de infectados sobe para 8% entre pacientes de 70 a 79 anos, e a partir de 80 anos, esse índice atinge 15%. Quando acometidos da Covid-19, enfrentam o seu maior desafio, quando há o estrangulamento da rede de saúde: a prioridade no atendimento. Esse tem sido o protocolo, quando os hospitais atingem a sua capacidade de atendimento, os idosos são preteridos. No tocante ao abuso de idosos, que já está sendo considerado um importante problema de saúde pública, em 2017, foi realizado estudo a partir de informações de 52 estudos em 28 países, dentre os quais 12 países de baixa e média renda, estimou-se que, no último ano, 15,7% das pessoas com 60 anos ou mais foram submetidas a alguma forma de violência. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência contra a pessoa idosa é um ato único e repetido, ou a falta de ação apropriada, ocorrendo em qualquer relacionamento no qual exista uma expectativa de confiança, que cause danos ou sofrimento à pessoa idosa.  Um canal específico para recebimento de denúncia no caso de violência contra a pessoa idosa é o Disque 100. Trata-se de serviço oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), para recebimento de denúncia, a qual pode ser feita de forma anônima. O Disque 100 (Disque Direitos Humanos) recebeu, somente no ano de 2018, exatos 37.454 denúncias de violações contra a pessoa idosa. Os números representam um aumento de 13% em relação ao ano anterior (2019). Com o advento da pandemia do COVID-19, esse número vem aumentando, e o principal motivo é justamente o isolamento social, onde o agressor, na maioria das vezes, é morador da mesma residência que a pessoa idosa. Segundo dados do próprio Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, o balanço o ano de 2018 informa que 52,9% dos casos de violações contra pessoas idosas foram cometidos pelos filhos, seguidos de netos (com 7,8%). As pessoas mais violadas são mulheres com 62,6% dos casos e homens com 32%, sendo eles da faixa etária de 71 a 80 anos com 33% e 61 a 70 anos com 29%. Das vítimas 41,5% foram declarados brancos, pardos 26,6%, pretos 9,9%, amarelos com 0,7% e indígenas 0,4%. Sendo a casa da vítima o local com maior evidência de violação, 85,6%. Pelo disque 100, em 2019 as denúncias de violência contra a pessoa idosa ficaram em 2º lugar em números de ligações. De 30%, foi o aumento dessas denúncias em relação ao ano de 2018. Os tipos de violências mais comuns são: a física, psicológica, financeira, a negligência, o abandono. Em relação aos tipos mais denunciados tem-se o ranking dos quatro primeiros, no Brasil: a negligência (41%), violência psicológica (24%) como humilhação, hostilização e xingamentos, violência financeira (20%) que envolve, por exemplo, retenção de salário e destruição de bens e a violência física (12%).   Geralmente os maiores agressores são familiares próximos como filhos e netos e 90% das vezes a violência é praticada dento da casa da vítima, no caso, a pessoa idosa. Outro dado relevante é que mais de 14 mil vítimas possuem algum tipo de deficiência. sendo 41,6% tem alguma deficiência física e 37,6% deficiência mental, seguidos de deficiência visual com 11,5% e deficiências intelectual e auditiva, com 4,6% e 4,4%, respectivamente (dados do Disque 100). O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, publicou em maio passado um relatório sobre o impacto que a pandemia de Covid-19 está causando em pessoas idosas. Segundo o relatório, “a pandemia está colocando as pessoas mais velhas em maior risco de pobreza, discriminação e isolamento”. O secretário-geral aponta ainda que são precisos mais apoio social e esforços mais inteligentes para chegar às pessoas mais velhas usando tecnologia digital. Segundo Guterres, “isso é vital para que possam enfrentar o grande sofrimento e isolamento criado por bloqueios e outras restrições”. “Denunciar é preciso. Não podemos nos omitir diante de uma realidade tão cruel, e que tem se tornado tão cotidiana. É obrigação de todos nós proteger nossos idosos. A conscientização de que a violência contra a pessoa idosa é uma realidade mais frequente do que pensamos. Um país que não valoriza àqueles que ajudaram a construir a história, nunca será um país com um futuro desenvolvido. Quando a falta de respeito virar violência. Denuncie. Disque 100”, esclarece a presidente da Comissão Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do Conselho Federal da OAB, Deborah Cartágenes.  Tirado dos site: https://www.oab.org.br/

11º Domingo do Tempo Comum

O envio nasce da compaixão Frei Gustavo Medella O envio missionário dos Apóstolos brota da Compaixão de Jesus, de sua empatia diante das ovelhas que vagavam sem pastor. Não eram homens ricos, letrados, influentes ou importantes na política, nas artes ou na religião. Eram homens comuns e simples. No entanto, estavam investidos da força da fé e da adesão à proposta do Mestre. A proximidade do Reino deveria ser o núcleo de sua pregação. Deixaram-se guiar pelos mesmos sentimentos do Mestre e, desta forma, especialistas em compaixão, tornaram-se capazes de operar milagres que só acontecem quando o ser humano transpõe as barreiras do próprio egoísmo e se entrega com generosidade à força do amor. Enfermos curados, mortos ressuscitados, leprosos limpos e demônios expulsos, efeitos da ação da graça generosa que age em nós e entre nós quando nos abrimos à sua atuação. Em tempos de pandemia, a humanidade anseia pela presença destes enviados, que hoje somos nós. Nossa tarefa é dura e desafiante. Sem deixarmos de lado os cuidados conosco e com os outros, devemos ser provas vivas de que, onde o vírus e a doença se espalham, podem também se espalhar a solidariedade e o amor. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   11º Domingo do Tempo Comum, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, força daqueles que esperam em vós, sede favorável ao nosso apelo, e como nada podemos em nossa fraqueza, dai-nos sempre o socorro da vossa graça, para que possamos querer e agir conforme vossa vontade, seguindo os vossos mandamentos”. Primeira leitura: Ex 19,2-6a Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa! O presente texto começa informando como o povo de Israel chegou aos pés do Monte Sinai (v. 1-2), para, em seguida, descrever em que consiste a aliança que o Senhor faz com Israel (v. 3-6). Enquanto o povo permanece aos pés do Monte, Moisés sobe ao encontro do Senhor, para ouvir suas instruções. Os destinatários da mensagem divina são a casa de Jacó e os filhos de Israel, isto é, os hebreus descendentes do patriarca Jacó, que Deus libertou do Egito. Os que escutavam, tinham deixado de serem escravos do faraó para servirem unicamente a Javé (Senhor). Uma frase resume o histórico da libertação, que justifica a proposta de aliança: “Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim”. Uma referência à frase que precede os dez mandamentos: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te libertou do Egito, lugar de escravidão” (Ex 20,2). A leitura de hoje lembra que Israel foi separado como a “porção escolhida dentre todos os povos”. Mas, para ser o povo escolhido, Israel deverá escutar a voz do Senhor, obedecer às suas ordens, guardar e observar a aliança. E o povo de Israel se compromete com a aliança e diz a Moisés: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse” (Ex 24,3). A escolha de Israel como povo de Deus, porém, não é um privilégio em detrimento de outras nações. A eleição faz de Israel uma nação santa – isto é, consagrada –, ligada profundamente ao Senhor; será uma nação, separada para a missão de levar todas as nações a servirem ao único e verdadeiro Deus. É neste sentido que Israel é “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Salmo responsorial: Sl 99 Nós somos o povo e o rebanho do Senhor. Segunda leitura: Rm 5,6-11 Se fomos reconciliados pela morte do Filho, muito mais seremos salvos por sua vida. No texto que ouvimos, Paulo se dirige aos romanos adultos, judeus ou pagãos convertidos a Cristo. Paulo inclui-se entre os convertidos e lembra o que ele e os romanos eram antes da conversão: “éramos fracos (…) éramos pecadores”. Mas Cristo morreu por nós, ímpios e pecadores. Diante disso, Paulo se espanta maravilhado. Já é difícil, diz ele, que alguém morra por um justo. Mas Cristo morreu por nós “quando ainda éramos pecadores” (v. 6-8). Esta é a maior prova de que Deus nos ama. Pela morte de seu Filho, Deus nos justifica; isto é, perdoa nossos pecados, tornando-nos justos e agradáveis a Deus e nos acolhe como seus filhos e filhas. Fomos “justificados” quando ainda éramos pecadores. Agora que fomos reconciliados com Deus pelo sangue de Jesus Cristo, podemos esperar e confiar que seremos salvos por sua vida. A fé nos diz que já no tempo presente fomos reconciliados. Por isso nos alegramos, “nos gloriamos por nosso Senhor Jesus Cristo”. Paulo abraçou com tanto amor o Cristo crucificado como a expressão máxima do amor de Deus, que chega a dizer: “Quanto a mim, não pretendo jamais gloriar-me a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6,14). O que você vê na cruz de Jesus Cristo? Que Cristo você abraça? Aclamação ao Evangelho: Mc 1,15  O Reino do céu está perto!Convertei-vos, irmãos, é preciso!Crede todos no Evangelho! Evangelho: Mt 9,36–10,8 Jesus chamou seus doze discípulos e os enviou. Mateus mostra Jesus ensinando sua doutrina com autoridade (Mt 5–7), autoridade comprovada com obras e milagres (8,1–9,34), e delineia a finalidade de sua missão: “Quero misericórdia e não sacrifícios. Porque não vim chamar os justos, mas os pecadores” (9,13). O texto de hoje, é precedido por um resumo da missão de Jesus, que percorria cidade e aldeias, ensinava nas sinagogas, pregava o Evangelho do Reino e curava enfermidades e doenças (9,35). Jesus ia ao encontro do povo para anunciar o Evangelho do Reino; o povo, por sua vez, procurava Jesus para ouvi-lo e ser atendido em suas necessidades. É nesse quadro da missão de Jesus que se coloca o evangelho que acabamos de ouvir. Jesus vê as multidões e se compadece delas: são pessoas cansadas, abatidas e desassistidas, como ovelhas sem pastor. As autoridades políticas, bem como as autoridades religiosas do Templo e das sinagogas, tinham a missão de pastorear; tinham o dever de cuidar do bem-estar físico e espiritual do povo, mas não o faziam. Ante a tantas carências do povo, Jesus se dirige aos discípulos para que vejam o que ele vê, sintam compaixão do povo como ele sente, e peçam “ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita” (v. 36-37). Mas não espera que comecem a pedir ao dono da messe esses trabalhadores. O próprio Jesus escolhe doze entre eles com a missão de expulsar espíritos maus e curar “toda enfermidade e doença”. Em seguida os envia, delimitando o alcance da missão: neste momento, não devem dirigir-se aos pagãos nem aos samaritanos, mas “antes às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Após sua morte e ressurreição, Jesus amplia esta missão para o mundo inteiro: “Ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar tudo quanto vos mandei…” (Mt 28,19-20). Você, meu irmão, sente a compaixão que Cristo sentiu pelo povo? Sinta-se convidado a viver e anunciar o “Evangelho do Reino” de Deus às pessoas sofridas que você conhece. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Só anunciamos aquilo que vivemos Frei Clarêncio Neotti O número doze não é ocasional. Eram doze as tribos de Israel. Os doze aqui significam ‘todos’. Observe-se que Mateus, ao nomear os Apóstolos, diz: “primeiro, Pedro”. De fato, Pedro seria mais tarde o chefe de todos, e o próprio Jesus afirmou que sobre ele, a quem apelidou de Cefas (Jo 1,42), isto é, Pedra, haveria de construir a nova comunidade (Mt 16,18-19). Outra observação: para a escolha não contam as origens dos escolhidos, nem sua ideologia, nem a militância religiosa. O leque é bem diversificado: vai de simples pescadores (considerados pecadores, porque não podiam cumprir todas as leis nas horas determinadas) a Mateus, cobrador de impostos e socialmente odiado, passando por Simão, que era um ‘zelota’, partido terrorista daquele tempo, até Judas Iscariotes. Ao lado da imensa misericórdia, Jesus tem um coração de confiança sem limites. Do Apóstolo Jesus não pede senão compaixão e gratuidade. E sabemos que foi exatamente isso que faltou a Judas, o mau Apóstolo. Jesus diz: “Em vosso caminho” (v. 7). Podemos entender como ‘ao longo da vossa vida’, ‘no vosso dia a dia’. Vale dizer: devemos ser apóstolos de Cristo em todos os momentos e em todas as circunstâncias. Mesmo porque o Reino dos Céus acontece dentro da comunidade e na vida de cada dia dos cristãos. Mais: o anúncio começa ao nosso próprio coração. Quem não é capaz de guardar em seu coração a Palavra do Senhor não será capaz de transmiti-la aos outros. Quem não é um enviado do Senhor para as pessoas vizinhas, com quem convive todos os dias, não o será para as pessoas distantes. Por isso Jesus quer que os Apóstolos preguem primeiro “às ovelhas da casa de Israel” (v. 6), isto é, às pessoas que estão em torno deles. Em outras palavras: devemos ser testemunhas de Jesus Cristo primeiro aos de perto, isto é, pelo nosso comportamento, visto e comprovado pelos que nos conhecem. Devemos ser como o rio: as terras mais fecundadas por ele são as mais perto dele. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Multidões que inspiram compaixão... Frei Almir Guimarães “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não tem pastor”. O olhar é fundamental para celebrarmos o encontro com nós mesmos e com os outros. Só se olharmos e nos deixarmos impressionar pelo outro que está diante de nós é que amamos as pessoas por si mesmas.José Tolentino Mendonça ♦ Jesus compadece-se com a multidão que tem diante de seus olhos, sem rumo, sem ninguém, sem amanhã, sem possibilidades de superar suas deficiências e carências. A cena antecede a escolha dos apóstolos. A cena de ontem, em termos de número de pessoas, era insignificante diante de tudo aquilo que assistimos em nossa aldeia global. A pandemia do coronavírus fez com as vísceras da humanidade fossem expostas. Multidões precisando sobreviver, milhares morrendo e sendo enterrados às pressas, firmas falindo, um horizonte sem claridade, pavor, o mundo com máscaras. Muitas autoridades tiveram o olhar de Jesus e foram tomando as decisões acertadas. Muitos, no dia, experimentaram compaixão… esse sofrer com… ♦ Os sem pastor são esses e muitos outros. São pessoas que perderam o gosto de viver, que não são capazes de vislumbrar a dignidade dos outros, esses que usam pessoas a seu bel-prazer. Sem pastor são os que perderam o endereço do coração e vivem na epiderme da vida, pessoas que comem, bebem, vivem com celular entre os dedos, casas de famílias que são palco de toda sorte de desrespeito. Sem pastor são os jogados à beira da estrada, a meninas bonitinhas que andam entregando seu corpo aos executivos, são os cristãos que se nutrem apenas de ritos e convenções, são os movimentos de Igreja que perderam a garra, são todos esses não vivem até o fundo a viagem da vida. Sem pastores são os que adotaram seguir o indiferentismo e alheamento dos irmãos e irmãs de destino. ♦ Compaixão tem a ver com proximidade, atenção ao que o outro vive. A pessoa compassiva sofre, padece com… aproxima-se, se possível leva o que sofre a um alívio. “O olhar de Jesus sobre a multidão é olhar de compaixão. Jesus vê o povo e de certo apercebe-se de sua pobreza, talvez mesmo da mediocridade e da miséria, vê o povo como ovelhas incapazes de se orientarem por si, vê pessoas desprovidas, mas o seu olhar não se transforma em desprezo, não origina manipulações ou aproveitamento.” (Manicardi, Comentário à Liturgia, Ano A, p. 113). ♦ Jesus dá a entender que se fazem necessário operários. Seu projeto precisa ir adiante depois de seu desaparecimento. O trabalho é ingente. Jesus chama um grupo que ele designará de enviados, de apóstolos. Dá-lhes o poder sobre o mal e de se fazerem presentes no meio da multidão sem pastores. Estavam sendo colocadas as pedras da função de uma comunidade de pessoas que deveria continuar a ter o olhar de compaixão de Jesus. Nascia a Igreja, albergue de todos os que suplicam compaixão. Os pastores assumem jubilosamente a implantação de um mundo segundo o coração de Deus. ♦ “A missão em que são enviados os doze consiste em fazer recuar o mal, em praticar o bem como o seu Senhor Jesus, em pregar o Reino narrado por Jesus na sua pessoa. Isto situa-se entre dom e responsabilidade: ‘Haveis recebido de graça, dai de graça” (Mt 10,8). A missão é evocada em sua inteireza, não como um fazer, mas como um receber e um dar. Pedir ou receber dinheiro é incompatível com a gratuidade do anúncio messiânico: seria contradizer o dom gratuito recebido” (Manicardi, supra mencionado, p. 114). ♦ Pastores, pessoas dispostas a alimentar, nutrir, cuidar. Pensamos nos bispos e nos sacerdotes. Pensamos em agentes de bondade que desenvolvem cuidados “pastorais” em prol dos mais desnutridos, dos idosos, presidiários, jovens, dos casados (pastoral sem oba-oba). Pastor, esplendorosa a vida de tantos sacerdotes: acolhida e carinhoso atendimento, tempo para escutar, tentar ao menos tentar, ir ao encalço dos grupos mais próximos do desespero. Padre, pai, colega de outros pastores que não se deixa “burocratizar”, mas seres leves e cheios do zelo do Senhor e capazes de olhar com compaixão. Compaixão tem a ver com bondade sem floreios. Seres que estão em intimidade com o supremo pastor. O olhar de Jesus O olhar de Jesus estava sempre cheio de carinho, respeito e amor (…) Sofria ao ver tanta gente perdida e sem orientação. Doía-lhe o abandono em que se encontravam tantas pessoas sós, cansadas e maltratadas pela vida. Aquelas pessoas eram muito mais vítimas do que culpadas. Não precisavam ouvir mais ordens, mas conhecer uma vida mais sadia. Por isso Jesus começou um movimento novo e inconfundível. Chamou seus discípulos e deu-lhes “autoridade” não para condenar, mas “para curar toda enfermidade e sofrimento. Na Igreja, só vamos mudar quando começarmos a olhar as pessoas como Jesus as olhava. Quando chegarmos a ver as pessoas mais como vítimas do que como culpadas, quando nos fixamos mais em seu sofrimento do que em seu pecado, quando olhar todos com menos medo e mais piedade (Pagola, Mateus, p. 115-116) Oração Vem, Espírito Santo.Abre nossos ouvidos para escutar os teus apelos,os que nos chegam hoje das interrogações,sofrimentos, conflitos e contradições dos nossos irmãos.Faz-nos ficar abertos a teu poderpara gerar a fé nova de que necessita esta sociedade nova.Que na tua Igreja vivamos mais atentosao que nasce do que ao que morre,com o coração animado pela esperançae não minado pela nostalgia. José Antonio Pagola FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Programa libertador José Antonio Pagola Muitos cristãos pensam estar vivendo sua fé com responsabilidade, porque se preocupam em cumprir determinadas práticas religiosas e tratam de ajustar seu comportamento a leis morais e normas eclesiásticas. Do mesmo modo, muitas comunidades cristãs pensam que estão cumprindo fielmente sua missão, porque se esfalfam em oferecer serviços de catequese e educação da fé, e se esforçam por celebrar com dignidade o culto cristão. Será que é só isto que Jesus queria pôr a caminho ao enviar seus discípulos pelo mundo afora? É esta a vida que Ele queria infundir no coração da história? Precisamos ouvir de novo as palavras de Jesus para redescobrir a verdadeira missão dos cristãos no meio desta sociedade. Assim resume o evangelista a ordem de Jesus: “Ide e proclamai que o Reino dos Céus está próximo. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, dai de graça”. Nossa primeira tarefa também hoje é proclamar que Deus está perto de nós, empenhado em salvar a felicidade da humanidade. Mas este anúncio de um Deus salvador não se faz só através de discursos e palavras sugestivas. Não se assegura só com catequese, ou com aulas de religião. Jesus nos lembra a maneira de proclamar Deus: trabalhar gratuitamente para infundir nos seres humanos nova vida. “Curar os enfermos” quer dizer libertar as pessoas de tudo que lhes rouba vida e as faz sofrer. Sarar a alma e o corpo dos que se sentem destruídos pela dor e angustiados pela dureza impiedosa da vida diária. “Ressuscitar os mortos” quer dizer libertar as pessoas daquilo que bloqueia sua vida e mata sua esperança. Despertar novamente o amor à vida, a confiança em Deus, a vontade de lutar e o desejo de liberdade em tantos homens e mulheres nos quais a vida vai morrendo pouco a pouco. “Limpar os leprosos’: quer dizer limpar esta sociedade de tanta mentira, hipocrisia e convencionalismo. Ajudar as pessoas a viver com mais verdade, simplicidade e honradez. “Expulsar os demônios”,isto é, libertar as pessoas de tantos ídolos que as escravizam e pervertem nossa convivência. Onde se está libertando as pessoas, ali se está anunciando a Deus. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Os doze apóstolos e o novo povo de Deus Pe. Johan Konings O evangelho narra a vocação e missão dos doze apóstolos de Jesus. O número doze tem um significado simbólico muito forte. No Antigo Testamento, Deus escolheu as doze tribos de Israel para ser seu “povo sacerdotal”, povo que devia celebrar e mostrar aos outros povos a santidade de Javé, sua Lei e seu reino (1ª leitura). Ora, o evangelho conta que Jesus encontrou a massa popular abatida e exausta. Pediu, então, operários para a “colheita messiânica”, para reconstituir, a partir dessa massa dispersa, o povo de Deus. De acordo com a estrutura do antigo povo das doze tribos, nomeia doze representantes do novo povo de Deus. Eles serão os operários da colheita. Esses doze operários, Jesus os manda anunciar o reino e curar as doenças. E, pensando no “aqui e agora”, os manda primeiro às ovelhas desgarradas de Israel. Depois de sua ressurreição, enviá-los-á a todas as nações (Mt 28,16-20). Nosso povo também está abatido, oprimido. Observamos a decadência social, e até física, das populações da periferia e do interior, a desorientação dos jovens, a violência crescente etc. Isso não nos deve desanimar: é um desafio. A consciência comunitária e a missão evangelizadora podem transformar a situação, como acontece, por exemplo, em comunidades de base que realmente vivem o evangelho. Pelo número dos seus “operários”, Jesus manifestou a intenção de constituir um povo novo para Deus. De imediato, mandou-os às ovelhas perdidas do povo de Israel. Jesus reconstruiu o povo com base nos símbolos de sua tradição religiosa e cultural, tomando como referência as doze tribos de Israel. Isso é uma lição para nós. Povo para Deus não se constrói destruindo sua identidade. Será que nós respeitamos, ou melhor, devolvemos à multidão popular (índios, negros … ) sua identidade? Damo-Ihes representantes conforme as feições próprias deles? Além disso, Jesus os envia a anunciar e a curar. As curas são sinais de que no âmbito da missão de Jesus se realiza o que Deus deseja, o bem de seus filhos. Em nossa missão evangelizadora, a palavra deve ser acompanhada da prática transformadora. É preciso levar “amostras do Reino”. Deus e Jesus quiseram a ajuda de um povo. O Reino de Deus não pode ser realizado sem o povo, ainda que fraco e até inconfiável (como revela o caso de Judas). O paternalismo pastoral (fazer para, mas não com .. .) é condenável. O povo deve participar ativamente, pelo anúncio e pela ação transformadora, da realização do Reino de Deus. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Paróquias de Bragança celebram Corpus Christi com programação diferenciada

A missa solene de Corpus Christi foi celebrada na manhã desta quinta-feira (11) na Catedral Nossa Senhora do Rosário, Igreja Mãe da Diocese de Bragança (Pa). O bispo Dom Jesus Maria presidiu a missa concelebrada pelos padres: Marconi e Silvio (Perpétuo Socorro), Calazans e Ari (Sagrado Coração de Jesus), Elias e Mayro (Rosário) e Diácono Lenilson que representou o pároco Gerenaldo (São João Batista). Em decorrência das medidas protetivas contra o vírus da Covid-19, o templo permaneceu fechado e a celebração foi transmitida pelos meios de comunicação. Em sua homilia o bispo destacou que duas palavras definem a Eucaristia: vida e comunhão. Quem recebe a Eucaristia possui a vida eterna. Deus entra no cristão por intermédio da Comunhão que reúne a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Dom Jesus evidenciou que para receber o corpo de Deus vivo na Eucaristia, o cristão deve estar na graça de Deus, sem pecado grave. O bispo rezou na intenção do Papa Francisco, bispos, sacerdotes, diáconos e seminaristas. O momento inédito da celebração ocorreu quando os Ostensórios das quatro paróquias foram colocados sobre o altar e ao som do hino Tão Sublime Sacramento, o bispo depositou a Hóstia Consagrada, o Santíssimo Sacramento. Foto / Marcelle Pires Após a missa, foi iniciado o passeio em carro aberto pelas ruas das paróquias. Impossibilitados de ornamentar suas ruas, os fiéis decoraram as frentes das casas com tapetes, flores, imagens e velas acesas. Os sacerdotes ergueram o Ostensório por cada rua que passaram. Usando máscaras, fiéis emocionados se ajoelharam e elevaram as mãos na direção do Santíssimo pedindo graças e proteção, sobretudo, agradecendo pela recuperação da saúde perante a pandemia do novo coronavírus. Foto / Marcelle Pires O passeio pelas paróquias teve o apoio de cânticos e reflexões transmitidos do interior da Catedral através da Rádio Educadora. As imagens dos percursos foram mostradas pelas redes sociais e TV Educadora (Canal 30). Os retornos às igrejas duraram aproximadamente três horas e foram concluídos com a bênção final. Reportagem - Jota Bahia Com imagens de Marcelle Pires

Solenidade da Santíssima Trindade

Um Mistério de Graça, Amor e Comunhão Frei Gustavo Medella “A Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Amor do Pai e a Comunhão do Espírito Santo estejam sempre convosco”. Bendito seja Deus que nos reuniu no Amor de Cristo. Esta é a resposta da Igreja à saudação que lhe é feita ao iniciar muitas de suas ações celebrativas, especialmente a Santa Missa. A referida saudação, extraída da 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios, vem imediatamente após o sinal da cruz, no qual a comunidade reunida é acolhida pelo “Abraço da Trindade”, conforme o Papa Bento XVI certa feita definiu. Graça, Amor e Comunhão, três dons que emanam da Trindade e que sustentam a vida da Igreja. Graça é graxa! É óleo, pomada, remédio que penetra, cura, lubrifica dá brilho e não deixa perecer. É o contato corpo a corpo do Pai com seus filhos através da Humanidade do Filho Jesus, que nos foi enviado para ser nossa cura e salvação (Cf, Jo 3,17). Amor é origem, começo! É a Força Criadora que chama à vida, que organiza e dispõe tudo aquilo que existe. Extravasa e ultrapassa todos os limites que podemos conhecer. É o “sempre mais” do Infinito de Deus sempre surpreendente e generoso. Comunhão é convite. É a disposição de Deus em se mostrar comunidade para nos chamar a vencermos o individualismo que pode aprisionar a nossa vida em amarras egoístas e mesquinhas. O vento do Espírito, ao mesmo tempo que espalha e envia em Missão, congrega e reúne os enviados para testemunhar o mistério da unidade. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que este sinal seja para nós, hoje e sempre, um verdadeiro “banho” de Graça, Amor e Comunhão. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   Santíssima Trindade, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, nosso Pai, enviando ao mundo a Palavra da verdade e o Espírito santificador, revelastes o vosso inefável mistério. Fazei, que professando a verdadeira fé, reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a unidade onipotente”. Primeira leitura: Ex 34,4b-6.8-9 Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente. Moisés desceu do monte Sinai com as placas da Lei e encontrou o povo adorando um bezerro feito de ouro. Irritado, Moisés jogou as duas placas no chão e as quebrou. Deus queria exterminar povo que havia libertado do Egito. Moisés, porém, suplicou em favor do povo infiel e aplacou a ira divina (Ex 32–33). Então Deus ordenou a Moisés que preparasse duas novas placas de pedra, para encontrar-se novamente com Ele no monte Sinai. O texto de hoje narra o que aconteceu no encontro de Deus com Moisés. Sem dúvida, é um dos textos mais lindos de todo o Antigo Testamento. Uma verdadeira síntese da caminhada do povo pecador com Deus misericordioso e libertador. Enquanto Moisés sobe com as placas de pedra, Deus desce ao seu encontro e permanece com ele. No entanto, a permanência é rápida. Enquanto Deus passava na sua frente, Moisés prostra-se por terra em sua presença e exclama: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Apesar dos pecados e infidelidades, o povo de Israel teve uma experiência viva da misericórdia divina em sua história. Por fim, contando com o amor misericordioso do Senhor, Moisés faz três pedidos: caminha conosco, perdoa nossas culpas e acolhe-nos como propriedade tua. Ou seja, como o seu povo escolhido, da nova aliança. Salmo responsorial A vós louvor, honra e glória eternamente! Segunda leitura: 2Cor 13,11-13 A graça de Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo. O breve texto desta leitura conclui a 2ª Carta de Paulo aos coríntios. Contém uma exortação (v. 11a), um voto ou promessa (v. 11b), uma despedida (v. 12) e uma bênção final (v. 13). Estes elementos aparecem também em outras cartas paulinas. Na exortação aparecem cinco verbos no imperativo que visam melhorar a vida em comunidade: alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia – isto é, o diálogo – vivei em paz. É o caminho que Paulo traça para construir a paz na comunidade abalada por conflitos e divisões internas. Agindo assim, acontecerá o que o apóstolo deseja: “e o Deus do amor e da paz estará convosco”. A bênção final explica quem é o Deus do amor e da paz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo”. É o Deus Trindade Santíssima, que nos envolve numa comunhão de Amor, como filhos e filhas queridos. Quando vivemos o amor com nossos irmãos, Deus que é amor estará sempre conosco. Aclamação ao Evangelho Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém. Evangelho: Jo 3,16-18 Deus enviou seu Filho ao mundo, para que o mundo seja salvo por ele. O Evangelho de hoje faz parte do diálogo de Jesus com Nicodemos (Jo 3,1-21). Nicodemos era um fariseu rico que admirava Jesus. Veio procurar Jesus de noite, porque discordava de outros fariseus que perseguiam a Jesus. Na conversa, Nicodemos reconhece Jesus como um mestre vindo de Deus, por causa dos sinais que fazia. Jesus lhe diz que ele precisava nascer de novo, isto é, nascer de Deus. Em outras palavras, assim como Nicodemos acredita em Jesus como um Mestre vindo de Deus, deveria também acreditar em Jesus como Filho de Deus, e assim nascer de novo, desta vez de Deus. No diálogo Jesus diz a Nicodemos que a chave de entrada na vida eterna é crer (três vezes) no Filho do Homem (3,9-15). A mesma insistência na fé aparece no evangelho de hoje. Deus amou tanto o mundo, que deu/entregou seu Filho unigênito para salvar todos que nele crerem. Deus não enviou seu Filho como juiz, para condenar as pessoas, mas para salvar a todos. A condição para ser salvo é crer no nome Filho unigênito. Este nome é Jesus, que significa “Deus salva”. Deus não condena ninguém. Quem não crê em Jesus Cristo, salvador da humanidade, condena-se a si mesmo. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Mistério de amor que envolve os homens Frei Clarêncio Neotti O mistério da Santíssima Trindade, embora mistério, é a luz que ilumina todas as verdades da fé. E é um mistério de amor. A Santíssima Trindade é uma comunidade de amor. O Pai cria tudo por amor; o Filho, muito amado pelo Pai (Mt 17,5; Mc 9,7), constrói no mundo, com sua vida, um reino de amor, e o amor é um dos grandes dons do Espírito Santo. O Evangelho de hoje, tirado do diálogo de Jesus com Nicodemos, recorda o imenso amor (v. 16) de Deus pelas criaturas, sobretudo pela criatura humana; um amor tão grande que vence a barreira do pecado à custa do sangue derramado de seu próprio Filho. Um amor tão grande que quer ter todas as criaturas juntas a si, participando de sua feliz vida eterna (v. 16). De tal modo nos ama Deus, que nos enviou o Espírito Santo em auxílio da fraqueza de nossa fé (Rm 8,26), enchendo nosso coração de esperança, avivando a fé em Jesus Cristo, revestindo de tal maneira nossa vida que São Francisco de Assis chega a dizer que é ele que reza em nós e em nós rende louvores e graças a Deus. Então, o Pai já não olha para o nosso pecado e nossa ignorância, mas vê “o próprio Espírito, que advoga por nós em gemidos inefáveis” (Rm 8,26). O pequeno trecho do diálogo com Nicodemos, que lemos hoje, formula o cerne da fé cristã, que é uma resposta da criatura humana a uma proposta de Deus, que nasce do amor, explícita-se na encarnação e morte de Jesus e tem por finalidade dar a todos a vida eterna. Esses elementos são facilmente encontrados no versículo 16. A resposta da criatura humana consistirá em aceitar ou não a missão do Filho. Aceitar ou não exige uma decisão pessoal, que o Evangelho chama de julgamento. Jesus garante que o Espírito Santo nos ajudará a conhecer a verdade (Jo 16,13) e a discernir as coisas. Mas não nos tolherá a liberdade. A maneira de respondermos, positivamente, e decidir-nos pela vida eterna é crer em Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. Uma resposta de fé que se transforma em uma atitude amorosa (Jo 15,9-10), porque “se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor Frei Almir Guimarães Vós sois nossa esperança, Vós sois nossa fé, Vós sois nossa caridade, Vós sois toda nossa doçura, Vós sois nossa vida eterna: grande e admirável Senhor, Deus onipotente, misericordioso salvador” (São Francisco de Assis) ♦ Ao dirigir-se ao Senhor, Francisco de Assis mostrava desmedida admiração. Não encontrava palavras que fossem capazes de descrever esse Mistério insondável de amor que é a Trindade: altíssimo, onipotente, bom, ternura, paz… Aproximamo-nos sempre de Deus com imenso respeito. Pedimos que ele se digne nos olhar com complacência. Temos certeza do amor dessa Trindade. Não receamos nos lançar em seu abismo de caridade. Festa de Deus, insondável abismo de Deus. Um Deus em Três pessoas. Uma fornalha de dom entre as Pessoas. ♦ Nosso coração anseia pelo Numinoso. Vivemos irrequietos enquanto nele não descansarmos. Deus está para além do que podemos ver, ouvir, alcançar. Chamamo-lo de Tu, numinoso, simplesmente Deus. Pena que a palavra parece gasta e já não nos fala às entranhas. Altíssimo e Bom Senhor, sempre buscado e nunca alcançado. Chama a nos atrair. ♦ Moisés estava diante de um arbusto que ardia e não se consumia. Calor, fogo que cega, queima e aquece. Ele é convidado a tirar as sandálias dos pés porque santa era a terra em que estava pisando. ♦ Isaías tem uma visão no templo. O três vezes santo está num trono elevado, circundado pelos anjos que o adoram. O profeta sente todo o peso de sua indignidade. Tem certeza de seu pecado. Um serafim toma um brasa e queima os lábios do profeta para que possa dizer com candura e limpeza interior: Santo, Santo, Santo. ♦ Elias está desanimado com tanta oposição que lhe é feita. Retira-se do campo de batalha, de sua pregação e de suas exortações. Entra numa caverna. O Senhor não estava na tempestade, nem no fogaréu. Quando sopra uma brisa suave reconhece a passagem do Senhor e com o manto cobre o semblante. ♦ Jesus, expressão humana de Deus, Deus mesmo vivendo entre nós, procura nos levar ao Mistério. Fala de um Pai que é amor, que o estreita, que o cerca. Fala de um envolvimento todo especial dele com Pai. Fala mesmo que ele e o Pai são um. Quem o vê, vê o Pai. Todo poder recebe do Pai. Ele e o Pai não deixarão órfãos os homens, mas enviarão o Paráclito que procede do Pai e do Filho. Fornalha de amor: Pai, Filho e Espirito. ♦ O Pai não é gerado, é eternamente Pai. O Filho, o Verbo, a Palavra também eternamente gerado. Consubstancial ao Pai. Na plenitude dos tempos o Verbo se fez carne e habitou entre nós. O “segundo” da Trindade se revestiu da natureza humana. O amor, o liame, o laço entre o Pai e o Verbo é o Sopro, o Vento, o Espírito. Como o Verbo, também o Espírito tem uma missão “ad extra”. Belamente esse abismo é expresso na antífona ao Magnificat da Solenidade da Trindade: “Deus Pai não gerado, Deus Filho Unigênito, Deus Espírito Santo, divino Paráclito, ó Santa, indivisa e una Trindade: com todas as fibras da alma e da voz, vos louvamos, cantando, na fé confessando: Glória a vos pelos séculos”. ♦ Estamos mergulhados e envoltos na Trindade: fazemos o sinal da cruz invocando a Trindade, nela somos batizados, nela absolvidos. Todas as orações dirigidas ao céu se dirigem à Trindade. Morremos com a bênção da Trindade. Texto para reflexão É necessário crer na Trindade? É possível? Serve para algo? Não é uma construção intelectual desnecessária? Vai mudar algo em nossa fé, se não crermos no Deus trinitário? Há dois séculos o célebre filósofo Immanuel Kant escrevia estas palavras: “Do ponto de vista prático, a doutrina da Trindade é perfeitamente inútil”. Esta afirmação é certamente falsa. A fé na Trindade muda não só nossa visão de Deus, mas também nossa maneira de entender a vida. Confessar a Trindade de Deus é crer que Deus é um mistério de comunhão e de amor. Não um ser fechado e impenetrável, imóvel e indiferente. Sua intimidade misteriosa é só amor e comunicação. Consequência: no fundo último da realidade, dando sentido e existência a tudo, não há senão Amor. Tudo o que existe vem do Amor. O Pai é amor, a fonte de todo amor. Ele começa o amor. “Só ele começa a amar sem motivos; mais ainda, é ele que desde sempre começou a amar” (Eberhard Junge). O Pai ama desde sempre e para sempre, sem ser obrigado ou motivado de fora. É o “eterno Amante”. Ama e continuará amando sempre. Nunca vai retirar de nós seu amor e fidelidade. Dele só brota amor. Consequência: criados à sua imagem, fomos feitos para amar. Só amando acertamos na vida. O ser do Filho consiste em receber o amor do Pai. Ele é o “Amado eternamente”, antes da criação do mundo. O Filho é o amor que acolhe, a resposta eterna ao amor do Pai. O mistério de Deus consiste, pois, em dar e também em receber amor. Em Deus, deixar-se amar não é menos que amar. Receber amor é também divino! Consequência: criados à imagem desse Deus fomos feitos não só para amar, mas para sermos amados. O Espírito Santo é a comunhão do Pai e do Filho. Ele é o Amor eterno entre o Pai Amante e o Filho Amado, aquele que revela que o amor divino não é possessão ciumenta do Pai nem açambarcamento egoísta do Filho. O amor verdadeiro é sempre abertura, dom, comunicação transbordante. Por isso, o amor de Deus não se detém em si mesmo, mas se comunica e se estende até suas criaturas. “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Consequência: criados à imagem desse Deus, fomos feitos para amar-nos, sem açambarcar e sem encerrar-nos em amores fictícios e egoístas” (Mateus, Pagola, p.349). OraçãoTu, Senhor, me conheces.Conheces minha vida e minhas entranhas,minhas veredas e meus rodeios, minhas dúvidas de sempre.Tu és, apesar dos meus erros,o Senhor de minhas alegrias e de minhas penas,Deixa-me estar em tua presença.Traquiliza-me. Serena meu espírito.Abre meus sentidos.Lava-me com água fresca. F. Ulíbarri FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Deus é de todos José Antonio Pagola Poucas frases terão sido tão citadas como esta que o Evangelho de João coloca nos lábios de Jesus. Os autores veem nela um resumo do essencial da fé, tal como era vivida entre os poucos cristãos nos começos do século II: “Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único”. Deus ama o mundo inteiro, não só aquelas comunidades cristãs às quais chegou a mensagem de Jesus. Deus ama todo gênero humano, não só a Igreja. Deus não é propriedade dos cristãos. Não deve ser monopolizado por nenhuma religião. Não cabe em nenhuma catedral, mesquita ou sinagoga. Deus habita em todo ser humano acompanhando cada pessoa em suas alegrias e desgraças. Não deixa ninguém abandonado, pois tem seus caminhos para encontrar-se com cada qual, sem que tenha que seguir necessariamente os caminhos que nós lhe indicamos. Jesus o via cada manhã “fazendo surgir o Sol sobre bons e maus”. Deus não sabe nem quer, nem pode fazer outra coisa senão amar, pois, no mais íntimo de seu ser, Ele é amor. Por isso diz o Evangelho que Ele enviou seu Filho único, não para “condenar o mundo”, mas para que “o mundo se salve por meio dele”. Deus ama o corpo tanto como a alma, e o sexo tanto como a inteligência. O que Ele deseja unicamente é ver já, desde agora e para sempre, a humanidade inteira desfrutando de sua criação. Este Deus sofre na carne dos famintos e humilhados da Terra; está nos oprimidos defendendo sua dignidade e nos que lutam contra a opressão dando ânimo a seu esforço. Está sempre em nós para “buscar e salvar” o que nós deturpamos e deixamos se perder. Deus é assim. Nosso maior erro seria esquecê-lo. Mais ainda, fechar-nos em nossos preconceitos, condenações e mediocridade religiosa, impedindo as pessoas de cultivar esta fé primeira e essencial. Para que servem os discursos dos teólogos, dos moralistas, dos pregadores e dos catequistas, se não despertam o louvor ao Criador, se não fazem crescer no mundo a amizade e o amor, se não tornam a vida mais bela e luminosa, lembrando que o mundo está envolto nos quatro lados pelo amor de Deus? Imagem no alto: Coluna da Santíssima Trindade, localizada no centro de uma praça com o mesmo nome em Budapeste. Por volta do ano de 1700, foi construída para comemorar o fim de uma epidemia de peste. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Três pessoas em um só Deus Pe. Johan Konings Para muitas pessoas, inclusive cristãs, a SS. Trindade não passa de um problema de matemática: como pode haver três pessoas divinas em um só Deus? Parece que nada tem a ver com sua vida. Se a Trindade fosse um problema matemático, deveríamos procurar uma “solução”. Mas, na realidade, não se trata de uma fórmula matemática, mas de um resumo de duas certezas de nossa fé: 1) Deus é um só; 2) o Pai, o Filho e o Espírito Santo são Deus. Isso nos convida à “contemplação” do mistério de Deus. Pois um mistério não é para a gente colocá-lo dentro da cabeça, mas para colocar a cabeça nele… Na 1ª Leitura, Moisés invoca o nome de Deus: “O Senhor (Javé), Deus misericordioso e clemente, lento para a ira, rico em amor e fidelidade…”. São essas as primeiras qualidades de Deus. Deus é um Deus que ama. Segundo o evangelho, Jesus revela em que consiste a manifestação maior do amor de Deus para com o mundo: ele deu o seu Filho, que quis morrer por amor a nós. O Pai e o Filho estão unidos num mesmo amor por nós. Em sua carta, João retoma o mesmo ensinamento: “Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por ele” (1 Jo 4,9) Assim, tanto no Antigo Testamento como no Novo, Deus é conhecido como sendo “amor e fidelidade”. Estas são as qualidades que se manifestam com toda a clareza em Cristo (a “graça e verdade” de que fala Jo 1,14). Em Jesus, Deus aparece como comunhão de amor: o Pai, Jesus e o Espírito que age no mundo, esses três estão unidos no mesmo amor por nós. Um solitário não ama. Deus não é um ancião solitário. Deus é amor (1Jo 4,8), pois ele é comunidade em si mesmo, amor que transborda até nós. Se Deus é comunidade de amor, também nós devemos sê-lo, nele. Se tanto ele nos amou, a ponto de enviar seu Filho, que deu sua vida por nós, nós também devemos dar a vida pelos irmãos, amando-os com ações e de verdade (cf. 1Jo 3,16-18). No amor que nos une, realizamos a “imagem e semelhança de Deus”, a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O conceito clássico do homem é individualista. Isso não é cristão… Se Deus é comunidade, e nós também devemos sê-lo, não realizaremos nossa vocação vivendo só para nosso sucesso individual, propriedade privada e liberdade particular. A Trindade serve de modelo para o homem novo, que é comunhão. Devemos cultivar os traços pelos quais o povo se assemelha ao Deus-Trindade: bondade, fidelidade, comunicação, espírito comunitário etc. Como pode haver três pessoas em um só Deus? Pelo mistério do amor, que faz de diversas pessoas um só ser. Deus é comunidade, e nós também devemos sê-lo. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

CNBB envia aos bispos do Brasil orientações litúrgico-pastorais para retorno às atividades

Aos poucos, as autoridades políticas estaduais, observando as medidas sanitárias, vão permitindo a abertura de atividades após um período mais intenso de isolamento social como medida para contenção do avanço do novo coronavírus. Entre as ações permitidas encontra-se a possibilidade do retorno da realização de celebrações religiosas e missas. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou a todo episcopado brasileiro, dia 31 de maio, um documento de oito páginas com as “Orientações Litúrgico-Pastorais para o retorno às atividades presenciais”. A orientações foram elaboradas pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB a partir de experiências de dioceses do Brasil e do exterior. Cabe, contudo, ao bispo de casa Igreja Particular, à luz de cada realidade local, orientar os fieis neste retorno às atividades presenciais. O documento sistematiza uma série de orientações gerais para a organização e realização das missas e os cuidados que devem ser tomados antes, durante e após cada celebração. Também apresenta orientações específicas, como o ritual para os batizados. Um cuidado necessário é a orientação aos fieis que apresentarem sintomas e que integram os grupos de risco a ficarem em suas casas, onde as comunidades devem se organizar para ministrar a comunhão. Outra indicação também é que as comunidades fixem em cartazes as observações relativas à higiene para evitar a disseminação do novo coronavírus. A utilização de máscaras, que poderão ser tiradas apenas no momento da comunhão, será obrigatória. Conheça a íntegra do documento aqui. Ou pode fazer download no anexo, logo abaixo. Tirado do site da CNBB Nacional  

Coroação de Nossa Senhora ano 2020

O ano de 2020 está sendo um ano, no minimo, atípico. Já fazem meses que milhões de fieis em todo o mundo não podem participar da Santa Missa, por exemplo. Mas, nem por isso a Igreja deixou de se fazer presente na vida das pessoas. Das mais variadas formas encontrou-se alternativas de levar atividades para ajudar no crescimento da fé das pessoas. No mês de maio, por exemplo, é muito comum as várias manifestações de homenagens a Nossa Senhora. Uma das mais esperadas do mês é a Coroação de Nossa Senhora, que acontece no dia 31 de maio. Por causa do distanciamento social imposto pela pandemia que estamos vivendo, não foi possível realizar esta tão bonita homenagem. Não possível realizar da forma como estamos acostumados! Pois, as coroações aconteceram. Sempre, claro, fazendo uso da internet ou de outros meios de comunicação; sem a presença das pessoas nas igrejas. Tivemos acesso ao vídeo da coroação realizada na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Catedral, e um trecho da homenagem feita pela Pastoral do Surdo da Paróquia São Francisco de Assis, em Mãe do Rio. Duas belíssimas homenagens à Mãe de Jesus.   Na Catedral Nossa Senhora do Rosário, todos os anos uma escola realiza a Coroação de Nossa Senhora no Ginásio Dom Eliseu. Neste ano de 2020 quem deveria realizar a coroação seria a Escola Yolanda Chaves. Não sendo possível a escola realizar, foi escolhida a área da saúde de Bragança para realizar a homenagem. A imagem foi coroada por um enfermeiro, uma técnica e um médico. Em Mãe do Rio, a Pastoral do Surdo está presente em todas as transmissões das celebrações pela internet. E foi a Pastoral do Surdo que fez uma belíssima homenagem a Nossa Senhora em libras. Tivemos acesso a uma pequena parte da homenagem, que já foi o bastante para vermos o quanto deve ter sido bonita e emocionante. Coordenadores P. do Surdo de Mãe do Rio/ Foto: PS   Confira abaixo os vídeos abaixo.           Embora não tenhamos tido acesso a materiais visuais, tivemos notícias de que em centenas de famílias pela diocese foi realizada a Coroação de Nossa Senhora... em casa. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Paróquia São Raimundo Nonato realiza procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade.

O último domingo, (31), foi de muita emoção para nossos paroquianos, pois foi realizada uma procissão (sem aglomeração) com o Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade, nas comunidades, Matriz, São José, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em todas as ruas que o Santíssimo passava testemunhou-se o fervor, o desejo de estar perto de Jesus, muitos corriam para adorar, outros enfeitaram as portas das casas, prepararam altares, ornamentaram com flores, atitudes que demonstram o amor e a saudade dos sacramentos e da vida comunitária. No trajeto que foi feito não teve como não se emocionar ao ver o fervor e a afeição dos fiéis ao se encontrarem com Jesus Eucarístico, era um misto de saudade, de alívio, de alegria e sentimentos que se resultaram em muitas lágrimas aos pés do Senhor. Paroquianos se emocionaram muito ao verem o Santíssimo/ Foto: Makes Araújo O pároco Juarez Matos levou cinco horas para percorrer as ruas com o Santíssimo em cima de um carro aberto. “As pessoas iam se colocando nas calçadas, muitas delas fizeram altares em suas portas com imagens, alguns prepararam pétalas de flores e quando o carro ia passando iam jogando na rua para acolher o Santíssimo, muitos se ajoelharam, acenaram”, disse. Foi um momento foi muito especial, de muita oração e presença. “Jesus saiu da Igreja e como pastor foi em busca das suas ovelhas”, finalizou. Por Pascom Paróquia São Raimundo Nonato - Aurora do Pará

Solenidade de Pentecostes

Ou mudamos muito ou estragamos tudo Frei Gustavo Medella “Se tirais o seu respiro, elas perecem e voltam para o pó de onde vieram. Enviais o vosso Espírito e renascem, e da terra toda a face renovais” (Sl 103). O Espírito Santo, cuja vinda se celebra na Solenidade de Pentecostes, é o dinamismo de Deus Trindade agindo pelo amor na vida do mundo. É dom gratuito e mais que suficiente – é abundante – para guiar a humanidade pelos caminhos da felicidade e da salvação. Quando o Espírito falta, não pela carência de oferta, mas pela pouca adesão daqueles a quem é oferecido, o coração torna-se frágil e vulnerável à investida de desejos e tentações que têm a força de destruir e desagregar, desde a ganância, o egoísmo, a prepotência, a autossuficiência, o apego ao poder. Sem o Espírito, o ser humano investe suas melhores forças para construir sua pior ruína, para caminhar na direção do “pó de onde veio”. A situação de pandemia que o mundo vive é uma chance crucial para que a humanidade reencontre a força do Espírito de Deus que se manifesta em concórdia, colaboração, solidariedade e respeito das pessoas entre si e de todos pelos bens da criação. É oportunidade de redescobrir o que de fato é essencial e capaz de oferecer um sentido mais profundo para a vida que seja capaz de transcender a absolutização do dinheiro, por exemplo, como bem maior a ser buscado. Rever profundamente o sistema econômico que rege a humanidade seria tarefa fundamental para este tempo decisivo que o mundo está vivendo. Caso haja a humildade de uma retomada diferente de tudo o que tem sido a regra até então – desigualdade social, destruição do meio ambiente, o lucro colocado acima da vida – certamente será mais fácil fazer a experiência do Espírito que revivifica e revigora. Caso contrário, a caminhada em direção ao pó e ao perecimento pode ganhar uma cadência ainda mais acelerada. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   Pentecostes Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus que, pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho”. Primeira leitura: At 2,1-11 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar. João coloca a doação do Espírito Santo no dia da Páscoa, quando Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos reunidos no Cenáculo (Evangelho). O evangelho de Lucas (cap. 24), também, situa no mesmo dia as manifestações de Jesus Ressuscitado aos discípulos de Emaús e aos apóstolos, concluindo com a promessa do Espírito Santo e a Ascensão de Jesus ao céu. Nos Atos dos Apóstolos, porém, a Ascensão acontece quarenta dias após a Páscoa e, dez dias depois, na festa judaica de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo. Na origem, Pentecostes era uma festa agrícola ligada à colheita do trigo, celebrada sete semanas após a festa da Páscoa. Era uma festa de peregrinação. Nesta festa o israelita devia comparecer diante de Deus e apresentar os primeiros frutos da colheita do trigo. No II século a.C., a festa de Pentecostes passou a comemorar a promulgação da Lei de Moisés no Sinai, feita 50 dias após a saída do Egito (cf. Ex 19,1-16). Na teofania do Sinai, a descida de Deus era acompanhada por “trovões, relâmpagos (…), fortíssimo som de trombetas (…) em meio ao fogo” (Ex 19,16-19). Rabi Johanan dizia a respeito: A voz divina “saiu e se repartiu em setenta vozes ou línguas, de modo que todos os povos a entendessem; e cada povo ouviu a voz em sua própria língua”. Lucas conhecia tal tradição. Por isso fala que a doação do Espírito se dá em meio a um “barulho” e “forte ventania”. Com a voz do Sinai, repartida em setenta línguas, a Lei de Moisés tornou-se conhecida em todo o mundo e unia os judeus dispersos no Império Romano. Agora, a partir de Jerusalém (At 1,8), também o Evangelho é pregado a todos os povos, citados em nosso texto. A diversidade das línguas nas quais cada um entendia a mensagem do Evangelho é um convite aos apóstolos e discípulos, impulsionados pelo Espírito Santo, a levarem a mensagem de Jesus a todos os povos e culturas. Quando Lucas escreve, de certa forma, todos os povos do Império Romano estão ouvindo a mensagem do Evangelho, levada pelos discípulos e discípulas que aprenderam ou conheciam suas línguas. Salmo responsorial: Sl 103       Enviai o vosso Espírito, Senhor,             e da terra toda a face renovai. Segunda leitura: 1Cor 12,3b-7.12-13 Fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo. Paulo fala longamente para a comunidade de Corinto sobre os dons do Espírito Santo (1Cor 11,2-16; 12,1–14,39). Sem estes dons, nada podemos fazer, nem mesmo dizer: “Jesus é o Senhor”. Os dons ou “carismas” são “atividades”, serviços ou manifestações do Espírito “em vista do bem comum”; cada membro presta serviço para o bem do mesmo corpo. Paulo usa a imagem do corpo que tem muitos membros, mas forma uma única unidade. O Espírito nos unifica num só Corpo com o Cristo: “judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito”. O Espírito Santo distribui seus dons ou carismas em vista do bem da comunidade, e não para distinguir esta ou aquela pessoa. A manifestação do Espírito se dá em todos os membros da comunidade. Não é privilégio do clero, dos religiosos ou de “grupos carismáticos”. O projeto imperial de Babel era de impor o domínio, unindo todas as raças e culturas por meio de uma só língua (Gn 11,1-9: primeira leitura da Vigília). Deus, porém, pôs fim a tal domínio, multiplicando as línguas e culturas. É na diversidade de línguas e culturas que Deus quer ser louvado e adorado. Em Pentecostes Deus refaz a unidade pela mensagem do Evangelho, a ser anunciado a todos os povos, preservando, porém, as diferentes culturas e raças. O que nos une é a linguagem do amor a Deus e ao próximo (Evangelho). Aclamação ao Evangelho:   Vinde, Espírito Divino,    e enchei com vossos dons os corações dos fiéis;     e acendei nele o amor como um fogo abrasador. Evangelho: Jo 20,19-23 Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio: Recebei o Espírito Santo! No domingo da Ascensão ouvimos, no evangelho de Lucas, que Jesus prometia aos discípulos enviar-lhes a “força do alto”, o Espírito Santo, antes de começarem a anunciar “a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações”. Hoje, segundo João, Jesus no dia de sua ressurreição, se manifesta aos discípulos e concede o dom do Espírito Santo e a paz. Depois de lhes dizer “a paz esteja convosco”, Jesus se identifica, mostrando-lhes as mãos e o lado perfurados. Ele é o mesmo Jesus crucificado, que cumpriu sua missão, a obra de nossa salvação e volta ao Pai (Jo 20,17). Antes, porém, deixa-nos a tarefa de continuar a sua missão: “Como o Pai me enviou também eu vos envio”. Ao voltar para junto do Pai, Jesus promete estar sempre conosco: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). A presença de Cristo se dá pelo seu Espírito, o Advogado e Consolador, que estará sempre ao lado de seus discípulos. Pelo dom de sua vida Jesus nos reconciliou com Deus, manifestando o amor misericordioso do Pai. O presente da Páscoa que nos deixa é o Amor: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados”. Agora confia aos seus discípulos a missão de manifestar este mesmo amor misericordioso: “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados…”. O perdão dado e recebido reconstrói os vínculos do Amor, reconstrói a paz. “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”, que é Amor (Mt 5,9). Nossa missão é vivermos o que anunciamos aos outros. Para isso recebemos a “força do alto”, o Espírito Santo. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Na paz, começa a Igreja, Corpo do Senhor Frei Clarêncio Neotti Poderíamos encontrar no Evangelho de hoje os principais dons da Páscoa. Primeiro, o próprio Cristo ressuscitado. O Evangelho seria apenas um tema literário se a Páscoa não nos tivesse dado Jesus glorioso, triunfador da morte. Houve momentos em que os discípulos pensaram que tudo se havia acabado (cf Lc 24,13-24). Por isso mesmo, o segundo dom é consequência do primeiro: a paz (v. 19), ou seja, o retorno do equilíbrio ao coração da criatura humana, com a dimensão da confiança e da humildade para com Deus; com a dimensão para o próprio eu, o ser íntimo da pessoa, confortado pela certeza de não ter sido enganado; e com a dimensão para os outros, com quem pode criar comunidade e repartir a alegria (v. 20) dos fatos e da caminhada. Essa paz só é possível à medida que damos e recebemos perdão. Quando Jesus hoje diz aos Apóstolos: “A paz esteja convosco”, tanto pode significar uma saudação quanto a manifestação do perdão, de que, aliás, eles andavam muito necessitados, depois de havê-lo deixado quase sozinho na Paixão e na Morte. O terceiro dom é o envio. Vencido o pecado e vencida a morte, Jesus reparte com os Apóstolos a missão de salvar (perdoar pecados = salvar). A mesma missão que Jesus recebera do Pai e cumprira com fidelidade, agora a passa aos Apóstolos: “Como o Pai me enviou, eu vos envio” (v. 21). Tudo quanto ele dissera, di-lo-á cada Apóstolo agora (Jo 17,8), com a mesma autoridade. Tudo quanto ele fizera, fá-lo-á cada um deles, e poderão fazer coisas ainda maiores (Jo 14,12). Até a vinda de Jesus, homem nenhum conseguira fazer a ligação entre o céu e a terra. Feito o caminho por Jesus, todos podem andar por ele. Os pecados perdoados na terra serão perdoados também pelo céu. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Esse vento diferente... Frei Almir Guimarães Era um vento estranho, de uma suave violência,como uma brisa de furaçãoou o leve murmúrio de uma tempestade.Esse vento foi entrando pelas gretas das portas chaveadase das janelas fechadas. ♦ Belíssima solenidade esta do fogo, do vento violento e brisa suave. O Espírito, o Advogado, o Defensor… Mistério da Trindade. O Pai, o Filho unidos. O Filho gerado não criado. Entre eles um sopro o Espírito. O Pai envia o Filho e o Espírito o unge nas águas do Jordão. O Filho e o Espírito. O Filho é o Ungido. No alto da cruz, no momento da morte, segundo João, “Jesus entrega o seu Espírito”. Espírito com E maiúsculo. Ele cumpriu a promessa de não nos deixar órfãos. Esse Espírito que pairava sobre o caos primordial para tudo organizar, depois da Ascensão do Senhor paira sobre os apóstolos na manhã de Pentecostes. Vento e fogo, sopro que movimenta e chamas que iluminam e que ardem. Vivemos a era do Espírito. A Igreja não tem outra finalidade senão a de auscultar o vento do Espírito. Ela é criatura do Espírito. ♦ Ele é movimento, empurra para frente. Vento, chama crepitante, água viva, pomba que se desloca. Sopra, dilata, recria, transforma, inspira. ♦ É ação. Preside os começos do universo. Age na concepção do Verbo Encarnado, no batismo do Messias, nos primeiros passos da Igreja, na luminosa e ventosa manhã de Pentecostes. Paulo nos convida a entrarmos na dinâmica do Espírito: “Se vivemos do Espírito, andemos também segundo o Espírito” (Gl 5,25). ♦ É liberdade. Não nos escraviza na lei fria, no legalismo, no rubricismo. Onde está o Espírito de Deus está a liberdade. Faz com que a Igreja se liberte dos grilhões históricos, culturais, ideológicos e religiosos. Na medida em que vai se libertando de tudo isso, torna-se Igreja libertadora. ♦ É novidade. Normalmente se atribui ao Espírito o excepcional, o extraordinário. Ele não se compraz com caminhos batidos. É força de vida nova, fonte inesgotável de criatividade. Entra em conivência com toda sorte de novidade quando esta venha a favorecer a instauração do Reino. A presença do Espírito na Igreja faz com que esta se embrenhe por caminhos de um futuro não previsível. ♦ O Espírito é impregnação. É água que penetra tudo. Ao lado das imagens do Espírito como movimento e ação, há outras que apontam para impregnação, interiorização, habitação, morada. Nesta mesma linha vão as imagens do óleo e da unção. Apoiado nessas imagens Agostinho haverá de falar do Espírito como alma da Igreja. Dizemos que estamos “repletos” do Espírito Santo. ♦ O Espírito é comunhão. Abolindo fronteiras e barreiras o Espírito liga, une, reúne. O relato da manhã de Pentecostes bem ilustra essa dimensão de comunhão. Várias línguas, várias culturas e todos se entendendo. Completamente impregnada do Espirito a comunidade encontra nele saúde, equilíbrio e alegria. ♦ O Espírito é memória. Jesus mesmo disse que quando ele e o Pai enviassem o Espírito ele haveria de permitir que os discípulos se lembrassem de tudo quando ele havia dito. O Espírito atualiza no hoje de cada geração a presença de Jesus de Nazaré que passando pela morte foi ressuscitado pelo Pai. Graças ao Espírito pudemos nos transformar em filhos no Filho. A vinda de Cristo na proclamação da Escritura e na celebração sacramental se realiza graças à invocação do Espírito, dita “epíclese”. Não existe oração eucarística sem esta imploração do Espírito sobre as pessoas e os dons. Texto para reflexão Normalmente, no Antigo Testamento, quando o Espírito de Deus aparece evidencia-se de uma forma espetacular: há uma agitação na natureza, há terremotos, vulcões, ventania. Digamos assim: a manifestação de Deus provoca uma espécie de alteração na ordem cósmica, introduzindo uma nova experiência, um novo ciclo, um novo tempo. No Novo Testamento tudo é depurado. A experiência de contato com Deus, através do acolhimento amigável de Deus, continua a ser uma experiência de fusão, mas expressa de modo mais íntimo e despojado. Quando os discípulos recebem o Espírito estão numa casa, numa rua anônima da cidade, não diante de um monte de chamas; o Espírito desce sem que tenha havido um fenômeno natural fora do comum. O Espírito agora é dado no cotidiano, na nossa humanidade; é dado de forma sutil, interior, escondida. A corrente de ar forte que terá ressoado pela casa onde eles se encontravam em nada se compara à convulsão atmosférica descrita no livro do Êxodo. José Tolentino MendonçaNenhum caminho será longoPaulinas, p. 57-58 Quase em forma de oração Sem o Espírito, Deus se faz distância,o Cristo permanece no passado,o Evangelho é letra morta,a Igreja é uma simples organização,a autoridade, dominação,a missão, uma propaganda,o culto, uma evocação,o agir cristão uma moral de escravo.Mas nele:O cosmos é soerguido e geme na parturição do Reino,Cristo Jesus se faz presente,o Evangelho é dinamismo de vida,a Igreja significa comunhão trinitária,a autoridade é um serviço libertador,a missão é um Pentecostes,a liturgia é memorial e antecipaçãoe o agir cristão é deificado, Metropolita Ignatios de Lattaquié (Síria) FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Abertos ao Espírito José Antonio Pagola Não falam muito, nem se fazem notar. Sua presença é modesta e calada, mas são “sal da terra”. Enquanto houver no mundo essas mulheres e esses homens atentos ao Espírito de Deus, será possível continuar esperando. Eles são o melhor dom para uma Igreja ameaçada pela mediocridade espiritual. Sua influência não provém do que fazem, nem do que falam ou escrevem, mas de uma realidade mais profunda. Encontram-se retirados nos mosteiros ou escondidos no meio da gente. Não se destacam por sua atividade e, não obstante, irradiam energia interior onde estão. Não vivem de aparências. Sua vida nasce do mais profundo de seu ser. Vivem em harmonia consigo mesmos, atentos a fazer coincidir sua existência com o chamado do Espírito que os habita. Sem que eles mesmos se deem conta, são o reflexo do Mistério de Deus na terra. Têm defeitos e limitações. Não estão imunizados contra o pecado. Mas não se deixam absorver pelos problemas e conflitos da vida. Voltam constantemente ao fundo de seu ser. Esforçam-se para viver na presença de Deus. Ele é o centro e a fonte que unifica seus desejos, palavras e decisões. Basta colocar-se em contato com eles para tomar consciência da dispersão e agitação que há dentro de nós. Junto a eles é fácil perceber a falta de unidade interior, o vazio e a superficialidade de nossa vida. Eles nos fazem pressentir dimensões que desconhecemos. Esses homens e mulheres abertos ao Espírito são fonte de luz e de vida. Sua influência é oculta e misteriosa. Estabelecem com os outros uma relação que nasce de Deus. Vivem em comunhão com pessoas que jamais viram. Amam com ternura e compaixão pessoas que não conhecem. Deus as faz viver em união profunda com a criação inteira. No meio de uma sociedade materialista e superficial, que tanto desqualifica e maltrata os valores do espírito, quero trazer à memória esses homens e mulheres “espirituais”. Eles nos lembram o anseio maior do coração humano e a Fonte última onde se apaga toda sede. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Os dons do Espírito Santo Pe. Johan Konings Pentecostes, festa do “Divino Espírito Santo”, é uma oportunidade para entender melhor uma realidade central de nossa fé: o Espírito de Deus que nos é dado em virtude de nossa fé em Jesus Cristo. Jesus glorioso manda o Espírito Santo de junto do Pai. No Evangelho, João narra como, no próprio dia da Páscoa, Jesus comunica aos apóstolos e o Espírito Santo, para que exerçam o poder de perdoar os pecados. Pois Jesus é “o cordeiro que tira o pecado do mundo” (Jô 1,29), e os discípulos devem continuar essa missão. Já São Lucas distingue diversos momentos. Depois de ter falado da Páscoa da Ressurreição e da Ascensão de Jesus como entrada na glória, Lucas descreve a manifestação do Espírito Santo, aos cinquenta dias depois da Páscoa, no Pentecostes (que significa “quinquagésimo dia”) (1ª leitura). Nesse dia, em que a religião de Israel comemora o dom da lei no monte Sinai, descem sobre os apóstolos como que línguas de fogo, para que eles proclamem o evangelho a todos os povos, representados em Jerusalém pelos romeiros da festa, que ouvem a proclamação cada qual em sua própria língua. Entre os primeiros cristãos, os de Corinto gostavam demais do “dom das línguas”, pelo qual eles podiam exclamar frases em línguas estranhas. Mas Paulo os adverte de que os dons não se devem tornar fonte de desunião. Os fiéis, com sua diversidade de dons, devem completar-se, como os membros de um mesmo corpo (2ª leitura). No milagre de Pentecostes, um fala e todos entendiam (em sua própria língua). No “dom das línguas”, ou glossolalia, corre-se o perigo de que todos falem e ninguém entenda. Por isso, Paulo prefere um falar que todos entendam (ler 1Cor 14). Nós hoje devemos renovar o milagre de Pentecostes: falar uma língua que todos entendem: a linguagem da justiça e do amor. É a linguagem de Cristo, e é uma “língua de fogo!” Aliás, o evangelho nos lembra que a primeira finalidade do dom do Espírito é tirar o pecado do mundo (Jo 20, 22-23). A linguagem do Espírito é a linguagem da justiça e do amor. Por outro lado, devemos reconhecer a enorme diversidade de dons no único “corpo” da Igreja. Somos capazes de considerar as nossas diferenças (pastorais, ideológicas etc.) como um mútuo enriquecimento? Colocamo-las em comum? O diálogo na diversidade pode ser um dom do Espírito muito atual. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas no site franciscanos.org.br

Ascensão do Senhor

Negar a realidade em nome da fé é blasfêmia e ofensa a Deus Frei Gustavo Medella “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade”. A pandemia do novo coronavírus vem mostrar ao mundo que o ser humano sabe muito menos do que imaginava saber. Todo acúmulo de informação proporcionado pelos avanços da ciência e da tecnologia não consegue dar conta de responder a questões que se impõem, alteram o ritmo da vida e causam grande desconforto: “Até quando vai esta pandemia? Por quanto tempo ficaremos privados de ações tão cotidianas e necessárias, como andar à rua, encontrar os amigos, trabalhar para ganhar o pão de cada dia? Como será o mundo depois deste ocorrido?” Todo mundo queria muito saber estas respostas mas, por enquanto, ninguém as tem. Neste contexto, a postura de fé deixada como herança por Jesus Cristo deve levar a pessoa que crê a um discernimento profundo e necessário diante da concretude dos fatos. Negar a gravidade da situação, desprezar a ciência, julgar-se inatingível porque protegido por Deus são atitudes de blasfêmia diante da proposta que Deus em Jesus Cristo apresenta à humanidade. No mistério de sua bondade infinita, o Senhor oferece o Espírito Santo, que não é uma redoma ou um campo de força que faz do crente um super-herói inatingível . Ao contrário, o grande dom do Espírito é a consciência que pela fé cada um pode alcançar de que, mesmo limitado, suscetível e frágil, somos profundamente amados e, neste amor, chamados a testemunhar a bondade de Deus presente em nós e entre nós. Este é o legado que Jesus nos deixa, junto com o Pai, pela força do Espírito Santo. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   Domingo da Ascensão, ano A  Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar de sua glória”. Leitura: At 1,1-11 Jesus foi levado aos céus, à vista deles. Lucas escreveu dois livros: o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Nestes livros ele divide a história da salvação em três tempos: a) o tempo da promessa é o Antigo Testamento até o final da atividade de João Batista; b) o tempo da realização da promessa, que é a vida pública de Jesus, desde o batismo até a ascensão ao céu; c) o tempo da Igreja, que se inicia com o dom do Espírito Santo. Na liturgia de hoje celebramos o término do segundo tempo: do batismo de Jesus até sua ascensão ao céu. No trecho da Palavra de Deus que acabamos de escutar Lucas lembra o seu primeiro livro, o Evangelho, onde escreveu sobre “tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar”. Isto é, desde o batismo de Jesus até o dia em que “foi elevado ao céu”. Mas esta frase também sugere que, no segundo livro, os Atos dos Apóstolos, vai falar daquilo que a Igreja, movida pela força do Espírito Santo, continuou a “fazer e ensinar”. O tempo da Igreja é inaugurado pelo próprio Jesus Ressuscitado, que durante quarenta dias instruiu os apóstolos sobre as “coisas referentes ao Reino de Deus”. Entre elas, Jesus recomenda que não se afastem de Jerusalém até receberem o Espírito Santo. Jesus ressuscitado estava falando com os discípulos sobre o Reino de Deus. Mas, os apóstolos e discípulos ainda lhe perguntavam: “Senhor, é agora que vais restabelecer o reino de Israel”? Em vez do reino de Israel Jesus lhes traça o programa do anúncio do Reino de Deus. Para cumprir a missão, primeiro deveriam receber o Espírito Santo, e depois: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins da terra”. A cena dos apóstolos fitando os céus, para onde Jesus era levado, introduz anjos que os chamam de volta à realidade da missão. Jesus vai voltar um dia, sim, mas agora é o momento de cumprir a ordem de executar a missão delineada por Jesus: Com a força do Espírito Santo, ser testemunha do Ressuscitado em Jerusalém, Judeia e Samaria, até os confins da terra (v. 8). Nos Atos Lucas mostra que a Igreja cresceu pela força do Espírito Santo. A nós, que recebemos o Espírito Santo, Jesus confia também esta mesma missão, até quando ele vier, para “julgar os vivos e os mortos” (Creio). Salmo responsorial: Sl 46             Por entre aclamações Deus se elevou,             o Senhor subiu ao toque da trombeta. Segunda leitura: Ef 1,17-23 E o fez sentar-se à sua direita nos céus. O Apóstolo nos convida a abrir o coração, para conhecer qual é a esperança que o chamado divino nos dá; qual é a riqueza de nossa herança com os santos e como é grande o poder exercido por Deus exerce nos que nele creem. A ascensão marca a glorificação de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus encarnado, que se fez servo “humilde e obediente, até a morte numa cruz. Foi por isso que Deus o exaltou…” (Fl 2,8-9; cf. Hb 5,7-9). Jesus Cristo conclui sua missão aqui na terra e nos concede a força do Espírito Santo, para cumprirmos nossa missão de anunciar e viver o seu evangelho. Aclamação ao Evangelho             Ide ao mundo, ensinai aos povos todos;             Convosco estarei, todos os dias,             Até o fim dos tempos, diz Jesus. Evangelho: Mt 28,16-20 Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra.  Quando as mulheres foram ver o túmulo de Jesus não encontraram o corpo de Jesus. Um anjo lhes explica que o túmulo estava vazio porque Jesus tinha ressuscitado. Mas elas deviam comunicar aos discípulos que Jesus ressuscitado queria encontrar-se com eles na Galileia, onde o veriam. Foi na Galileia dos gentios que “brilhou uma grande luz” quando Jesus iniciou sua pregação (Mt 4,15-16). Este encontro com o Ressuscitado foi marcado durante a última ceia. Jesus previu que todos o haveriam de abandar no momento da prisão. Mas reafirmou que, mesmo abandonado por todos, haveria de ressuscitar e iria até a Galileia para se encontrar com seus discípulos (Mt 26,32). De fato, o encontro com o Ressuscitado aconteceu num monte indicado por Jesus. Em Mateus, foi num monte que Jesus proclamou o resumo de sua mensagem no sermão das bem-aventuranças. Agora, é de um monte que Jesus envia os discípulos para a missão. Ao verem o Ressuscitado, os discípulos se prostraram, mas alguns ainda duvidavam. Jesus, no entanto, envia todos para a missão, também os que duvidavam: “Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo quanto eu vos ordenei”. Para se tornar cristão é preciso ter fé em Deus que é Pai, crer em Cristo seu Filho e no Espírito Santo que está conosco; é preciso ser ensinado e ensinar a observar tudo quanto Jesus ordenou. É preciso acreditar que não estamos cumprindo a missão sozinhos. Ele está e estará sempre conosco. Cristo é por excelência o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1,23). FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Vossa glória, Senhor, é mais alta que os céus! Frei Clarêncio Neotti Os evangelistas não deram grande importância ao fato histórico da Ascensão de Jesus ao céu. Mateus, cujo Evangelho lemos hoje, não fala dela; João faz uma vaga alusão (20,7); Marcos se refere a ela rapidamente (16,19). Quem dá pormenores é Lucas (24,50-52), sobretudo no seu segundo livro, que conhecemos com o nome de Atos dos Apóstolos (1,1-14), cuja narração lemos hoje como primeira leitura. Na visão dos evangelistas, a própria morte e ressurreição eram também a glorificação de Jesus. São muitos os textos que falam da glorificação, usando a expressão ‘sentar-se à direita de Deus’, que significa ‘receber todos os poderes’. Assim em Rm 8,34: “Cristo Jesus está à direita de Deus”; Cl 3, 1: “Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus”; Ef 1,20: “Deus o fez sentar-se à sua direita nos céus, acima de tudo o que tem nome, e pôs a seus pés todas as coisas”. No Apocalipse, promete-se a mesma glorificação aos que forem fiéis a Jesus e lhe abrirem a porta do coração: “Ao vencedor, concederei sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e me sentei com meu Pai em seu trono” (Ap 3,21). Uma alusão clara à glorificação da criatura humana na pessoa de Jesus glorioso. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Fazer discípulos de Jesus José Antonio Pagola Mateus descreve a despedida de Jesus traçando as linhas de força que hão de orientar para sempre seus discípulos, os traços que devem marcar sua Igreja para cumprir fielmente sua missão. O ponto de partida é a Galileia, para onde Jesus os convoca. A ressurreição não deve levá-los a esquecer o que viveram com Ele na Galileia. Foi lá que o ouviram falar de Deus com parábolas comovedoras. Lá o viram aliviando o sofrimento, oferecendo o perdão de Deus e acolhendo os mais esquecidos. É precisamente isto que eles devem continuar transmitindo. Entre os discípulos que rodeiam a Jesus ressuscitado há “crentes” e há aqueles que “vacilam”. O narrador é realista. Os discípulos “se prostram”. Sem dúvida querem crer, mas em alguns surge a dúvida e a indecisão. Talvez estejam assustados e não conseguem captar tudo que aquilo significa. Mateus conhece a fé frágil das comunidades cristãs. Se não contassem com Jesus, bem depressa a fé se apagaria. Jesus “se aproxima” e entra em contato com eles. Ele tem a força e o poder que a eles lhes falta. O Ressuscitado recebeu do Pai a autoridade do Filho de Deus com “pleno poder no céu na terra”. Se nele se apoiarem, não vacilarão. Jesus lhes indica com toda precisão qual há de ser a missão deles. Não é propriamente “ensinar doutrina” nem só “anunciar o Ressuscitado”. Sem dúvida, os discípulos de Jesus terão de cuidar de diversos aspectos: “dar testemunho do Ressuscitado”, “proclamar o Evangelho”, “implantar comunidades”… mas tudo deverá estar finalmente orientado para um objetivo: “fazer discípulos” de Jesus. Esta é a nossa missão: fazer “seguidores” de Jesus que conheçam sua mensagem, sintonizem com seu projeto, aprendam a viver como Ele e reproduzam hoje sua presença no mundo. Atividades tão fundamentais como o batismo, compromisso de adesão a Jesus, e o ensino de “tudo que foi mandado” por Ele são vias para aprender a ser discípulos. Jesus lhes promete sua presença e ajuda constante. Não estarão sós nem desamparados. Mesmo que sejam poucos. Nem que sejam só dois ou três. Assim é a comunidade cristã. A força do Ressuscitado a sustenta com seu Espírito. Tudo está orientado para aprender e ensinar a viver como Jesus e a partir de Jesus. Ele continua vivo em suas comunidades. Continua conosco entre nós curando, perdoando, acolhendo… e salvando. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   O Senhorio de Jesus e a Evangelização Pe. Johan Konings O início do livro dos Atos narra que, depois das últimas instruções aos discípulos, Jesus foi, diante dos olhos deles, elevado ao céu, para partilhar a glória de Deus (1ª leitura). Os donos deste mundo haviam jogado Jesus lá embaixo (se não fosse José de Arimateia a sepultá-lo, seu corpo teria terminado na vala comum ….). Mas Deus o colocou lá em cima, “à sua direita”. Deu-lhe o “poder” sobre o universo não só como “Filho do Homem” no fim dos tempos (cf. Mc 14,62), mas, desde já, através da missão universal daqueles que na fé a aderem a ele. Nós participamos desse poder, pois Cristo não é completo sem o seu “corpo”, que é a Igreja (2ª leitura). Com a Ascensão de Jesus começa o tempo para anunciá-lo como Senhor de todos os povos. Mas não um senhor ditador! Seu “poder” não é o dos que se apresentam como donos do mundo. Jesus é o Senhor que se tornou servo e deseja que todos, como discípulos, o imitem nisso. Mandou que os apóstolos fizessem de todos os povos discípulos seus (evangelho). Nessa missão, ele está sempre conosco, até o fim dos tempos. O testemunho cristão, que Jesus nos encomenda, não é triunfalista. É o fruto da serena convicção de que, apesar de sua rejeição e morte infame, “Jesus estava certo”. Essa convicção se reflete em nossas atitudes e ações, especialmente na caridade. Assim, na serenidade de nossa fé e na radicalidade de nossa caridade damos um testemunho implícito. Mas é indispensável o testemunho explícito, para orientar o mundo àquele que é a fonte de nossa prática, o “Senhor” Jesus. A ideia do testemunho levou a Igreja a fazer da festa da Ascensão o dia dos meios de comunicação social – a mídia: imprensa, rádio, televisão, internet. Para uma espiritualidade “ativa”, a comunidade eclesial deve se tornar presente na mídia – uma tarefa que concerne eminentemente aos leigos. Como é possível que num país tão “católico” como o nosso haja tão pouco espírito cristão na mídia, e tanto sensacionalismo, consumismo e até militância maliciosa em favor da opressão e da injustiça? Ao mesmo tempo, para a espiritualidade mais “contemplativa”, o dia de hoje enseja um aprofundamento da consciência do “senhorio” de Cristo. Deus elevou Jesus acima de todas as criaturas, mostrando que ele venceu o mal por sua morte por amor, e dando-lhe o poder universal sobre a humanidade e a história. Por isso, a Igreja recebe a missão de fazer de todas as pessoas discípulos de Jesus. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões são tiradas do site franciscanos.org.br

IPAR emite nota de pesar pela morte do Sr. Nonato Silva

O Instituto de Pastoral Regional (IPAR) Organismo da CNBB Regional Norte 2, vem por meio desta, externalizar sua solidariedade e condolências aos Familiares do Sr. Raimundo Nonato da Silva, e a Diocese de Bragança pela qual Raimundo Nonato desenvolvia um trabalho tão importante em diversos movimentos e pastorais. Este, ao longo de sua caminhada missionária contribuiu com grande zelo com a Igreja local, estendendo também no Regional Norte 2 com sua importante colaboração na Formação de lideranças cristãs e no Conselho do Laicato. A este nosso amigo, irmão e companheiro de caminhada a nossa eterna GRATIDÃO, porque fez de sua vida uma eterna oferenda a Deus. Nestes últimos anos, Nonato contribuiu nas assessorias do IPAR na área bíblica, no seminário do Laicato, sendo um sinal forte da presença de Deus, semeando o amor e a Palavra de Deus por onde passou. A família IPAR, se solidariza com toda a sua família, neste momento de dor e saudade. A todos as nossas eternas orações, pois nossa esperança está em Cristo Ressuscitado que nos fortalece e consola num momento como este. Acreditamos que junto de Deus, nosso irmão rogará por nós, ele que tão bem viveu sua vocação e missão nesta terra.Que sua presença fiel e servidora continue germinando novos frutos em nossa Igreja, semeando sementes de esperança, justiça e amor, de uma Igreja em saída, humana e fraterna. Com um grande abraço de todos os que fazem parte desta grande família que se chama IPAR. Que Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, interceda por todos nós neste momento de travessia, derramando suas bênçãos e graças neste chão amazônico. Ir. Vânia Carvalho Diretora Executiva

Nota de falecimento: Raimundo Nonato Felício da Silva

A Igreja da Diocese de Bragança foi surpreendida na tarde de ontem, 20, com a notícia da morte do Sr. Nonato Silva. Nonato Silva já estava internado em Belém, por conta de complicações causadas pelo coronavírus, havia alguns dias. Hoje cedo a Diocese de Bragança do Pará, por meio de seu Bispo Diocesano Dom Jesus Maria Berdonces, publicou uma nota de pesar pelo falecimento deste homem que tanto ajudou a Igreja de Bragança. Segue a nota: -------- A Diocese de Bragança vem manifestar o seu profundo pesar pelo falecimento do Senhor Raimundo Nonato Felício da Silva, “Nonato Silva”, Presidente do Conselho de Leigos e membro da Comissão de Justiça e Paz – CJP - ambos da Diocese de Bragança do Pará - ocorrido na última quarta-feira, 20, em Belém. Nascido em 7 de novembro de 1953, Nonato Silva tinha 66 anos e foi mais uma vítima do Coronavírus. Em sua trajetória, além de ex-vereador, ex-funcionário do Banco do Brasil, ex-radialista, Nonato Silva era um grande ativista dos movimentos sociais da Igreja de Bragança. Atuava vivamente na Pastoral Familiar, no Encontro de Casais com Cristo – ECC, Cursilho de Cristandade dentre outros. Pessoa simples e sempre disponível para ajudar, bem como cativar os amigos que tiveram a honra de contar com sua amizade. Nesse momento de dor olhemos para o Cristo ressuscitado razão de nossa esperança a quem Nonato Silva seguiu e amou durante sua vida e missão. Enviamos nossa saudação a todos os familiares e asseguramos as nossas orações pelo descanso eterno de Raimundo Nonato Felício da Silva. Em Cristo, Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces, OAR Bispo da Diocese de Bragança do Pará ----- Muitos movimentos e pastorais enviaram homenagens e condolências. A paróquia São Francisco de Assis, em Mãe do Rio, por meio de seu pároco e de seu vigário, também emitiu uma nota de pesar. Diz a nota: A Paróquia São Francisco de Assis em Mãe do Rio, através de todas as pastorais e movimentos, em especial a Pastoral Familiar, vem neste momento de dor e sentimentos, solidarizar-se com a família daquele que em vida foi conhecido como: "Nonato Silva", o qual também fez parte deste município, prestando seu serviço profissional como bancário e depois como igreja - cristão, na igreja diocesana de Bragança, veio contribuir muito com nossa paróquia, sempre ajudando e incentivando o nosso viver como leigos e como igreja. Queremos dizer que ele foi um grande semeador e construtor do Reino de Deus nestas terras mãerienses. Rogamos que a família seja confortada e acredite na vida que preparou com suas ações. Sejamos fortes e confiantes; Deus console cada membro de sua família, e nos fortaleça para vivermos nossa Fé! Abraços de todos os membros de movimentos e pastorais desta paróquia, junto com o seu clero. Pe. Francisco Ribeiro Pároco Pe. Jerônimo de Jesus Vigário

Vigília pelos mortos de Aids 2020

No terceiro domingo de maio, dia 17, a Pastoral da Aids da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoveu a Vigília Pelos Mortos de Aids, em todas as regiões episcopais, onde de forma on-line ou individual fizeram orações pelas pessoas que morreram com Aids. A Vigília é um movimento internacional que iniciou em maio 1983. Um grupo formado por mães, parentes e amigos de pessoas que morreram por causa do HIV, organizou, em Nova Iorque, a Primeira Vigília Pelos Mortos da Aids. Este ano a vigília trouxe o tema “No brilho da Luz, Fortalecer a Esperança”, expressão que coloca em comunhão as pessoas que faleceram e estão na presença de Deus, com aquelas que cuidam da vida e buscam que os direitos humanos sejam respeitados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que desde o início da epidemia, em 1981 cerca de 38 milhões de pessoas morreram de AIDS. No Brasil o Boletim Epidemiológico de 2019 mostra que 338.905 já faleceram por causa da Aids. A 37ª Vigília da Pastoral da AIDS conclama a todos a manterem acesa a chama da esperança, fortalecer a solidariedade, os laços fraternos, o espírito comunitário e o interesse público, colocando a vida humana em primeiro lugar. A Pastoral da AIDS, como serviço da Igreja Católica, segue os passos do mestre Jesus e sonha com a vida e saúde para todos. O sonho é que mais nenhuma pessoa se infecte com o vírus HIV e que todos os que já estejam infectados e vivem com AIDS, sejam acolhidos, acompanhados e com qualidade de vida garantida. “Eu vim para que todos tenham vida e que a tenham em abundância” diz Jesus. A ideia com a vigília é fazer memória aos mortos em consequência da AIDS, e suscitar nossa solidariedade as pessoas que vivem e convivem com o HIV, despertando toda a população para a prevenção. A igreja, mobilizada pela Pastoral da AIDS e por entidades comprometidas com a causa, dá sua contribuição promovendo a solidariedade. Lembra, ao mesmo tempo, que a morte não é a última palavra sobre o humano. Cristo ressuscitou para que transformemos os sinais de morte em sinais de vida. Neste ano, devido a COVID-19, as celebrações não tiveram aglomeração de pessoas. Foram usados contatos e mídias sociais para divulgar os materiais de campanha. No dia 17 de maio, às 19h, foi transmitida uma missa online, pelo Facebook da “Pastoral da Aids - Nacional” e/ou pelo canal da Pastoral da Aids no Youtube https://cutt.ly/QynvYDZ. A celebração permanece disponível nas duas redes sociais da Pastoral da Aids. Autor: Equipe de Comunicação Tirado do site: www.pastoralaids.org.br

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Hoje, 18 de maio, em todo a Brasil se realiza o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. Devido ao isolamento social a que estamos sujeitos, devido a pandemia que se espalha por todo o mundo, não será possível realizar as atividades programadas para lembrar essa data. Mas, de outras formas podemos nos posicionar contra o Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Uma forma de fazer isso foi apresentada pelas Irmãs Teresitas hoje pela manhã. As irmãs foram às redes sociais para gritar que não podemos aceitar esse tipo de situação. A postagem feita pela congregação é a seguinte: #18demaio : é nosso canto de hoje; é o nosso grito CONTRA O ABUSO E A EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA E ADOLESCENTE! Denuncie esse crime: Disque 100! Por isso o projeto Gente Nova! Eis nossa inserção, eis nossa causa. Há 20 anos estamos nessa campanha! O caso Araceli_1973 não é esquecido! Viva a infância e adolescência! Vem fazer bonito com a gente!??#facabonito#18demaio#serteresita Além do pequeno texto as irmãs produziram um pequeno vídeo, onde apresentam uma canção convidando todos aqueles que têm conhecimento de algum caso a denunciarem. Veja o vídeo logo abaixo. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará.

18 de Maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O dia 18 de Maio - “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, instituído pela Lei Federal 9.970/00, é uma conquista que demarca a luta pelos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes no território brasileiro e que já alcançou muitos municípios do nosso país. Esse dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que teve todos os seus direitos humanos violados, foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade. O crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje está impune. ​ Em 2020 se completam 20 anos da Lei Federal 9.970/00/ Imagem: Faça Bonito A proposta anual da campanha, que nesse ano comemora o 20º ano de mobilização, é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos de crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao seu desenvolvimento de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual. A violência sexual praticada contra crianças e adolescentes envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera as relações de gênero, de raça/etnia, de orientação sexual, de classe social, de geração e de condições econômicas. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais tanto pessoas e/ou redes utilizam crianças e adolescentes para satisfazerem seus desejos e fantasias sexuais e/ou obterem vantagens financeiras e lucros. Nesse contexto, a criança ou adolescente não é considerada sujeito de direitos, mas um ser despossuído de humanidade e de proteção. A violência sexual contra meninos e meninas ocorre tanto por meio do abuso sexual intrafamiliar ou interpessoal como na exploração sexual. Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, por estarem vulneráveis, podem se tornar mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo. Neste ano de 2020 o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 30 anos/ Imagem: Faça Bonito Queremos ressaltar a responsabilidade do poder público e da sociedade na implementação do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, na garantia da atenção às crianças, adolescentes e suas famílias, por meio da atuação em rede, fortalecendo o Sistema de Garantia de Direitos preconizado no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal 8.069/90) e tendo como lócus privilegiado os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente no âmbito dos estados e municípios. Lembrando ainda que em 2020 também comemoramos 30 anos de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)[1] e 20 anos de criação do Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Esse ano, mais uma vez em alusão ao dia, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e a Rede ECPAT Brasil vêm ressaltar a importância da mobilização e participação dos diversos setores nessa ação. No entanto, levando em consideração o contexto de pandemia em face do coronavírus (COVID-19) reformulamos nossas ações. As ações estão sendo reestruturadas para uma promoção exclusivamente online, considerando que não vamos incentivar as atividades de abordagem direta, eventos de conscientização, palestras, seminários presenciais, entre outras atividades que resultem em aglomeração de pessoas. É importante que enquanto rede possamos refletir sobre crianças e adolescentes que, por permanecerem em isolamento, muitas vezes com seu abusador (no caso da violência intrafamiliar), perderam seus laços de confiança mais comuns para a efetivação da denúncia, como professoras/es, médicas/os, cuidadoras/es, entre outros. Entendemos ainda que, com muitas crianças e adolescentes sem atividades rotineiras, a presença delas/es na internet se intensificará, e quando sem supervisão, tal presença pode ser prejudicada com o aumento do abuso e da exploração sexual pela internet. Além disso temos uma importante reflexão conjunta: “Como fazer com que os caminhos da denúncia cheguem nas crianças em isolamento, especialmente aquelas que não possuem acesso às novas tecnologias?”. Em relação às ações online temos sugestões iniciais para o mês, tais como: a) a articulação e incidência nas secretarias de educação para debate na semana do 18 de Maio, por meio da inserção do tema na grade de atividades de educação à distância; b) estimular debate nos meios de comunicação locais – TV, rádio, rádios comunitárias, sistemas de som comunitários/internos etc.; c) realização de reuniões e transmissões online sobre o tema envolvendo as redes locais, pais, professores etc.; d) realização de atividades online com crianças e adolescentes em períodos alternados, como contação de histórias, jogos online, leitura de textos e poesias, atividades musicais, debates pós exibição de filmes etc.; e e) convidar artistas e pessoas de referência locais para realizar transmissões online que abordem o tema. Propomos inicialmente esses temas e estratégias para reflexão e atuação nesse período, e também estamos constantemente recebendo novas indicações de trabalho conjunto. A adesão de municípios, setor privado e organizações sociais na mobilização ao longo dos anos tem sido um marco fundamental para garantir avanços na área do enfrentamento da violência sexual. Esperamos que mesmo em isolamento permaneçamos juntos no debate – família, educadores, sociedade civil, governos, instituições de atendimento, igrejas, templos, universidades, mídia – para assumirmos o compromisso no enfrentamento da violência sexual, promovendo e se responsabilizando para com o desenvolvimento de crianças e adolescentes de forma digna, saudável e protegida, livres do abuso e da exploração sexual. Como em todos os anos, as ações estarão divulgadas nas nossas redes, onde vocês também poderão indicar quais atividades estão promovendo em âmbito local. A flor símbolo da campanha, que todos os anos marca nossa articulação conjunta, também está disponível para livre utilização nas atividades promovidas no âmbito da campanha. Nesse 18 de Maio são 20 anos "fazendo bonito” na luta pelos direitos de crianças e adolescentes e nós estamos dispostos a continuar nos mobilizando sobre isso. Esperamos que você também esteja! Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e Rede ECPAT Brasil ​ ---------------------- [1] O ECA foi instituído pela Lei 8.069, de 1990, e regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal. O Estatuto é o principal instrumento normativo do Brasil sobre os direitos da criança e do adolescente, incorporou os avanços preconizados na Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas (1989) e trouxe o caminho para se concretizar o Artigo 227 da Constituição Federal, que determinou direitos e garantias fundamentais a crianças e adolescentes. Tirado do site Faça Bonito. Veja muito mais aqui: www.facabonito.org.br

Sexto domingo da Páscoa

O caminho de uma Evangelização fecunda e transformadora Frei Gustavo Medella “Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência” (1Pd 3,15-16a). Na exortação de São Pedro, orientações preciosas acerca da Missão Evangelizadora da Igreja, da qual todos os batizados e batizadas são participantes. Primeiro, a origem: Jesus Cristo que toca e santifica o coração daqueles que n’Ele creem. O evangelizador não anuncia uma ideia, um conceito, uma escola de pensamento nem uma doutrina. Muito menos anuncia a si mesmo. Ele é porta-voz de um encontro amoroso entre Deus e a humanidade. É deste mistério de generosidade que nasce o anúncio do Reino, que não se faz apenas pela voz, mas, principalmente, pelas atitudes e pelo testemunho. Em segundo lugar, o conteúdo, aqui denominado por São Pedro como as “razões da esperança”. O evangelizador é aquele que teimosamente cultiva e apresenta uma postura esperançosa e esperançada que se destaca pela capacidade de conferir a tudo o que acontece um sentido pascal, que aposta na capacidade infinita do Senhor de, até mesmo diante de circunstâncias más e difíceis, fazer surgir o bem. A terceira orientação diz respeito aos destinatários. No caso, aqueles que pedem a esperança anunciada pelo evangelizador. Importante salientar que “pedir” neste caso não se reduz a solicitar através de palavras. Existem outras manifestações que indicam o quanto aquela realidade está carente de esperança. E, se o pedido nem sempre é feito em palavras, assim também este anúncio muitas vezes deve ser feito por ações de socorro, cuidado e atenção, silenciosamente. Por último, o modo de Evangelizar, “com mansidão, respeito e com boa consciência”. Vociferar alguns versículos da Bíblia, adotar uma postura preconceituosa, prometer sucesso financeiro ou material para encher o próprio bolso, incitar o ódio e o preconceito são práticas que em nada se relacionam ao autêntico anúncio do Evangelho. Obrigado, São Pedro, pela sabedoria de, em tão poucas palavras, nos apresentar o caminho de uma Evangelização fecunda e transformadora. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   6º Domingo da Páscoa, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus, OFM  Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos celebrar com fervor estes dias de júbilo em honra do Cristo ressuscitado, para que nossa vida corresponda sempre aos mistérios que recordamos”. Primeira leitura: At 8,5-8.14-17 Impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. Antes da ascensão ao céu, Jesus reforça a promessa da vinda do Espírito Santo e comunica o plano de evangelização a ser seguido: “Recebereis… o Espírito Santo… e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8). Na missão de Jerusalém se destacam as figuras de Pedro e João; na Judeia e Samaria, Filipe, Pedro e João; e na missão aos “confins da terra”, Barnabé e Paulo. Em Jerusalém e na Judeia se convertem judeus de língua aramaica e, depois, judeus de fala grega. A força que impulsiona a missão é o Espírito Santo, derramado sobre a Igreja. É o Espírito Santo que leva Pedro a pregar corajosamente o evangelho em Jerusalém. Leva Estêvão a pregar aos judeus de língua grega, Filipe a pregar ao camareiro etíope (pagão) e a levar o evangelho aos samaritanos. Os samaritanos, que só aceitam o Pentateuco, acolhem com alegria o anúncio de Jesus Cristo; depois, pela imposição das mãos de Pedro e João, recebem o Espírito Santo. É o Espírito Santo que leva Pedro a pregar o evangelho para a família de Cornélio, em Cesareia Marítima. É o Espírito que reúne numa só família a Igreja formada por judeus de língua aramaica e de língua grega, samaritanos e pagãos convertidos. Salmo responsorial: Sl 65 Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso. Segunda leitura: 1Pd 3,15-18 Sofreu a morte em sua existência humana, mas recebeu nova vida no Espírito. O autor da epístola exorta os cristãos perseguidos por causa de sua fé em Cristo a darem razões de sua esperança. Isso deve ser feito “com boa consciência”, isto é, sem polêmicas, com mansidão e respeito pelos que não creem. Para uma testemunha de Cristo (mártir) “será melhor sofrer praticando o bem… do que praticando mal”. O modelo a seguir é sempre Cristo, que “sofreu na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito”. O exemplo dado por Cristo é a razão da esperança cristã. Aclamação ao Evangelho Quem me ama realmente guardará minha palavra,  e meu Pai o amará, e a ele nós viremos. Evangelho: Jo 14,15-21 Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Defensor. No Evangelho, continuamos escutando o discurso de despedida de Jesus. Domingo passado (Jo 14,1-12) a insistência era nas palavras “crer, acreditar e confiar” (seis vezes). Provocado pelas intervenções de Tomé e Filipe, Jesus explicava aos discípulos sua relação com o Pai. O texto de hoje insiste no verbo “amar” (cinco vezes). Jesus vai separar-se fisicamente dos seus discípulos, mas não os deixará órfãos (v. 18). Pedirá ao Pai, que lhes dará um Defensor, o Espírito Santo, para que permaneça sempre com eles. O Espírito Santo é o Defensor ou Advogado do cristão, quando deverá dar testemunho de sua fé diante dos tribunais: “Quando vos levarem diante das sinagogas, dos magistrados e das autoridades, não vos preocupeis como, ou o que, haveis de responder; porque nessa hora o Espírito Santo ensinará o que deveis dizer” (Lc 12,11-12). A condição é o amor: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos (Jo 14,15.21). Pelo amor conheceremos o Espírito da Verdade, “porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós”. A presença física e mortal de Jesus é substituída pela presença da Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, naqueles que o amam e observam seus mandamentos: “Se alguém me ama, guarda a minha palavra; meu Pai o amará, viremos a ele e nele faremos morada” 14,23). Os mandamentos de Cristo se resumem no amor, vivido com os irmãos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. 13,34). Quando o cristão, animado pelo Espírito Santo, vive o amor ao próximo torna viva a presença do amor de Deus no meio dos irmãos. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Jesus pede uma prova de amor Frei Clarêncio Neotti Duas vezes, hoje, Jesus afirma que amá-lo e guardar seus preceitos é a mesma coisa (vv. 15 e 21). No trecho do domingo passado, falava-se muito em crer, ter fé. Hoje, acentua o amar e ser amado. Acentuação que continua no verso 23 e na aclamação do Evangelho: “Quem me ama guarda minha palavra, e meu Pai o amará”. Não é difícil perceber o nexo entre ter fé e amar. Ele é tão forte quanto a reciprocidade entre amar e ser amado. Podemos dizer de cada ser humano que sua história é a história de seu amor. Santo Agostinho escreveu: “Meu amor é meu peso, por ele sou levado aonde quer que eu vá. Assim como os corpos se movem pela gravidade, o homem tem por gravidade própria o seu amor, que é a força que o impulsiona em todas as suas tarefas e empresas”. Não se ama a Deus, se não se observam seus mandamentos. No verso 23 se fala em observar a palavra de Deus. Por mandamento ou palavra compreendem-se os 10 mandamentos de Moisés (que Jesus não aboliu, mas reforçou), todos os ensinamentos e o próprio exemplo de Jesus. Não podemos fazer muita distinção entre a pessoa e o ensinamento de Jesus. Cremos em sua palavra e cremos em seus ensinamentos, que têm força divina (1 Cor 1,18), que agem em nós (Hb 4,12 e 1 Ts 2,13), são espírito e vida (Jo 6,63) e não se distinguem dos ensinamentos do Pai (Jo 14,24). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” Frei Almir Guimarães Os cristãos são narradores da esperança. Luciano Manicardi ♦ Estamos vivendo as alegrias da Páscoa. Cinquenta dias nos são propostos para aprofundar esse evento único: aquele Jesus que percorreu nossos caminhos e que se entregou livremente nas mãos dos que lhe tiraram a vida, vive. Vive do que chamamos de vida eterna, vida com a Vida no Pai. Não se trata ter o mesmo corpo reanimado. A humanidade de Jesus foi assumida na glória do Pai. Não ocupa mais os espaços físicos do mundo, mas é capaz de passar por portas fechadas. Durante semanas, a liturgia da Igreja nos pede a delicadeza de ouvir esses antigos relatos que esquentam o coração e nos falam da presença do Senhor. O Espírito vem em nosso socorro. ♦ Uma das mais doloridas experiências que os humanos podem fazer é, seguramente, a da orfandade. Crianças, adolescentes e jovens que, por diferentes razões, perdem o pai e/ou a mãe experimentam uma punhalada: perdem carinho, apoio, nutrimento pela vida, confiança, esperança. Nada substitui completamente os pais. Multiplicam-se sentimentos de solidão, abandono, insegurança. Os apóstolos ao sentirem a iminência da partida de Jesus ficam atônitos. Jesus afirma que não os deixará órfãos. ♦ “Eu virei a vós…”. Trata-se da vinda do Espírito, alma da comunidade, força, água, energia, fogo. Esse Espírito o mundo não é capaz de receber. Receberão os discípulos do Senhor que não querem errar o Caminho. Haverão de suplicar essa força como vento e calor, como fogo e refrigério. Jesus afirma que esse Sopro será enviado por ele e pelo Pai. Na hora das decisões, nos momentos de reflexão sobre o amanhã do mundo, da comunidade e de nossa vida pessoal não estaremos em estado de orfandade. Ele estará dentro de nós. Luciano Manicardi afirma que os cristãos são “narradores da esperança”. ♦ “Como é descrito o Espírito? Vem descrito como um fogo, como um sopro enérgico, uma luz, um ânimo, um desassombro, um alento que nos faltava para podermos ser. Essa imagem, que é também uma experiência do Espírito que, penso, todos fazemos – pois em algum momento sentimos que a amizade com Deus nos atravessa de uma forma total – conduz-nos certamente à verdade de Deus, mas descrevendo-a como experiência de plenitude” (José Tolentino Mendonça, Nenhum caminho será longo, Paulinas, p. 56). ♦ “Quem me ama, será amado por meu Pai e eu o amarei e manifestarei a ele”. Amar Jesus. Ter em mente esse Jesus ressuscitado. Esse que percorreu os caminhos dos homens e vive. Desde nossa mais terna infância o “conhecemos”. Quem sabe ao longo do tempo da vida fomos nos aproximando dele ou ele querendo aproximar-se de nós. Na candura de nossa fé o acolhemos. Convicção de que ele vive. Fomos afirmando nossa adesão a ele… “A quem iremos?”. Cremos não apenas que ele vive, mas acreditamos que o caminho que ele andou traçando é aquele que abraçamos, apesar de falhas e do pecado. Tentamos estar com Jesus na eucaristia de todos dias. Sabemos que ele anda marcando encontros conosco nos mais abandonados. Queremos, nem sempre conseguindo, dizer com São Paulo que para nós viver é Cristo. Amamos o Senhor, queremos ama-lo. Temos fé que assim ele se nos manifestará. O que é, de fato, amar a Jesus? Fazer nossa a sua causa. Simplesmente. Gastar o tempo da vida por ele e seus sonhos. Texto para reflexão Precisamos  que alguém nos faça lembrar  a verdade de Jesus.  Se  a esquecermos, não saberemos  quem somos  nem o  que estamos chamados a ser.   Vamos desviar-nos sempre de novo do Evangelho e defender em seu nome causas e interesses que pouco têm a ver  com ele. Vamos desfigurando a verdade , ao mesmo tempo  em que achamos estarem posse dela.  E preciso que o  Espírito ative nossa memória de Jesus,  sua presença viva,  sua imaginação criadora.   Não se trata de despertar uma  lembrança do passado:  sublime, comovente, entranhável, mas  sempre uma lembrança.  O que   Espírito do Ressuscitado  faz conosco é  abrir nosso coração ao encontro com    Jesus como  alguém vivo. Só esta relação afetiva e cordial  com Jesus  Cristo  é capaz de transformar-nos   e gerar em nós uma maneira  nova de ser e de viver. (Pagola,  João,  p.201). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Ao modo de Jesus José Antonio Pagola Jesus está se despedindo de seus discípulos. Ele os amou apaixonadamente, com o mesmo amor que o Pai o amou. Agora tem que deixá-los. Conhece o egoísmo deles. Não sabem amar-se mutuamente. Jesus os vê discutindo entre si para obter os primeiros postos. O que será deles? As palavras de Jesus adquirem um tom solene. Hão de ficar bem gravadas em todos: “Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Jesus não quer que seu modo de amar desapareça entre os seus. Se um dia o esquecerem, ninguém poderá reconhecê-los como discípulos seus. De Jesus permaneceu uma lembrança inapagável. As primeiras gerações assim resumiam sua vida: “Passou por toda parte fazendo o bem”. Era bom encontrar-se com Ele, pois buscava sempre o bem das pessoas, ajudava a viver. Sua vida foi uma Boa Notícia. Nele se podia descobrir a boa proximidade de Deus. Jesus tem um modo de amar inconfundível. É muito sensível ao sofrimento das pessoas. Não pode passar ao largo de quem está sofrendo. Um dia, ao entrar na pequena aldeia de Naim, encontrou-se com um enterro: uma viúva em pranto estava levando seu filho único à sepultura. Do íntimo de Jesus brota seu amor por aquela desconhecida: “Mulher, não chores”. Quem ama como Jesus vive aliviando o sofrimento e secando lágrimas. Os evangelhos lembram em diversas ocasiões como Jesus captava com seu olhar o sofrimento das pessoas. Olhava-as e se comovia: via-as sofrendo ou abatidas, como ovelhas sem pastor. Rapidamente se punha a curar as pessoas mais enfermas ou a alimentá-las com suas palavras. Quem ama como Jesus, aprende a olhar os rostos das pessoas com compaixão. É admirável a disponibilidade de Jesus para fazer o bem. Ele não pensa em si mesmo. Está sempre atento a qualquer chamado, disposto a fazer o que pode. A um mendigo cego que lhe pede compaixão enquanto vai passando, Ele o acolhe com estas palavras: “O que queres que faça por ti?” Com esta atitude anda pela vida quem ama como Jesus. Jesus sabe estar junto dos mais desvalidos. Nem precisam pedir-lhe e Ele faz o que pode para curar suas doenças, libertar suas consciências ou transmitir sua confiança em Deus. Mas não pode resolver todos os problemas daquela gente. Então se dedica a fazer gestos de bondade: abraça as crianças da rua: não quer que ninguém se sinta órfão; abençoa os enfermos: não quer que se sintam esquecidos por Deus; acaricia a pele dos leprosos: não quer que se vejam excluídos. Assim são os gestos de quem ama como Jesus. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   A iniciação cristã e a crisma Pe. Johan Konings Continuando nossas reflexões sobre o batismo, consideramos hoje o sacramento da crisma. Antigamente, o dia da crisma era um dia muito especial para as comunidades, quando o bispo vinha “confirmar” as crianças (hoje, muitas vezes, é o vigário episcopal que faz isso). De onde vem esse costume? Na 1ª leitura lemos que o diácono Filipe batizou novos cristãos na Samaria. Depois, vieram os apóstolos Pedro e João de Jerusalém para confirmar os batizados, impondo-lhes as mãos, para que recebessem o Espírito Santo. Assim, os apóstolos predecessores dos bispos, completaram e “confirmaram” o batismo. Como “alicerces” da Igreja, os apóstolos garantem aos recém-batizados o dom do Espírito, que lhes foi confiado por Cristo (evangelho) e expressam a unidade das igrejas (no caso, a de Jerusalém e a de Samaria). A confirmação do batismo pela imposição das mãos do bispo – sucessor dos apóstolos – tornou-se o sacramento da crisma: completa o batismo e realiza o dom do Espírito Santo. Chama-se “crisma”, isto é, “unção”, porque o bispo unge a fronte do crismado em sinal da dignidade e vocação do cristão. Antigamente era administrado na mesma celebração do batismo e da eucaristia, que com a crisma constituem a “iniciação cristã”. Quando se introduziu o costume de batizar as crianças, a confirmação e a eucaristia ficaram para um momento ulterior, geralmente no início da adolescência, pelo que a crisma adquiriu o significado de “sacramento do cristão adulto”. O adolescente ou jovem é confirmado na sua fé, pelo dom do Espírito. Agora, ele terá de assumir pessoalmente o que, quando do batismo, os pais e padrinhos prometeram em seu nome. Pois a fé pode ser exigente (2ª leitura). Para a comunidade, a celebração da crisma significa também a unidade das diversas comunidades locais na “Igreja particular” ou diocese, graças à presença do bispo ou do vigário episcopal. O evangelho de hoje nos ensina algo mais sobre o Espírito que Jesus envia aos seus. Muitos imaginam o Espírito de modo sensacionalista. Ora, Jesus envia o Espírito para que os fiéis continuem sua obra no mundo. Pois o lugar de Jesus “na carne” era limitado, no tempo e no espaço, e os fiéis são chamados a ampliar, com a força do Espírito-Paráclito, a sua obra pelo mundo afora. É este o sentido profundo da crisma, que assim completa nosso batismo. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

PARA ALÉM DAS PANDEMIAS, TENDE CORAGEM

A humanidade já venceu diversas pandemias que desafiaram nossa fé, nossa ciência e nossa capacidade de organização sociopolítica. Mas, na contemporaneidade nos deparamos com duas Pandemias que acendem o sinal de alerta: AIDS E COVID-19. Geralmente, é em momentos-limite de dor ou medo que nossa fé é provada, que nosso sistema é posto em “cheque”. São oportunidades de revisar a vida, é mais um tempo de conversão. A ressureição de Cristo já aconteceu, contudo muitos persistem na pouca fé. Porém, Jesus permanece em nosso meio a repetir: “No mundo tereis aflições. Mas, tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33). Há alguns meses nos deparamos diante da covid-19. Mas, a Pandemia da Aids precede ao novo coronavírus. E os conselhos preventivos são diversos, entretanto, muitos permanecem teimosos, duvidosos, insensíveis. Falta de fé? Ausência de Compaixão, empatia, alteridade? Talvez! A Igreja, sempre materna, orienta aos fiéis, para ser e estar ao lado dos que mais sofrem, os pobres. Tal prática é uma constante, seja no enfrentamento da covid-19 ou de outros temas que desafiam nossa vida pastoral. Por isso, nasceram a Campanha da Fraternidade no Brasil e as Pastorais Sociais na CNBB. São diversos os serviços organizados para uma ação sociotransformadora, prática da dimensão social da fé que constrói o Reino de Justiça e Paz. Dentre os serviços da Igreja Católica, está a Pastoral da Aids – com o objetivo de “Evangelizar, de forma solidária, promovendo a vida como bem maior por meio de ações de prevenção, incidência política, acompanhamento de pessoas que vivem e convivem com HIV, contribuindo no enfrentamento da epidemia do HIV, do estigma e da discriminação”. A aids é uma pandemia iniciada nos anos 80. Já temos controle biomédico do vírus HIV, agente causador da aids. Mas, a pandemia persiste. Pois, a aids é uma realidade biopsicossocial. Ou seja, envolve o biológico, o psicológico e o social. São saberes que precisam caminhar juntos com eficiência. Com isso, a Pastoral da Aids soma forças juntamente a outras Organizações da Sociedade Civil, que dialogando com o governo, traçam estratégias na luta contra Aids. E você faz parte deste projeto em favor da vida! Desde o ano de 2002, a Pastoral da Aids está organizada a nível nacional, presente em todos os regionais da CNBB e presidida por Dom Eugênio Rixen. É um grande desafio lidar com pandemias, mas a Pastoral da Aids tem muito a colaborar nestes 18 anos de experiência. Que isto sirva de luz para iluminar nosso caminho marcado com a covid-19. Na CNBB – Regional Norte 2, Pará e Amapá, a Pastoral da Aids atua desde de 2004. Com mais de 15 anos de serviço na Amazônia, e atualmente acompanhada por Dom Irineu Roman, buscamos desenvolver diversas estratégias de prevenção ao HIV e acompanhamento das pessoas infectadas em suas complexas realidades seja no campo ou na cidade. Orientação para testes de HIV. Ação pastoral em Abaetetuba. (Enfermeira Ana Pontes, Agente da Pastoral da Aids e usuário do SUS). De 1980 a junho de 2019, cerca de 37,9 milhões de pessoas no mundo vivem com HIV. O Brasil tem registrado, até dezembro de 2019, 900 mil pessoas com HIV: 594 mil fazem tratamento com antirretroviral e 554 mil não transmitem o HIV. E segundo o Ministério da Saúde “135 mil pessoas no Brasil convivem com o vírus HIV e não sabem”. O Pará lidera os casos de gestantes infectadas por HIV, que somam 4.379 casos. E os casos de Óbidos já são mais de 10.000. O Estado também lidera o ranking da região norte nos casos de HIV, que entre os anos de 1980 a 2019, somam 28.655. Comparando as Unidades Federativas, o Amapá é o segundo Estado com maior índice composto, e o Pará é o terceiro. Belém, por sua vez, é a segunda capital no Brasil com maior número de casos de HIV notificados. Apesar desta realidade desafiadora, acreditem: seria bem pior se não houvessem trabalhos comprometidos com a promoção da vida, como a Pastoral da Aids. Mesmo durante o isolamento social horizontal, reconhecido dentre as diversas práticas de prevenção combinada ao covid-19, nossos trabalhos pastorais continuam pelos meios virtuais. Buscamos sensibilizar as pessoas para o fato de que os impactos sociais não são iguais para todas as estratificações sociais, para os diversos grupos de pessoas. Por tanto, a população que vivem com HIV é uma das que são mais expostas a situações de vulnerabilidades diante da covid-19. E para construir novos tempos, buscamos fortalecer nosso trabalho profético e solidário: no aconselhamento e incentivo ao diagnóstico precoce; no acompanhamento das pessoas que vivem com HIV – PVHIV (atualmente acompanhamos 1.400 pessoas oriundos das (arqui)dioceses de Belém, Abaetetuba, Castanhal, Bragança, Marabá, Santarém e Itaituba); na distribuição de cestas básicas (média de 50 por mês pelo projeto “Vertical” em Santarém e Itaituba); na campanha do leite (média de 200 crianças soropositivas beneficiadas em Parauapebas); nas lives (in)formativas partilhadas na mídias sociais. Até o momento, realizamos três edições de lives, conversais virtuais mediadas pelo agente de pastoral, Eduardo da Amazônia, e intituladas “Pastoral da Aids em tempos de coronavírus”. As transmissões foram realizadas as quartas-feiras, e teve como objetivo abordar o tema do HIV num cenário de pandemia, com um envolvimento direto de cerca de 2 mil pessoas. A primeira, realizada no dia 08 de abril, teve como convidada a médica infectologista Dra. Helena Brígido que vem atuando desde o início da aids e atualmente também está envolvida no enfrentamento do coronavírus no Pará. Diego Calisto foi o segundo convidado no dia 15 de abril. O jovem que vive com HIV e foi diagnosticado com COVID-19, contou um pouco sobre as situações biopsicossociais vividas durante o período que esteve com coronavírus e alguns estigmas comuns na soropositividade. Na terceira transmissão, Maria das Graças e Francisco Crisóstomo (Thiesco), ambos da equipe técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, abordaram sobre solidariedade ativa e direitos humanos com enfoque me Saúde. Sobre o enfrentamento da Pandemia causada pelo Covid-19, partilhamos as seguintes luzes: Reze todos os dias – louvando, agradecendo e pedindo o fim da pandemia da Aids e da covid-19; Ouça o que diz a Organização Mundial da Saúde e demais organizações competentes; Cuide bem de você e de todos que você ama; Não haja com preconceito, discriminação ou prejulgamento; Só compartilhe informações confiáveis; Seja solidário e fraterno. Compaixão também se aprende; Celebre a beleza de cada dia; Guarde a memória dos que morreram de Aids e de Covid-19; Participe dos espaços de decisão das políticas públicas de saúde; Defenda o Sistema Único de Saúde; Valorize todos os profissionais que estão na linha de frente durante o isolamento social e que atuam na equipe multidisciplinar na luta contra Aids; Ajude a sustentabilidade pessoal e financeira das Organizações da Sociedade Civil; Reflita e perceba que tipo de lição as Pandemias tem a te ensinar. No mais, não há mal que dure eternamente! Renovemos nossa fé no ressuscitado para que “todos tenham vida, e vida em abundância!” (Jo, 10,10). Na certeza de que a Rainha da Amazônia, Nossa Senhora de Nazaré, caminha ao nosso lado na alegria ou na dor. Por Eduardo da Amazônia e Francisco Araújo, OFS ••• Confira as lives já transmitidas. Pastoral da Aids em tempos de coronavírus Dia 08 de abril: https://www.facebook.com/pastoralaidsn2/posts/1962255743899359 Dia 15 de abril: https://www.facebook.com/pastoralaidsn2/videos/697905754359452/ Dia 22 de abril: https://www.facebook.com/pastoralaidsn2/videos/704338790342605/ Tirado do site da CNBB N2

5º Domingo da Páscoa

Uma multidão e um só coração Frei Gustavo Medella “Não se perturbe o vosso coração” (Jo 14,1). Coração perturbado, inquieto, inseguro, ferido, machucado… Coração que procura alento, repouso, sentido… Cabe notar que Jesus se dirige a muitos, mas usa o termo “coração” no singular. “A multidão dos fiéis era um coração e uma só alma” (At 4,32). É na unidade solidária que o coração humano encontra a paz de que tanto necessita. É na unidade congregada pela fé que Jesus a promete, conforme apresenta o Evangelho deste 5º Domingo do Tempo Pascal. No atual momento da humanidade, a lógica do “salve-se quem puder”, do “levar vantagem a qualquer preço”, do “importar-se somente consigo” mostra-se estéril, ineficaz e destruidora. Mesmo quem é multimilionário e se julga seguro no bunker de seus luxos e caprichos, mais dia menos dia terá de lidar face a face com o desespero de sua finitude, constatando a duras penas que o dinheiro compra muita coisa, mas não compra tudo. Por mais poderosos que se julguem, suas vidas poderão, na próxima esquina, estar na dependência de gente simples, auxiliares de enfermagem, por exemplo, que recebem a vida inteira aquilo que estes são capazes de lucrar num dia ou num negócio realizado durante um almoço. Seus entes queridos que falecem, transportados por homens mal remunerados que se arriscam na realização dos sepultamentos que ocorrem num fluxo ininterrupto. Gente muito importante a quem nem sempre se dá importância. A consolação oferecida por Jesus, ao contrário, atua e cresce em ambientes onde a corresponsabilidade caridosa se faz uma regra, onde cada um faz sua parte em benefício do todo, colocando-se a serviço não por prêmio ou reconhecimento, mas porque encontra o tesouro que Jesus deixou como herança no exemplo do Lava-Pés. Já está mais do que claro que o mercado, a meritocracia e a especulação financeira não têm o que dizer num cenário pandêmico e desestruturante que a humanidade está vivendo. Acreditar em Jesus e confiar na garantia de paz que ele oferece significa, portanto, converter o coração e mudar a perspectiva, retomando a convicção que a vida humana não se resume em nascer, crescer, ganhar, acumular, dominar e morrer e que este itinerário torna-se uma grande ilusão se não se deixa impregnar pela força dos verbos amar e servir. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   5º Domingo da Páscoa Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna”. Primeira leitura: At 6,1-7 Escolheram sete homens repletos do Espírito Santo.  Lucas fala de uma Igreja que cresce, movida pelo Espírito Santo. Não são apenas judeus da Palestina que se convertem, mas também judeus de língua grega, além de pagãos convertidos ao judaísmo (prosélitos). O crescimento provocou uma crise interna de organização. As viúvas de origem grega eram mal atendidas na comunidade. No entanto, fez surgir também um novo ministério, o dos diáconos, encarregados de cuidar dos pobres de origem grega. Para resolver a questão, foram escolhidos sete homens de origem grega. Homens de boa fama, sabedoria e fé, cheios do Espírito Santo. Foram apresentados aos apóstolos, que lhes impuseram as mãos e oraram sobre eles. Surgiu, assim, um novo ministério (serviço) para melhor atender as viúvas de origem grega. Para justificar a criação dos diáconos, Pedro disse: “Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. Na prática os cristãos de língua grega passam a formar uma comunidade própria, sob a liderança dos diáconos. Alguns diáconos, como Estêvão e Filipe, além de cuidar das viúvas, começaram a pregar com entusiasmo o evangelho (At 6,8–7,60; 8,4-40). Com isso cresceu muito o número de cristãos em Jerusalém e na Samaria. – É como o Papa Francisco disse: Prefiro uma Igreja que caminha e leva tombo a uma Igreja parada… que não cresce! Salmo responsorial: Sl 32 Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça da mesma forma que em vós nós esperamos. Segunda leitura: 1Pd 2,4-9 Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino. O autor desta carta, atribuída ao apóstolo Pedro, escreve para as comunidades cristãs do nordeste da Ásia Menor. Os cristãos eram vítimas de hostilidades, calúnias e desprezo por parte dos pagãos. O autor quer reavivar a fé no Senhor Jesus e elevar sua autoestima como cristãos. Exorta-os a se aproximarem de Jesus, a pedra viva rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus como a pedra principal. Sobre ela o Pai quis fundar a sua Igreja (cf. Mt 16,13-20). Os cristãos, perseguidos e desprezados, assemelham-se a Cristo, a pedra viva rejeitada pelos homens. Formam um edifício espiritual e oferecem um sacrifício espiritual, que envolve toda a vida de sofrimentos e, junto com Cristo se torna agradável a Deus. Quem acolhe a Palavra, proclama a Cristo que nos chama à sua luz maravilhosa.  Aclamação ao Evangelho: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim. Evangelho: Jo 14,1-12 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. No domingo passado Jesus se apresentava como a porta que dá acesso ao Pai e como o bom pastor, capaz de dar a própria vida para que todos tenham vida em abundância. Hoje o texto nos dá a razão porque Jesus é a única porta de acesso ao Pai: Porque Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. O início do texto interpreta o evento pascal, mas em termos de espaço e tempo: Jesus morre, mas não permanece no túmulo e, sim, “volta à casa do Pai”. Ao dizer: “Para onde eu vou, vós conheceis o caminho”, provoca a pergunta de Tomé: “Não sabemos para onde vais. Como poderemos conhecer o caminho?” – Tomé é o discípulo disposto a seguir Jesus no “caminho” para Jerusalém, onde Ele haveria de morrer, e diz a seus companheiros: “Vamos nós também para morrermos com ele” (cf. Jo11,7-16). – Na resposta que Jesus dá não fala mais em “casa do Pai” como algo fora da pessoa, mas de algo existencial, muito próximo e imediato: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Na pessoa de Jesus a distância física e temporal com o Pai é eliminada e substituída pela presença existencial de Deus em sua pessoa e em seus discípulos. Basta conhecer a Jesus para conhecer o Pai. Então Filipe – o único discípulo que Jesus chama diretamente para segui-lo (cf. Jo 1,43-44) – fica impaciente e diz: “Mostra-nos o Pai e isso nos basta”! E Jesus responde: “Há tanto tempo estou convosco, e não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim”? Na resposta, Jesus insiste três vezes que é preciso ter fé, acreditar. Quem crê em Jesus – Caminho, Verdade e Vida – reconhece o rosto, as palavras e as obras do Pai, que, em Jesus são a fonte da Vida. Moisés queria ver o rosto de Deus: “Deixa-me ver a tua glória” (Ex 32,23), e Deus lhe responde que isso era impossível, pois morreria; só podia “ver Deus pelas costas”, isto é, pelos sinais de alguém que “passou”. Pela fé em Jesus, agora é possível “ver o rosto de Deus Pai”. Não é necessário esperar o fim do mundo para “ver” seu rosto. A presença de Jesus ressuscitado se manifesta agora nas palavras e obras dos fiéis que, animados pelo Espírito Santo, vivem o amor (cf. Jo 14,15-26). FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Jesus e a Criatura humana: um mesmo destino Frei Clarêncio Neotti É bonito ver como na Última Ceia Jesus procura consolar e animar os Apóstolos. A eles diz: “Não se perturbe o vosso coração” (v. 1). Repete a mesma frase em 14,27. Mas o grande consolo está na promessa: “Voltarei novamente” (v. 3). Jesus a repete em 14,18; 14,28 e 16,22. Nas primeiras comunidades cristãs, que não tinham visto Jesus com os olhos, a esperança de sua volta imediata era intensa. Havia gente que a esperava com impaciência (2Ts 2,1-3). Aos poucos, foram percebendo que Jesus não falava de uma volta com seu corpo físico, mas falava de sua volta na morte de cada discípulo. Porque na hora de nossa morte, Jesus virá ao nosso encontro pessoalmente. Vê-lo-emos face a face. Será pela mão de Jesus que entraremos no céu. Ele virá para nos julgar com misericórdia e justiça. Professamos essa fé/esperança no Credo. Assim como Jesus cumpriu a promessa de enviar o Espírito Santo, cumprirá a de retornar para que, onde ele estiver, possamos estar também nós (v. 3). Essa esperança consoladora nós a renovamos em todas as missas quando, depoisdo Pai-Nosso, pedimos que, “ajudados por vossa misericórdia, sejamos protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a vinda gloriosa do Cristo Salvador”. Isso não é um ideal talvez alcançável. É uma certeza consoladora que Jesus nos deixou. Ele e nós temos o mesmo destino na terra (12,26; 15,18) e no céu (17,24). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Voltar sempre de novo a Jesus Frei Almir Guimarães Eu sou o caminho, a verdade e a vida! A Igreja precisa levar a Jesus: este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer que a Igreja não leve a Jesus, ela seria uma Igreja morta.Jesus pode romper com os esquemas enfadonhos em que pretendemos aprisiona-lo e surpreende-nos com sua constante criatividade divina.José A. Pagola Não há dúvida. Precisamos voltar a Jesus. Um Jesus vivo, ressuscitado, misteriosamente presente em nosso meio e impulsionando-nos a caminhar em frente na busca de um mundo novo, de uma nova ordem de coisas em que os pequenos são reis, os servos são santos, os que recolhem os jogados à beira da estrada mostram que querem fazer da terra um antegozo do paraíso. Sim, antes de tudo buscamos sua presença humana mas também de ressuscitado. Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Hoje quem nos dirige estas palavras é o Ressuscitado. É verdade que a figura de Cristo impressiona a muitos homens e mulheres de nossos tempos pelo seu lado humano: atenção para com os mais simples, respeito pelas crianças, revolta contra os praticantes da lei pela lei e sem coração, compaixão, capacidade de criar laços de amizade, coragem diante das perseguições, alguém que não compactua com a corrupção e a mentira, buscadores de seres dilacerados. A leitura dos evangelhos nos coloca diante de uma figura atraente e que merece toda atenção. Os que o ouvem têm vontade de andar no seu seguimento. Um aspecto de nosso relacionamento com Jesus é o da amizade. Ele mesmo disse que já não nos chamaria de servos, mas de amigos. Pela leitura em silêncio das páginas das escrituras, pela contemplação do Sacrário, sem muitas falas e hinos, vamos cultivando em nós essa dimensão da amizade com Jesus. Outras vezes preferimos chama-lo de Mestre. Gostamos de chama-lo de Senhor, de nosso Senhor. Não seria essa uma preocupação que deviam ter pais e catequistas já com as crianças chamando atenção para um Jesus amigo, mestre e senhor? Sabemos que esse Jesus humano foi a presença do Altíssimo entre nós. Nele Deus visitou ( e visita) nossa terra. Percorre nossos caminhos, senta-se à nossa mesa. Se ele é nosso irmão, é também nosso Senhor, tendo passado pela morte e ganhado nova vida é o Senhor. O Jesus histórico encantador e fascinante é o Ressuscitado. Importante vivermos uns com os outros. Termos o gosto pela convivência, pela comunidade. No seio dessas comunidades ouviremos sua Palavra, falaremos das coisas que precisamos fazer, comeremos seu corpo. É um modo de fazer-se presente a nós. Assim voltamos a Jesus. “Voltar a Jesus é reavivar nossa relação com ele. Deixar-nos alcançar por sua pessoa. Deixar-nos seduzir não só por uma causa, um ideal, uma missão, uma religião, mas pela pessoa de Jesus, pelo Deus vivo nele encarnado. Deixar-nos transformar pouco a pouco por este Deus apaixonado por um vida mais digna, mais humana e feliz para todos, a começar pelos últimos, os mais pequenos, indefesos e excluídos” (Pagola). Voltar a Jesus é empreender um caminho de transformação pessoal que designamos de conversão. Mudança interior em que os valores de Cristo passam a ser nossos valores: simplicidade de vida, extinção de toda vontade de dominar e colocar-se acima dos outros, respeito pelas manifestações de vida, sobretudo nos mais frágeis ( crianças, idosos, aqueles que pela ganância de alguns vivem o inferno antes da hora, os doentes e os idosos). “Muitas vezes nosso trabalho pastoral é concebido e desenvolvido de tal foram que tendemos a estruturar a fé dos cristãos não a partir da experiência do encontro pessoal com Jesus, o Filho querido de Deus encarnado entre nós, mas a partir de certas crenças, da docilidade a certas pautas de comportamento moral e de celebração fiel de uma liturgia sacramental. Mas só com isto não conseguimos despertar nas comunidades a adesão mística a Jesus Cristo, nem a vinculação própria dos discípulos e seguidores. Fizemos uma Igreja na qual muitos cristãos e não poucos pastores pensam que, pelo fato de viver nela aceitando certas doutrinas e cumprindo certas práticas religiosas, já estão vivendo a experiência vivida pelos primeiros discípulos a comprometer-se a seguir Jesus” (Pagola, Voltar a Jesus, Vozes, p.52). Concluindo Cristo é o caminho: não há outras vias para atingir a Deus e para chegar aos homens.Cristo é a verdade: na confusão ruidosas das mil verdades que só duram um dia, ele permanece como termo último de todas as verdades.Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira que nos abre as portas, para uma vida sem fim, em plenitude total (Inspirado no Missal Dominical da Paulus, p. 383) Oração pelas Mães2º domingo de maio Senhor Deus, grato por teu olhar, por tua bondade,pela tua delicada presença em todo o tempo de minha vida.Hoje penso em minha mãe, hoje já envelhecida.Muito obrigado pela mãe que me deste.Seu sangue corre em minhas veias.Junto dela, escondido, comecei a viver quando era quase nada,quando a força da vida que vem de ti me fez começar a viver.Ele me deu proteínas, sangue, noites de vigília, cuidados de todos os jeitos, seu leite generoso, cuca de banana, leite queimado com mel nos dias de resfriado, presentes no natal, afago e beijo na hora de dormir e por minha causa e em meu benefício suportou provações e viveu muitas preocupações. FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Crer em Jesus, o Cristo José Antonio Pagola Há na vida momentos de verdadeira sinceridade em que surgem do nosso interior, com lucidez e claridade incomuns, as perguntas mais decisivas: em última análise, em que eu creio? O que é que espero? Em quem apoio minha existência? Ser cristão é, antes de tudo, crer em Cristo. Ter a sorte de ter-se encontrado com Ele. Acima de toda crença, fórmula, rito ou ideologização, o verdadeiramente decisivo na experiência cristã é o encontro com Jesus, o Cristo. Ir descobrindo por experiência pessoal, sem que ninguém tenha que dizer-nos de fora, toda a força, a luz, a alegria, a vida que podemos ir recebendo de Cristo. Poder dizer a partir da própria experiência que Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”. Em primeiro lugar, descobrir Jesus como Caminho. Escutar nele o convite a caminhar, avançar sempre, não deter-nos nunca, renovar-nos constantemente, aprofundar-nos na vida, construir um mundo justo, fazer uma Igreja mais evangélica. Apoiar-nos em Cristo para andar dia a dia o caminho doloroso e ao mesmo tempo gozoso que vai da desconfiança à fé. Em segundo lugar, encontrar em Cristo a verdade. A partir dele descobrir Deus na raiz e no extremo do amor que nós seres humanos damos e acolhemos. Dar-nos conta, por fim, de que a pessoa só é humana no amor. Descobrir que a única verdade é o amor, e descobri-lo aproximando-nos do ser concreto que sofre e é esquecido. Em terceiro lugar, encontrar em Cristo a vida. Na realidade, as pessoas creem naquele que nos dá a vida. Por isso, ser cristão não é admirar um líder nem formular uma confissão sobre Cristo. É encontrar-nos com um Cristo vivo e capaz de fazer-nos viver. Jesus é “Caminho, Verdade e Vida”. É outro modo de caminhar pela vida. Outra maneira de ver e sentir a existência. Outra dimensão mais profunda. Outra lucidez e outra generosidade. Outro horizonte e outra compreensão. Outra luz. Outra energia. Outro modo de ser. Outra liberdade. Outra esperança. Outro viver e outro morrer. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   O sacerdócio dos fiéis Pe. Johan Konings O tempo litúrgico depois da Páscoa aprofunda o sentido do batismo cristão, intimamente ligado à Páscoa. As leituras de hoje convidam a uma reflexão sobre o sacerdócio comum de todos os batizados. A 1ª leitura nos fala do desenvolvimento da jovem comunidade. A caridade cria novas tarefas: surgem os “diáconos” (= servidores) da comunidade, ao lado dos apóstolos (que serão em primeiro lugar servidores da palavra e fundadores de comunidades, seus sucessores são os bispos). As comunidades estabelecidas recebem um colégio de anciãos ou presbíteros. Nestes serviços reconhecemos o que hoje se chama a “ordem” do sacerdócio ministerial (bispos, presbíteros, diáconos). A 2ª leitura fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores”. A Igreja é chamada com o título do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade daqueles que receberam o batismo na noite pascal. O sacerdócio dos féis, reafirmado no Concílio Vaticano II, designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; neste sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial. Pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquela é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja como comunidade e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo. No belíssimo evangelho deste domingo aprendemos como é esse Deus do qual nossa vida será o culto, a celebração no mundo em que vivemos: ele tem o rosto de Jesus. PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Dom Jesus completa 20 anos de vida episcopal

Dom Frei Jesus Maria Cizaurre Berdonces, OAR, bispo da Diocese de Bragança do Pará completa hoje (07/05) 20 anos de episcopado. E nós não poderíamos deixar passar esse dia sem prestar homenagem ao nosso pastor e agradecer-lhe por aceitar a missão de estar à frente do pastoreio de nossa diocese. Um pouco de história Batizado com o nome de Jesus Maria, nosso bispo é de nacionalidade espanhola, nascido em Navarra no dia 06 de janeiro de 1952. É filho do casal Santiago Cizaurre e Maria Berdonces. Fez sua profissão religiosa em 10 de setembro de 1972, em Monachil (Granada - Espanha), na Ordem dos Agostinianos Recoletos. Cursou seus estudos teológicos em Granada, Espanha. Foi ordenado sacerdote no dia 26 de junho de 1976. Destinado por sua congregação religiosa para vir ao Brasil, aqui chegou no dia 12 de janeiro de 1977. Primeiro serviu como missionário na Prelazia do Marajó (Pará), por 13 anos. Do Marajó Dom Jesus diria no dia de sua posse em Bragança que “o marajó o ensinou a ser padre”. Depois foi destinado a ser formador dos seminaristas Agostinianos Recoletos em São Paulo, no período de 1990 a 1994. Após nova destinação voltou ao Pará, dessa vez para ocupar os cargos de Superior e Pároco na Comunidade de São José de Queluz, em Belém de 1994 a 1997. Após esses 3 anos foi destinado ao Rio de Janeiro, para se tornar Superior Maior da Província Santo Tomás de Vilanova dos Padres Agostinianos Recoletos no Brasil. Foi designado 3º Bispo da Prelazia de Cametá, pelo Papa João Paulo II, em 23 de fevereiro de 2000. Sua ordenação episcopal foi realizada na Praça da Catedral, em Cametá, no dia 07 de maio de 2000. O ordenante principal foi Dom José Luiz Azcona Hermoso, que também é Agostiniano Recoleto. A posse de Dom Jesus na Prelazia de Cametá aconteceu também no mesmo dia 07 de maio. Escolheu como lema para seu episcopado: Pax et Fides (Paz e Fé). Dom Jesus abraça sua mãe durante missa de sagração episcopal, em Cametá/ Foto: Arquivo pessoal de Dom Jesus Dom Jesus governou a Prelazia de Cametá até sua ereção como Diocese, em 06 de fevereiro de 2013, passando a ser o seu primeiro bispo diocesano. Como titular da nova diocese, permaneceu até 17 de agosto de 2016, quando o Papa Francisco o transferiu para a Diocese de Bragança do Pará. Bispo de Bragança do Pará Dom Luís Ferrando, hoje bispo emérito de Bragança do Pará, completava 75 anos de idade no dia 22 de janeiro de 2016. Com isso, obrigatoriamente, apresentou sua renúncia ao cargo de bispo titular da diocese por motivo de idade. O Papa Francisco não tardou em aceitar seu pedido; pedindo, porém, que administrasse a diocese por um pouco mais de tempo, até designar um novo bispo para o pastorei de Bragança. E de fato, pouco tempo depois, cerca de sete meses, em 17 de agosto de 2016, o Papa Francisco nomeou Dom Jesus Maria como novo bispo de Bragança do Pará, transferindo-o de Cametá. Sua posse em nossa diocese aconteceu no dia 15 de outubro de 2016, na cidade de Bragança. A cerimônia foi realizada no Ginásio de Esportes Dom Eliseu e contou com a participação de milhares de fiéis vindos de todas as paróquias da diocese de Bragança, de Cametá e de várias outras dioceses do Regional Norte II, bem como de outras partes do Brasil. Neste dia, com muito júbilo, rezemos todos pelo nosso Bispo nos seus 20 anos de sagração episcopal. Que Deus possa sempre iluminar suas ações como nosso pastor.   Não deixe de conferir a galeria de imagens abaixo, com imagens cedidas do arquivo pessoal de Dom Jesus. Pascom Colaboração Joenia Nunes

A palavra do pastor: Como virgens previdentes

Muitas vezes, com certeza, ouvimos a frase de Jesus transmitida no evangelho de Mateus: "Não ajunteis para vós tesou­ros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração" (Mt 6, 19ss). O sentido parece claro. A preocupação dos discípulos deve ser procurar os tesouros do céu que o ladrão não pode roubar, nem a ferrugem e a traça corroer, tendo o coração desprendido das riquezas materiais. Assim o amor do cristão deve estar colocado em Deus e no serviço da comunidade eclesial. O nosso amor indica o que escolhemos, porque não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo (Cfr. Mt 6,24). Em outros textos, Jesus nos fala da riqueza e nos alerta do perigo de apegar-nos a ela e não poder entrar por causa dela no Reino do Céus (Mc 10,24s). Nesta mesma linha de pensamento entendemos que é preciso confiar sempre na providência divina e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6, 33). Jesus não é contra a riqueza, mas contra o perigo que ela representa para o cristão que não está totalmente centrado em Deus e nela coloca a sua exclusiva confiança. Os apóstolos e discípulos da primeira comunidade de Jerusalém entenderam perfeitamente o pensamento de Jesus sobre a riqueza e o perigo que ela pode ser para quem não tem como riqueza o próprio Deus e tudo o que possuíam o colocavam em comum (Cfr. At 2,44). Desta forma, encontraram um meio de suprir as necessidades de todos sem o perigo de se apegar à riqueza. Resumindo, poderíamos dizer que Jesus não rejeita a riqueza, embora reconheça o perigo que representa para o discípulo, mas quer que a utilizemos bem no serviço próprio, da comunidade e dos pobres. O cristão de hoje, especialmente aquele que tem responsabilidade na manutenção de uma família deve ter presente duas atitudes que Jesus expressou em diversas ocasiões. Por um lado, a confiança em Deus e na sua providencia (Lc 12,22) para não se preocupar excessivamente com aquilo que amanhã irá comer ou precisar, mas sim exercitar a própria fé em Deus confiando n’Ele. Por outro lado, Jesus quer que sejamos proativos e não fiquemos só esperando cair do céu. A Parábola das Virgens prudentes (Mt 25,1-13) mostra que é preciso ser precavidos e ter sempre uma reserva seja de óleo para as lâmpadas ou de outros recursos. Na parábola, cinco das virgens entraram na festa porque tinham uma reserva de óleo; as outras perderam a festa porque na última hora tiveram que sair para comprar o óleo e chegaram tarde. Nos primeiros dias da pandemia do coronavírus, ante o fechamento dos templos ao público, para evitar aglomerações de pessoas e dificultar a transmissão do vírus, recebi alguns telefonemas de irmãos sacerdotes diocesanos preocupados com a economia da própria paróquia. Eles me perguntavam como iriam pagar os funcionários, a energia elétrica e os outros gastos fixos que toda paróquia tem. As colocações eram coerentes e a preocupação própria de quem tem uma responsabilidade institucional. Foi nessa hora que eu tomei consciência da realidade de algumas de nossas paróquias que vivem ao dia, com um dízimo apertado, que não tem reserva financeira e que, em alguns casos estão esperando as primeiras entradas do dízimo mensal para ir pagando contas e boletos, em ocasiões com atraso. E pensei na lição das virgens prudentes! É verdade que, algumas paróquias chegaram a este momento, envolvidas em obras de construção e reformas que normalmente consomem uma boa fatia de recursos paroquiais. E ninguém poderia prever a pandemia que estava para chegar. Mesmo assim, não podemos nunca esquecer alguns princípios da boa administração, como por exemplo, antes de começar uma obra sentar-nos para ver com que recursos contamos, não fazer obras com o dinheiro procedente do dízimo, não gastar mais do que temos e, principalmente, ter uma poupança para os gastos emergenciais e imprevistos. A atitude de poupar não está em conflito com o Evangelho, nem é contrária ao pensamento de Jesus. Cada paróquia ou comunidade eclesial deve, portanto, trabalhar para ter sempre uma reserva econômica para os casos emergenciais. O mesmo pode-se dizer em nível pessoal com o objetivo de assegurar uma digna e tranquila aposentadoria. Não se trata de acumular, mas de sermos previdentes. Alguém poderia me questionar dizendo que o recurso do dízimo é tão apertado que não dá para guardar nada. E eu respondo: sempre dá para poupar algum dinheiro, mesmo que seja pouco. O segredo de um bom poupador não está na quantia que ele pode guardar, mas na atitude poupadora de sempre reservar uma parte, inclusive privando-se de algum gasto legítimo, embora não essencial. O olhar do poupador não se fixa na quantia já acumulada, mas na decisão firme de continuar sempre a guardar recursos financeiros. Esta é mais uma lição que a pandemia nos deixa e que nós temos que aprender. Tenho a certeza de que nossos párocos encontrarão saídas e soluções ante a falta de recursos. Entretanto, não posso deixar de pensar na situação de muitos pais e responsáveis que, nestes momentos de inatividade e desemprego, enfrentam sérias dificuldades para assegurar a alimentação das suas famílias. O auxílio do governo é só uma ajuda que serve para passar alguns dias, mas não resolve o problema. A verdade é que muitas famílias vivem ao dia e não tem nenhum tipo de poupança ou reserva financeira à qual possam recorrer nos momentos difíceis. Essa é a realidade da maior parte das famílias do nosso Estado do Pará, da nossa diocese. Pela intercessão de São José, peço a Deus que proteja nossas famílias!  Dom Jesus M. Cizaurre, OAR Bispo de Bragança do Pará

Quarto domingo da Páscoa

Cristo: porta de entrada e saída Frei Gustavo Medella Nas linhas do Evangelho, Jesus se apresenta como o Bom Pastor. A comparação do Mestre adquiriu tanta força e significado no passar do tempo que, até hoje, “pastoral” é o termo teológico para distinguir a atuação da Igreja nos diferentes campos, tanto como substantivo (Pastoral da Família, da Saúde, do Dízimo, Litúrgica, Sacramental, Social, etc.) quanto como adjetivo (zelo pastoral, atitude pastoral, preocupação pastoral etc.). Além de ovelha cuidada e dirigida pelo Bom Pastor, a Igreja também tem o compromisso fundamental de ser presença viva e encarnada dos cuidados assumidos por Cristo Jesus. No Evangelho deste 4º Domingo da Páscoa, Jesus dá um passo adiante e se apresenta também como porta do redil de onde as ovelhas podem sair e entrar com liberdade, tendo acesso às pastagens e à saúde, outro nome de salvação. Em sua Missão Pastoral, a Igreja pode e deve entrar e sair com frequência da Porta-Jesus. A oração e a busca de intimidade com o Senhor é a porta de entrada por excelência expressa na liturgia, na animação Bíblica, no contato próximo e cotidiano com a Palavra de Deus, o processo de iniciação à vida cristã. Ao entrar por esta porta, o crente amadurece e percebe que a saída se faz um movimento tão fundamental quanto a entrada e aí ele sai com coragem para dar respostas de amor aos desafios da realidade, praticando as obras de misericórdia, atuando com profecia, colocando-se como serva da humanidade. É saindo bem, com unção e formação, que a Igreja se torna presença salvadora na vida de tantos se torna, ao modelo de Cristo, “Pastora” da humanidade. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   4º Domingo da Páscoa, ano A 2020 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”. Leitura: At 2,14.36-41 Não era possível que a morte o dominasse. No domingo passado, Pedro, em seu primeiro anúncio aos judeus (querigma) no dia de Pentecostes, lembrou o que Jesus fez durante sua vida pública e acusou os chefes que o mataram. Mas, ao terceiro dia, Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e os apóstolos eram testemunhas disso. Jesus, porém, foi exaltado à direita de Deus e derramou o Espírito Santo, conforme prometera. De fato, todos os ouvintes foram atraídos para saber o que estava acontecendo junto ao Cenáculo. – Hoje é retomado o discurso de Pedro no dia de Pentecostes. Pedro apela a todos os ouvintes que reconheçam que “Deus constituiu Senhor e Cristo este Jesus que vós crucificastes”. O anúncio de Pedro provoca um desejo de mudança, por isso a pergunta: “Irmãos, o que devemos fazer?” A resposta de Pedro é clara: Todos devem converter-se, isto é, mudar de vida, batizar-se em nome de Jesus Cristo para receberem o perdão dos pecados, condição para receber o Espírito Santo. Esta proposta/promessa da pregação de Pedro é para os judeus (“vós e vossos filhos”) e para os pagãos (“os que estão longe”), enfim, para todos que “nosso Deus chamar a si”. Naquele dia os que acolheram a mensagem de Pedro, foram batizados, receberam o perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo, chegaram a três mil pessoas. Assim teve início a Igreja de Jerusalém, movida pela força do Espírito Santo e o testemunho dos apóstolos (cf. At 1,8). Salmo responsorial: Sl 22 O Senhor é o pastor que me conduz, para as águas repousantes me encaminha. Segunda leitura: 1Pd 2,20b-25 Voltareis ao Pastor de vossas vidas. Pela sua cruz, Cristo “carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça”. Cristo é o bom pastor que vai em busca das ovelhas perdidas, para enfaixar aquelas machucadas (Ez 34,11.16; Lc 15,1-7) e curar suas feridas com o remédio de seu amor: “Por suas feridas fostes curados. Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas” (1Pd 2,24-25). Aclamação ao Evangelho: Jo 10,14 Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;             Eu conheço as minhas ovelhas             e elas me conhecem a mim. Evangelho: Jo 10,1-10 Eu sou a porta das ovelhas Cada ano do ciclo litúrgico (anos A, B e C) medita-se neste domingo uma parte da parábola (ou alegoria) do Bom Pastor de Jo 10. Neste ano (A) meditamos a primeira parte da alegoria. O texto se divide em duas partes: uma parábola enigmática do pastor das ovelhas (v. 1-6) e Jesus como a porta das ovelhas (v. 7-10). Há uma oposição entre a figura do ladrão/assaltante e a do verdadeiro pastor das ovelhas. Há também uma diferente reação das ovelhas: elas seguem confiantes ao seu pastor e fogem do estranho, que é o ladrão e o assaltante. A porta tem dupla função: distingue o verdadeiro do falso pastor e serve para a entrada e a saída tanto das ovelhas como do pastor. A porta significa, pois, segurança para as ovelhas durante a noite e chance de sair em busca de pastagens e água durante o dia. A porta do curral exerce, portanto, uma função básica para a vida das ovelhas; possibilita, também, apresentar Jesus como a porta (v. 7-10). Insiste-se agora na distinção entre Jesus e os assaltantes, que ameaçavam as ovelhas no curral. A estes, porém, as ovelhas não ouviram, porque eles vieram para matar, roubar e destruir. Jesus, porém, veio para que todos tenham vida em abundância. Jesus é a porta em relação ao Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida: “Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Com razão o Papa Francisco nos convoca a sermos uma “Igreja em saída”. A Igreja não pode permanecer medrosa, encerrada em si mesma, como os discípulos no Cenáculo antes da manifestação do Espírito. A Igreja de Cristo deve abrir suas portas e janelas, sair em busca das ovelhas desgarradas, perdidas ou machucadas. O verdadeiro pastor vai ao encontro das ovelhas. Ele tem “cheiro de ovelhas”. Assim elas o reconhecem e o seguem em busca de pastagens verdejantes e da água viva, que é o próprio Cristo Jesus (Jo 4,13-14). FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Porta também significa a sorte do encontro Frei Clarêncio Neotti Jesus se compara a uma porta. Os pastores costumavam construir nos campos um abrigo para a noite, um retângulo cercado por pequeno muro de pedra, com uma única porta, propositadamente, estreita. Durante a noite, vários pastores levavam ao abrigo suas ovelhas, e um deles ficava de vigia à noite toda. De manhã, cada pastor chamava suas ovelhas, elas saíam pela única porta estreita, ele as contava e as levava a pastar. Todos conheciam essa prática. Mas lembremos que também as cidades eram muradas. Em Jerusalém, sobretudo, eram famosas as muralhas de Salomão e Herodes. Entrava-se e saía-se da cidade somente pela porta. Por isso a porta significava proteção, segurança. Era na porta da cidade que se recebiam os que chegavam e se despediam os que partiam. Por isso a porta significava acolhimento, carinho. Era à porta da cidade que se faziam os negócios, que se compravam dos mascates ou se vendiam aos estrangeiros em viagem. Por isso, a porta significava sempre uma possibilidade. Quando Jesus se compara à porta, podem compreendê-lo a pessoa simples do campo e a pessoa requintada da cidade. Está dizendo que somente por ele se entra no abrigo, somente por ele se entra na cidade de Deus, no Reino dos Céus. Mas está dizendo também que nele nós encontramos segurança e proteção (Mt 11,28). Ele nos acolhe sempre que a ele recorremos (Jo 6,37). Nele teremos a mais feliz e certa das possibilidades, como dirá mais tarde Pedro: “Nele encontraremos as mais preciosas e ricas promessas e nos tornaremos participantes da natureza divina” (2Pd 1,4). Certamente, Jesus está fazendo uma dura crítica aos fariseus e aos escribas, que “se haviam sentado na cátedra de Moisés” (Mt 23,2). Jesus os chama de “ladrões e assaltantes” (vv. 1 e 8), porque se haviam arrogado o direito de interpretar a Lei divina e a Lei, em vez de ser um roteiro de santificação e vida, tornara-se uma carga de escravidão e de morte (Mt 23,4). A Lei, na interpretação farisaica, já não significava segurança para ninguém, não tinha mais a força de consolar e abrigar os corações angustiados do povo. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   O Pastor e os pastores Frei Almir Guimarães Vim para que tenham a vida e a tenham em abundância. Jo 10,10.  Aqueles  que governam devem ter no pensamento  não o poder  que o cargo lhes confere,  mas a igualdade da condição  humana;  que ele se  alegrem não por dar ordens  aos homens, mas em lhes ser  úteis;  Por  conseguinte, a função suprema  é exercida como deve ser,  quando aquele que preside domina  mais sobre os vícios  do que  sobre os irmãos. São Gregório Magno Lecionário Monástico  III,  p.281 O Pastor chamado Jesus ♦ Continuamos a viver o tempo pascal na liturgia de nossa Igreja. Todo esse período é marcado por textos que nos ajudam a fortalecer a fé na presença do Ressuscitado no meio de nós. Neste domingo temos a ver com o tema do Bom Pastor. Desde a nossa infância, santinhos no livro de reza da mãe, ilustrações nos textos de catecismo ou em pôsteres nas paredes das igrejas nos mostravam Jesus carregando nos ombros a ovelha desgarrada que ele encontrou no meio dos espinheiros ou fatídicos despenhadeiros. Afeiçoamo-nos a esta imagem e, adultos que somos, ela nada perdeu de sua força. Ele, o pastor nos procura. É o pastor que procuramos. Quando a loucura do pecado nos domina sempre nos lembramos desse carregava as ovelhas perdidas às costas. ♦ Jesus é verdade, caminho, vida, pão e também pastor, mais precisamente a “porta das ovelhas”. Os que passam pela porta de sua vida e de seus gestos chegam a pastos verdejantes. A imagem do pastor é muito vigorosa no ambiente em que Jesus vivia: homem forte, imensas mãos, demonstra carinho pelas ovelhas, conta-as quando voltam dos pastos, cura das machucadas. Misturam-se cuidado e ternura. Encantamento. ♦ Quando Jesus diz o “Eu sou…” faz nos lembrar a definição que Deus se dá na Antiga Aliança: “Eu sou o que sou…”. Há os que informam que o termo pastor vem da raiz indo-europeia pa que quer dizer alimentar. Daí provieram pão, pastor, pastoral. O pastor alimenta. Há o pastor e há mercenário, este que não é dono das ovelhas. Não dá a vida por elas. Aproveita-se delas. Quando vem o lobo, o mercenário foge. O pastor bom conhece suas ovelhas e elas o conhecem pelo assobio e pela flauta. Os pastores conhecem suas ovelhas. Jesus, o bom pastor, vem para que todos tenham vida e vida em abundância. “Eu sou a porta. Quem entra por mim será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagem”. Podem, hoje em dias os pastores que são os bispos e padres conhecer suas ovelhas? Pastores e Pastoral ♦ As ações da Igreja anunciando Jesus, a Boa nova, suscitando a conversão ao Senhor, alimentando e celebrando a fé, levando as pessoas a viverem uma intimidade com o Senhor, dando-lhes consciência de serem sal da terra, luz do mundo e fermento na massa, transformadores da sociedade na buscando justiça, colocando-se perto dos seres humanos para que possam ser respeitados em sua humanidade de modo particularíssimo os mais pobres, organizando ações para cuidar mais especificamente de crianças, jovens, casais, idosos, doentes, envelhecidos, encarcerados são designadas de ações pastorais. Por detrás está o “espírito” do Bom Pastor. Bispos, padres e leigos se tornam agentes de pastoral e tentam ser continuação do Bom Pastor. ♦ Os tempos mudaram. Há muito deixamos a cristandade em que bastava uma pastoral de conservação. A continuação de um determinado tipo de vida cristã sem fé personalizada foi fazendo que perdêssemos o gosto de saborear a novidade do Bom Pastor. Fomos ficando engessados numa religião sem vida. Temos a impressão de viver um tempo de igrejas esvaziadas e de cristãos sem ossatura. O nó das pessoas não foi atingido. Soa agradável a nossos ouvidos a palavra evangelização. Uma catequese nocional se tornou um obstáculo. Sair, buscar, evangelizar, não aprisionar o Evangelho… ♦ Pastor, pastoral. Trata-se voltar ao vigor do Evangelho. Necessário criar grupos pequenos de cristãos, que busquem juntos, rezem juntos, cresçam juntos. Padres e leigos haverão de insistir numa primeira conversão verdadeira ao Senhor que está no meio de nós. Os tempos falam de discípulos missionários. Sim, grupos pequenos, não apenas de “amiguinhos”, laboratórios de proximidade, auxílio mútuo, espaço de criação de um cristão vigoroso sem pretensões de reivindicações marcadas por estrelismo e promoções pessoais tão alheios ao modo de viver dos cristãos. Pastoral de leigos sem clericalizações. Pastoral dos padres sem adaptações às propostas volúveis de “modernizações” ineficazes. Sempre em saída. ♦ Pensamos na figura do padre. Vivemos perto de igrejas. Missas, batizados, casamentos (cada vez menos). Cursos de batismo, de crisma, de catequese… O padre está presente em tudo. Que padres para nossos tempos? Que tipo de homem líder da fé necessitamos ? Como estão sendo formados os padres diocesanos e religiosos? Transparece neles a figura do Bom Pastor? ♦ “É preciso cuidar para que no pastor, a bondade mostre aos súditos uma mãe, e o rigor moral de um pai. Deve-se prover com toda solicitude, para que a severidade não seja rígida nem frouxa a bondade” (São Gregório Magno). ♦ Costuma-se dizer, com certa razão, que “o padre é um outro Cristo”. Haverá de copiar em sua vida o perfil do Bom Pastor. Tal se concretizará num grande amor pelos que lhe foram confiados. Presença sensível na vida das crianças, dos jovens que precisam de sua voz. Ajudar as pessoas a tomar decisões importantíssimas em sua vida. Estar próximo dos que se casam e constituem a Igreja doméstica, dos sadios e dos doentes, dos que vivem e que morrem. Mesmo consciente de suas fragilidades, ele representa e refaz em sua vida a presença de Jesus do qual se diz que “amou-os até o fim”. ♦ O padre que é padre de verdade não se contenta em ser “funcionário” do sagrado e das coisas sagradas e “colocador” de gestos sacros. Ele terá paixão pelas pessoas. Não quer que ninguém se perca. Sofre porque muitos não procurem a Cristo e se fecham no universo do egoísmo e mesmo da maldade. O verdadeiro sacerdote é confidente e amigo de Deus. Vive de Deus. Consagra-lhe seu coração e seu corpo. Homem que reza. Reza no quarto e reza com os colegas de presbitério. Prepara- se bem para a missa. Cultiva silêncio interior e exterior. Vela para que os sacramentos sejam realizados condignamente. É pai, irmão, amigo. ♦ “Que o Pastor seja, pela humildade, um companheiro dos que fazem o bem; e contra os vícios dos que praticam o mal, possua um enérgico zelo de justiça. Nunca se considere melhor do que os outros homens de bem…” (São Gregório Magno). ♦♦♦ Oração “Eu te escolhi…” É o Senhor que fala: Sacerdote, eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povopara que celebres dia após diaminha nova e eterna Aliança de amor.Nada fazes de mais grandioso do que oferecercom mãos puras e coração ilibado esse sacrifício:juntos o povo santo, tu e eu.É a Pascoa libertadora em vista do Reino novo.Tu haverás de fixar teu coração nessa mesa. Eu te escolhi gratuitamente do meio do meu povopara que sejas servidor de minha Palavra,proclamada oportuna e inoportunamente.Ela, em certos dias, vai arder em teu coração e teu espírito,feito uma ferida antes de curar os corações machucados e feridos.Não te imagines nunca possuir a Verdade;procura humildemente no meio de teus irmãos dar um modesto testemunho dela. Haverás de carregar comigo, em teus ombros, a ovelha perdida, perdoarás o filho que volta,sentar-te-ás comigo à mesa dos que não contam,farás com que os mudos cantem,lavarás os pés dos pobres sem amor,abrirás o ouvido dos surdos. Mesmo com o cansaço da estradae para além dos medos e das dúvidas,como Pedro, proclamarás a Vitória da fé. Não te amedrontem os espinhos que em tua carnete humilham.Aos olhos dos homens eles testemunham que a tibasta minha graçae que meu Chamamento é um amor gratuito. Homem de pouca fé e frágil,haverás de gozar de minha força de ressurreição,de libertação e de reconciliação num pobre vaso de argila.Certamente aqui e ali tu conhecerás o fracassoe não poderás dele escapar.Deverás te despojar do peso de teus projetos pessoaispara atravessar o muro do impasse, para além do qual,o sol de meu chamamento de novo haveráde iluminar teu coração fiel. Amando esta terra,mas ardendo pelo Esplendor de meu Pai,pela unção de minhas mãos, pelo poder do Espírito Santoeu te associei ao meu único sacerdócio salvadorque te reveste de simples grandeza.Eu te escolhi gratuitamente entre os homens.Fiz de ti um pescador de homens. (Inspirado em texto de Michel Hubaut) FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   A necessidade de um guia José Antonio Pagola Para os primeiros cristãos, Jesus não é só um pastor, mas o verdadeiro e autêntico pastor. O único líder capaz de orientar e dar verdadeira vida ao ser humano. Esta fé em Jesus como verdadeiro pastor e guia adquire uma atualidade nova numa sociedade massificada como a nossa, onde as pessoas correm o risco de perder sua própria identidade e ficar aturdidas diante de tantas vozes e reclamos. A publicidade e os meios de comunicação social impõem ao indivíduo não só a roupa que deve vestir, a bebida que deve tomar ou a música que deve ouvir. Impõem também os hábitos, os costumes, as ideias, os valores, o estilo de vida e a conduta que deve adotar. Os resultados são palpáveis. São muitas as vítimas desta “sociedade-aranha”. Pessoas que vivem “segundo a moda”. Pessoas que já não agem por própria iniciativa. Homens e mulheres que buscam sua pequena felicidade, esforçando-se para adquirir aqueles objetos, ideias e comportamentos que lhes são ditados de fora. Expostos a tantos chamarizes e reclamos, corremos o risco de não escutar mais a voz do próprio interior. É triste ver as pessoas esforçando-se para viver um estilo de vida “imposto” de fora, que simboliza para elas o bem-estar e a verdadeira felicidade. Nós, cristãos, cremos que só Jesus pode ser guia definitivo do ser humano. Só com Ele podemos aprender a viver. O cristão é precisamente aquele que, a partir de Jesus, vai descobrindo dia a dia qual é a maneira mais humana de viver. Seguir a Jesus como Bom Pastor é interiorizar as atitudes fundamentais que Ele viveu, e esforçar-nos para vivê-las hoje a partir de nossa própria originalidade, prosseguindo a tarefa de construir o reino de Deus que Ele começou. Mas, enquanto a meditação for substituída pela televisão, o silêncio interior pelo ruído e o seguimento da própria consciência pela submissão cega à moda, será difícil escutarmos a voz do Bom Pastor que pode ajudar-nos a viver no meio desta “sociedade do consumo” que consome seus consumidores. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Salvação – Só por Cristo? Pe. Johan Konings No evangelho, Jesus narra uma parábola. Naquele tempo, os povoados tinham seu curral (redil) comunitário. O curral tinha um portão, por onde os pastores entravam para chamar as suas ovelhas (que conheciam a voz de seu pastor), e por onde as ovelhas passavam para ir pastar. Mas também apareciam sujeitos que abriam uma brecha na cerca em vez de entrar pela porta: os ladrões. Até aí a parábola (versos 1-5). Depois, Jesus explica: ele mesmo é essa porta por onde pastores e ovelhas devem passar. Pastor que não passa por ele, não serve para os fiéis. E também os fiéis têm de passar por ele para encontrar a vida que procuram. Pastor mesmo é quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. Neste sentido, as pregações apostólicas apresentadas nas leituras de hoje são eminentemente pastorais. São obra de pastores que passaram por Cristo e nos conduzem a ele e – através dele – ao Pai. Veja só, na 1ª leitura o apelo à conversão e a entrada no “rebanho” mediante o batismo, depois da pregação de Pedro. E, na 2ª leitura Pedro lembra aos fiéis que, outrora ovelhas desgarradas, eles estão agora junto ao verdadeiro pastor, Jesus. O sentido fundamental da pastoral é ir aos homens por Cristo e conduzi-los através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas; antigamente, mais paternalista talvez; hoje, mais participativa. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política associada a setores da Igreja ou a suas instituições? Isso ainda não é, de per si, pastoral. Para ser pastoral, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou dando sua vida por nós. Nesta ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus ( e não apenas à instituição da Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. E os fieis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”. O critério para discernir isso é este: se eles chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele. Pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero”(Concílio Vaticano II; Oração Eucarística IV), passa de fato pela porta que é Jesus. Portanto – e é isso que acentua o evangelho de João, escrito para pessoas que já aderiram à fé em Jesus: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente; basta que, nas opções da vida, eles optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir. PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Terceiro domingo da Páscoa

Um dando força para o outro, e Cristo, para todos Frei Gustavo Medella Saudades… Da missa, da comunhão, do canto, dos trabalhos pastorais, de passar na igreja para uma oração pessoal e silenciosa, de confessar-se, de encontrar rostos conhecidos e familiares, do abraço da paz, das crianças correndo e brincando, do cafezinho com pastel na cantina, ou com biscoitinho ao fundo da igreja, até dos avisos paroquiais. Eis um mosaico de experiências extremamente simples mas que, quando faltam, mostram-se essenciais e importantes. A caminhada da Igreja em tempos de pandemia assemelha-se sobremaneira à caminhada dos Discípulos de Emaús. Uma experiência eclesial vivida a partir de casa, com o convívio mais restrito daqueles que dividem o mesmo teto. Um percurso no qual nem sempre é fácil se perceber a presença viva e próxima do Ressuscitado que caminha junto, afinal o cenário não deixa de ser nebuloso, incerto e assustador. Notar a presença de Cristo vivo que caminha na Igreja doméstica é tarefa que exige uma postura de fé corajosa e aberta ao amadurecimento. Não adianta incorrer na pressa de retornar a uma “normalidade” que certamente não voltará tão cedo. A hora é de paciência, perseverança, oração e muita solidariedade. Cada um é convidado a descobrir em Cristo um amigo íntimo, parceiro de todas as horas, força nos momentos de luta e dificuldade. É imprescindível que permaneçamos caminhando juntos, dando força um para o outro, e Cristo junto, dando ânimo e coragem para todos. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011.   3º Domingo depois da Páscoa, ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, que o vosso pela sua renovação espiritual, para que, tendo recuperado agora com alegria a condição de filhos de Deus, espere com plena confiança o dia da ressurreição”. Primeira leitura: At 2,14.22-33 Não era possível que a morte o dominasse. No dia de Pentecostes os judeus comemoravam em Jerusalém a doação da Lei de Moisés. Na mesma ocasião estavam reunidos em Jerusalém, também, os apóstolos com dezenas de discípulos e discípulas, no monte Sião. A comunidade estava reunida em oração, com portas e janelas fechadas, por medo dos judeus. De repente, houve um forte ruído do céu, acompanhado de um vento impetuoso e línguas de fogo, enchendo toda a casa onde os discípulos estavam reunidos. Era a manifestação do Espírito Santo prometida por Jesus, antes de sua ascensão ao céu (Lc 24,48). Muitos judeus peregrinos acorreram ao lugar para ver o que estava acontecendo. Em meio a uma imensa alegria, abrem-se as portas e janelas e os discípulos saem da casa. Pedro, então, toma a palavra para explicar ao povo o sentido de tudo o que estava acontecendo. Em seu discurso, Pedro dirige-se aos ouvintes judeus (v. 22-24) e anuncia o “querigma”, isto é, a proclamação da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que visa levar os ouvintes à conversão e à fé em Jesus. Os acontecimentos do “querigma” pascal são pura iniciativa de Deus, nome repetido quatro vezes. A ação divina por meio de Jesus é pública: “tudo isso vós mesmos o sabeis”, porque as coisas aconteceram “entre vós”. Mas, a ressurreição de Jesus é presenciada e vivida apenas pelas testemunhas qualificadas (v. 32), os apóstolos e as 120 pessoas reunidas no cenáculo com eles. Pedro cita o salmo 15, argumentando que Davi fala profeticamente da ressurreição de Jesus, “que vós o matastes, pregando-o numa cruz” (v. 25-33). Deus Pai ressuscitou Jesus dentre os mortos (cf. Lc 9,21-22.43-45; 18,31-34) e o exaltou à sua direita na glória do céu. O Pai concedeu a Jesus o Espírito Santo que havia prometido, e Jesus o derramou sobre as testemunhas de sua ressurreição. Os ouvintes estavam presenciando a ação do Espírito Santo derramado sobre as testemunhas. Salmo responsorial: Sl 15 (16)         Vós me ensinais vosso caminho para a vida;             junto de vós felicidade sem limites! Segunda leitura: 1Pd 1,17-21 Fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo, Cordeiro sem mancha! Desde antes da criação do mundo Deus nos amou e no fim dos tempos enviou seu próprio Filho para nos salvar. Não foi com ouro ou prata que Cristo nos resgatou do pecado e da morte, mas com seu próprio sangue, entregando sua vida como máxima prova de amor. Mas Deus o ressuscitou dos mortos – diz Pedro – e por isso alcançamos a fé em Deus. Pela fé estamos firmemente ancorados em Deus, porque nossa fé e esperança estão guardadas no coração de nosso Deus. É o que cantamos no Salmo responsorial: “Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio”. Aclamação ao Evangelho Senhor Jesus, revelai-nos o sentido da Escritura; Fazei o nosso coração arder, quando falardes. Evangelho: Lc 24,13-35 Reconheceram-no ao partir o pão. Lucas coloca três narrativas relacionadas com a ressurreição de Jesus, todas, no primeiro dia da semana, dia especial em que os cristãos celebravam a ressurreição do Senhor (cf. At 20,7). Na primeira, conta como as mulheres, discípulas de Jesus que o acompanhavam desde a Galileia (Lc 8,1-3), e estavam presentes junto à cruz (23,55), dirigem-se ao túmulo levando perfumes, mas não encontram o corpo de Jesus. Dois anjos lhes explicam que o túmulo está vazio porque Jesus ressuscitou, como havia dito. Elas levam a notícia aos discípulos. Mas eles não acreditam na explicação dada pelos anjos. Pedro, no entanto, vai conferir o túmulo vazio e fica apenas admirado. Segue, então, a narrativa sobre os discípulos de Emaús, que hoje escutamos. Após a manifestação do Ressuscitado os dois discípulos voltam imediatamente a Jerusalém para contar sua experiência aos apóstolos, e eles lhes dizem: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão”. Segue, então, na noite do mesmo dia semana a aparição de Jesus a todos os que estavam reunidos. – As experiências de Jesus ressuscitado acontecem quando as pessoas estão reunidas e falam dele; recordam e contam o que Ele fez e falou. Os anjos recordam que Jesus ressuscitou conforme havia dito na Galileia. Jesus leva a boa notícia de sua ressurreição aos discípulos tristes e desanimados, recorda as Escrituras e se manifesta a eles ao partir do pão. Partir o pão lembra a multiplicação/divisão dos pães. O coração dos discípulos começa a arder enquanto escutam o Mestre no caminho (mesa da palavra), mas o reconhecem quando parte o pão, gesto típico de Jesus (mesa da eucaristia). Tudo aponta para a liturgia eucarística que estamos celebrando. A celebração da Eucaristia na comunidade reunida no Domingo, o Dia do Senhor, é o lugar privilegiado para a experiência da presença viva do Cristo Ressuscitado, que nos alimenta com sua palavra e com seu corpo e sangue. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Quando a morte é fonte de vida Frei Clarêncio Neotti Os dois discípulos tinham escutado das mulheres que Jesus ressuscitara (vv. 22-23), mas não foram ao túmulo vazio. Preferiram voltar para seu trabalho. A ideia que faziam de Jesus de Nazaré era insuficiente, incompleta. Tinham-no por profeta e esperavam que ele levantasse o povo contra os romanos invasores e “fosse o libertador de Israel” (v. 21). Compreende-se, então, facilmente a decepção. Um general morto jamais fará guerra nem contará vitórias. Eles não tinham sabido ler os sinais: nem o que os profetas predisseram nem o sentido dos milagres de Jesus. Não haviam alcançado a dimensão divina de Jesus de Nazaré. Apenas haviam percebido a sua grandeza humana, a sua capacidade de liderança, o seu senso de justiça, o seu “poder profético em ação e palavras” (v. 19). Se Jesus tinha todas essas qualidades, tinha uma outra que eles não alcançavam: tinha poder divino, tinha “o poder de dar a vida e retomá-la quando quisesse” (Jo 10,18). Era homem, filho de carne humana, mas era o Filho de Deus. Não basta simpatizar com a causa de Jesus. É preciso nunca perdermos de vista a dimensão divina de Jesus, para não ficarmos decepcionados diante de seu túmulo vazio e não vermos que está vazio, porque ele ressuscitou. A força guerreira e política termina na morte. A força divina e redentora transforma a própria morte em fonte de vida. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Emaús, a “avenida” que andamos percorrendo Frei Almir Guimarães Não estava ardendo o nosso coração  quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as  Escrituras?  (Lc 24,32)              A Igreja não comemora a Ressurreição do Senhor apenas no domingo de Páscoa.  Durante todo o tempo pascal vamos aprofundando nosso conhecimento do  Ressuscitado e de sua ação em nosso meio.  Neste domingo, diante de nós,  dois personagens, conhecidos como  os discípulos de Emaús.  Um deles chamava-se Cléofas.  Do outro nem o nome sabemos. Na caminhada que empreendem encontram um peregrino misterioso que haveria de os cativar.  Naquele momento  chegava de tristeza.  Nada de dar as costas  a Jerusalém. “A fé em Cristo ressuscitado  não nasce em nós de maneira automática e segura. Ela vai despertando em nosso coração de maneira frágil e humilde. No começo é quase só um desejo. Geralmente cresce rodeada de dúvidas e questionamentos (…). Crer no Ressuscitado não é questão de um dia. É um processo que pode durar anos. O importante é nossa atitude interior. Confiar sempre em Jesus. Reservar-lhe  muito mais lugar em cada um de nós e em nossas comunidades cristãs”  (Pagola, Lucas, p. 366). Passados  os dias da paixão e o  sepultamento de Jesus os discípulos entraram numa nuvem escura.  Penetram na noite da dúvida.  Teria sido tudo um sonho? Teriam se enganado com aquele que lhes havia falado com tanta veemência da vida?  Agora estava morto.  Com ele os discípulos sepultaram esperanças e sonhos. Cléofas e seu companheiro deram as costas a Jerusalém, cabisbaixos, caminhando na direção de Emaús. Emaús passou a ser um nome  mágico sinônimo  de comunhão, intimidade, beleza e contemplação.  Muitas casas de retiro e de revigoramento espiritual são designadas de Emáus. Os dois caminhavam  com tristeza.  Esse Jesus que havia suscitado tanto entusiasmo, alento, esperança morrera no alto da cruz. Quantas punhaladas do coração?  Era melhor fugir. Um peregrino misterioso, porém,  se associa ao caminhar do dois.  Fala-lhes das Escrituras com paixão e convicção. Procura lembrar aos dois passagens que falavam do Messias, palavras de confiança e de esperança.  Promessas feitas aos pais da fé, de modo especial a Abraão… Lembra-lhes, afinal de  contas, sua falta de fé. Aos poucos, o coração dos dois começa a arder. Um fogo, um ardor, uma ponta de esperança. O que valeu para eles, vale para nós. Se em nossa  caminhada nos reunimos  para recordar Jesus, escutar sua mensagem, conhecer sua ação profética, meditar sua entrega,  sua crucifixão, se percebemos que as palavras de Jesus nos comovem  então nosso coração começa a arder.  Em nosso grupo, ele caminha conosco.  Ontem como hoje, trata-se de conviver com as Escrituras. Ele como que salta das páginas. Será fundamental  não alimentar  cegueira e surdez. O peregrino ameaça ir adiante.  Os discípulos pedem que entre na pousada de Emaús.  “A cena é simples e afetuosa. Uns viajantes, cansados de seu longo caminhar,  sentam-se como amigos  para compartilhar a mesma experiência. É então que Jesus repete exatamente os quatro  gestos  que, de acordo com a tradição,  havia feito na ceia de despedida: Tomou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e  deu a eles.  Nos discípulos desperta a fé: Seus olhos se abriram e o reconheceram.  Descobrem a Jesus como alguém que alimenta suas vidas, os sustenta no cansaço e os fortalece no caminho” (Pagola,  Grupos de Jesus, p. 308). Felizes, transformados, sem sinais de cansaço, quase correndo os dois voltam a Jerusalém  na pressa de anunciar aos outros a boa nova:  Jesus os havia nutrido com seu pão e eles o reconheceram de modo especial, na fração do pão. Concluindo: “Não basta celebrar missas nem ler trechos bíblicos de qualquer maneira.  O relato de Emaús fala de duas experiências básicas. Os discípulos não leem um texto, ouvem a voz inconfundível de Jesus, que faz arder seu coração. Não celebram uma liturgia, sentam-se como amigos  à mesma mesa e descobrem juntos que é o próprio Jesus que os alimenta.  Para que continuar a fazer as coisas de uma maneira que não transforma?  Não precisamos antes de mais nada, de um contato mais real com  Jesus?  De uma nova simplicidade? De uma fé diferente?  Não precisamos  aprender a viver com mais verdade e a partir de uma dimensão nova?  Se Jesus desaparece de nosso coração, todo o resto é inútil”  (Pagola, Lucas, p.361-362). Emaús é um pedaço de nossa aventura humana e cristã.  Quando deixamos que a Palavra nos perpasse e quando alimentamo-nos com o Pão da vida  temos a certeza da presença entre nós  daquele que deixou vazio o sepulcro da morte.  Fazemos nossa a memória da  Igreja que conservou nela, no âmbito da fé,  a Ressurreição do  Senhor.  Para reflexão  A presença do  Ressuscitado  é invisível e silenciosa.  Torna-se visível no rosto de um desconhecido,  de um peregrino que se torna companheiro improvisado de caminho, e fala através das palavras da Escritura.  A Bíblia e o outro homem,  a Palavra de Deus contida nas Escrituras e o rosto do outro, sobretudo do estranho e do pobre, são lugares por excelência  em que a presença do  Ressuscitado pode encontrar-nos, recordando-nos o  mandamento evangélico: ama  Deus e o teu próximo. Luciano Manicardi Oração  Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,o caminho é longo e o cansaço é grande.Fica para dizer-nos tuas palavras vivas,que aquietam a mente e inflamam a alma.Mantém inquietos nossos corações lerdos,dissipa nossas dúvidas e temores.Olha-nos com teus olhos de luz e vida,devolve-nos a  ilusão perdida.Fica e limpa-nos  o rosto e as entranhas;queima esta tristeza, dá-nos esperança.Fica e renova valores e sonhos:dá-nos de novo tua alegria e tua paz.Fica, Senhor, porque já está ficando tarde,o caminho é longo e o cansaço grande  (F. Ulibarri). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Contato pessoal com Jesus José Antonio Pagola A caminho de Emaús, dois discípulos caminham com ar triste. Não têm meta nem objetivo. Sua esperança apagou-se. Jesus desapareceu de suas vidas. Falam e discutem sobre Ele, mas, quando Jesus se aproxima deles cheio de vida, seus olhos “não são capazes de reconhecê-lo”. Jesus os havia imaginado de outra maneira ao enviá-los dois a dois: cheios de vida, transmitindo paz em cada casa, aliviando o sofrimento, curando a vida e anunciando a todos que Deus está próximo e se preocupa conosco. Aparentemente, estes discípulos têm o necessário para manter viva a fé, mas algo morreu dentro deles. Conhecem as Escrituras sagradas: mas isso não lhes serve de nada. Ouviram o Evangelho na Galileia: mas tudo lhes parece agora uma ilusão do passado. Chegou até eles o anúncio de que Jesus está vivo: mas isso é coisa de mulheres, quem pode acreditar em algo semelhante? Estes discípulos têm tudo e não têm nada. Falta-lhes a única coisa que pode fazer “arder” seu coração: o contato pessoal com Jesus vivo. Não será este o nosso problema? Por que tanta mediocridade e desencanto entre nós? Por que tanta indiferença e rotina? Prega-se sempre de novo a doutrina cristã, escrevem-se excelentes encíclicas e cartas pastorais, publicam-se estudos eruditos sobre Jesus. Não faltam palavras e celebrações. Talvez nos falte uma experiência mais viva de alguém que não pode ser substituído por nada nem por ninguém: Jesus Cristo, o Vivente. Não basta celebrar missas nem ler textos bíblicos de qualquer maneira. O relato de Emaús fala de duas experiências básicas. Os discípulos não leem um texto, ouvem a voz inconfundível de Jesus, que faz arder seu coração. Não celebram uma liturgia, sentam-se como amigos à mesma mesa e descobrem juntos que é o próprio Jesus quem os alimenta. Para que continuar fazendo coisas de uma maneira que não nos transforma? Não precisamos, antes de mais nada, de um contato mais real com Jesus? De uma nova simplicidade? De uma fé diferente? Não precisamos aprender a viver tudo com mais verdade e a partir de uma dimensão nova? Se Jesus desaparece de nosso coração, todo o resto é inútil. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   A memória de Cristo na Palavra e na Eucaristia Johan Konings A saudade é a gostosa presença do ausente. Quando alguém da família ou uma pessoa querida está longe, a gente procura se lembrar dessa pessoa. É o que aconteceu com os discípulos de Emaús (evangelho de hoje). Jesus tinha sumido… mas, sem que o reconhecessem, estava caminhando com eles. Explicava-lhes as Escrituras. Mostrava-lhes as passagens do Antigo Testamento que falavam dele. Pois existe no Antigo Testamento um veio escondido que, à luz daquilo que Jesus fez, nos faz compreender que Jesus é o Messias: os textos que falam do Servo Sofredor, que salva o povo por seu sofrimento (Is 52-53); ou do Messias humilde e rejeitado (Zc 9-12); ou do povo dos pobres de Javé (Sf 2-3) etc. Jesus ressuscitado abriu, para os discípulos de Emaús esse veio.Textos que eles já tinham ouvido, mas nunca relacionado com aquilo que Jesus andou fazendo… e sofrendo. Isso é uma lição para nós. Devemos ler a Sagrada Escritura através da visão de Jesus morto e ressuscitado, dentro da comunidade daqueles que nele creem. É o que fazem os apóstolos na sua primeira pregação, quando anunciam ao povo reunido em Jerusalém a ressurreição de Cristo, explicando os textos que, no AT falam dele (1ª leitura). Para a compreensão cristã da Bíblia é preciso “ler a Bíblia na Igreja, reunidos em torno de Cristo ressuscitado”. O que aconteceu em Emaús, quando Jesus lhes abriu as Escrituras, é parecido com a primeira parte de nossa celebração dominical, a liturgia da palavra. E muito mais parecido ainda com a segunda parte: Jesus abençoa e parte o pão, e nisso os discípulos o reconhecem presente. Desde então a Igreja repete este gesto da fração do pão e acredita que nele Cristo mesmo se torna presente. É o rito eucarístico de nossa missa. Emaús nos ensina duas maneiras fundamentais para ter Cristo presente em sua ausência: ler as escrituras à luz de sua memória e celebrar a fração do pão, o gesto pelo qual ele realiza sua presença real, na comunhão de sua vida, morte e ressurreição. É a presença do Cristo pascal, glorioso – já não ligado a tempo e espaço, mas acessível a todos os que o buscam na fé e se reúnem em seu nome. PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Paróquia São Sebastião cria "Campanha Sentiu Compaixão e Cuidou"

A Paróquia São Sebastião, na vizinha Tracuateua, criou há uns dias a Campanha Sentiu Compaixão e Cuidou. O título da campanha foi inspirado no tema da Campanha da Fraternidade 2020: "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", inspirada no Evangelho segundo Lucas 10, 25-37, que nos apresenta a parábola do Bom Samaritano. A campanha tem como objetivo coletar material, confeccionar e distribuir máscaras reutilizáveis às famílias mais necessitadas dos bairros. Trata-se de uma mobilização dos paroquianos que doam os materiais, tais como linhas, elásticos, tecidos e embalagens. Para a mão de obra, temos nove costureiras que confeccionam as máscaras, voluntariamente. O projeto está subdividido em grupos de doadores de materiais, costureiras voluntárias e o grupo que coleta o material dos doadores e leva até as costureiras e recolhe às máscaras quando já estão prontas. As mesmas seguem para o processo de higienização, que consiste em lavar, passar e embalar individualmente, a base de água sanitária e sabão, cujo procedimento é realizado por outro grupo.              As senhoras Aldenir Soeiro (esquerda) e Sebastiana Cordeiro (direita) são apenas duas das costureiras voluntárias, que de suas casas, com todos os cuidados, ajudam a confeccionar as máscaras/ Foto: Paróquia São Sebastião         Quanto à distribuição, está sendo realizada às famílias, via os coordenadores das comunidades urbanas e seus respectivos coordenadores de setor, através de um levantamento prévio. "Até o momento, já foram confeccionadas em torno de quinhentas máscaras que já estão em processo de distribuição. Conforme o andamento da campanha, acreditamos distribuir mais de mil máscaras à nossa população de Tracuateua", nos conta a secretária da paróquia e voluntária na campanha, Sra. Marcela Corpes. Marcela ressalta ainda que todas as máscaras são em duas faces de tecido de algodão, conforme as recomendações do Ministério da Saúde brasileiro. Por Paróquia São Sebastião Tracuateua - PA

O renascer da Pascom

Após ter transcorrido mais de cinquenta dias da confirmação do primeiro caso da doença Covid-19 no Brasil e verificando o rápido contágio do coronavírus em outros países, cada vez mais, temos a certeza de que não se trata de um vírus qualquer e que todos, direta ou indiretamente, vamos ser atingidos ao longo dos próximos dois anos. As autoridades sanitárias do mundo inteiro, inclusive do Brasil, depois de um tempo de incertezas ante o desconhecido, determinando o isolamento social como melhor remédio contra esta doença que ainda não tem cura. Desta forma, fomos obrigados a fechar nossas igrejas e capelas e suspender nossas atividades pastorais, precisamente no período em que o povo manifesta mais intensamente a sua devoção ante o Cristo que morre e ressuscita e a liturgia expressa de forma bela o mistério do tríduo Pascal: o amor de Deus por toda a humanidade. Na verdade, fechamos bem antes da Semana Santa, continuamos fechados e não sabemos até quando. Este isolamento social tem um grande custo econômico e, como já aconteceu em outros países, a atividade econômica deve despencar no Brasil, trazendo mais pobreza ao povo que já sofre com o desemprego e a informalidade. Por isso, é louvável a sensibilidade social que leva a distribuir entre os mais pobres recursos financeiros públicos, mesmo em pequenas quantias, para ajudar na manutenção das famílias mais vulneráveis. Este custo financeiro deve atingir toda a sociedade e, também, nossas paróquias com a queda do dízimo e a ausência das coletas recolhidas nas celebrações litúrgicas. Na verdade, algumas paróquias e comunidades eclesiais já o estão sentindo. É o preço que devemos pagar na luta contra o coronavírus. Eu, desde meu isolamento, venho acompanhando as atividades que estão sendo realizadas nas paróquias e, com alegria, tenho observado as iniciativas pastorais e litúrgicas que os párocos, vigários paroquiais e diáconos da nossa Diocese de Bragança realizaram na Semana Santa como forma de aproximar a liturgia ao povo de Deus, recluído nas suas casas. Embora não tenham chegado ao meu conhecimento todas as iniciativas das paróquias neste tempo de isolamento social, sei que uma boa parte delas estão transmitindo as celebrações eucarísticas pela rádio, televisão e internet (Facebook e Youtube). E fico feliz por isso. Nosso povo merece todos os nossos esforços e atenção respondendo como bons pastores às suas necessidades, como diria nosso Papa Francisco: “pastores com o cheiro das ovelhas”. As necessidades pastorais devem aguçar nossa criatividade para que não falte ao povo nem a Palavra de Deus e nem a Eucaristia. Mas, a grande lição que estamos aprendendo no atual isolamento social é a necessidade de valorizar e potencializar a Pastoral da Comunicação nas paróquias e diocese. Embora já existisse de forma nominal, inclusive já tivesse uma equipe diocesana, esta pastoral sempre teve muitas dificuldades para deslanchar, seja por desconhecimento por parte de todos da missão da Pascom, seja por falta de pessoas com conhecimentos técnicos e tempo disponível, seja pelo nível de comprometimento que ela exige. O certo é que a Pascom sempre foi muito limitada em nossa diocese e, pelo que conheço, também nas outras dioceses do Regional Norte II. Porém, ante a necessidade, verifico que algumas pessoas com conhecimento dos meios de comunicação social, provavelmente de forma muito improvisada, nos estão ajudando a transmitir nossas celebrações litúrgicas dando-nos a oportunidade de continuar as atividades evangelizadoras. Como quase sempre acontece na Igreja, o Espírito Santo suscitou pessoas que motivadas pelo desejo de servir à comunidade e com alguns conhecimentos técnicos estão fazendo ressurgir esta pastoral e mostrando para todos nós a sua grande relevância no serviço de evangelização da Igreja pelos meios de comunicação. Assim pois, irmãos sacerdotes e diáconos, está na hora de valorizar e apoiar a Pastoral da Comunicação em nossas paróquias e comunidades eclesiais, chamando pessoas para esse serviço, promovendo uma maior formação, facilitando recursos técnicos e integrando essas pessoas nas estruturas pastorais das paróquias. E, recordem, que a Pascom não deve existir somente para o tempo que durar o coronavírus, mas ela é uma pastoral permanente em nossa Igreja. Demos graças a Deus que, nestes tempos de epidemia, nos mostrou a importância da Pastoral da Comunicação e ao Espirito Santo que chama pessoas a realizar este serviço. Por Dom Jesus M. Cizaurre Bispo de Bragança do Pará  

"A misericórdia não abandona quem fica para trás." Papa alerta para o vírus da indiferença

O Papa Francisco deixou o Vaticano esta manhã para percorrer poucos metros até a Igreja do Espírito Santo ‘in Sassia’, ao lado da Cúria Geral dos Jesuítas, para celebrar a missa deste II Domingo de Páscoa. E o fez no mesmo lugar onde, 20 anos antes, São João Paulo II instituiu o Domingo da Misericórdia ao canonizar a polonesa Ir. Faustina Kowalska. Como nos ritos da Semana Santa, não havia fiéis. Na homilia, o Pontífice comentou o Evangelho de João e a semana que os discípulos transcorreram depois da ressurreição do Mestre – uma semana marcada pela “incredulidade medrosa”. Diante deste sentimento, Jesus volta para o meio deles para anunciar que Deus não se cansa de estender a Sua mão para nos levantar. E esta “mão” é precisamente a misericórdia. Deus não é um patrão com o qual ajustar as contas, mas o Pai que sempre nos levanta. “Hoje, nesta igreja que se tornou santuário da misericórdia em Roma, no domingo que São João Paulo II dedicou à Misericórdia Divina há vinte anos, acolhamos confiadamente esta mensagem”, disse o Papa. Entregar as nossas misérias ao Senhor A Santa Faustina, disse Jesus: «Eu sou o amor e a misericórdia em pessoa; não há miséria que possa superar a minha misericórdia» (Diário, 14/IX/1937). Uma frase que surpreendeu a santa foi quando Cristo pediu que ela oferecesse aquilo que é verdadeiramente seu – também nosso -, a sua miséria. Também nós podemos nos interrogar se mostramos as nossas quedas ao Senhor ou se há um pecado, remorso, ferida ou rancor que guardamos para nós. “O Senhor espera que Lhe levemos as nossas misérias, para nos fazer descobrir a sua misericórdia.” Em meio aos discípulos, Jesus mostra as suas chagas e pede que Tomé as toquem descobrindo o amor. “Tomé, que chegara atrasado, quando abraça a misericórdia, ultrapassa os outros discípulos: não acredita só na ressurreição, mas também no amor sem limites de Deus. E faz a profissão de fé mais simples e mais bela: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).” Eis a ressurreição do discípulo, explica Francisco, que se realiza quando a sua humanidade, frágil e ferida, entra na humanidade de Jesus. É a mesma fragilidade que estamos experimentando neste momento de reclusão.  Nesta festa da Divina Misericórdia, o anúncio mais encantador chega através do discípulo mais atrasado. Só faltava ele, Tomé. Mas o Senhor esperou por ele. “A misericórdia não abandona quem fica para trás.” O vírus da indiferença egoísta Enquanto pensamos numa recuperação da pandemia, alertou o Pontífice, é precisamente este perigo que se insinua: esquecer quem ficou para trás. “O risco é que nos atinja um vírus ainda pior: o da indiferença egoísta. Transmite-se a partir da ideia que a vida melhora se vai melhor para mim, que tudo correrá bem se correr bem para mim.” O vírus se alastra quando se selecionam as pessoas, se descartam os pobres, se imola “no altar do progresso quem fica para trás”. “É tempo de remover as desigualdades, sanar a injustiça que mina pela raiz a saúde da humanidade inteira!”, exortou. Distribuir os bens não é ideologia, é cristianismo A comunidade cristã primitiva colocou em prática a misericórdia, como descreve o livro dos Atos dos Apóstolos: os fiéis «possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 44-45). “Isto não é ideologia”, recordou Francisco. “É cristianismo.” Naquela comunidade, depois da ressurreição de Jesus, apenas um tinha ficado para trás. Hoje, parece acontecer o contrário: uma pequena parte da humanidade avançou, enquanto a maioria ficou para trás. E o Papa insistiu: “Não pensemos só nos nossos interesses. Aproveitemos esta prova como uma oportunidade para preparar o amanhã de todos. Sem descartar ninguém: de todos. Porque, sem uma visão de conjunto, não haverá futuro para ninguém.” Façamos como o apóstolo Tomé, concluiu o Papa: acolhamos a misericórdia, que é a salvação do mundo. E usemos de misericórdia para com os mais frágeis: só assim reconstruiremos um mundo novo. Por Bianca Fraccalvieri Em Vatican News

2º Domingo da Páscoa

Uma paz urgente e necessária Frei Gustavo Medella No Evangelho deste 2º Domingo do Tempo Pascal, o Ressuscitado aparece entre os discípulos trazendo-lhes a paz, oportuna e necessária para o tempo de medo e insegurança que eles viviam: “A paz esteja convosco”. Com sua presença pacífica e pacificadora, o Senhor transforma o coração dos seus e os prepara para serem enviados em missão. A paz transformadora que o Senhor apresenta e oferece transforma em primeiro lugar o coração dos mais próximos e presentes. Tomé, ausente num primeiro contato, tem certa resistência em deixar-se transformar pela presença de Deus. Prefere não ouvir a voz do Senhor falando na força da comunhão dos fiéis. Na primeira leitura, dos Atos dos Apóstolos, a descrição de uma comunidade que se deixa guiar pelos ensinamentos de paz que o Ressuscitado oferece, marcados pela oração, pela comunhão, pela partilha e pela generosidade. Tais ensinamentos adquirem caráter de urgência para o tempo de pandemia que estamos vivendo. Numa hora como esta, caem por terra todos os luxos e caprichos para que a vida em sua manifestação mais simples seja preservada e protegida. Fortuna, mercado, sistema financeiro, lucros, luxos e mimos, privilégios devem dar lugar a uma lógica nova, revolucionária, pascal. Salvar-se, neste atual contexto, é oferecer toda assistência necessária para que nenhuma vida se perca. Já perdemos diversas, é verdade. Mas o compromisso de salvá-las deve ser o grande norte para o qual o Ressuscitado nos direciona e que as lições aqui aprendidas sirvam de fato para nos transformar a partir de dentro, a fim de que o mundo seja um lugar onde a vida, de fato, seja mais forte do que a morte. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011   2º Domingo depois da Páscoa Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, e o sangue que nos redimiu”. Primeira leitura: At 2,42-47 Todos os que abraçavam a fé viviam unidose colocavam tudo em comum. Lucas dá uma imagem idealizada da comunidade cristã de Jerusalém (At 2,42-47), imagem que se completa em At 4,32-36 e 5,12-16. Lucas apresenta esta imagem como uma resposta viva à pregação de Pedro após a vinda do Espírito Santo (At 2,1-41). A primeira comunidade surge sob o impacto do Espírito Santo, derramado pelo Ressuscitado. O segredo do crescimento e do fervor desta comunidade está resumido no v. 42: “Eles frequentavam com perseverança a doutrina dos apóstolos, as reuniões em comum, o partir do pão e as orações”. Os elementos constitutivos da comunidade são: o anúncio da Palavra que propõe e salvação, e tem como resposta o serviço (diaconia), a comunhão (partilha, koinonia) e o louvor de Deus. A partilha de bens na comunidade é um reflexo da ordem de Jesus na última ceia: “Fazei isto em memória de mim”. Celebrar a Eucaristia não é apenas fazer a memória da última ceia, da paixão, morte e ressurreição do Senhor. É também fazer a memória da vida de Jesus, marcada pela divisão do pão (duas “multiplicações”); é a memória do Cristo ressuscitado que se deu a conhecer aos discípulos de Emaús ao partilhar com eles a palavra e o pão. Salmo responsorial: Sl 117             Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;             eterna é a sua misericórdia. Segunda leitura: 1Pd 1,3-9 Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva. Esta carta quer confortar os cristãos de origem pagã da segunda geração, ameaçados pela perseguição. O texto começa com um hino batismal, no qual se louva a Deus Pai pela obra da salvação. A misericórdia de Deus se manifesta pela fé em Cristo Ressuscitado. Pelo batismo Cristo nos faz nascer de novo para “uma esperança viva” na salvação que está reservada no céu para nós, e se manifestará quando Ele vier em sua glória nos “últimos tempos”. A fé e a esperança se tornam vivas e verdadeiras quando passam pelo fogo das provações e nos preparam para participar na manifestação gloriosa de Jesus Cristo. Com tais palavras a carta visa confirmar a fé e o amor dos cristãos que, como nós, não conheceram Jesus de Nazaré: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais”. Para os cristãos da Carta de Pedro, e a nós também, dirigem-se as palavras que Jesus diz a Tomé incrédulo: “Acreditaste, porque me viste? Felizes os creram sem terem visto” (Evangelho). Aclamação ao Evangelho Aleluia, Aleluia, Aleluia.             Acreditaste, Tomé, porque me viste.             Felizes os que creram sem ter visto! Evangelho: Jo 20,19-31 Oito dias depois, Jesus entrou. Os evangelhos lidos nos domingos após a Páscoa apresentam as narrativas das aparições de Jesus ressuscitado. No evangelho de hoje João nos conta duas aparições: uma na tarde do primeiro dia da semana e outra, oito dias depois. Na primeira, Jesus se manifesta aos “discípulos” reunidos no cenáculo. Acontece depois da visita de Maria Madalena ao túmulo, da corrida de Pedro e João ao túmulo vazio e da aparição de Jesus a Maria Madalena. No final da primeira aparição é conferido o dom do Espírito (v. 21-23). Os discípulos recebem o Espírito em vista da missão: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio” (v. 21). Tomé, que não estava presente na primeira “reunião”, não acreditou no testemunho dos apóstolos (v. 24-25). A segunda aparição aos onze apóstolos acontece uma semana depois, e Tomé estava entre eles. O incrédulo Tomé é repreendido: “Põe aqui o dedo e olha minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado, e não sejas incrédulo, mas homem de fé”. Tomé devia tocar o lado traspassado de Jesus, deixar-se tocar pelo amor total daquele que deu sua vida por nós. A incredulidade de Tomé traz uma repreensão, válida para todos nós: “Porque me viste, acreditaste. Felizes os que não viram e creram”. O evangelho está relacionado com a 1ª leitura pelo tema da “reunião”. É na assembleia reunida no Dia do Senhor é que vivemos, celebramos e cultivamos nossa fé comum no Cristo Ressuscitado. Está também relacionado com a 2ª leitura: “Sem o terdes visto, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isto será para vós fonte de alegria inefável e gloriosa” (1Pd 1,8). – A fé em Cristo ressuscitado se reaviva quando nos reunimos no Domingo a fim de participar na oração em comum, e nos alimentamos da mesa da Palavra e da mesa da Eucaristia. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Meu Senhor e meu Deus! Frei Clarêncio Neotti A dúvida de Tomé é providencial. Ele não deve ter sido o único Apóstolo que demorou a acreditar na Ressurreição. Mateus o diz expressamente: “alguns ainda duvidavam” (Mt 28,17) na hora da Ascensão. A dúvida é em si positiva. É sempre parte do caminho andado na procura da verdade. Por isso mesmo, Jesus não repreendeu Tomé. Ajudou-o a superar a dúvida e o levou a uma perfeita profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!” (v. 28). Esses dois títulos juntos, no Antigo Testamento, eram reservados a Javé. O Apóstolo não só passou a acreditar que Jesus ressuscitara, porque aí estava e ele podia pôr o dedo nas chagas, mas também viu nele o Cristo de Deus. A palavra “Senhor”, para designar Jesus, só aparece depois da Ressurreição nos escritos sagrados. O Apóstolo Paulo dirá aos Filipenses: “Toda a língua proclame que Jesus é o Senhor!” (Fl 2,11). Com esse episódio, o evangelista queria lembrar um modo novo de ver e ouvir Jesus. Os Apóstolos o podiam tocar, ver; podiam escutá-lo de viva voz. Mas isso terminaria na Ascensão. Todos os outros discípulos, inclusive Paulo e nós, devemos “crer sem ver”. Se não vemos com os olhos do corpo, não significa que nossa fé seja menor ou menos baseada ou menos firme que a dos Apóstolos. Jesus nos anima muito com a frase: “Felizes os que não viram e creram” (v. 29). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Bendito Tomé! Frei Almir Guimarães  Hoje estamos sendo convidados a ir ao encontro  dos apóstolos que estão reunidos em Jerusalém, no Cenáculo.  O evangelho fala de uma tarde, no primeiro dia da semana e de outra tarde, oito dias depois. Esses dias serão marcados por manifestações do Senhor Ressuscitado. Podemos bem imaginar que esses pescadores, apesar de tantos sinais de Jesus, estivessem amedrontados.  Afinal, seu Mestre tinha morrido!  Ei-lo agora  passando pelas portas fechadas, isto é, sendo ele e ao mesmo tempo sendo diferente.  Os apóstolos se dão conta  que ele está vivo. Há  alegria no ar. O  Ressuscitado sopra sobre eles e lhes dá a paz.  A paz, a verdadeira paz, nasce do perdão dos pecados.  O sopro é do Espírito. Jesus não precisa forçar as portas. Ele está presente lá onde quer se fazer presente.  Está no meio dos seus. Nesse contexto é que se insere o episódio de Tomé.  Ele queria ver para crer, tocar as chagas.  Tomé acontece em nossas vidas  quando  não aceitamos a palavra dos  discípulos.  Eles haviam afirmado que tinham visto o Senhor.  Quer dizer, visto uma manifestação expressamente desejada pelo  Ressuscitado.   Somos  Tomé, depois da dúvida, quando resolvemos  acreditar na palavra dos discípulos ou apóstolos, de ontem e de hoje, quando fazemos nosso o mais belo de todos o gritos de fé:  “Meu  Senhor e meu  Deus”. O que se guarda  da visita de Jesus ao  Cenáculo na noite da ressurreição e oito dias depois? A paz, a fé, a vida, em outras palavras, a felicidade. Tomás  Halík,  eclesiástico tcheco,  escreveu um livro  com o sugestivo título  de “Toque as feridas”. O autor “revira” o texto de  Tomé de cabeça para baixo.  A leitura da página que agora transcrevemos poderá servir de meditação  a respeito do episódio em exame: “Tomé foi um homem disposto a seguir o seu Mestre até o amargo fim.  Lembremo-nos de sua reação  às palavras de Jesus  quando chegou a hora de ir até Lázaro: “Vamos nós também para morrermos com ele”. Ele levou a cruz a sério – e talvez a notícia da Ressurreição tenha lhe parecido um final feliz  fácil demais para  a Paixão de Cristo. Talvez tenha sido este o motivo pelo qual ele se recusou a compartilhar  a alegria  dos outros apóstolos e, por isso, tenha exigido ver as feridas de Jesus. Ele queria ver se a Ressurreição não  esvaziava a cruz. Tão somente então ele poderia dizer o seu  Eu creio.  Talvez  o “Tomé incrédulo”  tenha compreendido  o sentido da Páscoa  de forma mais profunda que os outros. A incredulidade de Tomé foi mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos crentes, escreveu  o Papa  Gregório Magno  em sua homilia  sobre este texto do Evangelho. Jesus se aproxima de Tomé e lhe mostra suas feridas. “Veja, o sofrimento  – não importa qual  – não foi simplesmente apagado e esquecido!”.  As feridas permanecem.  Mas aquele que “suportou as doenças de todos nós”,  atravessou também  a porta do inferno e da morte, e ele continua   (incompreensivelmente)  aqui entre nós.  Com isso, ele nos mostrou: “O amor tudo suporta”,  “águas torrenciais  não conseguirão apagar o amor, nem os rios  poderão afoga-lo”, “porque o amor é forte como a morte”, até mais forte do que ela.  À luz desse evento, o amor se apresenta como  valor que não podemos relegar  ao domínio do sentimentalismo: o amor uma força  –  a única força capaz de sobreviver á morte e de abrir as portas com suas mãos traspassadas. A ressurreição não é, portanto, um “final feliz”, mas um convite e um incentivo.  Não podemos, nem devemos capitular  diante do fogo do sofrimento, mesmo quando não o consigamos  apagar agora. Quando confrontados com o mal, não podemos ceder-lhe  a última palavra. Não devemos ter medo de “acreditar no amor”, nem mesmo quando, segundo todo os critérios do mundo, ele estiver perdendo. Tenhamos a coragem de responder a “sabedoria do mundo”  com a loucura da cruz. Talvez  Jesus  – ao ressuscitar a fé de Tomé   pelo toque das feridas   –  quis lhe dizer a mesma coisa que  me revelou a mim no orfanato   em Madras:  lá, onde você toca o sofrimento humano  –  e talvez apenas lá –  você reconhece que  Eu estou vivo, que  “Eu sou”. Você me encontra em todos os lugares  em que as pessoas sofrem. Não esquiva-se de mim  em nenhum desses encontros. Não tenha medo!  Não seja incrédulo.  Creia!” (p.18-19). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Abrir as portas José Antonio Pagola O Evangelho de João descreve com traços obscuros a situação da comunidade cristã quando em seu centro falta Cristo ressuscitado. Sem sua presença viva, a Igreja se converte num grupo de homens e mulheres que vivem “numa casa com as portas fechadas, por medo dos judeus””. Com as “portas fechadas” não se pode ouvir o que acontece lá fora. Não é possível captar a ação do Espírito no mundo. Não se abrem espaços de encontro e diálogo com ninguém. Apaga-se a confiança no ser humano e crescem os receios e preconceitos. Mas uma Igreja sem capacidade de dialogar é uma tragédia, pois os seguidores de Jesus são chamados a atualizar o eterno diálogo de Deus com o ser humano. O “medo” pode paralisar a evangelização e bloquear nossas melhores energias. O medo nos leva a rejeitar e condenar. Com medo não é possível amar o mundo. Mas, se não o amamos, não o olhamos como Deus o olha. E, se não o olhamos com os olhos de Deus, como comunicaremos a Boa Notícia? Se vivemos com as portas fechadas, quem deixará o redil para buscar as ovelhas perdidas? Quem se atreverá a tocar algum leproso excluído? Quem se sentará à mesa com pecadores ou prostitutas? Quem se aproximará dos esquecidos pela religião? Os que querem buscar o Deus de Jesus nos encontrarão com as portas fechadas. Nossa primeira tarefa é deixar entrar o Ressuscitado através de tantas barreiras que levantamos para defender-nos do medo. Que Jesus ocupe o centro de nossas igrejas, grupos e comunidades. Que só Ele seja fonte de vida, de alegria e de paz. Que ninguém ocupe seu lugar, que ninguém se aproprie de sua mensagem. Que ninguém imponha um modo diferente do seu. Já não temos mais o poder de outros tempos. Sentimos a hostilidade e a rejeição em nosso entorno. Somos frágeis. Mais do que nunca, precisamos abrir-nos ao sopro do Ressuscitado para acolher seu Espírito Santo. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Nossa fé “apostólica” Pe. Johan Konings Todo mundo gosta de ter provas palpáveis para acreditar. Mas, para que ainda acreditar, quando se tem provas palpáveis? E que certeza dão as pretensas provas? Nossa fé não vem de provas imediatas, mas da fé das “testemunhas designadas por Deus”(At 10,41), principalmente os apóstolos. Acreditamos naquilo em que eles acreditaram. Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o Ressuscitado e por isso acreditaram. Caso típico é Tomé (evangelho). Ele foi até convidado por Jesus a tocar nas chagas das mãos e do lado. O evangelho não confirma que ele tocou mesmo, mas sim, que ele creu: “Meu Senhor e meu Deus”. Nós não temos este privilégio. Nós seremos felizes se crermos sem ter visto, como diz o fim dessa história (Jô 20,29)! Mas, para que isso fosse possível, os apóstolos nos deixaram os evangelhos, testemunho escrito do que eles viram e da fé no Cristo e Filho de Deus que abraçaram (Jô 20,30-31). O Cristo descrito nos evangelhos é visto com os olhos da fé dos apóstolos. Um incrédulo o veria bem diferente. Nós cremos em Jesus assim como os apóstolos o viram. A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de “amar Cristo sem tê-lo visto” e de “acreditar nele (como Senhor e fonte de nossa glória futura), embora ainda não o vejamos “ (2ª leitura). Acreditamos também na comunidade que, nessa fé, os apóstolos fundaram. A 1ª leitura descreve-a como comunidade de oração e de vida, recordando Jesus na “fração do pão” e praticando a comunhão de bens, repartindo tudo entre si. Pois para ser fiel a Cristo não basta orar e celebrar; é preciso fazer o que ele fez: repartir a vida com os irmãos. Nós acreditamos na fé dos apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Então, nossa fé não é coisa privada. É apostólica e eclesial. Damos crédito à Igreja dos apóstolos. Os primeiros cristãos faziam isso até materialmente: entregavam os seus bens para que ela os transformasse em instrumentos do amor do Cristo. Crer não é somente aceitar verdades. É agir segundo a verdade do ser discípulo e seguidor do Cristo. É inútil querer verificar e provar nossa fé sem passar pelos apóstolos e pela corrente de transmissão que eles instituíram, a Igreja. É impossível verificar por evidências encontradas ou forjadas fora do ambiente dos evangelhos a ressurreição de Cristo. Ora, o importante não é “verificar” ao modo de Tomé, mas viver o sentido da fé que os apóstolos (inclusive Tomé) tiveram em Jesus e a nós transmitiram. A fé dos apóstolos exige de nós que creiamos em seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado, ou seja, que adiramos à mesma fé. E exige também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial, que brotou de sua pregação. PE. JOHAN KONINGSnasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Semana Santa 2020

A Igreja em todo o mundo celebrou na semana passada a Semana Santa, período central da fé cristã, que tem seu ápice na Páscoa do Senhor: o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Todos os anos essas solenidades reúnem centenas de fiéis nas paróquias e ruas das várias cidades diocese afora para participar, por exemplo, da procissão com o Santíssimo Sacramento, na Quinta-feira Santa após a celebração da Ceia do Senhor, e da Procissão do Encontro, na Sexta-feira Santa, dentre tantos outros momentos importantes vividos nos dias santos. Neste ano, em sintonia com as orientações do Ministério da Saúde e demais autoridades competentes, que aconselham o isolamento social para o combate à pandemia da Covid-19, as celebrações foram realizadas sem participação dos fiéis, com no máximo uma pequena equipe de celebração e transmissão pela internet, TVs e rádios. Cada paróquia teve que cuidar de sua própria celebração-transmitida, dando as devidas orientações para que os fiéis pudessem acompanhar, se possível, as transmissões da sua comunidade paroquial. A impressão que tivemos, a considerar algumas falas de padres e de lideranças das várias paróquias da diocese, é que agora se compreendeu verdadeiramente a importância de a Pastoral da Comunicação – Pascom estar instalada e funcionando dentro de uma comunidade. Muitas paróquias que não contam com a Pascom tiveram um grau de dificuldades bem mais elevado para realizar as atividades de transmissão das celebrações. Outras, que já a tinham, puderam ter mais “tranquilidade” durante a Semana Santa. Para os agentes da Pascom, com todo esse trabalho dos últimos dias, fica claro também a necessidade de formação, de melhor conhecer nossa pastoral. Pudemos entender que nosso trabalho dentro de nossas comunidades não se resume apenas ao trabalho técnico, apenas de transmissões. Muitas experiências foram vividas por estes agentes da Pascom, por padres, leigos e todos nós que estamos envolvidos por todos esse cenário que aí está posto por conta do coronavírus. Mas, em particular, vamos apresentar abaixo um pouco do trabalho feito pela Pascom de Dom Eliseu, Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Com pouquíssimo tempo que o grupo foi formado já tiveram, com a graça de Deus, que cuidar de todo o necessário para que os paroquianos de lá pudessem melhor vivenciar a Semana Santa. ________________________   A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, de Dom Eliseu-PA, a exemplo de toda a Diocese de Bragança, viveu uma Semana Santa diferente neste ano de 2020. Com a quarentena devido ao Coronavírus tivemos de nos reinventarmos para celebrar bem a Semana Santa. O pároco, Pe. Luiz Carlos, organizou uma programação especial que foi transmitida pela página do Facebook e o canal do Youtube da paróquia; aos domingos a santa missa também foi transmitida pela rádio local. Esta programação foi bem aceita pelos paroquianos que acompanhavam e interagiam por estes meios, apresentando preces e intenções para as liturgias celebradas.   DOMINGO DE RAMOS:  Neste dia que marca a entrada de Jesus em Jerusalém, foi celebrado na matriz em construção às 9 horas. Os paroquianos ornaram suas portas com ramos e prepararam altares em suas salas para acompanharem a santa missa.    SEGUNDA-FEIRA SANTA: Às 19 horas aconteceu a Live Penitencial, que foi conduzida pela RCC. E às 19h30min, Padre Luiz presidiu a Santa Missa.   TERÇA-FEIRA SANTA: Às 19 horas foi realizada a Live do Santo Terço, com os grupos Terço dos Homens e Terço das Mulheres. Logo em seguida, às 19h30min, foi celebrada a Santa Missa.   QUARTA-FEIRA SANTA: Na quarta-feira santa, às 19 horas, Padre Luiz Carlos conduziu a reflexão O retorno do filho pródigo. Em seguida, às 19h30min, presidiu a Santa Missa.   QUINTA-FEIRA SANTA: Neste dia, em que celebramos a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, às 18h30min, houve Adoração ao Santíssimo Sacramento, com o padre e os diáconos da paróquia. Após o momento de adoração, às 19h30min, celebrou-se a Santa Missa da Ceia do Senhor. Após a celebração eucarística Pe. Luiz Carlos convidou os que estavam acompanhando a Santa Missa e estavam aptos a comungarem a irem até a matriz para receberem Jesus eucarístico. Para a realização desse momento foi mantido ordem e distanciamento entre as pessoas.   SEXTA-FEIRA SANTA: No dia da Celebração da Paixão e Morte do Senhor, a transmissão foi iniciada às 14 horas, com a Via-Sacra conduzida pelas Irmãs Missionárias de Santa Teresinha. Logo em seguida deu-se início, às 15 horas, a Celebração da Paixão e Morte de Jesus. Na noite deste mesmo dia, às 19 hora, foi realizada a Meditação sobre a Paixão e Morte de Jesus, com o Pe. Luiz Carlos.   SÁBADO SANTO: As transmissões foram iniciadas às 9 horas, com a realização do Ofício Divino, conduzido pelo Apostolado da Oração. Mais tarde, às 20 horas, foi celebrada a Solene Vigília Pascal. Após a Santa Missa da vigília, Pe. Luiz Carlos percorreu as comunidades dos bairros da cidade com o Santíssimo. Foi um momento de grandes emoções vivido por todos os paroquianos que recebiam Jesus de joelhos, com velas e lenços brancos nas mãos.   DOMINGO DA PÁSCOA DO SENHOR: Às 9 horas foi celebrada a Missa da Páscoa. As igrejas das comunidades foram abertas, assim como a matriz após a Santa Missa, para os que podiam comungar participarem Jesus no Santíssimo Sacramento.   Em nossa galeria você pode visualizar imagens as atividades em Dom Eliseu, Capitão Poço e Garrafão do Norte. Por Pascom diocesana e Pascom Dom Eliseu Diocese de Bragança do Pará

A palavra do pastor: Cristo ressuscitou, Aleluia!

Depois de percorrermos juntos com nosso bispo esse caminho de reflexão, desde a quarta-feira santa, chegamos hoje a última reflexão preparada para a Semana Santa 2020. Hoje Dom Jesus nos levar a refletirmos um pouco sobre a maior festa cristã: a Ressurreição de Jesus, a Páscoa. Acompanhemos nosso pastor diocesano...   Cristo ressuscitou, Aleluia! A festa da Páscoa de Ressurreição é a maior festa do ano litúrgico. Nela celebramos a vitória de Jesus sobre a morte e o pecado, pois pecado e morte caminham juntos. E como todas as grandes festas religiosas, já na véspera estaremos antecipando a festa com a Vigília Pascal. Desta forma, na véspera já começamos a viver o que celebraremos no dia seguinte. Dentro da Vigília Pascal, o canto do glória ocupa um espaço importante: o momento onde se proclama e aclama a ressurreição do Senhor. Recordo que, quando estudante de teologia, fui enviado para ajudar na semana santa num pequeno povoado nas montanhas da província de Granada, Espanha. Antes da celebração da vigília o pároco me avisou que não me assustasse com o glória. Chegada a hora e anunciado o glória, os fiéis começaram a fazer barulho com os chocalhos que são colocados em bois e carneiros e que tinham trazido para esta ocasião. O barulho na Igreja foi imenso, ensurdecedor, e nem conseguimos cantar o glória, mas foi a maneira mais efusiva daquela gente de expressar a sua alegria pela ressurreição do Senhor. Nós aqui em Bragança, também, manifestaremos a nossa alegria e gozo pela ressurreição no canto do glória e gritaremos durante o tempo pascal: Aleluia, Cristo ressuscitou!  Mas nossa alegria não nasce de uma latinha de cerveja, embora sempre seja bom confraternizar com moderação, mas da confirmação de que nossa fé e nossa esperança não nos enganam.  A ressurreição de Jesus confirma que estamos no caminho certo, no caminho de Deus, pois Deus não pode se enganar nem nos enganar. Desta forma, o destino de nossa vida está unido ao destino de Jesus Cristo. Tendo ele ressuscitado, se formos fieis à sua Palavra, também nós batizados ressuscitaremos para a vida. Pode ser que tenhamos medo à morte. É um temor natural ante o que não conhecemos. A morte sempre impressiona, basta ver a lista atual do número crescente de mortos do coronavírus para estremecer-nos interiormente. Mas a nossa fé, nossa confiança em Deus, grita mais alto: não tenhamos medo, Cristo venceu a morte! Nos também a venceremos! E esta é a vitória de todos. Não só dos que caminham no amor de Deus; também dos que estão longe e não conhecem, nem reconhecem, seu amor. O amor de Deus é para todos e não conhece barreiras, ao igual que a sua paciência e misericórdia esperando pela conversão do pecador. Mas não caiamos na tentação de pensar que nós somos bons e que os outros é que são pecadores. Diante de Deus, todos somos pecadores e, portanto, precisando de conversão, de fazer profundas mudanças em nossa vida para que o Senhor Ressuscitado seja efetivamente o centro de nosso viver e agir. Desta maneira, se assim acontecer, a vitória de Cristo será uma realidade em nós. Nossa alegria pascal está enraizada neste processo de conversão que a graça de Deus opera em nós. Não é uma alegria unicamente externa, nasce da confirmação de que Cristo nos salva a cada dia quando nos faz progredir no caminho de conversão, dá sentido a nossa existência, responde aos interrogantes mais profundos do ser humano e renova nossa esperança na vida eterna. Alegremo-nos, irmãos e irmãs na Páscoa do Ressuscitado, Ele é nossa esperança num mundo melhor, numa vida melhor! Dom Jesus   A partir de amanhã estará disponível no campo "Formação", no site oficial da Diocese de Bragança, as 5 reflexões de Dom Jesus para a Semana Santa 2020. Estará no formato PDF para que você possa fazer download e fazer bom uso desse material oferecido por nosso bispo. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

A palavra do pastor: O silêncio do Sábado Santo

Na meditação de hoje, nosso bispo nos leva a refletirmos sobre "O silêncio do Sábado Santo". Nos mostrará que no dia de hoje ainda devemos guardar o "silencio e luto respeitoso pela morte de Jesus até o momento noturno da Vigília Pascal", que celebraremos logo mais após às 18 horas. Acompanhemos nosso pastor em mais esse momento de reflexão, oração e silêncio.   O silêncio do Sábado Santo Em muitas de nossas comunidades eclesiais, especialmente nas zonas rurais, o dia seguinte à sexta feira santa é denominado sábado de Aleluia. E foi-nos transmitido pelas pessoas mais antigas que, neste dia, o grito de Aleluia marcava o fim do silêncio vivido durante o dia todo em que celebramos a morte de Jesus, dando espaço para gritos do aleluia, cantos, músicas e até para a tradicional malhação de Judas, representando a morte de Judas Iscariotes aquele que foi o traidor. Mas a reforma litúrgica promovida pelo Concilio Vaticano II na década dos anos sessenta do século XX devolveu ao sábado santo seu sentido do silêncio como respeito a Jesus morto e nos recordou que o grito do aleluia ficava reservado à celebração da Vigília Pascal, em concreto, no momento da aclamação do Glória. De forma que, neste sábado, devemos guardar silêncio por quanto respeitamos o período de três dias em Cristo Jesus que esteve morto. A palavra Aleluia tem origem hebraica e aparece por diversas vezes nas Sagradas Escrituras. Está formada por duas palavras: “Halellu” que significa: louvem e as letras iniciais de Yavé. Por tanto significa: Louvem a Deus. Esta expressão foi assumida pelos primeiros cristãos para significar a alegria pelo Ressuscitado e o convite para dar graças a Deus pela vitória sobre a morte, pela ressurreição de Jesus. Assim, o aleluia foi introduzido na liturgia católica, especialmente no tempo pascal, recordando-nos sempre a vitória de Cristo na ressurreição. Hoje, sábado santo, a Igreja nos pede que continuemos nosso silencio e luto respeitoso pela morte de Jesus até o momento noturno da Vigília Pascal, em que, pelos meios de comunicação social: rádio, TV ou internet, poderemos explodir no grito do Aleluia, nos alegrando pela ressurreição de Jesus, pois a vitória d’Ele significa, também, nossa vitória. Mas o silêncio não pode ser unicamente uma norma externa, deve, antes de mais nada, surgir como sentimento e expressão de respeito e amor a Deus, reconhecendo seu amor por todos nós expressado na cruz. Por isso, este sábado poderá ser uma ótima oportunidade de crescer na intimidade divina através da oração e da reflexão da Palavra de Deus. Com certeza, na sua casa, você poderá encontrar um espaço para este diálogo com Deus. E se não souber orar de outro jeito, reze o terço ou qualquer oração que você conheça. O sábado santo é tempo de rezar, é tempo de conversar com Deus sobre a nossa própria vida. É ocasião para fazer um balanço de nossa relação com Deus e a sua Igreja. E não espeça meu irmão, minha irmã, a semana santa é santa quando a graça de Deus nos toca o coração e nos faz mudar de vida, voltando-nos para Deus e abandonando atitudes e práticas que não são de Deus. Em Cristo Jesus está a nossa vitória! Dom Jesus   Amanhã será a Páscoa de Jesus. O Domingo da Ressurreição. Não deixe de acompanhar a última reflexão de Dom Jesus para esses dias santos. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

A palavra do pastor: A Morte do Filho de Deus

Neste tempo de Semana Santo, nosso bispo Dom Jesus está percorrendo conosco os caminhos do Tríduo Pascal, em preparação a ressurreição do Senhor Jesus. Com meditações breves e de fácil compreensão, todos esses dias Dom Jesus nos ajuda a melhor viver esse caminho de preparação a Páscoa. Acompanhemos a meditação de hoje.   A Morte do Filho de Deus A morte de Jesus foi consequência da sua vida. Na sua permanência final em Jerusalém, os conflitos com as autoridades religiosas foram constantes e gradualmente em aumento, ao ponto de Sumos sacerdotes, fariseus e escribas decidirem abertamente a sua morte. Ele era visto como um perigo para a religião judaica com sérias implicações políticas. A ocasião oportuna se apresentou com a proposta de Judas, o traidor, que dominado pela ambição do dinheiro vendeu o Mestre indicando o melhor horário e local para prendê-lo. No final, Jesus é julgado às pressas e condenado a morrer na cruz naquele mesmo dia. O fato histórico da morte de Jesus faz parte de uma história de amor que começou muito antes, com o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, e o projeto de Deus de salvação da humanidade. Deus Pai, num gesto de amor, enviou seu Filho para salvar os seres humanos. Com esta finalidade, Ele se fez homem e nasceu como todo homem de uma mulher. Assumindo em si mesmo nossa natureza humana de forma integral. Para nós, que cremos em Jesus Cristo, sua morte na cruz é doação total pela humanidade, é gesto de amor, não só por todos, mas por cada um de nós que sendo pecadores nos oferece a possibilidade de voltar à amizade de Deus e nos salvar. Ele mesmo disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos se praticais o que vos mando” (Jo 15,13-14). Mas o amor do Pai e de Jesus Cristo requer uma resposta por parte do ser humano. Os judeus, que se consideravam estritos cumpridores da Lei, são censurados por Jesus porque não amam Deus: “Não tendes em vós o amor de Deus” (Jo 5, 42). E o amor que Deus espera de nós não é simplesmente uma profissão de amor, que podem ser palavras vazias, mas deve ser demostrado através de obras, “com ações e em verdade” (1Jo 3,18). A principal resposta de amor a Deus é guardar e viver sua Palavra (cf. Jo 14,22). Meus irmãos e irmãs será que nesta Sexta Feira santa reconhecemos na cruz o amor de Deus por nós?  A celebração da morte de Jesus, que neste ano poderemos acompanhar desde as nossas casas pela televisão, radio ou internet nos convida a pensar no amor de Deus que entrega seu filho à morte e em nosso amor a Deus e ao próximo. Nós realmente amamos a Deus? Hoje é o dia em que podemos manifestar nosso amor praticando com amor as obras penitenciais. A começar pelo jejum e a abstinência que neste dia são obrigatórios para os fiéis católicos. Mas, também, podemos aproveitar para ler, bem devagar, a leitura da Paixão de Jesus Cristo ou qualquer outro texto das Escrituras e refletindo, ouvir o que Deus nos pede para mudar em nossa vida através daquela leitura. Ou, talvez, possamos pedir perdão ao nosso irmão que ofendemos ou reconciliar-nos com quem nos ofendeu. Recordemos o que nos diz São Paulo: o amor é paciente, prestativo, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor... (1 Cor 13, 4ss). Se amamos a Deus, nosso amor deve se traduzir em fatos, não só em palavras. Que o Espirito Santo nos ensine a amar a Deus e ao nosso próximo! Dom Jesus   E amanhã a meditação será sobre o Sábado Santo. Ainda com espirito de espera pela ressurreição de Jesus, celebramos a Vigília Pascal. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

A palavra do pastor: A Ceia do Senhor

Na "Palavra do pastor" de hoje Dom Jesus nos ajuda a refletir sobre A Ceia do Senhor, último momento de Jesus com seus apóstolos antes de sua prisão. Daquela celebração realizado por Jesus nasceram para a Igreja a Eucaristia e o Sacerdócio. Em nossas orações de hoje não esqueçamos de colocar na presença de Deus todos os nossos sacerdotes, agradecendo a Ele pelo dom de suas vocações. Acompanhemos a meditação de nosso pastor diocesano.   A Ceia do Senhor No final da tarde, na véspera de sua morte, Jesus se reuniu com o grupo dos apóstolos para celebrar por antecipação a Páscoa. Como bons judeus, todos juntos comeram as ervas amargas e o cordeiro assado, ouviram a Palavra de Deus e entoaram os salmos e orações conforme está mandado no do livro do Êxodo, Desta forma celebraram a Pascoa, a maior festa dos judeus, na memória da libertação do povo hebreu na terra do Egito, pelo poder de Deus e a liderança de Moisés. Porém, concluída a celebração da antiga Pascoa, Jesus, pegou o pão que estava sobre a mesa e o distribuiu entre os seus apóstolos dizendo: “Tomai e comei, isto é meu corpo e, logo mais, pegando o cálice disse: Tomai e bebei, este é o cálice do meu sangue, sangue da nova aliança. E todos comeram a beberam. Este gesto de Jesus repartindo o pão e o vinho, seu corpo e sangue, instituiu uma nova realidade, uma nova aliança entre Deus e os seres humanos. Desta forma a antiga aliança foi superada por uma nova, fundamentada no amor de Deus por toda a humanidade que terá a sua culminação no alto da cruz, onde o cordeiro de Deus será sacrificado. Nessa noite, Jesus realizou por vez primeira a eucaristia, a missa e mandou que os seus discípulos fizessem aquilo mesmo que ele tinha feito na sua memória. Desta forma, não só instituiu a eucaristia como também o sacerdócio ministerial, animando-nos a celebrar sempre comendo seu corpo e bebendo seu sangue, alimentos para nossa caminhada de discípulos. Por isso, o amor de Deus Pai que envia seu Filho à morte, pelos seres humanos, se renova em cada missa que celebramos. Desta forma, a celebração eucaristia deve ser para nós gratidão pelo amor de Deus e resposta de amor ao nosso próximo, pois o amor a Deus, por nossa parte, deve vir acompanhado do amor ao irmão. Assim, em muitos lugares, neste dia as pessoas procuram pedir perdão umas das outras pelas ofensas que se fizeram e buscam a reconciliação, pois quem perdoa ou pede perdão já começou a amar. Assim, procuremos neste dia reconciliar-nos uns com os outros. Que o perdão não falte em nossa vida. Como todos nós sabemos a palavra “Páscoa” significa passagem. Segundo descrito nos capítulos 12 e 13 do livro de Êxodo, Deus passou pela terra do Egito trazendo a libertação para o povo hebreu. Estes dias são, também, Páscoa para nós, passagem de Deus pela nossa vida. Mas será que nós permitimos esta presença de Deus ou Ele irá passar e nada vai acontecer em nós. Caros irmãos, entremos no mistério do amor de Deus manifestado na doação de seu Filho Jesus na cruz. Deixemos que Ele nos liberte de tudo aquilo que nos escraviza e não nos deixa ser verdadeiros filhos de Deus. Infelizmente, muitos dos nossos irmãos vivem um tal grau de escravidão que nem sequer sabem que são escravos. Que o nosso amor a Deus se expresse na nossa oração pelos irmãos e irmãs que precisam perceber a passagem libertadora de Deus nas suas vidas. Cristo Jesus, o cordeiro que morreu por todos, nos liberte do mal. Amém Dom Jesus   Não deixe de acompanhar amanhã a meditação sobre A Paixão do Senhor. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

A palavra do Pastor: A semana Santa

Para ajudar o nosso povo a melhor celebrar essa Semana Santa, nosso bispo diocesano publicará pequenos textos para nossa reflexão. Estes textos serão sobre a Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa, Sábado Santo e Domingo da Páscoa do Senhor. No texto de hoje, Dom Jesus faz uma breve introdução para essa semana. O título da reflexão é: A Semana Santa. Acompanhe...   A Semana Santa Após quarenta dias de preparação chegamos à Semana Santa, uma semana em que celebramos os grandes acontecimentos da paixão, morte e ressurreição do Senhor Jesus. Como já é do conhecimento de todos, a quaresma é um tempo penitencial no qual pelo jejum, a abstinência, o exercício do autodomínio, a oração, a esmola e outras atividades penitenciais nos exercitamos na fé com a finalidade de ter o coração mais livre para amar intensamente a Nosso Senhor Jesus Cristo. Neste ano, a Campanha da Fraternidade trouxe para nossa reflexão o tema da vida afirmando a vida como dom generoso de Deus que sempre deve ser respeitado e compromisso do cristão no sentido de promover a vida humana em todas as suas dimensões e estágios: desde o inicio da gestação até o seu fim natural, passando, também, pelo cuidado do meio ambiente, casa comum de todos. Mas fomos surpreendidos no primeiro trimestre pelo surgimento na China do coronavírus e de sua posterior eclosão na Europa e no mundo inteiro. As notícias que nos chegam são assustadoras. Até o momento foram contaminadas quase um milhão e meio de pessoas e mais de oitenta mil já faleceram como consequência do coronavírus que continua sua expansão pelo mundo todo. No Brasil já temos mais de 600 pessoas falecidas e mais de 14.000 pessoas contaminadas. E o estado do Pará já tem seus primeiros mortos. Ante esta situação, nossas autoridades tomaram a decisão de implantar o isolamento social e fomos obrigados, além de paralisar algumas atividades, a fechar nossos templos para evitar uma maior contaminação. Por isso, esta semana santa será especial, já que não poderemos estar presentes nas tradicionais celebrações nem realizar procissões, vias-sacras ou outras atividades religiosas que reúnam muitas pessoas. Além do mais tivemos que suspender as confissões tanto individuais como comunitárias pelo risco de infecção. Mas estas dificuldades não vão impedir que celebremos a semana santa com devoção. Basta que tenhamos fé em Cristo Jesus, Nosso Senhor. Por isso, irmãos acompanhemos pelos meios de comunicação as celebrações desde as nossas casas. Aproveitemos para reunir a família ao redor da televisão, da rádio ou da internet para orar, escutar a Palavra de Deus e compartilhar nossa fé. Este é o tempo oportuno para unir nossas orações e pedir ao Senhor que proteja nossa família, renove o entusiasmo dos profissionais da saúde que arriscam a própria vida no serviço aos doentes e ilumine os investigadores para que consigam logo uma vacina contra o coronavírus. Que esta semana santa nos aproxime mais de Deus. E não esqueça, meu irmão, minha irmã, pegue a sua bíblia, leia a Palavra de Deus, reflita sobre a sua vida e faça um ato de contrição, um pedido de perdão a Deus por todos os seus pecados e, se tiver pecados graves, prometa-lhe que irá confessa-los com o sacerdote na primeira ocasião que tiver. Feliz e santa semana! Dom Jesus Maria Bispo de Bragança do Pará   Acompanhe amanhã, aqui em nosso site e em nossas redes sociais, a meditação sobre a Quinta-feira Santa. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Domingo de Ramos

Bragança viveu um Domingo de Ramos diferente, para quem estava acostumado a ir às paróquias nesse dia e vir em procissão com os ramos até às igrejas; e em 2020 por conta da Pandemia da COVID-19, fiéis católicos ornamentaram as frentes das suas casas e esperaram os Padres e Diáconos passarem abençoando cada ramo, residência e as pessoas. Os católicos das Paróquias: Nossa Senhora do Rosário (Centro), Sagrado Coração de Jesus (Morro), São João Batista (Vila Sinhá) e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (Perpétuo Socorro) ficaram em frente as suas casas e com muita emoção e ao som dos cânticos sacros direto da Catedral do Rosário, que era sonorizado pela Rádio Educadora de Bragança, recebiam as bençãos com água benta que estava sendo aspergida. Os Padres e Diáconos percorreram várias ruas de Bragança nesse Domingo de Ramos. Bispo abençoa equipes de saúde de Bragança. Ao término da Santa Missa do Domingo de Ramos que ocorreu na manhã do dia 05 de abril, duas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)) e uma da Vigilância Sanitária Municipal foram até a Catedral Nossa Senhora do Rosário receber uma benção do Bispo Diocesano de Bragança, Dom Jesus Maria. Pois, de acordo com o Ministério da Saúde a partir de segunda-feira (06) começará o "Pico" da Pandemia da COVID-19 no Brasil; e nesse período os profissionais de saúde irão trabalhar redobrado para atender a população de uma forma geral, seja ela na prevenção ou até mesmo em casos que venham a se confirmar em qualquer lugar do Brasil. Os profissionais em Bragança passaram por treinamento recentemente e todos estão aptos e prontos para atender a população Bragantina em situações de casos confirmados da Covid-19 (Coronavírus). Do SAMU esteve uma equipe médica da Unidade de Suporte Avançando (USA), que é a UTI Móvel; e outra da Unidade de Suporte Básico (USB) que atende os primeiros procedimentos de atendimento pré hospitalar (APH), e da vigilância uma equipe que trabalha na coleta de exames para análises, na fiscalização contra aglomerações e no acompanhamento de pessoas suspeitas que estão isoladas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Bragança (SEMUSB), hoje o município conta com mais de 100 profissionais que estão diretamente na campanha de combate a COVID-19 na Pérola do Caeté. Reportagem: Fabrício Bragança. Fotos: Fabrício Bragança e Facebook

Comissão Diocesana de Liturgia disponibiliza material com Roteiros de Celebrações e Oração em Família.

Cumprindo o dever de mantê-los firmes na fé, perseverantes na oração e em comunhão com toda a Igreja, usamos das orientações da CNBB e de Ir. Penha Carpanedo que diz: “... Não poderemos sair de nossas casas para participar, com a comunidade, da memória dos últimos passos de Jesus e da alegria da sua Páscoa. Mas como filhos e filhas de Deus, em Cristo, pelo batismo, podemos erguer a ele o nosso coração, escutar e meditar a sua Palavra, partilhar o pão da nossa mesa em ação de graças, alegrar-nos com a presença de Jesus em nossas casas. Preparamos um roteiro para o domingo de Ramos e cada dia do Tríduo pascal, uma liturgia doméstica, baseada na liturgia da Igreja. São roteiros bem simples, que qualquer pessoa com pouca prática ministerial pode conduzir. Poucos cantos, e os mais comuns. Os grupos ou núcleos familiares com mais condições, podem enriquecer com outros cantos.” Nesse sentido, apresentamos-lhes os seguintes roteiros de celebração domiciliar a serem celebrados, em família ou individual, em nossas casas, nesta Semana Santa. Que na Ressurreição de Cristo encontremos verdadeiro significado para nossas vidas, renascendo em nós o amor e esperança. Logo abaixo você tem a possibilidade fazer download dos PDFs dos Roteiros de Celebrações nas Famílias e também dos Roteiros de Oração em Família. O material anexo diz respeito apenas ao período da Semana Santa, do Domingo de Ramos ao Domingo da Páscoa. Feliz e abençoada Páscoa! Comissão Diocesana de Liturgia Diocese de Bragança do Pará

Semana Santa 2020 na Diocese de Bragança do Pará

O que nós não gostaríamos de noticiar acontecerá: as celebrações da Semana Santa serão às portas fechadas. Infelizmente a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) só tem se alastrado cada vez mais; motivo que levou o Bispo da Diocese de Bragança do Pará, Dom Jesus Maria, seguindo orientações das autoridades e da Santa Igreja, a expedir decreto determinando "que nenhuma igreja ou capela da diocese seja aberta ao público para as celebrações da Semana Santa". Continuando com a missão de ajudar os fiéis da Diocese de Bragança, e os de fora da diocese que desejem acompanhar as celebrações, a Pastoral da Comunicação - Pascom entrou em contato com as paróquias para obter informações sobre os horários e os meios pelos quais as paróquias irão transmitir as celebrações da Semana Santa. Veja abaixo as paróquias que nos deram as informações e os meios pelos quais você pode acompanhar as celebrações nas respectivas paróquias:   Itinga do Pará – Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo de Ramos: missa às 07:30 Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo de Ramos: das 08:30 às 10:00 horas distribuição da Comunhão, evitando aglomeração.   Terça-feira Santa: celebração penitencial às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Quarta-feira Santa: missa pelos idosos e enfermos às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor, sem o lava pés, às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sábado Santo: ofício de Nossa Senhora às 06:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Domingo da Páscoa do Senhor: das 08:30 às 10:00 horas distribuição da Comunhão, evitando aglomeração.   Rondon do Pará – Paróquia Nossa Senhora Aparecida: Domingo de Ramos: missas às 7:00 horas e as 18:00 horas Transmitida pela Rádio Rondon (FM 97,5), pelo Instagram (https://www.instagram.com/paroquiaderondon/), pelo Facebook (@paroquia.rondon) e Youtube (Paróquia de Rondon)   Paragominas – Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Na paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Paragominas, as transmissões normalmente acontecem pela TV Nazaré (Canal 43).   Paragominas – Santa Teresinha do Menino Jesus: Na Paróquia Santa Teresinha as transmissões normalmente são feitas pelo Instagram da paróquia (https://www.instagram.com/paroquiasantateresinha_pgm/) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/santateresinhaparoquia/)   Ipixuna do Pará – Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Ipixuna, as transmissões são realizadas via Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadeipixuna/) e algumas pela TV RBA (Canal 20).   Aurora do Pará – Paróquia São Raimundo Nonato: Na Paróquia São Raimundo Nonato os fiéis devem ficar atentos à página da paróquia no Facebook (https://www.facebook.com/psrnonatoaurora), por onde devem ser transmitidas as celebrações da Semana Santa.   Mãe do Rio – Paróquia São Francisco de Assis: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Segunda, Terça e Quarta-feira Santa: missas às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiademaedorio)   Irituia – Paróquia Nossa Senhora da Piedade: Na Paróquia Nossa Senhora da Piedade os fiéis devem ficar atentos a Rádio Nativa (FM 92,5) e ao Facebook da paróquia (https://www.facebook.com/paroquiadeirituiapa) para acompanharem as celebrações.   Nova Esperança do Piriá – Paróquia Nossa Senhora da Divina Providência: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 20:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/divina.providencia.3323) e pelo Instagram (www.instagram.com/obras.sociaispiria/)   Garrafão do Norte – Paróquia São Francisco de Assis: Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pelas Rádios Missão Católica (https://radiomissaocatolica.com.br/wp/) e Rádio Garra Norte (FM 87,9).   Capitão Poço – Paróquia Santo Antonio Maria Zaccaria: Domingo de Ramos: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo de Ramos: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura).   Quarta-feira: celebração penitencial às 13:20 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 17:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/bem.moura).   Bonito – Paróquia São Pedro Apóstolo: Na Paróquia São Pedro Apóstolo os fiéis devem ficar atentos a página da paróquia no Facebook (https://www.facebook.com/paroquiasaopedroapostolobonitopa) para acompanharem todas as celebrações da Semana Santa 2020.   Cachoeira do Piriá – Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo de Ramos: missa às 07:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 07:00 horas Transmitidas pelo Facebook (https://www.facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Santa Luzia do Pará – Paróquia Santa Luzia: Domingo de Ramos: missa às 06:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 19:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sexta-feira Santa: Via Sacra às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 06:30 horas Transmitida pela Rádio Curí (FM 104,9)   Paróquias de Bragança – Catedral Nossa Senhora do Rosário, Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São João Batista: Domingo de Ramos: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Segunda-feira Santa a Quarta-feira Santa: missas às 11:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Facebook (@diocesedebraganca) e Youtube (Pascom Diocese de Bragança).   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sexta-feira Santa: Via Sacra às 15:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sábado: ofício de Nossa Senhora às 08:00 horas Transmitida pelas Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Sábado: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádios Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook da diocese (@diocesedebraganca), Facebook da Catedral (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube da Catedral (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Domingo da Páscoa do Senhor: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Augusto Corrêa – Paróquia São Miguel Arcanjo Na Paróquia São Miguel Arcanjo, em Augusto Corrêa, os fiéis devem acompanhar as redes sociais da paróquia para acompanhar as celebrações: Facebook (https://www.facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3), Youtube (Pascom Paróquia de Augusto Corrêa) e Instagram (https://www.instagram.com/missa_paroquiasaomiguelac_18hs/). A Rádio Mania (FM 91,3) também transmitirá algumas celebrações.   Curupaiti – Paróquia Nossa Senhora do Rosário Domingo de Ramos: missa às 08:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Quinta-feira Santa: missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor às 15:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Sábado Santo: Vigília Pascal às 18:00 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Domingo da Páscoa do Senhor: missas às 08:00 e 19:30 horas Com possibilidade de transmissão pelo Facebook   Viseu – Paróquia Nossa Senhora de Nazaré Domingo de Ramos: missa às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Segunda-feira Santa: ângelus e Santa Missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Terça-feira Santa: ângelus, novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Quarta-feira Santa: ângelus, rosário e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Quinta-feira Santa: ângelus, terço da libertação e missa da Ceia do Senhor às 18:00 horas. Em seguida haverá exposição do Santíssimo Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: meditação das 7 dores de Nossa Senhora às 08:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: sermão das 7 palavras de Jesus Cristo às 14:00 horas. Em seguida terço da misericórdia Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sexta-feira Santa: celebração da Paixão e Morte do Senhor e Via Sacra às 15:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Sábado Santo: Vigília Pascal às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   Domingo da Páscoa do Senhor: Via Lucis e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (Paróquia de Viseu)   A Diocese de Bragança, por meio de seu bispo, faz votos de uma frutuosa Semana Santa a todo o seu povo. Neste tempo de dificuldades em que nos encontramos, continuemos unidos por meio da oração. Logo abaixo se pode fazer download do decreto de Dom Jesus sobre a Semana Santa. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Domingos de Ramos e da Paixão do Senhor

Um Domingo de Ramos diferente para uma Semana Santa diferente Frei Gustavo Medella Uma Semana Santa diferente, aberta por um Domingo de Ramos diferente e precedido por uma Quaresma diferente, de modo especial de sua metade em diante. Desta vez, os ramos não estão em nossas mãos, mas fixados nas fachadas e janelas de nossas casas e apartamentos. Não vamos nos reunir à porta de nossas igrejas nem caminhar para dentro do templo recordando a entrada solene de Jesus em Jerusalém. Sem “Hosana Hey!”, sem “Hosana ao Filho de Davi!”. Jerusalém, desta vez, será nossa casa, onde Jesus deveria ser sempre convidado a entrar e habitar. Ali, com Ele e com os nossos mais próximos, vamos viver as bênçãos, as contradições de cada passo do Tríduo Pascal. Vamos nos dispor a aprender com o Mestre a depor os mantos de nossos orgulhos, autossuficiências e egoísmos para vestir o avental do Lava-Pés doméstico, todo mundo se ajudando e se cuidando mutuamente. “Ninguém solte a mão de ninguém”, pelo menos no compromisso e na solidariedade, já que fisicamente a recomendação é para não darmos as mãos. Nesta mesma “Jerusalém caseira”, teremos de lidar com o absurdo e o paradoxo de mandarmos crucificar aquele mesmo a quem poucos dias atrás aclamamos como Rei. É a Paixão de Cristo que se atualiza no grito surdo dos sofrimentos silenciosos que muitos de nossos irmãos e irmãos enfrentam no seio do local que deveria ser seu porto seguro. As chicotadas do carrasco sobre as costas doloridas do Senhor se atualizam na solidão de idosos abandonados, na violência doméstica sofrida por tantas mulheres, na panela vazia do chefe de família que não tem o que comer para si e para seus filhos, na situação insalubre e desumana a que tantos estão submetidos pela falta de água, luz, saneamento, pela falta de moradia. Cada gesto de egoísmo, intolerância e desumanidade que praticamos é uma martelada seca e dolorosa no cravo que dilacera a carne de Cristo sobre o madeiro da cruz. Seguindo com o Mestre, perceberemos sua presença solidária e silenciosa no sepulcro das tantas incertezas que temos vivido dia a dia. O silêncio de tantas perguntas sem resposta que brotam no profundo de nossos corações: “Quando tudo isso vai passar? O que será de nós daqui para frente?” Nesta hora, não adianta a pressa. As respostas vêm num ritmo que não é nosso e não depende de nós. É hora de fazermos coro ao grito de Cristo: “Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos”. Tal situação, humanamente difícil de ser suportada, adquire um sentido de esperança quando com ela lidamos a partir da lógica da Ressurreição. Mais do que nunca esta Páscoa vem nos ensinar que esperança verdadeira não é necessariamente a certeza de que tudo vai dar certo ou sairá conforme planejamos, mas a capacidade que Jesus nos oferece de conferir a tudo o que nos acontece um verdadeiro sentido pascal, enxergando no horizonte a luz da vida e da Ressurreição. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011   Domingo de Ramos Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar como ele em sua glória”.  Leitura: Is 50,4-7 Não desviei o meu rosto das bofetadas e cusparadas.Sei que não serei humilhado. O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. Ele está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto para os exilados desanimados. O Servo apresenta-se como um discípulo obediente, atento a cada manhã para receber a mensagem divina que deverá transmitir. Mas, para cumprir esta missão, enfrentará o desprezo e o sofrimento. Embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim. Confiando no auxílio divino, Jesus não se deixou abater, mas foi fiel até a morte de cruz; por isso, foi glorificado por Deus, que o tornou “Senhor” (2ª leitura). Salmo responsorial: Sl 21 Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? Segunda leitura: Fl 2,8-9 Humilhou-se a si mesmo;por isso, Deus o exaltou acima de tudo.  Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder, mas esvaziou-se de si mesmo e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), procurou socorrer os mais necessitados (Mt 27,42). Não se identificou com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso, o Pai o ressuscitou dos mortos. O exemplo de Cristo tornou-se o caminho do cristão. Aclamação ao Evangelho Salve, ó Cristo obediente! / Salve, amor onipotente,que te entregou à cruz/ e te recebeu na luz! Evangelho: Mt 26,14–27,66 “Ele era mesmo Filho de Deus”. Jesus não é entregue à morte contra a sua vontade. Ele se entrega nos sinais do pão e do vinho, na doação livre de sua vida, de seu corpo e de seu sangue. Se quisesse pedir, o Pai lhe enviaria em socorro 12 legiões de anjos. Renuncia ao poder e à violência e se entrega humildemente nas mãos do Pai, para que se cumpram as Escrituras (26,53). É traído por Judas e negado por Pedro, que se arrepende. É condenado à morte pelo Sinédrio porque se apresenta como o Cristo e Filho de Deus. Judas entra em desespero e se enforca. Os sumos sacerdotes entregam Jesus a Pilatos, porque só ele podia condenar alguém à morte. A acusação diante do governador romano é de caráter político, como se vê na pergunta de Pilatos: “Tu és o rei dos judeus”? Sob pressão da multidão, “sabendo que haviam entregue Jesus por inveja”, Pilatos propõe a escolha entre Barrabás e Jesus que chamam de Messias. O povo, instigado pelos sumos sacerdotes, escolhe Barrabás, preso por suas aspirações messiânicas de caráter político, e rejeita o próprio Messias, Servo do Senhor (27,21-22). – Destacam-se algumas afirmações próprias de Mateus: o sonho da mulher de Pilatos (27,19); Pilatos que lava as mãos, responsabilizando a multidão (27,24-25); o terremoto, a cortina do templo que se rasga, e a ressurreição dos mortos na hora da morte de Jesus (27,51b-53). Os judeus zombam de Jesus como Messias (26,68) e os soldados romanos como rei (27,27-31). Nas zombarias, dirigidas a Jesus na cruz, aparece o motivo da destruição do Templo (26,60-62), usado como acusação contra Jesus no processo do Sinédrio; os chefes religiosos lembram a ação salvadora de Jesus, mas agora incapaz de salvar-se a si mesmo; a confiança de Jesus em Deus, que agora abandona seu Filho; a confissão do centurião romano que diz: “Ele era mesmo Filho de Deus”. Por fim, os guardas que os sumos sacerdotes colocam como vigias junto ao túmulo, para que o corpo de Jesus não fosse roubado pelos discípulos. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   A morte na Cruz revela um homem-Deus Frei Clarêncio Neotti O verso 64 do capítulo 26 “vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” dá uma visão nova à Paixão. A morte não está sendo vista como uma vergonha, mas como caminho de glória, uma ‘teofania’, isto é, uma manifestação de Deus. Várias vezes Jesus aplica a si a expressão do profeta Daniel ‘Filho do Homem’. Também nesse momento em que é julgado e condenado, ele aproxima a expressão à glória divina. Por um lado, a expressão ‘filho do homem’, na linguagem poética do tempo, tinha um sentido adjetivo de “criatura pequena, frágil, insignificante” – que cabia bem a Jesus amarrado, açoitado, sem defesa. Por outro lado, ‘Filho do Homem’, desde o profeta Daniel, significava “um ser misterioso, conduzido por Deus sobre as nuvens do céu para receber a realeza divina” (Dn 7,13ss.). Ao chamar-se com esse apelido, talvez Jesus quisesse afastar a ideia de um messias terreno, com força militar e estratégia humana, e acentuar sua origem, seu poder e destino divinos. A um messias apenas humano, os inteligentes poderiam compreender, adaptar-se a ele sem deixar os interesses pessoais. Mas a um messias divino quem quisesse compreender e seguir deveria renunciar-se primeiro. Jesus mesmo prevenira: “Se alguém quiser me seguir, renuncie primeiro a si mesmo” (Mc 8,34). O momento da Paixão era decisivo. Decisivo para Jesus, Filho de Deus Salvador. Decisivo para os discípulos a quem Jesus pedia: “Crede em mim!” (Jo 14,1). FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   A porta de entrada na Semana das Semanas Frei Almir Guimarães ♦ “Vinde, subamos juntos ao Monte das Oliveiras e corramos ao encontro de Cristo que hoje volta de Betânia e se encaminha voluntariamente para aquela venerável e santa Paixão, a fim de realizar o mistério da nossa salvação” (Santo André de Creta, Lecionário Monástico II, p. 511). ♦ Chegamos aos dias da Semana Santa. Um duplo sentimento toma conta de nós quando acompanhamos os passos da liturgia: alegria pelo Rei que entra triunfantemente em Jerusalém, mas humildemente sentado num burrico. Aqueles que esperavam a redenção imediata para o povo, cantam, acenam ramos, atapetam o caminho por onde ele deve passar. Quando a procissão dos ramos penetra no templo, tudo é austeridade: leitura das dores do servo de Javé. Paulo escreve aos Filipenses falando daquele que, de condição divina, agora era obediente até a morte e morte de cruz. Tudo culminando com a leitura da Paixão quando ouvimos o grito de abandono: “Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?”. ♦ A meditação de todas essas passagens nos mergulha num clima de reconhecimento de nossas faltas e também faz nascer em nós desejo enorme de pedido de perdão. No final da liturgia sentimos que passamos por uma porta que vai nos permitir acompanhar os passos do amor sem limites. O amor do Senhor foi tão grande que esta semana só pode ser um tempo de recolhimento, de silêncio e de imersão total no abismo do amor de Deus. Passaremos o tempo batendo no peito e dizendo: “Piedade, Senhor, piedade!”. ♦ Um pouco antes de entrar em Jerusalém, Jesus havia estado em casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos. Sentira aperto no coração? Experimentara frio e solidão? Precisava de fôlego que lhe seria dado pelos que o amavam e estimavam? É assim. Na hora da dor, os amigos podem nos valer. ♦ A Procissão dos Ramos evoca, pois, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O formulário da bênção das palmas suplica o olhar do Altíssimo sobre os ramos que os fiéis carregam em sinal de sua adesão a Cristo Rei que ingressa em sua cidade sentado num burrico. A festa de hoje é exaltação do Cristo-Rei. Os paramentos são vermelhos e lembram o fogo do amor e do martírio. Em toda a Semana Santa o que ocorre é esse paradoxo de dor e de alegria. ♦ Carregamos em nossas mãos ramos. Acompanhamos o Cristo na procissão de entrada. Ele é nosso Rei. Não somos donos de nós mesmos. Ele é o centro de nossa vida, de nossa vida de cristãos, de nossa família. Para ele, orientamos o melhor de nós mesmos. Fazemos questão de guardar o ramo deste domingo em nossa casa. Haveremos de olhar para ele como um sacramental, um sinal de uma vivência religiosa profunda. ♦ “O Senhor vem, mas não rodeado de pompa como se fosse conquistar a glória. Ele não discutirá, diz a Escritura, nem gritará, nem ninguém ouvirá sua voz. Pelo contrário, será manso e humilde se apresentará com vestes pobres e aparência modesta” (André de Creta, ut supra, p. 511). ♦ Jesus entra em Jerusalém montado num jumento. O gesto marca a pobreza e a simplicidade do Messias. Pede que lhe providenciem um asno que depois haverá de devolver. O burrico é a cavalgadura do Messias pobre e humilde de Zacarias (9,9). Insistamos: o burrico é apenas emprestado. Por sua vez, o cortejo que acompanha Jesus mostra características reais expressas nos mantos estendidos pelo chão e nas palavras de ovação. Há diferença entre a maneira como Jesus de um lado e as pessoas encaram a situação. ♦ “Em vez de ramos e mantos sem vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa perdem o seu verdor, prostremo-nos aos pés de Cristo, revestido dele próprio – vós todos que fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo (Gl 3,27) – prostremo-nos a seus pés com mantos estendidos” (André de Creta, ut supra, p. 512). FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   O caminho para salvar o ser humano José Antonio Pagola Para um cristão, a cruz de Cristo não é mais um acontecimento que se perde no passado. É o acontecimento decisivo no qual Deus salva a humanidade. Por isso, a vida de Jesus entregue até a morte nos revela o caminho para libertar e salvar o ser humano. A cruz nos revela, em primeiro lugar, que é importante “tomar sobre si o pecado”. É claro que devemos eliminar o mal e a injustiça, devemos combatê-los de todas as formas possíveis. Mas devemos também estar dispostos a assumir esse mal até onde for preciso. Jesus redime sofrendo. Só aqueles que se comprometem até sofrer o mal em sua própria carne humanizam o mundo. Além disso, a cruz nos revela que o amor redime da crueldade. Muitos dirão que o importante é a defesa da democracia e de seus valores. Para que queremos o amor? O amor é necessário para chegarmos a ser simplesmente humanos. Esquece-se que o próprio Iluminismo baseou a democracia na “liberdade, igualdade e fraternidade”. Hoje insiste-se muito na liberdade, bem pouco se fala da igualdade e nada se diz da fraternidade. Cristo redime amando até o final. Uma democracia sem amor fraterno não levará a uma sociedade mais humana. A cruz também revela que a verdade redime da mentira. Costuma-se pensar que, para combater o mal, o que é importante é a eficácia das estratégias. Isso não é certo. Se não há vontade de verdade, se difundimos a mentira ou encobrimos a realidade, estamos obstaculizando o caminho que leva à reconciliação. Cristo redime dando testemunho da verdade até o fim. Só aqueles que buscam a verdade acima de seus próprios interesses humanizam o mundo. Nossa sociedade continua necessitando urgentemente de amor e verdade. É inegável que devemos concretizar suas exigências entre nós. Mas concretizar o amor e a verdade não significa desvirtuá-los ou manipulá-los: menos ainda eliminá-los. Aqueles que “tomam sobre si o pecado” de todos, e continuam lutando até o final para pôr amor e verdade entre os humanos, geram esperança. O teólogo alemão Iürgen Moltmann faz esta afirmação: “Nem toda vida é motivo de esperança, mas sim esta vida de Jesus que, por amor, toma sobre si a cruz e a morte”. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Obediência de Jesus até a morte Pe. Johan Konings Muitos cristãos pensam que Deus obrigou Jesus a morrer para pagar com seu sangue os nossos pecados. Será que um tal Deus se pode chamar de “pai”? Que significa que Jesus foi obediente até a morte? No relato da paixão de Nosso Senhor (evangelho), Mateus vê o Messias sob o ângulo da realização do projeto do Pai (cf. 3,15). Jesus realiza o modelo do Servo-discípulo, que pede a Deus “um ouvido de discípulo” para proclamar a sua vontade com “boca de profeta” e lhe ser fiel até o fim (1ª leitura). A fidelidade à missão de Deus é que faz de Jesus o Messias e Salvador. Jesus não veio para “fazer qualquer coisa”, mas para realizar o projeto do Pai. Ensina-nos a obediência até a morte como instrumento da salvação do mundo (2ª leitura). Pois quem sabe o que é preciso para salvar o mundo é Deus. Ele sabe que a morte daquele que manifesta seu amor infinito é a resposta suprema ao supremo desafio do mal. Jesus poderia ter sido infiel a Deus, pois era livre. Mas então teria sido infiel a si mesmo, Servo, Discípulo, Messias e Filho. Levou a termo a obra iniciada: pregar e mostrar o amor de Deus – até no dom da própria vida. O exemplo de Cristo nos ensina o caminho da libertação. Vamos realizar a missão de libertar o mundo pela fidelidade radical à vontade do Pai. Por isso, devemos “prestar-lhe ouvidos”- sentido original de “obediência”. Obedecer não é deserção da liberdade. É unir nossa vontade à vontade do Pai, para realizar seu projeto de amor, e a outras vontades (humanas) que estão no mesmo projeto. E é também dar ouvidos ao grito dos injustiçados, que denuncia o pisoteamento do plano de Deus. Só depois de ter escutado todas essas vozes poderemos ser verdadeiros porta-vozes, profetas, para denunciar e anunciar… Profetismo supõe obediência e contemplação. Deus não obrigou Jesus a pagar por nós, nem desejou a morte dele. Só desejava que ele fosse seu Filho. Esperava dele a fidelidade a seu plano de amor e que ele agisse conforme este plano. Jesus foi fiel a esta missão até o fim. Quem quis a sua morte não foi Deus, e sim os homens que o rejeitaram. PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

Horários das celebrações transmitidas das paróquias da diocese

Nesses tempos de pandemia do novo coronavirus (COVID-19), para ajudar os fieis da Diocese de Bragança do Pará, e os de fora da diocese que desejem acompanhar as celebrações, a Pastoral da Comunicação - Pascom entrou em contato com todas as paróquias para obter informações sobre os horários e os meios pelos quais as paróquias estão transmitindo essas celebrações. Veja abaixo as paróquias que nos deram as informações e os meios pelos quais você pode acompanhar as celebrações nas respectivas paróquias: Itinga do Pará - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Todos os dias: missa às 07:30 Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Terça: novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Sexta: Via Sacra às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/perpetuosocorro.itinga)   Rondon - Paróquia Nossa Senhora Aparecida: Domingo: missas às 7:00 horas e as 18:00 horas Transmitida pela Rádio Rondon (FM 97,5) e pelo Instagram (@paroquiaderondon)   Paragominas - Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo: missas às 09:00 horas e às 19:00 horas Transmitidas pela TV Nazaré (Canal 43)   Segunda a Sábado: missa as 18:15 horas Transmitidas pela TV Nazaré (Canal 43)   Paragominas - Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus Domingo: missa às 07:00 horas Transmitida pelo Instagram (@paroquiasantateresinha_pgm) e pelo Facebook (@santateresinhaparoquia)   Ipixuna do Pará - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo: missa às 10:00 horas Transmitida pela TV RBA (Canal 20)   Domingo: missa às 18:00 Transmitida pelo Facebook (@paroquiadeipixuna)   Aurora do Pará - Paróquia São Raimundo Nonato: Domingo: missas 08:00 horas e 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (@psrnonatoaurora)   Segunda a Sábado: missa às 18:30 horas Transmitidas pelo Facebook (@psrnonatoaurora)   Mãe do Rio - Paróquia São Francisco de Assis: Domingo: missa às 08:30 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Segunda, Terça, Quarta, Sexta e sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Quinta: adoração e missa às 18:00 horas Transmitida pela rádio FM (98,9), Rádio Web Franciscana (www.paroquiasfamaedorio.com.br) e pelo Facebook (@paroquiademaedorio)   Irituia - Paróquia Nossa Senhora da Piedade: Domingo: missa às 06:30 Transmitida pela Rádio Nativa (FM 92,5) e pelo Facebook (@paroquiadeirituiapa)   Nova Esperança do Piriá - Paróquia Nossa Senhora Mãe da Divina Providência: Domingo: missa às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/divina.providencia.3323)   Segunda a Sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (facebook.com/divina.providencia.3323)   Capitão Poço - Paróquia Santo Antonio Maria Zaccaria: Domingo: missa às 06:30 horas Transmitida pelo Facebook (Bem Moura) e Rádio Ouro Verde (FM 101,05).   Domingo: missa às 13:20 e 18:00 horas Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura).   Segunda a Sexta: missas às 07:00 horas e 18:00 horas. Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura)   Segunda a Sexta: missa às 13:30 horas. Transmitida pelo Facebook (facebook.com/bem.moura) e pela Rádio Ouro Verde (FM 101,05)   Sábado: missas às 7:00 horas e às 18:00 horas. Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/bem.moura)   Bonito - Paróquia São Pedro Apóstolo: Domingo: missa às 07:00 horas e às 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiasaopedroapostolobonitopa)   Quinta: adoração e missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@paroquiasaopedroapostolobonitopa)   Cachoeira do Piriá - Paróquia Sagrado Coração de Jesus: Domingo: missas às 07:00 horas e 19:00 horas Transmitidas pelo Facebook (facebook.com/paroquiadecachoeiradopiria)   Santa Luzia do Pará - Paróquia Santa Luzia: Domingo: celebração da Palavra às 06:30 horas e às 19:30 horas Transmitidas pela Rádio Curí (FM 104,9)   Bragança - Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro: Domingo: missa às 10:00 horas Transmitida pelo Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Segunda, Quarta, Quinta e Sexta: missa às 16:00 horas Transmitida pelo Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Terça: missa e Novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro às 16:30 horas Transmitidas pela TV Educadora (Canal 30), Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Youtube (Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro) e pelo Facebook (@ParoquiaSNossaSenhoraPerpetuoSocorro).   Sábado: sem programação   Bragança - Paróquia Catedral Nossa Senhora do Rosário: Domingo: missa às 08:30 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390) e Facebook (@diocesedebraganca).   Domingo: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Segunda a Sexta: missa às 11:00 horas Transmitida pela TV Educadora (Canal 30), Youtube (Pastoral da Comunicação Diocese de Bragança-PA) e Facebook (@diocesedebraganca e @pascomdiocesedebraganca).   Segunda a Sexta: missa às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Quinta: adoração ao Santíssimo Sacramento de 08:00 horas às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário)   Sábado: missa às 18:30 horas Transmitida pela Rádio Educadora (FM 106,7 e AM 1390), Facebook (@CatedralNossaSenhoraDoRosarioDioceseDeBraganca) e Youtube (Catedral Nossa Senhora do Rosário).   Bragança - Paróquia São João Batista: Domingo: missas às 07:00 horas e 19:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Segunda a Sexta: missa às 07:30 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Sexta: adoração ao Santíssimo às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Sábado: missa às 18:00 horas Transmitida pelo Facebook (@batistapsj) e pelo Youtube (Paróquia de São João Batista - Bragança Pará).   Augusto Corrêa - Paróquia São Miguel Arcanjo: Domingo: missa às 07:00horas Transmitida pela Rádio Mania (FM 91,3), Facebook (facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3) e Instagram (@missa_paroquiasaomiguelac_18hs).   Terça a Sexta: missa às 18:00 horas Transmitida pela Rádio Mania (FM 91,3), Facebook (facebook.com/pascompsma.augustocorrea.3) e Instagram (@missa_paroquiasaomiguelac_18hs).   Viseu - Paróquia Nossa Senhora de Nazaré: Domingo: missa às 19:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Terça: ângelus, novena de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Quarta: ângelus, terço da misericórdia e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Quinta: ângelus, terço da libertação e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Sexta: ângelus, via sacra e missa às 18:00 horas Transmita pela Rádio Santa Teresinha (FM 87,9) e pelo Facebook (facebook.com/Paroquia-Nossa-Senhora-de-Nazaré-Viseu-185344895681857)   Durante esta semana estaremos divulgando os horários e os meios pelos quais será possível acompanhar as celebrações da Semana Santa, nas várias paróquias da Diocese de Bragança do Pará. Por Pascom Diocese de Bragança do Pará

Quinto domingo da Quaresma

Uma doença para a glória de Deus Frei Gustavo Medella “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11,4). Imaginemos esta afirmação de Jesus no Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma (Jo 11,1-45) aplicada à pandemia de covid-19 que assola a humanidade. Acreditar que algo tão devastador possa contribuir para a “glória de Deus” pode, à primeira vista, parecer algo fora da realidade ou expressão do capricho de um Deus que se faz sádico diante da dor e do sofrimento humanos. Como Deus seria glorificado num cenário tão desolador e repleto de medo e insegurança? No entanto, ao se analisar o período que a humanidade vive à luz do mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a compreensão da sentença proferida pelo Mestre em relação a seu amigo Lázaro começa a adquirir feições de algo que, na lógica cristã, pode significar a glória de Deus que se expressa na salvação do ser humano. Em primeiro lugar, situações extremas representam oportunidade para o ser humano fazer eclodir aquilo que traz de pior ou de melhor em si. Crises, guerras e pandemias são terreno fértil para fazer aflorar egoísmos extremos e concepções de mundo extremamente excludentes, onde reina o “cada um por si”. Neste caso, nem Deus consegue ser “por todos”, afinal, em Jesus Cristo, ele fez questão de ter a humanidade como parceira. Por outro lado, também é nestas horas em que o absurdo da fragilidade humana se escancara que muitos encontram em si a força de gestos edificantes de solidariedade, cooperação, ajuda mútua, mudança de vida e partilha de bens. Neste caminho, fica mais fácil perceber que Deus é por todos à medida que cada um passa a ser pelo outro. É o Lázaro da humanidade redimida que transcende o cenário de medo e pavor que cada um traz em seu egoísmo interior e “vem para fora”, atendendo ao chamado de Jesus, percebendo que existe, sim, vida depois da covid-19 e que esta vida começa agora, a nascer nos mais simples gestos de amor que cada ser humano se torne capaz de realizar.   5º Domingo da Quaresma – ano A 2020 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Senhor nosso Deus, dai-nos por vossa graça caminhar com alegria na mesma caridade que levou o vosso Filho a entregar-se à morte no seu amor pelo mundo”. Primeira leitura: Ez 37,12-14 Porei em vós o meu espírito para que vivais. A mensagem deste pequeno texto (v. 12-14) entende-se melhor à luz da visão dos ossos secos (Ez 37,1-11), que o profeta Ezequiel teve durante o exílio da Babilônia. O profeta fazia parte da primeira leva de exilados para a Babilônia, em 597 a.C., ainda antes da destruição de Jerusalém (587 a.C.). Vivia no meio do povo, numa planície onde os exilados tinham construído suas casas (cf. Jr 29,5-7), junto a um canal de irrigação, ligado ao Rio Eufrates. Em suas pregações, Ezequiel pedia ao povo o arrependimento e a conversão e procurava renovar a fé e a esperança no Deus libertador. Porém, à medida em que os anos iam passando e as promessas não se cumpriam, um profundo desânimo se abateu sobre os deportados: “Nossos ossos estão secos – diziam –, nossa esperança acabou, estamos perdidos” (v. 11). Tão desesperadora era a situação de Israel no exílio! Neste contexto, o profeta é conduzido, em visão, pelo espírito do Senhor para fora de sua casa e vê uma grande planície cheia de ossos secos. O próprio Deus lhe pergunta: “Poderão estes ossos reviver”? E o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes”. Somente Deus poderia dar nova vida a esses ossos secos! Então, Deus manda o profeta dizer: “Vou infundir em vós um espírito para que revivais”! Por ordem do Senhor, Ezequiel convoca o espírito divino os ossos todos se erguem num estrondo, cobrem-se de carne, recebem o espírito de Deus e põem-se de pé como um imenso exército (37,5-10). Deus não só recria Israel pelo seu espírito (cf. Gn 2,7), como também renova a aliança (“meu povo”) e promete reconduzir seu povo à terra prometida. Quando tudo isso acontecer, diz “sabereis que eu sou o Senhor (…) “sabereis que eu, o Senhor, digo e faço”. Esse “sabereis que eu sou o Senhor” é uma fórmula que ocorre mais de cinquenta vezes em Ezequiel. Significa experimentar a presença de Deus vivo em nossas vidas. Perceber a ação criadora e vivificadora do espírito de Deus, que tudo renova na face da terra (cf. Sl 104,29-30). Esta é a mensagem cheia de esperança que Ezequiel anuncia aos exilados, quando tudo lhes parecia ter acabado: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais” (2ª leitura e Evangelho). Salmo responsorial           No Senhor, toda a graça e redenção. Segunda leitura: Rm 8,8-11 O Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós. Paulo exorta os cristãos de Roma a viver de acordo com a fé que abraçaram. Na comunidade, havia judeus convertidos que continuavam ainda presos às práticas da lei de Moisés. O cristão batizado, diz Paulo, recebe o Espírito de Deus, que é também o Espírito de Cristo, pertence a Cristo e Deus mora nele. Ora, foi o Espírito de Deus que ressuscitou Jesus dentre os mortos. Como este mesmo Espírito mora em nós, também nós ressuscitaremos um dia para a vida eterna. Quando vivemos nossa fé, o Espírito transforma nossos corpos mortais em morada de Deus e, por isso, nos ressuscitará. Aclamação ao Evangelho         Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus. Evangelho: Jo 11,1-45 Eu sou a ressurreição e a vida. O evangelho do 5º domingo da Quaresma, que precede à Semana Santa conta o “milagre” da ressurreição de Lázaro. João conta poucos milagres de Jesus e prefere chamá-los de “sinais”. O presente “sinal” é o sétimo, o último e o maior de todos. O evangelista afirma que Jesus fez muitos outros sinais, mas estes “foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20,31). A narrativa da ressurreição é impressionante, quase teatral, e nos leva a seguir os passos dos personagens principais: Jesus, os discípulos, as irmãs Marta e Maria e seu irmão Lázaro. As atenções de todos voltam-se para Lázaro porque está doente, morre, mas é ressuscitado por Jesus. O mais importante, porém, é o que estes personagens falam. Os diálogos são muitos. Destaquemos alguns. As irmãs mandam dizer a Jesus: “Senhor, aquele que amas está doente”. Ao receber o recado, Jesus comenta: “Esta doença não leva à morte; ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela”. Marta mostra uma profunda confiança quando se encontra com Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”. Mas ela quer seu irmão Lázaro de volta, vivo e agora, e acrescenta: “Mas sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. Jesus responde: “Teu irmão ressuscitará”. Como muitos judeus, especialmente os fariseus, Marta acreditava na “ressurreição no último dia”, mas queria a reanimação do cadáver de seu irmão. De fato, Jesus ia tirar Lázaro da sepultura e devolvê-lo vivo a Marta e Maria. Mas isso era um “sinal” de algo muito maior, pois Lázaro morreu depois, como qualquer outra pessoa. Jesus explica, então, o sentido da “ressurreição no último dia”. “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto”? E Marta responde, professando sua fé em Jesus como “o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. A fé em Jesus Cristo, Filho de Deus, é o fundamento de nossa “ressurreição no último dia” (2ª leitura).   Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus Frei Clarêncio Neotti Betânia era um lugarejo na encosta do Monte das Oliveiras, oposta ao jardim, onde Jesus passou a noite de Quinta-feira Santa. Ficava à beira da estrada que vinha da Galileia, da Samaria e de toda a região do vale do rio Jordão. Não distava mais de três quilômetros de Jerusalém (v. 18). Subindo de Betânia, passa-se por Betfagé e logo, do alto do Monte das Oliveiras, vê-se a cidade na colina de Sion, no outro lado do vale do Cédron. Os peregrinos costumavam parar em Betânia, tomar banho, recompor-se, para entrar dignamente na Cidade Santa. Jesus e os Apóstolos faziam a mesma coisa. E costumavam parar na casa de Lázaro, Marta e Maria, uma família remediada, que se tornara amiga íntima de Jesus. Nesse episódio, encontramos de novo o esquema de João Evangelista: contar um milagre para dar uma grande lição teológica. E, na narração, ir abrindo um leque de ensinamentos entrelaçados. A grande lição de hoje está no verso 35: “Eu sou a ressurreição e a vida”. A pergunta de Jesus a Marta: “Crês isso?” continua válida e fundamental. A resposta de Marta é a única resposta possível em todos os tempos: “Creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus!” Em torno do túmulo de Lázaro, enquanto estavam apenas criaturas humanas, havia choro e lamentos de morte. Toda a amizade que tinham por Lázaro não lhe restituía a vida. O ser humano é impotente diante da morte. Quando chegou Jesus, homem-Deus, bastou uma ordem sua e Lázaro reviveu. A morte não foi obstáculo para Jesus. Ele veio trazer à humanidade a plenitude da vida (Jo 10,10), veio para que aqueles que nele crerem, ainda que estivessem mortos, viessem a vida sem ocaso (v. 25-26).   Aquele que veio nos dar vida “Lázaro,  vem para fora!” O  homem de hoje,  como o de todas as épocas,  traz cravada em seu coração a pergunta mais inquietante e  mais difícil de responder:  o que vai ser de todos e de cada um de nós?  É inútil tentar enganar-nos. O que podemos fazer diante da morte? Rebelar-nos?  Ficar deprimido?                                               Pagola À beira do fim,  há sempre  tanta coisa que começa.                José Tolentino Mendonça ♦ Estamos para terminar o tempo da Quaresma. Desde a segunda metade de fevereiro, vivenciamos um retiro espiritual que nos permite avaliar nossa caminhada  como seres humanos, como peregrinos de uma vida em plenitude e como discípulos  de Jesus. Será que a expressão “discípulos de Jesus” no diz alguma coisa?  Ou  discípulos missionários? Semana após semana  fomos e estamos nos preparando  para renovar nossas promessas batismais na  noite da vigília pascal, tradicional noite dos batismos,  da iluminação de  homens e mulheres que  quiseram e querem  nascer para Deus. A samaritana e sua sede, o cego que passa a enxergar,  a vida na ressurreição de Lázaro que hoje ouvimos.  Tudo pode  fazer nascer e alimentar  em nós o homem. ♦ Jesus costumava passar momentos de felicidade em casa  de  Marta, Maria e Lázaro.  Aquela casa era para ele um oásis de paz. Quando não perambulava em suas andanças, gostava de se recolher ali.  Assim,  Éloi Leclerc examina o quadro do encontro de Jesus  com a morte de seu  “amigo”:  “Jesus se sentiu  profundamente abalado com a morte repentina de Lázaro e  a dor experimentada por suas duas irmãs.  A  notícia despedaçou-lhe o coração.  E deixou  transparecer o sentimento.  Quando se encontrou  com as irmãs do amigo  morto, a sua comoção foi tal  que não pode conter as lágrimas.  Daí o comentário de alguns: “Vejam como era amigo dele”.  A  humanidade de Jesus não era uma  humanidade de fachada. ♦ Morte, realidade incontornável. Morte de corpos doentes, cansados e gastos. Coração sem força,  pulmões sem ar,  falência múltipla dos órgãos,  palidez.   Lá se foi o sangue.  Lá se foram as cores.  Fim de sonhos e de projetos. Realidade que nos amedronta.  Nossos tempos evitam de falar no tema.  Somos incapazes de derrotá-la.  Somos pó e ao pó  voltamos.  Mas somos pó com o sopro do Espírito. ♦ Morte do corpo, morte do homem velho, morte de ilusões,  morte de amizades,  morte de afetos de que andávamos precisando,  morte do  jovem que éramos,  grão que morre para dar vida.  Estamos sempre nesse processo misterioso de morte e vida.  Não sabemos  administrar a morte.  Certo  que esse desejo de vida que borbulha em nós  não pode ser ilusório.  Ficamos extasiados com a vida:  a vida da criança de bochechas rosadas,  a vida  recuperada pelo amigo,  a vida das quaresmeiras.  Quantos tipos de vida.  E há essa saudade de viver  com a Vida com vê maiúsculo.  Somos fadados a viver. ♦ “Jesus fixou seus olhos em Marta, aquele olhar que não se limita a pousar na superfície dos seres, mas penetra até o fundo.  Via bem como ela se sentia dilacerada e recusava violentamente a separação, e o seu desejo de uma vida isenta de morte e das consequentes rupturas.  E, para além  do desespero de Marta, via a humanidade inteira, o imenso mar  humano a soerguer-se, na sua ânsia de vida, como um vagalhão enorme  que no entanto se esboroava contra o muro intransponível da morte”. ♦ Jesus opera um sinal. Em estilo dramático  João descreve a cena.  Manda que tirem a pedra.  Os circunstantes advertem que o  morto já cheira mal  Jesus ergue os olhos para o Pai.  Com voz forte,  grita: “Lázaro, vem para fora!” O morto tem as mãos e os  pés atados e o rosto envolto num sudário. O morto sai.   Trata-se de um sinal que  Jesus coloca  para anunciar a vitória da  vida sobre a morte que está para acontecer  em sua ressurreição,  sua morte pascal.  Jesus havia chorado  diante do sepulcro. Não estaria ele pensando em sua próxima e violenta morte?  E derramando lágrimas por antecipação? ♦ Soam retumbantemente aos  nossos ouvidos  as palavras   que  Jesus dirigiu a Marta:  “Eu sou a ressurreição e vida.  Quem crê em mim,  mesmo que morra, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá.  Crês isto,  Marta?”  Na sepultura fria ou no ato da cremação vidas desaparecem.  Os cristãos andam dizendo a todos através dos tempos que a vida não é tirada,  mas transformada. Os seres que agora sepultamos sepultamos vivem de outro modo no universo de Deus.  Com sua individualidade   continuam a viver na comunhão dos santos.  “Crês isto, Marta?” ♦  Esses corpos  criados à imagem e semelhança de  Deus,  corpos marcados pelo batismo  renovado ao longo de toda a vida,  apontam para a  Vida. “A vida deles é incomparavelmente mais         intensa do que a nossa. Sua alegria não tem fim. Sua capacidade de amar não conhece limites nem fronteiras.  Não vivem separados de nós, mais muito dentro de nosso ser como nunca.  Sua presença transfigurada e seu carinho nos acompanham sempre”  (Pagola). ♦ Recentemente, Hans Küng, o teólogo mais crítico do século XX, próximo  já de seu final, disse que, para ele, “morrer é descansar  no mistério da  misericórdia de Deus. Oração Tu estás perto,   Senhor. Estás sempre nos oferecendo  teu amor. Perdão por nossa falta de fé.  Respeitas nossa liberdade, caminhas conosco, sustentas nossa vida e não nos damos conta. Perdão pela nossa mediocridade. Tu nos ajudas a conhecer-nos, nos falas como a filhos, nos animas a viver, e não te escutamos. Perdão por nossa falta de acolhida. Tu nos amas com ternura, queres o melhor para nós, e não  te agradecemos. Perdão por nossa ingratidão.   Chorar e confiar José Antonio Pagola Acontece o mesmo com todos nós. Não queremos pensar na morte. É melhor esquecê-la. Não falar disso. Continuar vivendo cada dia como se fôssemos eternos. Já sabemos que isto é um engano, mas não conseguimos viver de outra maneira. Seria insuportável para nós. Mas, a qualquer momento, a enfermidade vem sacudir-nos da inconsciência. Nos nossos dias é cada vez mais frequente uma experiência antes desconhecida: a espera pelos resultados dos exames médicos. Qual será o diagnóstico? Negativo ou positivo? De repente descobrimos ao mesmo tempo a fragilidade de nossa vida e nosso desejo enorme de viver. Se o tumor for benigno, um alívio: podemos continuar com nossas ilusões e projetos. Se for maligno, desabamos: por que agora, por que tão depressa, por que tenho que morrer? Sempre é assim. Seja qual for a nossa ideologia, nossa fé ou nossa postura diante da vida, todos teremos que enfrentar esse final inevitável. Diante da morte, sobram as teorias. O que podemos fazer: rebelar-nos, ficar deprimidos ou simplesmente enganar-nos? Diante da morte, Jesus fez duas coisas: chorar e confiar em Deus. Em Betânia morreu seu amigo Lázaro. Ao ver sua irmã chorar e os que a acompanhavam, Jesus, profundamente comovido, se põe a chorar. As pessoas comentam: “Vede como Ele o amava!” É sua primeira reação: pena, compaixão e pranto. Jesus sofre ao ver a distância enorme que há entre o sofrimento dos seres humanos e a vida que Deus quer para todos eles. Mas Jesus tem fé no Pai: “Esta enfermidade não acabará em morte”. É sua segunda reação: uma confiança total em Deus. Um dia Lázaro morrerá. O próprio Jesus terminará seus dias executado numa cruz. Ninguém escapa da morte. Mas Deus, amigo da vida, é mais forte do que a morte. Temos que confiar nele. Inevitavelmente, um dia nossas análises médicas nos indicarão que nosso fim está próximo. Será duro. Certamente vamos começar a chorar. Nossos familiares e amigos mais queridos chorarão conosco sua aflição e impotência. Mas, se cremos em Jesus Cristo, poderemos dizer com fé: “Nem sequer esta enfermidade acabará em morte”, porque Deus só quer para nós vida, e vida eterna.   O batismo, vida nova Pe. Johan Konings Que é “vida nova”? Para os materialistas, o sucesso depois do aperto. Para os espíritas, reencarnação… Nos dois casos, é apenas uma reedição melhorada daquilo que já se viveu… Jesus traz uma vida verdadeiramente nova, de outra ordem. A liturgia nos convida a voltar às nossas origens como povo de Deus, lá no antigo Israel. Israel estava no exílio, na Babilônia: um povo morto. Então, Ezequiel viu os ossos mortos recobrarem a vida pelo “espírito” (o sopro) de Deus. E Deus explica: seu espírito fará reviver o povo de Israel, que vai voltar para a sua terra (1ª leitura). No Novo Testamento, Paulo diz que vivemos uma vida nova, pelo espírito de Cristo que habita em nós, o Espírito que fez Cristo ressuscitar (2ª leitura). O batizado já não vive somente a vida natural, mas, pela fé, está ligado ao “corpo de Cristo”(a comunidade eclesial) e recebe o Espírito-Sopro de Cristo, que transforma sua vida. Quem foi batizado criança, talvez nem chegue a pensar nisso. Mas então está na hora de assumir isso como adulto. Para isso servem a Crisma e a renovação do compromisso da fé na noite pascal. No evangelho de hoje, Jesus diz: “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jô 11,25). Em sinal disso, faz voltar Lázaro à vida. Sinal da vida nova que Jesus comunica e que ele é em pessoa! Como discípulo e amigo de Jesus, Lázaro já tinha recebido, em sua vida mortal, a vida espiritual e eterna da união com Cristo e o Pai. Por isso, morrendo, ele não morre, mas vive, definitivamente… Para significar isso, Jesus o chama corporalmente do sepulcro. Isso não teria sido necessário, porque pela fé Lázaro já estava vivendo a vida eterna. Mas Jesus quis dar um sinal dessa vida eterna que a fé produz em todos aqueles que forem, como Lázaro, fiéis à palavra de vida que Jesus manifesta em sua pessoa e em todo o seu agir. Podemos dizer que o batismo dá esta vida nova? Sim, porque ele nos dá como princípio vital a fé e a adesão a Cristo e à sua vida. O batizado vive uma vida realmente nova, animada pelo espírito de Cristo. Mas sem a fé, traduzida em obras, o batismo fica morto. A vida da fé batismal se verifica, por exemplo, quando ela transforma uma sociedade de morte (fome, opressão, exclusão) numa comunidade de vida, fraternidade, comunhão. Todas as reflexões foram tiradas do site: franciscanos.org.br

CNBB reforça recomendação ao episcopado brasileiro de manter o distanciamento social

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu, na tarde desta quinta-feira, 26 de março, a todos os arcebispos e bispos católicos do país, a orientação sobre qual postura tomar quanto aos decretos do Poder Executivo Federal, incluindo o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, que afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza”. Segundo o informe, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determina. A CNBB, considerando as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministérios da Saúde, que indicam o distanciamento social, orienta os bispos que as igrejas podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito até agora, apenas para orações individuais, transmissões online, etc. Segundo o documento, “não há como entender que os instrumentos legais possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração”. Conheça abaixo a íntegra da parte do comunicado interno sobre os decretos do Executivo Federal, assinado pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Joel Portella Amado, enviado ao episcopado brasileiro na tarde desta quinta -feira: DECRETOS DO PODER EXECUTIVO FEDERAL Temos diante de nós um composto legislativo: Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020; Decreto nº 10.282, de 20 de março de 2020 e o Decreto nº 10.292, de 25 de março de 2020. Todos, de algum modo, tratam de medidas para o “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019″ (Lei 13.979, art. 3º).  Essa mesma lei diz que as medidas adotadas “deverão resguardar o exercício e o funcionamento de serviços públicos e atividades essenciais” (§8º), cabendo ao Presidente da República indicar, mediante decreto, quais são os serviços públicos e as atividades essenciais (§9º). Essenciais são aqueles serviços e atividades que, se não atendidos, colocam em perigo a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população (art. 3º, § 1º). Este não é o caso das igrejas. No entanto, o Decreto 10.292 (art. 3º, inciso 39), assinado ontem, afirma que, dentro dos serviços públicos e atividades essenciais, encontram-se as “atividades religiosas de qualquer natureza, obedecidas as determinações do Ministério da Saúde”. Desse modo, as atividades religiosas foram, por decreto, inseridas no grupo das atividades essenciais, porém sob a condição – assim diz o próprio Decreto – de se obedecer ao que o Ministério da Saúde determinar. Considerando, pois, que as orientações emanadas pelas autoridades competentes do Ministério da Saúde indicam o distanciamento social, as igrejas, se os bispos assim o considerarem, podem permanecer abertas, porém, do modo como tem sido feito: orações individuais, transmissões online etc. Não há como entender que os instrumentos legais acima referidos possam obrigar a reabertura das igrejas, muito menos para a prática de qualquer tipo de aglomeração. Enfim, caros irmãos, reitero a unidade e a solidariedade de toda a Presidência da CNBB. Sabemos o quanto tem sido árduo equilibrar, por um lado, o atendimento religioso aos enfermos, aos profissionais da saúde e a todas as pessoas em geral e, por outro, seguir as normas sanitárias, cuja base é o distanciamento social. Sabemos também que, junto às preocupações especificamente pastorais, rondam-nos questões ligadas ao sustento de nossas igrejas, tanto no que concerne aos bens temporais quanto à caridade que praticamos. Os pobres esperam de nós tanto a presença espiritual quanto material. Essa presença começa pelo testemunho de quem, preocupado, por certo, com os aspectos materiais, escolhe, porém, a vida e a caridade em primeiro lugar. Angustia-nos, por isso, a colocação do dilema vida versus economia. Num tempo quaresmal, em que a Campanha da Fraternidade nos interpela a viver a vida como dom e compromisso, recordo o que o Santo Padre nos disse em sua mensagem para a abertura da CF 2020: “…a Quaresma é um tempo propício para que, atentos à Palavra de Deus que nos chama à conversão, fortaleçamos em nós a compaixão, nos deixemos interpelar pela dor de quem sofre e não encontra quem o ajude. É um tempo em que a compaixão se concretiza na solidariedade, no cuidado. …” Em nome da Presidência de nossa querida CNBB, manifesto a mais plena unidade e reafirmo a disponibilidade em ajudar no que for possível e necessário. Que o Deus da Vida nos ajude a contribuir para “formar uma nova mentalidade política e econômica que ajude a superar a dicotomia absoluta entre a economia e o bem comum social” (EG 205). Dom Joel Portella AmadoBispo auxiliar de São Sebastião do Rio de JaneiroSecretário Geral da CNBB Tirado do site da CNBB

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