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Cúria Diocesana

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Dezembro vermelho

Desde 1988, no Brasil, o dia 1º de Dezembro é Dia Mundial da Luta contra a Aids, e marca o início do mês dedicado a esta causa. A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS. Diversas ações são realizadas em várias paróquias da diocese entre os meses de novembro e dezembro, unindo forças com organizações e Governo para envolver o maior número de pessoas na campanha nacional denominada “Dezembro Vermelho”. Por exemplo, na Paróquia São João Batista, no último domingo, na missa da noite, foi realizada a celebração e uma leitura falando um pouco sobre o primeiro de dezembro e a distribuição de balões simbolizando cada vida perdida para a Aids. E na segunda-feira, 02, a Pastoral da Aids, CTA/SAE e o vice Prefeito de Bragança realizaram ação na Academia da Saúde, realizando 50 testes de HIV e 50 testes de Sífilis, como parte da programação do dezembro vermelho no município de Bragança. Padre Gerenaldo com paroquianos e membros da Pastoral da Aids/ Foto: Divulgação   Membros da Pastoral da Aids na Academia da Saúde de Bragança/ Foto: Divulgação Estatísticas globais – Dentre as estatísticas globais HIV 2019, destaca-se: – 37,9 milhões [32,7 milhões—44,0 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV (até o fim de 2018). – 770 000 [570 000—1,1 milhão] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS (até o fim de 2018). O Brasil teve um aumento de 21% no número de novas infecções por HIV entre 2010 e 2018, de acordo com dados divulgados pelo Programa Conjunto da ONU para HIV/Aids, o Unaids. O número coloca o país como um dos da América Latina com maior aumento de casos. Cerca de 870 mil pessoas vivem com HIV/Aids no Brasil, sendo 731 mil já diagnosticadas. Segundo o site Agência Brasil, o Ministério da Saúde fez um alerta: 135 mil pessoas no Brasil convivem com o vírus HIV e não sabem. O balanço aponta ainda que o número de contaminados continua subindo no país: há um ano, eram 866 mil pessoas. Somente no ano passado, foram notificados 43,9 mil novos casos. “A luta contra aids resiste e persiste unindo pessoas de boa vontade que diariamente doam sua vida sendo sal da terra e luz do mundo”. Os avanços positivos existem, mas há também muita estagnação e retrocessos: A epidemia ainda é uma realidade muito presente entre os jovens, há quatro décadas insistem os altos índices de preconceito e discriminação, anualmente cerca de um milhão de pessoas morrem por causas relacionadas ao HIV em todo o mundo. FONTE DA IMAGEM: http://www.diocesedeanapolis.org.br/wp-content/uploads/2017/11/Dia-mundial-Aids-1.jpg Pastoral da Aids – A Pastoral da Aids atua nos eixos: – Pastoral: Presença em Paróquias, Acompanhamento de Pessoas que vivem com HIV/Aids – PVHA’s e profissionais da saúde/ Educação, Celebrações da Vida, etc. – Técnico-científico: Incentivo ao Diagnóstico Precoce, presença e parceria em Unidades de Testagem, Aconselhamento e Tratamento de IST/ HIV/ Aids e Hepatites Virais. – Incidência Política: Parcerias Governamentais/ Ministério da Saúde/ Prefeituras, Fórum de Ong’s Aids e Conselho Nacional/ Estadual e Municipal de Saúde, etc. Com informações retiradas do site da CNBB N2

211 PESSOAS RECEBEM O SACRAMENTO DA CRISMA EM IRITUIA

A Paróquia Nossa Senhora da Piedade realiza todos os anos a santa missa do sacramento da Crisma para catequisandos da cidade e do interior. Em 2019, a santa missa aconteceu no dia 30 de novembro e teve a presença do Bispo Diocesano Dom Jesus Maria, do pároco Pe. Aldo Fernandes e do vigário Pe. Manoel Lopes. Com a organização da Pastoral da Catequese, a santa missa contou com a participação de 211 crismandos, seus respectivos padrinhos e madrinhas e parentes e amigos que foram apreciar este momento tão importante para a comunidade paroquial. Na homilia, Dom Jesus Maria, trouxe três pontos a serem observados pelos novos crismados e por seus padrinhos e madrinhas: 1. Pedir a benção dos padrinhos/madrinhas e os mesmos não negarem a benção a seus afilhados; 2. Rezar pelos afilhados; 3. Acompanhar os afilhados dando orientação e corrigindo os mesmos quando necessário para uma boa vivência da fé cristã. Dom Jesus ainda incentivou a todos os novos crismados a se engajarem na comunidade em que vivem servindo em alguma pastoral, movimento ou serviço. Um fato muito interessante foi o seu Esmaelino da Comunidade do Patrimônio que foi crismado e em 2019 completou 100 anos de idade. Foi o crismado mais velho e deu exemplo de que nunca é tarde para receber os sacramentos em nossa caminhada na comunidade. Ao final da santa missa, Pe. Aldo agradeceu ao empenho de todos para que esta grande festa acontecesse. Agradeceu em especial ao Pe. Manoel Lopes por acompanhar a Catequese na Paróquia, a Elizângela Amorim que estava a frente da Pastoral da Catequese e deu as boas vindas para Adriane Oliveira que assumirá essa missão a partir de 2020. Dom Jesus chamou todos os catequistas presentes e, um a um, deu um grande abraço de agradecimento a eles. Um lanche foi servido para todos os novos crismados e seus padrinhos. Nossa Senhora da Piedade, Rogai por nós! Por Laury de Jesus

Primeiro domingo do Advento

Jesus se recusa a dar um “spoiler” Frei Gustavo Medella Em tempo de séries de sucesso levadas ao ar na TV, e mais na internet, ninguém gosta de receber um spoiler. Segundo a explicação do site significados.com.br, “Spoiler tem origem no verbo spoil, que significa estragar, é um termo de origem inglesa. Spoiler é quando alguma fonte de informação, como um site, ou um amigo, revela informações sobre o conteúdo de algum livro, ou filme, sem que a pessoa tenha visto”. Normalmente são informações estratégicas equivalentes à ação de se contar o fim do filme antes que a pessoa possa vê-lo. Sendo assim, faz perder a graça da experiência de quem deseja acompanhar a história em todo o seu desenrolar, com início, meio e fim. No Evangelho deste 1º Domingo do Advento (Mt 24,37-44), Jesus nega-se a dar um spoiler àqueles que estavam curiosos para saber sobre quando seria a “vinda do Filho do Homem”. Diz o Mestre: “Portanto, ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor” (Mt 24,42). Agindo desta maneira, Jesus não deseja se prevalecer sobre os seus por conta de uma informação privilegiada. Segundo Santo Efrém, diácono de doutor da Igreja, do Século IV, “Ele quis ocultar-nos isto para que permaneçamos vigilantes, e para que cada um de nós possa pensar que esse acontecimento sobrevirá sobre a sua vida”. Diante desta salutar incerteza, a única garantia quem nos oferece é a fé, pela qual, acreditamos que o fim desta história será bonito de se ver e de se viver. Com este espírito de vigilância busquemos mais uma vez caminhar neste Advento que se inicia. Certos de que o Senhor, que mora no “ponto mais alto das montanhas” (Cf. Is 2,2), se dispõe a montar sua tenda entre nós. Afinal, “já é hora de despertar” (Rm 13,11b).   1º Domingo do Advento, Ano A Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: Concedei-nos o ardente desejo de possuir o reino celeste, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem. Primeira leitura: Is 2,1-5 O Senhor reúne todas as nações para a paz eterna do Reino. Este pequeno oráculo teria sido pronunciado pelo profeta Isaías em momento de grave crise. Percebe-se a gravidade da crise política, social e religiosa já no primeiro capítulo. Jerusalém está cercada pelas tropas da Assíria (Is 1,2-9); Deus rejeita os sacrifícios do culto oficial, pois quem os oferece tem as “mãos cheias de sangue”, assassinatos, violência, injustiça e corrupção (v. 10-15). Isaías repreende e ameaça os chefes e juízes, exortando-os a deixar de fazer o mal e começar a fazer o bem. Mas, ao mesmo tempo, espera uma intervenção salvadora de Deus, para que Jerusalém, infiel e cheia de injustiça, receba um novo nome: “Serás chamada cidade da justiça, cidade fiel”. Nesse contexto de promessas de salvação foi acrescentada a visão de Isaías, que hoje ouvimos, aponta para um futuro cheio de esperança para Judá e Jerusalém, e para toda a humanidade. O texto é um “cântico de Sião”, no qual os judeus se convidam para a peregrinação anual a Jerusalém (cf. Sl 122). Aqui, porém, são os povos de todas as nações que fazem o convite para a peregrinação. A meta da peregrinação é “o monte da casa do Senhor”. Entre os povos do Médio Oriente fala-se em “montanha dos deuses”. A montanha é o lugar do encontro entre o Céu e a terra, um lugar privilegiado para o encontro com Deus. Os que participam da peregrinação desejam encontrar-se com Deus e esperam que Ele “mostre seus caminhos e ensine a cumprir seus preceitos”, porque para os judeus é “de Sião que provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor”. Os chefes e juízes de Jerusalém não julgavam com justiça os mais pobres e semeavam a violência na cidade. Mas, tendo o Deus de Israel como juiz, deixando que Ele mostre os seus caminhos ensine a cumprir seus preceitos, haverá paz messiânica entre as nações. Não haverá mais guerra, porque as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices. Os instrumentos de morte se transformarão em instrumentos que promovem a vida. Por fim, o profeta, unindo-se a todos os povos, convoca também a nós: “deixemo-nos guiar pela luz do Senhor”. – Para Isaías, Jerusalém e o templo são a morada de Deus. De lá o Senhor ensinará a todos os povos a seguir o seu caminho, cumprindo seus preceitos. A partir de Jerusalém também Jesus enviará os seus discípulos para anunciar o Evangelho a todos os povos (Lc 24,47; At 1,8; Mt 28,16-20).  Salmo responsorial: Sl 121 Que alegria, quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor”! Segunda leitura: Rm 13,11-14a A salvação está mais perto de nós. Paulo ainda não conhecia pessoalmente a comunidade cristã de Roma. Conheceu a comunidade apenas indiretamente, através do casal Áquila e Priscila, judeus convertidos vindos de Roma. Encontrou o casal em Corinto e como eram também fabricantes de tendas, trabalhava e se hospedava com eles (At 18,1-4). De tanto ouvir falar dos cristãos de Roma, Paulo desejava visitá-los para também ali anunciar o Evangelho (At 19,21-22). Escreve a Carta aos Romanos, a fim de preparar sua visita. No trecho que hoje ouvimos, percebe-se que, para Paulo, o anúncio do Evangelho e a vida cristã são dinâmicos, quando impulsionados pela expectativa do dia da vinda do Senhor. A frase inicial “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar… a salvação está mais perto”, convida a nos situarmos no tempo de Paulo e das comunidades cristãs. A pergunta pelo tempo é também a pergunta pelo hoje de nossas vidas. A esperança da próxima vinda do Senhor, coloca-nos no chão de nossas vidas. No tempo de Paulo, os judeu-cristãos eram perseguidos em Roma e expulsos por decreto do imperador Cláudio, como Áquila e Priscila. E quais são os problemas, as angústias e sofrimentos que afligem nossas vidas e sociedade? Para seu tempo, e para o nosso, Paulo dá algumas orientações: “É hora de despertar… porque a salvação está próxima”. É tempo de Advento, da esperança do Senhor que vem nos salvar. Despir tudo que significa noite ou trevas (pecado, ódio, violência) e vestir-se das armas da luz; isto é, “revestir-se do Senhor Jesus Cristo”. Não basta dizer que os políticos e a sociedade são corruptos, mas é preciso que todos nós mesmos “procedamos honestamente como em pleno dia”. Aclamação ao Evangelho Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade e a vossa salvação no concedei! Evangelho: Mt 24,37-44 Ficai atentos e preparados! O tema do Evangelho é a vinda do Filho do Homem e como preparar-se para recebê-lo. A vinda do Filho do Homem é certa, mas a hora é incerta. No versículo anterior ao texto hoje proclamado, o próprio Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente o Pai”. As comparações ilustram como será essa vinda do Filho do Homem e nos convidam à vigilância: Por ocasião do dilúvio, Noé construiu a arca porque foi advertido por Deus. Todos os outros homens apesar dos avisos de Noé continuaram sua vida normal, cheia de violência e maldade. Noé salvou sua família e os animais recolhidos na arca enquanto as outras pessoas pereceram porque não se converteram. E Jesus explica: “Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem (v. 37-39). O exemplo dos lavradores (v. 40) e das donas de casa que trabalham juntas (v. 41), ou do dono da casa que deve estar atento para impedir que o ladrão lhe arrombe a casa (v. 43) ilustram a necessidade de aguardar vigilantes a vinda do Filho do Homem. No evangelho, Jesus fala quatro vezes da vinda do Filho do Homem. Como não sabemos quando o Senhor virá, fiquemos atento e vigilantes, bem preparados para recebê-lo com alegria. Que o Senhor nos encontre ocupados servindo com amor ao próximo.   "Caminhar na luz do Senhor" Frei Clarêncio Neotti O tema da vigilância foi ressaltado por Jesus nos Evangelhos. Não se trata de uma atitude passiva ou de, simplesmente, ficar vendo os fatos acontecerem, como o espectador no cinema. É uma atitude envolvente, dinâmica, de compromisso. A parábola das dez jovens (Mt 25,1-13), que vem logo em seguida, insiste no mesmo tema e mostra onde está o ponto alto: estar presente, quando chega o esposo, e participar do cortejo. A vigilância tem a ver com o dia a dia da vida presente, com as incessantes lutas em prol do bem, e com o momento supremo de nossa passagem desta para a outra vida. A vigilância de hoje pode ser a minha garantia amanhã. A vigilância tem a ver com a construção do Reino de Deus na terra. Tem a ver com os pecados que devem ser superados e as virtudes que devem ser vividas. Tem a ver com o hoje de Deus que está acontecendo. Tem a ver com a contínua comparação entre os critérios de Deus e os meus critérios, e a prevalência dos critérios divinos dentro da minha história humana. A vigilância se prende à ideia de estar acordado, atento e pronto para agir, seja para construir uma obra de bem, seja para combater uma obra má. Tem a ver com o esforço pessoal em “caminhar na luz do Senhor”, como nos recorda o profeta Isaías na primeira leitura (ls 2,1-5), ou como lembra São Paulo na segunda leitura (Rm 13,11-14), com a nossa coragem de deixar as obras das trevas e praticar as obras de luz. A vigilância tem a ver com o “pôr em prática” (Mt 12,50; Lc 8,21; Mc 3,35) os ensinamentos de Jesus. A vigilância consiste em trazer para dentro da vida de cada momento as razões e as consequências do Natal de Jesus. Em dois momentos, no ano litúrgico, a Igreja chama especial atenção para o tema da vigilância: no Advento e na Quaresma. Porque, se o Advento prepara a primeira vinda de Jesus, a Quaresma prepara a Páscoa, dia em que ficou confirmada a segunda vinda de Jesus, para nos colher na morte, acolher-nos na sua misericórdia como juiz e nos introduzir na feliz eternidade, onde termina a vigilância, superam-se a fé e a esperança e se passa a viver unicamente do amor: Deus.   Atenção, muita atenção! Entrando no tempo do desejo Frei Almir Guimarães  Vocês não estão ouvindo seus passos silenciosos? Ele está chegando, está chegando, está realmente chegando. A todo  momento, em qualquer tempo, a cada dia e cada noite.  Ele está chegando…(Tagore)  Vinde todos da casa de Jacó e deixemo-nos guiar pela luz do Senhor.(Isaías 2, 5) ♦ Quatro semanas, vinte e poucos dias nos separam da comemoração do nascimento de Jesus. Os fatos são conhecidos e a fé nos diz que o Deus altíssimo e belo resolveu armar sua tenda entre nós. Somos convidados a fazer brotar em nós o desejo de Deus. Importante que o Natal do Senhor penetre em nossa vida e na vida da Igreja. Não pode ser  uma comemoração rotineira e vazia de seu significado. Fundamental que nos abismemos diante de tão grande maravilha: o Altíssimo se faz presente na fragilidade humana. ♦ Elredo de Rielvaux, monge, afirma: “Determinou a Igreja com sabedoria que no tempo do Advento recitemos as palavras dos que antecederam a primeira vinda do Senhor e revivamos os seus desejos. E não celebramos o seu desejo só por um dia, mas por tempo mais prolongado, pois o objeto de nossos desejos, quando tarda, parece ao chegar, mais doce ao nosso amor”. Desejo, anelo, esperança e expectativas perpassam a liturgia e devem acompanhar as batidas de nosso coração nessa quadra do ano. Não queremos viver um dezembro nas coisas que se repetem monótona e rotineiramente: compras, bolas coloridas, enfeites, presentes, almoço de Natal, panettone, missa do galo, roupa nova, ‘pisca-pisca chinês’, as mesmas coisas sempre as mesmas coisas. “Então é Natal!” Alimentar o desejo de Deus. Tudo está feito e pressentimos que tudo precisa ser refeito. Falta plenitude em nossa vida pessoal, tudo está por acabar, há sempre este gosto de insatisfação, do inacabado. Somos convidados a vigiar.  Caminhar serenamente pela vida mas cuidado de ter atenção.  Atenção às visitas inesperadas do Senhor. Viver despertos: >> Significa seguir de verdade os passos de Jesus:  seguimento. >> Não cair no ceticismo e na indiferença diante da marcha do mundo: não se entregar ao pessimismo. >> Não deixar que nosso coração endureça:  delicadeza interior, sensibilidade. >> Alimentar a esperança das pessoas desalentadas. >> Atrever-nos a ser diferentes, sem afetação, crer na força do Evangelho vivido. >>Não deixar que se apague o nosso desejo de buscar o bem para todos. >> Viver com paixão a pequena aventura de cada dia. >> Continuar a fazer pequenos gestos que aparentemente não servem para nada. ♦ Pagola tem palavras contundentes, mas que precisamos ouvir:  “Um dos riscos que ameaçam  nossa fé  é cair numa vida superficial,  mecânica,  rotineira…  Não é fácil escapar. Com o passar dos anos, os projetos, as metas, as ideias de muita gente acabam apagando-se. Não poucos acabam levantando-se cada dia “só para ir levando a vida”.  O apelo de Jesus à vigilância nos chama a despertar da indiferença, da passividade ou do descuido com que vivemos  frequentemente nossa fé. Para vive-la de maneira lúcida precisamos conhece-la mais profundamente, confrontá-la com outras atitudes possíveis perante a vida e procurar vive-las com todas as suas consequências. É muito fácil viver dormindo.  Basta fazer o que todos fazem: imitar, amoldar-nos, ajustar-nos ao que está na moda.  Basta viver buscando segurança externa ou interna.  Basta defender o nosso pequeno bem-estar enquanto a vida vai se apagando em nós” (cf. Pagola, Lucas, p.213-214). ♦ Não é possível que as expressões de nossa fé se resumam ao cumprimento de ritos e à observância de meia dúzia de prescrições. Será preciso dar um espaço dentro de nós para acolhimento do mistério da encarnação.  Precisamos um pouco ou muito de lentidão. José  Tolentino Mendonça fala da urgência da lentidão  que pode se traduzir em atenção  para as visitas do  Senhor: “Passamos pelas coisas sem as habitar, falamos com os outros sem os ouvir, juntamos informações que nunca  chegamos a aprofundar. Tudo transita num galope ruidoso. Na verdade, a velocidade em que vivemos, impede-nos de viver”. O Natal não pode passar como num galope ruidoso.  Afinal de contas, é a chegada no humano  daquele que os espaços não podem conter. Texto seleto Senhor, eis-nos à espera. No fundo de nossas correrias, no coração desses dias agitados, que nos dividem literalmente ao meio, entre mil pequenas tarefas e mil pequenos pensamentos, há um silêncio que soletra o teu nome. No fundo nós sabemos que só um Deus pode no salvar. Pode até ser que no meio de tanto ruído, que te dispensamos. Pode até ser que não tenhamos a força dos verdadeiros gestos do Natal. Mas eis-nos à espera, Acredita que, por vezes,  enquanto trocamos cartões, augúrios, presentes há um momento em que nossas mãos ficam vazias, fixas  no ar, como se rezassem. É quando te pedimos que faças brilharem nós a estrela luminosa do teu Natal. Para refletir Vigiar as visitas do  Senhor com velas acesas: Deixando que as mensagens dos acontecimentos alegres ou os apertos do coração possam  apontar para insinuações do  Senhor. Sem nos desesperar com incômodos remorsos, servir-se deles para jogar-se no Senhor. Saber que ele nos visita numa palavra ouvida ou lida que ressoa fortemente em nosso interior. Na habitual convivência com a Palavra.   Como despertar? José Antonio Pagola Jesus o repetiu constantemente: “Estai sempre despertos”. Ele temia que o fogo inicial apagasse e seus seguidores dormissem. Esse é o nosso grande risco: instalar-nos comodamente em nossas crenças, “acostumar-nos” ao Evangelho e viver adormecidos na observância tranquila de uma religião apagada. Como despertar? O primeiro a fazer é voltar a Jesus e sintonizar com a experiência primeira que tudo desencadeou. Não basta instalar-nos “corretamente” na tradição. Temos que enraizar nossa fé na pessoa de Jesus, voltar a nascer de seu espírito. Não há nada mais importante que isto na Igreja. Só Jesus pode conduzir-nos de novo ao essencial. Além disso, precisamos reavivar a experiência de Deus. O essencial do Evangelho não se aprende de fora, mas cada um o descobre em seu interior como Boa Notícia de Deus. Devemos aprender e ensinar caminhos para encontrar-nos com Deus. De pouco adianta desenvolver temas didáticos de religião ou continuar discutindo sobre questões de “moral sexual” se não despertamos em nada o gosto por um Deus amigo, fonte de vida digna e feliz. Mais ainda. A chave a partir da qual Jesus vivia a Deus e olhava a vida inteira não era o pecado, a moral ou a lei, mas o sofrimento das pessoas. Jesus não só amava os desgraçados, mas nada amava mais ou acima deles. Não estamos seguindo corretamente os passos de Jesus, se vivemos mais preocupados com a religião do que com o sofrimento das pessoas. Nada despertará a Igreja de sua rotina, imobilismo ou mediocridade, se não nos comove mais a fome, a humilhação e o sofrimento das pessoas. Para Jesus, o importante é sempre a vida digna e feliz das pessoas. Por isso, se nosso “cristianismo” não serve para fazer viver e crescer, não serve para o essencial, por mais nomes piedosos e veneráveis com que o queiramos designar. Não temos que olhar os outros. Cada um de nós deve sacudir-se da indiferença, da rotina e da passividade que nos fazem viver adormecidos.   A vinda de Cristo Pe. Johan Konings Estamos iniciando um novo ano litúrgico, o ano A (do ciclo trienal da liturgia dominical), no qual os evangelhos, via de regra, são tomados de Mateus. As quatro primeiras semanas do ano litúrgico chamam-se Advento, termo que significa ‘vinda’: a vinda de Cristo. Todavia, não se trata da lembrança apagada de um fato ocorrido há dois mil anos atrás. Avinda de Cristo tem atualidade ainda hoje. A 1ª leitura recua longe para olhar melhor: descreve a visão “utópica” de Isaías, por volta de 700 a.C: todos os povos se unirão em tomo do templo de Jerusalém. As armas serão transformadas em instrumentos agrícolas. Haverá paz… Setecentos anos depois, a primeira vinda de Cristo marcou o irreversível início da realização desse “projeto” de Deus. Sua nova vinda, no fim dos tempos, marcará o ponto final. O evangelho fixa nossa atenção nesta nova vinda. Não podemos viver dormindo. Devemos viver em estado desperto, à luz do dia de Cristo, para que ele sempre nos possa encontrar dispostos para a vinda de incansável caridade que ele nos ensinou (2ª leitura). Jesus veio inaugurar o projeto definitivo de Deus para o mundo. Ele será também o juiz da História na sua vinda final. Esse projeto de Deus, que Jesus veio inaugurar e que ele julgará, é comunitário. É a constituição de um povo de Deus, formado por todas as nações, dispostos a praticar a justiça e a caridade fraterna. Para que isso se realize, deve acontecer uma transformação histórica. Nós devemos dar os necessários passos históricos, para que o plano de Deus chegue até nós: preparar, pela transformação de nossos corações e de nossa sociedade, a plenitude que vem de Deus. Nossa participação no projeto de Deus consiste em tornar nossa sociedade “digna” de uma nova vinda de Cristo. Nisto se inserem, além de nosso empenho pessoal, os passos da comunidade para maior solidariedade: mutirões, cooperativismo etc. O Cristo vem também, cada dia, na vida de cada um. Que ele nos encontre comprometidos com a construção da História como ele a “sonhou” e com os critérios que ele usará para julgar: o amor aos mais pequenos dos irmãos, sustentado pela oração, na qual expomos nossa vida diante dele. Atentos às coisas do Senhor, teremos paz profunda e seremos capazes de dedicação total na alegria, no trabalho e na luta. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo

A lição de um marginal Frei Gustavo Medella “Os chefes zombavam de Jesus dizendo: ‘A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!’” (Lc 23,35). No auge do sofrimento, coroado de espinhos e coberto de sangue, suor e escarro, Jesus continua a ser testado até o limite de suas forças. Os que lhe roubaram as vestes agora tentam lhe subtrair o que de mais precioso possuía: a fidelidade ao Reino que viera propor. O que já explicara à exaustão – que seu Reino não era deste mundo – novamente deveria ser explicado, desta vez por um silêncio sofrido e doloroso. Lição difícil de ser aprendia esta do Mestre-Rei Jesus. Especialmente por aqueles que, do alto de sua prepotência, são incapazes de nutrir pelo outro o mínimo de empatia e para quem a dor alheia pode, inclusive, se converter em divertido espetáculo. Naquela cena dramática, a voz de bom senso vem de um marginal. Acometido pela mesma dor de Cristo, torna-se capaz de solidarizar-se com Ele e, numa verdadeira profissão de fé, entrega o resto de vida que possui Àquele que poderia lhe garantir a eternidade. Sábia escolha do bom ladrão. Ensina-nos que, para bem compreendermos o Reinado de Jesus, precisamos ir à margem de nossos egoísmos e certezas e abraçarmos a dor de nossa finitude. Ali, certamente, teremos maior lucidez para abraçar de corpo e alma o caminho que Cristo-Rei vem nos propor.   Jesus Cristo, Rei do universo, ano C 2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Primeira leitura: 2Sm 5,1-3 Eles ungiram Davi como rei de Israel. O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul caiu na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu a Davi como rei de Israel (1Sm 16,12-13). Com a morte de Saul, Davi foi ungido pela tribo de Judá como rei (2Sm 2,4) e, depois, reconhecido como rei também pelas tribos de todo o Israel. Na leitura de hoje são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei: 1º As tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos. Reconhecem, portanto, que são parentes. 2º Recordam a decisiva liderança de Davi durante o reinado de Saul nas guerras de libertação contra os filisteus. 3º Reconhecem Davi como o escolhido do Senhor: “Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o nosso chefe”. Davi fez uma aliança com eles, na presença do Senhor, e foi ungido com rei de todo Israel. Davi foi pastor de ovelhas, antes de se tornar rei. Como pastor conduzia as ovelhas de seu pai com muito cuidado para as fontes de água e as pastagens. Sabia defender as ovelhas contra animais ferozes ou ladrões. Qualidades importantes para cuidar do bem-estar do seu povo e defendê-lo contra os inimigos. Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres…” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho). Salmo responsorial Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor. Segunda leitura: Cl 1,12-20 Recebeu-nos no reino de seu Filho amado. Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados”. O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Por meio de Cristo, o Pai quis reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos. Aclamação ao Evangelho: Mc 11,9.10   É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;  e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor. Evangelho: Lc 23,35-43 Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado. O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores, zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque Ele se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acusação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo e si mesmo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido… se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles repete o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”! Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece que Jesus é um rei que salva. Em resposta Jesus lhe diz: “… ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo, Rei do Universo.   Será o rei da paz Frei Clarêncio Neotti No antigo Oriente, a realeza era uma instituição sagrada. O rei era ao mesmo tempo o chefe temporal e espiritual do povo, uma espécie de mediador entre os deuses e os homens. Os israelitas, provavelmente por medo da divinização de uma criatura humana e como segurança da fé num Deus uno e único, demoraram muito tempo em aceitar um rei (o primeiro foi Saul, como nos conta 1Sm 9,11). Os profetas sempre cuidaram para que o rei não ultrapassasse os limites de ‘servo da Aliança’, porque o verdadeiro rei e senhor glorioso é e será somente Javé (Sl 24,9-10; Sl 74,12; Is 43,15; Ml 1,14; 2Mc 1,24-25). Como a realeza em Israel, num balanço geral, foi uma experiência negativa, por causa da ambição, despotismo, idolatria, falsas alianças, injustiças e opressões (Jr 21 e 22), os profetas passaram a anunciar um futuro rei, que arrancasse o povo das trevas, devolvesse a alegria da vida pela implantação do direito, da justiça, da piedade (Is 9,5-6); um rei que fosse pastor pela força de Deus e estabelecesse a paz por toda a terra: “Ele apascentará pela força do Senhor. Ele será grande até os confins da terra. Ele será a paz” (Mq 5,3-4).   No trono da cruz o amor se entregou Frei Almir Guimarães “A missão de Cristo continua a escrever-se através de nós” ♦ Mais uma vez, bem no final do ano litúrgico, comemoramos a solenidade de Jesus Cristo, rei do universo e o dia nacional do leigo. Aquele que foi o primeiro no pensamento de Deus e para o qual tudo convergia, o que antes dele vinha e tudo que o sucedeu. Rei porque tudo é dele, vem dele e para ele converge. Rei que nasce na singeleza da pobre manjedoura e morre nu no madeiro da cruz. Rei cujo título de honra é o de ter amado até fim. Rei por causa de um amor sem meias medidas. Rei despojado que deseja que colaboremos com ele na construção do Reino do Pai. Sua missão continua a se escrever através de nós. ♦ Rei porque veio com sua palavra e seu testemunho apontar para o Reino novo de seu Pai, reino de justiça, de paz, de amor, mundo novo em que os humildes são reis e os prepotentes e insolidários são destituídos de seus tronos, mundo que se adquire vendendo o que temos e cantando a canção da partilha. ♦ Lucas lembra o fato de que os que estavam no Gólgota faziam pilherias, zombavam dele. “Se és mesmo o escolhido de Deus, desce daí, faz um milagre, como outros que andaste fazendo”. Para tornar tudo extremamente ridículo colocaram no alto da cruz do Crucificado nu se contorcendo um letreiro: “Este é o Rei dos Judeus!”. Cena sempre chocante. ♦ Todos os que comentam estas cenas não se cansam de repetir que a crucificação de Cristo continua no sofrimento dos inocentes de todos os tempos. Desses miseráveis que são chutados, injustiçados, sadicamente torturados ou simplesmente excluídos. Seria realmente uma inconsequência beijar a imagem do Crucificado enquanto vivemos indiferentes aos sofrimentos que não são os nossos. ♦ Acontece então algo inusitado. Assim se exprime Pagola: “De repente no meio de tanta zombaria, uma invocação: “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu trono”. É o outro delinquente que reconhece a inocência de Jesus, confessa sua culpa e cheio de confiança no perdão de Deus, só pede a Jesus que se lembre dele. Jesus lhe responde imediatamente: “Hoje estarás comigo no paraíso”. Agora estão os dois agonizando, unidos no desamparo e na impotência. Mas hoje mesmo estarão os dois desfrutando a vida do Pai” ( Lucas, p. 351).No momento de morrer aquele malfeitor se entrega confiantemente a Jesus. E ele ouve estas consoladoras palavras: “Hoje estarás comigo no paraíso”. ♦ Somos pecadores como o ladrão: “O incurável crente confia todo este anseio de vida nas mãos de Deus. Todo resto se torna secundário. Não importa os erros do passado, a infidelidade ou a vida medíocre. Agora só conta a bondade e a força salvadora de Deus. Por isso de seu coração brota uma oração semelhante à do malfeitor moribundo na cruz. “Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino”. Uma oração que é invocação confiante, petição de perdão e, sobretudo, ato de fé vida num Deus salvador (cf. Pagola, Lucas, 355). ♦ Dia do fiel cristão leigo. Daqueles homens e mulheres, solteiros, casados, jovens e idosos, garis e desembargadores, padeiros e astronautas. Homens e mulheres que não estão vinculados ao serviço do altar, mas pessoas tocadas por Cristo Jesus, discípulos do Evangelho na busca do bem, da justiça e da verdade. Pais educadores primeiros de seus filhos, aqueles que podem despertar no coração deles o desejo e a sede de Deus. Homens e mulheres que fazem de sua casa uma Igreja doméstica. Leigos que se inspiram em Tristão de Athayde, Madeleine Delbrêl e Contardo Ferrini. Leigos que labutam nas associações de bairro. Pessoas que ajudam vigorosamente na construção de um mundo de justiça, de paz, de solidariedade. No momento atual haverão de se ocupar de modo especial em humanizar o humano. Os leigos têm como espaço de ação o vasto mundo e não os estreitos espaços da sacristia. Leigos ungidos no Batismo e na Confirmação, garantia da presença de Cristo no campo de luta onde se desenha o amanhã da humanidade: sal a terra, luz do mundo e fermento na massa. ♦ “Pedir o Reino de Deus é pedir que o nome que nós carregamos, o nome de cristão, o nome de cristã, tenha de fato a vitalidade de Cristo dentro de si. E que sintamos que participamos do ministério de Cristo. Somos ungidos para tornar presente esse Reino no meio do mundo” (cf. Tolentino). Oração Não tens mãos… Jesus, não tens mãos.Tens apenas as nossas mãos para construirum mundo onde habite a justiça.Jesus, não tens pés.Tens apenas os nossos pés para pôr em marchaa liberdade e o amor.Jesus, não tens lábios.Tens apenas os nossos lábios para anunciaraos pobres o Reino de Deus.Jesus, não tens meios.Tens apenas nossa ação para fazer com quehomens e mulheres sejam irmãos.Jesus, nós somos o teu Evangelho, o único Evangelho,que as pessoas podem ler para acolher teu Reino(Autor anônimo).   Carregar a cruz José Antonio Pagola O relato da crucificação nos lembra a nós, seguidores de Jesus, que seu reino não é um reino de glória e de poder, mas de serviço, amor e entrega total para resgatar o ser humano do mal, do pecado e da morte. Habituados a proclamar a “vitória da cruz” corremos o risco de esquecer que o Crucificado nada tem a ver com um falso triunfalismo que esvazia de conteúdo o gesto mais sublime de serviço humilde de Deus às suas criaturas. A cruz não é uma espécie de troféu que mostramos aos outros com orgulho, mas o símbolo do Amor crucificado de Deus, que nos convida a seguir seu exemplo. Cantamos, adoramos e beijamos a cruz de Cristo porque, no mais profundo de nosso ser, sentimos a necessidade de dar graças a Deus por seu amor insondável, mas sem esquecer que a primeira coisa que Jesus nos pede insistentemente não é beijar a cruz, mas carregá-la. E isto consiste simplesmente em seguir seus passos de maneira responsável e comprometida, sabendo que esse caminho nos levará, mais cedo ou mais tarde, a compartilhar seu destino doloroso. Não nos é permitido aproximar-nos do mistério da cruz de maneira passiva, sem intenção alguma de carregá-la. Por isso, precisamos tomar muito cuidado com certas celebrações que podem criar em torno da cruz uma atmosfera atraente, mas perigosa, se nos distraírem do seguimento fiel ao Crucificado, levando-nos a viver a ilusão de um cristianismo sem cruz. É precisamente ao beijar a cruz que precisamos escutar o chamado de Jesus: “Se alguém vier atrás de mim … carregue sua cruz e me siga”. Para nós, seguidores de Jesus, reivindicar a cruz é aproximar-nos prestativamente dos crucificados, introduzir justiça onde se abusa dos indefesos, reclamar compaixão onde só existe indiferença diante dos que sofrem. Isto nos trará conflitos, rejeição e sofrimento. Será nossa maneira humilde de carregar a cruz de Cristo. O teólogo católico Johann Baptist Metz vem insistindo no perigo de que a imagem do Crucificado esteja ocultando de nós o rosto dos que vivem hoje crucificados. No cristianismo dos países do bem-estar está ocorrendo, de acordo com ele, um fenômeno muito grave: “A cruz já não intranquiliza ninguém, não tem nenhum aguilhão; perdeu a tensão do seguimento de Jesus, não chama a nenhuma responsabilidade, mas exonera dela”. Não precisamos todos nós rever qual é a nossa verdadeira atitude diante do Crucificado? Não precisamos aproximar-nos dele de maneira mais responsável e comprometida?   Jesus Cristo, Rei do Universo Pe. Johan Konings Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor. Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado. Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade. O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados. Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver… Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Diocese de Bragança ganhará 3 diáconos transitórios

No próximo domingo, 24 de novembro, Dom Jesus Maria estará na Paróquia São Pedro Apóstolo para ordenar 3 diáconos transitórios para a Diocese de Bragança. Os mesmos já concluíram os estudos no seminário há algum tempo, e já estavam no estágio pastoral. Trata-se dos jovens Manoel Flávio, que está no estágio pastoral em Tracuateua; José Fernando, que está executando o estágio pastoral em Garrafão do Norte; e Lenilson Ferreira, que está no estágio pastoral no Sagrado Coração de Jesus (Bragança). A seguir iremos conhecer um pouco mais dos 3 futuros padres (no próximo ano) da Diocese de Bragança. José Fernando Brito de Sousa nasceu em 21 de fevereiro de 1992, na cidade de Bragança-PA, é o filho mais novo de uma família de seis filhos; sendo quatro homens e duas mulheres; tendo como pais: José Américo de Sousa e Benedita de Araújo Brito. Aos 18 anos, ainda no Ensino Fundamental, o envolvimento nos trabalhos, na vida comunitária já fazia parte da rotina cotidiana do jovem.   Sempre na participação nas santas missas, a participação no grupo da RCC e da equipe de liturgia da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Bragança; o desejo sempre crescente de servir a Deus, de se entregar inteiramente ao serviço do Reino de Deus já se fazia presente em seu coração. Ainda no Ensino Médio participou do projeto “Aluno repórter”, da Rádio Educadora; e após a conclusão dessa faze formativa ingressou no curso técnico de hospedagem no IFPA. A participação ativa na Igreja levou-o a fazer os encontros vocacionais da Diocese de Bragança no ano de 2011, entendendo mais sobre a realidade do chamado que Deus faz em nossa vida. Depois dos encontros decidiu fazer a experiência no Seminário diocesano São Paulo VI, entrando em Abril de 2012 para cursar o propedêutico (faze preparatória para a formação presbiteral) no Instituto Regional para Formação Presbiteral (IRFP), hoje Faculdade Católica de Belém (FACBEL). No ano seguinte começou a cursar Filosofia; e dois anos depois iniciou o curso de Teologia, na já Faculdade Católica de Belém (FACBEL). Ainda em formação no Seminário Paulo VI aos fins de semanas fazia experiências pastorais em algumas paróquias de nossa diocese e também de Belém. Passou por paróquias como: Nossa Senhora da Divina Providência, em Nova Esperança do Piriá; Nossa Senhora do perpetuo Socorro, Ipixuna do Pará, mas especificamente na Comunidade São Pedro Apóstolo, no km 88; Nossa Senhora do Rosário, na Vila de Curupaiti, município de Viseu; Santa Luzia, em Santa Luzia do Pará; Santa Rita de Cássia, Cidade Nova  5, em Ananindeua; e São Francisco de  Assis, em Garrafão do Norte, onde está até hoje. O jovem Fernando afirma que “é Deus que em sua infinita bondade age na história humana, chamando e confirmando a vocação de cada um. Toda vocação é dom de Deus que devemos acolhê-la com generosidade, correspondendo ao seu amor.  Sobre a proteção da Virgem Maria, amparado pelo seu esposo, São José, venho fazer com prazer a vossa vontade, Senhor”.   Lenilson Ferreira Brito nasceu no dia 25 de outubro de 1991 em Bragança-PA, criado em Augusto Corrêa. Filho de Antonio Maria da Cunha Brito e Dona Rosineide Ferreira Brito. Exerceu o serviço de coroinha desde os 13 anos de idade. Depois participou de alguns movimentos como a RCC, Pastoral da pessoa idosa, e ajuda na animação litúrgica da Missa com as crianças. No dia 01 de fevereiro de 2011 ingressou no seminário São Paulo VI em Ananindeua, onde fez o propedêutico e o curso de Filosofia. Nos anos de 2012 a 2013 exerceu atividade pastoral na paróquia de Santa Luzia, sendo acompanhado pelo Pe. Elias, que era pároco na época. Em 2014 Dom Luís Ferrando, bispo titular naquele momento, o convidou a fazer o curso de Teologia na Itália, na Diocese de Piacenza, no Colégio Alberoni. Ali passou quatro anos estudando e fez pastoral na paróquia de San Corrado, no bairro periférico da cidade de Piacenza. Acompanhava o grupo jovem e participava do coral da paróquia. Em 2018, depois de concluir os estudos, retornou ao Brasil a pedido do novo bispo, Dom Jesus Maria. Já aqui foi enviado a paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Bragança, para fazer o estágio pastoral acompanhado pelo Pe. José Calazans e Pe. José de Arimateia. Como atividades na paróquia acompanhou o grupo dos coroinhas e a PJ. Além de outras pastorais quando exigido.   Manoel Flávio Rodrigues Nascimento é filho de Maria Zenaide Rodrigues Nascimento e Mário de Jesus Ferreira Carvalho, mas registrado por Francisco de Souza Nascimento. Flavio foi criado por seus avós maternos: Maria Joana da Costa e Raimundo Rodrigues da Costa, dos quais recebeu amor e uma boa educação cristã. Nasceu no dia 12 de abril de 1992 na cidade de Capanema-PA, e com apenas 10 meses de nascido, foi morar na cidade de Bonito-PA. No ano de 2004 iniciou a vida de comunidade. Mas, somente no ano de 2005 passou a fazer parte da equipe de Liturgia; e em 2008 se tornou líder da Pastoral da Criança, catequista em sua comunidade (São Francisco de Assis/ Vila Boa Vista) e em 2010 membro do conselho comunitário. O jovem Flavio participou do 1º encontro vocacional da diocese nos dias 16, 17 e 18 de maio de 2008, encontro realizado no seminário Menor Santo Alexandre Sauli, Bragança-PA. Depois o 2º encontro foi realizado em Irituia nos dias 15,16,17 de agosto de 2008. E por não ter idade e nem concluído os estudos mínimos, não entrou no seminário naquele ano. Já em 2011 voltou a participar dos encontros vocacionais e foi chamado a entrar no seminário. Flavio lembra ainda a data que recebeu a carta convite: "recebi a carta de ingresso no dia 20 de dezembro de 2011 às 19:30hs". Passou a morar no seminário São Paulo VI no dia 02 de fevereiro de 2012. Durante o tempo em que ficou no seminário, Flavio exerceu atividades pastorais em algumas paróquias, como: Paróquia São Francisco de Assis, Mãe do Rio, mais precisamente nas comunidades do Km 33, Km 28 e no Km 40; na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Irituia, auxiliando na Paróquia e nas comunidades do Km 09 e Km 14; na Arquidiocese de Belém, na Paróquia Nossa Senhora Mãe da Divina Providência; na Paróquia de Nossa Senhor do Perpétuo Socorro, Ipixuna do Pará. E em novembro de 2018 recebeu a notícia de onde iria fazer seu estágio pastoral, que seria na Paroquia São Sebastião, em Tracuateua. Estágio esse que se iniciou em 15 de janeiro de 2019. Flavio está em Tracuateua até hoje, sendo acompanhado pelo Pe. Carlos Afonso. A ordenação diaconal acontecerá neste próximo domingo às 09 horas da manhã, na Igreja Matriz de Bonito-PA. Por Diocese de Bragança

Realizado em Mãe do Rio o I Encontro Diocesano de TILS da Pastoral do Surdo

No final de semana passado, dias 16 e 17 de novembro, foi realizado em Mãe do Rio, Paróquia São Francisco de Assis, o I Encontro Diocesano de Tradutores e Intérpretes de Língua de Sinais - TILS da Pastoral do Surdo. O tema do evento foi: SOMOS TODOS ENVIADOS NA MISSÃO DE EVANGELIZAR. Estiveram presentes os representantes da Pastoral do Surdo dos seguintes lugares: Mãe do Rio, Concórdia do Pará, Santa Maria do Pará, Castanhal, Ananindeua e de Belém. Crianças da pastoral do surdo kids na abertura do encontro/ Foto: Divulgação   Ângela Cristina Silva Pereira e Danielle do Socorro Benjamin da Pastoral do surdo de castanhal. Palestrantes tema: “O silencio de Maria nos faz sentir o Espirito Santo”/ Foto: Divulgação   Momento de estudo e preparação para santa Missa/ Foto: Divulgação   Oração de são Francisco recitada/ Foto: Divulgação   Azarias de Oliveira, coordenador da pastoral do dizimo de Mãe do Rio/ Foto: Divulgação   Cleyton Rodrigo Marruaz, Coordenador da pastoral do surdo regional  Norte 2, apresentou o tema: “ Intérpretes católicos batizados e enviados na missão de evangelizar em Libras”/ Foto: Divulgação   Coordenadora dos TILS da pastoral do surdo de Mãe do Rio apresentou o tema: "sentindo a presença de Jesus na santa missa"/ Foto: Divulgação   Missa de encerramento com padre Francisco Ribeiro, pároco em Mãe do Rio/ Foto: Divulgação Por Pastoral do Surdo de Mãe do Rio

33º Domingo do Tempo Comum

“Não ficará pedra sobre pedra”: O desafio de ser Igreja na “era dos escombros” Frei Gustavo Medella “Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão” (2Ts 3,12). No Brasil de hoje, atender ao apelo de São Paulo na Segunda Carta aos Tessalonicenses soa como privilégio. Já são quase 30 milhões de brasileiros desempregados ou subempregados sem nenhuma garantia ou segurança em relação ao trabalho. A situação de desalento e desamparo de quem não tem trabalho é mencionada pelo Papa Francisco, em sua Mensagem para o 3º Dia Mundial dos Pobres, celebrado neste domingo, quando o Santo Padre escreve: “Qualquer possibilidade que eventualmente lhes seja oferecida, torna-se um vislumbre de luz; e mesmo nos lugares onde deveria haver pelo menos justiça, até lá muitas vezes se abate sobre eles violentamente a prepotência. Constrangidos durante horas infinitas sob um sol abrasador para recolher a fruta da época, são recompensados com um ordenado irrisório; não têm segurança no trabalho, nem condições humanas que lhes permitam sentir-se iguais aos outros. Para eles, não existe fundo de desemprego, liquidação nem sequer a possibilidade de adoecer”. Neste contexto, no Domingo em que se celebra a solidariedade e a partilha com aqueles que nada têm, às vésperas da Solenidade de Cristo Rei (24 de novembro), que encerra o ciclo do Ano Litúrgico, a Igreja tem o compromisso de se reafirmar como porta-voz da esperança desta multidão desassistida, garantido a eles a certeza de que devem “permanecer firmes a fim de ganhar a vida” (Cf. Lc 25,19). No entanto, levar esta garantia é tarefa séria e exigente que demanda mais do que palavras bem elaboradas e discursos corretos e adequadamente fundamentados. Quando se depara com a admiração de seus conterrâneos diante de imponência e da beleza do Templo, Jesus os adverte: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído” (Lc 25,6). Não foi compreendido em sua provocação e, no decorrer do diálogo, chegaram a dele duvidar e debochar. Nos dias do hoje, talvez tenhamos já chegado à “era dos escombros”. Pelo menos é o que se pode imaginar diante de tantos sinais de morte que se apresentam com insistência diante de nossos olhos. Levar esperança neste cenário exige desapego e coragem da parte da Igreja, que é a família dos filhos e filhas de Deus. É urgente o abandono de qualquer tentação ao triunfalismo ou ao apego a um status de poder e destaque que a alienam e a afastam da fidelidade ao Evangelho. É hora de sair pelas ruas, entre os escombros, sem medo, erguendo os caídos e consolando os aflitos. O momento é de deixar de lado todo e qualquer preciosismo, assim como os apegos mundanos e, a partir da pouca argamassa de esperança que ainda resta, reconstruir tantas casas que jazem feridas, desrespeitadas e ameaçadas: desde nossa Casa Comum à casa da humanidade que sente na pele as dores de um mundo que, parece, está desaprendendo a amar.   Jesus Cristo, Rei do universo, ano C 2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que dispusestes restaurar todas as coisas no vosso amado Filho, Rei do universo, fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente”. Primeira leitura: 2Sm 5,1-3 Eles ungiram Davi como rei de Israel. O texto da primeira leitura lembra como Davi se tornou rei de Israel. O primeiro rei de Israel a ser ungido pelo profeta Samuel foi Saul (1Sm 10,1). Quando Saul caiu na desgraça por ter desobedecido às ordens de Deus (1Sm 15,16-23), o profeta Samuel ungiu a Davi como rei de Israel (1Sm 16,12-13). Com a morte de Saul, Davi foi ungido pela tribo de Judá como rei (2Sm 2,4) e, depois, reconhecido como rei também pelas tribos de todo o Israel. Na leitura de hoje são dadas as razões da escolha e unção de Davi como rei: 1º A tribos se apresentam a Davi em Hebron e dizem: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne”, isto é, somos teus irmãos. Reconhecem, portanto, que são parentes. 2º Recordam a decisiva liderança de Davi durante o reinado de Saul nas guerras de libertação contra os filisteus. 3º Reconhecem Davi como o escolhido do Senhor: “Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o nosso chefe”. Davi fez uma aliança com eles, na presença do Senhor, e foi ungido com rei de todo Israel. Davi foi pastor de ovelhas, antes de se tornar rei. Como pastor conduzia as ovelhas com muito cuidado para as fontes de água e as pastagens. Sabia defender as ovelhas contra animais ferozes ou ladrões. Qualidades importantes para cuidar do bem-estar do seu povo e defendê-lo contra os inimigos. Hoje celebramos a festa de Cristo, Rei do Universo. Como rei, Jesus apresenta na sinagoga de Nazaré como seu plano o reinado de Deus: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres…” (Lc 4,18). Fiel ao projeto do Reino de Deus, Jesus morre na cruz, coroado de espinhos (Evangelho). Salmo responsorial Quanta alegria e felicidade, vamos à casa do Senhor. Segunda leitura: Cl 1,12-20 Recebeu-nos no reino de seu Filho amado. Na segunda leitura, o trecho da Carta aos Colossenses começa com uma ação de graças. Na primeira parte (v. 12-14), o Apóstolo reconhece que é do Pai a iniciativa da salvação, descrita como passagem das trevas à luz. “Por meio de seu Filho amado, temos a redenção/salvação e o perdão dos pecados”. O Pai nos tornou capazes de entrar em comunhão com ele, porque fez de nós filhos seus e herdeiros de sua luz. A segunda parte (v. 15-20) é um hino pleno de encanto e alegria com o primado absoluto de Cristo. No hino se explanam os motivos da ação de graças a Deus: Por meio de Cristo nos fez participantes da sua luz, isto é, de sua divindade; Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação. Por causa de Cristo, por meio dele e para ele foram criadas todas as coisas, visíveis e invisíveis. Cristo existe antes de todas as coisas, portanto, ele é Deus que sustenta a existência de todas as coisas. Como Igreja, nós somos o corpo e Cristo é a cabeça (1ª leitura: “somos teus ossos e tua carne”). Ele é o primeiro dos ressuscitados. O motivo deste plano maravilhoso que Deus tem para com toda a humanidade é expresso pela encarnação do Filho de Deus – “porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude”. Por meio de Cristo, o Pai quis reconciliar consigo não só a humanidade, mas todos os seres, pelo sangue da sua cruz. Eis porque Cristo é um rei crucificado, coroado de espinhos. Aclamação ao Evangelho: Mc 11,9.10            É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo em nome do Senhor;             e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor. Evangelho: Lc 23,35-43 Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado. O Evangelho que acabamos de ouvir apresenta Jesus crucificado entre dois malfeitores, zombado pelos chefes do povo, pelos soldados romanos e até por um dos malfeitores condenados ao mesmo suplício. As zombarias dos chefes do povo se referem a títulos religiosos como “Cristo (Messias) de Deus” e “o Escolhido”. Quando Lucas escrevia seu evangelho estes dois títulos faziam parte da fé cristã: Pedro confessa que Jesus é “o Cristo de Deus” (9,20); na transfiguração de Jesus uma voz se faz ouvir do meio da nuvem, dizendo: “Este é o meu Filho, o Escolhido, escutai-o” (9,35). Acreditar que Jesus crucificado entre malfeitores era o Messias esperado, era um escândalo para os judeus e uma loucura para os gregos (1Cor 1,23; At 17,32-33). O motivo de condenação de Jesus pelo tribunal dos judeus (Sinédrio) era o título Messias que lhe davam e porque se dizia “Filho de Deus”. A zombaria dos soldados romanos gira em torno ao título “rei dos judeus”. Foi essa a acusação que o Sinédrio apresentou diante de Pilatos, governador romano. Pilatos, depois de interrogar a Jesus sobre se era rei dos judeus, ficou convencido de sua inocência. Mesmo assim, forçado pelos chefes, juízes e o povo, acabou condenando Jesus ao suplício da cruz, sentença que foi fixada acima de sua cabeça: “Este é o rei dos judeus”. O Messias era o descendente de Davi esperado como salvador do povo, função atribuída também ao rei. Os chefes dos judeus e os soldados ridicularizavam Jesus, suspenso na cruz, porque era incapaz de salvar o povo: Se és o Cristo de Deus, o Escolhido… se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. Lucas é o único dos evangelistas a registrar o diálogo dos dois malfeitores com Jesus. Um deles retoma o insulto dos chefes dos judeus: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”! Outro o repreende, reconhecendo que eles dois estão sofrendo o suplício da cruz porque são culpados, mas Jesus é inocente. E acrescenta: “Jesus, lembra-te de mim, quando chegares ao teu reinado”. Reconhece que Jesus é um rei que salva. Em resposta Jesus lhe diz: “… ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, isto é, nos jardins divinos de Jesus Cristo, Rei do Universo.   Um estilo para uma lição Frei Clarêncio Neotti Lembremos que o Evangelho de hoje está escrito dentro de um estilo chamado ‘apocalipse’, bastante comum desde dois séculos antes de Cristo até um século depois. Assim como podemos passar uma mensagem por meio de poesia, teatro, novela, os povos antigos passavam uma mensagem também por meio do apocalipse. Era um gênero literário, que lançava mão de imagens fortes, como o cair do sol, maremotos, feras, montanhas que se derretem como água, visões de anjos. Esse gênero literário era usado para ensinar uma lição sobre o futuro, especialmente o possível fim dos tempos, tema que preocupava todas as culturas, inclusive a bíblica. Ao lê-lo, portanto, não devemos ir atrás de seu sentido literal, mas procurar qual o significado do símbolo. Por exemplo, pode estar escrito sol. Mas sol significa luz; luz significa segurança (porque no escuro facilmente se tropeça). Cair o sol, então, significa não ter mais nenhuma segurança. Levado à linguagem religiosa, que descreve o fim dos tempos – a morte -, cair o sol vai significar que, na hora da morte, estamos sem nenhuma das proteções que tivemos em vida (riquezas, amigos, glória). Estaremos sós, sem contar com ninguém, a não ser Deus; nele devemos confiar, porque Deus nos será a única segurança, quando a morte chegar.   As turbulências se tornaram frequentes Esses tempos difíceis  Frei Almir Guimarães A grandeza do homem está naquilo que lhe resta precisamente quando tudo o que lhe dava algum brilho exterior se apaga. E o que lhe resta? Os seus recursos interiores e nada mais. José Tolentino Mendonça Libertar o Tempo, p.29 Os tempos difíceis não devem ser tempos para as lamentações, a nostalgia ou o desânimo. Não é hora da resignação, da passividade ou da omissão. A ideia de Jesus é outra: em tempos difíceis “tereis ocasião de dar testemunho”. É precisamente agora que precisamos reavivar entre nós o chamado a ser testemunhas humildes, mas convincentes, de Jesus, de sua mensagem e de seu projeto. Pagola, Lucas, p. 326-327 ♦ Chegamos ao final do ano litúrgico de 2019. No primeiro domingo de dezembro voltaremos a percorrer as sendas do advento que nos levarão ao presépio do Menino das Palhas e à contemplação do maravilhoso mistério da encarnação do Verbo de Deus. As leituras deste domingo falam de perseguições, de tempos difíceis, de turbulências. Estamos sendo convidados a refletir sobre o final dos tempos e as anunciadas tribulações descritas num estilo apocalíptico. Ficamos cheios de consolo, no entanto, quando ouvimos dizer que, em momentos de desafio e de perseguição por causa de nossas convicções, o Senhor há de nos dar palavras acertadas. Não perderemos um só fio de cabelo. Somos convidados a perseverar e ter paciência. ♦ Não podemos aqui elencar todas as transformações, mudanças, mutações e turbulências que estão a nos afetar de modo especial nas últimas décadas. Os que fizemos boa parte do caminho temos a impressão que as coisas se aceleraram. Tudo muda e se transforma loucamente em termos de tecnologia, na busca da identidade do ser homem e ser mulher, na educação dos filhos, na concepção dos valores, no jeito de educar, no casamento. Nós, cristãos, ficamos preocupados com a transmissão da fé às novas gerações e com a distância que muitos foram tomando da fé cristã e, ao mesmo tempo com desvios morais mais ou menos graves, tomadas de posição de ultradireita ou de ultraesquerda.  Parecem terremotos como aqueles descritos nas páginas dos Evangelhos agora proclamados. ♦ Que fazer? Ter espírito crítico. Cultivar o hábito de discernir. Nada de embarcar em canoas que possam estar furadas. Não alimentar nostalgia do passado que pôde também ter tido deficiências, nem querer começar tudo de zero. Em todos os campos. Não andar atrás da primeira novidade que aparece. Nada de ingenuidade. Discernir. Tentar descobrir aquilo que constrói o ser humano, o que respeita sua dignidade, o que contribui para diminuir desigualdades, o que minora as dores, o que nos permite saborear o fato de viver, o que nos torna santos. ♦ Focando mais de perto a questão da vivência cristã parece importante fixarmo-nos no essencial, como em tudo aliás. O essencial não são tradições, costumes e visões que nos apequenam. Sair da superfície e chegar ao fundo. Muitos, em nossos dias, vivendo e participando das turbulências se dizem perdidos e com vontade de tudo abandonar. Então: >>Nada de uma religião cerebral, busca de um Deus frio. Antes de mais nada prestar atenção nessa legítima saudade de Deus que experimentamos. Essa sede de plenitude. Essa vontade de achegarmo-nos a um Tu que nos ama, nos atrai, solicita uma resposta pessoal. Buscar áreas verdes. Desvencilharmo-nos de nós mesmos. Karl Ranher advertia, em meados do século  passado, que o cristão do amanhã seria um místico ou nada; >>Rever a maneira como rezamos. O movimento dos lábios precisa acompanhar os reclamos de um ser pobre que se lança no Mistério. Positivamente precisamos nos tornar amigos de Deus, para além das prescrições e observância dos ritos. >> Procurar reencontrar nosso eu mais profundo, nosso interior, a plataforma interior a partir da qual se constrói a pessoa. Milan Kundera: “Quando as coisas acontecem depressa demais, ninguém pode ter certeza de nada, de coisa nenhuma, nem de si mesmo”. Tolentino fala da necessidade de resgatar nossa relação com o tempo. Precisamos reaprender o aqui e agora da presença. >> Concentrar-se no essencial. Cada geração cristã tem seus próprios problemas, dificuldades e buscas. Não devemos perder a calma, mas assumir nossa responsabilidade. Não se pede nada que esteja acima de nossas forças. O essencial continua sendo um imenso senso de solidariedade e bondade e um decidido empenho de ouvir a voz do Senhor.  Nos dias de claridade e nas noites escuras sem estrelas. >> O trecho do Evangelho hoje proclamado fala de perseverança e paciência. Os pais precisam paciência para entender as opções que filhos parecem assumir, os sacerdotes necessitam  descobrir um meio de fazer com seus fiéis cresçam de fato e não enveredem pela trilha do intimismo e das emoções ditas místicas; os governantes haverão de  paciente e perseverantemente   descobrir meios para que não falte trabalho, especialmente para  os jovens. Dar tempo ao tempo.  Apressado come cru. Perseverança e paciência. >> Ser capaz de acolher as surpresas do Senhor. Vivíamos a vida de um jeito, numa Igreja diferente, nos tempos das coisas antigas. Deus se nos manifestava numa certa estabilidade, talvez meio parada.  Hoje ele nos surpreende na globalização, na necessidade acolher os refugiados, no sermos uma Igreja em saída, num mundo que não esperávamos viver. >> Pode-se dizer que o antídoto da crise civilizatória que vivemos é o empenho de humanizar os humanos que, aos poucos, foram perdendo sua essência: a alegria de viver, a redescoberta da confiança, o cuidado de escutar e enxergar.  Precisamos, novamente, fazer a experiência do espanto diante das coisas simples:  um jantar em família, atenção para um colega de trabalho revoltado com a vida, da alegria um cafezinho tomado com um pessoa que mal conhecemos  no instante. >> Cristãos que somos necessitamos urgentemente de ler e reler, meditar e viver o Sermão da Montanha de Mateus (5-7). Revestirmo-nos dos sentimentos que animaram o Senhor Jesus. Texto seleto Os tempos estão mudando. E os tempos de mudança são inspiradores, não o esqueçamos. O inverno conspira para que surjam inesperadas flores. “O que está sendo dito para nós?” é a pergunta necessária. O que esta avalanche cultural nos revela? De fato, a grande crise, a mais aguda, não é sequer os acontecimentos, decisões e deserções que nos trouxeram aqui. Dia a dia sobrepõe-se um problema maior:  a crise da interpretação.  Isto é, a falta de um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar,  para cada um enquanto indivíduo e para todos  enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos (Tolentino, A Mística do Instante, p. 123) Oração Confiarei… ainda que me perca em teus caminhos, ainda que não encontre meu destino, confiarei… Confiarei… ainda que não entenda tuas palavras, ainda que teu olhar me queime, confiarei… Eu te seguirei, duvidando e andando ao mesmo tempo e te amarei, tremendo e amando ao mesmo tempo.   Dar por terminado José Antonio Pagola É a última visita de Jesus a Jerusalém. Alguns dos que o acompanham admiram-se ao contemplar “a beleza do templo”. Jesus, pelo contrário, sente algo muito diferente. Seus olhos de profeta veem o templo de maneira mais profunda: naquele lugar grandioso não se está acolhendo o reino de Deus. Por isso, Jesus o dá por terminado: “Quanto a estas coisas que contemplais, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído”. De repente, as palavras de Jesus dissiparam o autoengano que se vive em torno do templo. Aquele edifício esplêndido está alimentando uma ilusão falsa de eternidade. Aquela maneira de viver a religião sem acolher a justiça de Deus nem ouvir os que sofrem é enganosa e perecível: “Tudo isso será destruído”. As palavras de Jesus não nascem da ira. Menos ainda do desprezo ou do ressentimento. O próprio Lucas nos diz um pouco antes que, ao aproximar-se de Jerusalém e ver a cidade, Jesus “pôs-se a chorar”. Seu pranto é profético. Os poderosos não choram. O profeta da compaixão sim. Jesus chora diante de Jerusalém porque ama a cidade mais que ninguém. Chora por uma “religião velha” que não se abre ao reino de Deus. Suas lágrimas expressam sua solidariedade com o sofrimento de seu povo e, ao mesmo tempo, sua crítica radical àquele sistema religioso que põe obstáculo à visita de Deus: Jerusalém – a cidade da paz! – “não conhece o que leva à paz”, porque “está oculto aos seus olhos”. A atuação de Jesus lança não pouca luz sobre a situação atual. Às vezes, em tempos de crise, como os nossos, a única maneira de abrir caminhos à novidade criadora do reino de Deus é dar por terminado aquilo que alimenta uma religião caduca, sem produzir a vida que Deus quer introduzir no mundo. Dar por terminado algo que foi vivido de maneira sagrada durante séculos não é fácil. Não se faz isso condenando os que querem conservá-lo como eterno e absoluto. Faz-se “chorando”, porque as mudanças exigidas pela conversão ao reino de Deus trazem sofrimento a muitos. Os profetas denunciam o pecado da Igreja chorando.   O fim de uma era Pe. Johan Konings Com o ano 2000, o fim do mundo não chegou… Nem com o ataque contra o centro comercial de Nova York em 2001. No evangelho, Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e do seu magnífico templo. Para muitos judeus, dizer isso era a mesma coisa que anunciar o fim do mundo. Jesus, porém, não considera isso o fim do mundo, mas um sinal de que tudo passa, mesmo o sistema religioso mais venerado, a civilização mais preciosa. Só não passa o que ele ensina por sua vida e sua palavra. “Minha palavra não passará”. Para os cristãos, as vicissitudes da queda de Jerusalém significam um tempo de provação, mas também de testemunho. Na firmeza da fé, ganharão a vida eterna. Ora, não podemos negar que estamos seriamente confrontados com a possibilidade do fim de uma civilização. As armas de guerra, a poluição, a depredação da natureza, a incontrolabilidade da própria ciência… são bombas-relógio que podem explodir a qualquer hora. Contudo, não são razão de desespero. O cristão há de ver em tudo isso um desafio para a sua firmeza. “O mundo pode cair aos pedaços, mas eu não vou desistir daquilo que Jesus me ensinou”, assim é que devemos falar. Certos cristãos, de mentalidade muito individualista, dizem: “A sociedade como tal já não pode ser salva; o único que podemos fazer é cada qual salvar sua alma”. Tal atitude é irresponsável. Exatamente diante da ameaça do colapso de nossa civilização é que devemos engajar-nos para construir desde já o início de uma nova civilização, mais justa e mais fraterna, mais respeitosa também para com as possibilidades que Deus colocou nas mãos do ser humano. Assim fizeram os primeiros cristãos. Diante dos ameaçadores sinais dos tempos, não cruzaram os braços (cf. a 2ª leitura), mas construíram as suas comunidades que, depois da desintegração do mundo de então, se tornaram semente de uma nova era aqui na terra, além de abrirem as portas para a vida com Deus na eternidade. Conta-se de S. João Berchmans o seguinte: enquanto, numa hora de recreio, estava jogando bilhar, perguntaram-lhe o que faria se um anjo o avisasse de que iria morrer já. Respondeu: “Continuar jogando”. Do mesmo modo devemos continuar a construção do Reino de Deus encarnado em nossa história, mesmo se existem sinais de que nosso mundo pode estar chegando ao fim. Seja como for, aconteça o que acontecer, Deus quer nos encontrar ocupados com seu Reino neste mundo e firmes no testemunho de Jesus. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Dom Jesus participa de evento de prevenção ao suicídio

No dia 14 de novembro na Escola Estadual Bolivar Bordalo, Dom Jesus Maria e a Psicóloga Ana Cristina palestraram acerca da prevenção ao suicídio. O evento foi destinado aos do turno da noite. No último mês de setembro o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) lançaram a Campanha Nacional de Prevenção ao Suicídio, o "Setembro Amarelo". Durante o mês de setembro especialmente o dia 10 de setembro é uma data lembrada mundialmente e também é um tipo de chamamento para que as pessoas percebam que podem ser amparadas em momentos difíceis da vida, para que não cheguem a pontos extremos como o suicídio. Dados alarmantes De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas se suicidam por ano em todo o mundo. No Brasil são quase 12 mil casos por ano. Para a ABP e o CFM, falta uma política de atenção, com infraestrutura e recursos humanos suficientes, para ajudar quem sobre com stress, depressão e esquizofrenia, transtornos que podem levar ao desejo suicida.O Brasil é o quarto país latino-americano com o maior crescimento no número de suicídios entre 2000 e 2012, segundo relatório divulgado na última semana pela OMS. Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. Chama a atenção o fato de o número de mulheres que tiraram a própria vida ter crescido mais (17, 80%) do que o número de homens (8,20%) no período de 12 anos. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.O presidente da ABP, Antônio Geraldo da Silva, chama a atenção para a subnotificação dos casos, pois, segundo ele, grande parte das tentativas de suicídio não chega aos registros oficiais por não existir notificação compulsória. “Ainda faltam políticas públicas voltadas especialmente para o grupo, entre elas ambulatórios especializados e um serviço telefônico gratuito e nacional que funcione 24 horas. Além desses serviços, a OMS acrescenta medidas como reduzir acesso a armas de fogo, pesticidas e medicamentos, principais métodos usados na prática”, disse.Em 2006, o Ministério da Saúde publicou uma portaria com as diretrizes do que seria uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio. Entre as medidas estavam previstas campanhas para informar e sensibilizar a sociedade de que o suicídio é um problema de saúde pública que pode ser prevenido. Segundo as entidades médicas, no entanto, até agora a política não saiu do papel. Ao contrário disso, segundo último levantamento elaborado pelo CFM sobre leitos no Brasil, só em psiquiatria foram desativados quase 7.500 leitos em todo o país entre janeiro de 2010 e julho do ano passado. Com a realização do setembro amarelo em Bragança, Dom Jesus foi convidado para vários eventos da campanha. Esses momentos o deixaram muito sensibilizado diante da experiência de conhecer mais a respeito. Experiência que o levou a tratar do assunto em vários eventos no meio eclesial... E já foi convidado a participar de vários momentos em escolas, como o do último dia 14 no Bordalo. Por Diocese de Bragança Com informação do: http://portal.cfm.org.br/

COMIRE ARTICULA EIXOS DA MISSÃO NO REGIONAL

No último dia 09 de novembro foi realizada a reunião da equipe de coordenação ampliada do Conselho Missionário do Regional Norte 2 (COMIRE), na sede da CNBB N2, em Belém do Pará. O encontro reuniu lideranças missionárias das dioceses de Abaetetuba, Cametá, Bragança e da arquidiocese de Belém, assim como, representações da Infância e Adolescência Missionária (IAM), Organização Santas Missões Populares (OSMP), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Juventude Missionária (JM), Conselho Missionário de Seminaristas (COMISE), Conselhos Missionários Diocesanos (COMIDIs), Centro MAGIS da Amazônia e Missão nas Fronteiras. Promovido pela equipe executiva do COMIRE, este momento buscou aprofundar o entendimento coletivo sobre sentido, objetivos e importância dos conselhos missionários em diversas instâncias, assim como, a formação e articulação missionária em nível de regional.  “É preciso ouvir os gritos que ressoam nas bases para se construir um caminho de unidade na missão”, como ressaltou Taiana Carolina, da OSMP/COMIRE. Irmã Rebeca fez um momento de partilha sobre a Missão nas Fronteiras A presença e o valioso testemunho de Irmã Rebeca Spires, do CIMI, sobre a Missão nas Fronteiras, foi o momento alto do encontro, o que inspirou e norteou os trabalhos em grupos. “O desafio da Missão nas Fronteiras é de todos nós, é a maior joia deste Regional”, enfatizou Irmã Rebeca em intenso testemunho. E, de fato, todos os presentes reconheceram a importância da missão e as necessidades urgentes que a mesma enfrenta. Dentre os encaminhamentos e compromissos assumidos neste encontro estão a produção de material para potencializar a divulgação do Projeto Missão nas Fronteiras como vídeo teaser e powerpoint, o que será garantido com a visita da equipe executiva em lócus. O apoio financeiro imediato das obras missionárias através de ações atividades de arrecadações de fundos para a missão. Outro ponto importante amplamente enfatizado foi a questão formativa, que precisa ser mais efetiva e com maior presença do COMIRE nas dioceses, para apropriação de temas como o texto pós sínodo, o programa missionário nacional, e as diretrizes gerais para ação evangelizadora. Todas as propostas e sugestões foram acolhidas pela equipe executiva, que permanecerá em sintonia na animação e articulação missionária deste regional. O encontro estendeu-se até as 17h, e foi concluído com momento de oração em círculo, onde todos puderam reafirmar os compromissos assumidos e pedir a Virgem Maria que ilumine e impulsione as missionárias e missionários que caminham neste chão amazônico. Um grande desafio para a missão é transcender as estruturas e ser mais humano e sensível ao clamor dos pobres, precisamos ser mais sensíveis na escuta, para sermos mais humanos na ação. Texto e fotos: Renan Rosário / COMIRE Retirado do site da CNBB N2

32º Domingo do Tempo Comum

Negar a ressurreição com a vida Frei Gustavo Medella “Alguns saduceus, que negam a ressurreição” (Lc 20,27b). Negar a ressurreição não é mera recusa a abraçar uma doutrina ou um conjunto de ensinamentos, nem debater o tema a partir do mundo dos conceitos ou das ideias. Desta forma, a questão casuística posta pelos saduceus, ainda que pudesse ter um tom de certo deboche ou incredulidade, representava a face mais inocente e inofensiva de uma postura discordante com a proposta de Jesus Cristo. A versão mais prejudicial de tal negação, com certeza, é o estado de arrogância e prepotência a que pode chegar o ser humano quando se julga senhor da própria vida e dono da única verdade absoluta que deseja impor aos outros. Quem age assim, não nega somente a ressurreição, mas nega a vida a quem ameaça seus planos egoístas e autocentrados. Esta negação autoafirmativa certamente já havia contaminado o coração do rei cruel apresentado no trecho do 2º Livro de Macabeus (2Mc 7,1-2.9-14) . Com requintes de covardia e crueldade, massacrou sete filhos e uma mãe movido pelo mero capricho de fazerem-nos pensar exatamente como ele pensava. Sua sanha era, por teimosia, orgulho e soberba, colocar-se como dono da vida daqueles que havia feito prisioneiros. Empatia, compaixão, solidariedade e respeito eram palavras que haviam sido banidas de seu vocabulário e de suas práticas. Pobre homem, morto já em vida. A postura que parece o cume da crueldade e é narrada em um episódio do Antigo Testamento, poderia, falsamente, ser considerada por nós algo muito distante no tempo e no espaço, coisa de “gente primitiva”, algo que aconteceu no “muito antigamente da existência”, quando o ser humano era menos evoluído. Triste engano… A negação da ressurreição e da vida, e consequente negação de Cristo, continua atual e tem saltado aos olhos como prática, inclusive, de muitos que se autodenominam seguidores do Ressuscitado. Mais do que em palavras, tal postura destruidora tem se mostrado em práticas marcadas pela ofensa, pela mentira e pela exclusão. Tem sido, inclusive, plataforma política de quem, em nome de Deus, chegou ao poder para garantir e perpetuar os próprios privilégios à custa da morte e do massacre dos pequenos, daqueles que pensam diferente, de quem sonha um mundo mais justo e igualitário. Os frutos nefastos desta mórbida opção pela morte, infelizmente, são numerosos. Não é difícil encontrá-los, pelo que não vou tomar o precioso tempo do estimado leitor declinando os muitos sinais de morte que têm nos deixado tristes e feridos. O mais importante é não esmorecermos e renovarmos a certeza de que, caminhando conosco, está o Deus da Vida, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. FREI GUSTAVO MEDELLA, OFM, é o atual Vigário Provincial e Secretário para a Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição. Fez a profissão solene na Ordem dos Frades Menores em 2010 e foi ordenado presbítero em 2 de julho de 2011   32º Domingo do Tempo Comum, ano C2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”. Primeira leitura: 2Mc 7,1-2.9-14 O Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna. Os últimos três domingos do ano litúrgico C, que precedem os domingos do Advento, estão voltados para a segunda vinda do Senhor, como Juiz dos vivos e dos mortos. No Antigo Testamento a crença na vida após a morte, junto de Deus, ainda não estava desenvolvida. Muito menos a fé na ressurreição dos mortos. Pensava-se que as pessoas que morriam iriam juntar-se aos seus antepassados, na morada dos mortos. Lá as pessoas estariam como que congeladas, incapazes até de louvar a Deus. Por isso nos Salmos de súplica e lamentação o salmista pede que Deus lhe conceda longa vida aqui na terra. Que vantagem teria Deus em fazer morrer o ser humano na flor da idade? Apenas perderia mais alguém capaz de louvá-lo estando vivo. No entanto, pequenos vislumbres de esperança de uma vida com Deus já aparecem nos salmos, como no Sl 73,23-26 e Sl 16,8-11, que já manifestam uma certeza: se alguém está em comunhão com Deus aqui na terra não precisa temer a morte. A primeira leitura de hoje é uma confissão clara na ressurreição individual dos mortos. O texto se localiza no II século antes de Cristo. A Judeia estava então sob o domínio dos reis Selêucidas da Síria, herdeiros de parte do Império de Alexandre Magnos. O rei Antíoco IV, ferrenho amante da cultura grega, queria impor à força aos povos dominados os costumes gregos e o culto dos deuses pagãos. O texto narra a história duma mulher judia e de seus sete filhos. Exortados mãe viúva, resistem heroicamente às torturas, negando-se a oferecer incenso aos deuses pagãos. Importante é o que dizem os quatro primeiros filhos, momentos antes de serem executados: “Estamos prontos a morrer, antes que violar as leis de nossos pais” (v. 2). – “Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna” (v. 9); – “do Céu recebi estes membros… do Céu espero recebê-los de novo” v. 11); – “prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará” (v. 14). Os judeus não separavam o corpo da alma; consideravam que a identidade de cada pessoa consistia na união do corpo com sua alma. No Evangelho, Jesus nos esclarece como será a vida da pessoa ressuscitada. Salmo responsorial: Sl 16 Ao despertar, me saciará vossa presença                 e verei a vossa face. Segunda leitura: 2Ts 2,16–3,5 O Senhor vos confirme em toda boa ação e palavra. Paulo pregou o Evangelho na sinagoga de Tessalônica durante alguns sábados, na companhia de Silvano e Timóteo. Não foi bem acolhido pelos chefes da sinagoga e poucos judeus se converteram. Teve, porém, grande sucesso entre os pagãos, simpatizantes do judaísmo, causando inveja aos judeus, que o ameaçaram. Para fugir das ameaças, os cristãos enviaram Paulo às escondidas a Bereia. Como não teve tempo para confirmá-los na fé e no conhecimento de Jesus Cristo, escreveu-lhes duas Cartas, pelos anos 50/51, focadas na esperança da segunda vinda do Senhor (escatologia). As Cartas são os primeiros escritos do Novo Testamento. No trecho hoje lido, o Apóstolo reza para que os fiéis da nova comunidade perseverem no amor de Deus e firmes a esperança e produzam frutos pelas boas palavras e ações (v. 16-17); isto é, que sejam evangelizadores pela fé que vivem na prática. Paulo pede também orações para que a palavra do Senhor seja glorificada em outras cidades como o foi em Tessalônica. Exorta os fiéis a permanecerem firmes nos ensinamentos recebidos. Que sejam firmes no amor de Deus e na esperança em Cristo, assim como o Senhor Jesus é fiel. Assim, pela mútua oração, a fé, a esperança e o amor a Jesus Cristo se fortaleciam, e crescia o número de cristãos. Aclamação ao Evangelho   Jesus Cristo é o Primogênito dos mortos;                 a ele a glória e o domínio para sempre! Evangelho Deus não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos. No Evangelho deste domingo os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição dos mortos. Pouco antes, Jesus havia expulso os vendedores do Templo, controlado pelos sumos sacerdotes escolhidos do partido dos saduceus (Lc 19,45-48). Jesus, o partido dos fariseus e muitos outros judeus (1ª leitura) acreditavam na ressurreição, mas os saduceus não (cf. At 23,1-11). Para eles os mortos ficavam para sempre na morada dos mortos. Para ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos, citam a lei do levirato (Dt 25,5-10; Gn 38; Rt 4,3-5). Segundo essa lei, se um homem se casa com uma moça e morre antes de lhe dar um filho, o irmão dele é obrigado a casar com a cunhada para gerar um filho em nome do irmão falecido. Os saduceus contam para Jesus um “caso” no qual sete irmãos casaram com a mesma mulher e todos morreram antes de gerar um filho; por fim morreu também a mulher. E perguntam: Na ressurreição, de qual do sete será ela mulher? Primeiro, Jesus lhes explica que as pessoas se casam apenas nesta vida presente, porque morrem. Mas os que forem dignos da ressurreição e da vida eterna não se casam porque já não podem morrer. Serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque já ressuscitaram. Isto é, estarão na vida eterna com Deus. Jesus confirma a fé na ressurreição com o episódio da sarça ardente (Ex 3,1-6). Ali Deus se apresenta a Moisés como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, antepassados do povo. Portanto – diz Jesus – “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”, e conclui: “pois todos vivem para ele”. Paulo apóstolo escreve longamente aos cristãos de Corinto sobre a ressurreição (1Cor 15,1-58). Alguns tinham dificuldade em acreditar que outros mortos haveriam de ressuscitar, embora acreditassem que Cristo ressuscitou dos mortos. Para explicar como será um corpo ressuscitado, Paulo Apóstolo recorre à imagem da semente: quando semeada, ela morre mas produz a planta e seus frutos (1Cor 15,35-49; cf. Jo 12,24). Na ressurreição, o que importa é a continuidade e identidade pessoal, entre a vida presente e a vida futura. Na semente está a futura planta, mas o formato da semente e da planta são totalmente diferentes. Na missa, quando o sacerdote diz “eis o mistério da fé”, afirmamos nossa fé na continuidade de vida entre o Cristo morto e Ressuscitado: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”! É o que acontecerá com todos aqueles que nele creem. FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.   Um tema de vida ou morte Frei Clarêncio Neotti Os saduceus (o nome deriva-se provavelmente do Sumo Sacerdote do tempo de Salomão, Saddoc, que deu início à seita e à casta dos Sumos Sacerdotes – 1Rs 2,35) eram hebreus, mas só aceitavam o que Moisés dissera no Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio). O grupo era bem menor do que o dos fariseus, mas a ele pertencia a aristocracia sacerdotal e laical, a classe mais rica e influente. Caifás, por exemplo, era saduceu. Os saduceus interessavam­se mais pelo jogo político que pelo jogo religioso. Os saduceus negavam a existência dos anjos e de outros espíritos (At 23,8). Mas, sobretudo, negavam a ressurreição (Mc 12,18-27; At 4,l-2), tema, aliás, bastante obscuro no Antigo Testamento. Só textos sagrados mais recentes falaram da vida depois da morte, como Daniel 12,2: “Muitos dos que dormem na terra despertarão; uns para a vida eterna, outros para a eterna abominação”. Ou passagens como as da morte dos irmãos Macabeus e sua mãe (2Mc 7), escritas em torno de 130 a. C, quando já existia a seita dos fariseus, que acreditavam na ressurreição. Ora, a ressurreição seria o tema fundante e fundamental da Nova Aliança. Jesus devia esclarecê-lo, também em vista de sua Ressurreição, que seria a prova cabal de sua divindade e de sua missão. FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.   Divagações em torno do casamento Frei Almir Guimarães ♦ Na realidade, o tema desse nosso domingo é o da afirmação de que Deus é o Deus dos vivos e dos mortos. Aborda a questão da ressurreição. Fala de uma mulher que teve sete maridos. Coloca a questão: “Na ressureição, ela será mulher de quem?” Nesse mundo futuro, afirma o texto, todos serão como anjos e não haverá marido e mulher. O assunto espinhoso da ressurreição dos mortos e o status da glória mereceria uma longa e complexa abordagem. Vamos, no entanto, aproveitar o ensejo para refletir sobre o tema do casamento e, de modo particular, do casal. ♦ Normal que num determinado momento da vida um rapaz e uma moça comecem a ser olhar diferentemente. As forças e os impulsos que estavam adormecidos despertam com doçura ou com violência. Pode ser que no começo dos encontros entre um e outro nada havia sido despertado. Viviam como colegas, ou um desconhecido que encontrava uma desconhecida. Depois, talvez de um cruzar de olhares, uma leve manifestação ternura e a vontade de voltar ao lugar onde os olhares se entrecruzaram… Começou a busca… Quem sabe um primeiro encontro tenha sido marcado por timidez ou então por volúpia… Não sei… um jeito de andar, uma graça, a beleza do interior, a vontade de viver uma história a dois. “Não é bom que o homem esteja só…”. ♦ Vem o tempo do conhecimento, a carinhosa tentativa de espreitar o mistério do outro e chega o momento da decisão, da arrumação das coisas internas para colocar os passos num outro universo. “Deixará pai e mãe”. Um novo nascimento que é precedido de uma decisão. Meu companheiro, minha companheira, mãe e pai dos meus filhos. Sim, está bem, toma-se a decisão. Arrumo o meu interior e deixo de lado esse coração que pula de perfume em perfume e passo a viver uma fidelidade lúcida. Eu te prometo… Eles vão se ajudar para serem gente. Cuidado com essas uniões de pessoas imaturas que desgraçam a própria vida e a vida do parceiro. Lucidez nas decisões. ♦ Fidelidade à verdade do outro, nunca aceitando olhá-lo como parceiro de uma aventura passageira, sempre com um profundo respeito e uma ternura extremamente delicada. O ponto alto, o píncaro da união de um homem e de uma mulher não acontece com começo do viver juntos, mas depois, bem depois, resultado de incessante construção. Uma fidelidade criativa. No fazer-se presente na vida do outro de maneira substancial e não sufocante, numa abertura ao mundo, numa feliz harmonia entre tantas solicitações: o cuidado da casa, os filhos, os pais envelhecidos, o trabalho exaustivo dos dois fora de casa, a busca da harmonia sexual, o incansável desejo e empenho dos dois de serem do Senhor. O píncaro de um casamento se dá na comemoração das Bodas de Ouro. Uma estrada bem percorrida, felizmente percorrida. ♦ Fazer-se presente na vida do outro e dos filhos. Tema delicado. A vida conjugal e familiar precisa ser alimentada por meio de momentos em que se tira o pé do acelerador, nas delicadas revisões da conjugalidade, na participação de grupos de reflexão sobre o andar da carruagem, no estar todos juntos em torno da mesa de maneira não esporádica, no cuidadoso exercício da arte de prestar atenção nos movimentos dos músculos do rosto e no apagar do brilho do olhar. Sentir que há nuvens que precisam ser enxotadas. Voltar aos primeiros bem-querer quando a vida nos sacudiu por dentro. ♦ Há uma maneira cristã de viver o casamento. Dois cristãos, penso agora em cristãos de verdade, convictos de sua fé, mesmo com eventuais falhas, dois seres que foram deixando que o homem velho morresse e, ao longo da vida, foram vivendo o seguimento de Cristo, sem carolices e pieguices. No momento de encetarem sua vida a dois e familiar vivem um momento de visita do Senhor. Vão se unir pelo sacramento dos casados. Há promessa de amor, de fidelidade, de abertura da vida dos dois para a vida dos filhos…. Todos os dias da minha vida”. Promessa complexa. Como fazer com que o amor dure, com que as circunstâncias inesperadas não afetem esta união? Continuar quando as coisas de tornaram adversas?   Tudo isso atravessa nossa mente quando pensamos na concreta realidade da vida conjugal e familiar  hoje. “Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja”. ♦ Casamento e família se entrelaçam. Família é comunhão de pessoas, de pessoas que carregam o mistério humano de viver, união feita com plena liberdade, orientada por um projeto de bem-querer e aberta à chegada, cuidados, educação dos filhos que lhes são emprestados por um tempo, dois seres maduros que não choramingam, que se respeitam e um casal aberto ao mundo, unidos no Senhor, os esposos se amando no amor de Cristo, constituindo a Igreja doméstica. Pensamentos tonificantes “Foi o tempo que perdeste com a tua rosa, que tornou a tua rosa tão importante para ti”. (Antoine de Saint-Éxupéry).  Talvez precisemos voltar a essa arte humana que é a lentidão. Nossos estilos de vida parecem irremediavelmente contaminados por uma pressão que não dominamos; não há tempo a perder; queremos alcançar as metas o mais rapidamente que formos capazes; os processos desgastam-nos, as perguntas atrasam-nos, os sentimentos são puro desperdício: dizem-nos que temos que valorizar resultados, apenas resultados” (José Tolentino Mendonça). Prece Pai amado, realiza por meio de nós a obra da verdade.Mantém nossas mãos ocupadas em servir a todos.Faze com que tua voz anuncie a todos o teu reino.Faze com que nossos pés avancem pelos caminhos da justiça.Guia-nos da ignorância para a luz. FREI ALMIR GUIMARÃES, OFM, ingressou na Ordem Franciscana em 1958. Estudou catequese e pastoral no Institut Catholique de Paris, a partir de 1966, período em que fez licenciatura em Teologia. Em 1974, voltou a Paris para se doutorar em Teologia. Tem diversas obras sobre espiritualidade, sobretudo na área da Pastoral familiar. É o editor da Revista “Grande Sinal”.   Amigo da vida José Antonio Pagola “Deus é amigo da vida”. Esta é uma das convicções básicas de Jesus. Por isso, discutindo certo dia com um grupo de saduceus, que negavam a ressurreição, confessou-lhes claramente sua fé: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos”. Jesus não pode imaginar que para Deus suas criaturas lhe vão morrendo; que, depois de alguns anos de vida, a morte o vá deixando sem seus filhos e filhas queridos. Não é possível. Deus é fonte inesgotável de vida. Deus cria os viventes, cuida deles, defende-os, se compadece deles e resgata sua vida do pecado e da morte. Provavelmente Jesus nunca leu o livro da Sabedoria, escrito por volta do ano 50 a.c. em Alexandria, mas sua mensagem acerca de Deus lembra uma página inesquecível desse sábio judeu que escreve assim: “Tu te compadeces de todos, porque tudo podes; fechas os olhos aos pecados dos homens para que se arrependam. Amas todos os seres e não detestas nada do que fizeste; se tivesses odiado alguma coisa, não a terias criado. Como conservariam sua existência se tu não os tivesses criado? Mas tu perdoas a todos porque são teus, Senhor, amigo da vida” (Sb 11,23-26). Deus é amigo da vida. Por isso se compadece de todos os que não sabem ou não podem viver de maneira digna. Chega, inclusive, a “fechar os olhos” aos pecados dos homens para que descubram novamente o caminho da vida. Não detesta nada do que criou. Ama todos os seres; do contrário, não os teria feito. Perdoa a todos, se compadece de todos, quer a vida de todos, porque todos são seus. Como não amamos com mais paixão a criação inteira? Por que não cuidamos da vida de todos os seres e não a defendemos mais energicamente de tanta depredação e agressão? Por que não nos compadecemos de tantos “excluídos” para os quais este mundo não é sua casa? Como podemos continuar pensando que nosso bem-estar é mais importante do que a vida de tantos homens e mulheres que se sentem estranhos e sem lugar nesta Terra criada por Deus para eles? É incrível que não captemos o absurdo de nossa religião quando cantamos ao Criador e Ressuscitador da vida e, ao mesmo tempo, contribuímos para produzir fome, sofrimento e degradação em suas criaturas. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. É autor de diversas obras de teologia, pastoral e cristologia. Atualmente é diretor do Instituto de Teologia e Pastoral de São Sebastião. Este comentário é do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, da Editora Vozes.   Ressurreição e vida eterna Pe. Johan Konings O ano litúrgico está indo para o fim. Com o fim diante dos olhos, pensamos: depois da morte, que haverá? Ora, muita gente prefere nem pensar na morte e no que vem depois. Outros acreditam na reencarnação, uma maneira de tirar da morte seu caráter definitivo. Bem antigamente, os israelitas não pensavam em vida pessoal depois da morte. Consolava-os a esperança de uma alta idade e da sobrevivência nos seus filhos e netos. Mas, por volta de 165 a.C., quando o rei da Síria perseguia os judeus e provocou a revolta dos Macabeus, muitos jovens morreram martirizados, sem deixar descendentes. Desde então, os judeus começaram a crer na ressurreição pessoal. A 1ª leitura narra um episódio dessa perseguição: o martírio dos sete irmãos. Os mais conservadores, porém, os saduceus, que nunca iriam morrer num combate, caçoavam dessa fé; pior, achavam-na uma inovação perigosa. O evangelho conta que, para contrariar a pregação de Jesus, queriam provar que a ressurreição contradiz a lei de Moisés. A Lei estabelece que, quando um homem morre sem filhos, seu irmão ou parente próximo deve tomar sua mulher e gerar um descendente para seu falecido irmão (Dt 25,5-6). Assim poderia acontecer que uma mulher fosse esposa de sete maridos sucessivos. Como ficaria isso na ressurreição? Jesus responde: “Primeiro, de ressurreição vocês nada entendem. É algo totalmente diferente da vida aqui. Já não será preciso casar para continuar a vida nos descendentes, uma vez que a vida é eterna! E, segundo, vocês desconhecem os livros da Lei de Moisés, pois aí está que Deus se chamou ‘o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó’ (Ex 3,6). Ora, Deus não é um Deus dos mortos, mas dos vivos. Portanto, esses antepassados do povo estão com vida … “ Este assunto não se esgota em cinco minutos, mas para hoje vale a seguinte lição. Não pensemos a ressurreição como mero prolongamento desta vida aqui, com todas as suas complicações, como casar etc. Nem concebamos o além da morte como reencarnação, que seria como uma segunda chance no vestibular, sem mudança radical. A ressurreição é uma realidade totalmente nova, divina, livre das limitações da vida terrena. A “ressurreição da carne” é uma transformação radical, que tomará nossa “carne” (= existência humana) totalmente diferente. Diz Paulo (1 Cor 15,44) que o que era um corpo biopsicológico (“carnal”) será transformado num corpo “espiritual”, assumido no poder vivificador de Deus que chamamos o seu Espírito. Não é fácil imaginar isso, mas podemos pensar que a vida eterna é a consagração e confirmação do amor a Deus e ao próximo que tivermos vivido aqui na terra – a única coisa que levaremos para o além! PE. JOHAN KONINGS nasceu na Bélgica em 1941, onde se tornou Doutor em Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, ligado ao Colégio para a América Latina (Fidei Donum). Veio ao Brasil, como sacerdote diocesano, em 1972. Em 1985 entrou na Companhia de Jesus (Jesuítas) e, desde 1986, atua como professor de exegese bíblica na FAJE, Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. Este comentário é do livro “Liturgia Dominical, Editora Vozes. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Encontro de secretárias e secretários das Regiões Episcopais I e II

Na última segunda e terça-feira, respectivamente 04 e 05 de novembro, foi realizado no Centro Pastoral Guadalupe (EFAC), em Bragança, um encontro de formação para as secretárias e secretários das paróquias que compõem as regiões episcopais I e II, respectivamente Nossa Senhora do Rosário e São Francisco de Assis. O encontro foi iniciado com o almoço no dia 04 e finalizado com o almoço do dia 05. Apesar de uma duração relativamente curta, a programação do evento foi bem intensa... No primeiro dia, após um momento de oração, foram abordados os seguintes temas: O papel da secretária (o), tema apresentado por Dom Jesus; Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, que foi tratado pelo Sr. Cesar Machado. No segundo dia de encontro, dia 05 pela manhã, foram abordados os seguintes temas: Termo de voluntariado, com a Sra. Joenia Nunes; Organização no ambiente de trabalho, apresentado pela Sra. Elane Corrêa; Contabilidade, tratando principalmente do Sistema Eclesial e outras dúvidas contábeis, assunto tratado pelas Sras. Luciana Teixeira e Maricely Sarges; e por ultimo, não menos importante, o Sr. Delano tratou das questões relativas ao departamento de pessoal, ao recrutamento e seleção, tipos de contratos, RPA, etc.  Este já é o segundo encontro desse tipo realizado em 2019. Dessa vez realizado de forma descentralizada: um primeiro em Paragominas, para as regiões III e IV; e esse segundo para as regiões I e II. Isso se faz necessário para manter a unidade na diocese e devido as constantes mudanças nas leis, sistemas e de pessoal nas secretarias das paróquias. É importante ressaltar que, além dos secretários e secretárias paroquiais, também estiveram presentes vários párocos; o que é extremamente importante para que a organização aconteça da melhor forma, com pároco e secretária falando a mesma linguagem dentro das paróquias. Por Diocese de Bragança

Região Episcopal Pe. Marino Contti realiza Missa de encerramento do Mês Missionário Extraordinário

O Papa Francisco proclamou o mês de outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário com o tema: “Batizados e enviados”. O objetivo é despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. Trata-se de acontecimento eclesial de grande importância que abrange todas as Conferências Episcopais, os membros dos institutos de vida consagrada, as sociedades da vida apostólica, as associações e movimentos eclesiais. Na Região Episcopal Pe. Marino Contti que envolve as paróquias de São Raimundo Nonato de Aurora do Pará, São Francisco de Assis de Mãe do Rio, Nossa Senhora da Piedade em Irituia e São Miguel Arcanjo e Cristo Crucificado em São Miguel do Guamá, a santa missa de abertura do Mês Missionário Extraordinário aconteceu na Paróquia de Mãe do Rio no dia 01 de outubro. Para o encerramento do mês, a santa missa aconteceu no dia 31 de outubro, na Paróquia de São Miguel Arcanjo em São Miguel do Guamá, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Com fieis que vieram de todas as paróquias desta Região Episcopal, a santa missa iniciou as 19h30 com a presidência de Pe. Aldo Fernandes e concelebrada pelos padres das paroquias que formam a Região. Durante a santa missa, procissões, apresentações e testemunhos animaram mais ainda a compreensão do pedido do Papa Francisco para que haja missão na Igreja toda, no mundo inteiro. Coincidentemente a cidade de São Miguel do Guamá completava no mesmo dia 146 anos de emancipação e contou com a presença do prefeito Antonio Leocádio, de secretários municipais e do povo guamaense que foi celebrar a eucaristia. Ao final da santa missa, foi servido um jantar para todos os participantes ao som do coral municipal do CRAS e CREAS de São Miguel do Guamá e do grupo de carimbó Brasileirinhos do Guamá. Por Laury de Jesus Paróquia N. S. da Piedade

Paróquia Sagrado Coração de Jesus, de Bragança, realiza a VI Caminhada da Juventude.

Nos dias 25, 26 e 27 de outubro, cerca de 500 jovens, das comunidades urbanas e rurais da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, realizaram a VI Caminhada da Juventude. Com o tema “Batizados e enviados: juventude em missão”, o evento contou com palestras, Santa Missa, Adoração, além de gincanas e momentos de lazer. A caminhada foi organizada pelos grupos de jovens da Paróquia e das comunidades, com o apoio de Pe. José Calazans, Pároco; Pe. Ari Silva, Vigário auxiliar; Ir. Onesir, da congregação das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus; Ir. Joana e Ir. Luzia, da congregação das Irmãs Teresitas; e dos seminaristas Aleuto e Solano, além da participação do Pe. Carlos Afonso, pároco da Paróquia São Sebastião em Tracuateua; Pe. Valdir, reitor do Seminário São Paulo VI; Pe. Valmir, visitante e Pe. Gerenaldo Messias, pároco da Paróquia São João Batista, em Bragança. Os jovens foram divididos em dois distritos, saindo em caminhada simultânea das Comunidades de São Tomé (Jararaca) e Nossa Senhora da Conceição (Km 22 do Montenegro), chegando à Igreja Matriz por volta das 9h. Junto à juventude, chegou à Matriz a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, como parte da programação do Círio de Bragança. Após acolhida dos jovens e da imagem, houve animação e, em seguida, Celebração Eucarística, encerrando solenemente a Caminhada da Juventude do ano de 2019, na data em que se comemora o Dia Nacional da Juventude. Por Jadson Aviz Fotos: Thiago Costa e Robson Rodrigo

Solenidade de Todos os Santos

A arte de lavar roupa na lama Frei Gustavo Medella “Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7,9.14b). Roupas brancas alvejadas no sangue. É claro que se trata de uma linguagem simbólica da qual lança mão o Evangelista João no Livro do Apocalipse. Pensando-se literalmente, pareceria bastante estranho alguém conseguir alvejar uma roupa branca em sangue. No mínimo, a peça ficaria tingida da rubra cor. No entanto, ao examinarmos a cena sob o ocular do paradoxo da Encarnação de Deus em Jesus Cristo e de todo percurso empreendido pelo Filho do Homem – Paixão, Morte e Ressurreição – podemos intuir que, na lógica cristã, ser santo significa estar disposto a tornar-se puro lidando com impurezas – as próprias e as dos outros – e, não obstante os riscos que elas trazem consigo, manter-se firme na fé. O Mestre percorreu este caminho e ressurgiu glorioso, com as vestes alvejadas no sangue da cruz. Ele nos chama a seguir pelo mesmo caminho. A grande força para este empenho é a certeza do crente de que Deus jamais o abandona. Esta foi a conduta de Cristo e é o caminho que Ele propõe aos cristãos. A busca da santidade se dá no concreto da existência, entre conquistas e fracassos, entre limites e superação, entre graça e perdição. Construir uma vida santa é sentir-se parte de uma Igreja que não tem medo de se sujar quando parte em resgate daqueles que estão atolados na lama do vício, do pecado, da injustiça e do sofrimento. Quanto mais o cristão descobre a graça que é entregar-se por amor àqueles que jazem à beira do caminho, mais entusiasmo ele descobre em sua vocação de batizado, mais radiante é o seu testemunho e, para usar a imagem do Apocalipse, mais suas vestes são alvejadas no sangue do Cordeiro que continua a ser derramado naqueles que doam sua vida em favor do Reino.   Todos os Santos Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos dais celebrar numa só festa os méritos de todos os Santos, concedei-nos por intercessores tão numerosos a plenitude da vossa misericórdia”. Primeira leitura: Ap 7,2-4.9-14 Vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Quando o autor do Apocalipse escreve, os cristãos sofriam grandes perseguições por parte do Império Romano. O embate não se dá entre romanos e cristãos, mas entre o Império e o imperador simbolizados no dragão voraz, e o Cordeiro Imolado, que é Cristo Jesus. O vidente recebe a ordem de Cristo para escrever em seu livro tanto “as coisas presentes como as que acontecerão depois”. No presente, um anjo, com “a marca do Deus vivo”, pede que os anjos exterminadores esperem até que ele tenha assinalado os que serão salvos, antes da batalha final do Cordeiro imolado contra o dragão voraz. O visionário, por sua vez, “vê” o triunfo final dos que estão vestidos de branco porque “lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro”. São 144 mil, 12 mil de cada tribo de Israel; são os mártires que deram testemunho da fé cristã pelo sacrifício da própria vida. Para o futuro, vê uma imensa multidão, representantes de nações, tribos, povos e línguas que participarão da vitória do Cordeiro ressuscitado. Salmo responsorial: Sl 23   É assim a geração dos que procuram o Senhor. Segunda leitura: 1Jo 3,1-3 Veremos Deus tal como é. O autor desta Carta se encanta com o “presente de amor que o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus”, e o somos de fato. Viver consciente dessa fé nos enche de uma alegre esperança, porque “quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos tal como ele é”. O caminho para chegarmos a esta comunhão com Cristo, o Filho de Deus, foi seguido pelos Santos. É o caminho das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Evangelho). Para “ver a Deus” é preciso seguir o caminho de Jesus Cristo: aprender a vê-lo presente nos pobres, famintos, sedentos de justiça, presos injustamente, desabrigados que necessitam de nosso amor (cf. Mt 25,31-40). Aclamação ao Evangelho Vinde a mim todos vós que estais cansados, e penais a carregar pesado fardo, e descanso eu vos darei, diz o Senhor. Evangelho: Mt 5,1-12a Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus. Há dois domingos o Evangelho apontava para o jovem rico o caminho do seguimento de Jesus como o caminho seguro do Reino de Deus, para alcançar a vida eterna. Hoje, Festa de todos os Santos, o evangelista Mateus explicita nas bem-aventuranças o programa do Caminho a seguir nesta vida, para ganharmos a “grande recompensa nos céus (v. 10 e 12). Antes de tudo é preciso ter presente que “Reino dos Céus” em Mateus equivale a “Reino de Deus” em Marcos e em Lucas. Portanto, “Reino dos Céus” não se identifica com a recompensa final da vida eterna em Deus (cf. Mc 10,17-30). Antes, é o caminho que Jesus preparou para o cristão percorrer, aqui na terra, a fim de ganhar a vida eterna. Mateus escreve para cristãos de origem judaica. Por isso, em respeito à tradição judaica, evita pronunciar a palavra “Deus” e a substitui pela palavra “Céus”. Entre os bem-aventurados Mateus cita três grupos (Raul Ruijs). O primeiro grupo é dos sofredores: os pobres, os aflitos, os mansos (humildes) e os que têm fome e sede de justiça (v. 3-6). O segundo grupo é dos que socorrem os necessitados do primeiro grupo: são os misericordiosos, os puros de coração e os que promovem a paz (v. 7-9). O terceiro grupo é composto pelos do primeiro e do segundo grupo, que vivem o projeto do Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. São perseguidos porque são solidários com os pobres, os aflitos, os humildes e injustiçados e os defendem. São caluniados e perseguidos pelo simples fato de serem cristãos. Não podemos pensar que a formulação de algumas bem-aventuranças no futuro signifique algo que Deus vai realizar sem a nossa participação, somente na vida eterna. Deus enviou seu Filho ao mundo para nos trazer o Reino de Deus, o Reino que pedimos no Pai-Nosso. Jesus pôs em prática o programa deste Reino que veio anunciar. Quem quer seguir o caminho de Jesus deve assumir também o seu programa. Assim, os aflitos serão consolados quando nós os consolarmos. Os mansos possuirão a terra quando nós lutarmos com eles. Os que têm fome e sede de justiça serão saciados quando nós os defendermos. Os miseráveis e pobres alcançarão misericórdia quando nós tivermos compaixão deles. Os Santos que hoje festejamos seguiram o exemplo de Jesus e colocaram em prática as bem-aventuranças. Ele é o modelo para todos nós: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença. Vendo o povo, Jesus sentiu compaixão dele porque estava cansado e abatido como ovelhas sem pastor” (Mt 9,35-36). – O Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, depois de nos ter alimentado pela Palavra de Deus, vai agora nos alimentar pela Eucaristia. Assim alimentados, vamos também nós cuidar de nossos irmãos sofredores, mostrando a eles o amor misericordioso de nosso Bom Pastor. Aos que assim o fizerem, Jesus Cristo como justo juiz os acolherá na vida eterna: “Vinde, abençoados por meu Pai… porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, estive nu e me vestistes…” (Mt 25,34-35).   Vivemos em comunhão Frei Clarêncio Neotti Nossa alegria na festa de hoje tem ainda outra razão. A Igreja nos ensina que somos uma ‘comunhão’ com todos os cristãos da terra e com todos aqueles que morreram na amizade de Deus. Rezamos sempre no Credo: “Creio na comunhão dos santos”. Diz o Credo do Povo de Deus, elaborado pelo Papa Paulo VI, em 1968: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu, formando todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta de nossas orações” (n. 30). Essa comunhão é dinâmica, porque os santos podem interceder por nós junto de Deus. Ensina o Catecismo: “Pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio” (n. 956).   O delicado tema da santidade Frei Almir Guimarães ♦ Mais um vez estamos comemorando a Solenidade de Todos os Santos. Duas leituras sempre voltam na liturgia desse dia: a festa na glória segundo o Apocalipse e as bem-aventuranças do evangelista Mateus. Bem-aventurados, felizes estes e aqueles. Pode-se ligar o tema da santidade de vida com a felicidade das bem-aventuranças. Ficamos sempre chocados com essa felicidade na perseguição e nas lágrimas decantada por Jesus no monte das bem-aventuranças. Aparentemente uma felicidade pelo avesso. ♦ Santo, santidade: conceitos que precisam ser bem entendidos. Santo é o Altíssimo. Tudo nele é transparência e verdade. Dele tudo emana. Os serafins de Isaías diziam, com voos reverentes: santo, santo, santo. Diante dele tiramos as sandálias dos pés como Moisés no Horeb ou cobrimos o rosto como Elias à porta da caverna. E, no entanto, somos nós chamados a ser santos. Soa sempre aos nossos ouvidos o “Sede santos, como vosso Pai é santo”. Que desafio! ♦ Há os santos canonizados e representados em imagens que veneramos e não adoramos. Há também e sobretudo a multidão de santos anônimos que nunca serão elevados à dignidade dos altares mas estão no face a face com o Altíssimo. Não nos tornamos seres santos à força de jejuns e macerações, nem de repetições de fórmulas de oração. Quem nos santifica é o Senhor. Somos barro, massa nas mãos do oleiro. Na medida em que nos desvencilhamos de nós mesmos, em que abrimos espaço em nossa vida para que o Senhor atue é possível que ele opere maravilhas em nós pessoalmente e como membros de sua Igreja. O santo é obra de arte de Deus. ♦ Santo é aquele que consegue ouvir de maneira absoluta os desígnios do Altíssimo. É, antes de tudo, um atento ouvinte do Senhor e que passa a fazer dele o ar que respira e o objeto dos mais íntimos de seu coração. Amando o Amor e retribuindo amor com amor. Insistimos: na audição mais íntima do Amado, na convivência com o Evangelho vivo que tem o nome de Jesus. Ouvir e pôr amorosamente em prática o que nos é pedido. É ele que nos dá a força de amá-lo. Santo é aquele que precisa estar no eremitério, sabendo este pode estar no espaço onde moram os leprosos, como aconteceu com Francisco de Assis. O santo vive uma tensão entre o levantar os caídos e se fazer presente na entreaberta clausura de seu interior. ♦ Santo é aquele que opta pelo bem querer a todos. Os de perto e os de longe. São os que dizem de verdade: “A vosso serviço”. Deixando de privilegiar seus projetos e dedicando-se à urgente tarefa de levantar os caídos socorre aqueles que são irmãos: um filho especial, os caídos e excluídos, um pai doente, dando voz e vez aos que não têm nem voz, nem vez. Gasta e desgasta-se em fazer pão dos famintos e cobertor para os que tremem com inverno da solidão. Os santos são pessoas boas. Anjos caídos do céu. ♦ Se a santidade é operada por Deus ela se torna possível na medida em que lhe desobstruímos o caminho. Por isso, felizes, bem-aventurados: >> Bem-aventurados os pobres. Não se trata de amar a miséria, de dar tudo e de viver ao-deus-dará. Trata-se de viver com digna sobriedade, sabem viver com pouco, não colocando o coração nos tesouros que a traça costuma corroer. Pessoas simples e sem aparatos e prosopeia. Pobres com a abundância das coisas necessárias. Os pobres em espírito sempre se espelham na pobreza de Jesus desde o nascimento até à morte no madeiro do abandono. Francisco de Assis chamava essa pobreza de Dama Pobreza. As outras bem-aventuranças de Mateus dependem da pobreza de coração. >> Felizes os aflitos e sofridos de toda sorte que não se puseram a arrancar os cabelos, mas deram tempo ao tempo, sem revolta, mas sem entregar os pontos. Os aflitos que serão pessoas que esbravejam, que colocam seus argumentos com meridiana clareza, mas pedem justiça. Não são violentos, mas também não são apáticos e inertes. Essa gente possuirá a terra. >> Felizes os famintos e sedentos de justiça, que não perderam o desejo de serem mais justos e de clamarem por justiça Famintos da verdade, da vida. Nunca satisfeitos com etapas vencidas. Indo sempre adiante. Felizes os sedentos de Deus. Infelizes os contentes e saciados com sucessos aparentes e passageiros e as primeira etapas vencidas. Felizes serão os seres de desejo. Um dia seus desejos serão plenamente saciados. >> Felizes os misericordiosos… são os que têm o coração voltado para o que inspira piedade, o frágil, o que cai. O contrário do misericordioso é a pessoa intransigente. Atuam e agem por compaixão. Não têm um coração endurecido. São mesmo capazes de perdoar. >> Felizes os que trabalham pela paz… ou seja os que constroem a paz que sempre é fruto da justiça. Paz aceitando as diferenças, paz num diálogo de gente madura. Paz entre os membros de um família, paz quando se busca diminuir as desigualdades. Paz que nos chega pelo perdão do Senhor. Paz que não pacifismo nem inércia. >> Felizes os que choram… por serem fiéis ao Evangelho, por se arrependerem de ter magoado a estes e aqueles. Choram porque não conseguem vencer dificuldades. Benditas lágrimas! >> Felizes os perseguidos … porque incomodam com seu modo de viver, parecido com o dos profetas e de Jesus. São os mártires, embora não lhes tenham sido arrancada a vida do corpo. Concluindo Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho de Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais expressivo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já na terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus (Pagola). Todos os santos… os santos todos… Francisco de Assis, Teresa de Calcutá, Dietrich Bonhoefer da Alemanha, Gandhi da Índia e Dulce de Salvador, nossa vizinha essencialmente boa e transparente. Eles foram vitoriosos na delicada arte de viver. Santos. Para rezar E então, felicidade, onde tu estás? Felicidade,estás dentro de mim,cabe deixar possuir-me por ti. Tu estás nos bem pequeninosque fazem um gesto de carinho,na criança que dá seus primeiros passos.Estás no estudante que aprendeu bem a liçãoe ganhou uma boa nota.Tu estás no “te amo muito” cochichado ao ouvido,na música que me deleita,na volta de alguém ternamente amado,no vizinho que nos perdoou,eu te vejo nos outros,pressinto tua presença em todo esforçobem sucedido em vista do amortudo estás dentro e fora de mim.“Felicidade é uma casinha pequenina com gerâniose flor na janela… e uma rede…”   É bom crer José Antonio Pagola Muitas vezes se pensa que a fé é algo que tem a ver com a salvação eterna do ser humano, mas não com a felicidade concreta de cada dia, que é o que precisamente agora nos interessa. Além disso, há os que suspeitam que sem Deus e sem religião seríamos mais felizes. Por isso é conveniente lembrar algumas convicções cristãs que caíram no esquecimento ou ficaram encobertas por uma apresentação errada ou insuficiente da fé. Eis a seguir algumas delas. Deus nos criou só por amor, não para seu próprio proveito ou penando em seu interesse, mas buscando a nossa felicidade. A única coisa que interessa a Deus é o nosso bem. Deus quer a nossa felicidade não só a partir da morte, na assim chamada “vida eterna’, mas agora mesmo, nesta vida. Por isso está presente em nossa existência potenciando nosso bem, nunca nosso dano. Deus respeita as leis da natureza e a liberdade do ser humano. Não força a liberdade humana nem a criação. Mas está junto de nós apoiando nossa luta por uma vida mais humana e atraindo nossa liberdade para o bem. Por isso, em cada momento contamos com a graça de Deus para sermos o mais felizes possível. A moral não consiste em cumprir leis impostas arbitrariamente por Deus. Se Ele quer que demos ouvidos às exigências morais que levamos dentro do coração, é porque seu cumprimento é bom para nós. Deus não proíbe o que é bom para o ser humano nem obriga ao que pode ser prejudicial. Ele só quer o nosso bem. Converter-se a Deus não significa decidir-se por uma vida mais infeliz e fastidiosa, mas orientar a própria liberdade para uma existência mais humana, mais sadia e, em última análise, mais feliz, ainda que isso exija sacrifícios e renúncia. Ser feliz sempre tem suas exigências. Ser cristão é aprender a “viver bem” seguindo o caminho aberto por Jesus. As bem-aventuranças são o núcleo mais significativo e “escandaloso” desse caminho. Caminha-se para a felicidade com coração simples e transparente, com fome e sede de justiça, trabalhando pela paz com entranhas de misericórdia, suportando o peso do caminho com mansidão. Este caminho traçado nas bem-aventuranças leva a conhecer já nesta terra a felicidade vivida e experimentada pelo próprio Jesus.   A comunhão dos Santos Pe. Johan Konings Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos… Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”. As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação. Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele. A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos. Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente. Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência! Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele. Imagem: bombeiros buscam corpos na lama de Brumadinho Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Círio de Nossa Senhora do Rosário, em Bonito PA.

No último domingo de outubro, 27, a comunidade paroquial de Bonito, Paróquia São Pedro Apóstolo, saiu às ruas para celebrar mais um círio em honra de Nossa Senhora do Rosário. Centenas de fiéis acompanharam a berlinda que levava a imagem da Mãe do Rosário, que passou em várias ruas da cidade e recebeu muitas homenagens. Ao fim da procissão foi celebrada a Santa Missa, presidida pelo pároco Pe. Aldeci Moraes. Mas, a grande festa do círio não se resume apenas a procissão de domingo pela manhã. Vários momentos foram celebrados durante a semana que antecedeu o dia 27. Por exemplo, no dia 23 aconteceu   a primeira Ramaria Rodoviária da história dos círios de Bonito. Já no dia 25 aconteceu a primeira Ramaria   da Juventude, que saiu da comunidade Santo Antônio e foi até a Matriz. Lá houve a Missa presidida pelo Padre Elias e concelebrada pelo Pe. Aldeci. E no sábado, dia 26, após a Missa foi o traslado da imagem até a Capela Nossa Senhora do Rosário, de onde saiu a Procissão do Círio no dia seguinte. O círio 2019 teve como tema: Maria Mãe Missionária. A programação de domingo, dia 27, teve início com a Santa Missa dos promesseiros as 7:00h da manhã na Capela Nossa Senhora do Rosário. Quem a presidiu foi o reitor do Seminário Paulo VI, Pe. José Valdir. As 8:30h da manhã foi a saída da procissão, que passando por várias ruas da cidade chegou a Igreja Matriz onde houve a Missa de encerramento. Por Diocese de Bragança

30º Domingo do Tempo Comum

O desafio de ser juiz de si mesmo  Frei Gustavo Medella  Volta, na Liturgia, o tema da justiça e do juiz. Na última semana, Jesus apresenta o juiz prepotente da Parábola que contou para ensinar a necessidade de se rezar sempre e jamais desistir. Nesta semana, aparece a figura do Senhor como Justo Juiz, à qual fazem referência o livro do Eclesiástico (Eclo 35, 15b-17.20-22a), na 1ª Leitura, e o Apóstolo São Paulo (2Tm 4,6-8.16-18), na 2ª Leitura. O Justo Juiz não faz acepção de pessoas nem é parcial em prejuízo do pobre e do fraco. Age com prudência, não se guia por interesses pessoais nem por ambições que traz no coração. Justiça não combina com egoísmo e muito menos com ambição. O bom e verdadeiro juiz, inspirado pela justiça divina, procura, em primeiro lugar, ser juiz de si mesmo, mantendo-se conectado ao húmus, à terra do chão da qual provem todo ser humano. Justiça combina, e muito, com humildade. Humildade manifesta pelo sóbrio publicano que, diante do Justo Juiz, ao fazer-se juiz de si mesmo, percebe-se pecador e entrega-se confiante à misericórdia do Senhor. Ponto para ele! A humildade o liberta do orgulho, da prepotência e de uma imagem enganadora de si mesmo. Tendo olhos atentos para as próprias misérias e renovando sua confiança na Bondade do Pai, provavelmente também saberá ser justo e compassivo para com os outros, sem julgá-los e condená-los para parecer mais santo e justo na presença de Deus, postura adotada pelo fariseu. Este último, aliás, aliena-se no próprio orgulho e na prepotência. Em vez de fazer-se servo e irmão de seu próximo, utiliza-o como “escada”, pois tem a ilusão de que, pisando no outro, estará mais alto e, consequentemente, mais próximo de Deus. Tem dificuldade de perceber que, em Jesus Cristo, Deus nos manda seguir um caminho oposto. Quem deseja subir, deve, necessariamente, dispor-se a descer aos últimos degraus do serviço e da humildade, para ali encontrar o grande tesouro do amor generoso de Deus.   30º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”. Primeira leitura: Eclo 35,15b-17.20-22a A prece do humilde atravessa as nuvens. A primeira leitura coloca-se no contexto dos sacrifícios oferecidos a Deus (35,1-14). O sábio recomenda que os sacrifícios sejam oferecidos com generosidade. Insiste, porém, que a Deus agrada mais a prática do bem do que o sacrifício: observar os mandamentos do Senhor, praticar a caridade, dar esmolas e afastar-se da injustiça. Alerta que, sem a vivência do amor ao próximo, o sacrifício seria uma inútil tentativa de subornar a Deus (v. 14; cf. Os 6,6). A leitura de hoje completa os pensamentos do texto anterior e nos convida a buscar um relacionamento com Deus pela oração e a prática do bem, sem a mediação de sacrifícios. Parte do princípio que Deus não se deixa subornar com generosos sacrifícios (v. 14), como acontecia com juízes injustos de seu tempo, que vendiam a sentença em favor dos ricos e prejuízo dos pobres. Quando julga, Deus não olha o quanto alguém lhe possa oferecer por uma sentença favorável, mas sempre escuta a súplica do pobre e do oprimido. O pobre não tem como pagar a Deus, porque é pobre, nem o rico, porque é rico. A sentença é gratuita. Deus não discrimina ninguém, mas tem sua preferência pelos desfavorecidos, pobres, oprimidos, órfãos e viúvas que lhe pedem socorro. E se Deus atende a súplica do órfão e da viúva, também atenderá a súplica de quem “o serve como ele quer”, isto é, age em favor dos pobres e sofredores. A prece, porém, deve ser humilde e persistente como a dos pobres; a súplica deles não descansa enquanto não “atravessar as nuvens” e for atendida por Deus. E Deus, que é justo juiz, certamente fará justiça para quem lhe pede socorro. A imagem que o sábio tem de Deus se aproxima à de Jesus na parábola do juiz injusto e da viúva pobre (29º domingo). Salmo responsorial: Sl 33 O pobre clama a Deus e ele o escuta:             o Senhor liberta a vida dos seus servos. Segunda leitura: 2Tm 4,6-8.16-18 Agora está reservada para mim a coroa da justiça. Na 2ª leitura ouvimos uma parte do que é considerado “o testamento do Apóstolo” (4,1-8). Paulo tem consciência que é pecador, salvo pela graça de Deus (1Tm 1,13; Gl 1,11-16a). Sabe que sua partida deste mundo está próxima. Considera-se pronto para ser oferecido em sacrifício, o martírio. Vale-se da linguagem esportiva para falar da missão cumprida: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Paulo guardou não só a fé, mas também a esperança de receber do Senhor, justo Juiz, a coroa da justiça, reservada para ele e para todos os que aguardam com amor a sua vinda gloriosa, no fim dos tempos. Por fim, para dar ânimo a Timóteo, Paulo lembra-lhe o quanto foi decisiva a força da graça divina para que ele cumprisse fielmente a missão que Cristo lhe confiou. Por isso entrega-se confiante nas mãos do Senhor que o livrará de todo o mal e o salvará para o Reino celeste. E conclui: “Ao Senhor a glória, pelos séculos dos séculos! Amém”. – Bem diferente é a postura do fariseu que glorifica a si mesmo e não a Deus (Evangelho). Paulo manifesta uma profunda união com Cristo, vivida com fé, esperança e amor. Como eu vivo a união com Cristo com os irmãos? Aclamação ao Evangelho: 2Cor 5,19    O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua Palavra;             a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva. Evangelho: Lc 18,9-14 O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não. Domingo passado ouvimos a parábola da viúva pobre que com persistência clamava por justiça, até conseguir dobrar o juiz injusto para lhe fazer justiça. Jesus contou essa parábola para mostrar aos discípulos “a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Jesus revelou um pouco da imagem de Deus misericordioso, que atende à prece humilde e persistente do pobre. O Evangelho de hoje é a continuação do domingo anterior. Jesus conta mais uma parábola, agora para ilustrar a maneira mais adequada de se relacionar com Deus, que é a oração humilde. Lembremos que Jesus está em viagem com os discípulos e o povo rumo a Jerusalém. Era a romaria anual que se fazia por ocasião das festas da Páscoa judaica. Todos se dirigiam ao Templo, “a casa de oração”, meta da romaria (Lc 19,45-46). É neste contexto que Jesus conta a parábola do fariseu e do cobrador de impostos. Ambos entram no Templo para rezar. Os fariseus se consideravam justos e retos, um exemplo da fiel observância da Lei. Os cobradores de imposto (publicanos) exerciam uma profissão ingrata. Os publicanos tinham um chefe e recebiam uma comissão pelo valor arrecadado. Os da escala mais baixa cobravam diretamente do povo as taxas de alfândega exigidas pelos romanos e, descontada a comissão, repassavam o dinheiro ao seu chefe. Os cobradores de imposto faziam o “serviço sujo”, aumentando a sua comissão; eram odiados pelo povo desprezados como pecadores pelos fariseus. – O fariseu rezava de pé, mas não veio para pedir perdão. Não colocou a Deus como centro de sua oração. Fez dele mesmo o centro de sua oração, e dizia: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros ou como este cobrador de impostos”. Considerava-se perfeito porque jejuava duas vezes por semana e pagava direitinho o dízimo. O fariseu não se apresenta a um Deus pessoal, mas diz “Ó Deus”, um Deus distante que deve reconhecer sua justiça (1ª leitura). Não se encontra, nem se confronta com Deus. Apenas se compara com “os outros homens”, que são pecadores. O cobrador de impostos, porém, ficou à distância; de cabeça baixa, nem ousava levantar os olhos para o céu. Com humildade, batia no peito e dizia: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. Jesus mesmo tira a lição desta parábola: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.   Fariseu mais que perfeito Frei Clarêncio Neotti O quadro que Jesus compõe é perfeito: aos olhos humanos, tanto o fariseu quanto o publicano fizeram boa oração. Os fariseus levavam muito a sério o cumprimento das Leis. Numa Jerusalém que chegava perto dos 30 mil habitantes, os fariseus, talvez, não chegassem a seis mil, mas tinham grande influência sobre o povo. Deles faziam parte os escribas (mestres da Lei) e parte da classe sacerdotal. Para eles a Lei era a expressão da vontade de Deus. Cumprir a Lei em seus pormenores era cumprir inteiramente a vontade de Deus e, portanto, ser merecedor de todas as graças e privilégios. O fariseu que hoje reza no Templo ultrapassa o fariseu perfeito. A Lei exigia um jejum por ano, no dia da Reconciliação (Lv 16,29-39). Ele, porém, jejuava duas vezes por semana. Provavelmente para expiar os pecados do povo ignorante e assim desviar a ira de Deus, que poderia castigar com catástrofes nacionais, como acontecera várias vezes na história. A Lei mandava pagar o dízimo do trigo, do óleo, do vinho novo e entregar no Templo o primogênito dos animais. O nosso fariseu declara que paga o dízimo de todas as suas rendas, talvez para reparar o crime legal dos comerciantes que não pagavam na fonte. Amor e humildade Também a forma de o fariseu rezar é muito boa: entre os judeus se fazia, sobretudo, oração de louvor e agradecimento, que é sempre melhor do que a oração de pedidos. Reza em pé, não por orgulho, mas porque os judeus costumavam rezar em pé. Tudo parece certo: oração em público, no Templo, lugar privilegiado para a oração; oração de agradecimento por fazer as coisas melhor do que era sua obrigação. Onde está o erro fundamental, que anula por inteiro a oração, impedindo sua justificação (o perdão e a santificação)? São dois os erros. O primeiro é o desprezo pelos outros, ainda que pecadores (v. 13). Aqui está uma medida indicada várias vezes por Jesus para sabermos o tamanho e a intensidade do nosso amor a Deus. Amamos a Deus não na medida do cumprimento das leis, mas na medida do amor que temos ao próximo, incluídos os que não nos amam ou não pensam como nós. O Apóstolo Paulo, no capítulo 13 da Carta aos Coríntios, enumera todas as qualidades possíveis numa pessoa, para dizer: “Mas, se eu não for caridoso, nada sou” (1 Cor 13,1- 3). O segundo erro do fariseu é a autojustificação. Deixa entrever que se santifica a si mesmo e nada precisa de Deus a não ser recompensa. Não é o fato de enumerar as coisas boas que faz que esteja errado. Há salmos que também enumeram bens feitos (por ex. Sl 17,2-5). Mas nosso fariseu esquece que toda justificação vem de Deus, porque só Deus é a fonte da santidade.   Daqueles que podem acolher o olhar compassivo do Senhor Frei Almir Guimarães A prece do humilde atravessa as nuvens.Eclesiástico ♦ Lucas continua a nos formar no tema da oração. Nunca seremos totalmente instruídos na delicada arte da oração. Não receberemos um diploma de fim de curso. Ao longo dos caminhos de nossa vida precisamos ir revendo o modo de nos acercar do Altíssimo. Nunca é tarde para retomar o empenho de vida para o Senhor, vida de íntimo relacionamento com aquele que nos perscruta, nos vê, conhece nosso deitar e nosso levantar. Oração que não é mastigação de palavras, mas ato de oblação da vida ao Senhor em tudo e por tudo. Total e amorável entrega de nossa vida ao Amado. ♦ Os que buscamos o Senhor sabemos que a primeira condição de sucesso na “convivência” com o Senhor é uma postura de consciência de nossa verdade. Somos buscadores das estrelas, mas muitas vezes permanecemos na banalidade das coisas mais   baixas. Os que se acercam do Senhor fazem-no com profunda humildade. Não trazem títulos que foram colando em seu corpo e em sua mente. Humildade: reconhecimento de nossos limites e fraquezas. Não somos Deus e não queremos competir com ele. ♦ A parábola deste domingo é dirigida aos que se consideram justos e perfeitos quase que pela mera observância de regulamentos, mesmo oriundo das Escrituras. Não somente isso. Os que assim se julgavam “desprezavam” os pecadores. ♦ Templo, espaço de oração. Dois homens. O primeiro é um observador da lei, um garboso cumpridor de tudo. O homem está satisfeito consigo mesmo. Correto, sem erros, tudo em ordem. Ele parece feliz de ser o que é com suas observâncias. Ora em pé, seguro, sem temor algum. Sua consciência não o acusa de falta alguma. De seu coração brota espontaneamente o agradecimento: “Meu Deus, eu te dou graças”. Não é como os outros. Não é ato de hipocrisia. Tudo o que ele diz é real, cumpre todos os mandamentos da lei. Jejua todas as segundas e quintas pelos pecados do povo, embora seja o brigado a fazê-lo uma só vez, no Dia da Expiação. Uma vida irrepreensível. ♦ A oração do coletor de impostos é diferente. Entra discretamente. Não abre os braços contando vantagens. Fica atrás, porque sabe que não é digno do local sagrado. Nem sequer se atreve a levantar os olhos do chão. Reconhece seu pecado.  Manifesta sua vergonha. Não se atreve a nada prometer. Não pode restituir o que roubou por desconhecer a identidade das pessoas que prejudicou. Não pode abandonar o trabalho necessário para seu sustento e dos seus. Recorre  à misericórdia do Senhor:  “Meu  Deus, tende compaixão porque sou pecador”.  Uma súplica humilde de misericórdia. ♦ O homem religioso que fazia mais do que a lei pedia, não encontrou favor diante de Deus. Segundo Jesus o coletor de impostos volta à casa reconciliado com Deus. Jesus pega a todos de surpresa. Rompe esquemas friamente legalistas, escandaliza seus ouvintes. ♦ “Jesus capta que sua mensagem é supérflua para os que vivem seguros e insatisfeitos em sua própria religião. Os justos quase não sentem que precisam de salvação. Basta-lhes a tranquilidade proporcionada pelo sentir-se dignos de Deus e diante da consideração de Deus “  (Pagola). ♦ Colocando-nos diante de Deus, exprimimos nosso louvor, nossa adoração, nossa homenagem pela sua grandeza amorosa.  Agradecemos seu amor, o Filho querido que nos enviou. Prometemos o melhor na linha de uma fidelidade criativa que vai crescendo ao longo do tempo da vida. Queremos atingir as estrelas, mas constatamos que giramos em torno de nós mesmos e dançamos a canção do egoísmo, somos indiferentes aos passantes, não  partilhamos o que somos e o que temos.  Precisamos delicadamente examinar nossa consciência. Confiar na misericórdia do Senhor. Haveremos de viver de verdade o ato penitencial da missa e procurar receber com humildade o sacramento do perdão. ♦ Os que vivem dramas, revoltas, momentos de desespero e mesmo tenham queixas para com o Senhor que se joguem na Bondade daquele que é a Misericórdia. Texto para a reflexão Não sei os que podem chegar a ler estas páginas. Nesse momento eu penso em vocês que se sentem incapazes de viver de acordo com as normas impostas pela sociedade; vocês que não têm força de o ideal moral estabelecido pela religião; vocês que estão enredados numa vida indigna; vocês que não se atrevem a olhar nos olhos da esposa nem dos filhos; vocês que saem da prisão para voltar novamente a ela; vocês que não podem escapar da prostituição…  não se esqueçam nunca: Jesus veio para vocês. (Pagola Lucas, p. 307) Oração QUERO SEGUIR-TE, SENHOR Tu me conheces e sabes o que eu quero,tanto meus projetos como minhas fraquezas.Não posso ocultar-te nada,  Jesus.Gostaria de deixar de pensar em mime dedicar mais tempo a ti.Gostaria de entregar-me inteiramente a ti.Gostaria de seguir aonde fores.Mas nem isso e atrevo a dizer-te,porque sou fraco.Tu o sabes melhor do que eu.Sabes de que barro sou feito,tão frágil  e inconstante.Por isso preciso  ainda mais de ti,para que me guies sem cessar,para que sejas  meu apoio e meu descanso.Obrigado, Jesus por  tua amizade!   Refugiar-se na compaixão de Deus José Antonio Pagola De acordo com Lucas, Jesus dirige a parábola do fariseu e o publicano a alguns que se presumem justos diante de Deus e desprezam os outros. Os dois protagonistas que sobem ao templo para orar representam duas atitudes religiosas contrapostas e irreconciliáveis. Mas, qual é a postura acertada diante de Deus? É esta a pergunta de fundo. O fariseu é um observante escrupuloso da Lei e um praticante fiel de sua religião. Sente-se seguro no templo. Ora de pé e com a cabeça erguida. Sua oração é a mais bela: uma oração de louvor e ação de graças a Deus. Mas não lhe dá graças por sua grandeza, por sua bondade ou misericórdia, e sim pelo que há de bom e grande nele próprio. Imediatamente, observa-se algo falso nesta oração. Mais que orar, este homem está se contemplando a si mesmo. Conta sua própria história cheia de méritos. Ele precisa sentir-se bem diante de Deus e exibir-se como superior aos outros. Este homem não sabe o que é orar. Não reconhece a grandeza misteriosa de Deus nem confessa sua própria pequenez. Buscar a Deus para enumerar diante dele nossas boas obras e desprezar os outros é coisa de imbecis. Por trás de sua aparente piedade esconde-se uma atitude “ateia”. Este homem não precisa de Deus. Não lhe pede nada. Basta-se a si mesmo. A oração do publicano é muito diferente. Ele sabe que sua presença no templo é malvista por todos. Seu ofício de cobrador de impostos é odiado e desprezado. Ele não se escusa. Reconhece que é pecador. O bater no peito e as poucas palavras que sussurra dizem tudo: -o Deus, tem compaixão deste pecador”. Este homem sabe que não pode vangloriar-se. Não tem nada a oferecer a Deus, mas sim muito a receber dele: seu perdão e sua misericórdia. Em sua oração há autenticidade. Este homem é pecador, mas está no caminho da verdade. Os dois sobem ao templo para orar, mas cada um traz em seu coração sua imagem de Deus e seu modo de relacionar-se com Ele. O fariseu continua enredado numa religião legalista: para ele o importante é estar em ordem com Deus e ser mais observante do que todos. O cobrador, pelo contrário, abre-se ao Deus do Amor que Jesus prega: aprendeu a viver do perdão, sem vangloriar-se de nada e sem condenar ninguém.   A oração do pecador Pe. Johan Konings Será preciso ser santo ou beato para rezar a Deus? Os simples pecadores precisam “delegar”as monjas ou algum padre muito santo para rezar por suas intenções? O Antigo Testamento ensinava que “a prece do humilde atravessa as nuvens” (1ª leitura). Jesus, no evangelho, faz deste humilde um pecador. Enquanto na frente do templo um fariseu, diante de Deus, se gloria de suas boas obras, um publicano – coletor de taxas a serviço do imperialismo estrangeiro – reza no fundo do templo com humildade e compunção. Jesus conclui: este foi, por Deus, declarado justo e absolvido, mas o fariseu, não. O mais importante na avaliação geral de nossa vida não é o número e o tamanho de nossos pecados, mas nossa amizade com Deus. Como no episódio da pecadora em casa do fariseu (Lc 7, 36-50), alguém pode ter pouco pecado e pouquíssimo amor, e outra pessoa pode ter grandes pecados e imenso amor. Quem nada faz, não peca por infração. Só por desamor… e para esta falta não existe remédio. Quem só pensa em si mesmo – como o fariseu -, como Deus pode ser amigo dele? É muito importante os pecadores manterem o costume de conversar com Deus, que chamamos de oração. É bom que saibam que Deus os escuta. Isso faz parte integrante da boa nova de Cristo (e da Igreja). A rejeição moralista dos pecadores é anticristã e contradiz o espírito da Igreja, que oferece o sacramento da penitência para marcar com sua garantia o pedido de reconciliação do pecador penitente. Importa anunciar isso a quantos estão “afastados”, por diversas razões (situação matrimonial irregular, vida sexual não conforme as normas, pertença à maçonaria, rejeição de alguns dogmas ou posicionamentos da Igreja etc.). Em alguns casos, estas pessoas poderiam ser plenamente reintegradas, mediante devida informação e diálogo. Em outros, a plena vida sacramental continuará impossível, mas mesmo assim devem saber que Deus é maior que os sacramentos e presta ouvido à oração de quem entrega sua vida quebrantada nas mãos dele. Importa anunciar isso sobretudo ao povo simples, marcado por séculos de desprezo e discriminação, falta de instrução, missas ouvidas na porta do templo. Suas preces do fundo do templo, como a do publicano, serão certamente atendidas! Hoje, muitos deles já podem avançar até perto do altar; oxalá não se tornem fariseus! Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

29º Domingo do Tempo Comum

Dona Insistência X Dr. Prepotência Frei Gustavo Medella À viúva anônima, poder-se-ia dar o nome de “Dona Insistência”. Ao juiz intrépido, “Dr. Prepotência”. Eis que no embate de interesses, a segunda vence o primeiro porque antes supera em si o medo, a desesperança, a acomodação e não deixa de insistir. É o caminho percorrido por Jesus, diante das muitas barreiras e dificuldades que encontra no decorrer de sua missão. É o trajeto dos discípulos de Jesus quando estes desejam de fato manter a fidelidade no seguimento do Mestre: Insistir e resistir até que justiça aconteça e a vida prevaleça. Insistência e resistência também são os nomes de Franciscos, o de Assis e o de Roma. O primeiro, com sua “santa teimosia”, vence, em si e fora de si, todos os apelos e contrariedades que lhe poderiam impedir de abraçar plenamente o Evangelho como forma de vida. Luta para contrariar os próprios sonhos de nobreza, as projeções de sucesso que o pai sobre ele depositava, as pressões de amigos e conhecidos diante da loucura representada pela nova vida que desejava abraçar. Briga para ter como única garantia a mesma pobreza que garantiu o Filho de Deus enquanto neste mundo caminhou. O outro Francisco, de Roma, insiste, sem peso ou pesar, na promoção de uma Igreja simples, serva, profética, misericordiosa e em saída. E, por conta de tal insistência, segue ofendido por muitos “Doutores Prepotência” que teimam em lhe acusar de herege, comunista e daí para pior. Não se abala, pois sabe-se possuidor da única riqueza da qual não poderia abrir mão: a fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho, ou seja, à autêntica Tradição. Todo o resto é supérfluo ou, ainda mais, totalmente descartável: poder, ostentação, busca de privilégios, grandes manifestações de força e sucesso devem ser depostos com coragem e desprendimento, a fim de que a busca de fidelidade a uma pretensa Tradição não recaia numa decadente e destrutiva traição a Cristo e ao Evangelho. Vociferar ofensas contra o sucessor de Pedro é o cúmulo da falta de conhecimento histórico e teológico que invalida na raiz todo cabedal de conhecimento que os tais “Doutores Prepotência” julgam ter. Rezemos por eles e peçamos a Deus discernimento e humildade para não nos tornarmos como eles. Como cristão e batizado que procura, em meio às próprias mazelas e pecados, um seguimento razoavelmente fiel a Jesus, não tenho dúvida e tenho lado: fico com a viúva “Dona Insistência”, fico com Cristo e fico com os Franciscos, o de Assis e o de Roma. Amém.   29º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor,    e vos servir de todo o coração”. Primeira leitura: Ex 17,8-13 E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia. O texto da primeira leitura é um episódio das peripécias sofridas pelo povo de Deus rumo para a Terra Prometida. Os redatores do Pentateuco colocaram ao longo da longa viagem (40 anos) vários ensinamentos ou catequeses que visavam avivar a fé no Deus libertador do Egito (cf. Ex 15,22–18,27). Na caminhada pelo deserto, os hebreus reclamavam contra Moisés pela escassez de água e alimentos. Sentiam-se abandonados por Deus e fraquejavam na fé: “O Senhor está, ou não está, no meio de” (18,7)? Além do mais, beduínos do deserto (amalecitas) ameaçavam exterminar os hebreus. Moisés, então, toma iniciativa de organizar a defesa; manda Josué escolher alguns valentes guerreiros para combater os inimigos. Ele próprio sobe a uma colina em companhia de Aarão e Hur, para suplicar a Deus em favor de Israel. De pé, no alto da colina, com os braços erguidos em oração, Moisés segurava “a vara de Deus na mão” e suplicava em favor do povo. Era a vara ou bastão que Moisés sempre tinha na sua mão, símbolo do poder de Deus (Ex 4,1-5), superior ao poder do faraó. Moisés costumava segurar o bastão na mão quando operava prodígios no Egito (7,19; 8,1.12; 9,22; 10,12.22), na passagem do Mar Vermelho (14,16) ou quando fez jorrar água do rochedo (17,5-60). Enquanto Moisés orava de braços erguidos Israel vencia; quando os abaixava, venciam os amalecitas. Então Aarão e Hur fizeram Moisés sentar-se numa pedra e seguraram suas mãos levantadas, até o pôr-do-sol. E assim Israel venceu os inimigos. – O texto nos ensina que, tanto no plano pessoal como comunitário, devemos fazer tudo o que podemos para superar as adversidades. Por outro lado, devemos manter firme a fé e dirigir-nos confiantes para o Senhor que “está no meio de nós”, porque é dele que vem a nossa força. É no auxílio do Senhor que devemos confiar (Sl 63,7), pois é dele que vem a salvação (Sl 28,7-8). A fé no Senhor, que é nosso auxílio e salvação, se revigora pela oração perseverante (Evangelho). Salmo responsorial: Sl 120 Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra. Segunda leitura: 2Tm 3,14–4,2 O homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. No final de sua vida, Paulo exorta o bispo Timóteo a permanecer fiel aos ensinamentos recebidos de seus mestres. Timóteo foi iniciado na fé pelos ensinamentos de sua avó Lóide, de sua mãe Eunice (2Tm 1,3-5) e de Paulo. Por isso, desde a infância conhecia as Sagradas Escrituras, sobre tudo, o Antigo Testamento, mas também os ensinamentos transmitidos pela pregação cristã. As Sagradas Escrituras, inspiradas por Deus, “comunicam a sabedoria que nos conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”. Judeus e cristãos tinham a convicção de que as Escrituras são úteis para ensinar, repreender, corrigir e educar para uma vida pautada pela retidão das boas obras. Por meio da escuta e prática da Palavra de Deus Timóteo e os cristãos serão qualificados para praticar as boas obras. Por isso, Paulo insiste com Timóteo que seja incansável em pregar a palavra; que recorra sempre às Sagradas Escrituras para repreender, corrigir e aconselhar “com toda a paciência e doutrina” o seu rebanho. Na missa, primeiro nos alimentamos da mesa da palavra, as leituras e a homilia; depois somos convidados a participar da mesa da Eucaristia. Cristo nos alimenta tanto pela palavra como pelo seu corpo e sangue. Aclamação ao Evangelho: Hb 4,12      A palavra de Deus é viva e eficaz, em suas ações;             Penetrando os sentimentos vai ao íntimo dos corações. Evangelho: Lc 18,1-8 Deus fará justiça aos seus escolhidos que gritam por ele. O Evangelho de hoje coloca-se ainda na viagem de Jesus da Galileia a Jerusalém. Os discípulos e o povo seguem a Jesus. Já mais próximo da meta de sua viagem, Jesus começa a falar-lhes da vinda do reino de Deus (17,20-37), que se cumpre com sua paixão, morte e ressurreição (22,12). É neste contexto que Jesus conta a parábola da viúva e do juiz que não queria lhe fazer justiça. Logo no início Lucas explica que a intenção da parábola é “mostrar a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Os personagens são a viúva pobre, o juiz “que não temia a Deus e não respeitava ninguém” e Jesus que questiona a nossa fé e insiste na oração perseverante. O juiz que não temia a Deus e não respeita ninguém é, provavelmente, um judeu. Como tal sabia que Deus é o protetor dos órfãos e das viúvas, os mais pobres na escala da pobreza (Ex 22,21-23). A pobre viúva não desistia de pedir ao juiz que lhe fizesse justiça contra o adversário, mas o juiz não a atendia. De tanto persistir no pedido de justiça, finalmente, a viúva dobra o juiz e consegue que lhe fizesse valer os seus direitos. O juiz a atendeu, não porque fosse justo, mas apenas para se livrar da viúva que o importunava; “do contrário, ela vai me bater” – dizia ele. Por fim, Jesus explica a parábola com três perguntas que nos questionam e pedem uma resposta (v. 6-9): a) “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele”? De fato, os judeus dominados pelos romanos esperavam a vinda do Messias a qualquer hora (cf. Lc 9,18-21). E Jesus, após ser batizado por João, começou a anunciar a boa-nova do Reino de Deus na sinagoga de Nazaré, como resposta ao clamor dos pobres e oprimidos (cf. Lc 4,16-22). Ensina-nos também a rezar “venha o teu Reino” (Lc 11,2). b) “Será que vai fazê-los esperar”? – Esta pergunta está relacionada à primeira. A resposta divina ao clamor pela justiça é o Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. Devemos pedir a vinda deste Reino, cheios de esperança. É tarefa dos discípulos de Jesus, anunciar a vinda do Reino de Deus e torná-lo presente pelo exemplo de vida. Em cada geração Deus responde ao clamor dos injustiçados e oprimidos na medida em que nós formos capazes de ouvir e responder ao mesmo clamor. Assim, os que clamam a Deus por socorro serão atendidos antes que o Evangelho seja anunciado a todas as nações (cf. Mc 13,10). c) “Será que o Filho do Homem, quando vier, ainda vai encontrar fé sobre a terra”? – Podemos responder “sim”, quando oramos, sem nunca desistir, pela vinda do Reino de Deus. “Sim”, quando somos capazes de ouvir o clamor dos oprimidos e injustiçados e o levamos pela nossa prece até Deus. “Sim”, quando atendemos a este clamor com amor e solidariedade, como o fazia Santa Dulce dos pobres.   Permanecer firmes na fé Frei Clarêncio Neotti Percebe-se, então, que os redatores dos Evangelhos e das Cartas apostólicas acentuam alguns ensinamentos de Jesus sobre a paciência. A paciência histórica. A espera confiante. A parábola do grão de mostarda (Lc 13,19), que cresce lentamente, é símbolo da comunidade que não pode ter a pressa do fim. Jesus ensinou que viria o fim, mas não determinou o tempo (Mc 13,32). Como dissera que o fim viria “de repente” (Mc 13,35), quando menos se esperasse, transformaram o “de repente” em “logo”. Por isso os Evangelhos – escritos nesse tempo – acentuam a espera, a demora, a vigilância, a persistência, a oração incessante. A parusia (últimos tempos) virá. Os que estiverem acordados verão (cf. a parábola das 10 moças em Mt 25,1-13: os que deixarem apagar as lâmpadas, isto é, os que deixarem de crer; os desanimados e desesperados, não acompanharão o Cristo na festa gloriosa). Esse tempo de espera é tempo de frutificar os talentos (Lc 19,12-20), de socorrer os irmãos, de praticar o bem e, sobretudo, é tempo de conversão. Pedro foi claro: o Senhor está retardando o fim, para que todos se arrependam e se convertam (2Pd 3,9). E Paulo escrevia aos Colossenses: “É necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança” (Cl 1,23). Também a parábola de hoje reflete sobre o ensinamento da paciência, junto com o ensinamento da oração persistente. A oração continuada, confiante e humilde é a melhor forma de esperar a segunda vinda, a vinda gloriosa do Cristo Senhor; que certamente acontecerá (2Pd 3,10). A oração perseverante é expressão de fé viva e certeza de que Deus não falha, ainda que tarde (2Pd 3,9).   O tema da Oração Frei Almir Guimarães Deixa que a respiração profunda de teu ser aconteça. Só isso.Não interrogues nem busque.Deixa que seja Deus a procurar-te.Não caminhes. Deus vem ao teu encontro.Não procures contemplar.Permite antes que Deus te contemple.Não rezes. Deixa que, em silêncio, ele reze o que tu és. José  Tolentino Mendonça – Um Deus que dança – Paulinas, p. 21 Mais um vez as leituras  bíblicas nos colocam diante do tema da oração. Em português, oração vem de os, oris, que quer dizer boca.  Etimologicamente, oração seriam palavras  produzidas por nossos lábios e dirigidas a Deus.  Não podemos resumir o mistério da oração a um recitar de fórmulas. Sempre será necessário que elas partam fundo de nosso ser. Conhecemos também a palavra prece (pedir). Em outras línguas prière, preghiera, beten, pray.  Sim, mas cuidado para não transformar a oração num peditório ilusório. O Altíssimo não é um depósito de onde tiramos o que nos falta.  A oração é gratuidade.  Necessidade e alegria de estar com  Ele, o Inominável e, ao mesmo  tempo, o Pai que  nos envolve. Mistério de comunhão. A oração é a tentativa de fazer com que meu ser mais profundo (nosso ser mais profundo) ande à cata de um Mistério que nos envolve e que chamamos de Deus, de Altíssimo, de Amado, de Belo e, no dizer de São Francisco de Assis, “Meu Deus e meu Tudo.  A oração é o extasiar-se de graça diante do Senhor. Pode ser no meio de uma grande assembleia, como no silêncio do quarto. Trata-se de um estar nos achegando a ele de tal forma que ele seja nosso  Amigo de todos os dias.  Tolentino e os que refletem  sobre o tema dizem que é Deus que nos procura.  Ele é que anda atrás de nós. Oração, orar, rezar?  Não podemos forçar.  Há o desejo.  Sem desejo não se busca o Senhor.  Há essa convicção de que viemos dele, do Mistério, e que nosso coração tende para ele.  Agostinho de Hipona: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora, E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste.  Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-se longe de ti as coisas  que não existiriam, se não existissem em ti.  Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira.  Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”. O coração é o lugar mais íntimo de cada pessoa. É lá que começa e se  desenvolve a oração.  O coração é a raiz de nosso ser, a sede da liberdade.  Não se reza com a inteligência, nem com a memória nem com a sensibilidade. Reza-se com o coração. Reza aquele que desperta o coração quando esse parece adormecido.  Muitas vezes vivemos na periferia de nosso ser. Rezar com o coração é rezar com o melhor que nós temos. A oração é o grito de um pobre dizendo ou sentindo que precisa da força, do olhar dele.  É um lançar-se no Mistério.  É a decisão de estar com ele na nudez de nossa vida, de graça, com reconhecimento, com o desejo de caminhar sempre num movimento de entrega irrestrita, de um “companheirismo” um tanto desigual, na realidade uma amorosa proximidade.  Caminhar carinhosamente com o Senhor. Estar com… por isso a oração exige silêncio.  Silêncio externo, mas sobretudo aquietação das coisas loucas e agitadas dentro de nós. Silêncio de nossos desejos atropelados para ouvir aquilo que nos dá alento para viver.  Procurar espaços de calma, como o quarto, um canto de jardim, sentar-se à luz tênue de uma capela.  Silêncio de muitos loucos desejos, de tantos pequenos projetos.  “Aqui estou, Senhor, estou contigo.  Preciso entender a linguagem de tua presença”. Caminhar na presença do Senhor com os ouvidos do coração bem abertos, a partir do silêncio de nós mesmos.  Anselm Grün, falando  da vida dos monges  assim se exprime:  “Os monges não se calam por causa de um princípio  abstrato,  nem para se colocarem artificialmente em um certo  estado de ânimo,  nem ainda para demonstrar a si próprio uma  realização ascética.  Eles se calam porque experimentam a Deus e não querem, falando, destruir esta experiência” (As exigências do silêncio,  Vozes p. 71).  Pode ser que manifestemos uma espécie de convicção de que rezamos para obter bens e coisas.  Estamos muito acostumados ao sucesso, êxito,  produção.  Ora, a oração pertence a mundo do inútil, do gratuito. “De alguma maneira é certo que a oração é “algo inútil”, e não serve para conseguir tantas coisas atrás das coisas das quais andamos a cada dia.  Como é inútil o prazer da amizade, a ternura dos esposos, a paixão dos jovens, o sorriso dos filhos, o desabafo  com uma pessoa de confiança, o descanso na intimidade do lar, o desfrute de uma  festa, a paz do entardecer…  Como medir a “eficácia” de tudo isto que, no entanto,  constitui o alento que sustenta o nosso viver? Seria um equívoco pensar que a nossa oração só é eficaz quando conseguimos o que pedimos a Deus.  A oração  cristã é “eficaz”  porque nos faz viver com fé e confiança no Pai e em atitude solidária com os irmãos.”  (Pagola, Lucas, p.  297). Texto  para meditação A  oração cristã não é uma viagem ao fundo de si mesmo.  Não é  um movimento introspectivo.  Não é uma diagnose de nossos pensamentos e moções externas ou íntimas.  A oração cristã é ser e estar diante de Deus, colocar-se por inteiro e continuamente diante sua presença  com uma atenção vigilante àquele que nos convida a um diálogo sem cesuras. Não é oferecer a Deus alguns pensamentos mas entregar-lhe todos os pensamentos, tudo o que somos e experimentamos.  A oração é uma conversão  de atitude, porque a verdadeira oração cristã de centra-nos de nós mesmos  –  das nossas preocupações e afanos,  de nossos desejos egóticos e pouco purificados.  – e orienta-nos para Deus, de modo que tudo o que passamos a desejar é a vontade de Deus, o dom de seu olhar, que, como dizia  Santo Agostinho,  “      é mais íntimo a nós do que nós mesmos”. José  Tolentino MendonçaO tesouro escondido,  Paulinas,  p. 72 Oração Tu nos dás teu amor,ensina-nos a amar-te com todo o coração.Teu amor é fonte de vida,ensina-nos a amar-te com toda a alma.Teu amor é fonte de luz,ensina-nos a amar-te com toda a mente.Teu amor é nossa fortaleza,ensina-nos a amar com todas as forças.   Não desanimar José Antonio Pagola Uma das experiências mais desalentadoras para o crente é comprovar, sempre de novo, que Deus não ouve nossas súplicas. Deus não parece comover-se com nosso sofrimento. Não é de estranhar que esta sensação de indiferença e abandono por parte de Deus leve mais de um ao desengano, à irritação ou à incredulidade. Oramos a Deus e Ele não nos respondeu. Clamamos a Ele e Ele permaneceu mudo. Rezamos e não nos serviu para nada. Ninguém veio secar nossas lágrimas e aliviar nossa dor. Como iremos crer que Ele é o Deus da justiça e o Pai das misericórdias? Como iremos crer que Ele existe e cuida de nós? Desde o começo do mundo há sofrimentos que aguardam uma resposta. Por que morrem milhões de crianças sem conhecer a alegria? Por que ficam desatendidos os gritos dos inocentes mortos injustamente? Por que não acorre ninguém em defesa de tantas mulheres humilhadas? Por que há no mundo tanta estupidez, brutalidade e indignidade? Naturalmente é Deus o acusado. E Deus cala. Cala por séculos e milênios. Podem continuar as acusações e os protestos. Deus não abandona seu silêncio. Dele só nos chegam as palavras de Jesus: “Não temas. Apenas tem fé”. Estas palavras são muitas vezes o único apoio do crente e podem produzir nele uma confiança última em Deus, embora quase não vejamos vestígios de sua sabedoria, de sua justiça ou de sua bondade no mundo Já entendi alguma vez quem é Deus e quem somos nós? Como pretendo julgar a Deus, se não posso abarcá-Lo nem compreendê-Lo? Como quero ter a última palavra, se não sei onde termina a vida nem conheço a salvação última de Deus? O que significam, definitivamente, estes sofrimentos dos quais peço a Deus que me livre? Onde está o verdadeiro mal e onde a verdadeira vida? Jesus morreu experimentando o abandono de Deus, mas confiando sua vida ao Pai. Nunca devemos esquecer seus dois gritos: “Meu Deus, por que me abandonaste?” e “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Nesta atitude de Jesus está recolhido o núcleo da súplica cristã: a angústia de quem busca proteção e a fé indestrutível de quem confia na salvação última de Deus. A partir desta mesma atitude ora o seguidor de Jesus: “sem desanimar”.   A Sagrada Escritura Pe. Johan Konings Antigamente os protestantes se distinguiam dos católicos porque “liam a Bíblia”, como se dizia. De uns tempos para cá, isso mudou. A Bíblia faz parte também do lar católico e, espera-se, não só para ficar exposta sobre um belo suporte de madeira entalhada… O Concílio Vaticano II nos exorta a ler a Sagrada Escritura, usando as mesmas palavras de Paulo na 2ª Leitura de hoje: a Escritura “comunica a sabedoria que conduz à salvação”, “é inspirada por Deus e pode servir para denunciar, corrigir, orientar”. Ora, essa recomendação de Paulo e do Concílio deve ser interpretada como convém. Não significa que cada palavrinha isolada da Sagrada Escritura seja um dogma. A Escritura é um conjunto de diversos livros e textos que devem ser interpretados à luz daquilo que é mais central e decisivo, a saber, exemplo de vida e o ensinamento de Jesus. O centro e o ponto de referência de toda a Sagrada Escritura são os quatro evangelhos. Em segundo lugar vêm os outros escritos do Novo Testamento (as Cartas e os Atos dos Apóstolos), que nos mostram a fé e a vida que os discípulos de Jesus quiseram transmitir. A partir daí podemos compreender como a Bíblia toda deve ser interpretada, para ser “sabedoria que conduz à salvação”, tanto o Novo Testamento como o Antigo (ou Primeiro), que nos mostra o caminho de vida que Jesus, como verdadeiro “filho de Israel”, levou à perfeição. A recomendação de Paulo significa que a nossa fé deve ser entendida à Luz das Escrituras. Jesus usou as palavras do Antigo Testamento para rezar e para anunciar a boa-nova do Reino. Sem conhecer o Antigo Testamento, não entendemos a mensagem de Jesus conservada no Novo. Jesus é a chave de leitura da Bíblia. Isso é muito importante para não fazermos de qualquer frase do Antigo Testamento um dogma definitivo! A lei do sábado, por exemplo, deve ser interpretada como esse profundo senso da humanidade que tem Jesus. As ideias de vingança, no Antigo Testamento, à luz de Jesus aparecem como atitudes provisórias e a serem superadas. Todos os trechos da Bíblia, por exemplo, as parábolas de Jesus, devem ser entendidos dentro do seu contexto e conforme seu gênero e intenção. Não devem ser tomados cegamente ao pé da letra. Muitas vezes apresentam imagens que querem exemplificar um só aspecto, mas não devem ser imitados em tudo (cf. o administrador esperto, no 25º dom. T.C). Também importa ler a Sagrada Escritura no horizonte do momento presente, interpretá-la à luz daquilo que estamos vivendo hoje. Sem explicação e interpretação, a Bíblia é como faca em mão de crianças, ou como remédio vendido sem a bula: pode até matar! Ora, a interpretação se deve relacionar com a vida do povo. Por isso, o próprio povo deve ser o sujeito desta interpretação, mediante círculos bíblicos e outros meios adequados. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

28º Domingo do Tempo Comum

Quando “ir” significa “voltar” Frei Gustavo Medella Acordar, recordar, concordar… Ações que têm o coração como raiz: a “corda-mãe”, a matriz pulsante que confere o som, a vibração, a percussão e o ritmo da vida e da existência. Após alcançar de Deus a graça da cura, Naamã, o sírio, recolhe duas medidas do coração da terra para que seu coração jamais se esquecesse d’Aquele que o fazia pulsar, pelo qual superara as dores e lutas da doença, do medo, da incompletude. Diante da sábia recusa de Eliseu, Naamã percebe que não há maior presente a deixar do que a gratidão e o reconhecimento. Em resposta à Palavra proclamada, o Salmo (97) também menciona o quanto Deus recorda ao povo seu amor sempre fiel: corda que, ao contrário do que se pensa, não se arrebenta no lado mais fraco, mas torna-se corda de salvação para acudir o indigente, o pobre, o desvalido. Corda que não aprisiona, mas liberta até quem está prisioneiro da truculência, do orgulho e da sede de dominação, tal como estava o Apóstolo Paulo conforme o mesmo descreve na 2ª Carta a Timóteo (2Tm 2,8-13). Ele estava preso, mas nada é capaz de algemar a Palavra. No Evangelho, a Palavra libertadora se faz proximidade e instrução. O Mestre não prescreve nenhuma receita extraordinária àqueles leprosos que se recomendaram à sua compaixão: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Compadecer-se é ajudar o outro a trilhar seu próprio caminho de descoberta e libertação. É permitir que a própria pessoa se descubra protagonista do caminho de amor que Deus chama cada um de seus filhos a percorrer. No percurso da maturidade, entre dez homens com o mesmo problema, apenas um percebe que, com frequência, na vida, ir significa voltar. Atento à ordem do Mestre, a si mesmo e ao caminho que percorria, percebeu-se curado e assimilou a lição de que a meta não se encontra estática no fim da caminhada, mas se constrói passo a passo, como a graça que eles receberam no caminho. Cada passo é um milagre! O texto é claro em garantir que os dez leprosos ficaram curados no caminho. No entanto, não deixa tão explícito se os outros nove que não voltaram para agradecer ao Senhor já teriam se dado conta da própria cura. A liturgia deste 28º do Tempo Comum é oportunidade valiosa para que nós e nossas comunidades façamos um discernimento à luz da fé, a fim de não negligenciarmos as muitas graças que devemos, diariamente, render a Deus pelas muitas curas que Ele nos proporciona no decorrer da caminhada.   28º Domingo do tempo Comum, ano C 2019 Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”. Primeira leitura: 2Rs 5,14-17 Naamã voltou para junto do homem de Deus, e fez sua profissão de fé. Entre Israel e Damasco havia permanente estado de guerra. Numa das incursões, um bando de arameus levou prisioneira uma garota de Israel. A menina se tornou criada da mulher de Naamã, um valente guerreiro que sofria de lepra. Um dia a garota falou para sua patroa: “Se meu patrão pudesse se apresentar ao profeta de Samaria, ele o libertaria da lepra”. O profeta era Eliseu, muito conhecido em Damasco porque se opunha aos crimes e à idolatria do rei de Israel. Num momento de trégua, Naamã, com toda a pompa de um guerreiro famoso, dirigiu-se até a casa de Eliseu para ser curado da lepra. Eliseu, porém, não o recebeu. Apenas mandou que fosse banhar-se sete vezes no rio Jordão. Furioso, Naamã já se preparava para voltar a Damasco, mas seus servos o convenceram a fazer o que o profeta lhe havia mandado. Naamã obedeceu e ficou limpo de sua lepra. A primeira leitura de hoje nos conta como ele volta até Eliseu para agradecer ao profeta pela cura obtida. Naamã queria dar presentes a Eliseu, mas o profeta se recusou a aceitá-los. Então, Naamã pede licença a Eliseu para levar em dois jumentos duas cargas de terra até Damasco, para sobre ela construir um altar e ali adorar o Deus de Israel, que reconhece como único verdadeiro Deus. – O que nos ensina esta singela legenda? O profeta é um simples intermediário do verdadeiro Deus. Transmite sua palavra que deve ser obedecida. A obediência exige humildade e fé: Naamã precisava acreditar que, banhando-se sete vezes nas águas do Jordão, ficaria curado (Evangelho). Não foi Eliseu que o curou, mas o Senhor Deus de Israel. Ele não é um Deus da morte (guerra), mas o Deus da vida que não conhece fronteiras nem limites de raça ou religião. Por outro lado, os dons gratuitos de Deus não se pagam; pedem gratidão, louvor e adoração, como o fez Naamã. A cura e a salvação são um dom gratuito (Rm 3,24), que Deus oferece a todos, judeus e pagãos. Salmo responsorial: Sl 97 O Senhor fez conhecer a salvação e às nações revelou sua justiça. Segunda leitura: 2Tm 2,8-13 Se com Cristo ficamos firmes, com ele reinaremos. Paulo está preso em Roma por causa do Evangelho que prega. Do cárcere continua animando Timóteo a lembrar-se sempre dos sofrimentos de Cristo e de sua ressurreição. Este é o Evangelho que Paulo prega e razão de estar agora preso num cárcere comum, como se fosse um malfeitor. Paulo sofre algemado, mas a Palavra de Deus não pode ser algemada. Por isso, exorta Timóteo a não esmorecer no anúncio desta Palavra, a fim de que todos alcancem a salvação que está em Cristo. Paulo conclui com um antigo hino cristão que exorta a manter uma fé firme e confiante. Mesmo se formos infiéis – diz Paulo – “Deus permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo”. Aclamação ao Evangelho: 1Ts 5,8 Em tudo dai graças, pois, esta é a vontade de Deus para convosco em Cristo Jesus. Evangelho: Lc 17,11-19 Não houve quem voltasse para dar glória a a não ser este estrangeiro. No Evangelho ouvimos a narrativa da cura dos dez leprosos, exclusiva de Lucas. Ele é o único evangelista não judeu, portanto um “estrangeiro”. Possível companheiro de Paulo nas viagens missionárias entre os pagãos, Lucas preocupa-se em mostrar que a salvação trazida por Cristo está aberta para todos os povos (Lc 2,14.31-32; At 1,8). Não esconde sua simpatia pelos samaritanos, desprezados e considerados inimigos pelos judeus (cf. Lc 9,51-56). Esta simpatia se manifesta na parábola do Bom Samaritano, apresentado como modelo a ser seguido pelos judeus e por nós todos (10,30-37). Depois, nos Atos dos Apóstolos, os samaritanos são os primeiros não-judeus que acolhem o Evangelho pregado pelo diácono Filipe (At 8,4-25). O Evangelho de hoje coloca a cena da cura dos dez leprosos durante a viagem de Jesus a Jerusalém. Jesus passava, entre a Samaria e a Galileia, com seus discípulos e o povo. Quando estava para entrar num povoado, depara-se com um grupo de leprosos. Eles não podiam entrar no povoado por causa da doença que os afligia. Vendo Jesus passar, eles param à distância e gritam: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós”! Ao vê-los Jesus percebeu que desejavam ser curados, e lhes diz: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Era previsto pela Lei que um leproso que se considerasse curado devia apresentar-se aos sacerdotes. Os sacerdotes não curavam a lepra, mas deviam confirmar a verdade da cura, para que o leproso pudesse voltar ao convívio da família e participar do culto (Lv 14,1-32). Portanto, Jesus exige a fé e confiança em sua palavra. Enquanto os leprosos se dirigiam a Jerusalém ficaram curados. Nove deles quando se viram curados foram apresentar-se aos sacerdotes, conforme exigia a Lei. Apenas um deles, voltou até Jesus e, glorificando a Deus em alta voz, atirou-se aos pés de Jesus para lhe agradecer; e este era um samaritano. Com certo espanto, Jesus exclama: “Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este “estrangeiro”? Os outros nove tiveram confiança na palavra de Jesus e ficaram curados. Cumpriram a Lei, mas não glorificaram a Deus que os curou. O samaritano não foi até o templo de Garizim apresentar-se aos sacerdotes samaritanos, mas voltou glorificando a Deus para agradecer a Jesus pela cura. Os sacerdotes de Jerusalém podiam apenas verificar a cura. Jesus, porém, diz ao samaritano: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. – Neste Evangelho destacam-se a fé, a gratidão e a salvação universal em Cristo. Expressamos nossa fé com gratidão, como Naamã e o samaritano, pelos bens que Deus nos dá? A Eucaristia que celebramos é por excelência ação de graças, gratidão pela salvação que Cristo nos trouxe pela sua morte e ressurreição.   Lei e fé Frei Clarêncio Neotti O pedido que os leprosos fazem demonstra fé em Jesus e uma fé que se exprime com humildade. Vejo a fé na palavra ‘Mestre’. Vejo a humildade no ‘tem piedade de nós’. A fé se desenvolve normalmente pela obediência: eles obedecem a Jesus e vão cumprir uma lei. À primeira vista, parece que o samaritano desobedeceu à ordem de Jesus e justamente ele recebeu o elogio e a graça da salvação. Mas o que Lucas quer acentuar é que a fé verdadeira não consiste em obedecer às leis formalmente, como pensavam os fariseus e os escribas, mas em proclamar a boa nova da salvação recebida gratuitamente do Senhor. E foi isso que fez o samaritano “em alta voz” (v. 15). O samaritano era considerado pelos hebreus um herege, um pecador. Mais vezes o samaritano é posto como exemplo, exatamente pela péssima situação social de que gozava. Lembremos apenas a parábola do “Bom samaritano” (Lc 10,30-37), apresentado por Jesus como um homem mais humano e generoso que um sacerdote e um levita, e posto como modelo de comportamento caridoso a um Doutor da Lei. Estamos de novo num dos temas preferidos de Lucas: mostrar que Jesus veio, sobretudo, para os desprezados e humilhados. Na lógica de Jesus, “os últimos serão os primeiros” (Lc 13,30). Jesus mostra alguma dor por não terem voltado os outros nove (v. 17). Certamente, não é por não ter visto gratidão neles, mas porque eles se julgaram credores da graça recebida. Pediram, receberam e, se receberam, mereciam-na. Essa atitude, bastante encontradiça ainda hoje, afronta a gratuidade da graça divina e a nossa dependência do Deus criador, pelo fato de sermos criaturas. Nossa vida deveria transformar-se em contínua eucaristia, isto é, em permanente ação de graças, porque permanentemente o olhar misericordioso do Senhor está voltado para nós.   Quando vamos respirar novamente o perfume da gratidão? Frei Almir Guimarães  Nós te pedimos hoje, Senhor, a ousadia de um gesto gratuito: nem que seja abrir uma janela; nem que seja reparar a ternura no rosto dos que nos rodeiam; nem que seja um frágil minuto de silêncio diante de tua imensidão.José Tolentino Mendonça, “Um Deus que dança”, p. 107 Muitos passam pela vida indiferentes a tudo. Só tem olhos para o que serve a seus próprios interesses. Não se deixam surpreender por nada de gratuito, não se deixam amar ou abençoar por ninguém. Fechados em seu mundo, têm bastante trabalho em defender seu pequeno bem-estar cada vez mais triste e egoísta. De seu coração nunca brota o agradecimento.Pagola, Lucas, p.291 ♦ Estamos diante do tema da gratidão, do agradecimento. Parece urgente uma reflexão sobre o assunto. Nossos tempos não são afeitos à gratidão. Vivemos uma civilização mercantilista. As coisas de que precisamos nós as compramos com o dinheiro e assim estamos quites com todos. Damos, para receber e ponto final. Nada mais que comércio. Não queremos viver de favores e de dependência e tantos vínculos. Não desejamos precisar de ninguém. Não queremos depender de favores. ♦ Naamã, o sírio, curado da lepra desejava oferecer presentes a Eliseu que este não aceitou. Sua ação foi gratuita. O sírio, em sinal de alegria grata, quer levar terra do país, quantidade que dois jumentos pudessem carregar, como sinal de gratidão pela cura. O doente samaritano curado voltou para agradecer a cura. E Jesus: “Onde estão os outros?” ♦ Gratidão, reconhecimento pelo bem que nos é feito, sentimento nobre que se expressa por gestos e palavras a convicção de que outros andam nos ajudando a viver. Fazem-no a partir de uma fonte de bondade que jorra de seu interior, a partir de uma urgência que experimentam de não serem apenas seres interesseiros. ♦ Louvado seja o Senhor, fonte do amor bondoso. Somos alvo desse amor. Ele nos criou e nos colocou na vida para que pudéssemos empreender a peregrinação por entre vales e montanhas, sentindo o perfume das flores e ouvindo a música da vida. Quis que fossemos homem e mulher, quis nos amar, nos quis. Louvado e glorificado seja o nosso grande benfeitor. Somos e pobres tudo ganhamos do grande Benfeitor. ♦ Gratidão diante do mistério de Cristo. “Já não vos chamo de servos mas de amigos”. Ele vem, vem sussurrar palavras de amor, mostrar um horizonte de vida em plenitude, vem ensinar-nos a arte da felicidade, da alegria, mesmo nos desafios da “perfeita alegria”. Vem para ser o doador da vida. “Minha vida ninguém me tira. Eu a dou livremente”. Nossas eucaristias não consistem em ritos monótonos, mas em prece de louvor ao Pai pela vida de Jesus. A Eucaristia é precisamente prece de ação de graças. Como vemos a missa? Como a vivemos? “Isto é meu corpo, meu sangue… façam isso para celebrar a minha memória.” Explosão de alegria e de reconhecimento no dia do Sol, o domingo. “Não vos chamo de servos, mas de amigos!” ♦ Em torno à mesa, membros de uma família, pessoas de coração reto, agradecem ao Senhor o escondidinho de carne, o suflê de legumes, a musse de maracujá, os alimentos que refazem suas forças. Deus belo colocou vida na terra e permitiu que tivéssemos, o pão de cada dia, “fruto da terra e do trabalho humano”. Nada mais normal do que uma oração de agradecimento. ♦ Indubitavelmente experimentamos gratidão pelas pessoas que nos trataram com dedicação e esmero: os pais que tivemos, os professores da escola primária e de outras etapas do estudo, os vizinhos que nos ensinaram a viver com sua postura e seus comportamentos, aqueles que nos acolheram e nos ajudaram em situações delicadas. Nossos benfeitores estarão sempre escutando nosso: “Muito obrigado”. ♦ Agradeceremos de modo especial pessoas que, com habilidade e competência, nos mostraram o caminho de Deus, pessoas que com seu testemunho e garra nos ensinaram a buscar a Deus, a rezar, a ter gosto pelas coisas do Evangelho, aos sacerdotes que deixaram transparecer nas celebrações fagulhas de esperança. Sobretudo pessoas que nos fizeram livres de nossos pequenos interesses. ♦ Na vida de todos os dias, pessoas remuneradas nos prestam serviços os mais variados: balconistas nos atendem, médicos nos examinam, motoristas de táxi ou de coletivos nos levam de um lado para o outro, caixas dos supermercados nos apresentam a conta de não sei quantos itens. Fazem sua obrigação, é certo. Mas são pessoas humanas, felizes ou descontentes com a vida, sadios ou doentes, normais ou “especiais”. São vidas e histórias que estão a nosso serviço. Mesmo sendo remunerados não custa nada que escutem nossa gratidão expressa num “muito obrigado”. Texto para a reflexão ♦ O primeiro dom que recebemos, o mais básico, o mais valioso, o mais fundamental é o dom da vida. Jamais poderemos pagar por ele àqueles que nos proporcionaram. Sempre estaremos em dívida, pois, ainda que queiramos, não teremos a capacidade de criar quem nos criou, nem estender sua vida indefinidamente, ou dar-lhe outra após ter deixado este mundo. O dom vida é material e imaterial, porque inclui um corpo, mas também um espírito e uma enormidade de capacidades que, com o tempo, vão tomando corpo e forma (Francesc Torralba). Oração  Graças Graças, Senhor, pela vida,Graças por cada um de nóse por nosso mútuo bem querer.Graças porque juntos buscamos a Ti.Graças porque nos deste a vida e a fé.Graças por termos descobertoo pobre que nos lembra Jesusque não tinha nem uma pedra para reclinar a cabeça.Graças pelo carinho da avóe pela caixa de bombons do  padrinho.Graças pelos que nos ajudarama ver as coisas com um olhar de bondade.Graças pelos corajosos que dizem a verdadee ajudam a construir um mundo tecido de bondade.Graças, Senhor, por teu olhar e pela vida.   Recuperar a gratidão  José Antonio Pagola Houve quem dissesse que a gratidão está desaparecendo da “paisagem afetiva” da vida moderna. O conhecido ensaísta José Antonio Marina recordava recentemente que a passagem de Nietzsche, Freud e Marx nos deixou submersos numa “cultura da suspeita” que torna difícil o agradecimento. Desconfia-se do gesto realizado por pura generosidade. De acordo com o professor, “tornou-se dogma de fé que ninguém dá nada de graça e que toda intenção aparentemente boa oculta uma impostura”. É fácil, então, considerar a gratidão como “um sentimento de bobos, de equivocados ou de escravos”. Não sei se esta atitude está tão generalizada. Mas é certo que, em nossa “civilização mercantilista”, há cada vez menos lugar para o gratuito. Tudo se troca, se empresta, se deve ou se exige. Neste clima social a gratidão desaparece. Cada um tem o que merece, o que ganhou com seu próprio esforço. A ninguém se dá nada de presente. Algo semelhante pode acontecer na relação com Deus se a religião se transforma numa espécie de contrato com ele: “Eu te ofereço orações e sacrifícios e tu me asseguras tua proteção. Eu cumpro o que está estipulado e tu me recompensas”. Desaparecem assim da experiência religiosa o louvor e a ação de graças a Deus, fonte e origem de todo bem. Para muitos crentes, recuperar a gratidão pode ser o primeiro passo para sanar sua relação com Deus. Este louvor agradecido não consiste primariamente em tributar-lhe elogios nem em enumerar os dons recebidos. A primeira coisa é captar a grandeza de Deus e sua bondade insondável. Intuir que só se pode viver diante dele dando graças. Esta gratidão radical a Deus produz na pessoa uma forma nova de olhar para si mesma, de relacionar-se com as coisas e de conviver com os outros. O crente agradecido sabe que sua existência inteira é dom de Deus. As coisas que o rodeiam adquirem uma profundidade antes ignorada: não estão aí apenas como objetos que servem para satisfazer necessidades, mas são sinais da graça e da bondade do Criador. As pessoas que ele encontra em seu caminho são também dom e graça: através delas se oferece ao crente a presença invisível de Deus. Dos dez leprosos curados por Jesus, só um volta “glorificando a Deus” e só ele ouve as palavras de Jesus: “Tua fé te salvou”. O reconhecimento prazeroso e o louvor a Deus sempre são fonte de salvação.   Gratidão Pe. Johan Konings A 1ª leitura nos oferece uma das mais belas histórias do Antigo Testamento. Naamã, general sírio, foi curado da lepra pelo profeta israelita Eliseu. Para mostrar a sua gratidão, levou consigo para a Síria, nos seus jumentos, uns sacos cheios de terra de Israel, para, lá na Síria, adorar o Deus de Israel no seu próprio chão! Em contraste com este exemplo de singela gratidão, o evangelho narra a história dos dez leprosos que foram curados por Jesus e dos quais apenas um voltou para agradecer. E esse que voltou para agradecer era, por sinal, um estrangeiro (como o general sírio), pior, um samaritano, inimigo do povo de Jesus… A gratidão é uma flor rara. Brota, frágil e efêmera, nas épocas de trocar presentes (Natal, Páscoa…), mas desaparece durante o resto do ano. Quase ninguém agradece pelos dons que recebe continuamente, dia após dia: a vida, o ar que respira, os pais, irmãos, vizinhos… As antigas orações estão cheias de ação de graças. O próprio termo “eucaristia”, que indica a principal celebração cristã, significa “ação de graças”. Hoje em dia, quando se faz uma ação de graças partilhada, a maioria das pessoas não consegue formular um agradecimento… Numa missa, depois da comunhão, o padre convidou os fiéis a formular orações de louvor e gratidão, não de pedido. A primeira voz que se fez ouvir rezou: “Eu te agradeço, Senhor Deus, porque sei que te posso pedir por meu marido e meus filhos….” Se fosse apenas o costume de pedir, não seria grave. Pedir com simplicidade é o outro lado da gratidão. Mas a mania de pedir sem agradecer reflete a mentalidade de nosso ambiente: sempre querer levar vantagem. Será por causa das dificuldades da vida? Mas os que têm a vida mais folgada é que mais pedem sem agradecer… Falta motivação para se dirigir em simples agradecimento àquele que é a fonte de todos os bens. Talvez não seja apenas a gratidão que desapareceu. Receio que Deus mesmo tenho sumido dos corações. Não só as pessoas individuais, também as comunidades eclesiais devem precaver-se desse perigo. Lutar pelo amor-com-justiça é bom e necessário, mas luta deve estar inspirada pela visão alegre e alentadora do bem que Deus dispõe para todos, e não pela insatisfação e frustração. Um espírito de gratidão pelo que já se recebeu, em termos de solidariedade e fraternidade, é o melhor remédio para que a luta não faça azedar as pessoas. Então, a desgraça que se vive não abafará a gratidão; será apenas um desafio a mais para que tudo o que fizermos seja uma ação de graças a Deus, conforme a palavra de Paulo (2ª leitura). Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

Festividade do Rosário é encerrada com júbilo em Bragança

A festividade em louvor a Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Bragança, foi encerrada com júbilo na noite da última segunda-feira (7) na Paróquia do Rosário no centro da cidade. Uma procissão conduziu a imagem da padroeira desde a igreja de São Benedito, no centro histórico, até a Praça da Catedral. Após a chegada do cortejo, houve missa campal presidida pelo Pe. Raimundo Elias que destacou a importância de Maria para a Igreja e, sobretudo, para Bragança. Agradeceu pela participação dos paroquianos que se empenharam nas novenas, missas, terços, procissões e encontros desenvolvidos durante os seis dias de festividade. Sob cânticos e um show pirotécnico os devotos acompanharam a emocionante coroação da imagem de Nossa Senhora do Rosário, envolta em um arco de flores representando o Santo Rosário. Pe. Elias apresentou ao público os juízes da festividade. Juízes de 2019: José Madson e Eliana Maia; Juízes de Honra, Valtenir dos Santos e Iracema Santos; Juíza do Terço, Simone Ferreira Tuma e Juíza das Flores, Helena Rodrigues Baldez. Coordenadores: Silvana Ferreira Tuma e Maria Lindalva Santiago Ribeiro. Os novos juízes (2020) receberam os bastões, Antonio Simão Lima Tuma e Laélia Cristina Risuenho do Rosário. Juízes de Honra de 2020, Joaquim Augusto Santabrígida Soares e Regina do Socorro Alves dos Santos Soares. Juiz do Terço 2020, Sávio Felipe Lima Tuma. Juízes das Flores 2020, Maria Fernanda Risuenho, Conceição do Socorro Siqueira Moraes, Erinete Brandão e Raimundo de Melo Ribeiro. Também na oportunidade foi apresentada a diretoria da Festividade de Nazaré, a camisa oficial e o Cartaz do Círio 2019 que tem como tema: “Mãe de Nazaré, esplêndida missionária do pai". Fechando a Festa Rosariana teve leilão, praça de alimentação e sorteio de 20 salários mínimos. Reportagem e fotos - Jota Bahia Fundação Educadora de Comunicação

Congresso da IAM

Aconteceu no último dia 06 de outubro, na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Bragança, o Congresso Bi-Regional da Infância e Adolescência Missionária - IAM. O evento era destinado para as Regiões Episcopais Nossa Senhora do Rosário - que estava representada pelas paróquias de São Sebastião (Tracuateua), Sagrado Coração de Jesus (Bragança), Perpétuo Socorro (Bragança) e São João Batista (Bragança) - e São Francisco de Assis - que estava representada apenas pela Paróquia Santa Luzia (Santa Luzia do Pará). A Paróquia Cristo Crucificado, da Região Pe. Marino Conti, foi convidada e participou do congresso. O tema central foi: "Adolescentes Batizados e Enviados para a civilização do amor"; e o lema: "Quero ver o direito brotar como fonte..." (Am 5, 24). Durante o congresso, além das palestras relacionadas com o tema e lema, os adolescentes apresentaram o resultado das oficinas com os temas que já haviam preparado anteriormente, para serem apresentados no congresso. Os temas abordados nas oficinas foram: trabalho infantil: causas, consequências e combate a exploração; violência sexual contra crianças e adolescentes; a influência do comportamento dos pais na vida dos filhos; escolhas: profissão, vocação e missão; vantagens e desvantagens das redes sociais; a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum; educação hoje: reflexões críticas; e segurança publica. O Congresso teve início às 07:30 horas e foi concluído às 17:30 horas. Participaram 317 pessoas diretamente, sendo que 233 eram adolescentes na faixa etária que a IAM acompanha (de 10 a 15 anos). Por Diocese de Bragança

27º Domingo do Tempo Comum

Por uma fé silenciosa e operante Frei Gustavo Medella Em tempos de valorização excessiva da imagem, da busca frenética pela visibilidade nas redes sociais, Jesus apresenta a fé como semente discreta, pequena, frágil, mas cheia de força. É a fé escondida de milhões de pessoas que buscam viver plenamente o mandamento do amor, independente do credo que professem: “Amai-vos uns aos outros”. Este testemunho corajoso e perseverante ultrapassa os limites do templo, chega aos recantos mais inimagináveis da existência humana e tem a capacidade de aliviar dores, curar feridas, erguer caídos, transformar corações. Quase sempre sem publicidade ou badalação. Na comparação que apresenta no texto do Evangelho, Jesus apela para uma imagem quase pirotécnica, de uma árvore que se transplanta do solo para o mar. Um feito prodigioso! O Mestre, em sua sabedoria humano-divina, recorre a esta metáfora exagerada porque sabe o quanto cada pessoa precisa empenhar-se para transplantar do próprio coração medos, ressentimentos e egoísmos que a impedem de viver com liberdade, alegria e gratidão a sua fé. Se levarmos a sério o que Jesus ensina, não é difícil perceber que ser crente e fiel pouco tem a ver com o domínio de normas e regras ou com a ostentação de conhecimento relativo a doutrinas. Ter fé, em resumo, é ter a coragem de sair de si, abandonando-se aos cuidados de Deus para se colocar no cuidado do próximo. Trabalhemos, unidos, por um mundo onde a fé seja mais silenciosa e operante, onde as pontes se sobreponham aos abismos que se formam quando o orgulho e à prepotência são praticados em nome de Deus. Quem se coloca com sinceridade e sabedoria a serviço do Reino não tem preocupação em ser exaltado e aplaudido, nem de ser o único correto diante de uma legião de errados, mas apenas se reconhece como servo inútil, que não faz nada além do que deveria fazer (Cf. Lc 17,10).   27º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramais sobre nós a vossa misericórdia, perdoando que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir”. Primeira leitura: Hab 1,2-3; 2,2-4 O justo viverá por sua fé. O profeta Habacuc viveu em meio a violentas convulsões políticas internacionais. O reino de Judá tornou-se independente da Assíria de 640 a 609 a.C., sob o rei Josias. Os babilônios tomaram Nínive, a capital do império assírio, em 612 a.C. O faraó do Egito passou por Judá para socorrer o resto do exército assírio; na tentativa de barrar o avanço dos egípcios, morreu Josias rei de Judá. Desde então, Judá passou a ser um “saco de pancadas” entre Babilônia e o Egito, que pretendiam dominar esta região estratégica. Judá teve que pagar pesados tributos ora ao Egito, ora à babilônia; mas eram os camponeses e os pobres que pagavam a conta (cf. Jr 22,13-19). É deste contexto de violência externa e interna que surge a oração impaciente de Habacuc dirigida ao Senhor. Como profeta, Habacuc é o porta-voz da mensagem de Deus ao povo, mas também é quem leva os lamentos e gritos de socorro do povo até Deus. Solidário com o povo sofredor, o profeta sente-se incapaz de trazer alívio para o seu povo. Reclama com Deus que vê a destruição, a prepotência e discórdia entre os governantes, mas não intervém para dar um basta à violência e socorrer o seu povo. O profeta pede uma intervenção imediata de Deus. Em resposta, Deus manda o profeta escrever uma visão para ser lida mais tarde. A visão aponta para um futuro de esperança. Deus não perdeu o controle dos eventos históricos. Ele é fiel às promessas que faz, mas não é a impaciência do profeta que vai determinar o prazo de seu cumprimento. Para sobreviver aos tempos de crise o profeta deve manter-se fiel aos mandamentos do Senhor, pois “quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé”. O profeta pedia uma intervenção divina violenta para acabar com a violência. Mas Deus propõe a fé e a fiel observância dos mandamentos como resposta à violência. Salmo responsorial: Sl 94 Não fecheis o coração; ouvi o vosso Deus! Segunda leitura: 2Tm 1,6-8.13-14 Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor. Paulo é “prisioneiro de nosso Senhor” Jesus Cristo em Roma. Enquanto está na prisão, aguardando a provável condenação à morte por causa do evangelho que pregava, exorta o bispo Timóteo, seu companheiro nas viagens missionárias. Paulo e Barnabé foram escolhidos pelo Espírito Santo e receberam a missão de evangelizar (c. At 13,1-3), pela imposição das mãos em Antioquia. Mais tarde, também Timóteo recebeu pela imposição das mãos o mandato de evangelizar (cf. At 16,1-5). Por isso, Paulo o exorta a reavivar o “dom de Deus recebido pela imposição das mãos”, isto é, o dom do Espírito Santo e, em consequência, os dons da fortaleza, do amor e da sobriedade. Timóteo não se deve envergonhar do testemunho de fortaleza e amor dado por Jesus na cruz, nem do testemunho de Paulo, “seu prisioneiro”. O poder de Deus o ajudará a sofrer com Paulo pela causa do Evangelho. Por fim, Timóteo é animado a valer-se do “compêndio” das palavras sadias/salutares, transmitidas por Paulo “em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus”. Esse compêndio é o conjunto de palavras e ensinamentos recebidos de Paulo, capazes de instruir a Timóteo “para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3,15). Estes ensinamentos acompanham Timóteo na tarefa da evangelização, orientada pelo Espírito Santo. – São palavras ainda válidas para quem recebe o ministério da Palavra: sacerdotes, diáconos, ministros da Palavra, catequistas e cristãos que vivem sua fé. Aclamação ao Evangelho: 1Pd 1,25 A palavra do Senhor permanece para sempre;  e esta é a Palavra que vos foi anunciada. Evangelho: Lc 17,5-10 Se vós tivésseis fé! Os apóstolos acompanhavam a Jesus e presenciavam seus milagres. Ouviram-no dizer às pessoas que eram curadas: “Filha, a tua fé te curou”. Quando Jesus acalmou a tempestade no lago censurou a falta de fé dos discípulos amedrontados: “Onde está a vossa fé” (Lc 8,25)? Isso torna compreensível o pedido dos discípulos a Jesus: “Aumenta a nossa fé”! O mesmo pedido dos apóstolos dá início ao Evangelho de hoje, que inclui dois ditos de Jesus, um sobre a fé e outro sobre a relação do patrão com seu escravo. Ao pedido dos discípulos Jesus responde com um dito: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”. O grão de mostarda é a menor das sementes então conhecida; e a amoreira é conhecida pelas suas raízes profundas. O exemplo dado por Jesus parece absurdo, mas serve para indicar o poder da fé de quem confia em Deus. A fé, aqui, é a confiança ilimitada e humilde em Deus, que dá ao apóstolo o poder de observar os ensinamentos de Jesus e de ensiná-los aos outros. Os destinatários do segundo dito são os apóstolos; o dito é válido também para os fariseus que “gostavam de dinheiro” (16,14) e podiam ter escravos, e para os cristãos ricos do tempo de Lucas. O exemplo dado por Jesus trata da relação do patrão com seu empregado. Não se trata, porém, de recomendar tal prática para nossos dias. A prática de Jesus é o lava-pés (cf. Jo 13,1-17; Lc 12,35-37). Na verdade, a parábola é um espelho da economia baseada no trabalho escravo do tempo de Jesus. O exemplo acima dado se explica no dito conclusivo de Jesus: “Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”. Os fariseus pensavam que Deus era obrigado a recompensá-los porque observavam fielmente a Lei. Jesus nos ensina que devemos servir a Deus e ao próximo gratuitamente, por amor, sem buscar uma recompensa. O Amor de Deus é gratuito. Gratuito deve ser o nosso amor ao próximo e a Deus.   A fé pode ser pequena Frei Clarêncio Neotti O pedido dos Apóstolos está dentro de uma lógica. Jesus havia insistido no desprendimento de todos os bens (Lc 12,15-34), coisa absolutamente nova na teologia hebraica. Havia exigido o desprendimento da família e das coisas familiares (Lc 14,26), o que era difícil de entender para quem tinha uma cultura de clã. Havia mostrado uma imagem de Deus totalmente nova, na figura do velho pai que abraça, perdoa e acolhe o filho pródigo, sem pedir satisfações nem impor condições (Lc 15,20-24). Nos versículos que precedem o trecho de hoje (Lc 17,3-4), Jesus ensina que o perdão não tem limites e isso a homens cuja generosidade maior havia chegado até à lei do talião, isto é, ‘elas por elas’. Os Apóstolos estão atônitos. Mas, em vez de recuar e abandonar o Mestre, pedem aumento de fé. As exigências de Jesus ultrapassam sua compreensão. Ou melhor, começam a entender que estão entrando num mundo novo, com outra lógica de raciocínio e outras regras de comportamento. Jesus os convida a não pensar a fé em termos de grandeza ou quantidade. A fé pode ser pequena como um grão de mostarda (v. 6), mas terá a força de fazer coisas extraordinárias, até mesmo contra as leis da natureza, como plantar uma árvore sobre as ondas do mar. A fé põe a criatura em comunhão com Deus e a faz participar de sua força criadora e salvadora. Também a parábola (vv. 7-9) vem contada em função da fé. Observemos que a exigência do patrão da parábola era coisa normal. Mas não é ela que dita a lição. Mesmo porque Deus não se comporta como o patrão, que não deixa um momento de sossego ao empregado. Pouco antes, com as parábolas da misericórdia, Jesus nos mostrara o verdadeiro modo de agir do Pai. E ele mesmo foi muito explícito em dizer que viera para servir e não para ser servido (Lc 12,32).   O delicado e complexo tema da fé Frei Almir Guimarães A fé é a única chave do universo. O sentido último da existência humana e as repostas às perguntas das quais depende toda a nossa felicidade não podem ser atingidos de nenhum outro modo.Thomas Merton ♦ As leituras deste domingo, mormente a do Evangelho, nos convidam a fazer uma reflexão sobre o delicado e complexo tema da fé. Pensamos aqui, de modo particular, na fé que nos propõe Jesus com seus ensinamentos e com seu jeito de viver, sobretudo em seu modo de estar com o Pai. Ressuscitado, vive entre nós e pede nossa fé em seu mistério. ♦ Fé como uma luz que vem de Deus e que ilumina tudo. Luz… talvez seja esta a imagem mais apropriada para descrever a complexidade da fé. Luz que nos é revelada e que solicita nossa adesão. Não apenas um assentimento cerebral, mas aceitação de uma claridade para viver, conviver, colocarmo-nos diante do mundo, da terra, da água do sol em vista de nosso destino depois da vida, no que chamamos de além. Um certo olhar que lançamos sobre tudo porque fomos tocados pelo Mistério e pelo Cristo. Vivemos a dizer: “Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé”. ♦ Toda reflexão sobre o tema da fé precisa começar com alusão à aventura de Abraão. Idoso, sem descendência, o patriarca e sua mulher Sara são convidados deixar sua terra e se dirigirem a uma terra desconhecida. Irão na certeza de que este misterioso Ser que os convoca merece confiança. Terra distante, promessas de descendência numerosa. Ir em frente, sair, caminhar, confiar. A fé coloca-os num estado de busca. Abraão e Sara se jogaram nos braços do Mistério. Confiança irrestrita mesmo no meio do lusco-fusco. Fé de Santa Clara deixando à noite a casa paterna para a aventura do Evangelho. Fé, confiança, certeza para além das evidências. ♦ “A fé não é uma emoção, não é um sentimento. Não é um impulso cego, inconsciente em direção a algo vagamente sobrenatural. Não é apenas uma necessidade elementar do espírito humano. Não é o sentimento de que Deus existe (…). Não é apenas força da alma. Não é algo que sobe das profundezas da alma e enche a pessoa de uma sensação indizível de que tudo está certo” ( Merton, Novas sementes de contemplação, p. 124). ♦ Crer é saber-se precedido e amado pelo Senhor na existência. Crer é descobrir aquele que é fonte de minha vida, aquele que visita minha liberdade e quer guiar-me por um caminho de amor. Consequência que de tudo isso é que ações e decisões terão sentido na medida em que responderem ao dom do amor de Deus. Sabemos em quem colocamos nossa confiança. Repetiremos sempre: “Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé”. ♦ A fé não consiste em afirmar e repetir certo número de verdades que recebemos de uma vez por todas, uma caixa que guardamos para nada perder. Ela vai se fortificando ao longo da vida. Fé é vida que precisa ser alimentada, educada, revista. Uma coisa é a fé de nossa adolescência num determinado momento da vida. Nos acontecimentos que vão se sucedendo, no tecido da existência, vamos afirmando nossa convicção de um Pai que está por detrás de tudo e Jesus vivo a nos cercar, no desalento, mormente quando celebramos a ceia, fé na presença do Senhor no sacramento do matrimônio. Caminhar à sua luz mesmo quando precisamos de bengala para caminhar e de mãos que nos lavem o corpo e socorram a alma. ♦ A fé cristã se baseia na pessoa de Jesus, em seus ensinamentos, em sua paixão, morte e ressurreição. Ele nos tocou, fomos batizados, vivemos a vida dele, caminhamos na vida na sua companhia, celebrando sua presença. Nossa fé cristã tem cores próprias que haurimos de Cristo. ♦ A fé cristã significa apostar todas as fichas nesse Jesus de Nazaré que veio ao mundo da parte de Deus, conheceu os mistérios do coração humano, sofreu, morreu, ressuscitou e vive entre nós. A fé dá um sabor diferente a tudo que somos e fazemos. Convida-nos a nos reabastecer numa fonte fora de nós. Coloca à prova liberdade. “Creio Senhor, mas aumenta a minha fé”. ♦ Como todos os humanos temos questionamentos a serem feitos. Há perguntas que dançam em nossos lábios vindas do interior. Como chegar a uma verdadeira felicidade? Qual o bem a ser feito e o mal a ser evitado? O que decidir em situações complexas? Por que os justos sofrem? Por que o Senhor parece mudo? Qual o sentido de um voto de castidade perfeita? A fé nos convida a elaborar respostas a estas questões? Claro escuro. Certeza com sombras. ♦ A fé um dom. Não é apenas fruto de nossos empenhos e nossas “ginásticas espirituais”. É dada aos que pobremente se aproximam de Deus. “Eu te louvo, Pai, porque escondeste estas coisas dos sábios e poderosos e as revelaste aos humildes”. Cabe a cada um abrir-se às visitas de Deus nos sinais dos tempos, nos reclamos da consciência, na audição das Escrituras e da Palavra viva que é Jesus. ♦ “Precisamos conhecer a Jesus de maneira mais viva e concreta, compreender melhor seu projeto, captar bem sua intenção de fundo, sintonizar com ele, recuperar o “fogo” que ele acendeu em seus primeiros seguidores, contagiar-nos com sua paixão por Deus e sua compaixão pelos últimos” (Pagola, Lucas, p. 280). ♦ “A fé não é apenas uma sisuda determinação de se apegar a uma certa forma de palavras, aconteça o que acontecer – embora, devamos sem dúvida estar dispostos a defender o credo com a própria vida. Acima de tudo, porém, a fé é abertura dos olhos interiores, dos olhos do coração para que se deixem encher pela presença da luz divina (Merton, Novas sementes de contemplação, Vozes, p. 127). ♦ Muitos de nós recebemos a religião e suas práticas em nossas famílias, por “contágio”, por “osmose”: imagens, missa, sacramentos, unção, missa de sétimo dia, crisma, ladainha de Nossa Senhora e assim por diante. Não questionamos. Vivíamos numa atmosfera religiosa. Fomos católicos sem pensar o que isso bem significa além de mera observância de ritos para viver e chegar à felicidade eterna. Não houve uma adesão pessoal ao Senhor e à fé cristã. A roupa que vestimos não serve mais. Será que herdamos a fé? Podemos herdar uma certa prática. A fé é fruto da ação de Deus e uma resposta livre da pessoa e da comunidade. Importante lembrar que a fé cristã não é “minha fé”, mas nossa fé. Há urgência de uma educação ou reeducação da fé. Pode ser que algumas pessoas que dizem terem “rejeitado” a fé, tenham deixado de acreditar numa fé sem reflexão e cerceadora de nossa liberdade e inteligência. Talvez não tenham rejeitado a Deus. ♦ Para que possamos chegar a uma fé transparente, vigorosa e substancial é preciso não valorizar devoções enganadoras. Será preciso limpar a casa de tantas estampas e flores de plástico e retornar à nudez do Éden, da cruz e da ressurreição, sem enfeites somente com a crua pergunta da fé. Urgente livrar-nos das crenças tagarelas e fantasiosas que os impedem de escutar o silêncio sem fim da verdadeira fé. Para tanto precisamos reaprender nossa solidão sonora de que falava São João da Cruz. Não se fugirá dela, mas haver-se-á de buscá-la como lugar do colóquio essencial, na intimidade consigo mesmo e com Deus, paradoxalmente “ausente”. Nada de temer o silêncio como se fosse prenúncio de morte. Urgente aprender a estar só, para enraizar nossos relacionamentos, nossos afetos, nossas obras não na emotividade superficial, no protagonismo ansioso ou no afã de reconhecimento, mas na mais profunda e mais discreta liberdade do verdadeiro amor (Inspirado em Simon Pedro Arnold, OSB) ♦ A fé é um descentrar-se, uma conversão difícil, requer uma morte a si mesmo, uma páscoa do eu humano. A fé pede que deixemos nos desarrumar interiormente segundo os planos do Altíssimo e as propostas de Jesus. Na realidade não é o homem que busca a Deus, mas Deus que busca o homem. “Adão, onde estás?” ♦ “A fé é como uma criança que não dá descanso, não se acostuma a hábito algum, sobretudo da indolência e da tibieza. Repugna-lhe comprometimentos. Ela é uma criança rebelde, ao mesmo tempo vulnerável e temerária, reflexiva e aventureira. Criança que nasceu em plena noite, sempre em estado de busca, desejando a luz” (Sylvie Germain). Oração Confiarei Confiarei…ainda que me perca em teus caminhos,ainda que não encontre meu destino,confiarei… Confiarei…ainda que não entenda tuas palavras,ainda que teu olhar me queime,confiarei… Eu te seguirei, duvidando e andando ao mesmo tempoe te amareisem medo e tremendo ao mesmo tempo.   A audácia de crer José Antonio Pagola Há alguns anos, o filósofo e sociólogo de origem belga C. Lévi-Strauss fazia uma declaração que reflete bem a atitude agnóstica de não poucos contemporâneos: “Não me sinto preocupado com o problema de Deus; para mim é absolutamente tolerável viver consciente de que nunca poderei explicar-me a totalidade do universo”. Para este tipo de agnósticos, o universo está aí como uma realidade “inexplicável”, cuja origem e fundamento resultam insondáveis, mas diante desta realidade só sentem despreocupação e falta de interesse. Nós crentes nos distinguimos destes agnósticos não porque tentemos dizer “algo” sobre Deus, enquanto eles negam o que nós confessamos. Não está aí o fundo da questão. A pergunta sobre o mistério do universo parece inevitável para todos. A característica própria dos crentes, ao contrário dos agnósticos, é que nós nos atrevemos a abandonar-nos confiantemente a esse Mistério que subjaz à “totalidade do universo”. Como dizia Karl Rahner, este “abandonar-nos” próprio da fé é “a máxima ousadia do homem”. Uma partícula ínfima do cosmos se atreve a relacionar-se com a “totalidade incompreensível e fundante do universo” e, além disso, o faz confiando absolutamente em seu poder e em seu amor. Nós, cristãos, precisamos conscientizar-nos mais da audácia inaudita implicada no ato de atrever-nos a confiar no mistério de Deus. A mensagem mais nuclear e original de Jesus consistiu precisamente em convidar o ser humano a confiar incondicionalmente no Mistério insondável que está na origem de tudo. É isto que ressoa em seu anúncio: “Não tenhais medo. Confiai em Deus. Chamai-o Abbá, Pai querido. Ele cuida de vós. Até os cabelos de vossa cabeça estão contados. Tende fé em Deus”. Esta fé radical em Deus está na base de toda oração. Orar não é uma ocupação a mais entre muitas outras possíveis. É a ação mais séria e fundamental da pessoa, pois na oração nos aceitamos a nós mesmos em nosso mistério mais profundo como criaturas que têm sua origem e fundamento em Deus. O ser humano está se afastando hoje de Deus não porque esteja convencido de sua não existência, mas porque não se atreve a abandonar-se confiantemente a Ele. O primeiro passo para a fé consistiria, para muitos, em prostrar-se diante do Mistério insondável do universo e atrever-se a dizer com confiança: “Pai”. Nestes tempos em que esta confiança parece debilitar-se, nossa oração deveria ser a que os discípulos dirigem a Jesus: “Aumenta-nos a fé”.   Somos simples servos Pe. Johan Konings Quem não gosta de um elogio? Não estão nossas igrejas tradicionais cheias de inscrições elogiando os generosos doadores dos bancos, dos vitrais ou da imagem de Santa Filomena? Ora, o Evangelho nos propõe uma atitude que parece inaceitável a uma pessoa esclarecida, hoje em dia: o empregado não deve reclamar quando, depois de todo o serviço no campo, em vez de ganhar elogio, ele ainda deve servir a janta. Ele é um empregado sem importância; tem de fazer seu serviço, sem discutir. Jesus nos quer ensinar a estar a serviço do Reino sem darmos importância a nós mesmos. Ele mesmo dará o exemplo disso, apresentando-se, na Última Ceia, como aquele que serve (Lc 22,27). Isto não rima com a mentalidade calculista e materialista da nossa sociedade, que procura compensação para tudo o que se faz – aliás, compensação superior ao valor daquilo que se faz… Se levarmos a sério a parábola de Jesus, como então ensinamos aos empregados e operários reivindicarem sempre mais (porque, se não reivindicam, são explorados)? Certamente, Jesus não quer condenar os movimentos de reivindicação. A questão é outra. Ele quer apontar a dedicação integral no servir. Interesse próprio, lucro, reconhecimento, fama poder… não são do nível do Reino, mas apenas da sobrevivência na sociedade que está aí. A parábola não serve para recusar as reivindicações de justiça social, mas para declarar impróprios os interesses pessoais no serviço do Reino. Convém fazer um sério exame de consciência sobre a retidão e a gratuidade de nossas intenções conscientes e de nossas motivações inconscientes. Na Igreja, tradicional ou progressista, quanta ambição de poder, quanto querer aparecer, quantas compensaçõezinhas! E mesmo com relação às estruturas da sociedade, a parábola de Jesus hoje nos ensina a não focalizarmos única e exclusivamente as reivindicações. Estas são importantes, no seu devido tempo e lugar, para garantir a justiça e conseguir as transformações necessárias. Mais fundamental, porém, na perspectiva de Deus, é criar o espírito de serviço e disponibilidade, que nunca poderá ser pago. Quem vive no espírito de comunhão nunca achará que está fazendo demais para os outros. “Somos simples servos”. Antigamente se traduzia: “Somos servos inúteis”. Tal tradução era psicológica e sociologicamente nefasta, pois fomentava a acomodação, além de contraditória, pois servo inútil não serve… Servindo com simplicidade, não em função de compensações egoístas, mas em função da fidelidade e da objetividade, somos muito úteis para o projeto de Deus. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

O resgate da imagem de Nossa Senhora de Nazaré na praia do Picanço

No dia 26 de setembro de 2019, eu, Dom Jesus Maria Cizaurre, o Pe. José de Arimatéia e o repórter da Radio Educadora, Fabrício Thuam de Azevedo Bragança fomos até a capela da Comunidade eclesial do Castelo, pertencente à Paroquia Nossa Senhora do Perpetuo Socorro de Bragança, para entrevistar algumas pessoas que tinham participado nos dias 21 e 22 de setembro do resgate da pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré, na praia conhecida como Picanço. Entrevistamos o Sr. Nelson Martins Silva, coordenador da comunidade de Picanço, o Sr. Aluízio, de apelido: “Bonito” e ouvimos, também, algumas outras pessoas presentes na capela da comunidade. Chamou a nossa atenção que essa ida não foi programada, nem os moradores do lugar foram avisados, mesmo assim, encontramos na capela da comunidade um pequeno grupo rezando o terço na hora da chegada, aproximadamente ás 11,15 da manhã. Voltamos, pela parte da tarde, também sem avisar para entrevistar a jovem Priscila, de 16 anos de idade, residente na vila onde se encontra a comunidade eclesial de Acarpará, distante alguns quilômetros da Comunidade do Castelo. Os sonhos:  Segundo o Sr. Aluízio, ele teve aos menos quatro sonhos em diversas noites ao longo de um período de um ano e meio em que uma mulher se aproximava dele e chorando lhe pedia que resgatasse uma imagem de um poço. Ele conta que quando ia pegar a imagem o sonho acabava. Ele identificou esta mulher com nossa senhora a Virgem Maria. Durante algum tempo nada contou a outras pessoas sobre esses sonhos. No mês de julho do ano em curso, a jovem Priscila começou a ter mais ou menos os mesmos sonhos. Segundo Priscila a mulher era nossa Senhora de Fátima, pois se mostrava vestida do mesmo jeito que as imagens da Virgem de Fátima. Os sonhos de Priscila foram mais frequentes que os do Sr. Aluízio. Ela não disse o número exato de sonhos, mas falou em que aconteceram durante bastantes noites. Nos sonhos, a Virgem também chorava muito e pedia resgatar a imagem do poço. Inclusive mostrava o poço e o ambiente ao redor. Esses elementos serviram posteriormente para identificar o local aproximado do poço. Priscila contou a algumas pessoas seus sonhos e as pessoas não reagiram bem, chegando a ser tachada de doida. Segundo ela, esta rejeição de algumas pessoas lhe causou muito sofrimento. Foi, então, quando a sua mãe a orientou a procurar a ajuda de alguma pessoa para saber o que fazer com as mensagens dos sonhos. Em concreto lhe indicou que procurasse o seu padrinho de batismo Sr. Nelson Martins Silva, coordenador da comunidade eclesial do Castelo e morador daquela vila. O Sr. Nelson, que já ouvira do Sr. Aluízio a narrativa dos quatro sonhos, ao ouvir a narração de sua afilhada Priscila viu a conexão dos dois sonhos e entendeu que se tratava de Nossa Senhora a Virgem Maria pedindo o resgate daquela imagem. Pelos detalhes dados por Priscila nos seus sonhos, conseguiram identificar o local onde estava situado o poço que nos sonhos aparecia. Tratava-se da praia de Picanço. Esta praia já foi local de uma pequena vila de pescadores que devido à erosão do mar tiveram que sair do local e procurar um outro em melhores condições que não estivesse sujeito a ser invadido pelas águas do mar. Alguns dos moradores da praia de Picanço se assentaram no local onde hoje se encontra a vila do Castelo. A praia do Picanço foi totalmente abandonada. Nesta praia as pessoas costumavam abrir poços de pequena profundidade para tirar água para lavar a roupa e fazer a limpeza das casas de madeira, não para o consumo das pessoas, pois não é água potável. Por isso em dita praia existem diversos poços cavados, alguns deles já cobertos pela areia, outros, ainda visíveis. Primeira viagem: Após conseguir identificar a praia, o Sr. Nelson reuniu um grupo de pessoas às quais explicou o propósito da viagem que pretendia fazer e as convidou para ir até o local e tentar resgatar a imagem. O grupo formado por unas quinze pessoas, entre as quais se encontrava o Sr. Aluízio e a jovem Priscila, carregando pás e enxadas, saiu da Vila do Castelo no dia 11 de setembro de 2019. A viagem até o picanço, numa embarcação aberta e motorizada, demorou uma hora e meia, encima da maré. Na chegada à praia, dedicaram algum tempo para rezar o terço. Segundo o Sr. Nelson já na chegada sentiram um ambiente estranho no local, como se o lugar estivesse tomado pela presença do mal; não viram camaleões muito frequentes no local nem barulho de pássaros; isso chamou a atenção deles. Após a oração começaram a limpar alguns poços antigos que encontraram. Cavaram três poços, mas nada conseguiram achar. Como já era quase de noite quando terminaram com o terceiro poço e como a maré ainda iria demorar em encher, decidiram ficar nessa noite dormindo na praia. No dia seguinte voltaram para a Vila do Castelo. Após esta fracassada busca, as pessoas do grupo entenderam que era necessário fazer mais oração e decidiram realizar durante nove dias seguidos orações, principalmente o terço, a Nossa Senhora em diversos horários do dia: cinco horas da manhã, a meia manhã, no meio dia, de tarde e de noite. Algo parecido com o cerco de Jerico do qual as pessoas da comunidade já tinham ouvido falar pela TV Canção Nova. Segunda Viagem:  Depois dos nove dias de oração, no dia 21 de setembro decidiram voltar à praia do Picanço. Nesta ocasião utilizaram um barco maior, levando também duas montarias para o desembarque na praia. O grupo aumentou e estava formado em não menos de vinte pessoas. Não levaram enxadas, más só pás. Carregaram uma cruz processional de madeira, a imagem de Nossa Senhora de Fátima de aproximadamente 40 centímetros e uma pequena banca para fazer de altar onde colocar a imagem de Fátima. Nos sonhos Priscila tinha recebido o pedido de levar água benta, pétalas de flores e um terço de mil ave marias. Na chegada a embarcação não pode se aproximar da praia devido ao pouco calado e o desembarque teve de ser feito nas manterias em duas viagens. Quando chegaram ao local onde anteriormente estiveram, segundo o depoimento do Sr. Nelson, sentiram a presença do mal, de forma que o primeiro que fizeram foi montar o altar e depositar sobre ele a imagem de Nossa Senhora de Fátima e começaram a rezar. Depois de algum tempo orando, a jovem Priscila informou ao grupo que tinha recebido de Nossa Senhora a mensagem para, atravessando o mangal, ir a uma outra ilha vizinha onde encontraram um poço de contornos não muito bem definidos. Priscila, segundo orientação da Virgem, pediu para ir sozinha até o poço orientando-os que quando ela gritasse eles deveriam correr até o poço. E assim fizeram. Priscila relatou que se aproximou do povo e viu dentro dele o resplendor; o poço estava com água e a imagem não aparecia. Ela, teria sido orientada para lançar sobre a água o terço das mil ave marias em forma de laço e na primeira tentativa conseguiu laçar a imagem e arrasta-la para o seu lado. A segurou pela cabeça, mas não conseguia retirá-la do poço. Foi nessa hora que ela gritou e os outros membros do grupo se aproximaram e, entre Priscila, Aluízio e uma outra senhora da comunidade conseguiram retirar a imagem do poço. Os três coincidem em informar que tiveram que fazer grandes esforços para retirar a imagem do poço, pois, segundo eles, parecia que uma grande força a retinha dentro do poço. Uma vez resgatada a imagem, Priscila a abraçou por alguns instantes de forma emocionada. A Imagem é de Nossa Senhora de Nazaré. Trata-se de uma imagem de aproximadamente 25 centímetros de alta, bastante bem conservada nas suas cores, no modelo em que a imagem e o manto formam uma só peça. O grupo não quis lavar a imagem e continua com as manchas de barro. Logo após o resgate, o grupo saiu rapidamente do local, pois Priscila tinha recebido a orientação de que tinham vinte minutos para abandonar o local. Desta maneira chegaram ao local do desembarque na espera a maré para poder embarcar. Também aqui não poderiam ficar muito tempo teriam até as 22 horas para sair. A maré chegou bastante tarde e o primeiro grupo com Priscila levando a imagem só pode embarcar às 22 horas. No local permaneceu um outro grupo que só consegui embarcar aproximadamente à meia noite. Nessa mesma hora ligaram o motor e abandonaram o local dirigindo-se à praia do Canela, onde dormiram e desde onde, pela parte da manhã, retornaram para a Vila do Castelo. Desde a chegada da imagem, o povo da comunidade do Castelo tem intensificado as suas orações a Nossa Senhora a Virgem Maria, de forma que é visível a transformação do povo e o aumento da devoção. Chama a atenção que, segundo Priscila, a mensagem central da senhora dos sonhos foi pedir orações. A “senhora” pediu que Priscila rezasse muito, mas só pediu a ela: não pediu que o povo rezasse. Parecer: Nos relatos não descobrimos inconsistências; eles têm uma certa lógica. Entretanto, fica difícil afirmar ou negar, neste caso, a existência de revelação por parte de Nossa Senhora. Não há duvida que as pessoas que participaram do resgate da imagem acreditam firmemente na intervenção da Virgem, mas trata-se de revelações particulares através de sonhos. Estas revelações se confirmam pelo resgate da imagem. Por outro lado, pensamos que não existiu a possibilidade de fraude, até porque as duas pessoas receptoras dos sonhos não sabiam dos sonhos do outro e o local do resgate é distante e deserto. Assim pois, se a manifestação de Nossa Senhora existiu, trata-se de revelações particulares. Estas revelações são difíceis de comprovar, mas podem existir. Hoje é comum entre nós acreditar nas revelações particulares de Nossa Senhora em Lourdes ou Fátima. De todas as formas é preciso entender que os cristãos estamos obrigados a acreditar na revelação pública de Jesus, tal como está nos evangelhos e na Sagradas Escritura. Mas não temos obrigação de crer em revelações particulares. Cabe a cada qual acreditar ou não. Neste caso eu não tenho opinião formada. Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces, OAR Bispo diocesano de Bragança do Pará Por Diocese de Bragança

Santa Missa abre o Mês Missionário Extraordinário da Região Episcopal Padre Marino Contti

O Papa Francisco decretou o mês de outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário e a Região Episcopal Pe. Marino Contti da Diocese de Bragança do Pará, realizou a Santa Missa de abertura no dia 01 de outubro na cidade de Mãe do Rio. A Região Episcopal Padre Marino Contti envolve as cidades de Mãe do Rio, Aurora do Pará, São Miguel do Guamá e Irituia. Ambas estavam muito bem representadas com as caravanas de fieis que foram participar desse evento muito importante para a Diocese e em especial para esta Região Episcopal. Mais de 800 pessoas estiveram presentes na santa missa que iniciou as 19h30 na Igreja Matriz da Paróquia de São Francisco de Assis em Mãe do Rio e foi presidida pelo Pe. Aldo Fernandes (pároco na Paróquia Nossa Senhora da Piedade em Irituia) e concelebrada pelos padres Francisco Ribeiro (pároco na Paróquia São Francisco de Assis em Mãe do Rio), Pe. Jerônimo de Jesus (vigário na Paróquia São Francisco de Assis em Mãe do Rio), Pe. Juarez Matos (pároco na Paróquia São Raimundo Nonato em Aurora do Pará), Pe. José Andracy (pároco na Paróquia São Miguel Arcanjo em São Miguel do Guamá), Pe. Gilsomar de Jesus (pároco na Paróquia Cristo Crucificado em São Miguel do Guamá), Pe. Manoel Lopes (vigário na Paróquia Nossa Senhora da Piedade em Irituia) e mais dois diáconos. Durante a homilia, Pe. Aldo Fernandes falou da importância do mês Missionário Extraordinário que traz como tema: Batizados e enviados. Falou das dimensões e motivou a todos a estarem presentes nas atividades propostas pelas Paróquias. Na procissão das ofertas, líderes de pastorais, movimentos e serviços levaram presentes para serem ofertados diante do altar do Senhor. Após a comunhão eucarística, houve uma belíssima apresentação feita por crianças que distribuíram rosas lembrando a festa de Santa Terezinha do Menino Jesus que é vivenciada no dia 01 de outubro. No final da santa missa, Pe. Francisco Ribeiro fez acolhida de todos que vieram viver este momento importante da Região Episcopal, fez o agradecimento a Deus e aos padres presentes e ainda convidou a todos para a Festividade de São Francisco de Assis que a paróquia de Mãe do Rio celebra de 25/09 a 04/10. Ficou ainda acertado a Santa Missa de encerramento do mês missionário para o dia 31 de outubro na Paróquia de São Miguel Arcanjo, no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em São Miguel do Guamá. Texto e fotos: Laury de Jesus.

26º Domingo do Tempo Comum

Viver é transpor abismos Frei Gustavo Medella Depois da morte, o abismo intransponível. No ponto de encontro comum e inevitável para o qual convergem ricos, pobres, poderosos, oprimidos e opressores – a morte -, o desencontro eternizado: solidão, distanciamento, vazio… Lázaro, no desapego de quem se descobre sem seguranças ilusórias a que se apegar, divide o nada que tem com os cães que lhe lambem as feridas e, certamente, beneficiam-se juntos ao miserável das pouquíssimas migalhas que caem da mesa farta do rico. Pobre rico! A ilusão do conforto e da fartura lhe impedem de perceber que a vida é mais e que as iguarias que consome, por mais finas e caras que sejam, terão como destino a mesma vala comum onde o pobre deposita seus despojos. Pessoalmente, sinto-me muito incomodado ao ouvir este Evangelho. Nada me falta e, no entanto, a tantos, falta tudo. A construção de pontes no aqui e agora da vida é urgência, é prioridade, é missão! Desviar-se deste propósito é verdadeira traição ao Evangelho. Por isso, cada vez que sou vaidoso, egoísta, acomodado e indiferente diante da dor e do sofrimento palpável do outro, estou traindo a Jesus Cristo. Estou pavimentando a triste estrada que inevitavelmente me levará ao isolamento. Neste 26º Domingo do Tempo Comum, escrevo para mim mesmo. Sem falso pudor ou excesso de autocobrança, penso o quanto preciso trabalhar para transpor os tantos abismos que só poderei atravessar às custas de muita solidariedade, empatia e conversão. Que o Senhor me ajude e que eu me deixe ajudar.   26º Domingo do Tempo Comum Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, que mostrais vosso poder, sobretudo, no perdão e na misericórdia, derramai sempre em nós a vossa graça, para que, caminhando ao encontro das vossas promessas, alcancemos os bens que nos reservais”. Primeira leitura: Am 6,1a.4-7 Agora o bando dos gozadores será desfeito. Domingo passado ouvimos as críticas de Amós contra os que enriqueciam às custas dos “pobres da terra”, os camponeses. Hoje as críticas se dirigem à classe dirigente de Israel, na capital Samaria, que vive com o fruto da exploração dos pobres. No texto de hoje, Amós crítica os que vivem folgados em Samaria. Eram uma elite alienada, uma “sociedade consumista” que esbanjava as riquezas injustamente acumuladas, em banquetes de carnes finas, regadas com os melhores vinhos, sem importar-se com os pobres, lançados na miséria. Mais ainda. Deitados em camas de marfim e ungindo-se com preciosos perfumes importados, estavam cegos diante da situação ameaçadora da política internacional. O império assírio já estendia seu domínio sobre o ocidente e eles não se preocupavam ruína próxima do reino de Israel. Esse bando de gente de boa-vida, diz Amós, perderá toda a sua riqueza e será levado para o exílio. Foi o que aconteceu anos depois quando Samaria foi destruída (722 a.C.), com o fim ao reino de Israel. – As palavras de Amós são uma advertência para nossa sociedade capitalista que visa apenas o lucro e o consumo. Hoje, como nos alerta o Papa Francisco na Laudato Sí, o capitalismo consumista é uma ameaça para todos, ricos e pobres. Com a exploração exacerbada dos recursos limitados da Mãe Terra, coloca-se em risco nossa “Casa Comum”, casa de todos os seres vivos por ela alimentados. É urgente uma conversão e mudança de hábitos para um uso responsável e solidário dos bens que a Mãe Terra generosamente nos dá (Evangelho). Salmo responsorial: Sl 145 Bendize, minha alma, e louva ao Senhor! Segunda leitura: 1Tm 6,11-16 O texto da segunda leitura contém uma exortação a Timóteo e conclui com um hino de adoração a Deus. Pode ser considerado como o testamento de Paulo ao bispo Timóteo. O verdadeiro apóstolo, antes de tudo, deve ser um “homem de Deus”, que procura viver o que prega: “a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza e a mansidão”. Como um atleta de Cristo, deve “combater o bom combate da fé”, na esperança de conquistar a vida terna. A profissão de fé que Timóteo deu, acolhendo o chamado de Cristo, deve ser vivida na presença de Deus e de Cristo Jesus, o qual deu seu testemunho de amor, sofrendo a morte na cruz. O mandamento que Paulo exorta a guardar é a “regra de vida que vem da fé e do evangelho”, pregado por Timóteo. Aclamação ao Evangelho: 2Cor 8,9            Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor;             para que sua pobreza nos, assim, enriquecesse. Evangelho: Lc 16,19-31 Tu recebeste teus bens durante a vida, e Lázaro os males; agora ele encontra aqui consolo, e tu és atormentado. Domingo passado, na parábola do administrador infiel, Jesus ensinava aos “filhos da luz” (os cristãos) o correto uso dos bens deste mundo: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. E servir a Deus inclui a justa partilha dos bens com o próximo mais necessitado. Após esse ensinamento, Lucas inclui um comentário: “Os fariseus, que gostavam de dinheiro, ouviram tudo isso e zombavam dele” (Lc 16,14). Na “parábola do rico avarento e do pobre Lázaro”, que hoje ouvimos, os fariseus também estão presentes. – Na parábola o rico não tem nome, enquanto o pobre se chama Lázaro, que significa Deus ajuda. De fato, na situação em que ele estava somente Deus poderia ajudá-lo. A parábola descreve a desigualdade gritante entre a vida de um rico e a de um pobre neste mundo. Enquanto o rico vive em meio ao luxo e faz banquetes todos os dias, o pobre jaz diante de sua mansão em meio aos cães, desejoso como eles que lhe lancem algumas sobras. No entanto, recebe apenas a solidariedade dos cães, que lambem suas feridas. Quando o pobre morre, é levado pelos anjos para junto de Abraão onde é acolhido para um banquete da vida eterna. Quando rico morre, é sepultado e vai parar na morada dos mortos, ou “inferno”. Em meio aos tormentos, o rico vê ao longe Abraão e Lázaro a seu lado. Aos gritos suplica que Abraão envie até ele Lázaro, para lhe molhar com a ponta dos dedos a língua e aliviar o calor das chamas. Abraão lembra-lhe, então, que enquanto ele vivia na abundância, Lázaro morria de fome. Agora a situação se inverteu. Se antes o abismo entre o rico e o pobre era superável por gestos de solidariedade, agora, tornou-se intransponível. Com a morte, o tempo de o rico ser solidário com o pobre esgotou-se de modo irreversível. O rico então suplica para que ao menos envie Lázaro até a terra para prevenir seus cinco irmãos (cinco livros da Lei Moisés!), pois se converteriam e seriam libertados dos tormentos. E Abraão responde: Quem não escuta Moisés (a Lei) e os profetas não acreditará nem mesmo se um morto ressuscitasse. Esse morto que ressuscitou é Jesus. Mas os fariseus, que “gostavam do dinheiro” e zombavam da palavra de Jesus quando dizia “não podeis servir a Deus e ao dinheiro”, também não acreditaram que Jesus ressuscitou. Se ao menos escutassem os ensinamentos de Moisés e dos profetas, poderiam também participar do banquete da vida eterna, junto com Abraão (Lc 18,18-21). A parábola é um espelho da sociedade injusta do tempo de Jesus na Galileia e no Império Romano, quando Lucas escrevia seu evangelho (80 d.C.). É também um espelho da sociedade capitalista de consumo em que hoje vivemos. Um consumo que aumenta o abismo entre ricos e pobres já ultrapassa a própria capacidade de a Mãe Terra sustentá-lo. – Como usamos os bens deste mundo? Somos solidários com os pobres e sofredores? Imitemos as ações do Deus de Jesus Cristo, que louvamos no salmo responsorial (Sl 145), onde se destacam oito ações divinas, todas em favor dos pobres e injustiçados.   Um pobre com nome Frei Clarêncio Neotti Só Lucas traz a parábola do Rico e do Pobre. Como Lucas é o Evangelista da misericórdia, é justo ler a parábola também como um incentivo à misericórdia; e mais justo ainda lembrar que a misericórdia e a justiça são irmãs e costumam andarjuntas. A parábola do Rico e do Pobre não é original de Jesus. Ela vem contada em outros contextos por autores profanos anteriores, evidentemente com outros termos, mas insinuando a mesma lição. Sempre preocupou a existência de pobrese ricos aqui na terra, de felizes e infelizes. Por que uns têm e outros não? Em todas as culturas, procurou-se uma explicação. E, muitas vezes, foi lembrado o necessário relacionamento entre a vida presente e uma vida futura. Na parábola, Jesus não deixa dúvida de que nosso comportamento nesta vida terrena repercute sobre a vida eterna. Original de Jesus é a parte que fala dos irmãos do Rico, isto é, aquelas pessoas que vivem neste mundo à semelhança do rico da parábola. Original também é o nome dado ao pobre. É a única parábola do Evangelho, cujo protagonistaprincipal tem um nome próprio: Lázaro. E é simbólico, porque ‘Lázaro’ significa ‘Deus ajuda’. Geralmente o pobre é um anônimo, ou pouco nos interessa como se chama. Jesus lhe dá um nome, valoriza-o. O rico é quem fica sem nome. Como os ricos são conhecidos pelo nome, os leitores da parábola lhe deram um: chamaram-no Epulão, que significa ‘comilão’.   Que abismo separava aqueles dois homens? O rico banqueteador e o pobre Lázaro Frei Almir Guimarães Mais uma das historietas de Jesus. Mais uma de suas parábolas. Um rico que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. O pobre Lázaro estava à porta de sua casa e os cachorros lambiam-lhe as feridas. Duas vidas em total contraste. Lázaro, segundo alguns, teria com etimologia: “Meu Deus é ajuda”. O homem que fazia festas todos os dias, o pobre que precisava do necessário para sobreviver. Terminados os dias de suas vidas, tiveram destinos opostos. O pobre estava no seio de Abraão. Vivia uma felicidade sem limites e o epulão sentiu o gosto amargo de ter fracassado. Um abismo separava estas duas trajetórias. A separação entre os que dispõem de tudo e os que nada possuem é abismo intransponível. Tal abismo se cavou por falta de fraternismo. Estamos, pois, diante de duas vidas muito diferentes. Um que tudo tem e não sabe o que fazer com o que tem e o outro que morre de inanição cheio de chagas purulentas. Com toda certeza estamos diante de uma situação de indiferença. Diz José Antonio Pagola: “O rico não é julgado por ser explorador. Não se diz que é um ímpio afastado da Aliança. Simplesmente desfrutou sua riqueza ignorando o pobre. O pobre estava ali perto, mas ele não o viu. Estava junto ao portal de suas mansão, mas não se aproximou dele. Excluiu-o de sua vida. O pecado do rico é a indiferença” (Pagola, Lucas, p. 273). A indiferença acontece quando o outro está fora da organização de minha vida. A parábola está a nos dizer que precisamos ser mais humanos. Por aí começa tudo. Falar muito das coisas de Deus sem preocupação pelo humano não vale muito. Observadores andando afirmando que cresce em nossa sociedade a apatia e a falta de sensibilidade para com o sofrimento alheio. Evitamos o contato direto com as pessoas que sofrem. Aos poucos vamos nos tornando incapazes de perceber sua aflição. O encontro com um criança mendiga ou com um doente terminal nos perturba. Não sabemos o que dizer. Não deixamos nos afetar. Somos indiferentes porque pensamos demais em nossas coisas. O rico da parábola não tinha sensibilidade. As pessoas sensíveis percebem o anseio do outro através do olhar, do gaguejar da fala, do tremer do rosto. Usam os sentidos. Observam com atenção, escutam, têm um “faro” para aquilo que o outro está vivendo. O sensível sabe demonstrar afeto sem ser inoportuno. Isto faltou ao rico banqueteador. Sensibilidade e atenção caminham juntas. Atenção significa fazer inteiramente presente ao outro. Tem a ver com empatia e compaixão. Tentar experimentar o que o outro experimenta. Trata-se de aproximar-se do que é frágil. Francisco de Assis é conhecido como o homem da pobreza. Ficava extasiado diante da humildade do Altíssimo que se fez dependência e viveu uma existência marcada pela pobreza. Por amor de Cristo, Francisco e seus companheiros optaram pelo caminho da pobreza e assim passaram a ver nos mais pobres imagens de Cristo. Estes deveriam, assim, ser tratados com toda deferência. “Contemplando o comportamento exemplar do Cristo encarnado é que Francisco haure seu amor preferencial pelos doentes e pobres. Compreendeu que Jesus, em cada um de nós, quer ainda se fazer o próximo mais próximo de todo homem sobretudo do marginalizado e excluído. Quaisquer que sejam nossos empreendimentos, jamais podem abafar ou substituir nossa proximidade com as pessoas, com o povo, e absorver os irmãos apenas em sua operacionalidade. Empreendimentos não substituem o ser fraterno e a fraternidade, antes existem para visibilizá-los. Por isso, o primeiro grande esforço de nossa parte consiste não tanto em construir e criar instrumentos sofisticados de ajuda aos seres humanos, mas, por nossa presença de irmãos e irmãs, tentar gerar, entre todos, uma atmosfera de confiança em Deus e de fraternidade, solidariedade e partilha entre as pessoas. É o dom de nós próprios por muito e mais não termos (cf. Documento da Família Franciscana, Reviver o sonho de Francisco e Clara de Assis). Oração Senhor, tu és nossa luz.Senhor, tu és a verdade.Senhor, tu es nossa paz.Querendo acompanhar-noste fizeste peregrino;compartilhas nossa vida,nos mostras o caminho.Não basta rezar a ti,dizendo que te amamos;devemos imitar-te,amar-te nos irmãos.Tu pedes que tenhamoshumilde confiança;teu amor saberá encher-nosde vida e esperança.   Não ignorar aquele que sofre José Antonio Pagola O contraste entre os dois protagonistas da parábola é trágico. O rico se veste de púrpura e linho. Toda a sua vida é luxo e ostentação. Só pensa em “dar todos os dias esplêndidos banquetes”. Este rico não tem nome, pois não tem identidade. Não é ninguém. Sua vida vazia de compaixão é um fracasso. Não se pode viver só para banquetear-se. Deitado junto ao portão de sua mansão jaz um mendigo faminto, coberto de feridas. Ninguém o ajuda. Só alguns cães se aproximam dele para lamber-lhe as feridas. Não possui nada, mas tem um nome portador de esperança: Lázaro, “Meu Deus é ajuda”. Sua sorte muda radicalmente no momento da morte. O rico é enterrado, certamente com toda solenidade, mas é levado ao Hades ou “reino dos mortos”. Também Lázaro morre. Nada se diz de rito funerário algum, mas “os anjos o levam para o seio de Abraão”. Com imagens populares de seu tempo, Jesus lembra que Deus tem a última palavra sobre ricos e pobres. O rico não é julgado como explorador. Não se diz que ele é um ímpio afastado da Aliança. Simplesmente desfrutou sua riqueza ignorando o pobre. O pobre estava ali tão perto, mas ele não o viu. Estava junto ao portal de sua mansão, mas o rico não se aproximou dele. Excluiu-o de sua vida. O pecado do rico é a indiferença. De acordo com os observadores, está crescendo em nossa sociedade a apatia ou falta de sensibilidade diante do sofrimento alheio. Evitamos de mil maneiras o contato direto com os que sofrem. Pouco a pouco nos vamos tornando cada vez mais incapazes de perceber sua aflição. A presença de uma criança mendiga em nosso caminho nos molesta. O encontro com um doente terminal nos perturba. Não sabemos o que fazer nem o que dizer. É melhor manter distância. Voltar o quanto antes às nossas ocupações. Não deixar-nos afetar. Se o sofrimento acontece longe é mais fácil. Aprendemos a reduzir a fome, a miséria ou a doença a dados, números e estatísticas que nos informam da realidade quase sem tocar nosso coração. Também sabemos contemplar tragédias horríveis na televisão, mas o sofrimento sempre é mais irreal e menos terrível através da tela. Quem segue Jesus vai se tornando mais sensível ao sofrimento daqueles que Ele encontra em seu caminho. Aproxima-se do necessitado e, se estiver em seu poder, procura aliviar sua situação.   A riqueza que endurece Pe. Johan Konings Como no domingo anterior, ouvimos as censuras de Amós contra os ricos da Samaria, endurecidos no seu luxo (1ª leitura). Não se preocupam com o estado lamentável em que se encontra o povo. Jesus, no evangelho, descreve esse tipo de comportamento na inesquecível pintura do ricaço e seus irmãos, que vivem banqueteando-se e desprezando o pobre Lázaro, mendigo sentado à porta. Quando morre e vai ao inferno, o rico vê, de longe, Lázaro no céu, com o pai Abraão e todos os justos. Pede para que Lázaro venha com uma gota d’água aliviar sua sede. Mas é impossível. O rico não pode fazer mais nada, nem sequer consegue que Deus mande Lázaro avisar seus irmãos a respeito de seu erro. Pois, diz Deus, nem mandando alguém dentre os mortos eles não acreditam. Imagine, se mesmo a mensagem de Jesus ressuscitado não encontra ouvido! Mas nós continuamos como o rico e seus irmãos. Os pobres morrem às nossas portas, onde despejamos montes de comida inutilizada… (Alguma prefeitura talvez organize a distribuição das sobras dos restaurantes para os pobres.) Devemos criar uma nova estrutura da sociedade, de modo que não haja mais necessidade de mendigar, nem supérfluos a despejar. Isso aliviará, ao mesmo tempo, o problema social e o problema ecológico, pois o meio ambiente não precisará mais acolher os nossos supérfluos. Mas, ao contrário, cada dia produzimos mais lixo e mais mendigos. O exemplo do rico confirma a mensagem de domingo passado: não é possível servir a Deus e ao dinheiro. Quem opta pelo dinheiro, afasta-se de Deus, de seu plano e de seus filhos. Talvez decisivamente. Em teoria, aceitamos esta lição. Mas ficamos por demais no nível pessoal e interior. Procuramos ter a alma limpa do apego ao dinheiro e, se nem sempre o conseguimos, consideramos isso uma fraqueza que Deus há de perdoar. Mas não fazemos a opção por Deus e pelos pobres em nível estrutural, ou seja, na organização de nossa sociedade, de nosso sistema comercial etc. Temos até raiva de quem quer mudar a ordem de nossa sociedade. Prendemo-nos ao sistema que produz os milhões de lázaros às nossas portas. Pior para nós, que não teremos realizado a justiça, enquanto eles estarão na paz de Deus. A “lição do pobre Lázaro” só produzirá seu efeito em nós, “cristãos de bem”, se metermos a mão na massa para mudar as estruturas econômicas, políticas e sociais de nossa sociedade. Todas as meditações foram retiradas do sire franciscanos.org.br

Encontro de secretárias e secretários das Regiões Episcopais III e IV

Na última segunda e terça-feira, respectivamente 23 e 24 de setembro, foi realizado na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Paragominas, um encontro de formação para as secretárias e secretários das paróquias que compõem as regiões episcopais III e IV, respectivamente Pe. Marino Contti e Dom Eliseu Coroli. O encontro foi iniciado com o almoço no dia 23 e finalizado com o almoço do dia 24. Apesar de uma duração relativamente curta, a programação do evento foi bem intensa... No primeiro dia foram abordados os seguintes temas: O papel da secretária (o), tema abordado por Dom Jesus e Joenia Nunes; Comissão Interna de Prevenção de Acidentes - CIPA, que foi tratado pelo Sr. Cesar. No segundo dia os temas foram: Termo de voluntariado, com a Sra. Joenia Nunes; organização no ambiente de trabalho, apresentado pela Ir. Rosalva; Contabilidade, tratando principalmente do Sistema Eclesial e outras dúvidas contábeis, assunto tratado pelas Sras. Luciana Teixeira e Maricely Sarges; e por ultimo, não menos importante, o Sr. Delano tratou das questões relativas ao departamento de pessoal, ao recrutamento e seleção, tipos de contratos, RPA, etc.  Este já é o segundo encontro desse tipo realizado em 2019. Isso se faz necessário para manter a unidade na diocese e devido as constantes mudanças nas leis, sistemas e de pessoal nas secretarias das paróquias. É importante ressaltar que, além dos secretários e secretárias paroquiais, também estiveram presentes vários párocos; o que é extremamente importante para que a organização aconteça da melhor forma, com pároco e secretária falando a mesma linguagem dentro das paróquias. O próximo encontro acontecerá em novembro, em Bragança, para os secretários e secretárias das paróquias pertencentes as regiões Nossa Senhora do Rosário, região I, e São Francisco de Assis, região II. Por Diocese de Bragança

PJ da Diocese de Bragança realizou em Ipixuna o II Encontro Bi-regional da PJ.

A PJ da Diocese de Bragança realizou nos dias 13, 14 e 15 de setembro de 2019, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Ipixuna do Pará, o II Encontro Bi-regional da PJ. Este foi destinado para os Regionais Pe. Marino Contt e Dom Eliseu Coroli. O tema do encontro foi:"Identidade Musical da PJ: resgatar, semear e cultivar". Se Jorge Trevisol estivesse em Ipixuna ele teria a certeza de que o sol não deixou de brilhar, pois lá sem dúvidas ele brilhou com mais intensidade. Brilhou tanto que fez a juventude transpirar além de suor, muita alegria e esperança. O encontro foi tão quente que fez nossos corações derreterem como geleiras e transbordar de uma felicidade inexplicável, que tentando resumir, talvez tenha se dado devido nos darmos conta que a missão confiada por Deus, esteja aos poucos sendo trilhada. O tema abordado durante esse final de semana foi relacionado à musicalidade da pastoral da juventude, trazendo canções que mesclam letras e melodias de forma harmônica e espirituosa, para assim embalar os encontros dos grupos de jovens nas bases. Não poderia descrever o encanto que foi ouvir da voz de cada jovem presente no encontro, letras de canções de autoria própria, saírem de seus lábios como um canto de alegria e correrem de forma mágica, direto para nosso coração. Foram incríveis, surpreendentes, e com certeza, foram jovens que acreditam em um mundo melhor e estão dispostos a fazer acontecer. Somos assim, fortes, vibrantes, sonhadores, e muito mais, porém por outro lado, ao mesmo tempo podemos ser, desanimados, desmotivados e tristes, essa é a dicotomia enfrentada pela juventude contemporânea. Por isso, digo a cada um e cada uma, sejamos esses jovens, não julguemos uns aos outros, não carreguemos culpas que não são nossas e sejamos imperfeitos, pois com o amor de Deus, somos capazes de construir um lugar onde reine o amor e a igualdade. Só peço que sejam capazes de dar a volta por cima e seguir em frente, pois ter crises é normal, nos faz amadurecer. Nossa gratidão a cada um e cada uma que esteve no encontro. Guarde no coração de vocês o melhor do encontro e faça isso se transformar em ação dentro da realidade que vivenciam. Levem a boa nova para os grupos de base, tem muito jovem que precisa de gente como a gente. Abraços Fraternos! Axé! Por Kaline Paiva.

25º Domingo do Tempo Comum

Quando os bens se tornam maus Frei Gustavo Medella Algumas semanas atrás causou escândalo a gravação de um áudio de um procurador do Ministério Público de Minas Gerais no qual ele se queixa de “quase estar virando um pedinte”, por conta do “miserê” que recebe mensalmente, um salário de R$ 24 mil. Não duvido da sinceridade dele. O coração humano, de fato, quando se apega ao dinheiro e às facilidades que ele oferece, dificilmente consegue enxergar outras possibilidades de caminho. Ter menos ou não tê-lo passa a ser a maior desgraça a que alguém poderia estar submetido. Torna-se um coração triste, vazio, angustiado, incapaz de perceber outras riquezas que vão além do acúmulo, do prazer, do bem-estar e do consumo. O coração ávido por riqueza sangra e dói muito, buscando anestesiar-se na falsa segurança de quem julga estar garantido por ter demais. No entanto, ao modo de uma droga anestésica, o efeito da riqueza passa rápido e, para mascarar a dor de uma alma ferida, precisa-se de cada vez mais desta substância entorpecente até o dia em que seu efeito se esgota definitivamente. A sabedoria de Jesus, no Evangelho deste 25º Domingo do Tempo Comum (Lc 16,1-13), convida a humanidade a olhar além e perceber que, quando os bens não estão a serviço do atendimento das necessidades de todos, eles se tornam maus. Deus não chama seus filhos e filhas à vida para serem acumuladores, muito menos para viverem na carência, na indigência e na indignidade. Chama a todos para serem irmãos e irmãs, vivendo e convivendo com harmonia, sem desrespeito e desumanidade. Perceber esta verdade poupa a pessoa de muito sofrimento e frustração e também a previne de provocar, com sua ganância desenfreada, a dor, a frustração e a injustiça que decorrem de uma acumulação exagerada de bens. Buscar o equilíbrio e a harmonia neste quesito talvez seja o maior desafio à humanidade desde sempre.   25º Domingo do Tempo comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Pai, que reunistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna”. Primeira leitura: Am 8,4-7 Contra aqueles que dominam os pobres com dinheiro. Na primeira leitura ouvimos a pesada denúncia do profeta Amós contra os comerciantes que acumulam riquezas à custa dos humildes e pobres camponeses – “os pobres da terra” (v. 4.6). A economia era baseada na agricultura, mas dominado por um sistema econômico injusto, que tornava os ricos sempre mais ricos e os pobres, mais pobres. O tributo cobrado dos camponeses sustentava o rei e sua corte, a administração e o exército. E o rei exigia sempre o melhor da produção agrícola e as sobras ficavam com o camponês. As duas primeiras visões ligadas à vocação do profeta (Am 7,1-8) lembram a vida insegura dos camponeses explorados. Na primeira visão, o profeta vê que o feno que brotava após a colheita destinada aos cavalos do exército real estava sendo devorado por um bando de gafanhotos. Na segunda visão vê uma terrível seca que devorava as plantações e secava as fontes, e suplica: “Senhor Deus, perdoa, eu te peço! Como poderá Jacó resistir? Ele é tão pequeno”! Amós coloca-se ao lado dos “pequenos” e pobres camponeses, duplamente explorados. Os comerciantes não respeitam a festa mensal da lua nova, nem o sábado dedicado ao descanso e ao culto ao Senhor. Nesses dias tramam como enganar o camponês quando compram seus produtos e o pobre, quando lhe vendem. Tratam o camponês como “commodity”, o pobre como mercadoria. Quando compram do camponês diminuem o peso, quando vendem, diminuem a medida. Substituem o culto a Deus pelo culto às riquezas injustamente acumuladas. Por isso, diz o profeta: “O Senhor jurou: ‘nunca mais esquecerei o que eles fizeram”. Javé é o mesmo Deus que libertou Israel da escravidão do Egito e não tolera a opressão dos pobres. O verdadeiro culto ao Senhor não combina com a exploração dos pobres. Salmo responsorial: Sl 112 Louvai o Senhor que eleva os pobres. Segunda leitura: 1Tm 2,1-8 Recomendo que se façam orações por todos os homens, Deus quer que todos sejam salvos. No trecho da Carta a Timóteo Paulo recomenda que se façam orações não só pelos irmãos de fé, mas por todas as pessoas, especialmente pelas autoridades (cf. Rm 13,1-7; Tt 3,1). Paulo era cidadão romano e apelou a César quando foi preso em Jerusalém e ameaçado de morte pelos adversários judeus. Paulo tem consciência da importância de orar pelos governantes e justifica com três argumentos: a) “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, como toda a piedade e dignidade”; b) porque Deus quer salvar a todos; c) porque “há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. E por fim dá uma boa recomendação para nossos dias: erguer as mãos santas em oração quando rezamos pelos governantes, em vez de discutir raivosamente os conflitos políticos de nossos dias. Portanto, rezemos também pelos nossos governantes, “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade”. Aclamação ao Evangelho             Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor;                 Para que sua pobreza nos, assim enriquecesse. Evangelho: Lc 16,1-13 Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Domingo passado (24º domingo) ouvimos as chamadas “parábolas da misericórdia”: da ovelha perdida, da moeda de prata perdida e do “filho pródigo”, chamada também parábola do Pai misericordioso. No Evangelho de hoje, dirigindo-se aos discípulos, Jesus conta a parábola do administrador infiel e dá uma aplicação prática sobre o bom uso dos bens “deste mundo”. Um homem rico, diz Jesus, tinha um administrador (ecônomo) que foi acusado de esbanjar bem de seu patrão. Ouvindo isso, o homem rico chamou o administrador para que lhe prestasse contas da má administração. Sabendo que seria demitido, o administrador prepara seu futuro, trapaceando mais uma vez. Abateu a dívida de um devedor em cinquenta por cento e de outro, em vinte por cento. O patrão, quando soube disso, “elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza”. Esta última frase pode deixar o ouvinte confuso: Estaria Jesus elogiando a safadeza nos negócios? Ou justificando o provérbio “quem rouba ladrão tem cem anos de perdão”? Em primeiro lugar, quem elogia não é Jesus, e sim, o patrão. Em questão não está a safadeza, e sim, a esperteza, ou prudência, no uso dos bens. Imprudente e louco foi aquele homem que fez uma enorme colheita, acumulou tudo em grandes armazéns, pensando que gozaria deles pelo resto da vida; mas naquela mesma noite morreu (cf. Lc 12,13-21: 18º Domingo). Em segundo lugar, o próprio Jesus dá a explicação do caso contado: “Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. Na lógica dos “filhos deste mundo” está o lucro, o acúmulo de bens injustos à custa dos pobres (1ª leitura); o negócio dos filhos deste mundo é o dinheiro. Na lógica dos “filhos da luz”, dos discípulos que abraçam reino de Deus, está no uso justo das riquezas, na partilha dos bens com os pobres. Enquanto os filhos deste mundo projetam sua felicidade no acúmulo dos bens, aos “filhos da luz” (discípulos) Jesus aponta o caminho do bom uso do dinheiro: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos”. Espanta-nos que Jesus aconselhe a fazer amigos com o “dinheiro injusto”. Dinheiro injusto é o dinheiro das grandes fortunas, muitas vezes acumuladas com desonestidade; é o dinheiro que escraviza e divide a sociedade (cf. Zaqueu: Lc 19,1-10). O rico que se torna cristão é convidado a fazer amigos, partilhando seus bens com os mais pobres. Entrar no reino de Deus anunciado por Jesus exige uma opção, que leva a um novo patamar de ‘relacionamento com os bens deste mundo e, consequentemente, com as pessoas: “Ninguém pode servir a dois senhores (…). “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. De fato, quando o jovem rico desiste de seguir a Jesus, ele comenta com os discípulos: “Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus” (Lc 18,24). Ser cristão é colocar Deus como centro e meta da própria vida.   Relacionamento com os bens Frei Clarêncio Neotti Nas traduções, essa passagem quase sempre vem intitulada como ‘0 Administrador infiel’, o que ajuda a pensar que Jesus tenha elogiado a infidelidade. Se puséssemos como título ‘0 Administrador esperto’, compreenderíamos melhor emais depressa o ensinamento da parábola. O vocábulo original grego, que é traduzido por ‘astuto’, ‘esperto’, tem uma abrangência maior e significa aquele que tem a lucidez de perceber a gravidade de uma situação, a rapidez em encontrar uma boa solução e a coragem de tomar decisões certas. Ora, eram exatamente essas qualidades que Jesus pedia aos discípulos em todas as situações, mas, no Evangelho de hoje, sobretudo diante do forte apego aos bens materiais e da necessidade de tudo deixar para segui-Lo (Lc 18,28) ao Calvário e à Ressurreição. ‘Materialismo’ é o apego exagerado às coisas materiais, ao dinheiro e ao prazer do luxo. São Paulo definiu a filosofia de vida dos materialistas neste sentido: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos” (1Cor 15,32). Esse materialismo foi condenado muitas vezes no Antigo Testamento. E também por Jesus. São Paulo adverte contra quem torna seu ventre o próprio Deus (Fl 3,19). Mas também não podemos odiar e destruir os bens, porque seria odiar as criaturas de Deus. Quem despreza os bens que Deus criou despreza o próprio Deus. A lição de Jesus está no nosso relacionamento com os bens.   Como anda a administração de nosso viver? Uma breve história de corrupção Aquele que leva Jesus a sério sabe que não pode organizar sua vida a partir do projeto egoísta de possuir sempre mais. Quem vive dominado pelo interesse econômico, embora leve uma vida piedosa e reta, carece de algo essencial para ser cristão: romper a escravidão do possuir que lhe tira a liberdade, para ouvir melhor as necessidades dos pobres e responder a elas.José Antonio Pagola Esta historieta é conhecida como a parábola do administrador infiel. Sua interpretação não é das mais cômodas. Tem-se a impressão, à primeira vista, que Jesus estaria apoiando uma atitude de corrupção. Elogia a esperteza do administrador que, por meios escusos, conseguiu dinheiro para pagar uma dívida. Tudo ilícito. A imaginação criativa do subalterno chama a atenção. Nas coisas da terra costumamos ser espertos. Calculamos os riscos. Tomamos as providências para que haja lucro e o sucesso. “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios dos filhos da luz”. Como administramos os bens que duram para sempre? Que investimentos precisamos fazer? Que “esperteza” hão de ter os filhos da luz? Esperteza, sabedoria, discernimento. Como estamos administrando o tempo de nossa vida? Entre o nascer e o morrer acontece aquilo que chamamos de vida. Corpo, espírito, mente. Viver direito. Ter uma casa, cobertores, pão à mesa, gerânios nas janelas. Um vida digna, sem requintes dispensáveis. Amores e não dissabores. Deixar pai e mãe e empreender a aventura da conjugalidade. Amor conjugal belo e prazenteiro quando bem vivido. Uma família. Filhos, responsabilidade, sustentação, alegria de encontros, festas em casa. Tudo dom. Nada apenas em função de lucros. Uma profissão, um trabalho que fosse, se possível, gratificante. Que realizasse o homem faber que existe em nos e catador de estrelas que se agita em nós. Um vida ativa sem perder o espírito de oração ao qual tudo deve servir. Acolher com coragem o contraditório. Sei lá. Administrar tudo com sabedoria, espertamente, com discernimento. Somos cristãos. Não somos apenas membros de uma religião. Andamos tendo nossos encontros pessoais com Jesus. Parece que a vida que vivemos pode se iluminada com um absorção do espírito de Jesus. Seremos espertos na arte de viver cristãmente: ♦ Não seremos pessoas superficiais, que se contentam com o brilho externo das coisas. Andaremos fazendo sempre uma viagem ao nosso interior para ouvir a verdade nos mesmos. Faremos momentos de silêncio e de balanço de nossa vida para não estragarmos a aventura de viver. ♦ Se queremos iluminar nossa vida Cristo e seu Evangelho precisaremos apreender o sumo da mensagem: temos um Pai no céu que nos ama e amor se paga com amor. A política da esperteza pede que sejamos fieis em momentos de intimidade orante, que defendamos os interesses do Senhor. ♦ Deixar-nos-emos “ensopar” do espírito do Sermão da Montanha: sal da terra, luz do mundo, fermento na massa, construção da casa sobre a rocha, entrar no quarto para um oração sem atabaques e gritos. ♦ Antes da política do olho por olho dente por dente faremos uma “pausa para a reflexão”. A esperteza nos cochicha perdão e paciência. ♦ Haveremos de nos convencer que não somos uma ilha, mas convivemos com muitas pessoas, de perto e de longe. Somos uma teia de relacionamentos. Por isso é sinal de sabedoria olhar, escutar os outros: a mãe idosa com seus temores e carência, um irmão de sangue ou da vida de todos os dias que precisa do calor de nossa presença e de nossa efetiva ajuda, uma movimentação em beneficio dos que são subjugados. A parábola do administrador esperto tem como pano de fundo um grande gosto pelo dinheiro. “As pessoas preferem fazer dinheiro e ter cada vez mais coisas em vez de viver e ser felizes. Não querem ver que, precisamente, viver como escravos de tantas coisas é o que as impede de saborear a vida. Enquanto se afadigam refletindo sobre que último modelo irão adquirir, com que artigo sofisticado irão nos surpreende, nem eles mesmos se dão conta de como vão se incapacitando para desfrutar tudo o que bom e grande e belo uma vida simples e modesta encerra” (Pagola, Lucas, p. 269). A felicidade não está no acúmulo de bens, mas numa atitude interior de admiração pelo que nos cerca e nos foi dado de presente e de podermos escutarmos bem de pertinho as batidas dos corações daqueles que estão fazendo conosco a mesma e fascinante aventura de viver. Anexo A pobreza franciscana A pobreza franciscana não é uma maneira de contestar o sistema da sociedade, nem estratégia apostólica, nem ato de ascese. Ela é, antes de tudo, uma maneira de seguir as pegadas de Cristo, É o caminho do Filho que nos revela a grandeza da altíssima pobreza(…). Francisco nunca mais poderá dissociar o rosto de Cristo do semblante dos pobres” (Michel Hubaut). Oração Meu Pai, entrego-me a ti, faça comigo o que quiseres.O que quer que faça comigo, eu te agradeço.Estou disposto a tudo, aceito tudo para que a tua vontade se faça em mim e em todas as criaturasNão tenho nenhum outro desejo, meu Deus.Coloco a minha alma em tuas mãos. Entrego-te a minha alma, meu Deus, com todo o amor do meu coração porque eu te amo, e por amor, desejo entregar-me a ti, colocar-me em tuas mãos sem limites, com infinita confiança, pois és meu Pai, (Charles de Foucauld)   Deus ou o dinheiro José Antonio Pagola A frase é conhecida. Nenhum exegeta duvida de sua autenticidade. Pelo contrário, é a sentença que melhor reflete a atitude de Jesus diante do dinheiro. Por outro lado, a contundência com que Jesus se expressa exclui toda tentativa de suavizar seu sentido. “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”. Hoje fala-se muito da crise religiosa provocada pelo racionalismo contemporâneo, mas esquece-se esse “afastamento” de Deus que tem sua origem não no agnosticismo, mas no poder sedutor do dinheiro. No entanto, de acordo com Jesus, quem se amarra no dinheiro termina afastando-se de Deus. Sempre se realçou que, curiosamente, o Evangelho não denuncia tanto a origem imoral das riquezas conseguidas de maneira injusta quanto o poder que o dinheiro tem de desumanizar a pessoa, separando-a do Deus vivo. As palavras de Jesus procuram causar impacto no ouvinte opondo frontalmente o senhorio de Deus e o do dinheiro. É impossível ser fiel a Deus e viver escravo do dinheiro. A riqueza tem um poder subjugador irresistível. Quando o indivíduo entra na dinâmica de ganhar sempre mais e de viver sempre melhor, o dinheiro termina substituindo a Deus e exigindo submissão absoluta. Nessa vida já não reina o Deus que pede solidariedade, mas o dinheiro que só busca o próprio interesse. Os exegetas têm analisado com rigor o texto evangélico. O “dinheiro” é designado com o termo mammona, que só aparece quatro vezes nos evangelhos, e sempre na boca de Jesus. É um termo que provém da raiz aramaica aman (confiar, apoiar-se) e significa qualquer riqueza na qual o indivíduo apoia sua existência. O pensamento de Jesus aparece assim com mais clareza: quando uma pessoa faz do dinheiro seu único ponto de apoio e sua única meta, a obediência ao Deus verdadeiro desaparece. A razão é simples. O coração do indivíduo que caiu na armadilha do dinheiro se endurece. Ele tende a buscar apenas seu próprio interesse, não pensa no sofrimento e na necessidade dos outros. Em sua vida não há lugar para a solidariedade. Por isso não há lugar para um Deus Pai de todos. A mensagem evangélica não perdeu sua atualidade. Também hoje é um erro fazer do dinheiro o “absoluto” da existência. Que humanidade pode encontrar-se em quem continua açambarcando sempre mais, esquecendo absolutamente os que passam necessidade?   A riqueza bem utilizada Pe. Johan Konings A presente liturgia, pela segunda semana seguida, está usando os textos de Amós como “aperitivo” para se ouvir, depois, as palavras de Jesus. A 1ª leitura é uma crítica inflamada de Amós contra os que “compram os pobres por dinheiro”. Mas, no evangelho, Jesus conta uma parábola que parece louvar o suborno que um administrador de fazenda comete para “comprar” amigos para o dia em que ele for despachado do seu serviço. Como foi que Jesus escolheu este exemplo para explicar que ninguém pode servir a dois senhores (Deus e o dinheiro)? Entendamos bem. Quando Jesus propõe uma parábola, devemos olhar bem em que consiste a comparação. Jesus não está igualando o suborno do homem ao bom comportamento moral. Não quer justificar a safadeza desse filho das trevas, mas apenas mostrar sua “previdência”: largou o peixe pequeno para apanhar o grosso. Diminuiu o débito dos devedores – perdendo inclusive sua comissão sobre uma parte das dívidas a cobrar – para lograr a amizade dessas pessoas, que ia ser mais útil que a comissão ganha sobre a cobrança da dívida… Então a lição é a seguinte: dar preferência àquilo que agrada a Deus e ao seu projeto, acima do lucro financeiro. E o projeto de Deus é: justiça e amor para com os seus filhos, em primeiro lugar os pobres. A riqueza de nossa sociedade deve ser usada para estarmos bem com os pobres. A riqueza é passagem. Se vivermos em função dela, estaremos algum dia com a calça na mão. Mas se a tivermos investido num projeto de justiça e fraternidade para com os mais pobres, teremos ganho a amizade deles e de Deus, para sempre. Jesus não nos propõe como exemplo a administração fraudulenta do administrador, mas a previdência dele. Observe-se que Jesus declara o dinheiro injusto – todo e qualquer dinheiro. Pois, de fato, o dinheiro é o suor do operário acumulado nas mãos daqueles que se enriquecem com o trabalho dele. Todo o dinheiro tem cheiro de exploração, de capital não investido em bens para os que trabalham. Mas já que a sociedade por enquanto funciona com este recurso injusto, pelo menos usemo-lo para a única coisa que supera a caducidade de todo esse sistema: o amor e fraternidade para com os outros filhos de Deus, especialmente os mais deserdados e explorados. Assim corresponderemos à nossa vocação de filhos de Deus. Não serviremos ao dinheiro, mas usaremos para servir ao único Senhor. Todas as reflexões foram tiradas do site franciscanos.org.br

24º Domingo do Tempo Comum

A ovelha, a moeda e o filho Frei Gustavo Medella A ovelha perdida pelo pastor era uma em cem. Encontrá-la foi motivo de júbilo e festa para o dono do rebanho. A moeda, extraviada da viúva, uma em 10. Achá-la foi ocasião de festa para a proprietária daqueles poucos trocados. O filho, que num gesto de impensada ingratidão, abandona o pai e a família, era um de dois. Seu humilde e arrependido retorno foi causa de alegria indizível no coração do Pai. A ovelha, a moeda e o filho: 01, 10 e 50%. Amar como Deus ama é, portanto, ter a sensibilidade e o entusiasmo de vibrar diante das pequenas e grandes conquistas. É apostar sempre na força da transformação e jamais desistir daquele a quem se ama. É o bom orgulho da mãe que celebra mais um dia de abstinência do filho que caiu na armadilha do vício, é o encantamento do fisioterapeuta que registra um piscar de olhos em seu paciente até então totalmente inerte, é a nota suficiente que o aluno alcança com dificuldade depois de incansável e sistemática ajuda do professor, é o concurso público que o jovem vence depois de inúmeras noites mal dormidas em empenhada preparação. Pequenas e grande conquistas. Caminhar na fé é, portanto, animar-se em Cristo que, para conquistar nosso coração, em 01, 10 ou 50%, entregou-se 100% no sacrifício da cruz. Se fosse um negócio, a escolha de Jesus o levaria à falência. No entanto, como entrega incondicional de amor, Deus não faz conta e celebra com alegria, cada passo, por pequeno que seja, que conseguimos dar em nossa frágil humanidade.   24º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus  Oração: “Ó Deus, criador de todas as coisas, volvei para nós o vosso olhar e, para sentirmos em nós a ação do vosso amor, fazei que vos sirvamos de todo o coração”. Primeira leitura: Ex 32,7-11.13-14 E o Senhor desistiu do mal que havia ameaçado fazer. A primeira leitura nos ensina que a misericórdia divina para com o pecador prevalece sobre a cobrança da Lei de Moisés. No monte Sinai, Deus havia dado a Israel os dez mandamentos e outras leis, por intermédio de Moisés. Firmou também uma aliança (pacto) com o povo libertado da escravidão do Egito. Por esta aliança, Deus escolheu Israel como seu povo. Israel, por sua vez, se comprometia a ter o Senhor como seu único Deus e a observar as suas leis. Mas enquanto Moisés recebia na montanha as tábuas da Lei o povo caiu na idolatria. Fizeram para si um bezerro de ouro para adorar e diziam: “Estes são os teus deuses, que te fizeram sair do Egito”. No entanto, na introdução aos dez mandamentos, Deus assim se apresenta: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te libertou do Egito, lugar de escravidão” (Ex 20,2). Portanto, Israel traiu a aliança com seu Deus e tornou-se infiel. Deixou de ser para Deus o “meu povo” e passou a ser “não-meu-povo” (cf. Os 1,9; 2,22-25). Por isso, na leitura de hoje, Deus manda Moisés descer do monte e lhe diz: “Corrompeu-se o teu povo, que tiraste da terra do Egito”. Em outras palavras, Deus já não reconhecia Israel como o seu povo que libertou do Egito. Por isso, Deus parece pedir a Moisés que não interceda mais em favor do povo (cf. Jr 7,16; 11,14; 14,11) e que o deixe exterminar Israel, com a promessa de fazer de Moisés uma grande nação. Moisés, porém, é solidário com o povo que, em nome de Deus, libertou os hebreus do Egito (“teu povo”), e começou logo a interceder em favor dos hebreus. Pela fé, Moisés tinha consciência que Deus ouve os lamentos dos hebreus oprimidos e se lembra da aliança com Abraão, Isaac e Jacó (Ex 2,23-25; 3,7-10). Moisés tinha consciência que Deus o havia escolhido para libertar seu povo oprimido e conduzi-lo à terra prometida (cf. Ex 2,1-10). Enfim, se Deus exterminasse seu povo seria infiel às promessas que havia feito (cf. Ex 3,7-10). Então Deus desistiu de cumprir sua ameaça, em atenção à súplica de Moisés. Podemos resumir assim a mensagem desta leitura: Deus é sempre fiel a sua aliança; a misericórdia divina triunfa sobre a justiça da Lei; por outro lado, a súplica confiante dirigida a Deus atrai sua misericórdia. Salmo responsorial: Sl 50 Vou agora, levantar-me, volto à casa de meu pai. Segunda leitura: 1Tm 1,12-17 Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores. Na segunda leitura ouvimos parte da carta que Paulo escreveu a Timóteo, bispo de Éfeso, talvez quando estava preso em Roma. Com simplicidade apresenta sua missão num tom místico. Agradece a Cristo pelo dom da fé e pela força da graça recebida. Paulo, que antes blasfemava a Cristo e perseguia nos cristãos reconhece que, mesmo assim, Cristo o escolheu para servi-lo como pregador do Evangelho. Apesar de ser pecador, Paulo encontrou a misericórdia divina pelo dom da graça, da fé e do amor que há em Cristo Jesus. Agradece porque “Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores” e Paulo se considera o primeiro deles. Paulo encontrou em Cristo a misericórdia divina, tornando-se modelo para todos os crêem em Cristo e esperam alcançar a vida eterna. – Reconheço a ação da misericórdia divina em minha vida? Sou capaz de manifestá-la aos outros? Aclamação ao Evangelho: 2Cor 5,19     O Senhor reconciliou o mundo com Cristo, confiando-nos sua Palavra,             A Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva! Evangelho: Lc 15,1-32 Haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte. Lucas reúne no cap. 15 três parábolas sobre a misericórdia. A liturgia de hoje permite escolher o texto mais curto, com as parábolas da ovelha e da moeda perdidas, ou o texto mais longo, que inclui a parábola do filho pródigo (ver 4º Domingo da Quaresma, ano C). Para melhor entendermos a mensagem convém prestar atenção ao contexto em que são colocadas as parábolas. Jesus, seguido por multidões (23º domingo), está em viagem a Jerusalém. Nessa viagem Lucas situa muitos ensinamentos do Mestre. A cena de hoje mostra Jesus rodeado de cobradores de imposto e de pecadores, dispostos a escutar seus ensinamentos. Também os fariseus estavam ali, mas apenas para criticá-lo. Os fariseus consideravam-se justos, mas criticavam os publicanos e pecadores. É neste contexto que Jesus conta as três parábolas. Na parábola da ovelha perdida Jesus traz um exemplo da vida do campo. Um pastor tem cem ovelhas, perde uma, deixa no curral as noventa e nove e vai à procura da única ovelha perdida. Quando a encontra, carrega-a nos ombros e, cheio de alegria, convida os amigos para uma festa. E Jesus arremata a parábola com uma sentença: “Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”. Na parábola da moeda perdida, o exemplo trazido é o da dona de casa numa cidade. Toda a sua “poupança” se resumia a dez moedas de prata. Ao perder uma delas, acendeu uma lamparina e procurou cuidadosamente a moeda até encontrá-la. Feliz por ter encontrado a moeda perdida, a mulher convidou as amigas e vizinhas para festejarem com ela. E Jesus conclui: “Haverá alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte”. – A ovelha perdida torna-se até mais querida que as noventa recolhidas no curral; a moeda perdida torna-se mais preciosa que as nove ainda guardadas. A alegria de encontrar a ovelha e a moeda perdidas é partilhada com amigos e vizinhos. Assim também, diz Jesus, a alegria será partilhada no céu, isto é, com Deus e seus anjos, por um só pecador que se converte. Em outras palavras, Deus misericordioso (1ª leitura) quer salvar a todos os que criou no seu amor (cf. Ez 18,32).   Santos e pecadores Frei Clarêncio Neotti Lucas começa as parábolas da misericórdia com uma observação, que mostra bem o contexto em que foram pronunciadas pelo Mestre. Jesus acolhe os pecadores e come com eles (v. 1). Os Sinóticos são unânimes em dizer que Jesus sentava-se à mesa e comia com os pecadores e aceitava sua hospitalidade (Mc 2,15; Mt 9,10; Lc 5,29). Lembremos que “pecadores” aqui não são necessariamente os que transgrediam os Dez Mandamentos, mas os que não podiam observar os 365 preceitos que os fariseus impunham, ou exerciam uma profissão considerada aviltante (pastor, pescador, curtidor de couros, vendedor ambulante, condutor de bestas de carga, jogador de dados) ou eram analfabetos (porque não conseguiam ler os livros sagrados). Os publicanos cobravam os impostos para os romanos e, por isso, eram considerados traidores do povo eleito, ladrões e impuros. Jesus costumava comer com publicanos e pecadores, tanto que os fariseus o chamaram de “comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores” (Lc 7,34). Sentar-se à mesa de alguém era sinal muito claro de comunhão e amizade. Isso escandalizava fariseus e escribas e era uma das razões por que não conseguiam acreditar em Jesus como profeta e enviado de Deus. Nas parábolas de hoje, Jesus se justifica, mostrando que seu Deus e Pai é diferente do Deus dos fariseus: é um Deus misericordioso com justos e injustos, com santos e pecadores (Lc 6,35-36; Mt 5,43-48).   Um imenso e inaudito amor O pai espreita seus filhos com ternura Frei Almir Guimarães Vós sereis amamentados e ao colo carregados e afagados com carícias; como a mãe consola o filho, em Sião vou consolar-vos. Isaías 66, 12-13 As parábolas de Jesus não cessam de nos encantar e surpreender. Por detrás de cada delas um convite a que continuemos a buscar o Evangelho vivo que se chama Jesus. Lições de vida. Convites do Altíssimo a que venhamos a ser bemsucedidos nas fascinante arte de viver. Mais uma vez esse texto de Lucas. Costumamos dizer que se trata da parábola do filho pródigo que volta à casa depois de loucuras. Muitos preferem dizer que a história do Pai das misericórdias.Outros afirmam que o nó da trama está no filho mais velho que não consegue ter a grandeza de deixar seu próprio ego e buscava aplicar a lei do dente por dente, friamente, rejeitando o irmão delinquente. Prefiro ver nessa historieta oderramamento sem limites da bondade do pai que lembra o Pai das alturas e do mais íntimo nos quer um bem sem limites. Que nos leva pela mão e nos acaricia como uma mãe. Ele é pai e é mãe. O filho mais novo partiu. Quis tentar a vida. Pediu a parte da herança que lhe cabia para fazer a aventura da vida a seu modo e jeito. O pai não impediu a saída. A partir de então sentiu-se paralisado e vivia espreitando ohorizonte. “Esse meu filho, precisava voltar. Que tolo, esse a quem quero tanto bem”. Um autor chama atenção para o pormenor de que o pai em vez de procurar o filho, torna-se um espia do horizonte. Nada faz. Paralisado. Tem no nome dofilho gravado na palma de suas mãos. Inativo, inerte, espera. Tudo leva a crer que o filho mais velho não ficou ao lado pai. O irmão mais novo tinha resolvido fazer a vida… Agora sua vida não podia parar. Não teve ideia de ficar ao lado do pai no seu sofrimento. Fechou-se no seu mundoe na convicção de que o outro não merecia compaixão. Ele continuaria a fazer as coisas bem certinhas para passar no vestibular da vida. Um autor observa que o olhar atento do pai para o horizonte lembra a atitude do Senhor Deus no jardim do Éden: “Adão, onde tu estás?”. Esse grito do Senhor vai se repetir ao longo das páginas das Escritura ao longo da históriada salvação e que só cessará quando todos se reunirem em torno de Cristo, santos e imaculados. Onde tu estás nesta fase de tua vida, depois de uma parte da viagem? Somos o pródigo. Talvez tenhamos praticado loucuras. Talvez muitos teríamos podido ser mais gente se fôssemos mais atentos aos olhares cabisbaixos, aos passos titubeantes, aos fracassos existenciais de tantos. Talvez estejamosou estivemos vivendo uma vida de satisfações de pequenos interesses, no meio de um emaranhado de meias mentiras, nada de bárbaro, mas uma sucessão de atos que nos levaram a ser banais, posturas que nos apequenaram. Uma vida cristã deritos e de repetição de fórmulas cerebrais que nunca nos disseram nada no passado e muito menos no presente. Sensação de solidão. Não chegamos ao extremo vivido pelo rapazinho da parábola. Nosso nome está gravado nas mãos do Senhor. Quando o pai avistou ou vulto do filho correu, sentiu compaixão, abraçou-o ternamente. Era ali o Deus de ternura e piedade. Mesmo que uma mãe esqueça de seu filho, ele, o Pai, não esquecerá de seus filhos. Nada mais a recordar. “Quando o jovem destruído pela fome e pela humilhação, volta para a casa, o pai torna a surpreender a todos. “Comovido” corre ao seu encontro e o beija efusivamente diante de todos. Esquece-se de sua própria dignidade, oferece-lhe o perdão antes de ele declarar-se culpado; restabelece-o em sua honra de filho, protege-o da rejeição dos vizinhos e organiza uma festa para todos. Por fim, poderão viver em família de maneira digna e feliz” (Pagola, Lucas,p. 260). “O Senhor é indulgente e favorável, é paciente, bondoso e compassivo… Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune me proporão às nossas culpas… Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos queo temem” (Sl 102). O filho mais velho. Um mistério. Estava acostumado a ser “certinho”. Sente-se ofendido. O irmão ingrato e inconsequente era agora recebido com festa e gastança. Seu pai havia enlouquecido. O pai o convida para a festa. Nãoaceita e sente-se um estranho em sua própria casa. Deixa a descoberto seu ressentimento. Passou a vida inteira com o pai e não aprendeu a amar como ele amava. Só sabe exigir seus direitos e não amar o irmão que volta completamentearruinado. Não entrou na festa da acolhida. Um pai bom, extremamente bom, sempre a espreitar o horizonte de nossas vidas. Sem se cansar. Inventou-nos para o amor preferimos privilegiar a nós mesmos. Um pai acolhendo de braços abertos os que andam perdidos e suplicando aosfiéis que acolham todos com amor. Um rapaz que abusa da liberdade, que mergulha em abismos profundos. Nós. Degrada-se. Drogas, infidelidades, falta de carinho para com pais idosos mesmo se não tenham sido os melhores pais da face da terra. Pessoas queacumularam e não tiveram capacidade de olhar o rosto dos passantes. Apesar de todos os convites misteriosos de Deus preferiram seu mundo e o resto… bom o resto. Um homem certinho mas corroído pelo orgulho de ser correto e incapaz de olhar o irmão com olhar de seu pai. Um vida sem amor que é antecipação do inferno com tudo muito e bem certinho. A porta do coração do Pai está sempre aberta e ele anda espreitando os filhos que podem chegar de longa ausência, cansados e com a impressão de terem sido derrotados. Deus prepara uma festa para nós se voltarmos para o rumode sua casa. Oração Desperta, Senhor, nossos corações,que adormeceram em coisas triviaise já não têm força para amar com paixão.Desperta Senhor nossa esperança,que se apagou com pobres ilusõese já não tem razões para esperar.Desperta, Senhor, nossa sede de ti,porque bebemos águas de sabor amargo,que não saciam nossos anseios diários.Desperta, Senhor, nosso silencio vazio,porque precisamos de palavras de vida para vivere só escutamos propagandas da moda e do consumo. F.Ulíbarri   Parábola para nossos dias José Antonio Pagola Em nenhuma outra parábola Jesus conseguiu penetrar tão profundamente no mistério de Deus e no mistério da condição humana. Nenhuma outra é tão atual para nós como esta do “pai bom”. O filho mais moço diz ao pai: “Pai, dá-me a parte da herança que me cabe”. Ao reclamá-la, está de alguma forma pedindo a morte do pai. Quer ser livre, romper amarras. Não será feliz enquanto seu pai não desaparecer. O pai consente com seu desejo sem dizer nenhuma palavra: o filho deve escolher livremente seu caminho. Não é esta a situação atual? Muitos querem hoje ver-se livres de Deus, ser felizes sem a presença de um Pai eterno em seu horizonte. Deus deve desaparecer da sociedade e das consciências. E, da mesma forma que na parábola, o Pai mantém silêncio. Deus não coage ninguém. O filho parte para “um país distante”. Precisa viver longe de seu pai e de sua família. O pai o vê partir, mas não o abandona; seu coração de pai o acompanha; cada manhã o estará esperando. A sociedade moderna se afasta sempre mais de Deus, de sua autoridade, de sua lembrança … Não está Deus nos acompanhando enquanto o vamos perdendo de vista? Logo o filho se instala numa “vida desordenada”. O termo original não sugere apenas uma desordem moral, mas uma existência insana, descontrolada, caótica. Em pouco tempo sua aventura começa a transformar-se em drama. Sobrevém uma “fome terrível” e ele só sobrevive cuidando de porcoS, como escravo de um estranho. Suas palavras revelam sua tragédia: “Eu aqui morro de fome”. O vazio interior e a fome de amor podem ser os primeiros sinais de nosso afastamento de Deus. Não é fácil o caminho da liberdade. O que nos falta? O que poderia encher o nosso coração? Temos quase tudo, então por que sentimos tanta fome? O jovem “entrou em si mesmo” e, aprofundando-se em seu próprio vazio, recordou o rosto de seu pai, associado à abundância de pão: na casa de meu pai eles “têm pão” e aqui “eu morro de fome”. Em seu interior desperta o desejo de uma liberdade nova junto a seu pai. Ele reconhece seu erro e toma uma decisão: “Pôr-me-ei a caminho e irei procurar meu pai”. Pôr-nos-emos a caminho para Deus, nosso Pai? Muitos o fariam se conhecessem este Deus que, segundo a parábola de Jesus, “sai correndo ao encontro do filho, lança-se ao seu pescoço e põe-se a beijá-lo efusívamente”. Estes abraços e beijos falam de seu amor melhor que todos os livros de teologia. Junto a ele sempre poderemos encontrar uma liberdade mais digna e feliz.   Opção preferencial pelos pecadores? Pe. Johan Konings Certo dia, eu tive de interromper uma palestra para um grupo de padres, porque não aceitavam que os pecadores convertidos serão tão bem-vindos no céu quanto os que se comportaram bem. Será que Deus é generoso demais para com os malandros que se convertem? São Paulo diz com clareza: “Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro” (2ª leitura). Já a 1ª leitura nos ensina que Deus é capaz de mudar de ideia: reconcilia consigo o pecador penitente. O evangelho (texto longo) nos mostra Deus como um pastor procurando a ovelha perdida do rebanho, como um pai que espera a volta de seu filho vagabundo. Nós achamos estranho um Deus que dá mais atenção a uma ovelha desgarrada do que a noventa e nove que permanecem no rebanho. Não será melhor que uma se perca do que o rebanho todo? Pois bem, foi exatamente isso que disse o sumo sacerdote Caifás para justificar a morte de Jesus. “É melhor que um morra pelo povo todo” (Jô 11, 49-51)! Mas esse um, não era pecador. Deus, em relação ao pecador, não segue o raciocínio de Caifás. É mais parecido com um motorista, que não se preocupa com aquilo que funciona bem, mas fica atento àquilo que parece estar com defeito. Os pensamentos de Deus não ficam parados nos bons; ele está mais preocupado com os extraviados. Faz “opção preferencial” pelos que mais necessitam, os que estão em perigo e, sobretudo, os que já caíram – pois para Deus nenhum mortal está perdido definitivamente. Quem caiu tem de ser recuperado. Esta é a preocupação de Deus. Com os bons, os seus semelhantes se preocupam; para Deus, todos importam. Por isso, ele se preocupa com quem é abandonado por todos. Ele não descansa enquanto uma ovelha está fora do rebanho. Ele não quer a morte do pecador, mas sua volta e sua vida (Ez 33,11). E nós? Nós devemos assumir os interesses de Deus. A Igreja deve voltar-se com preferência para os pecadores, orientá-los com todos os recursos do carinho pastoral e mostrar-lhes o incomparável coração de pai de Deus. Quem se considera justo, como o irmão do filho pródigo, não deve queixar deste modo de agir de Deus. Pois ser justo é estar em harmonia com Deus, receber dele o bem e a felicidade, estar realizado. Por que então lamentar sua generosidade para com o pecador convertido? O “justo” alegre-se com o pecador, aquele que realmente necessitava atenção, o morto que voltou à vida! Mas, talvez, muitos se comportem como justos, não por amor e alegria em união de coração com Deus, mas por medo… e então, frustrados porque Deus é bom, resmungam, como Jonas quando a cidade de Nínive, se converteu. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

PARÓQUIA DE IRITUIA REALIZA MISSA DE ENVIO DAS IMAGENS DO CÍRIO 2019

No dia 13 de setembro, no Cenóbio da Piedade, aconteceu a missa de envio das imagens do Círio de Nossa Senhora da Piedade 2019, que este ano traz como tema: “Batizados e enviados”. Presidida pelo vigário Pe. Manoel Lopes e concelebrada pelo pároco Pe. Aldo Fernandes, a santa missa contou com a presença dos fieis que residem na sede do município e com as lideranças de comunidades, regiões e distritos da Paróquia que vieram também para participar de uma miniassembleia paroquial. Durante a procissão de entrada da santa missa foi apresentada a imagem peregrina de Nossa Senhora da Piedade e o cartaz da festa deste ano. Já no encerramento, Pe. Aldo fez a benção da água e das imagens que peregrinarão por todo o município até a abertura do Círio que este ano será celebrado de 19 a 27 de outubro. Seguindo a programação do dia, aconteceu a miniassembleia paroquial para avaliação do 1º semestre de 2019 e planejamento das ações para a continuidade do ano, visto que em dezembro acontecerá a assembleia paroquial como de costume. O Círio de Nossa Senhora da Piedade é uma das maiores festas religiosas do município de Irituia. Atrai romeiros da cidade, do interior e de outras cidades que vem apreciar as homenagens que a Paróquia faz em honra de sua padroeira, Maria, a Mãe de Jesus, que carinhosamente é chamada pelos irituienses de Mãe da Piedade. Nossa Senhora da Piedade, Rogai por nós! Por Laury de Jesus Paróquia Nossa Senhora da Piedade

Grito dos/as Excluídos/as 2019

O Grito dos excluídos e excluídas em 2019 está na sua 25ª edição, mantendo sempre o tema e o objetivo de defender a vida antes de qualquer outra coisa, anunciando a esperança de um mundo melhor, promovendo ações de denúncias dos males causados por este modelo econômico. Assim, o lema desta edição mais uma vez alerta para a insustentabilidade deste sistema que não vale! Lutamos por justiça, direito e liberdade. E a 25ª edição do Grito dos Excluídos levou às ruas mais de 200 atos por todo o país, entre os dias 5 e 7 de setembro, segundo balanço da organização divulgado neste domingo (8). Rodas de conversa em preparação ao Grito dos Excluídos 2019/ Foto: Cáritas Diocesana Em Bragança também houve a Marcha dos/as Excluídos/as, no dia 7 de setembro a noite. Dezenas de pessoas participaram. O Grito dos Excluídos 2019, unido ao tema da Campanha da Fraternidade (Fraternidade e Políticas Públicas), deve colaborar para desencadear um amplo processo de movimentação popular em defesa dos direitos sociais. São muitos os problemas e desafios da sociedade atual. É preciso olhar, sobretudo para a realidade das pessoas que mais sofrem as consequências de um sistema que impede a vida com dignidade em nome do acúmulo cada vez maior do capital. E, juntos, lutarmos por justiça, direitos e liberdade! Cartaz do Grito ano 2019/ Imagem: Divulgação Por Diocese de Bragança Com informações de: https://www.gritodosexcluidos.com/jornal-70

23º Domingo do Tempo Comum

O privilégio do desapego  Frei Gustavo Medella “Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,26). À primeira vista, a frase de Jesus parece chocar quem a lê, dado que os laços familiares são, a princípio, algo importante e central na vida do ser humano. No entanto, se o leitor, em vez de colocar a ênfase do ensinamento sobre os parentes (pai, mãe, irmãos etc.) e perceber que no centro da questão está o desapego, a compreensão se torna mais fácil e plausível. Apegar-se é um caminho que aprisiona e aliena, pois geralmente leva a uma espécie de “objetificação” do outro. Quem vive apegado a pessoas corre o risco de considerá-las coisas de sua propriedade. Pais com apego excessivo aos filhos, por exemplo, podem torná-los muito dependentes e pouco preparados para enfrentar os desafios da vida. No relacionamento a dois, o apego geralmente gera ciúmes excessivos e até violência. Ninguém é propriedade de ninguém. Desapegar-se é, portanto, uma graça. É adquirir a maturidade de que a vida é maravilhosa, mas muito curta e passageira, tal como reza o salmista, quando diz que os dias do ser humano, “Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca” (Sl 89). Carregar a cruz significa aceitar os limites a abraçá-los com amor, vivendo na gratuidade e confiando-se ao seguimento de Cristo sob os olhos amorosos do Pai.   23º Domingo do Tempo Comum Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”. 1. Primeira leitura: Sb 9,13-18 Quem pode conhecer os desígnios do Senhor? O texto da primeira leitura parte de uma pergunta: Pode o ser humano conhecer os “desígnios”, isto é, os planos do Senhor? E responde que o ser humano é mortal e como tal é incapaz de conhecer, isto é, desvendar qual é o projeto de Deus que lhe diz respeito. Pode conhecer o mundo que o cerca, mas não o desígnio de Deus. Conhecer o desígnio ou vontade de Deus é um dom que Deus nos concede. Iluminado pela Sabedoria do espírito’ divino, o ser humano aprende como agradar a Deus e será salvo. A sabedoria transmitida pelas nossas famílias e pela comunidade cristã nos conduzem a Jesus. Cristo, a Sabedoria de Deus, é quem nos ensina o caminho da salvação. Salmo responsorial: Sl 89 Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós. 2. Segunda leitura: Fm 9b-10.12-17 Recebe-o, não mais como escravo, mas como um irmão querido. Na segunda leitura ouvimos parte da menor das Cartas do apóstolo Paulo. Tem apenas um capítulo. Paulo está preso por causa da pregação do Evangelho. Na prisão está também um escravo fugitivo de nome Onésimo (= inútil), pertencente a um amigo cristão, chamado Filêmon. Paulo, já idoso e preso, não deixa de falar de Jesus ao escravo Onésimo, que se converte, é batizado e torna-se seu filho, que ele “fez nascer para Cristo na prisão”. Paulo é cidadão romano e respeita as leis do Império referentes a um escravo fugitivo. Dispõe-se a devolver o escravo. Poderia pedir a Filêmon que deixasse Onésimo como seu representante para cuidar de Paulo na prisão. Mas não o faz para não forçar um gesto de bondade de Filêmon. Pede-lhe que receba de volta Onésimo, já não como escravo, propriedade do patrão, mas como irmão muito querido em Cristo como o próprio coração de Paulo. Receba Onésimo como pessoa humana e como irmão em Cristo. Toda a Carta revela a delicadeza de Paulo no trato com os irmãos de fé. Paulo não despreza as leis romanas, mas eleva a relação patrão-escravo a um novo patamar mais elevado, onde prevalecem os direitos humanos e se vive o evangelho de Jesus Cristo. Entre os cristãos, diz Paulo, “já não há judeu nem grego, escravo nem livre, pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28). Por fim, Paulo faz um último apelo: Recebendo Onésimo como escravo-irmão, Filêmon mostrará que está em comunhão de fé porque no escravo fugitivo recebe o próprio com Paulo. Devolve o escravo Onésimo a Filêmon, como se fosse “o seu próprio coração”. Paulo ama Onésimo como irmão em Cristo, assim o deve receber Filêmon, já não como simples escravo, mas como irmão. Aclamação ao Evangelho: Sl 118,135 Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servoe ensinai-me vossas leis e mandamentos. 3. Evangelho: Lc 14,25-33 Qualquer um de vós, se não renunciar a tudo que tem,Não pode ser meu discípulo. Jesus está a caminho de Jerusalém, onde seria preso, condenado à morte e crucificado. Era uma viagem à Cidade Santa para as celebrações da festa da Páscoa dos judeus e Jesus estava acompanhado por “multidões”. Muita gente do povo e os discípulos pretendiam proclamá-lo como rei, mas o propósito de Jesus era cumprir a vontade do Pai. No caminho, Jesus já havia alertado os discípulos que “o Filho do Homem seria entregue nas mãos dos homens” (9,21-22.43-45), porque um profeta devia morrer em Jerusalém (13,31-35). Multidões o acompanhavam para a festa. Mas acompanhar não é a mesma coisa que seguir a Jesus. Exige-se a capacidade de segui-lo no caminho que o levaria ao Gólgota. Por isso Jesus estabelece as condições para alguém se tornar um discípulo: 1) desapego da família e da própria vida; 2) carregar a própria cruz, isto é, as contradições, o desprezo e os sofrimentos que a vida cristã impõe; 3) enfim, renunciar-se a si mesmo, isto é, aos próprios projetos para assumir os que Jesus nos propõe. Para esclarecer as exigências para os discípulos, Jesus conta duas pequenas parábolas que levam cada pessoa a medir as próprias capacidades de seguir o Mestre. A primeira parábola fala do homem que decidiu a construir uma torre, porém foi incapaz de concluí-la. Ficou coberto de vergonha porque as pessoas que passavam diante a torre inacabada diziam: “Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar”! A construção de uma torre exige mais do que construir uma casa… A segunda parábola fala do rei que se preparava para a guerra contra um rei inimigo. Segundo Jesus, o rei deve examinar bem se tem um exército bem treinado, capaz de enfrentar as forças inimigas. Caso contrário, seria melhor enviar embaixadores e negociar a paz. A prudência aconselha a “não dar passos maiores que as pernas”. Aos discípulos de ontem e de hoje, Jesus ensina que o discípulo precisa renunciar ao projeto pessoal e assumir o de Jesus. Não devemos enquadrar Jesus e sua mensagem em nosso projeto pessoal, mas abraçar o projeto que o Mestre nos propõe.   Jesus dá o exemplo Frei Clarêncio Neotti São quatro as condições radicais postas por Jesus: o desprendimento das coisas familiares; o desprendimento da própria vida (dos próprios interesses); o desprendimento de qualquer tipo de posse material ou espiritual e o assumir a cruz, isto é, a própria história em suas situações concretas de cada dia. É, certamente, muito o que Jesus exige. Mas, se olharmos bem, é exatamente o que ele fez, quando veio a este mundo: deixou a glória do paraíso, assumiu a pobreza em todos os sentidos, “aniquilou-se a si mesmo, tomando a condição de servo” (Fl 2,7), sofreu todas as vicissitudes de seu tempo e de seu povo e morreu crucificado. Jesus nada exige que não tenha experimentado primeiro. Aliás, Lucas sugere isso ao dizer que Jesus caminhava à frente das multidões, para quem ‘se voltou’ para ensinar (v. 25). Em outra ocasião, Jesus dissera explicitamente: “O discípulo, para ser perfeito, deve ser como o mestre” (Lc 6,40). Jesus repartiu tudo o que era e o que tinha com os discípulos, até mesmo seu poder divino de perdoar pecados e de santificar (Jo 20,23). Mas quer repartir também a cruz e a morte, partes integrantes de sua missão salvadora, e partilhar a ressurreição e a glorificação, nova meta da criatura redimida.   Que seja bem feita a construção da vida Frei Almir Guimarães De novo estamos com o tema da urgência de um vigoroso seguimento do Mestre. Jesus traça algumas orientações a respeito das qualidades do discípulo. Tudo deve ser centrado nele, o Mestre. Nada pela metade. Não pensamos no seguimento meio longínquo de um Jesus encerrado no tempo que se foi, refém das páginas impressas de um livro chamado Bíblia ou engessado em fórmulas que aprendemos de cor, mas sem condições de dar cores belas à nossa vida. Pensamos no Cristo vivo e misteriosamente presente. Viemos da nada. Vivemos. Um corpo com suas necessidades e reclamos. Os olhos, as mãos, os pés, anelos e desejos do coração. Perguntas e mais perguntas. De onde vim? Para onde vou? Esses outros, tantos outros? Como conviver? Esse planeta, essas águas, essas flores, essas ruas, essa gente toda? Esses dias de paz e de encantadora beleza e esse tempo de dores, de incompreensão? Cabe-nos construir nossa vida a partir de nós e com os outros. Respeitar os gritos de nosso interior. Queremos a beleza, o bem, a verdade e não a ilusão. Queremos ser gente atenta aos movimentos da vida e às sugestões que Deus que as anda fazendo através dos mais sábios, do perfume do Evangelho e dos sinais dos tempos e simplesmente pelo palpitar da vida. Crescer, viver, respeitar os que nos cercam, estar atento aos misteriosos apelos que o Senhor nos faz, não construir de qualquer maneira, cuidar da terra e da água, construir espaços de união e pontos que unam, evitar tudo o que possa nos animalizar, tornar-nos indiferentes a tudo e a todos. Tentar, a duras penas, ouvir o que o Mistério anda sussurrando aos nossos ouvidos por suas visitas. “Estou à porta e bato”. Queremos viver de maneira evangélica. Casa na rocha, sair para a guerra com certeza da vitória. Os que querem seguir a Jesus calculam gastos, procuram se prevenir as surpresas que podem acontecer com o tempo que vai passando. Perseverança para que a torre seja concluída com êxito e não fique inacabada, que o exercito seja forte em coragem e número permitindo a vitória. Como construir a vida com êxito e como discípulos do Senhor? Não existe receita mágica. • Desde o tempo da juventude procurar a verdade do existir. Fugir de tudo que possa ser ilusão, mera aparência, ou seja, enganar-se a si mesmo. Sinceridade consigo mesmo, com sua verdade.• No tempo privilegiado da juventude, entre os 16 aos 30 anos colocar as bases de uma vida sólida: viagens ao fundo do coração para escutar nossos sonhos mais legítimos, viver densas, profundas e sérias amizades, escolher com nitidez uma profissão que não somente dê bons salários, mas que seja também colaboração na construção de um mundo segundo o coração de Deus, fazer uma opção séria e bela pelo casamento, tomar a decisão de um vida de oração e de vivência da missa dominical. Lucidez, responsabilidade e firmeza de propósitos. Tudo feito sobre o sólido. Questão de decisão.• A solidez uma existência humana e cristã se torna possível com o exercício do discernimento, tentar ver claro no meio do nevoeiro. Ter o hábito de refletir.• Na formação sólida do discípulo de Cristo dever-se-á pensar em debates, exercício de meditação, revisões regulares do modo de viver.• A primeira leitura, do livro da Sabedoria, afirma que os desígnios do Senhor só podem ser conhecidos precisamente pela sabedoria. Sabor das coisas. Sabor, sabedoria que acontece quando nos expomos à luz do Espírito que penetra o mais fundo de nós mesmos. Oração A terra começará a ser teu reino… Se nós sairmos para a vidapartindo nosso pão com o faminto,eliminando, uma a uma, as discórdias,pondo o bem em todos os teus caminhos,a terra começará, Senhor, a ser teu reino. Se sairmos para a vidaarmados de concórdia e sem estrondo,tirando a opressão do oprimido,abrindo a casa ao forasteiro,a terra começará, Senhor, a ser o teu reino. Se sairmos para a vidavivendo em nossa carne o teu Evangelho,dizendo que é urgente despertar,que só os sinceros vêm teu reino,a terra começará, Senhor, a ser teu reino.   O que é carregar a cruz? José Antonio Pagola A cruz é o critério decisivo para verificar o que merece trazer o nome de cristão. Quando as gerações cristãs o esquecem, sua religião se aburguesa, se dilui e se esvazia da verdade. Por isso, nós crentes precisamos perguntar-nos qual é o significado mais original do apelo de Jesus: “Quem não carregar sua cruz atrás de mim não pode ser meu discípulo”. Embora pareça surpreendente, nós cristãos desenvolvemos frequentemente diversos aspectos da cruz, esvaziando-a de seu verdadeiro conteúdo. Assim, há cristãos que pensam que seguir o Crucificado é buscar pequenas mortificações, privando-se de satisfações e renunciando a prazeres legítimos para chegar – através do sofrimento – a uma comunhão mais profunda com Cristo. Sem dúvida, é grande o valor de uma ascese cristã, e mais ainda numa sociedade como a nossa, mas Jesus não é um asceta que vive buscando mortificações; quando fala da cruz, não está convidando a uma “vida mortificada”. Há outros para quem “carregar a cruz” é aceitar as contrariedades da vida, as desgraças ou adversidades. Mas os evangelhos nunca falam destes sofrimentos “naturais” de Jesus. Sua crucificação foi consequência de sua atuação de obediência absoluta ao Pai e de amor aos últimos. Sem dúvida precisamos valorizar o conteúdo cristão desta aceitação, do “lado escuro e doloroso” da vida, a partir de uma atitude de fé; mas, se queremos descobrir o sentido original do chamado de Jesus, precisamos recordar com toda a simplicidade o que era “carregar a cruz”. Carregar a cruz fazia parte do ritual da execução: o réu era obrigado a atravessar a cidade carregando a cruz e levando o titulus, um cartaz onde aparecia seu delito. Desta maneira, era mostrado como culpado perante a sociedade, excluído do povo, indigno de continuar vivendo entre os seus.   Os cristãos e as estruturas sociais Pe. Johan Konings “Se Deus só serve para deixar tudo como está, não precisamos dele”; palavra de uma agente de educação popular. O Deus que é apenas o arquiteto do universo, mas fica impassível diante da injustiça dos habitantes de sua arquitetura, não tem relevância alguma. O cristianismo serve ou não para mudar as estruturas da sociedade? São Paulo tinha um amigo, Filêmon. Este – como todos os ricos de seu tempo – tinha escravos, que eram como se fossem as máquinas de hoje. Um dos escravos, sabendo que Paulo tinha sido preso, fugiu de Filêmon para ajudar Paulo na prisão. Paulo o batizou (“o fez nascer para Cristo”). Depois mandou-o de volta a Filêmon, recomendando que este o acolhesse, não como escravo, mas como irmão… Mais: como se ele fosse o próprio Paulo (2ª leitura). Essa história é emocionante, mas nos deixa insatisfeitos. Por que Paulo não exigiu que o escravo fosse libertado, em vez de acolhido como irmão, continuando como escravo? Aliás, a mesma pergunta surge ao ler outros textos do Novo Testamento (1 Cor 7,21; 1Pd 2,18). Por que o Novo Testamento não condena a escravidão? A humanidade leva tempo para tomar consciência de certas incoerências, e mais tempo ainda para encontrar-lhes remédio. A escravidão, naquele tempo, era uma forma de compensação de dívidas contraídas ou de uma guerra perdida. Imagine que se resolvesse desse jeito a dívida externa do Brasil! Seríamos todos vendidos (se já não é o caso…) Antigamente (?), a escravidão fazia parte da estrutura econômica. Na Idade Média, com os numerosos raptos praticados pelos piratas mouros, surgiram ordens religiosas para resgatar os escravos, até tomando o lugar deles. Mas ainda na época moderna, a Igreja foi conivente com a escravidão dos negros. A consciência moral cresce devagar, e mudar alguma coisa nas estruturas é mais demorado ainda, porque depende da consciência e das possibilidades históricas. As estruturas manifestam só aos poucos sua injustiça, e então leva séculos para transformá-las. Porém, a lição de Paulo é que, não obstante essa lentidão histórica, devemos viver já como irmãos, vivenciando um espírito novo, que vai muito além das estruturas vigentes e que – como uma bomba-relógio – fará explodir, cedo ou tarde, a estrutura injusta. Novas formas de convivência social, voluntariados dos mais diversos tipos, organismos não-governamentais, pastorais junto aos excluídos – a criatividade cristã pode inventar mil maneiras para viver aquilo que as estruturas só irão assimilar muito depois. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

22º Domingo do Tempo Comum

Deus se coloca no fim da fila Frei Gustavo Medella Em Portugal, chama-se “bicha”. No Brasil, fila. Reza a lenda que brasileiro é fã de fila. Há controvérsias. De qualquer modo, ela existe de muitos modos. Fila do banco, do pão, do supermercado, de entrada no teatro ou no estádio, do gás, do concurso, a famosa fila do SUS, a da espera ansiosa por um transplante, a do pronto-socorro. Pode ser ordenada a partir de muitos critérios: tamanho, chegada, idade, necessidade, urgência, a partir da distribuição de senhas etc. Às vezes, muitos podem ter a tentação de furá-la, entrando sorrateiramente à frente de um conhecido, acompanhando espertamente o fluxo, pedindo a ajuda ou a intercessão de alguém influente e poderoso. Se há algo comum entre as filas, de todo tipo e espécie, são as desvantagens que se encontra nos últimos lugares. Afinal, estes muitas vezes carecem de garantias. Não sabem se vai sobrar comida para eles, se haverá tempo hábil para seu atendimento, se serão de fato atendidos em suas demandas. O lugar dos últimos é um lugar de incertezas. Quando vem participar integralmente da vida da humanidade em Jesus Cristo, Deus escolhe entrar no último lugar da fila, pois vem pobre, humilde, pequeno, discreto e sem privilégio. Dali, consegue ter uma visão do todo – e esta é uma das possíveis vantagens de se estar no fim da fila. Tem a possibilidade de perceber quem está mais necessitado, quem caminha com honestidade esperando a sua vez e consegue ver as artimanhas dos espertos, que nem sempre se utilizam dos meios mais lícitos para se manterem nos primeiros lugares e, assim, não deixam a fila andar. Do último lugar, o Senhor também se entristece com o egoísmo de quem passa duas, três ou mais vezes na fila sem olhar para seus irmãos que enfrentam a dura dor da carência. É assumindo o lugar dos últimos que o Senhor cumpre os prodígios narrados pelo salmista: “Dos órfãos ele é pai, e das viúvas protetor: é assim o nosso Deus em sua santa habitação. É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados, quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura” (Sl 67). Com seu modo de ser, Deus nos ensina a não brigarmos nem a gastarmos energia lutando pelos primeiros lugares, mas a nos colocarmos como últimos e servidores daqueles que não têm a quem recorrer a não ser ao Senhor.   22º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes”. Primeira leitura: Eclo 3,19-21.30-31 Sê humilde, e encontrarás graça diante de Deus. A primeira leitura trata da humildade em confronto com o orgulho. A pessoa que trabalha com mansidão e humildade, exercendo seus talentos, será mais amada do que uma pessoa apenas generosa. Quanto mais uma pessoa “subir na vida”, tanto mais deve ser humilde; é isso que agrada a Deus. Deus revela seus mistérios aos humildes e não aos orgulhosos. Jesus louva ao Pai que assim age: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). Os humildes – continua o texto – glorificam o poder do Senhor, enquanto os orgulhosos se glorificam a si mesmos. Por isso, para o orgulhoso não há remédio, porque o pecado está enraizado nele. Deus derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes (cf. Lc 1,52). Salmo responsorial: Sl 67 Com carinho preparastes uma mesa para o pobre. Segunda leitura: Hb 12,18-19.22-24a Vós vos aproximastes do monte Sião eda cidade do Deus vivo. Para confortar os judeus convertidos ao cristianismo, o autor da Carta aos Hebreus compara a antiga aliança com Deus no Sinai com a nova aliança em Cristo Jesus. Joga com as palavras aproximar/afastar, separar/reunir. A teofania (manifestação de Deus) do Sinai era descrita, até certo ponto, como “realidade palpável”. Mas também assustadora: fogo, escuridão, trevas e tempestade, som de trombeta e voz poderosa (Ex 19,16). O povo suplicava para não ouvir essa voz poderosa e pedia que o Senhor lhes falasse por intermédio de Moisés (Dt 5,23-30; 18,16). O povo devia afastar-se da montanha sagrada; somente Moisés pôde ali subir (Ex 19, 12-24). Por um lado, pela aliança Deus se unia a seu povo; por outro, era um Deus assustador, que afastava o povo. Se na antiga aliança o povo não podia aproximar-se do monte santo nem de Deus, na nova aliança o cristão pode aproximar-se do monte Sião, cidade do Deus vivo, da cidade celeste, da reunião festiva de anjos, da assembleia dos primogênitos. Pode aproximar-se, sem temor, do próprio Deus, Juiz de todos, de Jesus de Nazaré. Em Jesus, mediador da nova aliança, Deus fez sua morada entre nós (Jo 1,14), para que pudéssemos morar para sempre com Ele na Jerusalém celeste, a cidade do Deus vivo. Em Jesus de Nazaré Deus se aproximou de nós, se fez humano para entrarmos em comunhão definitiva com Ele. “A proximidade com Jesus não assusta, mas compromete” (Konings). Aclamação ao Evangelho: Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim,que sou manso e humilde de coração! Evangelho: Lc 14,1.7-14 Quem se eleva, será humilhado,e quem se humilha, será elevado. Na aclamação ao Evangelho Jesus dizia: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. E no texto que ouvimos Jesus aparece como exemplo de humildade. Jesus foi convidado por um fariseu para tomar uma refeição com ele. Como era se esperar, o fariseu convidou também seus amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos (v. 12); portanto, pessoas do mesmo nível social dos ricos. O fariseu e seus convidados observavam a Jesus, para terem motivo de acusá-lo de uma possível transgressão da Lei. Jesus também os observava e notou que os convidados escolhiam os primeiros lugares, mais próximos do dono da casa. Contou-lhes então uma parábola na qual um convidado a uma festa de casamento, que havia ocupado o primeiro lugar, teve que ceder seu lugar para outro convidado mais importante, passou muito vergonha e foi ocupar o último lugar. É melhor, dizia Jesus, ocupar o último lugar. Neste caso, se o dono da festa te disser: “Amigo, vem mais para cima, isto seria uma honra para ti diante dos convidados”. E Jesus mesmo tira a lição: “Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”. Em seguida, Jesus aconselha o fariseu a não convidar os amigos de seu nível social, e sim, os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Estes não poderiam retribuí-lo com um convite, como os amigos ricos. O Reino de Deus não é o da meritocracia, mas da gratuidade: os pobres e aleijados jamais teriam condições de convidar Jesus a um banquete, muito menos ao fariseu e seus amigos. O que traz a verdadeira felicidade, já aqui na terra, é a esperança da “ressurreição dos justos”, isto é, a participação no banquete da vida eterna. Fariseu significa “separado”. Era a elite religiosa rigorista na interpretação da Lei, que se separava da massa dos pecadores e “impuros”. Jesus não separa, mas une e agrega (2ª leitura). Pede aos ricos que tenham misericórdia dos pobres, desçam de suas “árvores”, convertam-se e partilhem seus bens com os pobres, como o fez Zaqueu (cf. Lc 19,1-10).   Gente dentro, gente fora Frei Clarêncio Neotti Era sábado. Dia santo para os hebreus. Recordavam a criação do mundo e lembravam a libertação da vida escrava do Egito. Liam os Profetas e a Lei. Rezavam salmos de agradecimento. Era um refazer da fé, da unidade, da dependência de Deus. Era também um momento de confirmação do povo santo e escolhido. Jesus aceitou a refeição, mas foi além do comer e do falar. Mais tarde, o autor da Carta aos Hebreus imaginou a glória do céu como um sábado sem-fim (Hb 4,9-10). Mais de uma vez Jesus comparou o Reino dos Céus a um grande banquete, a uma ceia de comunhão eterna, como diz uma das Orações Eucarísticas. Jesus contou duas parábolas. Uma, dirigida diretamente aos convivas. A outra, dirigida ao dono da casa, mas foi dita em voz alta para que os pobres e os estropiados, que estavam de fora, sem convite, pudessem-no escutar e entender. Aliás, nesse dia, os pobres e deficientes físicos deviam ser muitos. Há um trecho, que é saltado na leitura de hoje, em que, apenas chegado ao banquete, Jesus cura um hidrópico (vv. 2-6). O fato deve ter aglomerado muitos para ver Jesus. A liturgia salta o milagre, porque quer acentuar a lição sobre a humildade e a gratuidade. A lição é de atualidade imensa. Se observarmos o mundo de hoje, vemos uns poucos sentados à mesa da fartura, conversando, não raramente sobre Deus, enquanto a maioria dos pobres é tolerada como espectadora, do lado de fora da sala do bem-estar.   O delicado perfume da gratuidade Frei Almir Guimarães A sociedade atual tende a produzir um tipo de homem insolidário, consumista, de coração mesquinho e horizonte estreito, incapaz de generosidade. É difícil ver gestos gratuitos. Às vezes até a amizade e o amor aparecem influenciados pelo interesse e pelo egoísmo.José Antonio Pagola Mais uma vez entramos em contato com a parábola dos convidados para uma festa de casamento que estavam ansiosos por ocupar os primeiros lugares à mesa do banquete. Foram afoitos. Poderia haver gente mais importante a ocupar os lugares que eles andavam pretendendo tomar. Tema da gratuidade, tema da humildade. Postura essencial para entrarmos no mundo de Jesus: pessoas não presunçosas, gente que conhece sua dignidade mas não querem estar sempre na passarela. As coisas não aconteceram tal qual como são descritas por Lucas. Trata-se de uma história que deve nos levar a pensar. As pessoas começavam a chegar. Esperavam os noivos. O desejo de muitos era de ocupar os primeiros lugares, perto dos principais do lugar. Merecimento? Vontade de aparecer? Os que agora são convidados, posteriormente convidariam seus anfitriões. Jogo de troca. Toma lá, dá cá. Às vezes, como diz Pagola, até a amizade e o amor aparecem marcados pelo interesse e pelo egoísmo. Em nossos dias há pessoas que cumprem obrigações sociais em certos eventos… Há mesmo os que ousam ocupar os primeiros lugares sem mérito. Podem ser convidados a deixar o lugar para os amigos mais íntimos do anfitrião. Cuidado. Humildade se opõe a orgulho, pretensões de superioridade, desejo de dominar, imaginação de que somos melhores do que os outros e merecedores de favores. Postura que torna a pessoa insolidária e mesquinha. Os de bom senso contemplam a falta de quem avança esquecendo os outros. Luta pelo poder, desejo desmedido do ego. Em latim se diz humilitas. A palavra deriva de humus, isto é, terra, chão, humus. Humildade significa a coragem de aceitarmos nosso vínculo com a terra, a vontade de conciliarmos com nossa realidade, com o fato que viemos da terra e fomos alçados à dignidade de filhos de Deus por graça, sem mérito de nossa parte. Sabemos que tudo é graça, tudo é dom. Não somos os donos de nós mesmos. Ele, o Senhor, nos inventou e anda nos acompanhando e fecundando o labor de nossas mãos. Tudo dele recebemos. Quando atribuímos valores a nós mesmos estamos roubando o que é do Senhor. São Francisco de Assis dizia: “Nada de vós retenhais para vós mesmos, para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá” (Carta a toda a Ordem 29). O pior que pode acontecer com uma pessoa é que ela viva orgulhosamente. Este talvez seja o mais grave pecado. Homem algum é uma ilha. O mestre não hesitou em ser lavador dos pés dos irmãos. Jesus buscava organização do mundo diferente, sob a lei da partilha. Uma sociedade em que as pessoas pensassem nos mais fracos, nos sem prestígio público, que não ficasse vidrada nas pessoas que pudessem lhes dar lucros, em amizades interesseiras. A leitura do Eclesiástico aborda o mesmo tema: “Para o mal do orgulhoso não existe remédio, pois uma planta de pecado está enraizada nele e ele não compreende”. Em inúmeras passagens a Escritura nos diz que Deus se revela aos humildes e se fecha aos soberbos, que o publicano que rezava com o coração arrependido encontrou a Deus e não o fariseu presunçoso. É extremamente agradável conviver com pessoas simples. Não conseguimos dar atenção por longo tempo a pessoas amantes de ilusórias grandezas e que aberta ou camufladamente incensam-se a si mesmas. A pessoa humilde não precisa alardear sua humildade: sua vida respira simplicidade e temos vontade de conviver com ela. Os que se dizem humildes, nem sempre o são. A pessoa humilde aceita que sua agenda seja modificada diante de um exigência urgente. Não reclama. Troca o bom pelo melhor.A pessoa humilde aceita ocupações simples, domésticas, feitas no oculto.A pessoas humildes dizem como Maria: “O Senhor fez em mim maravilhas.., santo é seu nome. É o Senhor que opera o bem em nós”.O humilde volta atrás numa decisão tomada desde que outro o convença de algo melhor.O humilde não é intransigente, mas senta-se à mesa do diálogo. É homem de negociações. Anselm Grün: “Pessoas humildes não são pessoas que se diminuem ou que sintam paralisadas diante de qualquer tarefa, por se acharem incapazes das mesmas. Humildes são aqueles que têm a coragem de assumir a própria realidade e, nela, comportam-se modestamente”. Eclesiástico: “Na medida em que fores grande deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante de nosso Senhor”. Texto seleto Maria reconhece sua pequenez diante da grandeza de Deus, e porque reconhece é porque ela pode também alegrar-se. Colocar nossa vida nua, a nossa inteira e pequena vida nas mãos de Deus em nada nos diminui. São Paulo há de escrever, na linha do Magnificat, “quando sou fraco, então sou forte, porque nos basta a graça de Deus (2Cor 12,10). (…). Deus nos ama sem por que, ama-nos porque nos ama. A fraqueza que achamos dentro de nós não é obstáculo ao seu amor, ao contrário do que pensamos. Deixemos Deus amar a nossa pequenez, insignificância, escassez, o nosso nada. Porque só isso permitirá que abramos realmente as portas do nosso coração a Deus e aí ele possa dizer que a nossa vocação, qualquer que seja, será o Amor (José Tolentino Mendonça). Oração Pai amado, realiza por meio de nós a obra da verdade.Mantém nossas mãos ocupadas em servir a todos.Faze com que nossa voz anuncie a todos o teu reino.Faze com que nossos pés avancem sempre pelos caminhos da justiça.Guia-nos da ignorância para a tua luz.   Gratuitamente José Antonio Pagola Há uma “bem-aventurança” de Jesus que nós, cristãos, temos ignorado. “Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Feliz de ti, porque eles não podem retribuir-te”. Na realidade, fica difícil para nós entender estas palavras, porque a linguagem da gratuidade nos é estranha e incompreensível. Em nossa “civilização do possuir” quase nada é gratuito. Tudo é intercambiado, emprestado, devido ou exigido. Ninguém acredita que “é melhor dar do que receber”. Só sabemos prestar serviços remunerados e “cobrar juros” por tudo o que fazemos ao longo da vida. No entanto, os momentos mais intensos e culminantes da vida são aqueles em que sabemos viver a gratuidade. Só na entrega desinteressada pode-se saborear o verdadeiro amor, a alegria, a solidariedade, a confiança mútua. Gregório Nazianzeno diz que “Deus fez o homem cantor de sua irradiação” e, certamente, nunca o homem é tão grande como quando sabe irradiar amor gratuito e desinteressado. Não poderíamos ser mais generosos com os que nunca nos poderão retribuir o que fizermos por eles? Não poderíamos aproximar-nos dos que vivem sozinhos e desamparados, pensando apenas no bem deles? Viveremos sempre buscando nosso interesse? Acostumados a correr atrás de todo tipo de gozos e satisfações, atrever-nos-emos a saborear a felicidade oculta, mas autêntica, que se encerra na entrega gratuita a quem de nós precisa? Charles Péguy, um seguidor fiel de Jesus, vivia convencido de que, na vida, “aquele que perde, ganha”.   Simplicidade e gratuidade Pe. Johan Konings As leituras de hoje insistem em virtudes fora de moda: mansidão e humildade (1ª leitura), modéstia e gratuidade (evangelho). Quanto à modéstia, Jesus usa um argumento da sabedoria popular, do bom senso: se alguém for sentar no primeiro lugar num banquete e um convidado mais digno chegar depois dele, esse primeiro terá de ceder seu lugar e contentar-se com qualquer lugarzinho que sobrar. Mas quem se coloca no último lugar só pode ser convidado para subir e ocupar um lugar mais próximo do anfitrião. Ora, citando essa humildade de quem se faz de burro para comer milho, Jesus pensa em algo mais. Por isso, acrescenta uma outra parábola, para nos ensinar a fazer as coisas não por interesse egoísta, mas com gratuidade. Seremos felizes – diz Jesus – se convidarmos os que não podem retribuir, porque Deus mesmo será então nossa recompensa. Estaremos bem com ele, por termos feito o bem aos seus filhos mais necessitados. A gratuidade não é a indiferença do homem frio, que faz as coisas de graça porque não se importa com nada, pois isso é orgulho! Devemos ser gratuitos simplesmente porque os nossos “convidados” são pobres e sua indigência toca o nosso coração fraterno. O que lhes damos tem importância, tanto para eles como para nós. Tem valor. Recebemo-lo de Deus, com muito prazer. E repartimo-lo, porque o valorizamos. Dar o que não tem valor não é partilha: é liquidação… Mas quando damos de graça aquilo que com gratidão recebemos como dom de Deus, estamos repartindo o seu amor. Tal gratuidade é muito importante na transformação que a sociedade está necessitando. Importa não apenas “fazer o bem sem olhar para quem” individualmente, mas também social ou coletivamente: contribuir para as necessidades da comunidade, sem desejar destaque ou reconhecimento especial; trabalhar e lutar por estruturas mais justas, independentemente do proveito pessoal que isso nos vai trazer; praticar a justiça e humanitarismo anônimos; ocupar-nos com os insignificantes e inúteis… Assim, a lição de hoje tem dois aspectos: para nós mesmos, procurar a modéstia, ser simplesmente o que somos, para que a graça de Deus nos possa inundar e não encontre obstáculo em nosso orgulho. E para os outros, sermos anfitriões generosos, que não esperam compreensão, mas, sem considerações de retorno em dinheiro ou fama, oferecem generosamente suas dádivas a quem precisa. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

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EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Eucaristia e orientada pela animação bíblica, promovendo a catequese de inspiração catecumenal, a setorização e a juventude, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (cf. Jo 10,10), rumo ao reino definitivo.

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