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Cúria Diocesana

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29º Domingo do Tempo Comum

Dona Insistência X Dr. Prepotência Frei Gustavo Medella À viúva anônima, poder-se-ia dar o nome de “Dona Insistência”. Ao juiz intrépido, “Dr. Prepotência”. Eis que no embate de interesses, a segunda vence o primeiro porque antes supera em si o medo, a desesperança, a acomodação e não deixa de insistir. É o caminho percorrido por Jesus, diante das muitas barreiras e dificuldades que encontra no decorrer de sua missão. É o trajeto dos discípulos de Jesus quando estes desejam de fato manter a fidelidade no seguimento do Mestre: Insistir e resistir até que justiça aconteça e a vida prevaleça. Insistência e resistência também são os nomes de Franciscos, o de Assis e o de Roma. O primeiro, com sua “santa teimosia”, vence, em si e fora de si, todos os apelos e contrariedades que lhe poderiam impedir de abraçar plenamente o Evangelho como forma de vida. Luta para contrariar os próprios sonhos de nobreza, as projeções de sucesso que o pai sobre ele depositava, as pressões de amigos e conhecidos diante da loucura representada pela nova vida que desejava abraçar. Briga para ter como única garantia a mesma pobreza que garantiu o Filho de Deus enquanto neste mundo caminhou. O outro Francisco, de Roma, insiste, sem peso ou pesar, na promoção de uma Igreja simples, serva, profética, misericordiosa e em saída. E, por conta de tal insistência, segue ofendido por muitos “Doutores Prepotência” que teimam em lhe acusar de herege, comunista e daí para pior. Não se abala, pois sabe-se possuidor da única riqueza da qual não poderia abrir mão: a fidelidade a Jesus Cristo e ao Evangelho, ou seja, à autêntica Tradição. Todo o resto é supérfluo ou, ainda mais, totalmente descartável: poder, ostentação, busca de privilégios, grandes manifestações de força e sucesso devem ser depostos com coragem e desprendimento, a fim de que a busca de fidelidade a uma pretensa Tradição não recaia numa decadente e destrutiva traição a Cristo e ao Evangelho. Vociferar ofensas contra o sucessor de Pedro é o cúmulo da falta de conhecimento histórico e teológico que invalida na raiz todo cabedal de conhecimento que os tais “Doutores Prepotência” julgam ter. Rezemos por eles e peçamos a Deus discernimento e humildade para não nos tornarmos como eles. Como cristão e batizado que procura, em meio às próprias mazelas e pecados, um seguimento razoavelmente fiel a Jesus, não tenho dúvida e tenho lado: fico com a viúva “Dona Insistência”, fico com Cristo e fico com os Franciscos, o de Assis e o de Roma. Amém.   29º Domingo do Tempo Comum, ano C Reflexões do exegeta Frei Ludovico Garmus Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, dai-nos a graça de estar sempre ao vosso dispor,    e vos servir de todo o coração”. Primeira leitura: Ex 17,8-13 E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia. O texto da primeira leitura é um episódio das peripécias sofridas pelo povo de Deus rumo para a Terra Prometida. Os redatores do Pentateuco colocaram ao longo da longa viagem (40 anos) vários ensinamentos ou catequeses que visavam avivar a fé no Deus libertador do Egito (cf. Ex 15,22–18,27). Na caminhada pelo deserto, os hebreus reclamavam contra Moisés pela escassez de água e alimentos. Sentiam-se abandonados por Deus e fraquejavam na fé: “O Senhor está, ou não está, no meio de” (18,7)? Além do mais, beduínos do deserto (amalecitas) ameaçavam exterminar os hebreus. Moisés, então, toma iniciativa de organizar a defesa; manda Josué escolher alguns valentes guerreiros para combater os inimigos. Ele próprio sobe a uma colina em companhia de Aarão e Hur, para suplicar a Deus em favor de Israel. De pé, no alto da colina, com os braços erguidos em oração, Moisés segurava “a vara de Deus na mão” e suplicava em favor do povo. Era a vara ou bastão que Moisés sempre tinha na sua mão, símbolo do poder de Deus (Ex 4,1-5), superior ao poder do faraó. Moisés costumava segurar o bastão na mão quando operava prodígios no Egito (7,19; 8,1.12; 9,22; 10,12.22), na passagem do Mar Vermelho (14,16) ou quando fez jorrar água do rochedo (17,5-60). Enquanto Moisés orava de braços erguidos Israel vencia; quando os abaixava, venciam os amalecitas. Então Aarão e Hur fizeram Moisés sentar-se numa pedra e seguraram suas mãos levantadas, até o pôr-do-sol. E assim Israel venceu os inimigos. – O texto nos ensina que, tanto no plano pessoal como comunitário, devemos fazer tudo o que podemos para superar as adversidades. Por outro lado, devemos manter firme a fé e dirigir-nos confiantes para o Senhor que “está no meio de nós”, porque é dele que vem a nossa força. É no auxílio do Senhor que devemos confiar (Sl 63,7), pois é dele que vem a salvação (Sl 28,7-8). A fé no Senhor, que é nosso auxílio e salvação, se revigora pela oração perseverante (Evangelho). Salmo responsorial: Sl 120 Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra. Segunda leitura: 2Tm 3,14–4,2 O homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. No final de sua vida, Paulo exorta o bispo Timóteo a permanecer fiel aos ensinamentos recebidos de seus mestres. Timóteo foi iniciado na fé pelos ensinamentos de sua avó Lóide, de sua mãe Eunice (2Tm 1,3-5) e de Paulo. Por isso, desde a infância conhecia as Sagradas Escrituras, sobre tudo, o Antigo Testamento, mas também os ensinamentos transmitidos pela pregação cristã. As Sagradas Escrituras, inspiradas por Deus, “comunicam a sabedoria que nos conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus”. Judeus e cristãos tinham a convicção de que as Escrituras são úteis para ensinar, repreender, corrigir e educar para uma vida pautada pela retidão das boas obras. Por meio da escuta e prática da Palavra de Deus Timóteo e os cristãos serão qualificados para praticar as boas obras. Por isso, Paulo insiste com Timóteo que seja incansável em pregar a palavra; que recorra sempre às Sagradas Escrituras para repreender, corrigir e aconselhar “com toda a paciência e doutrina” o seu rebanho. Na missa, primeiro nos alimentamos da mesa da palavra, as leituras e a homilia; depois somos convidados a participar da mesa da Eucaristia. Cristo nos alimenta tanto pela palavra como pelo seu corpo e sangue. Aclamação ao Evangelho: Hb 4,12      A palavra de Deus é viva e eficaz, em suas ações;             Penetrando os sentimentos vai ao íntimo dos corações. Evangelho: Lc 18,1-8 Deus fará justiça aos seus escolhidos que gritam por ele. O Evangelho de hoje coloca-se ainda na viagem de Jesus da Galileia a Jerusalém. Os discípulos e o povo seguem a Jesus. Já mais próximo da meta de sua viagem, Jesus começa a falar-lhes da vinda do reino de Deus (17,20-37), que se cumpre com sua paixão, morte e ressurreição (22,12). É neste contexto que Jesus conta a parábola da viúva e do juiz que não queria lhe fazer justiça. Logo no início Lucas explica que a intenção da parábola é “mostrar a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Os personagens são a viúva pobre, o juiz “que não temia a Deus e não respeitava ninguém” e Jesus que questiona a nossa fé e insiste na oração perseverante. O juiz que não temia a Deus e não respeita ninguém é, provavelmente, um judeu. Como tal sabia que Deus é o protetor dos órfãos e das viúvas, os mais pobres na escala da pobreza (Ex 22,21-23). A pobre viúva não desistia de pedir ao juiz que lhe fizesse justiça contra o adversário, mas o juiz não a atendia. De tanto persistir no pedido de justiça, finalmente, a viúva dobra o juiz e consegue que lhe fizesse valer os seus direitos. O juiz a atendeu, não porque fosse justo, mas apenas para se livrar da viúva que o importunava; “do contrário, ela vai me bater” – dizia ele. Por fim, Jesus explica a parábola com três perguntas que nos questionam e pedem uma resposta (v. 6-9): a) “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele”? De fato, os judeus dominados pelos romanos esperavam a vinda do Messias a qualquer hora (cf. Lc 9,18-21). E Jesus, após ser batizado por João, começou a anunciar a boa-nova do Reino de Deus na sinagoga de Nazaré, como resposta ao clamor dos pobres e oprimidos (cf. Lc 4,16-22). Ensina-nos também a rezar “venha o teu Reino” (Lc 11,2). b) “Será que vai fazê-los esperar”? – Esta pergunta está relacionada à primeira. A resposta divina ao clamor pela justiça é o Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. Devemos pedir a vinda deste Reino, cheios de esperança. É tarefa dos discípulos de Jesus, anunciar a vinda do Reino de Deus e torná-lo presente pelo exemplo de vida. Em cada geração Deus responde ao clamor dos injustiçados e oprimidos na medida em que nós formos capazes de ouvir e responder ao mesmo clamor. Assim, os que clamam a Deus por socorro serão atendidos antes que o Evangelho seja anunciado a todas as nações (cf. Mc 13,10). c) “Será que o Filho do Homem, quando vier, ainda vai encontrar fé sobre a terra”? – Podemos responder “sim”, quando oramos, sem nunca desistir, pela vinda do Reino de Deus. “Sim”, quando somos capazes de ouvir o clamor dos oprimidos e injustiçados e o levamos pela nossa prece até Deus. “Sim”, quando atendemos a este clamor com amor e solidariedade, como o fazia Santa Dulce dos pobres.   Permanecer firmes na fé Frei Clarêncio Neotti Percebe-se, então, que os redatores dos Evangelhos e das Cartas apostólicas acentuam alguns ensinamentos de Jesus sobre a paciência. A paciência histórica. A espera confiante. A parábola do grão de mostarda (Lc 13,19), que cresce lentamente, é símbolo da comunidade que não pode ter a pressa do fim. Jesus ensinou que viria o fim, mas não determinou o tempo (Mc 13,32). Como dissera que o fim viria “de repente” (Mc 13,35), quando menos se esperasse, transformaram o “de repente” em “logo”. Por isso os Evangelhos – escritos nesse tempo – acentuam a espera, a demora, a vigilância, a persistência, a oração incessante. A parusia (últimos tempos) virá. Os que estiverem acordados verão (cf. a parábola das 10 moças em Mt 25,1-13: os que deixarem apagar as lâmpadas, isto é, os que deixarem de crer; os desanimados e desesperados, não acompanharão o Cristo na festa gloriosa). Esse tempo de espera é tempo de frutificar os talentos (Lc 19,12-20), de socorrer os irmãos, de praticar o bem e, sobretudo, é tempo de conversão. Pedro foi claro: o Senhor está retardando o fim, para que todos se arrependam e se convertam (2Pd 3,9). E Paulo escrevia aos Colossenses: “É necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança” (Cl 1,23). Também a parábola de hoje reflete sobre o ensinamento da paciência, junto com o ensinamento da oração persistente. A oração continuada, confiante e humilde é a melhor forma de esperar a segunda vinda, a vinda gloriosa do Cristo Senhor; que certamente acontecerá (2Pd 3,10). A oração perseverante é expressão de fé viva e certeza de que Deus não falha, ainda que tarde (2Pd 3,9).   O tema da Oração Frei Almir Guimarães Deixa que a respiração profunda de teu ser aconteça. Só isso.Não interrogues nem busque.Deixa que seja Deus a procurar-te.Não caminhes. Deus vem ao teu encontro.Não procures contemplar.Permite antes que Deus te contemple.Não rezes. Deixa que, em silêncio, ele reze o que tu és. José  Tolentino Mendonça – Um Deus que dança – Paulinas, p. 21 Mais um vez as leituras  bíblicas nos colocam diante do tema da oração. Em português, oração vem de os, oris, que quer dizer boca.  Etimologicamente, oração seriam palavras  produzidas por nossos lábios e dirigidas a Deus.  Não podemos resumir o mistério da oração a um recitar de fórmulas. Sempre será necessário que elas partam fundo de nosso ser. Conhecemos também a palavra prece (pedir). Em outras línguas prière, preghiera, beten, pray.  Sim, mas cuidado para não transformar a oração num peditório ilusório. O Altíssimo não é um depósito de onde tiramos o que nos falta.  A oração é gratuidade.  Necessidade e alegria de estar com  Ele, o Inominável e, ao mesmo  tempo, o Pai que  nos envolve. Mistério de comunhão. A oração é a tentativa de fazer com que meu ser mais profundo (nosso ser mais profundo) ande à cata de um Mistério que nos envolve e que chamamos de Deus, de Altíssimo, de Amado, de Belo e, no dizer de São Francisco de Assis, “Meu Deus e meu Tudo.  A oração é o extasiar-se de graça diante do Senhor. Pode ser no meio de uma grande assembleia, como no silêncio do quarto. Trata-se de um estar nos achegando a ele de tal forma que ele seja nosso  Amigo de todos os dias.  Tolentino e os que refletem  sobre o tema dizem que é Deus que nos procura.  Ele é que anda atrás de nós. Oração, orar, rezar?  Não podemos forçar.  Há o desejo.  Sem desejo não se busca o Senhor.  Há essa convicção de que viemos dele, do Mistério, e que nosso coração tende para ele.  Agostinho de Hipona: “Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu fora, E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste.  Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-se longe de ti as coisas  que não existiriam, se não existissem em ti.  Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira.  Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz”. O coração é o lugar mais íntimo de cada pessoa. É lá que começa e se  desenvolve a oração.  O coração é a raiz de nosso ser, a sede da liberdade.  Não se reza com a inteligência, nem com a memória nem com a sensibilidade. Reza-se com o coração. Reza aquele que desperta o coração quando esse parece adormecido.  Muitas vezes vivemos na periferia de nosso ser. Rezar com o coração é rezar com o melhor que nós temos. A oração é o grito de um pobre dizendo ou sentindo que precisa da força, do olhar dele.  É um lançar-se no Mistério.  É a decisão de estar com ele na nudez de nossa vida, de graça, com reconhecimento, com o desejo de caminhar sempre num movimento de entrega irrestrita, de um “companheirismo” um tanto desigual, na realidade uma amorosa proximidade.  Caminhar carinhosamente com o Senhor. Estar com… por isso a oração exige silêncio.  Silêncio externo, mas sobretudo aquietação das coisas loucas e agitadas dentro de nós. Silêncio de nossos desejos atropelados para ouvir aquilo que nos dá alento para viver.  Procurar espaços de calma, como o quarto, um canto de jardim, sentar-se à luz tênue de uma capela.  Silêncio de muitos loucos desejos, de tantos pequenos projetos.  “Aqui estou, Senhor, estou contigo.  Preciso entender a linguagem de tua presença”. Caminhar na presença do Senhor com os ouvidos do coração bem abertos, a partir do silêncio de nós mesmos.  Anselm Grün, falando  da vida dos monges  assim se exprime:  “Os monges não se calam por causa de um princípio  abstrato,  nem para se colocarem artificialmente em um certo  estado de ânimo,  nem ainda para demonstrar a si próprio uma  realização ascética.  Eles se calam porque experimentam a Deus e não querem, falando, destruir esta experiência” (As exigências do silêncio,  Vozes p. 71).  Pode ser que manifestemos uma espécie de convicção de que rezamos para obter bens e coisas.  Estamos muito acostumados ao sucesso, êxito,  produção.  Ora, a oração pertence a mundo do inútil, do gratuito. “De alguma maneira é certo que a oração é “algo inútil”, e não serve para conseguir tantas coisas atrás das coisas das quais andamos a cada dia.  Como é inútil o prazer da amizade, a ternura dos esposos, a paixão dos jovens, o sorriso dos filhos, o desabafo  com uma pessoa de confiança, o descanso na intimidade do lar, o desfrute de uma  festa, a paz do entardecer…  Como medir a “eficácia” de tudo isto que, no entanto,  constitui o alento que sustenta o nosso viver? Seria um equívoco pensar que a nossa oração só é eficaz quando conseguimos o que pedimos a Deus.  A oração  cristã é “eficaz”  porque nos faz viver com fé e confiança no Pai e em atitude solidária com os irmãos.”  (Pagola, Lucas, p.  297). Texto  para meditação A  oração cristã não é uma viagem ao fundo de si mesmo.  Não é  um movimento introspectivo.  Não é uma diagnose de nossos pensamentos e moções externas ou íntimas.  A oração cristã é ser e estar diante de Deus, colocar-se por inteiro e continuamente diante sua presença  com uma atenção vigilante àquele que nos convida a um diálogo sem cesuras. Não é oferecer a Deus alguns pensamentos mas entregar-lhe todos os pensamentos, tudo o que somos e experimentamos.  A oração é uma conversão  de atitude, porque a verdadeira oração cristã de centra-nos de nós mesmos  –  das nossas preocupações e afanos,  de nossos desejos egóticos e pouco purificados.  – e orienta-nos para Deus, de modo que tudo o que passamos a desejar é a vontade de Deus, o dom de seu olhar, que, como dizia  Santo Agostinho,  “      é mais íntimo a nós do que nós mesmos”. José  Tolentino MendonçaO tesouro escondido,  Paulinas,  p. 72 Oração Tu nos dás teu amor,ensina-nos a amar-te com todo o coração.Teu amor é fonte de vida,ensina-nos a amar-te com toda a alma.Teu amor é fonte de luz,ensina-nos a amar-te com toda a mente.Teu amor é nossa fortaleza,ensina-nos a amar com todas as forças.   Não desanimar José Antonio Pagola Uma das experiências mais desalentadoras para o crente é comprovar, sempre de novo, que Deus não ouve nossas súplicas. Deus não parece comover-se com nosso sofrimento. Não é de estranhar que esta sensação de indiferença e abandono por parte de Deus leve mais de um ao desengano, à irritação ou à incredulidade. Oramos a Deus e Ele não nos respondeu. Clamamos a Ele e Ele permaneceu mudo. Rezamos e não nos serviu para nada. Ninguém veio secar nossas lágrimas e aliviar nossa dor. Como iremos crer que Ele é o Deus da justiça e o Pai das misericórdias? Como iremos crer que Ele existe e cuida de nós? Desde o começo do mundo há sofrimentos que aguardam uma resposta. Por que morrem milhões de crianças sem conhecer a alegria? Por que ficam desatendidos os gritos dos inocentes mortos injustamente? Por que não acorre ninguém em defesa de tantas mulheres humilhadas? Por que há no mundo tanta estupidez, brutalidade e indignidade? Naturalmente é Deus o acusado. E Deus cala. Cala por séculos e milênios. Podem continuar as acusações e os protestos. Deus não abandona seu silêncio. Dele só nos chegam as palavras de Jesus: “Não temas. Apenas tem fé”. Estas palavras são muitas vezes o único apoio do crente e podem produzir nele uma confiança última em Deus, embora quase não vejamos vestígios de sua sabedoria, de sua justiça ou de sua bondade no mundo Já entendi alguma vez quem é Deus e quem somos nós? Como pretendo julgar a Deus, se não posso abarcá-Lo nem compreendê-Lo? Como quero ter a última palavra, se não sei onde termina a vida nem conheço a salvação última de Deus? O que significam, definitivamente, estes sofrimentos dos quais peço a Deus que me livre? Onde está o verdadeiro mal e onde a verdadeira vida? Jesus morreu experimentando o abandono de Deus, mas confiando sua vida ao Pai. Nunca devemos esquecer seus dois gritos: “Meu Deus, por que me abandonaste?” e “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito”. Nesta atitude de Jesus está recolhido o núcleo da súplica cristã: a angústia de quem busca proteção e a fé indestrutível de quem confia na salvação última de Deus. A partir desta mesma atitude ora o seguidor de Jesus: “sem desanimar”.   A Sagrada Escritura Pe. Johan Konings Antigamente os protestantes se distinguiam dos católicos porque “liam a Bíblia”, como se dizia. De uns tempos para cá, isso mudou. A Bíblia faz parte também do lar católico e, espera-se, não só para ficar exposta sobre um belo suporte de madeira entalhada… O Concílio Vaticano II nos exorta a ler a Sagrada Escritura, usando as mesmas palavras de Paulo na 2ª Leitura de hoje: a Escritura “comunica a sabedoria que conduz à salvação”, “é inspirada por Deus e pode servir para denunciar, corrigir, orientar”. Ora, essa recomendação de Paulo e do Concílio deve ser interpretada como convém. Não significa que cada palavrinha isolada da Sagrada Escritura seja um dogma. A Escritura é um conjunto de diversos livros e textos que devem ser interpretados à luz daquilo que é mais central e decisivo, a saber, exemplo de vida e o ensinamento de Jesus. O centro e o ponto de referência de toda a Sagrada Escritura são os quatro evangelhos. Em segundo lugar vêm os outros escritos do Novo Testamento (as Cartas e os Atos dos Apóstolos), que nos mostram a fé e a vida que os discípulos de Jesus quiseram transmitir. A partir daí podemos compreender como a Bíblia toda deve ser interpretada, para ser “sabedoria que conduz à salvação”, tanto o Novo Testamento como o Antigo (ou Primeiro), que nos mostra o caminho de vida que Jesus, como verdadeiro “filho de Israel”, levou à perfeição. A recomendação de Paulo significa que a nossa fé deve ser entendida à Luz das Escrituras. Jesus usou as palavras do Antigo Testamento para rezar e para anunciar a boa-nova do Reino. Sem conhecer o Antigo Testamento, não entendemos a mensagem de Jesus conservada no Novo. Jesus é a chave de leitura da Bíblia. Isso é muito importante para não fazermos de qualquer frase do Antigo Testamento um dogma definitivo! A lei do sábado, por exemplo, deve ser interpretada como esse profundo senso da humanidade que tem Jesus. As ideias de vingança, no Antigo Testamento, à luz de Jesus aparecem como atitudes provisórias e a serem superadas. Todos os trechos da Bíblia, por exemplo, as parábolas de Jesus, devem ser entendidos dentro do seu contexto e conforme seu gênero e intenção. Não devem ser tomados cegamente ao pé da letra. Muitas vezes apresentam imagens que querem exemplificar um só aspecto, mas não devem ser imitados em tudo (cf. o administrador esperto, no 25º dom. T.C). Também importa ler a Sagrada Escritura no horizonte do momento presente, interpretá-la à luz daquilo que estamos vivendo hoje. Sem explicação e interpretação, a Bíblia é como faca em mão de crianças, ou como remédio vendido sem a bula: pode até matar! Ora, a interpretação se deve relacionar com a vida do povo. Por isso, o próprio povo deve ser o sujeito desta interpretação, mediante círculos bíblicos e outros meios adequados. Todas as reflexões foram retiradas do site franciscanos.org.br

Coleta Missionária acontece neste final de semana

Neste final de semana, dias 19 e 20 de outubro, a Igreja do Brasil realiza a Coleta Missionária durante as celebrações em todas as dioceses. As contribuições arrecadadas beneficiam centenas de projetos para milhares de pessoas ligadas a instituições mantidas nos países mais pobres do mundo. A Coleta Missionária quer despertar a sensibilidade para poder ajudar tantas regiões necessitadas de missionários e de recursos. O Dia Mundial das Missões, realizado no penúltimo domingo do mês de outubro, foi instituído pelo papa Pio XI em 1926, como um Dia de oração e ofertas em favor da evangelização dos povos. A inspiração vem do mandado de Jesus para anunciar a Boa Nova entre todas as nações. Além das ofertas, a Campanha Missionária nos convida a rezar e a refletir sobre a nossa missão no mundo. Saiba como acontece a Coleta Missionária No mês de outubro, em especial no Dia Mundial das Missões, as comunidades e paróquias recebem dos cristãos as ofertas por meio da Coleta para as missões. Essas ofertas são enviadas para as dioceses que recolhem toda a arrecadação de suas comunidades e paróquias. A colaboração do Dia Mundial das Missões tem como finalidade a Evangelização, Animação e Cooperação Missionária. Desta coleta, 80% são destinados para auxiliar atualmente 1.050 dioceses pobres nos “territórios de missão” e diversos projetos na África, Ásia, Oceania e América Latina. Os outros 20% são para a ação missionária no Brasil. Até o final do ano ou no máximo até o mês de fevereiro, as dioceses repassam o valor total das ofertas para a direção nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) em Brasília (DF). No mês de março, a direção nacional das POM comunica a Congregação para a Propagação da Fé, em Roma, o valor arrecadado. A direção nacional das POM repassa os valores para o Fundo Mundial de Caridade em Roma, e na Assembleia Geral, no mês de maio, avalia, aprova e destina os recursos para os Projetos nos cinco continentes. Os principais projetos são:– Trabalhos de promoção humana, catequese e evangelização;– Formação dos futuros sacerdotes e religiosos(as);– Manutenção de missionários e igrejas em terras de missão;– Meios de comunicação social e de transportes;– Apoio e ajuda a centros de educação e saúde, casas de portadores de deficiências físicas;– Construções de capelas, igrejas, seminários e hospitais;– Casas para idosos, orfanatos, creches, centros de reeducação social e dependentes químicos;– Subsídios de urgências em situações de desastres e calamidades públicas. Por fim, os destinatários prestam contas do uso do dinheiro recebido com documentos e testemunhos de gratidão. Disponível no site da CNBB Com informações e fotos: Pontifícias Obras Missionárias

#SínodoAmazônico: apresentados os relatórios dos Círculos Menores

O Sínodo é um dom precioso do Espírito para a Amazônia e para toda a Igreja tanto no aspecto teológico pastoral, quanto pela inevitável tarefa do cuidado da Casa Comum. É um kairós, tempo de graça, ocasião propícia para a Igreja se reconciliar com a Amazônia. Este é o ponto comum que aproxima os doze relatórios dos círculos menores apresentadas na Sala sinodal na quinta-feira a tarde (17). Um Sínodo universal Todos os textos lidos publicamente exprimem a esperança de que seja desenvolvido um novo caminho sinodal na Amazônia e que da assembleia dos bispos no Vaticano seja criada uma fervorosa paixão missionária de uma verdadeira Igreja em saída. O desejo é de que o “viver bem” amazônico se encontre com a experiência das bem-aventuranças: de fato, à luz da Palavra de Deus, alcança a sua plena realização. As propostas concretas que nasceram são muitas e variadas e provém de vários círculos que fazem questão de esclarecer: este não é um Sínodo regional, mas universal, o que acontece na Amazônia refere-se a todo o mundo. Igreja ao lado dos pobres e contra toda forma de violência Um imperativo para a Igreja é escutar o grito dos povos e da terra; não calar, estar ao lado dos pobres para não errar e afirmar “chega de violência”. Na Amazônia a violência assume várias faces: violência nos cárceres lotados, abusos e exploração sexual; violação dos direitos das populações indígenas; assassinatos dos defensores dos territórios; tráfico de drogas e narco-business; extermínio da população jovem; tráfico de seres humanos, feminicídios e cultura machista; genocídio, biopirataria, etnocídio: todos males a serem combatidos porque matam a cultura e o espírito. Também é muito clara a condenação da violação extrativista e o desmatamento. De fato, também foi destacada a ligação entre abuso dos mais frágeis e abuso da natureza. Entre as várias emergências colocadas em evidência, foi dado também muito espaço ao tema da crise climática. Proposta do Observatório Eclesial Internacional dos Direitos Humanos Quem paga o maior preço são os nativos. Pagam com suas vidas, porque não são apoiados, não são protegidos em seus territórios. Por isso, mais de um Círculo Menor solicitou a instituição de um Observatório Internacional dos Direitos Humanos, na convicção de que a defesa dos povos e da natureza deva ser prerrogativa de uma ação pastoral e eclesial. Além disso é sugerido que as paróquias criem espaços seguros para as crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. Reitera-se o direito à vida de todos desde a concepção até a morte natural. A Igreja não deve ser uma ONG. Mais diálogo ecumênico A Igreja – adverte um dos relatórios – tem a tarefa de acompanhar a obra dos defensores dos direitos humanos muitas vezes criminalizados pelos poderes públicos. Porém, ao mesmo tempo não deve agir como uma ONG. Este risco, acompanhado com o de se apresentar de forma exclusivamente ritualista, provoca muitas vezes o abandono de muitos fiéis que buscam respostas à sua sede de espiritualidade junto das seitas religiosas ou outras confissões. Portanto, dos Círculos Menores chega um pedido para que seja dada maior energia ao diálogo ecumênico e inter-religioso com a proposta de dois centros de confronto, um na Amazônia e um em Roma, entre os teólogos do RELEP (Rede de estudos pentecostais latino-americanos)e os teólogos católicos. Ministerialidade, leigos e recusa do clericalismo Invocando um ministério de presença, que rejeite todo o tipo de clericalismo. A este propósito encoraja-se um maior protagonismo dos leigos. De quase todos os Círculos Menores chega o pedido de aprofundar o significado de “Igreja ministerial”, ou seja, uma Igreja onde possa coexistir co-responsabilidade e compromisso dos leigos. O Círculo “Espanhol A” pede por exemplo, que seja concedido de modo equilibrado ministérios a homens e mulheres, abstendo-se porém do risco de clericalizar os leigos. Em nível geral propõe uma cuidadosa reflexão sobre os ministérios do leitorado e acolitado também a mulheres, religiosas ou leigas, adequadamente formadas e preparadas. Mulher e diaconato O tema da mulher está presente em mais de um relatório com o pedido de reconhecer, também em papéis de maior responsabilidade e liderança, o grande valor oferecido pela presença feminina no seu serviço específico à Igreja na Amazônia. Pede-se para garantir, por exemplo no âmbito de trabalho, o respeito dos direitos das mulheres e a superação de todo o estereótipo. A maior parte dos Círculos Menores manifestou o pedido de que seja dada atenção à questão do diaconato para as mulheres na perspectiva do Vaticano II, considerando que muitas funções deste ministério já são desempenhadas pelas mulheres na região. Em mais de um pronunciamento foi sugerido dedicar ao tema um aprofundamento em uma outra assembleia dos bispos, na qual talvez, possa ser dada às mulheres o direito ao voto. Sacerdócio e viri probati Foi sugerido um sínodo Universal específico sobre o tema dos viri probati. Sobre esta temática as perspectivas se diversificam entre um grupo de trabalho e outro. Ao evidenciar que o valor do celibato, dom a ser oferecido às comunidades indígenas, não está em discussão, o Círculo Italiano A alerta quanto ao risco de que este valor seja enfraquecido ou que a introdução dos viri probati possa desestimular o impulso missionário da Igreja Universal a serviço das comunidades mais distantes. A maior parte dos relatórios, principalmente as de língua espanhola e portuguesa, objetivando uma Igreja “de presença” mais do que “de visita”, exprime favor sobre o conferimento do presbiterado a homens casados, de boa reputação, preferivelmente indígenas escolhidos pelas comunidades de proveniência, mas em condições específicas. Especifica que estes presbíteros não devem ser considerados de segunda ou terceira categoria, mas verdadeiras vocações sacerdotais. Não deve ser esquecido o drama das muitas populações da Amazônia que atualmente recebem os sacramentos apenas uma ou duas vezes por ano, também foi pedido às comunidades locais para reforçarem a consciência de que não só a Eucaristia, mas também a Palavra representa um alimento espiritual para os fiéis. Crise vocacional e formação sacerdotal Considerando a dimensão do território pan-amazônico e a escassez de ministros foi cogitada a criação de um fundo regional para a sustentabilidade da evangelização. Além disso o Círculo Italiano A exprime “perplexidade” com relação à “falta de reflexão sobre as causas que levaram à proposta de superar de algum modo o celibato sacerdotal como foi expresso pelo Concílio Vaticano II e pelo magistério sucessivo”. Ao mesmo tempo espera-se uma formação permanente ao ministério com o objetivo de configurar o sacerdote a Cristo e se exorta o envio à Amazônia de missionários que atualmente exercem o ministério sacerdotal no norte do mundo. Diante da crise vocacional, os Círculos Menores relevam uma diminuição substancial da presença de religiosos na Amazônia e esperam uma renovação da vida religiosa que, sob impulso da Confederação latino-americana dos religiosos , CLAR, seja promovida com renovado fervor, de modo especial no que se refere à vida contemplativa. Também foi focalizada a formação dos leigos: deve ser integral e não apenas doutrinal, mas também kerigmatica, fundada na doutrina social da Igreja e que leve à experiência e ao encontro com o Ressuscitado. Ao mesmo tempo propõe-se o fortalecimento da formação dos sacerdotes: esta formação não deve ser apenas acadêmica, mas também realizada nos territórios amazônicos com experiências concretas de Igreja em saída, aos lado dos que sofrem, nos cárceres ou nos hospitais. Foi solicitada também a constituição de seminários indígenas onde possa ser estudada e aprofundada a teologia local. Diálogo intercultural e inculturação Os Círculos Menores pedem que seja consolidada uma teologia e uma pastoral de rosto indígena. Diálogo intercultural e inculturação não são entendidos como opostos. A tarefa da Igreja não é a de decidir pelo povo amazônico ou assumir uma posição de conquista, mas acompanhar, caminhar junto numa perspectiva sinodal de diálogo e escuta. Foi proposto introduzir um “Rito amazônico” que ajude a desenvolver, sob o aspecto espiritual, teológico, litúrgico e disciplinar, a riqueza singular da Igreja católica na região. Conforme explicado numa das relações, “devem ser valorizados os símbolos e gestos das culturas locais na liturgia da Igreja na Amazônia, conservando a unidade substancial do rito romano, visto que a Igreja não quer impor uma uniformidade rígida no que não afeta a fé”. Foi sugerida também a promoção do conhecimento da Bíblia, favorecendo a tradução nas línguas locais. Nessa ótica, foi proposta a criação de um Conselho Eclesial da Igreja Pan-amazônica, uma estrutura eclesiástica ligada ao Celam, Repam e Conferências Episcopais dos países amazônicos. “A cosmovisão amazônica”, afirma-se numa das relações, “tem muito para ensinar ao mundo Ocidental dominado pela tecnologia, muitas vezes a serviço da ‘idolatria do dinheiro’. Os povos amazônicos consideram o seu território sagrado. Portanto, deve ser incentivada uma reflexão sobre o valor espiritual do bioma, da biodiversidade e do direito à terra. Por outro lado, o anúncio do Evangelho e a originalidade da vitória de Cristo sobre a morte, respeitando a cultura dos povos, devem ser considerados um elemento essencial para abraçar e entender a cosmovisão amazônica. Missionariedade e martírio O missionário é chamado a despojar-se da mentalidade colonialista, a superar os preconceitos étnicos, respeitar os costumes, os ritos e as crenças. As manifestações com as quais os povos expressam a fé, pedem os Círculos Menores, são apreciadas, acompanhadas e promovidas. Foi sugerida também a criação de um Observatório sócio-pastoral pan-amazônico em coordenação com o Celam, as comissões de Justiça e Paz das dioceses, a Clar e a Repam. Luzes e sombras devem ser reconhecidas na história da Igreja na Amazônia. Deve-se distinguir entre Igreja “indigenista”, que considera os indígenas destinatários passivos da pastoral, e Igreja “indígena”, que os vê como protagonistas da própria experiência de fé, segundo o princípio “Salvar a Amazônia com a Amazônia”. É importante também valorizar o exemplo brilhante dado por muitos missionários e mártires que deram a vida na Amazônia por amor ao Evangelho. O Círculo Espanhol propôs incentivar os processos de beatificação dos mártires da Amazônia. Migração, juventude e cidade Nos textos lidos na sala não faltaram os povos isolados voluntariamente e foi pedido para que eles sejam acompanhados pelo trabalho de equipes missionárias itinerantes. Foi dado espaço também ao tema da migração, sobretudo juvenil. Hoje, 80% da população da Amazônia se encontra nas cidades. Um fenômeno que muitas vezes causa consequências negativas como a perda da identidade cultural, a marginalização social, a desintegração ou instabilidade familiar. Torna-se cada vez mais urgente a evangelização dos centros urbanos e a pastoral deve se adequar às circunstâncias sem se esquecer das favelas, das periferias e das realidades rurais. É urgente também uma pastoral juvenil renovada. No âmbito pedagógico, pede-se à Igreja para promover, de forma decisiva, a educação intercultural bilíngue e incentivar uma aliança de redes de universidades especializadas na ciência da Amazônia e na instrução superior intercultural para as populações indígenas. Tutela da Criação e dimensão ecológica A dimensão ecológica é central nas relações dos Círculos Menores em que se reitera que a Criação é uma obra-prima de Deus, que toda a Criação está interligada. Pede-se para não se esquecer de que “uma conversão ecológica verdadeira começa na família e passa por uma conversão pessoal, de encontro com Jesus”. A partir dessa premissa, é importante abordar questões práticas como as  temperaturas elevadas ou combate às emissões de CO2 (dióxido de carbono). Incentiva-se um estilo de vida mais sóbrio e a proteção de bens preciosos incomparáveis, como a água, direito humano fundamental que, se privatizado ou contaminado, corre o risco de prejudicar a vida de comunidades inteiras. Deve ser destacado o valor das plantas medicinais e incentivado o desenvolvimento de projetos sustentáveis, através de cursos que levem ao conhecimento de segredos e da sacralidade da natureza, segundo a visão amazônica. Alguns Círculos Menores propõem o desenvolvimento de projetos de reflorestação nas escolas de formação em técnicas agrícolas. Pecado ecológico e promoção de uma economia solidária Nessa ótica, insere-se a proposta dupla de inserir o tema da ecologia integral nas diretrizes das Conferências Episcopais e incluir na Teologia Moral o respeito pela Casa Comum e os pecados ecológicos, através de uma revisão dos manuais e rituais do Sacramento da Penitência. A humanidade, reconhecem alguns Padres sinodais, está caminhando em direção ao reconhecimento da natureza como sujeito de direito. “A visão antropocêntrica utilitarista é obsoleta e o homem não pode mais submeter os recursos naturais a uma exploração ilimitada que coloca em perigo a humanidade”. É necessário contemplar o imenso conjunto de formas de vida no planeta em relação umas com as outras, promovendo também um modelo de economia solidária e instituindo um ministério para o cuidado da Casa comum, conforme proposto pelo Círculo Português B. Sínodo para a Amazônia e comunicação Por fim, algumas relações deram espaço ao tema dos meios de comunicação. As redes católicas de comunicação devem ser incentivadas a colocar a Amazônia no centro de sua atenção a fim de difundir boas notícias e denunciar todo tipo de agressão contra a terra mãe e anunciar a verdade. Foi proposto também o uso das redes sociais na Web Rádio, na Web TV e na comunicação rádio a fim de difundir as conclusões do Sínodo. Deseja-se que o “rio” do Sínodo, com a força do “rio amazônico”, transborde dos muitos dons e sugestões oferecidos nas reflexões dos padres sinodais, na Sala do Sínodo, e que dessa experiência de caminhar juntos, possa jorrar novos caminhos para a evangelização e a ecologia integral. Por Vatican News

“A quem recorrer?” pergunta indígena peruana ao Sínodo

“Não há uma tribuna para denunciar os crimes contra a gente e contra o meio ambiente. Onde estão os organismos internacionais? Como podemos ser ouvidos? Aonde podemos ir? A quem recorrer?” Essas foram as perguntas lançadas hoje (16/10) por Yesica Patiachi Yayori, da tribo Harakbut no Peru, durante o Sínodo para Amazônia realizado no Vaticano. Yesica, em nome do povo Harakbut, pediu aos participantes do Sínodo que seja criada uma interface, alguma maneira de os indígenas solicitarem ajuda às autoridades contra os desrespeitos aos direitos humanos e ao meio ambiente. “O Papa Francisco é a primeira autoridade internacional a nos ouvir. Meu povo já fez muitos protestos e tentou inúmeras vezes ser ouvido, desde a época dos meus avós, e só agora tivemos uma oportunidade. O que esperamos do Sínodo é podermos, daqui para frente, ter acesso às autoridades que têm condições de nos ajudar. Não queremos que o Sínodo termine como os discursos dos políticos, que não dão resultados, não só palavras bonitas ou um documento bem escrito que não tem efeito. Acredito que sairão resultados daqui. O Papa é nosso irmão, porque se preocupou conosco”, afirmou a indígena. Yesica explicou que a tentativa de diálogo com as autoridades teve início desde que seu povo sofreu um massacre entre os anos 1920 e 1930. Naquela época, segundo a indígena, seringueiros se aproximaram das tribos para enganá-los, para transformá-los em mão de obra escrava. Ao se revoltarem contra a situação, o povo Harakbut sofreu um ataque. Dos 50 mil que viviam no Peru, 10 mil foram assassinados com armas de fogo de uma só vez. Os corpos foram todos jogados num rio, que ficou contaminado com tamanha quantidade de sangue e restos mortais. “Só tivemos ajuda, até hoje, da Igreja. Depois do massacre, um missionário dominicano, chamado José Alves, veio ao nosso socorro. Se não fosse por ele, eu não estaria aqui para contar a história. Mesmo com essa ajuda, de 50 mil indígenas no início do século passado, hoje somos apenas mil. O pior é que tudo isso não foi registrado, não está nos livros de história do Peru, foi passado de geração para geração. Por isso pedimos socorro. Para nós e para todos os indígenas de todos os países da Amazônia. Precisamos de uma tribuna para denunciar tudo o que acontece com a gente”, afirmou Yesica. A indígena disse que, além da violência, o povo Harakbut sofre uma infinidade de outros desrespeitos que precisam ser denunciados: “nós sofremos preconceito por falar nossa própria língua, nossa cultura não é respeitada, sinto medo porque estamos esquecendo certas palavras do Harakbut de tanto sermos obrigados a falar espanhol. Além disso, nossa floresta continua sendo destruída, os novos modelos de desenvolvimento nos excluem, querem reduzir nossas terras, querem nos ver divididos até desaparecer. Contamos com vocês para a preservação da floresta e a manutenção da dignidade dos nossos povos”, finalizou Yesica. Retirado do site da CNBB

Coletiva Sínodo: poucos padres não devido a celibato; leigos coração da Igreja

O Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que chegou à metade de seu caminho, fez terça-feira um “salto qualitativo”, disse aos presentes na coletiva diária na Sala de Imprensa da Santa Sé, esta quarta-feira (16/10), o secretário da Comissão para a Informação, Pe. Giacomo Costa, graças às intervenções livres de alguns padres sinodais, “que pediram para não fragmentar o caminho da Assembleia na busca de pequenas soluções para os temas individualmente considerados”, mas, preferivelmente, esclareceu o prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Rufini, para “retomar um impulso profético, deixando espaço ao Espírito Santo, para não perder a visão de conjunto”. Ouça e compartilhe! Uma nova dinâmica, mais espiritual, que já deu seus efeitos, “deixando a palavra livre” nos trabalhos dos doze círculos menores, que se reunirão até a tarde desta quinta-feira. No final do dia os relatores apresentarão as 12 relações, que serão publicadas na tarde de sexta-feira, 18 de outubro. A última semana de trabalhos, como previsto, será dedicada a discutir o projeto do documento final, que será votado na Sala do Sínodo na tarde de sábado, dia 26. Dom Wellington Vieira Nessa dinâmica se insere o bispo da Diocese de Cristalândia – TO, dom Wellington Tadeu de Queiroz Vieira, que ressaltou que o problema da falta de sacerdotes é concreto não somente para a Amazônia, “mas também para a Europa, que verifica uma redução do número de ministros ordenados”. Não existem obstáculos, na Bíblia e na teologia, para a ordenação de “viri probati”, homens adultos casados, esclareceu dom Wellington, mas, “e muitos na Sala do Sínodo pensam como eu”, disse o bispo, “não vejo no celibato o obstáculo principal para ter mais sacerdotes. O verdadeiro problema é a incoerência, a infidelidade, e os escândalos causados por ministros ordenados”. “Devemos fazer de modo que no coração das pessoas, sobretudo dos jovens, se desenvolva uma terra fértil. Se também nós presbíteros e nós bispos temos ‘o cheiro das ovelhas’, como nos pede o Papa Francisco, não transmitimos o perfume de Cristo. Porque somos anunciadores somente de nós mesmos, que desse modo distanciamos as pessoas de Jesus”, acrescentou o bispo de Cristalândia. Uma má distribuição dos presbíteros na América Latina O primeiro caminho a ser feito é a conversão dos ministros ordenados, porque, disse ainda dom Wellington Vieira, “o principal instrumento para despertar a vocação nos jovens é a santidade dos atuais evangelizadores: a santidade da simplicidade de vida, da abertura ao diálogo, do anúncio da verdade cristã, da compaixão com quem sofre”. Um segundo problema é também a má distribuição dos presbíteros no território. “Na América Latina há áreas com uma boa presença de sacerdotes, mas com escasso espírito missionário. Muitos deles poderiam ir a regiões de fronteira como a Amazônia”, disse ainda. Dom Pedro: são os leigos que levam adiante as comunidades Em seguida tomou a palavra o bispo de Macapá – AP, dom Pedro José Conti, uma diocese de 148 mil Km quadrados (que ocupa praticamente todo o estado do Amapá), na foz do Rio Amazonas. Ele contou que pediu ao Sínodo que valorize o papel do laicato. “Em minha diocese, que é como todo o norte da Itália – explicou dom Pedro Conti –, em algumas paróquias temos 100 comunidades e apenas 1 sacerdote. Quem leva adiante o trabalho são os leigos e as leigas. Os sacerdotes devem prepará-los, acompanhá-los e guiá-los, mas são eles que constroem a Igreja.” “Nós clérigos, sacerdotes e bispos, pensamos saber tudo, mas não é verdade, precisamos das competências dos leigos e das leigas, e isso é também um antídoto ao clericalismo”, enfatizou. É fundamental, acrescentou o bispo de Macapá, também o serviço de leigos e leigas engajados na política, que sejam formados para dar concretude à doutrina social da Igreja. A Floresta Amazônica será salva por pequenos produtores Para dom Pedro Conti, os pequenos produtores leigos salvarão a Amazônia. O modelo a ser seguido é o das pequenas cooperativas agrícolas, “que convivem com a Floresta, a ‘Floresta em pé’, e que dela extraem os recursos de modo sustentável para comercializar produtos naturais, desfrutando da sua grande riqueza com a sabedoria ancestral transmitida pelos povos indígenas”. “Fiquei emocionado ao ouvir o testemunho deles. Eu vivo a 600Km das aldeias indígenas, numa cidade com meio milhão de habitantes e me encontro às presas todos os dias com os problemas urbanos, e sinto a urgência de uma conversão ecológica”, contou o bispo por fim. Por Alessandro Di Bussolo / Raimundo de Lima Em Vatican News

Francisco: aprender a ir além, olhar a pessoa e as intenções de seu coração

O Papa Francisco prosseguiu o ciclo de catequeses sobre os Atos dos Apóstolos, na Audiência Geral, desta quarta-feira (16/10), que teve como tema “Deus não faz diferença entre as pessoas. Pedro e a efusão do Espírito Santo sobre os pagãos”. “A viagem do Evangelho no mundo, que São Lucas narra nos Atos dos Apóstolos, é acompanhada pela suprema criatividade de Deus que se manifesta de forma surpreendente”, frisou o Papa, destacando que o Senhor “deseja que os seus filhos superem toda particularidade para se abrirem à universalidade da salvação. Este é o objetivo, pois Deus quer que todos sejam salvos”. Sair de si e se abrir aos outros Aqueles que renasceram da água e do Espírito são chamados a “saírem de si mesmos e se abrirem aos outros, a viverem a proximidade, o estilo do viver juntos que transforma toda relação interpessoal em experiência de fraternidade”, disse ainda Francisco. Pedro é testemunha desse processo de “fraternização” que o Espírito quer desencadear na história. Pedro, protagonista nos Atos dos Apóstolos junto com Paulo, “vive um evento que dá uma virada decisiva na sua existência. Enquanto reza, tem uma visão que é como uma provocação” divina que desperta nele uma mudança de mentalidade. “Ele vê uma toalha grande que desce do alto com vários animais: quadrúpedes, répteis e pássaros, e ouve uma voz que o convida a comer aquelas carnes. Como um bom judeu, Pedro reage, dizendo que nunca comeu nada de impuro, conforme pedido pela Lei do Senhor. Então a voz rebate com força: «Não chame de impuro o que Deus purificou». “Com esse fato, o Senhor quer que Pedro não avalie mais os eventos e as pessoas de acordo com as categorias de puro e impuro, mas que aprenda a ir além, a olhar a pessoa e as intenções de seu coração.” "O que torna o homem impuro, de fato, não vem de fora, mas de dentro, do coração. Jesus disse isso claramente.” Segundo o Papa, depois dessa visão, Deus envia Pedro à casa de um estrangeiro incircunciso, Cornélio, “centurião da coorte chamada itálica, religioso e temente a Deus”, que dá muitas esmolas ao povo e orava sempre a Deus, mas não era judeu. Naquela casa de pagãos, Pedro prega Cristo crucificado e ressuscitado e o perdão dos pecados a quem Nele crê. Enquanto Pedro fala, o Espírito Santo desce sobre Cornélio e seus familiares. Pedro os batiza em nome de Jesus Cristo. Um evangelizador não pode ser um empecilho  “Esse fato extraordinário fica conhecido em Jerusalém, onde os irmãos, escandalizados pelo comportamento de Pedro, o repreendem severamente. Pedro fez algo que estava além do costume, além da lei! Por isso, eles o censuram”, sublinhou Francisco. "Depois do encontro com Cornélio, Pedro está mais livre de si mesmo e mais em comunhão com Deus e com os outros, porque viu a vontade de Deus na ação do Espírito Santo. Ele entendeu que a eleição de Israel não é a recompensa pelo mérito, mas sinal do chamado gratuito para ser mediação da bênção divina entre os povos pagãos.” O Papa convidou os fiéis a aprenderem do "príncipe dos Apóstolos que um evangelizador não pode ser um empecilho para a obra criativa de Deus que quer que todos se salvem, mas alguém que favoreça o encontro dos corações com o Senhor". A seguir, Francisco perguntou: “Como nos comportamos com os nossos irmãos, sobretudo com aqueles que não são cristãos. Somos um empecilho para o encontro com Deus? Somos um obstáculo para o seu encontro com o Pai ou o facilitamos?” “Peçamos a graça de nos deixar surpreender pelas surpresas de Deus, de não impedir a sua criatividade, mas de reconhecer e favorecer os caminhos sempre novos pelos quais Cristo Ressuscitado derrama o seu Espírito no mundo e atrai os corações”, concluiu o Pontífice. Por Mariangela Jaguraba Em Vatican News

“CNBB é uma dádiva para Igreja e para sociedade”, diz dom Walmor Oliveira, por ocasião do aniversário da entidade

Do Vaticano, de onde participa do Sínodo para a Pan-Amazônia, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo enviou mensagem por ocasião do aniversário de 67 anos da entidade, celebrado neste 14 de outubro. Veja a íntegra da mensagem do presidente:“A CNBB em seus 67 anos de história é uma dádiva para a Igreja e para a sociedade. Uma dádiva para a Igreja porque é lugar de comunhão, fortalecendo a nós, os bispos, servidores do povo de Deus e frequentemente fortalecendo cada diocese, cada paróquia e cada comunidade. Uma dádiva para Igreja porque trata-se exatamente do compromisso de anunciar o Evangelho. Uma dádiva para a sociedade porque este Evangelho desdobrado como luz para nosso caminho e lâmpada para nossos pés ajuda a sociedade a reencontrar rumos particularmente neste tempo. Louvado seja Deus pelos 67 anos da CNBB. Juntos caminhemos como Igreja Missionária”. Dom Walmor também enviou um vídeo no qual anuncia a realização, a partir deste 14 de outubro, de um tríduo rumo aos 70 anos da CNBB. Veja a íntegra do vídeo no final da matéria. Memória e papel  Como parte das comemorações de seu aniversário de 67 anos, nesta segunda-feira, 14 de outubro, a CNBB recebe as relíquias de Santa Dulce dos Pobres. Para celebrar a data, a CNBB, instituição fundada em 1952, no Rio de Janeiro, preparou uma programação especial focada na memória de Santa Dulce dos Pobres, canonizada no domingo, 13 de outubro no Vaticano. A programação começa às 8h30, com uma missa solene, presidida pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência, dom Joel Portella Amado. As relíquias de irmã Dulce, que pertencem à paróquia São Francisco de Assis, da Ceilândia Sul, serão entronizadas na celebração. A CNBB é a instituição permanente que congrega os bispos da Igreja Católica no país. Atualmente, são 493 bispos, sendo 320 na ativa e 173 bispos eméritos. Destes, 77 são arcebispos e 9 cardeais. Foi instalada em 1952, no palácio São Joaquim, sede da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ). A CNBB funcionou na capital carioca até 1977, quando foi transferida para Brasília (DF). Dom Hélder Câmara, à época bispo auxiliar do Rio de Janeiro, foi o seu primeiro secretário-geral e um dos principais idealizadores e articuladores. No programa Memória Viva de 1983, exibido pela TV da universidade federal do Rio Grande do Norte, dom Helder conta que começou a articular a Conferência dos Bispos quando ainda era padre. A cada quatro anos a CNBB, em sua Assembleia Geral, que reúne os bispos de todo o país, elabora as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja (DGAE). Para o quadriênio 2019-2023, as diretrizes da CNBB foram estruturadas a partir da concepção da Igreja como “Comunidade Eclesial Missionária”, apresentada com a imagem da “casa”, sustentada por quatro pilares: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária. Eleita em sua 57ª Assembleia Geral realizada em Aparecida (SP) em maio deste ano, a atual presidência conta com a seguinte composição: Presidente: dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte (MG); 1º vice-presidente: Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS); 2º vice-presidente: dom Mário Antônio da Silva, bispo de Roraima (RR); Secretário-geral: dom Joel Portella Amado, bispo auxiliar do Rio de Janeiro – RJ. Programação do aniversário de 67 anos: 8h – Café da manhã8h30 – Missa9h30 – Intervalo10h às 11h45 – Apresentação de documentário sobre a vida e as obras de Irmã Dulce12 às 12h30 – Roda de Conversa com padre Danilo dos Santos, do clero da arquidiocese de Salvador, sobre os legados da Santa Foto: Franco Origlia/Getty Images Retirado do site da CNBB

Sínodo: chamados filhos de Deus

Como ocorre todos os dias os trabalhos sinodais têm inicio com a oração comum e com uma reflexão proposta por um dos padres sinodais. Nesta terça-feira a meditação foi proposta pelo arcebispo metropolitanto de Belo Horizonte e presidente da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom Walmor Oliveira de Azevedo. Com o título “Chamados filhos de Deus”, Dom Walmor iniciou a sua reflexão com uma pergunta: “Como pode o amor de Deus permanecer nele? Esta é a interpelante pergunta respondida por São João no terceiro capítulo de sua primeira carta. A resposta a esta pergunta é a questão central na construção da autenticidade no seguimento de Jesus. O discípulo e a discípula são remetidos a uma verificação do tecido que configura o núcleo mais íntimo de seu ser. A referência ao coração, a estação da interioridade, muito além de qualquer possível e arriscado intimismo, é pôr-se em corajoso exercício de análise e levantamentos a respeito da constituição misericordiosa de si mesmo. O coração do discípulo – continuou o arcebispo de Belo Horizonte – “é visceralmente constituído dos sentimentos norteadores da competência de ver o outro e a ele não se fechar, mas sobre ele debruçar-se, comovendo-se, para atender-lhes demandas à luz do conhecimento de suas necessidades e carências”. Falando da compaixão, afirmou que a mesma “é o selo, único e insubstituível selo de autenticidade, cujas raízes de exemplaridade se encontram no modo de ser do Mestre Jesus, aquele que tem compaixão dos seus, ovelhas sem pastor, consciente de sua missão de ungido e enviado para anunciar a boa nova dos pobres, anunciar-lhes o ano da graça, em vez de cinzas, o óleo da alegria”. Ao discípulo é indicado o caminho da resposta à inquietante interrogação, "como pode o amor de Deus permanecer nele?" Uma interrogação que há de ser o mais significativo incômodo existencial no processo diário de qualificação discipular. Põe-se em questão uma indispensável envergadura - disse o arcebispo - que é projeto divino em nós. O princípio é lembrado: (1J0 3,1) "Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos. Esta é a moldura da interpelação existencial posta pela palavra de Deus agora proclamada. Dom Walmor continuou afirmando que “um holofote aceso iluminando a consciência humana interpela à percepção e impacto de sua condição, filho de Deus, considerado o presente grande dado pelo pai: somos chamados filhos de Deus. E nós o somos”. Esta condição gratuita e amorosa se impulsiona pelo princípio do amor cuja lógica há de ser considerada como condição de fomentar o novo em lugar do velho que corrompe:(1 Jo 4,10-11) "10. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados.  "Pois esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns dos outros." Só esta é a escolha possível. Não há outra. A outra opção possível é o pecado. Ora, aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo é pecador desde o princípio. Para isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo". (1 Jo 3,10-13) "Nisto se revela quem é filho de Deus e quem é filho do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, como também não é de Deus quem não ama o seu irmão. Pois esta é a mensagem que ouvistes desde o início: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que, sendo do Maligno, matou o seu irmão. E por que o matou? Porque as suas obras eram más, ao passo que as do seu irmão eram justas. Clareia o horizonte interpelativo diário para nos incomodar e, amparados e fecundados pela graça de Deus, - sublinhou o presidente da CNBB - darmos conta do que nos compete, exatamente na contramão do "possuir riquezas neste mundo e vê o seu irmão passar necessidade, mas diante dele fechar o seu coração. Somos desafiados a uma finesse relacional de modo que não amemos só com palavras e de boca, mas por ações e na verdade. A verdade de Cristo é sua compaixão, suas entranhas de misericórdia. E sempre exigente, porque diária e de todo momento, a tarefa de conseguir estar, existencialmente, dentro do princípio da qualificada filiação divina: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou. Não há outra alternativa senão amar de verdade, correndo sempre o risco de ser dada por descontada, por justificações ou comodidades, por incompetência relacional ou entupimentos humano afetivos, por estreitezas ou por mesquinhez. Nenhuma condição humana, com as circunstâncias que a configuram, está isenta do distanciamento do amor de verdade.  O arcebispo de Belo Horizonte também recordou o dia em que a Igreja faz memória de Santa Teresa, virgem e doutora da Igreja. “Parece oportuno reportar-nos ao que ela indica como exercício vivencial diário, o que constitui a dinâmica da primeira morada do Castelo Interior/Moradas, uma de suas obras clássicas: Ela descreve a primeira morada com a indicação de duas dinâmicas sempre e permanentemente fundamentais na conquista e manutenção da qualificação da condição de filhos e filhas de Deus, discípulos e discípulas de Jesus, para a competência de amar de verdade: Conhece te a ti mesmo e a Humildade. Ela lembra que mesmo tendo alcançado, permanente ou momentaneamente, o matrimônio espiritual, intimidade fecunda no amor de Deus, por limitação do humano, escorregamos e caímos no estágio sempre primeiro que requer exercitar a humildade e o conhecimento de si mesmo. Ninguém pode alimentar a pretensão de ter ultrapassado o estágio deste exercício espiritual diário sob pena de ilusão, endurecimento que entope e produz a dureza de coração que prejudica os pobres, faz sombra à razão, faz gostar de títulos, privilégios e dos primeiros lugares, se deixando levar pela disputa ou tomado por indiferenças, incapacitando para o alcance de percepções para gestos concretos de solidariedade, desapego, simplicidade. Ao contrário, alimentando à semelhança do coração dos fariseus um coração duro, o gosto pelas filacterias, amigos do dinheiro, distanciados também da misericórdia, da justiça e da verdade. “Santa Madre Teresa – concluiu Dom Walmor - nos indica este fecundo caminho, como exercício espiritual e existencial permanente, conhecer-se a si mesmo e a humildade para qualificar nossa cidadania e nos oportunizar, fecundados pela graça de Deus, a conquistar a envergadura de verdadeiros filhos e filhas de Deus, dando tecido bom à nossa cidadania, com força de testemunho transformador e profética atuação no mundo testemunhando o Reino”. Por Sivonei José Em Vatican News

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